terça-feira, 1 de setembro de 2026

O golpe por dentro do Supremo

André Mendonça abre o maior golpe desferido no STF às vésperas da eleição e transforma a própria instituição em campo de batalha da guerra híbrida contra o Brasil

Por  Reynaldo José Aragon Gonçalves (Jornalista) e Luciana Bauer (Jornalista)

Publicado em 1 de setembro de 2026



 

André Mendonça.  Crédito: Victor Piemonte/STF

Às vésperas da eleição presidencial, André Mendonça transforma elementos de uma investigação ainda sem conclusão judicial em combustível para uma guerra interna no STF, rompendo – de forma brutal e sem arcabouço constitucional que o embase – o equilíbrio institucional da Corte. Uma frente de desestabilização que converge com os interesses da extrema direita brasileira e com a ofensiva dos Estados Unidos contra a soberania política e digital do Brasil.

Quando o Estado é colocado contra o próprio Estado

A pouco mais de um mês da eleição presidencial, o golpe mudou de lugar. Em 8 de janeiro de 2023, foi preciso quebrar vidraças, arrombar portas e invadir o Supremo Tribunal Federal. Agora, a desestabilização avança por dentro da própria institucionalidade. André Mendonça, ministro do STF, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral e um dos magistrados responsáveis pela condução do processo eleitoral, retirou o sigilo de material ainda submetido à apuração, expôs uma investigação que alcança integrantes das mais altas estruturas do Estado e lançou o Supremo numa guerra interna cujas consequências ultrapassam qualquer disputa pessoal com Alexandre de Moraes.

É preciso dizer desde o início o que está e o que não está em discussão. Não existe, até aqui, conclusão judicial que permita condenar Moraes pelas informações que emergiram do caso Banco Master. Se houver crime, que seja investigado, provado e punido. O problema é precisamente outro. Antes que a Justiça produzisse uma verdade processual, a suspeita foi lançada ao espaço público como fato político. Em poucas horas, Moraes, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues, servidores do Banco Central e Gabriel Galípolo passaram a habitar a mesma atmosfera de suspeição de forma centripetra e possivelmente coordenada com a imprensa e vazadores que desde a Lava Jato operam impunes. A extrema direita imediatamente transformou essa matéria bruta em arma eleitoral. O STF deixou de aparecer como instituição capaz de processar uma crise e passou a aparecer como parte da própria crise.

É aqui que o acontecimento revela sua verdadeira dimensão. Um golpe no século XXI não precisa começar com tanques diante do Congresso. Pode começar quando os mecanismos do Estado são utilizados de maneira a destruir a confiança no próprio Estado, quando o procedimento antecede a prova, quando o vazamento produz sentença social antes do contraditório e quando uma instituição é empurrada para a guerra contra si mesma. O que André Mendonça abriu não é apenas uma crise no Supremo. É uma fissura no centro do sistema de contenção democrática brasileiro no momento exato em que esse sistema será colocado à prova pelas eleições de 2026. Mendonça hoje foi mais eficaz que as turbas ensandecidas a depredar o Supremo no dia do Golpe. 

Se Cunha iniciou o golpe de 2016. Mendonça pode ter iniciado o próximo golpe de 2027 dando tons de messianismo constitucional ao que podemos taxar de conduta totalmente inconstitucional para com seus pares. 

O Supremo é julgado por um plenário e não pela imprensa. Mendonça não opera mais dentro das quatro linhas do estado de direito.

O ministro terrivelmente lavajatista Mendonça não apenas recebeu informações produzidas pela Polícia Federal. Ele movimentou a máquina. Determinou que a PF elaborasse, em 72 horas, um relatório específico sobre referências a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, separou esse material em uma nova frente processual, abriu vista à Procuradoria-Geral da República e, antes mesmo de uma manifestação conclusiva do Ministério Público, retirou o sigilo e empurrou o caso para o centro da arena pública. Depois, pediu que o assunto fosse levado a uma sessão presencial do Plenário. A sucessão dos atos importa porque revela algo maior do que uma divergência jurídica: uma investigação ainda em formação foi convertida, por decisão institucional, em acontecimento político nacional.

É nesse ponto que o método se torna tão grave quanto o conteúdo. A direção da Polícia Federal reagiu duramente e passou a questionar se o relator havia ultrapassado a função de supervisionar a investigação para assumir um papel ativo na produção de uma linha investigativa própria. Ministros do Supremo falaram em ruptura das regras internas e em um ambiente de vale-tudo. A PGR foi colocada numa posição ainda mais delicada, porque aparece ao mesmo tempo como instituição responsável por controlar juridicamente a investigação e como uma das estruturas atingidas pelas referências reveladas. O resultado é um curto-circuito institucional: quem investiga passa a ser questionado, quem fiscaliza passa a integrar a crise e quem deveria arbitrar o conflito passa a lutar pela própria legitimidade.

