segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Pepe Escobar explica por que Trump recuou da ameaça de ataque ao Irã

Analista geopolítico detalha os bastidores da mensagem devastadora de Teerã aos aliados dos EUA e a virada diplomática impulsionada pelo Sul Global

Conteúdo postado por:  Redação Brasil 247

Publicado em 3 de agosto de 2026

Pepe Escobar  Crédito: Brasil247



247 — Em uma transmissão de emergência no canal Transition Protocol, o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar revelou os bastidores da recente decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de paralisar as operações militares iminentes que visavam alvejar infraestruturas no Irã. Longe do tom triunfalista retórico comumente veiculado pela Casa Branca e pela imprensa ocidental, Escobar explicou que a contenção de Washington resultou de um severo cálculo de forças no terreno e de advertências diplomáticas e estratégicas diretas recebidas de Teerã e dos países do Golfo Pérsico.

Segundo Escobar, a liderança política e militar iraniana não interpretou o recuo de Trump como um movimento genuíno em direção à paz, mas sim como a demonstração cabal de que a capacidade de coerção e a alavancagem dos Estados Unidos na região atingiram um limite crítico. Com o apoio tecnológico de potências do Sul Global e o alinhamento pragmático com nações da região, Teerã conseguiu neutralizar as opções de ataque norte-americanas sem ceder à pressão diplomática.

O aviso catastrófico: a equação da resposta 10 para 1

Um dos pontos centrais revelados por Pepe Escobar envolve uma comunicação diplomática de alto nível entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão. Durante uma conversa telefônica de duas horas, Araghchi detalhou a nova doutrina de dissuasão da República Islâmica perante a ameaça de destruição da sua infraestrutura energética por parte dos EUA.

Até então, o Irã operava sob a lógica de resposta proporcional de dois para um (2:1). Contudo, Araghchi deixou claro que qualquer ataque norte-americano contra as redes elétricas e a infraestrutura de energia iranianas disparará uma contra-ofensiva de 10 para 1 (10:1), direcionada expressamente contra os ativos energéticos de todos os parceiros e aliados dos EUA instalados na região do Golfo Pérsico e arredores.

A mensagem foi intencionalmente transmitida ao Paquistão sabendo-se que seria repassada de imediato aos estrategistas de defesa em Washington. Diante da ameaça real de paralisação imediata da produção e refino de petróleo no Golfo — em um momento em que as Reservas Estratégicas de Petróleo dos EUA enfrentam forte pressão —, o custo econômico e operacional da operação militar revelou-se proibitivo para a administração Trump.

A reviravolta dos países do Golfo e o telefonema dos Emirados

Outro elemento decisivo apontado na análise foi o pânico geopolítico gerado entre os próprios aliados tradicionais dos Estados Unidos no Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Percebendo que seriam o alvo principal do desastre em caso de retaliação iraniana, líderes regionais pressionaram diretamente a Casa Branca a interromper qualquer aventura militar.

Escobar revelou em caráter exclusivo que o próprio presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Mohamed bin Zayed (MBZ), realizou uma ligação telefônica de 40 minutos com o chanceler iraniano Abbas Araghchi. No diálogo, MBZ sinalizou a disposição de Abu Dhabi em estabelecer uma cooperação estável e de longo prazo com o Irã, buscando distanciar-se da postura escalatória defendida por Washington.

“Para os Estados do Golfo, que temem ser arrastados para uma conflagração devastadora, o pragmatismo falou mais alto. Eles deixaram claro a Trump que não estão dispostos a pagar a conta nem a sofrer as consequências colaterais de mais uma investida inconsequente dos Estados Unidos”, destacou Escobar.

Soberania tecnológica: precisão impulsionada pelo Beidou chinês

O recuo estratégico dos EUA também se fundamenta no fortalecimento da defesa técnica do Irã. Durante a transmissão, Escobar e o coapresentador “Mr. Z” ressaltaram o aumento expressivo na capacidade de vigilância, aquisição de alvos e resiliência das forças iranianas frente à guerra eletrônica.

Fontes diplomáticas reconfirmaram o envio e a integração acelerada de atualizações e componentes do sistema chinês de navegação por satélite Beidou. O tráfego desses suprimentos de alta precisão foi realizado a partir do porto paquistanês de água profunda em Gwadar — ponto central do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC) — e transportado por via terrestre para o território iraniano.

