quarta-feira, 3 de junho de 2020

TSE julga ações que pedem cassação de Bolsonaro e Mourão na próxima semana

(Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Carolina Brígido

O Globo, 3 de junho de 2020

A denúncia envolve um ataque hacker contra um grupo de Facebook com o objetivo de beneficiar a chapa de Bolsonaro. 

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, agendou para a próxima terça-feira o julgamento de duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) que pedem a cassação do presidente Jair Bolsonaro e do vice, Hamilton Mourão, por irregularidades na campanha de 2018. Segundo as ações, hackers atacaram um grupo de Facebook com o objetivo de beneficiar a chapa.

O julgamento das ações começou em novembro do ano passado, quando o relator, ministro Og Fernandes, votou pelo arquivamento das ações. O ministro Edson Fachin pediu vista para examinar melhor os processos. Agora, o julgamento será retomado. Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) ouvidos em caráter reservado acreditam que não haverá condenação da chapa, por falta de provas de que os candidatos tinham conhecimento ou participaram do ataque cibernético.

As ações foram apresentadas por Guilherme Boulos e Marina Silva, que também concorreram à presidência da República em 2018. Segundo as ações, o grupo virtual “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, com 2,7 milhões de participantes, foi alvo de ataques que alteraram o visual e conteúdo da página. Originalmente, o grupo criticava Bolsonaro. Depois da atuação dos hackers, o grupo passou a se chamar “Mulheres com Bolsonaro #17”, com a publicação de mensagens de apoio ao candidato.

Ainda de acordo com os processos, Bolsonaro publicou em seu perfil oficial no Twitter a mensagem “Obrigado pela consideração, mulheres de todo o Brasil”, com foto da página do grupo modificada. Segundo os autores das ações, isso seria indício da provável participação de Bolsonaro no episódio ou, ao menos, de que ele sabia da alteração.

TCE expede medida cautelar contra Secretaria de Saúde de PE


Texto extraído do Blog do Magno Martins

Com edição de Ítala Alves

O conselheiro Carlos Porto, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), expediu medida cautelar monocrática pela suposta falta de transparência e publicidade nas dispensas emergenciais 80, 95, 134, 144, 147 e 148 da Secretaria Estadual de Saúde, para contratação de leitos de enfermaria em hospitais privados para a covid-19. A decisão do TCE está publicada no Diário Oficial de hoje.

Carlos Porto concedeu prazo, até a sexta-feira (5), para o secretário André Longo prestar os "esclarecimentos faltantes dos motivos de dispensas de licitações 80, 95, 134, 144, 147 e 148 (COVID) terem sido publicadas intempestivamente, superando em muito o prazo legal para publicação, esclarecimento que não foi oferecido ao Relator, mesmo havendo sido concedido dois prazos de resposta".

A cautelar foi expedida após representação do Ministério Público de Contas de Pernambuco (MPCO). "No primeiro procedimento, de R$ 25 milhões para o IMIP, a dispensa foi ratificada pelo Secretário Estadual em 22 de março de 2020, mas só foi publicada no Diário Oficial do Estado de 23 de maio de 2020, portanto, mais de dois meses depois de sua assinatura", disse Carlos Porto, no texto da decisão.

O relator informou que, caso não seja explicados os motivos da falta de publicação, poderá haver a suspensão dos pagamentos das dispensas. "Sob pena, desta vez, de aplicação de multa em caso de nova falta de resposta e suspensão dos pagamentos das despesas decorrentes das citadas dispensas de licitação, até análise e deliberação do Tribunal de Contas", decidiu Carlos Porto.

Após dois prazos para resposta ao Relator, que enviou um ofício de "alerta", a Secretaria Estadual de Saúde informou, na sexta-feira (29), que não precisava publicar as dispensas no Diário Oficial, com base na Lei Complementar Estadual 425.

A Secretaria disse que estava com vários servidores afastados, devido à Covid-19. Carlos Porto considerou estas respostas insuficientes.


