Deputado aponta gravidade de transações envolvendo Gold Style, ligada à principal facção criminosa do Brasil, e repasses ao longa Dark Horse.
11 de junho de 2026
Por Leonardo Lucena
247 - O deputado
federal Rogério Correia (PT-MG) cobrou a instalação da CPMI do Dark Horse após
a revelação de transações envolvendo o fundo Gold Style, uma fintech apontada
como "banco paralelo" do Primeiro Comando da Capital (PCC), e a
empresa ligada a repasses para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
"Vai dar cadeia, queda na
pesquisa e não adianta fazer censura de instituto de pesquisa. Filme ligado a
organização criminosa que eles chamam de terroristas. O que tem que ser feito é
a CPMI Dark Horse", afirmou Correia.
O caso envolve o Gold Style Fundo de
Investimento em Direito Creditório, administrado pela Reag Trust. Segundo
a Folha de S.Paulo, a gestora aparece em investigações da
Polícia Federal sobre a engrenagem financeira montada pelo Banco Master para
fraudar carteiras de crédito e inflar ativos.
O Banco Central liquidou o Master em
novembro, e a Reag Trust, em janeiro. Segundo relatórios do Conselho de
Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entre as movimentações identificadas
estão transações entre o fundo com a BK Bank, fintech investigada na Operação
Carbono Oculto.
A apuração conduzida pela Polícia
Federal, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo investiga a
infiltração do PCC no mercado financeiro por meio de empresas e instituições
que teriam facilitado a circulação de recursos sem transparência.
Os registros analisados indicam
transferências de R$ 133,6 milhões da BK Bank para o Gold Style em 2023, além
de outras operações realizadas em 2024 e 2025 que somam R$ 12,9 milhões. No
total, as movimentações entre as duas instituições alcançam pelo menos R$ 146,5
milhões.
Banco Master
financiou filme sobre Jair Bolsonaro
A produção de Dark Horse, filme
biográfico sobre Jair Bolsonaro, entrou no centro da controvérsia depois que
vieram à tona informações sobre negociações financeiras conduzidas pelo senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele tratou diretamente com Daniel Vorcaro, dono do
Banco Master, de um financiamento de R$ 134 milhões para investir no filme.
Desse total, ao menos R$ 61 milhões seguiram para a estrutura ligada à
produção.
Vorcaro está preso e negocia delação
premiada após a Operação Compliance Zero. A PF (Polícia Federal) investiga um
esquema de fraudes financeiras que, segundo a corporação, movimentou pelo menos
R$ 12 bilhões. A polêmica ganhou novo capítulo nesta terça-feira (9), quando
documentos revelados pelo Intercept Brasil apontaram que Vorcaro participou de
uma operação financeira para enviar recursos aos Estados Unidos destinados ao
financiamento de Dark Horse. Outro ponto sensível envolve a compra de um imóvel
milionário no Texas.
Um fundo ligado a Paulo Calixto,
advogado do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados
Unidos, adquiriu uma casa avaliada em R$ 3,6 milhões em Arlington. O imóvel
entrou para o patrimônio do Mercury Legacy Trust, fundo privado de gestão
patrimonial usado para administrar bens em nome de terceiros. Calixto também
administra o Havengate Development Fund, estrutura que recebeu parte dos R$ 61
milhões enviados por Vorcaro em 2025.
Mais detalhes do
fundo
Dados públicos da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) mostraram que o Gold Style surgiu em abril de 2020, com
aporte inicial de R$ 480,1 milhões, segundo a Folha de S.Paulo. Em maio de
2024, o patrimônio líquido do fundo chegou a R$ 1,84 bilhão. Nos registros do
órgão regulador, o fundo aparece como "em funcionamento normal".
Ainda de acordo com a reportagem, os
documentos públicos não permitem identificar os donos nem os beneficiários do
Gold Style. Segundo a Polícia Federal (PF), estruturas desse tipo de
investimento e circulação de recursos figuraram entre os mecanismos usados por
Reag e Master em operações voltadas a fraudes e à ampliação artificial de
ativos. O fundo também apareceu em operações com debêntures privadas nas quais
a Reag atuou como emissora, escrituradoura ou agente fiduciário.
Conforme comunicação da B3, a Bolsa
de Valores de São Paulo, ao Coaf, 11 debêntures somaram R$ 3,6 bilhões. Esses
papéis representam títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos
e gerar direitos de crédito a investidores. Como todas as debêntures listadas
no relatório financeiro são privadas e sigilosas, não há identificação pública
dos responsáveis pelas movimentações.
Pesquisa Quaest
A fala de Rogério Correia também fez
referência ao impacto político do caso. Pesquisa Quaest divulgada nesta
quarta-feira (10) apontou o presidente Lula com 44% das intenções de voto em um
eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que registrou 38%.
Entre os eleitores independentes, o
levantamento indicou vantagem de 13 pontos para o presidente Lula em relação ao
senador da extrema-direita. Correia associou a repercussão das suspeitas ao
cenário eleitoral e à necessidade de investigação sobre o financiamento do
filme.
Facções criminosas
Na publicação, o deputado também
lembrou que os EUA classificaram as facções criminosas Primeiro Comando da
Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. No
Brasil, lideranças progressistas afirmam que essa decisão busca abrir caminho
para sanções contra o governo brasileiro em meio às condenações ligadas a
investigações sobre ações golpistas.
O governo Donald Trump representa a
extrema-direita estadunidense e mantém aliança política com a família
Bolsonaro. No começo do mês, a gestão trumpista anunciou a intenção de aplicar
uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros e criticou o Pix, sem
apresentar provas, ao acusar o Brasil de adotar práticas desleais no comércio.
O governo Lula negocia para evitar a aplicação da medida.
O caso também se conecta à atuação de
Eduardo Bolsonaro em território estadunidense. O STF julgará o ex-parlamentar
em 16 de junho por coação judicial. Ele mora nos EUA e responde à acusação de
articular ações para interferir em processos judiciais brasileiros e favorecer
condenados por ações golpistas. O STF condenou 29 pessoas no inquérito da trama
golpista e determinou mais de 1,4 mil condenações na investigação sobre os atos
golpistas de 8 de janeiro de 2023.
— Rogério Correia
(@RogerioCorreia_) June 11, 2026







