sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Leia a íntegra e assista ao vídeo do discurso de Lula ao sair da PF de Curitiba


Poder360

                                                                   Ex-presidente criticou Moro, Lava Jato e Bolsonaro em discurso

© Gibran Mendes / CUT Paraná/8.nov.2019 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi solto nesta 6ª feira (8.nov.2019), depois de ficar 580 dias detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR).

Saiu acompanhado por seus advogados, familiares, namorada e a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, além de outros filiados da sigla. Discursou por 16 minutos e 4 segundos, rodeado por apoiadores.

Eis a íntegra do discurso:
 “Olha, faz muito tempo que eu não vejo uma multidão tão forte na minha frente. Olha, queridos companheiros e queridas companheiras, vocês não têm dimensão do significado de eu estar aqui junto com vocês. Eu, que a vida inteira estive conversando com o povo brasileiro, eu não pensei que no dia de hoje eu poderia estar aqui conversando com homens e mulheres que, durante 580 dias, gritaram ‘bom dia’, ‘boa tarde’, ‘boa noite’. Não importa que estivesse chovendo, que estivesse 40 ou zero grau. 

Todo santo dia, vocês eram o alimento da democracia que eu precisava para resistir à safadeza e à canalhice que o lado podre do Estado brasileiro fez comigo e com a sociedade brasileira. Que o lado, o lado podre da Polícia Federal, o lado podre do Ministério Público, da Receita Federal, trabalham e trabalharam para tentar criminalizar a esquerda, o PT, e o Lula. E eu não poderia ir embora daqui sem poder cumprimentar vocês.

Eu preciso agradecer ao meu querido companheiro, o meu advogado Cristiano Zanin; e a companheira Valesca, advogada, mulher do Zanin. Quero cumprimentar a minha querida Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores. Quero cumprimentar o nosso quase presidente, se não fosse roubado, Fernando Haddad. Quero cumprimentar os advogados e também tesoureiros do PT, Emílio de Souza, futuro prefeito de Osasco. Quero cumprimentar o companheiro Lindberg, nosso ex-senador e, quem sabe, futuro não sei o quê.

Quero cumprimentar esses companheiros que vieram todo santo dia, 1 de tarde e outro de manhã, vieram me fazer visita, nosso companheiro Rocha e o Caetano. Além de advogados, eles viraram irmãos, porque eu precisei muito deles. Quero cumprimentar o companheiro Marcola, que é o companheiro que me subsidiava de material e de informação. A Nicoli, que fazia o meu Twitter. O Bolsonaro disse que tem mais de 20 pessoas que fazem o Twitter dele. Eu só tenho uma pessoa e ela tem cara e nome, que é a Nicoli.

Gente, eu quero agradecer e eu tenho muita gente para agradecer, meus companheiros do Psol, do PC do B, do PCO e o nosso companheiro Stuckert, o fotógrafo. Eu não sei se eu saberia viver sem ele, ou se era ele quem não sabia viver sem mim porque depois que ele parou de tirar foto minha ele caiu 1 pouco no Ibope aí.

Queria apresentar a minha filha Lurian. Apresentar o meu neto Tiago. Eu não posso apresentar os meus companheiros da segurança, mas o Moraes que é o chefe está aqui. Não é só o Bolsonaro que é capitão, o Moraes também é capitão. Eu tenho meu capitão. Que não se aposentou como tenente e virou capitão não. Esse aqui é capitão de verdade. Se 1 dia o Bolsonaro te encontrar, ele que tem que bater continência para você.

O gente, eu quero apresentar para vocês uma pessoa que já falei, mas nem todas vocês conheciam. Eu quero apresentar a minha futura companheira. Vocês sabem que eu consegui a proeza de, preso, arrumar uma namorada e ainda ela aceitar casar comigo. É muita coragem dela. [Lula beija a namorada depois de a plateia gritar “beija, beija…”]

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

RESGATAR A CIDADE DO DOMÍNIO ESTRANGEIRO E BURGUÊS.




As Eleições de 2020 ganham cada vez mais espaços na imprensa e nas articulações de grupos políticos em Garanhuns/PE. Contudo, o PCB vê com preocupação a antecipação da discussão eleitoral num momento em que a prioridade das movimentações dos setores progressistas deveria ser a articulação de uma ampla frente de resistência aos ataques dos governos, em esfera federal, estadual e municipal. Os representantes da burguesia tentam transformar a eleição num imenso “Pastoril”  como se fosse uma disputa entre o “cordão vermelho e o azul”. Tudo isso para animar a população, chamando-a para o processo eleitoral despolitizante.

