segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Debate na Globo é arapuca para a produção de mentiras e cortes

“Para Lula, ir a um confronto na Globo, numa hora dessas, é como se o Flamengo fosse jogar com milicianos presidiários dentro de Bangu 1”, escreve Moisés Mendes

Por Moisés Mendes (Jornalista)

Publicado em 28 de setembro de 2026

Lula  Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O que chamam de corte, e vale hoje para qualquer coisa no TikTok ou no jornalismo profissional, é o que já foi chamado de edição de conteúdo. O corte não é uma invenção da internet ou da extrema direita lacradora. É mais antigo do que os chinelos de dedo.

O estagiário do Brasil 247 sabe que o corte é a escolha de uma imagem, uma fala, um texto, alguma coisa que expresse síntese. Os versículos da Bíblia são cortes. Este, por exemplo, é o versículo 44 do capítulo 8 do Evangelho de João, quando Jesus informa aos fariseus que sabe muito bem do plano para matá-lo:

“Vocês têm por pai o diabo e querem satisfazer os desejos do pai de vocês. Ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentiras, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”.

Jesus disse muito mais, num dos momentos mais tensos antes de ser assassinado, mas esse é o corte que está no Evangelho de João sobre o pai da mentira. O que Flávio Bolsonaro quer, no debate de quinta-feira na Globo, é lacrar e produzir mentiras. Ele é o filho ungido do pai da mentira no Brasil.

Flávio quer cortes para a propaganda de TV e rádio e para as redes sociais. É como funciona quase tudo hoje. O que a TV começou e a internet radicalizou foi o vício em cortes, muitas vezes fora de contexto, para favorecer alguém na sua pregação política.

O bolsonarismo é especialista em cortes e sabe fazer edições muito melhor do que as esquerdas. Por isso, o debate na Globo, que divide quem defende e quem é contra a presença de Lula, seria um momento para a produção de falas recortadas.

Ninguém mais vê um debate político do início ao fim. Poucos querem saber do encadeamento de argumentos, coerência e consistência. Querem cortes. Flávio não iria ao debate para enfrentar Lula com algum fundamento.

Levaria perguntas e frases prontas para editá-las em 10 ou 20 segundos. Dezenas de cortes descontextualizados. É previsível que seria assim. Sem condições de sustentar uma conversa sobre programas sociais, educação, saúde e economia, tentaria produzir intervenções lacradoras. É só isso. Lula só deveria ir se tivesse a certeza de que poderia vencer o duelo de cortes.

É arriscado, é quase impossível, sabendo-se que o caso de Nossa Senhora Aparecida e a proibição das bets não tiveram maior impacto nas pesquisas. O que poderá impactar tão perto da eleição, num debate com três figuras da direita?

Não ir pode significar a chance de Flávio levar frases bem escolhidas para cortes sobre a ausência de Lula. Mas também o extremista terá de calibrar o tom da afronta, para não saturar a audiência com excesso de escracho. E ficará falando sozinho, sem poder encarar Lula.

Parece ter prevalecido o alerta sintetizado por Leonardo Attuch, aqui no 247: que Lula não vá e que Flávio e os outros candidatos da direita se devorem no estúdio, porque não há outra estratégia para Ronaldo Caiado e Augusto Cury que não seja a de bater em Flávio.

Alguém imagina que eles possam ficar durante três horas batendo em Lula? Os outros dois, Romeu Zema e Renan Santos, não foram convidados porque seus partidos não têm representação suficiente no Congresso, como estabelece a legislação eleitoral. 

Muitos dirão que a Globo e os jornalões ficarão toda a sexta-feira atacando a ausência de Lula. Não haverá novidade. Não há o que ganhar indo a essa arapuca. Ninguém imagina que o Flamengo, às vésperas de vencer por antecipação a Série A, possa enfrentar um time de milicianos presidiários de Bangu 1, dentro da penitenciária.

E consideremos que, se Lula não for, como avisou à coordenação da campanha nessa segunda-feira, é provável que Flávio também avalie se vale a pena ir para levar bordoadas de Caiado. João, o evangelista, deve ter sido ouvido no Planalto: saia fora dessa, Lula, e fuja dos cortes e das mentiras de Flávio Bolsonaro.

QUAL A IMPORTÂNCIA DO FIM DAS BETS

Texto extraído do Blog do jornalista Roberto Almeida. 

Originalmente publicado no dia 27.09.2026. 

A proibição das apostas esportivas e jogos online (bets),  por meio de Medida Provisória, beneficia a sociedade como um todo, as famílias brasileiras e a saúde pública.

O fim das plataformas freia o endividamento acelerado de milhares de lares, evita que recursos essenciais para alimentação, contas básicas e o sustento familiar sejam perdidos em apostas ou cassinos virtuais (como o "jogo do tigrinho").

