quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Câmara aprova resolução que freia ações militares de Trump contra o Irã




Foto: SAUL LOEB/AFP via Getty Images

Folhapress 


A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou nesta quinta-feira (9) uma resolução que restringe ações militares do presidente Donald Trump no conflito com o Irã, dias após ele ter ordenado um ataque com drone que matou o comandante da Guarda Revolucionária do país.
Pela determinação, que ainda vai ao Senado, o presidente seria obrigado a pedir autorização ao Congresso antes de tomar outras medidas relacionadas ao tema.
O resultado foi de 224 votos a favor contra 194, refletindo a divisão na Casa entre democratas, que acusam Trump de agir de forma imprudente, e republicanos, que apóiam fortemente o presidente.
A medida vai a votação no Senado e deve enfrentar resistência na Casa, onde os republicanos são a maioria, 53 contra 47.
Na quarta-feira, Trump deu sinais de que não pretende ir à guerra contra a República Islâmica após a tensão gerada por um ataque americano com drones que matou o principal comandante militar iraniano, tendo como resposta de Teerã o lançamento de mísseis contra bases que abrigam forças americanas no Iraque.
Mas a bancada democrata e dois membros republicanos do Senado expressaram ceticismo em relação à justificativa do governo sobre a ordem de Trump de matar o general Qassem Soleimani, e estão exigindo que o Congresso reafirme seu poder sobre o uso das forças armadas dos Estados Unidos pelo Comandante em chefe contra outra nação.
Citando a Resolução dos Poderes de Guerra de 1973, que proíbe um presidente de levar o país à guerra sem a aprovação do Congresso, a medida "ordena que o presidente suspenda o uso das forças armadas dos Estados Unidos para participar de hostilidades contra o Irã ou qualquer parte do seu governo ou ala militar".
Mas o texto, apresentado pela congressista Elissa Slotkin, ex-funcionária da CIA com vasta experiência no Iraque, também prevê exceções importantes, permitindo o uso da força para defender ou impedir um ataque "iminente" contra os Estados Unidos ou os americanos.
A medida entrou na Câmara como uma resolução simultânea, uma forma de regulamentação que não tem o peso da lei, mas poderia servir como instrumento político, sendo uma repreensão à estratégia de política externa de Trump.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Câmara dos Representantes vota amanhã para impedir que Trump inicie guerra contra Irã


AFP 
Nancy Pelosi e Donald Trump

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, controlada pela oposição democrata, votará nesta quinta-feira (09.01.2020) uma medida para impedir que o presidente Donald Trump entre em guerra com o Irã depois de matar um representante do governo iraniano, disse a presidente da câmara, Nancy Pelosi.
Pelosi declarou que os democratas tomaram essa decisão porque suas preocupações não foram dissipadas nesta quarta-feira em um encontro a portas fechadas com o secretário de Estado, Mike Pompeo.
"O presidente deixou claro que não tem uma estratégia coerente para manter a população segura, diminuir a tensão com o Irã e garantir a estabilidade da região", afirmou Pelosi através de um comunicado.
"Nossas preocupações não foram atendidas pela insuficiente notificação do presidente por meio da Lei de Poderes de Guerra e pelo encontro de hoje" com membros do governo, afirmou.
Sob a Ata de Poderes de Guerra de 1973, o governo deve notificar o Congresso sobre importantes ações militares, mas Trump enviou de maneira incomum, como documento restrito, sua justificativa para o ataque que matou o poderoso general iraniano Qassem Soleimani no Iraque.
Pelosi disse que a Câmara dos Representantes votaria, de acordo com a lei de 1973, para limitar a capacidade de Trump de iniciar uma guerra contra o Irã.
A legisladora disse que a casa também pode considerar em breve a revogação da autorização do uso da força, que foi concedida ao Executivo após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.
Desde então, três governos invocaram essa autorização como justificativa legal para a realização de uma série de ações militares no mundo islâmico.
Mas é improvável que qualquer medida que tente restringir Trump seja aprovada no Senado, pois seu partido, o Republicano, tem maioria.


Venezuela: fantoche dos EUA é defenestrado


Juan Guaidó tenta pular a grade do Parlamento venezuelano, no domingo passado. Os outros deputados da oposição (alguns do seu partido) entraram pela porta da frente, mas o pau mandado de Washington preferiu o «show» para se vitimizar. Créditos / Pinterest.

