terça-feira, 21 de julho de 2026

Jeffrey Sachs acusa complexo militar dos EUA de alimentar guerras perpétuas

Economista afirma que complexo militar dos EUA influencia presidentes, amplia a dívida pública e sustenta conflitos em busca de hegemonia global

Conteúdo postado por: Luis Mauro Filho

Publicado em 21 de julho de 2026



Jeffrey Sachs. Crédito: Reprodução Youtube

247 – O economista Jeffrey Sachs afirmou que o complexo militar dos EUA exerce influência decisiva sobre a política externa do país, amplia a dívida pública e sustenta conflitos em busca de hegemonia global, independentemente de quem ocupe a Casa Branca.

As declarações foram dadas na segunda-feira (20) ao programa Judging Freedom, apresentado pelo ex-juiz Andrew Napolitano no YouTube. Na entrevista, Sachs relacionou as guerras conduzidas por Washington nas últimas três décadas aos interesses das indústrias de defesa, de Wall Street, do setor petrolífero e das grandes empresas de tecnologia.

Segundo o professor da Universidade Columbia, os presidentes americanos possuem menos poder sobre a política externa do que sugere o sistema institucional do país. Ele argumentou que agências de inteligência e grupos econômicos operam com baixa transparência, enquanto a população tem pouca capacidade de influenciar decisões militares. “Nossos presidentes realmente não determinam a política externa. Nossa opinião pública, aquilo em que você, eu e o povo americano acreditamos, tem pouquíssima influência”, declarou.

Sachs disse que a sucessão de governos não alterou substancialmente a estratégia internacional adotada pelos Estados Unidos. Em sua avaliação, Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama, Joe Biden e Donald Trump mantiveram uma política de intervenções voltada à preservação da primazia americana.

“Trump venceu uma eleição com base nisso, mas nada mudou. Na verdade, ele apenas iniciou mais guerras”, afirmou. “Os presidentes, em grande medida, fazem parte dessa máquina. Eles realmente não mudam muita coisa.”

Ucrânia como peça da estratégia americana

Para explicar a continuidade da política externa de Washington, Sachs citou o livro O grande tabuleiro de xadrez, publicado em 1997 pelo cientista político Zbigniew Brzezinski, que foi conselheiro de Segurança Nacional do governo Jimmy Carter.

De acordo com Sachs, a obra apresentou a Eurásia como o principal espaço da disputa pela supremacia mundial e classificou determinados países como “pivôs geopolíticos”: territórios relevantes não necessariamente por seu poder próprio, mas pela capacidade de afetar adversários dos Estados Unidos.

“A ideia é que o mundo é um jogo. É como um videogame. Você bombardeia aqui, ataca ali, envia seus drones para outro lugar. Nenhum desses líderes está em risco”, criticou.

Na interpretação do economista, a Ucrânia ocupava posição central nesse projeto porque sua aproximação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte poderia limitar a projeção regional da Rússia.

“Se controlarmos a Ucrânia, a Rússia deixa de ser uma grande potência porque fica bloqueada em seu acesso ao Mediterrâneo Oriental. A Rússia não consegue projetar seu poder. Portanto, a Ucrânia é um Estado-pivô geopolítico”, disse Sachs ao resumir a lógica atribuída a Brzezinski.

O professor sustentou que esse pensamento levou Washington a apoiar a expansão da aliança militar em direção às fronteiras russas. Sachs também acusou os Estados Unidos de respaldarem a mudança de governo ocorrida na Ucrânia em 22 de fevereiro de 2014, após os protestos que resultaram na saída do então presidente Viktor Yanukovych.

Ao mencionar o antigo governante ucraniano, Sachs reproduziu sua defesa da neutralidade do país: “Deveríamos ser neutros. Isso é muito perigoso. Vejam onde estamos geograficamente. Estamos ao lado da Rússia, entre a Rússia e a Europa. Temos os Estados Unidos interferindo. Só queremos ser neutros.”

A versão de Sachs sobre os acontecimentos de 2014 é contestada por governos ocidentais, que rejeitam a caracterização da queda de Yanukovych como um golpe patrocinado por Washington. Na entrevista, porém, o economista apresentou o episódio como parte de uma estratégia americana para incorporar a Ucrânia à esfera de influência dos Estados Unidos.

Pressão contra Rússia, China e Irã

Sachs afirmou que a mesma doutrina orientou políticas de pressão contra Rússia, China e Irã. Segundo ele, Washington acreditava que sua superioridade econômica, tecnológica e militar impediria esses países de resistirem ou de formarem uma frente conjunta.

“Brzezinski estava errado em absolutamente tudo o que escreveu”, declarou. “A Rússia resistiu, e resistiu a ponto de haver uma guerra. O mesmo ocorreu com o Irã. Ele não simplesmente cede em um dia porque os Estados Unidos o bombardeiam e matam sua liderança. E a China não entrou em colapso nem sucumbiu às guerras comerciais.”

