domingo, 21 de junho de 2026

Alckmin defende expansão ferroviária para reduzir custos e impulsionar desenvolvimento do Brasil

Vice-presidente participou da entrega de 162 quilômetros da extensão da Malha Norte, em Mato Grosso, obra privada integrada ao Novo PAC

21 de junho de 2026

Geraldo Alckmin (Foto: Júlio César Silva/MDIC)


Redação Brasil 247

247 – O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou neste sábado (20), em Dom Aquino, Mato Grosso, que o Brasil precisará ampliar fortemente sua malha ferroviária para sustentar o crescimento econômico, reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade da produção nacional. Ao participar da entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte e do novo terminal ferroviário da BR-070, ele destacou que o país ainda depende excessivamente do transporte rodoviário.

As informações são da Agência Gov. Ao lado do ministro dos Transportes, George Santoro, Alckmin participou da inauguração de um trecho de 162 quilômetros de ferrovia em traçado novo, integrado ao Novo PAC. O empreendimento conecta regiões produtoras de Mato Grosso à malha ferroviária nacional e ao Porto de Santos, principal saída para parte relevante das exportações brasileiras.

"Vamos precisar de muita ferrovia para transportar o desenvolvimento do Brasil. A ferrovia é só 20% da matriz de transporte do Brasil. A nossa meta é chegar a 35%", afirmou o vice-presidente durante a solenidade.

A obra integra a Ferrovia Estadual de Mato Grosso, projeto que prevê mais de 743 quilômetros de trilhos entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, além de um ramal para Cuiabá. Ao todo, o traçado passa por 16 municípios e tem como objetivo aproximar os trilhos das áreas de maior produção agrícola do estado.

"Esta é a maior obra ferroviária privada do país", ressaltou Alckmin. 

Novo corredor para o agronegócio

A etapa entregue foi desenvolvida pela Rumo, empresa responsável pelo projeto. O vice-presidente e as demais autoridades chegaram ao novo terminal a bordo de uma locomotiva da companhia, em um gesto simbólico para marcar o início da operação ferroviária no trecho.

O novo terminal ferroviário da BR-070 terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho. As operações começam em fase de comissionamento, com testes operacionais e operações assistidas previstas para os próximos meses.

A ampliação da Malha Norte é considerada estratégica para Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos e estado cuja competitividade depende diretamente da capacidade de escoamento da safra. A ferrovia deve reduzir a distância entre as áreas produtoras e os grandes corredores de exportação, diminuindo custos e ampliando a eficiência logística.

Alckmin destacou que o avanço ferroviário é indispensável para que o Brasil mantenha sua posição entre os grandes produtores e exportadores de alimentos do mundo.

"O Brasil, que era importador de alimentos há 70 anos, hoje está entre os três maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. Nós precisamos chegar aos portos. E, para chegar aos portos, precisamos de ferrovia", disse. 

Logística, exportações e competitividade

O vice-presidente também relacionou a expansão da infraestrutura ferroviária ao desempenho das exportações brasileiras. Segundo ele, o país bateu recorde em 2025, com US$ 349 bilhões exportados, dos quais US$ 162 bilhões vieram do agronegócio.

"Com melhor logística, vai melhorar a nossa competitividade", afirmou.

A avaliação do governo é que a ampliação da participação das ferrovias na matriz de transportes pode reduzir o chamado Custo Brasil, diminuir a dependência de longas rotas rodoviárias, baratear o frete e tornar os produtos nacionais mais competitivos no mercado internacional.

No caso de Mato Grosso, a infraestrutura ferroviária é ainda mais decisiva porque boa parte da produção agrícola percorre longas distâncias até portos e centros consumidores. A nova etapa da Malha Norte reforça o papel do estado como um dos principais polos logísticos do agronegócio brasileiro. 

Investimento privado e apoio público

A primeira fase da extensão da Malha Norte contou com mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados. Os recursos foram viabilizados por meio de financiamento da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste, a Sudeco, e de debêntures pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES.

Durante a cerimônia, Alckmin afirmou que o Governo do Brasil trabalha para ampliar os instrumentos de apoio ao setor ferroviário. Segundo ele, locomotivas já podem ser financiadas com recursos do Fundo Clima, enquanto a inclusão dos trilhos nos mecanismos de financiamento está em estudo para estimular novos investimentos na malha nacional.

