A entrevista foi curta no tempo, mas extraordinária na variedade e na profundidade dos temas
Por Leonardo Attuch
Leonardo Attuch é jornalista e
escritor.
Luiz Inácio Lula da Silva. Crédito: Ricardo Stuckert
É infantil dizer
“eu estava certo”, mas a noite deste domingo, 23.08.2026, comprovou de forma inequívoca o acerto da
decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não comparecer ao debate na
Band. Quando defendi neste espaço que o presidente não deveria se prestar a um
formato falido, desenhado para a provocação rasteira e o espetáculo grotesco,
alguns setores da imprensa tradicional insistiram na tese de que a ausência
soaria como fuga. A realidade dos fatos e a frieza dos números desmoralizaram
esse discurso.
O que se viu na
Band não foi um confronto programático de projetos de país, mas uma arena
degradada de agressões pessoais e baixarias encenadas. Sem a presença de seu
principal adversário — que também compreendeu a inutilidade do evento —, o
estúdio foi entregue a figuras marginais do processo político. A cena grotesca
de um candidato do MBL exibindo fraldas geriátricas resumiu a indigência do
espetáculo: a política reduzida ao pior tipo de “lacração” de internet, sem
conteúdo, sem propostas e sem qualquer compromisso com os destinos do Brasil.
Enquanto a Band
amargava uma audiência residual de pouco mais de 2 pontos na Grande São Paulo
com um debate inteiramente esvaziado, Lula ocupava o centro da atenção nacional
na Record. Em apenas 20 minutos de conversa com a jornalista Mariana Godoy, o
presidente ofereceu uma aula de comunicação pública e densidade programática.
A entrevista foi
curta no tempo, mas extraordinária na variedade e na profundidade dos temas. Em
vez de bate-boca estéril, o país ouviu o chefe de Estado falar sobre:
·
Soberania e geopolítica: Lula expôs os detalhes de sua conversa de
1h20 com Donald Trump, demarcando limites claros contra tarifas abusivas e
exigindo a industrialização local de minerais críticos e terras raras,
superando o modelo colonial de mera exportação primária.
·
Segurança pública: O presidente explicou com clareza a necessidade da PEC da
Segurança e a criação de um ministério dedicado para integrar inteligência e
asfixiar financeiramente o crime organizado, devolvendo os territórios às
populações das periferias.
·
Compromisso social e trabalho: O anúncio articulado com o Congresso sobre o
fim da cobrança de importação de pequenas compras populares — a “taxa das
blusinhas” — somou-se à defesa enfática do fim da escala 6×1, colocando a
qualidade de vida do trabalhador no topo da pauta.
·
Economia real: Com dados concretos, Lula mandou um recado direto à Faria Lima,
demonstrando o controle fiscal de seu governo, a queda expressiva da inflação
de alimentos frente ao mandato anterior e a necessidade urgente de levar
educação financeira às escolas.
·
Postura republicana: Questionado sobre notícias e apurações, reafirmou com firmeza que
ninguém está acima da lei e que órgãos de controle devem agir com plena
autonomia, assegurando o direito de defesa.
A audiência
recompensou a relevância: a Record alcançou mais que o dobro da Band no
horário, explodindo em repercussão imediata nas redes sociais.
O contraste foi pedagógico. De um lado, a política
rebaixada à pantomima e ao insulto barato para tentar gerar cortes vazios no
celular. Do outro, um estadista abordando os problemas reais da população,
prestando contas de sua gestão e projetando o desenvolvimento soberano do país.
Lula fez exatamente o que um presidente da República deve fazer: recusou o
circo e dialogou diretamente com o povo brasileiro.
Assista o vídeo relativo a entrevista de Lula a TV
RECORD no domingo 23.08.2026
https://www.youtube.com/watch?v=2Stuq4xzxkQ&t=15s
EM TEMPO: Há alguns anos atrás, o perfil de alguns candidatos a Presidente, era, digamos, "Padrão FIFA" (rsrsrs), a saber: Ulisses Guimarães, Mário Covas, Lula, Leonel Brizola, FHC, Dilma, Orestes Quércia, Plínio de Arruda Sampaio, dentre outros. Hoje, é baixo nível e incompetência que impera. OK, Moçada!






