quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Extermínio programado de povos indígenas




IHU – UNISINOS

“21 Terras Indígenas com registros da presença de povos isolados estão invadidas: seja por madeireiros, garimpeiros, grileiros, caçadores, pescadores e extrativistas vegetais”, afirma o Conselho Indigenista Missionário – Cimi em nota publicada em seu portal, 12-11-2019.
Eis a nota.
Está em curso o extermínio programado dos povos indígenas livres ou em situação de isolamento voluntário no Brasil. Não se trata tão somente de uma omissão do governo federal, mas de sua ação deliberada para permitir que esses povos sejam massacrados. Faz parte desse plano criminoso e genocida a desconstrução de todo o sistema de proteção da Fundação Nacional do Índio (Funai), ao mesmo tempo que, ora de forma velada, ora de forma explícita, respalda os invasores de seus territórios.
Segundo os dados coletados entre janeiro e novembro deste ano pelo Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 21 Terras Indígenas com registros da presença de povos isolados estão invadidas: seja por madeireiros, garimpeiros, grileiros, caçadores, pescadores e extrativistas vegetais. O levantamento não engloba os territórios com a presença desses povos onde não há nenhuma providência em termos de demarcação e proteção de suas terras. No total existem no Brasil registros de 114 povos indígenas isolados, dos quais apenas 28 são confirmados pela Funai.
A estratégia de extermínio e genocídio se torna ainda mais evidente sabendo que o governo conhece muito bem a situação de vulnerabilidade em que se encontram esses povos, a fragilidade que têm para se defender e a liberdade de ação de criminosos em regiões sem a presença protetiva do Poder Público.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Segurança pública e sistema carcerário



Em 2019, abusos policiais dificultaram o combate à criminalidade porque, segundo a HRW, estas ações “desencorajam as comunidades a denunciarem crimes ou a cooperarem com as investigações”. 
Estes abusos, que não são especificados no estudo, contribuem para um ciclo de violência que prejudica a segurança pública e põe em risco a vida da população e dos próprios policiais. “Enquanto algumas das mortes provocadas por ação policial decorrem de legítima defesa, muitas outras resultam do uso ilegal da força”, diz o relatório. 
O estudo aponta que, durante o governo Bolsonaro, só em São Paulo, as mortes por policiais em serviço aumentaram 8% de janeiro a setembro de 2019. Já no Rio de Janeiro, a polícia matou 1.402 pessoas de janeiro a setembro, o maior número já registrado para esse período. Os dados compilados pela organização são do relatório realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 
Declarações do presidente Bolsonaro e ações do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel sobre o tema são destacadas, e é apontado que ambos têm incentivado a polícia a executar suspeitos. Em agosto, o presidente afirmou que os criminosos deveriam “morrer na rua igual baratas”.

Em setembro, quando Agatha Felix, de 8 anos, foi morta por um policial durante operação no Complexo do Alemão, Witzel mudou sistema de bonificação a policiais que tinha como régua a diminuição de mortes causadas por ações policiais no Rio.

Redes criminosas na Amazônia 'têm carta branca' sob Bolsonaro, diz relatório da HRW



 Andréa Martinelli, HuffPost Brasil 


Durante seu primeiro ano de mandato, o presidente Jair Bolsonaro realizou políticas ambientais que “deram carta branca às redes criminosas que praticam extração ilegal de madeira na Amazônia” e minou o poder de agências ambientais, afirma a Human Rights Watch em seu relatório mundial sobre violações de direitos humanos, divulgado nesta terça-feira (14.01.2020). 
O estudo, que está em sua 30ª edição e analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países, seria apresentado inicialmente na quarta-feira (15), mas a divulgação foi antecipada em um dia devido à decisão do governo chinês de barrar a entrada de Kenneth Roth, diretor-executivo da ONG, em Hong Kong. No texto, o diretor-executivo afirma “que o governo chinês, que depende da repressão para permanecer no poder e está realizando o ataque mais intenso ao sistema global de direitos humanos em décadas”.
No que se refere ao Brasil, a ONG destaca que o governo Bolsonaro, em seu primeiro ano, não só enfraqueceu as agências ambientais ao reduzir orçamentos, remover servidores experientes e restringir a capacidade dos fiscais ambientais de atuarem no campo, como também indicou que não cumprirá os compromissos do Brasil em relação às mudanças climáticas. A ONG cita declaração do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao jornal Folha de S. Paulo de que o “desmatamento ilegal zero não deve acontecer”. Em entrevista, porém, o ministro disse que defende a adoção de meta para reverter a tendência de alta do desmatamento em 2020.

