quarta-feira, 1 de abril de 2026

CHAPA DE RAQUEL TERÁ NOVIDADE COM TÚLIO GADELHA NA DISPUTA PELO SENADO


Texto extraído do Blog de Roberto Almeida. 

 

A governadora Raquel Lyra vai inovar na chapa majoritária que irá disputar a eleição deste ano em Pernambuco.

Filiação do deputado federal Túlio Gadelha ao PSD e sua possível candidatura ao senado é sim uma novidade.

Se os eleitores vão assimilar bem o nome numa disputa majoritária é outra questão.

Somente a campanha vai mostrar se ela acertou ou não.

Ela tentou atrair Marília Arraes e Silvio Costa Filho para o seu campo político, mas não foi possível, porque João Campos se antecipou e ficou com as duas lideranças ao seu lado.

Quem não tem Marília se contenta com Túlio Gadelha, político progressista, que ficou conhecido nacionalmente pelo namoro com a jornalista Fátima Bernardes.

O time de Raquel terá um toque global e as próximas pesquisas vão dizer quem está certo, se a governadora ou João Campos.

EM TEMPO: Caro conterrâneo RA. Aqui adiciono a  sua análise: 1 - O que a governadora Raquel Lyra fez, o senador Humberto Costa queria que João Campos fizesse, ou seja: Um candidato ao Senado pela Centro Esquerda e outro pela Direita ou Centro Direita; 2 - Marília é mal assessorada e tem um Projeto puramente pessoal e eleitoral. Por isso erra muito.. Ela descolou de João Campos e ensaiou ir para Raquel. Em seguida descolou de Raquel e foi para os braços de João Campos,  seu ex carrasco nas Eleições de 2020 para a Prefeitura da Cidade de Recife. Sendo assim, a chapa de João Campos ficou com dois candidatos, Humberto e Marília, no mesmo campo progressista. Ou seja, um tira voto do outro; 3 - Sendo assim, Raquel acertou com uma chapa  que vai da Centro Direita para a Centro Esquerda, com o apoio do presidente Lula. Praticamente, Lula tem 4 candidatos a Senador, uma vez que o Miguel Coelho, apesar de ser do UB, vai pedir voto pra Lula. Essa é a jogada. Ok, Moçada!


terça-feira, 31 de março de 2026

Imperialismo, preços do petróleo e a economia mundial


 

– Os EUA são o único país do mundo que alguma vez lançou armas nucleares contra outro país.

Prabhat Patnaik [*]

Os preços mundiais do petróleo ultrapassaram finalmente os 100 dólares por barril neste fim de semana e chegaram mesmo aos 110 dólares. Tendo em conta que rondavam os 69 dólares por barril antes do início da agressão imperialista contra o Irã, isto representa uma subida muito acentuada no espaço de apenas uma semana. Esta subida deveu-se menos a qualquer escassez real resultante do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã do que à antecipação de tal escassez. Este aumento não é apenas diferente da escalada acentuada dos preços do petróleo em 1973: naquela época foi causado não por qualquer escassez, mas pelo fato de a OPEP ter multiplicado o preço por várias vezes; é também diferente dos aumentos acentuados dos preços do petróleo que ocorreram em 2008 e 2022.

Estes dois últimos episódios de aumentos de preços foram, pela sua própria natureza, de curta duração: o aumento de 2008 foi causado por um excesso de procura resultante de fatores contingentes, tais como o aumento da demanda da China e a interrupção dos fornecimentos da Nigéria e da Ásia Ocidental, nenhum dos quais poderia durar muito tempo; o aumento de 2022 deveu-se igualmente às sanções ocidentais contra a Rússia na sequência da guerra na Ucrânia, e teve de diminuir tanto porque a Rússia conseguiu manter grande parte dos seus fornecimentos apesar das sanções, como também porque a energia dos EUA entrou para substituir a proveniente da Rússia no mercado europeu, embora a um preço mais elevado.

O atual aumento, no entanto, causado pela resposta do Irã à agressão dos EUA e de Israel contra o país, deverá persistir por toda a duração da guerra atual, para a qual não se vislumbra um fim; isto porque os abastecimentos de petróleo de vários países, e não apenas do Irã, passam por esse estreito, sendo a sua quantidade total quase o dobro da produção total da Rússia. E, longe de procurar acalmar a especulação, Donald Trump minimizou o próprio aumento de preços, chamando-lhe um «pequeno preço a pagar» pela prossecução dos objetivos da guerra.

