domingo, 22 de março de 2026

REESTATIZAÇÃO DA BR DISTRIBUIDORA. LULA PRECISA COMPRAR ESTA BRIGA.

Editorial Brasil 247  

A escalada dos preços dos combustíveis no Brasil, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelos desdobramentos da guerra total no Oriente Médio, escancarou uma fragilidade estratégica que o país não pode mais ignorar.

O governo federal, na figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já demonstrou sensibilidade ao anunciar medidas emergenciais.

O decreto que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e a criação de um subsídio de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores são ações necessárias para aliviar o bolso do consumidor e conter os efeitos da volatilidade externa. No entanto, tratam-se de paliativos.

O problema de fundo permanece intocado: a perda de controle sobre a cadeia de distribuição de combustíveis.

O diagnóstico foi feito pelo próprio presidente ao visitar a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. Lula foi enfático ao afirmar que, sem a BR Distribuidora sob controle estatal, o governo perde a capacidade de impedir que os reajustes — ou a falta deles — cheguem de forma distorcida ao consumidor final.

A lógica é cruelmente simples: a Petrobras define um preço, e as distribuidoras privadas, que hoje dominam o setor após a privatização conduzida no governo Bolsonaro, têm a liberdade de repassar esse valor como bem entendem.

E os fatos têm dado razão a essa preocupação. Há reiterados relatos e análises de mercado indicando que as reduções de preços anunciadas pela estatal nem sempre são integralmente repassadas aos postos. Quando ocorrem, chegam de forma parcial e tardia. Eventuais aumentos na cotação internacional ou na refinaria são transmitidos com velocidade impressionante ao varejo, ferindo a lógica da concorrência e penalizando o consumidor.

Incidem, ao subir, também sobre estoques comprados a preços inferiores.

Não se trata de uma percepção isolada. O deputado Rui Falcão (PT-SP) denunciou recentemente casos de postos que aumentaram os preços duas vezes no mesmo dia, sem que houvesse qualquer alteração nos custos da Petrobras, classificando a situação como “caso de polícia”.

É nesse cenário de assimetria e especulação que a reestatização da BR Distribuidora — hoje Vibra — emerge como imperativo de soberania nacional. O movimento já começa a ganhar corpo no Congresso Nacional. O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai, está à frente da coleta de assinaturas para a criação de uma frente parlamentar mista pela reestatização da distribuidora e das refinarias vendidas na gestão anterior. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) já integra essa articulação, reforçando a tese de que a integração entre produção, refino, logística e distribuição é essencial para garantir estabilidade e preço justo.

Como destaca o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, a discussão sob
re a comercialização de combustíveis está diretamente relacionada ao papel estratégico da integração da cadeia petrolífera nacional.

Em um país de dimensões continentais, onde o transporte rodoviário é a espinha dorsal da economia e onde o diesel impacta diretamente o preço dos alimentos e o custo de vida da população, abrir mão do controle público sobre elos tão sensíveis é um risco que não se justifica. Está em xeque todo o esforço de controle da inflação desenvolvido pelo presidente Lula e pelas autoridades econômicas.

Há, evidentemente, um obstáculo jurídico a ser transposto: a cláusula de não concorrência que impede a Petrobras de atuar no varejo até 2029, resquício do contrato de venda da BR. Mas, como bem lembrou Lula ao falar sobre a compra da refinaria de Mataripe, na Bahia, “vamos comprar de volta. Pode demorar um pouco, mas nós vamos”. O mesmo ímpeto da desejada soberania no refino precisa ser aplicado à distribuição. Seja pela via da recompra direta, seja pela criação de uma nova estatal que atue como agente regulador de preços e garantidora da concorrência, o governo precisa comprar essa briga.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acaba de divulgar um estudo revelador sobre o setor. A pesquisa aponta que a concentração na revenda de combustíveis é disseminada em todo o território nacional, especialmente em municípios de menor porte, e os níveis de controle societário são ainda mais elevados do que o consumidor percebe. Isso significa que, em grande parte do país, a “concorrência” é uma ficção. Sem um agente público forte atuando nesse mercado, o caminho natural é a coordenação de preços e a imposição de margens abusivas.

