domingo, 16 de fevereiro de 2020

CHUVA, DESENVOLVIMENTO E RACISMO AMBIENTAL



Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM)
São Paulo está entre as 10 cidades com o maior número de bilionários do mundo, com o décimo maior PIB do planeta, circulando mais de 500 bilhões de reais em bens e serviços por ano. Quando se trata da região metropolitana, esse valor ultrapassa os 600 bilhões.
Na segunda, dia 10/02/2020, ao menos 12 pessoas morreram porque choveu em São Paulo.
Num raio de poucos quilômetros da avenida que é o cartão postal paulistano, barracos e moradias em situação irregular foram destruídos por uma forte chuva. Ruas, avenidas e diversos pontos da cidade ficaram alagadas, ilhando famílias sobre o telhado de suas casas.
Como uma mesma cidade responsável pela movimentação de centenas de bilhões de reais por ano ainda tem gente que morre por causa de chuva?
A forma como um povo habita o espaço geográfico é reflexo direto da organização social do seu tempo. No Brasil, o processo de industrialização na primeira metade do século XX e seu consequente êxodo rural resultou na formação das favelas e periferias nos grandes centros urbanos. Sem a casa própria e com aluguéis caros próximos aos locais de trabalho, restam ao trabalhador duas alternativas: morar em regiões extremamente distantes de onde trabalham ou morar de forma irregular em locais intermediários. Assim, o ambiente urbano, crescendo de forma não planejada e sem amparo do Estado, passa a ter casas e habitações em locais sem estrutura adequada, como saneamento básico, água encanada ou, pior, em locais com risco de desabamento.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Desmatamento começa mais cedo na Amazônia e dobra em janeiro na comparação anual


Por Jake Spring
Caminhão trafega em área desmatada da floresta amazônica no Estado do Amazonas

BRASÍLIA (Reuters) - O desmatamento agressivo da Amazônia está começando mais cedo neste ano, disseram agentes do Ibama, ao passo que nesta sexta-feira dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram que a destruição dobrou em janeiro se comparada com um ano atrás.
Mais de 280 quilômetros quadrados da floresta tropical brasileira foram destruídos em janeiro, de acordo com dados preliminares do (Inpe), que só divulgou dados dos 30 primeiros dias do mês, sem dar explicações.
O desmatamento da Amazônia brasileira disparou no ano passado, e ativistas ambientais dentro e fora do Brasil responsabilizaram o presidente Jair Bolsonaro ao apontarem que seu governo está enfraquecendo mecanismos de proteção ambiental e que sua retórica incentiva a ocupação ilegal, a grilagem e a atividade de madeireiros clandestinos.
Bolsonaro diz que o país continua sendo um modelo de conservação e que é demonizado injustamente pelos ambientalistas.
O desmatamento recuou das cifras recordes de mais de 1.000 quilômetros quadrados por mês entre julho e setembro, devido à chegada da estação de chuvas, quando o solo da floresta se transforma em lama, dificultando o transporte terrestre em certos lugares.
Mas ao invés de diminuir para níveis mínimos, como em anos anteriores, três agentes de proteção ambiental disseram à Reuters que o desmatamento continua atipicamente alto para esta época do ano, já que madeireiros clandestinos e grileiros ainda atuam agressivamente.
"Houve uma diferença muito grande", disse um deles. "A gente achou que ia dar uma queda, né? Por conta do clima e tudo mais, mas não ocorreu."

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

#EuNaoSouDespesa: a reação à declaração de Bolsonaro sobre pessoas com HIV




BBC NEWS.

Presidente afirmou que pessoa com HIV é 'uma despesa para todos no Brasil'

Pessoas que vivem com HIV utilizaram a hashtag #EuNãoSouDespesa para criticar declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre o tema.

Durante conversa com a imprensa, na quarta-feira (05/02), enquanto defendia a abstinência sexual proposta pela ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Bolsonaro citou um relato do jornalista Alexandre Garcia, apoiador declarado do presidente.