Apesar do circo, Guaidó deixou de ser presidente da Assembleia Nacional
AbrilAbril
O fantoche de Washington, que há um ano se autoproclamou «presidente interino», perdeu no domingo passado o assento na presidência do Parlamento, num processo que evidencia grandes divisões no seio da oposição.
A Assembleia Nacional (AN) da Venezuela elegeu, no dia 05 de janeiro, para o período 2020-2021, uma nova direção, ainda dominada pela oposição ao chavismo, mas sem Juan Guaidó e na qual prevalece a vontade de levar a cabo um trabalho «a serviço dos venezuelanos», de «reconciliar o povo» e «evitar ações violentas ou confrontos», segundo afirmou o segundo vice-presidente, José Gregorio Noriega.
Para a presidência da AN foi eleito Luis Parra, que denunciou os entraves colocados ao processo de eleição pelo ex-presidente, Juan Guaidó, uma vez que a oposição se encontrava dividida e o autoproclamado não ia alcançar os votos necessários à reeleição.
Em declarações à imprensa, Francisco Torrealba, membro do Partido Socialista Unido da Venezuela e líder do Bloco da Pátria (que inclui forças políticas que apoiam a Revolução Bolivariana), sublinhou que, com esta nova direção, a AN poderá reentrar na ordem constitucional do país – uma vez que ainda se encontra em situação de «desobediência jurídica» perante o Supremo Tribunal de Justiça.
Sobre a ausência de Juan Guaidó na AN, Torrealba – um dos deputados chavistas que voltaram a ocupar os seus assentos em setembro último, após um acordo entre o governo e setores da oposição – afirmou que se tratou de um fato «inédito mas previsível, já que Guaidó não tinha os votos para ser reeleito», e destacou a «divisão existente no seio da oposição».

Bolsonaro 'não faz questão de não ser lambe-botas de Trump', diz Lula


Lula disse que Bolsonaro não faz questão de 'não ser um lambe botas do Trump'. 

(Foto: AP Photo/Andre Penner, File)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil possui uma tradição político-diplomática de “construtor da paz” e deve evitar a tensão entre Estados Unidos e Irã. O petista ainda repudiou a manifestação feita pelo governo de Jair Bolsonaro a respeito da morte do general Qasem Soleimani, dizendo que “não há necessidade de se inventar ‘terrorismo’ no Irã”.
 “O momento não é adequado para o Brasil se meter em uma briga externa. O Brasil não tem contencioso com o mundo, sempre manteve uma política diplomática harmoniosa. Devemos ser um construtor de paz”, escreveu o ex-presidente em sua conta no Twitter, após uma entrevista ao site "Diário do Centro do Mundo".
Para Lula, os EUA “gostam” de confusão e que essa escalada de tensão contra o Irã visa uma “campanha eleitoral”. “Os Estados Unidos gostam de criar confusão e de preferência longe do território deles. Não há necessidade de se inventar ‘terrorismo’ no Irã (...). Os EUA precisam sempre eleger um inimigo. Isso está me cheirando a campanha eleitoral.
Na relação internacional sempre são dois interesses: o seu e o do outro. Você tem que sempre equilibrar o deles com o seu. O Bolsonaro não faz a menor questão de não ser um lambe botas do Trump.

Por fim, ele afirmou que o presidente Jair Bolsonaro é “lambe botas” de Trump. “Na relação internacional sempre são dois interesses: o seu e o do outro. Você tem que sempre equilibrar o deles com o seu. O Bolsonaro não faz a menor questão de não ser um lambe botas do Trump.”


