domingo, 13 de setembro de 2026

Lula defende soberania sobre petróleo e terras raras e alerta para eleição: “O Brasil está em jogo”

Em live neste domingo (13), presidente falou sobre petróleo, terras raras e disputa eleitoral

Conteúdo postado por: João Antonio Cunha.  Publicado em 13 de setembro de 2026

Presidente Lula. Crédito: Reprodução Youtube

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante uma live neste domingo (13), que as eleições deste ano colocam em discussão diferentes projetos para o futuro do Brasil. Ao abordar o controle sobre riquezas nacionais, Lula questionou qual país os brasileiros desejam construir.

“Qual é o futuro que você deseja para o Brasil? Um país em que o petróleo seja nosso ou um país em que aconteça o que aconteceu na Venezuela?”, perguntou o presidente. Na sequência, Lula direcionou a discussão para os minerais críticos e as terras raras, defendendo que esses recursos sejam controlados e processados no próprio país.

“Um país em que os minérios críticos e as terras raras sejam nossos, explorados por nós, refinados por nós, industrializados por nós, ou você vai permitir que as empresas americanas venham tomar as nossas riquezas minerais?”, afirmou.

O presidente também falou sobre a formação da população brasileira ao defender uma visão de país baseada na democracia e no desenvolvimento: “Um povo que é o resultado de uma miscigenação extraordinária, uma mistura de indígenas, de negros e de europeus que deu em nós, na nossa beleza, na nossa alegria, no nosso jeito de andar, de cantar, de jogar futebol, no nosso jeito de fazer política.”

Lula então voltou a relacionar a discussão às escolhas políticas que estarão em jogo nas eleições deste ano. “É isso que você tem que pensar, porque é isso que está em jogo, meu caro: é que tipo de Brasil você deseja.”

Ao abordar diretamente os candidatos, o presidente afirmou: “Você tem candidato que parece um capataz de fazenda no tempo da escravidão. Você tem candidato que nasceu no meio da milícia.”

Assista a Live:

https://www.youtube.com/watch?v=xDamLSaf5BQ

sábado, 12 de setembro de 2026

Lula: governo Bolsonaro transformou Vorcaro de ‘agiota’ em ‘banqueiro’

Em Curitiba, presidente relacionou gestão Bolsonaro a Vorcaro e defendeu transparência na investigação do Master

Conteúdo postado por: João Antonio Cunha

Publicado em 12 de setembro de 2026

Presidente Lula.  Crédito: Ricardo Stuckert



 

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (12), durante ato de campanha em Curitiba, que o governo do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL) foi responsável por transformar Daniel Vorcaro em banqueiro. O presidente também afirmou que seu governo foi responsável pela prisão do empresário e pelo fechamento do Banco Master.

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“Em 2019, eles pegaram um agiota e o transformaram em um banqueiro. O tal do banco Master, que tem esse Vorcaro, que corrompeu muita gente da República. Eles criaram um banqueiro e nós prendemos esse banqueiro. Eles abriram um banco e nós fechamos esse banco”, disse o presidente durante o discurso.

Lula também relatou ter conversado com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, sobre a necessidade de tornar públicos os elementos da investigação relacionada ao Banco Master.

Sem citar diretamente o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, Lula afirmou que não seria possível a um relator “ficar soltando matérias pensadas” e divulgar “somente aquilo que interessava a ele”.

“Eu pedi para liberar todo o processo. E vamos deixar às claras para ver quem é de verdade ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa. Estou feliz que o povo brasileiro vai saber a verdade. Quem fez o quê nesse país”, disse.

Lula fala em novas revelações sobre Vorcaro

O presidente afirmou ainda que as investigações sobre Daniel Vorcaro devem trazer novos detalhes sobre a relação do empresário com integrantes da política.

“Nós vamos investigar. O Vorcaro já está preso, mas agora vão começar a aparecer as orgias que ele fazia, as mulheres da Suíça, da Suécia, para fazer sacanagem com muita gente da política. Isso vai começar a aparecer. Portanto, quem fez putaria vai ser desmascarado”, declarou.

Durante o discurso, Lula também mencionou as investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva. O presidente afirmou que não haverá proteção caso ele tenha cometido algum erro.

“Eu acredito na inocência dele, mas, se ele cometeu um erro, ele terá que pagar pelo erro que cometeu. Isso vale para mim, vale para o meu filho, vale para qualquer ministro da Suprema Corte. Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico”, disse.

