quarta-feira, 24 de junho de 2020

Flávio Bolsonaro é citado cinco vezes como líder de organização criminosa

(Foto: Agência Brasil)

João de Mari

Yahoo Notícias,  24 de junho de 2020

 

As investigações estão focadas nos desvios de salários dos assessores da Alerj, conhecido como “rachadinha” 

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) é citado cinco vezes pela Promotoria do Rio de Janeiro como líder de organização criminosa. As citações estão no relatório do pedido de prisão do ex-assessor Fabrício Queiroz e de sua esposa Márcia Oliveira de Aguiar, ordenados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ).

Na representação enviada à Justiça, o MP do Rio fez diferentes referências ao senador. Em cinco delas, ele foi descrito como “líder da organização criminosa” instalada em seu gabinete quando deputado estadual na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, as indicações tratam de depósitos fracionados em dinheiro na conta de Flávio, pagamento de boletos do parlamentar por Queiroz e supostos crimes cometidos por seu advogado à época.

Flávio e Queiroz estão no centro das investigações do MP do Rio sobre supostos crimes de peculato, nome dado ao crime cometido por qualquer servidor público que se apropria de dinheiro ou qualquer bem que tenha acesso devido ao cargo, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Os supostos crimes foram praticados entre 2007 e 2018. As investigações estão focadas nos desvios de salários dos assessores da Alerj, conhecido como rachadinha, que ocorriam “de forma reiterada e estruturada”, diz trecho da representação do MP do Rio.

Queiroz foi preso em Atibaia, no interior de São Paulo, na residência de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro e de Flávio até três dias depois da prisão do ex-assessor. 

Segundo o senador, Wassef deixou de ser seu advogado no último domingo (21). Após a operação, Flávio negou as acusações de rachadinha e se disse “vítima de um grupo político”. 

EM TEMPO: No Clã Bolsonaro só tem gente da "melhor qualidade" (rsrsrs). Agora durmam com essa bronca. 


Partidos pedem inclusão de Bolsonaro no inquérito de atos antidemocráticos

Correio Braziliense -  Luiz Calcagno

© Evaristo Sá/AFPO.

PSol pediu a inclusão do presidente da República, Jair Bolsonaro, no inquérito que investiga as manifestações antidemocráticas. O pedido é de 4 de maio e consta nos autos. O Correio teve acesso ao inquérito sigiloso com exclusividade. O pedido é assinado pela líder do partido na Câmara, Fernanda Melchionna, e outros parlamentares da legenda.


Mas esse não é o primeiro da agremiação, já que havia um de 22 de abril no mesmo sentido. Deputados do PT e o líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também estão entre os que solicitaram a inclusão do chefe do Executivo nas investigações.

O pedido do Psol destaca que os atos passaram a ocorrer com mais intensidade no período de pandemia de coronavírus, descumprindo determinações científicas e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre as manifestações, o partido destacou a que o presidente deixa o Palácio do Planalto para falar com manifestantes no período em que ainda aguardava o resultado dos exames de coronavírus. Sem saber se estava, ou não, contaminado, o presidente compareceu ao ato sem máscara e apertou a mão de diversos apoiadores.

Redes sociais

O pedido do PSol também cita manifestações de Bolsonaro nas redes sociais. "O Presidente da República ampliou suas agressões e desafios contra as instituições brasileiras. Mais uma vez, deliberadamente, aumenta o nível de instabilidade política no país, afrontando o ordenamento, as confrontando as instituições e avançando, cada dia mais um pouco, em sua sanha autoritária e antidemocrática, até agora impune", argumenta o PSol.

Segredos em celular de Bebianno assombram Bolsonaro


Texto extraído do Blog do  Magno Martins. 
Com edição de Ítala Alves

Por  Hylda Cavalcanti

Como se não bastasse a previsão de mais uma semana turbulenta para o presidente Jair Bolsonaro e os filhos, diante dos desdobramentos das investigações de Fabrício Queiroz, preso na última quinta-feira (18), um caso antigo que aguarda desfecho volta à tona para tirar ainda mais o sono do presidente: o famoso telefone celular do ex-ministro e desafeto Gustavo Bebianno. Desaparecido, o celular voltou a ser citado por pessoas próximas a Bebianno – ex- coordenador da campanha de Bolsonaro, falecido em março passado, vítima de infarto – e pode vir a ter seu conteúdo investigado dentro de pouco tempo.

