domingo, 7 de julho de 2019

Prefeitura de SP toma roupas de morador de rua após madrugada de 7ºC


WILLIAM CARDOSO
Folhapress, 6 de julho de 2019
Uma ação do serviço de remoção e higienização da Prefeitura de São Paulo, conhecido como rapa, levou neste sábado (6) roupas, mantas, colchões e objetos pessoais, entre outras coisas, de três moradores de rua que cuidam da praça Chão de Giz, no cruzamento das avenidas São João e Duque de Caxias, na República, na região central.


Abandonada pelo Poder Público por anos, a praça foi revitalizada pelo morador de rua Alexandre Pinto Martinez, 43 anos, que vive no local ao lado de outras duas pessoas. Dependente químico, ele fez jardinagem, pintura e a conservação do espaço, que fica próximo à cracolândia. A vida de Martinez foi retratada em reportagem do jornal Folha de S.Paulo há dois anos.
Neste sábado, na manhã seguinte à madrugada mais fria do ano na capital (a temperatura mínima chegou a 7,4°C), Martinez foi surpreendido por volta das 11h com a chegada do rapa, sob a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB).
Esperaram os dias mais frios, em pleno sábado, para vir aqui e dizer que tinha um monte de madeira na praça. Chegaram arrastando barraca, mochila, ferramentas. Pisaram nos quadros e nas molduras, diz.
A preocupação de Martinez agora é com as noites geladas que se aproximam. Levaram roupas, mantas e colchão, que estava secando. Fiquei só com a roupa do corpo, afirma. Eles levaram até um carrinho de mercado que foi recebido como doação, que a gente usa para carregar água para molhar as plantas, diz.
O morador de rua explica que, antes de sua chegada, a praça estava completamente abandonada. Depois, foi pintada e recebeu jardinagem feita por ele. Concordo que não tenho papel, que estou no espaço público. Mas, independentemente disso, esse espaço público antigamente era um 'cracódromo', um fumódromo, afirma.
Também morador da praça, João Roberto Silva Temporini, 28 anos, discorda da forma como os funcionários da prefeitura agiram. Vejo como saqueadores. Levaram só o que interessava para eles. Os cacarecos, eles não quiseram levar”, afirma.
Eu tive que abraçar a televisão, porque queriam levar, assim como o fone de ouvido do Alexandre. Quiseram tomar o balde com pincéis e tinta, tudo novo. Nós ganhamos esse material, foi um voto de confiança das pessoas. A gente pode produzir aqui, explica.
Segundo Temporini, a GCM (Guarda Civil Metropolitana) chegou depois de o rapa ter iniciado a remoção. Perguntaram se a gente não iria ficar bravo. Enquanto isso, os funcionários da prefeitura já queriam levar meus livros referentes a plantações e artes, os dicionários também, afirma.
Parte da ação foi filmada à distância e colocada em vídeo em rede social.
OUTRO LADO
A Subprefeitura Sé diz que realiza serviços de zeladoria urbana diariamente nas ruas da região central, mantendo o respeito aos moradores de rua”.
Segundo a subprefeitura, o vídeo postado nas redes sociais e citado pela reportagem mostra a equipe dialogando com os moradores da praça.
A administração municipal diz que, em ações de zeladoria onde há algum acúmulo de materiais que impedem a circulação ou livre passagem, os moradores são orientados a ficar com seus pertences pessoais, conforme o decreto Nº 57.581.
Não houve truculência com os moradores e as plantas do local não foram pisoteadas, afirma a subprefeitura.
Segundo a gestão Covas, os procedimentos que orientam as ações constam no decreto Nº 57.581, de 20 de janeiro de 2017. As equipes de zeladoria urbana devem respeitar os bens das pessoas em situação de rua. É vedada a subtração, inutilização, destruição ou a apreensão dos pertences da população em situação de rua, em especial de bens pessoais, tais como documentos de qualquer natureza, cartões bancários, sacolas, medicamentos e receitas médicas, livros, malas, mochilas, roupas, sapatos, cadeiras de rodas e muletas; de instrumentos de trabalho, tais como carroças, material de reciclagem, ferramentas e instrumentos musicais."
A gestão municipal diz que poderão ser recolhidos objetos que caracterizem estabelecimento permanente em local público, principalmente quando impedirem a livre circulação de pedestres e veículos, tais como camas, sofás e barracas montadas ou outros bens duráveis que não se caracterizem como de uso pessoal.
Quanto aos casos de abusos, a secretaria orienta procedimentos de formação e instrução dessas equipes periodicamente, diz, em nota.

