sábado, 25 de julho de 2026

Pela paz mundial, contra a cúpula da guerra

 



 








Jornal AVANTE! – Partido Comunista Português (PCP)

A ci­meira da OTAN re­a­li­zada nos dias 07 e 08 de julho em An­cara, na Tur­quia, in­ten­si­ficou a po­lí­tica de con­fron­tação e guerra deste bloco po­lí­tico-mi­litar agres­sivo e apontou a ainda mai­ores des­pesas mi­li­tares, para be­ne­fício da in­dús­tria do ar­ma­mento e da es­tra­tégia de do­mi­nação do im­pe­ri­a­lismo estadunidense. Em Lisboa e no Porto, como no país an­fi­trião e em muitos ou­tros, o mo­vi­mento da paz fez-se ouvir de­nun­ci­ando os ob­jetivos be­li­cistas da ci­meira e re­a­fir­mando a exi­gência de dis­so­lução da OTAN.

En­quanto na Tur­quia se de­batia a in­ten­si­fi­cação da guerra e se fe­chavam ne­gó­cios mi­li­o­ná­rios com a in­dús­tria ar­ma­men­tista, eram muitos os que fa­ziam ouvir a sua voz em de­fesa da paz e de um mundo mais justo e pa­cí­fico, cons­ci­entes de que a dis­so­lução deste bloco po­lí­tico-mi­litar agres­sivo é fun­da­mental para esse ob­jetivo. De Lisboa e do Porto saiu, ao final da tarde de dia 08, uma sau­dação a «todos os que, em Por­tugal e por todo o mundo, no­me­a­da­mente na Tur­quia, pro­testam contra a po­lí­tica be­li­cista da OTAN e lutam pela paz, em par­ti­cular para os que em An­cara foram alvo de brutal re­pressão».

Nas ações pro­mo­vidas pelo CPPC e a CGTP-IN no Largo José Sa­ra­mago, em Lisboa, e na Pra­ceta da Pa­les­tina, no Porto, es­ti­veram muitos da­queles que todos os dias as­sumem a luta em de­fesa dos di­reitos, das con­di­ções de vida, da de­mo­cracia e da paz. Pelas vozes de Isabel Ca­ma­rinha e Ma­nuela Branco, do CPPC; de Dinis Lou­renço e Paulo Car­valho, da CGTP-IN; dos jo­vens João Queirós e Joana Ma­chado; de Su­sana Ca­nato e Da­niela Costa, que apre­sen­taram; e do co­ronel e mi­litar de Abril José Bap­tista Alves, foi de­nun­ciada a po­lí­tica be­li­cista da OTAN, o papel desta or­ga­ni­zação en­quanto ins­tru­mento de guerra e agressão, braço ar­mado do im­pe­ri­a­lismo dos EUA, e o rastro de des­truição dei­xado pelo mundo.

A guerra, re­cordou-se, pre­ju­dica os tra­ba­lha­dores e os povos – em­bora haja quem ganhe e muito com elas: a vender armas, a des­truir países (como a re­cons­truí-los), a apo­derar-se de re­cursos na­tu­rais, mer­cados e rotas co­mer­ciais. Foi também de­nun­ciado que o au­mento dos gastos mi­li­tares, que a Cúpula de­cidiu in­cre­mentar ainda mais, tem im­pli­ca­ções ime­di­atas na di­mi­nuição do in­ves­ti­mento pú­blico na Saúde, na Edu­cação, na Cul­tura, no Des­porto, na Pro­teção So­cial, na Ha­bi­tação e também nos sa­lá­rios e pen­sões. Lutar por uma vida me­lhor para o nosso povo, por um Por­tugal so­be­rano e de­sen­vol­vido, é também lutar pela paz!

Re­a­firmou-se igual­mente o ca­minho que se impõe: a de­fesa da paz, do de­sar­ma­mento, da co­o­pe­ração, da so­li­da­ri­e­dade com os povos que en­frentam a agressão e a ameaça, o cum­pri­mento dos prin­cí­pios ins­critos na Carta das Na­ções Unidas, na Ata Final da Con­fe­rência de Hel­sin­que e na Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa. A ati­tude as­su­mida em An­cara pelo Go­verno por­tu­guês vai ao ar­repio de tudo isto: total ali­nha­mento com a po­lí­tica de guerra e con­fron­tação e toda a dis­po­ni­bi­li­dade para con­ti­nuar a des­viar re­cursos para ar­ma­mento, que tanta falta fazem em áreas fun­da­men­tais. Daí o com­pro­misso, ali uma vez mais re­a­fir­mado, de que a luta vai con­ti­nuar!

