A vitória de Lula no
segundo turno, numa virada histórica das eleições presidenciais brasileiras,
demonstrou mais uma vez a extraordinária capacidade de mobilização e
resistência do povo brasileiro, especialmente da juventude. Aquilo que parecia
uma tarefa praticamente impossível transformou-se em realidade mediante a
participação de milhões de pessoas nas ruas, nos locais de trabalho, nas
universidades, nas periferias e nas redes sociais.
Na avaliação do
Partido Comunista Brasileiro (PCB), esse resultado representa uma vitória de
toda a humanidade contra o fascismo, contra Trump, o sionismo, a Meta, a máfia
bolsonarista, os prefeitos que sabotaram o transporte público nas regiões de
maioria lulista, a oligarquia financeira, os chamados mercados e as classes
dominantes, que se empenharam em apoiar o candidato adversário com o objetivo
de aprofundar as políticas neoliberais e a entrega do patrimônio público
brasileiro. Trata-se de um acontecimento que ultrapassa os limites de uma
disputa eleitoral e assume um significado político e geopolítico de grande
dimensão.
Num cenário
internacional marcado pelo crescimento da extrema-direita e pela intensificação
das contradições do capitalismo, o resultado eleitoral brasileiro constitui um
acontecimento fundamental para a América Latina e para o mundo, porque o Brasil
passa a representar importante barreira de contenção ao avanço das forças
reacionárias na região.
A derrota da
candidatura bolsonarista representa também um revés político para os que
defendem a subordinação do Brasil aos interesses estratégicos dos Estados
Unidos. Além disso, o fortalecimento das forças democráticas e de esquerda
brasileiras poderá contribuir para ampliar os espaços de resistência ao
imperialismo, em defesa da soberania e autodeterminação dos povos
latino-americanos, especialmente de Cuba, permanentemente submetida ao bloqueio
econômico estadunidense. O exemplo vitorioso do Brasil certamente servirá de
inspiração para que outros povos organizem sua resistência contra o fascismo e
o imperialismo.
Um dos aspectos mais
importantes desse processo foi a ativa participação da juventude, dos idosos,
dos trabalhadores e das trabalhadoras, dos movimentos populares e de amplos
setores da sociedade brasileira. A mobilização que se desenvolveu desde as pequenas
cidades do interior às grandes capitais, das universidades às periferias, das
manifestações de rua às redes sociais, revelou uma disposição para a luta da
população brasileira que merece ser analisada em toda a sua profundidade. Essa
experiência poderá representar um importante acúmulo de consciência,
organização e capacidade de intervenção popular para as batalhas futuras, uma
vez que as massas emergem dessa luta com ânimo renovado e moral elevada. O
desafio agora é transformar a energia despertada durante a campanha eleitoral
em participação política permanente, organização e luta pelos direitos da
classe trabalhadora, dos setores populares e da juventude.
Essa experiência
também recoloca uma questão fundamental para a compreensão da luta política: a
correlação de forças não é uma realidade imóvel. Correlação de forças se
constrói lutando. Ninguém é capaz de mudar a realidade permanecendo de braços
cruzados ou apenas realizando acordos de gabinete. Ela se modifica mediante a
ação consciente das classes sociais, a organização coletiva e a participação
popular. A experiência dessas eleições demonstrou que somente a mobilização
popular pode alterar situações aparentemente desfavoráveis e abrir novas
possibilidades políticas. Na perspectiva do PCB, as transformações estruturais
de que o país necessita não poderão resultar exclusivamente de negociações
institucionais ou de acordos entre as cúpulas partidárias, mas dependerão
fundamentalmente da capacidade de organização e intervenção independente da
classe trabalhadora. Sem luta não há vitórias!