Se o aumento dos preços do petróleo se prolongar por algum tempo, o seu impacto na economia mundial será bastante profundo. Irá, naturalmente, acentuar a inflação, não só através do seu impacto direto sobre os consumidores através dos produtos energéticos que compram mas, mais importante ainda, através de toda uma gama de bens e serviços cuja produção utiliza o petróleo como insumo, e de outros bens e serviços cuja produção, por sua vez, utiliza esses bens e serviços como insumos. Assim, um aumento nos preços dos fertilizantes devido ao aumento do preço do petróleo elevará o custo de produção dos cereais, e consequentemente os preços dos cereais (a menos que a margem de lucro dos produtores de cereais diminua). E tudo isto sem contar com o aumento nos custos de transporte de todas as mercadorias, o que dará um impulso adicional generalizado à inflação.

Uma vez que os beneficiários do aumento do preço do petróleo irão imediatamente reter os seus lucros extraordinários de forma bastante substancial sob a forma de depósitos bancários que não criam procura direta de bens e serviços, enquanto os prejudicados pela inflação terão de reduzir a sua procura total de bens e serviços em termos reais, tal inflação terá um efeito depressivo sobre o nível da demanda agregada mundial e, consequentemente, causará uma recessão na economia mundial. Chegamos aqui, mais uma vez, à natureza específica do atual aumento do preço do petróleo.

Numa situação em que o aumento do preço do petróleo se deve a uma ação concertada dos produtores, mas não a qualquer escassez de oferta, os governos dos países afetados podem adotar políticas fiscais e monetárias expansionistas a fim de manter a procura agregada e contrariar a ameaça de recessão (embora isto não tenha sido o que os governos realmente fizeram no início da década de 1970). Mas se o aumento dos preços se deve a uma escassez de oferta, então tal contramedida não é possível; na verdade, a recessão, nesses casos, torna-se não só inevitável como também um meio de superar a escassez de oferta. Por conseguinte, uma recessão inflacionária na economia mundial seguirá necessariamente um aumento persistente do preço do petróleo.

Isto seria verdade para todos os países (incluindo até os próprios países produtores de petróleo, caso não tomem quaisquer contramedidas, o que lhes seria fácil); para os países do Sul global, no entanto, a situação seria ainda pior por uma razão adicional, que é a seguinte.

Todos os países importadores de petróleo assistirão a um agravamento do seu déficit em conta corrente na balança de pagamentos devido ao aumento do preço do petróleo, e este é um fator que não levamos em conta na discussão acima. Por outras palavras, assumimos que não haverá problemas para financiar esse déficit aumentado: por exemplo, os depósitos bancários crescentes dos países exportadores de petróleo seriam utilizados por esses bancos para conceder empréstimos aos países importadores de petróleo, a fim de cobrir os seus déficits.

Mas os países do Sul global, ao contrário dos do Norte global, não são suficientemente solventes aos olhos desses bancos ou de outros credores internacionais, caso em que teriam dificuldade em financiar os seus déficits correntes agravados. As suas moedas começariam então a se desvalorizar e teriam de contrair dívida externa em condições muito mais onerosas, concordando com medidas de «austeridade» extremamente rigorosas, ou comprometendo os seus recursos minerais com credores estrangeiros, e coisas do género. No seu caso, então, a inflação será ainda mais aguda, não apenas devido ao aumento do preço do petróleo e às suas consequências, mas também devido à desvalorização da taxa de câmbio, que aumentará todos os preços das importações.

Da mesma forma, no caso destes países, a recessão será ainda mais aguda, não apenas devido à redução da procura de bens e serviços por parte das suas populações nacionais em consequência da inflação, mas também devido às medidas de «austeridade» impostas pelos credores estrangeiros. Daí decorre, portanto, que as dificuldades das suas populações serão ainda maiores. É, portanto, particularmente urgente que estes países exerçam pressão sobre os EUA para que ponham fim a esta guerra totalmente imoral e ilegal.

A Índia será extremamente afetada por um aumento persistente dos preços mundiais do petróleo. Cerca de 84% do óleo bruto que passa pelo Estreito de Ormuz destina-se a países asiáticos como a China, a Índia, o Japão e a Coreia do Sul, pelo que o encerramento do Estreito, para além do seu impacto nos preços mundiais do petróleo e nas taxas de câmbio, terá um impacto direto até mesmo na disponibilidade atempada de abastecimentos físicos de petróleo nestes países, dos quais a Índia é um constituinte proeminente.

É claro que Donald Trump «permitiu» que a Índia importasse petróleo bruto russo durante algum tempo para evitar o efeito dos preços mais elevados do petróleo. (É um insulto à nossa luta anticolonial que tenhamos de ser «autorizados», como uma colónia, quase oito décadas após a nossa independência, a importar petróleo bruto de um país da nossa escolha; e é uma vergonha que tenhamos hoje um governo que aceita docilmente tal «autorização» de Trump, em vez de lhe mostrar a porta). Mas esta «permissão» também é apenas por um breve período de um mês, após o qual o cenário esboçado acima se concretizará. Para a Índia, permanecer em silêncio e não protestar contra a agressão dos EUA e dos israelenses é, portanto, totalmente suicida.

