segunda-feira, 7 de junho de 2021

NÃO à privatização da Petrobras Bio!

 

7 de junho de 2021

Privatização da Petrobras Biocombustíveis ameaça empregos em Montes Claros

Por Leonardo Godim e Maria Luiza Ferreira

No dia 20 de maio, trabalhadores das usinas de biocombustíveis de Montes Claros (MG) e Candeias (BA) e da administração da PBio paralisaram suas atividades e declararam greve. Com o avanço do processo de privatização, eles reivindicam que todos os concursados sejam transferidos para outras unidades da Petrobrás. 

A venda das usinas de biodiesel, que também inclui a unidade desativada em Quixadá, no Ceará, começou em julho de 2020 e faz parte de um longo processo de fatiamento e “desinvestimentos” da estatal. Segundo Alexandre Finamori, coordenador geral do Sindipetro/MG, uma “grande jogada burocrática-econômica” permitiu que as usinas fossem à venda. Elas pertenciam à Petrobras e só em 2019 foram transferidas para um novo CNPJ, que agora está sendo vendido integralmente. Outras irregularidades também foram constatadas pela Federação Única dos Petroleiros, que tenta anular a privatização na justiça.

Em entrevista realizada no dia 31 de maio para O Poder Popular, Alexandre afirmou que “essa greve por si só já é histórica”. “É a primeira vez que fazemos uma greve e conseguimos parar a produção das duas usinas de biodiesel da Petrobras. A adesão é ampla e até os supervisores aderiram”. A reivindicação de que os trabalhadores sejam transferidos para outras unidades da estatal não deixa de lado a denúncia da privatização. “Nós discordamos das vendas. Não pode vender, é ilegal. Agora, se vender, tem que absorver os trabalhadores”, afirmou.

A privatização da Petrobras Biocombustíveis é mais um episódio do desmembramento da Petrobras e da sua entrega ao capital estrangeiro. Pioneira nas tecnologias de inovação em combustíveis renováveis, sua venda é um passo atrás na transição energética do petróleo para fontes não poluentes.

Em audiência virtual, no dia 2 de junho, foi aceita a proposta de suspender a greve, com a condição de que a Petrobras participe das futuras audiências que irão definir o futuro dos trabalhadores das usinas e da administração da PBio. A negociação foi mediada pela ministra Delaíde Miranda Arantes, do Tribunal Superior do Trabalho.

Governo se empenhou em disseminar covid-19, diz USP em estudo para CPI


 PODER 360 - Nicholas Shores

 

 

© Sérgio Lima/Poder360 Jair Bolsonaro tossindo ao discursar em ato onde manifestantes pediam a volta do AI-5

 

 

Um estudo da USP (Universidade de São Paulo) atualizado a pedido da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19 no Senado concluiu que o governo federal se “empenhou” e teve “eficiência” na “ampla disseminação” do coronavírus em território nacional contando com a tese da imunidade de rebanho por contágio.

A análise do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário da Faculdade de Saúde Pública da USP se baseia em atos normativos, ações de obstrução e propaganda contra a saúde pública de autoridades federais, entre elas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Os autores do estudo coletaram dados de fontes como normas federais, discursos oficiais, manifestações públicas de autoridades federais e plataformas digitais no período de 3 de fevereiro de 2020 a 28 de maio de 2021.

Traçaram uma linha do tempo e constataram os seguintes atos e omissões:

  • defesa da tese da imunidade de rebanho por contágio;
  • incitação constante à exposição da população ao vírus e ao descumprimento de medidas sanitárias preventivas;
  • banalização das mortes e sequelas causadas pela doença;
  • obstrução sistemática a medidas promovidas por governadores;
  • foco em medidas de assistência a abstenção de medidas de prevenção;
  • ataques a críticos da resposta federal, à imprensa e ao jornalismo profissional;
  • e consciência da irregularidade de determinadas condutas.

