quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Parcial no STF, Mendonça tem de ser afastado do TSE

Articulista aponta atuação político-eleitoral de André Mendonça no caso Master e defende pedido de suspeição do ministro no TSE

autor:  Ricardo Amaral

Ricardo Amaral é editor especial do Brasil 247 em Brasília

Publicado em 16 de setembro de 2026


André Mendonça.  Crédito: Gustavo Moreno/STF

A sessão de terça-feira no STF serviu para expor a parcialidade político-eleitoral do ministro André Mendonça na condução do inquérito do caso Master, o que deve ser motivo para arguir sua suspeição como integrante e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Os fundamentos técnico-jurídicos da parcialidade foram colocados claramente na defesa do ministro Alexandre de Moraes e na questão de ordem do ministro Gilmar Mendes, mas a Federação PT-PCdoB-PV, do presidente Lula, ainda não tomou a decisão política de pedir a suspeição de Mendonça no TSE.

Gilmar Mendes apontou a “evidente condução político-eleitoral” de Mendonça, ao lembrar que o ministro bolsonarista conhecia desde maio, pelo menos, o conteúdo do arquivo que usou para acusar Moraes, mas deixou para fazê-lo às vésperas do 7 de setembro. Produziu assim, “um Pixuleco eleitoral” para os atos de Flávio Bolsonaro. A defesa de Moraes traz um encadeamento de fatos e manipulações ilegais para concluir que Mendonça vem atuando “a serviço de um grupo político que quer dar um golpe neste país”, ou seja: Bolsonaro pai e filhos.

Nestas semanas de crise no STF ficou evidente também o tratamento diferenciado nas decisões de Mendonça envolvendo políticos, tanto no inquérito Master quanto no do INSS. Enquanto os sigilos de Fábio Luiz Lula da Silva foram expostos por Mendonça ou via CPI do INSS, o inquérito sobre a corrupção de Flávio Bolsonaro por Daniel Vorcaro no caso Dark Horse só veio à tona na marra, assim como as mensagens no celular de Vorcaro para políticos e ministros bolsonaristas só apareceram por requisição do ministro Cristiano Zanin à Polícia Federal.

Mendonça ainda não examinou nenhuma questão relevante afetando a coligação do presidente Lula na corte eleitoral, mas é questão de tempo e de oportunidade que isso venha a acontecer. Como vice-presidente do TSE, ele é também um dos juízes da propaganda eleitoral. A desfaçatez (na expressão de Gilmar Mendes) com que vem atuando no STF para favorecer a família Bolsonaro (a mesma que usou quando foi ministro do ex-presidente golpista), recomenda fortemente o pedido de suspeição. Antes que seja tarde.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O que, de fato, Mendonça não quer que o STF veja?

Ministro impõe restrições a dados do celular de Daniel Vorcaro e levanta suspeitas de blindagem no Supremo

Por Florestan Fernandes Jr (Jornalista)

Publicado em 14 de setembro de 2026.

André Mendonça.  Crédito: Sophia Santos/STF
A pergunta que todos os que acompanham a crise no STF devem estar se fazendo é simples: por que os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro continuam fora do alcance dos ministros da Corte, justamente às vésperas da sessão desta terça-feira (15), que decidirá se Alexandre de Moraes deve ou não ser investigado?



Mais do que isso: por que André Mendonça, autor do pedido de abertura de investigação contra Moraes, se manifestou contra o compartilhamento integral dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sob a alegação de que a abertura total das mídias poderia “tumultuar o julgamento”?

O que precisa ficar claro ao ministro André Mendonça é que ele apenas pediu a abertura de uma investigação. A partir daí, não cabe a ele controlar o processo, decidir o que os demais ministros podem ou não conhecer, nem determinar os termos em que o pedido será julgado. Essa é uma atribuição do presidente da Corte, a quem compete conduzir o andamento do julgamento.

Cristiano Zanin e Gilmar Mendes já demonstraram contrariedade à limitação imposta por Mendonça e devem questionar a falta de informações cruciais para o julgamento do pedido de investigação contra um colega de Corte.