«Nem pre­ci­samos de ir mais atrás no tempo, na his­tória deste bloco po­lí­tico-mi­litar be­li­cista, que contou na sua cri­ação com a di­ta­dura fas­cista por­tu­guesa, a que deu su­porte para 13 anos de guerra co­lo­nial. Basta re­cordar as guerras da OTAN contra a Iu­gos­lávia, o Afe­ga­nistão ou a Líbia e o seu apoio à in­vasão e ocu­pação do Iraque. Basta olharmos para o seu si­lêncio, cum­pli­ci­dade, ou mesmo ativo e pre­pon­de­rante apoio para com a con­ti­nu­ação do ge­no­cídio do povo pa­les­ti­no por parte de Is­rael; a agressão de Is­rael ao Lí­bano; a agressão dos EUA e de Is­rael ao Irã; a ins­ti­gação e pro­lon­ga­mento da guerra na Ucrânia e o afas­ta­mento de uma so­lução pa­cí­fica para este con­flito; o brutal agra­va­mento do blo­queio dos EUA contra Cuba; a agressão mi­litar dos EUA à Ve­ne­zuela bo­li­va­riana e do se­questro do seu pre­si­dente; entre muitos ou­tros exem­plos.» Con­selho Por­tu­guês para a Paz e Co­o­pe­ração

«É com a paz, a re­so­lução pa­cí­fica e po­lí­tica dos con­flitos que é pos­sível efetivar os di­reitos que os tra­ba­lha­dores con­quistam e uma mais justa dis­tri­buição da ri­queza. Aos tra­ba­lha­dores in­te­ressa a so­li­da­ri­e­dade entre os povos, que exige o fim das agres­sões sobre o Lí­bano, o fim da ocu­pação is­ra­e­lense da Pa­les­tina e do ge­no­cídio do seu povo e a garantia de uma Pa­les­tina livre, in­de­pen­dente e so­be­rana, con­dição ne­ces­sária para a paz no Ori­ente Médio; o fim das agres­sões e in­ge­rên­cias sobre os povos da Amé­rica La­tina e do cri­mi­noso blo­queio sobre Cuba. Aos tra­ba­lha­dores e ao povo por­tu­guês só o cum­pri­mento da Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa, no­me­a­da­mente do seu ar­tigo 7.º – que pre­co­niza a abo­lição dos blocos po­lí­tico-mi­li­tares como é a OTAN – in­te­ressa. É dever do Go­verno por­tu­guês cum­prir a Cons­ti­tuição.» Con­fe­de­ração Geral dos Tra­ba­lha­dores Por­tu­gueses – In­ter­sin­dical Na­ci­onal

«A paz não é apenas a au­sência de guerra. Não existe ver­da­deira paz quando mi­lhões de jo­vens vivem sem acesso à ha­bi­tação, quando a pre­ca­ri­e­dade im­pede a cons­trução de um pro­jeto de vida, quando os sa­lá­rios não chegam até o fim do mês, quando se de­grada a es­cola pú­blica, quando se en­fra­quecem os ser­viços pú­blicos ou quando se li­mitam di­reitos con­quis­tados por ge­ra­ções in­teiras de tra­ba­lha­dores e de jo­vens. En­quanto au­mentam a verbas para a guerra, con­ti­nuam a faltar in­ves­ti­mentos na Edu­cação, na Saúde, na Ci­ência, na Cul­tura e na Ha­bi­tação. En­quanto se fala em “se­gu­rança”, eu­fe­mismo para guerra e in­ge­rên­cias mi­li­tares, es­quecem-se da se­gu­rança de quem tra­balha, de quem es­tuda e de quem luta di­a­ri­a­mente para viver com dig­ni­dade. Se há algo que a his­tória nos en­sina é que ne­nhum di­reito nos foi dado.» Comitê Na­ci­onal Pre­pa­ra­tório do 20.º Fes­tival Mun­dial da Ju­ven­tude e dos Es­tu­dantes.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Como se desenvolve a hegemonia financeira e o rentismo ligados ao negócio futebol, demais eventos esportivos e mega shows no espaço global

 

Como fundos de investimento, arenas multiuso e megaeventos articulam a financeirização global e a extração rentista de recursos locais

Roberto Moraes

Engenheiro e professor titular "sênior" do IFF (ex-CEFET-Campos, RJ)

Publicado em 24 de julho de 2026.



 








Jogadores entram em campo para a final da Copa do Mundo.  Crédito: Reuters

A matéria do Valor “Copa fortalece futebol como um dos grandes negócios do planeta” (19 jul 2026) [1], do jornalista Humberto Saccomandi, remete a uma questão que tratei em pesquisa sobre a financeirização e o papel dos fundos financeiros no mundo contemporâneo.

Em 2019, quando lancei o livro “A ‘indústria’ dos fundos financeiros: potência, estratégias e mobilidade no capitalismo contemporâneo” [2], eu chamei a atenção para o papel do setor de eventos (incluindo futebol e mega shows) para a hegemonia financeira e a racionalidade neoliberal em curso.

Como mostra o infográfico (abaixo), há um movimento horizontal transsetorial lubrificado pelo instrumento dos fundos que já garantia uma hipermobilidade ao capital extraído na base da pirâmide destes diferentes setores (petróleo, negócios imobiliários, eventos de futebol, outros esportes e mega shows).









