segunda-feira, 25 de maio de 2026

Kremlin cobra reação do Ocidente a ataque de Kiev em escola de Lugansk

Moscou cobra condenação internacional após mortes em dormitório estudantil

25 de maio de 2026

Equipes de resgate atuam entre os escombros de um dormitório destruído no Colégio Starobilsk, em Luhansk (Foto: Ministério de Situações de Emergência da Rússia na Região de Luhansk/Divulgação via Reuters)




Redação Brasil 247

Marco Fernandes e Serguei Monin, Brasil de Fato - As equipes de resgate concluíram, no último sábado (23), as operações de busca no local do bombardeio das Forças Armadas da Ucrânia em um dormitório estudantil em Starobelsk, na região de Lugansk. De acordo com o serviço de imprensa do Ministério para Situações de Emergência da Rússia, os corpos de 21 vítimas foram encontrados.

“As operações de busca em Starobilsk, no local do desabamento do dormitório da Universidade Pedagógica de Luhansk, foram concluídas. Todos os corpos das vítimas foram recuperados dos escombros. Um total de 63 pessoas ficaram feridas, 21 das quais morreram”, diz o comunicado.

Nesta segunda-feira (25), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, criticou os países do Ocidente por não condenarem o ataque ucraniano no dormitório estudantil.

“Não vimos nenhuma ação que pudesse ser percebida como uma condenação a este ataque terrorista bárbaro contra jovens. Isso é tudo o que pode ser dito neste contexto”, disse Peskov.

Um ataque de drones ucranianos na região de Lugansk, na madrugada da última sexta-feira (22), atingiu um dormitório estudantil. Inicialmente, foi informado que seis crianças haviam morrido, mas as autoridades locais informaram que ainda havia outras sob os escombros. No sábado (23), as buscas foram concluídas e a região de Lugansk declarou um luto oficial nos dias 24 e 25.

O território da autoproclamada República Popular de Lugansk, localizado no leste ucraniano, foi anexado formalmente pela Rússia em setembro de 2022, junto com as regiões de Donetsk, Kherson e Zaporyzhye. No entanto, Moscou não possui pleno controle da região, onde acontecem intensos combates na linha de frente do conflito.

Jornalistas estrangeiros visitam local do ataque

Mais de 50 jornalistas estrangeiros de 19 países viajaram para Starobelsk após o ataque das Forças Armadas da Ucrânia. A reportagem do Brasil de Fato esteve presente na comitiva organizada pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Nesta segunda-feira (25), o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, declarou que diversos veículos de comunicação ocidentais decidiram não se deslocar a Starobelsk para observar o local do ataque.

“Notamos que diversos veículos de comunicação ocidentais decidiram não ir até lá sob vários pretextos. Isso não favorece a imagem desses veículos; não agrega credibilidade às informações que eles divulgam”, disse Peskov.

Ao receber os correspondentes internacionais, o governador de Lugansk, Leonid Pasechnik, afirmou que “as vidas das crianças são intocáveis, não há justificativa para atos como esse”.

“Primeira vez que tantos jovens são assassinados […]. Ataques violentos dos fascistas como esse são inaceitáveis no século 21, mas vamos encontrar os culpados e julgá-los segundo leis internacionais, pois se trata de um crime de guerra. Os pais desses jovens não puderam entender por que esses ataques aconteceram”, afirmou.

Já a alta comissária da Rússia para os Direitos Humanos, Yana Lantrapova, acusou o governo ucraniano de mentir sobre o bombardeio de drones lançado em Lugansk. Kiev havia afirmado que o ataque teve como alvo instalações militares russas.

“Vocês podem ver a hipocrisia, as mentiras. Vocês só veem os pertences das crianças, de civis; não há instalações militares ou pessoal militar aí dentro, era só uma escola. Essas crianças queriam se tornar professoras, engenheiras, programadoras; elas queriam ter um futuro, elas eram criativas, mas sua vida foi encurtada”, afirmou.

No momento do ataque, 86 adolescentes estavam no dormitório. Foi declarado estado de emergência na cidade. O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, descreveu o incidente como um “crime monstruoso do regime de Kiev”, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, classificou o bombardeio como um ataque terrorista e instruiu o Ministério da Defesa a preparar propostas de resposta.

Retaliação russa

No domingo (24), as forças russas atacaram a capital ucraniana, Kiev, com o míssil hipersônico “Oreshnik”. De acordo com a Força Aérea Ucraniana, o ataque envolveu 600 drones e 90 mísseis, dos quais 549 e 55 foram interceptados, respectivamente.

Ataques ocorreram próximos a prédios de governo, escolas, universidade e prédios residenciais deixando quatro mortos e 55 feridos.