Apesar das mudanças, Pacote Moro é um retrocesso, diz policial civil



REUTERS/Adriano Machado

O pacote de medidas que endurece a legislação penal contra crimes foi sancionado, em dezembro, pelo presidente Jair Bolsonaro. O texto foi proposto pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, mas sofreu mudanças ao longo da sua tramitação com vetos do próprio presidente, do Congresso e inclusão de estudos de uma comissão de juristas coordenada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Morais.
Boa parte das mudanças também foi possível a partir de uma incidência política organizada e estruturada do movimento negro que denunciou nacional e internacionalmente pautas consideradas prejudiciais à população negra, como noticiou durante toda a discussão do projeto o Alma Preta.
No entanto, para Roberto Rodrigues, integrante do coletivo Policiais Antifascismo, grupo fundado em 2017 e, hoje, com aproximadamente 8 mil membros de todo o país que questionam o modo violento do trabalho das corporações, apesar de pontos importantes terem saído do projeto, não há o que se comemorar com a aprovação e sanção do pacote.
“Os vetos, as propostas adicionadas ao projeto original de Sergio Moro e as adequações que foram feitas a partir da comissão de trabalho de parlamentares e juristas considerando também os projetos do Alexandre de Moraes a gente tem que entender que estas concessões. Não podem ser consideradas grandes para a sociedade, pois este projeto é um retrocesso na medida em que aponta cada vez mais um direcionamento para um Estado penal e policial”, explica.
Tal pacote, para ele, neste sentido, não pode ser considerado uma política pública, pois o Estado está substituindo a Justiça e o direito por um “sentimento de vingança e castigo para com os cometimentos de crimes”. “Um governo onde a gente vê que falta políticas públicas no âmbito da educação, que falta políticas públicas sociais, culturais, que falta oportunidade de vida digna para a população, falta uma perspectiva de futuro, a gente entende que - deixando de promover estas condições para melhoramento da nossa sociedade de condições de vida da população - ela não pode se restringir apenas querer castigar ou punir quem comete crime”, critica.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Irã pede explicações ao Brasil sobre apoio ao ataque dos EUA


CATRACA LIVRE   
© Agência Brasil/Tânia Rego Irã pede explicações ao Brasil sobre apoio ao ataque norte americano

​​O governo do Irã convocou o representante do Brasil em Teerã, no domingo, 05.01.2020, para pedir explicações sobre o posicionamento do governo brasileiro frente ao ataque dos Estados Unidos (EUA), no Iraque, que culminou na morte do general Qassem Soleimani, da Guarda Revolucionária do Irã. Soleimani foi atingido por um míssil na sexta-feira, 3.

Como o embaixador do Brasil no Irã, Rodrigo Azeredo, está de férias, quem participou da reunião no Ministério de Relações Exteriores do iraniano foi a encarregada de negócios da embaixada, Maria Cristina Lopes. O Itamaraty confirmou a realização da reunião, mas não informou o que foi conversado. O que se sabe, é que na prática diplomática, uma convocação como está é um ato de repreensão.
“A conversa, cujo teor é reservado e não será comentado pelo Itamaraty, transcorreu com cordialidade, dentro da usual prática diplomática”, informou o Ministério das Relações Exteriores, ao jornal ‘O Globo’.

O Itamaraty divulgou, na sexta-feira em que ocorreu o ataque, uma nota apoiando a ação dos EUA e dando a entender que a diplomacia brasileira considerava Soleimani um terrorista. “Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo”, diz um trecho do comunicado, intitulado “Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo”.

Após o ataque, no Brasil viralizou uma hashtag pedindo para o governo Brasileiro, em especial o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ficassem calados.

EM TEMPO: Muito bonito para o Brasil e sua política externa catastrófica. O presidente Bolsonaro e o Ministro das Relações Exteriores, chanceler Ernesto Araújo, certamente pensam que podem dizer  o que querem para os mandatários estrangeiros, como eles fazem com os brasileiros. Agora Bolsonaro apre-sente “arminha”  para o Irã? O presidente Bolsonaro ao liberar, juntamente com os Congressistas,  a Base Militar de Alcântara, no Maranhão, para os EUA, coloca em risco nossa soberania.

LEMBRETE: Caro eleitor, na hora de votar escolha sempre o melhor e, não, o pior. Comece pelo seu município 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Trump afirma que pode prescindir de aprovação do Congresso para ataques