O fato que despertou e deu clareza para a interpretação desse processo se deu a partir do caso da transferência de Neymar (em agosto de 2017) para o PSG por cerca de R$ 800 milhões. O dono do PSG era um fundo árabe, subsidiária do fundo soberano de Abu Dhabi. O fundo também controlava o canal de TV francês que transmitia as partidas e exercia algum controle sobre o campeonato.

A extração dessa grana do futebol de diferentes territórios (nações) dava a mobilidade vertical ao capital que se mistura à extração do capital dos outros setores. As gestoras dos fundos lubrificam esse capital acumulado no andar superior das “altas finanças”, como se referia Giovanni Arrighi. Um esquema colossal que junta a FIFA, COI, donas de marcas de espetáculos que ganharam tração, aos estados das nações centrais e também das periféricas.

Para movimentar e controlar tudo isso, a lógica da financeirização é essencial. Daí surgem as SAFs e outros esquemas que envolvem os clubes, as confederações e agentes nacionais/locais.

Trata-se de um circuito transsetorial lubrificado pelas finanças em que o capital imobiliário que envolve construções e a demanda das conhecidas “Condições Gerais de Produção” em que os Estados entram bancando e os investidores chamam de “legado” para as populações locais, sem perceber o que é extraído.

Observem que, atualmente, não se fala mais em estádios, mas sim em “arenas multiuso” que aproveitam as infraestruturas para os mega shows que também agradam às plataformas de hospedagem tipo Airbnb, que também extraem frações dessas rendas locais. São movimentos que juntam capitalização e valorização, mas, sobretudo, extração de capital local.

Há muitas outras questões interessantes a serem observadas no entorno desses negócios no capitalismo contemporâneo. Uma delas, que vale a pena destacar, é a incrível história de a FIFA também ganhar percentuais nas seguidas vendas de ingressos dos jogos que são revendidos em sua plataforma e com o seu aval. É como se a plataforma da entidade conseguisse também extrair uma fração da renda obtida pelos cambistas, sem nenhum risco.

Para fechar, cito essa outra ideia mais recente da FIFA de realizar o evento da Copa do Mundo em dois ou três países. Em 2026, foi nos EUA, México e Canadá; e a Copa de 2030 está prevista para ser na Espanha, Portugal e Marrocos. Essa é também uma forma de estimular uma disputa entre esses países, extraindo mais das gestões nacionais para os seus interesses, além de ampliar as possibilidades do público envolvido.

Os fatos citados trazem evidências sobre como a hegemonia financeira se ampliou, exercendo um controle ainda maior sobre os negócios globais com extração de rendas nacionais, ainda maior concentração e acumulação de capital, exercida por pequenos grupos rentistas, normalmente ligados às gestoras dos fundos financeiros com controle dos ativos num processo chamado de assetização.

Referências:

[1] Matéria do Valor online em 19 jul 2026. SACCOMANDI, Humberto: Copa fortalece futebol como um dos grandes negócios do planeta. Disponível em: https://valor.globo.com/mundo/noticia/2026/07/19/copa-fortalece-futebol-como-um-dos-grandes-negocios-do-planeta.ghtml

[2] PESSANHA, R. M. A ‘indústria’ dos fundos financeiros: potência, estratégias e mobilidade no capitalismo contemporâneo. Rio de Janeiro: Consequência, 2019.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Lula vai à Avibras pela primeira vez desde retomada da produção de mísseis e foguetes

 À Avibras é considerada uma empresa estratégica para a soberania tecnológica e industrial do país

Conteúdo postado por  Leonardo Sobreira

Publicado em 22 de julho de 2026









Fábrica da AvibrasCrédito: Reprodução / TV Vanguarda

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita nesta sexta-feira (24) as instalações da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), em um gesto de apoio à retomada das atividades de uma das mais importantes empresas da indústria brasileira de defesa. A agenda também contará com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

A visita ocorre poucos meses após a reativação das operações da companhia, retomadas em abril deste ano com a produção de mísseis, foguetes, veículos e lançadores espaciais civis, entre outros equipamentos.

A Avibras voltou oficialmente a operar após quatro anos de paralisação, em um processo de reestruturação empresarial que incluiu a renegociação de dívidas e a criação de uma nova companhia para concentrar seus ativos e patentes.

A empresa estava com as atividades suspensas desde 2022, quando ingressou em recuperação judicial com uma dívida estimada em cerca de R$ 800 milhões. Durante esse período, aproximadamente 900 trabalhadores permaneceram em greve desde setembro daquele ano.

A retomada das operações foi viabilizada por um aporte de R$ 300 milhões realizado pelo Fundo Brasil Crédito, que se tornou o principal credor da empresa em 2024. Os recursos permitiram a reorganização financeira da companhia e a reativação gradual da produção.