Com a atualização do sistema, a precisão dos mísseis e a eficácia das operações de drones iranianos atingiram níveis sem precedentes, inviabilizando tentativas norte-americanas de cegar os sistemas de comando de Teerã. Adicionalmente, a prontidão de forças navais leves (conhecidas como “frota de mosquitos”) na região do Estreito de Ormuz elevou o risco para qualquer movimentação da frota naval ocidental.

Eurasia integrada: o fracasso da estratégia da Casa Branca

Por fim, a análise veiculada no Transition Protocol sublinhou que a atual conjuntura escancara o esgotamento dos objetivos estratégicos fixados por Washington para o Oriente Médio. Em vez de isolar Teerã, a investida da administração Trump acabou por consolidar irreversivelmente a cooperação entre o Irã, a China e a Rússia.

A articulação trilateral entre estas potências abrange não apenas a coordenação militar e defensiva, mas também a construção de rotas comerciais alternativas e a eliminação do dólar nas transações energéticas. Ao se ver sem opções de ataque que não resultem em destruição mútua ou em um choque nas reservas globais de petróleo, Washington encontra-se diante de um único caminho factível: o retorno às vias diplomáticas formais estabelecidas pelo Memorando de Entendimento (MoU).

domingo, 2 de agosto de 2026

Marco Aurélio de Carvalho critica “jornalismo de guerra” e uso político de setores da PF para impactar eleições

Jurista e advogado defendeu, em entrevista à TV 247, uma reação firme diante de qualquer tentativa de interferência nas eleições, seja por agentes externos ou por outros Poderes. Ele também reiterou sua confiança na integridade do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao comentar as acusações contra Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente…

Conteúdo postado por: Leonardo Sobreira


 

Marco Aurélio de Carvalho. Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil

247 – Em entrevista à TV 247, o jurista e advogado Marco Aurélio de Carvalho denunciou o uso político de investigações policiais e o alinhamento da grande mídia no que classificou como “jornalismo de guerra” e tentativa de interferência no processo eleitoral. Comentando a recente abertura de inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, Carvalho destacou que a soberania das urnas deve prevalecer sobre narrativas infladas e manobras investigativas sem justa causa.

Inquérito eleitoral e coincidência midiática

Falando diretamente da convenção política do PSB, Carvalho enfatizou que a investida contra Fábio Luís tem caráter estritamente eleitoral. O advogado destacou a sincronicidade com que os principais veículos da imprensa corporativa estamparam manchetes idênticas sobre o caso, evidenciando uma estratégia coordenada para atingir o governo e o processo democrático.

“Se o Fábio não fosse filho do presidente Lula, esse inquérito nem sequer teria sido instaurado e o anterior teria sido simplesmente arquivado por falta de justa causa”.

– Marco Aurélio de Carvalho à TV 247

Disputa interna na Polícia Federal e autonomia institucional

Marco Aurélio ressaltou o contraste entre a gestão atual e o governo anterior, lembrando que o presidente Lula devolveu a independência à PF, retirando-a do loteamento político. No entanto, o jurista alertou que as instituições continuam em disputa e que setores remanescentes tentam aparelhar procedimentos para impactar as eleições.

·         Confiança na Direção-Geral: O advogado reiterou sua confiança na integridade do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

·         Uso Responsável da Autonomia: Ele salientou que a independência institucional deve ser exercida com extrema responsabilidade, sem servir de instrumento para manobras políticas.

‘Fishing expedition’ e vazamentos clandestinos

Ao detalhar os aspectos jurídicos da investigação, Marco Aurélio apontou a prática abusiva de pesca probatória (fishing expedition). A defesa colocou espontaneamente à disposição todas as informações bancárias e fiscais de Fábio Luís; ainda assim, foi decretada a quebra de sigilo.

·         Zero irregularidades: Mesmo após mais de quatro meses de vazamentos clandestinos e ilegais na imprensa, nenhuma ilicitude foi encontrada.

·         Construção de narrativas: Diante da ausência de provas em relação a Fábio Luís, a investigação tentou associá-lo a terceiros sem qualquer vínculo com sua conduta.