A situação criada pela guerra no Oriente Médio veio para ficar, assim como as oscilações do preço do petróleo.

A autonomia energética em toda a cadeia mostra-se instrumento vital para a existência soberana das nações. O país não pode se omitir de identificar suas vulnerabilidades nesse novo contexto e tem todas as razões e meios para saná-las.

O Brasil tem a vantagem de ser um grande produtor, mas perdeu a ferramenta essencial para garantir que essa vantagem seja convertida em benefício social. A reestatização da BR Distribuidora não é uma ideia saudosista; significa a recuperação de um instrumento de política energética, de defesa da soberania e de defesa do consumidor.

O governo já paga subsídios bilionários para segurar o preço do diesel. Fazê-lo sem ter o controle do elo final da cadeia é como tentar encher um balde furado.

Lula já comprou a briga pela retomada das refinarias. Agora, é preciso estender o campo de batalha para a distribuição. A soberania energética do Brasil, a segurança dos negócios e o bolso dos trabalhadores dependem disso.

sábado, 21 de março de 2026

Pejotização e superlotação pressionam rede pública de saúde em Pernambuco, diz cirurgião

·         21/03/2026

  • Texto extraído do Blog do  Magno Martins
  • - Edição de Thaís Leandro


 

 

A precarização dos vínculos de trabalho e a superlotação das emergências são hoje os principais entraves da rede pública de saúde em Pernambuco, na avaliação do cirurgião-geral João Veiga. Em entrevista ao blog, o médico afirmou que a chamada pejotização tem comprometido a continuidade do atendimento, o ensino médico e o vínculo dos profissionais com as unidades. “Perde a relação do profissional com a instituição (pois ele pode ser de São Paulo, pode ser do Ceará, ele não precisa ser de Pernambuco), e perde-se também a relação com o ensino”, disse.

Segundo Veiga, a mudança no modelo de contratação dentro das Organizações Sociais (OSs), responsáveis pela gestão de parte dos hospitais, agravou o problema nos últimos anos. Ele afirma que, antes, os vínculos eram majoritariamente regidos pela CLT, mas passaram a ser flexibilizados. “A OS contrata aquele médico, por um dia, dois dias. Existe caso de profissionais que ficaram 16 dias de plantão e aí foram embora pra São Paulo e nunca mais voltaram. Isso compromete a formação de residentes e a assistência”, criticou. Para o médico, a precarização da mão de obra, somada à alta ocupação das emergências, tem pressionado o sistema. Ele cita o caso do Hospital da Restauração, que, segundo dados recentes do Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (CREMEPE), chegou a ultrapassar 300% de ocupação.

Além das relações de trabalho, Veiga aponta a falta de leitos como um dos principais problemas. Uma das soluções defendidas por ele é a ampliação dos chamados leitos de retaguarda, voltados para pacientes crônicos, o que liberaria vagas nas unidades de alta complexidade. “Você pactua com hospital de retaguarda pra ficar com pacientes crônicos. A Restauração tem 100 leitos de retaguarda, por exemplo, e a gente quer expandir essa estratégia para o interior também”, disse. Ele também defende o credenciamento de leitos na rede privada como alternativa imediata para ampliar a capacidade sem necessidade de novas construções.

A situação no interior, especialmente em Petrolina, é apontada como crítica. De acordo com o cirurgião, a cidade conta basicamente com a estrutura do hospital universitário ligado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), o Hospital de Ensino Dr. Washington Antônio de Barros, o que seria insuficiente para a demanda. “São 150 leitos no Hospital do Trauma, que é ligado à Univasf. Lá não tem hospital regional, nem municipal, nem estadual”, destacou. Como medida emergencial, ele propõe a instalação de um hospital de campanha voltado à traumatologia. “Não é possível que cidades como Petrolina e Juazeiro, [o paciente] tenha que se deslocar ou pra Salvador ou pro HR”, disse.