Dados preliminares destacados pela HRW apontam que, de janeiro a outubro de 2019, o desmatamento da Amazônia aumentou em mais de 80%, em comparação com o mesmo período de 2018

Dilma, sobre documentário no Oscar: ''História segue implacável contra os golpistas''


Correio Braziliense

© Nelson Almeida/AFPA ex-presidente Dilma Rousseff aproveitou, nesta segunda-feira (13/1), a indicação do documentário Democracia em vertigem, de Petra Costa, ao prêmio de Melhor Documentário no Oscar 2020, para reafirmar que o impeachment que a retirou da Presidência, em 2016, foi um "golpe".

Em nota, Dilma afirma que o documentário mostra "a história do golpe de 2016", que a tirou da Presidência da República "por meio de um impeachment fraudulento". Ela segue afirmando que o processo resultou "na ascensão de um candidato da extrema-direita em 2018", referindo-se ao presidente Jair Bolsonaro.

Por fim, a ex-presidente parabeniza a cineasta Petra Costa e diz que "a verdade não está enterrada" e que "a história segue implacável contra os golpistas".

A indicação do filme, que pode ser assistido na plataforma Netflix ao lado de outros indicados, reacendeu o debate sobre o impeachment de Dilma Rousseff.

Nesta segunda-feira, enquanto partidos e políticos de esquerda comemoravam a notícia, grupos e legendas à direita acusavam a obra de ser "ficcional" e "fanatasiosa".

Leia a íntegra do comunicado de Dilma Rousseff

"A denúncia do golpe no Oscar
A história do Golpe de 2016, que me tirou da Presidência da República por meio de um impeachment fraudulento, ganha o mundo pelas lentes de Petra Costa no documentário “Democracia em Vertigem”. E, para surpresa de alguns, ganhou hoje indicação ao Oscar. O filme mostra o meu afastamento do poder e como a mídia venal, a elite política e econômica brasileira atentaram contra a democracia no país, resultando na ascensão de um candidato da extrema-direita em 2018. Parabéns a Petra e à equipe do filme pela indicação ao Oscar. A verdade não está enterrada. A história segue implacável contra os golpistas.
Dilma Rousseff"


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Associação de delegados da PF pede ao STF para suspender portaria de Moro

Fachada do supremo Tribunal Federal 09/02/2018

 O Globo

RIO — A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que ampliou a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A portaria nº 739, assinada em 3 de outubro de 2019 pelo ministro Sergio Moro, autoriza a Polícia Rodoviária Federal (PRF) a participar de operações conjuntas com o Ministério Público, a Receita Federal e todos os demais órgãos vinculados ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
Para a associação, a portaria fere a Constituição, porque cria brechas para que a PRF faça investigações e, com isso, invada competência exclusiva da Polícia Federal. O pedido será analisado pelo ministro Marco Aurélio.
"Nos termos do art. 144, §1º, I, e §4º, da Constituição da República (CR), compete à Polícia Federal e à Polícia Civil exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária, dentre as quais se inserem as atividades investigativas e persecutórias de ilícitos penais. À PRF compete, unicamente, efetuar o patrulhamento ostensivo de rodovias federais, conforme prevê o §2º daquele mesmo dispositivo constitucional", argumenta a associação.
A portaria foi editada pelo ministro da Justiça em outubro. O texto estabelece as diretrizes para a participação da Polícia Rodoviária Federal “em operações conjuntas nas rodovias federais, estradas federais ou em áreas de interesse da União”.
Segundo as novas regras, “as operações combinadas, planejadas e desencadeadas em equipe poderão ser de natureza ostensiva, investigativa, de inteligência ou mistas, e serão executadas nos limites das respectivas competências dos órgãos integrantes do Susp”.
Na portaria, Moro faz ressalvas à participação da Polícia Rodoviária Federal nas operações conjuntas com outras instituições. Uma delas estabelece que a atuação do órgão será permitida desde que “os crimes objetos de apuração tenham sido praticados em rodovias federais, estradas federais ou em áreas de interesse da União”.