"Não há nada mais ambientalmente correto do que ferrovia. Reduz emissão de carbono, diminui acidentes, reduz Custo Brasil, melhora a competitividade e o país cresce mais, gera mais emprego e mais renda", declarou.

A fala reforça a tentativa do governo de associar a expansão ferroviária não apenas à agenda econômica, mas também à transição ambiental. O transporte sobre trilhos emite menos carbono por tonelada transportada do que o modal rodoviário, reduz a pressão sobre estradas e pode contribuir para a diminuição de acidentes. 

Ferrovias no Novo PAC

A entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte ocorre em um momento de retomada dos investimentos ferroviários no país. Entre 2023 e 2025, os aportes em infraestrutura ferroviária chegaram a R$ 30,54 bilhões, impulsionando projetos de ampliação, modernização e aumento da capacidade logística.

No âmbito do Novo PAC, o Governo do Brasil retomou investimentos considerados estratégicos para a recuperação e a expansão da infraestrutura sobre trilhos. A diretriz é fortalecer os corredores de transporte, integrar regiões produtoras e ampliar a eficiência da economia brasileira.

Ao mesmo tempo, concessionárias ampliaram seus investimentos em um ambiente descrito pelo governo como de maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica. A expectativa é que esse cenário crie condições para novos projetos ferroviários em diferentes regiões do país. 

Etanol, milho e modernização agrícola

Além da agenda ferroviária, Alckmin abordou medidas voltadas ao fortalecimento da agroindústria, da produção de biocombustíveis e da modernização do setor produtivo. Ao mencionar a importância da cadeia do milho para Mato Grosso, ele afirmou que o Conselho Nacional de Política Energética deve elevar, na próxima quarta-feira, a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%.

"Com isso, ajuda a gasolina a ficar mais barata, emite menos, polui menos o meio ambiente e estimula a agricultura e a agroindústria, que vai fazer etanol combustível e vai fazer DDG para ração animal", disse.

O vice-presidente também mencionou a linha de crédito de R$ 14 bilhões do Move Brasil para máquinas e implementos agrícolas, voltada à modernização do agronegócio. O programa prevê financiamento para tratores, implementos e colheitadeiras por meio da Finep, do Banco do Brasil, da Caixa e de bancos privados.

Como os grãos ainda chegam aos terminais ferroviários majoritariamente por caminhão, Alckmin ressaltou também o Move Brasil – Caminhões e Ônibus, programa de até R$ 21,2 bilhões para renovação da frota, com crédito destinado à aquisição de veículos novos e seminovos. 

Infraestrutura como eixo do desenvolvimento

A entrega da nova etapa da Malha Norte reforça a centralidade da logística na estratégia de desenvolvimento do país. Para o governo, a expansão ferroviária é uma condição para que o Brasil consiga transformar seu potencial produtivo em ganhos concretos de competitividade, renda e emprego.

Ao defender a ampliação da participação das ferrovias na matriz de transporte, Alckmin apresentou a obra em Mato Grosso como parte de um movimento mais amplo de integração nacional, modernização da infraestrutura e fortalecimento do agronegócio brasileiro.

Com a nova ferrovia, Mato Grosso passa a contar com uma conexão mais robusta entre suas áreas produtoras e os principais corredores de exportação, em uma operação que pode reduzir gargalos históricos e ampliar a capacidade do país de levar sua produção aos mercados interno e externo.

EM TEMPO: Evidentemente, que o transporte de grãos, dentre outros, não pode ficar na dependência exclusiva das rodovias, as quais são mais dispendiosas. Agora, o que o governo Lula deve ter como meta, consiste em acabar com a autonomia do BACEN, adotando uma política de juros baixos que contribua com o crescimento econômico e diminua a dívida interna. 

sábado, 20 de junho de 2026

Pepe Escobar afirma que ameaça do Mossad travou assinatura entre EUA e Irã na Suíça

Inteligência paquistanesa teria interceptado plano de assassinato contra a delegação iraniana

20 de junho de 2026

Pepe Escobar e Zulfiqar Ali (Foto: Reprodução Youtube)

Redação Brasil 247

247 – O jornalista Pepe Escobar afirmou que uma “ameaça muito, muito crível” atribuída ao Mossad contra integrantes da delegação iraniana teria impedido a assinatura presencial de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã na Suíça. Segundo ele, a informação teria sido interceptada pela inteligência do Paquistão e repassada aos envolvidos nas negociações. As declarações foram feitas no programa Transition Protocol, transmitido no YouTube na sexta-feira, 19 de junho. Ao lado do comentarista Zulfiqar Ali, Escobar sustentou que o episódio pode colocar em risco toda a arquitetura diplomática construída nos últimos dias para tentar reduzir a escalada militar no Oeste Asiático.

