terça-feira, 29 de junho de 2021

Manter a ofensiva: Fora Bolsonaro e Mourão!

Foto: Rubens Ragone

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Nas ruas, por todo o Brasil, as grandes manifestações de 29 de maio e 19 de junho demonstraram a insatisfação da maioria da população brasileira com a política genocida do governo Bolsonaro-Mourão. O país vive realmente uma situação dramática: são mais de 510 mil mortos pela Covid-19, elevados índices de desemprego, fome e miséria de milhões de trabalhadores, corrupção em vários setores do governo, além da política criminosa no enfrentamento à pandemia.

Esse processo tem desgastado de maneira crescente o governo Bolsonaro tanto no Brasil como no exterior. As mudanças recentes, na esfera política, nos países vizinhos da América do Sul reforçam essa tendência, assim como as denúncias internacionais contra a política do governo brasileiro de destruição do meio ambiente.

O governo Bolsonaro-Mourão representa os interesses do imperialismo, da burguesia monopolista, dos banqueiros e agronegócio, que se aproveitam do desemprego e da crise sanitária para retirar mais direitos da classe trabalhadora, reduzir salários, privatizar as empresas estatais e saquear o fundo público, além de buscar permanentemente o desmonte do Estado e a precarização dos serviços públicos.

Os ocupantes do Palácio do Planalto revelam um profundo desprezo pelos pobres: as declarações dos ministros Paulo Guedes e Tereza Cristina, defendendo que os restaurantes devam distribuir restos de comida para atender aos famintos e propondo a flexibilização da data de validade dos alimentos como política de combate à fome revelam também a perversidade com que a classe dominante brasileira trata a questão social.

Governo Bolsonaro cobrou propina de US$1 por dose para comprar vacina, diz jornal

Yahoo, Redação Notícias

ter., 29 de junho de 2021

Governo tentou cobrar propina em negociação por vacina da Astrazeneca (JUAN MABROMATA/AFP via Getty Images)

Resumo da Notícia:

·         Diretor do Ministério da Saúde pediu propina para fechar contrato de vacina

·         Segundo representante de empresa, cada dose teria propina de 1 dólar

·         Sugestão aconteceu em um jantar em restaurante em Brasília

O representante de uma empresa que ofereceu vacinas ao Ministério da Saúde disse que recebeu um pedido de propina para fechar um contrato. Para casa dose fornecida, 1 dólar seria pago como propina. A informação foi dada por Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa Davati Medical Supply, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

Segundo Dominguetti, a cobrança de propina partiu do diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, durante um jantar em um restaurante no Brasília Shopping, no dia 25 de fevereiro de 2021. Dias foi nomeado ao cargo na Saúde no dia 8 de janeiro de 2019, ainda com o comando do ministro Luiz Henrique Mandetta. Ele era uma indicação de Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara e nome citado nas denúncias dos irmãos Miranda no contrato com a vacina indiana Covaxin.

Representando a Davati, Dominguetti negociava com o governo 400 milhões de doses da vacina da Astrazeneca, cobrando 3,50 dólares por cada dose. Depois disso, o preço subiu para 15,50 dólares por unidade. Segundo o representante, Dias disse que para negociar com o ministério, ele precisaria "majorar o valor da vacina", colocando em um valor diferente do que era oferecido pela Davati. O diretor da pasta era acompanhado por um militar e um empresário de Brasília.

"Eu falei que não tinha como, não fazia, mesmo porque a vacina vinha lá de fora e que eles não faziam, não operavam daquela forma. Ele me disse: 'Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma", lembra o representante. Perguntado sobre a "forma", Dominguetti disse que seria "acrescentar um dólar por dose".

O representante afirmou ter negado o pedido de propina feito por Dias.

Caso Covaxin expõe contradições entre atos e discurso de Bolsonaro

FOLHA - CAROLINA LINHARES E BRUNO LEE


© Fornecido por Folha de São Paulo ***ARQUIVO***ANÁPOLIS, GO, 09.06.2021 - O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores ao sair de evento evangélico em Anápolis, em Goiânia. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

 

 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Principal suspeita contra o governo Jair Bolsonaro até aqui, o caso Covaxin, que se tornou centro da CPI da Covid no Senado e inflama protestos e pedidos de impeachment, expôs uma série de contradições no discurso bolsonarista sobre vacinas e combate à corrupção.