Apesar das críticas, Veiga reconhece avanços recentes na infraestrutura do Hospital da Restauração, com investimentos em equipamentos e melhorias estruturais. “O Hospital da Restauração, onde eu trabalho, está melhor. Os problemas tão sendo enfrentados. Mas ainda tem, claro”, avaliou. Ainda assim, ele defende medidas mais amplas. “A população precisa de ações maiores (…) Espero que fique melhor com quem quer que seja. Porque primeiro a gente vai para o HR. Pobre, rico, importante ou não, é a Restauração quem primeiro assiste, e que tá recebendo implementação de tecnologia como eu nunca vi antes”, concluiu.

Ainda, Veiga destaca que a posição do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) em relação à questão da pejotização das unidades públicas foi fundamental e uma medida importante para tratar o problema.

EM TEMPO: Em primeiro lugar convém discutir e adotar a exclusividades da mão de obra especializada (médicos, engenheiros, arquitetos, advogados, etc) no Poder Executivo, isto é,  nas esferas municipal, estadual e nacional. Evidentemente, que o profissional deve ser  bem remunerado para esse fim. Em segundo lugar se deve debater a eficácia, ou não, das OS (Organizações Sociais), as quais foram implantadas (salvo me engano)  no governo Eduardo Campos (in memorian).  Em terceiro lugar, deve-se sempre fortalecer o SUS, algo pioneiro no mundo. Em quarto lugar, convém lembrar que as questões sociais, climáticas e de saúde pública, contribuem enormemente com a superlotação. 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Marília nega ter utilizado diálogo com Raquel como instrumento de barganha

·         20/03/2026

  • Texto extraído do Blog do Magno Martins
  • - Edição de Camila Emerenciano
Por Anthony Santana – Blog da Folha


 

 

 

 




A ex-deputada Marília Arraes (PDT) afastou as acusações de que teria utilizado a aproximação com a governadora Raquel Lyra (PSD) para barganhar com o prefeito João Campos (PSB) uma vaga de candidata ao Senado na chapa do socialista na disputa pelo comando do estado.

No ato de lançamento da pré-candidatura do gestor recifense ao governo de Pernambuco e do próprio nome como pré-candidata ao Senado, realizada nesta sexta-feira (20), no Recife, Marília atribuiu a acusação ao “ódio da oposição”.

“É normal que adversários tentem agredir, mas deixa eles com agressividade, com ódio, porque aqui, para a gente sair de casa, para a gente deixar as filhas e se entregar para o povo, precisa de muito amor. Se o ódio está no coração deles, deixa tudo do lado de lá e aqui a gente tem muito amor para dar”, declarou.

Marília Arraes chegou a manter conversas com a governadora Raquel Lyra (PSD) sobre participar da chapa da gestora como candidata à Casa Alta do Congresso Nacional, pouco antes de firmar aliança com o primo, João Campos. No discurso, a pré-candidata ainda deu um recado para os opositores, após afirmar que não pretende brincar com a esperança dos pernambucanos.

“Não se negocia com quem faz qualquer negócio para ganhar a eleição. A gente está aqui porque a gente tem lado, tem time. E aqui a gente assume, ninguém tem medo de assumir, não. Aqui a gente é do time do presidente Lula. Podem tentar o que quiser, podem fazer negociação, troca ou o que for “, disparou Marília.

EM TEMPO: Considerando que o projeto político de Marília é apenas pessoal e eleitoral, mais uma vez ela provou  que é mal assessorada, uma vez que não deveria sequer ter participado de uma reunião com a governadora Raquel Lyra, a qual estava inclinada a compor a chapa majoritária com Marília e Miguel Coelho. Quando se sabe que caso o João Campos não quisesse compor sua chapa com Marília, esta estaria  indo para os braços da governadora Raquel Lyra. Donde se conclui que Marília foi no mínimo descortês com Raquel Lyra. Não foi à toa que João Campos se apressou em  lançar parcialmente a chapa majoritária. Lembrando que o PT está construindo sua posição de acordo com suas instâncias partidária. Evidentemente, que sem pressa e preservando a democracia interna. Política precisa de combinação, que o diga Eduardo da Fonte. Ok, Moçada!

quinta-feira, 19 de março de 2026

Vaza plano de usar o STF para atingir Lula

 

Inflação e desemprego caindo, PIB subindo, pobres parando de pagar imposto de renda, mas o povo está distraído pelo diversionismo midiático e nada vê

Por Eduardo Guimarães (Blog Cidadania)


 

27.02.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante encontro com o atleta medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão–Cortina 2026, Lucas Pinheiro Braathen.Palácio do Planalto. (Foto: Ricardo Stuckert/PR )

 

Em um ano eleitoral como 2026, sob ameaça de vitória daqueles que tentaram implantar uma ditadura militar no país em 2022/2023, os indicadores econômicos deveriam ser o grande trunfo do presidente Lula na busca pela reeleição. 

Com Inflação controlada, desemprego, pobreza, miséria e desigualdade caindo; com PIB crescendo acima da média global e salário médio do trabalhador de R$ 3.652,00 (segundo o IBGE); e com medidas como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a visão popular sobre o governo deveria ser diferente.

Esses números compõem um quadro de recuperação econômica sólida após anos de instabilidade. Mas, estranhamente, a percepção popular sobre a economia azedou e a aprovação de Lula anda de lado justamente quando esses avanços se consolidavam.

Não há uma grande queda, mas o que se esperava era alta.

O que explica essa desconexão? Uma análise das pesquisas de opinião revela um padrão: a queda na popularidade de Lula coincide perfeitamente com uma campanha orquestrada de ataques ao Supremo Tribunal Federal, especialmente contra ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. 

Juristas como o professor Pedro Serrano, o doutor Lenio Streck, o advogado Kakay e o grupo Prerrogativas (representado por Marco Aurélio Carvalho) já pediram comedimento aos críticos que não sejam extremistas políticos irresponsáveis. Ou seja: à imprensa. 

Pedir impeachment ou prisão de Alexandre de Moraes ou de Dias Toffoli é uma aberração enquanto os grandes envolvidos como Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e, acima de todos eles, Roberto Campos Neto permanecem blindados -- sem falar de uma montanha de banqueiros e políticos de direita. 

O que começou como uma matéria isolada na Globo, assinada pela jornalista Malu Gaspar em 9 de dezembro de 2025, sobre supostos contratos da esposa de Moraes com o Banco Master, evoluiu para uma avalanche de críticas que contaminou não só a direita bolsonarista, mas parte da esquerda e a mídia corporativa. 

A média das pesquisas Datafolha, Quaest, Paraná Pesquisas, Ipsos/Ipec, PoderData, AtlasIntel, CNT/MDA e outros mostra o movimento claro na aprovação a Lula: 

Dezembro/2025: 47,0% 

Janeiro/2026: 45,5%.  

Fevereiro/2026: 44,0% 

A tendência é clara: a aprovação caiu progressivamente nos primeiros dois meses de 2026, alinhada ao bombardeio midiático e político contra o STF que ganhou força a partir de dezembro. Em março, mês ainda incompleto, a popularidade de Lula aparece baixa nas sondagens preliminares, sem recuperação significativa até o momento.

O que começou como uma matéria isolada evoluiu para uma onda: em janeiro, críticas a Toffoli por suposta corrupção que não cita o que ele teria dado em troca de supostos benefícios vorcarianos, ganharam espaço; parte da esquerda, influenciada por narrativas de “autoritarismo ou falta de ética judiciários”, começou a atacar Moraes e Toffoli, criando uma rachadura interna. 

Edson Fachin, ministro do STF, isolou-se ao propor um código de conduta que insinuava desvios morais no tribunal, alimentando a ideia de que o STF estava “podre”. 

Em fevereiro, a mídia corporativa – Globo, Folha, Estadão, Veja, Metrópoles etc. – intensificou o bombardeio, defendendo abertamente figuras bolsonaristas como Flávio Bolsonaro, que passou a ser “normalizado” em debates. 

Manifestações bolsonaristas pipocaram pelo país, com o mote “Fora Lula, Moraes e Toffoli”, vinculando explicitamente o presidente ao Judiciário.