As informações passadas já na semana passada para mim por fontes do STF dão conta de que há fortes suspeitas de que Mendonça poderia estar tentando se blindar. Ministros do STF trabalham com a possibilidade de que André Mendonça dificulta a abertura dos dados para evitar o vazamento de informações da relação dele próprio com Daniel Vorcaro.

Uma de minhas fontes diz que ministros próximos a Moraes estão preparados para chutar o balde e apresentar dentro da Corte informações que poderiam comprometer mais de uma dezena de ministros do STJ e do STF. Nesse sentido, vale lembrar das informações que já são públicas envolvendo parentes de ministros do STF com Daniel Vorcaro, como: Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. O próprio André Mendonça tem uma história mal contada com Daniel Vorcaro.

Todos se lembram que, no início de setembro, o jornalista Paulo Motoryn revelou que, em 14 de março de 2025, André Mendonça teve uma conversa de cerca de duas horas com Daniel Vorcaro, na sede do Instituto Iter, que na época pertencia ao ministro. A justificativa apresentada por Mendonça foi a de que o encontro se destinara exclusivamente a tratar de uma questão relacionada a precatórios de interesse do Banco Master.

Convenhamos: essa justificativa é extremamente frágil. Um ministro do Supremo tem a obrigação ética de tratar assuntos relacionados ao seu cargo em seu gabinete no STF, com registro oficial e total transparência. Não se trata apenas de uma questão de formalidade, mas de preservar a necessária distância entre um ministro da Corte e os interesses privados de um banqueiro.

Mais ainda: o encontro a portas fechadas entre Mendonça e Vorcaro, no instituto privado do ministro, poderia configurar impedimento para a relatoria do caso Banco Master. Essa informação deveria ter sido comunicada ao presidente Edson Fachin antes do sorteio que atribuiu a Mendonça a relatoria, retirada de Dias Toffoli.

Ao dificultar o acesso integral aos dados extraídos dos celulares de Daniel Vorcaro, André Mendonça abre espaço para especulações sobre sua própria relação com o ex-banqueiro. Se tomarmos como régua o que ocorreu com Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, que foi desmentido em diferentes versões sobre sua relação com Vorcaro, as perguntas são inevitáveis: Mendonça teve mais de uma reunião com o banqueiro? Existem mensagens entre os dois que ainda não vieram a público? Ele ou sua família receberam algum tipo de benefício financeiro de Vorcaro, como ocorreu com outros integrantes da Corte?

E, finalmente, por que André Mendonça afastou os agentes da Polícia Federal que investigavam o caso para colocar em seu lugar policiais de confiança ligados ao bolsonarismo? O que havia nas investigações que justificaria uma mudança dessa natureza justamente naquele momento?

Assim que terminei este texto, veio a informação de que a Polícia Federal finalmente liberou o acesso, aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, à cópia dos dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, resta esperar que o conteúdo disponibilizado seja realmente integral e que nada tenha ficado de fora.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=2E3RfbrsjzA&t=4s

domingo, 13 de setembro de 2026

Lula defende soberania sobre petróleo e terras raras e alerta para eleição: “O Brasil está em jogo”

Em live neste domingo (13), presidente falou sobre petróleo, terras raras e disputa eleitoral

Conteúdo postado por: João Antonio Cunha.  Publicado em 13 de setembro de 2026

Presidente Lula. Crédito: Reprodução Youtube

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante uma live neste domingo (13), que as eleições deste ano colocam em discussão diferentes projetos para o futuro do Brasil. Ao abordar o controle sobre riquezas nacionais, Lula questionou qual país os brasileiros desejam construir.

“Qual é o futuro que você deseja para o Brasil? Um país em que o petróleo seja nosso ou um país em que aconteça o que aconteceu na Venezuela?”, perguntou o presidente. Na sequência, Lula direcionou a discussão para os minerais críticos e as terras raras, defendendo que esses recursos sejam controlados e processados no próprio país.

“Um país em que os minérios críticos e as terras raras sejam nossos, explorados por nós, refinados por nós, industrializados por nós, ou você vai permitir que as empresas americanas venham tomar as nossas riquezas minerais?”, afirmou.

