sexta-feira, 1 de maio de 2026

Toda solidariedade ao companheiro Zé Maria (PSTU)!



 

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

O PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO-PCB, juntamente com seus coletivos (Unidade Classista, União da Juventude Comunista, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Coletivo Negro Minervino de Oliveira e Coletivo LGBT Comunista, manifesta sua plena solidariedade ao companheiro Zé Maria de Almeida, atual presidente do PSTU, que foi condenado pela Justiça de São Paulo a dois anos de prisão em regime aberto, sob a alegação de prática de racismo em ato ocorrido em outubro de 2023, quando se manifestou contra os ataques do Estado sionista de Israel à população palestina na Faixa de Gaza.

É sabido de todos que o lobby sionista tem tentado de todas as formas calar e intimidar as organizações e os ativistas que defendem a causa palestina em todo o mundo. Desde outubro de 2023, mais de 80 mil palestinos foram assassinados pelos bombardeios e incursões militares de Israel em Gaza e cerca de 400 mil pessoas ficaram gravemente feridas, em sua ampla maioria crianças, idosos e mulheres.

O genocídio em curso contra o povo palestino é a fase mais aguda de mais de 77 anos de dominação israelense em terras palestinas, aprofundando um ciclo de violência generalizada, prisões arbitrárias, invasões de terras e desterro da população palestina.

Denunciar o sionismo e sua relação direta com a escalada das agressões imperialistas na região é um dever de todos aqueles que compreendem a importância da solidariedade aos povos em sua legítima luta de resistência e libertação nacional contra o jugo colonialista. Além disso, esse processo de conflitos na região, reflete as conexões internacionais de dominação do imperialismo estadunidense e seu lastro de apoio político e ideológico com segmentos da extrema direita em todo o mundo, sendo que no Brasil isso se evidencia na forte sintonia e aliança existente com o bolsonarismo e seus aliados.

A ação impetrada na Justiça de São Paulo pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB), assim como a tramitação do PL 1424/2026 da Deputada Federal Tábata Amaral, são algumas das tentativas de tentar calar e coibir as denúncias contra os crimes humanitários cometidos pelo Estado sionista de Israel e seu governo genocida.

É fundamental que todos e todas compreendam a gravidade desse ataque, no contexto conjuntural de recrudescimento do autoritarismo no cenário político mundial. É necessário mantermos as mobilizações e a luta unitária das forças democráticas e progressistas contra toda e qualquer tentativa de intimidação e perseguição àqueles e àquelas que defendem a causa palestina e a soberania nacional e popular dos povos que resistem aos ataques e às agressões do imperialismo.

Lutar não é crime!

Viva a luta do Povo Palestino!

Toda solidariedade ao Companheiro Zé Maria de Almeida do PSTU!

Pela anulação dessa absurda condenação!

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO – PCB
COMITÊ CENTRAL

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Dia do Trabalho surgiu de greve histórica nos EUA em 1886

A greve resultou em confrontos violentos entre trabalhadores e polícia, resultando na morte de manifestantes e também de policiais

30 de abril de 2026









Ato pelo fim da escala 6x1 (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Redação Brasil 247

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

O Dia Internacional do Trabalhador, também conhecido como Dia do Trabalhador ou Dia do Trabalho, comemorado anualmente em 1º de maio, é feriado em muitos países.A data tem origem na greve geral iniciada por trabalhadores norte-americanos em 1º de maio de 1886, em Chicago, que reivindicavam melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada que chegava a 17 ou 16 horas por dia para 8 horas diárias. 

A greve resultou em confrontos violentos entre trabalhadores e polícia, resultando na morte de manifestantes e também de policiais. O reconhecimento internacional ocorreu durante o congresso socialista Segunda Internacional, em Paris, em 1889, que convocou uma manifestação internacional para 1º de maio de 1890, consagrando a data como dia de luta pela conquista da jornada de trabalho de 8 horas/dia e em memória aos operários mortos de Chicago.

“Aí, tornou-se uma efeméride mundial. A partir daí, os países e os trabalhadores foram adotando essa data, cada um de um jeito. Mas, de forma geral, o significado é confronto. Era um dia de greve, um dia de luta, porque o patronato não queria absorver isso. Entendia que era custo a redução de trabalho”, disse à Agência Brasil o professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), Bernardo Kocher.

Naquele momento, a indústria estava trocando a produção: a remuneração por peça, passava a ser de remuneração por carga, ou seja, por hora trabalhada.

”Então, era possível reduzir a jornada, mas os patrões não queriam isso, porque era aumento de custo: menos trabalho e mesmo salário. Implicava diminuir jornada, mas não o salário.”

A produção ia diminuir, porque eram menos horas trabalhadas e o custo continuaria igual. Então, os trabalhadores lutavam, através de um dia de greve, como forma de manifestar a viabilidade de sua reivindicação.