O estudo da USP chega à CPI da Covid poucos dias após a revelação, em vídeo divulgado pelo portal Metrópoles, de encontro em setembro de 2020 no qual o virologista Paolo Zanotto propôs a Bolsonaro a criação de um gabinete das sombras para aconselhar o governo no enfrentamento da pandemia.

sábado, 5 de junho de 2021

Caso Pazuello eleva tensão entre 'generais do presidente' e comando do Exército, vê historiador

 

 

BBC NEWS

Tensão, dúvidas e medo são as palavras escolhidas para caracterizar as relações entre militares e o poder político no Brasil recentemente por um dos maiores especialistas no assunto.

 

© Reuters Pazuello no ato de apoio a Bolsonaro; Exército decidiu não puni-lo

Para o historiador e cientista político José Murilo de Carvalho, a decisão do Exército, anunciada na quinta-feira (03/05), de não punir o general da ativa Eduardo Pazuello por participação em ato político ao lado do presidente da República vai fazer crescer uma crise já instalada: o cisma entre o comando das tropas e aqueles que Carvalho classifica como "generais do presidente", em referência aos que ocupam cargos no governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

O Regimento Disciplinar do Exército proíbe que militares da ativa participem publicamente de atos de cunho político-partidário. "Sabe-se que os componentes do alto comando do Exército eram favoráveis a algum tipo de punição. O comandante os teria convencido a não punir. Imagino que com isso tenha perdido autoridade", diz, mencionando o atual comandante do Exército, general Paulo Sérgio.

Autor de obras diversas sobre o tema - entre elas, o clássico Forças Armadas e Política no Brasil -, Carvalho entende que a falta de punição a Pazuello é grave, apesar de não ser inédita. 

Como precedente, ele recorda o caso do general Jurandir Mamede. Em 1955, ainda coronel, Mamede se pronunciou politicamente a favor de um golpe militar em discurso durante o funeral de um oficial superior. Ele reagia à eleição de Juscelino Kubitschek para a Presidência e João Goulart como seu vice, semanas antes. Apesar do desejo de puni-lo ter sido manifestado por comandantes, a decisão acabou não sendo tomada e Mamede se livrou.

A seguir, a entrevista concedida pelo historiador, por e-mail, à BBC News Brasil:

BBC News Brasil - Como o sr. caracterizaria a época recente do Brasil em termos da relação entre a caserna e a política?

José Murilo de Carvalho - Época de tensão, dúvidas e medo.

Raul Jungmann: ‘Bolsonaro persegue o modelo de Chávez’

 

ISTO É - Estadão Conteúdo

 

O ex-ministro da Defesa, Raul Jungmann, acredita que os militares brasileiros estão diante de um processo que assemelha-se aos passos iniciais do chavismo, na Venezuela, quando Hugo Chávez passou a transferir para si os poderes dos comandantes das Forças. Estes, ao evitarem um confronto, pensando em preservar a Constituição, acabaram permitindo a destruição da ordem legal. Leia a seguir, trechos de sua entrevista ao Estadão.

O que o sr. acha que ocorreu para Pazuello não ser punido?

A narrativa que ouvi caminha em uma dupla direção. Houve uma reunião remota do Alto Comando anteontem. O comandante Paulo Sérgio pediu a opinião do Alto Comando, que teria sido majoritariamente pela punição. Não pelo ânimo de punir, mas pra preservar a hierarquia e a disciplina, sem as quais um Exército se transforma em um bando armado. 

Ele (Paulo Sérgio) teria comunicado que sua decisão era não punir, o que foi acatado por todos, pois essa é uma decisão privativa do comandante. Ouvi de outros que o general disse a oficiais mais próximos que teria agido para evitar uma crise maior, resultante da punição de Pazuello que viesse a ser anulada, o que implicaria no afastamento em dois meses do segundo comandante do Exército.

Ao fim e ao cabo, agrava-se a crise em vez de encerrá-la?

Aqui vale a frase do Churchill em relação à política de apaziguamento de (Neville) Chamberlain (em 1938, em relação à Hitler): ‘Vocês não terão a paz, e terão a guerra’. O que quero dizer é que os militares daqui estão enfrentando o que os da Venezuela enfrentaram no início do período chavista. Bolsonaro persegue o modelo de Chávez. Ele, como Chávez, quer reduzir o comando dos militares para transferi-lo para a política. Ou seja, para ele. 