"O próprio Alexandre Garcia, ele fala que a esposa dele, que é obstetra, atendeu uma mulher que começou com o primeiro filho com 12 anos. Outro com 15, e no terceiro, que a esposa dele atendeu, ela já estava com HIV. Uma pessoa com HIV, além do problema sério para ela, é uma despesa para todos aqui no Brasil", declarou.

A afirmação do presidente gerou repercussão em entidades que defendem pessoas que vivem com HIV. Coletivos ligados ao tema a classificaram a declaração como "desrespeitosa, superficial e preconceituosa".

A hashtag #EuNãoSouDespesa foi usada diversas vezes nas redes no fim de quarta-feira e nesta quinta. A campanha foi promovida pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), que afirma que a iniciativa teve o apoio de ativistas, estudantes, aposentados, jornalistas, assistentes sociais, advogados, médicos, atores e "diversos outros cidadãos e cidadãs que defendem o Sistema Único de Saúde (SUS), contra o estigma, o preconceito e a discriminação".

ICMS: proposta de Bolsonaro de zerar imposto teria impacto na segurança, salários e universidades


Leandro Machado - Da BBC Brasil em São Paulo
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O presidente Jair Bolsonaro desafiou os governadores a zerar o ICMS que incide sobre os combustíveis (mais uma “bravata” do Presidente – grifo do Blog).


O presidente Jair Bolsonaro afirmou na quarta-feira que "zeraria" os tributos federais que incidem sobre os combustíveis caso os governadores façam o mesmo com o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) também aplicado ao setor. "Eu zero o federal hoje se eles zerarem o ICMS. Está feito o desafio aqui agora", disse.
O ICMS é responsável pela maior parte da arrecadação dos Estados. Em São Paulo, por exemplo, o tributo representa 84% (R$ 144 bilhões) de tudo o que o Estado recolhe por vias próprias.
Perder parte desse montante seria um golpe duro nos cofres estaduais — e também municipais. Segundo economistas e os próprios Estados, o corte poderia impactar serviços públicos para a população, como segurança, educação e até o salário dos servidores. O presidente não explicou se haveria uma compensação pela perda do tributo.
Nos últimos dias, Bolsonaro tem utilizado a estratégia de culpar os governadores pela alta do preço dos combustíveis, pois, segundo ele, normalmente apenas a esfera federal é responsabilizada pelos aumentos.
"Nós queremos mostrar que a responsabilidade final do preço não é só do governo federal. Nós temos aqui (os impostos federais) PIS, Cofins, Cide. Vai onerar para nós também, mas os nossos governadores têm que ter, obviamente, responsabilidade no preço final do combustível", afirmou ele à imprensa, na manhã de ontem.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Bioterrorismo de estado





Por Inaê Diana Ashokasundari Shravya
LAVRA PALAVRA
Quando mosquitos matam mais que drones
O coronavírus [1] tem causado um certo medo em muita gente, assim como foi com o vírus Ebola, e até mesmo a gripe aviária (variedade do vírus influenza /H5N1) e a famosa doença da vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina). As notícias nos jornais auxiliam o desespero com seus informes alarmantes.Se levarmos em conta que o Brasil e os Estados Unidos da América (EUA) têm se tornado aliados, e que EUA e China estão numa disputa ferrenha pelo poderio econômico, o coronavírus acaba servindo como uma ferramenta de bloqueio econômico, ainda que temporário: com medo do vírus, muita gente tá deixando de comprar produtos vindos da China.
Enquanto nos desesperamos com a possibilidade da vinda do coronavírus ao Brasil, temos uma ameaça evidente de bioterrorismo no Estado do Rio de Janeiro, que é a possibilidade de aumento do número de casos de dengue, chikungunya, zika e/ou febre amarela, todas essas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Tá, mas como que se daria esse possível aumento de casos? Explico.
Tão ligados na tal da geosmina? Apesar do alarme todo, ela não é tóxica. Segundo a nota emitida pela UFRJ [2],
“A geosmina, um composto orgânico volátil, é produzida por algumas bactérias heterotróficas ou cianobactérias, que crescem em abundância em ambientes aquáticos com altas concentrações de nutrientes, especialmente em mananciais que recebem esgotos não tratados. Apesar de conferir odor e sabor em intensidade, que causa objeção ao consumo humano,a geosmina não é tóxica. A percepção humana sobre o sabor e odor constitui parâmetro de controle da qualidade da água distribuída, visando, exclusivamente, a não rejeição do consumidor. Não há necessariamente risco sanitário associado, exclusivamente,ao sabor e ao odor da água.”
Como também apresentado na nota, há limites máximos aceitáveis de dois parâmetros (cor e turbidez) para que a água seja considerada potável.