Kocher explicou que com menos horas de trabalho, o operário teria condições de trabalhar melhor e isso resultaria em mais emprego, mais consumo. “Foi uma batalha um tanto, digamos, física. Em alguns lugares, era confronto com a polícia enquanto uma coisa simbólica, de narrativa, para que a lógica dos trabalhadores se sobrepusesse à lógica do capitalismo”. 

No Brasil

Ao contrário das informações que remetem a oficialização do Dia do Trabalho no Brasil a 1924, com o início da celebração da data em 1925, pelo então presidente Artur Bernardes, o professor de História da UFF assegurou que o feriado começou em 1890, junto com a proclamação da República.

“Eu fiz uma dissertação de mestrado sobre 1º de maio no Rio de Janeiro e constatei isso: 1890. O significado no Brasil, porém, foi diferente, afirmou o professor. Não foi de confronto. Por isso, dá impressão que não existiu. Foi uma coisa de cidadania, de manifestação do direito republicano."

“A classe operária era muito segmentada. Mal comparando, é como o povo das comunidades, que hoje é segmentado. Então, ninguém sabe o que acontece lá, não tem serviço. A classe operária era quase um gueto. Os operários se esforçavam para serem cidadãos, mas isso foi em 1890”. Quando ocorreu o 1º Congresso Operário Brasileiro, em 1906, os anarquistas sindicalistas conseguiram mudar o significado. Aí passou a ser um dia de greve, um dia de guerra, um dia de luta de classes.”

Na década de 1920, os comunistas ocuparam o lugar dos anarcossindicalistas e começaram também a se associar com a revolução. Isso foi até os anos de 1930, quando ocorreu a Revolução liderada por Getulio Vargas. 

“Aí, o Estado começou a se voltar para a questão do trabalho”.Nos anos de 1938 e 1939, foi proibida a comemoração como dia de greve e só em 1940 foi decretada a data como feriado. Segundo o professor Kocher, foi aí que o movimento operário perdeu a capacidade de monopolizar o significado do 1º de maio. “O presidente Getulio falava: Não precisa mais ser dia de greve, nós já estamos fazendo a legislação".

E, então, a data deixou de ser Dia do Trabalhador para ser Dia do Trabalho. 

Significado

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Gleisi atribui derrota do governo a senadores que se sentem ameaçados por investigações

Deputada critica resultado da votação que rejeitou o nome indicado por Lula ao STF e alerta para risco de derrubada do veto ao PL da Dosimetria

29 de abril de 2026

 

Gleisi Hoffmann (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Redação Brasil 247

247 - A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado Federal gerou forte reação política nesta quarta-feira (29). Para a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), a decisão, que contou com 42 votos contrários e 34 favoráveis, privou o Brasil de uma "pessoa muito qualificada para ser ministro do STF" e representa um risco sobre a votação do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da dosimetria.

"Mais do que uma injustiça contra Jorge Messias, os 42 senadores que rejeitaram seu nome privaram o país de uma pessoa muito qualificada para ser ministro do STF", afirmou a parlamentar na rede social X, antigo Twitter.

Ainda segundo a parlamentar, o resultado da votação no Senado é fruto de "um grande acordão entre a oposição bolsonarista e outros com objetivos eleitoreiros e pessoais dos que se sentem ameaçados pelas investigações de escândalos financeiros e contra o crime organizado. Votação que amanhã se preparam para repetir na derrubada do veto do presidente Lula na redução/anistia das penas dos condenados pelo golpe."

Por fim, afirmou que o movimento político observado na votação tem impacto mais amplo no país: "uma aliança vergonhosa que se volta contra o governo, mas é realmente contra a justiça, a democracia e o país."

A votação no plenário do Senado Federal impôs derrota à indicação de Jorge Messias, que precisava de ao menos 41 votos favoráveis para ser aprovado ao STF. O placar final foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, interrompendo a indicação do atual advogado-geral da União ao Supremo.

Antes disso, Messias havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com 16 votos favoráveis, mas não conseguiu manter o apoio no plenário.

EM TEMPO: O presidente Lula precisa se aconselhar com a governadora Raquel Lyra, a qual costuma "cortar as asas" dos políticos que votam contra o governo estadual  na ALEPE. Exatamente, o que mais incomoda considerável parcela dos políticos é que eles não conseguem dominar a governadora. Mesmo raciocínio vale para o presidente Lula, uma vez que não é possível que tanta gente com as benesses e cargos no governo, ainda votam contra a democracia, os interesses coletivos da população, a soberania, o meio ambiente, dentre outros. Ao que me parece o Jorge Messias não é militante  político, apenas um profissional sério, capacitado, de boa índole, defensor do Estado de Direito e da Democracia. Lamentavelmente, para os contra, ter qualidade é "pecado". Donde se conclui que o Brasil perdeu a grande  oportunidade de ter um profissional qualificado  na mais alta Corte Jurídica deste país. Ok, Moçada! 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Entrevista de Edmilson para Opera Mundi – 2

Foto: Rafael Ayres


 

PARTE 2 – O PCB DIANTE DO GOVERNO LULA / O PROGRAMA POLÍTICO DO PCB

Breno Altman: Deixe-me retomar o tema que estávamos discutindo sobre a caracterização do governo Lula. Acho até que acabei interrompendo um pouco a sua análise. Eu havia perguntado como você avalia o desempenho do governo nesse terceiro mandato. Você mencionou uma série de políticas com as quais discorda — o arcabouço fiscal, por exemplo, talvez a principal. Esses seriam os pontos negativos. Quais são, então, os pontos positivos do governo Lula? Porque imagino que, se só houvesse aspectos negativos, vocês estariam na oposição.

