domingo, 7 de junho de 2026

Após Flávio Bolsonaro trair o Brasil e colocar o Pix em risco, Lula pode vencer no primeiro turno, apontam trackings

Levantamentos internos da oposição indicam queda de até 6 pontos do senador após tarifaço de Trump, associado ao sucesso do Pix










02.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Anúncio à imprensa sobre a inauguração do Instituto Federal Goiano – Campus Catalão, em Catalão - GO. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Redação Brasil 247

247 – A campanha presidenciais já possuem novas atualizações de trackings internos que indicam uma forte queda de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. Segundo informações que circulam nos bastidores, o senador teria perdido entre 4 e 6 pontos após tentar justificar o tarifaço de 25% imposto pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros, que tem como um dos motivos principais o uso do Pix pelos brasileiros, que afeta bandeiras de cartões como Visa e Mastercard.

De acordo com esses levantamentos internos da própria oposição, com margem de variação de ±1% em relação aos dados de ontem, a associação de Flávio Bolsonaro ao ataque comercial dos Estados Unidos contra o Brasil teria se consolidado de forma negativa. O apelido “TarifLávio” teria colado no senador, e aliados já avaliam que não há, neste momento, uma estratégia capaz de reverter o desgaste. 

Tarifaço de Trump atinge Flávio Bolsonaro

A crise se agravou depois que Flávio Bolsonaro tentou atribuir ao presidente Lula a responsabilidade pela tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A declaração foi vista por setores políticos como uma tentativa de defender o presidente Donald Trump, mesmo diante de uma medida que afeta empresas nacionais, exportadores e empregos no Brasil.

A situação ficou ainda mais sensível porque, entre as justificativas apresentadas pelo USTR, o Representante Comercial dos Estados Unidos, aparece o papel do Banco Central do Brasil como regulador e operador do Pix. O órgão estadunidense classificou essa função como possível conflito de interesse, colocando o sistema de pagamentos brasileiro no centro da ofensiva comercial dos Estados Unidos.

A leitura nos bastidores é que Flávio Bolsonaro passou a ser associado não apenas ao tarifaço de Trump, mas também a uma ameaça externa contra o Pix, uma das ferramentas financeiras mais populares do país. A combinação entre ataque comercial, prejuízo potencial às empresas brasileiras e risco ao Pix teria produzido forte reação negativa contra o senador. 

“TarifLávio” cola e preocupa a oposição

Segundo os trackings internos, o apelido “TarifLávio” ganhou tração e passou a sintetizar a percepção de que o senador teria ficado ao lado de Trump em uma disputa contra interesses brasileiros. A avaliação feita por integrantes da oposição é que a narrativa se espalhou rapidamente e dificultou qualquer tentativa de reposicionamento.

O desgaste atinge um ponto sensível da campanha: a imagem de Flávio Bolsonaro como pré-candidato presidencial. Ao defender que “não são as empresas brasileiras que estão sendo tarifadas” e que “quem está sendo tarifado é o presidente Lula”, o senador acabou abrindo espaço para ataques de adversários, que passaram a acusá-lo de minimizar os efeitos econômicos da medida dos Estados Unidos.

Flávio também afirmou que a tarifa seria resultado do que chamou de “sentimento anti-americano” de Lula. Para críticos, a fala reforçou a percepção de alinhamento automático com Trump, mesmo diante de uma decisão considerada hostil aos interesses do Brasil. 

Lula cresce e pode vencer no primeiro turno

Enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta queda nos trackings, Lula teria registrado crescimento entre 2 e 4 pontos, segundo as mesmas informações de bastidores. Os novos números indicariam um cenário de vitória do presidente já no primeiro turno, caso a tendência se confirme nas próximas rodadas de pesquisas.

A melhora de Lula estaria ligada à reação do governo brasileiro ao tarifaço e à defesa da soberania nacional diante da pressão dos Estados Unidos. Nesta terça-feira, o presidente afirmou que está “esperando um telefonema de Trump” para tratar diretamente do tema.

“Você me deve uma reunião e eu devo uma pra você. Porque demos 30 dias para nossos ministros negociarem. Então, eu to esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência”, afirmou Lula.

A fala reforçou a estratégia do Planalto de apresentar o presidente como líder disposto a negociar, mas sem aceitar imposições externas que prejudiquem o Brasil. 