Governadores reagem a bravata de Bolsonaro sobre combustíveis



 Folhapress 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Governadores reagiram às bravatas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação ao preço dos combustíveis.
"Eu zero o [imposto] federal se eles zerarem o ICMS. Está feito o desafio aqui agora. Eu zero o federal hoje, eles zeram o ICMS. Se topar, eu aceito. Tá ok?", disse Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada nesta quarta-feira (5).
​A proposta não foi bem recebida nos estados.
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) qualificou a proposta de irresponsável.
"Se o presidente Jair Bolsonaro convidar os governadores para um diálogo franco, aberto, tecnicamente robusto, os governadores, provavelmente, aceitarão este diálogo. Mas a imposição aos governadores dos estados brasileiros de que cabe a eles a responsabilidade da redução do ICMS e, consequentemente, do combustível, é uma atitude populista e, ao meu ver, pouco responsável", afirmou Doria.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também criticou a posição do presidente.
"Sou a favor da redução de impostos. Mas não sou irresponsável. Pequei um estado quebrado, com rombo de R$ 34,5 bilhões. Nesse momento, Minas não pode abrir mão de arrecadação. É triste, mas a realidade é essa", disse ele em seu perfil no Twitter.
Por meio de nota, o governador do Maranhão, de Flávio Dino (PC do B), disse que aguarda deliberação do Congresso Nacional diante da proposta do governo Bolsonaro para reforma tributária no Brasil.
O governador Reinaldo Azambuja (DEM), do Mato Grosso do Sul, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que "o caminho para tratar a questão do ICMS dos combustíveis deve ser feito pelo diálogo".

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

PSOL quer saber se Bolsonaro teve agenda secreta com setor de armas na Índia



 PATRÍCIA CAMPOS MELLO, Folhapress 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) encaminhou nesta segunda-feira (3) um requerimento para saber se o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com representantes da indústria de armamentos na viagem à Índia.
Mais de 10 empresas de defesa, entre elas a Taurus, acompanharam a comitiva de Bolsonaro em visita oficial ao país, e o presidente abriu uma conferência do setor.
O parlamentar quer saber se Bolsonaro teve reuniões com as companhias de armas, quantas vezes, o que foi discutido e quais compromissos foram assumidos.
Um requerimento de informações apresentado pelo PSOL no ano passado mostrou que, entre janeiro e maio de 2019, houve mais de 29 reuniões entre representantes das indústrias de armas e munições e os ministérios da Justiça e Segurança Pública, Defesa e Casa Civil.
O deputado solicitou ainda dados sobre eventuais encontros entre maio e dezembro de 2019.


sábado, 1 de fevereiro de 2020

Lucélia Santos diz que Regina Duarte é mais comprometida com agronegócio que com as artes


