terça-feira, 10 de setembro de 2019

A indústria brasileira desaba



Empresários, economistas e mídia voltam a falar fino
CRÍTICA DA ECONOMIA
por José Martins
Os inúteis empresários brasileiros, seus economistas e sua mídia boca de aluguel voltaram a falar fino. Menos de uma semana atrás (dia 30 agosto) eles falavam mais grosso que de costume. Tinham o que festejar.
Festejar o quê? Os dados do PIB no 2º trimestre 2019, divulgados naquela semana pelo IBGE. Festejavam a “recuperação do crescimento” da economia nacional. Todos os jornais e noticiários a serviço do sistema puxavam o coro dos otimistas.
O simpático presidente da República, cara mais expressiva dos empresários nacionais e do sistema imperialista, era o mais entusiasmado de todos. Como noticiava o jornal Folha de S.Paulo (30/Agosto): “O presidente Jair Bolsonaro comemorou nesta quinta-feira (29) a melhora da economia brasileira no segundo trimestre registrada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)”.
“Hoje tivemos uma boa notícia, um dado positivo da Economia”, disse Bolsonaro, durante lançamento, no Palácio do Planalto, do programa Em Frente Brasil, voltado para o combate da violência no país. “Fiquei feliz de ver as mídias sociais divulgarem uma notícia dessas. E a economia também ajuda nessa questão. Porque se o desemprego cai, a violência também diminui no nosso país”, acrescentou.
No mesmo dia, o jornal Valor Econômico estampava a ufanista manchete de primeira página: “PIB surpreende e afasta temor de nova recessão”. No corpo da matéria enfatizava: “Os números mostram que o Brasil não está em recessão, risco esperado por alguns, uma vez que, entre janeiro e março, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,1%.”
Mais abaixo uma importantíssima observação: “As boas notícias vieram da indústria de transformação, que avançou 2%, e da construção civil, que cresceu 1,9%. Os dois setores, principalmente o segundo, estão entre os que mais sofreram com a crise que assola a economia brasileira há seis anos.”
Uma semana depois, essa festança foi repentinamente substituída por dissimulações e pessimismo. Profundo pessimismo, quase desespero daqueles mesmos inúteis empresários brasileiros, economistas, governo e mídia boca de aluguel. Voltaram a falar fino, como sempre.
Por que tanto pessimismo? Que más notícias poderiam ter motivado esta súbita mudança de humor? Exatamente a sinistra divulgação pelo IBGE, quarta-feira (04 Setembro), dos últimos dados da produção industrial. Agora mais de acordo com a realidade.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

E se a Lava Jato tivesse revelado conteúdo integral das conversas de Lula?





                                                                                                        Matheus Pichonelli
                                                                                              Yahoo Notícias

A presidenta Dilma Rousseff dá posse ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil (Foto: Agência Brasil)

Quem acompanha, mesmo de longe, a história política recente do Brasil vai se lembrar do dia 16 de março de 2016, quando milhares de pessoas foram às ruas em protesto contra a suposta tentativa do ex-presidente Lula e escapar da guilhotina da 13º Vara da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba (PR), para buscar abrigo e foro especial como ministro da Casa Civil.
A nomeação era articulada por Dilma Rousseff no auge da crise perfeita de seu governo, e só melou porque, naquele dia, o então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, retirou o sigilo de interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal entre a presidenta e seu padrinho político.
Na ligação, Dilma informava ao antecessor que estava encaminhando o termo de posse – através do (quem não se lembra?) Bessias. Foi a deixa para que, na versão oficial da história e das investigações, fosse denunciada a tentativa de blindar o ex-presidente de uma possível prisão por ordem da primeira instância.
Com a pressão, e a fragilização do governo petista, a posse foi suspensa por ordem da Justiça, e mudou a história do país. Dilma caiu, Lula acabou preso, Bolsonaro assumiu e hoje se rebela quando a mesma PF faz seu trabalho contra aliados – mas essa é outra história. Ou não.
O que poucos sabiam, porém, é que muitas outras conversas do ex-presidente também foram grampeadas pela força-tarefa. E a análise desses diálogos, conforme mostrou reportagem da Folha em parceria com o site The Intercept Brasil, que teve acesso ao material, mostra que a versão oficial dos fatos não era bem assim.
É certo que Lula, nomeado ministro, teria foro especial, mas nada garantia que teria vida fácil nas instâncias superiores. Basta lembrar que, dois dias depois da divulgação do diálogo, quem suspendeu sua posse foi o ministro do Supremo Gilmar Mendes.
Trazidos à luz no último domingo, 08/09, os novos diálogos permitem concluir, três anos depois, que a principal missão de Lula era a de bombeiro de um governo em frangalhos, que começou a ir para o espaço graças à inabilidade de sua sucessora em conter a crise de sua base de apoio no Congresso.
A tempestade perfeita era alimentada pela crise fiscal, econômica, política e moral – esta, potencializada, claro, pela Lava Jato.
Lula, como mostram as conversas, relutava em assumir o posto. E, uma vez aceito, passou a articular uma saída política à crise, inclusive tentando reconstruir as pontes com Michel Temer, então vice-presidente, que em um dos diálogos citou o bom relacionamento com o líder petista.

