sábado, 1 de agosto de 2026

Aos 80, vitalidade de Lula é barreira física contra extrema direita no Brasil e no mundo

Presidente conhece cada verbo de seu papel na defesa da democracia global, e demonstra preparo físico exemplar para desempenhá-lo

Autor Marco Damiani

Marco Damiani é editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro

Publicado em 1 de agosto de 2026.



Luiz Inácio Lula da Silva. Crédito: Ricardo Stuckert

Desde maio, quando completou um giro de entregas de obras públicas pelo País, o presidente Lula já cumpriu mais de 50 agendas fora do Palácio do Planalto. Contando com o Ceará, onde esteve na sexta-feira, 31, ele pisou, discursou e confraternizou-se com o público em nada menos que 10 estados diferentes. Perto de completar 81 anos de idade, em 27 de outubro, Lula vai apresentando ao País – e ao mundo – um show de vitalidade que até os bolsonaristas mais empedernidos reconhecem, invejam e, especialmente, temem.

“Enquanto eu viver, a extrema direita não voltará a governar esse país”, cravou o presidente, em Fortaleza, a milhares de pessoas reunidas na convenção estadual do PT cearense, em que o governador Elmano de Freitas foi conduzido à disputa pela reeleição. Ali, Lula fez ontem seu pronunciamento mais enfático sobre o que se deve esperar dele em termos de garra e disposição na defesa da democracia brasileira e mundial.

“Vou dizer mais: que venha quem quiser. Se quiser vir o Trump, que venha. Se quiser vir o Milei, que venha. Venha quem quiser. Eu não quero ajuda de fora. A única ajuda que eu quero é a ajuda do povo brasileiro para que a gente possa manter a democracia nesse país”, demarcou ele, sem subterfúgios.

Cada passo, gesto e palavra que o presidente tem espalhado pelo País reforçam a barreira ao fascismo que o Brasil – e ele, em pessoa – têm representado, nos últimos quatro anos, desde a derrota de Jair Bolsonaro para o próprio Lula.

Ao mesmo tempo em que sabe de cor e de improviso cada verbo e vírgula de seu papel no chamado teatro das nações, Lula vai apresentando as condições físicas perfeitas para desempenhá-lo. Ajustou o regime alimentar, tornou-se assíduo em atividades físicas e se consolida, hoje, como um exemplo pronto e acabado de força vital que vai além da política. Serve de modelo para toda a população em busca de vida saudável e ativa.

“O presidente demonstra uma condição física e cardiovascular bastante favorável para a sua faixa etária”, atesta o cardiologista Roberto Kalil Filho, médico que acompanha a saúde de Lula nas últimas décadas. “Ele é um exemplo para todas as pessoas dos benefícios que o hábito contínuo de praticar exercício pode trazer como ganho real de densidade óssea, massa magra e controle metabólico.”

No plano político, Lula se destaca nesta campanha como um arauto bem preparado em defesa da democracia. “Eu competi contra o Fernando Henrique Cardoso, contra o José Serra, contra o Geraldo Alckmin”, lembrou o presidente em entrevista recente. “Nunca houve problema, nenhum deles jamais propôs um golpe ou coisa parecida. Mas, depois do Bolsonaro, veio essa radicalização. Não posso admitir que isso prevaleça no nosso Brasil.”

Com uma vida inteira na atividade sindical e política, Lula é, sem dúvida, a celebridade mais conhecida do País. Do alto de seu índice 100% de conhecimento, para usar o jargão das pesquisas eleitorais, ele poderia ter optado por uma campanha com o tradicional fundo biblioteca, em ambientes controlados, enumerando as realizações de sua gestão entre efeitos especiais de vídeo. Ao contrário, está em campo aberto, no meio do povo, exibindo força e vitalidade, com uma presença pessoal que vai se traduzindo em escalada nas preferencias de votos. O fascimo global representado no Brasil pelo bolsonarismo e seus apêndices não chega nem perto desse fôlego todo. Ufa!

