segunda-feira, 6 de abril de 2026

Governo Lula decide enviar ao Congresso projeto de lei para acabar com a escala 6x1

Projeto tem urgência constitucional e deve acelerar a tramitação da proposta na Câmara



 

Rio Grande (RS), 20/01/2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações do Estaleiro ECOVIX. Foto: Ricardo Stuckert/PR (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Guilherme Levorato

247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para extinguir a escala de trabalho 6x1, em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um. A proposta, considerada estratégica no cenário político atual, será encaminhada com urgência constitucional para acelerar sua tramitação na Câmara dos Deputados, segundo a Folha de São Paulo.

A iniciativa do Executivo segue um caminho distinto do adotado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que optou por tratar o tema por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Enquanto o projeto de lei pode ser votado em até 45 dias — prazo após o qual passa a travar a pauta do plenário —, a PEC exige um processo mais longo, com análise prévia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e em comissão especial antes de chegar à votação final.

Fontes do Palácio do Planalto indicam que o envio do projeto deve ocorrer na próxima semana. A decisão foi tomada após semanas de articulação interna, com recomendações dos ministros Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, e Sidônio Palmeira, da Comunicação Social, que defendiam a apresentação da proposta como forma de dar celeridade ao tema.

A avaliação do governo é de que a tramitação via PEC pode atrasar o processo legislativo, dificultando a aprovação no Senado antes do calendário eleitoral. Por isso, a escolha pelo projeto de lei com urgência busca garantir maior rapidez na votação e capital político em torno de uma pauta considerada popular.

Embora o texto final ainda não tenha sido concluído, o governo já definiu três pontos centrais que pretende manter: a garantia de dois dias de folga semanal, a fixação de uma jornada máxima de 40 horas por semana e a implementação das mudanças sem redução salarial. A proposta difere da PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê a diminuição da carga horária de 44 para 36 horas semanais.

Mesmo defendendo o fim da escala 6x1, Hugo Motta argumenta que a tramitação via PEC permite um debate mais amplo com diferentes setores da sociedade, incluindo representantes do setor produtivo. Empresários chegaram a discutir com o governo a possibilidade de compensações fiscais para mitigar os impactos da redução da jornada, mas a ideia foi descartada.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), afirmou que não haverá desoneração para os setores afetados pela mudança. A base governista aposta que, diante da alta aprovação popular da proposta e da proximidade das eleições, o Congresso tenderá a aprovar o texto, mesmo em versões consideradas mais abrangentes.

Dados recentes reforçam essa percepção. Pesquisa Datafolha divulgada em março aponta que 71% dos brasileiros defendem a redução do número máximo de dias de trabalho por semana. O índice representa crescimento em relação a levantamento realizado em dezembro anterior, quando 64% se mostravam favoráveis à medida, enquanto 33% eram contrários.

domingo, 5 de abril de 2026

Sionistas: lobos em pele de cordeiro

5 de abril de 2026

 


Nota Política do Partido Comunista Brasileiro – PCB

O PCB – Partido Comunista Brasileiro – rechaça completamente o PL 1424/2026 e manifesta sua completa e irrestrita solidariedade ao povo palestino, que enfrenta o genocídio sionista apoiado pelo imperialismo estadunidense.

Um dos maiores inimigos da humanidade e do povo palestino, o sionismo, deseja pautar a política pública no Brasil. Como se já não houvesse uma grave crise de superlotação no sistema carcerário brasileiro, agora corremos o risco de ver a aprovação de um projeto de lei que pode levar à prisão quem ousar criticar o genocídio em curso perpetrado pelo Estado de Israel na Faixa de Gaza.

O PL 1424/2026, de autoria da deputada sionista Tábata Amaral, “define antissemitismo com a finalidade de instruir as políticas públicas nacionais, nos parâmetros internacionalmente reconhecidos pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) criada pelo Fórum Internacional de Estocolmo sobre o Holocausto”, de acordo com o seu artigo 1º. A IHRA é uma entidade sionista composta por 35 países-membros, comandados por Estados Unidos e Israel, que apoiam o empreendimento colonial do Estado de Israel nos territórios palestinos.

Ainda de acordo com o PL do sionismo, são consideradas antissemitismo críticas dirigidas ao Estado de Israel, “encarado como uma coletividade judaica”. Ao mesmo tempo, “críticas a Israel que sejam semelhantes às dirigidas contra qualquer outro país não podem ser consideradas antissemitas” (Art. 2º, § 3º). O grande pulo do gato nessa questão é que as críticas dirigidas ao Estado de Israel são, por sua natureza, características exclusivas do Estado de Israel.