Lula também relacionou o governo Bolsonaro às fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com o presidente, a “quadrilha” responsável pelo esquema teria sido montada durante a gestão anterior.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=H2fYn-YXdoE&t=10s

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Lula emerge mais forte de uma semana difícil

O presidente Lula chega à semana decisiva antes do primeiro turno com a liderança preservada, a aprovação em alta e o adversário obrigado a explicar

Por  Miguel do Rosário

Jornalista e editor do blog O Cafezinho. 

Publicado em 11 de setembro de 2026

 
Crédito: Ricardo Stuckert/PR








Depois de uma semana extremamente dura para o presidente Lula, marcada por reveses em algumas pesquisas e pela dificuldade de encontrar um tom diante da crise no Supremo, o balanço de sexta é relativamente bom para o Planalto. O Datafolha divulgado hoje mantém o presidente na liderança do primeiro turno e lhe devolve uma vantagem numérica no segundo, com efeito psicológico importante para a campanha, para a militância e para toda a frente democrática e popular que o sustenta.

Foi um alívio. E justamente por isso o maior erro da campanha de Lula, daqui para a frente, será relaxar e achar que está tudo bem porque o presidente aparece 2 pontos à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Dois pontos são empate. Assim como não devemos ficar aflitos quando Flávio surge 1 ou 2 pontos na frente em alguma pesquisa, tampouco podemos ficar tranquilos quando Lula aparece com a mesma vantagem, porque estatisticamente é idêntico.

Na minha humilde opinião, a direção da campanha está errada. Ela não aponta para o futuro e não trabalha para oferecer ao eleitor a expectativa de algo novo.

A tese de sistema contra antissistema, e a ideia de que a esquerda defende as instituições enquanto a direita as ataca, me parece uma tremenda besteira. O povo nunca foi e nunca será amigo de black blocs, mas gosta das instituições apenas na medida em que elas lhe oferecem coisas boas, o que é óbvio.

O problema da campanha, portanto, não passa pela defesa ou não das instituições, nem pela posição a favor ou contra o sistema. Está em oferecer o novo, o ousado, e volto a repetir o que venho dizendo há meses, quiçá anos: ferrovias e energia solar.

Conversei há pouco com uma pessoa da direção da campanha e saí apreensivo. Ouvi que também se queria defender o VLT e a ferrovia, mas que isso “não foi aprovado”.

Como assim não foi aprovado? O PT está tocando a maior obra de mobilidade urbana da América Latina, o VLT de Salvador, com dinheiro do governo Lula, e a direção da campanha acha que o governo não deve colocar trilhos como uma de suas bandeiras?

Além de não defender a ferrovia, o presidente vai esconder o que faz? Esconder uma obra dessas, na Bahia, em plena campanha, é desperdiçar o único argumento que a direita não tem como copiar, o de que a esquerda oferece, com ações concretas, expectactivas e sonhos de futuro.

Feito o alerta, vamos aos fatos. O maior susto da semana veio na terça-feira, 8 de setembro de 2026, quando o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, afastou por liminar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada, atendendo a um pedido do partido Novo.

A Segunda Turma formou maioria em minutos, com Fux e Nunes Marques, até que Gilmar Mendes pediu vista. O país assistiu, a menos de um mês da eleição, a uma intervenção judicial sobre o comando da PF que a Advocacia-Geral da União classificou como invasão da competência exclusiva do presidente da República.

O elefante foi retirado da sala, felizmente, no dia seguinte. O presidente do Supremo, Edson Fachin, anulou tanto a liminar de Mendonça quanto a decisão de Flávio Dino que a havia revertido horas antes, manteve Andrei Rodrigues no cargo e convocou sessão extraordinária do plenário para a terça-feira, 15 de setembro de 2026.

Haverá novos embates na semana que vem, mas a natureza da briga mudou. O que se anuncia agora é um duelo entre ministros, Mendonça de um lado e Alexandre de Moraes do outro, sem envolver tanto o governo e sem tocar na estrutura da polícia que investiga o próprio banco de Daniel Vorcaro.

É nesse cenário que chega o Datafolha desta sexta-feira. No primeiro turno, Lula tem 39% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro, numa pesquisa em que os dois subiram, o presidente em 1 ponto e o senador em 2, em relação ao levantamento de 3 de setembro de 2026.

Augusto Cury caiu de 8% para 6%. Ronaldo Caiado tem 4%, Renan Santos 3% e Romeu Zema 2%, enquanto brancos e nulos somam 6% e indecisos 4%.