Recurso à PGR e defesa das garantias constitucionais

Diante dos abusos, a defesa acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o órgão exerça o controle externo da atividade policial e analise o caso com o devido rigor legal.

“Nós não queremos que ninguém esteja acima da lei, mas não podemos permitir que ninguém esteja abaixo dela”.

O jurista lamentou o forte impacto pessoal e emocional enfrentado por Fábio Luís, classificando a situação como “o peso de um sobrenome no lombo de um cidadão” que cumpre seus deveres tributários e age com absoluta correção.

A soberania popular e a vigília democrática

Por fim, Marco Aurélio reforçou que o destino político do país deve ser decidido exclusivamente pela população brasileira através do sufrágio universal. Fatores externos, pressões de outros Poderes ou ingerências internacionais não podem se sobrepor à vontade soberana do povo. O momento exige estado permanente de alerta e vigília para reagir com altivez e firmeza a qualquer tentativa de golpe ou desestabilização, de acordo com o jurista.

Assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=LI93e6fED-g&t=11s

https://www.brasil247.com/entrevistas/marco-aurelio-de-carvalho-critica-jornalismo-de-guerra-e-uso-politico-de-setores-da-pf-para-impactar-eleicoes/

sábado, 1 de agosto de 2026

Aos 80, vitalidade de Lula é barreira física contra extrema direita no Brasil e no mundo

Presidente conhece cada verbo de seu papel na defesa da democracia global, e demonstra preparo físico exemplar para desempenhá-lo

Autor Marco Damiani

Marco Damiani é editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro

Publicado em 1 de agosto de 2026.



Luiz Inácio Lula da Silva. Crédito: Ricardo Stuckert

Desde maio, quando completou um giro de entregas de obras públicas pelo País, o presidente Lula já cumpriu mais de 50 agendas fora do Palácio do Planalto. Contando com o Ceará, onde esteve na sexta-feira, 31, ele pisou, discursou e confraternizou-se com o público em nada menos que 10 estados diferentes. Perto de completar 81 anos de idade, em 27 de outubro, Lula vai apresentando ao País – e ao mundo – um show de vitalidade que até os bolsonaristas mais empedernidos reconhecem, invejam e, especialmente, temem.

“Enquanto eu viver, a extrema direita não voltará a governar esse país”, cravou o presidente, em Fortaleza, a milhares de pessoas reunidas na convenção estadual do PT cearense, em que o governador Elmano de Freitas foi conduzido à disputa pela reeleição. Ali, Lula fez ontem seu pronunciamento mais enfático sobre o que se deve esperar dele em termos de garra e disposição na defesa da democracia brasileira e mundial.

“Vou dizer mais: que venha quem quiser. Se quiser vir o Trump, que venha. Se quiser vir o Milei, que venha. Venha quem quiser. Eu não quero ajuda de fora. A única ajuda que eu quero é a ajuda do povo brasileiro para que a gente possa manter a democracia nesse país”, demarcou ele, sem subterfúgios.

Cada passo, gesto e palavra que o presidente tem espalhado pelo País reforçam a barreira ao fascismo que o Brasil – e ele, em pessoa – têm representado, nos últimos quatro anos, desde a derrota de Jair Bolsonaro para o próprio Lula.

Ao mesmo tempo em que sabe de cor e de improviso cada verbo e vírgula de seu papel no chamado teatro das nações, Lula vai apresentando as condições físicas perfeitas para desempenhá-lo. Ajustou o regime alimentar, tornou-se assíduo em atividades físicas e se consolida, hoje, como um exemplo pronto e acabado de força vital que vai além da política. Serve de modelo para toda a população em busca de vida saudável e ativa.

“O presidente demonstra uma condição física e cardiovascular bastante favorável para a sua faixa etária”, atesta o cardiologista Roberto Kalil Filho, médico que acompanha a saúde de Lula nas últimas décadas. “Ele é um exemplo para todas as pessoas dos benefícios que o hábito contínuo de praticar exercício pode trazer como ganho real de densidade óssea, massa magra e controle metabólico.”

No plano político, Lula se destaca nesta campanha como um arauto bem preparado em defesa da democracia. “Eu competi contra o Fernando Henrique Cardoso, contra o José Serra, contra o Geraldo Alckmin”, lembrou o presidente em entrevista recente. “Nunca houve problema, nenhum deles jamais propôs um golpe ou coisa parecida. Mas, depois do Bolsonaro, veio essa radicalização. Não posso admitir que isso prevaleça no nosso Brasil.”