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Bolsonaro vai perder

 

ISTO É - Antonio Carlos Prado

 

O xadrez político não é muito diferente do xadrez de tabuleiro – é importante pensar com a cabeça do outro. Também Max Weber ensina isso.

Se o capitão queria trazer à força o Exército para o campo político, o máximo que conseguiu foi trazer um general sem expressão e liderança. Fez de um oficial general um general oficial.

Se o Exército pune PazuelloBolsonaro, como comandante em chefe das Forças Armadas, revogaria a punição e a crise estaria aberta, o Exército estaria no terreno da política. Agindo como agiu, o Exército deixou Bolsonaro só com Pazuello, só com um zero à esquerda.

Ao mesmo tempo, o Exército não fez o jogo de entrar na política e desgastou Bolsonaro junto à instituição. A anarquia que seria causada só interessava a Bolsonaro. Ele não conseguiu a radicalização que queria.

Bolsonaro não pensou, porque não pensa politicamente, lances à frente. E não haverá indisciplina de oficiais menores, o Brasil de hoje não é o Brasil dos 18 do Forte de Copacabana, não é o País do tenentismo.

O Exército não fez jogo da política e desfez a crise que o capitão queria e lhe seria útil para desviar atenções da CPI. Bolsonaro perdeu o Exército. Ficou com peão de Pazuello na mão. Se o Exército for entrar em cena, entrará se Bolsonaro quiser melar 2022.

E ainda assim o Exército estará dentro da Constituição, não na política. Se fosse baralho e não xadrez, Bolsonaro ficou com o mico na mão. E o Exército abortou a crise e confronto que o capitão queria. À Bolsonaro, o peão. O xeque mate virá nas eleições.

EM TEMPO: Outra linha de análise, a qual tem um certo  sentido. É sinal que existem muitas pessoas de olho em Bozo e em suas tramoias. Bozo sempre foi  arruaceiro e quer gerar a instabilidade no país para justificar o autogolpe. Só o tempo dirá se o Comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, agiu com cautela nesse episódio bastante complexo e em pleno funcionamento da CPI da COVID. Afinal, Bozo foi um mal militar (dito pelo general Ernesto Geisel), foi impedido de visitar os quartéis pelo Comandante do Exército na época, general Leônidas Pires e agora ficou capenga com a derrota do seu ídolo Donald Trump. Para Bozo dar um autogolpe se faz necessário ter  apoio da comunidade internacional, isso ele não tem. O governo brasileiro não tem prestígio para comprar, sequer,  um parafuso  para repor num caça, tanque, bombardeio, etc. Agora durmam com essa bronca e não gritem: "mito, mito" . Para não dar dor de cabeça (rsrsrs).

Jogadores da Seleção já decidiram não disputar a Copa América, diz jornal

LANCE!

© Elenco da Seleção protesta contra a Copa América (Foto: Reprodução / CBF TV) 

 

 

 

Após a entrevista coletiva de Tite na noite desta quinta-feira para informar a insatisfação do elenco da Seleção Brasileira com a realização da Copa América no Brasil, o jornal 'Diario As', da Espanha, noticia que os jogadores já decidiram não jogar a competição.

Segundo a reportagem do jornal espanhol publicada nesta sexta-feira, os jogadores da Seleção Brasileira foram tomados de 'espanto e indignação' quando souberam da mudança de sede da Copa América através da imprensa sem alguma espécie de aviso por parte da CBF.

- Os jogadores se sentiram traídos e usados pela diretoria da CBF, em especial o presidente Rogério Caboclo. Sentiram que estavam expostos a uma situação em que seriam vistos como insensíveis em meio a uma crise sanitária em seu país, com quase 500 mil mortos, para jogar uma competição que acreditam ser totalmente desnecessária. Seria a quarta Copa América nos últimos seis anos - publicou o 'Diario As'.

