domingo, 8 de março de 2026

"Irã acelera colapso do petrodólar e impõe derrota estratégica aos Estados Unidos", diz Pepe Escobar

Analista afirma que resistência iraniana já alterou o equilíbrio global e abriu disputa decisiva pela nova ordem internacional

Pepe Escobar (Foto: Flickr / Brasil 247)


 





Redação Brasil 247

247 – O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que a atual guerra no oeste da Ásia pode marcar uma virada histórica no sistema internacional e acelerar o fim do petrodólar, base da hegemonia financeira dos Estados Unidos nas últimas décadas. A avaliação foi feita em entrevista concedida à TV 247, em conversa conduzida pelo jornalista Leonardo Attuch.

Durante a entrevista, Escobar argumentou que a reação militar do Irã surpreendeu Washington e Tel Aviv e expôs vulnerabilidades estruturais da presença estratégica americana na região. Para ele, a resposta iraniana foi planejada ao longo de meses e executada com rapidez suficiente para alterar o equilíbrio do conflito.

Segundo o analista, a guerra segue duas “estradas paralelas” que não se encontram: de um lado, a estratégia de resistência total do Irã; de outro, a tentativa dos Estados Unidos e de Israel de manter o controle do sistema regional. Na visão de Escobar, a reação iraniana demonstrou que o país estava preparado para atingir alvos estratégicos ligados aos interesses americanos.

"Se vocês nos atacarem, nós vamos atacar tudo de volta. Tudo significa todo o nó dos interesses americanos e israelenses no oeste da Ásia inteiro", afirmou Escobar ao explicar a lógica militar anunciada previamente por Teerã. 

Estratégia iraniana mira infraestrutura estratégica dos EUA

De acordo com Escobar, o Irã respondeu rapidamente aos ataques iniciais e passou a atingir bases militares, radares e centros logísticos ligados à presença dos Estados Unidos na região.

Ele destacou que um dos principais objetivos foi neutralizar sistemas de radar e vigilância instalados em países do Golfo. Segundo o analista, a destruição ou desativação desses sistemas comprometeria a capacidade de coordenação militar americana.

"Se você cega todo o sistema americano que interconecta lançamento de mísseis, satélites e comunicações, o império, por definição, está cego", disse.

O analista também afirmou que os ataques não se limitaram a Israel, mas atingiram toda a rede de infraestrutura estratégica que sustenta a presença militar e econômica dos Estados Unidos no Golfo Pérsico e no oeste da Ásia. 

Guerra pode atingir o sistema do petrodólar

Para Escobar, um dos efeitos mais relevantes do conflito pode ser o enfraquecimento do sistema do petrodólar — mecanismo que sustenta a predominância do dólar nas transações globais de energia.

Segundo ele, a estratégia iraniana envolve não apenas a expulsão militar dos Estados Unidos da região, mas também a ruptura do vínculo financeiro entre as monarquias do Golfo e o sistema financeiro americano.

"Essa é uma guerra para acabar com o petrodólar", afirmou.

Na análise do jornalista, fundos financeiros globais desempenharam papel central nesse sistema ao intermediar investimentos provenientes das monarquias petrolíferas em ativos ocidentais.

Escobar citou a gestora BlackRock como um dos principais canais dessa reciclagem financeira. Ele afirmou que a decisão da empresa de restringir retiradas de investidores institucionais indicaria tensões crescentes dentro do sistema financeiro global.

"Quando você tem uma corrida financeira e a instituição diz que ninguém pode retirar o dinheiro, isso significa que o sistema está sob enorme pressão", declarou. 

Rússia emerge como ator central no mercado de energia

Outro efeito do conflito, segundo Escobar, é a ascensão da Rússia como ator ainda mais central no mercado energético global. O analista afirmou que Moscou passou a exercer papel decisivo na coordenação da produção de petróleo dentro da OPEP+.

Ele também destacou que a crise energética global pode ser agravada caso haja interrupção significativa do fluxo de petróleo no estreito de Ormuz.

"Há projeções de analistas financeiros de que, se o estreito de Ormuz for bloqueado, o petróleo pode chegar a US$ 500 por barril", disse.

Na avaliação do analista, esse cenário teria potencial para provocar um colapso em mercados financeiros altamente alavancados por derivativos ligados ao setor energético. 

Guerra redefine alianças no sul global

Escobar também afirmou que o conflito está redefinindo alianças geopolíticas dentro do sul global e dentro do próprio BRICS. Segundo ele, Rússia, China e Irã tendem a aprofundar sua integração estratégica.

