sábado, 2 de maio de 2026

Entrevista de Edmilson para Opera Mundi – 3


 

PARTE 3 – CONJUNTURA INTERNACIONAL

Breno Altman: Vamos agora para um tema mais internacional. Desde o fim da União Soviética, muitos caracterizam o período atual como contrarrevolucionário. Nas últimas décadas, a China emergiu como uma experiência relevante. Na avaliação do PCB, a China é uma experiência socialista?

Edmilson Costa: Esse é um tema muito importante, porque muita gente opina sobre a China sem estudar o que ocorre lá. Alguns dizem que a China é capitalista ou até imperialista; outros afirmam que já é socialista. Na minha avaliação, a China não é nem plenamente capitalista nem plenamente socialista. O processo atual pode ser entendido como uma espécie de NEP de longo prazo — o que eles próprios chamam de etapa inicial do socialismo. Nesse modelo, coexistem diferentes formas de propriedade, mas com hegemonia do Partido Comunista e forte presença de empresas públicas na economia.

Esse processo tem apresentado resultados expressivos. A China deixou de ser um país agrário e atrasado a partir do final dos anos 1970, para se tornar uma das maiores potências econômicas do mundo. Dependendo do critério — seja o do FMI e do Banco Mundial, seja o da paridade de poder de compra —, pode ser considerada a primeira ou a segunda maior economia global. O avanço das forças produtivas é notável. Em menos de 40 anos, o país deu um salto significativo. Outro aspecto fundamental foi a erradicação da pobreza extrema, que afetava cerca de 700 milhões de pessoas. Trata-se de uma conquista importante do povo chinês e do Partido Comunista Chinês.

Atualmente, ainda coexistem diferentes classes sociais, incluindo setores burgueses e camadas médias. Pessoalmente, espero que esse processo avance para uma resolução política mais definida — como previsto pelos próprios chineses —, com metas de alcançar um nível intermediário de desenvolvimento socialista por volta de 2035 e um estágio mais avançado até 2045. Naturalmente, isso envolverá disputas políticas internas. De modo geral, avalio positivamente o processo chinês. Além disso, a China cumpre um papel relevante no cenário internacional como contraponto ao sistema imperialista. Isso é importante, pois limita a capacidade de ação unilateral que existia após o fim da União Soviética. Hoje há vários pólos em disputa, e a China é um deles — assim como a Rússia.

Breno Altman: Qual é a sua opinião sobre quem afirma que o conflito entre China e Estados Unidos é um conflito interimperialista?

Edmilson Costa: Eu considero essa interpretação equivocada. Por quê? Porque, quando analisamos o que é o imperialismo na prática — aquilo que vemos historicamente —, não é isso que caracteriza a China. A China invadiu quantos países desde a revolução de 1949? Quantas guerras promoveu nos moldes do imperialismo tradicional? Não é o caso. O que ocorre é que muitos tentam encaixar a China em categorias rígidas: “é capitalista”, “é imperialista”, “é socialista”. Mas esses rótulos não dão conta da complexidade do processo chinês.

A China é uma experiência singular, que precisa ser analisada com novos instrumentos. Se esse processo for bem-sucedido, poderemos ter um tipo de socialismo mais desenvolvido do que o experimentado na União Soviética, inclusive superando problemas históricos como a escassez de bens de consumo. Minha avaliação é que muitas análises ainda estão presas a esquemas antigos de interpretação da conjuntura internacional. Hoje vivemos transformações profundas — inteligência artificial, nanotecnologia, robótica, impressão 3D — que estão redefinindo as forças produtivas. Se não considerarmos isso, corremos o risco de interpretar a realidade com categorias que já não são suficientes.

Breno Altman: Agora sobre outro tema internacional importante — e bastante polêmico, inclusive entre partidos comunistas: a guerra na Ucrânia. Trata-se de uma guerra justa e defensiva por parte da Rússia? De um conflito interimperialista entre Rússia, OTAN e Estados Unidos? Ou de uma guerra justa por parte da Ucrânia?

Edmilson Costa: Na minha avaliação, a guerra na Ucrânia foi provocada pela OTAN e pelo imperialismo. Houve um processo de ruptura política em 2014, após o qual populações de língua russa se insurgiram, especialmente na Crimeia e na região do Donbass. A partir daí, houve um fortalecimento do aparato militar ucraniano com apoio externo, o que agravou o conflito. Do ponto de vista da Rússia, a expansão da OTAN na região foi interpretada como uma ameaça estratégica, o que levou à intervenção.

Há um paralelo histórico frequentemente lembrado: a crise dos mísseis em Cuba. A ideia de sistemas militares hostis próximos às fronteiras é vista como um risco existencial por grandes potências. Nesse contexto, o conflito atual envolve também a participação indireta de diversos países apoiando a Ucrânia. Na interpretação que apresento, a ação russa está vinculada à defesa de interesses estratégicos e à proteção de populações na região do Donbass, que vinham sendo afetadas pelo conflito. Também houve acordos anteriores, como os de Minsk, que não se consolidaram como solução duradoura.

