domingo, 1 de novembro de 2026

Nota política do PCB sobre as eleições



A vitória de Lula, a mobilização popular e os desafios da luta de classes

A vitória de Lula no segundo turno, numa virada histórica das eleições presidenciais brasileiras, demonstrou mais uma vez a extraordinária capacidade de mobilização e resistência do povo brasileiro, especialmente da juventude. Aquilo que parecia uma tarefa praticamente impossível transformou-se em realidade mediante a participação de milhões de pessoas nas ruas, nos locais de trabalho, nas universidades, nas periferias e nas redes sociais.

Na avaliação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), esse resultado representa uma vitória de toda a humanidade contra o fascismo, contra Trump, o sionismo, a Meta, a máfia bolsonarista, os prefeitos que sabotaram o transporte público nas regiões de maioria lulista, a oligarquia financeira, os chamados mercados e as classes dominantes, que se empenharam em apoiar o candidato adversário com o objetivo de aprofundar as políticas neoliberais e a entrega do patrimônio público brasileiro. Trata-se de um acontecimento que ultrapassa os limites de uma disputa eleitoral e assume um significado político e geopolítico de grande dimensão.

Num cenário internacional marcado pelo crescimento da extrema-direita e pela intensificação das contradições do capitalismo, o resultado eleitoral brasileiro constitui um acontecimento fundamental para a América Latina e para o mundo, porque o Brasil passa a representar importante barreira de contenção ao avanço das forças reacionárias na região.

A derrota da candidatura bolsonarista representa também um revés político para os que defendem a subordinação do Brasil aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Além disso, o fortalecimento das forças democráticas e de esquerda brasileiras poderá contribuir para ampliar os espaços de resistência ao imperialismo, em defesa da soberania e autodeterminação dos povos latino-americanos, especialmente de Cuba, permanentemente submetida ao bloqueio econômico estadunidense. O exemplo vitorioso do Brasil certamente servirá de inspiração para que outros povos organizem sua resistência contra o fascismo e o imperialismo.

Um dos aspectos mais importantes desse processo foi a ativa participação da juventude, dos idosos, dos trabalhadores e das trabalhadoras, dos movimentos populares e de amplos setores da sociedade brasileira. A mobilização que se desenvolveu desde as pequenas cidades do interior às grandes capitais, das universidades às periferias, das manifestações de rua às redes sociais, revelou uma disposição para a luta da população brasileira que merece ser analisada em toda a sua profundidade. Essa experiência poderá representar um importante acúmulo de consciência, organização e capacidade de intervenção popular para as batalhas futuras, uma vez que as massas emergem dessa luta com ânimo renovado e moral elevada. O desafio agora é transformar a energia despertada durante a campanha eleitoral em participação política permanente, organização e luta pelos direitos da classe trabalhadora, dos setores populares e da juventude.

Essa experiência também recoloca uma questão fundamental para a compreensão da luta política: a correlação de forças não é uma realidade imóvel. Correlação de forças se constrói lutando. Ninguém é capaz de mudar a realidade permanecendo de braços cruzados ou apenas realizando acordos de gabinete. Ela se modifica mediante a ação consciente das classes sociais, a organização coletiva e a participação popular. A experiência dessas eleições demonstrou que somente a mobilização popular pode alterar situações aparentemente desfavoráveis e abrir novas possibilidades políticas. Na perspectiva do PCB, as transformações estruturais de que o país necessita não poderão resultar exclusivamente de negociações institucionais ou de acordos entre as cúpulas partidárias, mas dependerão fundamentalmente da capacidade de organização e intervenção independente da classe trabalhadora. Sem luta não há vitórias!

Entretanto, seria um grave equívoco confundir a derrota eleitoral da extrema-direita com o desaparecimento de sua força política, econômica e social. O novo governo encontrará uma realidade marcada pela forte presença da extrema-direita no Congresso Nacional, nos governos estaduais, no aparelho de Estado e em importantes espaços de influência econômica e ideológica. Além disso, as grandes corporações, o capital financeiro e os setores empresariais continuarão exercendo forte pressão sobre as decisões econômicas e políticas da nação. A vitória nas urnas modifica a correlação de forças no cenário político, mas não elimina as contradições estruturais da sociedade brasileira, nem resolve, por si mesma, os conflitos entre os interesses do capital e as necessidades da maioria trabalhadora. Por isso, é fundamental manter unidas e vigilantes as forças que se mobilizaram para derrotar o fascismo!

A conjuntura que se abre, portanto, será marcada pela continuidade e pelo acirramento da luta de classes, tanto no terreno institucional quanto no conjunto da sociedade. As disputas sobre o orçamento público, os direitos trabalhistas, a Previdência Social, os serviços públicos, a política econômica e a distribuição da riqueza estarão no centro dos conflitos políticos. O PCB considera indispensável que as organizações sindicais, populares, estudantis e democráticas preservem sua autonomia e capacidade de mobilização, independentemente da composição do novo governo.