Na verdade, o ato do Irã de fechar o Estreito de Ormuz e, assim, provocar um aumento dos preços mundiais do petróleo, visa precisamente despertar a oposição à guerra entre os países do Sul global, para persuadir esses países de que a guerra contra o Irão é também uma guerra contra eles e lhes trará grandes dificuldades, de que não podem simplesmente permanecer indiferentes a ela. Os comandantes militares do Irã preveem mesmo um aumento dos preços globais do petróleo para até 200 dólares por barril, o que seria devastador para os povos do mundo, especialmente os do Terceiro Mundo, a menos que intervenham imediatamente para fazer recuar a ofensiva imperialista.

O seu silêncio agora pode revelar-se caro noutro sentido, ainda mais sinistro. Quando Donald Trump enfrentar a ira popular nos EUA devido à recessão inflacionária resultante da guerra por ele desencadeada, que de qualquer forma já é impopular no seu próprio país, poderá tentar encurtar a duração da guerra recorrendo à medida drástica de utilizar armas nucleares táticas contra o Irão. Os EUA são o único país do mundo que alguma vez lançou armas nucleares contra outro país e James Galbraith, o conhecido economista norte-americano, menciona pelo menos três ocasiões em que foram dissuadidos por conselhos internos de repetir essa catástrofe (The Delphi Initiative, 9 de março).

A menos que o mundo se oponha firmemente ao governo dos EUA e manifeste a sua oposição inequívoca à guerra que este iniciou, bem como ao seu cínico desprezo pelo direito internacional, uma repetição dessa medida drástica poderá surgir como uma possibilidade real.

15/Março/2026
[*] Economista, indiano, ver Wikipedia
Este artigo encontra-se em resistir.info
Comentários em https://t.me/resistir_info

EM TEMPO: As manifestações contra o governo Trump já estão ocorrendo em grande escala nos EUA. Vide texto abaixo. 

sábado, 28 de março de 2026

Milhões saem às ruas contra Trump num dos maiores protestos da história dos Estados Unidos

Estima-se que até 9 milhões de pessoas tenham ido às ruas contra a destruição da democracia, a guerra contra o Irã e a estupidez da extrema-direita

28 de março de 2026

Protestos contra Trump levaram milhões às ruas (Foto: Reuters)



 








Redação Brasil 247

247 – Milhões de pessoas tomaram as ruas dos Estados Unidos e de diversos países neste sábado (28) em uma das maiores jornadas de protesto da história recente contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sob o lema “No Kings” (“Sem reis”), as manifestações denunciaram o avanço autoritário da Casa Branca, a escalada militar contra o Irã, a repressão a imigrantes e o ambiente de deterioração democrática impulsionado pela extrema-direita. As informações são da CBS News e da Associated Press. Estima-se que os protestos tenham reunido 9 milhões em vários estados.

Os atos ocorreram nos 50 estados norte-americanos, com mais de 3.100 eventos registrados, além de mobilizações em mais de uma dezena de países. Organizadores estimaram que até 9 milhões de pessoas participaram das manifestações, evidenciando a amplitude da rejeição ao trumpismo e às suas políticas consideradas agressivas e antidemocráticas. 

Minnesota se torna símbolo da resistência

O principal foco dos protestos foi St. Paul, em Minnesota, estado que se tornou um centro de resistência após a morte de Renee Good e Alex Pretti, atingidos por agentes federais durante ações ligadas à política migratória do governo Trump. O episódio desencadeou revolta popular e mobilizações contínuas.

Milhares de pessoas ocuparam o entorno do Capitólio estadual, formando uma multidão que se estendia por ruas e áreas públicas. Muitos manifestantes carregavam bandeiras dos Estados Unidos invertidas, um símbolo histórico de alerta e angústia nacional.

O músico Bruce Springsteen foi a principal atração do ato e apresentou a canção “Streets of Minneapolis”, composta em resposta às mortes. Antes da apresentação, ele afirmou: "A força de vocês e o compromisso de vocês nos mostraram que isto ainda é a América" e acrescentou: "E este pesadelo reacionário, e essas invasões de cidades americanas, não vão prevalecer."

O evento também contou com a presença de Joan Baez, Jane Fonda e do senador Bernie Sanders, além de ativistas e lideranças políticas. Segundo os organizadores, mais de 200 mil pessoas participaram do ato em St. Paul, superando os números da Marcha das Mulheres de 2017. 