O Ministério da Defesa russo, por sua vez, afirmou que o ataque maciço com mísseis e drones, incluindo o míssil Oreshnik, teve como alvo alvos militares. Moscou não comentou sobre os danos em Kiev e as vítimas civis.

sábado, 23 de maio de 2026

A captura do Congresso pelo embuste do bolsonarismo e pelo fisiologismo do Centrão

A herança maldita deixada pelos governos de Temer e Bolsonaro produziu uma avalanche de parlamentares inescrupulosos

23 de maio de 2026

Por Elisabeth Lopes (Advogada e Professora)



Câmara dos Deputados, Congresso Nacional (Foto: agência Brasil)

A degradação de alguns segmentos da política brasileira não ocorreu por acaso. Ela foi sendo construída ao longo dos últimos anos por meio da corrosão deliberada da representação legislativa, do fisiologismo pernicioso e da transformação do mandato parlamentar em instrumento de negócios privados e guerra ideológica. O que deveria ser espaço de representação popular converteu-se, em larga medida, num feudo de interesses capturado por setores do Centrão oportunista e da extrema direita bolsonarista, cuja lógica política gira menos em torno do interesse nacional e mais da autopreservação do poder e do dinheiro.

A herança maldita deixada pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, ao empoderar o Congresso por meio do sequestro progressivo do orçamento público, alimentou uma avalanche de parlamentares inescrupulosos do Centrão fisiológico e da extrema direita. Consolidou-se um modelo político baseado na chantagem institucional, no rateio de verbas públicas e no fortalecimento de currais eleitorais sustentados por envios de emendas sem a devida transparência.

O Congresso Nacional, atualmente dominado por esses mesmos setores políticos eleitos em massa no auge da onda bolsonarista, transformou-se num ambiente permanente de embates marcados pela desinformação, pela defesa absoluta das poderosas bancadas aglutinadas no parlamento, pela defesa de pautas ultraliberais em detrimento das necessidades da maioria da população brasileira, pela agressividade verbal, pela autopromoção digital, pelo oportunismo. Nesse cenário, parlamentares progressistas muitos deles preparados, conhecedores dos problemas estruturais do país e defensores de pautas sociais relevantes enfrentam enormes dificuldades para estabelecer um debate qualificado diante de discursos radicalizados, rasos e frequentemente sustentados por ataques, fake news e encenações midiáticas voltadas às redes sociais. 

A deterioração do nível político e institucional do Legislativo fica evidente quando a lógica do espetáculo e dos interesses eleitorais passa a prevalecer sobre o compromisso com o interesse público. A recente derrubada de trechos cruciais dos vetos do presidente Lula à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 evidencia de modo inequívoco esse processo de degradação. A articulação conduzida pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para flexibilizar restrições à transferência de recursos públicos em período pré-eleitoral foi interpretada por amplos setores como uma manobra de natureza essencialmente eleitoreira. Na prática, abre-se espaço para que prefeitos e governadores aliados sejam irrigados com verbas e benefícios públicos às vésperas das eleições, enfraquecendo mecanismos mínimos de responsabilidade fiscal e comprometendo a isonomia do processo eleitoral. O objetivo está centrado na ampliação do poder político e eleitoral utilizando o Estado como instrumento de barganha.

Centrão e extrema direita transformaram o voto em commodity política. O caso envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que terceirizou seu mandato em favor dos atuais investigados por ilicitudes financeiras, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o dono da Refit, empresário Ricardo Magro, alvo da Operação Sem Refino por fraudes bilionárias, tornou-se símbolo desse modelo promíscuo de poder. As investigações e revelações sobre transferências milionárias da Refit para empresas ligadas à família do senador evidenciam como parte significativa dessa elite parlamentar opera em estreita sintonia com interesses empresariais e financeiros. O mandato deixa de representar o eleitor para servir como extensão de grupos econômicos, instituições financeiras e operadores de influência. Para os mais sagazes desse sistema, a política converteu-se em grande centro de negociatas e quanto mais vantagens oferecem ao poder econômico, maior o retorno financeiro, maior a proteção política e maior o valor de mercado de sua influência dentro do Congresso.

Em geral, a atuação do bloco bolsonarista é frequentemente marcada pela truculência verbal, pela ausência de preparo ético-político e pela incapacidade de construir consensos mínimos em favor do país. Muitos desses parlamentares parecem atuar menos como representantes da população e mais como influenciadores digitais especializados em produzir cortes virais, ataques pessoais e campanhas de desinformação. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tornou-se um dos símbolos dessa atuação baseada em lacração permanente, vantajosa inclusive para negócios pessoais, estratégia replicada por diversos parlamentares do Partido Liberal, entre outros de mesmo viés ideológico. Sua atuação é tão deletéria e contrária à proteção das mulheres e crianças, que na quinta feira desta semana apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para tentar suspender os importantes decretos assinados pelo presidente Lula, com a velha justificativa de que esses contrariam a liberdade de expressão. 

