sábado, 11 de abril de 2026

A Barbária se rende estrategicamente. A Civilização vence. Por enquanto.

Cessar-fogo expõe fragilidade dos EUA e avanço da China no tabuleiro global


Bandeiras nacionais iranianas são vistas em praça de Teerã (Foto: Leonardo Attuch)

 

Foi sempre uma questão de civilização.

“Toda uma civilização morrerá esta noite, para nunca mais voltar”. A História registrará essa frase com um olhar tão impiedoso quanto o Sol. Um estarrecedor imprimatur bárbaro, cortesia do Presidente dos Estados Unidos, por meio de uma postagem na mídia social.  

Em poucas palavras, a “civilização” mequetrefe que nos deu o  Big Mac ameaçando aniquilar a antiga civilização que nos deu a álgebra; que influenciou a arte, a ciência e a arte de governar de formas inigualáveis; que produziu figuras eminentes, de Ciro, o Grande a Avicena, de Omar Khayyan ao supremo poeta Jalaladdin Rumi; que criou incontáveis jardins e tapetes sublimes, maravilhas arquitetônicas e estruturas filosóficas e éticas.

É de importância crucial que não tenha se ouvido um pio sequer sobre esse ataque de nervos da Barbária por parte das lideranças políticas de todo o Ocidente Coletivo “civilizado”, que nem mesmo fingiu indignação, provando mais uma vez sua absoluta e irreversível falência moral e política.   

Os iranianos responderam na mesma moeda. Mais de quatorze milhões de pessoas se registraram para formar muralhas humanas em torno de suas usinas elétricas por toda a nação, ao mesmo tempo protegendo seu sustento e enfrentando cara a cara o poder de fogo do Sindicato Epstein.   

Quando o momento fatal se aproximava, o Babuíno da Barbária se metamorfoseou – no que mais seria? – em um TACO, imortalizado pelos caras do LEGO.

É absolutamente impossível que o Paquistão tenha oferecido “garantias” ao Irã de que um cessar-fogo era a maneira pôr fim à guerra. Tal como confirmado por fontes diplomáticas, o que realmente aconteceu foi que Pequim, na undécima hora, se colocou como garantidora, assegurando a Teerã que os Estados Unidos aceitariam pelo menos algumas das exigências iranianas colocadas em seu plano de 10 pontos.  

Esse fato foi confirmado pelo embaixador iraniano na China, Abdolreza Rhamani Fazili. As negociações começarão nesta sexta-feira em Islamabad.

O Presidente dos Estados Unidos, o Babuíno Babão da Barbária, confrontado com as terríveis e inevitáveis consequências de seus próprios erros estratégicos, usou o Paquistão como rampa de saída. O que foi confirmado por um outro erro épico do próprio primeiro-ministro paquistanês: ele se esqueceu de remover o cabeçalho da postagem do Twitter/X redigida pela Casa Branca para ser publicada por ele.    

O atual regime paquistanês  – comandado de fato pelo Marechal Asim Munir, que tem Trump na lista de discagem rápida de seu telefone – pode ter se beneficiado, e continuará a se beneficiar geopoliticamente de seu singular status: uma nação muçulmana nuclear com uma significativa minoria xiita, boas relações com o Conselho do Golfo (GCC); vizinho e amigável ao Irã; tendo assinado um pacto de defesa com a Arábia Saudita, parceiro estratégico da China e sem bases militares dos Estados Unidos em seu solo.   

Mas Islamabad foi sempre um mero intermediário, jamais o arquiteto de qualquer tipo de “mediação”. Por mais que a Casa Branca tenha tentado criar um ofuscamento, foi a China que teve que traçar os contornos de uma possível détente.

O Sindicato Epstein (leia-se Trump - grifo nosso) pede uma trégua  

Havíamos chegado a um ponto em que o culto à morte do Oeste Asiático vinha sendo esmagado simultaneamente pelo Irã e pelo Hezbolá, no sul do Líbano. Apesar de toda a avalanche de versões fantasiosas, seus gritos de socorro desempenharam um papel significativo na decisão de Trump de pedir um cessar-fogo.   

O Sindicato Epstein como um todo pediu esse cessar-fogo. Nada a ver com geopolítica, mas com um inferno operacional: o Império do Caos havia esgotado seus recursos militares.  