Pix vira centro da disputa política

O envolvimento do Pix nas justificativas dos Estados Unidos adicionou um novo componente à crise. O sistema, utilizado diariamente por milhões de brasileiros, tornou-se símbolo de soberania tecnológica e inclusão financeira. A simples possibilidade de o Pix ser questionado por autoridades estadunidenses provocou reação política imediata.

Para aliados de Lula, Flávio Bolsonaro acabou se colocando em uma posição politicamente vulnerável ao tentar justificar a ofensiva de Trump. A avaliação é que qualquer ataque externo ao Pix tende a ser interpretado pela população como uma ameaça direta ao cotidiano econômico dos brasileiros.

Nos bastidores da oposição, o temor é que a crise deixe de ser apenas uma disputa diplomática ou comercial e passe a ser percebida como uma escolha entre defender o Brasil ou defender Trump. Nesse cenário, o apelido “TarifLávio” funciona como síntese do problema enfrentado pelo senador.

Irã lança mísseis contra território israelense após Israel romper cessar-fogo no Líbano

Teerã reage a bombardeios israelenses em Beirute e reacende risco de guerra regional

07 de junho de 2026

 








Defesas antiaéreas israelenses tentam interceptar mísseis lançados do Irã (Foto: REUTERS/Amir Cohen)

Por  Paulo Emilio

247 - O Oriente Médio voltou a registrar uma forte escalada militar neste domingo (7), após o Irã lançar uma nova ofensiva de mísseis contra Israel. A ação ocorreu em resposta aos recentes bombardeios israelenses em Beirute, no Líbano, e elevou o temor de um conflito regional de maiores proporções. Em comunicado publicado no Telegram, segundo o G1, as Forças de Defesa de Israel informaram que uma nova série de mísseis foi disparada em direção ao território israelense e reforçaram a proibição de divulgação de imagens e informações sobre eventuais locais atingidos.

"Uma nova saraivada de mísseis foi lançada contra o Estado de Israel. Uma nova saraivada de mísseis foi lançada contra o Estado de Israel. As Forças de Defesa de Israel reiteram e enfatizam a proibição de publicar ou compartilhar imagens e localizações dos impactos", informou a mensagem.

Até o momento, não há confirmação de projéteis que tenham atingido o solo israelense. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram interceptações realizadas pelo sistema antimísseis Domo de Ferro. 

Irã lança ofensiva após bombardeios em Beirute

A ofensiva iraniana ocorreu após Israel bombardear um subúrbio de Beirute. Segundo o governo israelense, os alvos eram integrantes do Hezbollah que estariam planejando ataques contra Israel.

O ataque rompeu uma trégua que vinha sendo observada no Líbano e provocou novas tensões diplomáticas na região. O Hezbollah, grupo armado libanês apoiado pelo Irã, permanece como um dos principais focos de confronto na fronteira norte israelense. 

Netanyahu promete resposta militar

Após a ofensiva iraniana, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou que Israel responderá aos ataques. A declaração reforça o cenário de escalada militar e aumenta as preocupações da comunidade internacional sobre a possibilidade de ampliação do conflito para outros países do Oriente Médio. 

Teerã ameaça bases dos Estados Unidos

Além de atacar Israel, o Irã voltou a ameaçar os Estados Unidos. O governo iraniano afirmou que as 19 bases militares estadunidenses instaladas no Oriente Médio voltaram a ser consideradas "alvos legítimos".

A declaração foi feita por Mohammad Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerã nas conversas com Washington. "Eles não estão comprometidos com um cessar-fogo nem acreditam no diálogo e, por meio do bloqueio naval e da violação dos acordos relativos ao Líbano, demonstraram que só entendem a linguagem do poder", afirmou Qalibaf em publicação nas redes sociais.

As ameaças também foram direcionadas a ativos israelenses localizados na região. Os Estados Unidos mantêm instalações militares em países como Emirados Árabes Unidos, Omã, Arábia Saudita, Iraque e Egito. 

Ataque amplia pressão sobre Donald Trump

A nova ofensiva israelense no Líbano também gerou repercussão política em Washington. O episódio ocorre poucos dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Israel não retomaria bombardeios contra o território libanês.

As divergências sobre o conflito aumentaram os atritos entre Trump e Netanyahu. O governo estadunidense defendia a preservação do cessar-fogo, enquanto Israel sustenta a necessidade de continuar as operações contra o Hezbollah.

Na semana passada, Trump declarou que Israel e o grupo libanês haviam concordado com uma trégua na região de fronteira. O entendimento, contudo, não impediu a retomada das ações militares.