Reconhecida internacionalmente pelo desenvolvimento de sistemas de artilharia e foguetes, como o Astros, a Avibras é considerada uma empresa estratégica para a soberania tecnológica e industrial do país. Sua recuperação é vista como importante para preservar a capacidade brasileira de produzir tecnologias sensíveis voltadas aos setores de defesa e aeroespacial, reduzindo a dependência externa e mantendo competências nacionais em inovação.

A visita de Lula simboliza o apoio do governo federal à recuperação da empresa e ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa, considerada um dos pilares da estratégia brasileira para ampliar a capacidade tecnológica e produtiva em áreas de alto valor agregado.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Jeffrey Sachs acusa complexo militar dos EUA de alimentar guerras perpétuas

Economista afirma que complexo militar dos EUA influencia presidentes, amplia a dívida pública e sustenta conflitos em busca de hegemonia global

Conteúdo postado por: Luis Mauro Filho

Publicado em 21 de julho de 2026



Jeffrey Sachs. Crédito: Reprodução Youtube

247 – O economista Jeffrey Sachs afirmou que o complexo militar dos EUA exerce influência decisiva sobre a política externa do país, amplia a dívida pública e sustenta conflitos em busca de hegemonia global, independentemente de quem ocupe a Casa Branca.

As declarações foram dadas na segunda-feira (20) ao programa Judging Freedom, apresentado pelo ex-juiz Andrew Napolitano no YouTube. Na entrevista, Sachs relacionou as guerras conduzidas por Washington nas últimas três décadas aos interesses das indústrias de defesa, de Wall Street, do setor petrolífero e das grandes empresas de tecnologia.

Segundo o professor da Universidade Columbia, os presidentes americanos possuem menos poder sobre a política externa do que sugere o sistema institucional do país. Ele argumentou que agências de inteligência e grupos econômicos operam com baixa transparência, enquanto a população tem pouca capacidade de influenciar decisões militares. “Nossos presidentes realmente não determinam a política externa. Nossa opinião pública, aquilo em que você, eu e o povo americano acreditamos, tem pouquíssima influência”, declarou.

Sachs disse que a sucessão de governos não alterou substancialmente a estratégia internacional adotada pelos Estados Unidos. Em sua avaliação, Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama, Joe Biden e Donald Trump mantiveram uma política de intervenções voltada à preservação da primazia americana.

“Trump venceu uma eleição com base nisso, mas nada mudou. Na verdade, ele apenas iniciou mais guerras”, afirmou. “Os presidentes, em grande medida, fazem parte dessa máquina. Eles realmente não mudam muita coisa.”

Ucrânia como peça da estratégia americana

Para explicar a continuidade da política externa de Washington, Sachs citou o livro O grande tabuleiro de xadrez, publicado em 1997 pelo cientista político Zbigniew Brzezinski, que foi conselheiro de Segurança Nacional do governo Jimmy Carter.

De acordo com Sachs, a obra apresentou a Eurásia como o principal espaço da disputa pela supremacia mundial e classificou determinados países como “pivôs geopolíticos”: territórios relevantes não necessariamente por seu poder próprio, mas pela capacidade de afetar adversários dos Estados Unidos.

“A ideia é que o mundo é um jogo. É como um videogame. Você bombardeia aqui, ataca ali, envia seus drones para outro lugar. Nenhum desses líderes está em risco”, criticou.

Na interpretação do economista, a Ucrânia ocupava posição central nesse projeto porque sua aproximação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte poderia limitar a projeção regional da Rússia.

“Se controlarmos a Ucrânia, a Rússia deixa de ser uma grande potência porque fica bloqueada em seu acesso ao Mediterrâneo Oriental. A Rússia não consegue projetar seu poder. Portanto, a Ucrânia é um Estado-pivô geopolítico”, disse Sachs ao resumir a lógica atribuída a Brzezinski.

O professor sustentou que esse pensamento levou Washington a apoiar a expansão da aliança militar em direção às fronteiras russas. Sachs também acusou os Estados Unidos de respaldarem a mudança de governo ocorrida na Ucrânia em 22 de fevereiro de 2014, após os protestos que resultaram na saída do então presidente Viktor Yanukovych.

Ao mencionar o antigo governante ucraniano, Sachs reproduziu sua defesa da neutralidade do país: “Deveríamos ser neutros. Isso é muito perigoso. Vejam onde estamos geograficamente. Estamos ao lado da Rússia, entre a Rússia e a Europa. Temos os Estados Unidos interferindo. Só queremos ser neutros.”

A versão de Sachs sobre os acontecimentos de 2014 é contestada por governos ocidentais, que rejeitam a caracterização da queda de Yanukovych como um golpe patrocinado por Washington. Na entrevista, porém, o economista apresentou o episódio como parte de uma estratégia americana para incorporar a Ucrânia à esfera de influência dos Estados Unidos.

Pressão contra Rússia, China e Irã

Sachs afirmou que a mesma doutrina orientou políticas de pressão contra Rússia, China e Irã. Segundo ele, Washington acreditava que sua superioridade econômica, tecnológica e militar impediria esses países de resistirem ou de formarem uma frente conjunta.

