terça-feira, 12 de maio de 2026

“O SNI é suspeito de matar JK”, afirma o jornalista Ivo Patarra, que investiga o caso há 29 anos

 

"Uma nova perícia constatou haver fortes indícios de um atentado político, no âmbito da Operação Condor"

Por Alex Solnik (Jornalista)

12 de maio de 2026


 

Juscelino Kubitschek

De acordo com a investigação realizada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério de Direitos Humanos, a morte do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira não foi acidental, como se supunha até então. Uma nova perícia constatou haver fortes indícios de um atentado político, no âmbito da Operação Condor, que foi criada nos Estados Unidos, pela CIA, para eliminar os principais opositores dos regimes ditatoriais no Brasil, no Chile, na Argentina e no Uruguai. O jornalista Ivo Patarra descobriu algo mais: os possíveis mandantes do atentado.

EU: O que aconteceu naquele dia com o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira?

IVO: Dia 22 de agosto de 1976. Era um domingo. O acidente, entre aspas...

EU: Não, peraí, peraí, era um domingo, era um domingo. Onde estava o Juscelino e para onde ele foi?

IVO: Ele estava hospedado na Casa da Manchete, em São Paulo. E, por volta das 14:00, viajou ao Rio de Janeiro, de carro.

EU: Qual era o carro? Quem era o motorista?

IVO: Era o Opala dele, quer dizer, o Opala que ele deu para o Geraldo Ribeiro, que era o motorista dele há 36 anos, motorista executivo da mais alta confiança, e eles pegaram esse carro para ir ao Rio de Janeiro. No caminho, pararam em Resende, onde Juscelino tinha uma reunião.

EU: Quem o chamou para essa reunião?

IVO: Ele foi chamado para essa reunião por pessoas que se apresentaram como emissários do governo do general-presidente Ernesto Geisel. Juscelino, supondo que poderia ser candidato, digamos assim, nas eleições de 78, mesmo que fosse no Colégio Eleitoral, achava que tinha que fazer uma ponte com os setores militares, a gente estava num regime militar, ele não poderia encarar uma eleição sem o mínimo apoio militar. Então, ele foi para essa reunião, que se deu no Hotel Fazenda Villa-Forte, em Resende, logo após a divisa São Paulo-Rio. Era um hotel que ficava a 500 metros da pista São Paulo-Rio e lá ele ficou por 90 minutos, das 16h30 às 18h00.

EU: Quem era o dono do hotel?

IVO: O proprietário era o Brigadeiro Newton Junqueira Villa-Forte (*), e o hotel ficou conhecido como “o Hotel do SNI”. O Brigadeiro Newton Junqueira Villa-Forte foi um dos organizadores, um dos criadores do temível SNI, o Serviço Nacional de Informações, a Polícia Secreta do Regime Militar, que foi criado em 1964. O primeiro chefe do SNI foi o general Golbery do Couto e Silva. É importante dizer isso porque, em 1976, esse mesmo Golbery era o braço direito do general presidente Ernesto Geisel como ministro-chefe da Casa Civil. E lembrando que, em 1955, o mesmo Golbery foi preso numa rebelião militar que tentou impedir a posse de Juscelino Kubitschek. Então, já tinha um problema entre os dois.

EU: Quem estava nessa reunião no Hotel Fazenda Villa-Forte?

IVO: Não se sabe. Não se sabe quem estava nessa reunião.

EU: Enquanto Juscelino ficou lá dentro... onde ficaram o carro e o motorista?

IVO: Havia um estacionamento no local. E o motorista, como todo motorista executivo, não só de presidente da República, de governador, prefeito, deputado, senador, vereador, o motorista executivo fica sempre do lado do carro porque a autoridade chega e vai embora e está sempre com pressa e, além de tudo, ele guarda o carro estando ao lado do veículo sem que ninguém chegue perto. E aí você tem já uma contradição enorme na saída do JK desse hotel, onde ele ficou noventa minutos, não se sabe o que aconteceu lá dentro, eu entendo que ele pode ter sido humilhado ali, e quando o Geraldo Ribeiro, o motorista dele, engata a marcha ré, para tirar o carro do estacionamento - e quem contou à Comissão da Verdade foi o jornalista Carlos Heitor Cony - perguntou ao encarregado do estacionamento se alguém havia mexido no carro.

EU: Mas espera aí, o Geraldo não ficou o tempo todo ao lado do carro?

IVO: O Geraldo foi provavelmente atraído para dentro do hotel. para tomar um café, será que ele foi drogado?, será que ele foi envenenado?... o fato é que ao perguntar isso para o guardador, e pela resposta que o guardador dá, ele também não estava lá, porque ele não é um cara assertivo e categórico, claro que não mexeram no carro, estava aqui tomando conta, não, ele simplesmente disse, “não, eu não vi nada”.

EU: O Cony contou se o Geraldo em algum momento saiu de perto do carro?

IVO: Não. O Cony só contou que esteve lá e, conversando com o guardador de carros, o guardador relatou isso para ele, que quando o Geraldo Ribeiro engatou a ré no Opala, perguntou se alguém tinha mexido no carro.