O presidente também falou sobre a formação da população brasileira ao defender uma visão de país baseada na democracia e no desenvolvimento: “Um povo que é o resultado de uma miscigenação extraordinária, uma mistura de indígenas, de negros e de europeus que deu em nós, na nossa beleza, na nossa alegria, no nosso jeito de andar, de cantar, de jogar futebol, no nosso jeito de fazer política.”

Lula então voltou a relacionar a discussão às escolhas políticas que estarão em jogo nas eleições deste ano. “É isso que você tem que pensar, porque é isso que está em jogo, meu caro: é que tipo de Brasil você deseja.”

Ao abordar diretamente os candidatos, o presidente afirmou: “Você tem candidato que parece um capataz de fazenda no tempo da escravidão. Você tem candidato que nasceu no meio da milícia.”

Assista a Live:

https://www.youtube.com/watch?v=xDamLSaf5BQ

sábado, 12 de setembro de 2026

Lula: governo Bolsonaro transformou Vorcaro de ‘agiota’ em ‘banqueiro’

Em Curitiba, presidente relacionou gestão Bolsonaro a Vorcaro e defendeu transparência na investigação do Master

Conteúdo postado por: João Antonio Cunha

Publicado em 12 de setembro de 2026

Presidente Lula.  Crédito: Ricardo Stuckert



 

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (12), durante ato de campanha em Curitiba, que o governo do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL) foi responsável por transformar Daniel Vorcaro em banqueiro. O presidente também afirmou que seu governo foi responsável pela prisão do empresário e pelo fechamento do Banco Master.

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“Em 2019, eles pegaram um agiota e o transformaram em um banqueiro. O tal do banco Master, que tem esse Vorcaro, que corrompeu muita gente da República. Eles criaram um banqueiro e nós prendemos esse banqueiro. Eles abriram um banco e nós fechamos esse banco”, disse o presidente durante o discurso.

Lula também relatou ter conversado com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, sobre a necessidade de tornar públicos os elementos da investigação relacionada ao Banco Master.

Sem citar diretamente o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, Lula afirmou que não seria possível a um relator “ficar soltando matérias pensadas” e divulgar “somente aquilo que interessava a ele”.

“Eu pedi para liberar todo o processo. E vamos deixar às claras para ver quem é de verdade ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa. Estou feliz que o povo brasileiro vai saber a verdade. Quem fez o quê nesse país”, disse.

Lula fala em novas revelações sobre Vorcaro

O presidente afirmou ainda que as investigações sobre Daniel Vorcaro devem trazer novos detalhes sobre a relação do empresário com integrantes da política.

“Nós vamos investigar. O Vorcaro já está preso, mas agora vão começar a aparecer as orgias que ele fazia, as mulheres da Suíça, da Suécia, para fazer sacanagem com muita gente da política. Isso vai começar a aparecer. Portanto, quem fez putaria vai ser desmascarado”, declarou.

Durante o discurso, Lula também mencionou as investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva. O presidente afirmou que não haverá proteção caso ele tenha cometido algum erro.

“Eu acredito na inocência dele, mas, se ele cometeu um erro, ele terá que pagar pelo erro que cometeu. Isso vale para mim, vale para o meu filho, vale para qualquer ministro da Suprema Corte. Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico”, disse.

Lula também relacionou o governo Bolsonaro às fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com o presidente, a “quadrilha” responsável pelo esquema teria sido montada durante a gestão anterior.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=H2fYn-YXdoE&t=10s

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Lula emerge mais forte de uma semana difícil

O presidente Lula chega à semana decisiva antes do primeiro turno com a liderança preservada, a aprovação em alta e o adversário obrigado a explicar

Por  Miguel do Rosário

Jornalista e editor do blog O Cafezinho. 

Publicado em 11 de setembro de 2026

 
Crédito: Ricardo Stuckert/PR








Depois de uma semana extremamente dura para o presidente Lula, marcada por reveses em algumas pesquisas e pela dificuldade de encontrar um tom diante da crise no Supremo, o balanço de sexta é relativamente bom para o Planalto. O Datafolha divulgado hoje mantém o presidente na liderança do primeiro turno e lhe devolve uma vantagem numérica no segundo, com efeito psicológico importante para a campanha, para a militância e para toda a frente democrática e popular que o sustenta.

