terça-feira, 7 de julho de 2020

Em pedido de afastamento, procuradores dizem que Salles promove "desmonte da fiscalização ambiental”

O ministro Ricardo Salles

Aguirre Talento

Extra, 7 de julho de 2020

 

O Ministério Público Federal pediu à Justiça o afastamento do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, por suspeita de práticas de improbidade administrativa. Na ação, movida por procuradores da primeira instância do MPF, eles argumentam que Salles paralisou a fiscalização ambiental e desestruturou políticas públicas da área, na contramão do interesse público.

A ação corre na primeira instância, porque casos de improbidade administrativa não dão direito a foro privilegiado, e é assinada por 12 procuradores da Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF). No documento, o MPF cita o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, tornado público pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, como uma prova de que o ministro atuou com intenção de tomar medidas contrárias à proteção ambiental e promover um “desmonte” na área. 

“As declarações apenas expõem, de forma clara, o que diversos atos já confirmavam: existe um verdadeiro encadeamento premeditado de atuar contrário à proteção ambiental, caracterizando o dolo, elemento subjetivo dos atos de improbidade. Analisando os fatos concretos, desde o início de sua gestão à frente do MMA, o Ministro tem adotado inúmeras iniciativas em flagrante violação ao dever de tutela do meio ambiente, como a desconsideração de normas e critérios científicos e técnicos, em desrespeito aos princípios ambientais da precaução, da prevenção e da vedação do retrocesso”, diz a ação de improbidade.

Os procuradores citam quatro conjuntos de ações realizadas por Salles que prejudicaram o meio ambiente. A primeira delas, a publicação de decretos que desprotegeram florestas e áreas de meio ambiente. A segunda, a desestruturação dos órgãos de debate ambiental com a sociedade civil. A terceira, cortes orçamentários. Por último, o “desmonte da fiscalização ambiental”.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

MPF pede afastamento de Ricardo Salles por improbidade


Poder360

Sérgio Lima/Poder360 O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

O MPF (Ministério Público Federal) entrou com ação de improbidade administrativa contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, acusado de desestruturação dolosa das estruturas de proteção ao meio ambiente. Na ação, 12 procuradores  pedem o afastamento do ministro do cargo em caráter liminar (urgente) e a condenação dele por improbidade administrativa. Eis a íntegra do pedido.

Para o MPF, Ricardo Salles promoveu a desestruturação de políticas ambientais e o esvaziamento de preceitos legais para favorecer interesses que não têm qualquer relação com a finalidade da pasta que ocupa. O processo de desestruturação do sistema de proteção ambiental brasileiro foi realizado por atos, omissões e discursos do acusado, em conduta dolosa (intencional) com o objetivo de fragilizar a atuação estatal na proteção ao meio ambiente.

É possível identificar, nas medidas adotadas, o alinhamento a um conjunto de atos que atendem, sem qualquer justificativa, a uma lógica totalmente contrária ao dever estatal de implementação dos direitos ambientais, o que se faz bastante explícito, por exemplo, na exoneração de servidores logo após uma fiscalização ambiental bem sucedida em um dos pontos críticos do desmatamento na Amazônia Legal”, diz a ação judicial.

O ministro exonerou, no final de abril de 2020, 3 coordenadores da fiscalização ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente: Olivaldi Azevedo, Renê Oliveira e Hugo Loss. As exonerações ocorreram após ações de fiscalização nas terras indígenas Ituna Itatá, Apyterewa , Trincheira-Bacajá e cachoeira seca, na região de Altamira, onde as equipes do Ibama conseguiram reduzir o desmatamento após o aumento, em 2019, que chegou a 754%. Nas operações, que ocorreram no mês anterior às suas exonerações, os fiscais destruíram cerca de 100 máquinas e equipamentos utilizados por quadrilhas para cometer crimes ambientais, número superior ao de todo ano de 2019.