EU: Cony conversou com mais alguém no hotel?

IVO: Até onde se sabe, só com o encarregado do estacionamento.

EU: Bom, se o estacionamento tinha um guardador e o motorista perguntou se alguém tinha mexido no carro, é óbvio que ele não ficou o tempo todo ao lado do carro, não é?

IVO: Sim, isso é o mais provável.

EU: Então pronto, agora... o Juscelino entra no carro, o Geraldo já estranhou alguma coisa no carro, e eles pegam a Via Dutra em direção ao Rio de Janeiro. E o que acontece, então?

IVO: Eles vão andar só três quilômetros. E aí você tem o acidente. O que acontece? Na hora que o Opala entra na Dutra, pelo trevo, ali em Resende, onde está o hotel, está vindo pela esquerda de São Paulo um ônibus da Viação Cometa, e ele vem em alta velocidade, porque saiu com atraso de São Paulo, ele estava descontando o atraso. O motorista da Cometa, Josias Nunes de Oliveira, viu o Opala entrando na Dutra, mas ele vinha pela esquerda e passou e foi embora. Três quilômetros adiante, numa manobra arriscada, que um motorista com a competência do Geraldo Ribeiro, com a responsabilidade de estar levando o Juscelino Kubitschek dentro do carro, não faria em circunstâncias normais, ele ultrapassa o ônibus do Josias Nunes de Oliveira pela direita. Lembrando que o ônibus vinha razoavelmente rápido, porque ele estava atrasado. Numa situação normal, o carro do Juscelino esperaria atrás do ônibus, que iria passar dois caminhões que estavam logo à frente à direita, e normalmente o ônibus iria para a direita e o carro do Juscelino passaria o ônibus pela esquerda. Não. O carro do Juscelino faz uma manobra arriscada, temerária, de passar em alta velocidade o ônibus pela direita, lembrando que a Dutra ainda é assim, são duas pistas só, pista da esquerda e pista da direita. Então, ele comete esse ato grave, temerário, e logo…

EU: Sabe-se a quantos quilômetros por hora ele estava?

IVO: Eu imagino que o carro estivesse talvez a 120 por hora, o ônibus a 90, que é uma velocidade razoável, e passageiros que estavam dentro do ônibus repararam que o carro estava instável, meio descontrolado, não a ponto de estar desgovernado ainda. Mas, assim que ele ultrapassa o ônibus pela direita, faz uma inflexão radical para a esquerda e já passa quase que imediatamente para a outra pista da Dutra. Ele pula um canteiro central que tinha dez ou doze centímetros e cai na pista da contramão da Dutra. De repente.

EU: Quem contou isso? O motorista do ônibus?

IVO: Sim, isso está, inclusive, nas perícias feitas na época.

EU: O motorista depôs na Comissão da Verdade?

IVO: Sim, localizamos o Josias em Campinas. Mas deixa eu te explicar. O carro vai para a outra pista da Dutra, a pista Rio - São Paulo. Agora, vamos tentar congelar essa cena. Você tem um Opala, uma situação gravíssima, quer dizer, ele atravessa o canteiro central e entra na contramão na Dutra. Vamos congelar ali, para a gente tentar entender. Se fosse uma situação normal, pela velocidade que ele estava, em meio segundo ele atravessaria a faixa da esquerda, a faixa da direita e o acostamento da Dutra, e estaria do outro lado da pista, onde até hoje é assim, e você tem um campo de gramíneas no mesmo nível, ou seja, não teria acontecido nada se ele depois de atravessar o canteiro central tivesse atravessado a Dutra, mas ele não faz isso, o carro desgovernado começa a andar para a direita na contramão e ele começa a andar exatamente contra os carros ou veículos que viriam na pista Rio - São Paulo! Uma loucura! Não há nas perícias sinal de marca de pneu brecando. Então, o carro simplesmente começa a andar na contramão e vai andar nessa contramão por quatro, talvez cinco segundos, até se chocar contra uma carreta carregada com 30 toneladas de gesso. Um detalhe. Depois da Comissão da Verdade, o motorista que estava numa outra carreta, exatamente atrás da carreta contra a qual o carro do Juscelino bateu, relata ter visto Geraldo Ribeiro, o motorista do Juscelino Kubitschek, com a cabeça tombada entre o volante e a porta. Ou seja, se isso realmente aconteceu, ele já não estava consciente, talvez ele já não estivesse nem vivo, se isso for verdade.

EU: Então, com esse choque, com essa colisão, os dois morreram na hora, o motorista e o Juscelino?

IVO: Morreram, tiveram mortes ali praticamente na hora.

EU: O Juscelino estava no banco da frente?

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Analista da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, prevê vitória de Lula em 2026

Em conferência fechada em Nova York, responsável pela América Latina na BlackRock, Aitor Jauregui, avaliou que a economia favorece Lula

11 de maio de 2026



 

Analista da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, prevê vitória de Lula em 2026 (Foto: Marina Ramos/Camara dos Deputados )

Redação Brasil 247

247 - O analista responsável pela América Latina na BlackRock, Aitor Jauregui, afirmou em uma conferência fechada para investidores em Nova York que o presidente Lula deve se reeleger neste ano, em um cenário marcado por avaliação positiva sobre a economia brasileira.