Segundo Escobar, a assinatura prevista na Suíça teria sido comprometida após a descoberta de uma ameaça de assassinato contra “um, talvez dois ou talvez toda a delegação iraniana” que se deslocaria ao país europeu. “Houve uma ameaça crível, muito, muito crível, de o Mossad assassinar um ou talvez dois ou talvez toda a delegação iraniana que iria à Suíça”, afirmou.

O jornalista disse ainda que a informação teria chegado “diretamente de alguém à mesa”, em referência às negociações envolvendo Irã, Estados Unidos e mediadores paquistaneses. “Esta informação é muito, muito importante. Ela foi interceptada pela inteligência paquistanesa, e a informação chegou até nós diretamente de alguém que estava à mesa”, declarou. 

Assinatura em Versalhes substituiu encontro na Suíça

De acordo com Escobar, o memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã deveria ser assinado oficialmente na Suíça em 19 de junho, mas o ato presencial teria sido cancelado diante da ameaça. A alternativa, segundo ele, foi uma assinatura em Versalhes, na França, apresentada como uma solução “de segunda melhor escolha” em comparação a uma cerimônia ao vivo em Genebra.

Escobar atribuiu simbolismo histórico à escolha de Versalhes, lembrando que o palácio francês foi palco de eventos decisivos após a Primeira Guerra Mundial. Para ele, no entanto, o ponto central não seria a simbologia, mas o fato de que o acordo estaria sob ameaça imediata.

“Esta não é uma história rotineira de cessar-fogo. Isso é o mais importante. Isto vai muito além do mecanismo do memorando de entendimento”, disse Escobar.

Segundo a versão apresentada no programa, a negociação teria sido construída com participação iraniana, mediação do Paquistão, apoio de bastidores da China e contribuições de países como Catar, Turquia, Arábia Saudita e integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo. 

Irã teria enviado alerta a Washington

Escobar afirmou que, após a interceptação da suposta ameaça, o Irã teria enviado nova mensagem a Washington por meio do Paquistão. O recado, segundo ele, foi de que o memorando poderia ruir caso Israel continuasse a agir militarmente na região.

“O Irã enviou outra mensagem, mais uma vez por meio do Paquistão, a Washington: se eles não contiverem seu porta-aviões no Oeste Asiático, seu porta-aviões genocida no Oeste Asiático, toda a estrutura do memorando de entendimento entrará em colapso”, afirmou.

Na avaliação apresentada por Escobar, o acordo não se limitaria à questão nuclear, mas incluiria também o cessar-fogo, o Estreito de Hormuz e uma reorganização regional mais ampla. Ele sustentou que, se Israel continuar bombardeando o Líbano ou o Irã, Teerã considerará o memorando rompido.

“Se Israel não parar, eles estão preparados para impor consequências severas a Israel”, disse. Em seguida, acrescentou que uma eventual intervenção dos Estados Unidos em apoio a Israel representaria, na visão iraniana, múltiplas violações do memorando. 

Memorando é apresentado como acordo bilateral

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Uczai cobra Mendonça por falta de medidas contra Flávio Bolsonaro após escândalo com Vorcaro

 "Ministro do Supremo, André Mendonça, uma pergunta. Você está protegendo Flávio Bolsonaro?", questionou o líder do PT na Câmara

19 de junho de 2026


 

Uczai cobra Mendonça por falta de medidas contra Flávio Bolsonaro após escândalo com Vorcaro (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados / Saulo Cruz/Agência Senado / Luiz Silveira/STF)




Redação Brasil 247

247 - O líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-SC), cobrou explicações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso Master, sobre a ausência de medidas investigativas contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os questionamentos ocorrem em meio às revelações sobre negociações mantidas pelo parlamentar bolsonarista com Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Em vídeo publicado na rede social X, Uczai questionou o que classificou como tratamento desigual por parte da Justiça diante de documentos divulgados pela imprensa que apontam movimentações financeiras relacionadas ao projeto cinematográfico. "Por que o privilégio? Com planilhas e recibos que apontam repasses de R$ 61 milhões e envio de recursos para paraísos fiscais, questionamos: por que Flávio Bolsonaro não foi alvo de nenhuma busca e apreensão?", afirmou o parlamentar.

