segunda-feira, 2 de março de 2026

Infanticídio: sobe para 180 o número de crianças assassinadas por Trump e Netanyahu no Irã

Ataque atribuído à ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel atinge colégio feminino em Minab e hospital em Teerã, aprofundando crise regional

02 de março de 2026

Meninas assassinadas no Irã (Foto: Reprodução redes sociais)



 







Redação Brasil 247

247 – Subiu para cerca de 180 o número de crianças mortas no ataque contra a escola primária de meninas Shajareh Tayyebeh, em Minab, na província de Hormozgan, sul do Irã. A nova atualização foi divulgada por Hossein Kermanpour, chefe de relações públicas do Ministério da Saúde iraniano, após o bombardeio ocorrido no domingo, no contexto da ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel iniciada no sábado.

Segundo informações publicadas pela Al Jazeera, com base em fontes oficiais iranianas, Kermanpour afirmou que o ataque matou “cerca de 180 crianças”. Ele também declarou que o “mesmo tipo” de míssil foi utilizado horas antes contra o Hospital Gandhi, em Teerã, ampliando o alcance da ofensiva.

A nova estimativa supera os 148 mortos inicialmente confirmados por agências estatais iranianas, como a Mizan News Agency, ligada ao Poder Judiciário do país. As autoridades consolidam os números à medida que avançam os trabalhos de resgate.

Escola atingida diretamente

De acordo com a Mizan, a escola foi atingida de forma direta durante a operação militar. O colégio feminino, localizado em Minab, ficou completamente destruído. Equipes de emergência continuam atuando na remoção de escombros e no atendimento aos feridos.

A agência estatal IRNA informou anteriormente que ao menos 63 pessoas haviam ficado feridas. Com a atualização mais recente, as autoridades indicam que o número de vítimas pode continuar crescendo, diante da gravidade dos danos estruturais e da intensidade da explosão.

Imagens divulgadas por autoridades iranianas mostram o prédio escolar reduzido a destroços. O episódio já é apontado como um dos mais letais contra civis desde o início da nova escalada militar na região.

Hospital também foi alvo

Hossein Kermanpour acrescentou que o “mesmo tipo” de míssil empregado no ataque à escola foi usado contra o Hospital Gandhi, na capital iraniana, poucas horas antes. A informação amplia as acusações de que estruturas civis estariam sendo atingidas na ofensiva.

Até o momento, não há confirmação oficial do número de vítimas no ataque ao hospital. O governo iraniano sustenta que os bombardeios fazem parte de uma operação coordenada entre Washington e Tel Aviv.

Irã denuncia morte de “crianças inocentes”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, compartilhou imagens do local e afirmou que o ataque destruiu a escola e matou “crianças inocentes”. A declaração reforça a denúncia formal apresentada por Teerã contra os Estados Unidos e Israel.

O episódio aprofunda a crise regional iniciada com a ofensiva militar conjunta e intensifica a pressão internacional por investigações sobre possíveis violações do direito internacional humanitário. O bombardeio contra uma escola primária feminina e contra uma unidade hospitalar coloca no centro do debate o impacto da guerra sobre civis, especialmente crianças.

A consolidação dos números pelas autoridades iranianas ainda está em curso, e novas atualizações podem alterar o balanço final de vítimas.

EM TEMPO: Ainda bem que a coalizão EUA e Israel, não está se saindo bem como era esperado. Estão     levando "madeira" e o Irã resiste heroicamente. Israel matou milhares de pessoas inocentes e desarmadas em Gaza. Por outro lado o Irã tem armas capazes de dissuadir e alvejar os inimigos. Por isso que a coalizaão EUA e Israel tende ao fracasso. Lembrando que este comentário representa apoio ao povo iraniano e não ao regime de governo. Ok, Moçada!

domingo, 1 de março de 2026

Toda solidariedade ao povo do Irã!


 




 



Situação da escola feminina em Minab, no sudoeste do Irã, após o criminoso ataque sionista-estadunidense. @Iranembassybr

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Contra a agressão imperialista dos EUA e de Israel ao povo do Irã

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) condena de maneira veemente a nova agressão militar promovida pelos Estados Unidos e por Israel contra o povo do Irã. Mais uma vez assistimos à repetição do velho roteiro imperialista: ataques armados justificados por mentiras, manipulação midiática e falsas narrativas de “defesa” ou “segurança”, que escondem os verdadeiros interesses estratégicos e econômicos do imperialismo estadunidense.

A história recente demonstra que o imperialismo dos EUA, em associação com o Estado sionista de Israel, utiliza sistematicamente pretextos fabricados para intervir militarmente no Oriente Médio. O objetivo central dessas ofensivas não é outro senão tentar reverter o declínio da hegemonia imperialista na região, assegurar o controle geopolítico e garantir a apropriação das riquezas estratégicas, especialmente o petróleo e outras fontes energéticas fundamentais para a reprodução do capital monopolista internacional.