Vale assinalar que os decretos governamentais estabelecem diretrizes que estipulam um limite de duas horas para que as plataformas digitais removam postagens com apologia a crimes e conteúdos de nudez, inclusive os gerados sinteticamente por IA, a partir do recebimento da notificação. As redes também deverão conter o engajamento de linchamentos virtuais focados em mulheres. Todo esse processo será supervisionado pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Já no Senado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acumula episódios envolvendo disseminação de desinformação e sucessivas controvérsias públicas. Sua trajetória política sempre esteve acompanhada por acusações, contradições e narrativas desmentidas posteriormente pelos fatos. O problema não reside apenas na mentira ocasional da política tradicional, mas na institucionalização da mentira como método permanente de mobilização política.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Gisele Agnelli vê Flávio Bolsonaro ‘com muitos problemas’, mas faz alerta sobre a ‘direita transnacional’

Em entrevista à TV 247, a cientista política e socióloga confirmou a existência de núcleos de apoio ao bolsonarismo nos EUA



Gisele Agnelli, Flávio Bolsonaro e Donald Trump (Foto: Reprodução (TV247) I Jefferson Rudy/Agência Senado I Patrick B. Ruddy/Casa Branca)




Redação Brasil 247

247 - A cientista política e socióloga Gisele Agnelli afirmou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, que o bolsonarismo mantém uma “grande estrutura de ajuda” nos Estados Unidos, país onde a estudiosa reside e presidido atualmente por Donald Trump, representante da extrema direita estadunidense. A analista comentou a negociação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para visitar os EUA. 

Em análise na TV 247, Gisele pontuou que os novos escândalos do Banco Master deixam o parlamentar da extrema direita brasileira “com muitos problemas na campanha”, mas, de acordo com a analista, lideranças do campo progressista precisam estar atentos para a atuação de uma “direita transnacional”. H

“Depois que Bolsonaro tentou o golpe, houve uma migração muito forte do bolsonarismo para a Flórida”, afirmou Gisele, em referência à trama golpista iniciada no governo bolsonarista. O caso resultou em 29 condenações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal. Jair Bolsonaro recebeu a pena mais alta, de 27 anos de prisão.

Autora da obra 'Autocracia Made in USA', a pesquisadora também abordou as relações externas de Flávio Bolsonaro. Conforme a estudiosa, o político da extrema direita “tem acesso muito grande ao Marco Rúbio”, citado no relato como secretário de Defesa dos EUA.

Novos escândalos

Os recentes desdobramentos envolvendo o Banco Master alcançam o senador Flávio Bolsonaro. Segundo reportagem publicada pelo The Intercept Brasil no último dia 13, o parlamentar da extrema direita brasileira tratou diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro de um financiamento de R$ 134 milhões para viabilizar a produção do filme Dark Horse, biografia cinematográfica de Jair Bolsonaro (PL). De acordo com a publicação, R$ 61 milhões desse montante foram efetivamente repassados.

Vorcaro, dono do Banco Master, está na mira da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Investigadores apontam que o esquema de fraudes financeiras movimentou ao menos R$ 12 bilhões.

Um balanço divulgado pela Agência Brasil na última segunda-feira (18) informou que a PF bloqueou R$ 27 bilhões em bens e valores no caso Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação já resultou em mais de 20 prisões temporárias e no cumprimento de 116 mandados de busca e apreensão.

Fases da investigação

A etapa inicial da Compliance Zero ocorreu em 18 de novembro e levou sete pessoas à prisão temporária, incluindo Daniel Vorcaro. À época, o Banco de Brasília (BRB), instituição vinculada ao governo do Distrito Federal, negociava a aquisição do Banco Master. O Banco Central barrou a operação antes da ação da PF. Mesmo sem concluir a compra, o BRB adquiriu parte dos títulos do Master que, segundo a investigação, seriam fraudados.

A apuração também atingiu a alta direção do banco público. O episódio resultou no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que está preso e negocia uma delação premiada. Daniel Vorcaro também busca um acordo com a Justiça para relatar os crimes atribuídos a ele em troca de possível redução de pena.

As fases posteriores da Operação Compliance Zero ocorreram em janeiro, março, abril e maio. Nesse período, a Polícia Federal aprofundou o mapeamento das ligações de Daniel Vorcaro e do Banco Master, com atenção a operadores, intermediários e estruturas empresariais que podem ter atuado na movimentação de recursos.

Com o avanço das investigações, o Banco Central oficializou a liquidação judicial do conglomerado do Banco Master. A medida também alcançou Letsbank, Will Bank e Banco Pleno.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Como Messias pode ter salvado a reeleição de Lula

 

Messias pode ter feito ao governo Lula o favor que nenhum aliado conseguiu fazer em quase dois anos: forçá-lo a olhar

 Por Fernando Horta (Historiador)


 

Jorge Messias e Presidente Lula (Foto: Ton Molina/Agência SenadoFabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, ocorrida na semana passada, foi recebida pela imprensa e por boa parte do campo governista como uma derrota política inequívoca. E, em sentido estrito, foi. Mas é preciso distinguir entre derrotas que sangram e derrotas que ensinam — entre o golpe que enfraquece o adversário e o golpe que, dado cedo demais no relógio eleitoral, oferece ao adversário aquilo de que ele mais precisava: tempo, informação e a quebra de uma série de ilusões que o paralisavam. O episódio Messias é, possivelmente, deste segundo tipo. E é justamente por isso que vale a pena ler o ocorrido não como o início do fim do terceiro mandato Lula, mas como o ponto de inflexão a partir do qual a reeleição de 2026 voltou a ser uma possibilidade material — e não apenas um desejo do campo democrático.