Protestos se espalham por todo o país

As manifestações ocorreram em grandes cidades como Nova York, Chicago, Filadélfia e Washington, mas também em pequenas localidades de estados conservadores, demonstrando que a oposição ao governo Trump se espalha por diferentes regiões do país.

Em Filadélfia, milhares de pessoas ocuparam o centro da cidade e interromperam o trânsito. Em Chicago, organizações civis lideraram grandes atos. Em San Diego, cerca de 40 mil pessoas participaram de uma marcha, segundo autoridades locais.

Na capital Washington, manifestantes caminharam do Lincoln Memorial até o National Mall com cartazes como “Abaixe a coroa, palhaço” e “A mudança de regime começa em casa”, entoando palavras de ordem contra o autoritarismo. 

Críticas à política de Trump e reação oficial

Entre as principais reivindicações estavam o fim da guerra no Irã, a reversão de políticas migratórias consideradas agressivas e a defesa de direitos civis, incluindo os da população transgênero.

A diretora executiva da New York Civil Liberties Union, Donna Lieberman, afirmou durante coletiva: "Eles querem que tenhamos medo, que acreditemos que não há nada que possamos fazer para detê-los" e completou: "Mas sabem de uma coisa? Eles estão errados — completamente errados."

A Casa Branca reagiu minimizando os protestos. A porta-voz Abigail Jackson declarou: "As únicas pessoas que se importam com essas sessões de terapia contra Trump são os repórteres pagos para cobri-las." 

Ironia e criatividade contra o autoritarismo

Os atos também foram marcados por ações criativas. Em Washington, um grupo fantasiado de insetos usava coletes com a sigla “LICE”, em referência ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), em tom de sátira.

O participante Bill Jarcho explicou: "O que oferecemos é zombaria ao rei" e acrescentou: "Trata-se de pegar o autoritarismo e ridicularizá-lo, algo que eles detestam."

Segundo os organizadores, dois terços dos participantes vieram de regiões fora dos grandes centros urbanos, incluindo estados tradicionalmente conservadores, o que indica uma ampliação da base de oposição ao governo Trump. 

Mobilização global contra Trump e a guerra

Os protestos também ocorreram em diversos países. Em Roma, milhares marcharam contra políticas conservadoras e em defesa da democracia. Em Paris, centenas de pessoas — incluindo norte-americanos residentes na França — se reuniram na Bastilha.

A organizadora Ada Shen declarou: "Eu protesto contra todas as guerras intermináveis de Trump, ilegais, imorais, imprudentes e irresponsáveis."

Em Londres, manifestantes exibiram cartazes como “Parem a extrema-direita” e “Levantem-se contra o racismo”, associando a guerra no Irã ao avanço de forças ultrarreacionárias. 

Um movimento de massa contra a extrema-direita

A dimensão dos protestos revela um cenário de forte contestação ao governo Trump. Para milhões de pessoas, suas políticas representam uma ameaça direta à democracia, aos direitos civis e à estabilidade global.

A mobilização “No Kings” se consolida, assim, como um dos maiores movimentos de contestação popular da atualidade, reunindo multidões contra a guerra, o autoritarismo e o avanço da extrema-direita nos Estados Unidos e no mundo.

Assista o vídeo; https://www.youtube.com/watch?v=NEf2lysvPlY


sexta-feira, 27 de março de 2026


 

Mãe de crianças mortas em escola bombardeada no Irã lembra última conversa: 'Venha nos buscar na escola'

Fala aconteceu em uma reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta (27). Ataque a escola foi cometido por erro militar, segundo mídia dos EUA.

Por Redação g1

27/03/2026

·         Uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio que atingiu a escola em Minab, no sul do Irã, no primeiro dia de ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel.

·         Mohaddeseh Fallahat cobrou justiça e relembrou a última frase que ouviu das crianças antes da tragédia: “Venha nos buscar depois da escola”.

·         A fala foi feita em uma reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta-feira (27).

·         O ataque deixou cerca de 175 mortos, entre crianças e professores, e é alvo de disputa de versões entre Irã e Estados Unidos.

·         Fallahat fez um depoimento emocionado e descreveu o vazio deixado pela morte dos filhos, Amin e Mehdi.



Mãe iraniana pede justiça para ataque de EUA e Israel que matou mais de 150 crianças. — Foto: Reprodução/ONU

Uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio que atingiu a escola em Minab, no sul do Irã, no primeiro dia de ataques conjuntos de Estados Unidos e IsraelMohaddeseh Fallahat cobrou justiça e relembrou a última frase que ouviu das crianças antes da tragédia: “Venha nos buscar depois da escola”.

A fala foi feita em uma reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta-feira (27). O ataque deixou cerca de 175 mortos, entre crianças e professores, e é alvo de disputa de versões entre Irã e Estados Unidos.