A oligarquia financeira e os setores rentistas, derrotados nas urnas, já pressionam o governo para anunciar cortes nos gastos sociais e medidas de austeridade fiscal, sob o pretexto de reduzir o tamanho da dívida pública. Nessa conjuntura, o enfrentamento das iniciativas autoritárias e das tentativas de manter esse modelo econômico perverso deverão caminhar lado a lado com a luta por melhores condições de vida, trabalho, educação, saúde e moradia para a população brasileira.

Uma das principais questões colocadas para o novo governo será a relação entre suas promessas eleitorais e as políticas efetivamente implementadas. A população trabalhadora enfrenta problemas profundos, como baixos salários, precarização das relações de trabalho, endividamento das famílias, insuficiência dos serviços públicos e dificuldades de acesso à moradia. Essas questões não poderão ser resolvidas apenas mediante medidas compensatórias ou políticas sociais limitadas, embora estas possam produzir melhorias imediatas.

Na avaliação dos comunistas, será necessário romper com a política neoliberal, o saque do fundo público e enfrentar os mecanismos econômicos e institucionais que reproduzem a desigualdade social e concentram a riqueza nas mãos de uma pequena parcela da sociedade. Foi em busca dessa perspectiva de mudança que milhões de brasileiros se mobilizaram por todo o país e derrotaram a extrema-direita e seu projeto de destruição dos direitos dos trabalhadores e de submissão do Brasil aos interesses dos Estados Unidos.

A experiência dos governos anteriores também exige uma reflexão crítica sobre os limites da política de conciliação de classes. O PCB considera que a tentativa de compatibilizar permanentemente os interesses do grande capital com as reivindicações da classe trabalhadora impõe sérios obstáculos às transformações sociais. A manutenção de políticas de austeridade fiscal, juros elevados, restrições ao investimento público e mecanismos de transferência de recursos para o sistema financeiro vai comprometer a realização das promessas de melhoria das condições de vida da população. Por isso, as decisões do próximo governo deverão ser examinadas concretamente, considerando seus efeitos sobre o emprego, os salários, os direitos sociais e a distribuição da renda e da riqueza. A juventude, os trabalhadores e o conjunto da população brasileira não podem, mais uma vez, se decepcionar por causa da ausência de medidas efetivas capazes de transformar suas condições de vida. É hora de mudar o rumo do nosso país!

A nova conjuntura também coloca em evidência a necessidade de recuperar a confiança de amplos setores populares nas possibilidades de transformação da sociedade. A frustração com promessas não cumpridas, a persistência das desigualdades e a ausência de mudanças estruturais constituem elementos importantes para compreender o descontentamento social explorado politicamente pela extrema-direita. Não basta derrotar eleitoralmente projetos autoritários: é necessário enfrentar as condições econômicas, sociais e políticas que favorecem seu crescimento. Para o PCB, o enfrentamento duradouro às forças reacionárias exige a ampliação dos direitos democráticos, a valorização do trabalho, a melhoria dos serviços públicos e o fortalecimento da participação popular nas decisões políticas fundamentais. Exige também a mobilização permanente das massas como força decisiva para barrar as sabotagens que os setores reacionários certamente tentarão impor ao novo governo.

Nesse novo período, o Partido Comunista Brasileiro reafirma sua trajetória histórica de defesa das liberdades democráticas, dos direitos da classe trabalhadora e da soberania nacional e popular. Os comunistas sempre participaram das grandes batalhas políticas e sociais do povo brasileiro, enfrentaram a repressão e a clandestinidade e contribuíram decisivamente para a organização dos trabalhadores ao longo de sua história. Essa tradição orienta nossa atuação diante da conjuntura atual.

O PCB manterá sua independência política, ideológica e orgânica em relação ao novo governo, apoiando as medidas que representem conquistas efetivas para os trabalhadores e as trabalhadoras, exercendo uma crítica rigorosa às decisões que reproduzam a orientação neoliberal, restrinjam direitos ou preservem os privilégios do grande capital. Para os comunistas, a vitória eleitoral abre possibilidades políticas importantes, mas não substitui a necessidade de transformações estruturais na sociedade brasileira. O PCB continuará defendendo seu projeto de poder popular e do socialismo, baseado na organização independente da classe trabalhadora, na democratização efetiva das instituições e na superação das relações sociais de exploração.

Nossa perspectiva aponta para a construção de uma sociedade na qual a produção da riqueza esteja subordinada às necessidades coletivas e não à acumulação privada do capital. Disso não abrimos mão. É a partir desta concepção de sociedade e de nosso compromisso histórico com a classe trabalhadora que avaliaremos os acontecimentos políticos e as medidas do próximo governo.