Não há outro país no mundo que esteja operando um verdadeiro massacre contra o povo palestino, com o objetivo de realizar uma limpeza étnica na região. Não há outro país além do Estado de Israel que esteja matando tantas crianças árabes, seja na Faixa de Gaza, seja no sul do Líbano. Não há outro país, em toda a história da humanidade, que tenha matado tantos jornalistas como está matando agora o Estado de Israel. Não há outro país que esteja ocupando ilegalmente territórios da Palestina e da Síria, aos olhos da comunidade internacional, senão o Estado de Israel.

Nenhum outro país, desde a Alemanha nazista, jamais aprovou a pena de morte dirigida somente a um grupo étnico específico, como fez o Estado de Israel, no último dia 30 de março, em relação aos prisioneiros palestinos na Cisjordânia ocupada.

E a grande ironia de todo o disparate do PL sionista de Tábata Amaral é que a maior representação do antissemitismo, no século XXI, é o Estado de Israel. Não podemos perder de vista duas constatações óbvias, mas propositalmente ignoradas pelos sionistas de plantão: primeiro, que o povo árabe é um povo semita, e qualquer ataque contra o povo árabe é um ato antissemita. Segundo, que nem todo judeu tem acordo com o projeto colonizador que é o sionismo, representado pelo Estado de Israel. Portanto, o antissionismo jamais deve ser equiparado ao antissemitismo. Pelo contrário: é instrumento fundamental para a luta contra o antissemitismo em todo o mundo.

Por fim, cabe lembrar que a deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP), financiada pelo bilionário Jorge Paulo Lemann, já se mostrou inimiga da classe trabalhadora no Brasil quando aprovou a Reforma da Previdência, em 2019. Desta vez, Tábata vai além e se mostra inimiga não só da classe trabalhadora brasileira, mas da própria humanidade.

Como se já não bastasse a promulgação em junho de 2025 pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, da Lei que institui o Dia da Celebração da Amizade Brasil-Israel, a ser comemorado anualmente em 12 de abril, em clara contraposição ao Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino.

Além disso, o Governo Lula organiza, para o dia 16 de abril, um Seminário sobre antissemitismo, onde, entre os convidados, constam majoritariamente lideranças sionistas, incluindo os principais dirigentes da Confederação Israelita do Brasil (CONIB), entidade defensora de Israel. É inaceitável um governo que se apresenta como progressista estar à frente de um evento como esse, que dá palanque para quem defende o genocídio do povo palestino.

– Em defesa do Povo Palestino contra o genocídio do Estado sionista de Israel!
– Não ao PL 1424/2026!
– Abaixo o sionismo e o antissemitismo!
– Pelo rompimento do Brasil de todas as relações com Israel!

Brasil, abril de 2026

PCB – Partido Comunista Brasileiro
Secretaria de Solidariedade Internacional

sábado, 4 de abril de 2026

Jandira dá lição a Tabata: antissionismo não é crime

Deputada condenou o projeto de Tabata que pode censurar quem critica o estado de Israel

04 de abril de 2026

 


Jandira Feghali e Tabata Amaral (Foto: Câmara dos Deputados)

Redação Brasil 247

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) entrou no debate sobre antissemitismo e antissionismo neste sábado para fazer uma distinção que considera fundamental ao debate público brasileiro. Segundo a parlamentar, confundir os dois conceitos representa uma tentativa de censura e de criminalização de posições políticas legítimas — uma crítica direta ao Projeto de Lei nº 1.424, de 2026, apresentado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que define antissemitismo com base nos critérios da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) - na prática, a proposta criminaliza críticas ao estado de Israel, denunciado na Corte Internacional de Justiça pelo crime de genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza.

Segundo Jandira, a distinção entre os dois conceitos é inegociável. "Não aceitamos distorções: antissemitismo é crime, é ódio contra o povo judeu — e deve ser combatido sem hesitação. Já o antissionismo é uma posição política, uma crítica legítima a um projeto de Estado", escreveu Jandira, estabelecendo uma linha clara entre o preconceito étnico e a discordância política em relação ao Estado de Israel.