Pela primeira vez neste ciclo, o instituto divulgou também os votos válidos. Nessa régua, que é a da urna, Lula chega a 43% e Flávio a 38%, uma distância de 5 pontos que o próprio Datafolha descreve como vantagem provável do petista, ainda que nos limites da margem de erro.

No segundo turno, o quadro é de empate técnico com o presidente à frente. Lula tem 46% e Flávio 44%, os mesmos números de 3 de setembro de 2026, com brancos e nulos recuando de 9% para 8% e os indecisos de 2% para 1%.














O senador não avança nem quando o eleitorado se decide. Em 18 de agosto de 2026 o placar era 47 a 43, e desde então Flávio ganhou 1 ponto e parou. 

Nos outros cenários de segundo turno, o presidente vence todos os adversários testados. Ele faz 46% contra 41% de Caiado, 48% contra 39% de Zema, 48% contra 37% de Renan Santos e 45% contra 43% de Cury, que pela primeira vez foi incluído numa simulação de segundo turno pelo instituto.

Na pesquisa espontânea, aquela em que nenhum nome é apresentado ao eleitor, Lula subiu de 31% para 33% e Flávio de 22% para 25%. A rejeição permanece empatada, com 46% dizendo que não votariam de jeito nenhum em cada um dos dois, num movimento em que o senador cedeu 1 ponto e o presidente ganhou 1.

A notícia mais importante da pesquisa, porém, está na aprovação do governo. Ela subiu 2 pontos em uma semana, de 45% para 47%, enquanto a desaprovação recuou de 51% para 50% e os que não sabem avaliar caíram de 4% para 3%.

Para um presidente que tenta a reeleição, esse é o fator decisivo, mais do que qualquer cenário de voto. Uma alta de 2 pontos parece pequena, mas indica um movimento do eleitorado na direção de Lula justamente na semana em que tudo conspirava contra ele.

Na avaliação qualitativa, os que consideram o governo ótimo ou bom passaram de 31% para 32%, os que o julgam ruim ou péssimo seguem em 42% e os que o veem como regular permanecem em 25%. A diferença entre desaprovação e aprovação, que era de 6 pontos em 3 de setembro de 2026, encolheu para 3.

Um patamar de 47% de aprovação basta para ganhar uma eleição. Quem desaprova um governo nem sempre vai às urnas para puni-lo, ao passo que quem aprova tende a comparecer e a votar pela continuidade.

Por isso esse índice costuma andar colado ao voto do candidato no segundo turno, e às vezes até no primeiro. Os 47% de hoje ficam a apenas 1 ponto dos 46% que o Datafolha atribui a Lula contra Flávio.

O levantamento ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais, presencialmente, entre 8 e 10 de setembro de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança. Registrada no TSE sob o número BR-01833/2026, a pesquisa custou R$ 307.641,60, pagos pela Empresa Folha da Manhã, que edita a Folha de S.Paulo, e pela Globo Comunicação e Participações.

A semana terminou melhor para o presidente também porque o eixo do escândalo se deslocou. Ao levantar parcialmente o sigilo dos autos da Operação Compliance Zero, por cobrança pública de Lula e ordem de Fachin, o STF transformou em documento oficial o que até então circulava por vazamentos sorrateiros e seletivos para a imprensa.

Agora os dados são públicos, e são outros os nomes que aparecem. Os relatórios da Polícia Federal mostram que Flávio Bolsonaro é formalmente investigado desde julho de 2026 no inquérito sobre o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Segundo despacho do próprio Mendonça, o senador negociou diretamente com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões para a produção e fez, nas palavras do relator, cobranças incisivas pela liberação do dinheiro. Outro relatório da PF, com sigilo derrubado na noite desta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, descreve pagamentos mensais de R$ 500 mil do banqueiro a um ex-chefe de supervisão do Banco Central.

O mais assustador está numa decisão de Mendonça de 2 de março de 2026. Ali o ministro foi obrigado a admitir que o Banco Master movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões em operações de câmbio para uma empresa suspeita de lavar dinheiro do PCC, como O Cafezinho mostrou nesta sexta em reportagem sobre os documentos liberados pelo STF.

Em outras palavras, o dinheiro que irrigou o banco de Vorcaro tem, segundo a PF, uma ponta no crime organizado e outra nos fundos de previdência de servidores. E é desse mesmo banco que saiu o financiamento cobrado pelo candidato da direita para o filme sobre o pai.