Especialistas em dependência química apontam que a remoção dos sites do ar reduz os gatilhos para o transtorno do jogo compulsivo (ludopatia), que vinha crescendo de forma alarmante no país.

O fim das bets vai prejudicar setores poderosos da mídia, veículos de comunicação que não se preocupam com a saúde pública e a derrocada financeira de famílias inteiras, porque visam apenas o lucro.

Estrelas como o jogador Neymar e Virgínia Fonseca, que ganhavam muito dinheiro dessas empresas virtuais, também vão perder uma boa fonte de renda.

Mas esses já estão muito ricos, o prejuízo deles não é nada demais, porque será em benefício de milhares ou mesmo milhões de pessoas.

A choradeira dos clubes de futebol é ridícula.

Times tradicionais do Brasil, como Santos, Botafogo, Flamengo e Palmeiras se tornaram grandes muito antes de inventarem as bets.

Conquistaram os mais importantes títulos, assim como a própria seleção brasileira sem depender de casas da apostas.

Agora vir dizer que a proibição vai acabar com o futebol é uma afirmação cínica e ridícula.

Alguns acham que o presidente Lula tomou a medida de olho na eleição. Pode ser. De todo jeito, foi uma medida corajosa e necessária e se vai render voto por um lado, pode acarretar perdas por outro.

É que os setores prejudicados são muito poderosos e vão alimentar mais ainda o ódio contra o PT e sua política de favorecimento dos setores vulneráveis da sociedade.

Quem tem bom senso e se posiciona contra práticas que causam sofrimento e dor só pode aplaudir o fim dessas empresas que vendem ilusões, viciam e levam família inteiras ao desespero.



sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Bets vão da legalização em 2018 à proibição em 2026. Veja o histórico

Setor ganhou aval legal em 2018, ficou sem regulamentação no governo Bolsonaro, recebeu regras em 2023 e agora enfrenta veto nacional

Conteúdo postado por: Leonardo Lucena

Publicado em 25 de setembro de 2026



 

Jogo de aposta.  Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil

247 – A trajetória das bets no Brasil, da legalização no governo Michel Temer à proibição determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atravessou três governos e diferentes etapas de legislação, regulamentação e fiscalização. A cronologia sobre a operação do setor no Brasil foi publicada nesta sexta-feira (25) pelo G1.

O Congresso abriu caminho para as apostas esportivas de quota fixa em 2018, o governo Jair Bolsonaro não concluiu as regras no prazo previsto e a gestão Lula regulamentou o mercado a partir de 2023. 

Nesta sexta-feira (25), Lula editou a Medida Provisória 1.394, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no território nacional.

A sequência ajuda a explicar como um setor que passou a integrar formalmente a legislação brasileira há oito anos chegou à proibição em 2026. A Lei 13.756, de dezembro de 2018, criou a modalidade de aposta de quota fixa vinculada inicialmente a eventos esportivos. 

A legislação concedeu ao Executivo até dois anos, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período, para regulamentar a atividade. O Ministério da Fazenda confirma que o prazo poderia chegar a quatro anos.

Congresso incluiu bets em medida do governo Temer

A origem do marco legal remonta ao último ano do governo Michel Temer. Em 2018, o Executivo encaminhou ao Congresso medidas relacionadas ao Fundo Nacional de Segurança Pública e à distribuição dos recursos provenientes das loterias.

O texto que saiu inicialmente do governo tratava do financiamento da segurança pública e da destinação da arrecadação das loterias. Durante a tramitação legislativa, o Congresso acrescentou a modalidade de apostas de quota fixa, e Temer sancionou a Lei 13.756 em 12 de dezembro daquele ano. A legislação original restringia essa modalidade a “eventos reais de temática esportiva”.

A lei autorizou a exploração comercial das apostas de quota fixa em território brasileiro e entregou ao governo federal a tarefa de estabelecer as normas de funcionamento. O próprio Ministério da Fazenda registra atualmente que a Lei 13.756/2018 legalizou as apostas esportivas de quota fixa, enquanto a legislação de 2023 incorporou os jogos on-line ao modelo.

Em setembro de 2025, Michel Temer falou sobre aquela decisão durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. O ex-presidente afirmou que enfrentava, na época, pressão pela liberação de outras modalidades de jogos.

“Mas daí houve essa ideia intermediária, que era aposta das bets. Foi no final do governo que eu autorizei. Eu não sei se faria diferente. Hoje eu vejo muitas notícias de gente mais pobre que destina boa parte do que ganha para essas apostas. Eu não sei se, diante dessa realidade, eu recuaria. Porque no Brasil, toda vez que você recua, é criticado”, declarou Temer.