Da 'fantasia' aos 30 mil mortos: relembre o que disse Jair Bolsonaro ao longo da pandemia

Foto: Michel Dantas / AFP. (via Getty Images)

Matheus Pichonelli

Yahoo Notícias, 3 de junho de 2020

 

 “Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está superdimensionado o poder destruidor desse vírus. Então talvez esteja sendo potencializado até por questão econômica, mas acredito que o Brasil, não é que vai dar certo, já deu certo.”

Foi o que disse o presidente Jair Bolsonaro em 9 de março de 2020, durante uma visita ao colega Donald Trump nos EUA. 

No dia seguinte (10/3), ele admitiu que estava diante de uma crise. Mas “uma pequena crise”. “No meu entender, muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala ou propaga pelo mundo todo”.

No dia 11/3, ele voltou à carga: “outras gripes mataram mais”

Logo na sequência foi confirmado que seu secretário da Comunicação, Fabio Wajngarten, voltou ao país infectado pelo coronavírus —ao todo, 23 pessoas da delegação do presidente contraíram a doença.

Já no Brasil, Bolsonaro seguiu mudando de assunto. Disse que não poderíamos “entrar numa neurose como se fosse o fim do mundo” e que entre 2009 e 2010 houve uma crise “semelhante” mas, como era o PT que estava no poder, “a reação não foi nem sequer perto do que está acontecendo” (15/03).

Foi o primeiro dos muitos delírios persecutórios de quem afirmava que não dava para “querer jogar nas minhas costas uma possível disseminação do vírus”. Para ele, “tudo bem” que vai ter problemas, sobretudo a quem “é idoso e está com problemas ou deficiência”, mas era preciso lembrar que a doença “não é isso tudo que dizem”. (16/3).

No dia seguinte (17/03), um paciente que estava internado em São Paulo morreu em decorrência da Covid-19. Era a primeira vítima fatal da pandemia no Brasil.

No mesmo dia, o presidente apostou que a situação no Brasil não chegaria ao que acontecia já Itália, um país que ele comparou com o bairro de Copacabana, cheio de “velhinhos mais sensíveis”, onde 400 pessoas morriam diariamente pela doença, e disse que o vírus era como gravidez: uma hora ia passar.

“Tem locais em alguns países que já têm saques acontecendo, isso pode vir para o Brasil, pode ter aproveitamento político em cima disso, a gente não quer pensar nisso daí, mas tem que ter calma. Vai passar. Desculpa aqui, é como uma gravidez, um dia vai nascer a criança. E o vírus ia chegar aqui um dia, acabou chegando.”

Ele também disse que “esse vírus trouxe uma certa histeria e alguns governadores, no meu entender, eu posso até estar errado, estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia”.

Três dias e 11 mortos depois, Bolsonaro desafiou: “Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar” (20/3).

Onda de manifestações pró-democracia acende alerta entre partidos que se aproximaram de Bolsonaro


NELSON ALMEIDA VIA GETTY IMAGES

 

“Se tem um negócio que mexe com o político é a reação do eleitor e povo na rua”, disse um deputado do Centrão ao HuffPost.

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By Grasielle Castro

onda de manifestações pró-democracia, aliada aos chamamentos de protestos nas ruas, ecoou entre os parlamentares e trouxe como resultado ao menos duas sinalizações de recuo do governo de Jair Bolsonaro. Na Câmara dos Deputados, grupos que têm se aproximado do Planalto nos últimos meses estão em alerta e, nos bastidores, falam em não endossar qualquer postura autoritária ou enfrentamentos ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Parlamentares ouvidos pelo HuffPost Brasil viram nos posicionamentos de setores da sociedade que se manifestaram contra eventual ruptura institucional um lembrete de que é grande a parcela da população que não aceitará uma escalada autoritária no País. A percepção é que o movimento também atingiu o presidente. Um exemplo citado como recuo foi a mudança de comportamento do filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Na semana passada, ele afirmou que não era questão de “se”, mas de “quando” haveria uma ruptura. Propôs ainda que as Forças Armadas fossem convocadas para “colocar panos quentes” e zerar o jogo democrático. Nesta terça-feira (2), Eduardo falou que isso “já passou” e evitou insistir no assunto. O presidente, que costuma inflar suas bases, se esquivou de fazer comentários à imprensa.