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Morando em Portugal por causa das gravações da novela para TVI, Lucélia Santos, 62, afirmou que tem muita admiração por Regina Duarte, mas que não será bom para a atriz participar da gestão de Jair Bolsonaro.  Ela disse ainda que Regina mudou seus valores de décadas passadas e que hoje a preocupação dela é voltada ao agronegócio e menos às artes. 
Regina Duarte vai assumir o comando da Secretaria Especial da Cultura, após a queda do dramaturgo Roberto Alvim, demitido por ter copiado frases do nazista Joseph Goebbels em um pronunciamento oficial.
"Regina assumiu uma pasta de Cultura que está completamente intoxicada pelos últimos acontecimentos que vieram pelo Roberto Alvim, que já surpreendeu a classe artística, porque tinha um histórico de ser um histórico de ser um intelectual importante. (...) Ele era respeitadíssimo pela classe artística e, de repente, apareceu esse monstro nazista parodiando Goebbels", disse Santos, em entrevista ao programa Conexão Lisboa, da TV 247, na noite desta sexta (31). 
Lucélia Santos afirmou que o governo Bolsonaro, desde a sua campanha, usa uma tônica neofascista, misógina e de ódio às mulheres. "Para esse governo dar porrada em mulher é razoável. As mulheres devem ser mesmo estupradas, só não as feias. É tudo assim em um nível tóxico que é extremamente importante de ser revisto aqui antes de chegar a Cultura. Vem aí a perseguição aos gays, as pessoas que são trans, aos negros e a todas as pessoas que são diferentes da sociedade branca, que ele não gosta muito. É muito semelhante ao que havia de ambiente durante o nazismo."

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Brazil for sale*




Por Afonso Costa

O Fórum Econômico Mundial de Davos é um shopping às avessas: em vez das lojas e vendedores esperarem os compradores, são os compradores que esperam os vendedores. Os compradores são as multinacionais e o capital financeiro, enquanto os vendedores são os governos dos países subservientes ao capital internacional.

Os governos subservientes vendem as riquezas naturais de seus países, empresas públicas, direitos trabalhistas, a força de trabalho das suas populações, sem que tenham sido eleitos para tanto, já que no geral os processos eleitorais são antidemocráticos, beneficiando aqueles que têm mais recursos, que mentem descaradamente para os eleitores, que escondem suas verdadeiras ideias de submissão.
Estão presentes em Davos, na Suíça, representantes de cerca de 140 das maiores empresas do planeta, das quais muitos têm interesses diretos no Brasil, segundo relatos da imprensa.
Guedes apresentou PPI, financiamento público para multis ‘comprarem’ estatais
Representando o Brasil nessa verdadeira feira estão o ministro da Economia, Paulo Guedes, e alguns dos seus assessores, já que o presidente da República se mostrou absolutamente incapaz no ano passado. Não que o ministro seja alguma sumidade, mas ele sabe quais são os interesses do capital e como viabilizá-los.
Em seus pronunciamentos o ministro colocou o Brasil à venda. Primeiro, capitalizou a reforma da Previdência, que contribui para a destruição do SUS, prejudica diretamente os trabalhadores, aposentados e pensionistas, além de auxiliar os regimes de previdência privada e garantir recursos para o pagamento da falsa dívida pública, de interesse do capital financeiro.
A privatização dos Correios foi um dos temas abordados nas reuniões, com interesse da estadunidense UPS. Já a chinesa Huawei está de olho na telefonia. A energia e o saneamento, com destaque para a Cedae do Rio de Janeiro, também foram destacadas e objetos de interesse por parte das multinacionais, além da Eletrobras, Telebras, Casa da Moeda, ferrovias, rodovias e aeroportos.