A vitória de Lula representa, portanto, a abertura de uma nova etapa da vida política brasileira, carregada de possibilidades, contradições e desafios. O resultado eleitoral demonstrou a força da mobilização popular e criou expectativas de mudanças entre milhões de brasileiros. A realização dessas expectativas dependerá das escolhas do novo governo e, sobretudo, da capacidade de organização, mobilização e luta da classe trabalhadora e dos setores populares. O PCB reafirma seu compromisso com a luta contra o fascismo, com as reivindicações históricas da classe trabalhadora e com a construção de uma alternativa socialista para o Brasil.

A experiência dessa eleição deixa uma lição que deve permanecer viva nas próximas batalhas: a organização, a mobilização e a participação popular são forças indispensáveis para a conquista de direitos e para a transformação da sociedade, além de serem capazes de transformar o aparentemente impossível em tarefa possível. A vitória eleitoral abriu uma janela de oportunidades para mudar o rumo do País. Esperamos que o novo governo cumpra essa tarefa.

Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro – PCB

EM TEMPO: O combate a Extrema-Direita é muito difícil, haja visto que à Direita é muito forte no mundo inteiro.  Um dos motivos da vitória de Lula é que conseguiu recuperar o voto da Centro Direita, perdido parcialmente no primeiro turno. Engana-se quem pensa que foi à Esquerda que venceu a eleição. Agora é evidente que somente Lula é capaz de fazer essa proeza por ser um líder mundial e  carismático. À Esquerda autêntica brasileira não soube até hoje lidar e se aproximar de um líder e pop star como o é Lula e apresentar as devidas  reivindicações mesmo com um Congresso de maioria de Direita. Por exemplo: Faz-se necessário que o governo adote uma política de educação cultural e política da população. Quanto ao entretenimento  é preciso analisar e disciplinar para não servir aos interesses das Classes Dominantes do País. Dentre outros. Ok, Moçada! 

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Celso Amorim rebate Trump: “quem tentou fraudar a eleição foi a Meta”

Diplomata chama declaração do mandatário dos EUA de contraditória e afirma que plataformas restringiram conteúdos da campanha do presidente Lula

Conteúdo postado por: Paulo Emílio.

Publicado em 26 de outubro de 2026.

Celso Amorim. Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil

247 – O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, rebateu nesta segunda-feira (26) as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a eleição presidencial brasileira. Ao comentar as suspeitas levantadas pelo norte-americano, Amorim afirmou que a tentativa de interferência no processo eleitoral partiu da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, e não do sistema de votação.

Em entrevista ao G1, Amorim classificou como contraditória a manifestação de Trump, que insinuou a existência de fraude na eleição vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas, na sequência, declarou manter uma boa relação com o brasileiro.

“Ele [Trump] está mal informado. Declaração contraditória, depois diz que gosta do Lula. Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta, obstruindo e restringindo as nossas colocações. Só se ele está se referindo à Meta”, afirmou Amorim ao g1.

A declaração ocorre em meio à disputa judicial envolvendo a campanha de Lula e a gigante estadunidense de tecnologia. A equipe do presidente acionou a Justiça Eleitoral sob a acusação de que a Meta teria imposto obstáculos à circulação de conteúdos favoráveis ao petista, beneficiando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

A empresa nega ter interferido no processo eleitoral. 

Trump questiona resultado sem apresentar provas

As declarações de Amorim foram uma resposta direta ao presidente estadunidense, que, mais cedo, havia sido questionado por jornalistas sobre a derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição brasileira, realizado no domingo (25).

Trump colocou em dúvida a legitimidade da votação, embora não tenha apresentado evidências de irregularidades que comprometessem o resultado.

Segundo o presidente dos Estados Unidos, o pleito brasileiro “pareceu mais uma eleição fraudada”.

Questionado sobre a possibilidade de adotar alguma medida diante do resultado, Trump afirmou que não governa o Brasil e destacou sua relação com Lula. Ao mesmo tempo, criticou a decisão judicial que permitiu a ampliação do horário de votação em determinadas seções eleitorais.

“Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha.”

A manifestação ocorreu um dia depois da confirmação da vitória de Lula e em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro de contestar judicialmente o resultado.

Lula venceu por mais de 4 milhões de votos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% obtidos por Flávio Bolsonaro.

A diferença entre os dois candidatos chegou a aproximadamente 4,4 milhões de votos, consolidando uma virada inédita na história das eleições presidenciais brasileiras: pela primeira vez, um candidato venceu o segundo turno depois de terminar a primeira etapa da disputa na segunda colocação.

Apesar da vantagem registrada nas urnas, Flávio Bolsonaro anunciou que não reconhece o resultado e pretende recorrer à Justiça Eleitoral para solicitar a anulação da votação.

O principal argumento apresentado pelo candidato derrotado envolve a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h em seções eleitorais que permaneciam abertas.

Flávio Bolsonaro sustenta que a medida teria comprometido a igualdade entre os eleitores e alterado as condições da disputa durante o próprio processo eleitoral.