A pista reveladora foi quando o USS Tripoli bateu em retirada – sob fogo – para as profundezas do Oceano Índico, com 2.500 fuzileiros navais a bordo. Isso significava que a Marinha dos Estados Unidos estava de fora do teatro da guerra – exceto pelos submarinos com Tomahawks, dos quais cerca de metade  erram o alvo com surpreendente (im)precisão.  

E os problemas estão longe de terminar. O inferno financeiro assoma no horizonte, o que quer que seja decidido em Islamabad e mais além, com dez trilhões em títulos do Tesouro para serem rolados em 2026. E o petrodólar está rapidamente a caminho do lixo da História.  

Entra em cena, mais uma vez, o insano culto à morte (Governo de Israel - grifo nosso).  

Não esquecer jamais. O Sindicato Epstein é incapaz de cumprir acordos. E o culto à morte (Governo de Israel - grifo nosso) não pratica cessar-fogo: na melhor das hipóteses, ele encontra brechas que lhe permitam continuar a matar todos os que vê pela frente.  

Os sinais do desastre já são evidentes. Se o culto à morte quebrar o cessar-fogo  – o que já aconteceu – o Iran e o Hezbolá revidarão, de forma massiva, sem atacar ativos dos Estados Unidos.  

Mas ainda é cedo para afirmar que o Babuíno da Barbária tenha perdido a guerra com base em todas as métricas possíveis: morais; legais, políticas, econômicas e estratégicas.   

Afinal, o Império do Caos (Governo Trump - grifo nosso) sempre será, intrinsecamente, incapaz de respeitar acordos firmados, em especial quando a ficha corrida fala de dois ataques consecutivos no decorrer das negociações diplomáticas, matando a todos, desde o Aiatolá  Khamenei a dezenas de possíveis negociadores.  

O Grande Quadro permanece o mesmo (cantando!): esta é uma guerra de morte contra os três principais proponentes do mundo multipolar: Irã, China e Rússia.  

O jogo de poder da China, mais alguns fatos estabelecidos  

Antes do cessar-fogo, a China vinha recebendo 1,2 milhões de barris de petróleo iraniano por dia, trazidos, principalmente por 26 navios-tanque fantasmas, com seus  transponders no escuro, com pagamentos feitos em yuan no pedágio do Estreito de Hormuz, usando o CIPS.  Tudo isso deixando de lado o SWIFT, as sanções, o petrodólar e os seguros ocidentais.  

É isso que se chama de um sistema de pagamentos novo e alternativo implementado de fato,  no gargalo mais crucial de todo o planeta.  

Essa complexa arquitetura de energia-sombra permanece inalterada durante o cessar-fogo – supondo-se que ele se sustente. Mas o ponto principal é que a  China consegue mais uma pausa para tomar fôlego: a sombria ameaça de pôr fim a toda a exportação de petróleo iraniano criada pelo suspense do Dia da Usina de Energia declarado pela Barbária parece ter desaparecido. Isso explica a base lógica por trás da garantia de último minuto oferecida pela China ao Irã.   

Compare-se isso aos “objetivos” declarados do Império do Caos: provocar mudança de regime, se apoderar do urânio enriquecido, destruir o programa de mísseis e a capacidade do Irã de projetar poder. Tudo isso se transformou em um épico erro estratégico, culminando com o novo status do Estreito de Ormuz.   

Irã e Oman irão coordenar a cabine de pedágio para cada navio que cruzar o Estreito durante o cessar-fogo – e certamente depois que ele terminar, com base em uma minuciosa estrutura jurídica. Navios estadunidenses cruzando o Estreito de Ormuz após pagar sua taxa em yuan  – é difícil pensar em algo mais poeticamente intoxicante, no sentido da Ironia da História.  

Mesmo assim, está claro que o Império do Caos está tentando ganhar tempo – mesmo que o Irã mantenha a iniciativa. Aqui segue o principal  ponto colocado pelo Supremo Conselho de Segurança Nacional iraniano:  

“Ficou decidido no mais alto escalão que o Irã irá conduzir duas semanas de negociações em Islamabad com base unicamente nos seguintes princípios [os dez pontos iranianos]. Isso não significa que a guerra tenha terminado. O Irã só aceitará o fim da guerra quando esses princípios tiverem sido confirmados em detalhe”.  

