terça-feira, 13 de maio de 2025

“Carta de Pequim é um alento para a América Latina”, diz Lula

“Não queremos chefes, não queremos xerifes, queremos parceiros”, disse ainda o presidente

13 de maio de 2025



Lula e Xi Jinping - 13/05/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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Redação Brasil 247

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou, nesta quarta-feira (14, horário local), a adoção da Carta de Pequim, classificando a iniciativa da cúpula China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) como um "alento" para os países em desenvolvimento diante da falta de investimentos por parte dos Estados Unidos e da Europa. 

Em conferência de imprensa na capital chinesa, Lula respondeu a uma pergunta do jornalista Leonardo Attuch, editor do Brasil 247 e da TV 247.

"A Carta de Pequim é um alento muito grande de que você tem um país com a potência econômica da China pensando em contribuir para o desenvolvimento dos países mais pobres", destacou o presidente, que emendou em tom crítico: "Há quanto tempo não há investimento americano na América Central e América Latina? E da UE? Os países ricos deveriam pensar em seguir a decisão da China". 

"A Carta de Pequim é um alento para os nossos países da América Latina e Caribe, principalmente os mais pobres", frisou Lula. 

Ao mesmo tempo, o presidente teceu elogios às iniciativas de paz lideradas pelos Estados Unidos. Segundo Lula, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem tomado atitudes importantes para acabar com o que qualificou como um genocídio cometido por Israel na Faixa de Gaza. 

"Acho que a decisão do [Donald Trump] sobre a guerra de Gaza foi importante. Porque tinha o [ex-presidente dos EUA Joe] Biden falando em guerra todo dia, e o Trump veio e disse que precisamos parar essa guerra. Precisamos terminar o genocídio na Faixa de Gaza. Aquilo não é uma guerra, é um genocídio", afirmou. 

Na conferência, o presidente destacou que, ao se aproximar da China e outros parceiros comerciais, o Brasil mantém uma posição soberana: "Não queremos chefes, não queremos xerifes, queremos parceiros". 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Quando Lula fala, o mundo escuta: o Brasil no centro da nova geopolítica da paz

Enquanto a extrema-direita global aposta no caos, Lula responde com diplomacia e estratégia

Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)


 





Por Reynaldo José Aragon Gonçalves (Jornalista)

A cena em Moscou e a virada do jogo diplomático

No dia 9 de maio de 2025, enquanto a maioria dos líderes ocidentais mantinha distância, Lula subiu ao palanque vermelho da Praça Vermelha, ao lado de Vladimir Putin, para o desfile do Dia da Vitória. Mais do que uma presença simbólica, sua participação foi estratégica. Poucos dias depois, Putin anunciou publicamente a disposição de negociar a paz com a Ucrânia — sem pré-condições, sugerindo Istambul como sede. O gesto, inesperado e rapidamente capitalizado por Lula em conversas diplomáticas, recolocou o Brasil no radar como ator internacional com voz própria. A coincidência temporal entre a visita e a abertura russa ao diálogo expôs que a diplomacia brasileira, com sua tradição de diálogo e neutralidade ativa, pode ter influenciado diretamente um dos maiores impasses geopolíticos do século XXI.

Enquanto isso, a reação da mídia ocidental e de setores da política ucraniana foi de cautela, quando não de hostilidade. Lula foi acusado de “passar pano” para Putin, apesar de reiterar publicamente — e diante do próprio presidente russo — que o Brasil condena a invasão da Ucrânia e não aceita ocupações territoriais. Essa é a costura complexa da diplomacia brasileira: manter pontes abertas mesmo onde o cinismo diplomático de outros preferiu muros. A virada, no entanto, parece ter surtido efeito. Putin está isolado no ocidente, mas escuta Lula. E essa escuta, neste momento, pode ser mais poderosa do que as sanções de Washington.

Neutralidade ativa e alianças estratégicas: a paz como geopolítica

A leitura simplista de que Lula estaria “se alinhando a ditaduras” ignora um movimento diplomático mais profundo e sofisticado: a tentativa de construir um novo eixo de mediação global fora da órbita de Washington e Bruxelas. Ao propor um “clube da paz” envolvendo países como China, Índia, Turquia e Indonésia, Lula não está apenas oferecendo uma saída diplomática para a guerra na Ucrânia. Ele está promovendo uma reconfiguração simbólica do poder internacional, onde os países do Sul Global, historicamente marginalizados das grandes decisões mundiais, assumem protagonismo em temas estruturantes da ordem mundial.

Essa postura — criticada por setores atlantistas — é, na verdade, uma resposta concreta ao vácuo deixado pelas potências ocidentais, que instrumentalizaram o conflito em nome de seus próprios interesses econômicos, militares e eleitorais. Ao se recusar a tomar partido nas lógicas binárias da Guerra Fria reciclada, Lula atua na construção de uma neutralidade ativa, onde o Brasil não se omite, mas tampouco serve de satélite para os desígnios alheios. A política externa brasileira, nesse contexto, recupera seu papel histórico de buscar consenso onde outros fomentam o conflito.