A atual agressão assume contornos ainda mais bárbaros diante das denúncias de que os bombardeios atingiram áreas civis, incluindo uma escola frequentada por crianças, resultando na morte de dezenas delas. Trata-se de um crime que fere frontalmente o direito internacional, as convenções humanitárias e os princípios mais elementares da convivência entre os povos. Esse tipo de ação não apenas evidencia o caráter brutal da ofensiva imperialista, como também representa um grave perigo de escalada militar em toda a região, ampliando os riscos de uma guerra de proporções ainda mais devastadoras.

O PCB denuncia o papel desempenhado pelo Estado de Israel como principal instrumento do imperialismo no Oriente Médio. O governo sionista atua como ponta de lança dos interesses estratégicos dos Estados Unidos na região, participando ativamente de agressões contra diferentes povos e Estados soberanos. Essa postura reforça a política expansionista, militarista e de opressão que há décadas se abate sobre o povo palestino e sobre outros povos da região.

O ataque ao Irã constitui mais uma violação da soberania nacional e do princípio da autodeterminação dos povos. Nenhum país tem o direito de impor, por meio da força militar, seus interesses políticos, econômicos ou estratégicos sobre outro. A normalização dessas agressões fortalece o sionismo e cria condições políticas e militares para aprofundar a limpeza étnica contra o povo palestino na Faixa de Gaza, ampliando o sofrimento e a destruição já impostos àquela população.

Diante desse quadro, o Partido Comunista Brasileiro reafirma sua posição histórica de combate ao imperialismo, ao sionismo e a toda forma de dominação colonial e neocolonial. Manifestamos nossa solidariedade ao povo iraniano e a todos os povos do Oriente Médio que resistem às agressões externas e à ingerência imperialista.

O PCB apela aos trabalhadores e trabalhadoras, à juventude, às organizações sociais e populares, aos movimentos sindicais, estudantis e comunitários, bem como às forças políticas comprometidas com a soberania nacional e com a paz entre os povos, para que não apenas condenem publicamente essa nova agressão, mas organizem grandes manifestações em todas as regiões do planeta contra a ofensiva imperialista ao Irã.

É hora de fortalecer a luta anti-imperialista e a solidariedade internacionalista. Somente a mobilização consciente e organizada dos povos poderá conter a marcha da guerra, defender a autodeterminação dos povos e abrir caminho para uma ordem internacional baseada na cooperação, na justiça social e na soberania popular.

Pela paz entre os povos!
Contra o imperialismo e o sionismo!
Solidariedade ao povo do Irã e ao povo palestino!

Comissão Política Nacional do PCB

EM TEMPO: Observem que a Nota do Partidão, como também de outros países e organização políticas, na maioria das vezes não se referem a darem  apoio ao governo e, sim, ao povo iraniano e palestino. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O erro do UOL e o “funil” que pode virar catapulta: Para onde foi realmente o caso Toffoli?

·         24/02/2026

  • Texto extraído do Blog de Magno Martins
  • - Edição de Camila Emerenciano

 

Por Marlos Porto*

No último dia 23 de fevereiro, o colunista Josias de Souza, do UOL (https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2026/02/23/fachin-faz-papel-de-coveiro-de-prova-viva-no-teatro-pro-toffoli.htm), publicou um texto afirmando que o ministro Edson Fachin “enterrou no arquivo morto a arguição de suspeição de Toffoli e o relatório da Polícia Federal que arrancou o ministro da relatoria do caso Master”. A afirmação, contudo, não resiste a uma consulta mínima aos fatos — e, mais grave, induz o leitor a erro sobre o destino de uma investigação de alta relevância institucional.

O que efetivamente ocorreu? Em 12 de fevereiro de 2026, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) cópia integral do relatório da Polícia Federal que menciona o ministro Dias Toffoli, para que o procurador-geral Paulo Gonet se manifeste. A informação está documentada no Valor Econômico (https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/02/12/fachin-informa-a-pgr-sobre-relatorio-da-pf-no-caso-master-com-mencoes-a-toffoli.ghtml). Ou seja: o relatório da PF não foi arquivado; ele apenas mudou de mãos, migrando do STF para a instância constitucionalmente competente para avaliar a existência de crime comum por parte de um ministro da Corte.

O que Fachin arquivou, tecnicamente, foi o incidente de suspeição contra Toffoli — um pedido formal para afastá-lo da relatoria do caso Master. Esse incidente perdeu o objeto no momento em que o próprio Toffoli, em 12 de fevereiro, deixou voluntariamente a relatoria, por decisão própria e após reunião com os demais ministros. Arquivar um pedido de afastamento de quem já se afastou não é “enterrar” prova alguma; é simples regularidade processual. Confundir essas duas coisas — o arquivamento de um incidente com o destino da investigação criminal — é um equívoco primário, inadmissível em um veículo com a estrutura e a pretensão de credibilidade do UOL.