Compreendemos a necessária relação entre as saídas políticas para a complexa equação em que nos encontramos e a obrigação de articular as lutas populares e os enfrentamentos nos espaços institucionais. Entendemos que qualquer articulação de cunho eleitoral deve ser produto de uma discussão programática que emerge da luta e consolida acordos políticos. Por mais que devam se adequar ao desdobrar da conjuntura, estas alianças construídas na luta devem ser privilegiadas.
Nesse sentido, o PCB conclama que a derrota das políticas implementadas pelos governos Bolsonaro, Paulo Câmara e Izaías Régis, não devem ser atreladas ao calendário eleitoral, mas serem realizadas na necessária rearticulação do movimento sindical, popular, social e de juventude. 
Das ruas e das lutas brotarão a resistência e a contraofensiva, que terão seus momentos nas esferas eleitorais, porém, hoje passam pela articulação de frentes amplas contra as agressões da extrema direita, dos setores conservadores e reacionários e pela consolidação de um campo político e programático que apresente uma saída para o atual quadro politico, a qual passará necessariamente pelo fortalecimento das liberdades democráticas, pela consolidação de um programa emergencial e estratégico para a classe trabalhadora e pela construção das bases do processo de superação da atual ordem socioeconômica na perspectiva do socialismo.
O PCB ainda não possui candidato(a) a Prefeito do Garanhuns/PE. Queremos discutir programa, não apenas para construções políticas futuras, mas também para evitar equívocos cometidos pelo chamado campo progressista no passado recente, em que a matemática eleitoral se sobrepôs às discussões programáticas.
Constatamos que está havendo uma acentuada ingerência de grupos políticos de outras regiões do Estado de Pernambuco, os quais ao se associarem com grupamentos políticos dependentes (sem autonomia) que habitam em nosso município, ocupam a cidade, fortalecendo o domínio da Legião Estrangeira, a qual vai completar 44 anos, em dezembro de 2020, de dominação  burguesa quando terminar o mandato do prefeito Izaías Régis. Por exemplo: o líder burguês Armando Monteiro é quem dita às regras do jogo político sem que o mesmo tenha algum vínculo com a nossa cidade.
Em quase meio século de dominação estrangeira e burguesa, a Legião Estrangeira foi incapaz de contribuir com  o desenvolvimento do município no que diz respeito  a produção agrícola, industrial, emprego, saúde, turismo, dentre outros aspectos. Convém lembrar que, em nossa cidade, há uma precariedade urbanística e paisagística bastante acentuada. Pois é, a Legião  Estrangeira é aquela que cancelou o “Festival de Jazz”, fechou o Hospital Municipal e foi incapaz de aproveitar os 8 anos do governo Lula (nosso conterrâneo). Portanto nosso lema consiste em resgatar a cidade do domínio estrangeiro e burguês, preservando a autodeterminação dos povos, as liberdades democráticas, as conquistas sociais, a recuperação do meio ambiente, elevando a autoestima dos munícipes, numa perspectiva de  tornar o município auto-sustentável em direção ao Poder Popular.  
O PCB não subestima nem superestima o processo eleitoral. Buscaremos o diálogo com setores cuja afinidade política seja maior com nossa linha programática, sem nos negarmos a conversações com setores do campo democrático popular, porém, afirmando sempre que uma aliança eleitoral não pode ser fruto somente de acordos eleitorais, mas sim produto e consequência de uma discussão programática.
EM DEFESA DA NOSSA SOBERANIA, DO MEIO AMBIENTE, DO CONTROLE DA BASE MILITAR DE ALCÂNTARA NO MARANHÃO E DAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS.
RUMO AO PODER POPULAR
Secretariado Municipal do Partido Comunista Brasileiro – PCB-Garanhuns/PE


Capitalismo sinônimo de corrupção; corrupção sinônima de capitalismo.



O que há 75 anos acontecia em setores industriais dos Estados Unidos.

Corrupção exposta na indústria bélica dos Estados Unidos


Em 23 de março de 1943, um comitê senatorial verificou que funcionários da U.S Steel Corporation tinham deliberadamente fornecido placas de aço de qualidade inferior para emprego em suas indústrias de material bélico. Da prática, resultaram produtos manufaturados que punham em risco  vidas de soldados aliados, de marinheiros e tripulantes de navios mercantes envolvidos na II Guerra Mundial.