A guerra híbrida opera exatamente nessa zona cinzenta. Ela não precisa fabricar documentos falsos quando pode explorar documentos verdadeiros fora de seu tempo processual. Fora da logica constitucional e dos direitos e garantias fundamentais. Não precisa inventar uma acusação quando pode retirar um fragmento de contexto, lançá-lo na circulação pública e deixar que o ecossistema político produza a condenação. O tempo jurídico exige prova. O tempo informacional exige impacto. Quando esses dois tempos entram em choque, vence primeiro quem controla a percepção. 

Por isso, o ato mais poderoso não foi a descoberta de uma mensagem, mas a transformação da investigação em espetáculo antes que a própria investigação pudesse dizer o que aquelas mensagens significavam. A partir desse instante, a Justiça deixou de conduzir sozinha o processo. A opinião pública, as redes, as campanhas eleitorais e os interesses políticos passaram a disputar o sentido do material em tempo real. E quando o sentido é capturado antes da prova, o processo continua aberto nos autos, mas a sentença política já começou a ser executada nas ruas. 

As portas de um novo golpe com STF com tudo estão abertas: um novo golpe com o supremo fragilizado e vilipendiado como estamos vendo por um dos seus próprios ministros sera matéria fácil para ser tragado pelo próximo golpista de plantão em eleições.

É aqui que a crise deixa de ser apenas jurídica e revela sua natureza histórica. A guerra híbrida não precisa destruir o Estado de uma vez. Sua forma mais eficiente é fazê-lo perder progressivamente a capacidade de reconhecer quem o ataca, enquanto suas próprias instituições são empurradas umas contra as outras. O conflito passa a utilizar a legalidade, a informação, a economia, a tecnologia e a disputa eleitoral como partes de uma mesma correlação de forças. Tudo continua aparentemente funcionando. Os tribunais julgam, a polícia investiga, a imprensa publica, as plataformas distribuem, os candidatos discursam. Mas, por baixo dessa normalidade, a autoridade que sustenta o conjunto começa a ser corroída.

A contradição é brutal. O STF, que depois de 8 de janeiro se tornou uma das principais barreiras institucionais contra a extrema direita golpista, passa agora a produzir diante do país a imagem de uma Corte dividida, desconfiada de si mesma e incapaz de estabelecer sequer um terreno comum para processar a própria crise. A Polícia Federal contesta o procedimento de um ministro do Supremo. A Procuradoria-Geral da República é chamada a fiscalizar uma investigação na qual seu próprio chefe aparece mencionado. O Banco Central entra no circuito da suspeição. Em vez de uma instituição proteger a estabilidade da outra, forma-se uma cadeia de atritos capaz de consumir a legitimidade de todas.

‘Há uma aposta muito perversa na desestabilização institucional do Brasil’, alerta Carol Proner

 

Análise da jurista ocorre após divulgação de material sobre mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro

Conteúdo postado por: Leonardo Lucena

Publicado em 1 de setembro de 2026


Carol Proner Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

247 – A jurista Carol Proner denunciou nesta terça-feira (1) que existe no Brasil uma tentativa de levar o País ao “caos institucional, desqualificando advogados, rivalizando juízes, procuradores e a própria Polícia Federal, ao tempo em que favorece estratégias eleitorais sorrateiras”. A integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) sinalizou que investigações técnicas precisam ser preservadas dentro do Supremo Tribunal Federal, mas também alertou contra “uma aposta muito perversa de desestabilização institucional do Brasil” que estaria sendo orquestrada por opositores do governo.

A estudiosa comentou a repercussão do material tornado público pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça sobre trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A PF enviou ao relator o documento com os diálogos. 

“Para quem estuda processo constitucional, o Brasil é o ‘hit’ do momento. A situação de hoje beira o inacreditável e expõe o modelo democrático diante dos grandes arranjos de concentração de poder econômico e político”, continuou a jurista. 

“Manchete de todos os jornais é a escandalosa notícia de que um ministro da Suprema Corte, com base em vazamentos de informações policiais para setores da imprensa, acusa outro ministro de cometer advocacia administrativa, abuso de poder e outros ilícitos”. 

Pedro Serrano

A jurista Carol Proner também destacou a importância da análise feita pelo jurista Pedro Serrano, que deu entrevista à TV 247 nesta terça (1). Em participação no programa Boa Noite 247, o estudioso demonstrou confiança nas investigações do STF e disse que “o plenário do Supremo é soberano na democracia”.

Conforme destacou a jurista Carol Proner, Serrano expôs “a complexidade do problema” em um contexto de “avalanche de fatos e direcionamento para linchamentos midiáticos”. “Serrano identifica a incidência de lógicas cruzadas entre sistema de justiça e sistema midiático, este pretendendo prevalecer sobre o outro”, pontuou ela.