Polêmica das máscaras: 'Veto de Bolsonaro é nefasto', diz senador

(Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)




O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) enviou requerimento ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) pedindo "a imediata" devolução à Presidência da República dos novos vetos feitos por Jair Bolsonaro à lei do uso de máscaras.
O presidente publicou nesta segunda (6) no "Diário Oficial da União", o DOU, veto dizendo que deixa de ser obrigatório o uso de máscaras em presídios. Além disso, estabelecimentos não precisarão mais afixar cartazes informando sobre o uso correto do equipamento de proteção.
Na sexta-feira (3), Bolsonaro já havia feito diversos vetos ao projeto de lei de uso de máscaras aprovado pelo Congresso em 9 de junho, entre eles, dispositivos que tornavam obrigatório o uso do equipamento de proteção em igrejas, comércios e escolas.
De acordo com Randolfe Rodrigues, houve uma "total burla" à Constituição por parte de Bolsonaro, já que o prazo para sanções ou vetos a uma lei é de 15 dias, e já tinha expirado na quinta (2).
Ele vai acionar também o STF (Supremo Tribunal Federal) para questionar a iniciativa.
"Diante de cenário tão grave para a saúde da nossa população, já havia causado espanto na sociedade a decisão do Presidente da República de vetar parcialmente o PL [projeto de lei]", diz o parlamentar na mensagem a Alcolumbre. Depois disso, segue, "o presidente surpreendeu-nos com uma espécie de extensão do veto, via pretensa retificação da publicação. Ora, Excelência, lei não se veta!".
Randolfe lembra ainda que retificações de atos no DOU têm sido constantes no governo Bolsonaro. Ele cita duas delas: a retificação da exoneração de Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal, com a retirada da "assinatura" de Sergio Moro do ato depois de o ex-ministro da Justiça dizer que não participara dele; e a mudança na data de exoneração de Abraham Weintraub do Ministério da Educação (MEC), "após verdadeira fuga do país em momento durante o qual respondia a inquérito no STF [Supremo Tribunal Federal].
Segundo o senador, o ato de retificação publicado nesta segunda (6) é "nefasto" e deve ser devolvido a Bolsonaro, perdendo a validade.
EM TEMPO: Bolsonaro é inegavelmente uma pessoa de má índole. Parabéns para o nosso conterrâneo e senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

domingo, 5 de julho de 2020

Breque dos APPs: uma greve histórica dos entregadores de aplicativos

Edmilson Costa – Secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Trabalhadores e trabalhadoras de aplicativos realizaram uma greve histórica, com manifestações em praticamente todas as capitais e grandes cidades do País, envolvendo milhares de pessoas. Essa é a primeira vez que um movimento dessa ordem e com essa dimensão ocorre no Brasil. Foi uma greve diferente e um movimento espontâneo da categoria, convocado a partir das redes sociais e do boca a boca. 

As greves clássicas são convocadas por sindicatos ou por trabalhadores organizados nos locais de trabalho, mas essa greve do dia 1º de julho foi inédita porque envolveu uma categoria nova, fruto da precarização do trabalho a partir das plataformas digitais, e realizada a partir da reapropriação pelos trabalhadores das próprias redes digitais. Em outros termos, a dialética da relação capital-trabalho ou da luta de classes colocando em movimento quem está disposto a lutar.

Foi uma greve efetivamente nacional. Em São Paulo, desde bem cedo, trabalhadores e trabalhadoras já estavam concentrados/as na Zona Sul ou em frente a shopping centers, supermercados e grandes cadeias de distribuição. No início da tarde realizaram uma grande manifestação e um buzinaço pela rua da Consolação e Avenida Paulista, que contou com a presença de milhares de entregadores com suas motos e bikes, num clima tranquilo, mas com muita disposição de luta. No Rio de Janeiro, também foi realizada uma grande manifestação com motos e bicicletas até a Delegacia Regional do Trabalho. Em Brasília, os manifestantes fizeram um grande buzinaço e se concentraram em frente ao Congresso Nacional. Em Belo Horizonte a manifestação foi no centro da cidade, bem como em Recife, Salvador, Aracaju, Porto alegre, Rio Branco, Teresina, Maceió, Recife, além de outras grandes cidades do País.

Ou seja, trabalhadores e trabalhadoras de aplicativos demonstraram pedagogicamente que, mesmo nas condições mais adversas, a subjetividade de pertencimento à classe dos explorados fala mais alto que qualquer das dificuldades e se tornaram um exemplo significativo para as outras categorias da classe trabalhadora, dando um recado principalmente para as velhas centrais sindicais brasileiras, que vivem encontrando desculpa para não lutar. 

