sábado, 16 de julho de 2022

Só a mobilização popular pode conter avanço dos crimes de ódio, por José Dirceu


Não é de hoje que se utiliza do medo como meio de amedrontar o eleitor, impedi-lo de votar, ou mesmo como coação para que o eleitor vote contra sua livre e soberana vontade, adverte José Dirceu

 16/07/2022

 

A escalada contra a democracia brasileira sob a presidência de Jair Bolsonaro, caminha para colocar em questão as urnas eleitorais e por consequência as próprias eleições, sem as quais não há democracia como nos 21 anos de ditadura militar.

A história do nosso próprio país nos ensina que nenhuma manobra ou ameaça à democracia impede a sua volta, pode apenas retardá-la. A questão é como e quando ela retorna e em que condições: se será um simulacro ou uma democracia avançada com participação popular.

Nem o Ato Institucional nº 2 ou o Pacote de Abril impediram o povo de votar majoritariamente contra a ditadura derrotando a Arena e depois o PDS, seu sucessor, e dar maioria absoluta ao MDB na Câmara e no Senado, em 1986, e na própria Assembleia Nacional Constituinte, em 1988.

Nem a repressão e a proibição de greve, de sindicatos livres, de liberdade de imprensa e de livre organização dos partidos impediram os trabalhadores de dando ao PT e seus aliados 4 mandatos presidenciais que só cessaram via um golpe de força parlamentar judicial, o golpe de 2016.

Hoje, o que assistimos abertamente é à tentativa de se impedir as eleições de outubro, já que o candidato das forças de extrema-direita e do núcleo militar que governa o país está a caminho da derrota. O caminho escolhido para a tentativa de golpe vem sendo anunciado por Bolsonaro desde 2018. Trata-se da acusação de fraude por meio das urnas eletrônicas, acusação sem base real, indício ou prova.

O ministro da Defesa, em nome do governo e queira ou não das Forças Armadas, tenta desmoralizar o TSE a cada exigência que faz junto a ele. Suas investidas caminham no sentido de os militares se imporem ao TSE na tutela do processo eleitoral, violando a Constituição, que deu ao tribunal poderes para presidir as eleições conforme leis aprovadas pelo Congresso Nacional.

Urna eletrônica

Paulo Nogueira Jr: “Com Lula, Brasil terá importante papel no mundo”



Ao Jornal PT Brasil, ex-vice presidente do Banco de Desenvolvimento dos BRICS aponta para um novo protagonismo do bloco em um eventual governo Lula. “O Brasil é um dos gigantes do mundo”, avalia Nogueira


 

Paulo Nogueira: "Há um vácuo de liderança no mundo"

Uma eventual consagração eleitoral do Movimento Vamos Juntos pelo Brasil, liderado pelo ex-presidente Lula, trará novos ventos para a economia nacional e para o papel do Brasil no redesenho do tabuleiro geopolítico mundial que começará a tomar forma nos próximos anos. A avaliação é do economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-diretor executivo do FMI, entre 2007 e 2015, e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, criado pelos BRICS, entre 2015 e 2017. 


Em entrevista ao Jornal PT Brasil, na manhã desta sexta-feira (15), Nogueira Jr. reafirmou a força econômica do país no mundo e o papel de Lula na superação das desigualdades e na reconstrução de relações multilaterais na política externa.


“A economia brasileira é uma das maiores do mundo. Ela vem perdendo peso na economia relativa mundial, desde a crise de 2015/2016, mas essas comparações são enganosas, porque são feitas com base nas taxas de câmbio correntes”, explicou o economista. “A economia brasileira ainda é a oitava do mundo em termos de tamanho, o Brasil é um dos gigantes do mundo”, apontou Paulo Nogueira, que é autor do livro O Brasil  não cabe no quintal de ninguém, uma compilação de textos dos tempos em que trabalhou no FMI e no banco dos BRICS, além de análises sobre a importância do nacionalismo na luta contra nosso complexo de vira-lata.