“Naturalmente são sistemas que se relacionam entre si, mas um não pode superar a lógica do outro, sob pena de censura ou cerceamento de defesa e garantias: a jurisdição não pode ser exercida para censurar a imprensa. Por sua vez, a imprensa não pode pretender substituir a jurisdição em juízos de justiça. Esse é o ponto de partida para entender”.

Extrema direita

A jurista defendeu a integridade das investigações, porém não foi à tona que ela citou “aposta perversa”, mesmo sem mencionar a família Bolsonaro e a extrema direita brasileira. Nos últimos anos, políticos bolsonaristas e seus apoiadores estimularam ações golpistas contra o STF.

Além das 29 pessoas condenadas pelo Supremo na investigação sobre o plano golpista elaborado ainda no governo Bolsonaro, ministros da Corte também emitiram mais de 1,4 mil condenações nas investigações dos atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram as estruturas do STF, do Palácio do Planalto e do Congresso. 

Os ataques da família Bolsonaro ao STF aumentaram após setembro do ano passado. No dia 11 daquele mês, magistrados condenaram Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista. 

Marcelo Uchôa

Outro jurista – Marcelo Uchôa – se manifestou sobre o material tornado público pelo STF e comentou sobre cobertura jornalística acerca dos casos Moraes e o do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que mentiu sobre os recursos enviados por Vorcaro ao filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar atualmente após ser condenado por ministros do STF a 27 anos de cadeia na investigação sobre a trama golpista.

O senador da extrema direita havia afirmado que Daniel Vorcaro suspendeu em maio de 2025 os pagamentos destinados a Dark Horse. Mas o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que o ex-banqueiro fez um novo repasse ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, em 16 de setembro do ano passado. O fundo administra os recursos ligados à produção do filme.

A transferência, no valor de US$ 1,6 milhão, ocorreu oito dias depois de Flávio Bolsonaro cobrar de Vorcaro parcelas em atraso. Com esse novo pagamento, o montante enviado pelo empresário ao longa passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, valor superior a R$ 65 milhões.

Os investigadores também apuram se Vorcaro fez outro repasse de US$ 1,6 milhão ao filme. Em 22 de outubro do ano passado, Flávio Bolsonaro procurou novamente o ex-banqueiro. Caso essa transferência tenha ocorrido, o total disponibilizado pelo empresário para investir na produção chegaria a US$ 14 milhões, o equivalente a R$ 72 milhões.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Fundação Perseu Abramo lança livro nos 10 anos do golpe contra Dilma Rousseff

Obra reúne 16 artigos de pesquisadores e lideranças que analisam as origens, os mecanismos e os impactos da farsa do impeachment no país

Conteúdo postado por: Redação Brasil 247

Publicado em 31 de agosto de 2026.



Presidente Dilma Rousseff na tribuna do Senado durante o Golpe de 2016. Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado

247 – Para lembrar os dez anos do processo que resultou no golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff, a Fundação Perseu Abramo, centro de formação política e de produção de conhecimento do PT, em parceria com a Editora Hucitec, lançou a coletânea “O golpe de 2016: origens, mecanismos e consequências”.

O livro reúne 16 artigos que analisam, de forma consistente, todo o ciclo político do episódio, compreendendo desde as suas raízes nas jornadas de junho de 2013 até as suas repercussões e resultados na conjuntura atual.

A obra traz textos de um conjunto diversificado de acadêmicos, jornalistas, pesquisadores e ativistas. Entre os colaboradores estão Paulo Vannuchi, ex-ministro de Direitos Humanos e integrante do Comitê das Nações Unidas contra Desaparecimentos Forçados; Dennis de Oliveira, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e coordenador do Centro de Estudos Latino-Americanos de Cultura e Comunicação (CELACC); Sérgio Amadeu, doutor em Ciência Política pela USP e professor associado da Universidade Federal do ABC (UFABC); e Jessé de Souza, sociólogo, advogado, escritor e professor titular da UFABC.

A organização do volume foi conduzida pela presidente do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo, Eleonora Menicucci — professora titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ex-ministra de Política para as Mulheres —, ao lado dos professores Lincoln Secco, do Departamento de História da USP e coordenador do Grupo de Estudos de História e Economia Política (GMarx-USP), e Ramatis Jacino, do Programas de Pós-Graduação em Economia Política Mundial da UFABC e de História da Unifesp. Os três organizadores também assinam artigos na publicação.

Na contracapa, a deputada federal Gleisi Hoffmann, que atuou como ministra-chefe da Casa Civil no governo Dilma Rousseff e acompanhou o processo no Senado Federal, destaca a dimensão política e de gênero da investida. “Este livro é fruto do compromisso com a verdade e com a memória. Ao reunir diferentes olhares, ajuda a compreender como se construiu a ponte para o futuro, o golpe que afastou Dilma sem base legal consistente. Como senadora da República, acompanhei cada passo daquele processo perverso e truculento. Vi ataques políticos e institucionais e também uma carga misógina evidente na forma de tratar a presidenta e de tentar deslegitimá-la. Não era um combate apenas a uma governante, mas a um projeto que ampliou direitos e o próprio sentido da democracia de 1988 para cá”, avalia a parlamentar.