Recapitulemos brevemente os 10 pontos que, em tese, foram aceitos por Trump:

1.      Compromisso de não-agressão;

2.      Manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz;  

3.      Acordo sobre enriquecimento de urânio;  

4.      Cancelamento de todas as sanções primárias;  

5.      Cancelamento de todas as sanções secundárias;  

6.      Revogação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU;   

7.      Revogação das resoluções do Conselho de Dirigentes da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA);

8.      Pagamento de indenização ao Irã;

9.      Retirada das forças militares dos Estados Unidos da região;

10.   Cessação da guerra em todas as frentes, incluindo a guerra contra o Hezbolá no Líbano.   

Não há hipótese de o Irã vir a aceitar uma solução de compromisso com relação à maioria desses pontos. O pagamento de indenização pode ser transformado em renda proveniente do pedágio do Estreito de Ormuz. Mas o alívio das sanções não irá acontecer, o Congresso dos Estados Unidos jamais o permitiria. A garantia de que os Estados Unidos não atacarão o Irã novamente não se qualifica  nem como piada. Além do mais, o Império do Caos, simplesmente, não conseguiria garantir coisa alguma com relação a Gaza ou ao Líbano.  

Esse, contudo, é um plano extremamente arriscado para o Irã e um enorme teste para a China, na qualidade de maior garantidora. O Irã sofreu danos horrendos – principalmente na indústria petroquímica. Mesmo com muito investimento chinês, levará anos para o Irã se recuperar.  

Os Três Patetas podem ir a Islamabad nesta sexta-feira. Curly é Vance, Shifty é  Witkoff e Mo é Kushner. Mas o Irã – representado por seu chanceler Araghchi – só falará a sério com um deles: Curly.  

Assim, a Civilização sobrevive – por enquanto. Acrescentando alguns fatos. Fato 1: os Estados Unidos não são mais uma superpotência, Fato 2: o Irã volta como uma das grandes potências mundiais. Fato 3: a maioria das covardes petromonarquias do Golfo acabará por expulsar definitivamente as bases militares estadunidenses. Fato 4: Qatar e Omã montarão um acerto de segurança com o Irã.   

O principal imperativo continua o mesmo – e interessa a todo o planeta: como encontrar uma cura para aquele câncer do Oeste Asiático.   

Tradução de Patricia Zimbres 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Em desespero após derrota, Netanyahu ataca ferrovia Irã-China

Ataque à ferrovia Irã-China ocorre após críticas internas e expõe crise diplomática do governo Netanyahu



Benjamin Netanyahu em Jerusalém 5/1/2026 REUTERS/Ronen Zvulun (Foto: Ronen Zvulun)

Redação Brasil 247

247 - Israel realizou na terça-feira (7) um ataque aéreo contra a ferrovia Irã-China, em um movimento que ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática do governo de Benjamin Netanyahu e às crescentes críticas internas sobre sua condução da política externa. A ofensiva atinge um projeto estratégico ligado à Nova Rota da Seda e reforça o cenário de tensão regional.

Os bombardeios tiveram como alvo a chamada “China-Iran Railway”, inaugurada em 3 de junho de 2025 com financiamento de 40 bilhões de yuans por parte da China. A infraestrutura foi projetada para permitir o transporte de petróleo iraniano diretamente ao território chinês, contornando rotas marítimas tradicionais e reduzindo em cerca de 20 dias o tempo de transporte.

A ferrovia representa um dos principais eixos logísticos da estratégia chinesa de integração econômica e também foi concebida como alternativa para mitigar os efeitos de 13 anos de sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã. O ataque marca a primeira ação direta de Israel contra um ativo central vinculado à iniciativa global de Pequim.

A ofensiva ocorre em um momento de forte desgaste político para Netanyahu. O líder da oposição em Israel e ex-primeiro-ministro Yair Lapid fez críticas contundentes à atuação do governo, classificando a política externa atual como um fracasso histórico. Em publicação recente, Lapid afirmou que Israel enfrenta um colapso sem precedentes em sua articulação diplomática. 