Em matéria da jornalista Thaís Oyama, publicada no Portal UOL de ontem (21), ela afirma ter recebido a confirmação de uma fonte que era amigo do ex-ministro de que o celular estava realmente nos Estados Unidos, mas já retornou ao Brasil. O aparelho teria registros de conversas durante o período de um ano e meio entre Bebianno e Jair Bolsonaro.

Thaís Oyama é a autora do livro “Tormenta”, lançado recentemente, que relata o primeiro ano do governo Bolsonaro. É considerada, nos últimos tempos, uma das jornalistas mais bem informadas sobre os meandros do Executivo Federal e das relações entre o presidente e seus ministros.

Segundo essa fonte teria dito a Oyama, o aparelho está sendo mantido em local seguro, sob a responsabilidade da irmã de Bebianno – que até agora não se manifestou a respeito. 

Durante entrevista concedida em janeiro, o advogado e ex-ministro chegou a dizer que tinha um material com provas graves contra o presidente e que este material estava guardado fora do país, por motivo segurança, para o caso de alguma coisa lhe acontecer. Muita gente acha que o telefone consiste em parte desse acervo citado por ele.

Também já foi dito por uma pessoa que afirma conhecer o teor das conversas arquivadas que embora estas informações a serem reveladas não apresentem propriamente indícios de crimes, podem causar sérios desgastes morais para a imagem de Jair Bolsonaro.

MPF: procuradores elegem opositores de Aras e mandam 'recado' para PGR em disputa

BBC NEWS

© ABR Parte dos procuradores considera que o atual PGR excessivamente próximo ao presidente da República

Procuradores da República aproveitaram uma eleição interna concluída na terça-feira (23/6) para mandar um recado ao procurador-geral da República, Augusto Aras.

Dois candidatos que fazem "oposição" a Aras na política interna do MPF foram eleitos como titulares do Conselho Superior do Ministério Público (CSMPF), derrotando procuradores considerados próximos ao atual PGR.

Mario Luiz Bonsaglia foi eleito para o Conselho com 645 votos, e Nicolao Dino conquistou a segunda vaga com 608 sufrágios. Nos bastidores, ambos são vistos como críticos da gestão de Aras.

Na semana que vem, serão eleitos mais dois integrantes do Conselho Superior. Nesta segunda disputa, o voto é restrito aos subprocuradores-gerais, que estão no último degrau da carreira do MPF. Dependendo dos resultados, Aras pode até mesmo perder a maioria no órgão.

Em junho passado, Bonsaglia foi o mais votado pelos procuradores na lista tríplice organizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

O presidente, Jair Bolsonaro, no entanto, resolveu ignorar a lista — a primeira vez que um presidente faz isso desde 2003 — e escolheu Augusto Aras, que não participou daquela eleição. Nicolao Dino, por sua vez, é irmão do governador maranhense Flávio Dino (PC do B).

Enquanto isso, profissionais percebidos como próximos ao atual PGR tiveram desempenho bem mais modesto na eleição para o Conselho.

Carlos Frederico Santos teve 190 votos; e Maria Iraneide foi apoiada por 121 membros do Ministério Público Federal. Não foram eleitos, portanto.

Recentemente, ambos foram escolhidos por Aras como coordenadores de Câmaras temáticas da PGR. Santos coordena a 2ª Câmara (Criminal) e Iraneide, a 5ª (Combate à Corrupção).

terça-feira, 23 de junho de 2020

PF reforça pedido para ouvir Bolsonaro e diz que inquérito sobre interferência avança

(Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)


CAMILA MATTOSO E MATHEUS TEIXEIRA

Folhapress, 23 de junho de 2020

 

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal reafirmou ao ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), que precisa colher o depoimento do presidente Jair Bolsonaro no inquérito aberto após Sergio Moro pedir demissão do Ministério da Justiça com graves acusações ao chefe do Executivo.

