Emissora acirra a tradição de ser parcial, agressiva e desrespeitosa com o candidato à reeleição. Entrevista no Jornal Nacional (dia 27.08.26) foi armadilha de provocações
Por Marco Damiani (Editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro)
Publicado em 28 de agosto de 2026

Lula na Globo. Crédito: Ricardo Stuckert
Quem procurou uma
entrevista caiu em uma arapuca e assistiu a uma rinha. Era esperado um embate
duro entre o presidente Lula e os entrevistadores do Jornal Nacional, César
Tralli e Renata Vasconcellos, mas não se podia imaginar que, na prática,
houvesse bate-boca, praticamente, do início ao fim. O superfoco da pauta nas
investigações da Polícia Federal sobre o filho Fábio Luís e o ex-chefe de
gabinete Marcola distorceu a proposta, ainda que mínima, de levar o público a
julgar o candidato à reeleição por sua gestão e propostas – e não somente por
ele saber ou não se desvencilhar de assuntos incômodos.
O que se teve foram
perguntas policialescas, em tom ríspido, repletas de juízos de valores
embutidos. Houve uma franca tentativa de fritura do presidente da República.
Pensava-se que esse tipo de postura editorial fosse coisa do passado, mas segue
atual dentro da Globo. A emissora não gosta de Lula, e deixou claro ontem que
esse sentimento só se agrava. Com a sua reeleição em jogo, seria natural dar ao
entrevistado o tratamento indicado pelas melhores cartilhas. O de presidente,
portanto. Mas chamar Lula, todo o tempo, de candidato mostrou-se adequado
demais para os fins de rebaixá-lo. O tipo de decisão que se toma nos bastidores
para cumprimento em cena.
O assunto econômico
do dia, que dava conta do menor desemprego da história do País e o recorde de
103 milhões de brasileiros com trabalho, não foi sequer mencionado. A ordem era
a de superdimensionar problemas e omitir fatos que pudessem ser compreendidos
como positivos para o governo.
Nitidamente, Lula
mostrou surpresa e desconforto frente aos interrogadores. “Me sinto na Polícia
Federal e no Ministério Público”, chegou a dizer, numa clara tentativa de
amenizar o clima. Não deu certo. A ideia era mesmo constrangê-lo com questões
carregadas de ilações, para esquentar o valor de investigações da PF e buscar caracterizar
escândalos no entorno do presidente. Às favas com a falta de provas, a
recorrência dessa estratégia e a quebra de protocolos de equilíbrio vigentes na
prática do bom jornalismo.
Lula devolveu as
perguntas enviesadas na mesma moeda. Ele rebateu a rispidez de Renata na
questão do déficit fiscal com fogo nos olhos. Ambos chegaram ao limite da
descortesia. Ruim para os dois lados. Nunca se vira antes uma pergunta da
jornalista feita daquele modo, quase saindo da cadeira para mostrar indignação,
nem uma resposta do presidente entremeada por tanta fúria contida e ironia.
No campeonato de cortes a que a entrevista só iria
se prestar, Lula se sai hoje bem melhor nas redes sociais, com sua postura
reativa e enérgica, do que os jornalistas em seu modo ataque destemperado. O
presidente sofre uma queda por ter negado conhecer a insinuante lobista Roberta
Luchsinger, com quem aparece em fotos tiradas em diferentes ocasiões. Hoje será
a vez de Flávio Bolsonaro ir ao terreiro do JN. O vale-tudo continua ou agora vai
ser diferente?
Assista ao vídeo comentando o Debate:
https://www.youtube.com/watch?v=8HLn8q6IUZE&t=11s
EM TEMPO: Não está bem claro o critério que os órgãos de imprensa utilizam para convidar os candidatos para participarem de entrevistas e debates. O que se sabe é que as emissoras de TV e de Rádio, querendo, podem convidar todos para participarem de entrevistas e dos debates. Mas, a regra eleitoral precisa ser esclarecida quanto a convocação de um candidato de Extrema Direita em detrimento de outros de Esquerda, a saber: PCB, UP, PSTU e PCO. A regra deve ser equitativa, mesmo que haja discordância da resolução adotada. Por fim, acho que a entrevista é mais esclarecedora do que o debate, mas depende da capacidade, profissionalismo e imparcialidade dos jornalistas. Ok, Moçada!