Testemunhas revelaram que a U.S Steel falsificara registro de testes para corresponder às especificações de agências governamentais, como o Escritório Americano de Embarques, ao registrar valores falsos de elasticidades metálicas. As audiências avaliaram que a US Steel liberara aproximadamente 30 mil toneladas de blindagens fora dos padrões.

Inspetores designados para as verificações na U. S. Steel descreveram que tinham recebido instruções para "maneirarem nas rejeições" ou falsificarem registos. Funcionários da U. S. Steel, em tentativas canhestras para trapacearem os apontamentos  afirmaram que "havia limites para as falsificações,"   e "que excediam às instruções." Porta-vozes, em tentativas para limitarem os danos, afirmaram que tinham ignorado as práticas e procurado culpados entre alguns indivíduos.

O comitê senatorial não averiguou se as ordens para falsificar testes e vender placas de aço partiam de administrações intermediárias, ou tinham origem em níveis superiores das empresas. O processo voltou ao FBI, onde foi engavetado.

A investigação surgiu após um recém-construído depósito de combustível de 16,5 toneladas partir-se ao meio num estaleiro da Califórnia, apenas algumas horas após sua entrega a uma empresa marítima. O comitê senatorial atestou que o material danificado "assemelhava-se a ferro fundido e não parecia aço."

A U.S Steel não lucrava somente através de contratos governamentais para fornecimento a setores militares  americanos, mas realizava embarques para a Grã-Bretanha e para a União Soviética através do programa Lend and Lease*. A investigação do comitê senatorial evidenciou apenas aspectos da corrupção e as fontes de lucros das exportações no decorrer da II Guerra Mundial". Tradução de uma matéria divulgada pelo http://www.wsws.org em 19/03/2018. Tradutor e nota de Odon Porto.  

N. do tradutor - *"ou lease-lend, programa pelo qual os Estados Unidos forneceram apreciável ajuda às nações que lutavam contra a Alemanha, Itália e, eventualmente, o Japão durante a II Guerra Mundial", The Oxford Companion to World War II, Oxford University Press, 1995, p. 477.



  



Caso Marielle: PT vai ao STF contra Bolsonaro, filho Carlos e Moro


 Yahoo Notícias. ***Por Ricardo Brito, da Reuters
 
Foto: REUTERS/Adriano Machado
O PT entrou nesta segunda-feira com uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Jair Bolsonaro, um dos filhos dele, Carlos Bolsonaro, e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, no episódio em que Bolsonaro e Carlos disseram ter se apropriado da memória da secretária eletrônica da portaria do condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, onde ambos têm residência.

Petistas levantaram a suspeita de que Bolsonaro e Carlos podem ter alterado as gravações do local. As gravações tratam da visita de Élcio de Queiroz, um dos acusados de participação no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), ao condomínio no dia do crime, em março de 2018. Élcio visitou o ex-policial Ronnie Lessa, acusado de ter sido o autor dos disparos que mataram Marielle e o motorista Anderson Gomes.
Em depoimento à Polícia Civil do Rio, um porteiro disse inicialmente que Élcio teria informado que iria à casa de Bolsonaro, mas depois foi visitar Ronnie Lessa. Essa versão foi desmentida porque Bolsonaro, na ocasião, estava na Câmara dos Deputados.
Em nota, o PT informa que cobra do presidente do Supremo, Dias Toffoli, que sejam determinadas busca e apreensão de todo o material apropriado por Bolsonaro e seu filho, com a realização de perícia para que sejam verificadas eventuais alterações nas provas. Cobra também apuração da prática de crimes dos três bem como a instauração de investigações para avaliar a conduta de promotoras de Justiça do Rio que se apressaram em desqualificar prova documental para afastar a investigação do presidente e de seu filho enquanto ambos se apropriavam das gravações.
O partido alega que pode ter havido a ocorrência de crime de responsabilidade pelo presidente e pelo ministro da Justiça, além de improbidade administrativa tanto de Moro como de Carlos Bolsonaro.
Em entrevista na noite de domingo, Bolsonaro negou qualquer tipo de obstrução de Justiça e disse que não adulterou nada em relação aos dados da entrada do seu condomínio.
A notícia-crime foi apresentada pela presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, e os líderes do partido na Câmara, Paulo Pimenta, e no Senado, Humberto Costa.



quarta-feira, 6 de novembro de 2019

SÉRGIO MORO TENTA PRENDER DILMA, MAS ESBARRA NO STF



Texto extraído do Blog de Roberto Almeida

Polícia Federal, possivelmente a mando do ministro Sérgio Moro, tentou prender a ex-presidente Dilma Rousseff, envolvendo a petista num caso em que ela sequer é investigada. Mas as pretensões do ex-juiz esbarraram no STF que proibiram a decisão arbitrária.