Governo Bolsonaro deixou prazo de regulamentação vencer

A Lei 13.756 deu ao Poder Executivo dois anos para regulamentar o setor e permitiu uma prorrogação de mais dois. Dessa forma, o prazo máximo chegou ao fim de 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro.

A gestão Bolsonaro não concluiu a regulamentação. Durante esse período, o Ministério da Economia realizou consultas públicas em agosto e setembro de 2019 e em fevereiro de 2020 para reunir contribuições destinadas à construção das regras.

A pasta informou que recebeu milhares de manifestações. O governo também promoveu seminários por meio da então Secretaria de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria, a Secap.

“Adicionalmente, ainda em 2021, a Secap [Secretaria de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria] realizou uma série de seminários para estimular o debate e a difusão de conhecimento nos assuntos correlatos à sua área de atuação, esclarecendo que a opinião dos palestrantes não necessariamente representa um posicionamento da Secretaria, mas tem o intuito de contribuir com informações, discussão pública, estudos e opiniões que auxiliam nas políticas formuladas ou avaliadas e na transparência perante à sociedade”, diz documento do Ministério da Economia.

A falta de regulamentação manteve o mercado sem o sistema de autorização federal que entraria em funcionamento nos anos seguintes. O Ministério da Fazenda confirma que a lei de 2018 previa até quatro anos para que o governo concluísse essa etapa.

Em outubro de 2022, durante a campanha eleitoral, Bolsonaro afirmou que o governo avançava na elaboração de um decreto para disciplinar o mercado.

“O cara continua jogando e o dinheiro vai para fora, então está maduro isso com toda a sociedade”, disse Bolsonaro, em declaração reproduzida pelo Valor Econômico.

O governo encerrou 2022 sem publicar o regulamento previsto na legislação. Levantamentos posteriores também registraram que o prazo legal terminou em dezembro daquele ano sem que a gestão Bolsonaro implementasse integralmente o modelo regulatório.

Lula regulamentou mercado em 2023

Ao assumir o terceiro mandato, em janeiro de 2023, Lula recebeu um mercado de apostas esportivas que já contava com autorização legal, mas ainda não tinha o sistema de regras, licenças e fiscalização que passou a vigorar posteriormente.

Em julho daquele ano, o governo editou a Medida Provisória 1.182 para disciplinar a exploração das apostas de quota fixa. O Congresso discutiu o tema durante os meses seguintes e também tratou dos jogos realizados pela internet.

Em 29 de dezembro de 2023, Lula sancionou a Lei 14.790. A norma detalhou a exploração das apostas de quota fixa, estabeleceu regras para operadores e apostadores, criou parâmetros tributários e disciplinou a destinação de parte da arrecadação. O Congresso também incluiu na legislação os eventos virtuais de jogos on-line.

A mudança ampliou o alcance da legislação de 2018. Na redação original, a lei mencionava eventos esportivos reais. A partir de 2023, o conceito passou a abranger eventos reais ou virtuais. O Ministério da Fazenda registra essa diferença ao explicar que a legislação de 2018 legalizou as apostas esportivas de quota fixa e a de 2023 passou a abranger jogos on-line.

O projeto também integrou o conjunto de medidas econômicas que o governo defendia para aumentar a arrecadação. À época, estimativas iniciais do Executivo apontavam potencial de pelo menos R$ 10 bilhões em receitas públicas provenientes da tributação dos jogos e apostas virtuais.

Fazenda criou regras e domínio bet.br

Em 2024, o Ministério da Fazenda avançou na implementação do novo marco. A pasta publicou uma série de atos para regulamentar autorização, fiscalização, publicidade, segurança, proteção ao apostador e funcionamento das empresas.

A Secretaria de Prêmios e Apostas, criada na estrutura do Ministério da Fazenda naquele ano, assumiu a responsabilidade pelo acompanhamento do mercado. O governo também definiu critérios para conceder autorizações às empresas.

As regras estabeleceram o domínio “.bet.br” para as empresas autorizadas a atuar nacionalmente. Desde 1º de janeiro de 2025, apenas companhias que obtiveram autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas podem operar no mercado federal. Cada autorização permite até três marcas.

O sistema também passou a exigir o compartilhamento de informações com o governo e o cumprimento de normas relacionadas à segurança e à proteção de apostadores. Paralelamente, as autoridades começaram a bloquear endereços eletrônicos que ofereciam apostas sem autorização.

Banco Central estimou R$ 20,8 bilhões por mês em transferências

O crescimento do mercado ampliou o debate sobre os efeitos das apostas na renda das famílias.

Em setembro de 2024, um estudo técnico do Banco Central estimou que as empresas do setor receberam, em média, R$ 20,8 bilhões por mês em transferências entre janeiro e agosto daquele ano. O BC calculou que aproximadamente 24 milhões de pessoas físicas fizeram pelo menos uma transferência via Pix para empresas de jogos e apostas no período.