O prefácio da obra é assinado pelo diretor do Instituto Lula, Paulo Okamotto, que reforça o papel da publicação na disputa pela memória histórica. Okamotto aponta que o afastamento ocorreu sem sustentação jurídica e que a narrativa distorcida prevaleceu sobre a realidade factual: “Há acontecimentos que as classes dominantes insistem em nomear de forma enganosa. O que ocorreu no Brasil em 2016 foi chamado de impeachment, de rito constitucional, de resposta às ruas. Mas quem viveu aqueles dias de perto – quem esteve nos corredores do Palácio do Planalto, quem ouviu o choro contido de trabalhadores e trabalhadoras que, pela primeira vez na vida, haviam se sentido representados por um governo – sabe, no fundo da alma, que aquilo foi um golpe. Este livro existe para que essa verdade não seja engolida pelo tempo”.

Em sua reflexão no prefácio, Okamotto acrescenta ainda: “Dilma Rousseff não cometeu crime de responsabilidade. E isso não era um detalhe técnico: era o centro da questão. Mas, quando a mentira circula mais rápido que a verdade, quando os algoritmos amplificam o ódio e silenciam a razão, os fatos passam a importar menos do que a narrativa. O espetáculo se impõe ao direito. A encenação prevalece sobre a prova”.

Com um total de 432 páginas, o livro reproduz também o discurso proferido por Dilma Rousseff em 31 de agosto de 2016, no plenário do Senado Federal, durante a sessão que consumou a aprovação do impeachment.

A obra “O golpe de 2016: origens, mecanismos e consequências” está disponível para download gratuito no site da Fundação Perseu Abramo, e a versão impressa pode ser adquirida através da loja virtual da Editora Hucitec.

EM TEMPO: Convém lembrar que a ex-presidente Dilma foi reconduzida ao cargo de Presidente do Banco do BRICS + com apoio da China e da Rússia. Lembrando que Putin cedeu a vaga que caberia a Rússia. O ódio da maioria dos  políticos, incluindo do PSB de João Campos, é que, naquela época,  não mandavam na presidente Dilma. Outrossim, aqui em Pernambuco, boa parte dos políticos odeiam a governadora Raquel, porque eles não mandam nela. Ok, Moçada!

domingo, 30 de agosto de 2026

“Trump percebeu que Lula pode vencer”, diz Leonardo Trevisan

 Na visão de Leonardo Trevisan, a conduta do Itamaraty foi determinante para equilibrar o tabuleiro

Conteúdo postado por: Redação Brasil 247.

Crédito: Brasil 247



 

 


247 – O longo telefonema de cerca de uma hora e meia entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reflete uma mudança significativa na postura da Casa Branca em relação ao Brasil. Em entrevista concedida ao jornalista Florestan Fernandes Jr. na TV 247, o professor de Relações Internacionais Leonardo Trevisan avaliou que a disposição de Washington para o diálogo direto e desprovido de arroubos retóricos decorre tanto da pressão de grandes corporações norte-americanas quanto do pragmatismo eleitoral de Trump, que reconhece a força política e a competitividade de Lula no cenário nacional.

Para Trevisan, o gesto de Trump foi calibrado pelo peso de cerca de 6 mil empresas norte-americanas de médio e grande porte que possuem cadeias produtivas consolidadas no mercado brasileiro. A reação imediata de gigantes globais — como Coca-Cola, Tesla e eBay — contra as tarifas impostas pelo governo norte-americano demonstrou que o setor produtivo dos EUA não deseja ver seus interesses sacrificados por movimentações meramente ideológicas.

A disputa geopolítica e o avanço da China

De acordo com o analista, outro fator decisivo para a abertura das conversas em alto nível é o avanço estratégico dos investimentos chineses no Brasil, especialmente em setores de ponta como energia limpa, mobilidade elétrica e minerais críticos, incluindo terras raras.

“A diplomacia empresarial fez de alguma forma Trump perceber que havia uma disputa de espaço no futuro imediato do Brasil. Se os Estados Unidos deixassem para negociar tardiamente, encontrariam esse espaço ocupado por competidores que falam mandarim”, destacou o professor durante o programa.

Trevisan ressaltou o papel de interlocutores pragmáticos, como Richard Grenell — que anteriormente manteve reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin —, em contraponto à ala mais beligerante e ideológica associada ao senador Marco Rubio. Segundo o especialista, o isolamento da ala radical representa uma derrota política interna para os setores que tentavam subordinar a política externa à agenda do bolsonarismo.