Enquanto Irã e Paquistão defendem que o Líbano estava incluído nos entendimentos de cessar-fogo discutidos recentemente, Estados Unidos e Israel sustentam que os acordos abrangiam apenas operações relacionadas ao Irã e aos países do Golfo Pérsico.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Imprensa internacional cita "lobby" de Flávio Bolsonaro junto a Trump contra o Brasil

Financial Times diz que Trump rompeu “trégua” que havia firmado com Lula e “desencadeou uma tempestade política" no Brasil

04 de junho de 2026


 









Manchete do jornal britânico Financial Times (Foto: Reprodução/Financial Times)

Por  Guilherme Levorato

247 - O jornal britânico Financial Times afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rompeu uma “trégua” que havia firmado com o presidente Lula (PT) e “desencadeou uma tempestade política” no Brasil ao anunciar novas medidas contra o país, em meio à articulação atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao governo norte-americano. A reportagem destaca a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a decisão dos Estados Unidos de designar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. 

O jornal associou os anúncios feitos por Washington a “um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro”, em referência a Flávio Bolsonaro, que se reuniu com Trump na Casa Branca pouco antes das medidas contra o Brasil. O Financial Times afirmou que os dois anúncios encerraram a aparente acomodação entre Lula e Trump após a imposição de tarifas no ano passado, uma das maiores alíquotas adotadas sob a política comercial do republicano.

A publicação britânica apontou que a movimentação de Flávio busca aproximá-lo de políticos pró-Trump que venceram eleições recentes na América Latina. O senador tem tentado se projetar no campo internacional ao lado de lideranças alinhadas ao presidente dos Estados Unidos, em um contexto de disputa política interna no Brasil.

Em 28 de maio, os Estados Unidos anunciaram a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida é defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano, mas sofre resistência do governo Lula, que teme a abertura de brechas para intervenções militares norte-americanas no território brasileiro.

Na terça-feira (2), o governo norte-americano apresentou uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ao justificar a medida, Washington criticou o Pix e classificou práticas do governo brasileiro como “irrazoáveis”, alegando que elas “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.

O Financial Times avaliou que Trump “desencadeou uma tempestade política” no Brasil. A reação levou Lula a usar os anúncios recentes para criticar Flávio Bolsonaro, a quem acusou de trair o país ao estimular medidas de Washington contra interesses brasileiros.

O jornal também registrou que Lula passou a chamar a nova proposta de tarifa de “TariFlávio”, em referência ao senador. A expressão foi usada pelo presidente para vincular a ofensiva comercial dos Estados Unidos à articulação política do filho de Jair Bolsonaro (PL) junto a Trump.

A reportagem afirma ainda que Flávio Bolsonaro foi “colocado na defensiva pela proposta de tarifas”. O Financial Times citou um vídeo no qual o senador, pré-candidato à Presidência, diz ter pedido a Trump que não impusesse novas taxas ao Brasil.

Apesar da repercussão, o jornal avaliou que Trump “não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro”. Ainda assim, a publicação observou que uma série de sinais foi amplamente interpretada no Brasil como indício de apoio a Flávio Bolsonaro.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Lula reage à sabotagem bolsonarista e deve abrir nova negociação com Trump

Presidente vai insistir em cooperação no combate ao crime organizado e busca evitar medidas contra o sistema financeiro brasileiro

01 de junho de 2026



 

Lula e Donald Trump - 23 de setembro de 2025 (Foto: Reuters)

Por Otávio Rosso

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende abrir um canal direto de diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender uma estratégia baseada na cooperação internacional no combate ao crime organizado e evitar medidas que possam gerar impactos negativos ao sistema financeiro brasileiro. As informações são do G1.

Ainda não há uma data definida para a conversa entre os dois chefes de Estado. A iniciativa do governo brasileiro ocorre em meio às discussões sobre possíveis medidas adotadas pelos Estados Unidos após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que o fortalecimento da cooperação entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado pode ser uma alternativa mais eficaz do que ações que acabem produzindo efeitos sobre o sistema financeiro nacional. O governo brasileiro também acompanha com atenção o cenário comercial e busca evitar novos aumentos de tarifas sobre produtos exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.

Segundo o G1, há preocupação de que eventuais medidas mais duras adotadas pelos Estados Unidos possam provocar insegurança entre investidores e afetar o fluxo de investimentos americanos no país. Nesse contexto, Lula pretende reforçar a necessidade de preservar as relações econômicas bilaterais e ampliar a colaboração entre as autoridades dos dois países.