"Aquela manhã foi como qualquer outro dia. Era normal para mim arrumar os sapatos deles na porta, pentear seus cabelos e colocar as mochilas em seus ombros. Não havia sinal de que seria a última vez", declarou Fallahat.

Fallahat fez um depoimento emocionado e descreveu o vazio deixado pela morte dos filhos, Amin e Mehdi. Ao saírem de casa, os filhos disseram apenas que ela fosse buscá-los depois da aula — frase que, segundo ela, se repete “mil vezes” em sua mente.

“Hoje, ao passar pelo quarto deles, sinto vontade de abrir a porta e vê-los como sempre. Mas o quarto está silencioso. Muito mais silencioso do que uma casa deveria ser”, afirmou.

A mulher disse que ainda guarda roupas compradas para o Ano Novo e cadernos que ficaram inacabados. Para ela, os filhos tiveram sonhos interrompidos de forma abrupta.

“Não sou apenas uma mãe enlutada. Sou a voz de todas as mães que enviaram seus filhos à escola acreditando na segurança”, declarou.

A mulher pediu que a tragédia não seja esquecida e que os responsáveis sejam punidos. “Não por vingança, mas por justiça”, disse.

Entenda o contexto:

quinta-feira, 26 de março de 2026

IBGE: 18,5% dos adolescentes dizem que a 'vida não vale a pena'

Pesquisa mostra que índice entre meninas é mais que o dobro do registrado entre meninos no Brasil


IBGE: 18,5% dos adolescentes dizem que a 'vida não vale a pena' (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)



 





Por Guilherme Levorato

247 - A saúde mental de adolescentes brasileiros acende um sinal de alerta, com uma parcela significativa relatando perda de sentido na vida. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 indicam que 18,5% dos jovens entre 13 e 17 anos afirmaram que a vida “não vale a pena ser vivida” na “maioria das vezes” ou “sempre” nos 30 dias anteriores ao levantamento. 

O estudo evidencia uma forte desigualdade entre os sexos. Enquanto 25% das meninas relataram esse sentimento, o percentual entre os meninos foi de 12%, ou seja, menos da metade. A pesquisa também investigou outros aspectos emocionais e comportamentais, reforçando o cenário de maior vulnerabilidade entre as adolescentes.

Tristeza e pensamentos de autolesão

A sensação frequente de tristeza foi relatada por 28,9% dos estudantes. Entre as meninas, o índice chega a 41%, contrastando com 16,7% entre os meninos. A diferença expressiva também aparece na avaliação sobre irritação e instabilidade emocional.

Ao todo, 42,9% dos adolescentes disseram se sentir “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa”. Entre as meninas, o percentual sobe para 58,1%, mais que o dobro dos 27,6% registrados entre os meninos.

Outro dado que chama atenção é a vontade de se machucar intencionalmente. Segundo a pesquisa, 32% dos jovens relataram ter tido esse pensamento nos 12 meses anteriores ao levantamento. Entre as meninas, o índice atinge 43,4%, enquanto entre os meninos é de 20,5%.

Avanços não eliminam o problema

Apesar do cenário preocupante, a pesquisadora e psicóloga Danielle Monteiro observa que houve melhora em alguns indicadores em relação à edição de 2019. “Chama a atenção que, apesar de a pesquisa realizada em 2024 estar localizada temporalmente em um mundo pós-pandêmico da COVID-19, quatro dos seis indicadores já existentes na edição da PeNSE em 2019 apresentaram queda em seus resultados gerais”, afirmou.

Ainda assim, a especialista ressalta que os níveis continuam elevados. “Os indicadores pesquisados ainda apresentaram resultados negativos superiores a muitos encontrados na literatura em questões avaliativas de sentimentos de ansiedade e de depressão”, alertou. 

Insatisfação com a imagem corporal

A pesquisa também aponta queda contínua na satisfação com a própria aparência entre adolescentes. Em 2024, 58% dos estudantes disseram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o próprio corpo, número inferior aos 66,5% registrados em 2019 e aos 70,2% de 2015.

Por outro lado, 27,2% declararam estar insatisfeitos ou muito insatisfeitos, enquanto 14% relataram indiferença em relação à própria imagem. Entre as meninas, a insatisfação alcança 36,1%, quase o dobro dos 18,2% observados entre os meninos.

Diante desse quadro, Danielle Monteiro defende ações específicas voltadas à saúde mental juvenil. “Toda essa análise aponta que o Brasil precisa investir na saúde mental dos adolescentes, em especial, na saúde das meninas; a criação de políticas públicas que contemplem essas diferenças entre os sexos é importante e urgente para que as mulheres do País possam manter seu bem-estar e sua capacidade inegável de contribuição para a economia, para a sociedade e para o Estado brasileiro”, concluiu.

