Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)
As recentes ações do
governo Trump contra o Brasil desmontam definitivamente as ilusões daqueles que
acreditavam ser possível estabelecer uma relação de confiança com o
imperialismo estadunidense. Mais uma vez, confirma-se uma verdade histórica:
como o PCB vem alertando há bastante tempo, o imperialismo não tem amigos,
parceiros ou aliados permanentes. Tem apenas interesses. E seus interesses
significam a submissão dos povos, o controle dos mercados, a apropriação das
riquezas estratégicas e a imposição de governos dóceis aos seus desígnios.
Em poucos dias,
Washington desencadeou uma nova ofensiva contra nosso País. Primeiro,
classificou o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, criando
um perigoso precedente para justificar futuras ingerências em assuntos internos
brasileiros. Em seguida, anunciou novas barreiras comerciais e tarifas contra
produtos nacionais, utilizando argumentos ridículos e arbitrários para atacar
setores da economia brasileira e pressionar o governo Lula.
Não satisfeitos, os
representantes do imperialismo passaram a questionar a nossa soberania,
afirmando que o Brasil representa um desafio para os Estados Unidos porque não
se alinha totalmente aos interesses da política externa estadunidense, deixando
evidente que o verdadeiro problema não é o comércio, a segurança pública ou
qualquer outra justificativa apresentada. O problema é que o Brasil não atende
integralmente os interesses de Washington. Tais medidas, portanto, visam apenas
criar pretextos para chantagear o país e saquear nossas riquezas.
O elemento mais
revelador dessa ofensiva foi a explícita demonstração de apoio político ao
bolsonarismo. Ao elogiar publicamente Flávio Bolsonaro, Trump deixou evidente
que a extrema-direita brasileira continua sendo sua principal aposta para
ampliar a influência dos EUA sobre o Brasil. O imperialismo já escolheu seu
candidato preferencial porque sabe que o bolsonarismo representa a corrente
política mais submissa aos interesses estrangeiros e mais hostil à soberania
nacional e popular.
Esse episódio revela,
mais uma vez, o papel vergonhoso da extrema-direita como verdadeira quinta
coluna do imperialismo dentro do nosso país. Enquanto posa de patriota diante
das câmeras, conspira nos bastidores contra os interesses nacionais. Enquanto
se enrola na bandeira brasileira, ajoelha-se diante da bandeira dos Estados
Unidos. Enquanto discursa sobre soberania, trabalha para transformar o Brasil
numa colônia subordinada aos interesses de Washington.
Flávio Bolsonaro
encarna essa postura de maneira servil. Em vez de defender o Brasil diante das
agressões externas, busca apoio político junto ao governo dos Estados Unidos,
estimulando pressões contra seu próprio país. Para se safar dos escândalos do
Banco Master, onde foi pego com a boca na botija, correu para o exterior
prometendo entregar o Brasil em troca da proteção estadunidense. Somente um
vassalo e bajulador dessa espécie, representante típico das classes dominantes
e dos setores mais entreguistas da sociedade brasileira, é capaz de pedir que um
governo estrangeiro intervenha na sua própria nação.
A história demonstra
que o imperialismo dos EUA e seus aliados sempre utiliza os mesmos métodos.
Primeiro fabrica pretextos. Depois promove pressões diplomáticas, econômicas e
políticas e até invasão militar. Em seguida financia seus aliados internos com
o objetivo de moldar os rumos da vida política dos países que pretende
controlar. Foi assim na América Latina, na África, no Oriente Médio e em
inúmeras outras regiões do mundo. É assim que está tentando fazer no Brasil.
Diante desse cenário,
torna-se cada vez mais urgente a construção de uma Frente Anti-imperialista e
Anticapitalista, capaz de reunir o movimento sindical, os organizações
populares, a juventude, os setores democráticos e todos os verdadeiros
patriotas, dispostos a defender a soberania nacional e os interesses do povo
trabalhador. Essa Frente será mais forte se conseguirmos formar os Comitês
Populares Anti-imperialistas nos locais de trabalho, estudo, moradia e nas
comunidades, de forma a incorporar todo o povo nesta batalha em defesa da
soberania nacional e popular.
Essa luta não pode se
limitar à defesa abstrata da soberania. A defesa da nação está inseparavelmente
ligada à defesa da pauta dos trabalhadores. Não haverá independência nacional
enquanto o sistema financeiro controlar a economia. Não haverá soberania
enquanto nossas riquezas estratégicas estiverem submetidas ao capital
estrangeiro. Não haverá democracia verdadeira enquanto a maioria do povo
permanecer excluída das decisões fundamentais do país.
Por isso, a luta
contra o imperialismo deve caminhar lado a lado com a luta pelos direitos dos
trabalhadores e das trabalhadoras, pela revogação das contrarreformas,
valorização dos salários, redução da jornada de trabalho sem redução salarial,
pelo controle dos nossos recursos naturais e pela construção de um projeto
popular para o Brasil. A hora exige organização, consciência e mobilização.
Nenhuma conquista
virá das negociações de gabinete. Somente a força e a luta organizada dos trabalhadores,
das trabalhadoras, da juventude e do povo poderá derrotar essa ofensiva
imperialista e de seus agentes internos.
Comissão Política
Nacional do PCB
EM TEMPO: Apesar de toda dificuldade enfrentada pelo governo Lula, deparando-se com um Congresso hostil e de maioria direitista, creio que é possível avançar com políticas que busquem elevar a conscientização/politização das massas populares. Mas, não me parece que o governo Lula tenha dado ênfase a essa tarefa, ocasionando um sério dano a eleição de um Congresso mais alinhado com as causas populares, com a democracia e com a sobernaia nacional. Ok, Moçada!








