Empresas do setor afirmam que levantamentos medem o momento do eleitorado e não podem ser avaliados apenas pela proximidade com o resultado das urnas
Conteúdo postado por Paulo Emílio
Publicado em 14 de julho de 2026
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| Nunes MarquesCrédito: Gustavo Moreno/STF |
247 – A proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de instituir um selo de qualidade para institutos de pesquisa eleitoral provocou forte reação entre empresas do setor. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, representantes de grandes institutos consideram que a iniciativa parte de uma compreensão equivocada sobre a natureza das pesquisas eleitorais, que, segundo eles, registram a intenção de voto em determinado momento e não têm caráter preditivo.
Apresentada pelo ministro durante reunião realizada nesta terça-feira (14) com representantes de institutos de pesquisa, a proposta prevê a criação do chamado “Selo Acurácia Eleitoral”, destinado às empresas cujos levantamentos apresentarem maior proximidade com os resultados oficiais das eleições. O encontro ocorreu dias após uma decisão de Nunes Marques suspender a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel sobre a disputa eleitoral, medida que foi classificada por empresas do setor como um ato de censura.
Como funcionaria o selo proposto pelo
TSE
Segundo a
reportagem, o selo teria como objetivos “contribuir para a precisão entre os
dados levantados pelas pesquisas e os resultados oficiais das eleições”,
“incentivar o aprimoramento contínuo da qualidade metodológica das pesquisas
eleitorais” e “conferir visibilidade às empresas com melhor desempenho”.
A certificação seria
concedida nos anos de eleições gerais, após o segundo turno, contemplando
pesquisas para os cargos de presidente da República e governador. A avaliação
consideraria exclusivamente pesquisas de boca de urna e levantamentos
realizados nos sete dias anteriores à votação, desde que registrados no Sistema
de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) e divulgados ao público.
Associação vê erro conceitual na
proposta
A Associação
Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) reagiu duramente à iniciativa. Em
nota, a entidade afirmou que o projeto parte de uma premissa incorreta ao
tratar pesquisas como previsões eleitorais.
“Pesquisas medem a
intenção de voto no momento em que são realizadas. Não são previsões nem
promessas de resultado. Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de
opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa
‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”, declarou a
associação.
A Abep também
argumenta que a proposta pode gerar efeitos indesejados sobre o mercado de
pesquisas. Segundo a entidade, a medida cria um “incentivo perverso”,
permitindo que empresas sem rigor metodológico ajustem seus números às
pesquisas já divulgadas por institutos consolidados apenas para aumentar suas
chances de receber a certificação.
Além disso, a
associação criticou a possibilidade de a Justiça Eleitoral assumir o papel de
avaliadora da qualidade das pesquisas com base exclusivamente na proximidade
dos resultados.
“Causa especial
preocupação que a Justiça Eleitoral pretenda assumir o papel de árbitro da
qualidade das pesquisas a partir de um critério tecnicamente equivocado. A
avaliação da qualidade de um levantamento deve considerar metodologia, desenho
amostral, transparência, execução do campo e aderência às boas práticas
científicas — não apenas a proximidade entre um retrato da opinião pública e um
resultado que ainda estava por acontecer quando a pesquisa foi realizada”,
afirmou.
Especialistas apontam risco de
desestimular pesquisas
O fundador do
instituto Ideia, Maurício Moura, também criticou a proposta. Ele afirmou que o
selo não contribuiria para aumentar a transparência das pesquisas e poderia
reduzir a divulgação de levantamentos nos dias que antecedem a eleição.
“Pesquisa não é um modelo preditivo, é um retrato
do momento. Não dá para comparar um levantamento feito cinco dias antes da
eleição com outro realizado na véspera. Essa comparação é impossível. E, mesmo
que fosse feita, como considerar a margem de erro, que é um aspecto altamente
técnico? Não me parece uma boa saída. Acho que isso pode desestimular os
institutos a registrar pesquisas nos últimos sete dias de campanha, porque eles
ficariam sujeitos a uma métrica bastante inadequada“, afirmou.
Na mesma linha, a
diretora do Datafolha, Luciana Chong, avaliou que a proposta ignora aspectos
fundamentais da metodologia das pesquisas eleitorais.
“Pesquisas são
estimativas estatísticas, sujeitas à margem de erro, diferentes metodologias,
momentos distintos de coleta e mudanças no comportamento do eleitorado. Não faz
sentido reduzi-las a um ranking baseado apenas na proximidade com o resultado
final, como se fosse possível medir sua qualidade exclusivamente por esse
critério”, declarou.
AtlasIntel manifesta apoio ao selo
Em posição
diferente da maior parte dos institutos presentes na reunião, o CEO da
AtlasIntel, Andrei Roman, manifestou apoio à proposta do presidente do TSE.
Em publicação na
rede social X, Roman afirmou que a “AtlasIntel apoia a iniciativa do Ministro
Nunes Marques para a criação do selo de qualidade de pesquisas a partir de
critérios objetivos de precisão. Estamos à disposição para contribuir na
discussão metodológica, a partir de iniciativas semelhantes a nível
internacional.”
A proposta ainda deverá ser debatida pelo Tribunal
Superior Eleitoral antes de eventual regulamentação para as próximas eleições.
EM TEMPO: O que deve ser feito é a aprovação de uma Resolução obrigando os Institutos de Pesquisa a entregarem mensalmente a devida Prestação de Contas antes e durante o pleito eleitoral, assim como é obrigatório para os candidatos. Afinal de contas, faz-se necessário saber quem são os "bondosos e gastadores" financiadores, uma vez que uma pesquisa em Garanhuns é em torno de R$10.000,00. Já a nível estadual é acima de R$30.000,00. Quem financia? Mas, é bom abrir o debate, porque pesquisa em demasia pode induzir o eleitor ao erro. Ok, Moçada!