As quatro hipóteses sobre o fracasso

Há, em circulação, quatro linhas explicativas para o que aconteceu, e nenhuma delas é, isoladamente, suficiente. A primeira aponta para uma aliança tácita — chamemos de "demoníaca", já que opera nas sombras — entre setores do próprio STF e a direita e extrema-direita, cujo objetivo não declarado é a contenção das investigações em torno do escândalo do Banco Master. Aceitar Messias seria perder uma camada de blindagem dentro do tribunal num momento em que essa blindagem é, para alguns ministros e para uma parcela significativa do Congresso, uma questão de sobrevivência reputacional e até patrimonial.

A segunda linha é internamente judicial. Messias, ao longo do processo, alinhou-se de modo perceptível à ala evangélica do STF e fez sinalizações públicas favoráveis a um conjunto de normas internas de regência do tribunal — propostas que parte considerável do corpo de ministros leu como ameaça ao corporativismo da Corte. Em termos diretos: o STF aceita pacificamente quase qualquer perfil ideológico, mas resiste com unhas e dentes a qualquer indicado que possa, uma vez dentro, mexer nas prerrogativas do clube. Messias foi enquadrado nessa segunda categoria.

A terceira hipótese diz respeito aos erros do próprio indicado. Messias parece ter calculado que o "apoio evangélico" — que é uma carta retórica importante no discurso da direita — funcionaria também como moeda de troca real no Senado. Privilegiou contatos eclesiais em detrimento da articulação política tradicional, deixando ministros do Supremo e senadores sem o telefonema, sem o café, sem aquela conversa de duas horas no gabinete que, no Brasil, ainda decide tudo o que importa. Foi, em alguma medida, vítima do próprio mito que a direita constrói sobre si mesma

— o de que o evangelismo é uma das balizas decisórias do bloco — e descobriu, tarde, que essa baliza opera apenas quando convém ao bloco.

A quarta linha responsabiliza o próprio governo pela "falta de empenho" na indicação. Esta é, das quatro, a única que tem um componente de cálculo político posterior: ao incorporá-la, o Palácio do Planalto se reapresenta como agente minimamente competente, capaz de admitir limites operacionais e corrigir rota. As três primeiras hipóteses não se excluem entre si — coexistem e respondem, juntas, por boa parte do fracasso. A quarta é, antes, um dispositivo de recuperação narrativa do que uma explicação plenamente autônoma.

Por qualquer ângulo que se olhe, no entanto, três questões emergem como denominadores comuns. E é nelas que está o aprendizado.

Os três sintomas estruturais

terça-feira, 19 de maio de 2026

Cessar-fogo no Irã não passa de um embuste

 



 







José Goulão – Abril Abril

Como seria de esperar, o cessar-fogo na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã não passa de uma miragem. Apesar do ruído provocado por supostas cedências do Irã aos inimigos agressores e por enxurradas de declarações e as suas contrárias produzidas pelo transtornado Donald Trump, desmontar esta confusão levantada para consumo midiático é, afinal, muito simples. Washington está tentando se recompor do fracasso de todos os objetivos políticos e militares da guerra, de modo a poder voltar a atacar; ou então busca uma saída airosa que, em termos de propaganda, possa transformar a derrota em vitória. Como, por exemplo, as tropas imperiais atlantistas fizeram no Afeganistão.

A mais recente decisão do presidente dos EUA (a prorrogação unilateral do cessar-fogo) não introduz qualquer alteração no status quo. É, afinal, uma declaração de derrota, disfarçada através de um gesto de suposta boa vontade que traz a contradição dentro dele. Para haver um autêntico cessar-fogo é necessário que os Estados Unidos abandonem a estratégia de bloqueio contra os portos iranianos, que o Irã considera um ato de guerra e desrespeita a cessação de hostilidades declarada há cerca de 20 dias. Mais uma canhestra jogada de propaganda na medida da imbecilidade do seu autor, uma vez que a intenção de manter as tentativas de bloqueio persiste. Não deixemos, porém, de interpretar o gesto unilateral como uma manifestação estadunidense de pouca vontade para combater, como quem busca uma maneira de declarar vitória no meio do imbróglio a que aderiu por pressão sionista.

Por muitas estratégias vencedoras que o presidente dos Estados Unidos deseje exibir-nos, multiplicando-se em mentiras e contradições, no fim tudo se resume a uma única linha de conduta: Trump dança a música que Netanyahu toca.

No que diz respeito a esta nova fase da guerra contra o Irã, isso acontece, pelo menos, desde a primeira quinzena de fevereiro último. No dia 11 desse mês, o chefe do regime sionista fez uma extensa apresentação na Sala da Situação na Casa Branca – onde raramente têm assento estadistas estrangeiros – perante Trump e um núcleo restrito dos seus assessores.