Apesar de todos os seus defeitos, o Supremo é necessário para preservar o pouco de democracia que ainda temos.

Eis a nota distribuída hoje com a imprensa pela Assessoria de Dilma Rousseff:

É estarrecedora a notícia de que a Polícia Federal pediu a prisão da ex-presidenta Dilma Rousseff num processo no qual ela não é investigada e nunca foi chamada a prestar qualquer esclarecimento.

A ex-presidenta sempre colaborou com investigações e jamais se negou a prestar testemunho perante a Justiça Federal, nos casos em que foi instada a se manifestar.

Hoje, 5 de novembro, ela foi convidada a prestar esclarecimentos à Justiça, recebendo a notificação das mãos civilizadas e educadas de um delegado federal. No final da tarde, soube pela imprensa do pedido de prisão.

O pedido de prisão é um absurdo diante do fato de não ser ela mesma investigada no inquérito em questão. E autoriza suposições várias, entre elas que se trata de uma oportuna cortina de fumaça. E também revela o esforço inconsequente do ministro da Justiça, Sérgio Moro no afã de perseguir adversários políticos. Sobretudo, torna visível e palpável o abuso de autoridade.

Ainda bem que prevaleceu o bom senso e a responsabilidade do ministro responsável pelo caso no STF, assim como do próprio Ministério Público Federal.


O despertar dos povos


Depois de aprovada no Senado a conquista histórica da redução da semana de trabalho para 40 horas, os trabalhadores e o povo chileno não desarmam e continuam na rua exigindo direitos, o fim e afastamento da cúpula ultraliberal. 


Manifestação em 25 de Outubro de 2019, Santiago, Chile. Créditos ABRIL ABRIL


Por José Goulão

Parece inegável que em pontos muito diferentes do globo há povos que despertam contra a ditadura econômica globalizante do neoliberalismo e as suas trágicas consequências sociais.

A paz podre do neoliberalismo globalizante e o conformismo social que lhe corresponde estão sendo sacudidos através do mundo. Nas urnas e nas ruas – as duas frentes são espaços legítimos e complementares da luta política – os povos dão sinais de que a sonolência hipnótica induzida pelo entertainment midiático em que se transformou tudo o que tem a ver com a vida das pessoas é uma arma que também se desgasta, desmascara e vai perdendo eficácia. Uma fagulha representada por um aumento de preços, um corte de subsídios sociais, o lançamento de mais um imposto tornaram-se agora susceptíveis de provocar grandes e vibrantes explosões sociais. A arbitrariedade e a impunidade do sistema dominante começam a encontrar barreiras humanas.
Multiplicam-se os focos de contestação popular em zonas diversificadas do mundo. Mas será um erro avaliá-los segundo uma bitola única, além de ser profundamente desaconselhável deixar-nos conduzir pelos conteúdos e sistematizações que brotam da comunicação social dominante. Esta recorre a métodos padronizados com alguns objetivos principais: diluir a importância e a legitimidade de ações cívicas através do crescimento dos fenômenos de violência e que, em última análise, funcionam em benefício do opressor; misturar razões e motivos para confundir e esconder, deste modo, a mensagem essencial enviada pelos comportamentos de massas; associar situações que são liminarmente antagônicas; ou então evitar ligar circunstâncias e consequências que, sendo diferentes, têm, obviamente, objetivos convergentes. 
Por exemplo, tratar as manifestações no Chile contra o neoliberalismo como irmãs gêmeas dos desacatos na Bolívia a favor do neoliberalismo é tão perverso do ponto de vista informativo como esconder que os movimentos populares chilenos têm exatamente a mesma motivação que os resultados das eleições na Argentina dando guia de marcha a Macri, o homem do FMI.
A única maneira de compreender o que está se passando do ponto de vista global através das grandes movimentações populares em curso é partir da observação isolada de cada caso para chegar ao que têm em comum – como indicadores de uma tendência.
Do Chile à Catalunha

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Líder Guajajara assassinado no Maranhão


Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Paulo Paulino foi assassinado dentro de terra indígena; “governo Bolsonaro tem sangue indígena em suas mãos”, diz APIB.