As críticas surgem em meio à trégua negociada entre Estados Unidos e Irã, articulada sem protagonismo direto de Israel. O governo israelense apoiou a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de suspender por duas semanas os ataques contra o Irã, como parte de uma tentativa de abrir espaço para negociações.

Apesar disso, Israel manteve operações militares no Líbano, deixando essa frente fora do cessar-fogo. A decisão gerou controvérsia, especialmente porque o acordo contou com mediação do Paquistão e foi apresentado como um avanço para a redução das tensões no Oriente Médio.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Israel “é uma maldição para a humanidade”, dispara ministro da Defesa do Paquistão

 

Khawaja Asif criticou o “genocídio” cometido por forças israelenses no Líbano, além de criticar a continuidade das operações militares na região

09 de abril de 2026



 

Khawaja Muhammad Asif (Foto: Salahuddin/Reuters)

Por Leonardo Lucena

247 - O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou que Israel “é uma maldição para a humanidade” ao comentar os conflitos no Oriente Médio, em meio a negociações entre Estados Unidos e Irã. A declaração ocorre em um cenário de escalada militar e tentativas de cessar-fogo, conforme informações divulgadas nesta quinta-feira (9) pela Al Jazeera. Forças israelenses lançaram 160 mísseis contra o território libanês em um intervalo de 10 minutos, nessa quarta (8). O ataque deixou mais de 300 mortos.

Khawaja Asif utilizou as redes sociais para acusar Israel de cometer “genocídio” no Líbano, além de criticar a continuidade das operações militares na região. As falas acontecem enquanto líderes internacionais discutem caminhos para reduzir a tensão.

O ministro paquistanês fez duras acusações contra o governo israelense. “Civis inocentes estão sendo mortos por Israel, primeiro Gaza, depois Irã e agora Líbano, o derramamento de sangue continua sem cessar”, afirmou.

As declarações ocorrem após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã. Um novo encontro entre representantes dos dois países está previsto para esta sexta-feira (10), quando devem discutir os próximos passos das negociações.

Em conjunto com Israel, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou ataques ao Irã a partir de 28 de fevereiro, sob a alegação de que Teerã buscava desenvolver armas nucleares. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que inspetores da ONU não encontraram evidências desse tipo de programa nuclear no país.

Em resposta às ofensivas, forças ligadas ao Irã atingiram alvos militares dos Estados Unidos e de Israel em diversos países do Oriente Médio, incluindo Bahrein, Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã não está em confronto com países do Golfo Pérsico, mas sim em embate direto com os Estados Unidos. Segundo ele, Washington conta com ao menos oito parceiros formais na região, entre eles Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria.

Do outro lado, o Irã mantém relações com aliados como o Paquistão, o Hezbollah, grupo sediado no Líbano, e o Iêmen. O cenário reforça a complexidade das alianças e amplia os riscos de escalada regional, mesmo diante das tentativas de negociação em curso.

EM TEMPO: A rigor é o governo de Israel que se veste de maldito para a humanidade. 

 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Vitória do Irã enfraquece o petrodólar, abre espaço para o "petroyuan” e fortalece o Sul Global

Uso do yuan no Estreito de Ormuz expõe fissuras na hegemonia financeira dos Estados Unidos e impulsiona nova ordem econômica global

08 de abril de 2026


 







Vitória do Irã enfraquece o petrodólar, abre espaço para o "petroyuan” e fortalece o Sul Global (Foto: Gerada por IA/DALL-E)

Redação Brasil 247

247 – Com a vitória do Irã contra Estados Unidos e Israel na guerra no Golfo Pérsico, Teerã e Pequim passaram a avançar de forma estratégica contra a hegemonia do dólar no sistema financeiro internacional. Segundo reportagem da Al Jazeera, esse movimento ganhou força com a adoção do yuan em operações comerciais no Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo.

A iniciativa, que representa uma vitória política e econômica do Irã, reforça a cooperação com a China e amplia o debate global sobre a desdolarização. No centro dessa estratégia está o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito. De acordo com a reportagem, embarcações comerciais passaram a pagar taxas de passagem em yuan, sinalizando uma mudança relevante nas regras do comércio internacional de energia.