EM TEMPO: Os policiais da PF nunca tiveram tanta autonomia nos governos de Lula e Dilma. Eram felizes e não sabiam. Podem ampliar esse raciocínio para as Forças Armadas, incluindo as aquisições de armamento de última geração e tecnologia.

Pelosi diz ter provas para o impeachment de Trump

Foto: Tom Brenner/Reuters



Com edição de Ítala Alves do Blog do Magno
Pelosi diz ter "provas suficientes" para o impeachment de Trump. A revelação aconteceu na véspera de uma semana crucial antes da abertura do julgamento do processo no Senado.
Da Veja - Por AFP
A líder do Partido Democrata no Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse neste domingo, 12, que tem “provas suficientes” para o impeachment do presidente Donald Trump, na véspera de uma semana crucial antes da abertura no Senado do julgamento do processo de destituição do chefe de Estado.
“Acreditamos que há provas suficientes para destituir o presidente”, disse a congressista da Califórnia à rede de televisão ABC.
Pelosi aprovou na sexta-feira 10 o envio da acusação contra Trump ao Senado na próxima semana, abrindo caminho para o julgamento do processo de impeachment. A líder democrata confirmou neste domingo (12) que reunirá seus correligionários na terça-feira para definir o calendário.
O republicano Trump é o terceiro presidente da história dos Estados Unidos que enfrenta um processo de impeachment no Congresso. A oposição democrata acusa o presidente de ter incorrido em abuso de poder, ao pedir à Ucrânia para investigar o ex-vice-presidente Joe Biden, um possível adversário do presidente nas próximas eleições de novembro.
O processo de impeachment tem poucas chances de prosperar no Senado, uma vez que os republicanos são a maioria nesta casa legislativa. “Confiamos no impeachment. E acreditamos que há provas suficientes para destituí-lo”, disse Pelosi, presidente democrata da Câmara dos Representantes.
Congressistas republicanos e democratas enfrentam outra questão importante: o depoimento de John Bolton, ex-assessor de Segurança Nacional de Trump. Bolton disse que está disposto a testemunhar no julgamento de Trump, sob condição de ser convocado pelo Senado. Mas o presidente afirmou na sexta-feira que poderia impedir que um de seus ex-conselheiros testemunhasse no Senado usando seus poderes presidenciais.
EM TEMPO: Será que aqui no Brasil não existe motivo para solicitar o  impeachment  do presidente Bolsonaro? A população brasileira vai sofrer bastante com mais 3 anos do desgoverno Bolsonaro.  Portanto, é preciso aprender  a  votar melhor. Comece pela sua cidade nas Eleições de 2020. 


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

DUAS SEMANAS QUE ARREPIARAM O MUNDO



Mulheres enlutadas protestam contra o assassinato do general Qassem Soleimani, em Teerã, Irã, em 4 de Janeiro de 2020.