COMENTÁRIOS:
1 - Na Democracia Burguesa Brasileira a população é convocada para votarem em seus representantes e administradores, a maioria carrascos, que vão lhe explorar e oprimir no próximo período.  Exemplos existem aos montes;
2 - Aqui em Garanhuns/PE, a Prefeitura, através dos seus órgãos afins deveria recolher e tratar a população doente que fica pedindo esmola no Centro da Cidade, bem como aqueles que ficam dormindo a céu aberto, isto é, sob o abrigo das marquises das lojas. Aqueles que são oriundos de outras cidades, cuida e manda a conta para a Prefeitura de suas respectivas cidades. 

sábado, 6 de julho de 2019

Morre o cantor e compositor João Gilberto aos 88 anos

© Wilton Júnior/Estadão João Gilberto durante show no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2008

ESTADÃO - Julio Maria

 O cantor e compositor João Gilberto, um dos criadores da bossa nova, morreu neste sábado, 6, segundo uma postagem de seu filho João Marcelo nas redes sociais. A causa da morte ainda não foi confirmada pela família. "Meu pai morreu. Sua luta foi nobre, ele tentou manter a dignidade à luz da perda da independência. Agradeço minha família por estar aqui por ele", escreveu o filho do cantor.

João Gilberto era o próprio violão. Calado para o mundo, ruidoso consigo mesmo, percutia as ideias em sua caixa de ressonância de forma que só quem estivesse próximo o escutasse. Na vida em monastério que adotou por anos, seguia invisível e em total silêncio, abrindo a porta de seu apartamento apenas para poucos, como a filha Bebel Gilberto, a ex-namorada Claudia Faissol e sua filha com ela, Lulu.

João não estava pronto para se tornar um gigante. Nunca entendeu bem o que era isso. Menino de Juazeiro da Bahia, nadou nas águas do São Francisco e beijou garotas da vizinha Petrolina como se fosse normal. E era, até o dia em que avistou um caminhão vindo por uma estrada que cruzada sua cidade. Ao amigo que o acompanhava, disse como se recitasse uma oração: “Veja lá aquele caminhão, que maravilha. As árvores estão acariciando sua cabeça.” Árvores, pássaros, chuva, tudo parecia mais importante a seus olhos e ouvidos do que os próprios homens.

Supostas conversas sugerem que Moro orientou Dallagnol a anexar prova em processo

Por Jornal Nacional a anexar prova em processo
Jornal Nacional
A revista Veja, em parceria com o site The Intercept, divulgou nesta sexta-feira (5) novos diálogos atribuídos ao então juiz Sergio Moro e a procuradores. A revista afirma que as supostas conversas no aplicativo Telegram mostram que Moro orientava de forma ilegal ações da Lava Jato.

Veja afirma que foram analisadas 649.551 mensagens.

A Veja diz na seção Carta ao Leitor que analisou dezenas de mensagens trocadas ao longo dos anos entre membros da revista e os procuradores e que todas as comunicações seriam verdadeiras, palavra por palavra.

A revista diz que numa conversa de 28 de abril de 2016, Moro teria orientado os procuradores a tornar mais robusta uma peça. O suposto diálogo se refere a Zwi Skornicki, representante o estaleiro Keppel Fells, que tinha contrato com a Petrobras.

No suposto diálogo, o procurador Deltan Dallagnol teria dito à procuradora Laura Tessler: “No caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do funcionário da Petrobras Eduardo Musa e, se for por lapso que não foi incluído, ele disse que vai receber amanhã e dá tempo. Só é bom avisar ele.
Laura teria respondido: “Ih, vou ver”.

A revista afirma que, no dia seguinte, o Ministério Público Federal incluiu um comprovante de depósito de US$ 80 mil feito por Skornicki a Musa, e que Moro aceitou a denúncia minutos depois do aditamento e que, na sua decisão, mencionou o documento que havia pedido. Segundo a revista, isso demonstraria que ele claramente ajudou um dos lados do processo a fortalecer sua posição.

Em outra suposta conversa de 2 de fevereiro de 2016, Moro avisa a Dallagnol que a Odebrecht entrou com uma petição sobre determinada questão e que abriria prazo de três dias para os procuradores se manifestarem.

