sábado, 18 de maio de 2019

Cortina de fumaça a denúncias contra filho presidencial



Texto divulgado por Bolsonaro é estratégia populista e cria cortina de fumaça para denúncias contra Flávio, dizem analistas
Presidente compartilhou em uma de suas redes sociais texto anômimo que diz que o Brasil está 'ingovernável'

Gustavo Schimitt e Tiago Aguiar – O Globo
Ao compartilhar em uma rede social um texto de autor desconhecido que diz que o Brasil está "ingovernável" , o presidente Jair Bolsonaro , segundo analistas políticos, adota estratégia populista , cria uma cortina de fumaç a para tirar do foco denúncias contra seu filho Flávio e ainda alimenta as críticas da sociedade ao Congresso e a diferentes instituições.  
Num dos trechos, a carta diz: "Se não negocia com o Congresso, é amador e não sabe fazer política. Se negocia, sucumbiu à velha política. O que resta, se 100% dos caminhos estão errados na visão dos "ana(lfabe)listas políticos? A continuar tudo como está, as corporações vão comandar o governo Bolsonaro na marra e aprovar o mínimo para que o Brasil não quebre, apenas para continuarem mantendo seus privilégios".
Ainda de acordo com o texto, Bolsonaro representaria uma quebra de padrões não aceita por grandes corporações e outros atores sociais.
— Ele (Bolsonaro) está testando elevar uma polarização para ver como a população reage. Vai culpar o Congresso e as instituições por tudo que não consegue fazer — afirmou o cientista político da Unicamp Oswaldo Amaral. — Parece um balão de ensaio para ver quantas pessoas vai arregimentar com esse tipo de discurso. Está colocando a figura dele contra as instituições democráticas e quer o apoio do povo para isso, o que é típico do populismo. 

Forças ocultas: estranho texto, renúncia ou golpe



Bolsonaro divulga texto que cita País ingovernável
Presidente reforça discurso de que é vítima do ‘Sistema’ ao compartilhar mensagem que afirma que ele sofre pressão das corporações e Brasil está ‘disfuncional’
Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo
O presidente Jair Bolsonaro reforçou nesta sexta-feira, 17, o discurso de que é vítima de um sistema corrompido ao compartilhar, por WhatsApp, um texto que afirma “que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável”. A mensagem foi interpretada no Congresso como mais um ataque do presidente ao que ele chama de “velha política”. O texto diz que o presidente sofre pressões de todas as corporações, em todos os Poderes, e que o País “está disfuncional”, mas não por culpa de Bolsonaro. “Até agora (o presidente) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”..
Procurado pelo Estado para comentar a mensagem, o presidente afirmou, por meio do porta-voz, Otávio do Rêgo Barros, esperar apoio da sociedade para “reverter essa situação”. “Venho colocando todo meu esforço para governar o Brasil. Infelizmente, os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o País de volta ao trilho do futuro promissor”, disse Bolsonaro, em nota, sem detalhar a quais grupos se referia.
Mais tarde, em entrevista no Palácio do Planalto, o porta-voz afirmou que a intenção do presidente foi apenas compartilhar uma mensagem recebida, que está “em consonância com o pensamento dele”. O autor do texto é o analista da Comissão de Valores Mobiliários, Paulo Portinho.

General-porta-voz: texto vocaliza o que Bolsonaro pensa



O porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros, confirmou que o presidente da República concorda com o teor da mensagem de WhatsApp de “autor desconhecido” disparada a aliados nesta sexta-feira, 17. O texto afirma que o Brasil “está disfuncional” e que o presidente até agora “não conseguiu aprovar nada”.
Para o autor, “Bolsonaro provou que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável”. “O presidente recebeu mensagem no WhatsApp e avaliou que ela vocalizava o que ele pensa”, disse o porta-voz.
“Nem uma simples redução do número de ministérios pode ser feita. Isso é do interesse de quem? Querem, na verdade, é manter nichos de controle sobre o orçamento para indicar os ministros que vão permitir sangrar estes recursos para objetivos não republicanos”, diz o texto. (Estadão)