Créditos: Atta Kenare / AFP/Getty Images


Por José Goulão
ABRIL ABRIL
O assassinato de Qassem Soleimani confirma a tendência norte-americana para ajustar contas com pessoas, entidades e organizações que combatem o terrorismo oriundo do tronco comum afegão.
Antes que a enxurrada de desinformação produzida pela comunicação social corporativa mistifique a história oficial destes dias de guerra, caos e ilegalidade na cena internacional, é preciso decodificar a cadeia de acontecimentos, para que seja possível distribuir responsabilidades e invalidar mentiras. Se os Estados Unidos da América, como é habitual e natural, sobressaem como os artífices de uma trama que ameaça o planeta, é importante notar que o «nosso mundo civilizado», com a OTAN e a União Europeia à cabeça, não fazem figura de inocentes. Aliás, nem o governo da República Portuguesa se salva.
Já poucos terão presente que esta escalada de guerra dos Estados Unidos contra o Iraque e o Irã – ao que parece agora militarmente amainada – se iniciou em 27 de dezembro com um suposto ataque da organização paramilitar iraquiana xiita Kataeb Hezbollah contra uma base ocupada por tropas norte-americanas no Iraque, provocando a morte de um contratado civil e ferimentos em quatro militares.
E aqui começa a história a ser mal contada.
Em momento algum, até hoje, as fontes oficiais e oficiosas norte-americanos prestaram informações adicionais sobre este incidente, por exemplo divulgando a identidade do falecido, a entidade para a qual trabalhava e os nomes dos feridos.
No dia seguinte veio a «resposta» norte-americana: caças F-15 bombardearam cinco bases do Kataeb Hezbollah no Iraque e na Síria, instalações que foram e continuam a ser fulcrais no combate contra o Isis ou Estado Islâmico e a Al-Qaeda. Desenhava-se aqui uma tendência: punir organizações ou entidades que contribuem para tentar desmantelar o terrorismo que descende diretamente do que foi criado no Afeganistão por Bin Laden e a CIA em coordenação com outros serviços secretos, designadamente os britânicos, sauditas e paquistaneses.
O pormenor mais intrigante da «resposta» militar norte-americana levanta ainda outras fortes suspeitas sobre a versão dos acontecimentos difundida por Washington. As bases do Kataeb Hezbollah atingidas pelos bombardeamentos situam-se a mais de 500 quilômetros das instalações onde supostamente terá morrido o mercenário e foram feridos os quatro soldados. É de admitir, portanto, que o grupo paramilitar iraquiano não seja responsável pela ação, como o próprio garante; e que o suposto «ataque com rockets» não tenha passado de uma provocação que qualquer reminiscência do Isis ainda seja capaz de executar.
A ação terrorista norte-americana gerou reações imediatas e espontâneas sobretudo no Iraque. O Kataeb Hezbollah é uma facção das Unidades de Mobilização Popular (UMP), milícias da Aliança para a Conquista (Aliança Fatah), do segundo maior grupo do Parlamento Iraquiano (1). Além disso, integra operacionalmente o exército regular do país. Com esta representatividade não espanta que se tenham formado importantes manifestações contestando o bombardeamento norte-americano e tendo como alvo a Embaixada dos Estados Unidos. Em momento algum, porém, houve invasão das instalações diplomáticas, ao contrário do que foi afirmado pelos media corporativos ecoando as mensagens de propaganda emanadas do Departamento de Estado em Washington.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Câmara aprova resolução que freia ações militares de Trump contra o Irã




Foto: SAUL LOEB/AFP via Getty Images

Folhapress 


A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou nesta quinta-feira (9) uma resolução que restringe ações militares do presidente Donald Trump no conflito com o Irã, dias após ele ter ordenado um ataque com drone que matou o comandante da Guarda Revolucionária do país.
Pela determinação, que ainda vai ao Senado, o presidente seria obrigado a pedir autorização ao Congresso antes de tomar outras medidas relacionadas ao tema.
O resultado foi de 224 votos a favor contra 194, refletindo a divisão na Casa entre democratas, que acusam Trump de agir de forma imprudente, e republicanos, que apóiam fortemente o presidente.
A medida vai a votação no Senado e deve enfrentar resistência na Casa, onde os republicanos são a maioria, 53 contra 47.
Na quarta-feira, Trump deu sinais de que não pretende ir à guerra contra a República Islâmica após a tensão gerada por um ataque americano com drones que matou o principal comandante militar iraniano, tendo como resposta de Teerã o lançamento de mísseis contra bases que abrigam forças americanas no Iraque.
Mas a bancada democrata e dois membros republicanos do Senado expressaram ceticismo em relação à justificativa do governo sobre a ordem de Trump de matar o general Qassem Soleimani, e estão exigindo que o Congresso reafirme seu poder sobre o uso das forças armadas dos Estados Unidos pelo Comandante em chefe contra outra nação.
Citando a Resolução dos Poderes de Guerra de 1973, que proíbe um presidente de levar o país à guerra sem a aprovação do Congresso, a medida "ordena que o presidente suspenda o uso das forças armadas dos Estados Unidos para participar de hostilidades contra o Irã ou qualquer parte do seu governo ou ala militar".
Mas o texto, apresentado pela congressista Elissa Slotkin, ex-funcionária da CIA com vasta experiência no Iraque, também prevê exceções importantes, permitindo o uso da força para defender ou impedir um ataque "iminente" contra os Estados Unidos ou os americanos.
A medida entrou na Câmara como uma resolução simultânea, uma forma de regulamentação que não tem o peso da lei, mas poderia servir como instrumento político, sendo uma repreensão à estratégia de política externa de Trump.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Câmara dos Representantes vota amanhã para impedir que Trump inicie guerra contra Irã