A delegada Christiane Machado, responsável pelas apurações, encaminhou ofício ao decano do STF, que é o relator do caso, e disse que as “investigações se encontram em estágio avançado, razão pela qual nos próximos dias torna-se necessária a oitiva” de Bolsonaro.

Em 29 de maio, quando solicitou a prorrogação do inquérito por mais 30 dias, a PF já havia manifestado a necessidade de interrogar o presidente da República.

A oitiva de Bolsonaro é considerada fundamental para elucidar os fatos em apuração, uma vez que algumas das principais suspeitas sobre o mandatário decorrem de falas dele próprio em aparições públicas e no vídeo da reunião ministerial de 22 de abril.

Conforme o Código do Processo Penal, o presidente tem a prerrogativa de depor em local, dia e hora previamente ajustados com o magistrado.

Também pode optar por dar as explicações por escrito. Nesse caso, diz a lei, as “perguntas, deferidas pelo juiz, Ihes serão transmitidas por ofício”.

As investigações contra o presidente foram abertas em abril, a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), após ex-ministro acusar Bolsonaro de tentar interferir no comando da PF e na Superintendência do Rio de Janeiro da corporação. Bolsonaro nega a acusação.

Até o momento, a PF já colheu depoimentos de Moro, delegados, ministros e políticos para embasar o relatório final.

Os elementos colhidos até agora no inquérito que apura as acusações de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal reforçam a narrativa do ex-ministro sobretudo em relação ao Rio de Janeiro.

Oito depoimentos prestados confirmaram a versão de Moro de que o presidente, desde agosto do ano passado, queria trocar o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. E sete acrescentaram o desejo dele de mexer no comando da Superintendência do Rio.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

PGR indica que bolsonaristas podem ter lucrado mais de R$ 100 mil com atos

© Lula Marques/Agência PTA

Correio Braziliense - Augusto Fernandes

 

Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que aliados do presidente Jair Bolsonaro podem ter lucrado mais de R$ 100 mil com a divulgação de atos antidemocráticos. O inquérito, aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da PGR, investiga a organização e financiamento de manifestações que pediam o fechamento do Congresso Nacional e do STF.

Veículos da imprensa que tiveram acesso ao inquérito, como a CNN Brasil e o jornal O Estado de S. Paulo, destacaram que dois canais pró-governo no Youtube, Folha Política e Foco do Brasil, podem ter embolsado mais de R$ 100 mil com transmissões dos discursos de Bolsonaro em manifestações recentes. O Estadão apontou o valor de R$ 157 mil. A Folha Política, especificamente, faturou entre US$ 6 mil e US$ 11 mil com a live do presidente no ato de 3 de maio.

“Com o objetivo de lucrar, estes canais, que alcançam um universo de milhões de pessoas, potencializam ao máximo a retórica da distinção amigo-inimigo, dando impulso, assim, a insurgências que acabam efetivamente se materializando na vida real, e alimentando novamente toda a cadeia de mensagens e obtenção de recursos financeiros”, detalhou o vice-procurador-geral da República, conforme informações do Estadão.

Na noite desta segunda-feira (22/6), o ministro do STF Alexandre de Moraes retirou o sigilo da decisão da semana passada que resultou em uma operação da Polícia Federal no âmbito do inquérito dos atos antidemocráticos. Na decisão, ele aponta indícios que “confirmam a real possibilidade de existência de uma associação criminosa”. 

Em manifestação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou a participação de parlamentares na formulação de mensagens, propagação e financiamento de profissionais na produção das mensagens dos movimentos inconstitucionais, que pediam fechamento do Congresso Nacional e do STF.

O documento cita a existência de uma “rede integralmente estruturada de comunicação virtual voltada tanto à sectarização da política quanto à desestabilização do regime democrático para auferir ganhos econômicos diretos e políticos indiretos”. 