A deputada do PCdoB foi além e apontou o que classifica como um movimento deliberado para embaralhar os dois conceitos com o objetivo de restringir o debate político. "Confundir essas duas coisas é tentar impor censura, calar o debate e criminalizar quem denuncia injustiças", declarou. Para ela, a estratégia busca transformar críticas a governos em acusações de preconceito para blindar determinadas políticas de Estado de qualquer questionamento público.

Jandira também alertou para os riscos dessa confusão conceitual para a liberdade de expressão. "Não vamos permitir que transformem crítica política em preconceito para proteger governos e silenciar vozes", afirmou a parlamentar, que encerrou a publicação reforçando sua posição com uma frase de síntese: "Clareza é fundamental: combater o antissemitismo sempre, defender o direito à crítica política também."

A manifestação de Jandira Feghali ocorre em um momento de acirramento do debate sobre os limites entre crítica política e discurso de ódio no Brasil, especialmente diante das discussões em torno do projeto de Tabata Amaral. A proposta gerou reações de parlamentares de diferentes espectros políticos, com parte da esquerda argumentando que a definição adotada pela IHRA pode ser usada para criminalizar posicionamentos contrários às ações do governo israelense, sobretudo no contexto da guerra em Gaza.

 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Altman aponta 'cooptação de parlamentares' brasileiros por 'agente sionista'

Jornalista aponta atuação de representante ligado à StandWithUs e critica projeto de lei sobre antissemitismo na Câmara



 

Bruno Bimbi e Breno Altman (Foto: Reprodução/X/@bbimbi | Felipe L. Gonçalves/Brasil247)

Redação Brasil 247

247 - O jornalista Breno Altman criticou o que chamou de "cooptação de parlamentares" brasileiros por um “agente sionista”, ao comentar a atuação de representantes ligados à organização StandWithUs e o avanço do Projeto de Lei 1424/26 na Câmara dos Deputados, que trata da definição de antissemitismo e tem gerado controvérsias políticas.

As declarações foram feitas em postagens publicadas por Altman nesta quarta-feira (1º), nas quais ele direciona críticas ao jornalista e ativista Bruno Bimbi e ao diretor da StandWithUs Brasil, André Lajst, associando suas atuações à articulação política em torno do projeto apresentado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

Segundo Altman, “os ataques sórdidos de Bruno Bimbi a Thiago Ávila revelam o caráter desse agente sionista”. O jornalista também afirma que Bimbi estaria “a serviço do Estado genocida de Israel” e que sua atuação envolveria a tentativa de influenciar parlamentares brasileiros.

Nas publicações, Altman sustenta que o papel atribuído a Bimbi seria o de “cooptar parlamentares, como os signatários do PL 1424/26”, acrescentando que parlamentares de esquerda só teriam retirado suas assinaturas após pressão política. Ele também se refere a André Lajst como responsável pela condução dessas articulações.  

Bruno Bimbi é jornalista, escritor, ativista LGBT e gerente de estratégia e política da StandWithUs Brasil. A organização afirma ser dedicada a ensinar sobre Israel e combater o extremismo e o antissemitismo.

O Projeto de Lei 1424/26, citado nas críticas, propõe a adoção da definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). A proposta estabelece parâmetros para políticas públicas, mas tem gerado debate por possíveis implicações na delimitação entre críticas ao Estado de Israel e manifestações consideradas discriminatórias.

O texto do projeto indica que manifestações antissemitas podem ter como alvo o Estado de Israel, “encarado como uma coletividade judaica”, ao mesmo tempo em que ressalva que críticas semelhantes às dirigidas a outros países não devem ser classificadas como antissemitismo. Ainda assim, críticos apontam risco de equiparação entre antissionismo e discurso de ódio.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) declarou apoio à proposta, que segue em tramitação e permanece no centro de disputas políticas e ideológicas no Congresso Nacional.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Glenn Greenwald: Tabata Amaral promove censura israelense no Brasil

Jornalista critica proposta da deputada federal e aponta riscos à liberdade de expressão

02 de abril de 2026



Tabata Amaral e Glenn Greenwald (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados | Geraldo Magela/Agência Senado)

Redação Brasil 247

247 - A proposta associada à deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que envolve mudanças na forma como o antissemitismo é definido legalmente, intensificou o debate sobre liberdade de expressão no Brasil e o alcance de críticas ao Estado de Israel, em meio a discussões internacionais sobre o tema. O tema foi abordado nesta quinta-feira (2) pelo jornalista Glenn Greenwald em artigo publicado na Folha de São Paulo, onde analisa a iniciativa como parte de um movimento mais amplo de restrição a críticas direcionadas a Israel e suas políticas.