Lula chega à semana decisiva antes do primeiro turno com a liderança preservada, a aprovação em alta e o adversário obrigado a explicar, com documentos públicos, sua relação com os esquemas criminosos do Banco Master. A campanha ainda precisa achar o tom, mas a semana que parecia perdida terminou com o presidente mais forte.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Ameaças sincronizadas à reeleição do Lula

 

Colunista Jeferson Miola sugere que decisão de Flávio Dino conteve ofensiva de André Mendonça, mas alerta para novas frentes contra Lula

Por Jeferson Miola (Colunista do Brasil 247)

Jeferson Miola é articulista, colunista do Brasil 247, integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea) e ex-coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial.

Publicado em 10 de setembro de 2026

Lula, Flávio Dino e André Mendonça Crédito: Ricardo Stuckert/PR I Divulgação

A estratégia golpista da extrema-direita no STF com as manipulações de André Mendonça para impedir a reeleição de Lula e eleger Flávio Bolsonaro foi interceptada pelo contragolpe de Flávio Dino.

Apesar disso, no entanto, a dinâmica golpista não terminou; seus desdobramentos ainda são imprevisíveis, mas a reação a tempo deteve o curso dos acontecimentos antes que evoluíssem para um quadro irreversível e de consequências trágicas para nossa democracia.

Ainda que extremamente perigosa, esta não é a única ameaça à reeleição do presidente Lula. E ela se sincroniza com outras ameaças que, ainda que possam ter centros de comando distintos, confluem no objetivo comum de derrotar Lula, inclusive por meio de operações criminosas.

A ameaça do golpe no STF

Ao longo dos meses como relator que conduziu de modo enviesado os casos Master e INSS, André Mendonça conseguiu a proeza de fixar na opinião pública a ideia de que o governo Lula seria responsável pelos mega-escândalos de corrupção de bolsonaristas e aliados.

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro desapareceram do noticiário produzido com vazamentos criminosos originados no gabinete de Mendonça. E Fábio Luís passou a ser citado pela mídia como uma espécie de “CEO da corrupção” no Brasil.

Especialistas em pesquisas avaliam que a atuação de Mendonça pode ter sido o fator relevante que influenciou as pesquisas eleitorais e reacendeu a expectativa de vitória do bloco anti-Lula, que então animou um movimento comum de atores econômicos, midiáticos e políticos –não só bolsonaristas, mas sob a liderança bolsonarista– que projetam se beneficiar com a derrota do Lula.

A ameaça com a interferência estrangeira

A eleição do Brasil ocupa o centro das prioridades da extrema-direita internacional. Está havendo interferência direta dos EUA e de Israel no processo eleitoral com apoio interno de setores entreguistas e traidores que se apresentam como falsos patriotas.

A interferência se dá por meio de agências de inteligência, financiamentos clandestinos, ataques cibernéticos, “fazendas de robôs” etc, e não se descarta a possibilidade de que estrangeiros estejam atuando no território brasileiro a partir do Consulado dos EUA em São Paulo e da Embaixada em Brasília.

Alertas a esse respeito têm sido feitos com distintas ênfases e ângulos de abordagem por especialistas e analistas, e podem ser acessados em reportagens publicadas em portais de comunicação contra-hegemônicos.

A Globo com o fantasma da corrupção

Nas entrevistas do Jornal Nacional, a Rede Globo surpreendeu até mesmo alguns dos seus comentaristas honestos com a conduta escandalosamente faccional que adotou nas entrevistas com Lula e Flávio Bolsonaro para produzir uma poderosa arma peça de propaganda anti-Lula.

Os entrevistadores foram condescendentes com as contradições e mentiras do gângster-filho, mas emparedaram Lula sobre o tema da corrupção a partir de dados vazados pelo gabinete de André Mendonça com o objetivo nítido de excitar o imaginário popular antipetista com a falsa imputação de corrupção.

A primeira tentativa grotesca da Globo neste ano de ressuscitar o fantasma da corrupção contra o PT para exploração eleitoral foi em março, quando repetiu a gangue da Lava Jato e apresentou um organograma das “conexões do Daniel Vorcaro” que tinha a fotografia do Lula como personagem central, cercado de outras figuras ligadas a ele e ao PT.

A fabricação do fenômeno Augusto Cury

Não há consenso entre analistas sobre o crescimento súbito e exponencial das intenções de voto em Augusto Cury nas pesquisas.

É consensual, no entanto, que tal crescimento foi fortemente impulsionado através das redes sociais. Não se descarta a possibilidade de apoio operacional de Pablo Marçal, ativista pró-bolsonarista, e de mecanismos da extrema-direita internacional nas plataformas com custos financeiros significativos não-rastreáveis.