“Brzezinski estava errado em absolutamente tudo o que escreveu”, declarou. “A Rússia resistiu, e resistiu a ponto de haver uma guerra. O mesmo ocorreu com o Irã. Ele não simplesmente cede em um dia porque os Estados Unidos o bombardeiam e matam sua liderança. E a China não entrou em colapso nem sucumbiu às guerras comerciais.”

O economista disse que a estratégia não alcançou os resultados pretendidos e, ao mesmo tempo, aproximou as três potências. Para ele, a tentativa de preservar uma ordem internacional unipolar acabou multiplicando adversários e elevando o risco de confrontos de maior escala.

Sachs também criticou o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Mark Rutte, ao sustentar que a aliança passou a funcionar como instrumento para projetar o poder dos Estados Unidos além de suas fronteiras.

Dívida, tecnologia e risco de crise financeira

Outro eixo da entrevista foi o custo econômico das operações militares. Sachs afirmou que os governos americanos evitam financiar diretamente as guerras por meio de novos impostos porque a medida enfrentaria resistência popular. Como consequência, segundo ele, as despesas são incorporadas à dívida pública.

“Tudo isso será pago pelas gerações que ainda nem nasceram, porque é dinheiro emprestado”, afirmou Napolitano. Sachs concordou e acrescentou que o endividamento se acumula ao mesmo tempo que as grandes empresas de tecnologia atingem avaliações excessivas no mercado acionário.

O economista relacionou a valorização dessas companhias aos contratos firmados com o Pentágono, sobretudo nas áreas de inteligência artificial, drones e sistemas utilizados em operações militares na Ucrânia e em Gaza.

“Essas grandes empresas de tecnologia, todas elas alimentadas pelo cocho do Pentágono, entre outras coisas, estão absurdamente superavaliadas”, disse.

Na avaliação de Sachs, a combinação entre dívida elevada, guerras sem perspectiva de vitória e valorização excessiva de ativos prepara o terreno para uma crise futura.

“O que estamos preparando é uma crise financeira fenomenal no futuro. Não sei quando. Ninguém pode prever essas coisas, mas estamos excessivamente expostos em todas essas guerras que não podemos vencer”, afirmou.

Sachs chama Trump de expressão de um sistema corrompido

O economista fez críticas diretas a Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Segundo Sachs, embora Trump tenha explorado eleitoralmente a insatisfação com as intervenções externas, seu governo continuou submetido aos mesmos interesses políticos e empresariais.

“Trump obviamente não é uma pessoa com qualquer capacidade. Ele é, como eu digo, a canalização perfeita da ganância e da corrupção do complexo militar-industrial”, declarou.

Para Sachs, o presidente americano é pressionado por bilionários e grupos econômicos que financiam sua atuação política. “Ele adora dominar, mas não domina nada. Ele simplesmente acompanha e trava as guerras dos pivôs geopolíticos colocadas em movimento décadas atrás, e não sabe como interromper nada disso.”

Sachs afirmou que os benefícios econômicos dessa política ficam concentrados em grandes corporações e investidores. “O objetivo final é o enriquecimento de Wall Street, o enriquecimento das grandes petrolíferas, o enriquecimento do Vale do Silício e o enriquecimento da nossa classe de bilionários.”

Críticas a Netanyahu e ao projeto da “Grande Israel”

Na parte final da entrevista, Sachs avaliou que o projeto da chamada “Grande Israel” está perdendo sustentação política porque depende do apoio diplomático, financeiro e militar dos Estados Unidos.

O economista fez duras críticas ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e disse acreditar que sua trajetória política se aproxima do fim. Ressalvou, contudo, que não identifica no atual cenário eleitoral de Israel uma alternativa disposta a mudar profundamente a política em relação aos palestinos.

“Netanyahu, de uma forma ou de outra, provavelmente está chegando ao fim. Ele é um dos grandes desastres da política dos últimos 30 anos”, afirmou.

Ao falar sobre uma eventual sucessão, acrescentou: “Não ouço nada na política israelense que diga: ‘Ei, não deveríamos cometer genocídio. Ei, existem 8 milhões de palestinos. Deveríamos viver juntos em paz com eles. Ei, talvez não seja correto assassinar o líder do Irã’.”

Sachs argumentou que Israel não poderia sustentar suas ações militares sem o respaldo americano e afirmou que esse apoio vem perdendo força entre diferentes parcelas da sociedade dos Estados Unidos, especialmente entre os jovens.

“Israel depende inteiramente dos Estados Unidos. Inteiramente. Israel não pode fazer isso nem por um dia sozinho”, declarou. “Agora, o público americano está cansado do que Israel está fazendo. Isso inclui judeus e não judeus. É algo generalizado, especialmente entre os jovens americanos.”

Alerta sobre uma escalada nuclear

Sachs encerrou sua análise com um alerta sobre a possibilidade de os conflitos atuais escaparem ao controle. Para ele, a continuidade de guerras não declaradas, combinada à ausência de transparência e de mecanismos de responsabilização, aumenta o risco de um confronto envolvendo armas nucleares.