domingo, 8 de setembro de 2019

Defesa de Lula diz que mensagens sigilosas expõem ilegalidade de Moro


© Marlene Bergamo/Folhapress  
Veja.com - Redação


Neste domingo, o jornal Folha de S. Paulo e o site Intercept Brasil revelaram registros de conversas grampeadas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados, como Temer, em 2016. 

O material, que esteve sob sigilo todos esses anos, mostra que Lula relutou em aceitar o convite de Dilma para ser ministro da Casa Civil. As conversas enfraquecem a tese usada por Moro, de que o ex-presidente estaria tentando travar as investigações sobre ele ao assumir o novo cargo.

Em nota publicada no Twitter do ex-presidente, a defesa de Lula disse que as conversas reveladas mostram “grosseiras ilegalidades praticadas pelo ex-juiz Sérgio moro e pelos procuradores da Lava Jato“.

Em outro trecho, a defesa afirma: “o ex-juiz Sergio Moro, os procuradores e o delegado da Lava Jato de Curitiba selecionaram conversas telefônicas mantidas por Lula, escondendo dos autos e do Supremo Tribunal Federal aquelas que mostravam a verdade dos fatos, ou seja, aquelas que deixavam claro que o ex-presidente aceitou o cargo de Ministro de Estado para ajudar o governo e o país e não para qualquer outra finalidade ligada às investigações da Lava Jato”. 

A VERDADE VENCERÁ - “O ex-juiz Sergio Moro, os procuradores e o delegado da Lava Jato de Curitiba selecionaram conversas telefônicas mantidas por Lula, escondendo dos autos e do STF aquelas que mostravam a verdade dos fatos”. Diz a Nota de Defesa do ex-Presidente Lula sobre reportagem da Folha de S.Paulo de 08/09/2019 . Vide a citada Nota no final do texto. 
Cristiano Zanin Martins/ Valeska T. Zanin Martins
Advogados de Lula
Na época, Moro vazou um áudio de 1 minuto e 35 segundo no qual a então presidente Dilma Roussef tratava com Lula sobre sua possível posse como ministro. O diálogo foi encarado como uma tentativa de Lula travar as investigações sobre ele ao assumir o novo cargo e fez com que o STF anulasse a posse de Lula.

Os novos registram revelam a análise de 22 conversas do ex-presidente, grampeadas após o pedido de interrupção da escuta, no dia 16 de março de 2016. Segundo reportagem da Folha, as conversas foram gravadas porque “as operadoras de telefonia demoraram a cumprir a ordem de Moro e o sistema usado pela PF continuou captando as ligações”.

O problema é que os diálogos mantidos em sigilo colocam em xeque a tese de que a nomeação de Lula como ministro teria sido premeditada por ele como forma de travar a Lava Jato. Em nota à Folha, o Ministério da Justiça afirmou que Moro não soube dessas gravações enquanto era juiz.