Um líder que só desqualifica debate público




Presidente ofende jornalista; ele costuma atacar mulheres
Blog do Kennedy
Se uma liderança importante desqualifica o debate público, obviamente nivela a discussão por baixo. É exatamente o que vem fazendo o presidente Jair Bolsonaro, que se revela um líder desqualificado que só faz desqualificar qualquer debate sério que a sociedade brasileira queira fazer.
O último exemplo foi mais um ataque à imprensa feito ontem de forma geral e particular. Bolsonaro disse que a mídia tem interesse em chegar a ele por meio da investigação do caso Fabrício Queiroz.
Contrariando o discurso de campanha, o presidente também bateu no Ministério Público do Rio de Janeiro. Ora, com a plataforma eleitoral que apresentou no ano passado, Bolsonaro deveria apoiar a investigação, que, aliás, está longe do padrão de velocidade da Lava Jato.
Mas o pior do dia foi atacar a jornalista Marina Dias, da “Folha de S.Paulo”, que fez pergunta pertinente sobre cortes na educação. Em sua reportagem, Marina comenta  sobre o episódio, mais um no qual o presidente agride uma mulher. Aliás, ofender mulheres é uma constante na carreira política de Bolsonaro.

Bolsonaro divulga texto que fala num Brasil ingovernável




O presidente Jair Bolsonaro distribuiu, na manhã de hoje, em diversos grupos de WhatsApp um texto de “autor desconhecido” que trata das dificuldades que ele estaria enfrentando para governar. O texto diz que o presidente está sofrendo pressões de todas as corporações, em todos os Poderes e afirma que o País “está disfuncional”, não por culpa de Bolsonaro, mas que “até agora (o presidente) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”.
Procurado pelo Estado para comentar sobre a mensagem, o presidente respondeu por meio do porta-voz: “Venho colocando todo meu esforço para governar o Brasil. Infelizmente os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o País de volta ao trilho do futuro promissor. Que Deus nos ajude!”.
Ao compartilhar o texto, o presidente escreveu:  “Um texto no mínimo interessante. Para quem se preocupa em se antecipar aos fatos sua leitura é obrigatória. Em Juiz de Fora (06/set/2018), tive um sentimento e avisei meus seguranças: Essa é a última vez que me exporei junto ao povo. O Sistema vai me matar. Com o texto abaixo cada um de vocês pode tirar suas próprias conclusões”.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Queiroz fez saques de R$ 661 mil em 18 meses


ESTADÃO - Fabio Leite, Marcelo Godoy e Roberta Jansen
© Reprodução/SBT Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL)














Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviados ao Ministério Público do Rio apontam que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), sacou R$ 661 mil em dinheiro durante um período de 18 meses, entre janeiro de 2016 e junho de 2018.

As movimentações consideradas atípicas – detectadas originalmente pelo sistema de compliance do Banco Itaú, onde Queiroz é correntista – foram anexadas pelos promotores ao pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Flávio, do ex-assessor e de outras 93 pessoas e empresas no âmbito do inquérito que investiga o hoje senador por peculato (desvio de dinheiro público por servidor) e lavagem de dinheiro.

Até agora, os dois principais documentos conhecidos da investigação envolvendo o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro eram relatório que apontava movimentações (saques e depósitos) atípicas de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz ao longo de 2016, revelado pelo Estado em dezembro de 2018, e outro que reportava 48 depósitos fracionados de R$ 2 mil na conta de Flávio entre junho e julho de 2017.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Prefeito de Dallas recusa-se a dar as boas vindas a Bolsonaro


VEJA - Lúcia Guimarães, de Dallas


© Isac Nóbrega/PR O presidente Jair Bolsonaro: nos Estados Unidos, rejeição no Texas e em Nova York - 10/05/2019
 O prefeito de Dallas voltou atrás de sua declaração inicial sobre a visita do presidente Jair Bolsonaro à cidade do Texas, nos Estados Unidos. O democrata Mike Rawlings, diante de um abaixo assinado de 7 dos 14 vereadores da cidade, avisou que, além de não dar as boas vindas ao presidente brasileiro, não participaria de nenhum evento com o líder brasileiro.