No dia 5, segundo a revista, o procurador Dallagnol manda pelo aplicativo Telegram a manifestação do Ministério Público quase pronta. A revista afirma que a situação é completamente irregular porque Dallagnol teria enviado a Moro uma versão inacabada do trabalho para que o juiz pudesse adiantar a sentença.


sexta-feira, 5 de julho de 2019

Petroleiros: em defesa do refino e da previdência!


Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista

Os petroleiros se somarão ao Dia Nacional de Luta Contra a Reforma da Previdência, no próximo dia 12 de julho, paralisando diversas unidades da Petrobrás espalhadas pelo país. Sob duro ataque do governo Bolsonaro, que anunciou recentemente a venda de oito refinarias da estatal, os petroleiros têm comparecido a todos os protestos e mobilizações sociais. Além de fortalecer a luta em defesa das aposentadorias e da educação pública, a intenção é também pautar a defesa da soberania nacional.

De acordo com as centrais, que convocaram o dia 12 de forma unitária, a principal atividade será o ato nacional em Brasília. Reeditando o que se viu nos atos em defesa da educação, nos dias 15 e 30 de maio, e na greve geral, no dia 14 de junho, o protesto terá em peso a presença de estudantes e trabalhadores da educação. Também estão sendo indicadas mobilizações nos estados e cidades, com a coleta do abaixo-assinado contra a reforma. Como demonstrou Sérgio Pardal Freudenthal, em artigo recente no Jornal A Tribuna, a mobilização se faz necessária porque ainda restam muitas maldades, mesmo após o novo texto apresentado pelo relator da reforma no Congresso Nacional, o deputado federal tucano Samuel Moreira.
Em plena campanha reivindicatória, cujo eixo é a palavra de ordem “Nenhum direito a menos”, os petroleiros vivem um dos momentos históricos mais delicados e importantes de sua história. Para tornar a companhia mais atrativa ao mercado e assim facilitar a venda de ativos estratégicos, como refinarias, gasodutos e outras subsidiárias, além do próprio pré-sal por meio dos leilões do petróleo, a direção da empresa vem tentando destruir direitos e avanços históricos da categoria. O objetivo está traçado: privatizar aos pedaços a maior empresa do país.
Um defensor confesso da privatização completa da Petrobrás, o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, propôs aos trabalhadores reajuste zero nos salários, extinção e cortes de diversos benefícios, e exclusão de 25 cláusulas que hoje constam no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Nas décadas de 1960 e 1970, o desafio foi manter o movimento sindical petroleiro de pé mesmo em plena ditadura; na década de 1990 e início dos anos 2000 o desafio foi impedir a privatização da Petrobrás; hoje, se impõe a necessidade de enfrentar um governo que se inspira no autoritarismo dos anos de chumbo e se propõe a aplicar um programa ainda mais neoliberal que o de FHC.
E a história vem demonstrando que é possível resistir aos ataques que, desde a fundação da Petrobrás, os entreguistas vem desferindo contra um dos maiores patrimônios do país. O resgate da indústria nacional, com a geração de emprego e renda aos trabalhadores, e geração de recursos para o Estado investir em educação e saúde, passa em boa medida pela preservação da Petrobrás e do pré-sal nas mãos dos brasileiros.
Por isso, a tarefa dos petroleiros tem sido construir a unidade nacional da categoria, mas também se incorporar a todas as lutas nacionais dos trabalhadores, dos explorados e oprimidos. Se há um caminho que o recente e vitorioso ciclo de lutas apontou é o da unidade. No dia 12 de julho, os petroleiros irão defender as refinarias e o direito à aposentadoria.
http://www.sindipetrolp.org.br/noticias/26775/petroleiros-irao-engrossar-mobilizacao-de-12-de-julho-em-defesa-do-refino-e-da-previdencia


Brasil, uma democracia fora dos eixos

(Abril) Bolsonaro participa de cerimônia em Brasília

 Por Jorge SVARTZMAN, AFP 



Tribunais que emitem leis, congressistas com agendas de governantes e um governo que agita a sociedade para pressionar as instituições: bem-vindos ao Brasil de Jair Messias Bolsonaro, onde as funções de cada Poder colidem cada vez mais entre si.