O economista disse que a estratégia não alcançou os resultados pretendidos e, ao mesmo tempo, aproximou as três potências. Para ele, a tentativa de preservar uma ordem internacional unipolar acabou multiplicando adversários e elevando o risco de confrontos de maior escala.

Sachs também criticou o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Mark Rutte, ao sustentar que a aliança passou a funcionar como instrumento para projetar o poder dos Estados Unidos além de suas fronteiras.

Dívida, tecnologia e risco de crise financeira

Outro eixo da entrevista foi o custo econômico das operações militares. Sachs afirmou que os governos americanos evitam financiar diretamente as guerras por meio de novos impostos porque a medida enfrentaria resistência popular. Como consequência, segundo ele, as despesas são incorporadas à dívida pública.

“Tudo isso será pago pelas gerações que ainda nem nasceram, porque é dinheiro emprestado”, afirmou Napolitano. Sachs concordou e acrescentou que o endividamento se acumula ao mesmo tempo que as grandes empresas de tecnologia atingem avaliações excessivas no mercado acionário.

O economista relacionou a valorização dessas companhias aos contratos firmados com o Pentágono, sobretudo nas áreas de inteligência artificial, drones e sistemas utilizados em operações militares na Ucrânia e em Gaza.

“Essas grandes empresas de tecnologia, todas elas alimentadas pelo cocho do Pentágono, entre outras coisas, estão absurdamente superavaliadas”, disse.

Na avaliação de Sachs, a combinação entre dívida elevada, guerras sem perspectiva de vitória e valorização excessiva de ativos prepara o terreno para uma crise futura.

“O que estamos preparando é uma crise financeira fenomenal no futuro. Não sei quando. Ninguém pode prever essas coisas, mas estamos excessivamente expostos em todas essas guerras que não podemos vencer”, afirmou.

Sachs chama Trump de expressão de um sistema corrompido

O economista fez críticas diretas a Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Segundo Sachs, embora Trump tenha explorado eleitoralmente a insatisfação com as intervenções externas, seu governo continuou submetido aos mesmos interesses políticos e empresariais.

“Trump obviamente não é uma pessoa com qualquer capacidade. Ele é, como eu digo, a canalização perfeita da ganância e da corrupção do complexo militar-industrial”, declarou.

Para Sachs, o presidente americano é pressionado por bilionários e grupos econômicos que financiam sua atuação política. “Ele adora dominar, mas não domina nada. Ele simplesmente acompanha e trava as guerras dos pivôs geopolíticos colocadas em movimento décadas atrás, e não sabe como interromper nada disso.”

Sachs afirmou que os benefícios econômicos dessa política ficam concentrados em grandes corporações e investidores. “O objetivo final é o enriquecimento de Wall Street, o enriquecimento das grandes petrolíferas, o enriquecimento do Vale do Silício e o enriquecimento da nossa classe de bilionários.”

Críticas a Netanyahu e ao projeto da “Grande Israel”

Na parte final da entrevista, Sachs avaliou que o projeto da chamada “Grande Israel” está perdendo sustentação política porque depende do apoio diplomático, financeiro e militar dos Estados Unidos.

O economista fez duras críticas ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e disse acreditar que sua trajetória política se aproxima do fim. Ressalvou, contudo, que não identifica no atual cenário eleitoral de Israel uma alternativa disposta a mudar profundamente a política em relação aos palestinos.

“Netanyahu, de uma forma ou de outra, provavelmente está chegando ao fim. Ele é um dos grandes desastres da política dos últimos 30 anos”, afirmou.

Ao falar sobre uma eventual sucessão, acrescentou: “Não ouço nada na política israelense que diga: ‘Ei, não deveríamos cometer genocídio. Ei, existem 8 milhões de palestinos. Deveríamos viver juntos em paz com eles. Ei, talvez não seja correto assassinar o líder do Irã’.”

Sachs argumentou que Israel não poderia sustentar suas ações militares sem o respaldo americano e afirmou que esse apoio vem perdendo força entre diferentes parcelas da sociedade dos Estados Unidos, especialmente entre os jovens.

“Israel depende inteiramente dos Estados Unidos. Inteiramente. Israel não pode fazer isso nem por um dia sozinho”, declarou. “Agora, o público americano está cansado do que Israel está fazendo. Isso inclui judeus e não judeus. É algo generalizado, especialmente entre os jovens americanos.”

Alerta sobre uma escalada nuclear

Sachs encerrou sua análise com um alerta sobre a possibilidade de os conflitos atuais escaparem ao controle. Para ele, a continuidade de guerras não declaradas, combinada à ausência de transparência e de mecanismos de responsabilização, aumenta o risco de um confronto envolvendo armas nucleares.