Lava Jato não é órgão autônomo do MPF, diz Aras após saída de procuradores

ANDRESSA ANHOLETE.  VIA GETTY IMAGES


Segundo o procurador-geral da República, saída do grupo que integrava a força-tarefa da operação na PGR já estava prevista.

        

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By Reuters

Equipe HuffPost

 

Procuradores da força-tarefa da Lava Jato na PGR deixaram MP após divergências com subprocuradora próxima a Aras. 

O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou que a Lava Jato “não é um órgão autônomo” do Ministério Público e que uma atuação fora desse parâmetro passaria o grupo para a “ilegalidade”. A declaração consta em nota divulgada no domingo (28.06.2020), após a saída há dois dias de procuradores que integravam a força-tarefa da operação que atua na PGR (Procuradoria-Geral da República). O chefe da PGR disse ainda, que os desligamentos já estavam previstos. O caso foi revelado pelo jornal O Globo

“A Lava Jato, com êxitos obtidos e reconhecidos pela sociedade, não é um órgão autônomo e distinto do Ministério Público Federal, mas sim uma frente de investigação que deve obedecer a todos os princípios e normas internos da instituição. Para ser órgão legalmente atuante, seria preciso integrar a estrutura e organização institucional estabelecidas na Lei Complementar 75 de 1993”, disse Aras. 

“Fora disso, a atuação passa para a ilegalidade, porque clandestina, torna-se perigoso instrumento de aparelhamento, com riscos ao dever de impessoalidade, e, assim, alheia aos controles e fiscalizações inerentes ao Estado de Direito e à República, com seus sistemas de freios e contrapesos”, completou Aras.

sábado, 4 de julho de 2020

MPF adia julgamento de Dallagnol por ‘Powerpoint’ sobre Lula


Poder360


© Fernando Willadino / FIESC.  O procurador Deltan Dallagnol coordena a operação Lava Jato no Paraná. Ele responde a 24 representações no Conselho Nacional do Ministério Público; outras 12 foram arquivadas

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) adiou o julgamento da representação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra integrantes da força-tarefa da Lava Jato, acusado de abuso de poder pela montagem de 1 powerpoint apresentado à imprensa. O caso seria analisado na próxima semana, mas foi reagendado para a 1ª sessão de agosto. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O petista alega que houve violação de garantias e direitos na entrevista à imprensa onde os procuradores da Lava Jato detalharam a investigação contra ele. Entre os procuradores que são alvos da representação está Deltan Dallagnol, que conduziu a apresentação de 2016, quando foi mostrado 1 PowerPoint descrevendo Lula como o personagem central do esquema de corrupção na Petrobras.
© Reprodução Slide da apresentação da força-tarefa da Lava Jato em 2016 colocava Lula como elemento central






A mudança de datas foi 1 pedido do relator Marcelo Weitzel, sob a justificativa de que o volume de processos a serem analisados na próxima sessão seria muito grande, e a sessão seria a última antes do recesso do órgão.

Achei melhor não ‘tumultuar’ mais ainda a sessão, com um processo volumoso com várias sustentações orais para uma pauta já preenchida por processos de outros conselheiros, entendendo que seria melhor para deixar para a 1ª sessão de agosto. Neste sentido, já pedi para a assessoria inscrever esse processo assim que a pauta for aberta aos conselheiros para a sessão de agosto”, afirmou Weitzel à Folha.

O CNMP é presidido pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. Representantes do Ministério Público, do Judiciário, da advocacia e pessoas indicadas pelo Congresso Nacional estão entre os membros.

EM TEMPO: Os Procuradores da Lava Jato de São Paulo, assim como os de Curitiba e do Rio de Janeiro, atuam como entidades  autônomas do próprio MPF e agem à revelia da lei. A recente busca e apreensão, midiática, nas residências do senador José Serra e de sua filha, é um procedimento ilegal porquê o processo já transita na Justiça Eleitoral. Não pode existir duplicidade de julgamento sobre o mesmo assunto. Por isso é que a PGR (Procuradoria Geral da República) está investigando o desempenho dos integrantes da Lava Jato em desacordo com as leis brasileiras. É o caso do desaparecimento de dois Sistemas Guardiões de escuta telefônica e o vínculo dessa gente com o FBI. E o tal  gráfico denominado de "powerpoint" foi uma invenção  de Dallagnol para incriminar o ex-presidente Lula. Agora durmam com esse crime  cometido pelo próprio Estado (MPF é órgão de Estado e não de governo). 