No campo político, o presidente brasileiro deverá manter o discurso em defesa da soberania nacional. Conforme a reportagem, a estratégia segue a mesma linha adotada pelo governo durante as disputas envolvendo tarifas comerciais aplicadas a produtos brasileiros, enfatizando a autonomia do país diante de decisões externas que possam afetar sua economia.

A movimentação também ocorre em meio à disputa política interna. Integrantes do grupo ligado ao senador Flávio Bolsonaro avaliam que a decisão dos Estados Unidos de enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas altera o cenário do debate político. De acordo com a reportagem, aliados do parlamentar acreditam que o tema poderá ser utilizado para criticar o governo federal.

Nos bastidores da campanha ligada ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, entretanto, também há preocupação com questionamentos envolvendo sua relação com o empresário Daniel Vorcaro. Um interlocutor de Flávio Bolsonaro afirmou ao G1: “Ganhamos tempo, mas não podemos ter nenhuma nova surpresa e explicar de forma crível sobre como o filme Dark Horse foi financiado”.

A expectativa do governo brasileiro é que o diálogo direto entre Lula e Trump contribua para reduzir tensões e fortalecer mecanismos de cooperação bilateral, preservando tanto os interesses econômicos quanto os esforços conjuntos de combate às organizações criminosas transnacionais.

sábado, 30 de maio de 2026

‘Brasil tem que ter capacidade de dissuasão para defender soberania’, diz Celso Amorim

É preciso 'aumentar o custo de uma aventura intervencionista', diz ex-chanceler em Moscou

30 de maio de 2026

Celso Amorim (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)



 





Redação Brasil 247

Por Marco Fernandes e Serguei Monin (Brasil de Fato) - O assessor especial da presidência brasileira, Celso Amorim, participou do Fórum Internacional de Segurança de 2026 em Moscou nesta semana. Além de ter se reunido com algumas das principais autoridades do governo russo, Amorim concedeu uma entrevista exclusiva ao Brasil de Fato na qual comentou os conflitos atuais e questões de soberania brasileira.

O tema inclusive ficou em alta nos últimos dias após o governo dos Estados Unidos ter classificado o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Amorim foi um dos primeiros a reagir à divulgação em nome do governo brasileiro. H

Em discurso, o assessor afirmou que “outra grave ameaça à segurança [brasileira] é o crescimento do crime organizado. O governo brasileiro está agindo decisivamente para desmantelar redes criminosas, inclusive aumentando as penalidades legais e trabalhando em estreita colaboração com as autoridades locais para reforçar suas capacidades. O crime organizado deve ser combatido com o máximo de energia e determinação. Equiparar o crime organizado ao terrorismo, no entanto, não é útil. Compreender as motivações é essencial para a eficácia do combate a todos os tipos de crime.”

Na entrevista ao Brasil de Fato, sobre o atual estado da relação com o país, ele crê que haja um estreitamento, mas “também falei francamente com os russos. O maior déficit comercial que o Brasil tem é com a Rússia. Então, isso tem que mudar”. Por outro lado, politicamente, “há uma grande reaproximação. Há 11 anos […] não havia reunião de alto nível [da Comissão de Alto Nível Brasil-Rússia].”

Em relação aos diversos ataques de Washington pelo mundo, Amorim expôs a condenação do governo brasileiro à invasão da Venezuela, à guerra contra o Irã e se mostrou muito preocupado com a situação em Cuba: “Eu acho que uma solução de força não vai dar certo e vai implicar em muita morte, muito sofrimento”.

Amorim relembrou, com detalhes, a tentativa brasileira e turca de mediar um acordo nuclear com o Irã em 2010, a pedido do então presidente estadunidense Barack Obama, e lamentou que não se tenha chegado a um acordo na época: “Podiam ter criado uma comissão para acompanhar o cumprimento do acordo, se surgissem algumas dúvidas, mas tudo o que nos foi pedido em relação ao Irã foi obtido“.

Por fim, o chanceler dos dois primeiros mandatos do presidente Lula e ministro da Defesa da presidente Dilma Rousseff levantou um debate fundamental para o Brasil — em meio à ofensiva imperialista de Washington e à remilitarização de países como Alemanha e Japão — sobre o que é preciso para defender nossa soberania: “Você tem que ter capacidade dissuasória. Eu acho que isso é o mínimo para você atuar nas relações internacionais. É muito bom ser pacifista, é muito bom procurar o diálogo, mas ter um apoiozinho na hora do vamos ver”.

