quinta-feira, 19 de março de 2026

Vaza plano de usar o STF para atingir Lula

 

Inflação e desemprego caindo, PIB subindo, pobres parando de pagar imposto de renda, mas o povo está distraído pelo diversionismo midiático e nada vê

Por Eduardo Guimarães (Blog Cidadania)


 

27.02.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante encontro com o atleta medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão–Cortina 2026, Lucas Pinheiro Braathen.Palácio do Planalto. (Foto: Ricardo Stuckert/PR )

 

Em um ano eleitoral como 2026, sob ameaça de vitória daqueles que tentaram implantar uma ditadura militar no país em 2022/2023, os indicadores econômicos deveriam ser o grande trunfo do presidente Lula na busca pela reeleição. 

Com Inflação controlada, desemprego, pobreza, miséria e desigualdade caindo; com PIB crescendo acima da média global e salário médio do trabalhador de R$ 3.652,00 (segundo o IBGE); e com medidas como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a visão popular sobre o governo deveria ser diferente.

Esses números compõem um quadro de recuperação econômica sólida após anos de instabilidade. Mas, estranhamente, a percepção popular sobre a economia azedou e a aprovação de Lula anda de lado justamente quando esses avanços se consolidavam.

Não há uma grande queda, mas o que se esperava era alta.

O que explica essa desconexão? Uma análise das pesquisas de opinião revela um padrão: a queda na popularidade de Lula coincide perfeitamente com uma campanha orquestrada de ataques ao Supremo Tribunal Federal, especialmente contra ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. 

Juristas como o professor Pedro Serrano, o doutor Lenio Streck, o advogado Kakay e o grupo Prerrogativas (representado por Marco Aurélio Carvalho) já pediram comedimento aos críticos que não sejam extremistas políticos irresponsáveis. Ou seja: à imprensa. 

Pedir impeachment ou prisão de Alexandre de Moraes ou de Dias Toffoli é uma aberração enquanto os grandes envolvidos como Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e, acima de todos eles, Roberto Campos Neto permanecem blindados -- sem falar de uma montanha de banqueiros e políticos de direita. 

O que começou como uma matéria isolada na Globo, assinada pela jornalista Malu Gaspar em 9 de dezembro de 2025, sobre supostos contratos da esposa de Moraes com o Banco Master, evoluiu para uma avalanche de críticas que contaminou não só a direita bolsonarista, mas parte da esquerda e a mídia corporativa. 

A média das pesquisas Datafolha, Quaest, Paraná Pesquisas, Ipsos/Ipec, PoderData, AtlasIntel, CNT/MDA e outros mostra o movimento claro na aprovação a Lula: 

Dezembro/2025: 47,0% 

Janeiro/2026: 45,5%.  

Fevereiro/2026: 44,0% 

A tendência é clara: a aprovação caiu progressivamente nos primeiros dois meses de 2026, alinhada ao bombardeio midiático e político contra o STF que ganhou força a partir de dezembro. Em março, mês ainda incompleto, a popularidade de Lula aparece baixa nas sondagens preliminares, sem recuperação significativa até o momento.

O que começou como uma matéria isolada evoluiu para uma onda: em janeiro, críticas a Toffoli por suposta corrupção que não cita o que ele teria dado em troca de supostos benefícios vorcarianos, ganharam espaço; parte da esquerda, influenciada por narrativas de “autoritarismo ou falta de ética judiciários”, começou a atacar Moraes e Toffoli, criando uma rachadura interna. 

Edson Fachin, ministro do STF, isolou-se ao propor um código de conduta que insinuava desvios morais no tribunal, alimentando a ideia de que o STF estava “podre”. 

Em fevereiro, a mídia corporativa – Globo, Folha, Estadão, Veja, Metrópoles etc. – intensificou o bombardeio, defendendo abertamente figuras bolsonaristas como Flávio Bolsonaro, que passou a ser “normalizado” em debates. 

Manifestações bolsonaristas pipocaram pelo país, com o mote “Fora Lula, Moraes e Toffoli”, vinculando explicitamente o presidente ao Judiciário.

Joel Pinheiro da Fonseca, autor da tese do “bolsonarismo moderado” que indicava Tarcísio de Freitas como principal representante dessa vertente “civilizada” e viável eleitoralmente, escreveu em artigo na Folha: 

“TUDO O QUE ENFRAQUECE O STF FORTALECE O BOLSONARISMO”

Essa frase, que vazou o plano da extrema-direita para atingir Lula de forma cristalina, admite que os ataques ao STF — independentemente de provas — servem objetivamente à agenda bolsonarista, fortalecendo o campo da direita mesmo quando partem de vozes que se dizem moderadas ou críticas ao extremismo.