EM TEMPO: Infelizmente, à  Esquerda não sabe trabalhar tendo um líder como Lula. O que menos importa é se Lula é de Centro Esquerda ou não. Cada um que faça a sua parte, especialmente ocupando os devidos espaços políticos e apresentando sugestões e reivindicações no próximo mandato do governo Lula. Ok, Moçada!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

UEFA veta negociata de Infantino com família de Trump em torno da Copa do Mundo

Entidade europeia conta com apoio de confederações da Ásia e das Américas contra proposta da gestão Infantino considerada irresponsável

Conteúdo postado por:  Redação Brasil 247

Publicado em 30 de julho de 2026

Gianni Infantino  Crédito: Reuters



247 – A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) endureceu sua posição e anunciou um boicote irrestrito aos torneios organizados pela Fifa caso a entidade máxima do esporte prossiga com o plano de criar uma empresa privada para gerir suas competições e comercializar participações a investidores internacionais. A decisão, tomada após uma reunião de emergência convocada pela confederação europeia, conta com o apoio unânime de suas 55 associações-membro.

De acordo com a Reuters, a Thrive Eternal, uma nova estratégia de investimento lançada pela empresa de capital de risco Thrive Capital, deve ser a principal investidora na subsidiária. A estratégia é um veículo de capital permanente focado em realizar um pequeno número de investimentos de longo prazo em franquias e instituições culturais. O veículo foi fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump. O ex-presidente-executivo da Walt Disney, Bob Iger, atua como consultor.

Segundo o New York Post, Trump quer que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, se torne o próximo secretário-geral das Nações Unidas após a Copa do Mundo de 2026.

O posicionamento europeu estabelece que nenhuma seleção nacional filiada à Uefa participará de qualquer competição sob o guarda-chuva da Fifa enquanto o projeto de privatização estiver em pauta. A exigência para o retorno às disputas é o cancelamento definitivo da proposta e a apresentação de garantias vinculativas de que as competições não serão fatiadas com o setor privado.

A reação da Uefa não é isolada. O movimento ganhou a adesão da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Juntas, as três entidades somam 143 dos 211 membros filiados à Fifa, constituindo uma ampla maioria capaz de inviabilizar os planos da diretoria executiva da instituição.

Em meio ao impasse, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, divulgou um pronunciamento em vídeo na tentativa de defender a iniciativa. Segundo o dirigente, a ideia é submeter o projeto a uma votação formal com todas as federações filiadas e com o conselho da entidade. A proposta prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária na qual a Fifa manteria o controle majoritário.

A Fifa avalia o valor total da FFE em 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 102,3 bilhões). A intenção da entidade é arrecadar 4,2 bilhões de dólares (cerca de R$ 21,5 bilhões) com a comercialização de ações para investidores privados, que passariam a deter uma participação minoritária na empresa. Na justificativa oficial publicada em seu site, a entidade sustenta que o aporte financeiro externo seria decisivo para “alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base”.

Para seduzir as federações nacionais, a gestão da Fifa acenou com um aumento expressivo no repasse financeiro direto a cada país. Os repasses atuais, fixados em 8 milhões de dólares (R$ 41 milhões), passariam para 20 milhões de dólares (R$ 102 milhões) no ciclo até a Copa do Mundo de 2030. Os valores subiriam para R$ 112,5 milhões no ciclo até 2034 e chegariam a R$ 123 milhões até o ciclo de 2038.

A Uefa, no entanto, publicou um manifesto contundente rebatendo a lógica financeira e criticando a conduta política de Infantino. No pronunciamento, a entidade acusa a Fifa de agir com falta de transparência e tentar impor as mudanças de forma coercitiva.

“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados. A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”, destaca a entidade em trecho do manifesto.

A confederação europeia classificou a articulação de bastidores da Fifa como “uma falha profunda de liderança” e um desrespeito à governança do esporte global.

“É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial. 

Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma ‘decisão democrática’, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global”, complementou a Uefa, frisando que sua oposição vai muito além de meras divergências processuais e atinge a essência da preservação do futebol como bem público global.