Foi um alívio. E justamente por isso o maior erro da campanha de Lula, daqui para a frente, será relaxar e achar que está tudo bem porque o presidente aparece 2 pontos à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Dois pontos são empate. Assim como não devemos ficar aflitos quando Flávio surge 1 ou 2 pontos na frente em alguma pesquisa, tampouco podemos ficar tranquilos quando Lula aparece com a mesma vantagem, porque estatisticamente é idêntico.

Na minha humilde opinião, a direção da campanha está errada. Ela não aponta para o futuro e não trabalha para oferecer ao eleitor a expectativa de algo novo.

A tese de sistema contra antissistema, e a ideia de que a esquerda defende as instituições enquanto a direita as ataca, me parece uma tremenda besteira. O povo nunca foi e nunca será amigo de black blocs, mas gosta das instituições apenas na medida em que elas lhe oferecem coisas boas, o que é óbvio.

O problema da campanha, portanto, não passa pela defesa ou não das instituições, nem pela posição a favor ou contra o sistema. Está em oferecer o novo, o ousado, e volto a repetir o que venho dizendo há meses, quiçá anos: ferrovias e energia solar.

Conversei há pouco com uma pessoa da direção da campanha e saí apreensivo. Ouvi que também se queria defender o VLT e a ferrovia, mas que isso “não foi aprovado”.

Como assim não foi aprovado? O PT está tocando a maior obra de mobilidade urbana da América Latina, o VLT de Salvador, com dinheiro do governo Lula, e a direção da campanha acha que o governo não deve colocar trilhos como uma de suas bandeiras?

Além de não defender a ferrovia, o presidente vai esconder o que faz? Esconder uma obra dessas, na Bahia, em plena campanha, é desperdiçar o único argumento que a direita não tem como copiar, o de que a esquerda oferece, com ações concretas, expectactivas e sonhos de futuro.

Feito o alerta, vamos aos fatos. O maior susto da semana veio na terça-feira, 8 de setembro de 2026, quando o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, afastou por liminar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada, atendendo a um pedido do partido Novo.

A Segunda Turma formou maioria em minutos, com Fux e Nunes Marques, até que Gilmar Mendes pediu vista. O país assistiu, a menos de um mês da eleição, a uma intervenção judicial sobre o comando da PF que a Advocacia-Geral da União classificou como invasão da competência exclusiva do presidente da República.

O elefante foi retirado da sala, felizmente, no dia seguinte. O presidente do Supremo, Edson Fachin, anulou tanto a liminar de Mendonça quanto a decisão de Flávio Dino que a havia revertido horas antes, manteve Andrei Rodrigues no cargo e convocou sessão extraordinária do plenário para a terça-feira, 15 de setembro de 2026.

Haverá novos embates na semana que vem, mas a natureza da briga mudou. O que se anuncia agora é um duelo entre ministros, Mendonça de um lado e Alexandre de Moraes do outro, sem envolver tanto o governo e sem tocar na estrutura da polícia que investiga o próprio banco de Daniel Vorcaro.

É nesse cenário que chega o Datafolha desta sexta-feira. No primeiro turno, Lula tem 39% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro, numa pesquisa em que os dois subiram, o presidente em 1 ponto e o senador em 2, em relação ao levantamento de 3 de setembro de 2026.

Augusto Cury caiu de 8% para 6%. Ronaldo Caiado tem 4%, Renan Santos 3% e Romeu Zema 2%, enquanto brancos e nulos somam 6% e indecisos 4%.

Pela primeira vez neste ciclo, o instituto divulgou também os votos válidos. Nessa régua, que é a da urna, Lula chega a 43% e Flávio a 38%, uma distância de 5 pontos que o próprio Datafolha descreve como vantagem provável do petista, ainda que nos limites da margem de erro.

No segundo turno, o quadro é de empate técnico com o presidente à frente. Lula tem 46% e Flávio 44%, os mesmos números de 3 de setembro de 2026, com brancos e nulos recuando de 9% para 8% e os indecisos de 2% para 1%.














O senador não avança nem quando o eleitorado se decide. Em 18 de agosto de 2026 o placar era 47 a 43, e desde então Flávio ganhou 1 ponto e parou. 