Soft power como escudo contra a extrema-direita global e nacional

A ascensão internacional de Lula como figura de mediação e equilíbrio ocorre em um momento em que a extrema-direita global se reorganiza em torno de projetos autoritários, neocoloniais e tarifários. O gesto de Putin, ao aceitar negociar pouco depois do encontro com Lula, não é um ato isolado — ele também funciona como sinal geopolítico: a Rússia reconhece, diante do mundo, que o presidente brasileiro tem capital diplomático suficiente para ser ouvido. 

Esse reconhecimento público fortalece Lula internacionalmente e o blinda, ao menos parcialmente, contra os ataques internos e externos promovidos por setores da extrema-direita que trabalham para desestabilizar lideranças progressistas por meio de lawfare, campanhas de desinformação e sabotagem institucional.Além disso, o apoio sutil, porém crescente, de outros líderes estratégicos — como Xi Jinping, Recep Tayyip Erdoğan e Narendra Modi — compõe um cenário em que o Brasil volta a ser visto como potência diplomática relevante. Esse soft power se transforma em ativo político real: amplia a margem de manobra de Lula frente à chantagem institucional da extrema-direita no Congresso e na máquina estatal, reposiciona o Brasil no debate global sobre multipolaridade e ajuda a impedir o isolamento narrativo que tantas vezes precedeu os golpes midiático-jurídicos no Sul Global.

O Brasil no centro da disputa pela ordem global

Lula não é hoje o principal líder global devido ao poder bélico ou financeiro do Brasil, mas porque é o único chefe de Estado com capacidade real de dialogar com franqueza tanto com as potências ocidentais quanto com os países do Sul Global. Ao contrário de Xi Jinping e Vladimir Putin — que, apesar da força geopolítica, enfrentam barreiras estruturais no trânsito diplomático com o Ocidente — Lula carrega a legitimidade de quem construiu pontes nos dois mundos. Isso o coloca em posição única para exercer a mediação em um planeta cada vez mais polarizado, onde o conflito de blocos cede espaço à disputa por narrativas e modelos de convivência. Como líder simbólico do Sul Global, ele representa uma alternativa à lógica do confronto, sem se curvar a nenhuma das potências hegemônicas.

A guerra na Ucrânia, que deixou de ser apenas um conflito regional para se tornar símbolo da crise do multilateralismo, oferece a Lula uma plataforma para exercer não apenas influência política, mas também disputar os rumos da governança mundial. E ele faz isso com o corpo político que tem: vindo do sindicalismo, sobrevivente de lawfare, porta-voz de um país periférico que insiste em não aceitar o papel de subalterno.

Enquanto Donald Trump intensifica sua guerra tarifária contra a China e pressiona por um novo nacionalismo econômico autoritário, Lula aparece como o contraponto diplomático: um líder que ainda acredita na mediação, na coexistência, na autonomia dos povos. A disputa não é apenas por território ou acordos — é por narrativas. É nesse terreno simbólico que o Brasil, com Lula à frente, aparece como alternativa à lógica destrutiva da extrema-direita internacional. E, ao contrário de quem acredita que se trata apenas de prestígio pessoal, esse movimento redefine o papel brasileiro nas guerras híbridas do século XXI: não como alvo passivo, mas como articulador ativo de uma paz geopolítica.

sábado, 10 de maio de 2025

Putin propõe negociações diretas com Ucrânia, sem condições prévias, em Istambul em 15 de maio

Putin propõe negociações diretas com a Ucrânia e destaca o papel do Brasil nos esforços internacionais pela paz; proposta repercute na imprensa global

10 de maio de 2025

Vladimir Putin (de frente) e Lula (Foto: Sputnik)



 

 




Sputnik - O presidente russo, Vladimir Putin, propôs iniciar negociações diretas com a Ucrânia no próximo dia 15 de maio, em Istambul, na Turquia.

A proposta foi feita em Moscou durante uma coletiva a jornalistas na noite deste sábado (10), na madrugada de domingo (11) na Rússia, na qual detalhou os eventos dos últimos quatro dias de celebrações em homenagem ao 80º aniversário do fim da Grande Guerra pela Pátria, como é chamada na Rússia a Segunda Guerra Mundial.

Putin iniciou a coletiva agradecendo aos parceiros estrangeiros que participaram da celebração do Dia da Vitória. "A Rússia homenageia todos aqueles que contribuíram para a vitória comum sobre o nazismo", disse o presidente russo.

O presidente russo acrescentou ainda que as conversas bilaterais à margem das celebrações foram "significativas".

"A ampla participação de líderes de países e organizações internacionais na celebração comprova a consolidação em torno de uma vitória comum sobre o nazismo", disse Putin.

Putin afirmou que a Rússia tem esperança de que um dia sejam restabelecidas relações construtivas com a Europa e disse que Moscou, reiteradamente, apoiou um cessar-fogo no conflito ucraniano, que sempre foi sabotado por Kiev.