EM TEMPO: Sendo assim, torna-se imperioso que tanto a CBF, como também as Federações, sejam transformadas em entidades do Estado Brasileiro, ao invés de empresas privadas como atualmente. Só assim, a influência dos patrocinadores, incluindo as BET's,   serão reduzidas a zero. 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

A guerra dos elementos de terras raras

 ·         Artigo

·         29/07/2026

  • Blog do jornalista  Magno Martins
  • - Edição de Ítala Alves


 

 

 

 



Por Mauro Souza*

O mercado de elementos químicos, obtidos de terras raras, se constitui na base de toda a revolução da Inteligência Artificial (IA). Com forte apelo geopolítico, ele se encontra no centro de uma disputa visceral entre a China e o Ocidente.

Encabeçados pelo neodímio, térbio, lantânio, cério e ítrio, dentre outros, estes componentes possuem propriedades cruciais para a miniaturização de tecnologias adotadas em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, medicina e defesa. A demanda desses elementos deve crescer 1.500% até o ano de 2050.

Mais da metade das reservas de terras raras se concentra na China e no Brasil. A China possui 46% das reservas globais e o Brasil, em segunda posição, dispõe de 23%. No entanto, os números sofrem um abalo sísmico após a aplicação da cadeia de valor, necessária para o refino e o decorrente uso pela indústria. A China controla o mercado dos produtos já refinados, com mais de 85% da fatia mundial. O nosso país não dispõe de nenhuma expressão estatística neste quesito.

O Brasil possui a tecnologia de refino e produção, mas apenas em escala de laboratório e plantas-piloto. Na prática, existe uma diferença gritante entre dominar a ciência do refino, e ter capacidade de processar milhares de toneladas por ano, de forma competitiva.

Entidades como o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), o CDTN (Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear) e o IPEN em parceria com a USP já desenvolveram e testaram métodos químicos para o refino de terras raras. Projetos como o CIT SENAI ITR em Lagoa Santa (MG) conseguem separar elementos, produzir ligas metálicas (como NeodímioFerro-Boro) e fabricar pequenos ímãs permanentes, mas em escala reduzida e experimental.

Por um lado, devido ao exercício constante do planejamento de longo prazo e após décadas de subsídios estatais, o custo do refino chinês é imbatível. Por outro lado, o salto de uma planta-piloto para uma refinaria industrial exige investimentos bilionários, mas o Brasil que luta contra a especialização regressiva, não dispõe de um parque industrial pujante, capaz de absorver a produção em larga escala de baterias de carros elétricos ou componentes de defesa.

Ademais, sempre que as mineradoras privadas que operam no Brasil precisam recorrer a capital estrangeiro, os investidores globais exigem o envio do concentrado bruto de terras raras, para refinarias já estabelecidas em países aliados.

Desta feita, diante do risco de uma volatilidade programada pela China e do pragmatismo financeiro do Ocidente, que prefere manter o país na posição confortável de fornecedor de matéria-prima barata, qualquer projeto de refino nacional é visto, pelos bancos e fundos de venture capital, como um empreendimento de altíssimo risco financeiro.

A questão que precisamos aceitar é que nenhuma potência global atingiu a soberania tecnológica, contando exclusivamente com as forças espontâneas do mercado (no Brasil, não será diferente). Nos Estados Unidos (com um Estado comprador e garantidor do financiamento do risco inicial) e na China (com um Estado focado em planejamento central, proprietário de empresas e controlador de ecossistemas), o Estado sempre atuou para absorver o ativo inicial, considerado arriscado demais pelo capital privado.

Sem a intervenção firme do Estado, as forças de mercado continuarão direcionando o Brasil para a exportação de minério e a importação de tecnologia cara. O que se descortina no segmento das terras raras, base da alta tecnologia, da IA e do futuro do comércio global, é a repetição do nosso velho e conhecido “modelo colonial”.

O foco do arcabouço regulatório brasileiro para terras raras é o beneficiamento, atrelado à industrialização interna. O PL 2.780/2024 (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos) compõe o principal marco legal em avanço no Congresso Nacional. Precisamos de celeridade e atenção por parte dos nossos líderes e da sociedade. O mesmo eu digo quanto à Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), que se constitui em uma iniciativa crucial liderada pelo Governo Federal e voltada para a fixação de metas, para verticalizar a produção de ímãs e ligas no país.