Joel Pinheiro da Fonseca, autor da tese do “bolsonarismo moderado” que indicava Tarcísio de Freitas como principal representante dessa vertente “civilizada” e viável eleitoralmente, escreveu em artigo na Folha: 

“TUDO O QUE ENFRAQUECE O STF FORTALECE O BOLSONARISMO”

Essa frase, que vazou o plano da extrema-direita para atingir Lula de forma cristalina, admite que os ataques ao STF — independentemente de provas — servem objetivamente à agenda bolsonarista, fortalecendo o campo da direita mesmo quando partem de vozes que se dizem moderadas ou críticas ao extremismo.

Enquanto a economia melhora – desemprego caiu mais 0,5 ponto em fevereiro, PIB é revisado para cima, isenção do IR já impactando positivamente o consumo das classes C e D –, o foco midiático está no STF, não nos bolsonaristas atolados até o pescoço na lama vorcariana. 

quarta-feira, 18 de março de 2026

Como Irã e China deram forma ao tabuleiro da guerra

Os fatos no campo de batalha mostram que a China também alterou as regras da guerra no Irã

18 de março de 2026.  Por Pepe Escobar (Jornalista e Analista Geopolítico)

 
China-Irã (Foto: Xinhua/Zhai Jianlan)










A resposta de dupla-via da China à guerra dos Estados Unidos-Israel contra o Irã reflete uma estratégia geopolítica e econômica mais ampla, que vai do campo de batalha ao sistema financeiro global.  

A resposta oficial da China ao Sindicato Epstein – ou Estados Unidos e Israel – sobre a guerra contra o Irã vem se dando por duas vias paralelas – um porta-voz diplomático e outro militar. 

Tradução: a China vê a guerra tanto como uma tensão  político-diplomática extrema e como uma ameaça militar.  

O porta-voz militar da China, um coronel do Exército de Libertação Popular (ELP), fala por meio de metáforas. Foi ele quem disse explicitamente que os Estados Unidos são “viciados em guerra”, com apenas 250 anos de história e apenas 16 de paz.  

Ele, com toda a clareza, coloca os Estados Unidos como uma ameaça global. E, claramente, também como uma ameaça moral (itálicos meus). 

O Presidente chinês Xi Jinping está firmemente focado em estabelecer uma conexão duradoura entre o marxismo e o confucionismo. 

A grande contribuição de Confúcio para o pensamento político foi o uso preciso da linguagem. Apenas aquele que fala com metáforas precisas e peso moral é capaz de governar uma nação.  

A China, portanto, vem desenvolvendo com máximo cuidado uma firme crítica moral e ética da guerra eletiva desencadeada pelos Estados Unidos contra o Irã. Enfatizando o fato de que esse é o ataque de uma nação que perdeu sua bússola moral. 

O Sul Global entende perfeitamente a mensagem.  

Além disso, os fatos no campo de batalha mostram que a China também alterou as regras da guerra no Irã. 

A rede iraniana está agora totalmente conectada ao sistema de satélite BeiDou.  Isso explica por que o Irã agora ataca com precisão, e que cada movimento do combo Estados Unidos-Israel se depara com um Muro Digital da tecnologia chinesa (mais de 40 satélites BeiDou em órbita). E explica também a  excelente precisão dos mísseis iranianos e sua crescente resistência a interferências.

Como parte de sua Parceria Estratégica Ampla de 25 anos, a China também forneceu ao Irã radares de longo alcance, integrados a sistemas de satélite. O principal resultado é a resposta muito mais rápida do Irã, se comparada à da guerra de doze dias.  

A Rússia ajudou em uma linha paralela, permitindo que o Irã aplicasse o muito que a Rússia aprendeu na Ucrânia sobre sistemas ocidentais como o Patriot e o IRIS-T. Não se trata  de táticas de saturação de drones em massa, mas sim de aprender o modo russo de coordenar enxames de drones com saraivadas de mísseis balísticos. É exatamente isso que está operndo de forma devastadora nos estágios mais recentes da Operação  True Promise IV.  