Combate à corrupção

Apesar do discurso contra a corrupção, que rendeu a Bolsonaro o voto, em 2018, de apoiadores da Lava Jato e atraiu para seu governo o ex-juiz Sergio Moro, não há indícios de que o presidente tenha acionado órgãos de controle diante das suspeitas no contrato de compra da Covaxin que o deputado Luis Miranda (DEM-DF) diz ter levado ao mandatário, em março.

Como mostrou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a Polícia Federal não encontrou registro de nenhum inquérito aberto sobre a compra da vacina, o que levantou acusação de que Bolsonaro tenha prevaricado. Senadores governistas da CPI da Covid afirmaram que Bolsonaro pediu que o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello verificasse as denúncias envolvendo a compra da vacina indiana assim que teve contato com os indícios.

A conivência com as suspeitas de corrupção destoa do discurso anterior de Bolsonaro, de ameaças a ministros que fossem pegos cometendo irregularidades. "Se aparecer [corrupção], boto no pau de arara o ministro. Se ele tiver responsabilidade, obviamente. Porque, às vezes, lá na ponta da linha, está um assessor fazendo besteira sem a gente saber. Não é isso? É obrigação nossa, é dever", disse Bolsonaro, em dezembro de 2019.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Após caso Covaxin, campanha nacional contra Bolsonaro adianta manifestações para 3 de julho

 

FOLHApress, CAMILA MOTTOSO, FABIO SERPIÃO E GUILHERME SETO

 

SAO PAULO, SP, 26.06.2021: COTIDIANO - PROTESTO - O protesto contra o presidente Jair Bolsonaro  se uniu na rua Maria Antonia ao ato da Geração 68 em memória dos desaparecidos da ditadura. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress) ORG XMIT: 30891

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após as denúncias apresentadas pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF) na CPI da Covid, a campanha Fora, Bolsonaro, fórum que reúne as organizações que encabeçaram os atos pelo impeachment de Jair Bolsonaro em 29 de maio e 19 de junho, decidiu convocar para 3 de julho nova mobilização nacional contra o presidente.

Antes do caso Covaxin, a data escolhida havia sido o 24 de julho. Diante do que entenderam com mudança de conjuntura e a necessidade de aumentar imediatamente a pressão pelo impeachment de Bolsonaro, as lideranças da campanha escolheram o 3 de julho, sem cancelar as manifestações do dia 24. Além disso, o ato de entrega do superpedido de impeachment em Brasília, na quarta-feira (30), deverá ser reforçado.

As principais pautas da campanha são a saída do presidente, aceleração da vacinação, auxílio emergencial de R$ 600 e fim da violência policial. "Optamos por adicionar o dia 3 de Julho no calendário porque os novos fatos demonstrados pela denúncia do caso Covaxin deixam ainda mais evidentes o descaso desse governo com o povo, e incendiaram ainda mais a vontade das pessoas de ir às ruas. Dia 30 estaremos em Brasília, dia 3 no Brasil todo e nosso calendário de mobilizações continua por todo o mês de julho", diz Iago Montalvão, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

A campanha é capitaneada pelas frentes Povo Sem Medo, a Brasil Popular e a Coalizão Negra por Direitos, que reúnem centenas de entidades do chamado campo progressista. Também participam PT, PCdoB e PSOL. 

Segundo Miranda, Jair Bolsonaro teria deixado de informar as autoridades sobre denúncias de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin que estariam sendo coordenadas pelo líder de seu governo, Ricardo Barros (PP-PR), cacique do Centrão.

Lula está à frente de Bolsonaro nas intenções de voto entre evangélicos e católicos

Yahoo Notícias.