O objetivo desta estratégia seria consolidar uma parcela expressiva de votos “independentes”, de eleitores “fora da polarização”, com valores e pautas mais associadas à direita para, no segundo turno, canalizar tais votos para Flávio Bolsonaro.

Flerte do PIB com Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro conseguiu estabelecer uma linha de diálogo com o PIB que se imaginava impossível, inclusive com empresários, banqueiros e rentistas supostamente refratários ao gângster, mas que passaram a se alentar com a possibilidade de vê-lo no Planalto.

As oligarquias dominantes são colonizadas, entreguistas e dilapidadoras, pensam unicamente no assalto desenfreado e desimpedido ao butim de Estado.
Essa escória não tem nenhum compromisso com um ideal de nação, igualdade e justiça social, e não hesitará em aderir à campanha do filho do Bolsonaro se ele se mostrar eleitoralmente viável, mesmo que isso represente jogar o país no precipício.

Desafios da campanha Lula para derrotar Trump, Bolsonaros e as oligarquias

De hoje a 4 de outubro serão os 24 dias mais decisivos e fundamentais da nossa história. A confluência de forças que militam pela derrota do Lula é poderosíssima, mas não invencível.

A campanha do Lula se multiplica em centenas de milhares de iniciativas militantes individuais e coletivas. E é multiplicada pelas quase duas mil candidaturas às Assembléias Legislativas, à Câmara e ao Senado.

Esse enorme contingente militante precisa ter como prioridade central ocupar o território de todo país, com metas de visitas do máximo de lares de brasileiros para conversar diretamente com a população para apresentar as realizações e propostas do quarto mandato do Lula, e para alertar sobre os riscos de um governo de bandidos que transformará o Brasil numa autocracia entregue aos Estados Unidos.

A eventual eleição de Flávio Bolsonaro significaria para o Brasil e para o povo brasileiro uma realidade infinitamente pior que o terrível mandato do pai dele com as cúpulas militares.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=809GHMtC3Eg&t=5s

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Ao que tudo indica, André Mendonça quer causar uma crise institucional

Seja como vítima, seja como acusado, o ministro não poderia tomar a decisão de afastar Andrei Rodrigues. Para Alfredo Attié, o Partido Novo também não teria legitimidade para pedir esse afastamento

Por Joaquim de Carvalho (Jornalista)

André Mendonça.   Crédito: Carlos Moura/SCO/STF

A decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da instituição, Leandro Almada, levanta uma questão sobre possível usurpação de competência. Quem escolhe o diretor-geral da PF é o presidente da República. Além disso, como observa o jurista Alfredo Attié, presidente da Academia Paulista de Direito, parece “muito duvidoso que um partido político tenha legitimidade para propor uma ação como essa”.

Ressalvando que falava “em abstrato, sem conhecimento do processo, apenas da decisão”, Attié também destacou que o afastamento “sem oitiva das autoridades mostra-se potencialmente ilegal, sendo certo que, se há evidência de erros cometidos em procedimentos determinados, o afastamento tem de se dar em relação a esses feitos, não dos cargos”.

Há outro problema na decisão de André Mendonça: poderia ele próprio decidir sobre fatos nos quais aparece, conforme a versão que se adote, como acusado ou como vítima?

O problema pode ser colocado de maneira simples.

O relatório de inteligência da Polícia Federal utilizado por Alexandre de Moraes para pedir a investigação de Mendonça atribui ao ministro possíveis irregularidades na condução das investigações. O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre a admissibilidade dessas acusações e, posteriormente, que Mendonça apresente sua defesa.

Se os fatos descritos nesse relatório tiverem procedência, Mendonça ocupa a posição de autoridade acusada e diretamente interessada na controvérsia.

Mendonça, porém, sustenta exatamente o contrário. Em sua decisão, afirma que o relatório é irregular e que ele próprio foi submetido a “monitoramento e coleta dirigida ilegal” pela inteligência da PF.

Se essa segunda hipótese estiver correta, surge o problema inverso: Mendonça deixa de ser apenas o julgador dos acontecimentos e passa a se apresentar como vítima das condutas que fundamentaram sua própria decisão.

Em qualquer das duas hipóteses, portanto, há uma questão objetiva de impedimento ou suspeição que precisa ser enfrentada antes do mérito. Não parece institucionalmente saudável que uma autoridade acusada decida sobre seus acusadores, assim como não parece adequado que uma autoridade que se declara vítima determine medidas cautelares contra aqueles aos quais atribui a agressão.

