Inflação e desemprego caindo, PIB subindo, pobres parando de pagar imposto de renda, mas o povo está distraído pelo diversionismo midiático e nada vê
Por Eduardo Guimarães (Blog Cidadania)
27.02.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio
Lula da Silva durante encontro com o atleta medalhista de ouro nos Jogos
Olímpicos de Inverno Milão–Cortina 2026, Lucas Pinheiro Braathen.Palácio do
Planalto. (Foto: Ricardo Stuckert/PR )
Em um ano eleitoral como 2026, sob ameaça de
vitória daqueles que tentaram implantar uma ditadura militar no país em
2022/2023, os indicadores econômicos deveriam ser o grande trunfo do presidente
Lula na busca pela reeleição.
Com Inflação controlada, desemprego, pobreza,
miséria e desigualdade caindo; com PIB crescendo acima da média global e
salário médio do trabalhador de R$ 3.652,00 (segundo o IBGE); e com medidas
como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a visão
popular sobre o governo deveria ser diferente.
Esses números compõem um quadro de recuperação
econômica sólida após anos de instabilidade. Mas, estranhamente, a percepção
popular sobre a economia azedou e a aprovação de Lula anda de lado justamente
quando esses avanços se consolidavam.
Não há uma grande queda, mas o que se esperava era
alta.
O que explica essa desconexão? Uma análise das
pesquisas de opinião revela um padrão: a queda na popularidade de Lula coincide
perfeitamente com uma campanha orquestrada de ataques ao Supremo Tribunal
Federal, especialmente contra ministros como Alexandre de Moraes e Dias
Toffoli.
Juristas como o professor Pedro Serrano, o doutor
Lenio Streck, o advogado Kakay e o grupo Prerrogativas (representado por Marco
Aurélio Carvalho) já pediram comedimento aos críticos que não sejam extremistas
políticos irresponsáveis. Ou seja: à imprensa.
Pedir impeachment ou prisão de Alexandre de Moraes
ou de Dias Toffoli é uma aberração enquanto os grandes envolvidos como Jair
Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e, acima de todos
eles, Roberto Campos Neto permanecem blindados -- sem falar de uma montanha de
banqueiros e políticos de direita.
O que começou como uma matéria isolada na Globo,
assinada pela jornalista Malu Gaspar em 9 de dezembro de 2025, sobre supostos
contratos da esposa de Moraes com o Banco Master, evoluiu para uma avalanche de
críticas que contaminou não só a direita bolsonarista, mas parte da esquerda e
a mídia corporativa.
A média das pesquisas Datafolha, Quaest, Paraná
Pesquisas, Ipsos/Ipec, PoderData, AtlasIntel, CNT/MDA e outros mostra o
movimento claro na aprovação a Lula:
Dezembro/2025: 47,0%
Janeiro/2026: 45,5%.
Fevereiro/2026: 44,0%
A tendência é clara: a aprovação caiu
progressivamente nos primeiros dois meses de 2026, alinhada ao bombardeio
midiático e político contra o STF que ganhou força a partir de dezembro. Em
março, mês ainda incompleto, a popularidade de Lula aparece baixa nas sondagens
preliminares, sem recuperação significativa até o momento.
O que começou como uma matéria isolada evoluiu para
uma onda: em janeiro, críticas a Toffoli por suposta corrupção que não cita o
que ele teria dado em troca de supostos benefícios vorcarianos, ganharam
espaço; parte da esquerda, influenciada por narrativas de “autoritarismo ou
falta de ética judiciários”, começou a atacar Moraes e Toffoli, criando uma
rachadura interna.
Edson Fachin, ministro do STF, isolou-se ao propor
um código de conduta que insinuava desvios morais no tribunal, alimentando a
ideia de que o STF estava “podre”.
Em fevereiro, a mídia corporativa – Globo, Folha,
Estadão, Veja, Metrópoles etc. – intensificou o bombardeio, defendendo
abertamente figuras bolsonaristas como Flávio Bolsonaro, que passou a ser
“normalizado” em debates.
Manifestações bolsonaristas pipocaram pelo país,
com o mote “Fora Lula, Moraes e Toffoli”, vinculando explicitamente o
presidente ao Judiciário.
Joel Pinheiro da Fonseca, autor da tese do
“bolsonarismo moderado” que indicava Tarcísio de Freitas como principal
representante dessa vertente “civilizada” e viável eleitoralmente, escreveu em
artigo na Folha:
“TUDO O QUE ENFRAQUECE O STF FORTALECE O
BOLSONARISMO”
Essa frase, que vazou o plano da extrema-direita
para atingir Lula de forma cristalina, admite que os ataques ao STF —
independentemente de provas — servem objetivamente à agenda bolsonarista,
fortalecendo o campo da direita mesmo quando partem de vozes que se dizem
moderadas ou críticas ao extremismo.
Enquanto a economia melhora – desemprego caiu mais
0,5 ponto em fevereiro, PIB é revisado para cima, isenção do IR já impactando
positivamente o consumo das classes C e D –, o foco midiático está no STF, não
nos bolsonaristas atolados até o pescoço na lama vorcariana.