Em maio, o presidente Jair Bolsonaro e os líderes do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) concordaram em assinar um "Pacto pelo Brasil", na tentativa de estabelecer uma trégua, depois de manifestações que tiveram por alvo os Poderes Legislativo e Judiciário.
A ideia foi abandonada em meio a novas alfinetadas.
"Nós não precisamos de pacto assinado no papel. O pacto que nós precisamos, com o Poder Legislativo e com o Poder Executivo, é o nosso exemplo, de votarmos matérias, de apresentarmos proposições que fujam do populismo", declarou Bolsonaro na quarta-feira.
"Respeito todas as Instituições, mas acima delas está o povo, meu patrão, a quem devo lealdade", tuitou, por sua vez, o ministro da Justiça, Sergio Moro, após os atos populares de domingo em apoio a ele.
O ícone da luta contra a corrupção se encontra em uma posição defensiva, depois do vazamento de mensagens que supostamente mostrariam sua parcialidade em relação à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Estamos passando por uma transformação muito grande, e no meio de uma transformação tão grande, é difícil entender o que está acontecendo. (...) A mudança tem muito a ver com o clima mundial, de crescimento da direita, do conservadorismo, com a direita mais truculenta do ponto de vista verbal e dos métodos", afirma Sylvio Costa, do Congresso em Foco, site especializado em questões legislativas.
As polêmicas se concentram basicamente nas redes sociais, mas a tensão cresce em um país com 13 milhões de desempregados e quase outros 5 milhões de pessoas que desistiram de procurar emprego por falta de oportunidades.
"Se a economia continuar tão ruim, haverá cada vez mais pessoas endividadas, falidas, e esse cenário estimula ações irracionais, desesperadas", adverte Costa.
- Rainha da Inglaterra -
Ao chegar ao poder em janeiro, Bolsonaro prometeu governar sem negociar com partidos, muito associados aos escândalos de corrupção nas últimas décadas.

‘Um bom dia afinal’, disse Moro a Deltan após saber de denúncia sobre Lula

© Foto: André Penner/AP


Glenn Greenwald, Edoardo Ghirotto, Fernando Molica, Leandro Resende e Roberta Paduan


A relação próxima desenvolvida pelo juiz Sergio Moro e pelo procurador Deltan  Dallagnol durante as investigações da Operação Lava-Jato abriu espaço para um companheirismo digno de colegas de trabalho.

O diálogo inédito faz parte do material analisado por VEJA em parceria com o site The Intercept Brasil.  Só uma pequena parte havia sido divulgada até agora — e ela foi suficiente para causar uma enorme polêmica. 

A reportagem realizou o mais completo mergulho já feito nesse conteúdo. Foram analisadas pela 649.551 mensagens. Palavra por palavra, as comunicações examinadas pela equipe são verdadeiras e a apuração mostra que o caso é ainda mais grave. Moro cometeu, sim, irregularidades. Fora dos autos (e dentro do Telegram), o atual ministro pediu à acusação que incluísse provas nos processos que chegariam depois às suas mãos, mandou acelerar ou retardar operações e fez pressão para que determinadas delações não andassem. Além disso, revelam os diálogos, comportou-se como chefe do Ministério Público Federal, posição incompatível com a neutralidade exigida de um magistrado. Na privacidade dos chats, Moro revisou peças dos procuradores e até dava broncas neles.

São vários os exemplos. Em 14 de dezembro de 2016, Dallagnol escreve ao parceiro para contar que a denúncia de Lula seria protocolada em breve, enquanto a de Sérgio Cabral já seria registrada no dia seguinte (o que de fato ocorreu). Moro responde com um emoticon de felicidade , ao lado da frase: “um bom dia afinal”.

Nota da redação: procurados por VEJA, Deltan Dalla­gnol e Sergio Moro não quiseram receber a reportagem. Ambos gostariam que os arquivos fossem enviados a eles de forma virtual, mas, alegando compromissos de agenda, recusaram-se a recebê-­los pessoalmente, uma condição estabelecida por VEJA. Mesmo sem saber o conteúdo das mensagens, a assessoria do Ministério da Justiça enviou a seguinte nota: “A revista Veja se recusou a enviar previamente as informações publicadas na reportagem, não sendo possível manifestação a respeito do assunto tratado. Mesmo assim, cabe ressaltar que o ministro da Justiça e Segurança Pública não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas por meios criminosos, que podem ter sido adulteradas total ou parcialmente e que configuram violação da privacidade de agentes da lei com o objetivo de anular condenações criminais e impedir novas investigações. Reitera-­se que o ministro sempre pautou sua atuação pela legalidade”.