O periódico informa também que jogadores do Brasil tentam formar um movimento com jogadores de outras seleções para mostrar um posicionamento claro contra a Copa América.

Por fim, o 'Diario As' afirma que o presidente da CBF, Rogério Caboclo, coloca pressão contra o coordenador técnico da Seleção, Juninho Paulista, que teria apoiado o posicionamento do elenco. De acordo com o jornal, a proibição da presença de Casemiro, capitão do Brasil, na coletiva desta quinta-feira saiu por ordem de Caboclo.

Em reportagem de Bruno Marinho no jornal 'O Globo', é informado que a pressão por um pedido de demissão por parte de Tite cresce dentro da CBF. Apesar de ressaltar o foco do treinador nas partidas das Eliminatórias para a Copa do Mundo, é informado que o nome de Renato Gaúcho agrada Rogério Caboclo, que ainda pode ter Xavi como uma alternativa.

EM TEMPO: Bozo tem se aproveitado dos militares, mas sem sucesso no esporte. Agora durmam com essa bronca. Sem contar com o seu isolamento internacional.

Santos Cruz: Bolsonaro avança na erosão das instituições

ESTADÃO – Redação

© ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO Carlos Alberto dos Santos Cruz, que foi ministro da Secretaria de Governo


O general Carlos Alberto Santos Cruz publicou nesta sexta-feira, 4, um texto em que se diz envergonhado pela decisão do Exército de não punir o general Eduardo Pazuello por ter participado de um ato político com o presidente Jair Bolsonaro. Santos Cruz escreveu que o ocorrido é uma “desmoralização para todos nós” e que o presidente “procura desrespeitar, desmoralizar pessoas e enfraquecer instituições”.

“Mais um movimento coerente com a conduta do Presidente da República e com seu projeto pessoal de poder”, disse o militar, que foi ministro-chefe da Secretaria de Governo de Bolsonaro. “A cada dia ele avança mais um passo na erosão das instituições”.

Santos Cruz chamou a decisão de não punir Pazuello de “subversão da ordem, da hierarquia e da disciplina no Exército, instituição que construiu seu prestígio ao longo da história com trabalho e dedicação de muitos”.

O militar lembrou ainda que Bolsonaro já se referiu à instituição como “meu Exército”. “O ‘seu Exército’ não é o Exército Brasileiro. Este é de todos os brasileiros. É da nação brasileira”, escreveu ele.

O general terminou o texto pedindo que a politização das Forças Armadas seja combatida “pela raiz”. “Independente de qualquer consideração, a união de todos os militares com seus comandantes continua sendo a grande arma para não deixar a política partidária, a politicagem e o populismo entrarem nos quartéis”, concluiu.

Santos Cruz foi secretário nacional de Segurança Pública de Michel Temer. Ele apoiou a candidatura de Bolsonaro em 2018, e chegou a chamar o candidato opositor, Fernando Haddad (PT), de “fascista”. O general se tornou ministro-chefe da secretaria de Governo de Bolsonaro, mas foi demitido em 2019.

Desde então, o militar assumiu uma postura crítica ao governo. Em março deste ano, ele publicou uma carta em que pedia a união do centro contra Lula e Bolsonaro. Na ocasião, escreveu que “o Brasil não merece ter que optar entre dois extremos já conhecidos, viciados e desgastados”.

EM TEMPO; Quando o general Santos Cruz "acordar pra Jesus" e relembrar que era feliz e não sabia nos governos Lula e Dilma, certamente ele votará em Lula. Alguém tem dúvida? (rsrsrs).  Agora chamar, nas Eleições de 2018,  Haddad de "fascista" é uma insensatez. No é general? 

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Militares protestam contra falta de punição a Pazuello

 

ISTO É - Ricardo Chapola 

A decisão do Comando do Exército de não punir o general Eduardo Pazuello por ter participado de um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro, tomada nesta quinta-feira, 3, irritou oficiais influentes e de alta patente da caserna. Antigo aliado de Bolsonaro, o general da reserva, Paulo Chagas, disse que o comandante do Exército, Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, Bolsonaro e Pazuello “estão colaborando para a desmoralização da instituição”. Chagas também ressaltou que a decisão pode acabar com a disciplina típica das Forças Armadas. “Lamento a decisão. Está aberto o precedente para que a política entre nos quartéis. A disciplina está ameaçada”, afirmou o general.