AFP 
Nancy Pelosi e Donald Trump

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, controlada pela oposição democrata, votará nesta quinta-feira (09.01.2020) uma medida para impedir que o presidente Donald Trump entre em guerra com o Irã depois de matar um representante do governo iraniano, disse a presidente da câmara, Nancy Pelosi.
Pelosi declarou que os democratas tomaram essa decisão porque suas preocupações não foram dissipadas nesta quarta-feira em um encontro a portas fechadas com o secretário de Estado, Mike Pompeo.
"O presidente deixou claro que não tem uma estratégia coerente para manter a população segura, diminuir a tensão com o Irã e garantir a estabilidade da região", afirmou Pelosi através de um comunicado.
"Nossas preocupações não foram atendidas pela insuficiente notificação do presidente por meio da Lei de Poderes de Guerra e pelo encontro de hoje" com membros do governo, afirmou.
Sob a Ata de Poderes de Guerra de 1973, o governo deve notificar o Congresso sobre importantes ações militares, mas Trump enviou de maneira incomum, como documento restrito, sua justificativa para o ataque que matou o poderoso general iraniano Qassem Soleimani no Iraque.
Pelosi disse que a Câmara dos Representantes votaria, de acordo com a lei de 1973, para limitar a capacidade de Trump de iniciar uma guerra contra o Irã.
A legisladora disse que a casa também pode considerar em breve a revogação da autorização do uso da força, que foi concedida ao Executivo após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.
Desde então, três governos invocaram essa autorização como justificativa legal para a realização de uma série de ações militares no mundo islâmico.
Mas é improvável que qualquer medida que tente restringir Trump seja aprovada no Senado, pois seu partido, o Republicano, tem maioria.


Venezuela: fantoche dos EUA é defenestrado


Juan Guaidó tenta pular a grade do Parlamento venezuelano, no domingo passado. Os outros deputados da oposição (alguns do seu partido) entraram pela porta da frente, mas o pau mandado de Washington preferiu o «show» para se vitimizar. Créditos / Pinterest.

Apesar do circo, Guaidó deixou de ser presidente da Assembleia Nacional
AbrilAbril
O fantoche de Washington, que há um ano se autoproclamou «presidente interino», perdeu no domingo passado o assento na presidência do Parlamento, num processo que evidencia grandes divisões no seio da oposição.
A Assembleia Nacional (AN) da Venezuela elegeu, no dia 05 de janeiro, para o período 2020-2021, uma nova direção, ainda dominada pela oposição ao chavismo, mas sem Juan Guaidó e na qual prevalece a vontade de levar a cabo um trabalho «a serviço dos venezuelanos», de «reconciliar o povo» e «evitar ações violentas ou confrontos», segundo afirmou o segundo vice-presidente, José Gregorio Noriega.
Para a presidência da AN foi eleito Luis Parra, que denunciou os entraves colocados ao processo de eleição pelo ex-presidente, Juan Guaidó, uma vez que a oposição se encontrava dividida e o autoproclamado não ia alcançar os votos necessários à reeleição.
Em declarações à imprensa, Francisco Torrealba, membro do Partido Socialista Unido da Venezuela e líder do Bloco da Pátria (que inclui forças políticas que apoiam a Revolução Bolivariana), sublinhou que, com esta nova direção, a AN poderá reentrar na ordem constitucional do país – uma vez que ainda se encontra em situação de «desobediência jurídica» perante o Supremo Tribunal de Justiça.
Sobre a ausência de Juan Guaidó na AN, Torrealba – um dos deputados chavistas que voltaram a ocupar os seus assentos em setembro último, após um acordo entre o governo e setores da oposição – afirmou que se tratou de um fato «inédito mas previsível, já que Guaidó não tinha os votos para ser reeleito», e destacou a «divisão existente no seio da oposição».