Jogando Go: é tudo uma questão de petroyuan 

terça-feira, 17 de março de 2026

Juristas desmontam farsa sobre contrato de R$ 129 mi

Pedro Serrano, Marco Aurélio Carvalho, Grupo Prerrogativas, Lenio Streck, Kakay e outros questionam até a existência do contrato na forma como divulgaram

Por Eduardo Guimarães (editor do Blog Cidadania)



Alexandre de Moraes e Viviane Barci (Foto: Ascom STF)

Coube ao professor de Direito Constitucional da PUC São Paulo, doutor Pedro Serrano, desmantelar interpretação irresponsável, açodada e farsesca sobre “confissão” da esposa de Alexandre de Moraes ao enumerar serviços que consórcio de bancas advocatícias que seu escritório integra prestaram ao Banco Master. 

Serrano, na verdade, falou em nome de um contingente de juristas e advogados que alerta para o risco à democracia que constitui essa improvável e estarrecedora aliança entre grupos de mídia corporativa de direita, políticos de extrema-direita e setores jornalísticos e/ou militantes de esquerda. 

O professor da PUC-SP é um dos idealizadores do Grupo Prerrogativas, ao lado do eminente Marco Aurélio Carvalho lá nos idos de 2016. Esse Grupo, integrado pelos maiores juristas do país, apoia integralmente a visão de Serrano sobre os ataques aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e outros membros do STF.

Essa posição ganha eco em vozes como a do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que tem criticado duramente os ataques ao Supremo, classificando denúncias midiáticas contra Moraes como "mais espuma que rochedo" e alertando para o risco de desestabilização institucional. 

Kakay, em análises recentes, enfatizou que o STF está sob ataque sistemático, defendendo que tentativas de impeachment ou descrédito de ministros são baseados em alegações sem provas concretas e representam uma ameaça à ordem democrática, ecoando Serrano ao destacar a ausência de elementos probatórios sólidos no caso do contrato. 

Ele argumenta que tais narrativas servem a interesses políticos, reforçando a necessidade de proteger a Corte de investidas que visam enfraquecer sua autoridade. 

O jurista Lenio Streck, professor de Direito respeitado, alinha-se a essa linha ao defender decisões do ministro Moraes em contextos de preservação da democracia, como no caso de exigências legais a plataformas digitais. Streck tem alertado para o perigo de críticas que desviam o foco de ameaças reais, como tentativas de golpe, e questionado investigações que parecem "pesca probatória", sem base concreta. 

No contexto do contrato, ele aponta para a falta de provas irrefutáveis e para o risco de o jornalismo substituir o devido processo legal, reforçando que acusações sem sustentação podem minar a independência do Judiciário e abrir caminho para instabilidades políticas. 

Marco Aurélio Carvalho, cofundador do Grupo Prerrogativas ao lado de Serrano, complementa essa defesa ao enfatizar a necessidade de medidas institucionais para preservar o STF. Em entrevistas recentes, Carvalho elogiou posturas como a de Toffoli ao se declarar impedido em julgamentos relacionados, defendendo que o foco deve ser na integridade da Corte e não em narrativas sensacionalistas sem provas. 

Ele alerta para vazamentos seletivos e manipulações que visam deslegitimar ministros, alinhando-se à visão de que o contrato em questão carece de evidências de ilicitude e até de existência tal como foi apresentado à sociedade e representa mais um episódio de aliança oportunista contra o Judiciário. 

A nota divulgada pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, representa uma mera descrição de serviços prestados ao Banco Master, detalhando 94 reuniões (79 presenciais e 15 virtuais, totalizando 267 horas) e 36 pareceres jurídicos e opiniões legais, sem qualquer atuação no STF em causas relacionadas ao banco. 

No entanto, as tentativas da mídia de esmiuçar e dissecar essa nota são irresponsáveis, pois se baseiam em suposições infundadas, como estimar o tempo de produção de pareceres complexos – que, na prática jurídica, podem demandar meses para conclusão, envolvendo pesquisa aprofundada, análise de jurisprudência e revisão por equipes especializadas. 