O chefe do escritório de comunicação da prefeitura, Scott Goldstein, confirmou para VEJA a versão divulgada por um vereador durante protesto na calçada do edifício do World Affairs Council, sede do think tank local onde Bolsonaro receberá o prêmio “Personalidade do Ano” nesta quinta-feira, 17. A premiação é conferida pela Câmara de Comércio Americana-Brasileira.

O prêmio teria sido entregue a Bolsonaro em Nova York na terça-feira, 14, se sua presença não tivesse alimentado a resistência de ambientalistas, de grupos LGBTQ e do próprio prefeito nova-iorquino, Bill de Blasio. O Palácio do Planalto concluiu pelo cancelamento do evento em Manhattan e, em seguida, surgiu Dallas, no Texas, como local supostamente mais afável. 

O prefeito Mike Rawlings, que está para deixar o cargo em junho, havia adotado um tom mais conciliador. Dissera que, apesar de não concordar com as políticas de Bolsonaro, ele fora eleito legitimamente e mereceria as boas vindas, em respeito aos brasileiros.

Mas, diante da pressão de grupos LGBTQ de Dallas e de uma conversa com vereadores, Rawlings se distanciou da visita do chefe de estado brasileiro. O único vereador gay da câmara de Dallas, Omar Narvaez, um signatário da carta de protesto contra a visita, anunciou a decisão do prefeito durante o pequeno protesto na calçada do World Affairs Council, agradecendo a liderança de Rawlings.
Narvaez afirmou que o Brasil é o país que mais assassina transgêneros no mundo.

COMENTÁRIO: Que vergonha para o Brasil. A tendência é o presidente Bolsonaro ser hostilizado em todos os países por onde passar


MP-RJ vê organização criminosa no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj

© Pedro França/Agência Senado O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ)









Estadão Conteúdo

O Ministério Público do Rio identificou no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje senador pelo PSL-RJ, na Assembleia Legislativa fluminense o que considerou serem indícios de uma “organização criminosa com alto grau de permanência e estabilidade”, voltada para cometer crimes de peculato (desvio de dinheiro público).

A quadrilha, segundo a Medida Cautelar de Afastamento de Sigilos Bancário e Fiscal ajuizada pela promotoria na 27ª Vara Criminal, um documento de 87 páginas obtido pelo jornal O Estado de S.Paulo, era dividida em três núcleos “hierarquicamente compartimentados”. O primeiro nomeava, para cargos de confiança, pessoas para repassar parte dos vencimentos em troca das nomeações. O segundo recolhia e distribuía o dinheiro. E o terceiro era formado pelos nomeados, que repassariam parte dos salários. O pedido da Promotoria resultou na quebra dos sigilos de dezenas de pessoas físicas e jurídicas ligadas a Flávio e a sua assessoria na Alerj.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Juventude e trabalhadores nas ruas de todo Brasil em defesa da educação e da previdência públicas