Ao mesmo tempo, o analista criticou duramente a postura da Índia no contexto da crise.

"A Índia demonstrou que não é um parceiro confiável do sul global neste momento", afirmou.

Ele também destacou que a cooperação militar e tecnológica entre Rússia e Irã teria se intensificado durante o conflito, incluindo troca de informações e suporte técnico.

Segundo Escobar, a China também desempenha papel relevante ao fornecer dados de satélite e apoio tecnológico indireto. 

Conflito pode levar à reorganização da ordem internacional

Para o analista, o resultado da guerra poderá acelerar uma reorganização profunda das instituições globais criadas após a Segunda Guerra Mundial.

Escobar afirmou que o sistema internacional construído em Bretton Woods estaria em crise e poderia ser substituído por novas estruturas lideradas por potências emergentes.

"Se houver uma reorganização do sistema internacional, os dois condutores principais serão Rússia e China", disse.

Ele também alertou para o risco de escalada nuclear caso o conflito se amplie, cenário que classificou como o mais perigoso para a humanidade.

"Se isso acontecer, Rússia e China entram na história. E aí encerram-se as apostas", afirmou.

Brasil e América do Sul na disputa geopolítica

Ao final da entrevista, Escobar mencionou que uma eventual retração estratégica dos Estados Unidos no oeste da Ásia poderia levar Washington a reforçar sua influência no chamado “hemisfério ocidental”.

Segundo ele, esse cenário pode aumentar a pressão geopolítica sobre a América Latina.

"Na doutrina de segurança estratégica deles, o objetivo é recolonizar o hemisfério ocidental. E é aí que entra o Brasil", disse.

Para o analista, caso o sistema internacional passe por uma reorganização profunda, potências como Rússia e China poderão desempenhar papel importante no equilíbrio estratégico global — inclusive em relação à América do Sul.

Encerrando a entrevista, Escobar resumiu o momento atual como um dos mais decisivos da história recente.

"Esta é a guerra que define o século 21", concluiu.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=SnH5fxCVc8Y&t=2s

sábado, 7 de março de 2026

8M: A nossa luta é uma só!

 


 

Jornal O Poder Popular nº 103 (março de 2026)

Nathália Mozer – educadora popular do NEP 13 de Maio, militante do PCB e diretora da Fundação Dinarco Reis


A revolucionária Clara Zetkin propôs a comemoração de um Dia Internacional da Mulher na Conferência das Mulheres Socialistas de 1910, para honrar a luta das mulheres contra a exploração capitalista. O dia 8 de março foi abraçado pelo calendário das revolucionárias devido aos acontecimentos em 1917 na Rússia czarista: milhares de mulheres foram às ruas nesta data exigindo seus direitos, contra a exploração e a guerra que a burguesia impunha ao povo. As mulheres foram uma grande força propulsora da Revolução Russa.

No Brasil, o 8 de março deste ano acontece em meio a um debate sobre violência infantil. No mês passado, o TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) absolveu um homem de 35 anos acusado de abusar de uma menina de 12 anos. O argumento para a absolvição é que havia “vínculo afetivo consensual”. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu apuração sobre a decisão, considerando que a postura do tribunal pode abrir um “precedente perigoso” para questionar o Código Penal. Nos depoimentos, a menina apontava que o homem comprava cesta básica para sua mãe. A denúncia aconteceu porque a escola percebeu a ausência da criança e acionou o Conselho Tutelar.

As crianças, especialmente as meninas e as crianças negras, seguem como as principais vítimas da exploração, do abuso e do abandono. Os dados mais recentes escancaram a realidade: o Brasil registra altos índices de violência sexual, física e psicológica contra crianças e adolescentes, crimes que muitas vezes ocorrem dentro de casa e são praticados por pessoas próximas, o que torna a subnotificação um problema crônico. Essa violência uma expressão cruel da opressão do capital: o Estado burguês, ao sucatear a educação, a saúde e a assistência social e não garantir os direitos sociais, deixa crianças desprotegidas e à mercê da exploração e abuso dentro e fora dos lares.

Combater a violência e lutar pela superação do capitalismo!

A violência contra a infância não é um fato isolado, é uma engrenagem que alimenta a exploração do trabalho infantil, o tráfico de pessoas e a perpetuação do ciclo da pobreza. O grande capital se beneficia dessa massa de crianças e jovens desassistidos, que, sem acesso à educação de qualidade e a perspectivas de futuro, engrossam o exército de mão de obra precarizada e superexplorada. O combate à violência infantil passa por combater e superar o sistema que a naturaliza e a reproduz. É necessário, como parte da luta da classe trabalhadora, exigir a implementação efetiva do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a ampliação das redes de proteção e acolhimento e a punição exemplar dos agressores.