Enquanto a economia melhora – desemprego caiu mais 0,5 ponto em fevereiro, PIB é revisado para cima, isenção do IR já impactando positivamente o consumo das classes C e D –, o foco midiático está no STF, não nos bolsonaristas atolados até o pescoço na lama vorcariana. 

quarta-feira, 18 de março de 2026

Como Irã e China deram forma ao tabuleiro da guerra

Os fatos no campo de batalha mostram que a China também alterou as regras da guerra no Irã

18 de março de 2026.  Por Pepe Escobar (Jornalista e Analista Geopolítico)

 
China-Irã (Foto: Xinhua/Zhai Jianlan)










A resposta de dupla-via da China à guerra dos Estados Unidos-Israel contra o Irã reflete uma estratégia geopolítica e econômica mais ampla, que vai do campo de batalha ao sistema financeiro global.  

A resposta oficial da China ao Sindicato Epstein – ou Estados Unidos e Israel – sobre a guerra contra o Irã vem se dando por duas vias paralelas – um porta-voz diplomático e outro militar. 

Tradução: a China vê a guerra tanto como uma tensão  político-diplomática extrema e como uma ameaça militar.  

O porta-voz militar da China, um coronel do Exército de Libertação Popular (ELP), fala por meio de metáforas. Foi ele quem disse explicitamente que os Estados Unidos são “viciados em guerra”, com apenas 250 anos de história e apenas 16 de paz.  

Ele, com toda a clareza, coloca os Estados Unidos como uma ameaça global. E, claramente, também como uma ameaça moral (itálicos meus). 

O Presidente chinês Xi Jinping está firmemente focado em estabelecer uma conexão duradoura entre o marxismo e o confucionismo. 

A grande contribuição de Confúcio para o pensamento político foi o uso preciso da linguagem. Apenas aquele que fala com metáforas precisas e peso moral é capaz de governar uma nação.  

A China, portanto, vem desenvolvendo com máximo cuidado uma firme crítica moral e ética da guerra eletiva desencadeada pelos Estados Unidos contra o Irã. Enfatizando o fato de que esse é o ataque de uma nação que perdeu sua bússola moral. 

O Sul Global entende perfeitamente a mensagem.  

Além disso, os fatos no campo de batalha mostram que a China também alterou as regras da guerra no Irã. 

A rede iraniana está agora totalmente conectada ao sistema de satélite BeiDou.  Isso explica por que o Irã agora ataca com precisão, e que cada movimento do combo Estados Unidos-Israel se depara com um Muro Digital da tecnologia chinesa (mais de 40 satélites BeiDou em órbita). E explica também a  excelente precisão dos mísseis iranianos e sua crescente resistência a interferências.

Como parte de sua Parceria Estratégica Ampla de 25 anos, a China também forneceu ao Irã radares de longo alcance, integrados a sistemas de satélite. O principal resultado é a resposta muito mais rápida do Irã, se comparada à da guerra de doze dias.  

A Rússia ajudou em uma linha paralela, permitindo que o Irã aplicasse o muito que a Rússia aprendeu na Ucrânia sobre sistemas ocidentais como o Patriot e o IRIS-T. Não se trata  de táticas de saturação de drones em massa, mas sim de aprender o modo russo de coordenar enxames de drones com saraivadas de mísseis balísticos. É exatamente isso que está operndo de forma devastadora nos estágios mais recentes da Operação  True Promise IV.  

Jogando Go: é tudo uma questão de petroyuan 

terça-feira, 17 de março de 2026

Juristas desmontam farsa sobre contrato de R$ 129 mi

Pedro Serrano, Marco Aurélio Carvalho, Grupo Prerrogativas, Lenio Streck, Kakay e outros questionam até a existência do contrato na forma como divulgaram

Por Eduardo Guimarães (editor do Blog Cidadania)



Alexandre de Moraes e Viviane Barci (Foto: Ascom STF)

Coube ao professor de Direito Constitucional da PUC São Paulo, doutor Pedro Serrano, desmantelar interpretação irresponsável, açodada e farsesca sobre “confissão” da esposa de Alexandre de Moraes ao enumerar serviços que consórcio de bancas advocatícias que seu escritório integra prestaram ao Banco Master. 