Jones Manoel abre, com inteligência, debate afro no blog



Postado por Magno Martins
Com edição de Ítala Alves
Os leitores deste blog (blog do Magno Martins) ganham mais um craque para reforçar o quadro de articulistas: Jones Manoel, uma das mais brilhantes expressões das novas lideranças de intelectuais e militantes orgânicos que estão surgindo no Brasil. 
Ele ainda é quase anônimo para o grande público pernambucano e especialmente para o mundo político tradicional do Estado, mas tem recebido destaque no País, inclusive de estrelas como Caetano Veloso, que o entrevistou há duas semanas por mais de 1 hora e 20 minutos pelo Mídia Ninja.
Nascido e criado na Favela da Borborema, na zona norte do Recife, é filho de Dona Elza, mãe-guerreira, que era responsável para cuidar sozinha da família, dando especial dedicação para os ensinamentos de solidariedade, honestidade, perseverança, inconformismo e engajamento prático com a luta pela Justiça Social. 
Ainda adolescente, Jones foi zelador no Colégio Elo, trabalhando para estudar, tendo se graduado como bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, para depois ser mestre em Serviço Social pela mesma universidade.
Atua como comunicador e educador popular, mantém um canal no YouTube (Jones Manoel), participa do podcast Revolushow, escreve para a Revista Opera, Blog da Boitempo e Lavrapalavra, além de militar no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Fruto do ressurgimento da esquerda marxista, Jones emerge do Brasil profundo, trazendo fortes raízes Afro, com sua voz brotando da maioria do povo cronicamente marginalizado pelas elites e vítima da velha política manipuladora.
Vale celebrar o florescimento de uma liderança popular autêntica e original, com bases teóricas sólidas aliadas a ações transformadoras concretas, que pode ser o novo contraponto à direita ideológica saída do armário sob as sombras do bolsonarismo. Sua estreia será na próxima sexta-feira, dia que passa a escrever periodicamente para este blog. 
Comunista assumido, Jones Manoel trará à luz  do debate não apenas temáticas relacionadas ao comunismo e socialismo no mundo, como também a pauta da negritude brasileira, com ênfase para o bom combate ao preconceito racial, uma página, infelizmente, ainda não virada no Brasil, em pleno século 21.
EM TEMPO: Sucesso Camarada Jones 


sábado, 25 de janeiro de 2020

Marina rebate declaração de Guedes sobre pobres e diz que degradação ambiental é culpa de ações do governo



 FABIANO MAISONNAVE,  Folhapress 

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) criticou a declaração do ministro Paulo Guedes (Economia) em Davos (Suíça) que vinculou a degradação ambiental à pobreza. Para ela, são políticas públicas do governo Bolsonaro, como a regularização de áreas griladas, que incentivam o desmatamento na Amazônia.
"O que gera maior critica o maior desmatamento e crime ambiental são os governos", disse Marina, em entrevista por telefone. "Eles desmontam a governança ambiental, apoiam formas predatórias de uso da floresta e dos recursos naturais, negam o problema das mudanças climáticas, cortam o orçamento do Ministério do Ambiente e ainda têm a falta de noção de dizer que o maior inimigo são os pobres."
Filha de seringueiros e natural do Acre, Marina foi ministra de 2003 a 2008, no governo Lula. Na pasta, promoveu a criação de unidades de conservação na Amazônia e conseguiu reduzir o desmatamento por meio do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), extinto pelo governo Bolsonaro. 
"É muito cômodo culpar a pobreza pela degradação do meio ambiente. Eles enfraquecem o Ibama, o ICMBio e o Inpe, propõem uma medida provisória pra quem roubou terra pública e aí dizem que os pobres são os inimigos do meio ambiente?", questionou.
No final de dezembro, Bolsonaro assinou a Medida Provisória 910, que abre espaço para a privatização de terras públicas invadidas ilegalmente até o final de 2018. Para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado pelo Congresso. 
"É claro que há ações feita por pequenos produtores, mas, se continuássemos com a política de correr atrás dos pequenos enquanto os grandes derrubam mais de mil hectares, nunca teríamos reduzido o desmatamento", afirma.
Para a ex-ministra, os pobres na Amazônia sofrem com a devastação da floresta. "Eles são vítimas de violência, de perda de suas áreas, de todo o rastro de destruição que tem lá." 
Levantamento do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) mostra que 35% do desmatamento ocorrido entre agosto de 2018 e julho de 2019 (Prodes 2019) ocorreu em terras públicas não destinadas, um processo de grilagem. Em segundo lugar, estão os assentamentos, com 27%. 


quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Greenwald fala após denúncia do MPF: “Muitos acreditam que a liberdade de imprensa deveria ser crime”