O levantamento também identificou diferenças por faixa etária. Entre os mais jovens, as transferências mensais ficavam em torno de R$ 100. Entre pessoas de idade mais elevada, o valor médio superava R$ 3 mil por mês.

O Banco Central estimou ainda que as empresas retinham aproximadamente 15% dos valores transferidos, enquanto os demais recursos retornavam aos jogadores na forma de prêmios. O próprio estudo ressaltou que os números representavam movimentações brutas, e não necessariamente perdas líquidas dos apostadores.

STF determinou medidas para beneficiários de programas sociais

A participação de beneficiários de programas sociais nas plataformas levou o tema ao Supremo Tribunal Federal.

Em novembro de 2024, o ministro Luiz Fux determinou medidas para restringir o uso de recursos provenientes de programas assistenciais, entre eles Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada, em apostas on-line. O Plenário do STF confirmou a decisão por unanimidade.

O Ministério da Fazenda regulamentou os mecanismos de bloqueio em 2025. A Secretaria de Prêmios e Apostas criou, em parceria com o Serpro, uma base que permite às plataformas consultar se determinado CPF integra grupos impedidos de apostar.

As normas publicadas em outubro de 2025 passaram a atingir beneficiários do Bolsa Família e do BPC. O sistema recebeu novas categorias posteriormente, entre elas pessoas ligadas a programas de renegociação de dívidas e ao Fies. Em agosto de 2026, o Ministério da Fazenda informou que o módulo já havia barrado o acesso de mais de 3 milhões de pessoas desde o início da implantação.

MP de 2026 proíbe apostas de quota fixa

A mudança de política se concretizou com a Medida Provisória 1.394, de 25 de setembro de 2026. O texto proíbe em território nacional a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das loterias de apostas de quota fixa. A regra alcança tanto as apostas relacionadas a eventos esportivos reais quanto os jogos on-line.

A MP também alcança empresas sediadas no exterior quando elas oferecem apostas a pessoas localizadas no Brasil. O texto preserva outras modalidades lotéricas que a legislação autoriza e também estabelece regras para encerrar as autorizações relacionadas às apostas de quota fixa.

Com a decisão, o governo Lula encerra o modelo federal de bets que o país construiu ao longo de oito anos: o Congresso criou a modalidade de apostas esportivas de quota fixa em 2018, durante o governo Temer; o governo Bolsonaro deixou vencer o prazo para concluir a regulamentação; o Congresso e o governo Lula definiram novas regras e incorporaram jogos on-line em 2023; e a MP de 2026 agora proíbe a atividade no território nacional.

EM TEMPO:  Certamente  alguns políticos simpatizantes das BET's e empresários do setor de apostas, a exemplo de João Campos (candidato a Governador de PE) e Felipe Carreras (candidato a Dep. Federal pelo Estado de PE), não irão gostar dessa decisão do governo Lula. Ok, Moçada!

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Parcial no STF, Mendonça tem de ser afastado do TSE

Articulista aponta atuação político-eleitoral de André Mendonça no caso Master e defende pedido de suspeição do ministro no TSE

autor:  Ricardo Amaral

Ricardo Amaral é editor especial do Brasil 247 em Brasília

Publicado em 16 de setembro de 2026


André Mendonça.  Crédito: Gustavo Moreno/STF

A sessão de terça-feira no STF serviu para expor a parcialidade político-eleitoral do ministro André Mendonça na condução do inquérito do caso Master, o que deve ser motivo para arguir sua suspeição como integrante e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Os fundamentos técnico-jurídicos da parcialidade foram colocados claramente na defesa do ministro Alexandre de Moraes e na questão de ordem do ministro Gilmar Mendes, mas a Federação PT-PCdoB-PV, do presidente Lula, ainda não tomou a decisão política de pedir a suspeição de Mendonça no TSE.

Gilmar Mendes apontou a “evidente condução político-eleitoral” de Mendonça, ao lembrar que o ministro bolsonarista conhecia desde maio, pelo menos, o conteúdo do arquivo que usou para acusar Moraes, mas deixou para fazê-lo às vésperas do 7 de setembro. Produziu assim, “um Pixuleco eleitoral” para os atos de Flávio Bolsonaro. A defesa de Moraes traz um encadeamento de fatos e manipulações ilegais para concluir que Mendonça vem atuando “a serviço de um grupo político que quer dar um golpe neste país”, ou seja: Bolsonaro pai e filhos.