15 de maio de 2019
Jornal O Poder Popular

Os militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), juntamente com a União da Juventude Comunista (UJC), a Unidade Classista, o Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Coletivo Negro Minervino de Oliveira e Coletivo LGBT Comunista estiveram presentes nos atos realizados em todo o país em defesa da educação pública e contra os cortes do governo Bolsonaro (PSL) às instituições federais de ensino.
Dando continuidade à política econômica de ajuste fiscal e implementando sua política reacionária de censura e perseguição ideológicas, o Governo Bolsonaro anunciou cortes orçamentários para área de humanas e corte de, no mínimo, 30% no orçamento de todas as instituições públicas de ensino superior do país, além de incentivar o ódio ao conhecimento e o desrespeito aos profissionais da educação, orientando que filmem professores/as em seu local de trabalho, sem autorização dos/as mesmos/as.
Tais medidas exemplificam como a atual política econômica ultraliberal, pautada pelos ditames da radicalização no corte dos investimentos sociais e na privatização de políticas públicas, se relaciona com métodos antidemocráticos do governo. Por detrás do discurso anti-intelectual, irracional e anticientífico, está um projeto de educação a serviço da total entrega do país e suas instituições aos grandes conglomerados internacionais, ao capital financeiro e aos centros imperialistas. Atacar os avanços conquistados na educação pública é, na prática, transformar o Brasil numa semicolônia a serviço de especuladores, corruptos e lacaios dos EUA.
A este quadro desolador soma-se a proposta de reforma da previdência que, na prática, irá extinguir a previdência pública. A reforma atingirá não só os profissionais da educação como o conjunto da classe trabalhadora e a população mais pauperizada do país que depende dos recursos da seguridade social, um direito histórico tão duramente conquistado pelos/as trabalhadores/as.
A Greve Nacional da Educação, marcada para esta quarta, 15 de maio, foi apontada pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação), reafirmada no III Encontro Nacional de Educação (III ENE) e pelo Fórum Sindical, Popular e de Juventude pelos Direitos e pelas Liberdades Democráticas – importante espaço de unidade de ação e de reorganização da classe trabalhadora, uma data preparatória da greve geral do dia 14 de junho, já convocada pelas centrais sindicais.
Centenas de milhares vão às ruas em todo o Brasil
Em Fortaleza, o ato teve início com uma concentração popular na Praça da Bandeira, no Centro, passando pelo campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e encerrando no cruzamento das avenidas 13 de Maio com Universidade, onde está a reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ao final do ato, o camarada Régis Pinheiro, do Centro Acadêmico de Letras da UECE e militante da UJC, falou sobre a necessidade da luta e denunciou os ataques no âmbito estadual, onde o governador Camilo Santana (PT) tem feito uma política de desmantelamento das universidades estaduais. Cerca de 100 mil pessoas participaram do protesto.
Em Salvador (BA), cerca de 50 mil pessoas participaram do ato, iniciado no Largo do Campo Grande e concluído com passeata até a Praça Castro Alves. Na Paraíba, as instituições públicas de ensino básico e superior suspenderam as atividades em protesto contra os cortes na Educação. Além da capital, houve protestos em municípios como Campina Grande, Rio Tinto, Bananeiras e Areia.
O 15M sacudiu o Estado de São Paulo com protestos nas ruas e paralisações em diversos locais de trabalho, em várias cidades. Na Baixada Santista não foi diferente: começou forte e de maneira unificada! Logo cedo, em Cubatão, houve paralisação na Refinaria da Petrobras de petroleiros diretos e terceirizados. Somaram-se ao Sindipetro diversas categorias como metalúrgicos, construção civil, Comissão de Desempregados, servidores municipais e do Judiciário Estadual. Às 11 horas, nas escadarias do Fórum de Santos, os servidores do Judiciário Estadual contaram com a presença de estudantes da Unifesp e outras faculdades, servidores do Judiciário Federal, professores da rede privada de ensino, bancários e petroleiros. Às 18 horas, aconteceu o Ato Unificado em Defesa da Educação, na Estação Cidadania, em Santos, na avenida Ana Costa.
Em Piracicaba, a praça José Bonifácio ficou lotada com 3,5 mil estudantes e trabalhadores da educação. O estudante Gabriel Colombo, diretor da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) e militante do PCB, discursou, denunciando o projeto de destruição da educação pública, para favorecer os interesses do grande capital. Em Campinas, secundaristas, professores municipais e estaduais, trabalhadores e estudantes da Unicamp e PUC realizaram ato público que já é considerado um dos maiores que o município viu nos últimos anos.
Em Sorocaba, aproximadamente 5 mil pessoas, entre pais, mães, professores e funcionários da educação pública, lotaram a praça Cel. Fernando Prestes desde às 9h e depois seguiram em passeata pelas ruas do centro da cidade. Em São Carlos, a multidão se concentrou na Praça Coronel Salles e se deslocou pela avenida São Carlos até a Baixada do Mercado. O protesto foi convocado pelos alunos, professores e profissionais das universidades públicas de São Carlos e teve grande adesão na cidade. Cerca de 15 mil pessoas participaram da manifestação.
A Avenida Paulista, centro da cidade de São Paulo, foi palco de gigantesca manifestação, aglomerando dezenas de milhares de manifestantes, que para lá confluíram após atos públicos realizados nas universidades e escolas públicas. Estudantes, trabalhadores, trabalhadoras, militantes dos mais diferentes movimentos e de partidos de esquerda foram à luta contra os cortes da educação pública e os ataques do Governo Bolsonaro aos direitos sociais e políticos.
No centro de Belo Horizonte (MG), o ato unificado agrupou mais de 250 mil pessoas, reunindo estudantes e trabalhadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da universidade Estadual e do CEFET, assim como trabalhadores e trabalhadoras de outros setores. Em diversos municípios do Estado houve paralisações e protestos, os quais contaram com a participação da UJC, da Unidade Classista, militantes e coletivos do PCB.
Em Florianópolis (SC), mais de 10 mil pessoas ocuparam o Largo da Catedral desde as 14 horas e partiram em marcha pelas ruas da cidade, contando com a presença de estudantes, professores e técnicos em educação da Universidade Federal de Santa Catarina, do Instituto Estadual de Educação (IEE), da Unisul e de diversas escolas, que participaram da Aula Pública regida pela professora de Matemática do IFSC, Elenira Vilela, feminista, militante política e filha de professores perseguidos e torturados pela ditadura militar sobre o desmonte da rede pública federal e os ataques à educação.
Em Porto Alegre, a movimentação foi grande na Faculdade de Educação da UFRGS pela manhã, de onde estudantes e professores partiram para o ato unitário, no início da tarde, com abraço à universidade e ao Instituto de Educação, além da caminhada nas ruas do centro.
No Rio de Janeiro, os petroleiros iniciaram o dia realizando atos, paralisações e atrasos na rendição de turnos, em protesto contra a venda de oito refinarias, contra o aumento dos combustíveis, contra a reformada Previdência e contra os cortes de verbas da Educação e o desmonte promovido pelos entreguistas Jair Bolsonaro, Paulo Guedes e Roberto Castello Branco. À tarde, grande manifestação na Candelária reuniu estudantes e profissionais da Educação das universidades públicas, institutos federais, escolas estaduais, municipais e privadas, além de trabalhadores das mais distintas categorias. A Unidade Classista, a UJC, o Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro e o Coletivo Negro Minervino de Oliveira se fizeram presentes com suas bandeiras e utilizaram da palavra no ato público.
Em Garanhuns/PE, os manifestantes se concentraram na Praça Souto Filho (Fonte Luminosa), partindo em caminhada até o Centro da Cidade, especificamente no Espaço Cultural Luís Jardim (Marco Zero). 