Além disso, ninguém sabe com certeza se a descrição se refere a um único contrato ou a múltiplos acordos agregados, e muito menos o valor exato alocado especificamente aos serviços listados, apesar de vários órgãos de imprensa terem se aventurado em cálculos especulativos, sugerindo que o escritório recebeu R$ 3,6 milhões mensais por "apenas" 4,27 reuniões e 1,63 pareceres por mês, ou estimando diferenças de até R$ 78 milhões acima do "valor de mercado". 

Essas narrativas midiáticas ignoram variáveis como complexidade dos casos, riscos envolvidos e padrões de remuneração em consultorias de alto nível, servindo apenas para alimentar uma agenda de descrédito sem provas concretas. 

Juristas como Serrano reforçam que, sem evidências irrefutáveis, tais acusações constituem uma agressão ao devido processo e à presunção de inocência, priorizando o espetáculo midiático sobre a verdade factual. 

Esses especialistas têm se manifestado de forma similar, também criticando a PF por vazamentos seletivos no caso Master e reforçando que, sem provas concretas, as alegações contra Viviane Moraes e o escritório dela são infundadas e servem a agendas antidemocráticas. 

Em suma, Serrano, Kakay, Streck, Carvalho e o coletivo do Prerrogativas desmontam a narrativa farsesca. Essa frente unida de especialistas destaca que o verdadeiro risco reside na erosão da confiança nas instituições, promovida por uma mídia e oposição que priorizam o espetáculo sobre a verdade factual.

Polícia Civil pede prisão de tenente-coronel no caso da PM morta após tiro na cabeça em SP

Corpo de Gisele Alves Santana foi exumado, e laudo necroscópico apontou que havia lesões no rosto e no pescoço da mulher. Segundo peritos, há sinais de que ela desmaiou antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou defesa. Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, é investigado pelo crime.

Por Redação g1 SP e TV Globo, — São Paulo

17/03/2026

Laudo mostra que PM morta em São Paulo tinha ferimentos no rosto e no pescoço








A Polícia Civil de São Paulo pediu nesta terça-feira (17) à Justiça que seja decretada a prisão do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido da policial militar Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça, no mês passado.

Até a última atualização desta reportagem, o Poder Judiciário não havia se pronunciado sobre o pedido.

A decisão das autoridades aconteceu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao processo laudos relacionados ao caso.

Os documentos confirmaram que Gisele não estava grávida e também não foi dopada, mas que havia mais manchas de sangue da soldado espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela morreu.

Apesar da conclusão do laudo toxicológico, que não indicou o consumo de drogas ou bebidas por Gisele, e da liberação de outros exames — que somam cerca de 70 páginas —, a delegacia aguarda ainda mais resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) para concluir o inquérito. Eles devem esclarecer a dinâmica do disparo ocorrido há quase um mês.

O caso ocorreu na manhã do dia 18 de fevereiro e está sendo investigado pela polícia como morte suspeita. O pedido de prisão foi feito com o aval do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

O corpo da vítima foi exumado, e o laudo necroscópico apontou que havia lesões no rosto e no pescoço da mulher.

Segundo peritos, há sinais de que ela desmaiou antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou defesa.

O documento obtido com exclusividade pela TV Globo diz que essas lesões eram "contundentes" e feitas "por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal" (arranhões que indicam marcas de unhas).

A PM, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo. Ele estava no local e foi quem acionou o socorro. A defesa dele ainda não se pronunciou sobre o resultado do laudo.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita após a família dela contestar essa versão. O corpo da PM foi, então, exumado e passou por novos exames no sábado (7) no Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital, incluindo uma tomografia.

Caso da PM morta em São Paulo. — Foto: Fantástico








Horário da morte

Alguns pontos chamam a atenção dos investigadores sobre a morte. Um deles é o horário da morte. Uma vizinha do casal afirmou à polícia que acordou às 7h28 depois de ouvir um estampido único e forte vindo do apartamento.

Isso aconteceu cerca de meia hora antes da primeira ligação feita pelo marido da vítima ao serviço de emergência. Na chamada para a PM, registrada às 7h57, ele disse que a esposa havia se matado.

“Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”, afirmou Neto na ligação.

Minutos depois, às 8h05, ele ligou para o Corpo de Bombeiros e disse que a mulher ainda estava respirando. As equipes chegaram ao local às 8h13.

Posição da arma

Outro questionamento é sobre o disparo. Um dos socorristas relatou que a arma parecia estar "bem encaixada" na mão da mulher, de uma forma que nunca havia visto em casos de suicídio. Por achar a cena incomum, decidiu fotografá-la.

O profissional também afirmou que o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao apartamento e que não havia cartucho de bala no local.

Socorrista diz que desconfiou da forma em que arma estava encaixada na mão de PM encontrada baleada

Banho

No mesmo inquérito da Polícia Civil, depoimentos de socorristas que atenderam a ocorrência levantam questionamentos sobre a versão apresentada pelo marido da vítima.

Em depoimento, o oficial afirmou que estava no banho no momento em que ouviu o disparo, mas os primeiros bombeiros que chegaram ao local disseram que ele estava seco e que não havia marcas de água no chão do apartamento.

O tenente-coronel disse que entrou no banheiro para tomar banho por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que pensou ser de uma porta batendo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída na sala.

Um sargento do Corpo de Bombeiros com 15 anos de experiência relatou que, ao chegar ao apartamento, encontrou Geraldo de bermuda, sem camisa e inteiramente seco.

O declarante afirma que não havia nenhum tipo de pegada molhada que indicasse que o tenente-coronel teria saído imediatamente durante o banho, inclusive ele estava seco

— registrou o socorrista em depoimento.

Ele também afirmou que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado, mas não havia poças de água no chão ou no corredor.

A observação foi reforçada por um tenente da PM cuja equipe foi a primeira a chegar ao local dos fatos. Ele apontou que nem Geraldo nem Gisele aparentavam estar molhados ou terem tomado banho antes do disparo.

Conduta e falta de desespero

Outro ponto que chamou a atenção da equipe de resgate foi o estado emocional do marido. O sargento do Corpo de Bombeiros afirmou que não viu nenhum tipo de desespero por parte do tenente-coronel nem o viu chorando.

Um segundo bombeiro também estranhou a conduta do marido porque ele "falava calmamente" ao telefone, questionava a todo momento o atendimento prestado pelos bombeiros e insistia que a vítima fosse retirada com pressa e levada imediatamente ao hospital.

Os socorristas também observaram que o oficial não apresentava nenhuma marca de sangue no corpo ou nas vestimentas, o que indicaria que ele não teria tentado prestar os primeiros socorros à esposa.

Ligação para desembargador

Entre os contatos feitos por Geraldo na manhã da ocorrência, um deles chamou a atenção da família da policial: a ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Ele chegou ao prédio às 9h07 e subiu para o apartamento com o tenente-coronel. O advogado da família, José Miguel da Silva Junior, questiona a presença do magistrado no local.

“Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo.”

·                   9h18: o desembargador reaparece no corredor.

·                   9h29: Após 11 minutos, o tenente-coronel surge com outra roupa.

Entrada e saída de policiais do apartamento

Uma câmera de segurança registrou a entrada e a saída de três policiais no apartamento onde Gisele morreu. Segundo uma testemunha, as agentes foram ao local cerca de 10 horas após a ocorrência para fazer a limpeza do imóvel.

Ainda de acordo com a testemunha, as agentes chegaram ao prédio às 17h48 de 18 de fevereiro, o mesmo dia da morte, e entraram no local acompanhadas por uma funcionária do edifício.

As imagens mostram que elas permaneceram por aproximadamente 50 minutos e não saíram com objetos. As policiais serão ouvidas na investigação.

O que dizem as defesas

Em nota divulgada antes do laudo feito após a exumação, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirma que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o momento.

Segundo os advogados, o oficial tem colaborado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para ajudar na elucidação dos fatos.

Já a defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária.

O caso, inicialmente registrado como suicídio, segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.

EM TEMPO: As mulheres devem ser mais criteriosas nas escolhas dos seus "amores", assim como a população deve ser na escolha dos políticos.