"Kiev violou 130 vezes o cessar-fogo de 30 dias sobre os ataques a instalações de energia. Kiev violou a trégua de Páscoa cinco mil vezes", afirmou Putin.

O líder russo frisou que Kiev também não respondeu à proposta de cessar-fogo para as celebrações do Dia da Vitória. "A Rússia informou seus homólogos ocidentais que Moscou poderá, no futuro, prolongar o cessar-fogo anunciado para o 80º aniversário do Dia da Vitória", declarou o presidente russo, destacando que Kiev lançou ataques em grande escala após a proposta de trégua.

"O inimigo sofreu perdas muito pesadas em três dias de violações do cessar-fogo", pontuou. Em seguida, ele afirmou que "a Rússia está pronta para negociações, sem quaisquer condições prévias", com a Ucrânia.

"A Rússia convida a Ucrânia para retomar as negociações diretas em 15 de maio em Istambul", disse Putin.

Putin acrescentou que "Moscou está determinada a manter negociações sérias com a Ucrânia, com o objetivo de eliminar as causas profundas do conflito".

“Nossa proposta, como dizem, está sobre a mesa. A decisão agora cabe às autoridades ucranianas e a seus patrocinadores, que parecem mais guiados por ambições políticas pessoais do que pelos interesses de seus povos — povos que querem continuar o conflito com a Rússia por meio dos nacionalistas ucranianos”, disse.

"A Rússia busca alcançar uma paz duradoura na Ucrânia durante as negociações", prometeu o presidente russo, que também agradeceu ao Brasil pelos esforços de intermediação e a mediadores "pela ajuda na resolução pacífica do conflito".

"Quem realmente quer a paz não pode deixar de apoiar a proposta de negociações", afirmou.

O líder russo reiterou que Moscou nunca se recusou ao diálogo com Kiev e lembrou que foi a Ucrânia quem interrompeu as conversas em 2022. "Nunca nos negamos a negociar com a parte ucraniana. Lembro que não fomos nós que encerramos as negociações em 2022. Por isso, apesar de tudo, propomos às autoridades de Kiev que retomem o processo que elas mesmas interromperam no fim daquele ano", concluiu.

Ao longo dos quatro dias de celebração na Rússia, Putin realizou 17 bilaterais com líderes estrangeiros. A agenda internacional de Putin para o evento teve início em 7 de maio, com um encontro com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. No mesmo dia, o líder russo também se reuniu com os presidentes de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez; da Mongólia, Ukhnaagiin Khurelsukh; e da República do Congo, Denis Sassou Nguesso.

Em 8 de maio, foi a vez das negociações bilaterais com a China, com a presença do presidente Xi Jinping. Na última sexta (9), após o tradicional Desfile da Vitória na Praça Vermelha, Putin deu sequência a uma série de reuniões internacionais. Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o líder russo se reuniu com o homólogo do Egito, Abdel Fattah al-Sisi.

Assistam o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=Wd0L7ZYTIr0

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Lula: "a vinda à Rússia reafirma nosso compromisso com o multilateralismo"

De acordo com o presidente, o Brasil e o país euroasiático farão acordos na área de ciência e tecnologia

Lula com outras lideranças em Moscou (Foto: Ricardo Stuckert / PR)


 


 





Por Leonardo Lucena

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o multilateralismo, nesta quarta-feira (7), em Moscou, onde participará das comemorações dos 80 anos do Dia da Vitória, data da assinatura do documento que formalizou o fim das operações militares, navais e aéreas alemãs, em favor dos aliados na Segunda Guerra.

“Já estou na Rússia para participar das comemorações dos 80 anos do Dia da Vitória, que marcou o fim da Segunda Guerra. O dia que define a vitória contra o nazismo. A vinda à Rússia reafirma nosso compromisso com o multilateralismo. Iremos assinar acordos de cooperação em ciência e tecnologia e buscar a ampliação das nossas parcerias comerciais”, declarou o presidente em rede social.

De janeiro a março de 2025, o intercâmbio comercial entre Brasil e Rússia foi de US$ 12,4 bilhões. No período, o Brasil exportou US$ 1,45 bilhão e importou US$ 10,9 bilhões, o que fez com que a Rússia se tornasse o quinto país de quem o Brasil mais importa produtos. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil encontram-se soja, carne bovina, café não torrado, carne de aves e suas miudezas, e tabaco. O Brasil importa da Rússia principalmente óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e adubos e fertilizantes.

As relações diplomáticas entre Brasil e Rússia foram estabelecidas em 1828. O relacionamento ampliou-se na década de 1980. Em 2002, as relações foram alçadas ao patamar de parceria estratégica. Desde então, houve frequentes encontros em níveis presidencial e ministerial. 

De acordo com o governo Lula, o Brasil aumentou o diálogo sobre temas de interesse comum, seja no âmbito bilateral, seja em foros internacionais, como as Nações Unidas, o G20 e o BRICS. 