Mais do que isso, é preciso organizar a classe trabalhadora para defender suas crianças, criando nas comunidades e locais de trabalho uma consciência coletiva de que proteger a infância é um ato revolucionário que fere os interesses do capital e constrói as bases para uma sociedade verdadeiramente justa e emancipada.

A luta das mulheres e meninas deve ser assumida como pauta fundamental na luta de classes. Organizar os setores mais oprimidos contra a exploração – mulheres, crianças, a população negra, LGBT, os povos originários – é uma batalha de todas e todos contra o capitalismo!

O diálogo com trabalhadores e trabalhadoras sobre tais problemas perpassa pela firme defesa dos direitos sociais, da saúde pública e da educação de qualidade, pela revogação imediata das contrarreformas trabalhista e da previdência, fim da escala 6×1 com 30 horas semanais sem redução salarial, reforma agrária popular, reversão das privatizações, estatização do sistema bancário e financeiro, dentre outras medidas que vão no sentido de melhorar substancialmente a vida da classe trabalhadora.

Pela vida das mulheres! Pelo direito à infância! Pelo poder popular!

EM TEMPO: Algumas sugestões para as mulheres: 1 - Não bancar financeiramente os seus "amores";   2 - Defender prisão perpétua para os(as) criminosos(as) que praticarem feminicídio, masculinicídio e homoafeticídio; 3 - Idem para os estupradores (as) de quaisquer gênero. Convém lembrar que tanto as meninas, como também os meninos são presa fácil para os(as) estupradores (as);  4 - Ser mais criteriosa na escolha dos seus amores. Assim como a população deve ser na escolha dos seus políticos. Ok, Moçada!

 

POR QUE MARÍLIA ARRAES INCOMODA TANTO?


 

Texto extraído do Blog de Roberto Almeida.







A ex-deputada e ex-vereadora do Recife Marília Arraes tem tido problemas desde que entrou na vida pública.  

Ousada, defensora de pautas progressistas, a neta do ex-governador Miguel Arraes incomoda à direita e à esquerda.  

Quando estava no PSB trombou com o primo famoso, Eduardo Campos, então no auge.  

Depois que passou para o PT passou a sofrer boicote no próprio partido. 

Para disputar o governo, em 2022, teve de se filiar ao Solidariedade, montou uma chapa meio que às pressas e liderou as pesquisas até que Raquel Lyra ficou viúva, chegando ao poder com a ajuda da comoção popular. 

Marília, no momento, lidera as pesquisas para o senado. 

E possivelmente vai ter de mudar de partido novamente. Seu destino agora é o PDT, partido aliado do presidente Lula, a quem a ex-deputada é fiel. 

Mas antes mesmo de Marília Arraes entrar na disputa para o senado já está sendo bombardeada, inclusive por setores da imprensa estadual. 

João Campos até agora não deu uma palavra a favor da prima, Humberto Costa não bota a cara, mas todo mundo sabe que está sabotando a ex-vereadora do Recife novamente. 

Humberto, parece, não quer adversários de peso na disputa,  para se reeleger para o senado novamente sem atropelos. 

E Marília, segundo todas as pesquisas, não somente lidera a disputa para o senado, como tem o dobro das intenções de voto do coronel das esquerdas pernambucanas. 

Por que Marília incomoda tanto? 

Por ser corajosa, atrevida, por ter voo próprio e principalmente por ser mulher. 

Os donos da esquerda de Pernambuco têm medo da consolidação de novas lideranças que os ofusquem. 