“Em um mundo de armas nucleares, é sempre possível que essa imbecilidade termine em algo muito mais catastrófico e horrível do que realmente conseguimos imaginar em nossas conversas e em nossa vida normal”, disse.

O economista defendeu que os conflitos poderiam ser tratados por meio da diplomacia, mas acusou Washington de priorizar a dominação internacional. “Washington não quer paz. Quer uma dominação que não pode ter. Mas poderia ter paz, e o povo americano poderia ter segurança.”

Na avaliação de Sachs, a insatisfação popular nos Estados Unidos e na Europa torna a atual política insustentável. “Não sei como, quando ou quem virá para mudar isso, mas não é sustentável. A bolha vai estourar. Espero que não seja por meio de uma catástrofe, mas com a decência e a compreensão prevalecendo finalmente sobre este sistema político corrompido e interrompendo essas guerras não declaradas.”

 

domingo, 19 de julho de 2026

Espanha vence a Argentina e é bicampeã da Copa do Mundo

Atacante marca na prorrogação, seleção espanhola vence a Argentina por 1 a 0 e conquista o segundo título da Copa do Mundo

Conteúdo postado por: Redação Brasil 247

Publicado em 19 de julho de 2026

Crédito: Reuters


247 – A Espanha venceu a Argentina por 1 a 0 na prorrogação e conquistou o bicampeonato da Copa do Mundo neste domingo (19), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Ferran Torres marcou o gol da final de 2026 após uma partida dominada pelos espanhóis e levou a seleção europeia ao segundo título de sua história.

O gol saiu no começo do segundo tempo da prorrogação. Pedro Porro levantou a bola na área, Nico Williams escorou de cabeça e Ferran Torres finalizou de canhota para superar Emiliano Martínez. A jogada encerrou a resistência argentina depois de mais de 100 minutos de pressão espanhola.

Com o resultado, a Espanha voltou a levantar a taça mundial após 16 anos. O primeiro título havia sido conquistado em 2010, na África do Sul, com vitória sobre a Holanda. A Argentina, campeã em 1978, 1986 e 2022, perdeu a oportunidade de alcançar o tetracampeonato.

Espanha controla a decisão

A equipe espanhola teve maior posse de bola, ocupou o campo ofensivo durante a maior parte da final e criou as oportunidades mais perigosas. A Argentina adotou uma postura defensiva, encontrou dificuldades para manter a bola e praticamente não ameaçou Unai Simón.

A primeira grande chance ocorreu em uma combinação entre Lamine Yamal e Dani Olmo. O jovem atacante recebeu na área e finalizou de canhota, mas Emiliano Martínez fez a defesa com a perna.

A Espanha continuou circulando a bola e explorando os lados do campo. Mikel Oyarzabal, Marc Cucurella e Dani Olmo também finalizaram, enquanto a equipe argentina tentou reduzir os espaços diante da área. O primeiro tempo terminou sem gols, com três chutes espanhóis e nenhuma finalização da Argentina.

Dibu Martínez mantém a Argentina no jogo

O cenário permaneceu semelhante depois do intervalo. A Espanha aumentou o ritmo, pressionou a saída adversária e obrigou Emiliano Martínez a trabalhar repetidamente. O goleiro defendeu finalizações de Dani Olmo, Ferran Torres, Pedri, Pau Cubarsí, Nico Williams e Aymeric Laporte.

A Argentina respondeu com marcação intensa e poucas transições ofensivas. Lionel Messi tentou organizar os ataques, mas recebeu a bola distante do gol e encontrou dificuldades para superar o sistema defensivo espanhol.

Em uma das principais oportunidades da etapa final, Lamine Yamal avançou pela direita, passou por dois marcadores e cruzou para Ferran Torres. O atacante cabeceou, mas Dibu Martínez segurou a bola.

A pressão espanhola aumentou nos minutos finais. Cubarsí arriscou de fora da área e obrigou o goleiro argentino a espalmar. Pedri também encontrou espaço na entrada da área, mas finalizou nas mãos de Martínez.

Enzo Fernández é expulso

A situação argentina ficou ainda mais complicada perto do encerramento do tempo regulamentar. Enzo Fernández, que já havia recebido cartão amarelo, voltou a ser advertido e acabou expulso. A seleção sul-americana passou a jogar com dez atletas justamente no período de maior pressão da Espanha.

Nos acréscimos, Lamine Yamal cobrou uma falta perigosa e Dibu Martínez espalmou para escanteio. A defesa argentina resistiu, manteve o empate por 0 a 0 e levou a decisão para a prorrogação.

Gol espanhol é anulado na prorrogação

A Espanha manteve o controle da partida no tempo extra. Pedri encontrou Nico Williams com um passe por cobertura, e o atacante desviou para uma defesa de reflexo de Emiliano Martínez.