'Uma loucura', diz ex-presidente colombiano e Nobel da Paz sobre ações de Bolsonaro na pandemia

BBC NEWS

© EPA.  Santos continua a defender o processo de paz que ajudou a criar, mas se diz preocupado

O ex-presidente da Colômbia e receptor do Prêmio Nobel da Paz, Juan Manuel Santos, disse que é "uma loucura" como o Brasil, governado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), está conduzindo a pandemia do novo coronavírus. "É uma loucura. É uma liderança que em vez de estar ajudando a resolver o problema, está contribuindo para piorar o problema", disse durante entrevista exclusiva à BBC News Brasil.

Ele acha que os presidentes da região deveriam chamar Bolsonaro "à sensatez".

Santos, visto como de centro-direita no espectro ideológico, afirmou que esse quadro brasileiro repercute no resto da região. "Nessa situação, o Brasil é um péssimo exemplo na região. Uma política que está produzindo um fracasso total, uma verdadeira tragédia para os brasileiros e para o mundo", disse, falando da Colômbia.

Nesta entrevista à BBC News Brasil, Santos, que foi jornalista, militar e ex-ministro da Defesa, disse que a atitude do líder brasileiro ameaça as comunidades indígenas da Amazônia de extinção. Leticia, do lado colombiano, na fronteira com o Brasil, é o lugar mais afetado pelo coronavírus em seu país.

Quando perguntado sobre a forte presença de militares no governo brasileiro, ele disse que não tende a dar bons resultados. Santos falou ainda sobre os avanços e falhas do Acordo de Paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assinado quando era presidente e que foi o motivo para receber o Prêmio Nobel da Paz.

Leia os principais trechos da entrevista:

sexta-feira, 3 de julho de 2020

TCU abre investigação para saber se Lava Jato comprou aparelho para grampos


Poder360

 

 

 

© Divulgação/ TCU. Prédio do Tribunal de Contas da União, em Brasília

 

O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Bruno Dantas decidiu abrir investigação para apurar a suposta irregular compra de equipamentos pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba para interceptar ligações telefônicas. O processo tratará de todas as contratações do Ministério Público Federal, e não somente as feitas pelo grupo coordenado por Deltan Dallagnol. Eis a íntegra da decisão (192 KB).

Dantas atendeu parcialmente a pedido do Ministério Público junto ao TCU, representado pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado.

O autor da representação mencionou reportagem do site Consultor Jurídico segundo a qual o grupo de procuradores que atuam na operação Lava Jato em Curitiba teria comprado, de maneira autônoma, sistemas para fazer grampos em ligações telefônicas, além de ter omitido informações da PGR (Procuradoria Geral da República), que chefia o próprio MPF.

Quanto à acusação de que o grupo de Curitiba criou 1 “poder paralelo, acima da PGR“, Dantas disse ver “gravidade” na narrativa, mas disse que o TCU não poderia analisar a denúncia “por se tratar de questão afeta exclusivamente à atividade

finalística do Ministério Público Federal“. Assim, o ministro decidiu encaminhar essa questão ao CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

A apuração aberta por Dantas visa a descobrir quantos equipamentos e sistemas de interceptação telefônica ou chamadas de qualquer natureza foram adquiridos pelo MPF nos últimos 10 anos, bem como saber quais contratos foram firmados para utilização e manutenção dessas ferramentas.

A questão posta pelo Ministério Público exige rigor em sua apuração e aprofundamento técnico. Não obstante o zelo do membro do Parquet especializado e a gravidade, em tese, dos fatos por ele suscitados, verifico que a análise da questão exige a obtenção de mais informações, o que pode ser feito via diligência pela unidade instrutora“, considerou Dantas.