                                                                              AFP 

(Arquivo) O presidente americano, Donald Trump

O presidente americano, Donald Trump, minimizou neste domingo as críticas que recebeu pelo assassinato de um general iraniano pelos Estados Unidos, ao afirmar que não precisa da aprovação do Congresso, até mesmo para um ataque "desproporcional".
A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, democrata, liderou o repúdio à decisão de Trump de autorizar um ataque com drones contra Qasem Soleimani em Bagdá, sobre o qual o Congresso foi informado oficialmente apenas ontem.
Dois congressistas democratas anunciaram hoje que apresentarão uma resolução na Câmara dos Representantes para impedir que Trump leve unilateralmente o país a uma guerra com o Irã.
Trump desafiou as reclamações de que operações militares precisam da aprovação do Congresso, ao afirmar que esta era uma instância "não requerida", e que seu tuíte servirá de notificação se decidir atacar novamente o Irã.
"Estas postagens servirão de notificação ao Congresso que, se o Irã atacar qualquer pessoa ou alvo americano, os Estados Unidos irão responder rápida e completamente e, talvez, de forma desproporcional", publicou Trump. "Esse aviso legal não é requerido, mas está dado mesmo assim!"
Embora governos anteriores tenham tentado obter apoio bipartidário para operações militares significativas, com avisos aos opositores antes das ações, desta vez nem Pelosi nem o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, foram avisados do ataque contra Soleimani.
Furiosa, Pelosi disse que "este início de hostilidade" aconteceu "sem uma consulta ao Congresso e a articulação de uma estratégia clara e legítima para o Congresso e o público. Reitero meu chamado ao Executivo para uma reunião informativa imediata e completa com o Congresso sobre a ação militar relacionada ao Irã e os próximos passos em consideração".

'Governo Bolsonaro se afastou do combate à corrupção', afirma Santos Cruz


BBC NEWS

© Isac Nóbrega/Presidência da República (08/05/2019).

Após deixar ministério, Santos Cruz voltou a atuar junto à ONU, tachada de 'globalista' pelo governo atual.

Demitido do governo em junho, o ex-ministro da Secretaria de Governo general Carlos Alberto dos Santos Cruz hoje quer distância do presidente Jair Bolsonaro.

O militar da reserva pensa em se filiar a um partido político e disputar eleição no futuro - ainda não sabe por qual sigla e para qual cargo, mas tem certeza que não fará isso ao lado do seu antigo chefe. Para ele, Bolsonaro deixou o PSL para criar uma nova sigla, a Aliança pelo Brasil, não por divergência ideológica, mas devido a disputas para controlar dinheiro dos fundos partidário e eleitoral.

"Eu não entraria em um partido hoje do presidente Bolsonaro de jeito nenhum. Ele tem valores que não coincidem com os meus; ele tem atitudes que eu acho que não têm cabimento", disse, em entrevista à BBC News Brasil. Santos Cruz deixou o governo após sofrer uma onda de ataques nas redes sociais que teria sido orquestrada por um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). A campanha de difamação incluiu uma imagem, falsa segundo o general, de uma conversa dele com ataques ao governo.

"Uns criminosos vagabundos de baixo nível fazem aquilo, entregam para o presidente (a imagem forjada), incrivelmente ele acredita naquilo e incrivelmente ele até hoje se nega a dizer quem levou aquilo para ele. São coisas que não se pode esperar de uma autoridade que tem essa responsabilidade", afirma.

Desde então, o general retomou uma intensa agenda de viagens pelo Brasil e o exterior. Prestigiado internacionalmente após ter comandado a maior missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas), chefiando mais de 23 mil capacetes azuis na República Democrática do Congo entre 2013 e 2015, ele voltou a atuar junto à instituição que hoje é tachada de "globalista" pelo governo brasileiro. O general conta que a política externa de Bolsonaro, marcada por uma "alinhamento automático" aos Estados Unidos, tem causado surpresa entre atores internacionais.

"É completamente ideológica (a política externa). Desde o discurso de posse do ministro das Relações Exteriores (Ernesto Araújo), quase transformando a Bíblia num plano de governo", critica. Ao fazer um balanço do primeiro ano de Bolsonaro, Santos Cruz aponta incoerências com o discurso de campanha, marcado pela bandeira anticorrupção.

domingo, 5 de janeiro de 2020

O xadrez nos EUA envolvendo a decisão de Trump de atacar general do Irã


BBC NEWS

© Getty Images A Casa Branca, em Washington; histórico dos EUA em conflitos externos tem trajetória por vezes relacionada com disputas eleitorais internas


Há 10 meses de disputar a reeleição para o posto de presidente dos Estados Unidos e diante de um processo de impeachment no Congresso — no qual é acusado de ter usado o aparato diplomático americano para benefício pessoal e político —, Donald Trump tomou pessoalmente a decisão de levar a cabo um ataque aéreo ao Aeroporto Internacional de Bagdá, no Iraque, que levou à morte do general iraniano Qasem Soleimani, chefe da Força de inteligência Quds, na última quinta (2/1).

Com o ato, Trump deu uma guinada na política externa de sua gestão, até então marcada por sanções econômicas e ataques cibernéticos ao país dos aiatolás.