Paulo Paulino integrava um grupo de agentes florestais indígenas conhecido como “Guardiões da Floresta” / Sarah Shenker/Survival International/Reprodução.
O indígena Paulo Paulino Guajajara foi assassinado por madeireiros na última sexta-feira (01.11.2019) na região de Bom Jesus das Selvas, no Maranhão. Paulo, que também era conhecido como “Lobo Mau”, integrava um grupo de agentes florestais indígenas conhecido como “Guardiões da Floresta”.

Segundo informações de entidades, o grupo teria sido emboscado dentro de seu próprio território, entre as aldeias Lagoa Comprida e Jenipapo, na Terra Indígena Araribóia. Paulo teria sido morto com um tiro no rosto após “intenso confronto”. O corpo de Paulino teria permanecido um longo período no local de sua morte por impossibilidade de ser retirado, por conta da situação de violência contra os indígenas na área.
Outro guardião, Laércio Guajajara, foi ferido e está hospitalizado em situação estável. Um dos madeireiros que realizaram a emboscada também teria sido morto – o corpo segue desaparecido. A Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão encaminharam agentes para o local.
Os guardiões Paulino e Laércio haviam se afastado da aldeia para buscar água, quando foram cercados por pelo menos 5 homens armados, que de início já dispararam dois tiros contra os indígenas, segundo o relato de uma testemunha.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Caso Marielle lança sombra sobre a polícia, tribunais e a política brasileira


EL PAÍS - Daniel Haidar, Naiara Galarraga Gortázar

 © MAURO PIMENTEL (AFP) No dia 1o de novembro, manifestantes realizaram um protesto para cobrar investigações sobre quem mandou matar Marielle Franco.


A investigação sobre o assassinato, há 20 meses, da vereadora Marielle Franco, transformada em símbolo da esquerda brasileira, saiu da letargia esta semana com um eletrochoque. A notícia de que um porteiro do condomínio onde Jair Bolsonaro vivia antes de se mudar para Brasília mencionou o presidente em relação com o crime durante um interrogatório policial devolveu o caso à atualidade. A revelação monopolizou o debate durante algumas horas, mas no dia seguinte o Ministério Público lançou dúvidas sobre o testemunho. Esta é a dinâmica de uma investigação que está corrompida, segundo a ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge

O caso está cheio de lacunas, inclui graves irregularidades, como um delegado que tentou incriminar um vereador com uma confissão falsa, e continua cercado por uma corrente de informações, frequentemente contraditórias ou confusas, que semeiam novas dúvidas sobre quem encomendou o assassinato.

 “598 dias. Quem mandou matar Marielle? E por quê?”, tuitou na manhã deste sábado Eliane Brum, como vem fazendo diariamente. A colunista do EL PAÍS aponta, como uma ladainha, as duas principais incógnitas de um caso que tem como pano de fundo as milícias, grupos criminosos formados por ex-policiais que controlam várias áreas do Rio de Janeiro. As suspeitas de vínculos dos Bolsonaro com esse mundo vêm de longe, porque o clã dedicou boa parte de suas carreiras políticas a defender os interesses corporativos dos agentes das forças de segurança. Há meses se sabe que Bolsonaro era vizinho do suposto atirador, que tem uma foto com o segundo suspeito... Marielle Franco representava outro universo. Era uma negra criada em uma favela, mãe, bissexual e estrela emergente no Partido Socialismo e Liberdade.

A TV Globo abriu com a reportagem exclusiva o telejornal de maior audiência do país na terça-feira à noite. O protagonista era o presidente e a data, a do assassinato. Um porteiro contou à polícia que em 14 de março de 2018 o ex-policial militar Élcio Queiroz, hoje na prisão, chegou de carro ao condomínio, disse que ia à casa 58 (a de Bolsonaro), e um homem que se apresentou como Jair autorizou, pelo interfone, sua entrada… mas o suspeito, em vez de ir à casa de Bolsonaro, foi à do suposto assassino, Ronnie Lessa. A polícia acredita que pouco depois ambos saíram para cometer o crime.

Digam que sou uma comunista!


Como ativista, logo no início de meus vinte anos    de idade, eu não sabia muita     coisa sobre o   que   era realmente o comunismo; tudo que   ouvia era que os comunistas eram pessoas "más, que faziam mal a você e a seus entes queridos". 