Ainda que o número de navios que utilizaram a moeda chinesa seja limitado – ao menos duas embarcações até o fim de março, segundo a Lloyd’s List –, o gesto tem forte impacto simbólico e geopolítico. O próprio Ministério do Comércio da China reconheceu os relatos, enquanto a embaixada iraniana no Zimbábue defendeu abertamente a adoção do chamado “petroyuan” no mercado global de petróleo. 

Desafio direto ao sistema dominado pelos EUA

Para Irã e China, o avanço do yuan representa uma resposta direta ao uso do dólar como instrumento de pressão política por parte dos Estados Unidos. Há décadas, Washington utiliza a centralidade de sua moeda para impor sanções e influenciar economias rivais, como as de Teerã e Pequim.

O economista Kenneth Rogoff, professor da Universidade Harvard e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, explicou à Al Jazeera as motivações iranianas: “Em um nível, o Irã está tentando provocar os Estados Unidos, adicionando insulto ao prejuízo”.

Ele acrescentou: “Em outro nível, o Irã está totalmente comprometido em preferir o yuan para evitar sanções dos EUA e fortalecer sua aliança com a China, que vem avançando de forma consistente para redefinir seu comércio – e o dos países do BRICS – em yuan”.

A estratégia também reduz custos e facilita o comércio bilateral, que cresceu significativamente desde a assinatura de uma parceria estratégica de 25 anos entre os dois países, em 2021. 

Integração sino-iraniana ganha força

A China atualmente compra mais de 80% das exportações de petróleo iraniano, muitas vezes com descontos associados a pagamentos em yuan. Em contrapartida, o Irã importa grandes volumes de máquinas, equipamentos eletrônicos, produtos químicos e componentes industriais chineses.

Mesmo com o conflito em curso, os fluxos comerciais entre os dois países se mantiveram estáveis. Nas primeiras semanas da guerra, o Irã exportou entre 12 milhões e 13,7 milhões de barris de petróleo, com a maior parte destinada à China, segundo dados de empresas de monitoramento do setor.

Para o professor Bulent Gokay, da Universidade de Keele, o Irã compreende plenamente o alcance dessa disputa. Ele afirmou: “O Irã entende claramente a importância desse desafio à dominância financeira dos Estados Unidos, bem como o papel vital do sistema do dólar e dos petrodólares”.

Segundo ele, a estratégia chinesa está alinhada à construção de uma nova ordem global: “um mundo financeiro multipolar, em que o papel central do dólar dos EUA seja contrabalançado pela crescente influência das potências emergentes”.

EM TEMPO: O fortalecimento do Sul Global, está para o  do  mundo multipolar e do BRICS + (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Egito, ...........). Lembrando que a ex-presidente da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff, é a atual Presidente do Banco do BRICS, a qual foi reeleita com apoio da Rússia, detentora da prioridade em indicar a presidência. Convém lembrar que diante das agressões dos EUA e Israel, o Irã está cobrando pedágio para que os petroleiros naveguem pelo Estreito de Ormuz, outrora livre. Ok, Moçada!

terça-feira, 7 de abril de 2026

Paquistão anuncia os próximos passos para acordo de paz após a vitória do Irã na guerra

A próxima rodada de negociações está prevista para a próxima sexta-feira (10) em Islamabad, capital paquistanesa

07 de abril de 2026

Shehbaz Sharif (Foto: Eduardo Munoz/Reuters)


 






Redação Brasil 247

247 - O Paquistão anunciou os próximos passos para um acordo de paz após a vitória do Irã na guerra, com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif convidando representantes dos dois países para uma rodada de negociações na próxima sexta-feira (10) em Islamabad, capital paquistanesa. A iniciativa ocorre após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas e busca avançar para uma solução definitiva das disputas.

A informação foi divulgada pelo próprio Sharif em publicação na rede social X. Ele detalhou o convite formal às delegações dos dois países e destacou a importância do diálogo direto para consolidar a estabilidade na região. Segundo o premiê paquistanês, o encontro representa uma oportunidade concreta de avanço diplomático.