Firmeza diplomática do Itamaraty

Na visão de Leonardo Trevisan, a conduta do Itamaraty foi determinante para equilibrar o tabuleiro. Ao sinalizar prontidão para responder com medidas de retaliação e manter a firmeza institucional sem provocações, a diplomacia brasileira forçou o governo norte-americano a sentar à mesa em condições de respeito mútuo e soberania.

Durante a conversa com Florestan Fernandes Jr., o professor pontuou que os argumentos que motivaram o “tarifaço” careciam de fundamentação fática e que a clareza da resposta do governo brasileiro desarmou a narrativa de tutela externa. O episódio consolida uma vitória diplomática e política expressiva para o Palácio do Planalto, demonstrando capacidade de negociação e preservação da autonomia nacional no cenário global.

A íntegra da análise e os bastidores das negociações bilaterais podem ser assistidos no corte da entrevista com o Professor Leonardo Trevisan na TV 247.

https://www.youtube.com/watch?v=XQaOO1reJVk&t=9s

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Miriam Leitão elogia desempenho de Lula em sabatina da Globo: “enfrentou perguntas muito pesadas”

A avaliação ganhou repercussão nas redes sociais após trechos da participação de Miriam serem compartilhados por apoiadores de Lula

Conteúdo postado por:  Laís Gouveia

Publicado em 28 de agosto de 2026

Miriam Leitão.   Crédito: Reprodução



247 – A jornalista Miriam Leitão avaliou positivamente parte do desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sabatina da TV Globo realizada nesta quinta-feira (27). Durante análise exibida no programa Central das Eleições, da GloboNews, ela destacou a forma como o candidato à reeleição respondeu a questionamentos sobre corrupção e, especialmente, sobre as fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.

A avaliação ganhou repercussão nas redes sociais após trechos da participação de Miriam serem compartilhados por apoiadores de Lula. A sabatina foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, em uma entrevista de 40 minutos exibida pela Globo após o Jornal Nacional.

“Eu acho que ele foi bem na primeira parte da corrupção”, afirmou Miriam Leitão ao comentar o trecho inicial da entrevista, marcado por uma sequência de perguntas sobre investigações e episódios envolvendo pessoas próximas ao presidente.

Segundo a jornalista, Lula precisou enfrentar “perguntas muito pesadas” em sequência. Entre as respostas que chamaram sua atenção esteve a relacionada às irregularidades no INSS.

Ao analisar a argumentação apresentada pelo presidente sobre a origem e a investigação do esquema, Miriam classificou a resposta como “muito boa” e acrescentou: “E é verdade”.

Durante a sabatina, Lula afirmou que o esquema de descontos irregulares começou antes de seu atual mandato, em 2019, e sustentou que sua administração foi responsável por investigá-lo e interrompê-lo. A declaração foi uma das respostas dadas pelo presidente diante de uma longa sequência de perguntas sobre denúncias e investigações.

Central Reality no X: “Míriam Leitão sobre a entrevista de Lula na Globo: “Ele foi bem na parte da corrupção. No caso do INSS, deu uma resposta muito boa. Sua atuação no campo social é inegável. Tirou o país 2 vezes do Mapa da Fome e agora chegou ao menor número da história.” https://t.co/eME6aKFWdh” / X

Miriam destaca resultados sociais

Miriam Leitão também ressaltou o desempenho dos governos Lula na área social. Em sua avaliação, os resultados obtidos no combate à fome constituem um dos principais ativos do presidente, embora ela tenha considerado que o petista poderia ter explorado melhor esse ponto durante a entrevista.

A jornalista mencionou a retirada do Brasil do Mapa da Fome e os indicadores recentes de insegurança alimentar como exemplos de resultados que, em sua avaliação, deveriam ter ocupado maior espaço na exposição do candidato.

O comentário chamou atenção justamente porque Miriam também fez ressalvas à atuação de Lula em outros momentos da sabatina. Ela discordou, por exemplo, da maneira como o presidente abordou os efeitos da Operação Lava Jato sobre as grandes empresas brasileiras de engenharia. Sua análise, portanto, combinou críticas pontuais com uma avaliação favorável sobre a capacidade de Lula de responder às questões mais difíceis apresentadas no início da entrevista.

Lula reclama da sequência de perguntas

A concentração da primeira parte da sabatina em investigações também foi comentada pelo próprio presidente. Em determinado momento, depois de perguntas sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, as fraudes no INSS e o senador Jaques Wagner, Lula ironizou o formato da entrevista ao dizer que parecia estar sendo interrogado pelo Ministério Público.

A sabatina desta quinta foi a quarta da série promovida pela Globo com candidatos à Presidência. Antes de Lula, participaram Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Flávio Bolsonaro (PL) está previsto para participar da rodada nesta sexta-feira (28).

EM TEMPO: A Globo  chamou um candidato de Extrema Direita, o qual só faz esculhambar,  e não convidou os candidatos dos partidos de Esquerda, a saber: PCB, UP, PSTU e PCO.   Que acha Moçada dessa artimanha? 