Confira a entrevista completa:

Brasil de Fato: Em junho do ano passado, logo após os primeiros bombardeios dos EUA contra o Irã, na Guerra dos Doze Dias, o senhor deu uma entrevista ao vivo na TV e disse: “A ordem internacional acabou”. Depois daquilo, já tivemos os assassinatos extrajudiciais de pessoas em barcos pesqueiros no Caribe, a invasão da Venezuela, mais uma guerra contra o Irã, e Cuba pode ser a próxima. Como o Brasil está reagindo a isso?

Celso Amorim: O presidente Lula tem como base a ideia do diálogo. Você acabou de ver que, apesar de tudo que aconteceu antes, recebeu um convite para os Estados Unidos. Foi lá, conversou, estamos conversando sobre comércio, podemos conversar sobre outros aspectos.

Eu acho que o presidente Trump foi muito respeitoso no diálogo conosco. Isso é uma coisa positiva. Agora, indiscutivelmente, nós condenamos o que ocorreu na Venezuela e estamos muito preocupados com Cuba, muito mesmo. Eu comentei algo, acho que com o Lavrov: “Nós estamos aqui em Moscou. A Cuba comunista já tem quase o mesmo tempo que existiu a União Soviética. E a União Soviética é a marca do século 20”. Então, é uma coisa muito dramática.

Já tentaram de tudo, fizeram boicote, embargo. Eu não sei o que mais podem tentar. Eu acho que será muito difícil tentar conseguir uma coisa [como na Venezuela]. Eu também não esperava que acontecesse o que ocorreu na Venezuela, mas acho que em Cuba ainda é mais difícil.

Eu acho que, embora possa haver insatisfação com a situação econômica, com outros aspectos também — eu não estou defendendo o sistema —, Cuba poderia evoluir, mas eu acho que uma solução de força não vai dar certo e vai implicar em muita morte, muito sofrimento. E eu acho que Cuba tem um lado simbólico na América Latina, mesmo para os países que não concordam com o regime.

Também não há uma percepção de que eles estão over-extending, não a capacidade militar, que todo mundo sabe que é enorme, mas até a capacidade política de mobilização. Tem um filme que eu vi quando era criança, era um filme estadunidense, chamava “Um Fio de Esperança”. Era um avião que estava ameaçado. Então, quando houver um fio de esperança, a gente tem que trabalhar e ir nele. Antigamente, eu falava em “brecha”, mas hoje as brechas já estão muito curtas, então tem que ir em um fio de esperança.

E o presidente Lula falou sobre Cuba com o Trump nessa última visita?

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Brasil vê Rússia como parceira na defesa de um mundo multipolar, afirma Celso Amorim

Assessor especial da Presidência disse que diálogo e reforma da ONU são prioridades da política externa brasileira

27 de maio de 2026



O assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim (Foto: Roque de Sá/Ag. Senado)

Por Otávio Rosso

247 - O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que o Brasil considera a Rússia um país alinhado à defesa de uma ordem mundial multipolar. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o diplomata destacou a importância do diálogo entre as nações e defendeu soluções pacíficas para conflitos internacionais.

Segundo Amorim, a política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca manter interlocução com diferentes potências globais. A declaração foi dada durante agenda internacional em que o assessor também se reuniu com representantes do governo russo.

“O Brasil quer ter bom diálogo com todos os países do mundo, sobretudo os países que têm grande influência no que acontece na política mundial”, afirmou Amorim à Sputnik Brasil.

O assessor citou encontros recentes do presidente Lula com líderes internacionais e destacou sua participação em conferências internacionais, além do contato com autoridades russas, como o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Serguei Shoigu, e o chanceler Sergey Lavrov.

Para Amorim, o entendimento entre os países exige disposição para ouvir diferentes perspectivas. “Acho que contribuem para haver um maior entendimento, cada um expor suas razões, mas não só expor as suas razões, mas ser capaz de entender também as razões dos outros e procurar uma solução pacífica entre as questões”, declarou.

Ao defender a tradição diplomática brasileira, o assessor ressaltou o histórico de estabilidade regional da América do Sul. “O Brasil tem fronteiras com 10 países. Há 150 anos não temos uma guerra. Então é possível. É possível”, disse.