EM TEMPO - Aspectos a analisar: 1 - Apesar dessa constatação não ser animadora, o Brasil é o 7º país mais feliz do mundo; 2 - O capitalismo incentiva as pessoas a não serem solidárias: 3 - Questões sociais e econômicas; 4 - Lares desfeitos em demasia; 5 - Estupro de meninas e de meninos; 6 - Violência doméstica e externa; 7 - Alto grau de competitividade; 8 - Doenças e clima; 9 - Excesso de acesso a internet; 10 - As guerras diante da incapacidade da população de impedi-las; 11 - Pouca leitura leva a população a absorver facilmente a ideologia das classes dominantes; 12 - Má escolha tanto quanto aos amores, quanto aos políticos; 13 - As drogas, dentre outros. Na realidade a ruindade impera no mundo. É uma epidemia. A construção de uma nova sociedade solidária, igualitária e socialista, constitui-se num imperativo para a humanidade. Ok, Moçada!

 


terça-feira, 24 de março de 2026

PCB: 104 anos de uma história de lutas

 


 

Jornal O Poder Popular

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) completa, em 25 de março de 2026, 104 anos de existência. Trata-se de uma data histórica porque representa mais de um século de trajetória do mais antigo operador político do país, que esteve presente em todas as lutas do proletariado brasileiro nesse período. Mesmo atuando a maior parte de sua existência na clandestinidade, o PCB nunca deixou de influir na sociedade brasileira e, por isso mesmo, produziu os maiores heróis populares do século XX.

A trajetória do centenário Partido Comunista Brasileiro (PCB) é parte constitutiva da história do Brasil. O PCB nasceu em consequência das lutas operárias que vinham se desenvolvendo desde o final do século XIX no Brasil e que se ampliaram entre 1917 e 1920 sob influência da vitoriosa revolução bolchevique na Rússia.

Se, na sua gênese, convergiram os ideais libertários do nascente proletariado, no seu desenvolvimento e consolidação foram sintetizados os processos de maturação de uma organização política que buscava (e ainda busca até hoje) conjugar em suas fileiras os mais destacados militantes das lutas dos trabalhadores, das trabalhadoras e representantes da intelectualidade e da cultura brasileira.

Quando se tornou um verdadeiro partido de dimensões nacionais, após a Segunda Guerra Mundial, o PCB revelou-se como a instância de universalização de uma vontade política que fundia o mundo do trabalho com o mundo cultural. Nossos e nossas camaradas se destacaram nos campos da ciência, da literatura, das artes plásticas, da música, da cultura em geral, da televisão e do futebol, ressaltando-se ainda que a grande maioria das conquistas das trabalhadoras e dos trabalhadores brasileiros tem a digital do PCB.

Por tudo isso, pode-se dizer tranquilamente que o PCB é parte do processo civilizatório brasileiro e, como disse o poeta Ferreira Gullar, quem escrever a história do Brasil e das lutas de nosso povo e não falar do PCB estará mentindo.

Ao longo da nossa trajetória pagamos um alto preço pela ousadia de estar incondicionalmente atuando junto aos trabalhadores e às trabalhadoras, na luta contra o imperialismo, pela revolução brasileira e o socialismo. A burguesia nunca nos perdoou por essa ousadia e, por isso mesmo, nos perseguiu de maneira brutal ao longo de várias décadas. Inúmeras vezes as classes dominantes e seus regimes ditatoriais, os fracionistas e os inimigos do povo tentaram acabar com o PCB, mas não conseguiram porque o Partido é parte da classe trabalhadora brasileira e, a cada ataque, consegue ressurgir mais temperado como uma fênix vermelha.

FOMOS, SOMOS E SEREMOS COMUNISTAS!

O PCB experimentou todas as formas de luta: organizou a insurreição armada de 1935, as guerrilhas camponesas de Trombas e Formoso e Porecatu; participou da fundação da UNE, das lutas da juventude brasileira e da campanha do Petróleo é Nosso; foi o principal organizador dos sindicatos urbanos e do campo, além das federações, confederações e centrais sindicais nacionais até antes do golpe de 1964; participou da luta institucional no Parlamento e nas entidades sociais e políticas; resistiu na clandestinidade a duas ditaduras e segue firme na luta pela construção da sociedade socialista no Brasil.

Sempre atuou em todas as lutas pelos direitos do conjunto do povo brasileiro e segue firme nas batalhas da classe trabalhadora, de negros e negras contra o racismo, das mulheres contra o machismo, a misoginia e o feminícidio, das LGBTs contra as opressões, dos povos indígenas pela demarcação de suas terras, nos movimentos antimanicomiais e anticapacitistas, nas ocupações, retomadas, bairros proletários e territórios, pelo direito à terra, à moradia, ao acesso pleno à saúde, educação, cultura, transportes, cultura e a uma vida plena.