“Em um mundo de armas nucleares, é sempre possível que essa imbecilidade termine em algo muito mais catastrófico e horrível do que realmente conseguimos imaginar em nossas conversas e em nossa vida normal”, disse.

O economista defendeu que os conflitos poderiam ser tratados por meio da diplomacia, mas acusou Washington de priorizar a dominação internacional. “Washington não quer paz. Quer uma dominação que não pode ter. Mas poderia ter paz, e o povo americano poderia ter segurança.”

Na avaliação de Sachs, a insatisfação popular nos Estados Unidos e na Europa torna a atual política insustentável. “Não sei como, quando ou quem virá para mudar isso, mas não é sustentável. A bolha vai estourar. Espero que não seja por meio de uma catástrofe, mas com a decência e a compreensão prevalecendo finalmente sobre este sistema político corrompido e interrompendo essas guerras não declaradas.”

 

domingo, 19 de julho de 2026

Espanha vence a Argentina e é bicampeã da Copa do Mundo

Atacante marca na prorrogação, seleção espanhola vence a Argentina por 1 a 0 e conquista o segundo título da Copa do Mundo

Conteúdo postado por: Redação Brasil 247

Publicado em 19 de julho de 2026

Crédito: Reuters


247 – A Espanha venceu a Argentina por 1 a 0 na prorrogação e conquistou o bicampeonato da Copa do Mundo neste domingo (19), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Ferran Torres marcou o gol da final de 2026 após uma partida dominada pelos espanhóis e levou a seleção europeia ao segundo título de sua história.

O gol saiu no começo do segundo tempo da prorrogação. Pedro Porro levantou a bola na área, Nico Williams escorou de cabeça e Ferran Torres finalizou de canhota para superar Emiliano Martínez. A jogada encerrou a resistência argentina depois de mais de 100 minutos de pressão espanhola.

Com o resultado, a Espanha voltou a levantar a taça mundial após 16 anos. O primeiro título havia sido conquistado em 2010, na África do Sul, com vitória sobre a Holanda. A Argentina, campeã em 1978, 1986 e 2022, perdeu a oportunidade de alcançar o tetracampeonato.

Espanha controla a decisão

A equipe espanhola teve maior posse de bola, ocupou o campo ofensivo durante a maior parte da final e criou as oportunidades mais perigosas. A Argentina adotou uma postura defensiva, encontrou dificuldades para manter a bola e praticamente não ameaçou Unai Simón.

A primeira grande chance ocorreu em uma combinação entre Lamine Yamal e Dani Olmo. O jovem atacante recebeu na área e finalizou de canhota, mas Emiliano Martínez fez a defesa com a perna.

A Espanha continuou circulando a bola e explorando os lados do campo. Mikel Oyarzabal, Marc Cucurella e Dani Olmo também finalizaram, enquanto a equipe argentina tentou reduzir os espaços diante da área. O primeiro tempo terminou sem gols, com três chutes espanhóis e nenhuma finalização da Argentina.

Dibu Martínez mantém a Argentina no jogo

O cenário permaneceu semelhante depois do intervalo. A Espanha aumentou o ritmo, pressionou a saída adversária e obrigou Emiliano Martínez a trabalhar repetidamente. O goleiro defendeu finalizações de Dani Olmo, Ferran Torres, Pedri, Pau Cubarsí, Nico Williams e Aymeric Laporte.

A Argentina respondeu com marcação intensa e poucas transições ofensivas. Lionel Messi tentou organizar os ataques, mas recebeu a bola distante do gol e encontrou dificuldades para superar o sistema defensivo espanhol.

Em uma das principais oportunidades da etapa final, Lamine Yamal avançou pela direita, passou por dois marcadores e cruzou para Ferran Torres. O atacante cabeceou, mas Dibu Martínez segurou a bola.

A pressão espanhola aumentou nos minutos finais. Cubarsí arriscou de fora da área e obrigou o goleiro argentino a espalmar. Pedri também encontrou espaço na entrada da área, mas finalizou nas mãos de Martínez.

Enzo Fernández é expulso

A situação argentina ficou ainda mais complicada perto do encerramento do tempo regulamentar. Enzo Fernández, que já havia recebido cartão amarelo, voltou a ser advertido e acabou expulso. A seleção sul-americana passou a jogar com dez atletas justamente no período de maior pressão da Espanha.

Nos acréscimos, Lamine Yamal cobrou uma falta perigosa e Dibu Martínez espalmou para escanteio. A defesa argentina resistiu, manteve o empate por 0 a 0 e levou a decisão para a prorrogação.

Gol espanhol é anulado na prorrogação

A Espanha manteve o controle da partida no tempo extra. Pedri encontrou Nico Williams com um passe por cobertura, e o atacante desviou para uma defesa de reflexo de Emiliano Martínez.