Mais do que erro, há aqui um desserviço à cidadania. Ao sugerir que o caso foi “enterrado”, a coluna desinforma sobre um assunto de altíssimo interesse público e contribui para uma narrativa de blindagem que os fatos, até agora, não confirmam. O caso Toffoli não está morto. Está, desde 12 de fevereiro, nas mãos do procurador-geral Paulo Gonet. E lá permanecerá até que ele tome uma das seguintes providências: ofereça denúncia (ao STF, se entender que há crime comum; ao Senado, se vislumbrar crime de responsabilidade); arquive fundamentadamente o caso, com explicação pública e juridicamente sólida; ou silencie — hipótese em que a própria omissão poderá ser questionada nos termos da lei.

É preciso, aliás, saudar a correção do procedimento adotado por Fachin. Ao dar ciência imediata à PGR, o presidente do STF agiu dentro da mais estrita legalidade e da melhor prática republicana. Não cabe, portanto, desqualificar sua conduta. O alvo da atenção, agora, deve ser outro: a Procuradoria-Geral da República, que detém a palavra final sobre os aspectos criminais do caso.

E é justamente aí que reside uma ironia institucional de primeira grandeza. Em dezembro de 2025, o STF decidiu, na ADPF 1.259, que apenas o Procurador-Geral da República tem legitimidade para apresentar denúncia por crime de responsabilidade contra ministros da Corte. A justificativa foi criar um “filtro técnico” que evitasse o uso político do impeachment. O que parecia uma blindagem, porém, pode ter gerado um efeito inesperado: ao concentrar no PGR a chave do processo, a Corte transferiu para ele toda a pressão que antes recaía sobre o presidente do Senado. Se Gonet silenciar injustificadamente, poderá incorrer no crime de responsabilidade previsto no artigo 40, inciso IV, da Lei 1.079/50: “ser patentemente desidioso no cumprimento das próprias atribuições”. E o julgamento desse crime, diferentemente do que ocorre com os ministros do STF, começa e termina no Senado, sem necessidade de autorização de ninguém.

O “funil” criado pela decisão do STF pode, assim, transformar-se em catapulta. Se o PGR não agir, qualquer cidadão — e especialmente os senadores — poderá pedir seu impeachment por desídia. E, nesse momento, o Senado recuperará integralmente o protagonismo que a decisão da Corte lhe havia subtraído. O porteiro que deveria filtrar as denúncias poderá, ele mesmo, tornar-se réu perante a Casa do povo.

Há quem veja nessa arquitetura um risco de paralisia. Mas há também quem enxergue, nela, um mecanismo mais ordenado de responsabilização — desde que os atores políticos estejam dispostos a ocupar os espaços que a Constituição lhes reserva. O caso Toffoli, longe de estar encerrado, é agora um teste de fogo para o equilíbrio entre os Poderes. A imprensa que se apressou em decretar sua morte terá, em breve, que explicar por que não cobrou do PGR, durante o tempo necessário, uma posição sobre um dossiê que seus próprios colegas classificaram como “nitroglicerina pura”.

Enquanto isso, a “brava gente brasileira” acompanha, na expectativa de que os grilhões forjados por astuto ardil — sejam eles jurídicos ou midiáticos — encontrem, como no Hino, uma “mão mais poderosa” capaz de deles zombar. E que essa mão seja, como deve ser em uma democracia, a da soberania popular, exercida nos canais institucionais que a Constituição prevê.

*Bacharel em Direito

EM TEMPO: Um jornalista bem informado e capacitado que corrige muito as "gafes jornalísticas" é o Reinaldo Azevedo. Já os jornalistas especializados em fofocas, bem como os de extrema-direita,   erram que fazem medo. Ok, Moçada!

domingo, 22 de fevereiro de 2026

A subordinação estrutural da economia brasileira

 


 

Edmilson Costa*

Ao contrário do que muitos imaginam, nem sempre um grande superávit comercial é apropriado internamente pelo Brasil. Muito embora o país tenha registrado um elevado saldo na balança comercial em 2025, grande parte desse saldo pode não permanecer no circuito econômico nacional porque muitas das empresas públicas brasileiras foram privatizadas nas últimas décadas, além do fato de que a política neoliberal implantada a partir dos anos 90 conduziu a um processo de desindustrialização nacional, fatores que deixaram o brasil dependente das estruturas comerciais, tecnológicas e financeiras do capital internacional. Um dado aparentemente paradoxal é o fato de que o Brasil alcançou um superávit comercial de cerca de U$ 60 bilhões, um resultado muito significativo. No entanto, se olharmos o conjunto das contas do setor externo brasileiro, veremos que esse resultado foi anulado por um déficit de magnitude maior na balança de transações correntes (US$ 68,8 bilhões), resultado que, na prática, deixa o Brasil como nação devedora no balanço das contas externas. 