 

Pesquisa msotra que, se eleição fosse hoje, Lula venceria no primeiro turno (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)


·         Lula lidera pesquisa de intenções de voto para 2022 entre evangélicos e católicos 

·         Evangélicos eram considerados eleitores fieis de Jair Bolsonaro 

·         Segundo pesquisa Ipec, Lula venceria eleição no primeiro turno

Considerados eleitores fieis de Jair Bolsonaro (sem partido), os evangélicos apoiam majoritariamente o ex-presidente Lula na corrida eleitoral de 2022. É o que mostra a pesquisa Ipec, divulgada na última quinta-feira (24.06.2021). O levantamento mostra que o petista está à frente de Bolsonaro entre evangélicos e católicos com margem confortável:

·         Evangélicos: Lula 41% x 32% Bolsonaro

·         Católicos: Lula 50% x 20% Bolsonaro

A pesquisa foi feita pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria, novo instituto de pesquisas da estatística Márcia Cavallari, ex-Ibope). Foram ouvidos 2.002 eleitores em 141 municípios brasileiros. A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 21 de junho de 2021. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais.

Lula venceria no primeiro turno

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida para a sucessão presidencial do ano que vem, com 49% das intenções de voto, 26 pontos percentuais à frente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tem 23%, na primeira pesquisa Ipec. O petista tem 11 pontos percentuais a mais do que a soma de seus possíveis adversários, e venceria o pleito em primeiro turno, caso as eleições fossem hoje.

Com esse desempenho, Lula venceria no primeiro turno.

·         Lula (PT): 49%

·         Bolsonaro (sem partido): 23%

·         Ciro Gomes (PDT): 7%

·         João Doria (PSDB): 5%

·         Luiz Henrique Mandetta (DEM): 3%

Randolfe diz que vai apresentar denúncia no STF contra Bolsonaro nesta 2ª

Poder 360 Graus

© Sérgio Lima/Poder360 Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) é vice-presidente da CPI da Covid

 

O vice-presidente da CPI (Comissão de Inquérito Parlamentar) da Covid no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou nesta 2ª feira (28.jun.2021) que irá apresentar uma notícia-crime de prevaricação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao STF (Supremo Tribunal Federal) ainda hoje. A fala foi durante entrevista à Globo News.

Como a apresentação será feita virtualmente ao STF, a Corte precisa acionar a PGR (Procuradoria Geral da República) para que ela se manifeste sobre o caso. Randolfe afirma que se o procurador-geral Augusto Aras não afirmar que a denúncia tem bases “vai ficar muito ruim“.

Vai ficar muito ruim, não somente para ele [Aras], mas também para a instituição que ele representa, que é o Ministério Público Federal, não dar algum despacho consistente em relação ao relato deste crime de prevaricação“.

A prevaricação teria ocorrido caso da Covaxin. Segundo os depoimentos do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, o servidor da Saúde Luis Ricardo Miranda, Bolsonaro foi avisado em 20 de março de possíveis irregularidades na compra da vacina indiana. Segundo os irmãos, o presidente tinha afirmado que iria comunicar Polícia Federal sobre o caso, mas não o fez.

Randolfe já afirmou que o crime “já está caracterizado” para ele e para outros integrantes da comissão. O vice-presidente do colegiado também diz que os trabalhos da CPI irão continuar. Ele apresentou, nesta 2ª feira (28.jun.2021), o pedido de prorrogação da comissão.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Pesquisa com Lula à frente de Bolsonaro é chamada de desembarque

Yahoo Notícias, Matheus Pichonelli

sex., 25 de junho de 2021

Apoiadora do ex-presidente Lula participa de ato contra Bolsonaro em Brasília. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Se as eleições fossem hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria eleito para um terceiro mandato no primeiro turno com 49% dos votos.

É o que mostra uma pesquisa Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), instituto fundado por Márcia Cavallari, ex-Ibope, divulgado pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta sexta-feira 25.

Reabilitado por decisão do Supremo Tribunal Federal, que durante a semana jogou a última pá de cal em Sergio Moro, considerado suspeito e parcial nos julgamentos da Lava Jato, o petista agora desponta como favorito da corrida eleitoral em um momento em que ela não está mais tão distante assim.

A partir de agora, o relógio corre a seu favor.