EM TEMPO: Com o término do mandato da chanceler alemã Angela Merkel, o mundo perdeu uma grande estadista e líder mundial, apesar da sua limitação na esfera do capitalismo. Agora é a vez de a partir de 2023 o possível presidente Lula assumir esse papel em defesa da paz, do meio ambiente e do combate a fome e as doenças, dentre outros aspectos. Com a guerra entre à Rússia e a Ucrânia, esta última apoiada pela OTAN e pelos EUA, há sinais evidentes que o mundo multipolar é possível com a perda de hegemonia dos EUA. 


quarta-feira, 13 de julho de 2022

O golpe da calamidade

 


"Bolsonaro e seus aliados estão comprando a eleição e ninguém faz nada", escreve o jornalista Mario Vitor Santos (*)

13 de julho de 2022


Plenário da Câmara dos Deputados e Jair Bolsonaro no detalhe (Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados | REUTERS/Adriano Machado)

Bolsonaro e seus aliados estão comprando a eleição e ninguém faz nada. O Congresso, dominado pelo Centrão do presidente da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, comanda uma derrama de recursos do escandaloso Orçamento secreto, subornando parlamentares e espargindo recursos para impulsionar campanhas de centenas de picaretas. 

Para a aprovação de uma imensa – essa sim - pedalada fiscal surge a PEC dos benefícios, engendrada em afronta à lei eleitoral e a cláusulas pétreas da Constituição. Insere-se nela um monstrengo chamado "estado de calamidade" que, para permitir a compra eleitoral, subverte a própria ordem democrática, criando uma legislação de exceção para furar os bloqueios legais até agora existentes para a concessão de benesses ao eleitor na véspera de eleições. Poderia ser mais propriamente chamada de “PEC-para-levantar-pesquisas”.Descrição: .

Não existem limites para a voracidade pecuniária e a sede de poder de Bolsonaro e seus sequazes no Congresso, obtida pela omissão de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, e pela participação de Arthur Lira, seu colega da Câmara, ocupante da cadeira que já foi de Eduardo Cunha. Juntos perpetraram golpe inédito contra as proteções à fidelidade do voto ao eleitor e à paridade de condições dos candidatos na disputa.

Não há por que ocultar a realidade. Aprovar esse esdrúxulo estado de calamidade foi na verdade precipitar o país em um despenhadeiro eleitoral, pois todos sabem que não está ocorrendo propriamente calamidade alguma. 

Trata-se na verdade de escancarar de vez as portas de um estado de exceção, ou seja, de um arremedo legal desviante voltado para aditivar as chances eleitorais do presidente, num artifício especial, um vale-tudo com os recursos e as “instituições”, a começar por subverter a “pureza” do voto.

O pior, o mais ao mesmo tempo secreto e escandalosamente corrupto Congresso da história brasileira, o Congresso de 2018, agiliza pacotes de benefícios, em diversos prazos e níveis, intervindo nos recursos e negócios de milhares de entes administrativos em todas as esferas de governo, tudo sugado para aplacar a aflição do suserano do Planalto e sua horda.

Serão bilhões de reais para enfartar a já moribunda democracia e comprar uma eleição. A ordem constitucional de 88 vai virando pó a cada instante enquanto os que mais precisam dela contemplam inertes sem entender por quê. Nem sequer parecem ter consciência da suposta importância da Carta que todos homenageiam e poucos seguem.

Difícil uma Constituição resistir a tantos ataques, iniciados por uma guerra sem tréguas, agudizada contra os governos petistas, protagonizada em todos os momentos pela própria corte constitucional. Perfuradas as fundações da cidadela, agora, como se diz em espanhol, “todo se vá por abajo”. 

Com tudo isso, a oposição pode vencer as eleições presidenciais. Pode vir a tomar posse e governar, quem sabe, mas num cenário de tamanha devastação que talvez tenha em si até um lado positivo: não haverá razões para manter mais uma vez vãs esperanças sobre a neutralidade, isenção ou funcionalidade de instituições inexistentes ou que só existem sob certas condições.

Nesta hipótese, se não houver golpe e se Bolsonaro não vencer o pleito, com Lula no governo, impõe-se uma pergunta: haverá liderança política, orgânica e ideológica na esquerda capaz de conduzir as ações necessárias, num campo de batalha política como o que vem se delineando, sem eira nem beira, sem convenções, sem ilusões nem nostalgia de ordem, sem separação entre rua e plenário, entre selva e cidade, mais próximo do “mato ou morro”, invado ou sou invadido? 

Pode ser que TSE ou STF despertem em e anulem o golpe da calamidade. É provável, porém, que institucionalizem de um ou outro modo, por medo, essa autêntica, descarada e definitiva fraude eleitoral. Nessa hipótese, será necessário estar preparados para, mesmo banhados na mais desenvolvida tecnologia de comunicação, agir nesse “estado de natureza” e regressão política cujos sinais todos sentem.