Nestas semanas de crise no STF ficou evidente também o tratamento diferenciado nas decisões de Mendonça envolvendo políticos, tanto no inquérito Master quanto no do INSS. Enquanto os sigilos de Fábio Luiz Lula da Silva foram expostos por Mendonça ou via CPI do INSS, o inquérito sobre a corrupção de Flávio Bolsonaro por Daniel Vorcaro no caso Dark Horse só veio à tona na marra, assim como as mensagens no celular de Vorcaro para políticos e ministros bolsonaristas só apareceram por requisição do ministro Cristiano Zanin à Polícia Federal.

Mendonça ainda não examinou nenhuma questão relevante afetando a coligação do presidente Lula na corte eleitoral, mas é questão de tempo e de oportunidade que isso venha a acontecer. Como vice-presidente do TSE, ele é também um dos juízes da propaganda eleitoral. A desfaçatez (na expressão de Gilmar Mendes) com que vem atuando no STF para favorecer a família Bolsonaro (a mesma que usou quando foi ministro do ex-presidente golpista), recomenda fortemente o pedido de suspeição. Antes que seja tarde.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O que, de fato, Mendonça não quer que o STF veja?

Ministro impõe restrições a dados do celular de Daniel Vorcaro e levanta suspeitas de blindagem no Supremo

Por Florestan Fernandes Jr (Jornalista)

Publicado em 14 de setembro de 2026.

André Mendonça.  Crédito: Sophia Santos/STF
A pergunta que todos os que acompanham a crise no STF devem estar se fazendo é simples: por que os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro continuam fora do alcance dos ministros da Corte, justamente às vésperas da sessão desta terça-feira (15), que decidirá se Alexandre de Moraes deve ou não ser investigado?



Mais do que isso: por que André Mendonça, autor do pedido de abertura de investigação contra Moraes, se manifestou contra o compartilhamento integral dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sob a alegação de que a abertura total das mídias poderia “tumultuar o julgamento”?

O que precisa ficar claro ao ministro André Mendonça é que ele apenas pediu a abertura de uma investigação. A partir daí, não cabe a ele controlar o processo, decidir o que os demais ministros podem ou não conhecer, nem determinar os termos em que o pedido será julgado. Essa é uma atribuição do presidente da Corte, a quem compete conduzir o andamento do julgamento.

Cristiano Zanin e Gilmar Mendes já demonstraram contrariedade à limitação imposta por Mendonça e devem questionar a falta de informações cruciais para o julgamento do pedido de investigação contra um colega de Corte.

As informações passadas já na semana passada para mim por fontes do STF dão conta de que há fortes suspeitas de que Mendonça poderia estar tentando se blindar. Ministros do STF trabalham com a possibilidade de que André Mendonça dificulta a abertura dos dados para evitar o vazamento de informações da relação dele próprio com Daniel Vorcaro.

Uma de minhas fontes diz que ministros próximos a Moraes estão preparados para chutar o balde e apresentar dentro da Corte informações que poderiam comprometer mais de uma dezena de ministros do STJ e do STF. Nesse sentido, vale lembrar das informações que já são públicas envolvendo parentes de ministros do STF com Daniel Vorcaro, como: Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. O próprio André Mendonça tem uma história mal contada com Daniel Vorcaro.

Todos se lembram que, no início de setembro, o jornalista Paulo Motoryn revelou que, em 14 de março de 2025, André Mendonça teve uma conversa de cerca de duas horas com Daniel Vorcaro, na sede do Instituto Iter, que na época pertencia ao ministro. A justificativa apresentada por Mendonça foi a de que o encontro se destinara exclusivamente a tratar de uma questão relacionada a precatórios de interesse do Banco Master.

Convenhamos: essa justificativa é extremamente frágil. Um ministro do Supremo tem a obrigação ética de tratar assuntos relacionados ao seu cargo em seu gabinete no STF, com registro oficial e total transparência. Não se trata apenas de uma questão de formalidade, mas de preservar a necessária distância entre um ministro da Corte e os interesses privados de um banqueiro.

Mais ainda: o encontro a portas fechadas entre Mendonça e Vorcaro, no instituto privado do ministro, poderia configurar impedimento para a relatoria do caso Banco Master. Essa informação deveria ter sido comunicada ao presidente Edson Fachin antes do sorteio que atribuiu a Mendonça a relatoria, retirada de Dias Toffoli.

Ao dificultar o acesso integral aos dados extraídos dos celulares de Daniel Vorcaro, André Mendonça abre espaço para especulações sobre sua própria relação com o ex-banqueiro. Se tomarmos como régua o que ocorreu com Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, que foi desmentido em diferentes versões sobre sua relação com Vorcaro, as perguntas são inevitáveis: Mendonça teve mais de uma reunião com o banqueiro? Existem mensagens entre os dois que ainda não vieram a público? Ele ou sua família receberam algum tipo de benefício financeiro de Vorcaro, como ocorreu com outros integrantes da Corte?