Edmilson Costa: Eu acho que, quando Lula resiste às sanções do governo Trump e não se submete, isso é um movimento importante do ponto de vista das relações internacionais. Da mesma forma, a participação nos BRICS também é relevante. Hoje, os BRICS são vistos como um dos principais contrapontos ao governo Trump.

É claro que os BRICS não são uma organização socialista, mas funcionam como um contraponto ao sistema imperialista, especialmente à política do governo norte-americano. Portanto, fortalecer a integração regional e também a articulação internacional é algo importante. Nesse aspecto, considero que há elementos positivos.

Breno Altman: Em relação a medidas tributárias, o governo isentou do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5.000 e adotou algumas iniciativas de taxação dos mais ricos — como a tributação de rendas mais altas, fundos offshore e outros mecanismos que antes gozavam de isenção. Essas medidas não representariam, ainda que de forma inicial, o cumprimento da promessa de colocar os ricos no Imposto de Renda, feita na campanha de 2022?

Edmilson Costa: Não, porque essas medidas são muito tímidas para resolver — ou mesmo iniciar de forma consistente — um processo de transformação na estrutura tributária. Hoje, mais de 50% da arrecadação vem de impostos sobre o consumo, o que penaliza os mais pobres. Além disso, lucros e dividendos pagam muito pouco — ou praticamente nada, historicamente.

Então, podemos até dizer que essas medidas são um primeiro passo, mas ainda são insuficientes diante das necessidades de uma reforma tributária no Brasil.

Breno Altman: Ao criticar o arcabouço fiscal, você levanta uma questão importante: o Brasil não tem um problema de dívida pública? Não precisa controlar sua dívida interna?

Edmilson Costa: Esse é um tema muito importante, sobre o qual boa parte da esquerda ainda tem pouco conhecimento. Por isso, vale a pena refletir melhor sobre a dívida interna.

Quando Fernando Henrique assumiu, a dívida interna era de 123,6 bilhões de reais. Ao final do seu governo, já estava em cerca de 800 bilhões. Hoje, ela chega a aproximadamente 8,6 trilhões de reais. Diante disso, podemos perguntar: esse endividamento foi feito para construir escolas, hospitais, estradas, saneamento básico ou habitação popular? Não. A maior parte da dívida interna brasileira tem caráter essencialmente financeiro. É uma dívida que aprisionou a economia brasileira e se tornou um dos principais mecanismos de apropriação do fundo público. Trata-se de uma sangria que precisa ser interrompida.

Breno Altman: Como seria, então, um governo de poder popular liderado por Edmilson Costa para resolver o problema da dívida?

Edmilson Costa: Inicialmente, faríamos uma auditoria da dívida, para identificar o que é dívida legítima e o que tem caráter meramente financeiro. Durante esse processo, seriam suspensos os pagamentos de juros e amortizações. Ao final da auditoria, seria definido qual é o estoque da dívida que o Estado reconheceria. A partir desse montante, seria feita uma reestruturação com títulos de longo prazo, já que a dívida brasileira hoje está baseada, em grande medida, em títulos de curto prazo. Com essa reestruturação, seria possível sanear o Estado, conter essa sangria do fundo público e criar novas condições para o desenvolvimento econômico, sem o peso atual dos juros.

Para se ter uma ideia, até 31 de janeiro de 2026, o pagamento de juros já alcançava cerca de 1 trilhão de reais. Esse valor vai para banqueiros, especuladores e rentistas. Como um país pode se desenvolver quando o fundo público é direcionado dessa forma? Isso é uma distorção profunda, que limita a capacidade do governo de implementar políticas econômicas e sociais. Sem enfrentar o problema da dívida interna — um dos principais instrumentos da política neoliberal —, não há condições de realizar as reformas necessárias.

Breno Altman: Há quem diga que essa auditoria é inviável, por causa do mecanismo de consolidação da dívida a partir dos anos 1990. Ou seja, seria impossível rastrear sua origem.

Edmilson Costa: Não, isso não é impossível. É possível rastrear, por exemplo, as taxas de juros praticadas desde o governo Fernando Henrique. Basta comparar essas taxas com a inflação do período. Houve momentos em que os juros chegaram a 40%. Hoje temos taxas de cerca de 15% com inflação em torno de 4,5%. Isto é uma distorção evidente. Esse componente financeiro pode ser identificado com relativa facilidade.