É precisamente por isso que o episódio ultrapassa Andrei Rodrigues e a Polícia Federal. O que está em discussão agora é a capacidade do próprio Supremo de estabelecer quem pode julgar fatos nos quais integrantes da Corte aparecem pessoalmente envolvidos.

O problema alcança também o colegiado chamado a referendar a decisão.

Kassio Nunes Marques votou para manter o afastamento, embora reportagem baseada em relatório do Coaf tenha revelado que uma consultoria que recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master realizou pagamentos de R$ 281,6 mil ao escritório de seu filho, Kevin Marques. O advogado afirma que os valores remuneraram serviços técnicos e jurídicos. O ministro declarou não possuir relação de proximidade com Daniel Vorcaro.

Luiz Fux também acompanhou Mendonça. No caso de Fux, as informações publicadas até agora mostram uma aproximação de Vorcaro com seu filho, Rodrigo Fux, que esteve em um camarote VIP para o qual foi convidado pelo ex-banqueiro. Rodrigo afirma que houve uma tentativa de aproximação comercial, mas que ela não prosperou, e nega ter advogado para Vorcaro. Não há, nas fontes consultadas, comprovação de pagamento de Vorcaro ao filho de Fux.

Essas circunstâncias não permitem concluir automaticamente pelo impedimento dos ministros. Mas, diante de um processo que nasceu justamente das relações de Vorcaro com autoridades e seus familiares, tornam indispensável que eventuais impedimentos ou suspeições sejam examinados com transparência antes da definição de quem participará do julgamento.

Gilmar Mendes interrompeu a análise ao pedir vista do processo, afirmando a necessidade de examiná-lo melhor. O julgamento fica suspenso, embora a decisão de Mendonça continue produzindo efeitos e já tenha recebido os votos favoráveis de Fux e Nunes Marques.

O pedido de vista pode acabar oferecendo ao Supremo algo de que a Corte parece necessitar neste momento: tempo para encontrar uma saída institucional para um conflito que deixou de envolver apenas a legalidade de atos da Polícia Federal e passou a colocar ministros uns contra os outros.

Essa saída, contudo, não deveria ser construída pela escolha de um dos lados da disputa.

Se existem elementos que colocam em dúvida a atuação de Alexandre de Moraes no caso Vorcaro, eles precisam ser examinados por autoridades que não estejam envolvidas nos fatos. Da mesma maneira, as acusações dirigidas contra André Mendonça não deveriam ser julgadas por ele próprio — nem deveria ele comandar investigações sobre fatos nos quais afirma ter sido vítima.

Uma solução institucional possível seria, portanto, afastar ambos da condução dos procedimentos diretamente relacionados a essa controvérsia, sem que isso represente antecipação de culpa de qualquer deles. A finalidade seria exatamente a oposta: permitir que os fatos sejam examinados por julgadores sem envolvimento pessoal no conflito.

A crise chegou a um ponto em que já não basta perguntar quem está certo — Moraes, Mendonça, a Polícia Federal ou seus dirigentes. É preciso primeiro responder a uma pergunta mais elementar:

Quem, neste caso, ainda reúne condições jurídicas para julgar quem?

O Supremo precisa encontrar essa resposta antes que uma disputa entre autoridades se transforme definitivamente em uma disputa entre instituições. Nesse cenário, quem ganha são aqueles que se alimentam das crises — no caso, a extrema direita, cujos integrantes, como se dizia no passado, são pescadores em águas turvas.

Depois do 8 de janeiro de 2023, protagonizado por antigos aliados políticos de André Mendonça, o ministro do STF estabeleceu uma nova data para envergonhar aqueles que prezam a Justiça e a democracia: 8 de setembro de 2026.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=KjVLHNe9nzg&t=2s

terça-feira, 8 de setembro de 2026

O operador interno do golpe: Mendonça produz a crise que Washington precisava

André Mendonça transforma a crise do STF em matéria-prima para um novo enquadramento de Washington: de Moraes como “censor” à suspeita de um Estado de vigilância

Por  Reynaldo José Aragon Gonçalves (Jornalista)

André Mendonça Crédito: Victor Piemonte/STF | Brasil 247/DALL-E

André Mendonça atravessou uma fronteira que muda a natureza da crise no Supremo. Ao acusar a inteligência da Polícia Federal de monitorá-lo sistematicamente, falar em “arapongagem institucional”, associar Alexandre de Moraes ao conhecimento dessas informações e recorrer à imagem totalitária de 1984, o ministro deixou de disputar apenas a condução de uma investigação. Produziu uma representação muito mais corrosiva do Estado brasileiro: a de um aparelho público que teria passado a vigiar clandestinamente autoridades do próprio país. Ao afastar a direção da Polícia Federal, colocou Supremo, PF e Executivo numa mesma zona de ruptura. A crise deixou de ser apenas um choque entre ministros e passou a atingir a legitimidade recíproca das instituições.