Como exemplo de falta de apoio a Bolsonaro no Congresso foi citado o descrédito com o qual foi visto o projeto de lei do deputado ligado ao presidente Daniel Silveira (PSL-RJ) que tipifica grupos “antifas” (antifascistas) como organizações terroristas. Questionado se iria pautar o texto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ironizou. “Você quer mesmo que eu responda? Um projeto completamente absurdo desses não merece nem resposta”, disse a jornalistas. Ele acrescentou que não iria pautar um votação que a ampla maioria da Casa rejeita.

Para parlamentares, forte reação pró-democracia fez Bolsonaro recuar. 

Bolsonaro veta uso de R$ 8,6 bilhões de fundo extinto para combate ao coronavírus

 (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)


Yahoo Notícias, 3 de junho de 2020

 

Presidente Jair Bolsonaro alegou que decisão era inconstitucional 

O Fundo de Reservas Monetárias foi extinto e teve R$ 8,6 bilhões de saldo remanescente. Parlamentares aprovaram que o valor fosse repassado para estados e municípios para o combate ao coronavírus. No entanto, o presidente Jair Bolsonaro vetou a medida.

A decisão foi publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União.

O Fundo de Reservas Monetárias recebia valores do Imposto sobre Operações Financeiras, conhecido como IOF. Bolsonaro sancionou o projeto de lei que acaba com o fundo, mas vetou o repasse.

Inicialmente, a ideia era que o valor fosse usado para abater a Dívida Pública Federal, mas com a pandemia, os parlamentares reavaliaram a decisão.

Segundo o portal G1, a justificativa do presidente Jair Bolsonaro é de que a decisão criava uma despesa obrigatória do Poder Pública e não indicava qual seria o impacto financeiro. Para Bolsonaro, isso seria inconstitucional.

O Congresso agora tem de avaliar o veto presidencial, que pode ser derrubado pelos deputados e senadores. De acordo com o G1, quando tramitou nas casas legislativas, os parlamentares aprovaram o projeto com ampla maioria. No Senado, a aprovação foi unânime.

EM TEMPO: Muito "bonzinho e sensível" esse Presidente. Alguém quer levá-lo para  concluir sua criação e educação? Agora durmam com essa bronca. 


CPMI das Fake News: Relatório identifica mais de 2 milhões de anúncios da Secom em canais de "conteúdo inadequado"

Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Yahoo Notícias, 3 de junho de 2020

Fabio Wajngarten, chefe da Secom, ao lado do presidente Jair Bolsonaro

Foram identificados mais de dois milhões de anúncios pagos com verba da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) em sites, aplicativos de celular e canais de Youtube que veiculam conteúdo considerado inadequados. O relatório foi produzido a pedido da CPMI das Fake News e relevado pelo jornal O Globo.

   

Entre os sites que recebem anúncios pagos pela Secom, estão páginas com notícias falsas, conteúdo pornográfico e que oferecem investimentos ilegais.

De acordo com O Globo, os dados que integram o relatório foram obtidos pela Lei de Acesso a Informação (LAI). Apesar de terem sido solicitadas informações entre janeiro e novembro de 2019, a Secom entregou apenas dados de um período de 38 dias: 6 de junho e 13 de julho do ano passado.

Mesmo com o recorte mais restrito, ainda foi possível localizar 2.065.479 anúncios em 843 canais considerados inadequados.

À época, a verba utilizada era destinada para campanha em prol da Reforma da Previdência. A publicidade foi direcionada de forma automática aos sites pelas plataformas Adwords e Adsense do Google. Ainda assim, é possível que o anunciante bloqueie sites específicos se assim desejar.