Com uma vida inteira na atividade sindical e política, Lula é, sem dúvida, a celebridade mais conhecida do País. Do alto de seu índice 100% de conhecimento, para usar o jargão das pesquisas eleitorais, ele poderia ter optado por uma campanha com o tradicional fundo biblioteca, em ambientes controlados, enumerando as realizações de sua gestão entre efeitos especiais de vídeo. Ao contrário, está em campo aberto, no meio do povo, exibindo força e vitalidade, com uma presença pessoal que vai se traduzindo em escalada nas preferencias de votos. O fascimo global representado no Brasil pelo bolsonarismo e seus apêndices não chega nem perto desse fôlego todo. Ufa!

EM TEMPO: Infelizmente, à  Esquerda não sabe trabalhar tendo um líder como Lula. O que menos importa é se Lula é de Centro Esquerda ou não. Cada um que faça a sua parte, especialmente ocupando os devidos espaços políticos e apresentando sugestões e reivindicações no próximo mandato do governo Lula. Ok, Moçada!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

UEFA veta negociata de Infantino com família de Trump em torno da Copa do Mundo

Entidade europeia conta com apoio de confederações da Ásia e das Américas contra proposta da gestão Infantino considerada irresponsável

Conteúdo postado por:  Redação Brasil 247

Publicado em 30 de julho de 2026

Gianni Infantino  Crédito: Reuters



247 – A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) endureceu sua posição e anunciou um boicote irrestrito aos torneios organizados pela Fifa caso a entidade máxima do esporte prossiga com o plano de criar uma empresa privada para gerir suas competições e comercializar participações a investidores internacionais. A decisão, tomada após uma reunião de emergência convocada pela confederação europeia, conta com o apoio unânime de suas 55 associações-membro.

De acordo com a Reuters, a Thrive Eternal, uma nova estratégia de investimento lançada pela empresa de capital de risco Thrive Capital, deve ser a principal investidora na subsidiária. A estratégia é um veículo de capital permanente focado em realizar um pequeno número de investimentos de longo prazo em franquias e instituições culturais. O veículo foi fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump. O ex-presidente-executivo da Walt Disney, Bob Iger, atua como consultor.

Segundo o New York Post, Trump quer que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, se torne o próximo secretário-geral das Nações Unidas após a Copa do Mundo de 2026.

O posicionamento europeu estabelece que nenhuma seleção nacional filiada à Uefa participará de qualquer competição sob o guarda-chuva da Fifa enquanto o projeto de privatização estiver em pauta. A exigência para o retorno às disputas é o cancelamento definitivo da proposta e a apresentação de garantias vinculativas de que as competições não serão fatiadas com o setor privado.

A reação da Uefa não é isolada. O movimento ganhou a adesão da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Juntas, as três entidades somam 143 dos 211 membros filiados à Fifa, constituindo uma ampla maioria capaz de inviabilizar os planos da diretoria executiva da instituição.

Em meio ao impasse, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, divulgou um pronunciamento em vídeo na tentativa de defender a iniciativa. Segundo o dirigente, a ideia é submeter o projeto a uma votação formal com todas as federações filiadas e com o conselho da entidade. A proposta prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária na qual a Fifa manteria o controle majoritário.

A Fifa avalia o valor total da FFE em 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 102,3 bilhões). A intenção da entidade é arrecadar 4,2 bilhões de dólares (cerca de R$ 21,5 bilhões) com a comercialização de ações para investidores privados, que passariam a deter uma participação minoritária na empresa. Na justificativa oficial publicada em seu site, a entidade sustenta que o aporte financeiro externo seria decisivo para “alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base”.

Para seduzir as federações nacionais, a gestão da Fifa acenou com um aumento expressivo no repasse financeiro direto a cada país. Os repasses atuais, fixados em 8 milhões de dólares (R$ 41 milhões), passariam para 20 milhões de dólares (R$ 102 milhões) no ciclo até a Copa do Mundo de 2030. Os valores subiriam para R$ 112,5 milhões no ciclo até 2034 e chegariam a R$ 123 milhões até o ciclo de 2038.