“Acolho com satisfação este gesto sábio e expresso a minha mais profunda gratidão à liderança de ambos os países, convidando as suas delegações a virem a Islamabad na sexta-feira, 10 de abril de 2026, para prosseguirem as negociações visando um acordo definitivo para a resolução de todas as disputas”, escreveu. 

“Com a maior humildade, tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, com efeito imediato.”

O Paquistão propôs um prazo de duas semanas para a realização de novas negociações com o objetivo de conter a escalada do conflito. A sugestão foi apresentada cerca de quatro horas e meia antes do término do prazo estabelecido por Trump, que havia prometido ataques intensos contra estruturas estratégicas do país.

Aumento da tensão e as respostas do Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, fez uma ameaça de genocídio contra o país asiático, ao afirmar que “uma civilização inteira morrerá”. A reação veio por meio do representante iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, que declarou: “O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais”.

Após a formalização do cessar-fogo, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã informou que o plano de dez pontos elaborado pelo governo iraniano asseguraria uma “posição econômica e geopolítica única”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Aragachi, divulgou uma mensagem em suas redes sociais na qual agradeceu a Sharif, e ao chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, por terem Trump a adotar o cessar-fogo.

Sharif também anunciou o entendimento inicial entre as partes para interromper os confrontos. O líder paquistanês destacou o papel das negociações na construção de um ambiente mais estável no Oriente Médio e regiões próximas.

“Ambas as partes demonstraram notável sabedoria e compreensão, mantendo-se construtivamente empenhadas em promover a paz e a estabilidade. Esperamos sinceramente que as negociações em Islamabad resultem em uma paz duradoura e desejamos compartilhar mais boas notícias nos próximos dias!”, afirmou.

O convite reforça o protagonismo diplomático do Paquistão no processo de mediação, ao mesmo tempo em que sinaliza um esforço internacional para evitar a retomada das hostilidades. A expectativa gira em torno da reunião em Islamabad, que pode definir os termos de um acordo mais amplo entre as partes envolvidas.

EM TEMPO: Evidentemente, que o mundo multipolar deve prevalecer e a decadência do "Império Norte-americano"  se avizinha. O Irã e a Rússia lucraram bastante com a venda de petróleo em moeda denominada "petroyuan" em detrimento do "petrodólares". Tomara que a paz represente uma vitória dos BRICS e do Sul Global. A passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz estava liberada para os países não hostis ao Irã, mas mediante pagamento de pedágio. Seja como for, negociar a paz é bastante importante, mas os dirigentes extremistas dos EUA e de Israel, sentiram que o Irã tem "madeira para dar em doido". Portanto, não confundam Irã com Venezuela. O próximo passo é a paz no Líbano, em Gaza e na Ucrânia. A reconstrução  dos países atingidos pelas  guerras devem está na mesa de negociações. Ok, Moçada!

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Governo Lula decide enviar ao Congresso projeto de lei para acabar com a escala 6x1

Projeto tem urgência constitucional e deve acelerar a tramitação da proposta na Câmara



 

Rio Grande (RS), 20/01/2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações do Estaleiro ECOVIX. Foto: Ricardo Stuckert/PR (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Guilherme Levorato

247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para extinguir a escala de trabalho 6x1, em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um. A proposta, considerada estratégica no cenário político atual, será encaminhada com urgência constitucional para acelerar sua tramitação na Câmara dos Deputados, segundo a Folha de São Paulo.

A iniciativa do Executivo segue um caminho distinto do adotado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que optou por tratar o tema por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Enquanto o projeto de lei pode ser votado em até 45 dias — prazo após o qual passa a travar a pauta do plenário —, a PEC exige um processo mais longo, com análise prévia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e em comissão especial antes de chegar à votação final.

Fontes do Palácio do Planalto indicam que o envio do projeto deve ocorrer na próxima semana. A decisão foi tomada após semanas de articulação interna, com recomendações dos ministros Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, e Sidônio Palmeira, da Comunicação Social, que defendiam a apresentação da proposta como forma de dar celeridade ao tema.

A avaliação do governo é de que a tramitação via PEC pode atrasar o processo legislativo, dificultando a aprovação no Senado antes do calendário eleitoral. Por isso, a escolha pelo projeto de lei com urgência busca garantir maior rapidez na votação e capital político em torno de uma pauta considerada popular.