"Acredito que a partir de agora veremos os Estados Unidos agirem de maneira mais e mais agressiva em relação ao Irã. Provavelmente (o assassinato de Soleimani) é um sinal de que as negociações falharam e que os iranianos não estão dispostos a ceder. Os americanos concluíram que terão que aumentar a força e que, no Oriente Médio, para ser levado a sério, você deve usar violência. Trump estava usando apenas a pressão econômica, e com isso apenas não ia ser bem-sucedido. Agora, ele está usando pressão econômica e violência, com pouca, mas alguma chance de sucesso", resume Faris Modad, diretor para o Oriente Médio da consultoria IHS Markit.

Promessas de campanha

A política externa americana é uma das áreas de maior prioridade do presidente. Ao longo dos últimos 3 anos, Trump tentou deixar uma marca própria ao se engajar em uma guerra comercial com a China, tentar reestabelecer relações diplomáticas com a Coreia do Norte, refazer o acordo de livre comércio com México e Canadá. Seus movimentos são uma tentativa de demonstrar que ele põe em prática o o lema de sua campanha "America First", americanos primeiro, em contraposição ao que considerou ser um estilo complacente do antecessor democrata Barack Obama.

Isso também é verdade em relação ao Oriente Médio. Ao longo da disputa eleitoral de 2016, Trump fez duras críticas ao que chamou de "guerras sem fim", em relação às ações americanas em países como Afeganistão, Iraque e Síria. Ele defendeu a retirada das tropas americanas dessas áreas. Essa promessa foi cumprida apenas parcialmente ao longo dos últimos três anos: houve redução no contingente militar americano nesses países.

Mas, em vez de satisfazer a audiência interna meramente, a estratégia pode ter sido importante para levar os americanos a novos problemas.

A retirada de soldados americanos de postos no Oriente Médio, de acordo com críticos, acabou levando a vazios de poder nos territórios, mais tarde ocupados por inimigos dos americanos, como a rede de inteligência iraniana de Soleimani.

"Para ser eleito, Barack Obama vai iniciar uma guerra contra o Irã". O comentário foi postado via Twitter por Donald Trump em novembro de 2011, cinco anos antes que o empresário de Nova York se convertesse no 45º presidente dos Estados Unidos, e oito anos antes que ele mesmo se visse diante de uma acusação semelhante.

Repúdio total à ação terrorista dos EUA contra o Irã!


Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

O ataque promovido pelas forças armadas estadunidenses contra o General da Guarda Revolucionária do Irã, Qassem Soleimani, considerado uma das mais expressivas lideranças xiitas não apenas no Irã mas com forte influência em outros países do Oriente Médio, deve ser considerado um ato de terrorismo de Estado do Governo Donald Trump, que aumentará o grau de instabilidade não apenas no Oriente Médio, mas em todo o mundo.
Uma imediata resposta beligerante do Governo de Teerã seria o estopim para uma reprise do que foi a guerra do Golfo em 1991, quando o então presidente dos EUA, George Bush, enfrentava baixa popularidade e precisava de um pretexto para aumentar a influência imperialista na região. Como consequência imediata deste ato terrorista, o aumento do preço do petróleo em todo o mundo provoca efeitos devastadores em uma reação em cadeia que poderá precipitar uma nova onda de crise econômica em escala planetária.
A ação do governo estadunidense possui muitas causas entrelaçadas no complexo cenário da conjuntura do Oriente Médio, envolvendo a disputa pelo controle de riquezas e por posições estratégicas na região. Coincidentemente, há cerca de dois meses, o Irã divulgou a descoberta de uma imensa reserva de petróleo ao sul de seu território, com estimativa de mais de 50 bilhões de barris de petróleo bruto, elevando o País à condição de 3ª maior potência petrolífera do mundo e alterando significativamente a correlação de forças a favor do Estado iraniano no futuro próximo. Ao mesmo tempo, não deixa de ser uma resposta à crescente presença do Irã no Iraque e no Afeganistão e à aliança China-Irã-Rússia, assim como uma tentativa de fortalecer o governo de Israel.
Trata-se também de um gesto de arrivismo político, que procura condensar o espírito de unidade em torno da defesa dos EUA e assim aumentar as chances de Trump disputar e vencer as eleições de novembro, no momento em que o presidente estadunidense enfrenta uma das mais baixas popularidades de seu governo e ainda tem que responder a um processo de impeachment no Senado. Essa mesma estratégia interessa ao Governo de Benjamim Netanyahu em Israel, que enfrenta um processo jurídico por corrupção e perdeu recentemente as eleições para premier devido ao desgaste junto à população.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Educação: o projeto autoritário e privatista