Segundo o articulista, há um contexto internacional no qual governos e grupos de apoio vêm promovendo medidas para ampliar o enquadramento legal de manifestações consideradas antissemitas. Na avaliação apresentada, esse movimento estaria relacionado à perda de apoio internacional ao país em razão de conflitos recentes e da repercussão global das ações em Gaza. H

O texto aponta que, no Brasil, a discussão ganha forma por meio de um projeto que busca adotar a definição de antissemitismo proposta pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). De acordo com Greenwald, essa definição ampliaria o conceito para incluir determinadas críticas ao Estado de Israel.

O jornalista sustenta que iniciativas semelhantes já foram implementadas em outros países, como os Estados Unidos, onde, segundo ele, universidades passaram a adotar parâmetros mais restritivos em relação a conteúdos considerados críticos a Israel. O artigo menciona o caso de docentes que teriam ajustado seus currículos diante dessas diretrizes.

Na análise, uma das principais preocupações levantadas é a possibilidade de que determinadas opiniões passem a ser enquadradas como ilegais. Entre os exemplos citados está a proibição de afirmar que “a existência do Estado de Israel é um empreendimento racista”, classificação que, segundo o texto, já foi defendida por diferentes intelectuais ao longo do tempo.

Outro ponto destacado é a assimetria no tratamento legal, uma vez que, conforme o argumento apresentado, críticas semelhantes poderiam ser feitas a outros países sem as mesmas consequências jurídicas.

O artigo também menciona que comparações entre ações do governo israelense e o nazismo poderiam ser enquadradas como crime sob esse tipo de legislação, incluindo declarações públicas já feitas por autoridades brasileiras.

Para Greenwald, a proposta, apesar de apresentada como uma medida de combate ao ódio, teria como efeito limitar o debate público sobre a atuação de Israel. Ele argumenta que a ampliação do conceito de antissemitismo poderia gerar impactos na liberdade de expressão e no ambiente político.

EM TEMPO: Não se esqueçam que tanto João Campos, quanto sua amada e  deputada federal Tábata Amaral, dentre outros políticos oscilam entre à Direita e a Centro Direita, Ok, Moçada!

quarta-feira, 1 de abril de 2026

CHAPA DE RAQUEL TERÁ NOVIDADE COM TÚLIO GADELHA NA DISPUTA PELO SENADO


Texto extraído do Blog de Roberto Almeida. 

 

A governadora Raquel Lyra vai inovar na chapa majoritária que irá disputar a eleição deste ano em Pernambuco.

Filiação do deputado federal Túlio Gadelha ao PSD e sua possível candidatura ao senado é sim uma novidade.

Se os eleitores vão assimilar bem o nome numa disputa majoritária é outra questão.

Somente a campanha vai mostrar se ela acertou ou não.

Ela tentou atrair Marília Arraes e Silvio Costa Filho para o seu campo político, mas não foi possível, porque João Campos se antecipou e ficou com as duas lideranças ao seu lado.

Quem não tem Marília se contenta com Túlio Gadelha, político progressista, que ficou conhecido nacionalmente pelo namoro com a jornalista Fátima Bernardes.

O time de Raquel terá um toque global e as próximas pesquisas vão dizer quem está certo, se a governadora ou João Campos.

EM TEMPO: Caro conterrâneo RA. Aqui adiciono a  sua análise: 1 - O que a governadora Raquel Lyra fez, o senador Humberto Costa queria que João Campos fizesse, ou seja: Um candidato ao Senado pela Centro Esquerda e outro pela Direita ou Centro Direita; 2 - Marília é mal assessorada e tem um Projeto puramente pessoal e eleitoral. Por isso erra muito.. Ela descolou de João Campos e ensaiou ir para Raquel. Em seguida descolou de Raquel e foi para os braços de João Campos,  seu ex carrasco nas Eleições de 2020 para a Prefeitura da Cidade de Recife. Sendo assim, a chapa de João Campos ficou com dois candidatos, Humberto e Marília, no mesmo campo progressista. Ou seja, um tira voto do outro; 3 - Sendo assim, Raquel acertou com uma chapa  que vai da Centro Direita para a Centro Esquerda, com o apoio do presidente Lula. Praticamente, Lula tem 4 candidatos a Senador, uma vez que o Miguel Coelho, apesar de ser do UB, vai pedir voto pra Lula. Essa é a jogada. Ok, Moçada!


terça-feira, 31 de março de 2026

Imperialismo, preços do petróleo e a economia mundial


 

– Os EUA são o único país do mundo que alguma vez lançou armas nucleares contra outro país.