De todo modo, trata-se de uma situação complexa, com múltiplos fatores históricos, políticos e geopolíticos envolvidos. Nessa situação concreta, eu acho que a derrota da Ucrânia representaria uma uma derrota muito grande do imperialismo naquela região.

Breno Altman: Deixa eu ir para outra situação. Os comunistas no Irã — o Tudeh, o Partido Comunista do Irã — participaram da Revolução de 1979, mas logo em seguida, no início dos anos 1980, na disputa pela hegemonia daquele processo revolucionário com os grupos islâmicos liderados por Khomeini, foram alijados e reprimidos. Neste momento, a República Islâmica do Irã é atacada pelos Estados Unidos e por Israel. Qual deve ser a postura dos comunistas? Devem acertar contas com a República Islâmica, que os reprimiu violentamente, ou defendê-la por estar sob ataque dos Estados Unidos e de Israel?

Edmilson Costa: O Tudeh publicou recentemente uma nota em que condena os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Nesse momento, o Irã cumpre um papel relevante no enfrentamento ao imperialismo no Oriente Médio, independentemente de ser um regime teocrático ou não. Na política, é necessário analisar as condições concretas e identificar a contradição principal. E, nesse caso, a contradição principal na região envolve o enfrentamento ao imperialismo e ao sionismo, que são vistos como forças centrais nesse conflito. A eventual vitória do Irã teria impacto nesse cenário, ao enfraquecer a atuação dessas forças na região.

Breno Altman: Como você caracteriza o chavismo na Venezuela?

Edmilson Costa: O chavismo promoveu um conjunto de reformas importantes na Venezuela. Entre elas, uma profunda reformulação das Forças Armadas, que passaram a ter maior identificação com a população. Também houve políticas voltadas ao atendimento de demandas sociais. Hugo Chávez não era socialista no sentido clássico, mas um militar progressista que implementou mudanças significativas. No entanto, o cenário atual é mais complexo. Há pressões externas intensas, e a situação do país é bastante delicada.

Minha impressão é que a Venezuela enfrenta fortes condicionantes internacionais, o que limita suas possibilidades de ação. Há medidas recentes que indicam contradições nesse processo, e não está claro qual será o desfecho — se haverá aprofundamento das mudanças ou maior dependência externa.

Breno Altman: Você acha que a Revolução Cubana será capaz de resistir à atual pressão dos Estados Unidos?

Edmilson Costa: Espero que sim. Cuba tem uma longa tradição de luta, com um povo politizado e organizado. No entanto, a situação é muito difícil diante da pressão externa. A resistência cubana não depende apenas de fatores internos, mas também da solidariedade internacional. A mobilização de forças sociais em todo o mundo pode desempenhar um papel importante na defesa de Cuba diante dessas pressões.

Breno Altman: Muito bem, temos aqui algumas perguntas do superchat que vou ler para você. A Luíza — que sempre assiste ao nosso canal e sempre contribui —, eu nunca sei falar o sobrenome dela: Luíza Copieter. Deixe-me anotar aqui. Suponho que seja isso. Ela contribuiu com o superchat e pergunta: o PCB chamaria o Breno para ministro das Relações Exteriores?

Edmilson Costa: Olha, o Breno seria um grande ministro das Comunicações [risos].

Breno Altman: Você sabe, como me conhece há meio século, que eu sou um “groucho marxista”. Eu nunca me inscrevo em clubes que me aceitem como sócio.

A Luíza volta a contribuir e pergunta: “Camarada, qual é a maior contradição que você vê na atualidade e como enfrentar o pensamento liberal que coloca como principal contradição democracia versus proto ou neofascismo?”

Edmilson Costa: A principal contradição, não apenas no Brasil, mas no mundo, é entre os povos e o imperialismo. Isso, no entanto, não elimina as contradições internas entre os povos e suas burguesias nacionais. Ou seja, para enfrentar essa realidade, é necessário lutar tanto contra o imperialismo quanto contra as burguesias nacionais e suas políticas, especialmente as políticas neoliberais que vêm sendo implementadas nas últimas décadas.

Breno Altman: Edmilson, estamos chegando ao fim da nossa conversa e eu queria te pedir indicações, como sempre faço antes das despedidas, de livro, filme e série.

Edmilson Costa: Bom, estou realizando um trabalho sobre inteligência artificial, lei do valor e impactos no capitalismo. Portanto, vou indicar dois livros importantes. O primeiro é Conhecimento e valor, de Guglielmo Carchedi. E o segundo é Trabalho produtivo em Marx, de Vera Cotrim.