Nós, militantes do PCB, da Unidade Classista, União da Juventude Comunista, do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Coletivo Negro Minervino de Oliveira e Coletivo LGBT Comunista, sentimos muito orgulho dessa história e procuramos honrar as lutas dos e das camaradas de todas as gerações, que deram o melhor de suas vidas para manter vivo e atuante o nosso Partido.

Por isso, olhamos com otimismo o futuro e seguiremos firmes combatendo a burguesia e o imperialismo, organizando os trabalhadores e as trabalhadoras contra o sistema capitalista e mantendo bem alto a bandeira do poder popular, da revolução brasileira e do socialismo, rumo a uma sociedade sem classes, sem exploração e livre das opressões: o comunismo.

LONGA VIDA AO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO! É IMPOSSÍVEL ACABAR COM O PARTIDÃO

PELO PODER POPULAR, PELO SOCIALISMO, RUMO AO COMUNISMO!

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Pressionado e isolado, Trump recua e suspende ataques ao Irã

Presidente dos Estados Unidos relatou “conversas muito boas e produtivas” com Teerã nos últimos dois dias

23 de março de 2026

Donald Trump (Foto: Daniel Torok/Casa Branca)



 





Por Guilherme Levorato (Jornalista)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerã avançaram em negociações para encerrar as hostilidades no Oriente Médio, após dois dias de conversas classificadas por ele como produtivas. Em meio ao diálogo, Trump decidiu adiar por cinco dias uma possível ofensiva militar contra instalações energéticas iranianas, sinalizando uma tentativa de reduzir a escalada do conflito.

A declaração foi feita pelo próprio presidente em uma publicação nas redes sociais, após reuniões realizadas ao longo do fim de semana. Ele destacou que a decisão foi influenciada pelo tom das negociações em curso.

Em mensagem escrita em letras maiúsculas, Trump declarou: “Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o país do Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”.

O presidente dos Estados Unidos também afirmou que determinou a suspensão temporária das ações militares. “Com base no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iraniana por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, escreveu.

A decisão ocorre após uma escalada de tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Trump havia ameaçado lançar ataques já na noite desta segunda-feira (23) caso o Irã não permitisse a reabertura da passagem marítima.

Dias antes, o presidente havia demonstrado resistência à ideia de um cessar-fogo. “Podemos ter diálogo, mas não quero fazer um cessar-fogo”, afirmou na sexta-feira, indicando uma postura mais dura naquele momento.

A mudança de posição, agora condicionada ao avanço das negociações diplomáticas, sugere uma tentativa de abrir espaço para um acordo mais amplo que reduza o risco de confronto direto na região.

EM TEMPO: A população do mundo inteiro seja civil, seja militar, está indefesa e sujeita aos tiranos. A letra da música de Geraldo Vandré, "Para não dizer que falei das Flores", está atualizadíssima nos dias de hoje. Além das dificuldades do dia a dia pela sobrevivência, deparamo-nos com os causadores de problema, os neonazistas e psicopatas, os quais põem em risco a soberania das nações e a sua população.  Recentemente o Presidente da Argentina, Javier Milei, submisso que é a Trump, colocou-se a disposição dos EUA para guerrear contra o Irã. Ainda bem que aqui no Brasil escapamos de Bozo, o qual certamente iria nos causar problema contra a Venezuela. O que se sabe é que Trump está preso a Netanyahu. Primeiro Ministro de Israel, mas que ao atacar, destruir, matar crianças, civis, militares e líderes do Irã, não esperavam a resposta bélica do Irá, a qual está provocando nova arrumação na geopolítica mundial, além de destruição parcial do aparato bélico de Israel e dos EUA. Além dos problemas econômicos. Considerando que Trump não é confiável, o Irã deve apresentar uma série de reivindicações para encerrar a guerra, além da reposição dos prejuízos materiais causados  pela coalizão militar EUA e Israel. Donde se conclui que apesar do poderio bélico dos EUA e Israel, a dupla do mau levou muita "madeira de dar em doido", provocando o récuo   parcial de Trump .  Ok, Moçada!

domingo, 22 de março de 2026

REESTATIZAÇÃO DA BR DISTRIBUIDORA. LULA PRECISA COMPRAR ESTA BRIGA.

Editorial Brasil 247  

A escalada dos preços dos combustíveis no Brasil, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelos desdobramentos da guerra total no Oriente Médio, escancarou uma fragilidade estratégica que o país não pode mais ignorar.

O governo federal, na figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já demonstrou sensibilidade ao anunciar medidas emergenciais.