Na sequência, Mikel Merino disputou a bola com o goleiro dentro da área. Nico Williams aproveitou a sobra e completou para o gol vazio, mas o árbitro anulou o lance ao marcar falta do meio-campista espanhol sobre Martínez.

Merino ainda ficou perto de abrir o placar ao cabecear um cruzamento de Nico Williams rente à trave. Lamine Yamal também tentou uma finalização de canhota, mas mandou para fora.

Ferran Torres marca o gol do título

A superioridade espanhola finalmente se transformou em gol na etapa derradeira da prorrogação. Pedro Porro cruzou para a segunda trave, Nico Williams devolveu a bola para o centro da área e Ferran Torres bateu de primeira, com a perna esquerda, para fazer 1 a 0.

Em desvantagem, a Argentina avançou suas linhas e buscou o empate. Messi participou das últimas investidas, cobrou escanteios e colocou bolas na área. Em uma delas, Giuliano Simeone recebeu pelo lado direito e cruzou rasteiro, mas Merino afastou.

O próprio Simeone teve uma das derradeiras oportunidades argentinas. Após cobrança de escanteio de Messi e desvio de Nicolás Tagliafico, o atacante finalizou por cima do travessão.

Nos instantes finais, Messi cobrou uma falta em direção à área, mas Unai Simón saiu do gol e segurou a bola. Pouco depois, o árbitro encerrou a partida e confirmou a Espanha como campeã mundial de 2026.

O triunfo também desempatou o histórico do confronto. Antes da decisão, Espanha e Argentina haviam disputado 14 partidas, com seis vitórias para cada seleção e dois empates. No 15º encontro, a equipe europeia obteve a vantagem e transformou o equilíbrio histórico em seu segundo título da Copa do Mundo.

EM TEMPO: Em termos estritamente esportivo a Seleção da Espanha é a melhor da atualidade. Ao passo que a da Argentina é altamente indisciplinada, não é a melhor em termos de futebol, violenta em campo e foi beneficiada pela FIFA e as arbitragens. Politicamente,  a Espanha não é aliada de Israel e nem permitiu que os EUA utilizasse  seu território para bombardear o  Irã. Além do mais o governo espanhol, presidente Pedro Sánchez, é aliado do governo Lula. Já o governo da Argentina, do maluco presidente Milei,  é a favor de Israel e dos EUA e contrário ao governo Lula. Além de ser de Extrema Direita. Ok, Moçada!

sábado, 18 de julho de 2026

Pepe Escobar: Trump fracassou no Irã e a estratégia agora é ditada pelo eixo da resistência

Analista detalha como a nova dinâmica militar no Oriente Médio, a união inédita entre Irã e Iraque e o controle estratégico do Estreito de Ormuz impuseram uma derrota histórica ao imperialismo e ao petrodólar

Conteúdo postado por Redação Brasil 247

Publicado em 17 de julho de 2026

 
Crédito: Brasil 247


247 – O Oriente Médio está diante de uma reconfiguração tectônica em sua geopolítica, e os Estados Unidos perderam definitivamente a capacidade de ditar as regras do jogo. Esta é a avaliação central do jornalista e analista internacional Pepe Escobar, em uma contundente entrevista concedida ao cientista político norueguês Glenn Diesen. Segundo Escobar, a tentativa de Washington de aplicar a clássica cartilha do “dividir para governar” contra o Eixo da Resistência gerou o efeito oposto: uma consolidação regional sem precedentes que colocou o império contra a parede.

Escobar aponta que a fragilidade estratégica da Casa Branca, sob uma liderança marcada por impulsos erráticos e pela ausência de assessoria qualificada, arrastou o Ocidente para um beco sem saída. “Eles perderam no front geopolítico, no front militar e no front geoeconômico”, disparou o jornalista, desenhando o cenário de uma derrota que ele classifica como “praticamente irreversível”.

O consenso de Teerã e a união espiritual do Eixo

O ponto de virada desta nova fase do conflito, explica Escobar, ficou evidente nos impressionantes ritos fúnebres realizados recentemente em memória das lideranças iranianas assassinadas. O analista destaca que as procissões não apenas mobilizaram mais de 40 milhões de pessoas, mas unificaram espiritualmente e politicamente xiitas no Iraque — em cidades sagradas como Najaf e Karbala — e no Irã (Teerã, Qom e Mashhad).

Essa demonstração de solidariedade transfronteiriça sela, de acordo com fontes internas acessadas por Escobar, um consenso absoluto e inabalável no topo do Conselho de Segurança Nacional do Irã e entre os comandantes do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC): a era das concessões ou acomodações diplomáticas com os Estados Unidos acabou.