Serrano, na verdade, falou em nome de um contingente de juristas e advogados que alerta para o risco à democracia que constitui essa improvável e estarrecedora aliança entre grupos de mídia corporativa de direita, políticos de extrema-direita e setores jornalísticos e/ou militantes de esquerda. 

O professor da PUC-SP é um dos idealizadores do Grupo Prerrogativas, ao lado do eminente Marco Aurélio Carvalho lá nos idos de 2016. Esse Grupo, integrado pelos maiores juristas do país, apoia integralmente a visão de Serrano sobre os ataques aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e outros membros do STF.

Essa posição ganha eco em vozes como a do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que tem criticado duramente os ataques ao Supremo, classificando denúncias midiáticas contra Moraes como "mais espuma que rochedo" e alertando para o risco de desestabilização institucional. 

Kakay, em análises recentes, enfatizou que o STF está sob ataque sistemático, defendendo que tentativas de impeachment ou descrédito de ministros são baseados em alegações sem provas concretas e representam uma ameaça à ordem democrática, ecoando Serrano ao destacar a ausência de elementos probatórios sólidos no caso do contrato. 

Ele argumenta que tais narrativas servem a interesses políticos, reforçando a necessidade de proteger a Corte de investidas que visam enfraquecer sua autoridade. 

O jurista Lenio Streck, professor de Direito respeitado, alinha-se a essa linha ao defender decisões do ministro Moraes em contextos de preservação da democracia, como no caso de exigências legais a plataformas digitais. Streck tem alertado para o perigo de críticas que desviam o foco de ameaças reais, como tentativas de golpe, e questionado investigações que parecem "pesca probatória", sem base concreta. 

No contexto do contrato, ele aponta para a falta de provas irrefutáveis e para o risco de o jornalismo substituir o devido processo legal, reforçando que acusações sem sustentação podem minar a independência do Judiciário e abrir caminho para instabilidades políticas. 

Marco Aurélio Carvalho, cofundador do Grupo Prerrogativas ao lado de Serrano, complementa essa defesa ao enfatizar a necessidade de medidas institucionais para preservar o STF. Em entrevistas recentes, Carvalho elogiou posturas como a de Toffoli ao se declarar impedido em julgamentos relacionados, defendendo que o foco deve ser na integridade da Corte e não em narrativas sensacionalistas sem provas. 

Ele alerta para vazamentos seletivos e manipulações que visam deslegitimar ministros, alinhando-se à visão de que o contrato em questão carece de evidências de ilicitude e até de existência tal como foi apresentado à sociedade e representa mais um episódio de aliança oportunista contra o Judiciário. 

A nota divulgada pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, representa uma mera descrição de serviços prestados ao Banco Master, detalhando 94 reuniões (79 presenciais e 15 virtuais, totalizando 267 horas) e 36 pareceres jurídicos e opiniões legais, sem qualquer atuação no STF em causas relacionadas ao banco. 

No entanto, as tentativas da mídia de esmiuçar e dissecar essa nota são irresponsáveis, pois se baseiam em suposições infundadas, como estimar o tempo de produção de pareceres complexos – que, na prática jurídica, podem demandar meses para conclusão, envolvendo pesquisa aprofundada, análise de jurisprudência e revisão por equipes especializadas. 

Além disso, ninguém sabe com certeza se a descrição se refere a um único contrato ou a múltiplos acordos agregados, e muito menos o valor exato alocado especificamente aos serviços listados, apesar de vários órgãos de imprensa terem se aventurado em cálculos especulativos, sugerindo que o escritório recebeu R$ 3,6 milhões mensais por "apenas" 4,27 reuniões e 1,63 pareceres por mês, ou estimando diferenças de até R$ 78 milhões acima do "valor de mercado". 

Essas narrativas midiáticas ignoram variáveis como complexidade dos casos, riscos envolvidos e padrões de remuneração em consultorias de alto nível, servindo apenas para alimentar uma agenda de descrédito sem provas concretas. 

Juristas como Serrano reforçam que, sem evidências irrefutáveis, tais acusações constituem uma agressão ao devido processo e à presunção de inocência, priorizando o espetáculo midiático sobre a verdade factual. 

Esses especialistas têm se manifestado de forma similar, também criticando a PF por vazamentos seletivos no caso Master e reforçando que, sem provas concretas, as alegações contra Viviane Moraes e o escritório dela são infundadas e servem a agendas antidemocráticas. 