No caso das terras raras, ainda dá tempo de reverter o papel de coadjuvante, e surfar dentro de um plano consistente e típico de um protagonista. Vamos em frente, pois temos um compromisso no que tange ao legado que deixaremos para as gerações futuras…

*Engenheiro elétrico com pós-graduação em robótica e mestrado em telecomunicações.

terça-feira, 28 de julho de 2026

China diz que parceria com Brasil tem “papel vital” no fortalecimento do Sul Global

Diplomacia chinesa afirma que fortalecimento da parceria beneficia os dois países e contribui para um mundo mais justo e sustentável

Conteúdo postado por: João Antonio Cunha

Publicado em 28 de julho de 2026



Lula e Xi Jinping Crédito: Ricardo Stuckert/PR

247 – A parceria estratégica entre China e Brasil exerce um “papel vital” para o fortalecimento do Sul Global e para a promoção da justiça e da equidade internacionais, afirmou nesta terça-feira (28) o governo chinês. As informações são da RT Brasil.

Durante entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, comentou a conversa telefônica entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada no domingo (26).

Segundo Lin Jian, os dois países seguem comprometidos com a construção de “uma comunidade com um futuro compartilhado para um mundo mais justo e um planeta mais sustentável”.

Ainda de acordo com o porta-voz, o aprofundamento da cooperação entre Brasil e China contribui diretamente para o desenvolvimento das duas nações e amplia a solidariedade entre os países do Sul Global.

Diálogo entre Lula e Xi

A conversa entre Lula e Xi durou mais de uma hora e abordou a implementação de sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países, além de temas relevantes da agenda internacional.

Os presidentes reafirmaram o interesse em ampliar a cooperação em setores estratégicos, entre eles, inteligência artificial, satélites, processamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. Também celebraram o recorde alcançado pelo comércio bilateral, apontado como um dos principais pilares da relação entre Brasília e Pequim.

Durante o diálogo, Lula defendeu a ampliação dos investimentos chineses no Brasil para diversificar a cooperação econômica além da exportação de commodities. Os dois líderes também manifestaram interesse em avançar nas discussões sobre um acordo entre o Mercosul e a China, reconhecendo a necessidade de construir um entendimento que contemple diferentes setores econômicos dos países  envolvidos.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Miriam Leitão responsabiliza Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro pelas agressões de Milei ao Brasil

Jornalista afirma que governador paulista e candidato do PL contribuíram para a quebra do protocolo diplomático e para a escalada da crise entre Brasil e Argentina

Conteúdo postado por:  Redação Brasil 247

Publicado em 27 de julho de 2026

Milei e Tarcísio Crédito: GPT- montagem






 



247 – A jornalista Miriam Leitão afirma, em coluna publicada no jornal O Globo, que a visita do presidente argentino Javier Milei ao Brasil representou uma grave ruptura dos protocolos diplomáticos e contou com o respaldo político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

Segundo a colunista, Milei desembarcou no Brasil sem comunicar previamente o governo federal, procedimento considerado básico em viagens internacionais de chefes de Estado, mesmo quando classificadas como privadas. Em vez de manter uma agenda institucional, o presidente argentino seguiu diretamente para São Paulo, onde foi recebido por Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes.

Para Miriam Leitão, o governador paulista concedeu a Milei tratamento de chefe de Estado ao recebê-lo com honras oficiais e entregar-lhe a Medalha da Ordem do Ipiranga, a mais alta condecoração do Estado de São Paulo.

Discurso contra Lula e Alexandre de Moraes

Após o encontro com Tarcísio, Milei participou da convenção do PL que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Durante o evento, fez ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou políticas do governo brasileiro e dirigiu ofensas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Na avaliação de Miriam Leitão, o episódio representou uma interferência inédita e desrespeitosa na política interna brasileira, agravando uma das mais sérias crises diplomáticas entre Brasil e Argentina das últimas décadas.

A reação do governo brasileiro ocorreu por meio dos canais diplomáticos. O Itamaraty chamou de volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas e convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos sobre a conduta do presidente de seu país.

Acusações sem provas ampliaram o conflito

A colunista destaca que, ao retornar à Argentina, Milei elevou ainda mais o tom ao conceder entrevista ao jornal Clarín, na qual afirmou, sem apresentar provas, que o governo brasileiro teria financiado uma campanha midiática contra a Argentina após a conquista da Copa do Mundo.