Dentre os 843 canais inadequados estão: 741 canais do Youtube que foram removidos pela plataforma por descumprimentos de regras, 47 sites que divulgas notícias falsas, 12 sites com notícias sobre jogos de azar, sete que fazem ofertas de investimentos ilegais e quatro com conteúdo pornográfico.

Entre os sites colocados na categoria de veiculadores de notícias falsas estão: “Jornal da Cidade Online", “Terça Live", “Folha do Brasil” e “Diário do Centro do Mundo". A classificação dos veículos nessa categoria foi realizada pelos integrantes da CPMI das Fake News.

O blogueiro Allan dos Santos, do site “Terça Livre", é um dos investigados no inquérito que tramita do Supremo Tribunal Federal (STF) e que apura uma suposta máquina de notícias falsas e ataques a ministros da Corte.

Durante uma oitiva na CPMI, o blogueiro, apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou que não recebia dinheiro público. Contudo, os dados da Secom mostram que seu canal no Youtube recebeu 1.447 anúncios.

Constam ainda no relatório, segundo O Globo, cinco canais que fazem promoção de autoridades como o próprio presidente. Entre eles, há um denominado “Bolsonaro TV” e o canal pessoal do senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ).

Segundo o próprio relatório, a destinação de verba pública para a promoção pessoal de autoridades pode ser configurada com violação à Constituição Federal.

"A veiculação de anúncios, pela Secom, em canais desse tipo pode gerar questionamento com base no § 1º do art. 37 da Constituição, pois abre a possibilidade de se interpretar tal fato como utilização da publicidade oficial para promoção pessoal, conduta vedada pela Carta Magna", diz um trecho do documento.


terça-feira, 2 de junho de 2020

Os esforços por uma Frente Democrática no Congresso


Popularidade de Bolsonaro despenca. Sociedade civil levanta a voz – agora, também nas ruas – pelo fim da agenda autoritária e genocida (e pela deposição do governo). Os partidos atenderão este anseio, acima das diferenças?

OUTRAS MÍDIAS




Por Edson Sardinha, no Congresso em Foco

O acirramento da crise política e institucional, com atos pró-fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) e em defesa de intervenção militar, começa a dar corpo no Parlamento à ideia de criação de uma ampla frente democrática. Deputados de vários partidos, de diferentes espectros ideológicos, defendem a necessidade de se deixarem de lado as diferenças políticas e de todos se unirem para evitar a implantação de uma ditadura no país, uma ameaça que eles cada vez mais enxergam nos atos do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

Embora não esteja participando diretamente das negociações, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já manifestou a deputados sua simpatia pela ideia. Atacado constantemente por Bolsonaro, Maia tem evitado o confronto e pregado o diálogo e o respeito à democracia. Mas não deseja ser o líder do movimento. Parlamentares de diferentes correntes começam a se organizar para discutir a criação de uma frente democrática nos próximos dias. Lideranças do PT, do PSDB e do MDB têm indicado apoio à iniciativa.

O entendimento em comum entre parlamentares de vários partidos ouvidos pelo Congresso em Foco é de que esse tipo de movimento já partiu da sociedade civil, como demonstraram o ato pró-democracia encampado por torcidas organizadas de clubes de futebol e a publicação de manifestos assinados por juristas, políticos, intelectuais e artistas neste fim de semana. “Só há uma forma de enfrentar o fascismo, é todos se unirem. Temos de conversar com quem pensa diferente da gente”, defende a líder do PCdoB, Perpétua Almeida (AC).

Para a deputada, nessa aliança cabem parlamentares de esquerda, centro e direita. “Só não cabem os fascistas. Ou nos unimos ou o fascismo de Bolsonaro avançará”, afirmou. “Estados Unidos e União Soviética se uniram contra o nazismo. Temos de dialogar com quem pensa diferente da gente, mas está conosco no campo democrático”, reforça.