Fernando Haddad

A revelação dos diálogos gerou repercussão. Na mesma rede social em que a defesa de Lula publicou sua nota, Fernando Haddad disse: ” Hoje ficamos sabendo que Moro ou a PF conheciam os fatos, mas cometeram o crime de vazamento seletivo e ilegal para fortalecer o impeachment.” Sou testemunha do quanto Lula relutou, por meses, em aceitar convite de Dilma para integrar seu governo, até que ele cedeu aos apelos. 


 A ex-presidente Dilma Roussef publicou: “Judiciário ainda pode cumprir seu papel constitucional, corrigindo ilegalidades e anulando decisões partidarizadas”.
















Ainda segundo a Folha, o STF pode analisar se as novas mensagens divulgadas poderão ser usadas como provas para contestar a conduta de Moro e dos procuradores. 


Leia a nota na íntegra.

sábado, 7 de setembro de 2019

Lula é 1ª vítima do uso da Justiça contra esquerda, diz Mélenchon


Parte superior do formulário

 SYLVIA COLOMBO, Folhapress.


BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Jean-Luc Mélenchon espera que, ao falar o que acha do presidente Jair Bolsonaro, possa "entrar e sair do Brasil sem ser preso".
Em Lanús, município da província de Buenos Aires, onde esteve para receber o título de doutor honoris causa da universidade local, o filósofo e político esquerdista francês de 68 anos afirmou não suportar a "maneira desgraçada" com a qual o brasileiro falou da primeira-dama de seu país, Brigitte Macron.
"Não há nenhum caso no qual se possa desprezar os seres humanos, qualquer que seja sua posição política, isso é insuportável. Mas se esse é o poder que foi capaz de prender Lula, creio que é capaz de tudo."
O francês, que obteve 19,6% dos votos no primeiro turno da última eleição presidencial francesa, vencida por Emmanuel Macron, passou pela Argentina como parte de uma turnê latino-americana para visitar líderes de esquerda.
Primeiro, esteve no México, onde se encontrou com o presidente Andrés Manuel López Obrador. Lá, também foi até a fronteira com os EUA.
Depois, em Montevidéu, reuniu-se com o ex-mandatário José "Pepe" Mujica. E, em Buenos Aires, teceu elogios ao kirchnerismo durante uma reunião com Cristina Kirchner, candidata a vice na chapa favorita para vencer as eleições presidenciais de outubro.
Nesta quinta (5), estará no Brasil para se encontrar com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba.
"Considero Lula um semelhante, um amigo, uma figura muito importante em nossa família ideológica. Sou um herdeiro de Lula, como toda a nova esquerda europeia é."
Para o ex-candidato, que está sendo processado na França por suposto uso indevido de dinheiro do Parlamento Europeu em sua campanha presidencial, Lula é a primeira e mais conhecida vítima do uso da Justiça contra a esquerda.
E, assim como o petista, Cristina e ele próprio são vítimas desse processo. "Virou um método político para se livrar da esquerda no mundo inteiro."
A visita a Lula, afirma ele, servirá para lhe dar ânimo no processo que está enfrentando. Ao lembrar o trâmite jurídico que levou o petista à prisão, Mélenchon faz críticas ao ministro da Justiça, Sergio Moro, que "condenou Lula sem provas e depois se vendeu como um ministro de um governo de ultradireita".
O francês se mostrou animado com a possível vitória da chapa Alberto Fernández e Cristina Kirchner. "Vai mudar a política deste país em favor dos desempregados, dos pobres e dos trabalhadores."

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Bolsonaro esvazia conselho de proteção a direitos da criança

AP Photo/Eraldo Peres


Por meio de um decreto, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) retirou todos os membros da sociedade civil que fazem parte atualmente do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) e fez mudanças que, na prática, diminuem o poder do órgão de tomar decisões e emitir posicionamentos sobre o tema. 

As mudanças foram publicadas nesta quinta-feira (5) no Diário Oficial da União. Criado em 1991, o Conanda tem como função fiscalizar ações e elaborar normas e diretrizes para assegurar a proteção dos direitos da criança e do adolescente no país.

Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o conselho, um dos poucos que sobreviveu ao decreto que extinguiu órgãos de participação social, já vinha sendo inviabilizado sob a gestão do atual Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, pasta à qual é vinculado.
Os problemas começaram no início do ano, e se agravaram nos últimos meses. Em maio, o ministério suspendeu o pagamento de passagens e diárias para que conselheiros, que não recebem remuneração pelo cargo, pudessem participar das assembleias.
Em agosto, entidades chegaram a custear os valores por conta própria para poder tomar decisões, mas a ausência de integrantes do governo evitou que o quórum fosse atingido.
Na última semana, a pasta também exonerou a secretária-executiva do Conanda sem que a decisão fosse submetida ao órgão. Prevista para ser realizada em outubro, a conferência nacional dos direitos da criança também foi cancelada.

Lágrimas de crocodilo não apagam fogo

(Foto: Sentinel Hub)


Por Pedro Marin
Revista Opera

Em 1977, em um encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Darcy Ribeiro postulou: “Nunca se viu, em outra parte, ricos tão capacitados para gerar e desfrutar riquezas, e para subjugar o povo faminto no trabalho, como os nossos senhores empresários, doutores e comandantes. […] Eles tramam e retramam, há séculos, a malha estreita dentro da qual cresce, deformado, o povo brasileiro.”


Ele continua: “A renda per capita dos escravos de Pernambuco, da Bahia e de Minas Gerais – eles duravam em média cinco anos no trabalho – mas a renda per capita dos nossos escravos era, então, a mais alta do mundo. […] O valor da exportação brasileira no século XVII foi maior que o da exportação inglesa no mesmo período. O produto mais nobre da época era o açúcar. Depois, o produto mais rendoso do mundo foi o ouro de Minas Gerais, que multiplicou várias vezes a quantidade de ouro existente no mundo. […].
O café, por sua vez, foi o produto mais importante do mercado mundial até 1913, e nós desfrutamos, por longo tempo, o monopólio dele. […] Depois, por algumas décadas, a borracha e o cacau deram também surtos invejáveis de prosperidade que enriqueceram e dignificaram as camadas proprietárias e dirigentes de diversas regiões. […] aqui no Brasil se tinha inventado ou ressuscitado uma economia especialíssima, fundada num sistema de trabalho que, compelindo o povo a produzir o que ele não consumia – produzir para exportar -, permitia gerar uma prosperidade não generosa, ainda que propensa, desde então, a uma redistribuição preterida.”
Não há como entender a cortina de fumaça que, vinda da Amazônia, toma o céu paulistano, sem entender que São Paulo, a genial e rica metrópole, é só um ponto de parada da grande malha comercial que começa no Norte, Nordeste ou no Centro-Oeste, para terminar numa fábrica norte-americana, chinesa ou holandesa. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Na Câmara, Dilma chama governo Bolsonaro de ‘neofascista’


                                                      PODER 360 - Sabrina Freire


© Lula Marques A ex-presidente Dilma Rousseff ao discursar em seminário na Câmara dos Deputados

No Congresso Nacional pela 1ª vez depois do impeachment, a ex-presidente Dilma Rousseff chamou nesta 4ª feira (4.set.2019) o governo do presidente Jair Bolsonaro de “neofascista”. Segundo ela, até o seu governo, o país havia “resistido” à política “neoliberal“, agora, tem de “conviver com absurdos característicos do neofascismo”.

 “Por que que é ‘neo’? Porque geralmente os partidos fascistas eram nacionalistas. E esse grupo que está no poder não tem o menor compromisso com a nação. Portanto, não tem compromisso com sua soberania. Porque a soberania tem necessariamente de dar respostas à questão nacional, à questão do seu país, do seu território das suas riquezas e do seu povo”, disse em discurso durante seminário sobre a “Soberania Nacional e Popular”, no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados.