Breno Altman: Mas uma postura como essa — auditoria com suspensão de pagamentos — não poderia provocar um colapso do Estado? Afinal, os investidores poderiam deixar de comprar títulos da dívida, dificultando sua rolagem, gerando fuga de capitais e comprometendo o financiamento estatal.

Edmilson Costa: Não necessariamente. A fuga de capitais só ocorre se o governo não adotar controle cambial. Eu não expus todo o programa, mas temos um conjunto completo de propostas, e o controle cambial é fundamental. Sem ele, você não impede que capitais especulativos entrem e saiam do país livremente. Com controle cambial, o Estado passa a ter instrumentos para estabilizar a economia.

No campo econômico, defendemos a nacionalização do sistema financeiro e sua transformação em uma atividade pública. Hoje, o sistema financeiro brasileiro não está articulado com o setor produtivo. Ele opera basicamente na lógica da especulação e da cobrança de juros elevados. Diferentemente de economias centrais, onde o sistema financeiro está mais conectado ao investimento produtivo, aqui ele funciona como um sistema voltado à especulação com títulos e à cobrança de spreads altíssimos. Taxas de juros de cartão de crédito que chegam a 270% ao ano são completamente incompatíveis com uma economia saudável.

Além disso, criaremos o Banco dos Trabalhadores, que passaria a gerir os fundos patrimoniais e os fundos previdenciários, hoje administrados por bancos privados. Com esse volume de recursos, o Banco dos Trabalhadores teria condições de atuar na política econômica e contribuir com o processo de desenvolvimento. O novo banco seria criado com recursos especificamente destinados — como os fundos patrimoniais e previdenciários. Esses fundos se tornariam instrumentos diretos de política econômica. Os demais bancos continuariam como bancos estatais, cumprindo suas funções, enquanto este teria um papel específico e estratégico.

Breno Altman: Além da reforma financeira, quais são as outras quatro transformações propostas pelo PCB?

segunda-feira, 27 de abril de 2026

 

Como atentados (ou supostos atentados) são usados pela extrema direita para acabar com as democracias

Episódio envolvendo Trump em Washington é um entre tantos que ajudaram no projeto de poder autoritário, desde Hitler e passando por Bolsonaro.

Por Joaquim de Carvalho (Jornalista)



 

Trump fala após evacuação no jantar com correspondentes (Foto: Reprodução Youtube)

O episódio envolvendo Donald Trump, durante um jantar com jornalistas em Washington, ocorre em um momento de baixa popularidade do ex-presidente e de cenário adverso para o Partido Republicano, que enfrenta risco concreto de perder maioria na Câmara e no Senado nas eleições de novembro. O caso reabre o debate sobre atentados — ou supostos atentados — que marcaram a atuação da extrema direita ao longo da história recente. Não há casos notórios equivalentes que tenham beneficiado a esquerda de forma comparável. Não se trata aqui de endossar teorias conspiratórias, mas de observar que, em diversos contextos, esses episódios foram usados politicamente para empoderar lideranças e justificar medidas que tensionam ou violam garantias democráticas.

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu na Alemanha, em 1933, com o incêndio do Reichstag. O episódio aconteceu poucas semanas após Adolf Hitler assumir o cargo de chanceler, em janeiro daquele ano. Embora o Partido Nazista já estivesse formalmente no poder, foi após o incêndio que se iniciou, de forma decisiva, a consolidação de um regime autoritário.

O evento foi imediatamente atribuído a uma suposta conspiração comunista. Em resposta, o governo aprovou o Decreto do Incêndio do Reichstag, que suspendeu direitos fundamentais, permitiu prisões em massa de opositores e instituiu mecanismos de censura. Foi nesse contexto que o poder nazista se expandiu de maneira efetiva, transformando uma vitória eleitoral em um regime de exceção baseado na repressão sistemática.

Décadas depois, nos Estados Unidos, episódios envolvendo ameaças contra o então candidato Donald Trump também ganharam destaque durante a campanha presidencial de 2016. O início da campanha foi marcado pelo caso de Michael Sandford, um jovem britânico de 19 anos que foi preso após tentar tomar a arma de um policial durante um comício em Las Vegas. Ele havia feito treinamento de tiro poucos dias antes e declarou às autoridades que pretendia matar o candidato.

Assim como ocorreria no Brasil, dois anos depois, no episódio envolvendo Adélio Bispo de Oliveira em Juiz de Fora, o jovem Sandford foi diagnosticado com problemas mentais, incluindo depressão. Sandford também relatou ser autista, o que não é um problema mental. O episódio em Las Vegas teve ampla repercussão internacional e favoreceu eleitoralmente Trump, com a narrativa de que ele era perseguido.

Já na fase final da disputa, outro episódio ganhou visibilidade, embora com contornos distintos. Durante um comício, um homem identificado como Austyn Crites foi retirado do público após gritos de que estaria armado. A segurança interveio rapidamente, Trump foi retirado do palco e o evento chegou a ser interrompido. 