Os pressupostos para uma bem-sucedida agressão contra o Irã apresentados por Benjamin Netanyahu, com toda a convicção, partiram dos princípios de que Teerã estaria maduro para uma mudança de regime; a vitória numa ação militar seria quase certa; o programa iraniano de mísseis balísticos poderia ser destruído em poucas semanas; o poder “dos aiatolás” estaria tão enfraquecido que seria incapaz de bloquear o Estreito de Ormuz; o aparelho militar iraniano não tinha capacidade para atacar os aliados dos Estados Unidos e de Israel no Golfo. Além disso, apoiado em pareceres seguros do Mossad, o chefe sionista garantiu que, logo aos primeiros bombardeios, as populações agredidas iriam sublevar-se contra o regime, promovendo tumultos e rebeliões; e que os curdos do Iraque não hesitariam em invadir território iraniano, dispensando os militares norte-americanos de «pôr os pés em terra», e assim acelerariam a queda do regime.

Netanyahu apresentou também uma lista dos dirigentes seculares que poderiam encabeçar um novo regime iraniano, nomeadamente Reza Pahlevi, o herdeiro do antigo Xá, residente nos Estados Unidos, que assim iria repor a monarquia fiel a Washington.

«Parece ótimo», declarou Trump aos presentes quando Netanyahu acabou a exposição. Pelo menos é o que revela o relato da reunião publicado pelo New York Times.

Nem todos os assessores emitiram pareceres tão otimistas. Por exemplo, o general Dan Caine, chefe das Forças Armadas, expressou reservas em relação ao plano, mas declarou, desde logo, que se submeteria à vontade presidencial. «Os israelenses precisam de nós, por isso sabem ser muito persuasivos», atreveu-se a dizer o general, mas o presidente estava surdo aos pareceres dos assessores. O vice-presidente Vance, que viajava pelo estrangeiro, expressou depois uma posição idêntica, como quem adverte «não digam que não vos avisei», mas também não foi escutado.

De acordo com dados publicados pela mais destacada comunicação social do governo Trump, ainda não confirmados por via oficial, as reservas do general Caine acabaram por ser parcialmente úteis em fase posterior, ao dissuadir o presidente de usar uma bomba nuclear contra o Irã. A par do principal chefe militar, todos os outros assessores presidenciais diretos, com exceção do psicopata Peter Hegseth, ministro da Guerra, manifestaram idêntica opinião em relação à intenção presidencial, qualificando-a como uma tragédia suicida sem retorno e, potencialmente, de âmbito global. Trump não premiu o botão, mas nada nos garante, na convulsão dos seus distúrbios mentais, que a ideia tenha sido posta de lado.

No dia seguinte ao da reunião na Sala da Situação, em 12 de fevereiro, oficiais estadunidenses de inteligência “especialistas em Irã” apresentaram a Trump um relatório simples, na esperança de que este compreendesse o essencial. O documento dividia-se em quatro cenários de análise quanto aos possíveis resultados de uma eventual operação militar baseada nos pressupostos de Netanyahu: “Decapitação” do regime com o assassinato do chefe religioso Ali Khamenei; a fraqueza do Irã para conseguir atacar países árabes do Golfo; as eventuais revoltas populares contra o aparelho de poder que explodiriam logo aos primeiros bombardeios; e a mudança de regime para um outro de características seculares.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Dark Horse é a ponta do iceberg: filme sobre Bolsonaro entra no radar de investigações sobre emendas, lavagem e até feminicídio

Inquéritos conectam produtora de Karina Gama a repasses de emendas, ao escândalo do Wi-Fi Livre em SP e ao empresário Alex Bispo, preso por morte da companheira

18 de maio de 2026

Por Joaquim de Carvalho (Jornalista)



Ator Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro no longa "Dark Horse", e Karina Ferreira da Gama, produtora do filme (Foto: Reprodução )

O filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro vendida como uma produção internacional financiada por capital privado estrangeiro, passou a ocupar o centro de uma teia de investigações que envolve suspeitas de desvio de emendas parlamentares, contratos públicos milionários, fintech, sorteios regionais, lavagem de dinheiro e até um caso de feminicídio.

No epicentro desse enredo aparece Karina Ferreira da Gama Bernassi, executiva da produtora Go Up Entertainment e presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG que firmou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de redes de Wi-Fi gratuito.

Segundo o dossiê elaborado por fontes policiais, Karina teria construído um ecossistema empresarial baseado em ONGs, produtoras audiovisuais, uma fintech e empresas de “filantropia premiável”, criando uma estrutura capaz de captar dinheiro público, pulverizar recursos e remeter valores ao exterior por meio de contratos culturais.

O caso ultrapassou a esfera municipal e chegou ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o dossiê, no que diz respeito ao Congresso Nacional, o gabinete do ministro Flávio Dino abriu diligências para apurar a destinação de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, ambas ligadas a Karina Gama.