A liderança iraniana, agora sob a firme e discreta condução de Mojtaba Khamenei, opera sob a premissa de que qualquer diálogo com o Ocidente é uma armadilha. A visão predominante é a de que Washington utiliza acordos e memorandos apenas para ganhar tempo, reabastecer arsenais e preparar ataques surpresa. Se os EUA cruzarem novas linhas vermelhas, o Irã já tem desenhado o seu “Plano B”: a saída formal do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

A resposta de um dia: o fator Iêmen e a nova dissuasão

Um dos episódios mais ilustrativos dessa mudança na correlação de forças foi a resposta das forças iemenitas (Ansarallah) ao recente bombardeio da pista do Aeroporto Internacional de Sana’a, que visava interromper um voo humanitário da companhia iraniana Mahan Air.

Escobar relata que, enquanto o Irã historicamente adota uma estratégia de paciência e respostas calculadas a longo prazo, o Iêmen alterou radicalmente essa dinâmica. Em menos de 24 horas após o ataque em Sana’a, as forças iemenitas responderam na proporção de “dois para um”, atingindo alvos militares e de infraestrutura na Arábia Saudita.

Essa velocidade de retaliação enviou uma mensagem cristalina a Riade e a Washington: qualquer agressão será respondida imediatamente e com poder destrutivo severo. Não por acaso, aponta o jornalista, a monarquia saudita tem demonstrado pânico e extrema cautela, ciente de que suas instalações petrolíferas e a estabilidade de seus megaprojetos econômicos estão ao alcance direto dos drones e mísseis hipersônicos do Iêmen.

A “bomba nuclear” de Teerã: o controle absoluto das artérias comerciais

Mais do que o desenvolvimento de ogivas, a verdadeira “bomba nuclear” do Irã no tabuleiro global é geográfica e estratégica: o controle definitivo do Estreito de Ormuz.

Diesen e Escobar convergiram no diagnóstico de que o conflito atual mudou de patamar. O que começou como uma tentativa ocidental de promover uma “mudança de regime” em Teerã transformou-se em uma batalha desesperada pelo controle das rotas marítimas que oxigenam a economia global. A retórica de Washington de impor taxas de trânsito ou bloqueios na região colide com a realidade militar de que a Marinha do IRGC é quem dita as coordenadas no Golfo Pérsico.

“O Estreito de Ormuz é, a partir de agora, um ponto de estrangulamento sob controle iraniano, ponto final”, afirma Pepe Escobar.

O analista adverte que uma ação combinada entre o Irã em Ormuz e o Ansarallah iemenita no Estreito de Bab al-Mandab tem o potencial de paralisar o comércio internacional. Se o fluxo de petróleo for interrompido, os preços do barril podem saltar rapidamente para a faixa de 150 a 200 dólares. O resultado prático seria o colapso sistêmico das economias ocidentais e o golpe de misericórdia no padrão do petrodólar, pilar de sustentação da hegemonia financeira norte-americana.

A falência da diplomacia ocidental e a emergência de um novo guarda-chuva regional

Diante do cenário em que os Estados Unidos são vistos globalmente como uma entidade “incapaz de cumprir acordos” — vide o abandono unilateral do JCPOA no passado e o esvaziamento recente do Memorando de Entendimento de Versalhes —, o Oriente Médio começa a desenhar sua própria arquitetura de segurança, à revelia de Washington.

Pepe Escobar revelou detalhes de uma intensa atividade diplomática de bastidores liderada pelo Paquistão. Islamabad, que mantém um sólido pacto militar com a Arábia Saudita e, ao mesmo tempo, canais de comunicação diretos e de alto nível com Teerã, desponta como o articulador de um novo arranjo regional.

Este projeto de segurança integraria potências como o próprio Paquistão, Arábia Saudita, Turquia, Catar e Egito. O objetivo central é criar um mecanismo de estabilização interna que minimize a necessidade — e a interferência — das forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM). Trata-se do Sul Global construindo suas próprias salvaguardas contra o caos promovido pelo Ocidente.

A miopia histórica dos impérios e a resiliência dos Estados-Civilização

Ao concluir a análise, Pepe Escobar e Glenn Diesen enfatizaram o erro crasso e repetitivo da mídia corporativa ocidental, que insiste em vender a narrativa de que bombardeios estrangeiros seriam “recebidos com festa” pelas populações locais para derrubar seus governos.

O Irã, lembra Diesen, é uma fortaleza geográfica cercada por cadeias montanhosas, com uma população de 93 milhões de pessoas que compreende o conflito atual em termos existenciais: capitular significa o destino trágico de destruição total visto na Líbia ou na Síria. Além disso, a cultura política local é profundamente moldada por uma teologia de resiliência e justiça de longo prazo, onde o conceito de reparação histórica transcende o imediatismo das agendas eleitorais americanas.