Neste artigo vamos abordar a mecânica desse fenômeno, que é um dos mais dramáticos e menos conhecidos da economia brasileira, tanto em função das especificações técnicas do problema, o que dificulta a compreensão por parte do público em geral, mas principalmente porque é politicamente inconveniente para as autoridades governamentais tratar publicamente esse problema, pois a balança de transações correntes ou conta do setor externo brasileiro constitui um dos núcleos centrais da subordinação da economia brasileira ao capital estrangeiro. Essa conta registra todas as transações entre o Brasil e o resto do mundo ou, mais tecnicamente, é o principal agregado do setor externo que contabiliza, em determinado período (mês, trimestre, ano), as transações entre residentes do País e não residentes e envolve os fluxos de bens e serviços, rendas e transferências correntes. Em termos políticos, a balança de transações correntes mede a inserção do País na divisão internacional do trabalho e o grau de dependência ou autonomia em relação ao capital internacional. Quando o País obtém superavit nas transações correntes significa que é credor líquido em relação às outras nações; quando é deficitário, necessita de financiamento para cobrir o déficit. 

Como fui professor de disciplina de Contabilidade Nacional vou procurar explicar de forma didática cada uma das principais variáveis dessas transações e, num segundo momento, tirar conclusões sobre as implicações políticas e econômicas que cada uma das variáveis dessa conta implica na economia do País, nas relações com o exterior e na vida cotidiana das pessoas, de forma a que todos possam entender os gargalos estruturais da economia brasileira. A balança de transações correntes é um bom posto de observação para avaliarmos as relações do País com o resto do mundo. Então vejamos: a estrutura geral da balança de transações correntes é composta de quatro grandes contas: balança comercial; balança de serviços; renda primária e transferências correntes ou renda secundária. Essas quatro variáveis medem a posição do País nas suas relações com o exterior, ou seja, aferem se o País é credor ou devedor em relação ao resto do mundo. Consequentemente, definem a capacidade ou necessidade de financiamento externo da economia e, principalmente, revelam o grau de subordinação estrutural da economia brasileira em relação ao capital financeiro internacional. 

Observemos agora cada uma das contas da balança de transações correntes e seus aspectos econômicos e políticos. Primeiro, a balança comercial, que é a conta mais conhecida: registra as exportações e importações do País. Ao longo de 2025 o Brasil exportou US$ 350.899 bilhões e importou US$ 290.947 bilhões, o que resultou num saldo de US$ 59.952 bilhões, fato que significa um montante muito expressivo, embora a maioria desse saldo seja resultado da venda de produtos primários e bens manufaturados de segunda ordem. Outro dado positivo nas transações correntes foi alcançado na Renda Secundária ou Transferências correntes, que envolvem as remessas de imigrantes para famílias no Brasil, transferências de estrangeiros para o exterior e transferências governamentais, como doações internacionais, contribuições com organismos multilaterais e ajuda humanitária. O resultado dessas duas variáveis das transações correntes foi um saldo positivo de US$ 5.543 bilhões. Ou seja, somando-se os dois saldos encontraremos um superavit de US$ 65.495 bilhões. Como veremos mais adiante, esse resultado, largamente positivo, foi inteiramente drenado pelo déficit nas demais contas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Camarada Odon Porto de Almeida, Presente!


 





















O Partido Comunista Brasileiro-PE se solidariza com os familiares, amigos, amigas e camaradas, pelo falecimento do querido camarada, Odon Porto de Almeida.

Odon, nasceu em 2 de setembro de 1927, no município de Buíque no sertão de Pernambuco e faleceu no último dia 8 de janeiro de 2026.

Odon era um homem do mundo, logo cedo foi para Garanhuns, onde aos 18 anos começou sua militância no PCB, integrando seu comitê municipal. Depois foi para Pesqueira onde chegou a assumir a responsabilidade de ser o secretário político. Em 1948 fez concurso público no Banco do Brasil e seguiu para assumir cargo e voltar a residir no município de Garanhuns. Na ocasião foi Gerente do BB e militante sindical (grifo nosso). 

A partir daí começou intensa atividade junto ao sindicato dos bancários. Sempre foi um leitor ávido por conhecimento, especialmente das publicações dos países socialistas. E como lia e estudava muito, começou a aprender o russo e se corresponder com os países do leste europeu. Com essas atividades ele estimulava a formação política militante junto aos seus camaradas e colegas do movimento sindical e revolucionário.