Em novembro de 2004, o presidente Vladimir Putin realizou a primeira visita de um Chefe de Estado russo ao Brasil. Em 2010, foi assinado o Plano de Ação da Parceria Estratégica, que define objetivos, metas e orientações das relações bilaterais. A quarta viagem de Lula à Rússia também tem a previsão de uma reunião com o presidente Vladimir Putin, além da assinatura dos atos. 

China

Da Rússia, o líder brasileiro segue para Pequim, na China, por ocasião da visita de Estado e do IV Fórum China-CELAC, nos dias 12 e 13 de maio. Na capital chinesa, a previsão é que ocorra assinatura de atos em diversas áreas.

A China é atualmente o principal parceiro comercial do Brasil, ocupando a liderança tanto nas exportações quanto nas importações. De janeiro a março de 2025, o intercâmbio comercial entre os países foi de cerca de US$ 38,8 bilhões. No período, o Brasil exportou US$ 19,8 bilhões e importou US$ 19 bilhões. 

Entre os principais produtos exportados pelo Brasil encontram-se óleos brutos de petróleo, soja e minério de ferro e concentrados. O Brasil, por sua vez, importa da China principalmente embarcações, equipamentos de telecomunicações, máquinas e aparelhos elétricos, válvulas e tubos termiônicos (válvulas).

Brasil, Rússia e China fazem parte do Brics. Além desses três países, o grupo tem mais oito nações - Índia, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia.

Assista ao vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=CU1Gu3DVMpU

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Viagem de Lula à Rússia é o gesto mais corajoso de seu terceiro mandato

No momento de ascensão do nazismo em escala global, Lula estará ao lado de Putin para celebrar a derrota de Hitler

Por Leonardo Attuch (Jornalista)

Lula e Vladimir Putin (Foto: Ricardo Stuckert | Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin)


 

 

 

A confirmação da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Rússia, onde participará das celebrações da vitória soviética sobre o nazismo, é, até o momento, o gesto mais corajoso de seu terceiro mandato. Ao decidir estar ao lado do presidente Vladimir Putin no Dia da Vitória, em 9 de maio, Lula marca de forma definitiva sua posição em defesa do multilateralismo, da soberania nacional e da construção de uma nova ordem mundial, mais justa e menos submissa aos interesses do velho Império decadente.

A simbologia é poderosa. A Rússia, herdeira da União Soviética, foi a nação que mais sacrificou vidas humanas na derrota de Adolf Hitler. A vitória sobre o nazismo não foi um feito exclusivo das potências ocidentais, como tentam fazer crer as narrativas eurocêntricas, mas sim um feito coletivo da humanidade, com protagonismo indiscutível do Exército Vermelho e do povo soviético. É essa memória histórica que será homenageada por Lula, e também por Xi Jinping, entre vários outros líderes do Sul Global, nas ruas de Moscou.

Mas a viagem também carrega uma mensagem profundamente atual. Ao se colocar ao lado do país que, nos últimos anos, se tornou o maior alvo da propaganda imperialista ocidental, Lula desafia a lógica da Guerra Fria 2.0 imposta pelos Estados Unidos e pela OTAN. Em vez de se alinhar de forma automática ao discurso belicista e russofóbico, o presidente brasileiro aposta na diplomacia, na cooperação entre os povos e na construção do Sul Global como ator autônomo no cenário internacional.

Essa decisão ganha ainda mais relevância diante da ascensão da extrema-direita no mundo. Nos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou à presidência em 2025, representa a radicalização de um nacionalismo agressivo, autoritário e xenófobo, com ataques aos direitos individuais. Na Argentina, Javier Milei conduz uma política ultraliberal devastadora e alinhada ao trumpismo, que também pode ser classificada como fascismo de mercado. No Brasil, os protagonistas do 8 de janeiro de 2023, liderados por Jair Bolsonaro, estão sendo julgados por sua tentativa de golpe e destruição da democracia.

É nesse cenário turbulento que Lula reafirma sua coerência histórica. Seu giro internacional, que inclui ainda a participação na cúpula China-Celac, em Pequim, em 13 de maio, é parte de uma estratégia mais ampla que culminará na cúpula dos BRICS, no Rio de Janeiro, nos dias 6 e 7 de julho. O Brasil de Lula, mais uma vez, coloca-se como uma liderança global que não se submete a hegemonias e que busca, junto a países como China, Rússia, Índia e África do Sul, uma nova governança internacional.

Naturalmente, Lula será atacado. As forças que historicamente representam os interesses do imperialismo – seja no campo midiático, político ou judiciário – tentarão deslegitimar sua agenda internacional. Dirão que ele está do lado errado, que está isolado, que coloca o Brasil em risco. Mas esses ataques não são novos. E neste momento em que o mundo vive uma transição geopolítica profunda, a coragem de Lula em não se curvar ao unipolarismo e em defender uma nova arquitetura internacional é um ato de liderança e lucidez. O futuro será multipolar – com mais vozes e sem hegemonias. E, uma vez mais, Lula estará do lado certo da História.