E, finalmente, por que André Mendonça afastou os agentes da Polícia Federal que investigavam o caso para colocar em seu lugar policiais de confiança ligados ao bolsonarismo? O que havia nas investigações que justificaria uma mudança dessa natureza justamente naquele momento?

Assim que terminei este texto, veio a informação de que a Polícia Federal finalmente liberou o acesso, aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, à cópia dos dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, resta esperar que o conteúdo disponibilizado seja realmente integral e que nada tenha ficado de fora.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=2E3RfbrsjzA&t=4s

domingo, 13 de setembro de 2026

Lula defende soberania sobre petróleo e terras raras e alerta para eleição: “O Brasil está em jogo”

Em live neste domingo (13), presidente falou sobre petróleo, terras raras e disputa eleitoral

Conteúdo postado por: João Antonio Cunha.  Publicado em 13 de setembro de 2026

Presidente Lula. Crédito: Reprodução Youtube

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante uma live neste domingo (13), que as eleições deste ano colocam em discussão diferentes projetos para o futuro do Brasil. Ao abordar o controle sobre riquezas nacionais, Lula questionou qual país os brasileiros desejam construir.

“Qual é o futuro que você deseja para o Brasil? Um país em que o petróleo seja nosso ou um país em que aconteça o que aconteceu na Venezuela?”, perguntou o presidente. Na sequência, Lula direcionou a discussão para os minerais críticos e as terras raras, defendendo que esses recursos sejam controlados e processados no próprio país.

“Um país em que os minérios críticos e as terras raras sejam nossos, explorados por nós, refinados por nós, industrializados por nós, ou você vai permitir que as empresas americanas venham tomar as nossas riquezas minerais?”, afirmou.

O presidente também falou sobre a formação da população brasileira ao defender uma visão de país baseada na democracia e no desenvolvimento: “Um povo que é o resultado de uma miscigenação extraordinária, uma mistura de indígenas, de negros e de europeus que deu em nós, na nossa beleza, na nossa alegria, no nosso jeito de andar, de cantar, de jogar futebol, no nosso jeito de fazer política.”

Lula então voltou a relacionar a discussão às escolhas políticas que estarão em jogo nas eleições deste ano. “É isso que você tem que pensar, porque é isso que está em jogo, meu caro: é que tipo de Brasil você deseja.”

Ao abordar diretamente os candidatos, o presidente afirmou: “Você tem candidato que parece um capataz de fazenda no tempo da escravidão. Você tem candidato que nasceu no meio da milícia.”

Assista a Live:

https://www.youtube.com/watch?v=xDamLSaf5BQ

sábado, 12 de setembro de 2026

Lula: governo Bolsonaro transformou Vorcaro de ‘agiota’ em ‘banqueiro’

Em Curitiba, presidente relacionou gestão Bolsonaro a Vorcaro e defendeu transparência na investigação do Master

Conteúdo postado por: João Antonio Cunha

Publicado em 12 de setembro de 2026

Presidente Lula.  Crédito: Ricardo Stuckert



 

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (12), durante ato de campanha em Curitiba, que o governo do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL) foi responsável por transformar Daniel Vorcaro em banqueiro. O presidente também afirmou que seu governo foi responsável pela prisão do empresário e pelo fechamento do Banco Master.

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“Em 2019, eles pegaram um agiota e o transformaram em um banqueiro. O tal do banco Master, que tem esse Vorcaro, que corrompeu muita gente da República. Eles criaram um banqueiro e nós prendemos esse banqueiro. Eles abriram um banco e nós fechamos esse banco”, disse o presidente durante o discurso.

Lula também relatou ter conversado com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, sobre a necessidade de tornar públicos os elementos da investigação relacionada ao Banco Master.

Sem citar diretamente o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, Lula afirmou que não seria possível a um relator “ficar soltando matérias pensadas” e divulgar “somente aquilo que interessava a ele”.

“Eu pedi para liberar todo o processo. E vamos deixar às claras para ver quem é de verdade ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa. Estou feliz que o povo brasileiro vai saber a verdade. Quem fez o quê nesse país”, disse.

Lula fala em novas revelações sobre Vorcaro

O presidente afirmou ainda que as investigações sobre Daniel Vorcaro devem trazer novos detalhes sobre a relação do empresário com integrantes da política.

“Nós vamos investigar. O Vorcaro já está preso, mas agora vão começar a aparecer as orgias que ele fazia, as mulheres da Suíça, da Suécia, para fazer sacanagem com muita gente da política. Isso vai começar a aparecer. Portanto, quem fez putaria vai ser desmascarado”, declarou.

Durante o discurso, Lula também mencionou as investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva. O presidente afirmou que não haverá proteção caso ele tenha cometido algum erro.