A propósito do declínio dos EUA


15 de maio de 2019
Jorge Cadima
ODiario.info
Nos EUA avoluma-se uma crise profunda, cujos efeitos se estendem a todos os campos – econômico, financeiro, social, político, militar, sanitário e mesmo demográfico. As suas raízes residem na crise sistêmica do capitalismo, mas também no declínio relativo dos EUA face a outras potências, na insustentabilidade da sua situação financeira e na brutalidade da sua dominação de classe.
Os mecanismos com que a classe dirigente norte-americana tem procurado enfrentar o seu declínio não apenas não o inverteram, como contribuíram para acentuar esse declínio. Trump expressa essa crise.
‘Tornar de novo grande a América’ é uma ilusão que não reflete a realidade mundial em mudança. Mas o perigo de que tudo termine numa aventura catastrófica é enorme.
Um país em crise
Os EUA são um caldeirão em ebulição. A ofensiva de classe das últimas décadas traduziu-se numa baixa acentuada dos níveis de vida de grande parte da população trabalhadora. Tornou-se frequente que, mesmo trabalhadores com duplo emprego, mal consigam sobreviver . A desindustrialização de vastas regiões gerou fenômenos de pobreza em massa. Em 2018, o Relator Especial Philip Alston apresentou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU um relatório sobre pobreza extrema nos EUA, afirmando: «Os Estados Unidos […] são uma das sociedades mais ricas […]. Mas a sua imensa riqueza e conhecimentos estão em flagrante contraste com as condições em que vive grande número dos seus cidadãos. Cerca de 40 milhões vivem na pobreza, 18,5 milhões em pobreza extrema e 5,3 milhões em condições de pobreza absoluta, do tipo Terceiro Mundo» . Mais de meio milhão de norte-americanos vivem nas ruas ou em tendas e barracas . Cidades inteiras declaram falência, não sendo único o caso de Detroit (2013). Os EUA continuam a ser o único país desenvolvido em que não existe licença de parto garantida por lei . Nos últimos meses, assiste-se a um ressurgimento de importantes lutas laborais, que traduzem um descontentamento generalizado.

terça-feira, 14 de maio de 2019

15/05: Greve Nacional da Educação contra os ataques de Bolsonaro

Imagem: Greve dos professores estaduais em São Paulo – Créditos: Romerito Pontes 






















“Povo na rua vai reverter esse quadro”, diz presidente da CNTE sobre cortes no ensino.