Os nomes citados na investigação incluem os deputados federais Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. O objetivo seria verificar se verbas enviadas às ONGs acabaram beneficiando direta ou indiretamente a estrutura da Go Up Entertainment e a produção de Dark Horse.

O dossiê afirma ainda que Mário Frias destinou cerca de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil e também aparece como produtor executivo do filme. Já Eduardo Bolsonaro é apontado como produtor executivo com influência direta sobre decisões financeiras da produção.

A suspeita central é de que parte das emendas teria sido triangulada através das ONGs para financiar despesas estruturais e operacionais do longa-metragem. A produção sustenta, oficialmente, que o projeto não utilizou recursos da Lei Rouanet nem dinheiro público direto, o que, à luz das revelações recentes, soa com piada.

Paralelamente, o Departamento Estadual de Investigações Criminais, da Polícia Civil de São Paulo, apura o contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura paulistana e o Instituto Conhecer Brasil para expansão do programa Wi-Fi Livre SP. A investigação aponta suspeitas de direcionamento do edital, superfaturamento e pagamento por serviços inexistentes.

Segundo auditorias citadas no dossiê, menos de 3.200 pontos de internet teriam sido efetivamente entregues, apesar do contrato prever cerca de 20 mil instalações. Há ainda relatos de pagamentos integrais por manutenção de redes que sequer funcionavam.

O ponto mais delicado envolve a empresa Favela Conectada, ligada ao empresário Alex Leandro Bispo dos Santos. A companhia recebeu R$ 12 milhões do Instituto Conhecer Brasil para operacionalizar parte do projeto.

O nome de Alex Bispo ganhou notoriedade nacional após sua prisão sob suspeita de espancar a companheira, a influenciadora Maria Katiane Gomes da Silva, e jogá-la do 10º andar de um prédio em São Paulo. 

A empresa dele havia recebido os R$ 12 milhões ligados ao programa de Wi-Fi da Prefeitura de São Paulo, como previa o contrato com uma das ONGs de Karina, que a influenciadora Maria Katiane (a vítima do feminicídio) assinou como testemunha.

A empresa Favela Conectada teria sido subcontratada para instalar 2 mil pontos de internet, embora o serviço efetivamente entregue tenha sido muito inferior ao previsto. 

A pergunta que não pode ser calada: Alex devolveu dinheiro para Karina? Se devolveu, esse dinheiro entrou no esquema de lavagem de dinheiro que a Polícia Civil de São Paulo teria detectado?

A pergunta é necessária porque a morte de Katiane acabou atraindo atenção da Polícia Civil para os extratos bancários e contratos ligados ao núcleo operacional de Karina Gama, abrindo uma nova frente investigativa sobre lavagem de dinheiro e movimentações financeiras suspeitas.

Outro eixo da investigação envolve a Cactvs Instituição de Pagamento S.A., descrita no documento como uma espécie de “cofre regulado” do grupo. A fintech seria responsável por processar pagamentos relacionados tanto ao Wi-Fi Livre quanto a operações de títulos de capitalização e sorteios regionais.

O dossiê -- a que a influenciadora Aline Dutra, conhecida como Esquerdogata, teve acesso -- cita operações como “Tapajós de Prêmios”, sistema de filantropia premiável que movimentaria milhões em microtransações pulverizadas no Norte e Nordeste. 

Apurações realizadas por mim confirmam a veracidade das informações contidas no dossiê. Esse modelo permitiria criar grande volume de entradas financeiras difíceis de rastrear individualmente.

As investigações sustentam a hipótese de que a combinação entre ONGs, fintech e sorteios regionais teria criado um circuito fechado de circulação financeira: o dinheiro público entra nas ONGs, mistura-se ao caixa dos sorteios, é processado internamente pela fintech e reaparece como investimento cultural na produtora cinematográfica.

O dossiê aponta ainda o empresário Michael Brian Davis como operador internacional do esquema. Naturalizado norte-americano, ele aparece como sócio da Go Up Entertainment LLC nos Estados Unidos e responsável pela estrutura financeira internacional da produtora.

Segundo a análise, contratos de coprodução audiovisual permitiriam remessas ao exterior sob justificativa de investimentos culturais, dificultando o rastreamento das autoridades brasileiras. O documento também menciona supostas conexões financeiras com Daniel Vorcaro, apontado como possível financiador da operação.

O que emerge do conjunto de informações é que Dark Horse pode ser apenas a face mais visível de uma estrutura muito maior, que conecta política, dinheiro público, produção cultural, operações financeiras e influência internacional.

Embora boa parte das acusações ainda esteja sob investigação e não existam condenações, o caso já reúne elementos suficientes para provocar reações no STF, no Ministério Público, na Polícia Civil e em órgãos de controle financeiro. 