“Eu acredito na inocência dele, mas, se ele cometeu um erro, ele terá que pagar pelo erro que cometeu. Isso vale para mim, vale para o meu filho, vale para qualquer ministro da Suprema Corte. Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico”, disse.

Lula também relacionou o governo Bolsonaro às fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com o presidente, a “quadrilha” responsável pelo esquema teria sido montada durante a gestão anterior.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=H2fYn-YXdoE&t=10s

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Lula emerge mais forte de uma semana difícil

O presidente Lula chega à semana decisiva antes do primeiro turno com a liderança preservada, a aprovação em alta e o adversário obrigado a explicar

Por  Miguel do Rosário

Jornalista e editor do blog O Cafezinho. 

Publicado em 11 de setembro de 2026

 
Crédito: Ricardo Stuckert/PR








Depois de uma semana extremamente dura para o presidente Lula, marcada por reveses em algumas pesquisas e pela dificuldade de encontrar um tom diante da crise no Supremo, o balanço de sexta é relativamente bom para o Planalto. O Datafolha divulgado hoje mantém o presidente na liderança do primeiro turno e lhe devolve uma vantagem numérica no segundo, com efeito psicológico importante para a campanha, para a militância e para toda a frente democrática e popular que o sustenta.

Foi um alívio. E justamente por isso o maior erro da campanha de Lula, daqui para a frente, será relaxar e achar que está tudo bem porque o presidente aparece 2 pontos à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Dois pontos são empate. Assim como não devemos ficar aflitos quando Flávio surge 1 ou 2 pontos na frente em alguma pesquisa, tampouco podemos ficar tranquilos quando Lula aparece com a mesma vantagem, porque estatisticamente é idêntico.

Na minha humilde opinião, a direção da campanha está errada. Ela não aponta para o futuro e não trabalha para oferecer ao eleitor a expectativa de algo novo.

A tese de sistema contra antissistema, e a ideia de que a esquerda defende as instituições enquanto a direita as ataca, me parece uma tremenda besteira. O povo nunca foi e nunca será amigo de black blocs, mas gosta das instituições apenas na medida em que elas lhe oferecem coisas boas, o que é óbvio.

O problema da campanha, portanto, não passa pela defesa ou não das instituições, nem pela posição a favor ou contra o sistema. Está em oferecer o novo, o ousado, e volto a repetir o que venho dizendo há meses, quiçá anos: ferrovias e energia solar.

Conversei há pouco com uma pessoa da direção da campanha e saí apreensivo. Ouvi que também se queria defender o VLT e a ferrovia, mas que isso “não foi aprovado”.

Como assim não foi aprovado? O PT está tocando a maior obra de mobilidade urbana da América Latina, o VLT de Salvador, com dinheiro do governo Lula, e a direção da campanha acha que o governo não deve colocar trilhos como uma de suas bandeiras?

Além de não defender a ferrovia, o presidente vai esconder o que faz? Esconder uma obra dessas, na Bahia, em plena campanha, é desperdiçar o único argumento que a direita não tem como copiar, o de que a esquerda oferece, com ações concretas, expectactivas e sonhos de futuro.

Feito o alerta, vamos aos fatos. O maior susto da semana veio na terça-feira, 8 de setembro de 2026, quando o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, afastou por liminar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada, atendendo a um pedido do partido Novo.

A Segunda Turma formou maioria em minutos, com Fux e Nunes Marques, até que Gilmar Mendes pediu vista. O país assistiu, a menos de um mês da eleição, a uma intervenção judicial sobre o comando da PF que a Advocacia-Geral da União classificou como invasão da competência exclusiva do presidente da República.

O elefante foi retirado da sala, felizmente, no dia seguinte. O presidente do Supremo, Edson Fachin, anulou tanto a liminar de Mendonça quanto a decisão de Flávio Dino que a havia revertido horas antes, manteve Andrei Rodrigues no cargo e convocou sessão extraordinária do plenário para a terça-feira, 15 de setembro de 2026.

Haverá novos embates na semana que vem, mas a natureza da briga mudou. O que se anuncia agora é um duelo entre ministros, Mendonça de um lado e Alexandre de Moraes do outro, sem envolver tanto o governo e sem tocar na estrutura da polícia que investiga o próprio banco de Daniel Vorcaro.

É nesse cenário que chega o Datafolha desta sexta-feira. No primeiro turno, Lula tem 39% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro, numa pesquisa em que os dois subiram, o presidente em 1 ponto e o senador em 2, em relação ao levantamento de 3 de setembro de 2026.

Augusto Cury caiu de 8% para 6%. Ronaldo Caiado tem 4%, Renan Santos 3% e Romeu Zema 2%, enquanto brancos e nulos somam 6% e indecisos 4%.