Amorim também argumentou que divergências internacionais podem ser solucionadas por meio da diplomacia e da negociação. “Você pensa que não tem problema? Tem problema, mas a gente resolve pacificamente, na discussão, na fala, na conversa”, afirmou.

Sobre a relação com Moscou, o diplomata declarou que o Brasil identifica na Rússia uma compreensão semelhante à brasileira sobre a necessidade de mudanças na governança global. “Eu acho que o Brasil vê a Rússia como um país que tem uma compreensão de que é necessário um mundo multipolar, como eles mesmos falam”, disse.

Na avaliação de Amorim, a principal expressão institucional dessa multipolaridade seria a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “A expressão jurídica da multipolaridade é estar lá no Conselho de Segurança”, concluiu.

terça-feira, 26 de maio de 2026

'Essa turma está gabaritando a lista de crimes contra o País', diz Pedro Uczai ao citar Castro, Vorcaro e Flávio Bolsonaro

Líder do PT citou aportes de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência no Banco Master. "É um jogo sujo e criminoso contra o povo brasileiro!", afirmou o petista

26 de maio de 2026


Pedro Uczai e o cartaz postado em rede social (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados I Reprodução)


247 - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, fez duras críticas nesta terça-feira (26) ao apontar ligação entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O parlamentar comentou a nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas sobre aportes de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência, fundo responsável por benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro.

“Essa turma está gabaritando a lista de crimes contra o país! É um jogo sujo e criminoso contra o povo brasileiro!”, escreveu o parlamentar nas redes sociais. “Não existem coincidências nessa história! Hoje, a Polícia Federal mira pela segunda vez o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro por crimes financeiros envolvendo o Banco Master. A suspeita é que ele teria feito aportes de R$ 3,7 bilhões de recursos públicos do Rio de Janeiro para o conglomerado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro”, acrescentou o petista.

A apuração da PF investiga aportes de R$ 3,7 bilhões de recursos públicos do Rio de Janeiro para o conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com a investigação, o dinheiro saiu do Rioprevidência, fundo que administra benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado.

O parlamentar do PT destacou esse ponto ao associar o caso à relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. “O dinheiro, segundo a investigação, partiu do Rioprevidência, o fundo que gere os benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado. E vocês sabem quem é muito amigo, ‘irmãozão’, de Daniel Vorcaro? Flávio Bolsonaro! Isso é um escândalo”, escreveu.

A Operação Compliance Zero apura um esquema de fraudes financeiras que tem o Banco Master como principal alvo. Conforme investigadores, as irregularidades movimentaram ao menos R$ 12 bilhões. 

A nova fase da apuração ocorreu dias após o site The Intercept Brasil apontar, no último dia 13, que o pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Vorcaro um financiamento de R$ 134 milhões para ser investido no filme Dark Horse, um retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar atualmente por ter sido condenado a 27 anos de reclusão no inquérito da trama golpista. 

A PF cumpriu 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal nesta terça-feira. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu as ordens judiciais.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Kremlin cobra reação do Ocidente a ataque de Kiev em escola de Lugansk

Moscou cobra condenação internacional após mortes em dormitório estudantil

25 de maio de 2026

Equipes de resgate atuam entre os escombros de um dormitório destruído no Colégio Starobilsk, em Luhansk (Foto: Ministério de Situações de Emergência da Rússia na Região de Luhansk/Divulgação via Reuters)




Redação Brasil 247

Marco Fernandes e Serguei Monin, Brasil de Fato - As equipes de resgate concluíram, no último sábado (23), as operações de busca no local do bombardeio das Forças Armadas da Ucrânia em um dormitório estudantil em Starobelsk, na região de Lugansk. De acordo com o serviço de imprensa do Ministério para Situações de Emergência da Rússia, os corpos de 21 vítimas foram encontrados.

“As operações de busca em Starobilsk, no local do desabamento do dormitório da Universidade Pedagógica de Luhansk, foram concluídas. Todos os corpos das vítimas foram recuperados dos escombros. Um total de 63 pessoas ficaram feridas, 21 das quais morreram”, diz o comunicado.

Nesta segunda-feira (25), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, criticou os países do Ocidente por não condenarem o ataque ucraniano no dormitório estudantil.

“Não vimos nenhuma ação que pudesse ser percebida como uma condenação a este ataque terrorista bárbaro contra jovens. Isso é tudo o que pode ser dito neste contexto”, disse Peskov.