Foto: Lula Marques via Agência Pública

Yahoo Notícias, Redação.
Por Anna Beatriz Anjos, da AGÊNCIA PÚBLICA

“Publiquei milhares de documentos secretos do mundo todo, do governo mais poderoso [EUA], e nunca aconteceu nada, mas aqui no Brasil estamos publicando documentos menos sensíveis e um procurador do Ministério Público está tentando me processar”. 
É assim que o jornalista norte-americano Glenn Greenwald se refere à denúncia que o procurador da República Wellington Divino de Oliveira ofereceu contra ele e mais seis pessoas na última terça-feira (21). O representante do Ministério Público Federal (MPF) imputou ao grupo crimes relacionados à invasão de celulares de autoridades brasileiras no caso que deu origem à série de reportagens Vaza Jato, publicada pelo The Intercept Brasil em parceria com outros veículos como a Agência Pública.
O jornalista contesta a interpretação do procurador sobre o diálogo destacado na denúncia – nele, um dos envolvidos no vazamento das mensagens pede conselhos a Greenwald, que responde não poder dar orientações ao grupo e assegura a proteção ao sigilo da fonte, uma garantia constitucional. “A Polícia Federal, sob o comando do ministro Sergio Moro, há menos de dois meses, emitiu um relatório falando que não tem evidência nenhuma de que cometi qualquer crime”, destaca, lembrando que a própria Polícia Federal concluiu a partir do mesmo diálogo que não houve irregularidade na atuação do jornalista.
Glenn também ressalta que a peça do MPF desrespeita a decisão do Supremo Tribunal Federal de agosto de 2019 que proibiu investigações contra ele. “Acho que eles querem uma guerra com o STF, querem dar um sinal de que não se importam com as regras, com o STF, com a lei”, avalia.
Greenwald ainda compara os ataques que ele e sua família vêm sofrendo desde a publicação das primeiras matérias da Vaza Jato, em junho do ano passado, às ameaças de que foi alvo em 2013, quando investigou programas secretos de vigilância global da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA) a partir dos vazamentos de Edward Snowden. Sobre sua situação atual, ele afirma: “é um caso muito mais drástico”.
A seguir, os principais trechos da entrevista concedida por telefone.

País repete pior nota em ranking anticorrupção



O Brasil repetiu a mesma nota 35 recebida em 2018, a pior do país desde 2012. (Foto: Reuters/Adriano Machado)


A eleição de Jair Bolsonaro (sem partido), impulsionada por promessas de combate à corrupção, não alterou a percepção sobre este problema no seu primeiro ano de governo, marcado por denúncias contra integrantes do governo e familiares do presidente.
Em 2019, o Brasil caiu uma posição no ranking do IPC (Índice de Percepção da Corrupção), e ocupa a 106ª posição entre os 180 países avaliados -atrás de outros latino-americanos como Argentina (66ª), Chile (26ª), Colômbia (96ª), Cuba (60ª), Equador (93ª) e Uruguai (21ª).
Elaborado pela ONG Transparência Internacional, o ranking atribui notas de 0 a 100 a países com base em pesquisas e relatórios sobre como o setor público é percebido por especialistas e executivos de empresas no que diz respeito à prática de corrupção.
O Brasil repetiu a mesma nota 35 recebida em 2018, a pior do país desde 2012.
Isso indica que o novo governo, apesar do discurso, não adotou medidas que impactassem na percepção de que práticas corruptas, tais como abuso de poder, subornos e acordos secretos, tenham diminuído no país.
"O resultado reflete um ano de poucos avanços e muitos retrocessos na luta contra a corrupção no Brasil", avalia Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil.