Paralisação nacional acontece nesta quarta (15) em todo o país contra o desmonte das universidades no governo Bolsonaro
Por Luciana Console - Brasil de Fato | São Paulo (SP)
A Greve Nacional da Educação, marcada para a próxima quarta-feira (15), pode reverter o quadro de desmonte das universidades federais no governo Bolsonaro (PSL). É o que afirma o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Manoel Gomes de Araújo Filho.
A CNTE, que engloba diversas entidades sindicais em todo o Brasil, participa da organização da greve, que tem como bandeira principal o repúdio ao recente corte orçamentário de 30% nas universidades. Segundo Heleno, a paralisação será em toda a rede pública de ensino, e os atos ocorrerão no dia 15 em todas as capitais brasileiras.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Heleno Araújo explica como vai ser a mobilização nacional dos professores, estudantes e trabalhadores da educação e o que ela pode representar na atual conjuntura.
Confira os melhores momentos:
Brasil de Fato: Em linhas gerais, como será a Greve Nacional da Educação no dia 15 de maio?
Heleno Araújo: A mobilização está intensa. Nós temos a participação de todas as entidades filiadas à CNTE em todo o Brasil. São 50 entidades, sindicatos, associações e federações ligadas à CNTE.
Temos paralisação marcada em toda rede pública, de modo que vamos ter atos públicos em todas as capitais brasileiras. Pela manhã, pela tarde, em todas as capitais têm atos. Já temos confirmados em 21 capitais atos conjuntos entre trabalhadores da educação básica, do ensino superior, dos institutos federais, do setor privado, com apoio de petroleiros, da Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, das centrais sindicais…
Então, existem outras categorias que estão apoiando a greve e chamando também esse dia de mobilização em defesa dos serviços públicos e em defesa da educação pública. Vai ser um dia intenso de muita mobilização em todo o Brasil.
A greve é dos professores, mas envolve outras questões e demandas da classe trabalhadora. Qual a mensagem que se pretende passar?
Ela inicialmente foi convocada para chamar a atenção de toda a sociedade com relação à destruição da aposentadoria do conjunto dos trabalhadores e das trabalhadoras em educação do povo brasileiro. A intenção inicial era mostrar que a nossa categoria é que vai ser a mais penalizada. Porque ela é formada 80% por mulheres, e as mulheres vão trabalhar mais tempo se essas medidas forem aprovadas. Quando conseguirem o critério de aposentadoria terão seu salários reduzidos.
Durante a preparação, nós tivemos as medidas do governo Bolsonaro, de fazer cortes na educação pública em nosso país – cortes de investimento na universidade pública, nos institutos federais, nas escolas de educação básica que são ligadas à União. Esses cortes têm também repercussão na educação básica como um todo. Ataca os municípios, ataca os estados, ao atingir a questão da merenda escolar e o transporte escolar dos nossos estudantes. Então, é uma medida que agravou o cenário educacional.
A greve tem sua incidência sobre a destruição da aposentadoria e contra os cortes de investimentos em educação em todas as esferas e em todos os níveis em nosso país, anunciados pelo governo Bolsonaro.
Está marcada para o dia 14 de junho uma greve geral dos trabalhadores. A Greve Nacional da Educação faz parte do chamamento para a paralisação de junho?
Ela foi chamada desde o princípio como Greve Nacional da Educação rumo à greve geral da classe trabalhadora, que vai acontecer no dia 14 de junho. Não temos só o compromisso de toda a educação básica e superior de participar da greve geral, mas de parar o país contra as medidas de destruição do governo Bolsonaro.
Quais as expectativas para a Greve Nacional da Educação?
No mundo todo e aqui no Brasil nós conseguimos avançar sobre direitos, sobre aquilo que alcança a maioria da população, só com muitos protestos, muita mobilização e muita gente nas ruas. A nossa expectativa é que tenhamos muita gente nas ruas agora no dia 15 de maio, e que isso toque os parlamentares que estão na Comissão Especial que vai discutir as mudanças na Seguridade Social, na Previdência do conjunto da população. Se tivermos muita gente nas ruas, com o povo dizendo que não aceita essa medidas, é tarefa do parlamentar, é papel do parlamentar votar contra essas medidas. Por isso, essa expectativa de que tenha muitas gente nas ruas para pressionar os parlamentares sobre a Previdência que está no Congresso Nacional.
Essa multidão na rua com certeza vai pressionar o governo federal a repensar essa sua medida de fazer o bloqueio de recursos já destinados no orçamento da Educação para 2019. Esse orçamento foi aprovado em 2018 no Congresso Nacional, já estava em pleno andamento, e o governo anuncia agora fazer o bloqueio desses recursos.
Então, a expectativa é de que com muita gente nas ruas a gente faça com que o governo retome a posição e cancele a medida de fazer o bloqueio desses recursos. Se não conseguirmos isso no dia 15 de maio com mobilização nas ruas, vamos continuar fortalecendo a mobilização para que na greve geral do dia 14 de junho possamos alcançar esses objetivos.
Gostaria de acrescentar algum comentário?
É importante que cada trabalhadora e trabalhador em educação busque informações. Muitos acreditam na mobilização do sindicato, muitos participam da chamada pelo sindicato, mas para aqueles ainda que não acreditam na chamada do sindicato, nós indicamos que façam a leitura do que está acontecendo.
É importante pensar na situação dos trabalhadores da educação, mas é importante também ser solidário com os demais membros da sociedade que serão altamente prejudicados com as medidas de Bolsonaro.
Para a educação, os cortes são prejudiciais de imediato e trazem um prejuízo enorme àquilo que nós conquistamos no Plano Nacional de Educação, que tinha recursos da educação até 2024. Com essas medidas, nós temos os poucos recursos destinados à educação ainda mais sendo reduzidos. Nós não podemos aceitar que isso aconteça, que essas medidas entrem em ação. Só o protesto, a manifestação e o povo na rua é que vão reverter esse quadro.
Edição: Rodrigo Chagas
https://www.brasildefato.com.br/especiais/levante-da-educacao/