Assista oa vídeo: 

https://www.youtube.com/watch?v=BIqOu3hCy1s


domingo, 4 de maio de 2025

O evangelho oportunista, diabólico e manipulador de Otoni de Paula

É hora de colocar os evangélicos em seus devidos lugares, antes que eles comecem a nos matar em nome de Deus

Por Ricardo Nêggo Tom (Músico e Jornalista)

Otoni de Paula (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)



 

 


 

O tão sonhado diálogo entre o governo Lula e os evangélicos ganhou mais um capítulo após declarações dadas pelo pastor Oliver Costa Goiano, coordenador do núcleo nacional dos evangélicos do PT, de que o partido depende da Igreja Evangélica, que, na opinião de Oliver, é a instituição mais poderosa do país e deve exercer protagonismo no cenário político nacional. Uma avaliação equivocada, deslocada da realidade das urnas na eleição de 2022, quando Lula venceu a maioria evangélica que apoiava Bolsonaro, e que corrobora a minha tese de que evangélico, seja de direita ou de esquerda, sofre da tentação de ver o país sendo governado por sua religião.

No rastro da fala do coordenador dos evangélicos petistas, vem o discurso feito pelo também pastor evangélico e deputado federal Otoni de Paula, que subiu à tribuna da Câmara dos Deputados para verbalizar um show de horrores, mentiras e intolerância, a fim de instrumentalizar em benefício de sua ideologia as palavras do seu colega de pastorado de ovelhas. Para quem não se lembra, há bem pouco, Otoni de Paula ensaiava uma aproximação com o governo Lula, possivelmente costurada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do qual Otoni foi coordenador de campanha na última eleição, e chegou a ser visto como o candidato do governo a líder da bancada evangélica. Uma aliança que, à época, eu sinalizava como um desatino da esquerda em busca de comunhão com os crentes.

Num colóquio com a sua religião, tendo Lula como objeto direto de suas advertências, o parlamentar disse que o voto dos evangélicos não se baseia somente no crescimento da economia ou em programas sociais, mesmo esses beneficiando a muitos deles. O voto dos evangélicos, segundo o deputado, se baseia em valores e princípios — critério que levou os pseudoescolhidos de Deus a elegerem Jair Bolsonaro, um sujeito sem nenhum valor ético e moral, e cujos “princípios cristãos” devolveram milhões de brasileiros ao mapa da fome e provocaram a morte de milhares de pessoas na pandemia. Ainda sobre os princípios e valores do preferido dos evangélicos, lembremo-nos de sua confissão de prática de zoofilia ao extinto programa CQC, da sua declaração a uma repórter da Folha dizendo que usava o dinheiro do Auxílio-Moradia para “comer gente”, e de seu manifesto apoio à tortura, entre outras “virtudes”. Será que Jesus sabe que os evangélicos apoiam um sujeito como esse?

O coordenador da campanha de Paes estabelece uma espécie de maniqueísmo social entre as políticas inclusivas de Lula e o apoio que seu governo daria a causas consideradas abomináveis para os evangélicos. “De que adianta oferecer o Bolsa Família e ser a favor do assassinato de crianças?”, indaga o deputado, referindo-se à questão do aborto e acusando Lula de ser apoiador da causa. Ele também cita as universidades e os programas educacionais criados pelo presidente, para colocá-los em contraposição a uma “Babilônia de imoralidades e lavagem cerebral” que os alunos, segundo ele, encontram no ambiente universitário e que faz os pais evangélicos não desejarem ver os filhos cursando uma faculdade pública, com medo de perdê-los. Sinceramente, eu teria medo de mandar um filho meu para algumas igrejas que existem por aí. O risco de perdê-lo é maior dentro delas do que se ele estivesse frequentando o cabaré de Maria Madalena.

Como de costume, quanto mais um evangélico fundamentalista abre a boca, mais ele expressa o que, de fato, tem dentro de si com relação às pessoas que não pertencem à sua religião e não comungam da sua mesma fé. E assim disse o senhor parlamentar: “Presidente Lula, o senhor não vai convencer os evangélicos de que é a favor da família tradicional apoiando o movimento mais diabólico de todos contra a família, que é o movimento LGBT. Um movimento satânico que quer destruir a família tradicional.” Se essa fala não contém crimes de homofobia, transfobia e incitação à violência de gênero, eu não sei mais o que caracterizaria tais delitos. Espero que o movimento tome as devidas providências jurídicas contra o deputado, que precisa entender que o parlamento não é a extensão do púlpito da sua igreja.

É imperativo que os evangélicos sejam enquadrados na sociedade e colocados em seus devidos lugares antes que comecem a matar em nome de Deus, como vaticinou o saudoso Leonel Brizola. É um tremendo desacerto conjuntural considerar aumentar o protagonismo dessa instituição em detrimento de pautas inclusivas e de defesa dos direitos da coletividade, estabelecendo e se submetendo a uma espécie de quinto poder na sociedade. O desacerto é ainda maior quando o PT dá voz a um coordenador de núcleo religioso que parece objetivar o aumento de seu status quo dentro da religião e da política, colocando sua vaidade acima dos interesses do partido e dos eleitores do segmento. Repito e me explico: a ideia de exercer poder religioso sobre os demais é fascinante e deixa gente — tanto ignorante quanto esclarecida, de direita ou de esquerda — fascinada. E tudo sob a “legalidade” do nome de Jesus e da desatenção de muitos cidadãos e cidadãs.