Pela primeira vez neste ciclo, o instituto divulgou também os votos válidos. Nessa régua, que é a da urna, Lula chega a 43% e Flávio a 38%, uma distância de 5 pontos que o próprio Datafolha descreve como vantagem provável do petista, ainda que nos limites da margem de erro.

No segundo turno, o quadro é de empate técnico com o presidente à frente. Lula tem 46% e Flávio 44%, os mesmos números de 3 de setembro de 2026, com brancos e nulos recuando de 9% para 8% e os indecisos de 2% para 1%.














O senador não avança nem quando o eleitorado se decide. Em 18 de agosto de 2026 o placar era 47 a 43, e desde então Flávio ganhou 1 ponto e parou. 

Nos outros cenários de segundo turno, o presidente vence todos os adversários testados. Ele faz 46% contra 41% de Caiado, 48% contra 39% de Zema, 48% contra 37% de Renan Santos e 45% contra 43% de Cury, que pela primeira vez foi incluído numa simulação de segundo turno pelo instituto.

Na pesquisa espontânea, aquela em que nenhum nome é apresentado ao eleitor, Lula subiu de 31% para 33% e Flávio de 22% para 25%. A rejeição permanece empatada, com 46% dizendo que não votariam de jeito nenhum em cada um dos dois, num movimento em que o senador cedeu 1 ponto e o presidente ganhou 1.

A notícia mais importante da pesquisa, porém, está na aprovação do governo. Ela subiu 2 pontos em uma semana, de 45% para 47%, enquanto a desaprovação recuou de 51% para 50% e os que não sabem avaliar caíram de 4% para 3%.

Para um presidente que tenta a reeleição, esse é o fator decisivo, mais do que qualquer cenário de voto. Uma alta de 2 pontos parece pequena, mas indica um movimento do eleitorado na direção de Lula justamente na semana em que tudo conspirava contra ele.

Na avaliação qualitativa, os que consideram o governo ótimo ou bom passaram de 31% para 32%, os que o julgam ruim ou péssimo seguem em 42% e os que o veem como regular permanecem em 25%. A diferença entre desaprovação e aprovação, que era de 6 pontos em 3 de setembro de 2026, encolheu para 3.

Um patamar de 47% de aprovação basta para ganhar uma eleição. Quem desaprova um governo nem sempre vai às urnas para puni-lo, ao passo que quem aprova tende a comparecer e a votar pela continuidade.

Por isso esse índice costuma andar colado ao voto do candidato no segundo turno, e às vezes até no primeiro. Os 47% de hoje ficam a apenas 1 ponto dos 46% que o Datafolha atribui a Lula contra Flávio.

O levantamento ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais, presencialmente, entre 8 e 10 de setembro de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança. Registrada no TSE sob o número BR-01833/2026, a pesquisa custou R$ 307.641,60, pagos pela Empresa Folha da Manhã, que edita a Folha de S.Paulo, e pela Globo Comunicação e Participações.

A semana terminou melhor para o presidente também porque o eixo do escândalo se deslocou. Ao levantar parcialmente o sigilo dos autos da Operação Compliance Zero, por cobrança pública de Lula e ordem de Fachin, o STF transformou em documento oficial o que até então circulava por vazamentos sorrateiros e seletivos para a imprensa.

Agora os dados são públicos, e são outros os nomes que aparecem. Os relatórios da Polícia Federal mostram que Flávio Bolsonaro é formalmente investigado desde julho de 2026 no inquérito sobre o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Segundo despacho do próprio Mendonça, o senador negociou diretamente com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões para a produção e fez, nas palavras do relator, cobranças incisivas pela liberação do dinheiro. Outro relatório da PF, com sigilo derrubado na noite desta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, descreve pagamentos mensais de R$ 500 mil do banqueiro a um ex-chefe de supervisão do Banco Central.

O mais assustador está numa decisão de Mendonça de 2 de março de 2026. Ali o ministro foi obrigado a admitir que o Banco Master movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões em operações de câmbio para uma empresa suspeita de lavar dinheiro do PCC, como O Cafezinho mostrou nesta sexta em reportagem sobre os documentos liberados pelo STF.

Em outras palavras, o dinheiro que irrigou o banco de Vorcaro tem, segundo a PF, uma ponta no crime organizado e outra nos fundos de previdência de servidores. E é desse mesmo banco que saiu o financiamento cobrado pelo candidato da direita para o filme sobre o pai.

Lula chega à semana decisiva antes do primeiro turno com a liderança preservada, a aprovação em alta e o adversário obrigado a explicar, com documentos públicos, sua relação com os esquemas criminosos do Banco Master. A campanha ainda precisa achar o tom, mas a semana que parecia perdida terminou com o presidente mais forte.