segunda-feira, 13 de maio de 2019

A Guerra na Venezuela


Os EUA já estão em guerra com a Venezuela. Uma guerra híbrida, não-convencional, mas uma guerra.

por Marcelo Zero
A grande pergunta que todos se fazem no momento é se haverá ou não uma guerra na Venezuela.
Bom, em primeiro lugar, é preciso considerar que os EUA já estão em guerra com a Venezuela. Uma guerra híbrida, não convencional, mas uma guerra.
Os EUA estão fazendo de tudo na Venezuela. Além do embargo comercial e financeiro, que já ocasionou a morte de pelo menos 40 mil pessoas, confiscaram ouro e outros ativos da Venezuela no exterior, promoveram atos de sabotagem que levaram a apagões, instituíram um títere ridículo (Guaidó) para tentar derrubar Maduro mediante um golpe, articularam o isolamento diplomático e político do nosso vizinho, fazem pressão para que os militares abandonem o governo constitucional, promovem uma grande campanha de desinformação sobre a Venezuela para criminalizar Maduro e o regime bolivariano, etc. etc.
A questão não é, portanto, se os EUA entrarão em guerra com a Venezuela, mas se a atual guerra híbrida escalará para uma guerra militar estrito senso. Para tentar responder a essa pergunta, temos de levar em consideração dois grandes fatores.
O primeiro tange à nova geoestratégia dos EUA para América Latina. Eles querem implantar, a ferro e fogo, se necessário, a Nova Doutrina Monroe, segundo a qual a nossa região tem de ser, de novo, um espaço de influência exclusiva dos EUA. Um quintal. Um patio trasero, como dizem os hispânicos.