Moro responde: Bolsonaro desejava rebelião armada contra medidas sanitárias

© Divulgação/Agência de Notícias do Acre



Correio Braziliense - Agência Estado


O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, respondeu ao presidente Jair Bolsonaro que, na manhã desta segunda-feira, 1º, o chamou de "covarde" ao acusá-lo de dificultar a posse e o porte de armas no Brasil. Na reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro pressionou o ex-ministro a assinar uma portaria para ampliar o limite para a compra de munições no País e defendeu armar a população contra governantes que impõem quarentena em Estados e municípios.

Em nota divulgada também nesta segunda, Moro defendeu o isolamento social como medida mais eficaz de combate à pandemia e criticou o que classificou como "ofensas e bravatas" do governo. O ex-ministro declarou ter procurado Secretários de Segurança dos Estados e do Distrito Federal, durante a pandemia, na tentativa de "evitar ao máximo o uso da prisão como sanção ao descumprimento de isolamento e quarentena", mas reconheceu que a medida está prevista na Constituição para aqueles que, cientes de estarem infectados, não cumpram isolamento. Moro acusou ainda o presidente de tentar utilizar políticas de flexibilização de posse e porte de armas para "promover espécie de rebelião armada contra medidas sanitárias impostas por Governadores e Prefeitos".

O ex-ministro criticou também a revogação de normas que tratam sobre controle de armas e munições, sob o risco de "desvio do armamento destinado à proteção do cidadão comum para beneficiar criminosos". No mês passado, por determinação do presidente, o Ministério da Defesa revogou três portarias do Exército Brasileiro que, na prática, dificultavam o acesso do crime organizado a munições e armamentos extraviados das forças policiais do País. O Ministério Público Federal acionou a Justiça para que as medidas sejam retomadas.

Leia a íntegra de nota de Moro:

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Raiva e rebeldia no coração do Império



Um ato de racismo extremo destampa a panela de pressão, reúne milhões contra Trump e põe em xeque a ultradireita. Protestos alastram-se pelo mundo – mas a resposta é crua e brutal. Nada está decidido. Dias decisivos vêm aí

OUTRAS PALAVRAS
Publicado 01/06/2020

Por William River Pitt, no Truthout| Tradução: Antonio Martins

Nunca houve um fim de semana, nos Estados Unidos, como estes que acabamos de viver.

Muitas comparações com o momento atual foram feitas – com a fúria que emergiu em 1968, após o assassinato de Martin Luther King Jr e com os Dias de Raiva, o levante civil contra a guerra do Vietnã que tomou Chicago em 1969. Alguns lembram que o “Verão vermelho” de 1919 é uma possível comparação, pois uma onda de violência racista varreu o país, que se debatia com a devastação da pandemia de gripe “espanhola”

Porém, nada na História corresponde com exatidão aos eventos dos últimos dias. Uma epidemia letal que ainda começa destroçou as ilusões de força que este país nutriu, durante décadas, para encobrir suas misérias evidentes. Estas mesmas misérias permitiram a emergência de um pretendente a tirano, um governante que se enfurece contra a extinção de sua frágil luz, enquanto se esconde, no bunker da Casa Branca, das consequências de suas própria negligência.

Graças ao advento da era das mídias sociais, quase tudo isso foi gravado e difundido amplamente. A violência de um Estado policial do supremacismo branco, uma verdade construída por séculos, foi explosiva novamente. Desta vez, não houve uma volta ao antigo normal – como era sempre comum –, nem um desaparecimento progressivo dos fatos, no oceano de notícias banais. Desta vez, tudo está nas ruas, com punhos e vozes erguidas, e sem conclusão à vista.

George Floyd morreu sob o joelho de um policial cujo histórico de violência era notório. Uma garota de 17 anos registrou o assassinato em vídeo e, em seguida, o mundo todo assistia. Como disse o ator Will Smith num programa de TV, em 2016, “o racismo não está piorando – ele está sendo filmado”.