Juntos, os possíveis adversários somam 42% dos votos válidos. Entre eles Jair Bolsonaro, com 23%. Divulgada no mesmo dia em que um deputado de sua base promete implodir a República, seja lá o que isso significa, a pesquisa é antes um retrato do que um alerta apresentado ao candidato à reeleição. A perda de musculatura do presidente é resultado direto da deterioração de seu governo, aprovado apenas por 24% dos entrevistados. Não é pouco, mas hoje seria insuficiente para reverter o ranço dos 49% que o consideram ruim ou péssimo.

Hoje, 66% dos eleitores desaprovam a forma como ele administra o país.

Essa desaprovação se reverte no índice mais preocupante para o Planalto em toda a pesquisa: o número de pessoas que dizem não votar no presidente de jeito nenhum (62%). É praticamente o mesmo índice dos que querem votar em Lula (61%) em 2022. A rejeição ao petista vem caindo desde que as decisões de Moro, antes aliado e hoje desafeto do presidente, foram invalidadas.

Lula tem 49% das intenções de voto contra 26% de Bolsonaro e venceria no 1º turno; veja os números

Foto: Alexandre Schneider/Getty Images

EXTRA, Rayanderson Guerra

sex., 25 de junho de 2021


·         Petista soma 11 pontos a mais do que a soma de seus possíveis adversários e venceria em primeiro turno

·         CPI da Covid tem gastado Bolsonaro, que viu sua reprovação disparar

·         Correndo por fora, João Doria e Ciro Gomes estão tecnicamente empatados

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida para a sucessão presidencial do ano que vem, com 49% das intenções de voto, 26 pontos percentuais à frente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tem 23%, na primeira pesquisa Ipec. O petista tem 11 pontos percentuais a mais do que a soma de seus possíveis adversários, e venceria o pleito em primeiro turno, caso as eleições fossem hoje. O pedetista Ciro Gomes (PDT), que deve disputar a quarta eleição presidencial, tem 7%, empatado tecnicamente com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que tem 5%. O ex-ministro da Saúde na gestão Bolsonaro Luiz Henrique Mandetta (DEM) aparece com 3% das citações, enquanto brancos e nulos somam 10%, e eleitores que não sabem ou não respondem, 3%. A margem de erro é de dois pontos.

A intenção de voto no ex-presidente Lula é mais expressiva entre os entrevistados que moram no Nordeste (63%), região em que Bolsonaro aparece com apenas 15% das menções — o menor índice entre todas as regiões do país. Lula aparece ainda à frente do presidente entre os mais jovens (53% a 17%); entre os que têm ensino fundamental II (59% a 19%); entre os que se autodeclaram pretos ou pardos (54% a 21%) e entre os que são de outras religiões que não a católica e a evangélica (54% a 19%).

Já Bolsonaro mantém a maior intenção de voto no eleitorado que integra a base de sustentação de sua popularidade. O presidente tem os maiores índices de ótimo e bom nas regiões Sul (29%), Norte e Centro-Oeste (28%); entre os homens (28%); entre os evangélicos (32%) e entre quem se autodeclara branco (29%). A professora de Ciência Política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), explica que o índice de intenção de voto do ex-presidente Lula é resultado de uma maior exposição do petista no cenário político e do início das articulações com vistas à 2022.

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Esse modelo de privatização da Eletrobrás é um desrespeito, diz Elena Landau

ESTADÃO - Sonia Racy 


© Fabio Motta/Estadão - 24/01/2018 Para Elena Landau, introdução de térmicas e gasodutos no texto foi ‘um jabuti tão grande que derrubou a árvore’.

 

Câmara dos Deputados aprovou em segunda votação, na segunda-feira, a medida provisória de capitalização da Eletrobrás já vitoriosa no Senado. Agora, o texto segue para sanção presidencial. Tendo transitado, no passado, por diferentes áreas de governo, a ex-diretora de privatização do BNDES Elena Landau* não acredita na possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro vetar qualquer um dos “jabutis” anexados à proposta de privatização da estatal. “Esses jabutis vêm de forças muito poderosas”, analisa a economista e advogada.

Ela se refere, principalmente, à questão das térmicas e gasodutos, que nada têm a ver com o projeto original, mas representam custos que ao final deverão cair na conta dos consumidores. “Esse modelo de privatização é um desrespeito”, resume, pois ele cria uma reserva de mercado que é “uma distorção absoluta na forma de operar o setor”.

