Inteligência paquistanesa teria interceptado plano de assassinato contra a delegação iraniana
20 de junho de 2026
Pepe Escobar e Zulfiqar Ali (Foto: Reprodução
Youtube)
247 – O jornalista
Pepe Escobar afirmou que uma “ameaça muito, muito crível” atribuída ao Mossad
contra integrantes da delegação iraniana teria impedido a assinatura presencial
de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã na Suíça. Segundo
ele, a informação teria sido interceptada pela inteligência do Paquistão e
repassada aos envolvidos nas negociações. As declarações foram feitas no programa Transition
Protocol, transmitido no YouTube na sexta-feira, 19 de junho. Ao lado do
comentarista Zulfiqar Ali, Escobar sustentou que o episódio pode colocar em
risco toda a arquitetura diplomática construída nos últimos dias para tentar
reduzir a escalada militar no Oeste Asiático.
Segundo Escobar, a assinatura
prevista na Suíça teria sido comprometida após a descoberta de uma ameaça de
assassinato contra “um, talvez dois ou talvez toda a delegação iraniana” que se
deslocaria ao país europeu. “Houve uma ameaça crível, muito, muito
crível, de o Mossad assassinar um ou talvez dois ou talvez toda a delegação
iraniana que iria à Suíça”, afirmou.
O jornalista disse ainda que a informação teria chegado “diretamente de alguém à mesa”, em referência às negociações envolvendo Irã, Estados Unidos e mediadores paquistaneses. “Esta informação é muito, muito importante. Ela foi interceptada pela inteligência paquistanesa, e a informação chegou até nós diretamente de alguém que estava à mesa”, declarou.
Assinatura em Versalhes substituiu encontro na Suíça
De acordo com Escobar, o memorando de
entendimento entre Estados Unidos e Irã deveria ser assinado oficialmente na
Suíça em 19 de junho, mas o ato presencial teria sido cancelado diante da
ameaça. A alternativa, segundo ele, foi uma assinatura em Versalhes, na França,
apresentada como uma solução “de segunda melhor escolha” em comparação a uma
cerimônia ao vivo em Genebra.
Escobar atribuiu simbolismo histórico
à escolha de Versalhes, lembrando que o palácio francês foi palco de eventos
decisivos após a Primeira Guerra Mundial. Para ele, no entanto, o ponto central
não seria a simbologia, mas o fato de que o acordo estaria sob ameaça imediata.
“Esta não é uma história rotineira de
cessar-fogo. Isso é o mais importante. Isto vai muito além do mecanismo do memorando
de entendimento”, disse Escobar.
Segundo a versão apresentada no programa, a negociação teria sido construída com participação iraniana, mediação do Paquistão, apoio de bastidores da China e contribuições de países como Catar, Turquia, Arábia Saudita e integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo.
Irã teria enviado alerta a Washington
Escobar afirmou que, após a
interceptação da suposta ameaça, o Irã teria enviado nova mensagem a Washington
por meio do Paquistão. O recado, segundo ele, foi de que o memorando poderia
ruir caso Israel continuasse a agir militarmente na região.
“O Irã enviou outra mensagem, mais
uma vez por meio do Paquistão, a Washington: se eles não contiverem seu
porta-aviões no Oeste Asiático, seu porta-aviões genocida no Oeste Asiático,
toda a estrutura do memorando de entendimento entrará em colapso”, afirmou.
Na avaliação apresentada por Escobar,
o acordo não se limitaria à questão nuclear, mas incluiria também o
cessar-fogo, o Estreito de Hormuz e uma reorganização regional mais ampla. Ele
sustentou que, se Israel continuar bombardeando o Líbano ou o Irã, Teerã
considerará o memorando rompido.
“Se Israel não parar, eles estão preparados para impor consequências severas a Israel”, disse. Em seguida, acrescentou que uma eventual intervenção dos Estados Unidos em apoio a Israel representaria, na visão iraniana, múltiplas violações do memorando.
Memorando é apresentado como acordo bilateral