Em suma, Serrano, Kakay, Streck, Carvalho e o coletivo do Prerrogativas desmontam a narrativa farsesca. Essa frente unida de especialistas destaca que o verdadeiro risco reside na erosão da confiança nas instituições, promovida por uma mídia e oposição que priorizam o espetáculo sobre a verdade factual.

Polícia Civil pede prisão de tenente-coronel no caso da PM morta após tiro na cabeça em SP

Corpo de Gisele Alves Santana foi exumado, e laudo necroscópico apontou que havia lesões no rosto e no pescoço da mulher. Segundo peritos, há sinais de que ela desmaiou antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou defesa. Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, é investigado pelo crime.

Por Redação g1 SP e TV Globo, — São Paulo

17/03/2026

Laudo mostra que PM morta em São Paulo tinha ferimentos no rosto e no pescoço








A Polícia Civil de São Paulo pediu nesta terça-feira (17) à Justiça que seja decretada a prisão do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido da policial militar Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça, no mês passado.

Até a última atualização desta reportagem, o Poder Judiciário não havia se pronunciado sobre o pedido.

A decisão das autoridades aconteceu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao processo laudos relacionados ao caso.

Os documentos confirmaram que Gisele não estava grávida e também não foi dopada, mas que havia mais manchas de sangue da soldado espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela morreu.

Apesar da conclusão do laudo toxicológico, que não indicou o consumo de drogas ou bebidas por Gisele, e da liberação de outros exames — que somam cerca de 70 páginas —, a delegacia aguarda ainda mais resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) para concluir o inquérito. Eles devem esclarecer a dinâmica do disparo ocorrido há quase um mês.

O caso ocorreu na manhã do dia 18 de fevereiro e está sendo investigado pela polícia como morte suspeita. O pedido de prisão foi feito com o aval do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

O corpo da vítima foi exumado, e o laudo necroscópico apontou que havia lesões no rosto e no pescoço da mulher.

Segundo peritos, há sinais de que ela desmaiou antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou defesa.

O documento obtido com exclusividade pela TV Globo diz que essas lesões eram "contundentes" e feitas "por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal" (arranhões que indicam marcas de unhas).

A PM, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo. Ele estava no local e foi quem acionou o socorro. A defesa dele ainda não se pronunciou sobre o resultado do laudo.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita após a família dela contestar essa versão. O corpo da PM foi, então, exumado e passou por novos exames no sábado (7) no Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital, incluindo uma tomografia.

Caso da PM morta em São Paulo. — Foto: Fantástico








Horário da morte

Alguns pontos chamam a atenção dos investigadores sobre a morte. Um deles é o horário da morte. Uma vizinha do casal afirmou à polícia que acordou às 7h28 depois de ouvir um estampido único e forte vindo do apartamento.

Isso aconteceu cerca de meia hora antes da primeira ligação feita pelo marido da vítima ao serviço de emergência. Na chamada para a PM, registrada às 7h57, ele disse que a esposa havia se matado.

“Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”, afirmou Neto na ligação.

Minutos depois, às 8h05, ele ligou para o Corpo de Bombeiros e disse que a mulher ainda estava respirando. As equipes chegaram ao local às 8h13.

Posição da arma

Outro questionamento é sobre o disparo. Um dos socorristas relatou que a arma parecia estar "bem encaixada" na mão da mulher, de uma forma que nunca havia visto em casos de suicídio. Por achar a cena incomum, decidiu fotografá-la.

O profissional também afirmou que o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao apartamento e que não havia cartucho de bala no local.

Socorrista diz que desconfiou da forma em que arma estava encaixada na mão de PM encontrada baleada

Banho

No mesmo inquérito da Polícia Civil, depoimentos de socorristas que atenderam a ocorrência levantam questionamentos sobre a versão apresentada pelo marido da vítima.

Em depoimento, o oficial afirmou que estava no banho no momento em que ouviu o disparo, mas os primeiros bombeiros que chegaram ao local disseram que ele estava seco e que não havia marcas de água no chão do apartamento.

O tenente-coronel disse que entrou no banheiro para tomar banho por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que pensou ser de uma porta batendo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída na sala.

Um sargento do Corpo de Bombeiros com 15 anos de experiência relatou que, ao chegar ao apartamento, encontrou Geraldo de bermuda, sem camisa e inteiramente seco.

O declarante afirma que não havia nenhum tipo de pegada molhada que indicasse que o tenente-coronel teria saído imediatamente durante o banho, inclusive ele estava seco

— registrou o socorrista em depoimento.