Para o general, “presidente, o comandante e o general Pazuello estão contribuindo para a desmoralização e para a queda do prestígio conquistado pelo Exército Brasileiro. Esta decisão põe em risco a autoridade do comandante, por quem tenho grande apreço”, acrescentou Paulo Chagas.

Em nota, o Comando do Exército informou que acolheu os argumentos apresentados por Pazuello e diz ter entendido que não houve transgressão ao regimento interno da instituição. O regimento do Exército, no entanto, proíbe claramente a participação de qualquer oficial da Força em eventos políticos de qualquer natureza, sob risco de sofrer punições que variam de advertência à prisão.

Pazuello passou ileso de sanções mesmo depois de ter ido a um ato político ao lado do mandatário no Rio, em 23 de maio. O general estava no meio de uma aglomeração e sem máscara, poucos dias após ter defendido o uso da proteção na CPI da covid-19. Ele é um dos principais alvos da comissão. Nesta semana, Pazuello foi nomeado para um cargo de confiança ligado à Presidência. Será secretário de Assuntos Estratégicos e terá salário de R$ 16 mil. Com essa nomeação, Bolsonaro deixou claro que não aceitaria nenhuma advertência ao seu ex-ministro da Saúde, desafiando os militares que desejavam uma punição exemplar. Desde o início disse que ele era o chefe do Exército e que não aceitaria ter seu poder posto em xeque. O Exército, portanto, cedeu às pressões do presidente e criou nova crise no meio militar.

EM TEMPO: Há um ditado popular que diz: "o remédio para um doido é outra na porta". Evidentemente que esse ditado popular vale, também, para os que se fazem de doido. O Comandante do Exército não podia vacilar e sim aplicar a lei, punindo o general Pazuello e o mandando para a reserva. É claro que as consequências teriam com o presidente Bozo, mas fazem parte da vida, principalmente a militar.  Os militares eram felizes e não sabiam nos governos Lula e Dilma (rsrsrs). 

Decisão do Exército é 'altamente preocupante para instituições brasileiras', diz Celso Amorim

O GLOBO - Mariana Muniz

qui., 3 de junho de 2021

BRASÍLIA — O ex-ministro da Defesa Celso Amorim, que ocupou a pasta no primeiro mandato de Dilma Rousseff, classificou como "altamente preocupante para as instituições brasileiras" a decisão do  Exército de arquivar processo que apurava a participação do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, em um ato político com o presidente Jair Bolsonaro.

— Não são só as Forças Armadas que têm sua integridade amaçada. São as instituições democráticas. Como ex-ministro da Defesa eu lamento muito, porque eu vi como nós discutíamos as coisas com seriedade quando havia uma objeção séria das Forças Armadas a qualquer coisa tudo era sempre conversado, negociado, eu nunca vi uma coisa assim, uma imposição. Nunca houve isso. Então eu fico muito preocupado, muito triste — disse Amorim ao GLOBO nesta quinta-feira.

Para o ex-ministro da Defesa, que também chefiou o Itamaraty, a manifestação do Exército de não ver "transgressão disciplinar" na participação do general da ativa em um ato político colocam dúvida sobre a isenção  das Forças Armadas que, segundo ele, são uma instituição de Estado, e não de governo.

— Obviamente deve ter sido uma ordem do presidente, por tudo o que se comenta, e eu acho lamentável porque afasta aquilo que os próprios militares sempre disseram, de que prezavam por princípio, que as Forças Armadas, o Exército, são uma instituição de Estado e não de governo. Isso vai por água abaixo, acabou. Virou uma instituição de governo — afirmou.

Na avaliação de Amorim, é "altamente preocupante" quando as Forças Armadas, em especial o Exército, deixam as regras, o regulamento, de lado "para acomodar certos interesses". Ele explica que Forças Armadas são  uma força de última instância.