PT representa contra Dallagnol por suposta colaboração irregular com FBI


Poder360

 

 © Fernando Frazão/Agência Brasil O coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol

O PT entregou nesta 6ª feira (3.jul.2020) à PGR (Procuradoria Geral da República) notícia-crime contra o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal que atua na Lava Jato em Curitiba.

O partido se embasa em reportagem da Agência Pública com o The Intercept Brasil que mostrou ter havido suposta cooperação irregular entre o grupo de Curitiba e o FBI, a polícia federal dos EUA.

Dallagnol é acusado de ter cometido crimes de prevaricação, abuso de autoridade e condescendência criminosa com a cooperação ilegal com os Estados Unidos. O ex-ministro Eugênio Aragão, que atua na defesa do partido, pediu ainda a abertura de processo ético e disciplinar junto ao CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) contra procuradores da ‘República de Curitiba’.

Ao compartilhar informações de modo extraoficial com agentes norte-americanos do FBI, a força-tarefa desrespeitou a soberania nacional e utiliza, de forma ilegal, dados sigilosos de empresas brasileiras”, disse Eugênio Aragão ao site do PT.


Foto publicada por Eduardo Bolsonaro foi tirada no governo Dilma

Giorgia Cavicchioli

Yahoo Notícias, 03 de julho de 2020

Ver as imagens

Foto foi tirada quando Dilma ainda era presidente. Foto: Reprodução

Uma foto compartilhada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de militares trabalhando em obra da transposição do rio São Francisco como sendo da gestão do pai dele, na verdade foi tirada durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

A imagem foi compartilhada por Eduardo na última segunda-feira (29) com a legenda: “Alô esquerda, esse é o segredo! Trabalhar e não roubar”. Nos comentários, muitos apoiadores do deputado acreditaram na imagem, criticaram o governo do PT e elogiaram o governo do pai do deputado.

No entanto, fazendo uma rápida pesquisa na internet é possível ver que o Flickr mostra que a foto foi tirada no dia 12 de maio de 2014. Sendo assim, a imagem foi feita enquanto Dilma ainda era presidente do Brasil e estava em seu primeiro mandato. Portanto, não foi tirada durante a gestão Bolsonaro.

Essa não é a primeira vez que Eduardo compartilha uma informação falsa em suas redes sociais. Recentemente, o deputado publicou uma frase que teria sido dita por Winston Churchill, ex-primeiro ministro do Reino Unido. No entanto, a notícia era fake e o Facebook precisou avisar os seguidores do filho do presidente.

EM TEMPO: O desgoverno Bolsonaro só quer  privatizar  o nosso patrimônio, agredir  o meio ambiente e os índigenas e quilombolas, desarticular as conquistas sociais, incentivar os golpistas e fascistas,  desregulamentar o isolamento social e o uso de proteção individual contra o COVID 19, fazer muita confusão no Brasil e lá fora, dizer suas bravatas, dentre outras agressões. Obra  tem pouquíssimo a  apresentar, a exemplo de um pequeno trecho na Transposição do Rio São Francisco. Por isso tem que pegar carona nos governos do PT. É isso. Agora durmam com essa bronca, mas se protejam e fiquem em casa. 


Reunião do Mercosul expõe efeitos da política ambiental sobre a economia

Correio Braziliense - Augusto Fernandes

 

© Marcos Correa/AFP.

A reunião do Mercosul ocorreu por video-conferência, por causa da pandemia. Bolsonaro disse que bloco ''é parte das soluções que estamos construindo''

Diante da resistência de alguns países da Europa de sacramentar acordos comerciais com o Mercosul, o presidente Jair Bolsonaro pediu aos demais chefes de Estado do bloco sul-americano que façam uma força-tarefa para que os pactos com a União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) sejam finalizados ainda neste ano. Ontem, durante a 56ª reunião da cúpula de presidentes do Mercosul, o mandatário brasileiro ainda falou em “desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil”, sobretudo em temas voltados ao meio ambiente, para tentar viabilizar a assinatura dos acordos.

Atualmente, organizações não-governamentais ambientalistas pressionam nações europeias a não dar sequência aos dois pactos, que foram selados no ano passado, e países como Áustria, Irlanda, França e Países Baixos já sinalizaram que não darão aval às propostas, sobretudo por não aceitarem a forma como o governo Bolsonaro lida com o tema ambiental. As queimadas na região amazônica são um dos principais empecilhos, bem como a destruição de reservas indígenas por empresas mineradoras.