Ao chegar no Congresso, Dilma foi aplaudida e recebida por líderes do PT, como a presidente do partido, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Alvo de impeachment em 31 de agosto de 2016, Dilma voltou a negar que tenha cometido 1 “crime de responsabilidade” e, para ela, o que chama de “golpe”, a prisão do ex-presidente Lula e a “destruição de partidos de centro” foram necessários para o surgimento do governo Bolsonaro.

Lula critica "entreguismo" de Bolsonaro em carta escrita ao povo brasileiro

Foto: REUTERS/Leonardo Benassatto

Yahoo Notícias, 4 de setembro de 2019
O ex-presidente Lula escreveu uma carta, lida em evento realizado em Brasília nesta quarta-feira (04), na qual critica o que chama de “farra de entreguismo e privatização predatória” que o petista diz ver nas ações do governo de Jair Bolsonaro.

No documento, Lula lista uma série de medidas de Jair Bolsonaro que, segundo ele, abalam a soberania do país e pede uma reação do povo brasileiro “antes que seja tarde demais para salvar o futuro”.
Leia a íntegra da carta de Lula:
Companheiras e companheiros de todo o Brasil,
Sempre acreditei que o povo brasileiro é capaz de construir uma grande Nação, à altura dos nossos sonhos, das nossas imensas riquezas naturais e humanas, nesse lugar privilegiado em que vivemos. Já provamos, ao longo da história, que é possível enfrentar o atraso, a pobreza e a desigualdade, com soberania e no rumo da justiça social Mas hoje o país está sendo destroçado por um governo de traidores. Estão entregando criminosamente as empresas, os bancos públicos, o petróleo, os minerais e o patrimônio que não lhes pertence, mas ao povo brasileiro. Até Amazônia está ameaçada por um governo que não sabe e não quer defendê-la; que incentiva o desmatamento, não protege a biodiversidade nem a população que depende da floresta viva.
Nenhum país nasce grande, mas nenhum país realizará seu destino se não construir o próprio futuro. O Brasil vai completar 200 anos de independência política, mas nossa libertação social e econômica sempre enfrentou obstáculos dentro e fora do país: a escravidão, o descaso com a saúde, a educação e a cultura, a concentração indecente da terra e da renda, a subserviência dos governantes a outros países e a seus interesses econômicos, militares e políticos.
Apesar de tudo, ao longo da história criamos a Petrobrás, a Eletrobrás, o BNDES e as grandes siderúrgicas hidrelétricas; os bancos públicos que financiam a agricultura, a habitação e o ensino; a rede federal e estadual de universidades, a Embrapa, o Inpe, o Inpa, centros de pesquisa e conhecimento, todo um patrimônio a serviço do país.
O que foi construído com esforço de gerações está ameaçado de desaparecer ou ser privatizado em prejuízo do país, como fizeram com a Telebrás, a Vale, a CSN, a Usiminas, a Rede Ferroviária, a Embraer. E sempre a pretexto de reduzir a presença estado, como se o estado fosse um problema quando, na realidade, ele é imprescindível para o país e o povo.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

A pequena política, a grande política e a nossa ambição



BLOG DA BOITEMPO

A pergunta essencial que se coloca hoje é: o que queremos? Nossa ambição é voltar a governar ou transformar os fundamentos econômico-sociais da ordem capitalista e construir as bases para um Estado dos trabalhadores do campo e das cidades?


Por Mauro Luis Iasi.
“O que se vê habitualmente é a luta das pequenas ambições (do próprio [interesse] particular) contra a grande ambição (que é inseparável do bem coletivo)”.
ANTONIO GRAMSCI