Prorrogação foi solicitada pelas duas campanhas

A ampliação do horário de votação ocorreu após representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro relatarem dificuldades enfrentadas por eleitores em diferentes regiões do país.

A equipe do presidente apontou problemas no transporte público que teriam prejudicado o deslocamento até os locais de votação. O pedido apresentado à Justiça mencionava ocorrências em pelo menos nove unidades da Federação, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco.

Já a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou a extensão do horário em municípios atingidos por chuvas intensas. Seus advogados relataram alagamentos, alterações nos locais de votação e obstáculos ao acesso dos eleitores às seções.

Ao analisar os pedidos, Zanin considerou a gravidade das situações apresentadas e a necessidade de uma resposta urgente para assegurar o exercício do direito ao voto.

Posteriormente, o ministro esclareceu que a autorização se aplicava exclusivamente às seções que ainda estavam abertas no momento da decisão, sem permitir a reabertura de locais onde a votação já havia sido encerrada.

TSE aponta número reduzido de votos após as 17h

Os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que aproximadamente 35 mil pessoas votaram depois das 17h, apesar da autorização para o funcionamento excepcional de determinadas seções até as 19h.

O contingente corresponde a uma parcela pequena diante da diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos registrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Mesmo na hipótese de todos os 35 mil votos terem sido destinados a um único candidato, o volume seria insuficiente para modificar o resultado da eleição presidencial.

Mais de 40 países reconhecem reeleição de Lula e defendem ampliação de parcerias com o Brasil

China, Rússia, Índia, África do Sul e União Europeia estão entre os que celebraram a vitória do presidente e destacaram a importância da democracia, do multilateralismo e da cooperação internacional

Conteúdo postado por: Paulo Emílio.

Publicado em 26 de outubro de 2026.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebra vitória nas eleições Crédito: REUTERS/Amanda Perobelli

247 – A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no segundo turno das eleições presidenciais realizado no domingo (25), provocou uma ampla mobilização diplomática internacional. Governos de mais de 40 países enviaram mensagens de congratulações ao presidente brasileiro, acompanhadas de manifestações de interesse em aprofundar parcerias econômicas, políticas e estratégicas com o Brasil.

Segundo a Sputnik Brasil, as felicitações partiram de lideranças das Américas, da Europa, da África, da Ásia e da Oceania. Além de reconhecerem o resultado das urnas, representantes estrangeiros ressaltaram a importância da cooperação comercial, da proteção ambiental, da integração econômica e do fortalecimento das instituições multilaterais.

Entre as manifestações de maior relevância diplomática estão as de China, Rússia, Índia e África do Sul, integrantes do BRICS, bloco no qual o Brasil exerce papel estratégico na articulação entre economias emergentes.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, destacou a importância de aprofundar a parceria bilateral e fortalecer a atuação conjunta dos países em desenvolvimento.

“Juntos, continuaremos a fortalecer nossa cooperação em diversos setores, a promover as prioridades compartilhadas do Sul Global e a trabalhar por um mundo mais inclusivo, equitativo e sustentável.”

Na China, o Ministério das Relações Exteriores também reconheceu a vitória de Lula. O porta-voz Guo Jiakun afirmou que Pequim pretende ampliar a cooperação bilateral e aprofundar a parceria estratégica com Brasília.

“A China está pronta para trabalhar com o Brasil para fortalecer a comunidade China-Brasil em um futuro compartilhado.”

Questionado sobre o pedido de Flávio Bolsonaro para anular as eleições, o representante do governo chinês reafirmou o respeito de Pequim ao processo eleitoral brasileiro.

“A China respeita a escolha do povo brasileiro”, declarou.

A Rússia também recebeu positivamente o resultado. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ressaltou a contribuição do presidente brasileiro para o fortalecimento das relações entre Brasília e Moscou, afirmando que Lula “fez muito pelas relações bilaterais” e pelo desenvolvimento do BRICS.

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, foi além das congratulações diplomáticas e associou a reeleição do brasileiro ao fortalecimento político dos países em desenvolvimento.

“Esta vitória terá repercussão para além das fronteiras do Brasil. É uma vitória para o Sul Global e para as forças progressistas em todo o mundo.”

Ramaphosa também reiterou o interesse sul-africano em ampliar a cooperação bilateral e a atuação conjunta em organismos internacionais.

União Europeia destaca democracia e multilateralismo

Na Europa, a vitória de Lula recebeu manifestações de apoio de importantes lideranças políticas e representantes das instituições comunitárias.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil” e sinalizou a disposição da União Europeia de manter e aprofundar a cooperação com o governo brasileiro.

O presidente da França, Emmanuel Macron, também cumprimentou Lula e destacou as perspectivas de fortalecimento das relações entre os dois países.

Macron afirmou que Brasil e França “têm muito a construir juntos”, defendendo a continuidade da parceria estratégica bilateral.

As manifestações europeias reforçam a relevância do Brasil nas negociações internacionais relacionadas ao comércio, ao desenvolvimento sustentável e à cooperação política.