Na semana passada, Moraes determinou a quebra de sigilo bancário de 10 deputados federais e um senador bolsonaristas no âmbito do inquérito, com base nesta manifestação da Procuradoria. No mesmo dia, a Polícia Federal havia cumprido buscas e apreensões contra 21 pessoas apoiadoras do presidente, entre blogueiros e tendo atingido um deputado federal, Daniel Silveira (PSL-RJ), que também teve quebra de sigilo. Moraes usou esta manifestação da PGR para basear as determinações. 


Moraes vê 'real possibilidade' de associação criminosa em atos antidemocráticos

Isadora Peron

Valor Econômico, 22 de junho de 2020

 

Ministro Alexandre de Moraes durante sessão do STF (Rosinei Coutinho/SCO/STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu retirar o sigilo da decisão que autorizou, na semana passada, uma operação da Polícia Federal (PF) no inquérito que investiga a organização e o financiamento de atos antidemocráticos.

Segundo o ministro, “diante de inúmeras publicações jornalísticas de trechos incompletos do inquérito, inclusive da manifestação da PGR e da decisão judicial proferidas nos autos do Inquérito 4828, que tramita nesta Corte, torno pública a decisão proferida em 27 de maio de 2020".

Na decisão, Moraes afirma que os “indícios apresentados na manifestação apresentada pela Procuradoria-Geral da República confirmam a real possibilidade de existência de uma associação criminosa” por trás da realização de manifestações que pedem o fechamento de Congresso, do STF e a volta do regime militar.

Para a PGR, “pode haver abusos e crimes que precisam ser apurados a partir do esclarecimento do modo de funcionamento estruturado economicamente rentável de uma escala de organização e agrupamento com pretensões aparentes de execução de ações contra a ordem constitucional e o Estado Democrático e provocação das Forças Armadas ao descumprimento de sua missão constitucional”.

Segundo Moraes, o Ministério Público Federal aponta, “detalhadamente”, a existência de vários núcleos dessa suposta associação criminosa, intitulados “organizadores e movimentos”, “influenciadores digitais e hashtags”, “monetização” e “conexão com parlamentares”.

Para a PGR, “há participação de parlamentares tanto na expressão e formulação de mensagens [nas redes sociais], quanto na sua propagação e visibilidade, quanto no convício e financiamento de profissionais da área”.

Na sua decisão, o ministro do STF afirma ainda que “toda essa estrutura, aparentemente, estaria sendo financiada por empresários que, conforme os indícios apresentados, atuariam de maneira velada fornecendo recursos – das mais variadas formas –, para os integrantes dessa organização”.

A decisão do ministro é do dia 27 de maio. As diligências, no entanto, foram colocadas em prática somente no dia 17 de junho, com a deflagração, pela Polícia Federal, da Operação Lume.

A delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro chegou a pedir para que Moraes adiasse ou “recolhesse” os mandados de buscas e as quebras de sigilos que atingiram parlamentares da base aliada do presidente Jair Bolsonaro, empresários e blogueiros bolsonaristas.

Com divergências em relação às medidas adotadas pela PGR, a Polícia Federal decidiu instaurar um inquérito paralelo para investigar a realização de atos antidemocráticos.


De Weintraub a Queiroz: a boquinha não tinha acabado?

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub. 
Foto: Andre Borges/NurPhoto (via Getty Images)
(A máscara contém a foto do Ministro e a expressão: "Meu Ministro Favorito" 
psicanalista   Freud deve explicar  bem esse tipo de    comportamento do 
indivíduo - Grifo deste Blog)

Matheus PichonelliYahoo Notícias, 22 de junho de 2020

No sábado (20), dia em que o Brasil chegou a 50 mil mortes por coronavírus, só nas contas oficiais, o ainda ministro da Educação, Abraham Weintraub, pegou um avião e usou o passaporte diplomático para entrar nos EUA. 