Prabhat Patnaik [*]

Os preços mundiais do petróleo ultrapassaram finalmente os 100 dólares por barril neste fim de semana e chegaram mesmo aos 110 dólares. Tendo em conta que rondavam os 69 dólares por barril antes do início da agressão imperialista contra o Irã, isto representa uma subida muito acentuada no espaço de apenas uma semana. Esta subida deveu-se menos a qualquer escassez real resultante do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã do que à antecipação de tal escassez. Este aumento não é apenas diferente da escalada acentuada dos preços do petróleo em 1973: naquela época foi causado não por qualquer escassez, mas pelo fato de a OPEP ter multiplicado o preço por várias vezes; é também diferente dos aumentos acentuados dos preços do petróleo que ocorreram em 2008 e 2022.

Estes dois últimos episódios de aumentos de preços foram, pela sua própria natureza, de curta duração: o aumento de 2008 foi causado por um excesso de procura resultante de fatores contingentes, tais como o aumento da demanda da China e a interrupção dos fornecimentos da Nigéria e da Ásia Ocidental, nenhum dos quais poderia durar muito tempo; o aumento de 2022 deveu-se igualmente às sanções ocidentais contra a Rússia na sequência da guerra na Ucrânia, e teve de diminuir tanto porque a Rússia conseguiu manter grande parte dos seus fornecimentos apesar das sanções, como também porque a energia dos EUA entrou para substituir a proveniente da Rússia no mercado europeu, embora a um preço mais elevado.

O atual aumento, no entanto, causado pela resposta do Irã à agressão dos EUA e de Israel contra o país, deverá persistir por toda a duração da guerra atual, para a qual não se vislumbra um fim; isto porque os abastecimentos de petróleo de vários países, e não apenas do Irã, passam por esse estreito, sendo a sua quantidade total quase o dobro da produção total da Rússia. E, longe de procurar acalmar a especulação, Donald Trump minimizou o próprio aumento de preços, chamando-lhe um «pequeno preço a pagar» pela prossecução dos objetivos da guerra.

Se o aumento dos preços do petróleo se prolongar por algum tempo, o seu impacto na economia mundial será bastante profundo. Irá, naturalmente, acentuar a inflação, não só através do seu impacto direto sobre os consumidores através dos produtos energéticos que compram mas, mais importante ainda, através de toda uma gama de bens e serviços cuja produção utiliza o petróleo como insumo, e de outros bens e serviços cuja produção, por sua vez, utiliza esses bens e serviços como insumos. Assim, um aumento nos preços dos fertilizantes devido ao aumento do preço do petróleo elevará o custo de produção dos cereais, e consequentemente os preços dos cereais (a menos que a margem de lucro dos produtores de cereais diminua). E tudo isto sem contar com o aumento nos custos de transporte de todas as mercadorias, o que dará um impulso adicional generalizado à inflação.

Uma vez que os beneficiários do aumento do preço do petróleo irão imediatamente reter os seus lucros extraordinários de forma bastante substancial sob a forma de depósitos bancários que não criam procura direta de bens e serviços, enquanto os prejudicados pela inflação terão de reduzir a sua procura total de bens e serviços em termos reais, tal inflação terá um efeito depressivo sobre o nível da demanda agregada mundial e, consequentemente, causará uma recessão na economia mundial. Chegamos aqui, mais uma vez, à natureza específica do atual aumento do preço do petróleo.

Numa situação em que o aumento do preço do petróleo se deve a uma ação concertada dos produtores, mas não a qualquer escassez de oferta, os governos dos países afetados podem adotar políticas fiscais e monetárias expansionistas a fim de manter a procura agregada e contrariar a ameaça de recessão (embora isto não tenha sido o que os governos realmente fizeram no início da década de 1970). Mas se o aumento dos preços se deve a uma escassez de oferta, então tal contramedida não é possível; na verdade, a recessão, nesses casos, torna-se não só inevitável como também um meio de superar a escassez de oferta. Por conseguinte, uma recessão inflacionária na economia mundial seguirá necessariamente um aumento persistente do preço do petróleo.

Isto seria verdade para todos os países (incluindo até os próprios países produtores de petróleo, caso não tomem quaisquer contramedidas, o que lhes seria fácil); para os países do Sul global, no entanto, a situação seria ainda pior por uma razão adicional, que é a seguinte.