Irmão de Bolsonaro faz intermediação de verbas do governo federal


ISTO É - Da Redação

 © Reprodução/ Facebook Renato não possui cargo público, mas tem participado da liberação de dinheiro para ao menos quatro municípios

O irmão do presidente Jair Bolsonaro, o comerciante Renato Bolsonaro, tem atuado como mediador informal de demandas de prefeitos do estado de São Paulo interessados em verbas federais para obras e investimentos. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a reportagem,  Renato não possui cargo público, mas tem participado da  liberação de dinheiro para ao menos quatro municípios do litoral e do Vale do Ribeira. Além disso, o irmão do presidente tem comparecido a solenidades de anúncio de obras e chega a assinar como testemunha contratos de liberação de verbas. Ele também discursa e recebe agradecimentos públicos de prefeitos pela ajuda no contato com a gestão federal comandada pelo irmão.

Segundo a Folha, com a atuação de Renato, mais de R$ 110 milhões foram repassados para construção de pontes, recapeamento asfáltico e investimento em centros de cultura e esportes nas cidades de São Vicente, Itaoca, Pariquera-Açu e Eldorado, município onde moram familiares do presidente. O irmão do presidente nega ser pago por esse trabalho e não respondeu se alguém custeia seus gastos, que incluem viagens pelo estado de São Paulo. Ainda de acordo com a Folha, a Presidência da República não respondeu se Jair Bolsonaro tem conhecimento ou colabora com a intermediação feita por seu irmão junto a prefeituras.

Para o diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto, especialista em direito do estado, “se ele não for remunerado para isso”, não há irregularidade na atuação de Renato ao pedir verbas federais.

EM TEMPO: O Diretor da faculdade de Direito não fez menção caso o irmão do Presidente seja candidato a algum cargo eletivo. Não basta ser candidato, mas apenas fazer campanha para o Presidente nas Eleições de 2022. Afinal, trata-se de ingerência indevida. Só tem gente "bobo" neste Brasil. Agora durma com essa "bronca". 


quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Detentos seguem internados com doença misteriosa que 'come' pele em Roraima



ESTADÃO - Cyneida Correia



© Estadão Profissionais, familiares, advogados e entidades de defesa dos direitos humanos denunciam as condições precárias do Hospital Geral de Roraima, onde os pacientes ficam internados no corredor

Uma doença misteriosa que causa paralisianecrose de membros e coceira intensa deixou 29 detentos da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, internados no Hospital Geral de Roraima, o maior do Estado. Destes, 15 tratam a enfermidade causada por uma suposta bactéria; os outros foram diagnosticados com outras doenças contagiosas - que teriam sido intensificadas pela falta de limpeza e pela superlotação da unidade prisional.

A bactéria desconhecida tem deformado partes do corpo dos detentos, "comido" a pele e deixado membros em estado de decomposição. Eles também apresentam paralisia nas pernas.

Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de Roraima (OAB/RR), Hélio Abozago, alguns presos já não conseguem mais andar ou dobrar a perna por causa do inchaço e das feridas causadas pela doença. Ainda conforme o advogado, um dos internos relatou que sente uma "coisa se mexendo", como se a pela estivesse se comendo por dentro.

Um dos profissionais que atua no hospital e pediu para não ser identificado, com receio de represália, disse que a doença dos presos não é desconhecida do setor. "O nome correto é fasceíte necrosante. É uma bactéria comedora de carne humana, altamente contagiosa e de difícil cura", afirmou. "Pior de tudo: vai contaminar as pessoas que estão no hospital, pois estes presos estão no corredor, junto com todos os outros doentes. Não existe isolamento, muito menos escolta policial, e o odor é insuportável. Um perigo para todos."

A Secretaria de Estado da Saúde de Roraima (Sesau/RR) informou, em nota, que as análises laboratoriais feitas pela Coordenação Geral de Vigilância em Saúde descartaram a hipótese de bactéria não identificada. 

"Os casos relatados pela direção clínica do HGR (Hospital Geral de Roraima) se tratam puramente de piodermite, do tipo impetigo, que é uma infecção de pele oportunista, que ocorre quando já existe uma lesão de pele tipo escabiose", afirmou a pasta. "Os presos teriam passado por atendimento de infectologista e dermatologista, e estão recebendo tratamento com antibióticos e reposição de vitaminas. Exames diários e tratamento continuado estão sendo feitos."