Em relação a filmes, acho que os dois que estão mais em destaque no momento são O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui. Série eu quase não assisto.

Breno Altman: Muito bem, Edmilson. Quero agradecer muito pelo seu tempo, por ter vindo aqui aos nossos estúdios, e te desejar boa sorte nessa jornada eleitoral que se aproxima.

Edmilson Costa: Muito obrigado. Eu agradeço o espaço e espero fazer uma boa campanha nessa jornada. Estamos em um processo profundamente desigual, mas os comunistas são sempre otimistas. Dessa forma, vamos realizar uma campanha firme, alegre e combativa, colocando em debate questões que outras candidaturas não têm condições de apresentar.

EM TEMPO: A agressão imperialista (EUA) e sionista (Israel) contra o Irã, representa uma agressão ao BRICS + e o mundo multipolar. Lembrando que o Irã faz parte do BRICS + (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul + Irã + Egito + .....). OBS.: O governo do ex-presidente Maduro, reprimiu o PCV (Partido Comunista da Venezuela). Em meados de 2014  forças pró EUA e OTAN derrubaram o Presidente da Ucrânia pró Moscou.   Ok, Moçada!

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Toda solidariedade ao companheiro Zé Maria (PSTU)!



 

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

O PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO-PCB, juntamente com seus coletivos (Unidade Classista, União da Juventude Comunista, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Coletivo Negro Minervino de Oliveira e Coletivo LGBT Comunista, manifesta sua plena solidariedade ao companheiro Zé Maria de Almeida, atual presidente do PSTU, que foi condenado pela Justiça de São Paulo a dois anos de prisão em regime aberto, sob a alegação de prática de racismo em ato ocorrido em outubro de 2023, quando se manifestou contra os ataques do Estado sionista de Israel à população palestina na Faixa de Gaza.

É sabido de todos que o lobby sionista tem tentado de todas as formas calar e intimidar as organizações e os ativistas que defendem a causa palestina em todo o mundo. Desde outubro de 2023, mais de 80 mil palestinos foram assassinados pelos bombardeios e incursões militares de Israel em Gaza e cerca de 400 mil pessoas ficaram gravemente feridas, em sua ampla maioria crianças, idosos e mulheres.

O genocídio em curso contra o povo palestino é a fase mais aguda de mais de 77 anos de dominação israelense em terras palestinas, aprofundando um ciclo de violência generalizada, prisões arbitrárias, invasões de terras e desterro da população palestina.

Denunciar o sionismo e sua relação direta com a escalada das agressões imperialistas na região é um dever de todos aqueles que compreendem a importância da solidariedade aos povos em sua legítima luta de resistência e libertação nacional contra o jugo colonialista. Além disso, esse processo de conflitos na região, reflete as conexões internacionais de dominação do imperialismo estadunidense e seu lastro de apoio político e ideológico com segmentos da extrema direita em todo o mundo, sendo que no Brasil isso se evidencia na forte sintonia e aliança existente com o bolsonarismo e seus aliados.

A ação impetrada na Justiça de São Paulo pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB), assim como a tramitação do PL 1424/2026 da Deputada Federal Tábata Amaral, são algumas das tentativas de tentar calar e coibir as denúncias contra os crimes humanitários cometidos pelo Estado sionista de Israel e seu governo genocida.

É fundamental que todos e todas compreendam a gravidade desse ataque, no contexto conjuntural de recrudescimento do autoritarismo no cenário político mundial. É necessário mantermos as mobilizações e a luta unitária das forças democráticas e progressistas contra toda e qualquer tentativa de intimidação e perseguição àqueles e àquelas que defendem a causa palestina e a soberania nacional e popular dos povos que resistem aos ataques e às agressões do imperialismo.

Lutar não é crime!

Viva a luta do Povo Palestino!

Toda solidariedade ao Companheiro Zé Maria de Almeida do PSTU!

Pela anulação dessa absurda condenação!

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO – PCB
COMITÊ CENTRAL

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Dia do Trabalho surgiu de greve histórica nos EUA em 1886

A greve resultou em confrontos violentos entre trabalhadores e polícia, resultando na morte de manifestantes e também de policiais

30 de abril de 2026









Ato pelo fim da escala 6x1 (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Redação Brasil 247

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

O Dia Internacional do Trabalhador, também conhecido como Dia do Trabalhador ou Dia do Trabalho, comemorado anualmente em 1º de maio, é feriado em muitos países.A data tem origem na greve geral iniciada por trabalhadores norte-americanos em 1º de maio de 1886, em Chicago, que reivindicavam melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada que chegava a 17 ou 16 horas por dia para 8 horas diárias. 

A greve resultou em confrontos violentos entre trabalhadores e polícia, resultando na morte de manifestantes e também de policiais. O reconhecimento internacional ocorreu durante o congresso socialista Segunda Internacional, em Paris, em 1889, que convocou uma manifestação internacional para 1º de maio de 1890, consagrando a data como dia de luta pela conquista da jornada de trabalho de 8 horas/dia e em memória aos operários mortos de Chicago.