Todos os países importadores de petróleo assistirão a um agravamento do seu déficit em conta corrente na balança de pagamentos devido ao aumento do preço do petróleo, e este é um fator que não levamos em conta na discussão acima. Por outras palavras, assumimos que não haverá problemas para financiar esse déficit aumentado: por exemplo, os depósitos bancários crescentes dos países exportadores de petróleo seriam utilizados por esses bancos para conceder empréstimos aos países importadores de petróleo, a fim de cobrir os seus déficits.

Mas os países do Sul global, ao contrário dos do Norte global, não são suficientemente solventes aos olhos desses bancos ou de outros credores internacionais, caso em que teriam dificuldade em financiar os seus déficits correntes agravados. As suas moedas começariam então a se desvalorizar e teriam de contrair dívida externa em condições muito mais onerosas, concordando com medidas de «austeridade» extremamente rigorosas, ou comprometendo os seus recursos minerais com credores estrangeiros, e coisas do género. No seu caso, então, a inflação será ainda mais aguda, não apenas devido ao aumento do preço do petróleo e às suas consequências, mas também devido à desvalorização da taxa de câmbio, que aumentará todos os preços das importações.

Da mesma forma, no caso destes países, a recessão será ainda mais aguda, não apenas devido à redução da procura de bens e serviços por parte das suas populações nacionais em consequência da inflação, mas também devido às medidas de «austeridade» impostas pelos credores estrangeiros. Daí decorre, portanto, que as dificuldades das suas populações serão ainda maiores. É, portanto, particularmente urgente que estes países exerçam pressão sobre os EUA para que ponham fim a esta guerra totalmente imoral e ilegal.

A Índia será extremamente afetada por um aumento persistente dos preços mundiais do petróleo. Cerca de 84% do óleo bruto que passa pelo Estreito de Ormuz destina-se a países asiáticos como a China, a Índia, o Japão e a Coreia do Sul, pelo que o encerramento do Estreito, para além do seu impacto nos preços mundiais do petróleo e nas taxas de câmbio, terá um impacto direto até mesmo na disponibilidade atempada de abastecimentos físicos de petróleo nestes países, dos quais a Índia é um constituinte proeminente.

É claro que Donald Trump «permitiu» que a Índia importasse petróleo bruto russo durante algum tempo para evitar o efeito dos preços mais elevados do petróleo. (É um insulto à nossa luta anticolonial que tenhamos de ser «autorizados», como uma colónia, quase oito décadas após a nossa independência, a importar petróleo bruto de um país da nossa escolha; e é uma vergonha que tenhamos hoje um governo que aceita docilmente tal «autorização» de Trump, em vez de lhe mostrar a porta). Mas esta «permissão» também é apenas por um breve período de um mês, após o qual o cenário esboçado acima se concretizará. Para a Índia, permanecer em silêncio e não protestar contra a agressão dos EUA e dos israelenses é, portanto, totalmente suicida.

Na verdade, o ato do Irã de fechar o Estreito de Ormuz e, assim, provocar um aumento dos preços mundiais do petróleo, visa precisamente despertar a oposição à guerra entre os países do Sul global, para persuadir esses países de que a guerra contra o Irão é também uma guerra contra eles e lhes trará grandes dificuldades, de que não podem simplesmente permanecer indiferentes a ela. Os comandantes militares do Irã preveem mesmo um aumento dos preços globais do petróleo para até 200 dólares por barril, o que seria devastador para os povos do mundo, especialmente os do Terceiro Mundo, a menos que intervenham imediatamente para fazer recuar a ofensiva imperialista.

O seu silêncio agora pode revelar-se caro noutro sentido, ainda mais sinistro. Quando Donald Trump enfrentar a ira popular nos EUA devido à recessão inflacionária resultante da guerra por ele desencadeada, que de qualquer forma já é impopular no seu próprio país, poderá tentar encurtar a duração da guerra recorrendo à medida drástica de utilizar armas nucleares táticas contra o Irão. Os EUA são o único país do mundo que alguma vez lançou armas nucleares contra outro país e James Galbraith, o conhecido economista norte-americano, menciona pelo menos três ocasiões em que foram dissuadidos por conselhos internos de repetir essa catástrofe (The Delphi Initiative, 9 de março).

A menos que o mundo se oponha firmemente ao governo dos EUA e manifeste a sua oposição inequívoca à guerra que este iniciou, bem como ao seu cínico desprezo pelo direito internacional, uma repetição dessa medida drástica poderá surgir como uma possibilidade real.