Nos outros cenários de segundo turno, o presidente vence todos os adversários testados. Ele faz 46% contra 41% de Caiado, 48% contra 39% de Zema, 48% contra 37% de Renan Santos e 45% contra 43% de Cury, que pela primeira vez foi incluído numa simulação de segundo turno pelo instituto.

Na pesquisa espontânea, aquela em que nenhum nome é apresentado ao eleitor, Lula subiu de 31% para 33% e Flávio de 22% para 25%. A rejeição permanece empatada, com 46% dizendo que não votariam de jeito nenhum em cada um dos dois, num movimento em que o senador cedeu 1 ponto e o presidente ganhou 1.

A notícia mais importante da pesquisa, porém, está na aprovação do governo. Ela subiu 2 pontos em uma semana, de 45% para 47%, enquanto a desaprovação recuou de 51% para 50% e os que não sabem avaliar caíram de 4% para 3%.

Para um presidente que tenta a reeleição, esse é o fator decisivo, mais do que qualquer cenário de voto. Uma alta de 2 pontos parece pequena, mas indica um movimento do eleitorado na direção de Lula justamente na semana em que tudo conspirava contra ele.

Na avaliação qualitativa, os que consideram o governo ótimo ou bom passaram de 31% para 32%, os que o julgam ruim ou péssimo seguem em 42% e os que o veem como regular permanecem em 25%. A diferença entre desaprovação e aprovação, que era de 6 pontos em 3 de setembro de 2026, encolheu para 3.

Um patamar de 47% de aprovação basta para ganhar uma eleição. Quem desaprova um governo nem sempre vai às urnas para puni-lo, ao passo que quem aprova tende a comparecer e a votar pela continuidade.

Por isso esse índice costuma andar colado ao voto do candidato no segundo turno, e às vezes até no primeiro. Os 47% de hoje ficam a apenas 1 ponto dos 46% que o Datafolha atribui a Lula contra Flávio.

O levantamento ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais, presencialmente, entre 8 e 10 de setembro de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança. Registrada no TSE sob o número BR-01833/2026, a pesquisa custou R$ 307.641,60, pagos pela Empresa Folha da Manhã, que edita a Folha de S.Paulo, e pela Globo Comunicação e Participações.

A semana terminou melhor para o presidente também porque o eixo do escândalo se deslocou. Ao levantar parcialmente o sigilo dos autos da Operação Compliance Zero, por cobrança pública de Lula e ordem de Fachin, o STF transformou em documento oficial o que até então circulava por vazamentos sorrateiros e seletivos para a imprensa.

Agora os dados são públicos, e são outros os nomes que aparecem. Os relatórios da Polícia Federal mostram que Flávio Bolsonaro é formalmente investigado desde julho de 2026 no inquérito sobre o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Segundo despacho do próprio Mendonça, o senador negociou diretamente com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões para a produção e fez, nas palavras do relator, cobranças incisivas pela liberação do dinheiro. Outro relatório da PF, com sigilo derrubado na noite desta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, descreve pagamentos mensais de R$ 500 mil do banqueiro a um ex-chefe de supervisão do Banco Central.

O mais assustador está numa decisão de Mendonça de 2 de março de 2026. Ali o ministro foi obrigado a admitir que o Banco Master movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões em operações de câmbio para uma empresa suspeita de lavar dinheiro do PCC, como O Cafezinho mostrou nesta sexta em reportagem sobre os documentos liberados pelo STF.

Em outras palavras, o dinheiro que irrigou o banco de Vorcaro tem, segundo a PF, uma ponta no crime organizado e outra nos fundos de previdência de servidores. E é desse mesmo banco que saiu o financiamento cobrado pelo candidato da direita para o filme sobre o pai.

Lula chega à semana decisiva antes do primeiro turno com a liderança preservada, a aprovação em alta e o adversário obrigado a explicar, com documentos públicos, sua relação com os esquemas criminosos do Banco Master. A campanha ainda precisa achar o tom, mas a semana que parecia perdida terminou com o presidente mais forte.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Ameaças sincronizadas à reeleição do Lula

 

Colunista Jeferson Miola sugere que decisão de Flávio Dino conteve ofensiva de André Mendonça, mas alerta para novas frentes contra Lula

Por Jeferson Miola (Colunista do Brasil 247)

Jeferson Miola é articulista, colunista do Brasil 247, integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea) e ex-coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial.