Segundo a coluna de Thaís Bilenky no UOL, pessoas presentes nesta segunda-feira (11) à sede da maior gestora de ativos do mundo relataram que Jauregui demonstrou otimismo em relação à América Latina, com destaque para os indicadores econômicos do Brasil.

Na avaliação atribuída ao analista, a economia segue tendo peso relevante na decisão do eleitorado, o que torna difícil retirar do atual presidente a vantagem na disputa. O nome do senador Flávio Bolsonaro, até o momento apontado como principal concorrente de Lula, não foi citado por Jauregui nem pelos demais participantes da conferência.

Brazilian Week reúne investidores em Nova York

A BlackRock abriu a chamada Brazilian Week, semana de eventos promovidos por bancos, empresas e organizações brasileiras em Nova York. A conferência reuniu banqueiros, políticos, advogados e analistas brasileiros interessados no cenário econômico e político do país.

Também participou da mesa Chris Garman, diretor da consultoria Eurasia para as Américas. Ele apresentou avaliação semelhante sobre o momento político de Lula e apontou um contexto internacional favorável ao presidente.

De acordo com o relato, Garman afirmou que a relação de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está em bom momento. Ele também avaliou que a visita do presidente brasileiro à Casa Branca teve repercussão positiva e surpreendeu favoravelmente os observadores.

EM  TEMPO: Após a reunião com Trump, em 07.05.26,  Lula afirmou que o governo dos EUA  não vai se envolver nas Eleições 2026, isto é, aqui no Brasil. Caso isso aconteça, o presidente Lula conseguirá a façanha rara do Governo dos EUA e a CIA, não se envolverem pela segunda vez consecutiva nas eleições brasileiras. À primeira vez aconteceu  no Governo do ex-presidente Biden, o qual enviou uma Generala do Cone Sul, em meados do primeiro semestre de 2022, dizer presencialmente, ao Alto Comando das Forças Armadas Brasileira, que o governo Biden não apoiaria um Golpe Militar. para manter Bozo no poder.  Os militares que seguiram a lição escaparam de punição, mas os que foram na onda do ex-militar indisciplinado Bozo, estão sendo punidos por atentarem contra o Estado de Direito e a Democracia.  Vamos torcer para que isso aconteça, ou seja, que o presidente Trump não se envolva nas Eleições 2026, cabendo a população brasileira a tarefa de eleger um Congresso mais Progressista. Ok, Moçada!

sábado, 9 de maio de 2026

Herói da Humanidade, Thiago Ávila é libertado e segue na luta pela Palestina Livre

Thiago Ávila participava de missão humanitária com destino à Faixa de Gaza quando foi detido ilegalmente pelas forças israelenses

09 de maio de 2026

Thiago Ávila (Foto: Reprodução Youtube)









Por Paulo Emilio

247 - O ativista brasileiro Thiago Ávila foi libertado neste sábado (9) pelas autoridades de Israel após permanecer detido desde o fim de abril, quando participava de uma flotilha humanitária que seguia em direção à Faixa de Gaza. Além de Ávila, também foi libertado o ativista espanhol Saif Abu Keshek. Os dois devem ser deportados nos próximos dias, segundo a ONG Adalah, entidade de direitos humanos que acompanha o caso. As informações são da CNN Brasil

Prisão ocorreu após interceptação no mar

Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram presos em 29 de abril, após forças israelenses interceptarem a embarcação que integrava a Flotilha Global Sumud. A missão havia partido da Espanha em 12 de abril com o objetivo de romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino. Ficar

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que Abu Keshek era suspeito de ligação com organização terrorista, enquanto Ávila teria participado de “atividade ilegal”. Ambos negaram as acusações feitas pelas autoridades israelenses.

Segundo a ONG Adalah, os ativistas foram informados de que deixariam a prisão neste sábado e permaneceriam sob custódia das autoridades de imigração até a conclusão do processo de deportação.

“O Adalah está monitorando de perto os acontecimentos para garantir que a libertação da detenção ocorra, seguida de sua deportação de Israel nos próximos dias”, informou a organização em um comunicado. 

Brasil e Espanha contestaram detenção

Os governos do Brasil e da Espanha classificaram a detenção dos ativistas como ilegal. Apesar das manifestações diplomáticas, o Tribunal de Magistrados de Ashkelon, em Israel, decidiu manter os dois presos até o dia 10 de maio. 

As autoridades israelenses também alegaram suspeitas relacionadas a crimes como auxílio ao inimigo e contato com grupo terrorista. 

Guerra em Gaza agravou crise humanitária

A Faixa de Gaza é administrada majoritariamente pelo Hamas, grupo considerado terrorista por Israel e por diversos países ocidentais. O conflito na região se intensificou após os ataques promovidos pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que deram início à guerra em Gaza.