Na sequência, Mikel Merino disputou a bola com o goleiro dentro da área. Nico Williams aproveitou a sobra e completou para o gol vazio, mas o árbitro anulou o lance ao marcar falta do meio-campista espanhol sobre Martínez.

Merino ainda ficou perto de abrir o placar ao cabecear um cruzamento de Nico Williams rente à trave. Lamine Yamal também tentou uma finalização de canhota, mas mandou para fora.

Ferran Torres marca o gol do título

A superioridade espanhola finalmente se transformou em gol na etapa derradeira da prorrogação. Pedro Porro cruzou para a segunda trave, Nico Williams devolveu a bola para o centro da área e Ferran Torres bateu de primeira, com a perna esquerda, para fazer 1 a 0.

Em desvantagem, a Argentina avançou suas linhas e buscou o empate. Messi participou das últimas investidas, cobrou escanteios e colocou bolas na área. Em uma delas, Giuliano Simeone recebeu pelo lado direito e cruzou rasteiro, mas Merino afastou.

O próprio Simeone teve uma das derradeiras oportunidades argentinas. Após cobrança de escanteio de Messi e desvio de Nicolás Tagliafico, o atacante finalizou por cima do travessão.

Nos instantes finais, Messi cobrou uma falta em direção à área, mas Unai Simón saiu do gol e segurou a bola. Pouco depois, o árbitro encerrou a partida e confirmou a Espanha como campeã mundial de 2026.

O triunfo também desempatou o histórico do confronto. Antes da decisão, Espanha e Argentina haviam disputado 14 partidas, com seis vitórias para cada seleção e dois empates. No 15º encontro, a equipe europeia obteve a vantagem e transformou o equilíbrio histórico em seu segundo título da Copa do Mundo.

EM TEMPO: Em termos estritamente esportivo a Seleção da Espanha é a melhor da atualidade. Ao passo que a da Argentina é altamente indisciplinada, não é a melhor em termos de futebol, violenta em campo e foi beneficiada pela FIFA e as arbitragens. Politicamente,  a Espanha não é aliada de Israel e nem permitiu que os EUA utilizasse  seu território para bombardear o  Irã. Além do mais o governo espanhol, presidente Pedro Sánchez, é aliado do governo Lula. Já o governo da Argentina, do maluco presidente Milei,  é a favor de Israel e dos EUA e contrário ao governo Lula. Além de ser de Extrema Direita. Ok, Moçada!

sábado, 18 de julho de 2026

Pepe Escobar: Trump fracassou no Irã e a estratégia agora é ditada pelo eixo da resistência

Analista detalha como a nova dinâmica militar no Oriente Médio, a união inédita entre Irã e Iraque e o controle estratégico do Estreito de Ormuz impuseram uma derrota histórica ao imperialismo e ao petrodólar

Conteúdo postado por Redação Brasil 247

Publicado em 17 de julho de 2026

 
Crédito: Brasil 247


247 – O Oriente Médio está diante de uma reconfiguração tectônica em sua geopolítica, e os Estados Unidos perderam definitivamente a capacidade de ditar as regras do jogo. Esta é a avaliação central do jornalista e analista internacional Pepe Escobar, em uma contundente entrevista concedida ao cientista político norueguês Glenn Diesen. Segundo Escobar, a tentativa de Washington de aplicar a clássica cartilha do “dividir para governar” contra o Eixo da Resistência gerou o efeito oposto: uma consolidação regional sem precedentes que colocou o império contra a parede.

Escobar aponta que a fragilidade estratégica da Casa Branca, sob uma liderança marcada por impulsos erráticos e pela ausência de assessoria qualificada, arrastou o Ocidente para um beco sem saída. “Eles perderam no front geopolítico, no front militar e no front geoeconômico”, disparou o jornalista, desenhando o cenário de uma derrota que ele classifica como “praticamente irreversível”.

O consenso de Teerã e a união espiritual do Eixo

O ponto de virada desta nova fase do conflito, explica Escobar, ficou evidente nos impressionantes ritos fúnebres realizados recentemente em memória das lideranças iranianas assassinadas. O analista destaca que as procissões não apenas mobilizaram mais de 40 milhões de pessoas, mas unificaram espiritualmente e politicamente xiitas no Iraque — em cidades sagradas como Najaf e Karbala — e no Irã (Teerã, Qom e Mashhad).

Essa demonstração de solidariedade transfronteiriça sela, de acordo com fontes internas acessadas por Escobar, um consenso absoluto e inabalável no topo do Conselho de Segurança Nacional do Irã e entre os comandantes do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC): a era das concessões ou acomodações diplomáticas com os Estados Unidos acabou.