Participou da criação da Associação Cultural Brasil x União Soviética em Pernambuco onde manteve correspondências com jornais e revistas, e passou a escrever artigos até bem pouco tempo atrás. Ele gostava de traduzir artigos interessantes publicados nessas revistas. Participou de um concurso de redação de artigos e ganhou pelo seu trabalho, uma Câmara Fotográfica de um órgão da imprensa da Tchecoslováquia.

Em 1964 ele era presidente do Sindicato dos Bancários de Garanhuns, foi preso e teve boa parte de sua biblioteca apreendida.

Ele tinha uma das maiores bibliotecas pessoais do Estado de Pernambuco. Tinha coleções de revistas do mundo inteiro, além das brasileiras, jornais e livros ligados às temáticas políticas, literárias, ambientais e outras.

Sua militância foi intensa e serena, era um homem culto e preparado, sempre gentil, mesmo discutindo seus pontos de vista com firmeza, tinha o cuidado de ouvir os argumentos e contra-argumentos as suas posições. Nunca faltou ao Partido. Esteve sempre que possível, nas atividades mais amplas do Partido. Sua vida se confunde com a vida do Partido, foram 80 anos de militância no PCB.

Manteve até os seus últimos momentos, mesmo com dificuldade de mobilidade, contato com amigos, amigas e camaradas, especialmente nos últimos anos, nos seus aniversários, que tinham o apoio de sua família, e convidava para se juntar aos seus familiares, boa parte dos e das camaradas do PCB.

O camarada Odon Porto de Almeida, nos deixa um legado de honradez, ética, seriedade, bravura e compromisso com a luta revolucionária por uma sociedade igualitária, sustentável e socialista!

Camarada Odon Porto de Almeida, ontem, hoje e sempre, Presente!

Comitê Regional do PCB-PE

EM TEMPO: Neste sábado 21.02.2026 a partir das 10hs na Casa da Cultura, Recife/PE, haverá uma homenagem ao camarada ODON (in memorian). Se não me engano, Odon residia na Rua Dr. José Mariano quando a repressão bateu em sua porta, levando-o preso e destruindo sua biblioteca. 

 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Lula: "o maior brasileiro de todos os tempos"

 "Ele é um gigante da política brasileira e em breve se tornará também um gigante do carnaval brasileiro", diz o jornal britânico


The Guardian destaca homenagem a Lula: "o maior brasileiro de todos os tempos" (Foto: Reprodução)

247 - O jornal britânico The Guardian destacou a homenagem que o presidente Lula receberá na abertura do desfile de carnaval do Rio de Janeiro neste domingo (15). Na reportagem, o veículo ressalta que o líder brasileiro é descrito como um “gigante da política” e também se tornará um “gigante do carnaval”, com uma escultura metálica de 22 metros de altura levada ao Sambódromo pela escola de samba Acadêmicos de Niterói.

"Ele é um gigante da política brasileira e em breve se tornará também um gigante do carnaval brasileiro: uma figura metálica de 22 metros, para ser mais preciso. Luiz Inácio Lula da Silva, que saiu da pobreza rural para se tornar o primeiro presidente operário de seu país , receberá uma homenagem inédita na noite de abertura do desfile de carnaval do Rio, neste domingo", destaca um trecho da reportagem.

O enredo da escola foi construído em torno da trajetória de oito décadas de Lula, desde a infância pobre no Nordeste, passando pelo trabalho como operário na região industrial de São Paulo, até seus três mandatos presidenciais em Brasília. O desfile terá cerca de 3 mil participantes e elementos simbólicos ligados a políticas públicas associadas ao presidente, como a ampliação do acesso ao ensino superior e a defesa da democracia após a tentativa de golpe ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.

Segundo o jornal, será a primeira vez que um presidente brasileiro em exercício é homenageado durante os desfiles do carnaval carioca. Tributos anteriores ocorreram apenas após a morte de líderes como Getúlio Vargas, em 1956, e Juscelino Kubitschek, em 1981.

A reportagem ressalta que a homenagem ocorre em um ano decisivo para a política brasileira, já que o país terá eleições presidenciais em outubro e Lula pretende disputar um quarto mandato. Caso vença, deixará o cargo em 2030 aos 85 anos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Dilma lamenta morte do ex-comandante da Marinha Julio Soares de Moura Neto

Ex-presidente destaca legado do almirante, que comandou a força naval entre 2007 e 2015 e esteve à frente de projetos estratégicos

11 de fevereiro de 2026



 

Julio Soares de Moura Neto e Dilma Rousseff (Foto: Marinha do Brasil | Fernando Frazão/Agência Brasil)

 

Por Guilherme Levorato

247 - A ex-presidente do Brasil e atual presidente do Banco dos Brics, Dilma Rousseff, lamentou nesta quarta-feira (11) a morte do Almirante de Esquadra (Reserva) Julio Soares de Moura Neto, ex-comandante da Marinha. Em publicação nas redes sociais, Dilma ressaltou a trajetória do militar, que ocupou o comando da força durante seu governo e teve atuação destacada em projetos considerados estratégicos para a defesa nacional.