Para Escobar, elites ocidentais falham por serem “historicamente analfabetas” em relação ao que ele conceitua como “Estados-Civilização”, como o Irã e a Rússia. A história demonstra que tentativas externas de subjugar essas nações produzem o efeito inverso: elas enterram suas divisões internas, coalescem e emergem muito mais fortes, ricas e unificadas. Ao ignorar as lições da história, o império caminha a passos largos para acelerar sua própria ruína geoeconômica.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Institutos criticam proposta do TSE de criar “selo de acurácia” para pesquisas eleitorais

 

Empresas do setor afirmam que levantamentos medem o momento do eleitorado e não podem ser avaliados apenas pela proximidade com o resultado das urnas

Conteúdo postado por  Paulo Emílio

Publicado em 14 de julho de 2026

Nunes MarquesCrédito: Gustavo Moreno/STF








247 – A proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de instituir um selo de qualidade para institutos de pesquisa eleitoral provocou forte reação entre empresas do setor. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, representantes de grandes institutos consideram que a iniciativa parte de uma compreensão equivocada sobre a natureza das pesquisas eleitorais, que, segundo eles, registram a intenção de voto em determinado momento e não têm caráter preditivo.

Apresentada pelo ministro durante reunião realizada nesta terça-feira (14) com representantes de institutos de pesquisa, a proposta prevê a criação do chamado “Selo Acurácia Eleitoral”, destinado às empresas cujos levantamentos apresentarem maior proximidade com os resultados oficiais das eleições. O encontro ocorreu dias após uma decisão de Nunes Marques suspender a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel sobre a disputa eleitoral, medida que foi classificada por empresas do setor como um ato de censura.

Como funcionaria o selo proposto pelo TSE

Segundo a reportagem, o selo teria como objetivos “contribuir para a precisão entre os dados levantados pelas pesquisas e os resultados oficiais das eleições”, “incentivar o aprimoramento contínuo da qualidade metodológica das pesquisas eleitorais” e “conferir visibilidade às empresas com melhor desempenho”.

A certificação seria concedida nos anos de eleições gerais, após o segundo turno, contemplando pesquisas para os cargos de presidente da República e governador. A avaliação consideraria exclusivamente pesquisas de boca de urna e levantamentos realizados nos sete dias anteriores à votação, desde que registrados no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) e divulgados ao público.

Associação vê erro conceitual na proposta

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) reagiu duramente à iniciativa. Em nota, a entidade afirmou que o projeto parte de uma premissa incorreta ao tratar pesquisas como previsões eleitorais.

“Pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas. Não são previsões nem promessas de resultado. Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”, declarou a associação.

A Abep também argumenta que a proposta pode gerar efeitos indesejados sobre o mercado de pesquisas. Segundo a entidade, a medida cria um “incentivo perverso”, permitindo que empresas sem rigor metodológico ajustem seus números às pesquisas já divulgadas por institutos consolidados apenas para aumentar suas chances de receber a certificação.

Além disso, a associação criticou a possibilidade de a Justiça Eleitoral assumir o papel de avaliadora da qualidade das pesquisas com base exclusivamente na proximidade dos resultados.

“Causa especial preocupação que a Justiça Eleitoral pretenda assumir o papel de árbitro da qualidade das pesquisas a partir de um critério tecnicamente equivocado. A avaliação da qualidade de um levantamento deve considerar metodologia, desenho amostral, transparência, execução do campo e aderência às boas práticas científicas — não apenas a proximidade entre um retrato da opinião pública e um resultado que ainda estava por acontecer quando a pesquisa foi realizada”, afirmou.

Especialistas apontam risco de desestimular pesquisas

O fundador do instituto Ideia, Maurício Moura, também criticou a proposta. Ele afirmou que o selo não contribuiria para aumentar a transparência das pesquisas e poderia reduzir a divulgação de levantamentos nos dias que antecedem a eleição.

Pesquisa não é um modelo preditivo, é um retrato do momento. Não dá para comparar um levantamento feito cinco dias antes da eleição com outro realizado na véspera. Essa comparação é impossível. E, mesmo que fosse feita, como considerar a margem de erro, que é um aspecto altamente técnico? Não me parece uma boa saída. Acho que isso pode desestimular os institutos a registrar pesquisas nos últimos sete dias de campanha, porque eles ficariam sujeitos a uma métrica bastante inadequada“, afirmou.

Na mesma linha, a diretora do Datafolha, Luciana Chong, avaliou que a proposta ignora aspectos fundamentais da metodologia das pesquisas eleitorais.

“Pesquisas são estimativas estatísticas, sujeitas à margem de erro, diferentes metodologias, momentos distintos de coleta e mudanças no comportamento do eleitorado. Não faz sentido reduzi-las a um ranking baseado apenas na proximidade com o resultado final, como se fosse possível medir sua qualidade exclusivamente por esse critério”, declarou.