Publicado em 10 de setembro de 2026

Lula, Flávio Dino e André Mendonça Crédito: Ricardo Stuckert/PR I Divulgação

A estratégia golpista da extrema-direita no STF com as manipulações de André Mendonça para impedir a reeleição de Lula e eleger Flávio Bolsonaro foi interceptada pelo contragolpe de Flávio Dino.

Apesar disso, no entanto, a dinâmica golpista não terminou; seus desdobramentos ainda são imprevisíveis, mas a reação a tempo deteve o curso dos acontecimentos antes que evoluíssem para um quadro irreversível e de consequências trágicas para nossa democracia.

Ainda que extremamente perigosa, esta não é a única ameaça à reeleição do presidente Lula. E ela se sincroniza com outras ameaças que, ainda que possam ter centros de comando distintos, confluem no objetivo comum de derrotar Lula, inclusive por meio de operações criminosas.

A ameaça do golpe no STF

Ao longo dos meses como relator que conduziu de modo enviesado os casos Master e INSS, André Mendonça conseguiu a proeza de fixar na opinião pública a ideia de que o governo Lula seria responsável pelos mega-escândalos de corrupção de bolsonaristas e aliados.

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro desapareceram do noticiário produzido com vazamentos criminosos originados no gabinete de Mendonça. E Fábio Luís passou a ser citado pela mídia como uma espécie de “CEO da corrupção” no Brasil.

Especialistas em pesquisas avaliam que a atuação de Mendonça pode ter sido o fator relevante que influenciou as pesquisas eleitorais e reacendeu a expectativa de vitória do bloco anti-Lula, que então animou um movimento comum de atores econômicos, midiáticos e políticos –não só bolsonaristas, mas sob a liderança bolsonarista– que projetam se beneficiar com a derrota do Lula.

A ameaça com a interferência estrangeira

A eleição do Brasil ocupa o centro das prioridades da extrema-direita internacional. Está havendo interferência direta dos EUA e de Israel no processo eleitoral com apoio interno de setores entreguistas e traidores que se apresentam como falsos patriotas.

A interferência se dá por meio de agências de inteligência, financiamentos clandestinos, ataques cibernéticos, “fazendas de robôs” etc, e não se descarta a possibilidade de que estrangeiros estejam atuando no território brasileiro a partir do Consulado dos EUA em São Paulo e da Embaixada em Brasília.

Alertas a esse respeito têm sido feitos com distintas ênfases e ângulos de abordagem por especialistas e analistas, e podem ser acessados em reportagens publicadas em portais de comunicação contra-hegemônicos.

A Globo com o fantasma da corrupção

Nas entrevistas do Jornal Nacional, a Rede Globo surpreendeu até mesmo alguns dos seus comentaristas honestos com a conduta escandalosamente faccional que adotou nas entrevistas com Lula e Flávio Bolsonaro para produzir uma poderosa arma peça de propaganda anti-Lula.

Os entrevistadores foram condescendentes com as contradições e mentiras do gângster-filho, mas emparedaram Lula sobre o tema da corrupção a partir de dados vazados pelo gabinete de André Mendonça com o objetivo nítido de excitar o imaginário popular antipetista com a falsa imputação de corrupção.

A primeira tentativa grotesca da Globo neste ano de ressuscitar o fantasma da corrupção contra o PT para exploração eleitoral foi em março, quando repetiu a gangue da Lava Jato e apresentou um organograma das “conexões do Daniel Vorcaro” que tinha a fotografia do Lula como personagem central, cercado de outras figuras ligadas a ele e ao PT.

A fabricação do fenômeno Augusto Cury

Não há consenso entre analistas sobre o crescimento súbito e exponencial das intenções de voto em Augusto Cury nas pesquisas.

É consensual, no entanto, que tal crescimento foi fortemente impulsionado através das redes sociais. Não se descarta a possibilidade de apoio operacional de Pablo Marçal, ativista pró-bolsonarista, e de mecanismos da extrema-direita internacional nas plataformas com custos financeiros significativos não-rastreáveis.