É justamente aí que está o fato político novo. Durante mais de um ano, Alexandre de Moraes foi construído nos Estados Unidos como o rosto de um suposto regime de censura. Decisões contra plataformas digitais, investigados e operadores da extrema direita foram arrancadas do conflito político brasileiro e traduzidas como ameaça à liberdade de expressão, às empresas norte-americanas e, depois, aos próprios interesses dos Estados Unidos. A narrativa produziu consequências materiais: atravessou o Congresso e o Executivo norte-americanos, alimentou sanções, medidas comerciais e pressão diplomática. Washington já demonstrou que consegue converter uma interpretação política sobre o Judiciário brasileiro em instrumento de coerção.

Mendonça acrescenta agora algo que essa narrativa ainda não possuía. Censura é controle da palavra. Vigilância é poder sobre o indivíduo. A acusação de que um ministro do Supremo teria sido monitorado por estruturas de inteligência exige uma arquitetura muito maior do que a figura isolada de um juiz autoritário. Ela convoca polícia, coleta de informações, circulação de dados, cadeia de comando e conhecimento institucional. Moraes pode deixar de ser apresentado apenas como o magistrado que silencia adversários e passar a ser associado à imagem de um sistema que observa, investiga e neutraliza. Mendonça não falou em “deep state brasileiro”, mas colocou em circulação uma linguagem que pode ser traduzida nessa direção com facilidade.

Isso não significa que suas acusações estejam definitivamente provadas. Elas precisam ser investigadas, confrontadas e submetidas ao devido processo. Essa distinção é indispensável porque a força política do episódio nasce justamente da diferença entre o tempo da prova e o tempo do poder. Uma investigação precisa estabelecer fatos e responsabilidades. Uma operação política precisa apenas produzir uma interpretação suficientemente plausível para circular antes que o processo seja concluído. Washington já possui a infraestrutura política, jurídica e econômica capaz de receber essa matéria e dar consequência a ela. A arma não nasceu com a crise. O que surgiu agora foi uma munição nova.

Para compreender por que Mendonça ocupa posição tão sensível nesse processo, é preciso olhar menos para sua biografia formal e mais para os circuitos pelos quais circulou. A ANAJURE apoiou publicamente sua indicação ao Supremo e mantém relação institucional com a Alliance Defending Freedom, organização jurídica conservadora norte-americana ligada ao Blackstone Legal Fellowship. A Academia ANAJURE reuniu Mendonça e dirigentes desse circuito. Em outra frente, ele participou de programas oficiais de formação anticorrupção em Washington, esteve em ambientes de cooperação com Departamento de Justiça, FBI e SEC e, quando ministro da Justiça, manteve interlocução com a embaixada dos Estados Unidos em temas de segurança pública e crimes cibernéticos. Durante a Lava Jato, também esteve no centro da controvérsia sobre o acesso da defesa de Lula a registros de cooperação entre autoridades brasileiras e o FBI.

Há ainda sua circulação por redes internacionais pró-Israel. Em 2024, Mendonça integrou viagem a Israel organizada e financiada por entidades privadas ligadas à defesa pública do Estado israelense, criticou depois a posição diplomática brasileira sobre Gaza e participou de ambientes institucionais que aproximam conservadorismo religioso, política e defesa de Israel. Nenhum desses vínculos prova subordinação, comando estrangeiro ou direção de suas decisões. Prova, porém, circulação, afinidade e inserção em redes transnacionais que conectam direito, religião, segurança e política. É nesse nível, e somente nele, que essas relações importam para compreender sua posição atual.

Operador, aqui, não é sinônimo de agente. Um agente pressupõe vínculo, comando ou orientação demonstrável. Um operador histórico pode agir por convicção própria e ainda desempenhar uma função objetiva numa correlação de forças maior. O que define essa função não é uma suposta ordem secreta recebida de Washington, mas o efeito material do ato. Mendonça está no centro de uma das instituições mais poderosas do Estado brasileiro e produz decisões capazes de atravessar imediatamente fronteiras jurídicas, informacionais e diplomáticas. Ele não precisa pedir sanções nem formular a narrativa norte-americana. Basta produzir, no exercício do cargo, elementos que outros atores sabem transportar e converter.

