Renovar com Ancelotti até 2030, em vez de demiti-lo, é uma decisão com o padrão CBF
Por Bepe Damasco
Jornalista, editor do Blog do Bepe
Publicado em 11 de julho de 2026
O técnico do Brasil, Carlo Ancelotti
13 de junho de 2026 Crédito:
REUTERS/Jeenah Moon
Na próxima Copa do
Mundo, a ser realizada em Portugal, Espanha e Marrocos, em 2030, o Brasil
completará 28 anos sem vencer o torneio, maior jejum ao longo da história do
futebol brasileiro. A eliminação para a Noruega fez com que o Brasil amargasse
a 11ª colocação, a pior em 92 anos.
Como sempre
acontece na competição de futebol mais importante do planeta, o povo se
mobilizou, se vestiu de verde e amarelo, ornamentou ruas com os símbolos da
seleção canarinho, lotou bares, restaurantes e praças, recebeu os amigos em
casa para o churrasco e a cerveja.
Mas a decepção
acabou sendo proporcional à mobilização pela conquista do hexa.
A esperança vã pela
conquista da sexta Copa pelo Brasil foi cevada pela imprensa esportiva, que,
movida a interesse comercial, vendeu a ilusão de que o Brasil era um dos
favoritos ao título, algo que nunca foi.
Quem acompanha
minimamente o nosso futebol pôde observar, da Copa do Catar, em 2022, para cá o
caos administrativo e esportivo provocado pela Confederação Brasileira de
Futebol, entidade que se firmou como exemplo de corrupção, incompetência e
falta de respeito pela paixão brasileira por futebol.
O chamado ciclo
para a atual Copa foi marcado pelo entra e sai de treinadores e de mudanças em
série na presidência da entidade, ao sabor de denúncias, manobras e obtenção de
liminares na justiça. Mesmo a classificação do Brasil nas eliminatórias da Copa
só aconteceu porque no modelo atual de disputa é praticamente impossível uma
seleção com tradição no futebol ficar de fora.
Aí surgiu a ideia
de contratar o experiente e vitorioso técnico italiano Carlo Ancelotti. Para os
cartolas da CBF, a jogada era perfeita. Um profissional consagrado
internacionalmente no comando da seleção teria o condão de não só ofuscar a
bagunça irresponsável levada a cabo por eles, mas também de operar o milagre de
dotar o time, em cerca de um ano, de condições de disputar o título.
De fato, Ancelotti
é um colecionador de títulos importantes pelos times que dirigiu na Espanha,
França, Inglaterra e Itália. Contudo, quem tenta enxergar o futebol para além
da superfície, sabe que seu estilo reativo, ou seja, de jogar na defesa
explorando contra-ataques se choca com a essência do futebol brasileiro.
Quem se espantou
com a inacreditável posse de bola de 70% da Noruega contra o Brasil
naturalmente não viu ou não se lembra de algumas finais de Champions League,
nas quais o Real Madrid treinado por Ancelotti, mesmo recheado de craques,
defendeu o tempo todo, mas acabou vencendo em lances fortuitos no fim das
partidas.
Considero uma
dessas finais, contra o Liverpool, um dos resultados mais injustos da história.
O Liverpool massacrou, mas o goleiro belga Courtois, que joga pelo Real, fez
defesas tidas como impossíveis, principalmente em conclusões de Mohamed Salah,
astro do time inglês.
Os dirigentes da
CBF, se entendessem apenas um pouquinho de futebol, e não estivessem apenas à
procura de um escudo, veriam que Ancelotti não era o nome indicado, pois a
tradição da nossa seleção e o peso da camisa pentacampeã impõem o controle da
bola, o jogo ofensivo.
Se era para
contratar um treinador estrangeiro, que fosse o espanhol Guardiola, apontado
por muitos como o melhor técnico de todos os tempos, e que não abre mão de um
estilo de jogo muito próximo do futebol brasileiro.
Mas os deslizes do
italiano foram além do plano tático. Além de ter se submetido à palhaçada do
megaevento de anúncio dos convocados no Museu do Amanhã, no Rio, ele se curvou
à pressão da mídia e incluiu o nome de Neymar, um ex-jogador em atividade, na
lista.
Escolheu ainda uma
grande maioria de jogadores com passado de derrotas em Copas e perseguiu
inexplicavelmente alguns jogadores. Foi o caso de Luiz Henrique, um craque que
foi muito bem em todos os jogos antes da Copa, mas de repente foi esquecido por
Ancelotti.
Renovar com
Ancelotti até 2030, em vez de demiti-lo, é uma decisão com o padrão CBF. Lembra
a célebre frase do Barão de Itararé: “De onde menos se espera é que não vem
nada mesmo.”
PS: Li que um avião fretado pela CBF, para trazer
jogadores e comissão técnica da seleção de volta ao Brasil, tinha apenas dois
jogadores. Isso dá bem uma ideia do nível de comprometimento dessa turma com a
nossa gente.
EM TEMPO: Criticar técnico e jogadores não é um bom caminho. A crítica tem que ser na raiz, ou seja, contra a estrutura atual da CBF e das Federações. A CBF e as Federações devem ser entidades do Estado Brasileiro e não empresas privadas. Democratizá-las e inibir a ingerência dos patrocinadores, é preciso. Rever o altíssimo salário dos Presidentes e do atual técnico da seleção brasileira. Além dos órgãos de fiscalização e repressão atuarem nos limites da lei, a saber: PF + Ministério Público + COAF + Receita Federal + ...... A melhora do futebol brasileiro virá em seguida.
Os Presidentes de Federações e CBF não entendem
sequer de futebol. Há inconsistências nas convocações dos jogadores. Por exemplo: Neymar e Ganso não foram convocados por Dunga, quando ambos
eram mais jovens e no auge de suas respectivas carreiras. OUTRA: Não sei se existe,
mas na Seleção Brasileira deveria ter um corpo de profissionais devidamente
habilitados para orientar a Moçada. Senão vejamos: psicólogos(as) + professores
de boas maneiras e educação + professores de português, espanhol e inglês +
sociólogos (as) Ok, Moçada!