É bastante conhecida entre nós a diferenciação que Antonio Gramsci propõe entre a pequena e a grande política. Para o comunista sardo, a pequena política seria aquela do dia a dia, da intriga, das disputas parlamentares, dos corredores e dos bastidores; enquanto a grande política estaria ligada à fundação e conservação do Estado, à manutenção de determinadas estruturas econômico-sociais ou sua destruição.
A distinção entre pequena e grande política poderia ser definida de forma sintética na dimensão da ação que se manifestaria no “interior de uma estrutura já estabelecida”, portando, seu limite último é a luta pela predominância “entre as diversas frações de uma mesma classe política” (Cadernos do Cárcere, vol. 3, p. 21). Em outro texto, Gramsci já havia argumentado que a própria classe trabalhadora quando impõe a si mesma o limite da luta às fronteiras da ordem instituída acaba por se degradar em um mero segmento da classe dominante em luta pelo controle do governo do Estado burguês.
Neste presente momento, entretanto, nos interessa um outro aspecto desse fenômeno descrito por Gramsci. Para ele, faz parte da chamada grande política, isto é, da ambição de manter o Estado e a ordem que ele garante, a permanente tentativa de “excluir a grande política do âmbito interno da vida estatal e reduzir tudo à pequena política”, ou, ainda, o diletantismo que tenta colocar aspectos da pequena política como central na ambição de reorganização radical do Estado (idem, p. 22).

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Com aprovação em queda, Bolsonaro perderia hoje para Haddad, diz pesquisa

© Foto: Washington Alves/Reuters


Correio Braziliense

Com oito meses completos de governo, marcado pela demissão de três ministros até agora e em meio a uma crise com países europeus sobre as queimadas na Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro perderia a eleição para Fernando Haddad (PT), caso o segundo turno da eleição fosse disputado hoje. 

É o que aponta uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta segunda-feira (2/9/2019) pelo jornal Folha de S.Paulo.

Segundo o Datafolha, Haddad teria 42% dos votos contra 36% de Bolsonaro. Outros 18% votariam branco ou nulo e 4% não souberam responder. No segundo turno da eleição presidencial do ano passado, realizado em 28 de outubro, Bolsonaro venceu o petista por 55,13% a 44,87% dos votos válidos — o Tribunal Superior Eleitoral exclui os votos brancos e nulos da totalização. 



O Datafolha também registrou um aumento na reprovação da gestão do presidente. Subiu de 33% para 38% em relação ao levantamento anterior do instituto, feito no início de julho, e diversos indicadores apontam uma deterioração de sua imagem. É o pior índice de avaliação obtido por um presidente da República desde o Plano Real. Com oito meses de governo, Fernando Henrique Cardoso tinha 15% de desaprovação em 1995; Luiz Inácio Lula da Silva, 10% em 2003; e Dilma Rousseff, 11% em 2011. 

Índios se aliam a antigos inimigos contra planos de Bolsonaro na Amazônia



BBC NEWS 


© Lucas Landau/Rede Xingu + Indígenas se apresentam durante encontro que reuniu representantes 14 etnias e de quatro reservas extrativistas na Terra Indígena Menkragnoti, no Pará.

Quem visse na semana passada um grupo de indígenas dividindo peixes assados em folhas de bananeira numa aldeia à beira do rio Iriri, no sul do Pará, não poderia imaginar que, há algumas décadas, vários dos povos ali presentes viviam em guerra.

As rixas do passado – que quase levaram um desses grupos ao extermínio – foram abandonadas em nome de um objetivo maior: lutar contra o que eles consideram ameaças do governo Jair Bolsonaro à Amazônia.

A lista de preocupações inclui planos do governo para autorizar o arrendamento e a mineração em terras indígenas e atitudes que estariam incentivando invasões por garimpeiros e madeireiros em seus territórios, além da contaminação de rios locais por agrotóxicos. 

Espécie de Assembleia Geral da ONU de povos da floresta, o encontro que ocorreu na última semana na aldeia Kubenkokre, da Terra Indígena Menkragnoti, dos kayapós, reuniu representantes de 14 etnias indígenas e de quatro reservas ribeirinhas da bacia do Xingu.

A região, que ocupa partes do Pará e de Mato Grosso, tem área equivalente à do Rio Grande do Sul e é um dos últimos trechos preservados da Amazônia em sua porção oriental. Dados do boletim Sirad-X, porém, indicam que a região perdeu 68,9 mil hectares de floresta – equivalente à área de Salvador – entre janeiro e junho deste ano. O boletim é produzido pela Rede Xingu+, que organizou a assembleia e agrega 24 organizações ambientalistas e indígenas da região.