Postura da Globo diante do presidente Lula envergonha o jornalismo brasileiro

Emissora acirra a tradição de ser parcial, agressiva e desrespeitosa com o candidato à reeleição. Entrevista no Jornal Nacional (dia 27.08.26) foi armadilha de provocações

Por Marco Damiani (Editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro)

Publicado em 28 de agosto de 2026

Lula na Globo.  Crédito: Ricardo Stuckert


 


Quem procurou uma entrevista caiu em uma arapuca e assistiu a uma rinha. Era esperado um embate duro entre o presidente Lula e os entrevistadores do Jornal Nacional, César Tralli e Renata Vasconcellos, mas não se podia imaginar que, na prática, houvesse bate-boca, praticamente, do início ao fim. O superfoco da pauta nas investigações da Polícia Federal sobre o filho Fábio Luís e o ex-chefe de gabinete Marcola distorceu a proposta, ainda que mínima, de levar o público a julgar o candidato à reeleição por sua gestão e propostas – e não somente por ele saber ou não se desvencilhar de assuntos incômodos.

O que se teve foram perguntas policialescas, em tom ríspido, repletas de juízos de valores embutidos. Houve uma franca tentativa de fritura do presidente da República. Pensava-se que esse tipo de postura editorial fosse coisa do passado, mas segue atual dentro da Globo. A emissora não gosta de Lula, e deixou claro ontem que esse sentimento só se agrava. Com a sua reeleição em jogo, seria natural dar ao entrevistado o tratamento indicado pelas melhores cartilhas. O de presidente, portanto. Mas chamar Lula, todo o tempo, de candidato mostrou-se adequado demais para os fins de rebaixá-lo. O tipo de decisão que se toma nos bastidores para cumprimento em cena.

O assunto econômico do dia, que dava conta do menor desemprego da história do País e o recorde de 103 milhões de brasileiros com trabalho, não foi sequer mencionado. A ordem era a de superdimensionar problemas e omitir fatos que pudessem ser compreendidos como positivos para o governo.

Nitidamente, Lula mostrou surpresa e desconforto frente aos interrogadores. “Me sinto na Polícia Federal e no Ministério Público”, chegou a dizer, numa clara tentativa de amenizar o clima. Não deu certo. A ideia era mesmo constrangê-lo com questões carregadas de ilações, para esquentar o valor de investigações da PF e buscar caracterizar escândalos no entorno do presidente. Às favas com a falta de provas, a recorrência dessa estratégia e a quebra de protocolos de equilíbrio vigentes na prática do bom jornalismo.

Lula devolveu as perguntas enviesadas na mesma moeda. Ele rebateu a rispidez de Renata na questão do déficit fiscal com fogo nos olhos. Ambos chegaram ao limite da descortesia. Ruim para os dois lados. Nunca se vira antes uma pergunta da jornalista feita daquele modo, quase saindo da cadeira para mostrar indignação, nem uma resposta do presidente entremeada por tanta fúria contida e ironia.

No campeonato de cortes a que a entrevista só iria se prestar, Lula se sai hoje bem melhor nas redes sociais, com sua postura reativa e enérgica, do que os jornalistas em seu modo ataque destemperado. O presidente sofre uma queda por ter negado conhecer a insinuante lobista Roberta Luchsinger, com quem aparece em fotos tiradas em diferentes ocasiões. Hoje será a vez de Flávio Bolsonaro ir ao terreiro do JN. O vale-tudo continua ou agora vai ser diferente?

Assista ao vídeo comentando o Debate:

https://www.youtube.com/watch?v=8HLn8q6IUZE&t=11s

EM TEMPO: Não está bem claro o critério que os órgãos de imprensa utilizam para convidar os candidatos para participarem de entrevistas e debates. O que se sabe é que as emissoras de TV e de Rádio, querendo, podem convidar todos para participarem de entrevistas e dos debates. Mas, a regra eleitoral precisa ser esclarecida quanto a convocação de um candidato de Extrema Direita em detrimento de outros de Esquerda, a saber: PCB, UP, PSTU e PCO. A regra deve ser equitativa, mesmo que haja discordância da resolução adotada. Por fim, acho que a entrevista é mais esclarecedora do que o debate, mas depende da capacidade, profissionalismo e imparcialidade dos jornalistas.  Ok, Moçada!

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

É infantil dizer “eu estava certo”, mas Lula fez muito bem em não comparecer ao debate

 A entrevista foi curta no tempo, mas extraordinária na variedade e na profundidade dos temas

Por Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e escritor.



Luiz Inácio Lula da Silva. Crédito: Ricardo Stuckert

É infantil dizer “eu estava certo”, mas a noite deste domingo, 23.08.2026,  comprovou de forma inequívoca o acerto da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não comparecer ao debate na Band. Quando defendi neste espaço que o presidente não deveria se prestar a um formato falido, desenhado para a provocação rasteira e o espetáculo grotesco, alguns setores da imprensa tradicional insistiram na tese de que a ausência soaria como fuga. A realidade dos fatos e a frieza dos números desmoralizaram esse discurso.