“Aí, tornou-se uma efeméride mundial. A partir daí, os países e os trabalhadores foram adotando essa data, cada um de um jeito. Mas, de forma geral, o significado é confronto. Era um dia de greve, um dia de luta, porque o patronato não queria absorver isso. Entendia que era custo a redução de trabalho”, disse à Agência Brasil o professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), Bernardo Kocher.

Naquele momento, a indústria estava trocando a produção: a remuneração por peça, passava a ser de remuneração por carga, ou seja, por hora trabalhada.

”Então, era possível reduzir a jornada, mas os patrões não queriam isso, porque era aumento de custo: menos trabalho e mesmo salário. Implicava diminuir jornada, mas não o salário.”

A produção ia diminuir, porque eram menos horas trabalhadas e o custo continuaria igual. Então, os trabalhadores lutavam, através de um dia de greve, como forma de manifestar a viabilidade de sua reivindicação.

Kocher explicou que com menos horas de trabalho, o operário teria condições de trabalhar melhor e isso resultaria em mais emprego, mais consumo. “Foi uma batalha um tanto, digamos, física. Em alguns lugares, era confronto com a polícia enquanto uma coisa simbólica, de narrativa, para que a lógica dos trabalhadores se sobrepusesse à lógica do capitalismo”. 

No Brasil

Ao contrário das informações que remetem a oficialização do Dia do Trabalho no Brasil a 1924, com o início da celebração da data em 1925, pelo então presidente Artur Bernardes, o professor de História da UFF assegurou que o feriado começou em 1890, junto com a proclamação da República.

“Eu fiz uma dissertação de mestrado sobre 1º de maio no Rio de Janeiro e constatei isso: 1890. O significado no Brasil, porém, foi diferente, afirmou o professor. Não foi de confronto. Por isso, dá impressão que não existiu. Foi uma coisa de cidadania, de manifestação do direito republicano."

“A classe operária era muito segmentada. Mal comparando, é como o povo das comunidades, que hoje é segmentado. Então, ninguém sabe o que acontece lá, não tem serviço. A classe operária era quase um gueto. Os operários se esforçavam para serem cidadãos, mas isso foi em 1890”. Quando ocorreu o 1º Congresso Operário Brasileiro, em 1906, os anarquistas sindicalistas conseguiram mudar o significado. Aí passou a ser um dia de greve, um dia de guerra, um dia de luta de classes.”

Na década de 1920, os comunistas ocuparam o lugar dos anarcossindicalistas e começaram também a se associar com a revolução. Isso foi até os anos de 1930, quando ocorreu a Revolução liderada por Getulio Vargas. 

“Aí, o Estado começou a se voltar para a questão do trabalho”.Nos anos de 1938 e 1939, foi proibida a comemoração como dia de greve e só em 1940 foi decretada a data como feriado. Segundo o professor Kocher, foi aí que o movimento operário perdeu a capacidade de monopolizar o significado do 1º de maio. “O presidente Getulio falava: Não precisa mais ser dia de greve, nós já estamos fazendo a legislação".

E, então, a data deixou de ser Dia do Trabalhador para ser Dia do Trabalho. 

Significado

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Gleisi atribui derrota do governo a senadores que se sentem ameaçados por investigações

Deputada critica resultado da votação que rejeitou o nome indicado por Lula ao STF e alerta para risco de derrubada do veto ao PL da Dosimetria

29 de abril de 2026

 

Gleisi Hoffmann (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Redação Brasil 247

247 - A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado Federal gerou forte reação política nesta quarta-feira (29). Para a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), a decisão, que contou com 42 votos contrários e 34 favoráveis, privou o Brasil de uma "pessoa muito qualificada para ser ministro do STF" e representa um risco sobre a votação do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da dosimetria.

"Mais do que uma injustiça contra Jorge Messias, os 42 senadores que rejeitaram seu nome privaram o país de uma pessoa muito qualificada para ser ministro do STF", afirmou a parlamentar na rede social X, antigo Twitter.

Ainda segundo a parlamentar, o resultado da votação no Senado é fruto de "um grande acordão entre a oposição bolsonarista e outros com objetivos eleitoreiros e pessoais dos que se sentem ameaçados pelas investigações de escândalos financeiros e contra o crime organizado. Votação que amanhã se preparam para repetir na derrubada do veto do presidente Lula na redução/anistia das penas dos condenados pelo golpe."

Por fim, afirmou que o movimento político observado na votação tem impacto mais amplo no país: "uma aliança vergonhosa que se volta contra o governo, mas é realmente contra a justiça, a democracia e o país."