Desde então, a ofensiva militar israelense provocou destruição em larga escala no território palestino, deixando grande parte da população desabrigada e dependente de ajuda humanitária. Organizações internacionais afirmam que o envio de assistência ao enclave continua ocorrendo de forma lenta e insuficiente.

EM TEMPO: Pode ser pura coincidência, mas o ativista Thiago foi libertado após a reunião de Lula com Trump, na Casa Branca. Ok, Moçada!

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Moraes pede que Congresso e Presidência se manifestem sobre Lei da Dosimetria

ABI e Psol-Rede pedem suspensão da norma aprovada pelo Congresso, ministro do STF deu prazo de cinco dias para Presidência e Congresso se manifestarem

08 de maio de 2026



 

Mministro Alexandre de Moraes, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Por Paulo Emilio

247 - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou informações à Presidência da República e ao Congresso Nacional sobre as ações que questionam a validade da chamada Lei da Dosimetria. As informações são do G1. Moraes foi escolhido relator das ações apresentadas pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela federação Psol-Rede, que pedem a suspensão imediata da norma e a declaração de inconstitucionalidade de trechos da legislação recém-promulgada.

O ministro estabeleceu prazo de cinco dias para que a Presidência e o Congresso enviem esclarecimentos ao STF. Depois disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) terão três dias para se manifestar. 

Nova lei pode impactar condenados do 8 de janeiro

Aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado e promulgada nesta sexta-feira (8) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a Lei da Dosimetria permite a redução de penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A medida pode beneficiar diretamente aliados de Jair Bolsonaro e o próprio ex-mandatário, condenado a 27 anos e três meses de prisão no julgamento sobre a trama golpista. 

ABI questiona mudanças na legislação

Na ação enviada ao Supremo, a ABI pede a suspensão da lei até o julgamento definitivo e aponta possíveis violações constitucionais.

A entidade questiona principalmente três pontos da norma: a possibilidade de que crimes contra a democracia praticados “no mesmo contexto” não tenham as penas somadas; a redução de pena para delitos cometidos em situação de multidão; e alterações nas regras de progressão de regime previstas na Lei de Execução Penal.

Segundo a ABI, “a lei impugnada, da mesma forma, compromete a integridade do ordenamento jurídico, na medida em que banaliza os ataques à democracia e desorganiza o sistema penal e de execução da pena”. 

Psol-Rede também pede suspensão

A federação Psol-Rede também acionou o STF pedindo a suspensão imediata e a eventual anulação da nova legislação.

Na ação, a federação afirma que a norma é “incompatível com a Constituição Federal, na medida em que instrumentaliza a atividade legislativa para enfraquecer seletivamente a tutela penal do Estado Democrático de Direito e beneficiar agentes envolvidos em graves ataques às instituições republicanas”.

O julgamento das ações ainda não tem data definida pelo Supremo Tribunal Federal.

EM TEMPO: A população precisa ser mais criteriosa na escolha dos seus representantes tanto para o Poder Executivo, como também para o Legislativo. Ok, Moçada!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Celso Amorim vê reunião com Xi Jinping como fator para Trump buscar encontro com Lula

Proximidade do governo brasileiro com a China determinou o movimento do presidente dos EUA. Brasil ganha peso estratégico com o debate sobre terras raras

07 de maio de 2026



 

Donald Trump, Lula, Celso Amorim e Xi Jinping (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil I Reuters I Xinhua/Pang Xinglei I Reprodução (YT) I Reprodução (247/IA))

Por  Leonardo Lucena

247 - A proximidade do encontro de Donald Trump com o líder chinês Xi Jinping pode ter influenciado a decisão do presidente dos Estados Unidos de se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um momento em que o Brasil ganha peso estratégico por suas reservas de minerais críticos, incluindo terras raras.

A avaliação é compartilhada por integrantes da assessoria estratégica de Lula na área de política externa, entre eles Celso Amorim, assessor especial da Presidência e ex-chanceler. As informações são do jornal Valor Econômico.

A visita de Donald Trump à China está prevista para os dias 14 e 15 de maio. O deslocamento ocorrerá em meio a uma agenda sensível envolvendo minerais estratégicos, depois de a China ter concordado em suspender, por um ano, o controle rígido sobre exportações de minerais de terras raras, medida adotada após o tarifaço americano de abril do ano passado.

Apesar da suspensão temporária, não há garantias de que o fornecimento desses insumos não volte a ser restringido. Nesse contexto, a aproximação com o Brasil ganha relevância para Washington, já que o país detém a segunda maior reserva mundial de minerais críticos e estratégicos, categoria que inclui as terras raras.

Celso Amorim afirmou que o tema pode ter influenciado o movimento de Trump, ainda que se trate de uma pauta de longo prazo. "Pode ser que tenha pesado, ainda que seja um tema de longo prazo, e o presidente estará preparado para se posicionar no tema", disse o embaixador ao Valor, antes do término do encontro entre Trump e Lula, realizado nesta quinta-feira (7), em Washington.