Segundo o presidente argentino, 25% dos recursos dessa suposta campanha teriam origem no Brasil. Miriam Leitão ressalta que a acusação não foi acompanhada de qualquer evidência e carece de fundamento conhecido.

Crise atende interesses políticos de Milei

Na análise da jornalista, mais do que apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei procurou utilizar sua passagem pelo Brasil para fortalecer sua imagem política em meio às dificuldades enfrentadas por seu governo, que registra elevados índices de desaprovação segundo pesquisas de opinião.

Miriam Leitão observa ainda que a estratégia pode trazer custos para a própria Argentina, uma vez que o Brasil é o principal parceiro comercial do país e o principal destino das exportações industriais argentinas. Para a colunista, caberá agora à diplomacia dos dois países trabalhar para reconstruir uma relação que sofreu forte desgaste após os episódios protagonizados por Milei durante sua visita ao Brasil.

domingo, 26 de julho de 2026

Mauro Vieira convoca embaixador argentino após ofensas de Milei

Chanceler cobra explicações formais sobre ofensas do presidente argentino a Lula, Moraes e instituições brasileiras durante convenção do PL

Conteúdo postado por: Luis Mauro Filho

Publicado em 26 de julho de 2026

 
Mauro Vieira. Crédito: Carlos Cruz/MRE

247 – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou neste domingo (26) o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para cobrar explicações formais sobre as ofensas do presidente Javier Milei a Lula, ao ministro Alexandre de Moraes e às instituições brasileiras durante a convenção nacional do PL.

No encontro, Vieira comunicou a repulsa do governo brasileiro às declarações feitas no sábado (25), em São Paulo. Milei participou do evento partidário que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

O Itamaraty considerou especialmente grave o fato de um chefe de Estado estrangeiro ter usado uma agenda política em território brasileiro para atacar autoridades nacionais e o Poder Judiciário.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, afirmou o ministério.

A convocação de Raimondi representa um protesto oficial e permite ao governo brasileiro exigir uma manifestação de Buenos Aires sobre a conduta de Milei. O diplomata argentino foi chamado diretamente ao Itamaraty para receber a posição de Brasília.

Mauro Vieira também determinou o retorno imediato do embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas. A medida é considerada um sinal diplomático duro, adotado quando um país pretende demonstrar insatisfação diante de uma ação entendida como hostil, mas não implica rompimento das relações.

Milei ataca Lula e Moraes em São Paulo

Durante o discurso na convenção do PL, Milei chamou Lula de “presidiário” e defendeu uma mudança de governo nas eleições brasileiras. O presidente argentino também criticou Alexandre de Moraes por ter negado autorização para que ele visitasse Jair Bolsonaro.

A defesa do ex-presidente havia solicitado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, a realização do encontro. Milei contestou a decisão e comparou a situação às visitas recebidas por Lula durante o período em que esteve preso em Curitiba.

“A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández”, declarou.

“Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis”, acrescentou Milei.

Ao falar sobre o magistrado, o argentino usou a expressão “lixo careca”, sem citar diretamente o nome de Moraes. As declarações foram interpretadas pelo governo brasileiro como uma afronta ao Judiciário e às instituições democráticas.

Apoio a Flávio Bolsonaro

Milei declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e relacionou o projeto eleitoral do senador a uma transformação política na América Latina. Em sua avaliação, países da região estariam substituindo governos de esquerda por administrações orientadas por políticas econômicas liberais.

sábado, 25 de julho de 2026

Pela paz mundial, contra a cúpula da guerra

 



 








Jornal AVANTE! – Partido Comunista Português (PCP)

A ci­meira da OTAN re­a­li­zada nos dias 07 e 08 de julho em An­cara, na Tur­quia, in­ten­si­ficou a po­lí­tica de con­fron­tação e guerra deste bloco po­lí­tico-mi­litar agres­sivo e apontou a ainda mai­ores des­pesas mi­li­tares, para be­ne­fício da in­dús­tria do ar­ma­mento e da es­tra­tégia de do­mi­nação do im­pe­ri­a­lismo estadunidense. Em Lisboa e no Porto, como no país an­fi­trião e em muitos ou­tros, o mo­vi­mento da paz fez-se ouvir de­nun­ci­ando os ob­jetivos be­li­cistas da ci­meira e re­a­fir­mando a exi­gência de dis­so­lução da OTAN.