Entretanto, seria um
grave equívoco confundir a derrota eleitoral da extrema-direita com o
desaparecimento de sua força política, econômica e social. O novo governo
encontrará uma realidade marcada pela forte presença da extrema-direita no
Congresso Nacional, nos governos estaduais, no aparelho de Estado e em
importantes espaços de influência econômica e ideológica. Além disso, as
grandes corporações, o capital financeiro e os setores empresariais continuarão
exercendo forte pressão sobre as decisões econômicas e políticas da nação. A
vitória nas urnas modifica a correlação de forças no cenário político, mas não
elimina as contradições estruturais da sociedade brasileira, nem resolve, por
si mesma, os conflitos entre os interesses do capital e as necessidades da
maioria trabalhadora. Por isso, é fundamental manter unidas e vigilantes as
forças que se mobilizaram para derrotar o fascismo!
A conjuntura que se
abre, portanto, será marcada pela continuidade e pelo acirramento da luta de
classes, tanto no terreno institucional quanto no conjunto da sociedade. As
disputas sobre o orçamento público, os direitos trabalhistas, a Previdência
Social, os serviços públicos, a política econômica e a distribuição da riqueza
estarão no centro dos conflitos políticos. O PCB considera indispensável que as
organizações sindicais, populares, estudantis e democráticas preservem sua
autonomia e capacidade de mobilização, independentemente da composição do novo
governo.
A oligarquia
financeira e os setores rentistas, derrotados nas urnas, já pressionam o
governo para anunciar cortes nos gastos sociais e medidas de austeridade
fiscal, sob o pretexto de reduzir o tamanho da dívida pública. Nessa
conjuntura, o enfrentamento das iniciativas autoritárias e das tentativas de
manter esse modelo econômico perverso deverão caminhar lado a lado com a luta
por melhores condições de vida, trabalho, educação, saúde e moradia para a
população brasileira.
Uma das principais
questões colocadas para o novo governo será a relação entre suas promessas
eleitorais e as políticas efetivamente implementadas. A população trabalhadora
enfrenta problemas profundos, como baixos salários, precarização das relações
de trabalho, endividamento das famílias, insuficiência dos serviços públicos e
dificuldades de acesso à moradia. Essas questões não poderão ser resolvidas
apenas mediante medidas compensatórias ou políticas sociais limitadas, embora
estas possam produzir melhorias imediatas.
Na avaliação dos
comunistas, será necessário romper com a política neoliberal, o saque do fundo
público e enfrentar os mecanismos econômicos e institucionais que reproduzem a
desigualdade social e concentram a riqueza nas mãos de uma pequena parcela da
sociedade. Foi em busca dessa perspectiva de mudança que milhões de brasileiros
se mobilizaram por todo o país e derrotaram a extrema-direita e seu projeto de
destruição dos direitos dos trabalhadores e de submissão do Brasil aos
interesses dos Estados Unidos.
A experiência dos
governos anteriores também exige uma reflexão crítica sobre os limites da
política de conciliação de classes. O PCB considera que a tentativa de
compatibilizar permanentemente os interesses do grande capital com as
reivindicações da classe trabalhadora impõe sérios obstáculos às transformações
sociais. A manutenção de políticas de austeridade fiscal, juros elevados,
restrições ao investimento público e mecanismos de transferência de recursos
para o sistema financeiro vai comprometer a realização das promessas de
melhoria das condições de vida da população. Por isso, as decisões do próximo
governo deverão ser examinadas concretamente, considerando seus efeitos sobre o
emprego, os salários, os direitos sociais e a distribuição da renda e da
riqueza. A juventude, os trabalhadores e o conjunto da população brasileira não
podem, mais uma vez, se decepcionar por causa da ausência de medidas efetivas
capazes de transformar suas condições de vida. É hora de mudar o rumo do nosso
país!