Na sequência, o deputado acrescentou: "A justiça deve ser igual para todos!". Ao dirigir-se diretamente ao ministro André Mendonça, Uczai fez novos questionamentos sobre a condução do caso. "Ministro do Supremo, André Mendonça, uma pergunta. Você está protegendo Flávio Bolsonaro? Por que você não fez nenhuma busca e apreensão na casa de Flávio, se ele é um réu confesso?"

O líder petista também citou documentos divulgados sobre a negociação envolvendo o financiamento do filme. "Confessou e tem recibo e prova de 61 milhões que recebeu de Daniel Vorcaro. Tem recibo que transferiu esses 61 milhões para os Estados Unidos, num fundo do Texas. Tem prova que visitou Daniel Vorcaro quando voltou para a prisão domiciliar para buscar o restante do dinheiro de um total de 134 milhões."

Segundo Uczai, a ausência de medidas contra o senador levanta questionamentos sobre a atuação das autoridades responsáveis pelo caso. "Nem investigado, Flávio Bolsonaro é, nenhuma busca e apreensão. Por que proteger um senador? Porque ele é pré-candidato a presidente? Porque é seu amigo também, como Flávio é amigo de Daniel Vorcaro?"

O caso Dark Horse

As declarações de Uczai fazem referência a documentos revelados pelo The Intercept Brasil que apontam repasses financeiros ligados ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Documentos e comprovantes bancários obtidos pela investigação indicam que Daniel Vorcaro participou de uma operação para enviar recursos aos Estados Unidos destinados ao projeto cinematográfico.

A apuração menciona uma negociação envolvendo US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões pela cotação da época, e afirma que US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido efetivamente transferidos.

Entre os documentos citados estão uma planilha denominada Funding Schedule, que registra um cronograma de pagamentos ao fundo Havengate Development Fund LP, ligado ao financiamento do filme, e um comprovante internacional do sistema SWIFT referente a uma transferência de US$ 2 milhões realizada em fevereiro de 2025.

As mensagens obtidas durante a apuração também indicam participação de pessoas próximas a Vorcaro na coordenação dos pagamentos previstos para o projeto. O veículo sustenta que os documentos distinguem o valor total negociado para o financiamento e os montantes que efetivamente teriam sido enviados.

POR QUE O PRIVILÉGIO?

Com planilhas e recibos que apontam repasses de R$ 61 milhões e envio de recursos para paraísos fiscais, questionamos: por que Flávio Bolsonaro não foi alvo de nenhuma busca e apreensão?

A justiça deve ser igual para todos!@uczai pic.twitter.com/N9LdrGIXoh

— PT na Câmara (@PTnaCamara) June 19, 2026

Ucrânia aceita proposta de Lula para trabalhar pela paz

Zelensky e Lula se encontraram à margem da cúpula do G7 esta semana

19 de junho de 2026

 


 

Luiz Inácio Lula da Silva e Volodymyr Zelensky (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Por  Leonardo Sobreira

247 - O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, aceitou uma oferta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ajudar na negociação de um acordo de paz para a guerra da Rússia na Ucrânia, disse um assessor presidencial ucraniano nesta sexta-feira (19).

Segundo o assessor de comunicação presidencial da Ucrânia, Dmytro Lytvyn, em uma conversa entre os dois presidentes sobre o que poderia ser feito para reativar a diplomacia, Lula propôs, entre outras ideias, procurar os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O relato foi citado pela agência Reuters.

O próprio Lula afirmou que já havia conversado com os líderes de todos os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e que deve voltar a fazê-lo.

"Quem é que pode fazer parar essa guerra? Sabe quem? Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU... São eles que têm poder de veto, são eles que podem tomar decisão para a guerra ou para a paz", disse Lula em uma coletiva de imprensa nesta semana.