*Foto: Jornal do Commercio do Recife 

EM TEMPO: Algumas observações: 1 - O projeto de Marília é apenas pessoal e eleitoral. Por isso é que ela se depara com tanto obstáculo; 2 - Marília e Raquel, ambas foram filiadas ao PSB e, outrora, impedidas de serem candidatas a Deputada Federal e Prefeita do Caruaru, respectivamente; 3 - Marília foi para o PT e se elegeu Deputada Federal. Raquel foi para o PSDB e se elegeu Prefeita do Caruaru; 4 - Ambas têm voto e autonomia o que incomoda boa parte dos políticos; 5 - No caso específico de Marília ela é mal assessorada. Por não entender que o PT é constituído por tendências internas e não é um partido regido pelo "centralismo democrático", mergulhou numa candidatura arriscada à Prefeita da Cidade de Recife, Eleições 2020, contra o primo, João Campos, o qual é de Direita, e detonou o PT e ela própria, no estilo "bolsonaro"; 6 - Para coroar essa má compreensão dessa realidade, aventurou-se numa candidatura a governadora, Eleições 2022, por um partido de Direita, o Solidariedade, presidido por Paulinho da Força, Força Sindical opositora da CUT. Quando poderia ter sido candidata, naquela época, a Senadora. Observe que a Teresa Leitão foi eleita Senadora porque não tinha adversário competitivo; 7 - Agora a Marília está tentando consertar o erro do passado, mas precisa de entender como se movimenta as forças políticas do Estado de PE. Ela tem "mobilidade própria e política" e não precisava ficar na dependência de quem lhe detonou tanto nas Eleições de 2020, ou seja, depender do João Campos e do PSB. Trata-se de um erro grave e prejudicial a sua carreira política; 8 - A Marília não precisa ser adversária do primo João Campos, mas não precisa depender dele. Agora, não é um partido mais à Direita do que o PSB que vai lhe dar o respaldo que ela precisa. Lembrando que se filiar ao PT, como está fazendo a Marina Silva, como fez o Marcelo Freixo, Randolphe Rodrigues e tantos outros, não é o melhor caminho. Ok, Moçada!

segunda-feira, 2 de março de 2026

Infanticídio: sobe para 180 o número de crianças assassinadas por Trump e Netanyahu no Irã

Ataque atribuído à ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel atinge colégio feminino em Minab e hospital em Teerã, aprofundando crise regional

02 de março de 2026

Meninas assassinadas no Irã (Foto: Reprodução redes sociais)



 







Redação Brasil 247

247 – Subiu para cerca de 180 o número de crianças mortas no ataque contra a escola primária de meninas Shajareh Tayyebeh, em Minab, na província de Hormozgan, sul do Irã. A nova atualização foi divulgada por Hossein Kermanpour, chefe de relações públicas do Ministério da Saúde iraniano, após o bombardeio ocorrido no domingo, no contexto da ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel iniciada no sábado.

Segundo informações publicadas pela Al Jazeera, com base em fontes oficiais iranianas, Kermanpour afirmou que o ataque matou “cerca de 180 crianças”. Ele também declarou que o “mesmo tipo” de míssil foi utilizado horas antes contra o Hospital Gandhi, em Teerã, ampliando o alcance da ofensiva.

A nova estimativa supera os 148 mortos inicialmente confirmados por agências estatais iranianas, como a Mizan News Agency, ligada ao Poder Judiciário do país. As autoridades consolidam os números à medida que avançam os trabalhos de resgate.

Escola atingida diretamente

De acordo com a Mizan, a escola foi atingida de forma direta durante a operação militar. O colégio feminino, localizado em Minab, ficou completamente destruído. Equipes de emergência continuam atuando na remoção de escombros e no atendimento aos feridos.

A agência estatal IRNA informou anteriormente que ao menos 63 pessoas haviam ficado feridas. Com a atualização mais recente, as autoridades indicam que o número de vítimas pode continuar crescendo, diante da gravidade dos danos estruturais e da intensidade da explosão.

Imagens divulgadas por autoridades iranianas mostram o prédio escolar reduzido a destroços. O episódio já é apontado como um dos mais letais contra civis desde o início da nova escalada militar na região.

Hospital também foi alvo

Hossein Kermanpour acrescentou que o “mesmo tipo” de míssil empregado no ataque à escola foi usado contra o Hospital Gandhi, na capital iraniana, poucas horas antes. A informação amplia as acusações de que estruturas civis estariam sendo atingidas na ofensiva.

Até o momento, não há confirmação oficial do número de vítimas no ataque ao hospital. O governo iraniano sustenta que os bombardeios fazem parte de uma operação coordenada entre Washington e Tel Aviv.

Irã denuncia morte de “crianças inocentes”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, compartilhou imagens do local e afirmou que o ataque destruiu a escola e matou “crianças inocentes”. A declaração reforça a denúncia formal apresentada por Teerã contra os Estados Unidos e Israel.

O episódio aprofunda a crise regional iniciada com a ofensiva militar conjunta e intensifica a pressão internacional por investigações sobre possíveis violações do direito internacional humanitário. O bombardeio contra uma escola primária feminina e contra uma unidade hospitalar coloca no centro do debate o impacto da guerra sobre civis, especialmente crianças.