Com risco de ser preso no Brasil, foi exonerado naquele dia mesmo em edição extra do Diário Oficial. Chegamos, assim, a um momento de alta tensão da pandemia com interinos nos ministérios da Educação e da Saúde -- por onde já passaram três titulares.

Dois meses antes da fuga, Weintraub participou da famosa reunião de 22 de abril. A proposta de prender vagabundo, a começar pelo STF, era sua principal contribuição para a crise da pandemia que ameaça a realização, por exemplo, do Enem. Atacar o sistema de cotas para pós-graduação foi seu ato final na pasta.

Weintraub, o mais bolsonarista dos ministros (ok, a competição com Ernesto Araújo e Ricardo Salles é pesada), deixou o cargo da mesma forma como entrou: sem prestar qualquer serviço à educação do país.

A inapetência do ministro foi dissecada num relato feito no Twitter pela jornalista de O Estado de S.Paulo Andreza Matais:

“Estive com o ministro Weintraub uma vez. No gabinete, eu e outros dois colegas fomos recebidos por ele e por uma assessora que passou o tempo todo deitada no sofá. O ministro contou que aos 10 anos comprou numa quermesse a versão em inglês de ‘A revolução dos bichos’. Tentamos saber quais os planos do ministro para educação, suas prioridades para o MEC. Saímos com o bloco vazio. Foi a pior experiência da minha vida profissional”.

Generais criticam presença de oficiais da ativa no governo



ESTADÃO - Tânia Monteiro


© Werther Santana/Estadão O presidente Jair Bolsonaro e o general Luiz Eduardo Ramos.

BRASÍLIA – O discurso de distanciamento das Forças Armadas da política é prejudicado pela presença de militares da ativa na gestão Bolsonaro. Os ministros da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e da Saúde, Eduardo Pazuello, por exemplo, são generais da ativa.

O entendimento geral nas três forças é de que o escolhido, ao assumir o posto de natureza civil, deveria pedir transferência para a reserva. Ramos disse, recentemente, que pretende aposentar a farda para se dedicar à articulação política do governo.

Estadão revelou que 2,9 mil militares da ativa ocupam cargos no Executivo. São 1.595 integrantes do Exército, 680 da Marinha e 622 da Força Aérea. A reportagem levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a decidir contar quantos militares ocupam cargos na administração Bolsonaro, além de fazer uma tabela comparativa da atual gestão com as de Michel Temer e Dilma Rousseff.

“Respeito a decisão da maioria do Tribunal. Mas também não seria importante saber quantos médicos e engenheiros tem no governo? Quantos homens e mulheres? Quantos indígenas, negros, pardos e brancos? Digo com propriedade que militares são cidadãos fardados que mesmo na reserva continuam servindo ao País. Diante disso questiono: há algum problema com os militares?", perguntou Ramos, em postagem nas redes sociais, no último dia 18.

De qualquer forma, há também incômodo, na Marinha e na Aeronáutica, com a nomeação do pessoal da ativa para trabalhar no Planalto e na Esplanada, e com a tentativa de Bolsonaro de colar sua imagem à das Forças Armadas. Em fevereiro, o presidente convocou o almirante Flávio Rocha para assumir uma assessoria especial no seu gabinete. Atualmente, o oficial executa várias tarefas para ajudar Bolsonaro a solucionar problemas, principalmente os políticos.

A presença de Rocha no gabinete presidencial preocupa a Marinha. Das três forças, a Aeronáutica é a que tem menos pessoal da ativa no governo. A maior apreensão, atualmente, é com uma onda de manifestos de militares da reserva a favor de Bolsonaro e contra o Judiciário e o Congresso. Embora afastados do dia a dia da força, os oficiais aposentados da Força Aérea Brasileira (FAB) acabam sendo vistos como representantes da instituição.

Na última quinta-feira, o texto “504 Guardiões da Nação”, que circulou nas redes, contava com 243 militares da reserva, a maioria da FAB, aí incluídos seis tenente-brigadeiros, ex- integrantes do Alto Comando da Aeronáutica.