O decreto que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e a criação de um subsídio de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores são ações necessárias para aliviar o bolso do consumidor e conter os efeitos da volatilidade externa. No entanto, tratam-se de paliativos.

O problema de fundo permanece intocado: a perda de controle sobre a cadeia de distribuição de combustíveis.

O diagnóstico foi feito pelo próprio presidente ao visitar a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. Lula foi enfático ao afirmar que, sem a BR Distribuidora sob controle estatal, o governo perde a capacidade de impedir que os reajustes — ou a falta deles — cheguem de forma distorcida ao consumidor final.

A lógica é cruelmente simples: a Petrobras define um preço, e as distribuidoras privadas, que hoje dominam o setor após a privatização conduzida no governo Bolsonaro, têm a liberdade de repassar esse valor como bem entendem.

E os fatos têm dado razão a essa preocupação. Há reiterados relatos e análises de mercado indicando que as reduções de preços anunciadas pela estatal nem sempre são integralmente repassadas aos postos. Quando ocorrem, chegam de forma parcial e tardia. Eventuais aumentos na cotação internacional ou na refinaria são transmitidos com velocidade impressionante ao varejo, ferindo a lógica da concorrência e penalizando o consumidor.

Incidem, ao subir, também sobre estoques comprados a preços inferiores.

Não se trata de uma percepção isolada. O deputado Rui Falcão (PT-SP) denunciou recentemente casos de postos que aumentaram os preços duas vezes no mesmo dia, sem que houvesse qualquer alteração nos custos da Petrobras, classificando a situação como “caso de polícia”.

É nesse cenário de assimetria e especulação que a reestatização da BR Distribuidora — hoje Vibra — emerge como imperativo de soberania nacional. O movimento já começa a ganhar corpo no Congresso Nacional. O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai, está à frente da coleta de assinaturas para a criação de uma frente parlamentar mista pela reestatização da distribuidora e das refinarias vendidas na gestão anterior. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) já integra essa articulação, reforçando a tese de que a integração entre produção, refino, logística e distribuição é essencial para garantir estabilidade e preço justo.

Como destaca o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, a discussão sob
re a comercialização de combustíveis está diretamente relacionada ao papel estratégico da integração da cadeia petrolífera nacional.

Em um país de dimensões continentais, onde o transporte rodoviário é a espinha dorsal da economia e onde o diesel impacta diretamente o preço dos alimentos e o custo de vida da população, abrir mão do controle público sobre elos tão sensíveis é um risco que não se justifica. Está em xeque todo o esforço de controle da inflação desenvolvido pelo presidente Lula e pelas autoridades econômicas.

Há, evidentemente, um obstáculo jurídico a ser transposto: a cláusula de não concorrência que impede a Petrobras de atuar no varejo até 2029, resquício do contrato de venda da BR. Mas, como bem lembrou Lula ao falar sobre a compra da refinaria de Mataripe, na Bahia, “vamos comprar de volta. Pode demorar um pouco, mas nós vamos”. O mesmo ímpeto da desejada soberania no refino precisa ser aplicado à distribuição. Seja pela via da recompra direta, seja pela criação de uma nova estatal que atue como agente regulador de preços e garantidora da concorrência, o governo precisa comprar essa briga.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acaba de divulgar um estudo revelador sobre o setor. A pesquisa aponta que a concentração na revenda de combustíveis é disseminada em todo o território nacional, especialmente em municípios de menor porte, e os níveis de controle societário são ainda mais elevados do que o consumidor percebe. Isso significa que, em grande parte do país, a “concorrência” é uma ficção. Sem um agente público forte atuando nesse mercado, o caminho natural é a coordenação de preços e a imposição de margens abusivas.

A situação criada pela guerra no Oriente Médio veio para ficar, assim como as oscilações do preço do petróleo.

A autonomia energética em toda a cadeia mostra-se instrumento vital para a existência soberana das nações. O país não pode se omitir de identificar suas vulnerabilidades nesse novo contexto e tem todas as razões e meios para saná-las.

O Brasil tem a vantagem de ser um grande produtor, mas perdeu a ferramenta essencial para garantir que essa vantagem seja convertida em benefício social. A reestatização da BR Distribuidora não é uma ideia saudosista; significa a recuperação de um instrumento de política energética, de defesa da soberania e de defesa do consumidor.

O governo já paga subsídios bilionários para segurar o preço do diesel. Fazê-lo sem ter o controle do elo final da cadeia é como tentar encher um balde furado.

Lula já comprou a briga pela retomada das refinarias. Agora, é preciso estender o campo de batalha para a distribuição. A soberania energética do Brasil, a segurança dos negócios e o bolso dos trabalhadores dependem disso.