A consolidação dos números pelas autoridades iranianas ainda está em curso, e novas atualizações podem alterar o balanço final de vítimas.

EM TEMPO: Ainda bem que a coalizão EUA e Israel, não está se saindo bem conforme queriam. Estão     levando "madeira" e o Irã resiste heroicamente. Israel matou milhares de pessoas inocentes e desarmadas em Gaza. Por outro lado o Irã tem armas capazes de dissuadir e alvejar os inimigos. Por isso que a coalizão EUA e Israel tende ao fracasso. Lembrando que este comentário representa apoio ao povo iraniano e não ao regime de governo. Ok, Moçada!

domingo, 1 de março de 2026

Toda solidariedade ao povo do Irã!


 




 



Situação da escola feminina em Minab, no sudoeste do Irã, após o criminoso ataque sionista-estadunidense. @Iranembassybr

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Contra a agressão imperialista dos EUA e de Israel ao povo do Irã

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) condena de maneira veemente a nova agressão militar promovida pelos Estados Unidos e por Israel contra o povo do Irã. Mais uma vez assistimos à repetição do velho roteiro imperialista: ataques armados justificados por mentiras, manipulação midiática e falsas narrativas de “defesa” ou “segurança”, que escondem os verdadeiros interesses estratégicos e econômicos do imperialismo estadunidense.

A história recente demonstra que o imperialismo dos EUA, em associação com o Estado sionista de Israel, utiliza sistematicamente pretextos fabricados para intervir militarmente no Oriente Médio. O objetivo central dessas ofensivas não é outro senão tentar reverter o declínio da hegemonia imperialista na região, assegurar o controle geopolítico e garantir a apropriação das riquezas estratégicas, especialmente o petróleo e outras fontes energéticas fundamentais para a reprodução do capital monopolista internacional.

A atual agressão assume contornos ainda mais bárbaros diante das denúncias de que os bombardeios atingiram áreas civis, incluindo uma escola frequentada por crianças, resultando na morte de dezenas delas. Trata-se de um crime que fere frontalmente o direito internacional, as convenções humanitárias e os princípios mais elementares da convivência entre os povos. Esse tipo de ação não apenas evidencia o caráter brutal da ofensiva imperialista, como também representa um grave perigo de escalada militar em toda a região, ampliando os riscos de uma guerra de proporções ainda mais devastadoras.

O PCB denuncia o papel desempenhado pelo Estado de Israel como principal instrumento do imperialismo no Oriente Médio. O governo sionista atua como ponta de lança dos interesses estratégicos dos Estados Unidos na região, participando ativamente de agressões contra diferentes povos e Estados soberanos. Essa postura reforça a política expansionista, militarista e de opressão que há décadas se abate sobre o povo palestino e sobre outros povos da região.

O ataque ao Irã constitui mais uma violação da soberania nacional e do princípio da autodeterminação dos povos. Nenhum país tem o direito de impor, por meio da força militar, seus interesses políticos, econômicos ou estratégicos sobre outro. A normalização dessas agressões fortalece o sionismo e cria condições políticas e militares para aprofundar a limpeza étnica contra o povo palestino na Faixa de Gaza, ampliando o sofrimento e a destruição já impostos àquela população.

Diante desse quadro, o Partido Comunista Brasileiro reafirma sua posição histórica de combate ao imperialismo, ao sionismo e a toda forma de dominação colonial e neocolonial. Manifestamos nossa solidariedade ao povo iraniano e a todos os povos do Oriente Médio que resistem às agressões externas e à ingerência imperialista.

O PCB apela aos trabalhadores e trabalhadoras, à juventude, às organizações sociais e populares, aos movimentos sindicais, estudantis e comunitários, bem como às forças políticas comprometidas com a soberania nacional e com a paz entre os povos, para que não apenas condenem publicamente essa nova agressão, mas organizem grandes manifestações em todas as regiões do planeta contra a ofensiva imperialista ao Irã.

É hora de fortalecer a luta anti-imperialista e a solidariedade internacionalista. Somente a mobilização consciente e organizada dos povos poderá conter a marcha da guerra, defender a autodeterminação dos povos e abrir caminho para uma ordem internacional baseada na cooperação, na justiça social e na soberania popular.

Pela paz entre os povos!
Contra o imperialismo e o sionismo!
Solidariedade ao povo do Irã e ao povo palestino!

Comissão Política Nacional do PCB

EM TEMPO: Observem que a Nota do Partidão, como também de outros países e organização políticas, na maioria das vezes não se referem a darem  apoio ao governo e, sim, ao povo iraniano e palestino. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O erro do UOL e o “funil” que pode virar catapulta: Para onde foi realmente o caso Toffoli?