— Elas não podem arbitrar nada. Mas poderiam, por exemplo, se houver uma situação como ocorreu nos Estados Unidos, no Capitólio, convocado pelo Supremo ou pelo Congresso, o Exército poderia agir, uma vez que ninguém pode confiar no que vai fazer a Polícia Militar. Com essa atitude agora, esse poder de última instância fica afetado — observou.

No dia 23 de maio, Pazuello participou e discursou em  um ato feito por Bolsonaro após um passeio de moto no Rio de Janeiro. O procedimento administrativo foi aberto porque militares da ativa não podem se manifestar politicamente.

Na semana passada, Pazuello apresentou sua justificativa oficial e afirmou que o ato não era político-partidário porque que Bolsonaro “não é filiado a nenhum partido e que não há campanha em andamento no país”. O argumento foi reforçado pelo presidente, que, sem se referir ao procedimento, disse no mesmo dia que o ato não teve "viés político".

 


A farsa de Bolsonaro

ISTO É - Germano Oliveira

 

O pronunciamento de Bolsonaro em rede de rádio e televisão na noite desta quarta-feira, 2, foi estarrecedor. Uma verdadeira farsa. A começar pelo fato de que não expressou seus reais sentimentos. Esteve claro, desde o primeiro segundo de sua fala, que ele apenas lia no teleprompter algo escrito por assessores. Não foi, nem de longe, o que ele pensa e faz.

Ao começar lamentando as mortes dos milhares de brasileiros mortos pela Covid – em razão, inclusive, de suas omissões e negligências –, o ex-capitão assumiu o propósito de estruturar seu discurso com base no sarcasmo. Ele deveria ter feito esse tipo de manifestação em março do ano passado, quando a pandemia se intensificou e o Brasil atingia 201 mortes, já prenunciando que enfrentaríamos a maior tragédia de nossa história. De lá para cá, chegamos a 470 mil óbitos e, nesse interim, o mandatário apenas tripudiou sobre a doença.

Disse, entre outras insanidades, que nada poderia fazer, que não era “coveiro”, “sou messias, mas não faço milagres”, “vai morrer quem tiver que morrer” e “vou comprar vacina na casa da tua mãe”. A sociedade acompanhou chocada suas reações nefastas. Nada fez para conter o avanço do vírus. Pelo contrário, estimulou sua propagação, apoiou aglomerações, criticou o isolamento e combateu o uso de máscaras, entre outras barbaridades contrárias à ciência.

Em sua fala na TV, aliás, o ex-capitão voltou a condenar governadores e prefeitos que defendem as acertadas medidas restritivas para evitar a expansão do coronavírus. Um equívoco que nos coloca no centro da pandemia mundial. Todos os cientistas e autoridades sanitárias do mundo inteiro já demonstraram que a contaminação só vai ceder se houver medidas de distanciamento social, práticas de higiene severas e vacina.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Panelaços ocorrem em várias cidades durante pronunciamento de Bolsonaro

(AP Photo/Eraldo Peres)

Yahoo, Redação Notícias

qua., 2 de junho de 2021

 

Durante pronunciamento televisivo do presidente Jair Bolsonaro às 20h30 desta quarta-feira (2), foram registrados panelaços em protesto à forma como ele tem lidado com a pandemia da Covid-19. A manifestação, realizada nas janelas, ocorreu em várias cidades brasileiras. 

Nas redes sociais, internautas compartilharam sua indignação por meio da hashtag #panelaço, que rapidamente alcançou o topo dos assuntos do momento no Twitter, ultrapassando 30 mil menções em apenas 15 minutos. 

No Rio de Janeiro, vídeos postados em redes sociais registraram o momento em que o panelaço começou em bairros como Laranjeiras, Leblon, Copacabana, Botafogo e Humaitá, bairros da Zona Sul da cidade. Além das panelas, manifestantes também gritaram palavras de ordem contra Bolsonaro. 

