Presidente participou de Mobilização Progressista Global (MPG)
18 de abril de 2026
Presidente Lula durante participação no evento de
Mobilização Progressista Global (MPG), na Espanha (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Por Paulo Emilio
Pedro Rafael Vilela, repórter da Agência Brasil - Em viagem à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva participou, na tarde deste sábado (18), na cidade de Barcelona, na
Espanha, da primeira edição do evento Mobilização Progressista Global (MPG). O
encontro reúne ativistas e organizações de esquerda de diferentes partes do
mundo com o objetivo de defender a democracia com justiça social e combater o
avanço da forças autoritárias de extrema-direita. Discursando em um centro de
eventos para mais de 5 mil pessoas, incluindo outros chefes de Estado, Lula
abriu sua fala dizendo que as pessoas não devem sentir vergonha em se
apresentarem como progressistas ou de esquerda no mundo atual.
"Ninguém precisa ter medo, no
mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se
respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria
sociedade".
Ao destacar os avanços que o campo
progressista conseguiu alcançar para grupos sociais como trabalhadores,
mulheres, população negra e comunidade LGBTQIA+, o presidente ponderou que a
esquerda não conseguiu superar o pensamento econômico dominante, abrindo
caminho para forças reacionárias ganharem espaço na sociedade.
"O projeto neoliberal prometeu
prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás
de crise. Ainda sim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das
mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso
de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da
governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que
o outro lado se apresente agora como antissistema", afirmou Lula.
"O primeiro mandamento dos
progressistas tem que ser a coerência", reforçou o presidente brasileiro.
"Não podemos nos eleger com um
programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo, mesmo que
boa parte da população não se veja como progressista. Ela quer o que nós
propomos. Ela quer comer bem, morar bem, escolas de qualidade, hospitais de
qualidade, uma política climática séria e responsável, uma política de meio
ambiente à altura. Ela quer um mundo limpo e saudável, um trabalho digno, com
jornada de trabalho equilibrada, um salário que permite uma vida
confortável", continuou.
Segundo Lula, a extrema-direita soube
capitalizar o mal-estar das promessas não cumpridas do neoliberalismo.
"Canalizou a frustração das
pessoas inventando mentiras e mais mentiras, falando das mulheres, dos negros,
da população LGBTQIA+, dos imigrantes, ou seja, todas as pessoas mais
necessitadas, que passaram a ser vítimas do discurso de ódio", completou.
Mais cedo, ainda em Barcelona, o
presidente participou, ao lado de outros líderes internacionais, da quarta
edição do Fórum Democracia Sempre. O evento é uma iniciativa lançada em 2024
envolvendo os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. Em
Barcelona, a reunião, organizada pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro
Sánchez, também contou com as participações dos presidentes Yamandú Orsi
(Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Ciyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia
Sheinbaum (México) e do ex-presidente do Chile Gabriel Boric.
À plateia formada por ativistas do
campo progressista, Lula disse que é preciso apontar o dedo para os verdadeiros
culpados pela crise socioeconômica atual, que são os poucos bilionários que
concentram a maior parte da riqueza mundial. "Eles querem que as pessoas
acreditem que qualquer um pode chegar lá. Alimentam a falácia da meritocracia,
mas chutam a escada para que outros não tenham a mesma oportunidade de subir.
Pagam menos impostos ou nada, exploram o trabalhador, destroem a natureza,
manipulam os algoritmos. A desigualdade não é um fato, é uma escolha política.
O que faz de nós progressistas, é escolher a igualdade. Nosso lema deve ser
sempre estar ao lado do povo".
"Senhores da
guerra"
Lula voltou a chamar os líderes de
países que ocupam assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas
de "senhores da guerra" e criticou os bilhões de dólares gastos em
armas, que poderiam acabar com a fome, resolver o problema energético e o
acesso à saúde a toda a população do planeta.
"O Sul Global paga a conta de
guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou. É tratado
como quintal das grandes potências, sufocado por tarifas abusivas e dívidas
impagáveis. Volta a ser visto como mero fornecedor de matérias-primas. Ser
progressista na arena internacional é defender um multilateralismo reformado,
defender que a paz faça prevalência sobre a força, é combate a fome e proteger
o meio ambiente, é restituir a credibilidade da ONU, que foi corroída pela
irresponsabilidade dos membros permanentes", disse.
Em outro trecho de seu discurso, Lula
afirmou que a ameaça da extrema-direita não é apenas retórica, ela é real.
"No Brasil, ela [extrema-direita] planejou um golpe de Estado. Orquestrou
uma trama que previa tanques na rua e assassinatos do presidente eleito, do
vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral. O papa Leão XIV disse que
a democracia corre o risco de se tornar uma máscara para o domínio das elites
econômicas e tecnológicas. Nosso papel é desmascarar essas forças, desmascarar
aqueles que dizem estar do lado do povo, mas governam para os mais ricos".
O presidente brasileiro ainda
observou que a democracia não é um destino em si, mas precisa ser reafirmada
diariamente, melhorando de verdade a vida das pessoas, para não perder
credibilidade.
"Não é democracia quando um pai
não sabe de onde tirar seu próximo de comida. Não há democracia quando um neto
perde seu avô na fila de um hospital. Não há democracia quando uma mãe passa
horas em um ônibus lotado e não consegue dar um beijo de boa noite nos seus
filhos. Não há democracia quando alguém é discriminado pela cor de sua pele,
quando uma mulher morre apenas pelo fato de ser mulher. Temos que substituir o
desalento pelo sonho, o ódio pela esperança", afirmou.
Agenda na Europa
Após o compromisso na Espanha Lula
embarca para a Alemanha neste domingo (19), onde participará da Hannover Messe
– a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo - que nesta edição
homenageia o Brasil. Ainda na Alemanha, o presidente brasileiro terá uma
reunião com o chanceler Friedrich Merz.
A viagem se encerrará dia 21, com uma rápida visita
de Estado a Portugal. Em Lisboa, Lula se encontra com o primeiro-ministro Luís
Montenegro e com o presidente António José Seguro.