"Então agora eu assumi o compromisso de, outra vez, fazer o que eu já fiz, ligar para todos os membros do Conselho de Segurança, os cinco permanentes", afirmou o presidente brasileiro.

"Vou voltar a falar outra vez, eles são os responsáveis de garantir a paz ou a guerra entre Rússia e Ucrânia. Tem que dar um paradeiro, e somente eles podem dar".

Ainda na coletiva, Lula afirmou que, em tentativas anteriores de oferecer ajuda para a negociação em torno do conflito, não havia sentido interesse por parte de Zelensky ou de lideranças da Rússia e demais integrantes do Conselho de Segurança.

"Agora o Zelensky quer paz e está dizendo que quer um cessar-fogo sem colocar nenhum pedido extra, quer a paz para poder discutir a paz", acrescentou Lula.

Zelensky e Lula se encontraram à margem da cúpula do G7, na cidade turística francesa de Evian-les-Bains, na quarta-feira, evento no qual o líder ucraniano aproveitou para instar os aliados a aumentarem a pressão sobre a Rússia para pôr fim à guerra que já dura mais de quatro anos.

“Eles concordaram que, em particular, com base nessas ideias e contatos, tentariam alcançar algum resultado e, posteriormente, discutiriam o assunto com base nos resultados”, disse Lytvyn.

Além dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido -- com os quais a Ucrânia mantém estreitos contatos diplomáticos --, o Conselho de Segurança conta com a Rússia e a China como membros.

EM TEMPO: Evidentemente que o presidente Lula é um bom interlocutor, uma vez que o mesmo tem acesso a Rússia e a China, além de  formarem com o Brasil, África do Sul, Índia, Irá, Egito, Arábia Saudita, dentre outros países, o BRICS +. Convém lembrar que a guerra de Trump contra o Irã, é também uma agressão ao BRICS mais. Ok, Moçada!

terça-feira, 16 de junho de 2026

Celso Amorim defende regulação das big techs e alerta para riscos da inteligência artificial à democracia

 

Assessor internacional de Lula afirma que Estados não podem abrir mão de sua capacidade regulatória diante do poder das plataformas digitais

16 de junho de 2026

Celso Amorim (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)



 







Redação Brasil 247

247 - O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, defendeu nesta terça-feira (16) o fortalecimento da capacidade regulatória dos Estados diante do crescente poder das grandes empresas de tecnologia. As declarações foram feitas durante a XXIII Conferência de Segurança Internacional do Forte e divulgadas pela CNN Brasil.

Segundo Amorim, os governos precisam exercer sua autoridade regulatória para garantir que os avanços tecnológicos estejam alinhados aos interesses coletivos da sociedade. Para ele, o desenvolvimento de novas tecnologias deve contribuir para objetivos como a redução da pobreza, a preservação ambiental e a promoção dos direitos humanos.

 “Diante do poder das big techs, os Estados não podem abdicar de sua legitima capacidade regulatória derivada do voto do povo. Temos que garantir que o desenvolvimento tecnológico esteja direcionado para bens comuns, como a diminuição da pobreza, a proteção do meio ambiente e a garantia dos direitos humanos”, afirmou.

Durante sua participação no evento, o ex-ministro das Relações Exteriores também demonstrou preocupação com o avanço acelerado da inteligência artificial. Embora tenha reconhecido que toda inovação tecnológica traz oportunidades e desafios, avaliou que o cenário atual inspira cautela. “Os riscos parecem maiores do que as oportunidades”, declarou.

As falas de Amorim ocorrem em um momento de intenso debate sobre a regulação das plataformas digitais no Brasil. Em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decretos que ampliaram os mecanismos de fiscalização sobre conteúdos publicados na internet. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa recursos apresentados por empresas de tecnologia contra decisões relacionadas ao Marco Civil da Internet.

O julgamento discute a ampliação das hipóteses de responsabilização das plataformas por conteúdos publicados por usuários, tema que tem mobilizado autoridades, empresas e especialistas em liberdade de expressão e governança digital.

Na avaliação de Amorim, a concentração tecnológica em poucos países representa um desafio adicional para as democracias, especialmente para nações que não ocupam posição de liderança no desenvolvimento de inteligência artificial.