Colaboraram Leandro Demori, Victor Pougy, Nonato Viegas e Bruna de Lara


quinta-feira, 4 de julho de 2019

OAB-RJ critica PF por possível investigação contra jornalista do Intercept


© TVCâmara/Reprodução.  Glenn Greenwald na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados
Exame.com - anacarolinafn

A OAB-RJ divulgou nesta quinta-feira (04), uma nota oficial se posicionando sobre uma possível investigação do Conselho de Controle de Atividade Financeiras, o Coaf, a pedido da Polícia Federal (PF), para que levante detalhes das movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald, editor e co-fundador do The Intercept Brasil.

Segundo a nota oficial, assinada pelo presidente da Comissão de Liberdade de Expressão da OAB-RJ, Marcus Vinícius Coelho, a instituição manifesta “contrariedade e preocupação” com o pedido da PF, pois representa “inaceitável prática de tolhimento e intimidação, em flagrante afronta à Constituição Federal”. A nota diz ainda que Greenwald é “profissional internacionalmente reconhecido e premiado” e que “a liberdade de imprensa é pressuposto indispensável para o Estado democrático de Direito”.

Ainda não há a confirmação se, de fato, a Polícia Federal fez o pedido ao Coaf contra o jornalista como foi divulgado pelo site O Antagonista.

Na última terça-feira (02), quando o Ministro Sergio Moro esteve na Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre os diálogos divulgados pelo The Intercept Brasil, foi questionado diferentes vezes sobre a veracidade do pedido.

Moro não confirmou nem negou. Disse que não participa das investigações e que, essa questão deve ser feita “ao órgão certo”. A Polícia Federal está subordinada à pasta da Justiça, chefiada por Moro, e o Coaf à Economia.

Entenda os vazamentos

Vem aí a CPI das Fake News. E ela já provoca alvoroço em aliados de Bolsonaro


 Matheus Pichonelli,Yahoo Notícias 


Anunciada por Davi Alcolumbre (DEM-AP), a CPI das Fake News investigar ataques cibernéticos que atentem contra a democracia e o debate público, além da criação de perfis falsos para influenciar as eleições de 2018 (Jefferson Rudy/Agência Senado)

Na última quarta-feira, 3 de julho, enquanto Jair Bolsonaro discursava sobre os perigos da Venezuela em evento para celebrar, em Brasília, o 243º aniversário da Independência dos EUA, e deputados acertavam os detalhes finais do Dia D para votar a nova Previdência, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), anunciava, sem muito alarde, a criação da CPI Mista das Fake News.
Segundo nota do Senado, uma vez definidos os integrantes da comissão (15 deputados e 15 senadores), o grupo terá 180 dias para investigar “ataques cibernéticos que atentam contra a democracia e o debate público, além da criação de perfis falsos para influenciar as eleições do ano passado”. Vai apurar também a “prática de ciberbullying contra autoridades e cidadãos vulneráveis e o aliciamento de crianças para o cometimento de crimes de ódio e suicídio”.
Atenção para o termo “ataques contra a democracia” – uma referência óbvia às mensagens que há cerca de um ano brotavam da terra, e das telas do WhatsApp das melhores famílias.