15/Março/2026
[*] Economista, indiano, ver Wikipedia
Este artigo encontra-se em resistir.info
Comentários em https://t.me/resistir_info

EM TEMPO: As manifestações contra o governo Trump já estão ocorrendo em grande escala nos EUA. Vide texto abaixo. 

sábado, 28 de março de 2026

Milhões saem às ruas contra Trump num dos maiores protestos da história dos Estados Unidos

Estima-se que até 9 milhões de pessoas tenham ido às ruas contra a destruição da democracia, a guerra contra o Irã e a estupidez da extrema-direita

28 de março de 2026

Protestos contra Trump levaram milhões às ruas (Foto: Reuters)



 








Redação Brasil 247

247 – Milhões de pessoas tomaram as ruas dos Estados Unidos e de diversos países neste sábado (28) em uma das maiores jornadas de protesto da história recente contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sob o lema “No Kings” (“Sem reis”), as manifestações denunciaram o avanço autoritário da Casa Branca, a escalada militar contra o Irã, a repressão a imigrantes e o ambiente de deterioração democrática impulsionado pela extrema-direita. As informações são da CBS News e da Associated Press. Estima-se que os protestos tenham reunido 9 milhões em vários estados.

Os atos ocorreram nos 50 estados norte-americanos, com mais de 3.100 eventos registrados, além de mobilizações em mais de uma dezena de países. Organizadores estimaram que até 9 milhões de pessoas participaram das manifestações, evidenciando a amplitude da rejeição ao trumpismo e às suas políticas consideradas agressivas e antidemocráticas. 

Minnesota se torna símbolo da resistência

O principal foco dos protestos foi St. Paul, em Minnesota, estado que se tornou um centro de resistência após a morte de Renee Good e Alex Pretti, atingidos por agentes federais durante ações ligadas à política migratória do governo Trump. O episódio desencadeou revolta popular e mobilizações contínuas.

Milhares de pessoas ocuparam o entorno do Capitólio estadual, formando uma multidão que se estendia por ruas e áreas públicas. Muitos manifestantes carregavam bandeiras dos Estados Unidos invertidas, um símbolo histórico de alerta e angústia nacional.

O músico Bruce Springsteen foi a principal atração do ato e apresentou a canção “Streets of Minneapolis”, composta em resposta às mortes. Antes da apresentação, ele afirmou: "A força de vocês e o compromisso de vocês nos mostraram que isto ainda é a América" e acrescentou: "E este pesadelo reacionário, e essas invasões de cidades americanas, não vão prevalecer."

O evento também contou com a presença de Joan Baez, Jane Fonda e do senador Bernie Sanders, além de ativistas e lideranças políticas. Segundo os organizadores, mais de 200 mil pessoas participaram do ato em St. Paul, superando os números da Marcha das Mulheres de 2017. 

Protestos se espalham por todo o país

As manifestações ocorreram em grandes cidades como Nova York, Chicago, Filadélfia e Washington, mas também em pequenas localidades de estados conservadores, demonstrando que a oposição ao governo Trump se espalha por diferentes regiões do país.

Em Filadélfia, milhares de pessoas ocuparam o centro da cidade e interromperam o trânsito. Em Chicago, organizações civis lideraram grandes atos. Em San Diego, cerca de 40 mil pessoas participaram de uma marcha, segundo autoridades locais.

Na capital Washington, manifestantes caminharam do Lincoln Memorial até o National Mall com cartazes como “Abaixe a coroa, palhaço” e “A mudança de regime começa em casa”, entoando palavras de ordem contra o autoritarismo. 

Críticas à política de Trump e reação oficial

Entre as principais reivindicações estavam o fim da guerra no Irã, a reversão de políticas migratórias consideradas agressivas e a defesa de direitos civis, incluindo os da população transgênero.

A diretora executiva da New York Civil Liberties Union, Donna Lieberman, afirmou durante coletiva: "Eles querem que tenhamos medo, que acreditemos que não há nada que possamos fazer para detê-los" e completou: "Mas sabem de uma coisa? Eles estão errados — completamente errados."

A Casa Branca reagiu minimizando os protestos. A porta-voz Abigail Jackson declarou: "As únicas pessoas que se importam com essas sessões de terapia contra Trump são os repórteres pagos para cobri-las." 