E quanto mais as investigações avançam, mais o filme sobre Bolsonaro deixa de parecer cinema, e assume contornos de thriller político-policial em plena vida real, um escândalo que revela o submundo corrupto e violento da extrema direita. 

sábado, 16 de maio de 2026

Relação da Casa dos Ventos com a TotalEnergies ajuda a explicar ofensiva contra leilão de energia estratégico para o País

Governo Lula considera o certame essencial para garantir a expansão segura da oferta de energia no País, mas vem sendo alvo de um poderoso lobby privado

16 de maio de 2026

Relação da Casa dos Ventos com a TotalEnergies ajuda a explicar ofensiva contra leilão de energia estratégico para o País (Foto: Brasil 247)

Redação Brasil 247

247 – A ofensiva privada contra o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, liderada pelo bilionário cearense Mário Araripe, ganhou dimensão estratégica dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes do setor elétrico avaliam que a disputa envolve não apenas divergências sobre a matriz energética brasileira, mas também interesses bilionários ligados ao curtailment — o corte compulsório da geração renovável — e à relação entre a Casa dos Ventos, de Araripe, e a gigante francesa TotalEnergies.

Para o governo federal, a manutenção do leilão é considerada fundamental para garantir a expansão segura da oferta de energia no Brasil e evitar riscos futuros de apagões no Sistema Interligado Nacional (SIN). O Ministério de Minas e Energia e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sustentam que o País precisa ampliar rapidamente a contratação de potência firme e despachável para assegurar estabilidade ao sistema elétrico nos próximos anos.

A avaliação técnica é de que a forte expansão de fontes intermitentes — como solar e eólica — elevou os desafios operacionais do sistema. Em determinados momentos do dia, principalmente no início da noite, a geração solar desaparece abruptamente e a produção eólica também pode sofrer oscilações. Sem fontes capazes de entrar rapidamente em operação para suprir a demanda, cresce o risco de desequilíbrios no abastecimento.

Por isso, o governo considera o LRCAP peça central da estratégia energética nacional. A contratação de usinas térmicas e outras fontes firmes é vista como necessária para garantir segurança energética durante a transição para uma matriz cada vez mais renovável. 

O que é curtailment

O debate ocorre justamente no momento em que o setor renovável enfrenta os efeitos crescentes do chamado curtailment. O mecanismo ocorre quando o ONS determina cortes obrigatórios na geração de energia eólica e solar devido ao excesso de oferta ou limitações na capacidade de transmissão.

Na prática, usinas renováveis deixam de produzir energia mesmo havendo vento e sol disponíveis. O fenômeno se intensificou nos últimos anos com a rápida expansão da geração renovável, especialmente no Nordeste, onde há momentos em que o sistema não consegue absorver toda a energia produzida.

Os cortes passaram a afetar diretamente a rentabilidade de empresas do setor, reduzindo receitas e pressionando investidores. 

Casa dos Ventos e TotalEnergies no centro da disputa

É nesse contexto que cresce a pressão de grupos ligados às renováveis pela expansão do armazenamento por baterias, considerado uma solução para armazenar energia excedente e reduzir os impactos do curtailment.

Segundo fontes do setor elétrico, a relação entre a Casa dos Ventos e a TotalEnergies ajuda a explicar parte da ofensiva contra o LRCAP 2026. Em 2022, a companhia francesa adquiriu participação em ativos da empresa de Mário Araripe em uma operação de US$ 550 milhões, correspondente a 34% da companhia, com cláusulas de earn-out vinculadas ao desempenho futuro dos projetos.

O modelo prevê que parte do valor final da operação dependa da evolução e da rentabilidade dos ativos renováveis. Pelo acordo, a TotalEnergies também poderá ampliar sua participação na empresa ao longo dos anos.

Com o avanço do curtailment, porém, fontes do setor afirmam que os resultados financeiros dos ativos adquiridos passaram a sofrer forte pressão. A avaliação nos bastidores é de que reduzir os prejuízos causados pelos cortes de geração tornou-se prioridade estratégica para a companhia francesa e para a Casa dos Ventos. 

Lobby em favor do leilão de baterias

Executivos da própria TotalEnergies já declararam publicamente que baterias são consideradas essenciais para reduzir os efeitos do curtailment no Brasil. A empresa também confirmou interesse em disputar, ao lado da Casa dos Ventos, o futuro leilão de armazenamento previsto pelo Ministério de Minas e Energia para 2026.

Nesse ambiente, o deputado Danilo Forte (PP-CE), aliado histórico do setor eólico e defensor da expansão de baterias, passou a intensificar críticas ao LRCAP após o certame, atuando no lobby contrário a um projeto estratégico do Ministério de Minas e Energia.

Nos bastidores do setor elétrico, a atuação do parlamentar é vista como convergente com os interesses econômicos da Casa dos Ventos e de agentes ligados às renováveis. A percepção é de que há uma tentativa de enfraquecer ou atrasar a consolidação do leilão de capacidade para acelerar soluções mais favoráveis ao setor de baterias. 

Governo vê risco de insegurança energética

Apesar de defender o avanço das baterias e reconhecer seu papel no futuro da transição energética, o governo Lula sustenta que o Brasil ainda necessita ampliar rapidamente a oferta de potência firme para evitar vulnerabilidades no abastecimento.