Atuando no movimento estudantil de Chicago, conheci um membro do MECHA (Movimento Estudantil Chicano de Aztlan) que me falou que o Partido Comunista dos Estados Unidos estava promovendo um curso de Marxismo e perguntou-me se eu tinha interesse em frequentá-lo.


No primeiro dia, o professor explicou por que havia pessoas ricas e pessoas pobres. Esclareceu que existiam pobres porque os donos de empresas fabris, negócios e recursos naturais (os "meios de produção", como entendi naquela tarde), exploravam os que alugavam sua capacidade de trabalho, pagando-lhes salários baixos ao mesmo tempo em que acumulavam, consequentemente, montões de dinheiro ao venderem as mercadorias produzidas pelos trabalhadores. 



Como exemplo claro e simples, explicou empregar 50 centavos de dólar para fazer um par de sapatos, e vender logo após o mesmo par de sapatos por dois, três ou mais vezes o valor inicial. Esse novo valor representava a origem do lucro. "Isto faz sentido", pensei imediatamente.


No segundo dia de aula, o professor explicou como as sociedades se modificaram no decorrer do tempo. Na sociedade humana primitiva, o comunismo primitivo, todos partilhavam o disponível, mas havia muito pouco para repartir. Ao enfrentarem a escassez, as pessoas eram forçadas a aprender como domesticar animais, a prendê-los nas proximidades a fim de conseguirem alimentos. Nesse período, alguns indivíduos tornavam-se necessários para ajudar a manter os rebanhos, lavrar a terra e assim surgiu a escravidão.  Dessa forma, as pessoas começaram a ser separadas por classes. 

Alguns passaram a controlar os excedentes produzidos, enquanto outros executavam o trabalho para produzi-los. O conflito surgiu por causa das horríveis condições de trabalho suportadas pelos escravos, todavia, crescia a tal ponto que estes passaram a exigir mudanças. E, assim, surgiu a sociedade feudal. Os escravos adquiriram um pouco de liberdade.


Sob o sistema feudal, os proprietários fundiários encarregavam outros, os servos no amanho da terra que possuíam, a fim de aumentarem a produção de alimentos. Em regra, os proprietários exigiam mais do que os servos eram capazes de produzir para a própria subsistência. Estes, por sua vez, começaram a impor mudanças, enquanto nos centros urbanos nova classe surgia, e esta já não extraia sua riqueza da terra e sim da produção e venda de mercadorias. 


Este grupo de mercadores e manufatureiros era o que conhecemos como a classe capitalista. Diante dos senhores feudais e do conflito entre estes e a classe capitalista, um novo sistema – o capitalismo – gerou-se. E a gente que saia da lavra da terra para trabalhar nas fábricas e demais indústrias formava a classe operária hoje conhecida. Da maneira como a história parecia desenvolver-se diante de nós, eu sentia como se fossem peças de um quebra-cabeça flutuando em minha cachola e logo após juntando-se logicamente.  


Há uma ciência que pode explicar as razões que conduzem a essas mudanças, como eram fundamentadas, como se baseavam na desigualdade entre os indivíduos e firmadas nas posições que mantinham na economia – fincadas na classe a que pertenciam. Isto lançava luz sobre a exploração de uma classe por outra, e também mostrava que quando uma classe explorada realiza seus interesses e age em conjunto, ela pode abolir a classe dominante


Se outros grupo explorados podiam agir assim então os trabalhadores podiam agir da mesma forma. “Pensei, busca-se uma explicação científica”. Logo cheguei à expectativa coerente de que uma sociedade melhor é possível e também conclui que se necessita de uma organização para efetuar as mudanças.


O que aprendi naqueles primeiros dias é que podemos construir uma sociedade melhor, uma sociedade em que não existam pobres. E que partilhemos nossos talentos em benefício de todos. Também aprendi que os detentores do poder deste não se desfazem facilmente; que tudo farão para que você acredite que não pode mudar as coisas, e sinta-se impotente ao mesmo tempo dizendo-lhe mentiras. Nessas mentias incluem coisas que a mim e a muitos outros são ditas sobre o comunismo.