O objetivo desta estratégia seria consolidar uma parcela expressiva de votos “independentes”, de eleitores “fora da polarização”, com valores e pautas mais associadas à direita para, no segundo turno, canalizar tais votos para Flávio Bolsonaro.

Flerte do PIB com Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro conseguiu estabelecer uma linha de diálogo com o PIB que se imaginava impossível, inclusive com empresários, banqueiros e rentistas supostamente refratários ao gângster, mas que passaram a se alentar com a possibilidade de vê-lo no Planalto.

As oligarquias dominantes são colonizadas, entreguistas e dilapidadoras, pensam unicamente no assalto desenfreado e desimpedido ao butim de Estado.
Essa escória não tem nenhum compromisso com um ideal de nação, igualdade e justiça social, e não hesitará em aderir à campanha do filho do Bolsonaro se ele se mostrar eleitoralmente viável, mesmo que isso represente jogar o país no precipício.

Desafios da campanha Lula para derrotar Trump, Bolsonaros e as oligarquias

De hoje a 4 de outubro serão os 24 dias mais decisivos e fundamentais da nossa história. A confluência de forças que militam pela derrota do Lula é poderosíssima, mas não invencível.

A campanha do Lula se multiplica em centenas de milhares de iniciativas militantes individuais e coletivas. E é multiplicada pelas quase duas mil candidaturas às Assembléias Legislativas, à Câmara e ao Senado.

Esse enorme contingente militante precisa ter como prioridade central ocupar o território de todo país, com metas de visitas do máximo de lares de brasileiros para conversar diretamente com a população para apresentar as realizações e propostas do quarto mandato do Lula, e para alertar sobre os riscos de um governo de bandidos que transformará o Brasil numa autocracia entregue aos Estados Unidos.

A eventual eleição de Flávio Bolsonaro significaria para o Brasil e para o povo brasileiro uma realidade infinitamente pior que o terrível mandato do pai dele com as cúpulas militares.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=809GHMtC3Eg&t=5s

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Ao que tudo indica, André Mendonça quer causar uma crise institucional

Seja como vítima, seja como acusado, o ministro não poderia tomar a decisão de afastar Andrei Rodrigues. Para Alfredo Attié, o Partido Novo também não teria legitimidade para pedir esse afastamento

Por Joaquim de Carvalho (Jornalista)

André Mendonça.   Crédito: Carlos Moura/SCO/STF

A decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da instituição, Leandro Almada, levanta uma questão sobre possível usurpação de competência. Quem escolhe o diretor-geral da PF é o presidente da República. Além disso, como observa o jurista Alfredo Attié, presidente da Academia Paulista de Direito, parece “muito duvidoso que um partido político tenha legitimidade para propor uma ação como essa”.

Ressalvando que falava “em abstrato, sem conhecimento do processo, apenas da decisão”, Attié também destacou que o afastamento “sem oitiva das autoridades mostra-se potencialmente ilegal, sendo certo que, se há evidência de erros cometidos em procedimentos determinados, o afastamento tem de se dar em relação a esses feitos, não dos cargos”.

Há outro problema na decisão de André Mendonça: poderia ele próprio decidir sobre fatos nos quais aparece, conforme a versão que se adote, como acusado ou como vítima?

O problema pode ser colocado de maneira simples.

O relatório de inteligência da Polícia Federal utilizado por Alexandre de Moraes para pedir a investigação de Mendonça atribui ao ministro possíveis irregularidades na condução das investigações. O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre a admissibilidade dessas acusações e, posteriormente, que Mendonça apresente sua defesa.

Se os fatos descritos nesse relatório tiverem procedência, Mendonça ocupa a posição de autoridade acusada e diretamente interessada na controvérsia.

Mendonça, porém, sustenta exatamente o contrário. Em sua decisão, afirma que o relatório é irregular e que ele próprio foi submetido a “monitoramento e coleta dirigida ilegal” pela inteligência da PF.

Se essa segunda hipótese estiver correta, surge o problema inverso: Mendonça deixa de ser apenas o julgador dos acontecimentos e passa a se apresentar como vítima das condutas que fundamentaram sua própria decisão.