Para Amorim, a realização da reunião já representa um ponto central da agenda bilateral. "O mais importante de tudo é a realização desse encontro", afirmou. 

Minerais críticos

A pauta dos minerais críticos ganhou novo elemento político no Brasil com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, na noite desta quarta-feira (6), do marco regulatório para a exploração desses recursos. O texto inclui minerais de terras raras e oferece ao governo uma base para afirmar que o país não discrimina investimentos no setor, desde que sejam cumpridas exigências de agregação de valor na exploração.

Na avaliação de Amorim, o encontro desta quinta-feira não deve resultar em um acordo concreto imediato. A expectativa é de que os dois lados apresentem ideias e posicionamentos sobre temas de interesse comum.

Entre os assuntos que podem aparecer na conversa estão o reforço de acordos de combate ao narcotráfico e uma atenção especial à Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo usado em contendas comerciais com outros países.

No caso brasileiro, a disputa envolve acusações de deslealdade relacionadas à concorrência do Pix com bandeiras de cartão de crédito estadunidenses e à suposta vantagem comparativa do agronegócio nacional decorrente do desmatamento. 

Conceitos e peso estratégico do Brasil

O Brasil entrou com mais força no centro da disputa tecnológica global pelas terras raras ao reunir 21 milhões de toneladas em reservas, volume que coloca o país na segunda posição mundial, atrás apenas da China, que concentra 44 milhões de toneladas. A Índia aparece em terceiro lugar, com 6,9 milhões de toneladas, segundo dados de 2024 do Serviço Geológico dos Estados Unidos citados pelo Valor Econômico.

Esses minerais são considerados estratégicos em meio ao avanço da transição energética, da indústria de semicondutores e da produção de equipamentos eletrônicos de alta tecnologia, além do setor de defesa. A aprovação do texto-base do marco regulatório dos minerais críticos também reforça a tentativa do Brasil de ampliar sua presença nesse mercado internacional.

As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos com alto valor para cadeias produtivas industriais e tecnológicas. A lista inclui lantânio, cério, neodímio, samário, térbio, disprósio, escândio e ítrio, entre outros minerais usados em aplicações de ponta.

Esses elementos ganharam importância porque alimentam setores decisivos para a economia contemporânea. A indústria utiliza terras raras em turbinas eólicas, veículos híbridos, celulares, televisores de tela plana, lâmpadas fluorescentes compactas, catalisadores automotivos, ímãs permanentes, lentes especiais e sistemas militares guiados.

A demanda por esses materiais cresce na mesma velocidade em que países disputam domínio sobre tecnologias ligadas à energia limpa, à defesa, aos chips e a equipamentos digitais avançados. Esse cenário transforma reservas minerais em ativos geopolíticos e aumenta o peso de nações com capacidade de produção, processamento e agregação de valor.

No caso brasileiro, o tamanho das reservas abre espaço para uma agenda industrial mais ambiciosa. O país tenta evitar o papel de simples exportador de matéria-prima e busca consolidar regras que estimulem etapas produtivas com maior valor econômico dentro do território nacional.

A discussão sobre o marco regulatório dos minerais críticos se insere nesse contexto. O texto-base aprovado pela Câmara dos Deputados inclui as terras raras e oferece ao governo instrumentos para afirmar que o Brasil aceita investimentos no setor, desde que as empresas respeitem exigências ligadas ao desenvolvimento da cadeia produtiva.

Minerais estratégicos e minerais críticos não significam exatamente a mesma coisa. Os estratégicos sustentam áreas consideradas essenciais para o crescimento econômico, a indústria de alta tecnologia, a defesa nacional e a transição energética.

Os críticos, por sua vez, concentram preocupação maior com a segurança de abastecimento. A produção em poucos países, a dependência externa, as tensões geopolíticas, os gargalos tecnológicos, as interrupções logísticas e a dificuldade de substituir determinados insumos aumentam a vulnerabilidade desses materiais.

A classificação muda conforme os interesses de cada país. Um mineral pode ganhar status estratégico em uma economia e receber tratamento diferente em outra. Novas tecnologias, descobertas geológicas, alterações na demanda global e mudanças no cenário internacional também influenciam essa definição.

Atualmente, lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio aparecem com frequência nas listas de minerais críticos e estratégicos elaboradas por diferentes governos. As terras raras também podem integrar as duas categorias, a depender do uso industrial, da disponibilidade global e do grau de dependência de fornecedores externos.

Essa distinção ajuda a explicar por que as terras raras ocupam papel cada vez mais sensível na política internacional. Elas podem ser estratégicas para a expansão econômica e, ao mesmo tempo, críticas quando poucos países controlam a oferta ou o processamento.

Com reservas expressivas, o Brasil passa a disputar espaço em uma cadeia que envolve energia, tecnologia, indústria militar e comércio internacional. A posição do país nesse mercado dependerá da capacidade de transformar o potencial mineral em produção qualificada, investimento, pesquisa e integração industrial.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Lula pede soltura de Thiago Ávila, preso pelo governo israelense

Presidente afirma que prisão é “injustificável” e “deve ser condenada por todos”

05 de maio de 2026

Lula e Thiago Ávila (Foto: Imagem gerada por IA)


Por  Otávio Rosso

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta terça-feira (5)a a soltura do ativista brasileiro Thiago Ávila, detido pelo governo israelense durante uma ação contra a flotilha Global Sumud, que seguia em direção à Faixa de Gaza. O brasileiro integrava a missão que tinha como destino Gaza quando foi interceptado por forças israelenses.

Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que a detenção do ativista brasiliense não se sustenta e criticou diretamente a conduta do governo de Israel.

“Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha Global Sumud, é uma ação injustificável do governo de Israel, e causa grande preocupação e deve ser condenada por todos“, escreveu o presidente.

Lula também relacionou o caso à interceptação da flotilha, que, segundo ele, já havia representado uma violação grave das normas internacionais. O presidente afirmou que o governo brasileiro atua ao lado da Espanha, que também teve um cidadão detido na operação.

“Por isso, nosso governo, juntamente com o da Espanha, que também teve um cidadão detido, exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos”, declarou Lula.

Flotilha seguia em direção à Faixa de Gaza

Thiago Ávila viajava com o ativista espanhol Saif Abu Keshek quando a embarcação foi interceptada por forças israelenses em águas internacionais, nas proximidades da Grécia, na última quarta-feira, 29 de abril. A missão fazia parte da flotilha Global Sumud e tinha como destino a Faixa de Gaza.

De acordo com a organização de direitos humanos Adalah, o ativista brasileiro relatou ter sido mantido em isolamento e com os olhos vendados após a detenção. Ávila também afirmou a advogados que sofreu agressões durante a abordagem, incluindo espancamentos que o teriam feito desmaiar.

Uma audiência está marcada para esta terça-feira, 5 de maio, para analisar a situação do brasileiro. Segundo as informações divulgadas, foram apresentadas cinco acusações contra o ativista. 

domingo, 3 de maio de 2026

Rui Falcão diz que Alcolumbre fez “declaração de guerra” ao governo Lula após derrota no Senado

Deputado critica rejeição de indicação de Jorge Messias ao STF e afirma que decisão representa ofensiva contra a democracia


Rui Falcão diz que Alcolumbre fez “declaração de guerra” ao governo Lula após derrota no Senado (Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por  Dayane Santos

247 - O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) analisou a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias para a vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar classificou o episódio como um marco de escalada na crise política e institucional do país.

Segundo Rui Falcão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, rompeu com o governo ao conduzir o processo que resultou na derrota. “Ele não só não é confiável e não integra a base de governo, como ele fez uma declaração de guerra ao governo”, afirmou.

Para o deputado, a decisão inaugura um momento grave na política brasileira. “Ele abriu um ciclo muito grave da história do nosso país”, disse, acrescentando que o episódio representa mais do que uma derrota pontual: “Isto equivale a uma espécie de uma destituição de um ministro”.

Rui Falcão também direcionou críticas à composição do Senado e ao papel da oposição no episódio. “É um Senado composto por uma oposição fascista e antidemocrática que tem como propósito inviabilizar o funcionamento do judiciário, conter o judiciário, asfixiar o judiciário”, declarou.

Na avaliação do parlamentar, a rejeição da indicação faz parte de uma estratégia mais ampla. “O primeiro passo é exatamente colocar um garrote na Suprema Corte”, afirmou, sugerindo que há uma tentativa deliberada de limitar a atuação do STF.  

Risco de bloqueio institucional

O deputado ainda alertou para as consequências práticas da decisão, especialmente em relação à capacidade do presidente de indicar novos nomes para a Corte. “O Lula vai ficar impedido de indicar um novo candidato à Suprema Corte”, disse.

Ele também apontou uma possível motivação eleitoral por trás da movimentação. “Há um risco grande, talvez seja uma aposta da oposição inclusive de esticar a corda na pretensão de vencer com Flávio Bolsonaro e indicar esta vaga e não o presidente Lula”, afirmou.

Rui Falcão comparou a situação brasileira a um episódio da política norte-americana. Segundo ele, trata-se de uma “equivalência ao que o Trump fez quando impediu Obama de designar um substituto para uma morte que houve na Suprema Corte dos Estados Unidos”.

O deputado descreveu o momento como de alta tensão e instabilidade. “Isso coloca aqui um cenário imediato absolutamente imponderável, de muita barbárie política, de violência política, de um enfrentamento grave”, afirmou.

 

sábado, 2 de maio de 2026

Entrevista de Edmilson para Opera Mundi – 3


 

PARTE 3 – CONJUNTURA INTERNACIONAL

Breno Altman: Vamos agora para um tema mais internacional. Desde o fim da União Soviética, muitos caracterizam o período atual como contrarrevolucionário. Nas últimas décadas, a China emergiu como uma experiência relevante. Na avaliação do PCB, a China é uma experiência socialista?