O que se viu na Band não foi um confronto programático de projetos de país, mas uma arena degradada de agressões pessoais e baixarias encenadas. Sem a presença de seu principal adversário — que também compreendeu a inutilidade do evento —, o estúdio foi entregue a figuras marginais do processo político. A cena grotesca de um candidato do MBL exibindo fraldas geriátricas resumiu a indigência do espetáculo: a política reduzida ao pior tipo de “lacração” de internet, sem conteúdo, sem propostas e sem qualquer compromisso com os destinos do Brasil.

Enquanto a Band amargava uma audiência residual de pouco mais de 2 pontos na Grande São Paulo com um debate inteiramente esvaziado, Lula ocupava o centro da atenção nacional na Record. Em apenas 20 minutos de conversa com a jornalista Mariana Godoy, o presidente ofereceu uma aula de comunicação pública e densidade programática.

A entrevista foi curta no tempo, mas extraordinária na variedade e na profundidade dos temas. Em vez de bate-boca estéril, o país ouviu o chefe de Estado falar sobre:

·         Soberania e geopolítica: Lula expôs os detalhes de sua conversa de 1h20 com Donald Trump, demarcando limites claros contra tarifas abusivas e exigindo a industrialização local de minerais críticos e terras raras, superando o modelo colonial de mera exportação primária.

·         Segurança pública: O presidente explicou com clareza a necessidade da PEC da Segurança e a criação de um ministério dedicado para integrar inteligência e asfixiar financeiramente o crime organizado, devolvendo os territórios às populações das periferias.

·         Compromisso social e trabalho: O anúncio articulado com o Congresso sobre o fim da cobrança de importação de pequenas compras populares — a “taxa das blusinhas” — somou-se à defesa enfática do fim da escala 6×1, colocando a qualidade de vida do trabalhador no topo da pauta.

·         Economia real: Com dados concretos, Lula mandou um recado direto à Faria Lima, demonstrando o controle fiscal de seu governo, a queda expressiva da inflação de alimentos frente ao mandato anterior e a necessidade urgente de levar educação financeira às escolas.

·         Postura republicana: Questionado sobre notícias e apurações, reafirmou com firmeza que ninguém está acima da lei e que órgãos de controle devem agir com plena autonomia, assegurando o direito de defesa.

A audiência recompensou a relevância: a Record alcançou mais que o dobro da Band no horário, explodindo em repercussão imediata nas redes sociais.

O contraste foi pedagógico. De um lado, a política rebaixada à pantomima e ao insulto barato para tentar gerar cortes vazios no celular. Do outro, um estadista abordando os problemas reais da população, prestando contas de sua gestão e projetando o desenvolvimento soberano do país. Lula fez exatamente o que um presidente da República deve fazer: recusou o circo e dialogou diretamente com o povo brasileiro.

Assista o vídeo relativo a entrevista de Lula a TV RECORD no domingo 23.08.2026

https://www.youtube.com/watch?v=2Stuq4xzxkQ&t=15s

EM TEMPO: Há alguns anos atrás, o perfil de alguns  candidatos a Presidente, era, digamos, "Padrão FIFA" (rsrsrs), a saber: Ulisses Guimarães, Mário Covas, Lula, Leonel Brizola, FHC, Dilma, Orestes Quércia, Plínio de Arruda Sampaio, dentre outros. Hoje, é baixo nível e incompetência que impera.   OK, Moçada!

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Quaest: Lula empata com Flávio Bolsonaro em SP, RJ e MG e lidera com folga em PE

Presidente Lula abre 35 pontos de vantagem em Pernambuco e aparece numericamente à frente no Distrito Federal

Conteúdo postado por: Aquiles Lins

Publicado em 25 de agosto de 2026



Lula e Flávio Bolsonaro  Crédito: Ricardo Stuckert/PR I Agência Senado

247 – Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) protagonizam uma disputa apertada pela Presidência nos três maiores colégios eleitorais do Sudeste, enquanto o presidente Lula mantém ampla vantagem em Pernambuco. Pesquisas Quaest divulgadas nesta terça-feira (25) também mostram Lula numericamente à frente no Distrito Federal.

Os levantamentos, encomendados pela Globo e publicados pelo g1, apontam empate técnico entre Lula e Flávio em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, consideradas as três unidades da Federação com maior peso eleitoral entre as pesquisadas. Em Pernambuco, porém, a situação é diferente: o petista registra 54% das intenções de voto, contra 19% do senador do PL.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 30%, diante de 29% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.

Na sequência, aparecem Renan Santos (Missão), com 5%; Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Romeu Zema (Novo), com 3%; Augusto Cury (Avante), com 2%; Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi (Democrata), todos com 1%.

Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) foram citados por 0% dos entrevistados. Os indecisos representam 13%, enquanto 12% dizem que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer.

A Quaest ouviu 1.800 eleitores paulistas de 16 anos ou mais entre sexta-feira (21) e segunda-feira (24). A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-06946/2026.

Rio tem Flávio com 31% e Lula com 29%

No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro soma 31% das intenções de voto e Lula registra 29%. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro de três pontos percentuais, o que também caracteriza empate técnico.

Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema têm 2% cada. Augusto Cury aparece com 1%. Samara Martins também registra 1%.

Hertz Dias, Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta, Wilson Grassi e Clariana Barão foram mencionados por 0% dos entrevistados.

O percentual de eleitores ainda sem candidato definido é elevado: 16% se declaram indecisos. Outros 16% afirmam que votarão em branco, anularão o voto ou não pretendem comparecer às urnas.

A pesquisa mostra ainda que 80% dos entrevistados consideram sua escolha definitiva, enquanto 20% admitem que ainda podem mudar de candidato até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Foram entrevistadas 1.302 pessoas de 16 anos ou mais entre sexta-feira (21) e segunda-feira (24). A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE é RJ-08748/2026.

Em Minas, diferença entre os dois é de apenas um ponto

O equilíbrio se repete em Minas Gerais. Flávio Bolsonaro registra 31% e Lula, 30%, diferença de apenas um ponto percentual e inferior à margem de erro do levantamento.

O governador mineiro Romeu Zema aparece em terceiro lugar, com 7%, percentual superior ao registrado por ele nos demais estados pesquisados apresentados pela Quaest.

Ronaldo Caiado e Renan Santos têm 3% cada, enquanto Augusto Cury soma 1%. Samara Martins, Edmilson Costa, Wilson Grassi, Clariana Barão, Hertz Dias e Rui Costa Pimenta aparecem com 0%.

Os indecisos chegam a 17%, o maior percentual entre São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco nos cenários apresentados. Outros 8% dizem que votarão em branco, anularão ou não irão votar.

O cenário divulgado para Minas Gerais considera a disputa sem Pablo Marçal (PRTB). O empresário registrou candidatura apesar de estar inelegível, e sua situação eleitoral ainda depende de decisão da Justiça Eleitoral.

Lula abre 35 pontos sobre Flávio em Pernambuco

Pernambuco apresenta o resultado mais favorável a Lula entre os levantamentos divulgados nesta terça-feira. O presidente alcança 54%, contra 19% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 35 pontos percentuais.

Ronaldo Caiado aparece muito atrás dos dois primeiros, com 3%, seguido por Renan Santos, com 2%. Augusto Cury e Romeu Zema registram 1% cada.

Rui Costa Pimenta, Samara Martins, Wilson Grassi, Clariana Barão, Edmilson Costa e Hertz Dias aparecem com 0%.

Os indecisos representam 11% dos entrevistados, e 9% declaram intenção de votar em branco, anular ou não comparecer.

Assim como em Minas Gerais e no Distrito Federal, o cenário apresentado não inclui Pablo Marçal. Embora tenha registrado candidatura, ele está inelegível, e o Tribunal Superior Eleitoral ainda deverá decidir se poderá disputar a eleição.

Lula também aparece numericamente à frente no Distrito Federal

No Distrito Federal, Lula soma 28% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro aparece com 26%. A diferença de dois pontos percentuais também está dentro da margem de erro de três pontos, configurando empate técnico.

Ronaldo Caiado registra desempenho significativamente maior no DF do que nos quatro estados analisados: 13% das intenções de voto.

Augusto Cury, Romeu Zema e Renan Santos aparecem empatados com 3%. Samara Martins tem 2%. Rui Costa Pimenta, Wilson Grassi, Edmilson Costa, Clariana Barão e Hertz Dias registram 0%.

Os indecisos somam 12%, e outros 10% afirmam que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer.

A Quaest entrevistou 1.104 pessoas de 16 anos ou mais entre 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número DF-06256/2026.

Sudeste concentra disputa mais apertada

Os números revelam uma divisão regional significativa na corrida presidencial. Nos três estados do Sudeste pesquisados, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem separados por no máximo dois pontos percentuais e tecnicamente empatados.

Flávio registra vantagem numérica de um ponto em São Paulo e Minas Gerais e de dois pontos no Rio de Janeiro. Já Lula lidera numericamente por dois pontos no Distrito Federal.

Pernambuco destoa desse padrão. No estado, onde Lula construiu historicamente uma de suas maiores bases eleitorais, o presidente supera a marca dos 50% e mantém vantagem superior a três dezenas de pontos sobre o adversário do PL.

Considerados em conjunto, os levantamentos mostram que a eleição permanece altamente competitiva nos grandes colégios eleitorais do Sudeste, enquanto Lula conserva uma dianteira expressiva em Pernambuco.