Nesta entrevista para a série Cenários, ela critica as iniciativas do governo Bolsonaro, lamenta a bipolarização que já desponta para 2022 entre bolsonarismo e lulismo e faz a chamada para uma terceira via: “A gente precisa recuperar a capacidade de diálogo”. A seguir, os principais trechos da conversa.

Assistimos enfim, no Congresso, aos passos finais da privatização da Eletrobrás. Você gosta do modelo no qual ela foi desenhada?

A privatização andou. Foram feitas muitas concessões do governo à área política, inventaram uma revitalização da Bacia de Furnas que tem como padrinho o senador e presidente da Casa, Rodrigo Pacheco – é área de atuação dele –, e um pacote de desembolsos para agradar à classe política. Então, depois do relatório do (deputado) Elmar Nascimento (DEM-BA), produziram-se vários jabutis – eu costumo dizer que são tão grandes que derrubaram a árvore. Os principais se referem à questão das térmicas e gasodutos. E esse assunto tão ruim, tão distorcido, ao final dominou a discussão.

Denúncia envolvendo governo Bolsonaro e compra de vacina Covaxin avança e terá desdobramentos nesta semana; entenda

FOLHAPRESS, MATEUS VARGAS

qua., 23 de junho de 2021 

Vacina indiana vira pivô de nova denúncia envolvendo governo Bolsonaro na pandemia - Foto: AP Photo/Anupam Nath

·         MPF viu indícios de irregularidades na compra de imunizantes indianos

·        Deputado e servidor deporão na CPI ainda nesta semana

·         Governo Bolsonaro gastou 'fortuna' por cada dose de vacina indiana

Irmão do servidor do Ministério da Saúde que depôs ao MPF (Ministério Público Federal) sobre a compra da vacina indiana Covaxin, o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) disse que o caso é "bem mais grave" do que a pressão para fechar o contrato. Segundo o deputado, o seu irmão — Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação da pasta — já havia relatado "pressão" e "indícios de irregularidade" em março.  Eu toquei para a frente a denúncia", disse o deputado ao jornal Folha de S.Paulo. Ele se recusou, porém, a confirmar para qual autoridade levou o caso. "Se eu responder para você, cai a República", disse. 

Na sexta-feira (18), a Folha de S.Paulo revelou o teor do depoimento dado pelo servidor ao MPF. Ele apontou pressão atípica para a importação da Covaxin, vacina fabricada pela Bharat Biotech e negociada com o governo federal pela Precisa Medicamentos. "Tem coisa mais grave, bem mais grave [do que a pressão]. Inclusive erros no contrato. Formas irregulares na apresentação do contrato. Datas de vencimento das vacinas incompatíveis com a importação, sem tempo de ser vacinada a população", disse o deputado. 

Servidor e deputado deporão em CPI

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que a comissão vai ouvir na próxima sexta-feira (25) o servidor e o deputado, que pediu para depor ao lado do irmão. O técnico depôs ao MPF em 31 de março, em inquérito que investiga favorecimento e quebra de cláusulas contratuais para o fornecimento da Covaxin. A oitiva, enviada juntamente com o inquérito à CPI da Covid no Senado, é mantida em sigilo pelo MPF. 

A Procuradoria ainda desmembrou e transferiu a investigação sobre a compra da Covaxin ao identificar indícios de crime no contrato entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos. Segundo o deputado, havia "falhas inaceitáveis" no contrato. "Por isso ele não quis assinar. Aí ele começa a receber a pressão por conta disso", disse Miranda. O deputado também citou desconfiança sobre o valor da vacina, mas disse não ter informações de algum desvio de verba. 

terça-feira, 22 de junho de 2021

Manifestação de índios em frente à Câmara é reprimida com bombas de gás pela polícia

ESTADÃO - Lauriberto Pompeu e Dida Sampaio

 

© Dida Sampaio/Estadão Indígenas e policiais entram em confronto em frente à Câmara dos Deputados

 

BRASÍLIA – A presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), deputada Bia Kicis (PSL-DF), adiou a sessão prevista para votar o projeto de lei 490/2007, que dificulta a demarcação de terras indígenas. A comissão analisaria a proposta nesta terça-feira, 22, mas a reunião foi remarcada para amanhã, após confronto entre indígenas e a Polícia Militar.