A homenagem foi divulgada após a confirmação do falecimento do almirante, noticiado pela Agência Marinha de Notícias, que também apresentou um balanço da carreira e das contribuições de Moura Neto ao longo de mais de cinco décadas de serviço.

A“Recebo com grande pesar a notícia do falecimento do Almirante de Esquadra Julio Soares de Moura Neto, um dos principais líderes navais do país, referência para seus colegas e comandados por cinco décadas de uma carreira exemplar”, escreveu Dilma. A ex-presidente afirmou ainda que ele “conduziu alguns dos grandes avanços da força naval” e pautou sua atuação pela defesa da soberania nacional.

Entre os pontos destacados por Dilma, estão a liderança no programa de desenvolvimento de submarinos, a participação no projeto do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear, a criação do conceito da Amazônia Azul e a ampliação da presença de mulheres na Marinha. “Moura Neto foi comandante da Marinha durante o meu governo e conduziu alguns dos grandes avanços da força naval”, acrescentou.

Carreira de mais de 50 anos na Marinha

Nascido em 20 de março de 1943, no Rio de Janeiro, Julio Soares de Moura Neto ingressou na Escola Naval e foi declarado Guarda-Marinha em 15 de agosto de 1964. Ao longo da carreira, avançou por todas as patentes até alcançar o posto de Almirante de Esquadra em 31 de março de 2003.

Antes de assumir o comando máximo da Marinha, ocupou cargos considerados centrais na estrutura naval brasileira. Entre as funções exercidas como oficial-general, estiveram as de Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar; Comandante do 6º Distrito Naval; Comandante da 1ª Divisão da Esquadra; Comandante do Centro de Instrução Almirante Alexandrino; Diretor de Hidrografia e Navegação; Diretor-Geral do Pessoal da Marinha; Diretor-Geral de Navegação; Comandante de Operações Navais; e Chefe do Estado-Maior da Armada.

Comando da Marinha e projetos estratégicos

Moura Neto assumiu o cargo de Comandante da Marinha em 2007, permanecendo na função até 2015. O período foi marcado por iniciativas voltadas ao fortalecimento institucional e estratégico da força, com destaque para a consolidação do conceito de Amazônia Azul e projetos ligados à proteção das riquezas marítimas do país.

Durante sua gestão, avançaram ações como o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, voltado à construção de submarinos convencionais e ao desenvolvimento do submarino brasileiro de propulsão nuclear. Também houve impulso ao Programa Nuclear da Marinha, além de projetos para recuperação da capacidade operacional da Esquadra e a criação de sistemas de monitoramento da Amazônia Azul.

O almirante também esteve associado ao fortalecimento da presença brasileira em operações internacionais e à ampliação da participação feminina na carreira naval. Outro ponto destacado foi o reforço da capacidade expedicionária dos Fuzileiros Navais em missões de paz.

Atuação após deixar o comando

Após deixar o Comando da Marinha, Moura Neto manteve atuação voltada aos interesses marítimos nacionais. Como Coordenador Executivo do Centro de Excelência para o Mar Brasileiro (Cembra), liderou projetos para estimular a mentalidade marítima e o desenvolvimento sustentável do mar brasileiro.

Entre as iniciativas citadas estão a organização e divulgação da terceira edição do livro “O Brasil e o Mar no Século XXI”, além da realização de webinários sobre temas estratégicos, coordenação de projetos de ciência, tecnologia e inovação, concursos educacionais e parcerias com universidades e instituições de pesquisa.

Ao longo da trajetória, o militar defendeu de forma recorrente a centralidade do mar para o futuro do país. Em uma reflexão sobre o tema, afirmou: “A nossa história sempre foi ligada ao mar. Nós fomos descobertos pelo mar; fomos invadidos pelo mar por países que queriam os nossos recursos; a nossa independência foi consolidada pelo mar. O Brasil possui características geográficas, econômicas e ambientais que tornam inquestionável a sua vocação marítima".

EM TEMPO: Convém lembrar que as Forças Armadas nunca foram tão prestigiadas como nos governos Lula, Dilma e Lula. Os militares de alta patente que foram na onda do militar indisciplinado, o tal do Bozo, estão respondendo processo, correndo risco de perderem suas credenciais militares. 


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Abuso da força letal pela polícia gera mais insegurança no Brasil, diz Human Rights Watch

Quase 6 mil pessoas morreram em ações de forças de segurança em 2025

04 de fevereiro de 2026



Protesto contra a chacina policial que deixou mais de 120 pessoas mortas no Complexo da Penha, em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do estado do Rio de Janeiro (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

 



Por Leonardo Sobreira

Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil - O uso irrestrito da força letal pela polícia como estratégia de segurança no país tem resultado em mais violência e insegurança, em vez de deixar as cidades brasileiras mais seguras. A avaliação é do diretor da organização não governamental Human Rights Watch no Brasil, César Muñoz.