A Uefa, no entanto, publicou um manifesto contundente rebatendo a lógica financeira e criticando a conduta política de Infantino. No pronunciamento, a entidade acusa a Fifa de agir com falta de transparência e tentar impor as mudanças de forma coercitiva.

“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados. A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”, destaca a entidade em trecho do manifesto.

A confederação europeia classificou a articulação de bastidores da Fifa como “uma falha profunda de liderança” e um desrespeito à governança do esporte global.

“É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial. 

Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma ‘decisão democrática’, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global”, complementou a Uefa, frisando que sua oposição vai muito além de meras divergências processuais e atinge a essência da preservação do futebol como bem público global.

EM TEMPO: Sendo assim, torna-se imperioso que tanto a CBF, como também as Federações, sejam transformadas em entidades do Estado Brasileiro, ao invés de empresas privadas como atualmente. Só assim, a influência dos patrocinadores, incluindo as BET's,   serão reduzidas a zero. 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

A guerra dos elementos de terras raras

 ·         Artigo

·         29/07/2026

  • Blog do jornalista  Magno Martins
  • - Edição de Ítala Alves


 

 

 

 



Por Mauro Souza*

O mercado de elementos químicos, obtidos de terras raras, se constitui na base de toda a revolução da Inteligência Artificial (IA). Com forte apelo geopolítico, ele se encontra no centro de uma disputa visceral entre a China e o Ocidente.

Encabeçados pelo neodímio, térbio, lantânio, cério e ítrio, dentre outros, estes componentes possuem propriedades cruciais para a miniaturização de tecnologias adotadas em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, medicina e defesa. A demanda desses elementos deve crescer 1.500% até o ano de 2050.

Mais da metade das reservas de terras raras se concentra na China e no Brasil. A China possui 46% das reservas globais e o Brasil, em segunda posição, dispõe de 23%. No entanto, os números sofrem um abalo sísmico após a aplicação da cadeia de valor, necessária para o refino e o decorrente uso pela indústria. A China controla o mercado dos produtos já refinados, com mais de 85% da fatia mundial. O nosso país não dispõe de nenhuma expressão estatística neste quesito.

O Brasil possui a tecnologia de refino e produção, mas apenas em escala de laboratório e plantas-piloto. Na prática, existe uma diferença gritante entre dominar a ciência do refino, e ter capacidade de processar milhares de toneladas por ano, de forma competitiva.

Entidades como o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), o CDTN (Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear) e o IPEN em parceria com a USP já desenvolveram e testaram métodos químicos para o refino de terras raras. Projetos como o CIT SENAI ITR em Lagoa Santa (MG) conseguem separar elementos, produzir ligas metálicas (como NeodímioFerro-Boro) e fabricar pequenos ímãs permanentes, mas em escala reduzida e experimental.

Por um lado, devido ao exercício constante do planejamento de longo prazo e após décadas de subsídios estatais, o custo do refino chinês é imbatível. Por outro lado, o salto de uma planta-piloto para uma refinaria industrial exige investimentos bilionários, mas o Brasil que luta contra a especialização regressiva, não dispõe de um parque industrial pujante, capaz de absorver a produção em larga escala de baterias de carros elétricos ou componentes de defesa.

Ademais, sempre que as mineradoras privadas que operam no Brasil precisam recorrer a capital estrangeiro, os investidores globais exigem o envio do concentrado bruto de terras raras, para refinarias já estabelecidas em países aliados.

Desta feita, diante do risco de uma volatilidade programada pela China e do pragmatismo financeiro do Ocidente, que prefere manter o país na posição confortável de fornecedor de matéria-prima barata, qualquer projeto de refino nacional é visto, pelos bancos e fundos de venture capital, como um empreendimento de altíssimo risco financeiro.

A questão que precisamos aceitar é que nenhuma potência global atingiu a soberania tecnológica, contando exclusivamente com as forças espontâneas do mercado (no Brasil, não será diferente). Nos Estados Unidos (com um Estado comprador e garantidor do financiamento do risco inicial) e na China (com um Estado focado em planejamento central, proprietário de empresas e controlador de ecossistemas), o Estado sempre atuou para absorver o ativo inicial, considerado arriscado demais pelo capital privado.