EM TEMPO: Convém lembrar que a "PEC Eleitoral" só vale até dezembro de 2022. 

(*) Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

domingo, 10 de julho de 2022

Nota de pesar e indignação

 

10 de julho de 2022

 

O Partido Comunista Brasileiro – PCB – de Foz do Iguaçu manifesta seu profundo pesar e estende suas condolências à família, amigos/as e companheiros/as de Marcelo Arruda, Guarda Municipal e sindicalista, que foi assassinado na noite do último sábado 09/07 em sua festa de aniversário, em que completaria 50 anos.

A festa foi invadida por um homem bolsonarista (e policial federal penal), que havia ameaçado fazer uma chacina ali, pois a festa tinha como temática Lula 2022.

O assassinato de Marcelo demonstra a banalização da vida no Brasil, onde o discurso de armar a população, o incentivo à violência e o anticomunismo crescente fazem com que as divergências sejam respondidas com a violência e morte. Não aceitaremos a naturalização do assassinato de Marcelo como se tivesse ocorrido apenas por um desentendimento “acalorado”. É preciso apontar que o guarda municipal é sindicalista e foi assassinado pelo posicionamento político que defendia.

O brutal crime revela a face odiosa do bolsonarismo: seu apelo à repressão e à morte frente à divergência política. A classe dominante brasileira, a burguesia em suas diversas frações, o exército, o centrão e toda base do governo de Bolsonaro são responsáveis por essa morte, na medida em que apoiam e mantêm um governo protofascista.

À família, amigos/as e companheiros/as deixamos nossas sinceras condolências e solidariedade e compromisso de nos somarmos à luta para que o assassinato de Marcelo não fique impune.

MARCELO ARRUDA, PRESENTE! AGORA, E SEMPRE!

PCB Foz do Iguaçu 10 de julho de 2022.

EM TEMPO: Estima-se que no Brasil exista mais de 400 grupos neonazistas, mais de 2.000 Clubes de Tiro, além de milhares de pessoas armadas "até os dentes", mais diversos grupos de milicianos. Mais um motivo para derrotar Bozo e a extrema-direita. Com tanta violência, ódio e ameaças  ao processo eleitoral, Bozo com sua  hipocrisia  ainda fala: "Deus acima todos".  Só o "capeta"  para dizer uma asneira maliciosa dessa natureza. 

sábado, 9 de julho de 2022

“OTAN não, bases fora!” e a cúpula chapa branca pela paz

 

A contra-cúpula “OTAN Não, Bases Fora” e a cúpula “Pela Paz” chapa branca pró governo espanhol

Por Ángeles Maestro, via Resistir.info.

Ángeles Maestro é médica, lutadora anticapitalista ativa na Espanha e ao mesmo tempo uma militante internacionalista que abraçou as causas de Cuba e da Venezuela, do Oriente Médio, com a Palestina como referência fundamental, e as do povo do Saara na sua luta contra a ocupação marroquina. Ela, como deveria ser, foi uma das referências da contra-cúpula “OTAN Não, Bases Fora” que em 26 de junho ganhou as ruas de Madri contra a reunião que a multinacional da guerra iria realizar nos dias 29 e 30. Eis as suas opiniões que ajudam a esclarecer e informar o que essa Aliança letal significa, continuando a colocar o mundo à beira do abismo.

– Conte-nos o que aconteceu no fim de semana em Madri, em torno da contra-cúpula realizada para denunciar a OTAN, já que entendemos que houve duas manifestações em vez de uma.

O que aconteceu é que houve uma cúpula “Pela paz” que foi a que ocupou o espaço nos meios de comunicação, realizada pelas forças políticas e sindicais que apoiam o governo. Ou seja, Unidos Podemos com Izquierda Unida dentro, Comisiones Obreras, UGT e suas entidades satélites. Digo que ocupou o espaço da mídia porque, obviamente, essas pessoas têm subsídios institucionais muito importantes e apoio dos meios dominantes. 

Para o sistema era absolutamente essencial que fossem eles a voz “contra” a OTAN. Na verdade, na propaganda que fizeram, o “Não à OTAN” era minúsculo, enquanto em letras grandes aparecia “Pela Paz”, de modo que era uma mensagem controlada. Ou seja, aconteceu como vimos tantas vezes, quando nas reuniões em que os povos tentam confrontar essas organizações multinacionais com crimes que perpetram, optam por financiar a sua própria “posição”.

– “Como é que isso acontece?”