EM TEMPO: O que nos deixa perplexos é assistir diversos militares da ativa e da reserva se posicionarem a favor de Bolsonaro, ex-militar indisciplinado, emocionalmente instável, culturalmente despreparado, o qual foi expulso do Exército. Já dizia o ex-presidente ditatorial Ernesto Geisel que Bolsonaro era um mal militar. Para arrefecer os espetáculos, as bravatas e a brabeza de Bolsonaro, a solução consiste no desembarque dos militares do governo. Afinal, Bolsonaro age, indevidamente,  com a "pólvora dos militares". Agora durmam com essa bronca

Lei de Segurança Nacional: Por que lei criada na ditadura voltou a ser tão usada em 2020


BBC NEWS

© AFP Manifestante pedindo volta do AI-5 em protesto em Brasília no domingo (20).

PGR pediu inquérito para apurar protestos

 

 

Redigida durante a ditadura militar, a Lei de Segurança Nacional (LSN), que lista crimes contra 'a segurança nacional' e a 'ordem política e social', está em vigor até hoje, mas foi usada muito pouco e pontualmente desde a redemocratização.

Nos últimos tempos, no entanto — e especialmente neste ano de 2020 — a LSN voltou com tudo. Ela tem sido evocada por diversos lados do espectro político para enquadrar desde grupos de extrema-direita que pediam a volta da ditadura militar até um cartunista que fez uma charge crítica ao presidente Jair Bolsonaro.

Na semana passada, o governo também ameaçou enquadrar na lei servidores que divulgassem informações discutidas no Ministério da Saúde, comandado interinamente pelo general Eduardo Pazuello. Os servidores foram obrigados a assinar um termo de sigilo que dizia qualquer vazamento poderia ser enquadrado na LSN.

Foi a segunda vez que o governo falou em Lei de Segurança Nacional na mesma semana. No dia 15, o advogado-geral da União, André Mendonça, havia dito que iria pedir uma investigação contra o cartunista Aroeira com base na LSN, por uma charge crítica ao presidente. No desenho, Bolsonaro aparecia pintando uma suástica nazista sobre um símbolo de pronto-socorro — uma crítica ao incentivo do presidente de que pessoas invadissem hospitais para filmar. Em apoio ao artista, dezenas de cartunistas repetiram o desenho.

domingo, 21 de junho de 2020

Liderar pelo exemplo: Cuba e o combate à Covid-19

Foto: Endrys Correa Vaillant


por Helen Yaffe*

A resposta de Cuba socialista à pandemia global de SARS-CoV2 destacou-se, tanto internamente, como pela sua contribuição internacional. Que uma pequena nação insular, sujeita a centenas de anos de colonialismo e imperialismo e, desde a Revolução de 1959, a seis décadas de criminoso bloqueio dos Estados Unidos, possa desempenhar um tão exemplar papel deve-se ao sistema socialista de Cuba. O plano central direciona os recursos nacionais de acordo com uma estratégia de desenvolvimento que prioriza o bem-estar humano e a participação da comunidade, não o lucro privado.

As autoridades cubanas reagiram rapidamente às informações chinesas sobre o SARS-CoV2 no início do ano. Em janeiro, as autoridades criaram uma Comissão Intersetorial Nacional para a COVID-19, atualizaram o seu Plano de Ação Nacional para Epidemias, iniciaram a vigilância nos portos, aeroportos e fuzileiros, responderam à COVID-19 treinando funcionários da fronteira e imigração e elaboraram um plano de “prevenção e controle”. Especialistas cubanos foram à China para conhecer o comportamento do novo coronavírus e as comissões do Conselho Científico do governo começaram a trabalhar no combate ao coronavírus. 

Durante o mês de fevereiro, as instalações médicas foram reorganizadas e o pessoal treinado para controlar internamente a propagação do vírus. No início de março, criou-se um grupo de ciência e biotecnologia para desenvolver tratamentos, testes, vacinas, diagnósticos e outras inovações em relação à COVID-19. A partir de 10 de março, os viajantes que entravam no país passaram a ser testados à COVID-19. Tudo isto antes de o vírus ser detectado na ilha.