Ele também afirmou que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado, mas não havia poças de água no chão ou no corredor.

A observação foi reforçada por um tenente da PM cuja equipe foi a primeira a chegar ao local dos fatos. Ele apontou que nem Geraldo nem Gisele aparentavam estar molhados ou terem tomado banho antes do disparo.

Conduta e falta de desespero

Outro ponto que chamou a atenção da equipe de resgate foi o estado emocional do marido. O sargento do Corpo de Bombeiros afirmou que não viu nenhum tipo de desespero por parte do tenente-coronel nem o viu chorando.

Um segundo bombeiro também estranhou a conduta do marido porque ele "falava calmamente" ao telefone, questionava a todo momento o atendimento prestado pelos bombeiros e insistia que a vítima fosse retirada com pressa e levada imediatamente ao hospital.

Os socorristas também observaram que o oficial não apresentava nenhuma marca de sangue no corpo ou nas vestimentas, o que indicaria que ele não teria tentado prestar os primeiros socorros à esposa.

Ligação para desembargador

Entre os contatos feitos por Geraldo na manhã da ocorrência, um deles chamou a atenção da família da policial: a ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Ele chegou ao prédio às 9h07 e subiu para o apartamento com o tenente-coronel. O advogado da família, José Miguel da Silva Junior, questiona a presença do magistrado no local.

“Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo.”

·                   9h18: o desembargador reaparece no corredor.

·                   9h29: Após 11 minutos, o tenente-coronel surge com outra roupa.

Entrada e saída de policiais do apartamento

Uma câmera de segurança registrou a entrada e a saída de três policiais no apartamento onde Gisele morreu. Segundo uma testemunha, as agentes foram ao local cerca de 10 horas após a ocorrência para fazer a limpeza do imóvel.

Ainda de acordo com a testemunha, as agentes chegaram ao prédio às 17h48 de 18 de fevereiro, o mesmo dia da morte, e entraram no local acompanhadas por uma funcionária do edifício.

As imagens mostram que elas permaneceram por aproximadamente 50 minutos e não saíram com objetos. As policiais serão ouvidas na investigação.

O que dizem as defesas

Em nota divulgada antes do laudo feito após a exumação, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirma que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o momento.

Segundo os advogados, o oficial tem colaborado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para ajudar na elucidação dos fatos.

Já a defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária.

O caso, inicialmente registrado como suicídio, segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.

EM TEMPO: As mulheres devem ser mais criteriosas nas escolhas dos seus "amores", assim como a população deve ser na escolha dos políticos. 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Analista geopolítico chinês explica derrota dos EUA no Irã e diz que conflito pode “mudar para sempre a ordem global”

Jiang Xueqin afirma que estratégia iraniana pode enfraquecer o petrodólar e acelerar a transição para um mundo multipolar



 

Jiang Xueqin explica a derrota dos Estados Unidos no Irã (Foto: Reprodução Youtube)

Redação Brasil 247

247 – O educador e escritor Jiang Xueqin, analista geopolítico chinês radicado em Pequim, afirmou que os Estados Unidos podem acabar derrotados em uma guerra contra o Irã e que o desfecho de um conflito desse tipo teria potencial para transformar profundamente a ordem internacional. As declarações foram feitas em entrevista publicada no YouTube, no vídeo “Professor Jiang Predicts: US WILL LOSE Iran War”.

Jiang Xueqin dirige o canal Predictive History, no qual aplica conceitos de teoria dos jogos, análise estrutural e a ideia de “psico-história” inspirada no escritor Isaac Asimov para interpretar tendências históricas e antecipar desdobramentos geopolíticos. Em suas análises, ele costuma abordar temas como as relações entre Estados Unidos e Irã, a ascensão e queda de potências e conflitos contemporâneos, enfatizando principalmente as dinâmicas de poder entre Estados. 

As previsões feitas em 2024

Na entrevista, o analista recorda que, ainda em 2024, apresentou três previsões sobre a conjuntura global envolvendo os Estados Unidos e o Oriente Médio. Em um trecho reproduzido durante o programa, ele afirmou: “Neste semestre, estou fazendo três grandes previsões. A primeira é que Trump vai vencer em novembro. A segunda é que os Estados Unidos vão entrar em guerra contra o Irã. E a terceira grande previsão é que os Estados Unidos vão perder essa guerra, o que vai mudar para sempre a ordem global.”