A votação no plenário do Senado Federal impôs derrota à indicação de Jorge Messias, que precisava de ao menos 41 votos favoráveis para ser aprovado ao STF. O placar final foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, interrompendo a indicação do atual advogado-geral da União ao Supremo.

Antes disso, Messias havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com 16 votos favoráveis, mas não conseguiu manter o apoio no plenário.

EM TEMPO: O presidente Lula precisa se aconselhar com a governadora Raquel Lyra, a qual costuma "cortar as asas" dos políticos que votam contra o governo estadual  na ALEPE. Exatamente, o que mais incomoda considerável parcela dos políticos é que eles não conseguem dominar a governadora. Mesmo raciocínio vale para o presidente Lula, uma vez que não é possível que tanta gente com as benesses e cargos no governo, ainda votam contra a democracia, os interesses coletivos da população, a soberania, o meio ambiente, dentre outros. Ao que me parece o Jorge Messias não é militante  político, apenas um profissional sério, capacitado, de boa índole, defensor do Estado de Direito e da Democracia. Lamentavelmente, para os contra, ter qualidade é "pecado". Donde se conclui que o Brasil perdeu a grande  oportunidade de ter um profissional qualificado  na mais alta Corte Jurídica deste país. Ok, Moçada! 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Entrevista de Edmilson para Opera Mundi – 2

Foto: Rafael Ayres


 

PARTE 2 – O PCB DIANTE DO GOVERNO LULA / O PROGRAMA POLÍTICO DO PCB

Breno Altman: Deixe-me retomar o tema que estávamos discutindo sobre a caracterização do governo Lula. Acho até que acabei interrompendo um pouco a sua análise. Eu havia perguntado como você avalia o desempenho do governo nesse terceiro mandato. Você mencionou uma série de políticas com as quais discorda — o arcabouço fiscal, por exemplo, talvez a principal. Esses seriam os pontos negativos. Quais são, então, os pontos positivos do governo Lula? Porque imagino que, se só houvesse aspectos negativos, vocês estariam na oposição.

Edmilson Costa: Eu acho que, quando Lula resiste às sanções do governo Trump e não se submete, isso é um movimento importante do ponto de vista das relações internacionais. Da mesma forma, a participação nos BRICS também é relevante. Hoje, os BRICS são vistos como um dos principais contrapontos ao governo Trump.

É claro que os BRICS não são uma organização socialista, mas funcionam como um contraponto ao sistema imperialista, especialmente à política do governo norte-americano. Portanto, fortalecer a integração regional e também a articulação internacional é algo importante. Nesse aspecto, considero que há elementos positivos.

Breno Altman: Em relação a medidas tributárias, o governo isentou do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5.000 e adotou algumas iniciativas de taxação dos mais ricos — como a tributação de rendas mais altas, fundos offshore e outros mecanismos que antes gozavam de isenção. Essas medidas não representariam, ainda que de forma inicial, o cumprimento da promessa de colocar os ricos no Imposto de Renda, feita na campanha de 2022?

Edmilson Costa: Não, porque essas medidas são muito tímidas para resolver — ou mesmo iniciar de forma consistente — um processo de transformação na estrutura tributária. Hoje, mais de 50% da arrecadação vem de impostos sobre o consumo, o que penaliza os mais pobres. Além disso, lucros e dividendos pagam muito pouco — ou praticamente nada, historicamente.

Então, podemos até dizer que essas medidas são um primeiro passo, mas ainda são insuficientes diante das necessidades de uma reforma tributária no Brasil.

Breno Altman: Ao criticar o arcabouço fiscal, você levanta uma questão importante: o Brasil não tem um problema de dívida pública? Não precisa controlar sua dívida interna?

Edmilson Costa: Esse é um tema muito importante, sobre o qual boa parte da esquerda ainda tem pouco conhecimento. Por isso, vale a pena refletir melhor sobre a dívida interna.

Quando Fernando Henrique assumiu, a dívida interna era de 123,6 bilhões de reais. Ao final do seu governo, já estava em cerca de 800 bilhões. Hoje, ela chega a aproximadamente 8,6 trilhões de reais. Diante disso, podemos perguntar: esse endividamento foi feito para construir escolas, hospitais, estradas, saneamento básico ou habitação popular? Não. A maior parte da dívida interna brasileira tem caráter essencialmente financeiro. É uma dívida que aprisionou a economia brasileira e se tornou um dos principais mecanismos de apropriação do fundo público. Trata-se de uma sangria que precisa ser interrompida.

Breno Altman: Como seria, então, um governo de poder popular liderado por Edmilson Costa para resolver o problema da dívida?