Embora o texto final ainda não tenha sido concluído, o governo já definiu três pontos centrais que pretende manter: a garantia de dois dias de folga semanal, a fixação de uma jornada máxima de 40 horas por semana e a implementação das mudanças sem redução salarial. A proposta difere da PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê a diminuição da carga horária de 44 para 36 horas semanais.

Mesmo defendendo o fim da escala 6x1, Hugo Motta argumenta que a tramitação via PEC permite um debate mais amplo com diferentes setores da sociedade, incluindo representantes do setor produtivo. Empresários chegaram a discutir com o governo a possibilidade de compensações fiscais para mitigar os impactos da redução da jornada, mas a ideia foi descartada.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), afirmou que não haverá desoneração para os setores afetados pela mudança. A base governista aposta que, diante da alta aprovação popular da proposta e da proximidade das eleições, o Congresso tenderá a aprovar o texto, mesmo em versões consideradas mais abrangentes.

Dados recentes reforçam essa percepção. Pesquisa Datafolha divulgada em março aponta que 71% dos brasileiros defendem a redução do número máximo de dias de trabalho por semana. O índice representa crescimento em relação a levantamento realizado em dezembro anterior, quando 64% se mostravam favoráveis à medida, enquanto 33% eram contrários.

domingo, 5 de abril de 2026

Sionistas: lobos em pele de cordeiro

5 de abril de 2026

 


Nota Política do Partido Comunista Brasileiro – PCB

O PCB – Partido Comunista Brasileiro – rechaça completamente o PL 1424/2026 e manifesta sua completa e irrestrita solidariedade ao povo palestino, que enfrenta o genocídio sionista apoiado pelo imperialismo estadunidense.

Um dos maiores inimigos da humanidade e do povo palestino, o sionismo, deseja pautar a política pública no Brasil. Como se já não houvesse uma grave crise de superlotação no sistema carcerário brasileiro, agora corremos o risco de ver a aprovação de um projeto de lei que pode levar à prisão quem ousar criticar o genocídio em curso perpetrado pelo Estado de Israel na Faixa de Gaza.

O PL 1424/2026, de autoria da deputada sionista Tábata Amaral, “define antissemitismo com a finalidade de instruir as políticas públicas nacionais, nos parâmetros internacionalmente reconhecidos pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) criada pelo Fórum Internacional de Estocolmo sobre o Holocausto”, de acordo com o seu artigo 1º. A IHRA é uma entidade sionista composta por 35 países-membros, comandados por Estados Unidos e Israel, que apoiam o empreendimento colonial do Estado de Israel nos territórios palestinos.

Ainda de acordo com o PL do sionismo, são consideradas antissemitismo críticas dirigidas ao Estado de Israel, “encarado como uma coletividade judaica”. Ao mesmo tempo, “críticas a Israel que sejam semelhantes às dirigidas contra qualquer outro país não podem ser consideradas antissemitas” (Art. 2º, § 3º). O grande pulo do gato nessa questão é que as críticas dirigidas ao Estado de Israel são, por sua natureza, características exclusivas do Estado de Israel.

Não há outro país no mundo que esteja operando um verdadeiro massacre contra o povo palestino, com o objetivo de realizar uma limpeza étnica na região. Não há outro país além do Estado de Israel que esteja matando tantas crianças árabes, seja na Faixa de Gaza, seja no sul do Líbano. Não há outro país, em toda a história da humanidade, que tenha matado tantos jornalistas como está matando agora o Estado de Israel. Não há outro país que esteja ocupando ilegalmente territórios da Palestina e da Síria, aos olhos da comunidade internacional, senão o Estado de Israel.

Nenhum outro país, desde a Alemanha nazista, jamais aprovou a pena de morte dirigida somente a um grupo étnico específico, como fez o Estado de Israel, no último dia 30 de março, em relação aos prisioneiros palestinos na Cisjordânia ocupada.