“Temos que ter a consciência de que a concentração de poder em alguns países, em matéria de inteligência artificial, tem o poder de minar a democracia e agravar profundamente a desigualdade. É o caso das big techs que recusam qualquer tipo de regulação”, completou.

O assessor relacionou a ausência de mecanismos regulatórios à ampliação das desigualdades globais e ao enfraquecimento de processos democráticos, defendendo que os países mantenham instrumentos capazes de supervisionar a atuação das grandes plataformas digitais.

Com divergências entre os ministros, o STF deve concluir na quarta-feira (17) o julgamento dos recursos apresentados pelas gigantes da tecnologia, em uma decisão que poderá influenciar o futuro da regulação das redes sociais e da responsabilização das plataformas digitais no Brasil.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A derrota política de Israel no acordo Trump-Irã

 

"A derrota mais relevante não é americana. É israelense"

Por João Lister (Advogado)



 

Benjamin Netanyahu (Foto: ILIA YEFIMOVICH/Pool via REUTERS)

O acordo anunciado por Donald Trump com o Irã não deve ser lido apenas como mais um capítulo da diplomacia instável do Oriente Médio. Ele revela algo mais profundo: a erosão da ideia de que Israel, sob Benjamin Netanyahu, pode conduzir sua política regional como se os Estados Unidos fossem uma extensão automática de sua estratégia militar.

À primeira vista, pode parecer que quem saiu derrotado foi Washington. Afinal, os Estados Unidos entraram na guerra com a pretensão de impor ao Irã uma rendição estratégica, limitar definitivamente seu programa nuclear, reorganizar o tabuleiro regional e reafirmar sua supremacia militar no Oriente Médio. Ao final, o que surge é um acordo negociado, mediado por terceiros, com concessões práticas ao Irã, reabertura do Estreito de Hormuz, alívio econômico e postergação das questões nucleares mais sensíveis para uma etapa futura. Isso não é vitória imperial. É administração de danos.

Mas a derrota mais relevante não é americana. É israelense.

Os Estados Unidos, mesmo quando recuam, continuam sendo uma potência global capaz de converter impasses militares em narrativas diplomáticas. Trump venderá o acordo como gesto de força, como contenção do Irã, como vitória pessoal e como prova de sua capacidade de negociar onde outros apenas guerrearam. O império sabe transformar retirada em coreografia. Israel, porém, sai exposto em sua dependência.

O ponto central é este: Netanyahu parece ter apostado que a aliança com os Estados Unidos seria incondicional, inclusive para sustentar suas idiossincrasias políticas, seus cálculos internos de sobrevivência e sua estratégia de guerra permanente. Essa aposta encontrou um limite. Trump, ainda que por pragmatismo, e não por princípio humanitário, sinalizou que não aceitará ser arrastado indefinidamente para aventuras militares que possam desorganizar os mercados, elevar o preço do petróleo, comprometer rotas globais de comércio e produzir desgaste político interno.

Esse é o dado novo. A relação EUA-Israel permanece estrutural, estratégica e profunda. Não se rompeu. Mas deixou de parecer ilimitada. O acordo com o Irã mostra que Washington pode, quando seus próprios interesses assim exigem, separar a segurança de Israel da agenda pessoal de Netanyahu. E essa distinção é devastadora para o primeiro-ministro israelense.

Netanyahu construiu parte substancial de sua força política sobre a ideia de que só ele seria capaz de garantir a segurança de Israel, porque só ele manteria controle privilegiado sobre Washington. Sua autoridade interna depende da imagem de estadista indispensável, de comandante cercado por inimigos, de líder que fala diretamente ao centro do poder americano. Quando Trump negocia com Teerã, apesar das objeções israelenses, e quando deixa transparecer irritação com ações militares capazes de sabotar o acordo, essa imagem sofre uma fratura.

Israel não perdeu porque tenha se tornado irrelevante. Perdeu porque descobriu que sua relevância tem limites. Perdeu porque a doutrina da pressão máxima contra o Irã não produziu a submissão esperada. Perdeu porque a guerra não resultou em uma arquitetura regional desenhada exclusivamente a partir de Tel Aviv. Perdeu porque o Irã, mesmo pressionado, bombardeado, sancionado e bloqueado, chegou à mesa de negociação não como ator destruído, mas como parte necessária para estabilizar a região.