Aproveitemo-nos do fetiche que os evangélicos têm por perseguição e comecemos a defender a regulamentação do que eles falam fora do ambiente religioso, sobretudo nos parlamentos e nas casas legislativas. Eles dirão que as profecias estão se cumprindo, e nós diremos que é só o começo das dores jurídicas às quais serão submetidos se não aprenderem a respeitar as diferenças. Vai defender a sua fé na casa do calvário. O Estado é laico. Ninguém é obrigado a ouvir que sua religião é do demônio, que sua orientação sexual é diabólica, que sua existência é inadequada, sem ter o direito de reagir juridicamente a esses absurdos. Liberdade de expressão para oprimir o outro não faz parte da democracia. Principalmente num momento em que mais grupos fundamentalistas ganham espaço na sociedade, defendendo uma masculinidade primitiva como resgate da essência divina do homem.

Jovens e adolescentes estão sendo seduzidos por tais discursos, que colocam a inadequação social de incels e redpills ao processo civilizatório e ao “não” que recebem das mulheres como mandamentos da lei divina. Há uma ligação entre a igreja evangélica e tais movimentos, que são uma espécie de upgrade na retórica imperialista contida no projeto de poder neopentecostal. É a potencialização da teologia do domínio através da instrumentalização de atores diversos e aparentemente independentes do sistema religioso que pretende governar o país. E as big techs também estão por trás do financiamento desses atores formadores de um caos subjetivo sob a égide de suas opiniões conservadoras. A onda de pastores mirins que vem tomando conta das redes sociais é um exemplo. Ou reagimos a isso, ou uma inquisição evangélica nos espera. Brizola nos avisou.

sábado, 3 de maio de 2025

Alencar Santana Braga sobre fraudes no INSS: ‘a extrema-direita tinha destruído a CGU’

Segundo o parlamentar, 'o próprio ministro da Justiça de Bolsonaro explicou por que a fraude do INSS não foi investigada pelo governo do ex-mandatário'

03 de maio de 2025

 

Alencar Santana Braga (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

Por Leonardo Lucena

247 - O deputado federal Alencar Santana Braga (PT-SP) afirmou neste sábado (3) que o governo Jair Bolsonaro (PL) tentou destruir a Controladoria-Geral da União (CGU), com o objetivo de tentar controlar possíveis investigações supostamente contra a gestão bolsonarista. O parlamentar fez o comentário após a Polícia Federal identificar fraudes de R$ 6,3 bilhões - entidades dinheiro desviado de aposentados e pensionistas do INSS. Pelo menos 4,1 milhões de pessoas foram prejudicadas, conforme estimativas do Instituto Nacional do Seguro Social. Outros dados, da CGU, apontam que o número de pessoas afetadas pode chegar a seis milhões. 

“O próprio Ministro da Justiça de Bolsonaro explica por que a fraude do INSS não foi investigada pelo governo Bolsonaro. Bastou chegar o governo Lula e a investigação começou na CGU, que a extrema-direita tinha destruído”, escreveu Santana Braga na rede social X.  

O parlamentar do PT também citou o Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", que, de acordo com a Polícia Federal, é o principal operador do esquema. “Mas então o cabeça do esquema de corrupção no INSS doou R$ 60 mil para o ministro Onyx Lorenzoni, um braço direito de Jair Bolsonaro no governo que ficou QUATRO ANOS (1.641 dias) e não conseguiu detectar a fraude contra os aposentados e aposentadas?”.

De acordo com investigações da CGU, entidades de classe, como associações e sindicatos, faziam Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS, para descontar mensalidades associativas diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS, sem a autorização dos beneficiários. Segundo relatório da CGU, 97% dos beneficiários entrevistados não autorizaram o desconto. A CGU afirmou ter identificado que 70% das 29 entidades analisadas não entregaram a documentação completa ao INSS para a assinatura dos ACTs. As mensalidades estipuladas pelas entidades associativas chegaram ao valor de R$ 81,57.

O ministro da CGU Vinícius de Carvalho comentou sobre a importância das investigações, durante coletiva de imprensa no último dia 23 em Brasília (DF). "Essa é uma operação de combate à corrupção, a uma fraude, mas é, sobretudo, uma operação de defesa dos aposentados e pensionistas deste país. Temos 6 milhões de pessoas que são descontadas mensalmente em algum valor do seu salário de aposentadoria por conta de descontos associativos", destacou o ministro Vinícius de Carvalho.

A CGU recomendou ao INSS a adoção de algumas medidas urgentes, como o bloqueio cautelar imediato de novos descontos de mensalidades associativas. A controladoria sugeriu o aprimoramento dos procedimentos relacionados à formalização, execução, suspensão e cancelamento dos Acordos de Cooperação Técnica.