A preocupação ganhou força diante do crescimento acelerado da demanda por energia, da eletrificação da economia e da dependência crescente de fontes intermitentes. Técnicos do setor avaliam que a ausência de contratação de capacidade adicional poderia elevar o risco de déficits de potência e até de apagões em horários críticos.

Por isso, a confirmação do LRCAP 2026 passou a ser tratada como prioridade estratégica pelo governo federal. A recente decisão da Justiça Federal que negou pedido de suspensão do leilão foi interpretada dentro do Planalto e do Ministério de Minas e Energia como uma vitória importante para a segurança energética brasileira e para a preservação da previsibilidade regulatória do setor elétrico. Esta vitória, no entanto, não impediu outros movimentos junto a órgão como o Tribunal de Contas da União, para tentar evitar a concretização do leilão.

A avaliação no governo é de que o Brasil precisa equilibrar a expansão das renováveis com a garantia de estabilidade operacional do sistema. Nesse cenário, o embate em torno do LRCAP extrapola o debate técnico e se transforma em uma disputa bilionária sobre o futuro da matriz energética nacional.

Planejamento de filme sobre Jair Bolsonaro previa cotas de US$ 1 milhão e chance de imigração para os EUA

Investigação apura se recursos do filme, que contou com dinheiro de fundos ligados a Daniel Vorcaro, financiaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA

15 de maio de 2026



 

Eduardo Bolsonaro, Daniel Vorcaro, Flávio e Jair Bolsonaro (Foto: Jessica Koscielniak/Reuters I Reprodução I Divulgação )



Redação Brasil 247

247 - Um plano de investimentos ligado ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL), oferecia a investidores milionários a possibilidade de "oportunidade de imigração" para os Estados Unidos. Segundo o site The Intercept Brasil, a proposta fazia parte do pacote mais caro de investimento no longa-metragem, avaliado em US$ 1,1 milhão, equivalente a cerca de R$ 5,5 milhões na cotação atual.

A reportagem aponta que o projeto cinematográfico tem o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos. O contrato da produção recebeu assinatura digital de Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024. 

Estratégia previa cotas milionárias

O plano de captação de recursos do filme foi estruturado em diferentes categorias de investimento. Segundo os documentos revelados, a produção previa a venda de 40 cotas de US$ 500 mil, totalizando US$ 20 milhões.

Além disso, também estavam previstas cinco cotas de US$ 1 milhão cada. Os investidores que adquirissem os pacotes mais elevados teriam direito a participação no conselho do filme, podendo opinar sobre decisões relacionadas à produção.

De acordo com a reportagem, a proposta prometia aos investidores o retorno integral do valor aplicado, acrescido de 20%. Após os pagamentos, o lucro remanescente seria dividido igualmente entre produtores e investidores. O material ainda apresentava projeções otimistas de arrecadação mundial para o longa, com cenários estimados em US$ 45 milhões, US$ 70 milhões e até US$ 100 milhões. 

Investigação mira destino dos recursos

Uma das principais linhas de investigação busca esclarecer se os recursos captados para o filme foram efetivamente destinados à produção cinematográfica. A Polícia Federal apura se as transferências financeiras teriam servido para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado licenciado vive no país desde fevereiro do ano passado e não retornou ao Brasil desde então. 

Contrato detalha papel de Eduardo Bolsonaro

Os documentos revelados pela reportagem apontam que Eduardo Bolsonaro e Mario Frias assumiram funções diretamente ligadas à captação de recursos para o projeto. O contrato estabelece que os produtores-executivos deveriam atuar no “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores”.

O texto também menciona atividades relacionadas à busca de incentivos fiscais, patrocínios, colocação de produtos e outras formas de financiamento para a produção. 

Caso envolve banqueiro preso pela PF

A investigação também envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em Brasília sob acusação de liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras, segundo a Polícia Federal. Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões relacionados ao projeto cinematográfico. O The Intercept Brasil também divulgou um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro pressiona Vorcaro pelos pagamentos ligados ao filme.

EM TEMPO: Como dizia o ex-presidente do governo militar, general Ernesto Geisel: Bolsonaro é um mal militar. O Comandante e General do governo Geisel, Leônidas Pires, proibiu Bozo de visitar as dependências do Exército Brasileiro. Será que o filme iria narrar esse episódio? Será que iria dizer que Bozo queria explodir a Adutora do Rio Guandu no RJ?  Será que o filme iria dizer que Bozo fazia parte do Baixo Clero (Parlamentares despreparados) no Congresso Nacional? Será que o filme iria falar das ligações do Clã Bozo com as Milícias do RJ? Será que iria mencionar a tentativa de Golpe de 08.01.2023? Será que Trump iria classificar Bozo como "terrorista"? É realmente assustador como é que alguns militares de alta patente, graduados pela AMAN, alguns treinados nos EUA e poliglotas,  foram na onda de Bozo, sabendo eles que Bozo era um mal militar.? Ou será que os generais Geisel e Leônidas Pires, não deixaram nenhuma  lição? Ok, Moçada!