O projeto provoca reação contrária de setores da sociedade civil que defendem os direitos dos índios. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) organizou uma manifestação em frente à Câmara, que contou com aproximadamente 80 participantes. O ato foi reprimido pela PM com o uso de bombas de gás lacrimogêneo e os manifestantes revidaram com arco e flecha. Como forma de encerrar o conflito, que durou cerca de 50 minutos, deputados intervieram e a presidente da CCJ resolveu adiar a sessão. “Suspendemos por causa do gás”, afirmou Kicis ao Estadão.

A ativista Chirley Pankará afirmou que foi atingida na cabeça por uma bomba de gás e culpou o governo federal pela repressão ao ato. “Fui atingida por uma bomba na cabeça. Felizmente passo bem, mas não podemos naturalizar esse absurdo”, disse ela. Além de militantes e políticos, celebridades também protestaram contra o projeto de lei, como o youtuber Felipe Neto e a atriz Leandra Leal.

Durante toda a manhã desta quarta, 22, a hashtag PL490Não ficou entre os assuntos mais comentados no Twitter. O projeto retira do Palácio do Planalto a competência de definir a demarcação de terras indígenas e transfere para o Congresso. O texto do relator, deputado Arthur Maia (DEM-BA), estabelece um marco temporal para definir o que são as terras demarcadas como território indígena.

© Dida Sampaio/Estadão Indígenas e policiais entram em confronto em frente à Câmara dos Deputados

De acordo com a proposta, são consideradas terras indígenas aqueles terrenos que em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, eram habitados em caráter permanente por índios; usados para atividades produtivas e obrigatórios para a preservação dos recursos ambientais necessários à existência de índios.

Única indígena na Câmara, a deputada Joenia Wapichana (Rede-AP) faz parte da mobilização contra a iniciativa. “Chega de retrocessos! Diga não ao PL que quer acabar com as terras indígenas do Brasil”, escreveu a deputada nas redes sociais. O líder da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), também tem procurado impedir a votação do texto. “Na prática, o projeto acaba com a demarcação de terras indígenas, favorecendo o garimpo ilegal”, afirmou Molon no Twitter.


© Dida Sampaio/Estadão Indígenas e policiais entram em confronto em frente à Câmara dos Deputados

A bancada ruralista é favorável ao projeto e usou de forma irônica a hashtag PL490Não. Para os ruralistas, o projeto não acaba com direitos dos indígenas nem com a demarcação das terras.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

TSE avalia ‘plano B’ para esvaziar discurso de Bolsonaro sobre fraude

 

Veja.com - Rafael Moraes Moura

© Marcos Corrêa/PR O presidente Jair Bolsonaro e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso

 

Publicamente, o discurso de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é uníssono no sentido de que as urnas eletrônicas são totalmente seguras, que não há motivo algum para a implantação do voto impresso e que a medida representa um retrocesso de gasto bilionário desnecessário. 

Em caráter reservado, no entanto, integrantes da Corte Eleitoral já fazem uma avaliação mais pessimista -- ou realista -- do cenário que se desenha no Congresso, onde são concretas as chances de aprovação da proposta defendida fervorosamente pelo presidente Jair Bolsonaro. Ao longo dos últimos dias, VEJA conversou com cinco ministros do TSE para mapear os ânimos na Corte e identificou que duas alas se desenham no tribunal em torno da controversa questão do voto impresso. 

Divergências à parte, os dois lados se mostram preocupados com a possibilidade de o resultado das eleições de outubro de 2022 ser colocado em xeque, o que poderia não apenas abalar a imagem da Justiça Eleitoral, mas mergulhar o País em uma profunda crise política.

Enquanto um grupo capitaneado pelo presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, continua irredutível, contrário à implantação do voto impresso, uma outra ala do TSE  avalia que talvez seja melhor optar por uma solução intermediária em um esforço para reduzir danos. Essa saída alternativa, ou “plano B”, permitiria a adoção do voto impresso em um universo restrito de urnas, e não na totalidade das cerca de 500 mil urnas existentes.