Em 11 de março, três turistas italianos foram confirmados como os primeiros casos de COVID-19 em Cuba. As autoridades cubanas de saúde entraram em ação, organizando reuniões de bairro, organizando exames de saúde porta a porta, testes, rastreamento de contatos e quarentena. Isto foi acompanhado por programas de educação e atualizações diárias de informações. A população entrou em “confinamento” em 20 de março, obrigada a respeitar as regras de distanciamento social e a usar máscaras faciais ao sair de casa para tratar de assuntos essenciais. Os impostos comerciais e as dívidas domésticas foram suspensos, os hospitalizados tinham 50% dos seus salários garantidos e às famílias de baixos rendimentos foram aplicados esquemas de assistência social e familiar, com alimentos, medicamentos e outros bens entregues em suas casas. 

Governo Bolsonaro pagou R$ 41 milhões a empresa da ex-mulher de Wassef

                                                                                             Colaboradores Yahoo Notícias, 21 de junho de 2020

 

Brazilian Frederick Wassef, lawyer of President Jair Bolsonaro, attends the inauguration ceremony of the Minister of Communications Fabio Farias, at Planalto Palace in Brasilia, Brazil, June 17, 2020.

 

A empresa Globalweb Outsourcing recebeu R$ 41,6 milhões do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). A companhia foi fundada por Cristina Boner Leo, ex-mulher de Frederick Wassef, advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente.

Em um imóvel de Wassef, localizado em Atibaia (SP), foi encontrado Fabrício Queiroz, investigado por suspeita de operar esquema de “rachadinha” - recolhimento de parte do salário de servidores - no gabinete de Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual.

A empresa da ex-mulher de Wassef, segundo reportagem do portal UOL, presta serviços de informática e tecnologia da informação a diferentes órgãos da administração federal, como o Ministério da Educação e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A Globalweb também foi contratada nos governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), porém recebeu R$ 42 milhões durante toda a gestão dos dois presidentes, ao passo que Bolsonaro desembolsou valor equivalente com menos de 18 meses de gestão.

Segundo levantamento feito pelo UOL no portal da Transparência e Diário Oficial, os contratos que a empresa tinha negociado com governos anteriores foram prorrogados e receberam aditivos de R$ 165 milhões pela gestão de Bolsonaro. O novo governo ainda fechou novos contratos com a Globalweb por R$ 53 mi, totalizando R$ 218 milhões a serem pagos nos próximos anos.

Wassef respondeu que os negócios da empresa não têm relação alguma com ele, acusou um ex-marido de Cristina Boner Leo de persegui-la e defendeu Jair Bolsonaro. A Globalweb e Cristina negaram "qualquer tentativa de vinculação de seus resultados ou das contratações como fruto de influência política".

O Palácio do Planalto não se manifestou.

EM TEMPO: Alguém quer levar, para casa,  Bolsonaro,  para concluir sua criação, educação, bondade, não incentivar o uso de armas de fogo, honestidade, desejar o bem ao próximo, não incentivar as milícias, etc? É muita resenha esse desgoverno. Agora durmam com essa bronca. 

Sucessão de erros leva Brasil a mais de 50 mil mortos pela Covid-19

 (AP Photo/Leo Correa)

Renato Grandelle

O Globo,  21 de junho de 2020

 

A woman walks amid symbolic graves on Copacabana beach, dug by activists from NGO Rio de Paz protesting the government's handling of the COVID-19 pandemic in Rio de Janeiro, Brazil, Thursday, June 11, 2020. A Brazilian Supreme Court justice ordered the government of President Jair Bolsonaro to resume publication of full COVID-19 data, including the cumulative death toll, following allegations the government was trying to hide the severity of the pandemic in Latin America’s biggest country. 