Posteriormente, verificou-se que Crites não portava arma e não havia tentativa concreta de atentado. O próprio envolvido afirmou ser apoiador de Trump e protestar contra a mídia. Ainda assim, o episódio contribuiu para manter o tema da ameaça à segurança no centro da cobertura da campanha, que terminaria com a vitória do candidato.

No Brasil, a campanha de Jair Bolsonaro em 2018 foi profundamente impactada pelo atentado em Juiz de Fora, em 6 de setembro. Após o episódio, Bolsonaro apresentou crescimento significativo nas pesquisas de intenção de voto. Dois dias antes, integrantes de sua campanha haviam informado que ele passara a usar colete à prova de balas, diante de supostos riscos de segurança.

No episódio de Juiz de Fora, porém, Bolsonaro usava uma camiseta de campanha com a inscrição “Meu partido é o Brasil”, contrastando com situações anteriores, como em Rio Branco (AC), onde apareceu com jaqueta — apesar do calor — e fez declarações agressivas enquanto segurava um tripé, em cena que foi amplamente divulgada. “Vamos fuzilar a petralhada”, gritou.

No plano internacional, chama atenção o encontro, semanas antes do atentado, entre Steve Bannon e Eduardo Bolsonaro, em Nova York. Eduardo Bolsonaro afirmou publicamente que Bannon teria alertado sobre a possibilidade de um atentado contra seu pai, que, na época, estava em segundo lugar na pesquisa Datafolha, com 19%. Já Lula tinha 39%. Sem o nome de Lula na pesquisa, que estava preso pela Lava Jato, Bolsonaro subia um pouco – 22% -, nada que o fizesse favorito.

O tema do atentado voltou à cena nos Estados Unidos em 2024, quando Trump foi novamente associado a um episódio envolvendo disparo de arma de fogo. O caso teve enorme repercussão. Especialistas observam que armas como o rifle AR-15 costumam provocar danos severos, mas, no caso de Trump, houve apenas um arranhão.

No Brasil, um episódio histórico frequentemente lembrado é o Atentado do Riocentro, em 1980. Durante a ditadura militar, uma explosão ocorrida em um veículo revelou um plano de setores da extrema direita: realizar um atentado e atribuí-lo à esquerda para justificar o endurecimento do regime, que naquele momento passava por um processo de abertura.

Outro caso de grande impacto foi o Ataques de 11 de setembro de 2001. Após os atentados, os Estados Unidos adotaram medidas como o Patriot Act, ampliando poderes de vigilância do Estado, além da criação de estruturas como o centro de detenção em Guantánamo, alvo de críticas por violações de direitos humanos..

O episódio deste sábado, nos Estados Unidos, já está sendo  utilizado politicamente por Flávio Bolsonaro, que estabeleceu paralelos com o atentado de Juiz de Fora, reintroduzindo o tema no debate público, enquanto Adélio, trancado em cela isolada no presídio de segurança máxima, não pode sequer dar entrevista.

“Coloco nas minhas orações o Presidente Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump e todos que estiveram no jantar em Washington. Tentar tirar a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia. Que Deus nos proteja desse tipo de violência lá ou aqui no Brasil”, escreveu. Historicamente, é a extrema direita que costuma tirar a vida de quem pensa diferente.

A recorrência desses casos sugere que atentados — reais ou não, e sempre apresentados como ameaças — desempenham papel relevante em contextos políticos que favorecem o projeto da extrema direita. Este artigo não endossa teorias conspiratórias, mas elenca episódios históricos em que tais eventos foram mobilizados politicamente, contribuindo para o fortalecimento de projetos de poder e, em muitos casos, para a restrição de direitos e garantias democráticas.

domingo, 26 de abril de 2026

Saiba quem foi Olga Benário, que morreu no dia 23 de abril de 1942, numa câmara de gás nazista

Militante comunista alemã foi entregue pelo governo Vargas à Alemanha de Hitler e se tornou símbolo da resistência antifascista.

Olga Benário (Foto: Imagem criada por IA)



 








Redação Brasil 247

247 – Olga Benário Prestes, uma das figuras mais emblemáticas da luta contra o nazismo no século XX, foi assassinada em 23 de abril de 1942, em uma câmara de gás no campo de extermínio de Bernburg, na Alemanha. Militante comunista, judia e combatente internacionalista, sua trajetória cruza alguns dos episódios mais dramáticos da história brasileira e mundial.

Nascida em 1908, em Munique, Olga ingressou ainda jovem no movimento comunista alemão. Perseguida pelo regime nazista, acabou atuando em missões internacionais organizadas pela Internacional Comunista. Foi nesse contexto que conheceu o brasileiro Luiz Carlos Prestes, líder da Coluna Prestes e uma das principais figuras da esquerda latino-americana.

Os dois foram enviados ao Brasil em 1935 para apoiar a organização da chamada Intentona Comunista. Presos após o fracasso do movimento, Olga e Prestes passaram a ser alvo direto da repressão do governo de Getúlio Vargas.