Essa é a dimensão simbólica da derrota israelense: o inimigo que deveria ser isolado tornou-se interlocutor obrigatório.

O acordo também revela o fracasso de uma premissa cara à direita israelense: a de que força militar contínua pode substituir política. Durante anos, Netanyahu apostou na fragmentação regional, na demonização absoluta do Irã, na associação entre segurança nacional e expansão militar, e na transformação de toda crítica externa em ameaça existencial. Esse modelo funcionou enquanto encontrou guarida automática em Washington. Mas, quando a guerra passou a ameaçar interesses globais mais amplos, a Casa Branca voltou a agir como potência imperial, não como gabinete auxiliar do governo israelense.

É nesse ponto que a derrota de Israel se torna mais profunda do que uma derrota militar. Trata-se de uma derrota de método. O método Netanyahu pressupõe escalada permanente, captura emocional da opinião pública ocidental e fusão entre interesses de Estado e sobrevivência pessoal no poder. O acordo Trump-Irã, se consolidado, impõe outra lógica: contenção, custo econômico, negociação e limite.

Não há ingenuidade aqui. Trump não se converteu em pacifista. Os Estados Unidos não abandonaram sua política de poder. O Irã não se transformou em parceiro confiável aos olhos do Ocidente. E Israel continuará recebendo apoio militar, diplomático e financeiro americano. Mas o episódio indica uma fissura importante: a política externa dos Estados Unidos pode até proteger Israel, mas não necessariamente protegerá Netanyahu de Netanyahu.

Essa distinção muda o tabuleiro.

Para Israel, o dano maior é político e estratégico. O país passa a conviver com a percepção de que sua margem de ação regional será menor quando colidir frontalmente com interesses econômicos e eleitorais americanos. Netanyahu, por sua vez, perde a aura de intocabilidade internacional. Seu governo poderá continuar agressivo, mas agora sob o risco de isolamento relativo, inclusive diante de aliados tradicionais.

No fundo, o acordo anunciado por Trump expõe uma verdade incômoda: os Estados Unidos podem perder guerras sem deixar de ser potência; Israel, porém, não pode perder a ilusão de que Washington estará sempre disponível para legitimar todos os excessos de seu governo. Essa ilusão foi atingida.

E quando uma potência regional descobre que seu principal aliado não é incondicional, não se trata apenas de revés diplomático. Trata-se de mudança histórica de posição.

Netanyahu queria demonstrar que Israel podia arrastar os Estados Unidos até onde fosse necessário. O acordo com o Irã sugere o inverso: há um ponto em que Washington para, calcula, negocia e deixa Israel sozinho com as consequências políticas de sua própria escalada.

Essa é a verdadeira derrota.

EM TEMPO: Atualmente a humanidade se encontra muito indefesa diante dos desmandos ditatoriais  ora cometidos pelos seus governantes. A ONU não consegue ser obedecida pelos ditadores, mesmo que hajam eleições em seus  países. 

domingo, 14 de junho de 2026

Terras Raras: a defesa da soberania popular

Por Lucas Silva, jornalista e membro do Comitê Central do PCB

Publicado no Jornal O Poder Popular nº 105 (maio de 2026) – Atualizado em 27/05












Traduzido para o portal International Communist Press, dirigido pelo TKP (Partido Comunista da Turquia): https://icp.org.tr/articles/rare-earths-defense-national-and-popular-sovereignty

A crise de hegemonia dentro do bloco imperialista ganha novos contornos, não somente com a agressão ao Irã, mas também na disputa por recursos estratégicos. No centro dessa disputa, as terras raras e o Brasil ganham atenção especial. A tentativa do governo Trump de impor altas taxas sobre produtos brasileiros esconderam um interesse voraz sobre a posse das terras raras e minerais críticos brasileiros.

O que são as terras raras? De acordo com o portal GGN, “As chamadas terras raras concentram minerais críticos que são importantes para o uso e desenvolvimento de indústrias de energia limpa, eletrônica e medicina, pelo seu uso na fabricação principalmente de baterias.” Também são fundamentais na produção militar. São “um conjunto de minérios pesados e leves de alto valor, em um total de 17 elementos, como o lantânio (La), cério (Ce), praseodímio (Pr), neodímio (Nd), térbio (Tb), disprósio (Dy), entre outros.”