Um ataque de drones ucranianos na região de Lugansk, na madrugada da última sexta-feira (22), atingiu um dormitório estudantil. Inicialmente, foi informado que seis crianças haviam morrido, mas as autoridades locais informaram que ainda havia outras sob os escombros. No sábado (23), as buscas foram concluídas e a região de Lugansk declarou um luto oficial nos dias 24 e 25.

O território da autoproclamada República Popular de Lugansk, localizado no leste ucraniano, foi anexado formalmente pela Rússia em setembro de 2022, junto com as regiões de Donetsk, Kherson e Zaporyzhye. No entanto, Moscou não possui pleno controle da região, onde acontecem intensos combates na linha de frente do conflito.

Jornalistas estrangeiros visitam local do ataque

Mais de 50 jornalistas estrangeiros de 19 países viajaram para Starobelsk após o ataque das Forças Armadas da Ucrânia. A reportagem do Brasil de Fato esteve presente na comitiva organizada pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Nesta segunda-feira (25), o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, declarou que diversos veículos de comunicação ocidentais decidiram não se deslocar a Starobelsk para observar o local do ataque.

“Notamos que diversos veículos de comunicação ocidentais decidiram não ir até lá sob vários pretextos. Isso não favorece a imagem desses veículos; não agrega credibilidade às informações que eles divulgam”, disse Peskov.

Ao receber os correspondentes internacionais, o governador de Lugansk, Leonid Pasechnik, afirmou que “as vidas das crianças são intocáveis, não há justificativa para atos como esse”.

“Primeira vez que tantos jovens são assassinados […]. Ataques violentos dos fascistas como esse são inaceitáveis no século 21, mas vamos encontrar os culpados e julgá-los segundo leis internacionais, pois se trata de um crime de guerra. Os pais desses jovens não puderam entender por que esses ataques aconteceram”, afirmou.

Já a alta comissária da Rússia para os Direitos Humanos, Yana Lantrapova, acusou o governo ucraniano de mentir sobre o bombardeio de drones lançado em Lugansk. Kiev havia afirmado que o ataque teve como alvo instalações militares russas.

“Vocês podem ver a hipocrisia, as mentiras. Vocês só veem os pertences das crianças, de civis; não há instalações militares ou pessoal militar aí dentro, era só uma escola. Essas crianças queriam se tornar professoras, engenheiras, programadoras; elas queriam ter um futuro, elas eram criativas, mas sua vida foi encurtada”, afirmou.

No momento do ataque, 86 adolescentes estavam no dormitório. Foi declarado estado de emergência na cidade. O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, descreveu o incidente como um “crime monstruoso do regime de Kiev”, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, classificou o bombardeio como um ataque terrorista e instruiu o Ministério da Defesa a preparar propostas de resposta.

Retaliação russa

No domingo (24), as forças russas atacaram a capital ucraniana, Kiev, com o míssil hipersônico “Oreshnik”. De acordo com a Força Aérea Ucraniana, o ataque envolveu 600 drones e 90 mísseis, dos quais 549 e 55 foram interceptados, respectivamente.

Ataques ocorreram próximos a prédios de governo, escolas, universidade e prédios residenciais deixando quatro mortos e 55 feridos.

O Ministério da Defesa russo, por sua vez, afirmou que o ataque maciço com mísseis e drones, incluindo o míssil Oreshnik, teve como alvo alvos militares. Moscou não comentou sobre os danos em Kiev e as vítimas civis.

sábado, 23 de maio de 2026

A captura do Congresso pelo embuste do bolsonarismo e pelo fisiologismo do Centrão

A herança maldita deixada pelos governos de Temer e Bolsonaro produziu uma avalanche de parlamentares inescrupulosos

23 de maio de 2026

Por Elisabeth Lopes (Advogada e Professora)



Câmara dos Deputados, Congresso Nacional (Foto: agência Brasil)

A degradação de alguns segmentos da política brasileira não ocorreu por acaso. Ela foi sendo construída ao longo dos últimos anos por meio da corrosão deliberada da representação legislativa, do fisiologismo pernicioso e da transformação do mandato parlamentar em instrumento de negócios privados e guerra ideológica. O que deveria ser espaço de representação popular converteu-se, em larga medida, num feudo de interesses capturado por setores do Centrão oportunista e da extrema direita bolsonarista, cuja lógica política gira menos em torno do interesse nacional e mais da autopreservação do poder e do dinheiro.