Edmilson Costa: Inicialmente, faríamos uma auditoria da dívida, para identificar o que é dívida legítima e o que tem caráter meramente financeiro. Durante esse processo, seriam suspensos os pagamentos de juros e amortizações. Ao final da auditoria, seria definido qual é o estoque da dívida que o Estado reconheceria. A partir desse montante, seria feita uma reestruturação com títulos de longo prazo, já que a dívida brasileira hoje está baseada, em grande medida, em títulos de curto prazo. Com essa reestruturação, seria possível sanear o Estado, conter essa sangria do fundo público e criar novas condições para o desenvolvimento econômico, sem o peso atual dos juros.

Para se ter uma ideia, até 31 de janeiro de 2026, o pagamento de juros já alcançava cerca de 1 trilhão de reais. Esse valor vai para banqueiros, especuladores e rentistas. Como um país pode se desenvolver quando o fundo público é direcionado dessa forma? Isso é uma distorção profunda, que limita a capacidade do governo de implementar políticas econômicas e sociais. Sem enfrentar o problema da dívida interna — um dos principais instrumentos da política neoliberal —, não há condições de realizar as reformas necessárias.

Breno Altman: Há quem diga que essa auditoria é inviável, por causa do mecanismo de consolidação da dívida a partir dos anos 1990. Ou seja, seria impossível rastrear sua origem.

Edmilson Costa: Não, isso não é impossível. É possível rastrear, por exemplo, as taxas de juros praticadas desde o governo Fernando Henrique. Basta comparar essas taxas com a inflação do período. Houve momentos em que os juros chegaram a 40%. Hoje temos taxas de cerca de 15% com inflação em torno de 4,5%. Isto é uma distorção evidente. Esse componente financeiro pode ser identificado com relativa facilidade.

Breno Altman: Mas uma postura como essa — auditoria com suspensão de pagamentos — não poderia provocar um colapso do Estado? Afinal, os investidores poderiam deixar de comprar títulos da dívida, dificultando sua rolagem, gerando fuga de capitais e comprometendo o financiamento estatal.

Edmilson Costa: Não necessariamente. A fuga de capitais só ocorre se o governo não adotar controle cambial. Eu não expus todo o programa, mas temos um conjunto completo de propostas, e o controle cambial é fundamental. Sem ele, você não impede que capitais especulativos entrem e saiam do país livremente. Com controle cambial, o Estado passa a ter instrumentos para estabilizar a economia.

No campo econômico, defendemos a nacionalização do sistema financeiro e sua transformação em uma atividade pública. Hoje, o sistema financeiro brasileiro não está articulado com o setor produtivo. Ele opera basicamente na lógica da especulação e da cobrança de juros elevados. Diferentemente de economias centrais, onde o sistema financeiro está mais conectado ao investimento produtivo, aqui ele funciona como um sistema voltado à especulação com títulos e à cobrança de spreads altíssimos. Taxas de juros de cartão de crédito que chegam a 270% ao ano são completamente incompatíveis com uma economia saudável.

Além disso, criaremos o Banco dos Trabalhadores, que passaria a gerir os fundos patrimoniais e os fundos previdenciários, hoje administrados por bancos privados. Com esse volume de recursos, o Banco dos Trabalhadores teria condições de atuar na política econômica e contribuir com o processo de desenvolvimento. O novo banco seria criado com recursos especificamente destinados — como os fundos patrimoniais e previdenciários. Esses fundos se tornariam instrumentos diretos de política econômica. Os demais bancos continuariam como bancos estatais, cumprindo suas funções, enquanto este teria um papel específico e estratégico.

Breno Altman: Além da reforma financeira, quais são as outras quatro transformações propostas pelo PCB?

segunda-feira, 27 de abril de 2026

 

Como atentados (ou supostos atentados) são usados pela extrema direita para acabar com as democracias

Episódio envolvendo Trump em Washington é um entre tantos que ajudaram no projeto de poder autoritário, desde Hitler e passando por Bolsonaro.

Por Joaquim de Carvalho (Jornalista)



 

Trump fala após evacuação no jantar com correspondentes (Foto: Reprodução Youtube)

O episódio envolvendo Donald Trump, durante um jantar com jornalistas em Washington, ocorre em um momento de baixa popularidade do ex-presidente e de cenário adverso para o Partido Republicano, que enfrenta risco concreto de perder maioria na Câmara e no Senado nas eleições de novembro. O caso reabre o debate sobre atentados — ou supostos atentados — que marcaram a atuação da extrema direita ao longo da história recente. Não há casos notórios equivalentes que tenham beneficiado a esquerda de forma comparável. Não se trata aqui de endossar teorias conspiratórias, mas de observar que, em diversos contextos, esses episódios foram usados politicamente para empoderar lideranças e justificar medidas que tensionam ou violam garantias democráticas.

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu na Alemanha, em 1933, com o incêndio do Reichstag. O episódio aconteceu poucas semanas após Adolf Hitler assumir o cargo de chanceler, em janeiro daquele ano. Embora o Partido Nazista já estivesse formalmente no poder, foi após o incêndio que se iniciou, de forma decisiva, a consolidação de um regime autoritário.