“Nosso governo vai desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil, mostrando ações que temos tomado em favor da floresta amazônica e do bem-estar das populações indígenas”, disse o chefe do Planalto aos mandatários de Argentina, Uruguai e Paraguai. Ele acrescentou que “está disposto a avançar em outros empreendimentos com parceiros mundo afora” e destacou que “o Mercosul é o principal veículo” para que o Brasil possa se inserir “mais e melhor” no mundo.

Bolsonaro é aconselhado a demitir ministros radicais, como Salles e Araújo

Correio Braziliense - Jorge Vasconcellos

 

© Mandel Ngan/AFP - Sergio Lima/AFP - Ernesto Araújo e Ricardo Salles estão na mira da ala militar do governo

Depois de baixar o tom na relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso, o presidente Jair Bolsonaro agora está preocupado com os prejuízos do discurso radical do governo para política externa. No momento em que o país enfrenta o maior isolamento internacional de sua história, o chefe do Executivo tem ouvido de auxiliares e parlamentares que chegou a hora de fazer mudanças em setores de grande repercussão no exterior, como a diplomacia e o meio ambiente.

Os ministros da Casa Civil, Braga Netto, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, são os principais conselheiros de Bolsonaro nessa discussão, após articularem uma trégua entre o Executivo e os demais Poderes. Na avaliação desses generais, o recuo nos ataques ao STF era urgente, ante o avanço de investigações incômodas para o Planalto, como o inquérito que apura se o presidente tentou interferir politicamente na Polícia Federal.

Na mira dos dois representantes da ala militar do governo, agora, estão os ministros Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente. Ambos também são os mais citados, no meio político, em conversas sobre uma possível reforma ministerial.

O viés ideológico da gestão de Araújo no Itamaraty, motivo de sucessivos embates com organismos globais, é visto por interlocutores do presidente como um obstáculo à recuperação da imagem do Brasil no exterior, agora ainda mais manchada em razão dos números trágicos da pandemia do novo coronavírus. Já a política ambiental, conduzida por Salles, tem sido alvo de ameaças de retaliações comerciais ao Brasil, em um momento de grave retração econômica.

Araújo, diante de rumores sobre sua saída do governo, vem tentando mostrar serviço. Na terça-feira, ordenou que todas as divisões do Itamaraty produzissem uma relação das ações desenvolvidas pelo do ministério desde o início do governo. De visitas oficiais ao exterior a acordos assinados.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

73% dos brasileiros que veem piora na pandemia acham que Bolsonaro atrapalha


Poder360

 

 © Sérgio Lima/Poder360.

 A pesquisa ainda mostrou que os brasileiros estão com mais medo de serem infectados

Entre os brasileiros que pensam que a pandemia provocada pelo novo coronavírus está piorando, 73% avaliam que o presidente Jair Bolsonaro mais atrapalha do que ajuda. As informações são de uma pesquisa do Datafolha realizada em 23 e 24 de junho.

Dos entrevistados que responderam que a situação está melhorando, 36% acham que Bolsonaro atrapalha e 56% responderam que o presidente está ajudando o combate ao coronavírus.

Para 49% dos entrevistados que receberam pelo menos uma parcela do auxílio emergencial, a atuação de Bolsonaro é ruim ou péssima. O número é parecido entre os que não solicitaram o auxílio: 51% avaliam de forma negativa o desempenho do presidente.

A pesquisa ainda mostrou que os brasileiros estão com mais medo de serem infectados: 47% tem muito medo, 31% tem 1 pouco de medo, 19% não tem medo e 3% disseram já terem sido contaminados.