O ministro Vinícius de Carvalho também destacou a importância da implementação da biometria e assinatura eletrônica, para que fique claro quem de fato autorizou o desconto. "A gente verificou que ausência de fiscalização rigorosa permitia esse tipo de fraude. Isso ocorreu também em função do aumento do número de descontos, que foi gerando uma bola de neve. Esse sistema precisa ser implementado para evitar esse tipo de fraude".

O desconto na folha de pagamentos do INSS em favor de entidades é previsto em lei desde 1991. A mensalidade pode ser cobrada somente com autorização dos segurados. Caso concordem com o desconto, eles podem ter acesso a benefícios como auxílio funerário, assistência odontológica e psicológica, consultoria jurídica e academia.

Além da PF e da CGU, a Advocacia-Geral da União (AGU) atua nas investigações para devolver à população o dinheiro desviado no esquema de fraudes. 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Primeiro de Maio Classista e de Lutas!

 


Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Numa conjuntura marcada pela conciliação de classes e pelo aprofundamento do assalto da burguesia aos direitos da classe trabalhadora, ir às ruas no 1º de Maio é um imperativo para os trabalhadores e as trabalhadoras! O 1º de Maio representa historicamente não apenas a memória das lutas de nossa classe no enfrentamento à brutalidade do capital, mas também um momento de resistência e de acúmulo de forças para a necessária contraofensiva da classe organizada.

Em 2025, o 1º de Maio ganha contornos ainda mais importantes, pois é um momento especial para a retomada das manifestações nas ruas e locais de trabalho, visando avançar na luta por direitos, melhores salários e dignas condições laborais, por parte das diversas categorias de trabalhadores e trabalhadoras que se mobilizam nas campanhas salariais, pela redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redução salarial e pelo fim da escala 6 x 1.

Seguimos combatendo a extrema-direita e a ascensão do neofascismo, exigindo punição exemplar aos golpistas de ontem e de hoje, com prisão para Bolsonaro e seus cúmplices. Ao mesmo tempo, enfrentamos a política econômica da coalizão burguesa representada pelo governo Lula-Alckmin, responsável pela continuidade da agenda neoliberal, com a aprovação do Arcabouço Fiscal, a política de juros altos, aumento dos preços dos alimentos e a retirada de direitos sociais e trabalhistas.

A abertura de crédito consignado aos trabalhadores e às trabalhadoras da iniciativa privada, colocando o saldo do FGTS como garantia, demonstra que o governo Lula opta pelo incentivo ao consumo através do endividamento da classe trabalhadora, favorecendo o sistema financeiro, no lugar de promover ações voltadas à valorização dos salários, melhoria das condições de trabalho, investimento em programas sociais e redução da jornada de trabalho, com a garantia de empregos estáveis e ampliação dos direitos trabalhistas.

Pela reorganização da classe trabalhadora na luta por direitos

Somente a luta organizada dos e das trabalhadoras, com a mobilização nos locais de trabalho e moradia, construção de movimentos e greves unitárias, será possível garantir as condições para derrotar a conciliação de classes e o avanço do neofascismo.

Nos somamos a todos os trabalhadores e trabalhadoras, em especial os/as precarizados/as e desempregados/as, mais fortemente atingidos/as pela barbárie cotidiana do capital. Conclamamos os setores da esquerda combativa e o campo classista a se somarem na construção da contraofensiva da nossa classe, que passa pela organização de fortes e consequentes lutas do setor público e privado, pela defesa intransigente dos direitos sociais historicamente conquistados e a necessária realização de um grande Encontro da Classe Trabalhadora, que aponte para a emancipação do povo trabalhador, no rumo do poder popular e do socialismo.

Passa também pela atuação dos comunistas e da esquerda classista como um todo, junto aos trabalhadores e às trabalhadoras, nas fábricas, nas escolas e universidades, nos hospitais, nas empresas públicas e privadas dos setores estratégicos da economia, nos locais de moradia, nos transportes e nas ocupações urbanas e rurais.

Por um 1º de Maio Classista, de luta contra a burguesia, o capital e a conciliação de classes, por mais direitos para a classe trabalhadora, em apoio às demandas do serviço público, por salário, carreira e condições de trabalho, por emprego, moradia, pela vida da nossa juventude preta e periférica, pelas mulheres, lgbts e todo povo oprimido! Viva a luta da classe trabalhadora!

VIVA O PRIMEIRO DE MAIO!
TRABALHADORES/AS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!
PELO PODER POPULAR E O SOCIALISMO!
UNIDADE CLASSISTA, FUTURO SOCIALISTA!