Em qualquer das duas hipóteses, portanto, há uma questão objetiva de impedimento ou suspeição que precisa ser enfrentada antes do mérito. Não parece institucionalmente saudável que uma autoridade acusada decida sobre seus acusadores, assim como não parece adequado que uma autoridade que se declara vítima determine medidas cautelares contra aqueles aos quais atribui a agressão.

É precisamente por isso que o episódio ultrapassa Andrei Rodrigues e a Polícia Federal. O que está em discussão agora é a capacidade do próprio Supremo de estabelecer quem pode julgar fatos nos quais integrantes da Corte aparecem pessoalmente envolvidos.

O problema alcança também o colegiado chamado a referendar a decisão.

Kassio Nunes Marques votou para manter o afastamento, embora reportagem baseada em relatório do Coaf tenha revelado que uma consultoria que recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master realizou pagamentos de R$ 281,6 mil ao escritório de seu filho, Kevin Marques. O advogado afirma que os valores remuneraram serviços técnicos e jurídicos. O ministro declarou não possuir relação de proximidade com Daniel Vorcaro.

Luiz Fux também acompanhou Mendonça. No caso de Fux, as informações publicadas até agora mostram uma aproximação de Vorcaro com seu filho, Rodrigo Fux, que esteve em um camarote VIP para o qual foi convidado pelo ex-banqueiro. Rodrigo afirma que houve uma tentativa de aproximação comercial, mas que ela não prosperou, e nega ter advogado para Vorcaro. Não há, nas fontes consultadas, comprovação de pagamento de Vorcaro ao filho de Fux.

Essas circunstâncias não permitem concluir automaticamente pelo impedimento dos ministros. Mas, diante de um processo que nasceu justamente das relações de Vorcaro com autoridades e seus familiares, tornam indispensável que eventuais impedimentos ou suspeições sejam examinados com transparência antes da definição de quem participará do julgamento.

Gilmar Mendes interrompeu a análise ao pedir vista do processo, afirmando a necessidade de examiná-lo melhor. O julgamento fica suspenso, embora a decisão de Mendonça continue produzindo efeitos e já tenha recebido os votos favoráveis de Fux e Nunes Marques.

O pedido de vista pode acabar oferecendo ao Supremo algo de que a Corte parece necessitar neste momento: tempo para encontrar uma saída institucional para um conflito que deixou de envolver apenas a legalidade de atos da Polícia Federal e passou a colocar ministros uns contra os outros.

Essa saída, contudo, não deveria ser construída pela escolha de um dos lados da disputa.

Se existem elementos que colocam em dúvida a atuação de Alexandre de Moraes no caso Vorcaro, eles precisam ser examinados por autoridades que não estejam envolvidas nos fatos. Da mesma maneira, as acusações dirigidas contra André Mendonça não deveriam ser julgadas por ele próprio — nem deveria ele comandar investigações sobre fatos nos quais afirma ter sido vítima.

Uma solução institucional possível seria, portanto, afastar ambos da condução dos procedimentos diretamente relacionados a essa controvérsia, sem que isso represente antecipação de culpa de qualquer deles. A finalidade seria exatamente a oposta: permitir que os fatos sejam examinados por julgadores sem envolvimento pessoal no conflito.

A crise chegou a um ponto em que já não basta perguntar quem está certo — Moraes, Mendonça, a Polícia Federal ou seus dirigentes. É preciso primeiro responder a uma pergunta mais elementar:

Quem, neste caso, ainda reúne condições jurídicas para julgar quem?

O Supremo precisa encontrar essa resposta antes que uma disputa entre autoridades se transforme definitivamente em uma disputa entre instituições. Nesse cenário, quem ganha são aqueles que se alimentam das crises — no caso, a extrema direita, cujos integrantes, como se dizia no passado, são pescadores em águas turvas.

Depois do 8 de janeiro de 2023, protagonizado por antigos aliados políticos de André Mendonça, o ministro do STF estabeleceu uma nova data para envergonhar aqueles que prezam a Justiça e a democracia: 8 de setembro de 2026.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=KjVLHNe9nzg&t=2s