O papel controverso de Getúlio Vargas

Mesmo grávida de Prestes, Olga foi deportada em 1936 pelo governo Vargas para a Alemanha nazista — uma decisão que permanece até hoje como uma das mais controversas da história política brasileira. A extradição ocorreu apesar dos apelos internacionais e do fato de que, ao ser enviada de volta à Alemanha de Hitler, Olga enfrentaria perseguição certa por sua condição de judia e comunista.

A medida é frequentemente interpretada como um gesto de alinhamento do governo Vargas com regimes autoritários da época, além de evidenciar o caráter repressivo do Estado brasileiro naquele período. Olga foi entregue à Gestapo e passou por diversos presídios e campos de concentração.

Prisão, maternidade e morte

Na prisão, Olga deu à luz Anita Leocádia Prestes, que foi posteriormente entregue à avó paterna no Brasil após intensa campanha internacional. Separada da filha ainda bebê, Olga seguiu encarcerada em condições brutais.

Em 1942, foi transferida para o centro de extermínio de Bernburg, onde acabou assassinada na câmara de gás, como parte da política sistemática de eliminação promovida pelo regime nazista.

Prestes, prisão e reconciliação histórica

Luiz Carlos Prestes permaneceu preso no Brasil durante quase toda a década de 1930 e início dos anos 1940. Libertado em 1945, após a queda do Estado Novo, ele se tornaria uma das principais lideranças políticas do país.

Décadas depois, a memória de Olga Benário passou a ser oficialmente reconhecida pelo Estado brasileiro. Em um gesto de reparação histórica, o governo brasileiro anulou simbolicamente sua extradição e reconheceu a responsabilidade do Estado na sua entrega ao regime nazista.

A trajetória de Olga e Prestes também foi resgatada como símbolo de resistência política e de luta contra o fascismo. Sua história inspira livros, filmes e pesquisas, consolidando sua imagem como uma mártir da luta por justiça social.

Legado

Mais de oito décadas após sua morte, Olga Benário permanece como um dos nomes mais fortes da memória antifascista. Sua vida e seu assassinato expõem tanto a brutalidade do nazismo quanto as contradições da política brasileira da época.

Recordar sua história, especialmente em datas como esta, é também revisitar um período em que decisões de Estado tiveram consequências trágicas — e reafirmar a importância da memória histórica na defesa da democracia.

EM TEMPO: Informo-lhe que em meados de 2016 a filha de Olga Benário e Luis Carlos Prestes, a professora da UFRJ e Historiadora, Anita Leocádia Prestes, ministrou uma palestra relativa a trajetória política do Cavalheiro da Esperança, Comandante da Coluna Prestes, Senador, Engenheiro e Ex-militar do Exército Brasileiro, o seu pai  Luis Carlos Prestes, realizada  no Auditório do Garanhuns Palace Hotel, a convite do Secretário Político do PCB de PE, o camarada, jornalista e Ex-Vereador da Cidade de Recife, o Roberto Arraes. Ok, Moçada! 

sábado, 25 de abril de 2026

Entrevista de Edmilson Costa para Opera Mundi

Parte 1: pré-candidatura do PCB à Presidência

Transcrição realizada por Luca da Silva Ávila

Breno Altman: Boa noite. Hoje é 17 de março de 2026. Meu nome é Breno Altman e estamos dando início a mais um episódio do programa 20 Minutos.

A esquerda brasileira chega às eleições de 2026 atravessada por dilemas e desafios frente aos riscos de vitória da extrema direita. Nesse cenário, surgem candidaturas que questionam o projeto liderado pelo PT e pelo presidente Lula, apresentando uma crítica ao que consideram ser uma estratégia definida pela conciliação de classes.

Nesse contexto, insere-se a pré-candidatura de Edmilson Costa, presidente nacional do Partido Comunista Brasileiro, o Partidão. Com uma longa trajetória vinculada ao marxismo, o PCB aposta na afirmação de um projeto socialista como alternativa à ordem vigente. Seu possível postulante ao Palácio do Planalto é um histórico militante comunista, desde os tempos da ditadura militar. Para compreendermos os objetivos e as propostas dessa pré-candidatura, vamos conversar com o próprio Edmilson Costa em mais uma entrevista com nomes que estão entrando na corrida presidencial. Fiquem conosco, já vamos começar.

Breno Altman: Boa noite, Edmilson. Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite e por ter vindo aqui aos nossos estúdios.

Edmilson Costa: Boa noite, Breno. Quero agradecer o espaço e dizer que a Ópera Mundi é um canal progressista que sempre abre espaço para propostas alternativas. Agradeço muito pelo espaço.

Breno Altman: Muito obrigado. Edmilson, o que motiva sua pré-candidatura à presidência da República?