A liderança iraniana, agora sob a firme e discreta condução de Mojtaba Khamenei, opera sob a premissa de que qualquer diálogo com o Ocidente é uma armadilha. A visão predominante é a de que Washington utiliza acordos e memorandos apenas para ganhar tempo, reabastecer arsenais e preparar ataques surpresa. Se os EUA cruzarem novas linhas vermelhas, o Irã já tem desenhado o seu “Plano B”: a saída formal do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

A resposta de um dia: o fator Iêmen e a nova dissuasão

Um dos episódios mais ilustrativos dessa mudança na correlação de forças foi a resposta das forças iemenitas (Ansarallah) ao recente bombardeio da pista do Aeroporto Internacional de Sana’a, que visava interromper um voo humanitário da companhia iraniana Mahan Air.

Escobar relata que, enquanto o Irã historicamente adota uma estratégia de paciência e respostas calculadas a longo prazo, o Iêmen alterou radicalmente essa dinâmica. Em menos de 24 horas após o ataque em Sana’a, as forças iemenitas responderam na proporção de “dois para um”, atingindo alvos militares e de infraestrutura na Arábia Saudita.

Essa velocidade de retaliação enviou uma mensagem cristalina a Riade e a Washington: qualquer agressão será respondida imediatamente e com poder destrutivo severo. Não por acaso, aponta o jornalista, a monarquia saudita tem demonstrado pânico e extrema cautela, ciente de que suas instalações petrolíferas e a estabilidade de seus megaprojetos econômicos estão ao alcance direto dos drones e mísseis hipersônicos do Iêmen.

A “bomba nuclear” de Teerã: o controle absoluto das artérias comerciais

Mais do que o desenvolvimento de ogivas, a verdadeira “bomba nuclear” do Irã no tabuleiro global é geográfica e estratégica: o controle definitivo do Estreito de Ormuz.

Diesen e Escobar convergiram no diagnóstico de que o conflito atual mudou de patamar. O que começou como uma tentativa ocidental de promover uma “mudança de regime” em Teerã transformou-se em uma batalha desesperada pelo controle das rotas marítimas que oxigenam a economia global. A retórica de Washington de impor taxas de trânsito ou bloqueios na região colide com a realidade militar de que a Marinha do IRGC é quem dita as coordenadas no Golfo Pérsico.

“O Estreito de Ormuz é, a partir de agora, um ponto de estrangulamento sob controle iraniano, ponto final”, afirma Pepe Escobar.

O analista adverte que uma ação combinada entre o Irã em Ormuz e o Ansarallah iemenita no Estreito de Bab al-Mandab tem o potencial de paralisar o comércio internacional. Se o fluxo de petróleo for interrompido, os preços do barril podem saltar rapidamente para a faixa de 150 a 200 dólares. O resultado prático seria o colapso sistêmico das economias ocidentais e o golpe de misericórdia no padrão do petrodólar, pilar de sustentação da hegemonia financeira norte-americana.

A falência da diplomacia ocidental e a emergência de um novo guarda-chuva regional

Diante do cenário em que os Estados Unidos são vistos globalmente como uma entidade “incapaz de cumprir acordos” — vide o abandono unilateral do JCPOA no passado e o esvaziamento recente do Memorando de Entendimento de Versalhes —, o Oriente Médio começa a desenhar sua própria arquitetura de segurança, à revelia de Washington.

Pepe Escobar revelou detalhes de uma intensa atividade diplomática de bastidores liderada pelo Paquistão. Islamabad, que mantém um sólido pacto militar com a Arábia Saudita e, ao mesmo tempo, canais de comunicação diretos e de alto nível com Teerã, desponta como o articulador de um novo arranjo regional.

Este projeto de segurança integraria potências como o próprio Paquistão, Arábia Saudita, Turquia, Catar e Egito. O objetivo central é criar um mecanismo de estabilização interna que minimize a necessidade — e a interferência — das forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM). Trata-se do Sul Global construindo suas próprias salvaguardas contra o caos promovido pelo Ocidente.

A miopia histórica dos impérios e a resiliência dos Estados-Civilização

Ao concluir a análise, Pepe Escobar e Glenn Diesen enfatizaram o erro crasso e repetitivo da mídia corporativa ocidental, que insiste em vender a narrativa de que bombardeios estrangeiros seriam “recebidos com festa” pelas populações locais para derrubar seus governos.

O Irã, lembra Diesen, é uma fortaleza geográfica cercada por cadeias montanhosas, com uma população de 93 milhões de pessoas que compreende o conflito atual em termos existenciais: capitular significa o destino trágico de destruição total visto na Líbia ou na Síria. Além disso, a cultura política local é profundamente moldada por uma teologia de resiliência e justiça de longo prazo, onde o conceito de reparação histórica transcende o imediatismo das agendas eleitorais americanas.

Para Escobar, elites ocidentais falham por serem “historicamente analfabetas” em relação ao que ele conceitua como “Estados-Civilização”, como o Irã e a Rússia. A história demonstra que tentativas externas de subjugar essas nações produzem o efeito inverso: elas enterram suas divisões internas, coalescem e emergem muito mais fortes, ricas e unificadas. Ao ignorar as lições da história, o império caminha a passos largos para acelerar sua própria ruína geoeconômica.