Na década de 1950, os comunistas eram de tal forma demonizados que chegava ao ponto de afugentar as pessoas, e as famílias temiam falar abertamente de assuntos importantes de suas vidas. Mas como isso acontecia? É por que a abolição do capitalismo, do colonialismo, do imperialismo, segundo as idéias de Marx, de Engels e de Lenine atraem muita gente em inúmeras partes do mundo


Os povos buscam solução para seus problemas e isto tornava os capitalistas temerosos de perderem seu poder. Assim eles, os capitalistas, não podiam tergiversar e levar as pessoas a pensarem que as idéias socialistas e comunistas não lhes favoreciam.


São coisas que os porta-vozes governamentais ainda fazem hoje em dia. O senador Lindsay está chamando o agrupamento de mulheres progressistas de “A Turba”. Segundo sua classificação, os representantes Ocasio Cortez, Ilham Omar, Ayanna Pressley e Rashida Tlaib são comunistas, na tentativa de empregar a mesma tática dos anos 1950. Os que ocupam o poder fazem qualquer coisa que julguem possível com o objetivo de manter seus bilhões e explorar os trabalhadores mantendo-os divididos, atemorizados e culpando uns aos outros pelas desigualdades sociais


Seja isso anticomunismo, racismo, sexismo, homofobia ou ódio aos imigrantes – a finalidade é a mesma. Os membros progressistas do Congresso falam claramente e apontam as injustiças a fim de que não sejamos vítimas de mais uma lavagem cerebral. Agora, vivemos uma oportunidade em que podemos facilmente entender o que é e o que não é o comunismo. Estou atenta às palavras do arcebispo brasileiro Dom Helder Câmara, que afirmou “Quando dou pão aos pobres chamam-me de santo. Quando pergunto pelas causas da pobreza, me chamam de comunista”.


Tradução do artigo Call me a communist, de Rossana Cambron, vice-presidente do Partido Comunista dos Estados Unidos, publicado pelo People´s World em 08.07.2019. Tradutor:  Odon Porto (Tradutor, Militante Político e Ex-Gerente do BB, Agência Garanhuns/PE).

domingo, 3 de novembro de 2019

Governo não tem compromisso de enfrentar óleo no Nordeste, diz Marina


© JUAN BARRETO (AFP) Marina Silva discursa em conferência na Universidade de Bogotá.




 Thais Carrança, Valor Econômico.

Em evento em São Paulo, ex-ministra afirma que não é momento de pensar em eleição, mas de unir forças contra 'situação muito delicada' O governo brasileiro tem uma atitude de completo desrespeito à população e ao meio ambiente no caso do vazamento de óleo que atinge as praias do Nordeste, afirmou nesta quinta-feira Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata à Presidência.
"Agiram tardiamente, do mesmo jeito que agiram em relação às queimadas”, disse a jornalistas, após sua fala em evento promovido pela revista “The Economist”. “Foram mais de 50 dias para começarem a tomar uma atitude em relação às queimadas e mais de 40 dias em relação à mancha de óleo.”
A ambientalista lembrou que o governo não acionou o Plano Nacional de Contingência e afirmou que não estão sendo dadas orientações adequadas aos governos regionais e à população, que já começa a sofrer as consequências de manipular um produto altamente tóxico. Segundo Marina, o vazamento deve gerar prejuízos gravíssimos para a biologia marinha e para a economia e o turismo das regiões atingidas.
Agiram tardiamente, do mesmo jeito que agiram em relação às queimadas
É um governo que desestruturou o Ministério do Meio Ambiente e todos os órgãos de fiscalização, controle e gestão da política ambiental brasileira e agora não tem o que fazer diante de situações como essas”, afirmou, acrescentando que o governo não tem capacidade técnica nem compromisso ético para enfrentar o problema.

A brutal gestão de Moro para os presídios


Denunciada por violência abusiva, intervenção em presídios do Pará estende-se por prazo indeterminado. Agora, Força Tarefa ministra formação para agentes penitenciários — na equipe, há até oficial afastado por violar Direitos Humanos.