Edmilson Costa: Esse é um tema muito importante, porque muita gente opina sobre a China sem estudar o que ocorre lá. Alguns dizem que a China é capitalista ou até imperialista; outros afirmam que já é socialista. Na minha avaliação, a China não é nem plenamente capitalista nem plenamente socialista. O processo atual pode ser entendido como uma espécie de NEP de longo prazo — o que eles próprios chamam de etapa inicial do socialismo. Nesse modelo, coexistem diferentes formas de propriedade, mas com hegemonia do Partido Comunista e forte presença de empresas públicas na economia.

Esse processo tem apresentado resultados expressivos. A China deixou de ser um país agrário e atrasado a partir do final dos anos 1970, para se tornar uma das maiores potências econômicas do mundo. Dependendo do critério — seja o do FMI e do Banco Mundial, seja o da paridade de poder de compra —, pode ser considerada a primeira ou a segunda maior economia global. O avanço das forças produtivas é notável. Em menos de 40 anos, o país deu um salto significativo. Outro aspecto fundamental foi a erradicação da pobreza extrema, que afetava cerca de 700 milhões de pessoas. Trata-se de uma conquista importante do povo chinês e do Partido Comunista Chinês.

Atualmente, ainda coexistem diferentes classes sociais, incluindo setores burgueses e camadas médias. Pessoalmente, espero que esse processo avance para uma resolução política mais definida — como previsto pelos próprios chineses —, com metas de alcançar um nível intermediário de desenvolvimento socialista por volta de 2035 e um estágio mais avançado até 2045. Naturalmente, isso envolverá disputas políticas internas. De modo geral, avalio positivamente o processo chinês. Além disso, a China cumpre um papel relevante no cenário internacional como contraponto ao sistema imperialista. Isso é importante, pois limita a capacidade de ação unilateral que existia após o fim da União Soviética. Hoje há vários pólos em disputa, e a China é um deles — assim como a Rússia.

Breno Altman: Qual é a sua opinião sobre quem afirma que o conflito entre China e Estados Unidos é um conflito interimperialista?

Edmilson Costa: Eu considero essa interpretação equivocada. Por quê? Porque, quando analisamos o que é o imperialismo na prática — aquilo que vemos historicamente —, não é isso que caracteriza a China. A China invadiu quantos países desde a revolução de 1949? Quantas guerras promoveu nos moldes do imperialismo tradicional? Não é o caso. O que ocorre é que muitos tentam encaixar a China em categorias rígidas: “é capitalista”, “é imperialista”, “é socialista”. Mas esses rótulos não dão conta da complexidade do processo chinês.

A China é uma experiência singular, que precisa ser analisada com novos instrumentos. Se esse processo for bem-sucedido, poderemos ter um tipo de socialismo mais desenvolvido do que o experimentado na União Soviética, inclusive superando problemas históricos como a escassez de bens de consumo. Minha avaliação é que muitas análises ainda estão presas a esquemas antigos de interpretação da conjuntura internacional. Hoje vivemos transformações profundas — inteligência artificial, nanotecnologia, robótica, impressão 3D — que estão redefinindo as forças produtivas. Se não considerarmos isso, corremos o risco de interpretar a realidade com categorias que já não são suficientes.

Breno Altman: Agora sobre outro tema internacional importante — e bastante polêmico, inclusive entre partidos comunistas: a guerra na Ucrânia. Trata-se de uma guerra justa e defensiva por parte da Rússia? De um conflito interimperialista entre Rússia, OTAN e Estados Unidos? Ou de uma guerra justa por parte da Ucrânia?

Edmilson Costa: Na minha avaliação, a guerra na Ucrânia foi provocada pela OTAN e pelo imperialismo. Houve um processo de ruptura política em 2014, após o qual populações de língua russa se insurgiram, especialmente na Crimeia e na região do Donbass. A partir daí, houve um fortalecimento do aparato militar ucraniano com apoio externo, o que agravou o conflito. Do ponto de vista da Rússia, a expansão da OTAN na região foi interpretada como uma ameaça estratégica, o que levou à intervenção.

Há um paralelo histórico frequentemente lembrado: a crise dos mísseis em Cuba. A ideia de sistemas militares hostis próximos às fronteiras é vista como um risco existencial por grandes potências. Nesse contexto, o conflito atual envolve também a participação indireta de diversos países apoiando a Ucrânia. Na interpretação que apresento, a ação russa está vinculada à defesa de interesses estratégicos e à proteção de populações na região do Donbass, que vinham sendo afetadas pelo conflito. Também houve acordos anteriores, como os de Minsk, que não se consolidaram como solução duradoura.

De todo modo, trata-se de uma situação complexa, com múltiplos fatores históricos, políticos e geopolíticos envolvidos. Nessa situação concreta, eu acho que a derrota da Ucrânia representaria uma uma derrota muito grande do imperialismo naquela região.

Breno Altman: Deixa eu ir para outra situação. Os comunistas no Irã — o Tudeh, o Partido Comunista do Irã — participaram da Revolução de 1979, mas logo em seguida, no início dos anos 1980, na disputa pela hegemonia daquele processo revolucionário com os grupos islâmicos liderados por Khomeini, foram alijados e reprimidos. Neste momento, a República Islâmica do Irã é atacada pelos Estados Unidos e por Israel. Qual deve ser a postura dos comunistas? Devem acertar contas com a República Islâmica, que os reprimiu violentamente, ou defendê-la por estar sob ataque dos Estados Unidos e de Israel?