Na capital paulista também foram registrados panelaços em vários bairros como Vila Mariana, Moema e Jardins, na Zona Sul; Santa Cecília e Higienópolis, na região central; Sumarezinho, Vila Madalena, Perdizes e Pinheiros, na Zona Oeste; Santana, Zona Norte, entre outros. 

Em alguns lugares, os moradores continuaram batendo panelas e gritando "Fora, Bolsonaro" mesmo após o fim do pronunciamento.

Na capital do país, o panelaço foi ouvido em áreas da Asa Sul e da Asa Norte, além de Águas Claras e Sudoeste.

do Extra

EM TEMPO: Bozo é um Presidente de um único mandato. Pois a cada dia que se passa se isola mais.

Queda de Netanyahu aprofunda isolamento de Bolsonaro no mundo, dizem analistas internacionais

BBC NEWS Brasil

qua., 2 de junho de 2021

Para professores, aposta de Bolsonaro em política externa baseada em relações pessoais, e não interesses geopolíticos de Estado, isola o Brasil. "Antes de você se dar conta, seus aliados podem sair do cargo e você sobra sozinho."

Os brasileiros já viram esse filme nos últimos meses. Depois de apostar todas as fichas em um alinhamento pessoal, político e ideológico com o ex-presidente norte-americano Donald Trump, a quem chegou a dizer "eu te amo" nos corredores da Assembleia Geral da ONU, o presidente Jair Bolsonaro e o Itamaraty agora tentam reconstruir seu relacionamento com um país liderado por alguém radicalmente diferente - o presidente democrata Joe Biden.

Substitua Trump por Benjamin Netanyahu, o líder israelense que acaba de cair após 12 anos de governo, e a fórmula se mantém.

Nesta quarta-feira, um grupo improvável formado por políticos israelenses de diferentes vertentes anunciou a confirmação de uma coalizão construída para, acima de tudo, interromper a longa gestão de Nethanyahu, - cuja popularidade foi abalada por uma série de investigações de corrupção, suborno e fraude no país.

Espera-se que a guinada no núcleo duro do governo israelense, que agora reúne políticos ultranacionalistas, figuras de centro e até islâmicos árabes, tenha forte impacto na complicada geopolítica do Oriente Médio.

Mas ela também tem reflexos do outro lado do mundo - mais precisamente no gabinete do presidente brasileiro, novamente órfão de um de seus principais padrinhos políticos internacionais.

Paulo Câmara ou Bolsonaro: quem comanda a PM de Pernambuco?

 

ISTO É

Continua muito mal contada a história do ataque da Polícia Militar de Pernambuco aos manifestantes de esquerda que caminhavam pelo Recife, no sábado 29.05.2021. 

O caso teve hoje um desdobramento importante: a troca no comando da corporação. O coronel Vanildo Maranhão pediu exoneração do cargo e foi substituído pelo também coronel José Roberto Santana.

Mas isso, por si só, não ajuda a esclarecer se a ação foi toda orquestrada por oficiais da PM ou se houve também alguma participação do governo. 

Essa última hipótese não pode ainda ser descartada. Não é segredo que a cisão na esquerda em Pernambuco é particularmente forte. Uma passeata encabeçada pelo PT não seria necessariamente bem vista pelo governador do PSB, que talvez tenha se sentido afrontado pelo desrespeito a um decreto seu que proíbe aglomerações no Estado. 

É sabido que Antônio Pádua, o Secretário de Defesa Social de Pernambuco, acompanhou a passeata no sábado em um centro de monitoramento, juntamente com o comando da PM. Ele pode ter ordenado a dispersão do ato público. Ou pode ter ficado em silêncio depois que a repressão começou. 

Nesses dois casos, o ex-comandante da polícia Vanildo Maranhão está arcando sozinho com uma responsabilidade que deveria ser compartilhada com o governo de Paulo Câmara (PSB). 

Esse é um enredo que tem maior repercussão local. Mas há também a hipótese de que as balas de borracha disparadas sem qualquer provocação e sem qualquer cuidado pelo batalhão de choque expressem um bolsonarismo latente na PM pernambucana. Esse enredo traz repercussões nacionais. 