O Brasil só possui menos reservas do que a China, com 44 milhões de toneladas, e o Vietnã, com 22 milhões de toneladas. Brasil e Rússia ocupam o terceiro lugar, com cerca de 21 milhões de toneladas, de acordo com o levantamento do Serviço Geológico dos Estados Unidos, realizado em 2023.

Um capítulo dramático na disputa sobre as Terras Raras ocorreu em 20 de abril, quando a estadunidense USA Rare Earth comprou 100% da companhia Serra Verde, por 2,8 bilhões de dólares, em acordo criminoso articulado pelo neofascista Ronaldo Caiado. A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO), a única de argilas iônicas em atividade no Brasil. É também a única produtora das 4 terras raras pesadas mais críticas e valiosas fora da Ásia.

Movimentos populares, lideranças e parlamentares de esquerda como o camarada Glauber Braga denunciaram esse crime contra nossa frágil soberania, defendendo o monopólio estatal e a criação de uma empresa pública para cuidar do setor. Porém, o governo Lula, atendendo à sua composição de classe (dominada pelas frações da grande burguesia), fez um discurso crítico e tomou algumas medidas judiciais, mas não executou nenhum movimento concreto em defesa da criação da Terrabrás; ao contrário, desautorizou as iniciativas dos parlamentares petistas.

Após o caso da Serra Verde, a Câmara dos Deputados aprovou o PL 2780/2024 que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), com elementos perigosos para nossa frágil soberania e também para o meio ambiente. O PL em questão, que atualmente se encontra no senado, tem vários pontos problemáticos: 1 – descarta a criação da Terrabrás, 2 – mistura intencionalmente os minerais críticos com os chamados “minerais estratégicos”, abrindo brechas para a inclusão de ferro e bauxita nesse guarda-chuva, ou seja, mais benefícios, isenções fiscais e subsídios para os setores parasitários que destroem o meio ambiente e o reforço do Brasil como exportador de matérias primas, 3 – ao ampliar a lógica da exportação de minérios de baixa complexidade, o PL joga no lixo a possibilidade de industrialização de minérios mais complexos e estratégicos, ou seja, o refino fica prejudicado e pior, terceirizado para grandes monopólios internacionais, 4 –  protagonismo do setor privado nacional e internacional entre outras coisas.

A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, da maneira que foi aprovada na câmara e do jeito que se encontra no Senado, só reforça a divisão internacional do trabalho, cujo centro imperialista empurra o Brasil para a condição de país explorado, exportador de matérias primas, com pouquíssima proteção ambiental, com empresas dominadas pelo grande capital internacional, demonstrando mais uma vez o projeto entreguista e subalterno da burguesia brasileira, nas suas mais variadas frações (tanto as que apoiam Flávio Rachadinha Bolsonaro quanto as que apoiam Lula). Mas a batalha não está perdida. Em tempos turbulentos como vivemos, mais do que nunca ter o controle soberano e popular das terras raras está na ordem do dia.

Não apenas para usufruirmos dos lucros da exploração das terras raras para uso em serviços públicos e direitos sociais, mas também para termos a opção de extrair ou não, de como extrair e refinar, de minimizar os impactos ambientais decorrentes dessa atividade produtiva, de usar esses minerais para alavancar políticas de industrialização e criação de empregos de qualidade, entre outras coisas.

A soberania sobre as terras raras através de uma empresa estatal cumpre papel decisivo no acúmulo de forças para fortalecer a nossa soberania e conscientizar o povo trabalhador sobre a importância da nacionalização dos recursos estratégicos. Mas isso somente será possível por meio de uma grande campanha popular em defesa do monopólio estatal das terras raras, conectando esta batalha com a luta estratégica pela verdadeira independência e soberania popular diante do grande capital nacional e imperialista, a luta pela construção de um estado proletário e socialista, a única garantia real de soberania do nosso país.

O Minério é Nosso! Pelo monopólio estatal das terras raras!

Recomendação de leitura: “A Política Nacional de Minerais Críticos não será um instrumento de soberania” – Artigo do economista Diógenes Moura Breda

https://www.cartacapital.com.br/opiniao/a-politica-nacional-de-minerais-criticos-nao-sera-um-instrumento-de-soberania/