Lideranças latino-americanas também cumprimentam Lula

Na América Latina, a reeleição do presidente brasileiro motivou mensagens de diversos chefes de Estado, evidenciando a importância das relações regionais para a política externa do país.

Entre os líderes que se manifestaram estão Claudia Sheinbaum, do México; Yamandú Orsi, do Uruguai; Santiago Peña, do Paraguai; Daniel Noboa, do Equador; José Raúl Mulino, do Panamá; e Rodrigo Paz, da Bolívia.

As congratulações ocorreram em um contexto no qual o Brasil mantém relações comerciais e diplomáticas relevantes com seus vizinhos e participa de mecanismos de integração regional.

A diversidade política dos governos que reconheceram a vitória também demonstra a amplitude das manifestações internacionais recebidas pelo presidente brasileiro.

Mensagens chegam da África, da Ásia e da Oceania

O reconhecimento internacional não ficou restrito às principais potências econômicas e aos países latino-americanos.

Na África, autoridades de Moçambique e da Tanzânia também enviaram mensagens ao presidente reeleito, somando-se à manifestação do governo sul-africano.

Na Ásia, representantes da Coreia do Sul e da Malásia cumprimentaram Lula, enquanto, na Oceania, o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, também reconheceu o resultado eleitoral brasileiro.

As mensagens refletem o interesse de diferentes governos em preservar e ampliar canais de diálogo com Brasília, especialmente em áreas relacionadas ao comércio, à cooperação econômica, à segurança e à atuação em fóruns multilaterais.

Trump e Milei ainda não haviam se manifestado

Apesar da ampla repercussão internacional, dois presidentes não haviam se pronunciado sobre a reeleição de Lula até a manhã desta segunda-feira (26), segundo o levantamento divulgado pela Sputnik Brasil.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente de extrema direita Argentina, Javier Milei, ainda não tinham apresentado manifestações públicas de congratulações naquele momento.

A ausência de pronunciamentos dos dois líderes contrastava com a rápida reação de governos de diferentes regiões do mundo, incluindo parceiros estratégicos do Brasil e integrantes do BRICS.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Somente a reeleição de Lula garante o Brasil soberano e altivo

O presidente Lula encarna a defesa intransigente da soberania nacional, enquanto Flávio Bolsonaro escancara um projeto nefasto de alinhamento cego e subordinação humilhante aos EUA

AUTOR: José Reinaldo Carvalho (É editor internacional do Brasil 247)



Ato de lançamento da campanha de Lula. Crédito: Ricardo Stuckert

É preciso dizer com todas as letras e sem qualquer meia-palavra: a reeleição do presidente Lula é uma questão de salvação nacional.

Uma eventual vitória da extrema-direita pró-imperialista, personificada em Flávio Bolsonaro em 25 de outubro, desferiria um golpe letal na soberania do Brasil, com desdobramentos devastadores para toda a América Latina e o Caribe. O alinhamento subserviente anunciado pelo candidato do PL aos Estados Unidos é a renúncia deliberada e indecorosa à autonomia indispensável para resguardar as riquezas e os interesses do povo brasileiro. A oferta escandalosa de colocar sua própria equipe de transição à disposição direta de Washington constitui o sinal mais eloquente e vergonhoso desse projeto de vassalagem.

Na carta enviada ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, Flávio Bolsonaro explicitou a barganha no bojo das negociações de um acordo bilateral de comércio e investimentos. O senador escreveu, sem qualquer pudor patriótico, estar pronto para colocar a equipe “imediatamente à sua disposição”. A roupagem comercial jamais apagará a gravidade política inédita dessa atitude: a transição presidencial do Brasil deve render contas unicamente ao povo brasileiro e às suas instituições soberanas. Entregá-la de bandeja a uma potência estrangeira revela uma concepção de poder indigna, mesquinha e absolutamente incompatível com a independência de uma nação livre.

Essa prontidão serviçal de Flávio Bolsonaro se encaixa com perfeição na sanha tutelar de Rubio sobre o nosso continente. Em audiência no Senado estadunidense, em 2 de junho, o secretário rotulou o Brasil como uma incômoda exceção em um hemisfério que Washington quer ver totalmente dobrado aos seus ditames, fazendo referência explícita ao nosso ciclo eleitoral. Ao arvorar-se no direito de dividir governos entre “amigos” e “hostis” aos interesses norte-americanos, Rubio escancarou a lógica imperialista: para a Casa Branca, a autodeterminação dos povos latino-americanos é encarada como um “problema” a ser suprimido.

O sentido político dessa ofensiva é cristalino. Um Brasil altivo, que dialoga de cabeça erguida com múltiplos polos de poder, negocia sem aceitar sujeição ou exclusividades e sustenta posições firmes e independentes no cenário internacional causa profundo incômodo aos guardiões da hegemonia estadunidense. A alusão de Rubio às eleições brasileiras deixa evidente a aposta da potência imperialista: a expectativa de que uma virada de governo dissipe a altiva resistência do Brasil e escancare as portas para o alinhamento cego pretendido por Washington.