A entidade divulgou, nesta quarta-feira (4), seu Relatório Mundial 2026, em que analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países. H

Os dados compilados no relatório mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, forças policiais mataram 5.920 pessoas no país, e que os brasileiros negros têm três vezes e meia mais chances de se tornarem vítimas do que os brancos.

A entidade destaca a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, que matou 122 pessoas em outubro do ano passado. Chamada de Operação Contenção, a ação foi realizada nos Complexos da Penha e Alemão para capturar lideranças da facção Comando Vermelho.

“O que não funciona é entrar na favela atirando. Isso não desmantela grupos criminosos, só cria mais insegurança e coloca os próprios policiais em risco”, disse César Muñoz.

Saúde mental dos policiais

Em 2025, 185 policiais foram mortos, segundo dados do Ministério da Justiça. Outros 131 cometeram suicídio.

Segundo a HRW, a taxa de suicídio entre policiais é muito mais alta do que no restante da população, o que reflete a exposição desses agentes à violência e o apoio inadequado à sua saúde mental.

“O nosso pedido é que tenha propostas baseadas na ciência e em dados. Propostas que realmente desmantelem grupos criminosos, que atuem com base em inteligência na investigação, [de forma] independente, para identificar essas ligações ou vínculos entre grupos criminosos e agentes do Estado, e sua infiltração na economia legal”, explicou Muñoz.

Muñoz afirma que a letalidade policial continua em níveis tão altos, principalmente, pela falta da devida apuração dos casos de morte decorrente de intervenção policial.

“Podemos ver isso na Operação Contenção, do Rio de Janeiro, em outubro [de 2025]. Um dos problemas no Rio, especialmente, é que a perícia é totalmente subordinada à Polícia Civil, e não tem a necessária independência para fazer o trabalho de forma adequada”, criticou.

Ele ressalta que, embora algumas mortes pela polícia sejam em legítima defesa, muitas são execuções extrajudiciais.

Corrupção policial

Além disso, os abusos cometidos pela polícia e a corrupção dentro das forças de segurança pública são fatores que levam as comunidades a desconfiar das autoridades. Isso faz com que fiquem menos propensas a denunciar crimes e colaborar com as investigações.

“Polícias violentas e polícias corruptas fortalecem a ação do crime organizado”, afirmou a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Samira Bueno, no lançamento do relatório da HRW.

“A gente não pode ignorar que essas facções só tomaram a dimensão que tomaram e se expandiram de tal forma no Brasil porque elas contam com a corrupção do Estado.”

Ela acrescenta que “uma polícia violenta não é uma polícia forte, é uma polícia frágil que fica vulnerável ao crime organizado”.

A especialista avalia que é preciso investir em mecanismos de controle da atividade policial e destacou o papel do Ministério Público no processo de investigar os casos.

“A polícia pode, sim, fazer o uso da força para proteger a si mesma e para proteger a terceiros. Mas a gente não pode aceitar que isso seja utilizado como uma desculpa para execuções sumárias e abusos, como a gente viu no caso do massacre no Rio de Janeiro, no final do ano passado, com mais de 120 mortos”, destacou.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Por que Lula incomoda Trump e seu projeto fascista

A lógica silenciosa da guerra híbrida contra o Brasil num mundo em rearranjo

Por  Reynaldo José Aragon Gonçalves (Jornalista)


 

Lula e Trump se reúnem na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

Quando o ataque é direto, a soberania unifica. Quando o conflito se disfarça de cordialidade, o desgaste opera por dentro. Trump sabe disso. Por isso evita o confronto com Lula, desloca a pressão para instituições, economia e narrativas e transforma a "boa relação" em instrumento de contenção. Nada é acaso. Tudo é método.

Quando Donald Trump afirma ter boas relações com Vladimir Putin, Xi Jinping, Recep Tayyip Erdogan ou Narendra Modi, ninguém sério entende isso como ausência de conflito. Ao contrário. Trump elogia, respeita e conversa, enquanto sanciona, tarifa, cerca militarmente, bloqueia tecnologia e pressiona aliados. A cordialidade verbal nunca foi sinônimo de conciliação. Sempre foi forma de conduzir o conflito. O erro é tomar o tom pela substância.

Esse padrão é recorrente e verificável. Trump não rompe relações para atacar. Ele mantém canais abertos enquanto age por outros vetores. A guerra comercial contra a China não impediu elogios públicos a Xi. As sanções contra a Rússia coexistiram com declarações amistosas sobre Putin. A pressão sobre a Turquia veio acompanhada de gestos pessoais a Erdogan. A lógica é simples: o conflito não precisa ser anunciado para ser exercido. Ele opera melhor quando não se apresenta como guerra.