En­quanto na Tur­quia se de­batia a in­ten­si­fi­cação da guerra e se fe­chavam ne­gó­cios mi­li­o­ná­rios com a in­dús­tria ar­ma­men­tista, eram muitos os que fa­ziam ouvir a sua voz em de­fesa da paz e de um mundo mais justo e pa­cí­fico, cons­ci­entes de que a dis­so­lução deste bloco po­lí­tico-mi­litar agres­sivo é fun­da­mental para esse ob­jetivo. De Lisboa e do Porto saiu, ao final da tarde de dia 08, uma sau­dação a «todos os que, em Por­tugal e por todo o mundo, no­me­a­da­mente na Tur­quia, pro­testam contra a po­lí­tica be­li­cista da OTAN e lutam pela paz, em par­ti­cular para os que em An­cara foram alvo de brutal re­pressão».

Nas ações pro­mo­vidas pelo CPPC e a CGTP-IN no Largo José Sa­ra­mago, em Lisboa, e na Pra­ceta da Pa­les­tina, no Porto, es­ti­veram muitos da­queles que todos os dias as­sumem a luta em de­fesa dos di­reitos, das con­di­ções de vida, da de­mo­cracia e da paz. Pelas vozes de Isabel Ca­ma­rinha e Ma­nuela Branco, do CPPC; de Dinis Lou­renço e Paulo Car­valho, da CGTP-IN; dos jo­vens João Queirós e Joana Ma­chado; de Su­sana Ca­nato e Da­niela Costa, que apre­sen­taram; e do co­ronel e mi­litar de Abril José Bap­tista Alves, foi de­nun­ciada a po­lí­tica be­li­cista da OTAN, o papel desta or­ga­ni­zação en­quanto ins­tru­mento de guerra e agressão, braço ar­mado do im­pe­ri­a­lismo dos EUA, e o rastro de des­truição dei­xado pelo mundo.

A guerra, re­cordou-se, pre­ju­dica os tra­ba­lha­dores e os povos – em­bora haja quem ganhe e muito com elas: a vender armas, a des­truir países (como a re­cons­truí-los), a apo­derar-se de re­cursos na­tu­rais, mer­cados e rotas co­mer­ciais. Foi também de­nun­ciado que o au­mento dos gastos mi­li­tares, que a Cúpula de­cidiu in­cre­mentar ainda mais, tem im­pli­ca­ções ime­di­atas na di­mi­nuição do in­ves­ti­mento pú­blico na Saúde, na Edu­cação, na Cul­tura, no Des­porto, na Pro­teção So­cial, na Ha­bi­tação e também nos sa­lá­rios e pen­sões. Lutar por uma vida me­lhor para o nosso povo, por um Por­tugal so­be­rano e de­sen­vol­vido, é também lutar pela paz!

Re­a­firmou-se igual­mente o ca­minho que se impõe: a de­fesa da paz, do de­sar­ma­mento, da co­o­pe­ração, da so­li­da­ri­e­dade com os povos que en­frentam a agressão e a ameaça, o cum­pri­mento dos prin­cí­pios ins­critos na Carta das Na­ções Unidas, na Ata Final da Con­fe­rência de Hel­sin­que e na Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa. A ati­tude as­su­mida em An­cara pelo Go­verno por­tu­guês vai ao ar­repio de tudo isto: total ali­nha­mento com a po­lí­tica de guerra e con­fron­tação e toda a dis­po­ni­bi­li­dade para con­ti­nuar a des­viar re­cursos para ar­ma­mento, que tanta falta fazem em áreas fun­da­men­tais. Daí o com­pro­misso, ali uma vez mais re­a­fir­mado, de que a luta vai con­ti­nuar!