Edmilson Costa: A nossa pré-candidatura, a pré-candidatura do Partido Comunista Brasileiro, tem o objetivo de realizar a disputa política visando à mudança do país. Sabemos que vivemos uma situação complexa e difícil, e vamos colocar um conjunto de temas que outras candidaturas não querem ou não podem abordar, em função de suas identidades de classe, de suas posições ideológicas ou mesmo das alianças que fazem no período eleitoral. Entre esses temas estão a dramática situação da população brasileira, o enfrentamento ao imperialismo, a solidariedade internacional e a necessidade de um conjunto de reformas para mudar a realidade do nosso país.

Vivemos uma situação complexa e difícil, mas, como você sabe, os comunistas sempre atuaram em conjunturas assim. Até porque, se a vida fosse fácil, já teríamos chegado ao socialismo. Se olharmos o cenário internacional, veremos que a eleição de Trump mudou a qualidade da intervenção do imperialismo no mundo. Eles agora estão mais agressivos e não respeitam mais nem mesmo as próprias leis internacionais que criaram.

No plano interno, podemos dizer que a vitória de Lula teve uma importância fundamental, porque nos livrou daquele genocida que, neste momento, está preso. No entanto, Lula não cumpriu um conjunto de promessas feitas à população brasileira e governa essencialmente para o capital, restando à população apenas as migalhas da compensação social. Ou seja, essas questões merecem uma resposta política, e a nossa candidatura busca oferecer essas respostas.

Por quê? Porque temos a impressão de que a população está cansada da velha política que sempre privilegiou os ricos e poderosos em nosso país. A população também está cansada dos velhos políticos que prometem o paraíso nas campanhas eleitorais e, quando vencem, viram as costas para o povo.

E o que acontece na sociedade brasileira? Enquanto isso, vemos uma população na miséria, a maioria dos trabalhadores vivendo com baixos salários, a juventude sem perspectivas, serviços precarizados, a saúde em crise, o caos urbano e um conjunto de problemas que afetam diretamente a população mais pobre. Por outro lado, milionários, industriais, banqueiros, especuladores e grandes proprietários do agronegócio acumulam enormes lucros à custa do povo trabalhador.

Essa conjuntura também exige uma resposta. É nesse sentido que afirmamos: o Brasil precisa ser devolvido ao seu verdadeiro dono, que é o povo brasileiro. Nessas circunstâncias, o PCB e sua pré-candidatura elencaram cinco grandes transformações, que vamos desenvolver ao longo desta conversa. Consideramos essas transformações fundamentais para construir uma pátria próspera, democrática e soberana.

Também é importante destacar que essas propostas têm viabilidade, pois o Brasil está maduro para o socialismo. E por que está maduro? Porque todas as revoluções do século XX foram realizadas em países agrários. A Revolução Soviética ocorreu em um país agrário. A Revolução Chinesa, em um país agrário. A Revolução Vietnamita e a Revolução Cubana também.

No Brasil, as condições são extremamente favoráveis. Isso porque o país é industrializado, possui abundância de recursos, grande disponibilidade de água, uma ampla força de trabalho jovem e todas as matérias-primas necessárias para um processo de desenvolvimento — inclusive cerca de 21% das terras raras, pelas quais o imperialismo demonstra grande interesse atualmente.

Portanto, o socialismo no Brasil, ao contrário das experiências do século XX — que partiram de um patamar atrasado das forças produtivas —, partiria de um nível objetivamente superior, em um país industrializado e com plenas condições de desenvolvimento. Assim, as propostas que apresentamos buscam encaminhar esse processo de transição rumo ao poder popular e ao socialismo.

Breno Altman: Antigamente se dizia que, se a pobreza levasse ao socialismo, a Índia já teria feito a revolução. Mas também poderíamos dizer que, se condições econômicas maduras levassem ao socialismo, quem seria socialista seriam os Estados Unidos. O que falta, portanto, se as condições estão maduras no Brasil para que o socialismo possa se tornar uma perspectiva concreta na política do nosso país?

Edmilson Costa: Antes de tudo, é importante acrescentar um pouco mais sobre as condições objetivas que temos. Possuímos o segundo maior proletariado do continente. São cerca de 37 milhões de trabalhadores diretamente ligados à produção de valor e mais de 53 milhões nas áreas de serviços, comércio, etc. Portanto, essa base objetiva precisa ser trabalhada no sentido de transformarmos essas condições objetivas em condições subjetivas de organização.

Evidentemente, isso não é algo que cai do céu, que acontece de uma noite para o dia. Mas, se você tem essa base real, fica muito mais fácil desenvolver as condições subjetivas do que se não a tivesse. Também precisamos considerar que estamos na periferia do capitalismo, nos chamados elos débeis, onde as contradições são maiores e, portanto, mais favoráveis para avançar na construção dessas condições subjetivas.

Breno Altman: Qual é a estratégia que o PCB propõe para chegar ao socialismo e qual o papel que uma pré-campanha como a sua, dentro das regras da democracia liberal, poderia cumprir?