·         24/02/2026

  • Texto extraído do Blog de Magno Martins
  • - Edição de Camila Emerenciano

 

Por Marlos Porto*

No último dia 23 de fevereiro, o colunista Josias de Souza, do UOL (https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2026/02/23/fachin-faz-papel-de-coveiro-de-prova-viva-no-teatro-pro-toffoli.htm), publicou um texto afirmando que o ministro Edson Fachin “enterrou no arquivo morto a arguição de suspeição de Toffoli e o relatório da Polícia Federal que arrancou o ministro da relatoria do caso Master”. A afirmação, contudo, não resiste a uma consulta mínima aos fatos — e, mais grave, induz o leitor a erro sobre o destino de uma investigação de alta relevância institucional.

O que efetivamente ocorreu? Em 12 de fevereiro de 2026, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) cópia integral do relatório da Polícia Federal que menciona o ministro Dias Toffoli, para que o procurador-geral Paulo Gonet se manifeste. A informação está documentada no Valor Econômico (https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/02/12/fachin-informa-a-pgr-sobre-relatorio-da-pf-no-caso-master-com-mencoes-a-toffoli.ghtml). Ou seja: o relatório da PF não foi arquivado; ele apenas mudou de mãos, migrando do STF para a instância constitucionalmente competente para avaliar a existência de crime comum por parte de um ministro da Corte.

O que Fachin arquivou, tecnicamente, foi o incidente de suspeição contra Toffoli — um pedido formal para afastá-lo da relatoria do caso Master. Esse incidente perdeu o objeto no momento em que o próprio Toffoli, em 12 de fevereiro, deixou voluntariamente a relatoria, por decisão própria e após reunião com os demais ministros. Arquivar um pedido de afastamento de quem já se afastou não é “enterrar” prova alguma; é simples regularidade processual. Confundir essas duas coisas — o arquivamento de um incidente com o destino da investigação criminal — é um equívoco primário, inadmissível em um veículo com a estrutura e a pretensão de credibilidade do UOL.

Mais do que erro, há aqui um desserviço à cidadania. Ao sugerir que o caso foi “enterrado”, a coluna desinforma sobre um assunto de altíssimo interesse público e contribui para uma narrativa de blindagem que os fatos, até agora, não confirmam. O caso Toffoli não está morto. Está, desde 12 de fevereiro, nas mãos do procurador-geral Paulo Gonet. E lá permanecerá até que ele tome uma das seguintes providências: ofereça denúncia (ao STF, se entender que há crime comum; ao Senado, se vislumbrar crime de responsabilidade); arquive fundamentadamente o caso, com explicação pública e juridicamente sólida; ou silencie — hipótese em que a própria omissão poderá ser questionada nos termos da lei.

É preciso, aliás, saudar a correção do procedimento adotado por Fachin. Ao dar ciência imediata à PGR, o presidente do STF agiu dentro da mais estrita legalidade e da melhor prática republicana. Não cabe, portanto, desqualificar sua conduta. O alvo da atenção, agora, deve ser outro: a Procuradoria-Geral da República, que detém a palavra final sobre os aspectos criminais do caso.

E é justamente aí que reside uma ironia institucional de primeira grandeza. Em dezembro de 2025, o STF decidiu, na ADPF 1.259, que apenas o Procurador-Geral da República tem legitimidade para apresentar denúncia por crime de responsabilidade contra ministros da Corte. A justificativa foi criar um “filtro técnico” que evitasse o uso político do impeachment. O que parecia uma blindagem, porém, pode ter gerado um efeito inesperado: ao concentrar no PGR a chave do processo, a Corte transferiu para ele toda a pressão que antes recaía sobre o presidente do Senado. Se Gonet silenciar injustificadamente, poderá incorrer no crime de responsabilidade previsto no artigo 40, inciso IV, da Lei 1.079/50: “ser patentemente desidioso no cumprimento das próprias atribuições”. E o julgamento desse crime, diferentemente do que ocorre com os ministros do STF, começa e termina no Senado, sem necessidade de autorização de ninguém.

O “funil” criado pela decisão do STF pode, assim, transformar-se em catapulta. Se o PGR não agir, qualquer cidadão — e especialmente os senadores — poderá pedir seu impeachment por desídia. E, nesse momento, o Senado recuperará integralmente o protagonismo que a decisão da Corte lhe havia subtraído. O porteiro que deveria filtrar as denúncias poderá, ele mesmo, tornar-se réu perante a Casa do povo.