«Nem pre­ci­samos de ir mais atrás no tempo, na his­tória deste bloco po­lí­tico-mi­litar be­li­cista, que contou na sua cri­ação com a di­ta­dura fas­cista por­tu­guesa, a que deu su­porte para 13 anos de guerra co­lo­nial. Basta re­cordar as guerras da OTAN contra a Iu­gos­lávia, o Afe­ga­nistão ou a Líbia e o seu apoio à in­vasão e ocu­pação do Iraque. Basta olharmos para o seu si­lêncio, cum­pli­ci­dade, ou mesmo ativo e pre­pon­de­rante apoio para com a con­ti­nu­ação do ge­no­cídio do povo pa­les­ti­no por parte de Is­rael; a agressão de Is­rael ao Lí­bano; a agressão dos EUA e de Is­rael ao Irã; a ins­ti­gação e pro­lon­ga­mento da guerra na Ucrânia e o afas­ta­mento de uma so­lução pa­cí­fica para este con­flito; o brutal agra­va­mento do blo­queio dos EUA contra Cuba; a agressão mi­litar dos EUA à Ve­ne­zuela bo­li­va­riana e do se­questro do seu pre­si­dente; entre muitos ou­tros exem­plos.» Con­selho Por­tu­guês para a Paz e Co­o­pe­ração

«É com a paz, a re­so­lução pa­cí­fica e po­lí­tica dos con­flitos que é pos­sível efetivar os di­reitos que os tra­ba­lha­dores con­quistam e uma mais justa dis­tri­buição da ri­queza. Aos tra­ba­lha­dores in­te­ressa a so­li­da­ri­e­dade entre os povos, que exige o fim das agres­sões sobre o Lí­bano, o fim da ocu­pação is­ra­e­lense da Pa­les­tina e do ge­no­cídio do seu povo e a garantia de uma Pa­les­tina livre, in­de­pen­dente e so­be­rana, con­dição ne­ces­sária para a paz no Ori­ente Médio; o fim das agres­sões e in­ge­rên­cias sobre os povos da Amé­rica La­tina e do cri­mi­noso blo­queio sobre Cuba. Aos tra­ba­lha­dores e ao povo por­tu­guês só o cum­pri­mento da Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa, no­me­a­da­mente do seu ar­tigo 7.º – que pre­co­niza a abo­lição dos blocos po­lí­tico-mi­li­tares como é a OTAN – in­te­ressa. É dever do Go­verno por­tu­guês cum­prir a Cons­ti­tuição.» Con­fe­de­ração Geral dos Tra­ba­lha­dores Por­tu­gueses – In­ter­sin­dical Na­ci­onal

«A paz não é apenas a au­sência de guerra. Não existe ver­da­deira paz quando mi­lhões de jo­vens vivem sem acesso à ha­bi­tação, quando a pre­ca­ri­e­dade im­pede a cons­trução de um pro­jeto de vida, quando os sa­lá­rios não chegam até o fim do mês, quando se de­grada a es­cola pú­blica, quando se en­fra­quecem os ser­viços pú­blicos ou quando se li­mitam di­reitos con­quis­tados por ge­ra­ções in­teiras de tra­ba­lha­dores e de jo­vens. En­quanto au­mentam a verbas para a guerra, con­ti­nuam a faltar in­ves­ti­mentos na Edu­cação, na Saúde, na Ci­ência, na Cul­tura e na Ha­bi­tação. En­quanto se fala em “se­gu­rança”, eu­fe­mismo para guerra e in­ge­rên­cias mi­li­tares, es­quecem-se da se­gu­rança de quem tra­balha, de quem es­tuda e de quem luta di­a­ri­a­mente para viver com dig­ni­dade. Se há algo que a his­tória nos en­sina é que ne­nhum di­reito nos foi dado.» Comitê Na­ci­onal Pre­pa­ra­tório do 20.º Fes­tival Mun­dial da Ju­ven­tude e dos Es­tu­dantes.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Como se desenvolve a hegemonia financeira e o rentismo ligados ao negócio futebol, demais eventos esportivos e mega shows no espaço global

 

Como fundos de investimento, arenas multiuso e megaeventos articulam a financeirização global e a extração rentista de recursos locais

Roberto Moraes

Engenheiro e professor titular "sênior" do IFF (ex-CEFET-Campos, RJ)

Publicado em 24 de julho de 2026.