Sem a intervenção firme do Estado, as forças de mercado continuarão direcionando o Brasil para a exportação de minério e a importação de tecnologia cara. O que se descortina no segmento das terras raras, base da alta tecnologia, da IA e do futuro do comércio global, é a repetição do nosso velho e conhecido “modelo colonial”.

O foco do arcabouço regulatório brasileiro para terras raras é o beneficiamento, atrelado à industrialização interna. O PL 2.780/2024 (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos) compõe o principal marco legal em avanço no Congresso Nacional. Precisamos de celeridade e atenção por parte dos nossos líderes e da sociedade. O mesmo eu digo quanto à Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), que se constitui em uma iniciativa crucial liderada pelo Governo Federal e voltada para a fixação de metas, para verticalizar a produção de ímãs e ligas no país.

No caso das terras raras, ainda dá tempo de reverter o papel de coadjuvante, e surfar dentro de um plano consistente e típico de um protagonista. Vamos em frente, pois temos um compromisso no que tange ao legado que deixaremos para as gerações futuras…

*Engenheiro elétrico com pós-graduação em robótica e mestrado em telecomunicações.

terça-feira, 28 de julho de 2026

China diz que parceria com Brasil tem “papel vital” no fortalecimento do Sul Global

Diplomacia chinesa afirma que fortalecimento da parceria beneficia os dois países e contribui para um mundo mais justo e sustentável

Conteúdo postado por: João Antonio Cunha

Publicado em 28 de julho de 2026



Lula e Xi Jinping Crédito: Ricardo Stuckert/PR

247 – A parceria estratégica entre China e Brasil exerce um “papel vital” para o fortalecimento do Sul Global e para a promoção da justiça e da equidade internacionais, afirmou nesta terça-feira (28) o governo chinês. As informações são da RT Brasil.

Durante entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, comentou a conversa telefônica entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada no domingo (26).

Segundo Lin Jian, os dois países seguem comprometidos com a construção de “uma comunidade com um futuro compartilhado para um mundo mais justo e um planeta mais sustentável”.

Ainda de acordo com o porta-voz, o aprofundamento da cooperação entre Brasil e China contribui diretamente para o desenvolvimento das duas nações e amplia a solidariedade entre os países do Sul Global.

Diálogo entre Lula e Xi

A conversa entre Lula e Xi durou mais de uma hora e abordou a implementação de sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países, além de temas relevantes da agenda internacional.

Os presidentes reafirmaram o interesse em ampliar a cooperação em setores estratégicos, entre eles, inteligência artificial, satélites, processamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. Também celebraram o recorde alcançado pelo comércio bilateral, apontado como um dos principais pilares da relação entre Brasília e Pequim.

Durante o diálogo, Lula defendeu a ampliação dos investimentos chineses no Brasil para diversificar a cooperação econômica além da exportação de commodities. Os dois líderes também manifestaram interesse em avançar nas discussões sobre um acordo entre o Mercosul e a China, reconhecendo a necessidade de construir um entendimento que contemple diferentes setores econômicos dos países  envolvidos.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Miriam Leitão responsabiliza Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro pelas agressões de Milei ao Brasil

Jornalista afirma que governador paulista e candidato do PL contribuíram para a quebra do protocolo diplomático e para a escalada da crise entre Brasil e Argentina

Conteúdo postado por:  Redação Brasil 247

Publicado em 27 de julho de 2026

Milei e Tarcísio Crédito: GPT- montagem






 



247 – A jornalista Miriam Leitão afirma, em coluna publicada no jornal O Globo, que a visita do presidente argentino Javier Milei ao Brasil representou uma grave ruptura dos protocolos diplomáticos e contou com o respaldo político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

Segundo a colunista, Milei desembarcou no Brasil sem comunicar previamente o governo federal, procedimento considerado básico em viagens internacionais de chefes de Estado, mesmo quando classificadas como privadas. Em vez de manter uma agenda institucional, o presidente argentino seguiu diretamente para São Paulo, onde foi recebido por Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes.

Para Miriam Leitão, o governador paulista concedeu a Milei tratamento de chefe de Estado ao recebê-lo com honras oficiais e entregar-lhe a Medalha da Ordem do Ipiranga, a mais alta condecoração do Estado de São Paulo.