EM TEMPO: "Gripezinha"; "E daí"; "todos irão morrer hum dia"; demitiu 2 Ministros da Saúde em plena Pandemia; militarizou o Ministério da Saúde com pessoas inaptas para o exercício do cargo; estimulou a quebra do isolamento social e o não uso de máscara de proteção, etc. Além disso, os seus aliados, de primeiro escalão,  disseram, com seu apoio,  desaforos à China, à OMS, aos governadores, etc. É lógico que a crise sanitária tende a piorar nesse governo genocida. Mas, para facilitar a queda do governo  os cerca de 3.000 militares deveriam desembarcarem do governo Bolsonaro. Seria um "santo remédio". Observem que ao prenderem o Queiroz o Bolsonaro e os filhos ficaram mais quietos. Agora durmam com essa bronca, mas fiquem em casa. 

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Procuradora da Lava Jato deixa rede social após revelação de elo com FBI

Poder360

 

© Reprodução/Agência Pública.

 Thaméa Danelon, ex-coordenadora da força-tarefa em São Paulo ao lado de Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato

A procuradora Thaméa Danelon, ex-coordenadora da Lava Jato em São Paulo, deletou seu perfil no Twitter depois de revelado o elo entre integrantes da força-tarefa com a agente Leslie Rodrigues Backschies, do FBI– departamento federal de investigações dos EUA.

Uma reportagem publicada nesta 4ª feira (1º.jul.2020), produzida pelo jornal The Intercept Brasil em parceria com a Agência Pública, revelou a ligação de Leslie Backschies com agentes da Polícia Federal e procuradores que integravam a equipe das investigações da Lava Jato.

Leslie Backschies tem pouco mais de 20 anos de atuação no FBI, com histórico de investigações de casos de corrupção e lavagem de dinheiro na América Latina, sobretudo no Brasil. Em 2014, foi designada para acompanhar as investigações da Lava Jato.

A agente se especializou na FCPA (Foreign Corrupt Practices Act), legislação que trata da punição das práticas de corrupção de estrangeiros, ainda que não ocorridas no território norte-americano. Foi essa lei que embasou a condenação de empresas brasileiras, como a Petrobras e a Odebrecht, a pagarem multas superiores a US$ 4 bilhões para os Estados Unidos, Brasil e Suíça.

Hoje, Leslie comanda 1 escritório da agência em Miami, montado especificamente para investigar casos de corrupção ocorridos na América do Sul.

Comandada por Deltan Dallagnol, a força-tarefa da Lava Jato envolveu 13 agentes do FBI, incluindo Leslie Backschies, no curso de suas investigações. Segundo a reportagem, as informações do inquérito foram abertamente compartilhadas com o departamento norte-americano.

Falas de Bolsonaro contra isolamento podem ter matado mais seus eleitores, aponta estudo

Foto: REUTERS/Adriano Machado

FERNANDO CANZIAN
Folhapress, 1 de julho de 2020

O discurso negacionista do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na epidemia do coronavírus pode ter contribuído para matar principalmente seus eleitores.
Em praticamente todas as ocasiões em que o presidente minimizou a pandemia, a taxa de isolamento social no Brasil diminuiu e mais pessoas morreram, proporcionalmente, nos municípios que mais votaram em Bolsonaro em 2018.
A conclusão é do estudo "Ideologia, isolamento e morte: uma análise dos efeitos do bolsonarismo na pandemia de Covid-19", de quatro pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC), da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade de São Paulo.
O trabalho sustenta que a votação do presidente no primeiro turno, por município, tem correlação negativa com a taxa de isolamento; e correlação positiva com mortes por Covid-19.
Em resumo, onde Bolsonaro teve mais votos, o isolamento tem sido menor — e o número de óbitos, maior.
"É como se, com seu discurso, Bolsonaro tivesse levado seus eleitores ao abatedouro", diz um dos autores do trabalho, Ivan Filipe Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP e professor da UFABC.
"Não conseguimos estimar quantas pessoas morreram a mais por conta das falas do presidente, mas certamente teríamos menos óbitos, principalmente entre seus apoiadores, se ele tivesse agido de forma diferente."
A pesquisa levou em conta as ocasiões em que Bolsonaro fez afirmações contrárias à ameaça da Covid-19 (como quando falou em "gripezinha") e seus efeitos sobre o isolamento social, monitorado a partir dos dados de georrefenciamento de telefones celulares captados em todos os estados pela empresa Inloco.
A cada vez que Bolsonaro minimizou a pandemia, foram registradas quedas significativas nas taxas de isolamento social em todos os estados — sem exceção.