AtlasIntel manifesta apoio ao selo

Em posição diferente da maior parte dos institutos presentes na reunião, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, manifestou apoio à proposta do presidente do TSE.

Em publicação na rede social X, Roman afirmou que a “AtlasIntel apoia a iniciativa do Ministro Nunes Marques para a criação do selo de qualidade de pesquisas a partir de critérios objetivos de precisão. Estamos à disposição para contribuir na discussão metodológica, a partir de iniciativas semelhantes a nível internacional.”

A proposta ainda deverá ser debatida pelo Tribunal Superior Eleitoral antes de eventual regulamentação para as próximas eleições.

EM TEMPO: O que deve ser feito  é a aprovação de uma Resolução obrigando os Institutos de Pesquisa a entregarem mensalmente a devida Prestação de Contas antes e durante o pleito eleitoral, assim como é obrigatório para os candidatos. Afinal de contas, faz-se necessário saber quem são os "bondosos e gastadores"  financiadores, uma vez que uma pesquisa em Garanhuns é em torno de R$10.000,00. Já a nível estadual é acima de R$30.000,00. Quem financia? Mas, é bom abrir  o debate, porque pesquisa em demasia pode induzir o eleitor ao erro. Ok, Moçada!

segunda-feira, 13 de julho de 2026

O empenho da CBF em destruir o futebol brasileiro

 

Renovar com Ancelotti até 2030, em vez de demiti-lo, é uma decisão com o padrão CBF

Por Bepe Damasco

Jornalista, editor do Blog do Bepe

Publicado em 11 de julho de 2026



O técnico do Brasil, Carlo Ancelotti 13 de junho de 2026 Crédito: REUTERS/Jeenah Moon

Na próxima Copa do Mundo, a ser realizada em Portugal, Espanha e Marrocos, em 2030, o Brasil completará 28 anos sem vencer o torneio, maior jejum ao longo da história do futebol brasileiro. A eliminação para a Noruega fez com que o Brasil amargasse a 11ª colocação, a pior em 92 anos.

Como sempre acontece na competição de futebol mais importante do planeta, o povo se mobilizou, se vestiu de verde e amarelo, ornamentou ruas com os símbolos da seleção canarinho, lotou bares, restaurantes e praças, recebeu os amigos em casa para o churrasco e a cerveja.

Mas a decepção acabou sendo proporcional à mobilização pela conquista do hexa.

A esperança vã pela conquista da sexta Copa pelo Brasil foi cevada pela imprensa esportiva, que, movida a interesse comercial, vendeu a ilusão de que o Brasil era um dos favoritos ao título, algo que nunca foi.

Quem acompanha minimamente o nosso futebol pôde observar, da Copa do Catar, em 2022, para cá o caos administrativo e esportivo provocado pela Confederação Brasileira de Futebol, entidade que se firmou como exemplo de corrupção, incompetência e falta de respeito pela paixão brasileira por futebol. 

O chamado ciclo para a atual Copa foi marcado pelo entra e sai de treinadores e de mudanças em série na presidência da entidade, ao sabor de denúncias, manobras e obtenção de liminares na justiça. Mesmo a classificação do Brasil nas eliminatórias da Copa só aconteceu porque no modelo atual de disputa é praticamente impossível uma seleção com tradição no futebol ficar de fora.

Aí surgiu a ideia de contratar o experiente e vitorioso técnico italiano Carlo Ancelotti. Para os cartolas da CBF, a jogada era perfeita. Um profissional consagrado internacionalmente no comando da seleção teria o condão de não só ofuscar a bagunça irresponsável levada a cabo por eles, mas também de operar o milagre de dotar o time, em cerca de um ano, de condições de disputar o título.

De fato, Ancelotti é um colecionador de títulos importantes pelos times que dirigiu na Espanha, França, Inglaterra e Itália. Contudo, quem tenta enxergar o futebol para além da superfície, sabe que seu estilo reativo, ou seja, de jogar na defesa explorando contra-ataques se choca com a essência do futebol brasileiro.

Quem se espantou com a inacreditável posse de bola de 70% da Noruega contra o Brasil naturalmente não viu ou não se lembra de algumas finais de Champions League, nas quais o Real Madrid treinado por Ancelotti, mesmo recheado de craques, defendeu o tempo todo, mas acabou vencendo em lances fortuitos no fim das partidas.

Considero uma dessas finais, contra o Liverpool, um dos resultados mais injustos da história. O Liverpool massacrou, mas o goleiro belga Courtois, que joga pelo Real, fez defesas tidas como impossíveis, principalmente em conclusões de Mohamed Salah, astro do time inglês.

Os dirigentes da CBF, se entendessem apenas um pouquinho de futebol, e não estivessem apenas à procura de um escudo, veriam que Ancelotti não era o nome indicado, pois a tradição da nossa seleção e o peso da camisa pentacampeã impõem o controle da bola, o jogo ofensivo.