A promessa de adesão ao chamado “Escudo das Américas” dá a face militar e operacional a essa rendição. Flávio Bolsonaro já declarou publicamente a intenção de atrelar o Brasil à coalizão liderada por Donald Trump. Anunciou também que proporá alterações legais para carimbar organizações criminosas brasileiras como grupos “terroristas internacionais”, subordinando-se à chancela unilateral de Trump. Trata-se de uma capitulação na política externa e de defesa que ameaça diretamente o comando e a jurisdição do Estado brasileiro sobre o seu próprio território.

É óbvio que o combate às facções criminosas é um dever constitucional indeclinável do Estado. Todavia, isso exige inteligência de ponta, asfixia financeira do crime organizado, rigoroso controle de armas e cooperação técnica — jamais a cessão da nossa soberania. Instrumentalizar esse desafio interno para converter o Brasil em praça de armas de uma estratégia militar ditada por uma potência estrangeira cruza uma linha vermelha inaceitável: a internacionalização e a entrega do controle das nossas forças e da nossa segurança nacional a decisões tomadas fora do país.

Esse enquadramento de facções como entidades terroristas guarda armadilhas letais. O Itamaraty alertou para o risco real de Washington converter essa rotulagem em pretexto para incursões militares e intervenções em solo brasileiro. Uma designação unilateral norte-americana não possui validade jurídica internacional para violar territórios alheios; contudo, o perigo reside na construção de uma narrativa político-militar agressiva para emparedar governos, atropelar fronteiras e violar a soberania dos países da região.

A trágica experiência da América Latina demonstra que esse perigo não é uma mera abstração teórica. Em março, Estados Unidos e Equador anunciaram operações militares conjuntas sob o pretexto de combater o “terrorismo”. Em setembro, a chancelaria equatoriana confirmou a integração irrestrita ao Escudo das Américas, entrelaçando inteligência, capacidade operacional e coordenação política com Washington. A pretexto do combate ao narcotráfico, a presença militar estadunidense ganha contornos concretos de ocupação estratégica.

Com o vizinho Paraguai foi firmado um acordo que praticamente transforma o país Guarani em uma base militar estadunidense na América do Sul. 

A ostensiva visita do comandante do Comando Sul dos EUA, general Francis L. Donovan, à cidade de Iquitos, na Amazônia peruana, realizada nos últimos dias, escancara essa engrenagem. Encontrando-se com a cúpula militar do Peru, o general norte-americano manteve conversações sobre a realização de operações militares contra grupos rotulados como narcoterroristas e sobre o pertencimento do país andino no Escudo das Américas. A presença militar norte-americana nas barbas da Amazônia é um sinal de alerta estrondoso para a defesa nacional e para o equilíbrio regional.

Essa marcha de cooptação utiliza múltiplos braços. Na Argentina, o governo anunciou em junho acordos com Washington que incluem suporte logístico, reabastecimento recíproco em operações militares e acesso a tecnologias de defesa dos EUA. 

Na Colômbia, a cooperação militar com os EUA avançou para patamares ainda mais gravosos de operações conjuntas sob a bandeira do Escudo das Américas, consolidando a integração de inteligência e logística nas faixas de fronteira.

Tudo isso constitui uma teia bem articulada que busca submeter as estruturas estratégicas dos países latino-americanos às diretrizes do Pentágono. Vê-se, em pleno curso, uma perigosa militarização da região, sob a hegemonia estadunidense.

É justamente essa escalada que torna criminosa e inadmissível a simples hipótese de capitulação do Brasil. Pela dimensão gigantesca de sua economia, pela extensão de seu território e por suas fronteiras estratégicas, o Brasil é o escudo e o fiador da independência da nossa região. Sua submissão a uma coalizão sob comando norte-americano esmagaria a autonomia de toda a América Latina e do Caribe, deixando os países vizinhos expostos a um ambiente ainda mais brutal de ingerência e chantagem hegemonista.

O biombo da “proteção continental” não passa da roupagem atualizada da nefasta Doutrina Monroe, que insiste em tratar a nossa região como o “quintal” e área de influência exclusiva do império. Sob uma perspectiva anti-imperialista consequente, a questão de fundo é o poder inalienável de decidir: quem define nossas ameaças, quem maneja as inteligências, quem dita os limites da atuação militar em nosso solo? Quando a caneta e o comando do destino nacional são transferidos para fora, a dita “cooperação” nada mais é do que dependência colonialista.