 








Jogadores entram em campo para a final da Copa do Mundo.  Crédito: Reuters

A matéria do Valor “Copa fortalece futebol como um dos grandes negócios do planeta” (19 jul 2026) [1], do jornalista Humberto Saccomandi, remete a uma questão que tratei em pesquisa sobre a financeirização e o papel dos fundos financeiros no mundo contemporâneo.

Em 2019, quando lancei o livro “A ‘indústria’ dos fundos financeiros: potência, estratégias e mobilidade no capitalismo contemporâneo” [2], eu chamei a atenção para o papel do setor de eventos (incluindo futebol e mega shows) para a hegemonia financeira e a racionalidade neoliberal em curso.

Como mostra o infográfico (abaixo), há um movimento horizontal transsetorial lubrificado pelo instrumento dos fundos que já garantia uma hipermobilidade ao capital extraído na base da pirâmide destes diferentes setores (petróleo, negócios imobiliários, eventos de futebol, outros esportes e mega shows).









O fato que despertou e deu clareza para a interpretação desse processo se deu a partir do caso da transferência de Neymar (em agosto de 2017) para o PSG por cerca de R$ 800 milhões. O dono do PSG era um fundo árabe, subsidiária do fundo soberano de Abu Dhabi. O fundo também controlava o canal de TV francês que transmitia as partidas e exercia algum controle sobre o campeonato.

A extração dessa grana do futebol de diferentes territórios (nações) dava a mobilidade vertical ao capital que se mistura à extração do capital dos outros setores. As gestoras dos fundos lubrificam esse capital acumulado no andar superior das “altas finanças”, como se referia Giovanni Arrighi. Um esquema colossal que junta a FIFA, COI, donas de marcas de espetáculos que ganharam tração, aos estados das nações centrais e também das periféricas.

Para movimentar e controlar tudo isso, a lógica da financeirização é essencial. Daí surgem as SAFs e outros esquemas que envolvem os clubes, as confederações e agentes nacionais/locais.

Trata-se de um circuito transsetorial lubrificado pelas finanças em que o capital imobiliário que envolve construções e a demanda das conhecidas “Condições Gerais de Produção” em que os Estados entram bancando e os investidores chamam de “legado” para as populações locais, sem perceber o que é extraído.

Observem que, atualmente, não se fala mais em estádios, mas sim em “arenas multiuso” que aproveitam as infraestruturas para os mega shows que também agradam às plataformas de hospedagem tipo Airbnb, que também extraem frações dessas rendas locais. São movimentos que juntam capitalização e valorização, mas, sobretudo, extração de capital local.

Há muitas outras questões interessantes a serem observadas no entorno desses negócios no capitalismo contemporâneo. Uma delas, que vale a pena destacar, é a incrível história de a FIFA também ganhar percentuais nas seguidas vendas de ingressos dos jogos que são revendidos em sua plataforma e com o seu aval. É como se a plataforma da entidade conseguisse também extrair uma fração da renda obtida pelos cambistas, sem nenhum risco.

Para fechar, cito essa outra ideia mais recente da FIFA de realizar o evento da Copa do Mundo em dois ou três países. Em 2026, foi nos EUA, México e Canadá; e a Copa de 2030 está prevista para ser na Espanha, Portugal e Marrocos. Essa é também uma forma de estimular uma disputa entre esses países, extraindo mais das gestões nacionais para os seus interesses, além de ampliar as possibilidades do público envolvido.

Os fatos citados trazem evidências sobre como a hegemonia financeira se ampliou, exercendo um controle ainda maior sobre os negócios globais com extração de rendas nacionais, ainda maior concentração e acumulação de capital, exercida por pequenos grupos rentistas, normalmente ligados às gestoras dos fundos financeiros com controle dos ativos num processo chamado de assetização.

Referências:

[1] Matéria do Valor online em 19 jul 2026. SACCOMANDI, Humberto: Copa fortalece futebol como um dos grandes negócios do planeta. Disponível em: https://valor.globo.com/mundo/noticia/2026/07/19/copa-fortalece-futebol-como-um-dos-grandes-negocios-do-planeta.ghtml

[2] PESSANHA, R. M. A ‘indústria’ dos fundos financeiros: potência, estratégias e mobilidade no capitalismo contemporâneo. Rio de Janeiro: Consequência, 2019.