Daquela enxurrada surgiu um clássico que acusava Fernando Haddad e o PT de distribuírem mamadeiras com bico de pênis para criancinhas das creches de todo o Brasil. No vídeo, que teve mais de 3 milhões de visualizações, um rapaz afirmava que o objeto era parte de um plano para acabar com a homofobia.
Não foi a única Fake News da eleição, mas a história da “mamadeira de piroca”, como ficou conhecida, se tornou símbolo de uma disputa manchada por suspeitas até agora não respondidas.
Detalhe é que o requerimento para a CPI é do deputado federal Alexandre Leite (DEM-SP), e acontece no momento em que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também do DEM, passa por um processo clássico de fritura e desidratação. É ele o responsável, ou deveria ser, pela articulação política entre o governo e o Congresso, de onde saiu a bomba.
A CPI, como é possível imaginar, não foi bem digerida na base bolsonarista. Deveria?
O receio é tal que o deputado Filipe Barros (PSL-PR) correu para o Supremo Tribunal Federal com um pedido de mandado de segurança para barrar a criação da comissão. Segundo ele, a CPI tem como alvo o presidente Bolsonaro e seus filhos.
Ora, ora, mas quem poderia imaginar coisa parecida quando alguém como Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) usa uma sessão com Sergio Moro no Senado para repercutir a fake news relacionada à “venda” do mandato do deputado Jean Wyllys para David Miranda, companheiro de Glenn Greenwald, do The Intercpet?
Se trabalhar direitinho, a CPI tem tudo para jogar luz sobre o envio, pago por empresários, de mensagens contra o PT no WhatsApp nas eleições de 2018, para explicar por que uma agência responsável pela campanha de Bolsonaro usou um sistema de disparos em massa que depois foi deletado e como companhias brasileiras contrataram uma empresa espanhola para espalhar “notícias” favoráveis ao então candidato do PSL – o que, se confirmado, configuraria uso de caixa 2.
Isso foi suficiente para definir o resultado das urnas? Difícil dizer. Afinal, não é todo dia, nem em toda eleição, que um maluco resolve entrar em cena e esfaquear o então candidato azarão – dando ao sobrevivente a exposição espontânea, em entrevistas e na cobertura, que seu partido jamais alcançaria pela propaganda eleitoral gratuita ou mesmo pelas redes sociais.
Embora tenha um potencial imenso de acabar em pizza, já que ninguém a essa altura imagina que o resultado da eleição será de alguma forma arranhado pela CPI, a criação da comissão deve, por si, ajudar a trincar alguns mitos de cristal produzidos na última eleição do tipo Davi venceu Golias, o homem simples contra os poderosos, a honestidade contra a corrupção, etc.
Derrotado no segundo turno, Fernando Haddad declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) R$ 35,4 milhões, enquanto Bolsonaro, que atribuiu o sucesso ao engajamento (gratuito) das redes, informou ter levantado apenas R$ 4,3 milhões – e prometeu doar o que sobrou.


quarta-feira, 3 de julho de 2019

Glauber Braga: ‘Não sabia que Moro era tão covarde’


O deputado Glauber Braga (PSOL) em reunião da Comissão Especial Previdência Social
(PEC 6/19) - 18/06/2019

  Veja.com - Leonardo Lellis



 © Pablo Valadares/Câmara dos Deputados 

Já se passavam mais de sete horas da sabatina na Câmara dos Deputados em que o ministro Sergio Moro(Justiça e Segurança Pública) dava a sua versão sobre os diálogos com o procurador Deltan Dallagnol — e que colocam em xeque sua imparcialidade na Operação Lava Jato — quando ele resolveu se levantar e deixar a sessão sob os gritos de “fujão”.

A saída do ministro se deu após a fala do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) que, a partir de uma analogia com o jogo de futebol, chamou Moro de “juiz ladrão”. Apesar da reação da bancada governista que rebateu aos gritos e levou ao encerramento da sessão, o parlamentar fluminense afirma que “a história” vai provar o que disse.

Leia a entrevista:

O senhor não acha que exagerou ao chamar o ministro Sergio Moro de juiz ladrão?

Não retiro uma palavra do que eu disse. Eu fiz uma analogia com o jogo de futebol, em que você tem um juiz que se corrompe, passa integrar um dos times e recebe uma recompensa por causa disso. O nome disso é corrupção e, na linguagem popular, se chama de juiz ladrão.

Então houve incompreensão em relação ao contexto? 

Eu não estou preocupado com a forma como a bancada do PSL compreende o que eu digo. Estou me lixando para eles. Eu estou preocupado com a maioria do povo brasileiro que entende o que tem que ser dito e que a gente não pode deixar de dizer.

A reação do ministro te surpreendeu? 

Me surpreendeu o grau de covardia. O ministro não aguentou o primeiro embate quando confrontando com a verdade e saiu. Não sabia que ele era tão covarde como se apresentou ontem.

O senhor também já chamou o deputado Eduardo Cunha de “gângster”. 

Ele tentou me processar, mas os fatos e a história demonstraram o que é a realidade e é uma coisa que eu tenho a certeza que vai acontecer com o Moro.

Não teme responder também por este episódio? 

Não temo responder a qualquer tipo de processo e não vejo qualquer motivação para os deputados bolsonaristas fazerem este pedido no Conselho de Ética. Mas se acontecer e for admitido, será mais uma oportunidade de demonstrar a verdade e produzir provas para demonstrar que Moro é um juiz ladrão.