É nesse padrão que o caso brasileiro precisa ser lido. Não como exceção, mas como variação. Trump não evita confrontar Lula por simpatia, nem por fraqueza. Evita o confronto direto porque ele sabe exatamente o que o confronto produz quando o adversário ocupa uma posição específica no tabuleiro global. E Lula, hoje, ocupa essa posição.

Aqui está a diferença central. Ao contrário de outros líderes, Lula não aceita o jogo do conflito silencioso. Ele expõe. Ele nomeia. Ele fala em público, nos fóruns certos, diante das audiências certas. Ele chama a falta dentro da grande área, com o estádio cheio e o juiz olhando. Denuncia assimetrias, cobra responsabilidade das potências centrais, defende autonomia e recusa a naturalização da tutela. Isso muda a equação.

Quando Lula confronta, ele não o faz por bravata. Ele faz porque sabe que a disputa central é política, simbólica e estrutural. E sabe que, nesse plano, o silêncio favorece sempre o lado mais forte. O incômodo nasce daí. Não do conteúdo isolado de uma fala, mas do efeito acumulado de expor o jogo diante do mundo.

Trump percebe isso. E não cai. Não transforma o embate em duelo pessoal. Não responde na mesma moeda. Não eleva o conflito ao plano simbólico direto, onde Lula ganha densidade, visibilidade e capacidade de articulação internacional. Ao contrário. Ele absorve o ataque, mantém cordialidade pública e desloca a disputa para onde ela rende mais e custa menos.

Esse deslocamento tem método. O primeiro vetor é institucional. A pressão deixa de mirar o presidente e passa a incidir sobre a arquitetura do Estado. Questiona-se a legitimidade das decisões, constrói-se a narrativa do abuso, acusa-se a Justiça de extrapolar limites. Não é uma divergência jurídica. É uma tentativa de corroer a capacidade soberana de decidir, regular e punir.

O segundo vetor é econômico. Tarifas, ameaças comerciais e instabilidade induzida aparecem como respostas técnicas, não políticas. Esse enquadramento é deliberado. Ele oculta o conteúdo coercitivo sob a linguagem da economia e dificulta a mobilização social. O custo é imposto sem barulho, sem bandeira, sem inimigo visível. Funciona como disciplina material.

O terceiro vetor é narrativo. Ao deslocar o conflito para temas como liberdade de expressão, plataformas digitais e regulação, cria-se uma inversão eficaz. O Estado que regula passa a ser retratado como agressor. A potência que pressiona se apresenta como defensora de princípios universais. Não é necessário convencer a maioria. Basta gerar confusão suficiente para paralisar a reação.

Esses vetores operam juntos. A pressão institucional fragiliza a autoridade do Estado. A pressão econômica desgasta por dentro. A pressão narrativa fornece justificativa moral para ambas. O resultado é um conflito permanente, porém difuso. Sem choque, sem clímax, sem fechamento soberano. É nesse ponto que a normalização se torna mais eficaz do que o ataque aberto.

Por isso Trump mantém o discurso cordial. Não é contradição. É amortecedor. Ele reduz a percepção de agressão externa ao mesmo tempo em que a coerção segue operando nos pontos sensíveis. A ausência de confronto direto não sinaliza recuo. Sinaliza sofisticação. O conflito não diminuiu. Ele apenas se tornou menos visível e mais difícil de enfrentar.

Lula incomoda porque rompe essa lógica. Porque insiste em tornar o conflito legível. Porque expõe o caráter político do que se vende como técnico. Porque recoloca o Brasil como ator, não como variável. Em um mundo em rearranjo, onde a multipolaridade deixa de ser abstração e passa a ser disputa concreta, isso tem peso real.

Transformar Lula em antagonista direto seria um erro estratégico. Isso ampliaria sua estatura, facilitaria a construção de solidariedades e reforçaria sua imagem como liderança capaz de desafiar assimetrias. Trump sabe disso. Por isso evita o duelo. Prefere conter sem personalizar, pressionar sem confrontar, desgastar sem provocar fechamento.

O alerta é simples e urgente. Quando o conflito parece diminuir, ele pode estar apenas mudando de forma. Quando a retórica amacia, a pressão pode estar se reorganizando. Normalização não é paz. Muitas vezes, é a etapa mais perigosa da disputa. Entender isso não é exercício acadêmico. É condição para não ser derrotado sem perceber que a guerra continua.

EM TEMPO: Convém lembrar que os Democratas, nos EUA, são simpáticos ao presidente Lula. Tanto é verdade que o Senado apoiou o fim do "Tarifaço" com apoio de alguns Republicanos do governo Trump. Lembrando que o Brasil é o segundo maior fornecedor de alimentos do mundo. Lula é "Pop Star" e quem quiser chorar que fique à vontade. Ok, Moçada!