Ironia e criatividade contra o autoritarismo

Os atos também foram marcados por ações criativas. Em Washington, um grupo fantasiado de insetos usava coletes com a sigla “LICE”, em referência ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), em tom de sátira.

O participante Bill Jarcho explicou: "O que oferecemos é zombaria ao rei" e acrescentou: "Trata-se de pegar o autoritarismo e ridicularizá-lo, algo que eles detestam."

Segundo os organizadores, dois terços dos participantes vieram de regiões fora dos grandes centros urbanos, incluindo estados tradicionalmente conservadores, o que indica uma ampliação da base de oposição ao governo Trump. 

Mobilização global contra Trump e a guerra

Os protestos também ocorreram em diversos países. Em Roma, milhares marcharam contra políticas conservadoras e em defesa da democracia. Em Paris, centenas de pessoas — incluindo norte-americanos residentes na França — se reuniram na Bastilha.

A organizadora Ada Shen declarou: "Eu protesto contra todas as guerras intermináveis de Trump, ilegais, imorais, imprudentes e irresponsáveis."

Em Londres, manifestantes exibiram cartazes como “Parem a extrema-direita” e “Levantem-se contra o racismo”, associando a guerra no Irã ao avanço de forças ultrarreacionárias. 

Um movimento de massa contra a extrema-direita

A dimensão dos protestos revela um cenário de forte contestação ao governo Trump. Para milhões de pessoas, suas políticas representam uma ameaça direta à democracia, aos direitos civis e à estabilidade global.

A mobilização “No Kings” se consolida, assim, como um dos maiores movimentos de contestação popular da atualidade, reunindo multidões contra a guerra, o autoritarismo e o avanço da extrema-direita nos Estados Unidos e no mundo.

Assista o vídeo; https://www.youtube.com/watch?v=NEf2lysvPlY


sexta-feira, 27 de março de 2026


 

Mãe de crianças mortas em escola bombardeada no Irã lembra última conversa: 'Venha nos buscar na escola'

Fala aconteceu em uma reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta (27). Ataque a escola foi cometido por erro militar, segundo mídia dos EUA.

Por Redação g1

27/03/2026

·         Uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio que atingiu a escola em Minab, no sul do Irã, no primeiro dia de ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel.

·         Mohaddeseh Fallahat cobrou justiça e relembrou a última frase que ouviu das crianças antes da tragédia: “Venha nos buscar depois da escola”.

·         A fala foi feita em uma reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta-feira (27).

·         O ataque deixou cerca de 175 mortos, entre crianças e professores, e é alvo de disputa de versões entre Irã e Estados Unidos.

·         Fallahat fez um depoimento emocionado e descreveu o vazio deixado pela morte dos filhos, Amin e Mehdi.



Mãe iraniana pede justiça para ataque de EUA e Israel que matou mais de 150 crianças. — Foto: Reprodução/ONU

Uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio que atingiu a escola em Minab, no sul do Irã, no primeiro dia de ataques conjuntos de Estados Unidos e IsraelMohaddeseh Fallahat cobrou justiça e relembrou a última frase que ouviu das crianças antes da tragédia: “Venha nos buscar depois da escola”.

A fala foi feita em uma reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta-feira (27). O ataque deixou cerca de 175 mortos, entre crianças e professores, e é alvo de disputa de versões entre Irã e Estados Unidos.

"Aquela manhã foi como qualquer outro dia. Era normal para mim arrumar os sapatos deles na porta, pentear seus cabelos e colocar as mochilas em seus ombros. Não havia sinal de que seria a última vez", declarou Fallahat.

Fallahat fez um depoimento emocionado e descreveu o vazio deixado pela morte dos filhos, Amin e Mehdi. Ao saírem de casa, os filhos disseram apenas que ela fosse buscá-los depois da aula — frase que, segundo ela, se repete “mil vezes” em sua mente.

“Hoje, ao passar pelo quarto deles, sinto vontade de abrir a porta e vê-los como sempre. Mas o quarto está silencioso. Muito mais silencioso do que uma casa deveria ser”, afirmou.

A mulher disse que ainda guarda roupas compradas para o Ano Novo e cadernos que ficaram inacabados. Para ela, os filhos tiveram sonhos interrompidos de forma abrupta.

“Não sou apenas uma mãe enlutada. Sou a voz de todas as mães que enviaram seus filhos à escola acreditando na segurança”, declarou.

A mulher pediu que a tragédia não seja esquecida e que os responsáveis sejam punidos. “Não por vingança, mas por justiça”, disse.

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