Perfis da PM nas redes sociais trazem indícios de que esse pode ser o caso. No fim de semana, um perfil não oficial da Rocam de Pernambuco deixou estampados os dizeres “Contra o Comunismo” no Instagram e no Twitter. 

Além disso, a página oficial de um batalhão da PM de Recife ajudou a propagar uma informação falsa, disseminada em blogs de direita, segundo a qual a polícia apenas reagiu a um ataque feito com pedras. 

Esse incidente de fato aconteceu, mas bem depois dos disparos que deixaram dois homens cegos e causaram o término da passeata anti-bolsonarista quando ela se preparava para cruzar a ponte Duarte Coelho. Ele nada teve a ver com a manifestação. 

O governo de Pernambuco não pode deixar no ar essa ambiguidade. Precisa esclarecer qual o seu papel no incidente lastimável do fim de semana e também se a Polícia Militar subordinada a ele está, ou não, agindo segundo ditames que vêm de Brasília e nada têm a ver com a cadeia de comando e as questões locais de segurança.

EM TEMPO: Não é à toa que Bozo quer que as PMs  estejam sob o crivo do governo federal para diminuir o poder dos governadores, principalmente quando os mesmos restringem a circulação de pessoas para diminuir a propagação do vírus COVID 19. Mas, é sabido que há milhares de militares bolsonaristas nas fileiras das PMs. O que aconteceu no Recife se caracteriza como um crime cometido pelos policiais militares que reprimiram uma manifestação pacífica.  É preciso frear a politização das PMs. 

terça-feira, 1 de junho de 2021

Diário do Bolso


Por José Roberto Torero


Diário, a esquerda ficou com inveja da minha motocicletata (mistura de motocicleta com passeata).

Tanto é que marcaram manifestações contra mim para o  sábado 29.05.2021. Mas a esquerda já está brigando entre si. Tem a turma do é-claro-que-eu-vou e a turma do de-jeito-nenhum-que-eu-saio-de-casa!

A esquerda sempre briga com ela mesma. A direita não. Olha o Centrão aí. A gente divide um tanto pra cada um e pronto.

Acho que eu vou sair ganhando nessa. Se forem poucos pra rua, mantendo distância e essas frescuras, vai parecer que não tem ninguém. Se forem muitos, boto a culpa nos comunas pela terceira onda que vem aí. E sempre pode morrer um deles.

Outra coisa: depois de aglomerar na passeata, os sujeitinhos vão ter que parar com esse mimimi de isolamento social. Como é que um professor vai ser contra a volta às aulas se foi pra rua protestar? Como é que os vermelhos vão falar em loquidaum se marcam manifestação na Paulista?

Eles têm esperança de que isso empurre meu impichimem (como será que se escreve essa palavra?) pra frente. Mas é uma esperança boba. Não é gente na rua que bota o impitximem em pauta. É o Arthur Lira. E eu gastei bilhões pra colocar o cara na presidência da Câmara. Sem falar que passei R$ 114 milhões em emendas para ele (por coincidência, 114 é o número de pedidos de impiximem contra mim).

Distribuindo esse dinheiro prum monte de parças, o Lira se reelege mesmo que morram dois milhões de pessoas de covid até a eleição de 2022.

A Dilma foi impitichada porque não deu a mão pro Eduardo Cunha. Eu dei, pô!

Só a mão, Diário, deixa de ser maldoso!

Olha, é verdade que eu estou com um pouco de medo dessas manifestações da oposição. Tanto que eu atraso essa vacinação o mais que eu posso. Mas acho que é fogo de palha. E os canhotos vão acabar se queimando.

Aliás, no tocante a queimar, ontem saiu uma pesquisa dizendo que a rejeição ao meu governo chegou em 59%. É o pior número até agora. Os vermelhos deviam continuar me cozinhando devagar. Mas querem me fritar rapidinho. E quem tem pressa come cru.

Eu falei “cru”, Diário! Deixa de ser maldoso!

#diariodobolso