Ucrânia entrega suas riquezas minerais aos Estados Unidos após ser derrotada na guerra inútil de Zelensky

Recursos gerados pela exploração mineral vão pagar a reconstrução após uma guerra inútil e desastrosa

01 de maio de 2025

Trump e Zelensky (Foto: Reuters)


 

 




Redação Brasil 247

247 – O acordo firmado entre Ucrânia e Estados Unidos nesta quarta-feira (30), em Washington, sela um capítulo amargo da guerra: os norte-americanos passam a ter acesso preferencial às riquezas minerais do território ucraniano, em troca de apoio financeiro para reconstrução do país. A informação foi publicada pela Reuters, que destacou o papel decisivo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na promoção do acordo.

O pacto, assinado pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pela vice-primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Svyrydenko, formaliza a criação de um fundo conjunto de investimentos. Segundo a Casa Branca, trata-se de uma forma de reconhecer o “apoio financeiro e material significativo” oferecido pelos EUA desde o início da guerra em 2022. Na prática, a medida transforma a devastação provocada pelo conflito em oportunidade econômica para Washington.

Recursos naturais em troca de promessas

A Ucrânia, país com vastas reservas de terras raras, urânio, ferro e gás natural, cede aos EUA um acesso privilegiado aos contratos de exploração mineral, num momento de extrema fragilidade econômica e institucional. Embora o governo ucraniano tenha insistido em que manterá o controle sobre o que será extraído e onde, o fato é que as cláusulas do acordo garantem preferência absoluta aos interesses estratégicos norte-americanos, numa disputa global dominada hoje pela China.

“Além das contribuições financeiras diretas, o acordo pode também prever novos tipos de assistência — por exemplo, sistemas de defesa aérea para a Ucrânia”, escreveu Svyrydenko na rede X (ex-Twitter). A promessa de ajuda militar, no entanto, não foi confirmada pelo governo dos EUA. O rascunho do tratado, obtido pela Reuters, também não traz garantias concretas de segurança para a Ucrânia, um dos principais objetivos de Kiev.

Reconstrução bancada com os próprios recursos

A ironia do acordo está no fato de que os recursos naturais da Ucrânia — alvo indireto da guerra — agora servirão para pagar a própria reconstrução do país, devastado por um conflito que poderia ter sido evitado. A vice-primeira-ministra assegura que não haverá endividamento com os Estados Unidos, mas admite que os lucros da exploração mineral financiarão os projetos estruturais futuros.

Trata-se de um modelo que lembra esquemas coloniais modernos: uma nação destruída por uma guerra prolongada, forçada a ceder seus ativos estratégicos em nome de uma “ajuda” vinda do principal agente geopolítico envolvido no conflito. O fato de o acordo ter sido assinado após meses de negociações tensas e com entraves de última hora mostra o grau de imposição da nova ordem diplomática imposta a Kiev.

Guerra, soberania e cinismo diplomático

Desde sua posse para o segundo mandato, Donald Trump tem adotado uma postura ambígua em relação ao conflito: por um lado, critica os altos custos da ajuda militar à Ucrânia; por outro, busca extrair contrapartidas econômicas claras — como este acordo mineral. Ao comentar a assinatura, Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos “deveriam receber algo em troca” pelo que investiram na guerra, deixando claro o viés transacional de sua política externa.

Enquanto isso, a paz prometida segue distante. Trump propôs reconhecer a anexação da Crimeia pela Rússia e sugeriu que outras regiões ucranianas também possam ser entregues, algo que contraria frontalmente a constituição ucraniana. Diante de tamanha pressão, o governo de Volodymyr Zelenskiy se vê encurralado entre ceder à chantagem diplomática ou perder o pouco apoio que ainda resta.

Um futuro hipotecado

Em sua declaração pública, Yulia Svyrydenko tentou imprimir otimismo: “O acordo mostra que a cooperação com a Ucrânia ao longo de décadas não apenas é possível, como confiável”. No entanto, o conteúdo do tratado revela um cenário bem menos alentador: o país, encurralado por dívidas morais e compromissos geopolíticos, cede sua soberania econômica em troca de uma promessa vaga de reconstrução.

Com o novo acordo, os Estados Unidos consolidam sua posição de sócio dominante na reconstrução ucraniana, transformando uma guerra desastrosa em um negócio altamente lucrativo. A Ucrânia, por sua vez, paga o preço duplo de sua destruição: primeiro com o sangue de seu povo, agora com o subsolo de seu território.

EM TEMPO: Os partidos políticos Democratas e Republicanos se revezam no poder nos EUA. Quando um inventa uma guerra o outro acaba e vai criando novas guerras "eternas". A lição que a população do mundo inteiro deve ter é que não se deve eleger políticos de extrema-direita, a exemplo de Zelensky, pois o resultado é este que se vê na Ucrânia. A única vantagem desse acordo é que, por enquanto, estamos livre da terceira guerra mundial. Mas, quem deveria reconstruir a Ucrânia seria a OTAN/UE e o próprio EUA, o qual estimulou, em 2014, o golpe na Ucrânia, derrubando o Presidente da Ucrânia pró-Moscou. Lembrando que o governo Zelensky de orientação neonazi reprime com violência a oposição, incluindo os Camaradas do Partido Comunista da Ucrânia.