A antítese dessa vergonha é a política externa altiva, soberana e destemida conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pilar inabalável dessa orientação reside no artigo 4º da Carta Magna de 1988: independência nacional, autodeterminação dos povos, não intervenção, igualdade soberana entre os Estados, defesa intransigente da paz e solução pacífica dos conflitos. Mais do que imperativo legal, a Constituição manda o Brasil perseguir a integração profunda dos povos da América Latina. São esses princípios que nos armam ideologicamente para repelir a tutela estrangeira e edificar uma segurança autêntica fundada na solidariedade entre nações livres.

O engajamento vibrante de Lula com o multilateralismo, o protagonismo inconteste do Brasil no Sul Global e o fortalecimento ousado do BRICS são os pilares de um país que se recusa a se curvar. À frente da presidência do BRICS em 2025, o Brasil colocou a cooperação soberana e o desenvolvimento dos povos como prioridades absolutas. É essa coragem diplomática que amplia a voz do Brasil e constrói, na prática, uma ordem multipolar justa.

Defender a continuidade do governo Lula é defender a liberdade suprema do Brasil de dialogar e pactuar com quaisquer países e com todos os povos do mundo a partir dos nossos interesses nacionais, e não sob ordens de impérios. É exigir com altivez a reforma das instituições internacionais, a voz ativa dos países em desenvolvimento e o combate aos grandes dilemas da humanidade sem pedir licença às potências coloniais. O Brasil de Lula é o motor dessa transformação libertadora, e a sua soberania é o bastião inexpugnável para a emancipação de todos os povos latino-americanos e caribenhos.

Portanto, a luta anti-imperialista é a tarefa mais urgente e inescapável do presente. Ela se concretiza no combate diário pela reconquista e proteção do nosso território, dos nossos recursos naturais, da nossa democracia e do direito sagrado do povo brasileiro de trilhar seu próprio caminho. Perante a fúria dominadora do imperialismo e a expansão de suas garras militares no continente, a soberania nacional ergue-se como o centro gravitacional da batalha histórica contemporânea. A vitória de um Brasil independente e protagonista da integração continental e do mundo multipolar é a tradução mais pura do espírito do nosso tempo: a libertação definitiva dos povos e a ruína da hegemonia imperial.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Pepe Escobar vê eleição brasileira como batalha decisiva pela soberania nacional em meio à disputa entre potências

Jornalista relaciona o segundo turno à rivalidade entre Estados Unidos e China, ao controle dos recursos estratégicos brasileiros e à transformação da comunicação política pelas redes sociais

Conteúdo postado por: Redação Brasil 247


Pepe Escobar. Crédito: Brasil247

247 – O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para 25 de outubro, representa um momento decisivo para a soberania nacional e para a posição do Brasil na nova ordem mundial. Em uma edição de seu programa Pepe Café, Escobar comparou a disputa política brasileira à Batalha de Stalingrado, episódio da Segunda Guerra Mundial que simbolizou a resistência soviética diante da ofensiva nazista.

 “O Brasil está vivendo o momento de sua Batalha de Stalingrado. É o momento de resistir até o fim, e a maré vai virar. É literalmente uma Batalha de Stalingrado política e cultural”, afirmou o jornalista, em tradução do inglês.

Na avaliação de Escobar, o resultado da eleição brasileira terá repercussões que ultrapassam a política interna, envolvendo o futuro das relações do país com os Estados Unidos, a China, a Rússia e os demais integrantes do Sul Global.

Brasil ocupa posição estratégica na disputa geopolítica

Escobar argumenta que o Brasil reúne características que o tornam especialmente relevante para as grandes potências: vastas reservas minerais, abundância de água, capacidade de produção de alimentos, recursos energéticos e uma posição geográfica favorável no Atlântico Sul.

Segundo o analista, essas condições conferem ao país um potencial singular de desenvolvimento econômico e de protagonismo internacional.

Ele destaca que o Brasil dispõe de rotas marítimas de exportação menos dependentes de pontos de estrangulamento estratégicos, como os estreitos de Ormuz e Malaca.

Na interpretação de Escobar, a combinação desses fatores explica o interesse crescente das grandes potências na orientação política e econômica brasileira.

O jornalista relaciona esse interesse à estratégia dos Estados Unidos de preservar sua influência sobre a América Latina em um contexto de crescente competição internacional.

Escobar associa política de Trump à disputa pelo Hemisfério Ocidental

Na análise apresentada no Pepe Café, Escobar sustenta que o governo de Donald Trump busca reafirmar o domínio norte-americano sobre o Hemisfério Ocidental, especialmente diante do fortalecimento econômico e tecnológico da China.

O jornalista interpreta essa orientação como uma atualização da Doutrina Monroe, formulada no século XIX, que historicamente esteve associada à influência dos Estados Unidos sobre as Américas.

Escobar considera que o Brasil ocupa uma posição central nessa disputa devido à dimensão de sua economia e à importância de seus recursos naturais.

Para ilustrar a resistência brasileira à condição de área de influência exclusiva de outra potência, o analista recupera a expressão associada ao economista Paulo Nogueira Batista Júnior: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

Segundo Escobar, a questão central é saber qual será o grau de autonomia do país para decidir sobre seus recursos, suas relações comerciais e suas estratégias de desenvolvimento.