Há quem veja nessa arquitetura um risco de paralisia. Mas há também quem enxergue, nela, um mecanismo mais ordenado de responsabilização — desde que os atores políticos estejam dispostos a ocupar os espaços que a Constituição lhes reserva. O caso Toffoli, longe de estar encerrado, é agora um teste de fogo para o equilíbrio entre os Poderes. A imprensa que se apressou em decretar sua morte terá, em breve, que explicar por que não cobrou do PGR, durante o tempo necessário, uma posição sobre um dossiê que seus próprios colegas classificaram como “nitroglicerina pura”.

Enquanto isso, a “brava gente brasileira” acompanha, na expectativa de que os grilhões forjados por astuto ardil — sejam eles jurídicos ou midiáticos — encontrem, como no Hino, uma “mão mais poderosa” capaz de deles zombar. E que essa mão seja, como deve ser em uma democracia, a da soberania popular, exercida nos canais institucionais que a Constituição prevê.

*Bacharel em Direito

EM TEMPO: Um jornalista bem informado e capacitado que corrige muito as "gafes jornalísticas" é o Reinaldo Azevedo. Já os jornalistas especializados em fofocas, bem como os de extrema-direita,   erram que fazem medo. Ok, Moçada!

domingo, 22 de fevereiro de 2026

A subordinação estrutural da economia brasileira

 


 

Edmilson Costa*

Ao contrário do que muitos imaginam, nem sempre um grande superávit comercial é apropriado internamente pelo Brasil. Muito embora o país tenha registrado um elevado saldo na balança comercial em 2025, grande parte desse saldo pode não permanecer no circuito econômico nacional porque muitas das empresas públicas brasileiras foram privatizadas nas últimas décadas, além do fato de que a política neoliberal implantada a partir dos anos 90 conduziu a um processo de desindustrialização nacional, fatores que deixaram o brasil dependente das estruturas comerciais, tecnológicas e financeiras do capital internacional. Um dado aparentemente paradoxal é o fato de que o Brasil alcançou um superávit comercial de cerca de U$ 60 bilhões, um resultado muito significativo. No entanto, se olharmos o conjunto das contas do setor externo brasileiro, veremos que esse resultado foi anulado por um déficit de magnitude maior na balança de transações correntes (US$ 68,8 bilhões), resultado que, na prática, deixa o Brasil como nação devedora no balanço das contas externas. 

Neste artigo vamos abordar a mecânica desse fenômeno, que é um dos mais dramáticos e menos conhecidos da economia brasileira, tanto em função das especificações técnicas do problema, o que dificulta a compreensão por parte do público em geral, mas principalmente porque é politicamente inconveniente para as autoridades governamentais tratar publicamente esse problema, pois a balança de transações correntes ou conta do setor externo brasileiro constitui um dos núcleos centrais da subordinação da economia brasileira ao capital estrangeiro. Essa conta registra todas as transações entre o Brasil e o resto do mundo ou, mais tecnicamente, é o principal agregado do setor externo que contabiliza, em determinado período (mês, trimestre, ano), as transações entre residentes do País e não residentes e envolve os fluxos de bens e serviços, rendas e transferências correntes. Em termos políticos, a balança de transações correntes mede a inserção do País na divisão internacional do trabalho e o grau de dependência ou autonomia em relação ao capital internacional. Quando o País obtém superavit nas transações correntes significa que é credor líquido em relação às outras nações; quando é deficitário, necessita de financiamento para cobrir o déficit. 

Como fui professor de disciplina de Contabilidade Nacional vou procurar explicar de forma didática cada uma das principais variáveis dessas transações e, num segundo momento, tirar conclusões sobre as implicações políticas e econômicas que cada uma das variáveis dessa conta implica na economia do País, nas relações com o exterior e na vida cotidiana das pessoas, de forma a que todos possam entender os gargalos estruturais da economia brasileira. A balança de transações correntes é um bom posto de observação para avaliarmos as relações do País com o resto do mundo. Então vejamos: a estrutura geral da balança de transações correntes é composta de quatro grandes contas: balança comercial; balança de serviços; renda primária e transferências correntes ou renda secundária. Essas quatro variáveis medem a posição do País nas suas relações com o exterior, ou seja, aferem se o País é credor ou devedor em relação ao resto do mundo. Consequentemente, definem a capacidade ou necessidade de financiamento externo da economia e, principalmente, revelam o grau de subordinação estrutural da economia brasileira em relação ao capital financeiro internacional. 