EDUCAÇÃO BRASILEIRA: DO ATRASO DA EMPRESA COLONIZADORA AO OBSCURANTISMO TERRAPLANISTA ATUAL
Alex Santos
Militante da Unidade Classista – Fração ANDES-SN
Ao olhar pelo retrovisor da história da educação escolar pública no Brasil não há muito do que se orgulhar. Da herança jesuítica no início do século XVI à fase da redemocratização nos meados dos anos 80 do século XX, esteve presente um “modelo dualista”[1] que, salvaguardando suas diferenças ao longo do tempo, representou a “cultura do atraso”, condenando filhos/as da classe trabalhadora à ignorância e sem acesso ao conhecimento produzido e acumulado historicamente pela humanidade. Durante o Brasil Colônia, a empresa educativa ficou sob a tutela da Igreja Católica e dos padres jesuítas. 
Com surgimento do Império, a elite e seus valores retrógrados, no intuito de priorizar os seus interesses egoístas, começou a construir o edifício educacional pelo teto, sem pensar nos alicerces e na base que lhe dariam sustentação. Dessa forma, as instituições de ensino mantidas pelo Estado ofereciam alguns cursos superiores isolados na capital e, como consequência, o Erário abandonou à própria sorte os ensinos primário e secundário, a ponto de o pensador liberal Anísio Teixeira[2], que influenciou fortemente o pensamento pedagógico nacional, criticar os índices alarmantes de analfabetismo e a total ausência da população pobre ao acesso à escolarização. 
Fato que não causava assombro, dadas as características sociais de uma nação que há pouco tinha abolido a escravatura, não por vontade própria, mas por pressões externas, principalmente da Inglaterra. Essa herança maldita continuou pesando sobre os ombros do povo brasileiro ao longo do tempo, tendo havido redução, mas jamais sua erradicação como demonstram os dados da tabela 1.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Acuado pelo impeachment, Trump puxa o gatilho e empurra EUA para a guerra


Manifestante protesta contra Donald Trump durante invasão à embaixada dos EUA em Bagdá, pouco antes dos ataques ordenados pelo presidente americano. Khalid al-Mousily/Reuters

Os EUA começaram 2020 em contagem regressiva para as eleições presidenciais.
Candidato à reeleição, Donald Trump enfrenta a mais grave crise institucional de seu governo desde a posse. 
         
Vinte e cinco dias atrás, os deputados de seu país aprovaram o impeachment do republicano. Flagrado orientando autoridades ucranianas a investigarem um adversário político, ele é acusado de abuso de poder e obstrução no Congresso, e segue no cargo enquanto aguarda julgamento no Senado, onde tem maioria e provavelmente vai escapar da degola.
Em julho, 53% dos americanos reprovavam sua gestão, contra 44% que o aprovavam, segundo uma pesquisa divulgada pelo “Washington Post”.
No meio do redemoinho, Trump decidiu criar sua própria guerra do Iraque, país onde George W. Bush pavimentou o caminho da reeleição com sua guerra ao terror após o 11 de Setembro - e onde atolou e saiu desmoralizado quando já estava claro que o pretexto das armas químicas era conversa furada.
Trump dobrou a aposta num momento em que prometia atender ao pleito da maioria dos eleitores de tirar os EUA do conflito. A contradição pode ser um erro político fatal.
Numa tacada só, ele mirou um aeroporto de Bagdá e acertou três fios desencapados do Oriente Médio. Na ação, morreu o chefe da Força Revolucionária da Guarda Quds do Irã, Qasem Soleimani, um dos homens mais importantes daquele país. Analistas dizem que o peso simbólico do assassinato será ainda maior do que o de Osama Bin Laden.
Soleimani é considerado pelo Irã um herói de guerra por seu papel no combate ao Estado Islâmico e a Al Qaeda.