Fronteiras abertas, falta de testes, apagão de dados públicos, quarentenas descumpridas e brigas de autoridades. Uma sucessão de erros levou o Brasil à vexaminosa marca de 50 mil óbitos pela Covid-19. Afinal, a doença já havia deixado um rastro de tragédias bem antes de aterrissar aqui — segundo estudos da Unicamp, o país foi o último entre as 15 maiores nações do mundo acometidas pelo novo coronavírus. 

[Convém deixar bem claro: a briga é patrocinada pelo presidente Bolsonaro, o qual chamou de "gripezinha", zombou dos brasileiros com o seu "E daí", provocou a saída de dois Ministros da Saúde, receitou ilegalmente a "Cloroquina", desmontou a técnica e a ciência do Ministério  da Saúde e questiona constantemente o isolamento social, além das agressões indevidas do seu governo à China,  a OMS e aos Prefeitos e Governadores - grifo deste Blog

Não faltaram exemplos internacionais sobre como evitar — ou, ao menos, amenizar — a onda de óbitos no Brasil. Hoje estável em diversas regiões do país, o índice de mortes pode voltar a subir nas próximas semanas, diante da abertura precoce de serviços em grandes centros urbanos, como Rio e São Paulo.

— A Argentina fechou suas fronteiras e registrou menos de mil mortes. O Brasil é um país muito maior e esta operação seria mais complicada, mas poderia ter sido feita, ao menos, nos aeroportos de Rio e São Paulo, com um centro de controle para testagem de passageiros — diz o pesquisador de imunologia Alessandro Farias, coordenador da força-tarefa da Unicamp contra a Covid-19.

sábado, 20 de junho de 2020

Trama para esconder Queiroz e ajudar Adriano da Nóbrega joga a milícia no coração da família Bolsonaro


EL PAÍS - Felipe Betim

© Fornecido por EL PAÍS. Queiroz faz churrasco em Atibaia, em foto que faz parte da ordem de prisão contra ele.

No inquérito que investiga o esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro aparece como “líder” de uma suposta organização criminosa que tem Fabrício José Carlos de Queiroz como operador financeiro e personagem central. 

As 46 páginas da decisão do juiz Flávio Itabaiana Nicolau, que determinou a prisão preventiva de Queiroz na última quinta-feira, narra uma novela em que acontece de tudo. O ex-policial e ex-assessor do filho zero um do presidente Jair Bolsonaro movimentou quase três milhões de reais em sua conta bancária entre abril de 2007 e 17 de dezembro de 2018 e pagou dezenas de boletos pelo chefe, segundo o inquérito do MP citado pelo magistrado. Para além de seu papel como homem forte do gabinete na Alerj, o inquérito também reforça ainda mais o elo de Queiroz e da família Bolsonaro com Adriano Magalhães da Nóbrega, o ex-capitão do Bope que liderava o grupo miliciano Escritório do Crime, suspeito de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes e que estava foragido até ser morto em operação policial em fevereiro deste ano.

Os elos entre a família Bolsonaro e Adriano já eram conhecidos. Além de ter sido homenageado com uma medalha Tiradentes pelo então deputado Flávio Bolsonaro, entre os assessores de seu gabinete estavam Danielle Mendonça da Costa e Raimunda Veras Magalhães, ex-esposa e mãe, respectivamente, de Adriano. O inquérito do MP mostra que tanto Raimunda como o miliciano participaram do suposto esquema criminoso e fizeram vários depósitos nas contas de Queiroz. Estima-se que somente Adriano possa ter transferido mais de 400.000 reais para o ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Mas o envolvimento de Queiroz com milicianos não se limitava a esses vínculos empregatícios. O inquérito mostra que até o final do ano passado, às vésperas de o STF destravar as investigações sobre o esquema, Queiroz orientava Raimunda a permanecer escondida fora do Rio. Através dela, também seguia mantendo contato com o foragido Adriano. Em dezembro, Márcia Oliveira de Aguiar, esposa de Queiroz, e o advogado Gustavo Botto Maia, que representava Flávio Bolsonaro, foram até Minas Gerais e se reuniram pessoalmente com Raimunda. O encontro foi inclusive registrado em fotografia e consta no inquérito.