Se era para contratar um treinador estrangeiro, que fosse o espanhol Guardiola, apontado por muitos como o melhor técnico de todos os tempos, e que não abre mão de um estilo de jogo muito próximo do futebol brasileiro.

Mas os deslizes do italiano foram além do plano tático. Além de ter se submetido à palhaçada do megaevento de anúncio dos convocados no Museu do Amanhã, no Rio, ele se curvou à pressão da mídia e incluiu o nome de Neymar, um ex-jogador em atividade, na lista.

Escolheu ainda uma grande maioria de jogadores com passado de derrotas em Copas e perseguiu inexplicavelmente alguns jogadores. Foi o caso de Luiz Henrique, um craque que foi muito bem em todos os jogos antes da Copa, mas de repente foi esquecido por Ancelotti.

Renovar com Ancelotti até 2030, em vez de demiti-lo, é uma decisão com o padrão CBF. Lembra a célebre frase do Barão de Itararé: “De onde menos se espera é que não vem nada mesmo.”

PS: Li que um avião fretado pela CBF, para trazer jogadores e comissão técnica da seleção de volta ao Brasil, tinha apenas dois jogadores. Isso dá bem uma ideia do nível de comprometimento dessa turma com a nossa gente.

EM TEMPO: Criticar técnico e jogadores não é um bom caminho. A crítica tem que ser na raiz, ou seja, contra a estrutura atual da CBF e das Federações. A CBF e as Federações devem ser entidades do Estado Brasileiro e não empresas privadas. Democratizá-las e inibir a ingerência dos patrocinadores, é preciso. Rever o altíssimo salário dos Presidentes e do atual técnico da seleção brasileira. Além dos órgãos de fiscalização e repressão atuarem nos limites da lei, a saber: PF + Ministério Público + COAF + Receita Federal + ...... A melhora do futebol brasileiro virá  em seguida. 

Os Presidentes de Federações e CBF não entendem sequer de futebol. Há inconsistências nas convocações dos jogadores. Por exemplo: Neymar e Ganso não foram convocados por Dunga, quando ambos eram mais jovens  e no auge de suas respectivas carreiras. OUTRA: Não sei se existe, mas na Seleção Brasileira deveria ter um corpo de profissionais devidamente habilitados para orientar a Moçada. Senão vejamos: psicólogos(as) + professores de boas maneiras e educação + professores de português, espanhol e inglês + sociólogos (as) Ok, Moçada!

Brasil envia avião com ajuda humanitária à Cuba

Operação coordenada pelo Itamaraty e pela FAB levará alimentos a Santiago de Cuba em dois voos

Conteúdo postado por Paulo Emílio

Publicado em 13 de julho de 2026



Cidade de Havana, capital de CubaCrédito: REUTERS/Alexandre Meneghini

247 – O governo brasileiro iniciou nesta segunda-feira (13) uma operação de ajuda humanitária destinada a Cuba, com o envio de 48 toneladas de leite em pó para contribuir com o enfrentamento da grave crise de desabastecimento que afeta o país caribenho. 

A ação é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, e conta com alimentos disponibilizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O transporte da carga será realizado pela Força Aérea Brasileira (FAB) em dois voos com destino à cidade de Santiago de Cuba.

Primeiro voo já decolou

O primeiro avião partiu às 14h10 desta segunda-feira da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, transportando 16 toneladas de leite em pó. A previsão é que a aeronave chegue a Santiago de Cuba na quarta-feira (15).

O segundo voo está programado para decolar nesta terça-feira (14), do Aeroporto Internacional de Porto Alegre, levando as 32 toneladas restantes. A chegada da segunda remessa também está prevista para quarta-feira.

Decisão foi tomada após reunião no Planalto

A operação foi definida durante reunião realizada em 9 de julho, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discutiu o envio da ajuda humanitária com integrantes do governo federal.

Participaram do encontro a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior; o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro; o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli; o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno; e o presidente da Conab, Sílvio Porto.

Segundo o governo, a iniciativa busca responder à situação de insegurança alimentar enfrentada pela população cubana e integra as ações brasileiras de cooperação internacional em caráter humanitário.

Brasil já havia enviado ajuda em 2025

Esta não é a primeira assistência humanitária brasileira destinada a Cuba neste ano. Em 2025, o Brasil realizou uma doação em resposta aos impactos provocados pelo furacão Melissa, cujos efeitos continuam sendo sentidos na região oriental da ilha, especialmente em Santiago de Cuba.

De acordo com o governo federal, novas doações de alimentos e medicamentos seguem em avaliação e poderão ser anunciadas nas próximas semanas, conforme a evolução das necessidades humanitárias no país.