Questionado se mantém essa avaliação, Jiang respondeu que sim. Segundo ele, a evolução do conflito indicaria uma dinâmica de guerra de atrito, na qual o Irã possuiria vantagens estratégicas.

“Dada a minha análise de como a guerra está progredindo, acho que o Irã tem muitas mais vantagens sobre os Estados Unidos. A realidade é que agora é uma guerra de atrito entre os Estados Unidos e o Irã.”

Ele também afirmou que o Irã teria se preparado por décadas para um confronto dessa natureza. “Os iranianos vêm se preparando há 20 anos para esse conflito. Para eles, dentro da visão religiosa e estratégica, trata-se de uma guerra contra o grande Satã.” 

Estratégia iraniana mira economia global

Segundo Jiang Xueqin, a estratégia iraniana não estaria focada apenas no confronto militar direto, mas na pressão sobre a infraestrutura econômica e energética do Golfo Pérsico, região central para o sistema financeiro global.

“Os iranianos não estão apenas travando uma guerra contra os Estados Unidos. Eles estão travando uma guerra contra toda a economia global.”

De acordo com ele, alvos estratégicos incluem bases militares, instalações energéticas e estruturas vitais para países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.

Um dos pontos mencionados na entrevista foi a vulnerabilidade das usinas de dessalinização, essenciais para o abastecimento de água na região. “As plantas de dessalinização fornecem cerca de 60% do abastecimento de água dos países do Golfo. Se uma instalação dessas fosse destruída em uma grande cidade como Riad, uma metrópole de cerca de 10 milhões de habitantes, a população poderia ficar sem água em poucas semanas.”

Ele também destacou a dependência da região de rotas marítimas para alimentos e energia, mencionando a importância estratégica do estreito de Hormuz. 

O papel do petrodólar e da economia global

Outro elemento central da análise do pesquisador é o papel do petrodólar no sistema financeiro internacional. Segundo ele, os países do Golfo são fundamentais para a economia dos Estados Unidos porque reciclam receitas do petróleo em investimentos financeiros nos mercados norte-americanos.

“Os países do Golfo são o ponto de apoio da economia americana. Eles vendem petróleo em dólares e depois reciclam esses petrodólares investindo novamente na economia dos Estados Unidos.”

Ele argumenta que parte significativa dos investimentos recentes em infraestrutura tecnológica e centros de dados ligados à inteligência artificial nos Estados Unidos tem origem em capitais da região.

“Se os países do Golfo não puderem mais vender petróleo ou financiar esses investimentos, a bolha de inteligência artificial nos Estados Unidos pode estourar e isso afetaria profundamente a economia americana.” 

Assimetria militar e custos da guerra

Jiang também argumenta que o conflito revela uma assimetria crescente nos custos militares, com sistemas de defesa extremamente caros sendo utilizados contra armas relativamente baratas.

“Estamos vendo mísseis que custam milhões de dólares sendo usados para interceptar drones que custam apenas dezenas de milhares. Isso não é sustentável no longo prazo.”

Na avaliação do analista, essa dinâmica pode enfraquecer a percepção de invulnerabilidade militar dos Estados Unidos construída após o fim da Guerra Fria.

“O que estamos vendo é o enfraquecimento da aura de invencibilidade que sustentou a hegemonia americana nas últimas décadas.” 

Possibilidade de escalada e tropas terrestres

Durante a entrevista, Jiang também comentou a possibilidade de uma escalada militar envolvendo tropas terrestres dos Estados Unidos no Irã. Segundo ele, historicamente operações de mudança de regime raramente ocorreram apenas com ataques aéreos.

“Nunca houve um caso em que uma mudança de regime tenha sido obtida apenas com bombardeios. Normalmente isso exige tropas em terra.”

Ao mesmo tempo, ele destacou que a opinião pública norte-americana tende a rejeitar uma escalada desse tipo. 

Transição para um mundo multipolar

Ao final da análise, Jiang Xueqin sustenta que um conflito prolongado entre Estados Unidos e Irã poderia acelerar mudanças estruturais na ordem internacional.

“Isso pode sinalizar o colapso do sistema baseado no petrodólar e da hegemonia global dos Estados Unidos. Estamos caminhando para um mundo multipolar.”

Para o analista, o resultado final do conflito terá impacto não apenas no Oriente Médio, mas também na arquitetura econômica e geopolítica global nas próximas décadas. 

EM TEMPO: O analista geopolítico brasileiro Pepe Escobar diz algo semelhante conforme texto abaixo.