Bolsonaro 'não faz questão de não ser lambe-botas de Trump', diz Lula


Lula disse que Bolsonaro não faz questão de 'não ser um lambe botas do Trump'. 

(Foto: AP Photo/Andre Penner, File)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil possui uma tradição político-diplomática de “construtor da paz” e deve evitar a tensão entre Estados Unidos e Irã. O petista ainda repudiou a manifestação feita pelo governo de Jair Bolsonaro a respeito da morte do general Qasem Soleimani, dizendo que “não há necessidade de se inventar ‘terrorismo’ no Irã”.
 “O momento não é adequado para o Brasil se meter em uma briga externa. O Brasil não tem contencioso com o mundo, sempre manteve uma política diplomática harmoniosa. Devemos ser um construtor de paz”, escreveu o ex-presidente em sua conta no Twitter, após uma entrevista ao site "Diário do Centro do Mundo".
Para Lula, os EUA “gostam” de confusão e que essa escalada de tensão contra o Irã visa uma “campanha eleitoral”. “Os Estados Unidos gostam de criar confusão e de preferência longe do território deles. Não há necessidade de se inventar ‘terrorismo’ no Irã (...). Os EUA precisam sempre eleger um inimigo. Isso está me cheirando a campanha eleitoral.
Na relação internacional sempre são dois interesses: o seu e o do outro. Você tem que sempre equilibrar o deles com o seu. O Bolsonaro não faz a menor questão de não ser um lambe botas do Trump.

Por fim, ele afirmou que o presidente Jair Bolsonaro é “lambe botas” de Trump. “Na relação internacional sempre são dois interesses: o seu e o do outro. Você tem que sempre equilibrar o deles com o seu. O Bolsonaro não faz a menor questão de não ser um lambe botas do Trump.”


Apesar das mudanças, Pacote Moro é um retrocesso, diz policial civil



REUTERS/Adriano Machado

O pacote de medidas que endurece a legislação penal contra crimes foi sancionado, em dezembro, pelo presidente Jair Bolsonaro. O texto foi proposto pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, mas sofreu mudanças ao longo da sua tramitação com vetos do próprio presidente, do Congresso e inclusão de estudos de uma comissão de juristas coordenada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Morais.
Boa parte das mudanças também foi possível a partir de uma incidência política organizada e estruturada do movimento negro que denunciou nacional e internacionalmente pautas consideradas prejudiciais à população negra, como noticiou durante toda a discussão do projeto o Alma Preta.
No entanto, para Roberto Rodrigues, integrante do coletivo Policiais Antifascismo, grupo fundado em 2017 e, hoje, com aproximadamente 8 mil membros de todo o país que questionam o modo violento do trabalho das corporações, apesar de pontos importantes terem saído do projeto, não há o que se comemorar com a aprovação e sanção do pacote.
“Os vetos, as propostas adicionadas ao projeto original de Sergio Moro e as adequações que foram feitas a partir da comissão de trabalho de parlamentares e juristas considerando também os projetos do Alexandre de Moraes a gente tem que entender que estas concessões. Não podem ser consideradas grandes para a sociedade, pois este projeto é um retrocesso na medida em que aponta cada vez mais um direcionamento para um Estado penal e policial”, explica.
Tal pacote, para ele, neste sentido, não pode ser considerado uma política pública, pois o Estado está substituindo a Justiça e o direito por um “sentimento de vingança e castigo para com os cometimentos de crimes”. “Um governo onde a gente vê que falta políticas públicas no âmbito da educação, que falta políticas públicas sociais, culturais, que falta oportunidade de vida digna para a população, falta uma perspectiva de futuro, a gente entende que - deixando de promover estas condições para melhoramento da nossa sociedade de condições de vida da população - ela não pode se restringir apenas querer castigar ou punir quem comete crime”, critica.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Irã pede explicações ao Brasil sobre apoio ao ataque dos EUA