O evento foi imediatamente atribuído a uma suposta conspiração comunista. Em resposta, o governo aprovou o Decreto do Incêndio do Reichstag, que suspendeu direitos fundamentais, permitiu prisões em massa de opositores e instituiu mecanismos de censura. Foi nesse contexto que o poder nazista se expandiu de maneira efetiva, transformando uma vitória eleitoral em um regime de exceção baseado na repressão sistemática.

Décadas depois, nos Estados Unidos, episódios envolvendo ameaças contra o então candidato Donald Trump também ganharam destaque durante a campanha presidencial de 2016. O início da campanha foi marcado pelo caso de Michael Sandford, um jovem britânico de 19 anos que foi preso após tentar tomar a arma de um policial durante um comício em Las Vegas. Ele havia feito treinamento de tiro poucos dias antes e declarou às autoridades que pretendia matar o candidato.

Assim como ocorreria no Brasil, dois anos depois, no episódio envolvendo Adélio Bispo de Oliveira em Juiz de Fora, o jovem Sandford foi diagnosticado com problemas mentais, incluindo depressão. Sandford também relatou ser autista, o que não é um problema mental. O episódio em Las Vegas teve ampla repercussão internacional e favoreceu eleitoralmente Trump, com a narrativa de que ele era perseguido.

Já na fase final da disputa, outro episódio ganhou visibilidade, embora com contornos distintos. Durante um comício, um homem identificado como Austyn Crites foi retirado do público após gritos de que estaria armado. A segurança interveio rapidamente, Trump foi retirado do palco e o evento chegou a ser interrompido. 

Posteriormente, verificou-se que Crites não portava arma e não havia tentativa concreta de atentado. O próprio envolvido afirmou ser apoiador de Trump e protestar contra a mídia. Ainda assim, o episódio contribuiu para manter o tema da ameaça à segurança no centro da cobertura da campanha, que terminaria com a vitória do candidato.

No Brasil, a campanha de Jair Bolsonaro em 2018 foi profundamente impactada pelo atentado em Juiz de Fora, em 6 de setembro. Após o episódio, Bolsonaro apresentou crescimento significativo nas pesquisas de intenção de voto. Dois dias antes, integrantes de sua campanha haviam informado que ele passara a usar colete à prova de balas, diante de supostos riscos de segurança.

No episódio de Juiz de Fora, porém, Bolsonaro usava uma camiseta de campanha com a inscrição “Meu partido é o Brasil”, contrastando com situações anteriores, como em Rio Branco (AC), onde apareceu com jaqueta — apesar do calor — e fez declarações agressivas enquanto segurava um tripé, em cena que foi amplamente divulgada. “Vamos fuzilar a petralhada”, gritou.

No plano internacional, chama atenção o encontro, semanas antes do atentado, entre Steve Bannon e Eduardo Bolsonaro, em Nova York. Eduardo Bolsonaro afirmou publicamente que Bannon teria alertado sobre a possibilidade de um atentado contra seu pai, que, na época, estava em segundo lugar na pesquisa Datafolha, com 19%. Já Lula tinha 39%. Sem o nome de Lula na pesquisa, que estava preso pela Lava Jato, Bolsonaro subia um pouco – 22% -, nada que o fizesse favorito.

O tema do atentado voltou à cena nos Estados Unidos em 2024, quando Trump foi novamente associado a um episódio envolvendo disparo de arma de fogo. O caso teve enorme repercussão. Especialistas observam que armas como o rifle AR-15 costumam provocar danos severos, mas, no caso de Trump, houve apenas um arranhão.

No Brasil, um episódio histórico frequentemente lembrado é o Atentado do Riocentro, em 1980. Durante a ditadura militar, uma explosão ocorrida em um veículo revelou um plano de setores da extrema direita: realizar um atentado e atribuí-lo à esquerda para justificar o endurecimento do regime, que naquele momento passava por um processo de abertura.

Outro caso de grande impacto foi o Ataques de 11 de setembro de 2001. Após os atentados, os Estados Unidos adotaram medidas como o Patriot Act, ampliando poderes de vigilância do Estado, além da criação de estruturas como o centro de detenção em Guantánamo, alvo de críticas por violações de direitos humanos..

O episódio deste sábado, nos Estados Unidos, já está sendo  utilizado politicamente por Flávio Bolsonaro, que estabeleceu paralelos com o atentado de Juiz de Fora, reintroduzindo o tema no debate público, enquanto Adélio, trancado em cela isolada no presídio de segurança máxima, não pode sequer dar entrevista.

“Coloco nas minhas orações o Presidente Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump e todos que estiveram no jantar em Washington. Tentar tirar a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia. Que Deus nos proteja desse tipo de violência lá ou aqui no Brasil”, escreveu. Historicamente, é a extrema direita que costuma tirar a vida de quem pensa diferente.