Analista critica comunicação política e influência das plataformas digitais

Outro eixo importante da análise é a transformação da disputa política pelas redes sociais.

Escobar argumenta que as plataformas digitais alteraram profundamente a formação da opinião pública e a maneira como candidatos e governos se comunicam com a sociedade.

Na sua avaliação, o debate político passou a ser cada vez mais condicionado por influenciadores, algoritmos e pela capacidade de produzir mensagens de grande circulação.

O jornalista considera que o campo político ligado ao presidente Lula enfrentou dificuldades para compreender plenamente essas mudanças durante o primeiro turno.

Escobar também analisa o uso das redes sociais pelo presidente Donald Trump, destacando como suas declarações frequentes passam a dominar o noticiário internacional.

Para o analista, essa dinâmica revela uma transformação estrutural da comunicação política, na qual a intensidade e a velocidade da circulação de mensagens frequentemente se sobrepõem ao debate aprofundado sobre políticas públicas.

Abstenção e participação dos jovens entram na análise

Escobar também dedicou parte de seu comentário à abstenção eleitoral registrada no primeiro turno brasileiro.

O jornalista afirmou que a ausência de dezenas de milhões de eleitores representa um fenômeno que precisa ser compreendido em suas diferentes dimensões, incluindo desinteresse político, dificuldades práticas de deslocamento e a circulação de mensagens nas redes sociais.

Ele levantou a hipótese de que determinados conteúdos digitais possam contribuir para o desestímulo à participação eleitoral, mas não apresentou evidências que permitam quantificar esse eventual efeito.

O analista também destacou a importância da participação dos jovens no debate público e observou que as novas gerações possuem maior familiaridade com as linguagens e ferramentas das plataformas digitais.

Na sua avaliação, os partidos e as organizações políticas tradicionais precisam compreender melhor essas transformações.

Escobar levanta suspeitas sobre tecnologia eleitoral sem apresentar provas

Durante o programa, Escobar também questionou a relação entre mercados de previsão eleitoral, empresas de análise de dados e tecnologias utilizadas em processos políticos.

Ele citou a plataforma Polymarket, a empresa Palantir e a agência norte-americana de pesquisas avançadas DARPA ao levantar suspeitas sobre possíveis interferências tecnológicas em eleições.

O jornalista sugeriu que a capacidade de antecipação de resultados por mercados de previsão poderia indicar conhecimento privilegiado ou eventual manipulação.

Essas alegações, contudo, não foram acompanhadas de provas de interferência na apuração dos votos brasileiros. A precisão de uma previsão eleitoral, por si só, não demonstra fraude, e não há no material apresentado elementos que comprovem manipulação dos sistemas de votação do Brasil.

As declarações devem, portanto, ser entendidas como suspeitas formuladas pelo analista, e não como fatos estabelecidos.

Oriente Médio e sistema financeiro internacional

Na parte internacional do programa, Escobar abordou a escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo Irã, Arábia Saudita, Iêmen, Turquia e Paquistão.

O jornalista relatou informações ainda não confirmadas sobre a possibilidade de cobrança de tarifas para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, com pagamentos em riais iranianos e utilização da infraestrutura financeira chinesa.

Segundo a hipótese apresentada, esse mecanismo poderia reduzir a dependência de sistemas internacionais de pagamentos vinculados ao Ocidente.

Escobar também comentou as complexidades das relações militares entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão e os riscos de agravamento do conflito no Iêmen.

O analista reconheceu que parte das informações recebidas por suas fontes ainda precisava de confirmação.

Na sua interpretação, essas disputas fazem parte de uma transformação mais ampla da ordem internacional, caracterizada pelo fortalecimento de centros alternativos de poder econômico, financeiro e militar.

O futuro do Brasil na nova ordem mundial

Ao concluir sua análise, Escobar voltou ao papel estratégico do Brasil.

O jornalista considera que o país reúne condições materiais para ampliar sua participação na economia internacional, desenvolver tecnologias próprias e exercer maior influência nas instituições multilaterais.

Entretanto, argumenta que a realização desse potencial depende de decisões políticas relacionadas ao controle dos recursos naturais, à industrialização, à autonomia tecnológica e à inserção internacional.

Escobar também criticou setores das elites econômicas brasileiras, aos quais atribui resistência histórica a projetos de desenvolvimento nacional autônomo.

A análise apresentada no Pepe Café combina uma leitura geopolítica da disputa presidencial brasileira com críticas à concentração de poder econômico e tecnológico no sistema internacional.

Seu argumento central é que o futuro do Brasil não será definido apenas pelas relações entre partidos e governos, mas também pela capacidade do país de preservar autonomia em um cenário de crescente rivalidade entre potências.

Assista ao vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=7Iq52eoukzQ