CATRACA LIVRE   
© Agência Brasil/Tânia Rego Irã pede explicações ao Brasil sobre apoio ao ataque norte americano

​​O governo do Irã convocou o representante do Brasil em Teerã, no domingo, 05.01.2020, para pedir explicações sobre o posicionamento do governo brasileiro frente ao ataque dos Estados Unidos (EUA), no Iraque, que culminou na morte do general Qassem Soleimani, da Guarda Revolucionária do Irã. Soleimani foi atingido por um míssil na sexta-feira, 3.

Como o embaixador do Brasil no Irã, Rodrigo Azeredo, está de férias, quem participou da reunião no Ministério de Relações Exteriores do iraniano foi a encarregada de negócios da embaixada, Maria Cristina Lopes. O Itamaraty confirmou a realização da reunião, mas não informou o que foi conversado. O que se sabe, é que na prática diplomática, uma convocação como está é um ato de repreensão.
“A conversa, cujo teor é reservado e não será comentado pelo Itamaraty, transcorreu com cordialidade, dentro da usual prática diplomática”, informou o Ministério das Relações Exteriores, ao jornal ‘O Globo’.

O Itamaraty divulgou, na sexta-feira em que ocorreu o ataque, uma nota apoiando a ação dos EUA e dando a entender que a diplomacia brasileira considerava Soleimani um terrorista. “Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo”, diz um trecho do comunicado, intitulado “Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo”.

Após o ataque, no Brasil viralizou uma hashtag pedindo para o governo Brasileiro, em especial o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ficassem calados.

EM TEMPO: Muito bonito para o Brasil e sua política externa catastrófica. O presidente Bolsonaro e o Ministro das Relações Exteriores, chanceler Ernesto Araújo, certamente pensam que podem dizer  o que querem para os mandatários estrangeiros, como eles fazem com os brasileiros. Agora Bolsonaro apre-sente “arminha”  para o Irã? O presidente Bolsonaro ao liberar, juntamente com os Congressistas,  a Base Militar de Alcântara, no Maranhão, para os EUA, coloca em risco nossa soberania.

LEMBRETE: Caro eleitor, na hora de votar escolha sempre o melhor e, não, o pior. Comece pelo seu município 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Trump afirma que pode prescindir de aprovação do Congresso para ataques

                                                                              AFP 

(Arquivo) O presidente americano, Donald Trump

O presidente americano, Donald Trump, minimizou neste domingo as críticas que recebeu pelo assassinato de um general iraniano pelos Estados Unidos, ao afirmar que não precisa da aprovação do Congresso, até mesmo para um ataque "desproporcional".
A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, democrata, liderou o repúdio à decisão de Trump de autorizar um ataque com drones contra Qasem Soleimani em Bagdá, sobre o qual o Congresso foi informado oficialmente apenas ontem.
Dois congressistas democratas anunciaram hoje que apresentarão uma resolução na Câmara dos Representantes para impedir que Trump leve unilateralmente o país a uma guerra com o Irã.
Trump desafiou as reclamações de que operações militares precisam da aprovação do Congresso, ao afirmar que esta era uma instância "não requerida", e que seu tuíte servirá de notificação se decidir atacar novamente o Irã.
"Estas postagens servirão de notificação ao Congresso que, se o Irã atacar qualquer pessoa ou alvo americano, os Estados Unidos irão responder rápida e completamente e, talvez, de forma desproporcional", publicou Trump. "Esse aviso legal não é requerido, mas está dado mesmo assim!"
Embora governos anteriores tenham tentado obter apoio bipartidário para operações militares significativas, com avisos aos opositores antes das ações, desta vez nem Pelosi nem o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, foram avisados do ataque contra Soleimani.
Furiosa, Pelosi disse que "este início de hostilidade" aconteceu "sem uma consulta ao Congresso e a articulação de uma estratégia clara e legítima para o Congresso e o público. Reitero meu chamado ao Executivo para uma reunião informativa imediata e completa com o Congresso sobre a ação militar relacionada ao Irã e os próximos passos em consideração".