E a grande ironia de todo o disparate do PL sionista de Tábata Amaral é que a maior representação do antissemitismo, no século XXI, é o Estado de Israel. Não podemos perder de vista duas constatações óbvias, mas propositalmente ignoradas pelos sionistas de plantão: primeiro, que o povo árabe é um povo semita, e qualquer ataque contra o povo árabe é um ato antissemita. Segundo, que nem todo judeu tem acordo com o projeto colonizador que é o sionismo, representado pelo Estado de Israel. Portanto, o antissionismo jamais deve ser equiparado ao antissemitismo. Pelo contrário: é instrumento fundamental para a luta contra o antissemitismo em todo o mundo.

Por fim, cabe lembrar que a deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP), financiada pelo bilionário Jorge Paulo Lemann, já se mostrou inimiga da classe trabalhadora no Brasil quando aprovou a Reforma da Previdência, em 2019. Desta vez, Tábata vai além e se mostra inimiga não só da classe trabalhadora brasileira, mas da própria humanidade.

Como se já não bastasse a promulgação em junho de 2025 pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, da Lei que institui o Dia da Celebração da Amizade Brasil-Israel, a ser comemorado anualmente em 12 de abril, em clara contraposição ao Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino.

Além disso, o Governo Lula organiza, para o dia 16 de abril, um Seminário sobre antissemitismo, onde, entre os convidados, constam majoritariamente lideranças sionistas, incluindo os principais dirigentes da Confederação Israelita do Brasil (CONIB), entidade defensora de Israel. É inaceitável um governo que se apresenta como progressista estar à frente de um evento como esse, que dá palanque para quem defende o genocídio do povo palestino.

– Em defesa do Povo Palestino contra o genocídio do Estado sionista de Israel!
– Não ao PL 1424/2026!
– Abaixo o sionismo e o antissemitismo!
– Pelo rompimento do Brasil de todas as relações com Israel!

Brasil, abril de 2026

PCB – Partido Comunista Brasileiro
Secretaria de Solidariedade Internacional

sábado, 4 de abril de 2026

Jandira dá lição a Tabata: antissionismo não é crime

Deputada condenou o projeto de Tabata que pode censurar quem critica o estado de Israel

04 de abril de 2026

 


Jandira Feghali e Tabata Amaral (Foto: Câmara dos Deputados)

Redação Brasil 247

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) entrou no debate sobre antissemitismo e antissionismo neste sábado para fazer uma distinção que considera fundamental ao debate público brasileiro. Segundo a parlamentar, confundir os dois conceitos representa uma tentativa de censura e de criminalização de posições políticas legítimas — uma crítica direta ao Projeto de Lei nº 1.424, de 2026, apresentado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que define antissemitismo com base nos critérios da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) - na prática, a proposta criminaliza críticas ao estado de Israel, denunciado na Corte Internacional de Justiça pelo crime de genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza.

Segundo Jandira, a distinção entre os dois conceitos é inegociável. "Não aceitamos distorções: antissemitismo é crime, é ódio contra o povo judeu — e deve ser combatido sem hesitação. Já o antissionismo é uma posição política, uma crítica legítima a um projeto de Estado", escreveu Jandira, estabelecendo uma linha clara entre o preconceito étnico e a discordância política em relação ao Estado de Israel.

A deputada do PCdoB foi além e apontou o que classifica como um movimento deliberado para embaralhar os dois conceitos com o objetivo de restringir o debate político. "Confundir essas duas coisas é tentar impor censura, calar o debate e criminalizar quem denuncia injustiças", declarou. Para ela, a estratégia busca transformar críticas a governos em acusações de preconceito para blindar determinadas políticas de Estado de qualquer questionamento público.

Jandira também alertou para os riscos dessa confusão conceitual para a liberdade de expressão. "Não vamos permitir que transformem crítica política em preconceito para proteger governos e silenciar vozes", afirmou a parlamentar, que encerrou a publicação reforçando sua posição com uma frase de síntese: "Clareza é fundamental: combater o antissemitismo sempre, defender o direito à crítica política também."

A manifestação de Jandira Feghali ocorre em um momento de acirramento do debate sobre os limites entre crítica política e discurso de ódio no Brasil, especialmente diante das discussões em torno do projeto de Tabata Amaral. A proposta gerou reações de parlamentares de diferentes espectros políticos, com parte da esquerda argumentando que a definição adotada pela IHRA pode ser usada para criminalizar posicionamentos contrários às ações do governo israelense, sobretudo no contexto da guerra em Gaza.