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Muito cuidado com as pesquisas

·         24/04/2026

  • Texto extraído do Blog do Magno Martins
  • - Edição de Camila Emerenciano

  

 

 

Por Maurício Rands*

As pesquisas eleitorais representam uma fotografia do momento. Podem ter caráter científico se bem usados os métodos de estratificação das amostras e de tratamento estatístico dos dados. Mas isso não as isenta dos riscos do manejo interessado. Os incentivos vão desde axiomas antidemocráticos como os famigerados “em política o feio é perder” ou “os fins justificam os meios”, chegando à pura e simples corrupção.

Alguns não se importam com as manipulações, acreditando ingenuamente que a pesquisa relevante é apenas a do eleitor nas urnas. Não percebem que as pesquisas, ainda que falseadas, afetam a decisão do eleitor que, geralmente, é infenso a votar no candidato sem chances.

Nesses descaminhos, as pesquisas podem falhar voluntária ou involuntariamente. Tome-se o caso das últimas pesquisas para governador em Pernambuco. A do Datafolha apresentou dados em descompasso com os de outros institutos que vinham apontando empate técnico entre a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos.

Especialistas apontam que alguns institutos, mesmo gozando de reputação nacional estabelecida, cometem lapsos metodológicos, sobretudo quando a eleição ainda está distante. À medida que a data do pleito se avizinha, vão fazendo os ajustes na metodologia e na amostra.

No caso da Datafolha, em alguns estados, ela terceiriza as equipes de entrevistadores. E, no início, concentra as amostras de entrevistados nas capitais e regiões metropolitanas, visto que entrevistas em locais mais remotos têm maiores custos. No caso de Pernambuco, isso pode justificar a diferença em relação às demais pesquisas que vinham apontando empate entre os principais concorrentes ao governo.

Outro tópico que justifica a cautela com as pesquisas é o fato de que, até o momento, os eleitores que não escolheram seus candidatos ainda são muito numerosos, assim como é elevado o percentual dos que admitem mudar de voto.

Como lembrou Renato Meirelles, em O Globo de 16.4.26, nada menos do que 62% dos entrevistados na última pesquisa Quaest não souberam dizer em quem votariam para Presidente quando, inicialmente, indagados sem o estímulo do disco com as alternativas.

Isso significa 96 milhões de pessoas que não externam espontaneamente uma preferência. Trata-se de dado relevante porque a urna eletrônica funciona como o voto espontâneo. O eleitor, quando chega na cabine, não se depara com um disco com os candidatos.

Outro fator que recomenda cautela com os resultados das pesquisas atuais é o fato de que 43% dos entrevistados admitem mudar de voto. Ou seja, 67 milhões de pessoas que declaram voto em algum candidato, mas admitem mudar.

Acrescente-se a frequente discrepância entre os votos espontâneos e os votos na estimulada. Na última pesquisa Datafolha para Pernambuco, João Campos apresentou uma dianteira de 12%. Mas, na espontânea, Raquel Lyra apresentou índices superiores (28% a 26%).

Ainda um outro dado recomenda cautela nas apostas sobre quem será vitorioso em Pernambuco. Historicamente, é raro um governante com mais de 60% de aprovação na pré-campanha perder uma tentativa de reeleição.

No Brasil, o índice de aprovação acima de 50% funciona quase como um “porto seguro”, embora erros graves ou crises possam afetar essa tendência. Mesmo com índices menores de aprovação, alguns incumbentes ainda assim são competitivos.

Foi o caso de Jair Bolsonaro, que, em 2022, tornou-se o primeiro presidente a perder a reeleição. Embora seus índices de “ótimo/bom” oscilassem entre 25% e 35%, ele perdeu para Lula por pequena diferença. Isso também sugere que a força de quem está sentado na cadeira continua relevante.

Especialistas em marketing político afirmam que governantes com 60% de aprovação só perdem a reeleição se ocorrer uma unificação total da oposição em torno de um único nome; ou quando o incumbente é tragado em um escândalo ético pessoal intransponível; ou ainda quando a rejeição individual (o “não voto de jeito nenhum”) for maior que 30%, mesmo com o governo bem avaliado.

Nenhuma dessas exceções se aplica à candidatura da governadora Raquel Lyra. As pesquisas têm convergido ao apontar um índice de aprovação do seu governo acima de 60%. Isso pode lhe conferir uma vantagem com tendência a se consolidar à medida que as ações do seu governo forem ainda mais conhecidas.

No caso do presidente Lula, a maioria das pesquisas aponta empate técnico com Flávio Bolsonaro. Mas a maior polarização no plano nacional é um fator importante. Embora ele tenha aprovação menor que 50% e tenha elevados índices de rejeição, o debate sobre as realizações de seu governo pode contar em uma eleição que segue sendo um clássico imprevisível.

*Advogado, professor de Direito Constitucional e PhD pela Universidade de Oxford

EM TEMPO: O TSE deve baixar uma Resolução exigindo que os institutos de pesquisa realizem a devida Prestação de Contas, mensalmente, assim como é exigido dos candidatos. Afinal, que "bondade" é essa de tanto financiamento das pesquisas, as quais não são baratas. Ok, Moçada!