De volta às ruas, outra vez em defesa da democracia ameaçada

Miguel Schincariol/Getty Images
O conluio entre o capitão e os generais


Protestos na Avenida Paulista contra e pró-Bolsonaro. 


Quando    será mesmo que o  general  Fernando Azevedo  e Silva, ministro da Defesa,  emitirá mais uma nota oficial para dizer em nome das  Forças      Armadas que elas  não    apoiam o    governo do  capitão    que expulsaram dos seus quadros  por    indisciplina e    conduta    antiética, mas    que apoiam, sim, a Constituição e a ela continuarão fieis?

Nos últimos 40 dias, ou menos do que isso, foram três notas oficiais com esse mesmo teor, cada uma mais vaga e ambígua do que a outra. O problema é que Azevedo e Silva virou um militante político bolsonarista, de resto como os demais generais ministros do governo, alguns postos originalmente ali para deter os excessos do presidente acidental.

Diga-se: os excessos e a fome de poder do mau militar, assim classificado pelo ex-presidente Ernesto Geisel, que no passado, planejou atentados à bomba contra quarteis para reivindicar aumento de salários para a soldadesca. Às escondidas dos seus superiores, ele complementava o seu soldo associando-se a garimpeiros no antigo Estado do Mato Grosso.

Agora, às claras, sob o estímulo da farda que um dia avacalhou com seus atos, Bolsonaro subverte a ordem que as Forças Armadas dizem que prezam, semeia o ódio entre os seus devotos e tenta abastardar as demais instituições da República. Nos fins de semana, a Praça dos Três Poderes, em Brasília, transformou-se em palco exclusivo dos seus delírios.

A relação abusiva de Bolsonaro com as Forças Armadas

Bolsonaro e os militares. Foto: Fernando Souza/AFP

A participação do ministro da Defesa em ato político rompe o apartidarismo dos militares.
Veja.com - Por Thomas Traumann 


A presença do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, ao lado do presidente Jair Bolsonaro no helicóptero que sobrevoou a manifestação pró-ditadura na Praça dos Três Poderes, em Brasília, neste domingo, 31, é um ponto de inflexão nas relações das Forças Armadas com a política partidária. 

Chefe direto dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, o general deveria simbolizar a fronteira entre as diretrizes de curto e médio prazo legitimadas pelas urnas e a política de Estado, que ultrapassam os tempos dos mandatos. Ao servir de acólito do presidente em uma manifestação abertamente partidária e intrinsecamente a favor da intervenção militar no Judiciário e no Legislativo, Azevedo e Silva rompeu este limite.

O capitão Jair Bolsonaro tem mais ministros militares que qualquer governo anterior, incluindo os dos generais do regime ditatorial. Hoje, além do presidente e do vice, nove dos 22 ministros do governo são egressos das Forças, incluindo o general da ativa Eduardo Pazuello, que ocupa interinamente o Ministério da Saúde. São mais de 2.500 militares com gratificações e cargos de confiança – um recorde para qualquer tempo. Não é uma ocupação com respaldo na sociedade. Segundo a última pesquisa do Datafolha, 52% dos brasileiros são contra a presença fardada no poder político.

O presidente se apropria da imagem das Forças Armadas para poder governar e intimidar. Quando tem um problema, nomeia um general. Assim, ao mesmo tempo reparte a sua responsabilidade de escolha com as Forças, tomando para si a credibilidade da instituição. Se der errado, ele acredita que não apanha sozinho.

Atos contra Congresso e STF expõem radicalização do Bolsonarismo, diz estudioso de neofascismo




ESTADÃO - Gabriel Caldeira

© DIDA SAMPAIO/ESTADAO Manifestação contra STF em Brasília. 