Bolsonaro cria climão no intervalo de Brasil x Argentina

© Fornecido por Fundação Cásper Líbero
 Gazeta Esportiva - Tiago Salazar


O presidente Jair Bolsonoro esteve no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, para acompa-nhar a semifinal da Copa América entre Brasil e Argentina e acabou tornando o clima de festa em tensão por alguns minutos.





No intervalo do confronto, o político decidiu caminhar à beira do campo para acenar aos torcedores. Muitos estavam sentados, aproveitando a pausa para fazer um lanche ou descansar.

Mediante a presença do Chefe de Estado, todos se levantaram das cadeiras. Vaias e aplausos imediatamente começaram a rivalizar. Então, vieram os gritos de “mito”, rapidamente abafados por xingamentos e vaias mais fortes.

Bolsonaro tentou se manter alheio aos que protestavam, apenas sorria e fazia seus habituais gestos em alusão a armas de fogo. Chegou a girar uma bandeira do Brasil e ir aos braços daqueles mais próximos, sempre escoltado por dezenas de seguranças.

Às pressas, aparentemente por orientação de seus assessores, deixou o local e retornou ao camarote. Mais cedo, das mãos de Rogério Caboclo, presidente da CBF, Jair Bolsonaro recebeu uma homenagem por meio de uma placa.

COMENTÁRIO: É sem jeito esse Presidente. Pois toda semana tem uma trapalhada.


terça-feira, 2 de julho de 2019

Desmatamento na Amazônia em junho é o pior desde 2016

Desmatamento na Amazônia aumenta 60% em junho deste ano em relação a 2018
  Portal G1. Em 02/07/2019


Sistema do governo que faz alertas de desmatamento registra derrubada de 769 km² de florestas. Especialista lembra que desmatamento aumenta no período de seca a partir de maio e junho.

Um sistema mantido pelo governo federal para fiscalizar alertas de focos de desmatamento no Brasil mostra que o índice de desmatamento relativo a junho de 2019 é o segundo maior já registrado pelo sistema, e só perde para junho de 2016.

O território da Amazônia Legal desmatado chegou a 769 km² entre 1º e 28 de junho, segundo dados atualizados do sistema Terra Brasilis, do Inpe. Os números disponíveis no começo da tarde desta terça-feira (2) ainda não consideravam os dados de sábado (29) e domingo (30). No mês anterior, o desmatamento foi de 735 km². Em junho de 2016, o desmatamento foi de 951 km². Os dados acima excluem a perda de vegetação causada por fatores como incêndios florestais e exploração comercial de florestas plantadas. Se consideradas todas as categorias, o desmatamento em junho de 2019 chegaria a 1,7 mil km², sendo que em 2016 ele foi de 6,8 mil km².

 
Desmatamento na Amazônia — Foto: Paulo Whitaker/Reuters   
    












Período de desmatamento

Segundo Carlos Rittl, diretor-executivo do Observatório do Clima, todos os anos o desmatamento se intensifica a partir de maio, quando o nível de chuva diminui na maior parte do país. Os dados indicam, segundo ele, que a abertura desta “temporada de seca” foi pior do que o ano anterior.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Naturalizar a ação de Moro é legitimar a perseguição judicial a negros, jovens e mulheres, afirmam pesquisadores

Manifestantes prestam apoio ao Ministro da Justiça, Sérgio Moro, e à operação Lava Jato (Foto: Adriano Machado/Reuters)


Alma Preta, Yahoo Notícias 

Texto / Pedro Borges

As conversas divulgadas entre o ex-juiz e atual Ministro da Justiça, Sergio Moro, e o coordenador da Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná, Deltan Dallagnol, repercutiram na imprensa nacional e internacional. O suposto pacto entre acusador e juiz para se chegar a uma sentença é visto com olhar receoso e de reprovação por pesquisadores ligados ao Direito. A prática também vai de encontro ao que prega a Constituição Federal.
Estudiosos alertam sobre os possíveis impactos da normalização do diálogo entre procurador e juiz para casos rotineiros da Justiça, sobretudo aqueles que envolvem sujeitos mais visibilizados.
“Se a Justiça é conivente com ilegalidade em processo de grande repercussão, imagina em processos relacionados à população pobre. Imagine o que será para essa população vítima preferencial do sistema penal, dessa máquina de moer carne, como eu costumo denominar a Justiça Penal no Brasil”, afirma Hugo Leonardo, advogado criminal e vice-presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD).