Grupo de 12 deputados cobra secretário de Estado dos EUA e aponta esforço do governo Donald Trump para influenciar a disputa presidencial no Brasil
Conteúdo postado por: Paulo Emílio.
Publicado em 7 de outubro de 2026.
Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo,
Eduardo Bolsonaro e Donald Trump. Crédito: Reprodução
247 – Um grupo de 12
deputados democratas dos Estados Unidos acusou o governo do presidente Donald
Trump de manter um “esforço contínuo” para influenciar as eleições brasileiras
de 2026. Os parlamentares também cobraram explicações do secretário de Estado,
Marco Rubio, sobre a revogação do visto diplomático da embaixadora do Brasil em
Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Segundo o UOL, as acusações
constam de uma carta enviada a Rubio na terça-feira (6). No documento, os
congressistas classificam a retirada do visto da diplomata brasileira como uma
medida “extraordinária e sem precedentes” e afirmam que a decisão representa
uma nova escalada na deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos.
Para os democratas,
o episódio faz parte de uma sequência de ações da administração americana
relacionadas à política interna brasileira. A carta sustenta que a revogação do
visto de Viotti é a iniciativa mais recente do que os parlamentares descrevem
como uma tentativa do governo Trump de influenciar a disputa eleitoral de 2026.
Deputados apontam sequência de ações
contra o Brasil
Os congressistas
citam as tarifas de 50% impostas ao Brasil e sanções contra um ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF), além de medidas adotadas por Washington durante
o processo contra o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).
Segundo os parlamentares, essas iniciativas estiveram relacionadas ao
que classificam como uma tentativa fracassada do governo Trump de proteger o
ex-presidente brasileiro.
A carta também
menciona contatos de integrantes da administração dos EUA com Bolsonaro e
questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro. Na avaliação dos
democratas, esse conjunto de ações demonstra uma tentativa de influenciar
assuntos políticos internos do Brasil de maneiras que poderiam ameaçar as
instituições democráticas e o processo eleitoral.
Os deputados
afirmam ainda que medidas adotadas pelo Departamento de Estado teriam colocado
em risco uma aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT). Eles lembram que o presidente estadunidense elogiou Lula depois de um
encontro entre os dois e manifestam preocupação com ações posteriores que,
segundo a carta, buscariam “fabricar esta crise diplomática” a poucos meses das
eleições brasileiras.
Revogação de visto entra no centro da
crise
Segundo os
congressistas, a revogação do visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti teria
ocorrido em retaliação à decisão brasileira de negar vistos a dois integrantes
do Departamento de Estado: Riley M. Barnes, secretário-assistente para
Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, secretário-assistente
adjunto da mesma área.
Os deputados cobram
de Rubio informações sobre o objetivo da viagem dos dois funcionários ao Brasil
e sobre quais reuniões estavam previstas.
A carta cita
reportagens segundo as quais autoridades americanas pretendiam levantar
questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro. O governo brasileiro
teria negado os vistos por considerar que as visitas poderiam representar uma
nova tentativa de influência nas eleições presidenciais de 2026.
Os parlamentares
também querem saber se a Casa Branca participou da decisão de retirar o visto
de Viotti e se Trump foi informado previamente.
Outro
questionamento é se Rubio ou outras autoridades do Departamento de Estado
autorizaram contatos com Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, o
ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro ou representantes deles sobre a revogação
do visto da embaixadora.
Democratas cobram provas sobre
sistema eleitoral
Um dos principais
pontos da carta envolve os questionamentos de autoridades americanas sobre a
credibilidade das eleições brasileiras.
Os deputados exigem
que o governo Trump apresente evidências que sustentem eventuais dúvidas sobre
o sistema eleitoral do Brasil.
“Por que
autoridades do Departamento de Estado buscaram examinar o sistema eleitoral
brasileiro em meio a uma campanha presidencial ativa e quais evidências
específicas o Departamento possui de que o sistema eleitoral do Brasil pode não
ter credibilidade?”, questionam os congressistas.
O grupo também
pergunta diretamente se o governo estadunidense considera a eleição
presidencial brasileira de 2022 livre e justa e se o Departamento de Estado
dispõe de alguma evidência de que a eleição de 2026 não será.
Relação com China e cooperação entram
no alerta
Além das
consequências políticas, os democratas cobram informações sobre eventuais
avaliações do governo americano a respeito dos efeitos das medidas sobre as
relações entre Brasil e Estados Unidos.
Entre os possíveis
impactos mencionados pelos congressistas estão uma maior aproximação brasileira
com a China e prejuízos à cooperação bilateral no combate ao narcotráfico, na
segurança regional e no comércio.
Os deputados
defendem que as relações entre Washington e Brasília sejam orientadas pelo
respeito à decisão soberana dos eleitores brasileiros.
Na carta, afirmam
que a relação bilateral deveria se basear no respeito às escolhas democráticas
dos brasileiros e “não ser determinada pelo fato de o candidato favorecido pelo
presidente Trump vencer”.
Rubio tem prazo até 20 de outubro
Os 12 parlamentares
deram ao Departamento de Estado prazo até 20 de outubro para responder por
escrito aos questionamentos.
Assinam o documento
Sydney Kamlager-Dove, Gregory Meeks, James McGovern, Pramila Jayapal, Nydia
Velázquez, Jonathan Jackson, Sylvia Garcia, Dina Titus, Yvette Clarke, Mike
Quigley, Jasmine Crockett e Madeleine Dean. Meeks é o principal democrata da
Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes.
A nova cobrança
amplia a pressão dentro dos Estados Unidos sobre a atuação do governo Trump em
relação ao processo eleitoral brasileiro.
Em 29 de setembro,
os senadores democratas Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch enviaram outra
carta a Rubio na qual alertaram para uma possível interferência na eleição presidencial
brasileira. Eles perguntaram se o governo americano se comprometeria a
reconhecer o resultado certificado das urnas e a manter relações diplomáticas
normais com o candidato escolhido pelos eleitores.
Dias antes, 30
deputados e o senador independente Bernie Sanders também haviam questionado a
política da administração Trump para o Brasil. De acordo com aquela carta, as
medidas adotadas por Washington indicavam uma “aparente tentativa de interferir
e potencialmente minar” as eleições brasileiras.
As manifestações anteriores citaram tarifas,
investigações comerciais e a aproximação de Trump com o senador Flávio
Bolsonaro (PL) entre os exemplos de possível interferência. A carta dos três
senadores também cobrou explicações do Departamento de Estado sobre sua atuação
junto a países do Hemisfério Ocidental no acompanhamento de processos
eleitorais e judiciais.