Observemos agora cada uma das contas da balança de transações correntes e seus aspectos econômicos e políticos. Primeiro, a balança comercial, que é a conta mais conhecida: registra as exportações e importações do País. Ao longo de 2025 o Brasil exportou US$ 350.899 bilhões e importou US$ 290.947 bilhões, o que resultou num saldo de US$ 59.952 bilhões, fato que significa um montante muito expressivo, embora a maioria desse saldo seja resultado da venda de produtos primários e bens manufaturados de segunda ordem. Outro dado positivo nas transações correntes foi alcançado na Renda Secundária ou Transferências correntes, que envolvem as remessas de imigrantes para famílias no Brasil, transferências de estrangeiros para o exterior e transferências governamentais, como doações internacionais, contribuições com organismos multilaterais e ajuda humanitária. O resultado dessas duas variáveis das transações correntes foi um saldo positivo de US$ 5.543 bilhões. Ou seja, somando-se os dois saldos encontraremos um superavit de US$ 65.495 bilhões. Como veremos mais adiante, esse resultado, largamente positivo, foi inteiramente drenado pelo déficit nas demais contas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Camarada Odon Porto de Almeida, Presente!


 





















O Partido Comunista Brasileiro-PE se solidariza com os familiares, amigos, amigas e camaradas, pelo falecimento do querido camarada, Odon Porto de Almeida.

Odon, nasceu em 2 de setembro de 1927, no município de Buíque no sertão de Pernambuco e faleceu no último dia 8 de janeiro de 2026.

Odon era um homem do mundo, logo cedo foi para Garanhuns, onde aos 18 anos começou sua militância no PCB, integrando seu comitê municipal. Depois foi para Pesqueira onde chegou a assumir a responsabilidade de ser o secretário político. Em 1948 fez concurso público no Banco do Brasil e seguiu para assumir cargo e voltar a residir no município de Garanhuns. Na ocasião foi Gerente do BB e militante sindical (grifo nosso). 

A partir daí começou intensa atividade junto ao sindicato dos bancários. Sempre foi um leitor ávido por conhecimento, especialmente das publicações dos países socialistas. E como lia e estudava muito, começou a aprender o russo e se corresponder com os países do leste europeu. Com essas atividades ele estimulava a formação política militante junto aos seus camaradas e colegas do movimento sindical e revolucionário.

Participou da criação da Associação Cultural Brasil x União Soviética em Pernambuco onde manteve correspondências com jornais e revistas, e passou a escrever artigos até bem pouco tempo atrás. Ele gostava de traduzir artigos interessantes publicados nessas revistas. Participou de um concurso de redação de artigos e ganhou pelo seu trabalho, uma Câmara Fotográfica de um órgão da imprensa da Tchecoslováquia.

Em 1964 ele era presidente do Sindicato dos Bancários de Garanhuns, foi preso e teve boa parte de sua biblioteca apreendida.

Ele tinha uma das maiores bibliotecas pessoais do Estado de Pernambuco. Tinha coleções de revistas do mundo inteiro, além das brasileiras, jornais e livros ligados às temáticas políticas, literárias, ambientais e outras.

Sua militância foi intensa e serena, era um homem culto e preparado, sempre gentil, mesmo discutindo seus pontos de vista com firmeza, tinha o cuidado de ouvir os argumentos e contra-argumentos as suas posições. Nunca faltou ao Partido. Esteve sempre que possível, nas atividades mais amplas do Partido. Sua vida se confunde com a vida do Partido, foram 80 anos de militância no PCB.

Manteve até os seus últimos momentos, mesmo com dificuldade de mobilidade, contato com amigos, amigas e camaradas, especialmente nos últimos anos, nos seus aniversários, que tinham o apoio de sua família, e convidava para se juntar aos seus familiares, boa parte dos e das camaradas do PCB.

O camarada Odon Porto de Almeida, nos deixa um legado de honradez, ética, seriedade, bravura e compromisso com a luta revolucionária por uma sociedade igualitária, sustentável e socialista!

Camarada Odon Porto de Almeida, ontem, hoje e sempre, Presente!

Comitê Regional do PCB-PE

EM TEMPO: Neste sábado 21.02.2026 a partir das 10hs na Casa da Cultura, Recife/PE, haverá uma homenagem ao camarada ODON (in memorian). Se não me engano, Odon residia na Rua Dr. José Mariano quando a repressão bateu em sua porta, levando-o preso e destruindo sua biblioteca.