Edmilson Costa: O Tudeh publicou recentemente uma nota em que condena os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Nesse momento, o Irã cumpre um papel relevante no enfrentamento ao imperialismo no Oriente Médio, independentemente de ser um regime teocrático ou não. Na política, é necessário analisar as condições concretas e identificar a contradição principal. E, nesse caso, a contradição principal na região envolve o enfrentamento ao imperialismo e ao sionismo, que são vistos como forças centrais nesse conflito. A eventual vitória do Irã teria impacto nesse cenário, ao enfraquecer a atuação dessas forças na região.

Breno Altman: Como você caracteriza o chavismo na Venezuela?

Edmilson Costa: O chavismo promoveu um conjunto de reformas importantes na Venezuela. Entre elas, uma profunda reformulação das Forças Armadas, que passaram a ter maior identificação com a população. Também houve políticas voltadas ao atendimento de demandas sociais. Hugo Chávez não era socialista no sentido clássico, mas um militar progressista que implementou mudanças significativas. No entanto, o cenário atual é mais complexo. Há pressões externas intensas, e a situação do país é bastante delicada.

Minha impressão é que a Venezuela enfrenta fortes condicionantes internacionais, o que limita suas possibilidades de ação. Há medidas recentes que indicam contradições nesse processo, e não está claro qual será o desfecho — se haverá aprofundamento das mudanças ou maior dependência externa.

Breno Altman: Você acha que a Revolução Cubana será capaz de resistir à atual pressão dos Estados Unidos?

Edmilson Costa: Espero que sim. Cuba tem uma longa tradição de luta, com um povo politizado e organizado. No entanto, a situação é muito difícil diante da pressão externa. A resistência cubana não depende apenas de fatores internos, mas também da solidariedade internacional. A mobilização de forças sociais em todo o mundo pode desempenhar um papel importante na defesa de Cuba diante dessas pressões.

Breno Altman: Muito bem, temos aqui algumas perguntas do superchat que vou ler para você. A Luíza — que sempre assiste ao nosso canal e sempre contribui —, eu nunca sei falar o sobrenome dela: Luíza Copieter. Deixe-me anotar aqui. Suponho que seja isso. Ela contribuiu com o superchat e pergunta: o PCB chamaria o Breno para ministro das Relações Exteriores?

Edmilson Costa: Olha, o Breno seria um grande ministro das Comunicações [risos].

Breno Altman: Você sabe, como me conhece há meio século, que eu sou um “groucho marxista”. Eu nunca me inscrevo em clubes que me aceitem como sócio.

A Luíza volta a contribuir e pergunta: “Camarada, qual é a maior contradição que você vê na atualidade e como enfrentar o pensamento liberal que coloca como principal contradição democracia versus proto ou neofascismo?”

Edmilson Costa: A principal contradição, não apenas no Brasil, mas no mundo, é entre os povos e o imperialismo. Isso, no entanto, não elimina as contradições internas entre os povos e suas burguesias nacionais. Ou seja, para enfrentar essa realidade, é necessário lutar tanto contra o imperialismo quanto contra as burguesias nacionais e suas políticas, especialmente as políticas neoliberais que vêm sendo implementadas nas últimas décadas.

Breno Altman: Edmilson, estamos chegando ao fim da nossa conversa e eu queria te pedir indicações, como sempre faço antes das despedidas, de livro, filme e série.

Edmilson Costa: Bom, estou realizando um trabalho sobre inteligência artificial, lei do valor e impactos no capitalismo. Portanto, vou indicar dois livros importantes. O primeiro é Conhecimento e valor, de Guglielmo Carchedi. E o segundo é Trabalho produtivo em Marx, de Vera Cotrim.

Em relação a filmes, acho que os dois que estão mais em destaque no momento são O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui. Série eu quase não assisto.

Breno Altman: Muito bem, Edmilson. Quero agradecer muito pelo seu tempo, por ter vindo aqui aos nossos estúdios, e te desejar boa sorte nessa jornada eleitoral que se aproxima.

Edmilson Costa: Muito obrigado. Eu agradeço o espaço e espero fazer uma boa campanha nessa jornada. Estamos em um processo profundamente desigual, mas os comunistas são sempre otimistas. Dessa forma, vamos realizar uma campanha firme, alegre e combativa, colocando em debate questões que outras candidaturas não têm condições de apresentar.

EM TEMPO: A agressão imperialista (EUA) e sionista (Israel) contra o Irã, representa uma agressão ao BRICS + e o mundo multipolar. Lembrando que o Irã faz parte do BRICS + (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul + Irã + Egito + .....). OBS.: O governo do ex-presidente Maduro, reprimiu o PCV (Partido Comunista da Venezuela). Em meados de 2014  forças pró EUA e OTAN derrubaram o Presidente da Ucrânia pró Moscou.   Ok, Moçada!