A nova conjuntura
também coloca em evidência a necessidade de recuperar a confiança de amplos
setores populares nas possibilidades de transformação da sociedade. A
frustração com promessas não cumpridas, a persistência das desigualdades e a
ausência de mudanças estruturais constituem elementos importantes para
compreender o descontentamento social explorado politicamente pela
extrema-direita. Não basta derrotar eleitoralmente projetos autoritários: é
necessário enfrentar as condições econômicas, sociais e políticas que favorecem
seu crescimento. Para o PCB, o enfrentamento duradouro às forças reacionárias
exige a ampliação dos direitos democráticos, a valorização do trabalho, a
melhoria dos serviços públicos e o fortalecimento da participação popular nas
decisões políticas fundamentais. Exige também a mobilização permanente das
massas como força decisiva para barrar as sabotagens que os setores
reacionários certamente tentarão impor ao novo governo.
Nesse novo período, o
Partido Comunista Brasileiro reafirma sua trajetória histórica de defesa das
liberdades democráticas, dos direitos da classe trabalhadora e da soberania
nacional e popular. Os comunistas sempre participaram das grandes batalhas
políticas e sociais do povo brasileiro, enfrentaram a repressão e a
clandestinidade e contribuíram decisivamente para a organização dos
trabalhadores ao longo de sua história. Essa tradição orienta nossa atuação
diante da conjuntura atual.
O PCB manterá sua
independência política, ideológica e orgânica em relação ao novo governo,
apoiando as medidas que representem conquistas efetivas para os trabalhadores e
as trabalhadoras, exercendo uma crítica rigorosa às decisões que reproduzam a
orientação neoliberal, restrinjam direitos ou preservem os privilégios do
grande capital. Para os comunistas, a vitória eleitoral abre possibilidades
políticas importantes, mas não substitui a necessidade de transformações
estruturais na sociedade brasileira. O PCB continuará defendendo seu projeto de
poder popular e do socialismo, baseado na organização independente da classe
trabalhadora, na democratização efetiva das instituições e na superação das
relações sociais de exploração.
Nossa perspectiva
aponta para a construção de uma sociedade na qual a produção da riqueza esteja
subordinada às necessidades coletivas e não à acumulação privada do capital.
Disso não abrimos mão. É a partir desta concepção de sociedade e de nosso
compromisso histórico com a classe trabalhadora que avaliaremos os
acontecimentos políticos e as medidas do próximo governo.
A vitória de Lula
representa, portanto, a abertura de uma nova etapa da vida política brasileira,
carregada de possibilidades, contradições e desafios. O resultado eleitoral
demonstrou a força da mobilização popular e criou expectativas de mudanças
entre milhões de brasileiros. A realização dessas expectativas dependerá das
escolhas do novo governo e, sobretudo, da capacidade de organização,
mobilização e luta da classe trabalhadora e dos setores populares. O PCB
reafirma seu compromisso com a luta contra o fascismo, com as reivindicações
históricas da classe trabalhadora e com a construção de uma alternativa
socialista para o Brasil.
A experiência dessa
eleição deixa uma lição que deve permanecer viva nas próximas batalhas: a
organização, a mobilização e a participação popular são forças indispensáveis para
a conquista de direitos e para a transformação da sociedade, além de serem
capazes de transformar o aparentemente impossível em tarefa possível. A vitória
eleitoral abriu uma janela de oportunidades para mudar o rumo do País.
Esperamos que o novo governo cumpra essa tarefa.
Comissão Política
Nacional do Partido Comunista Brasileiro – PCB
EM TEMPO: O combate a Extrema-Direita é muito difícil, haja visto que à Direita é muito forte no mundo inteiro. Um dos motivos da vitória de Lula é que conseguiu recuperar o voto da Centro Direita, perdido parcialmente no primeiro turno. Engana-se quem pensa que foi à Esquerda que venceu a eleição. Agora é evidente que somente Lula é capaz de fazer essa proeza por ser um líder mundial e carismático. À Esquerda autêntica brasileira não soube até hoje lidar e se aproximar de um líder e pop star como o é Lula e apresentar as devidas reivindicações mesmo com um Congresso de maioria de Direita. Por exemplo: Faz-se necessário que o governo adote uma política de educação cultural e política da população. Quanto ao entretenimento é preciso analisar e disciplinar para não servir aos interesses das Classes Dominantes do País. Dentre outros. Ok, Moçada!