A herança maldita deixada pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, ao empoderar o Congresso por meio do sequestro progressivo do orçamento público, alimentou uma avalanche de parlamentares inescrupulosos do Centrão fisiológico e da extrema direita. Consolidou-se um modelo político baseado na chantagem institucional, no rateio de verbas públicas e no fortalecimento de currais eleitorais sustentados por envios de emendas sem a devida transparência.

O Congresso Nacional, atualmente dominado por esses mesmos setores políticos eleitos em massa no auge da onda bolsonarista, transformou-se num ambiente permanente de embates marcados pela desinformação, pela defesa absoluta das poderosas bancadas aglutinadas no parlamento, pela defesa de pautas ultraliberais em detrimento das necessidades da maioria da população brasileira, pela agressividade verbal, pela autopromoção digital, pelo oportunismo. Nesse cenário, parlamentares progressistas muitos deles preparados, conhecedores dos problemas estruturais do país e defensores de pautas sociais relevantes enfrentam enormes dificuldades para estabelecer um debate qualificado diante de discursos radicalizados, rasos e frequentemente sustentados por ataques, fake news e encenações midiáticas voltadas às redes sociais. 

A deterioração do nível político e institucional do Legislativo fica evidente quando a lógica do espetáculo e dos interesses eleitorais passa a prevalecer sobre o compromisso com o interesse público. A recente derrubada de trechos cruciais dos vetos do presidente Lula à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 evidencia de modo inequívoco esse processo de degradação. A articulação conduzida pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para flexibilizar restrições à transferência de recursos públicos em período pré-eleitoral foi interpretada por amplos setores como uma manobra de natureza essencialmente eleitoreira. Na prática, abre-se espaço para que prefeitos e governadores aliados sejam irrigados com verbas e benefícios públicos às vésperas das eleições, enfraquecendo mecanismos mínimos de responsabilidade fiscal e comprometendo a isonomia do processo eleitoral. O objetivo está centrado na ampliação do poder político e eleitoral utilizando o Estado como instrumento de barganha.

Centrão e extrema direita transformaram o voto em commodity política. O caso envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que terceirizou seu mandato em favor dos atuais investigados por ilicitudes financeiras, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o dono da Refit, empresário Ricardo Magro, alvo da Operação Sem Refino por fraudes bilionárias, tornou-se símbolo desse modelo promíscuo de poder. As investigações e revelações sobre transferências milionárias da Refit para empresas ligadas à família do senador evidenciam como parte significativa dessa elite parlamentar opera em estreita sintonia com interesses empresariais e financeiros. O mandato deixa de representar o eleitor para servir como extensão de grupos econômicos, instituições financeiras e operadores de influência. Para os mais sagazes desse sistema, a política converteu-se em grande centro de negociatas e quanto mais vantagens oferecem ao poder econômico, maior o retorno financeiro, maior a proteção política e maior o valor de mercado de sua influência dentro do Congresso.

Em geral, a atuação do bloco bolsonarista é frequentemente marcada pela truculência verbal, pela ausência de preparo ético-político e pela incapacidade de construir consensos mínimos em favor do país. Muitos desses parlamentares parecem atuar menos como representantes da população e mais como influenciadores digitais especializados em produzir cortes virais, ataques pessoais e campanhas de desinformação. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tornou-se um dos símbolos dessa atuação baseada em lacração permanente, vantajosa inclusive para negócios pessoais, estratégia replicada por diversos parlamentares do Partido Liberal, entre outros de mesmo viés ideológico. Sua atuação é tão deletéria e contrária à proteção das mulheres e crianças, que na quinta feira desta semana apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para tentar suspender os importantes decretos assinados pelo presidente Lula, com a velha justificativa de que esses contrariam a liberdade de expressão. 

Vale assinalar que os decretos governamentais estabelecem diretrizes que estipulam um limite de duas horas para que as plataformas digitais removam postagens com apologia a crimes e conteúdos de nudez, inclusive os gerados sinteticamente por IA, a partir do recebimento da notificação. As redes também deverão conter o engajamento de linchamentos virtuais focados em mulheres. Todo esse processo será supervisionado pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Já no Senado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acumula episódios envolvendo disseminação de desinformação e sucessivas controvérsias públicas. Sua trajetória política sempre esteve acompanhada por acusações, contradições e narrativas desmentidas posteriormente pelos fatos. O problema não reside apenas na mentira ocasional da política tradicional, mas na institucionalização da mentira como método permanente de mobilização política.