Marina Silva acusa governo Bolsonaro de incentivar roubo de terras públicas na Amazônia


 Renato Grandelle, O Globo 

Candidata à Presidência por três vezes, ex-senadora diz que comunidade internacional condena ações como o desmonte do Fundo Amazônia, o avanço do desmatamento e a morte de lideranças do campo no Brasil



RIO — A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede Sustentabilidade) não mede palavras em suas críticas ao presidente. Em entrevista ao GLOBO, acusa Bolsonaro de ser "inconscientemente incompetente" sobre assuntos como direitos humanos e meio ambiente, diz que o governo premia grileiros que roubam terras públicas na Amazônia e que, se a atual agenda ambiental for mantida, o Brasil terá dificuldades em ratificar seu acordo comercial com a União Europeia. Ela também se diz pessimista em relação à agenda ambiental oficial em 2020.
Marina voltou aos holofotes em maio do ano passado, quando, junto a outros ex-ministros do Meio Ambiente, denunciou o desmantelamento da pasta. O grupo também pediu a moratória de projetos de lei que incentivassem o desmatamento na Amazônia. E, em dezembro, Marina partiu para a Conferência do Clima (COP-25), em Madri, onde foi questionada por diplomatas estrangeiros sobre o atual rumo do governo brasileiro. Para ela, a delegação brasileira teve um desempenho "vergonhoso".

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Reforma da Previdência: novas regras já sofreram ajustes na virada do ano


 Mônica Pereira,  Extra 

Ajustes valem para segurados do INSS e servidores federais

Promulgada há menos de dois meses — em 13 de novembro de 2019 — a reforma da Previdência, que criou novas regras para a concessão de aposentadorias e pensões, já sofreu as primeiras alterações, com a virada do ano. As regras de transição, que surgiram para atenuar o impacto das mudanças para quem já estava no mercado de trabalho, passaram por ajustes a partir de 1º de janeiro, dificultando um pouco mais o acesso ao benefício, como já era previsto na reforma.
No caso da idade mínima, a reforma estabeleceu que as mulheres deverão se aposentar aos 62 anos, e os homens, aos 65. Mas, para quem já trabalhava e contribuía para a Previdência, a reforma criou uma tabela escalonada, que começa em 56 anos (para elas) e 61 anos (para eles) e é acrescida de seis meses a cada ano. Portanto, a partir de 2020, as trabalhadoras já precisam ter 56 anos e meio. Já os trabalhadores deverão cumprir 61 anos e meio.
Vale destacar, porém, que neste modelo de transição é preciso comprovar ainda um tempo mínimo de contribuição de 30 anos para as mulheres e 35 para os homens.

Datafolha: apoio à democracia cai no primeiro ano do governo Bolsonaro



Veja.com - Da Redação


© Antonio Cruz/Agência Brasil - Levantamento indica que cresceu a parcela dos que refutam a possibilidade de uma nova ditadura no Brasil

Após o primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, caiu o apoio à democracia como melhor forma de governo, aponta pesquisa Datafolha publicada hoje no jornal Folha de S. PauloPara 62% dos entrevistados, a democracia é sempre melhor que qualquer outra forma de governo. No levantamento anterior, realizado na semana do primeiro turno das eleições de outubro de 2018, esse índice era de 69%.

Cresceu de 13% para 22% a parcela da população para quem tanto faz se o governo é uma democracia ou uma ditadura. Permaneceu estável em 12% a fatia de entrevistados que diz ser preferível uma ditadura em certas circunstâncias. A pesquisa também mostra que, cinquenta e um anos após sua edição, o Ato Institucional nº 5, que deu início ao período de maior repressão da ditadura militar, é desconhecido por 65% da população brasileira, enquanto 35% dizem já ter ouvido falar do ato.

O índice de conhecimento do AI-5 aumentou em relação à última pesquisa Datafolha que trouxe a pergunta, em novembro de 2008. Naquela época, 82% afirmaram nunca ter ouvido falar do ato, enquanto 18% o conheciam.

O Datafolha ouviu 2.948 pessoas nos dias 5 e 6 de dezembro, em 176 municípios de todo o país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

No início de dezembro, pesquisa exclusiva VEJA/FSB revelou que a grande maioria do país não compactua com a recaída autoritária. Foram ouvidos por telefone 2000 eleitores de 26 estados e do Distrito Federal entre 29 de novembro e 2 de dezembro. Quase 80% dos entrevistados afirmaram acreditar que a democracia é sempre, ou na maior parte das vezes, o melhor sistema de governo. Apenas 10% apontaram a ditadura como uma alternativa ideal.