Os protestos contra as instituições democráticas e a favor do governo têm intensificado os discursos do presidente Jair Bolsonaro, expondo uma "radicalização" dentro do próprio bolsonarismo. "À medida que perde apoio social, ele passa por um processo de depuração, uma purificação na leitura desses grupos, quando somente os mais radicais bolsonaristas permanecem apoiando o presidente", observa o especialista em neofascismo e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Odilon Caldeira Neto.

Na visão do professor, as últimas manifestações têm passado a impressão de um discurso cada vez mais totalitário, contra a imprensa livre e, por vezes, com atos violentos. Segundo ele, esse processo está em curso há alguns meses e ocorre, em boa parte, de acordo com a gravidade da pandemia do novo coronavírus no Brasil, como forma de desviar o foco da crise provocada pela covid-19.

No último domingo, 31, Bolsonaro participou, mais uma vez, de manifestação em frente ao Palácio do Planalto que pedia o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), além da instauração de uma nova ditadura militar. Primeiro observando o ato de um helicóptero e depois montado em um cavalo, o presidente cumprimentou os manifestantes, que entoavam gritos de ordem contra seus adversários.

Caldeira Neto coloca os protestos bolsonaristas em um panorama global de movimentos da extrema direita, com o uso de símbolos em comum e pautas similares. Ele cita, por exemplo, o uso de tochas e capuzes - ou máscaras - pelo grupo 300 do Brasil, organizado pela militante bolsonarista Sara Winter, que na madrugada de domingo marchou em direção ao prédio do STF, em Brasília. Segundo o professor, o grupo tem inspiração direta nas manifestações ocorridas em Charlottesville, nos Estados Unidos, em 2017, quando protestantes da direita radical norte-americana se aproveitaram da estética dos supremacistas da Ku Klux Klan.

Bolsonaro sai ou vai ser saído



Texto extraído do Blog do Magno Martins 

Com edição de Ítala Alves

Tive, de ontem para hoje, acesso exclusivo a fontes diretas das Forças Armadas, sobre reuniões decisivas, contando com a participação das patentes mais altas, que resolveram não mais dar apoio a Bolsonaro diante do atual contexto de crescente radicalização irracional.
As Forças Armadas em nenhuma hipótese admitem a possibilidade defendida pelo clã Bolsonaro de uma guerra civil. Essa foi a gota d’água final para se programar o afastamento do atual presidente. A hipótese de “auto-golpe” foi terminantemente descartada. Todas as Forças Armadas estão em prontidão para atuar de forma enérgica a qualquer momento de tentativa de ruptura do Estado de Direito por parte de Bolsonaro.
Inicialmente, os militares apoiaram Bolsonaro apostando que ele poderia ter um comportamento racional e alinhado com o verdadeiro patriotismo das Forças Armadas, na linha do lema “Ordem e Progresso”. Ocorre que foram encontrando um ex-tenente rebelado e descontrolado, incapaz de liderar.
Na verdade, viram que o verdadeiro lema de Bolsonaro é: “Minha família acima de tudo, meus filhos acima de todos”. Entre os exemplos, citam as humilhações que os filhos impuseram a generais de máxima referência, como Mourão e de Santos Cruz, que demonstraram que Bolsonaro só segue sua família e apenas tenta usar as Forças Armadas para o seu benefício político pessoal e da sua família.
Também entendem claramente que Bolsonaro tentou fazer uma espécie de aliciamento dos militares, ofertando cerca de três mil cargos nos mais diferentes ministérios e órgãos federais, muitas vezes colocando militares sem qualquer treinamento especializado. Mas os líderes da ativa não concordam com essa jogada e consideram algo espúrio.
Hoje, pelo menos 80% dos militares de alta patente, que sempre decidem tudo de forma colegiada, consideram que Bolsonaro já rompeu todos os limites do razoável e está querendo jogar o Brasil num conflito sangrento, inaceitável pelas Forças Armadas. Avaliam que as bases bolsonaristas originais estão desencantadas e que o tenente não tem mais bala na agulha para colocar as grandes massas na rua como sustentação popular.