'Um só inimigo: o governo do Brasil'

domingo, 1 de setembro de 2019

A “Legião Estrangeira”, a qual governa nossa cidade há mais de 40 anos, não consegue inserir Garanhuns no Mapa do Turismo Brasileiro, triênio 2019-2021 (título nosso).

                                                                                Publicado em 01/09/2019,  pela JC On line - 
                                                                                   Por Marília Banholzer

Destino consolidado no Estado, Garanhuns não conseguiu cumprir novas exigências e foi retirado do Mapa do Turismo 2019-2021
Com 591 municípios a menos, o Mapa do Turismo Brasileiro 2019-2021 encolheu 18%. As regiões Norte e Nordeste registraram as maiores quedas percentuais: 29% e 20,3%. No caso de Pernambuco, a redução foi de 26,2%. Trinta cidades pernambucanas deixaram de figurar no mapa. No entanto, como houve a inclusão de três novos municípios (Paudalho, Ibimirim e Jataúba), o saldo negativo fechou em 27. No total, Pernambuco tem agora 76 cidades com vocação turística, distribuídas em 13 regiões de desenvolvimento. A nova configuração do Mapa do Turismo Brasileiro foi anunciada na última semana pelo Ministério do Turismo.

A redução é um golpe para o turismo estadual, principalmente porque a maior parte das cidades excluídas estão localizadas no interior. Entre elas, destacam-se Garanhuns (Agreste), que realiza o Festival de Inverno, e as sertanejas Serrita, palco da tradicional Missa do Vaqueiro, e Exu, que abriga o Museu de Gonzagão.

Na prática, estar fora do Mapa do Turismo inviabiliza as cidades de apresentarem projetos para atração de investimentos do governo federal, ficando restritas aos cofres municipais, estaduais e tentativas de emendas parlamentares. A entrada e saída de municípios  depende do preenchimento de certos pré-requisitos.

Segundo a coordenadora-geral de Mapeamento e Gestão Territorial do Ministério do Turismo, Ana Carla Fernandes Moura, novas exigências foram debatidas em dezembro de 2018 com integrantes do setor e tornaram o processo mais rígido. "O Ministério não inclui ou exclui ninguém. Deixamos o sistema disponível para que os responsáveis alimentem com os dados que comprovem o cumprimento dos pré-requisitos. Queremos sempre ampliar o número de municípios, mas esse movimento de entrada e saída ocorre desde o primeiro mapa", explica Ana Carla Moura.

CNBB reage a críticas sobre Sínodo da Amazônia



 
                                                                            ESTADÃO - Felipe Frazão

© FELIPE FRAZÃO/ESTADÃO D. Claudio Hummes, d. Alberto Corrêa e d. Walmor Azevedo falam sobre o Sínodo.

BRASÍLIA - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou neste domingo, 1.º, uma contra-ofensiva nas redes sociais e em veículos de comunicação católicos em defesa do papa Francisco e do Sínodo da Amazônia. A intenção é rebater críticas dentro e fora da Igreja, como do governo de Jair Bolsonaro e de alas conservadoras do clero. A campanha foi divulgada com duas frases para marcar o conteúdo nas redes sociais: #euapoioosínodo e #euapoioopapa.

A CNBB e a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) vão distribuir vídeos com depoimentos de bispos e uma série documental gravada durante a preparação do Sínodo, para mostrar a realidade da Amazônia na voz dos povos originários que participaram das escutas realizadas pela Igreja. A CNBB quer que as TVs católicas de todo o País também produzam conteúdo próprio em defesa do sínodo e do pontífice.

Como mostrou o Estado, grupos católicos conservadores, que desejam promover um contraponto ao Sínodo e rebater o que consideram como influências de esquerda nos trabalhos preparatórios, fizeram uma mobilização que envolve a divulgação de conteúdo on-line e campanhas nas ruas. Entre esses segmentos, está o Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, ligado à antiga TFP (Tradição, Família e Propriedade). Com frequência, o papa é classificado como "comunista".

A iniciativa da CNBB também têm como objetivo rebater informações disseminadas por youtubers ligados a essa ala mais conservadora do catolicismo.