A recorrência desses casos sugere que atentados — reais ou não, e sempre apresentados como ameaças — desempenham papel relevante em contextos políticos que favorecem o projeto da extrema direita. Este artigo não endossa teorias conspiratórias, mas elenca episódios históricos em que tais eventos foram mobilizados politicamente, contribuindo para o fortalecimento de projetos de poder e, em muitos casos, para a restrição de direitos e garantias democráticas.

domingo, 26 de abril de 2026

Saiba quem foi Olga Benário, que morreu no dia 23 de abril de 1942, numa câmara de gás nazista

Militante comunista alemã foi entregue pelo governo Vargas à Alemanha de Hitler e se tornou símbolo da resistência antifascista.

Olga Benário (Foto: Imagem criada por IA)



 








Redação Brasil 247

247 – Olga Benário Prestes, uma das figuras mais emblemáticas da luta contra o nazismo no século XX, foi assassinada em 23 de abril de 1942, em uma câmara de gás no campo de extermínio de Bernburg, na Alemanha. Militante comunista, judia e combatente internacionalista, sua trajetória cruza alguns dos episódios mais dramáticos da história brasileira e mundial.

Nascida em 1908, em Munique, Olga ingressou ainda jovem no movimento comunista alemão. Perseguida pelo regime nazista, acabou atuando em missões internacionais organizadas pela Internacional Comunista. Foi nesse contexto que conheceu o brasileiro Luiz Carlos Prestes, líder da Coluna Prestes e uma das principais figuras da esquerda latino-americana.

Os dois foram enviados ao Brasil em 1935 para apoiar a organização da chamada Intentona Comunista. Presos após o fracasso do movimento, Olga e Prestes passaram a ser alvo direto da repressão do governo de Getúlio Vargas.

O papel controverso de Getúlio Vargas

Mesmo grávida de Prestes, Olga foi deportada em 1936 pelo governo Vargas para a Alemanha nazista — uma decisão que permanece até hoje como uma das mais controversas da história política brasileira. A extradição ocorreu apesar dos apelos internacionais e do fato de que, ao ser enviada de volta à Alemanha de Hitler, Olga enfrentaria perseguição certa por sua condição de judia e comunista.

A medida é frequentemente interpretada como um gesto de alinhamento do governo Vargas com regimes autoritários da época, além de evidenciar o caráter repressivo do Estado brasileiro naquele período. Olga foi entregue à Gestapo e passou por diversos presídios e campos de concentração.

Prisão, maternidade e morte

Na prisão, Olga deu à luz Anita Leocádia Prestes, que foi posteriormente entregue à avó paterna no Brasil após intensa campanha internacional. Separada da filha ainda bebê, Olga seguiu encarcerada em condições brutais.

Em 1942, foi transferida para o centro de extermínio de Bernburg, onde acabou assassinada na câmara de gás, como parte da política sistemática de eliminação promovida pelo regime nazista.

Prestes, prisão e reconciliação histórica

Luiz Carlos Prestes permaneceu preso no Brasil durante quase toda a década de 1930 e início dos anos 1940. Libertado em 1945, após a queda do Estado Novo, ele se tornaria uma das principais lideranças políticas do país.

Décadas depois, a memória de Olga Benário passou a ser oficialmente reconhecida pelo Estado brasileiro. Em um gesto de reparação histórica, o governo brasileiro anulou simbolicamente sua extradição e reconheceu a responsabilidade do Estado na sua entrega ao regime nazista.

A trajetória de Olga e Prestes também foi resgatada como símbolo de resistência política e de luta contra o fascismo. Sua história inspira livros, filmes e pesquisas, consolidando sua imagem como uma mártir da luta por justiça social.

Legado

Mais de oito décadas após sua morte, Olga Benário permanece como um dos nomes mais fortes da memória antifascista. Sua vida e seu assassinato expõem tanto a brutalidade do nazismo quanto as contradições da política brasileira da época.

Recordar sua história, especialmente em datas como esta, é também revisitar um período em que decisões de Estado tiveram consequências trágicas — e reafirmar a importância da memória histórica na defesa da democracia.

EM TEMPO: Informo-lhe que em meados de 2016 a filha de Olga Benário e Luis Carlos Prestes, a professora da UFRJ e Historiadora, Anita Leocádia Prestes, ministrou uma palestra relativa a trajetória política do Cavalheiro da Esperança, Comandante da Coluna Prestes, Senador, Engenheiro e Ex-militar do Exército Brasileiro, o seu pai  Luis Carlos Prestes, realizada  no Auditório do Garanhuns Palace Hotel, a convite do Secretário Político do PCB de PE, o camarada, jornalista e Ex-Vereador da Cidade de Recife, o Roberto Arraes. Ok, Moçada!