OutrasMídias
Por Lucas Silva e Luisa Cytrynowicz, da Pastoral Carcerária, para a Ponte Jornalismo
“A FTIP [Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária] não está para tratar de um fato isolado, ela está aqui para exercer um papel determinante que é introduzir uma nova cultura dentro do cárcere”, declarou Helder Barbalho, Governador do Pará.
O escândalo que tomou as manchetes do país há poucas semanas, escancarando a tortura como prática da FTIP nas unidades prisionais do Pará, traz o questionamento urgente sobre os mecanismos de gestão e disciplina em expansão nos cárceres pelo país. A Ponte divulgou resultados do relatório do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura que detalhava a situação de penúria do sistema no Pará.
Antes da criação da FTIP, em 2017, pelo então ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, a ocorrência de “crises” em uma unidade prisional poderia ensejar o envio da Força Nacional, que atuava somente na parte externa dos presídios. A estruturação da Força de Intervenção autorizou que os governos estaduais – responsáveis pela gestão dos presídios – solicitassem, em “situações extraordinárias”, apoio do governo federal para a realização dos serviços de guarda, vigilância e custódia de presos.
Desde então, diversas portarias do Ministério da Justiça e Segurança Pública regulamentaram a forma de atuação da FTIP, bem como o envio das tropas para os estados do Rio Grande do Norte, Roraima, Ceará, Amazonas e Pará.
Apesar de não constar na lista do site do Depen (Departamento Penitenciária Nacional), a estreia da FTIP se deu no Rio Grande do Norte, em janeiro de 2017, apenas um dia depois da publicação da Portaria que autorizou a sua formação. A FTIP iniciou a intervenção na Penitenciária de Alcaçuz, local em que, dias antes, uma rebelião havia levado à morte de ao menos 26 pessoas.
A portaria de envio da Força-Tarefa estabeleceu o prazo de 30 dias, mas os agentes foram mantidos no território potiguar até agosto de 2018, sendo necessária a edição de onze portarias de prorrogação do prazo de atuação. A FTIP atuou, assim, por um período 18 vezes maior do que o inicialmente previsto.

Associação de delegados repudia ataque de Bolsonaro à investigação do caso Marielle


ESTADÃO - Denise Luna

© Gabriela Bilo/Estadão O Presidente da Republica Jair Bolsonaro durante uma entrevista com jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada

A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol Brasil) e outras entidades da categoria repudiaram hoje, em nota, as declarações do presidente Jair Bolsonaro em relação à investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.

Ontem, Bolsonaro disse a jornalistas que o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro seria "amiguinho" do governador do estado, Wilson Witzel, e insinuou que o governador estaria manipulando as investigações do crime cometido em março do ano passado para envolver o nome do presidente. Os dois devem se enfrentar na disputa presidencial em 2022.

"A minha convicção é de que ele (Witzel) agiu no processo para botar meu nome lá dentro”, afirmou o presidente durante a compra de uma moto em pleno feriado de Finados, em Brasília.
Dias antes, Bolsonaro havia afirmado que soube por Witzel que seu nome estava envolvido no processo de investigação da morte de Marielle e Anderson, depois que o porteiro do condomínio onde tem casa no Rio, o Vivendas da Barra, ter informado no processo que o suspeito de matar a vereadora teria procurado por Bolsonaro no dia do crime. O presidente porém estava em Brasília no dia e nega qualquer envolvimento com o crime.

Ontem, Bolsonaro também afirmou que obteve os áudios das ligações feitas entre a portaria e das casas do condomínio antes que elas fossem adulteradas, causando a reação de parlamentares da oposição, que pretendem acionar o presidente na Procuradoria Geral da República (PGR) por obstrução de Justiça.

A associação dos delegados destaca que o cargo de chefe do executivo não dá o direito a Bolsonaro a cometer "atentados à honra das pessoas", principalmente das que desempenham funções no interesse da sociedade e não de qualquer governo.

"Valendo-se do cargo de Presidente da República e de instituições da União, claramente ataca e tenta intimidar o delegado de Polícia do Rio de Janeiro, com intuito de inibir a imparcial apuração da verdade", diz a nota da Adepol.

As entidades reafirmam o apoio irrestrito ao delegado responsável pela investigação e repudiam qualquer intimidação a ele e ao trabalho da Polícia Judiciária. Além da Adepol do Brasil, assinam a nota a Fendepol (Federação Nacional dos Delegados de Polícia Civil do Polícia Civil), o Sindelpol-RJ (Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro), o Sindepol-AM Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Amazonas) e a Adepol-PA ( Associação dos Delegados de Polícia do Pará).

EM TEMPO: Completamente perdido e sem controle emocional, o presidente Bolsonaro agora briga com os seus antigos aliados. Afora o pronunciamento indevido sobre as eleições na Argentina e no Uruguai. Perguntar não ofende: Caso seu "guru"  Trump vá para a posse do novo Presidente da Argentina, Fernández, o Bolsonaro deixará de ir ou ficará com ciúme?