Esse circuito já está aberto. A extrema direita brasileira aprendeu a internacionalizar conflitos domésticos traduzindo decisões judiciais, investigações e disputas eleitorais para o vocabulário político dos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro tornou-se um dos principais intermediários dessa ponte ao atuar em Washington, defender sanções contra Moraes e apresentar a crise brasileira como evidência de autoritarismo. O episódio atual oferece algo qualitativamente distinto: não apenas a denúncia de adversários do Supremo, mas documentos, decisões e acusações produzidos por um ministro da própria Corte. A contestação ganha, assim, autoridade institucional antes de atravessar a fronteira.

A divisão de trabalho é objetiva. Mendonça produz o fato institucional. A extrema direita formula o enquadramento. Intermediários transportam a narrativa. O ecossistema trumpista amplifica. O Estado norte-americano possui instrumentos para transformar percepção em custo econômico, diplomático ou financeiro. Nenhuma dessas etapas exige uma sala de comando comum. Convergência não é conspiração. Na política de poder, atores diferentes podem agir por interesses próprios e produzir resultados complementares. É precisamente aí que Mendonça se torna operador interno da ruptura: sua atuação aumenta o valor estratégico de uma crise que Washington já vinha explorando.

O mecanismo ganha profundidade quando a possibilidade de punição externa começa a entrar no cálculo doméstico. Se ministros, autoridades e instituições sabem que uma decisão tomada em Brasília pode produzir sanção em Washington, o poder externo já interfere no ambiente interno antes de qualquer nova medida ser anunciada. Soberania deixa então de ser apenas uma questão jurídica. O Estado permanece formalmente livre para decidir, mas suas escolhas passam a carregar o risco de uma retaliação definida por outra potência. O condicionamento antecede a coerção.

Para um país do Sul Global, essa assimetria é decisiva. Potências centrais não precisam fabricar todas as crises da periferia. Basta reconhecer quais contradições internas podem ser convertidas em vantagem externa. Quanto mais fragmentado o centro decisório brasileiro, menor o custo de pressioná-lo. Um ministro confronta a Polícia Federal, a PF contesta a interpretação do ministro, o Executivo reage para preservar sua autoridade e o Supremo precisa arbitrar um conflito que já corrói sua própria legitimidade. O Estado começa a ser colocado contra si mesmo exatamente quando uma potência externa dispõe de meios para selecionar interlocutores, punir adversários e transferir o conflito para arenas em que a assimetria de poder lhe é favorável.

É aí que o golpe do século XXI se afasta da imagem clássica. Não precisa haver tanques diante do Congresso nem generais anunciando uma nova ordem. A ruptura pode preservar formalmente as instituições enquanto esvazia sua capacidade real de decidir. O tribunal continua aberto, o governo continua eleito, a polícia continua funcionando e a Constituição permanece em vigor. Mas autoridades passam a calcular o risco de sanções pessoais, atores domésticos procuram em Washington a força que não conseguem produzir internamente e decisões soberanas são submetidas à expectativa permanente de retaliação estrangeira.

Defender a soberania brasileira, por isso, não significa blindar Alexandre de Moraes, a Polícia Federal ou qualquer autoridade. Se houve abuso, espionagem ilegal, favorecimento ou crime, que tudo seja investigado, provado e punido no Brasil. Uma democracia que protege seus próprios agentes contra a lei oferece munição a quem pretende deslegitimá-la. O que não pode ser normalizado é outra coisa: transformar uma fragilidade interna em autorização para que Washington adquira o poder de definir quem, dentro do Estado brasileiro, merece governar, julgar, investigar ou permanecer no cargo.

A história dos golpes na periferia raramente começa no instante em que a ordem constitucional cai. Antes existe uma batalha pela autoridade de definir o legítimo. Quando essa autoridade começa a migrar para fora do território nacional, a ruptura já está em curso, mesmo que nenhuma instituição tenha sido fechada. Mendonça não precisa ser agente de Washington para funcionar como operador interno de uma correlação de forças que favorece Washington. Basta que a fissura produzida dentro do Estado seja convertida, fora dele, em capacidade de coerção sobre o Brasil.

O problema, portanto, não é apenas o que André Mendonça pretende fazer com Alexandre de Moraes.

É o que Washington poderá fazer com o Brasil a partir da crise que Mendonça acaba de produzir.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=t9GVHA8H3eA&t=2s