Discurso contra Lula e Alexandre de Moraes

Após o encontro com Tarcísio, Milei participou da convenção do PL que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Durante o evento, fez ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou políticas do governo brasileiro e dirigiu ofensas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Na avaliação de Miriam Leitão, o episódio representou uma interferência inédita e desrespeitosa na política interna brasileira, agravando uma das mais sérias crises diplomáticas entre Brasil e Argentina das últimas décadas.

A reação do governo brasileiro ocorreu por meio dos canais diplomáticos. O Itamaraty chamou de volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas e convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos sobre a conduta do presidente de seu país.

Acusações sem provas ampliaram o conflito

A colunista destaca que, ao retornar à Argentina, Milei elevou ainda mais o tom ao conceder entrevista ao jornal Clarín, na qual afirmou, sem apresentar provas, que o governo brasileiro teria financiado uma campanha midiática contra a Argentina após a conquista da Copa do Mundo.

Segundo o presidente argentino, 25% dos recursos dessa suposta campanha teriam origem no Brasil. Miriam Leitão ressalta que a acusação não foi acompanhada de qualquer evidência e carece de fundamento conhecido.

Crise atende interesses políticos de Milei

Na análise da jornalista, mais do que apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei procurou utilizar sua passagem pelo Brasil para fortalecer sua imagem política em meio às dificuldades enfrentadas por seu governo, que registra elevados índices de desaprovação segundo pesquisas de opinião.

Miriam Leitão observa ainda que a estratégia pode trazer custos para a própria Argentina, uma vez que o Brasil é o principal parceiro comercial do país e o principal destino das exportações industriais argentinas. Para a colunista, caberá agora à diplomacia dos dois países trabalhar para reconstruir uma relação que sofreu forte desgaste após os episódios protagonizados por Milei durante sua visita ao Brasil.

domingo, 26 de julho de 2026

Mauro Vieira convoca embaixador argentino após ofensas de Milei

Chanceler cobra explicações formais sobre ofensas do presidente argentino a Lula, Moraes e instituições brasileiras durante convenção do PL

Conteúdo postado por: Luis Mauro Filho

Publicado em 26 de julho de 2026

 
Mauro Vieira. Crédito: Carlos Cruz/MRE

247 – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou neste domingo (26) o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para cobrar explicações formais sobre as ofensas do presidente Javier Milei a Lula, ao ministro Alexandre de Moraes e às instituições brasileiras durante a convenção nacional do PL.

No encontro, Vieira comunicou a repulsa do governo brasileiro às declarações feitas no sábado (25), em São Paulo. Milei participou do evento partidário que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

O Itamaraty considerou especialmente grave o fato de um chefe de Estado estrangeiro ter usado uma agenda política em território brasileiro para atacar autoridades nacionais e o Poder Judiciário.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, afirmou o ministério.

A convocação de Raimondi representa um protesto oficial e permite ao governo brasileiro exigir uma manifestação de Buenos Aires sobre a conduta de Milei. O diplomata argentino foi chamado diretamente ao Itamaraty para receber a posição de Brasília.

Mauro Vieira também determinou o retorno imediato do embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas. A medida é considerada um sinal diplomático duro, adotado quando um país pretende demonstrar insatisfação diante de uma ação entendida como hostil, mas não implica rompimento das relações.

Milei ataca Lula e Moraes em São Paulo

Durante o discurso na convenção do PL, Milei chamou Lula de “presidiário” e defendeu uma mudança de governo nas eleições brasileiras. O presidente argentino também criticou Alexandre de Moraes por ter negado autorização para que ele visitasse Jair Bolsonaro.

A defesa do ex-presidente havia solicitado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, a realização do encontro. Milei contestou a decisão e comparou a situação às visitas recebidas por Lula durante o período em que esteve preso em Curitiba.

“A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández”, declarou.

“Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis”, acrescentou Milei.

Ao falar sobre o magistrado, o argentino usou a expressão “lixo careca”, sem citar diretamente o nome de Moraes. As declarações foram interpretadas pelo governo brasileiro como uma afronta ao Judiciário e às instituições democráticas.

Apoio a Flávio Bolsonaro

Milei declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e relacionou o projeto eleitoral do senador a uma transformação política na América Latina. Em sua avaliação, países da região estariam substituindo governos de esquerda por administrações orientadas por políticas econômicas liberais.