'Orçamento secreto é a maior bandidagem já feita em 200 anos de República', diz Lula

O ex-presidente Lula durante comício em Diadema

Gustavo Schmitt – O GLOBO

sáb., 9 de julho de 2022


Em evento na manhã deste sábado em Diadema, na Grande São Paulo, convocado por partidos de esquerda que apoiam a pré-candidatura de Lula (PT) à presidência da República, o ex-presidente bateu duro no orçamento secreto:


— O orçamento secreto é a maior bandidagem já feita em 200 anos de república. Vamos ter que discutir (isso) com o Congresso. Quem administra o orçamento é o governo. O congresso legisla e o judiciário julga. Uma das nossas tarefas, minha e do Alckmin, é colocar ordem na casa — afirmou.

Diadema, no ABC paulista, foi primeira cidade a ser administrada pelo PT, ainda na década de 1980. O evento apresentou a chapa do pré-candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, com o ex-governador Márcio França (PSB) como candidato ao Senado. França desistiu da candidatura para ajudar a consolidar a aliança nacional entre PT e PSB.

Além de Lula, também marcaram presença o seu vice e ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), que saudou França como candidato ao senado, e o candidato a deputado federal Guilherme Boulos (PSOL).

Há representantes de todas as siglas que compõem a coligação Vamos Juntos pelo Brasil (PT, PCdoB, PV, PSOL PSB, Solidariedade e Rede).

EM TEMPO: O fim da "corrupção" só, e somente só, será possível com a construção de uma nova sociedade igualitária e socialista, onde a exploração do homem pelo próprio homem será apenas uma cicatriz da nossa história. 


quinta-feira, 7 de julho de 2022

Parlamento Europeu aprova resolução contra governo Bolsonaro e exige investigação dos assassinatos de Dom e Bruno


Letícia Fonseca-Sourander - correspondente da RFI em Bruxelas

 

© AP - Eraldo PeresParlamento Europeu aprova resolução contra governo Bolsonaro e exige investigação dos assassinatos de Dom e Bruno

 

O Parlamento Europeu aprovou, nesta quinta-feira (7), uma resolução condenando a situação precária dos povos indígenas, dos defensores dos direitos humanos e ativistas ambientais no Brasil. A resolução foi aprovada em sessão plenária em Estrasburgo por 362 votos a favor, 16 contra e 200 abstenções. Com isso, o executivo europeu exige uma investigação “imediata, exaustiva, imparcial e independente” sobre as mortes do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, no último dia 5 de junho, durante uma viagem pelo Vale do Javari, segundo maior território indígena do Brasil, no extremo-oeste do Amazonas. 

Bruxelas pede uma melhor proteção dos índios e dos ativistas que lutam pela defesa dos direitos humanos e ambientais no país. A deputada do Partido Verde e vice-presidente da delegação do Parlamento Europeu para o Brasil, Anna Cavazzini, afirmou que “os assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira são horríveis e infelizmente não são um caso isolado. É um forte sinal de que o Parlamento Europeu condena os assassinatos cada vez mais frequentes de indígenas e defensores do meio ambiente no Brasil e identifica, evidentemente, a responsabilidade do governo Bolsonaro na crescente violência contra os povos indígenas, bem como nas crescentes taxas de desmatamento associadas a isso.”

O desaparecimento e morte de Dom Phillips e Bruno Pereira foi amplamente repercutido na mídia europeia. As declarações das ONGs Repórteres Sem Fronteiras, Anistia Internacional, Survival International, Greenpeace, Human Rights Watch, Fundo Mundial para a Natureza e União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA) tiveram um grande impacto nos eurodeputados, que manifestaram, ainda, profunda preocupação com outras questões.

Projetos de lei em debate no Congresso brasileiro preocupam UE

Os parlamentares europeus estão preocupados com os potenciais efeitos do projeto de lei PL 191/2020, conhecido como “lei da destruição”, e do projeto de lei PL 490/2007 sobre a demarcação das terras indígenas. O Parlamento Europeu ainda exprimiu preocupação com os projetos de lei atualmente em debate no Congresso brasileiro, que podem conduzir ao aumento da deflorestação e à destruição dos meios de subsistência dos povos indígenas. Em julho de 2018, os eurodeputados votaram uma resolução sobre as violações dos direitos indígenas no Brasil, incluindo a apropriação ilegal de suas terras. 

“O aumento da violência desde o início do mandato de Bolsonaro não é uma coincidência”, declarou Anna Cavazzini, “O Parlamento Europeu condena que ele tenha cortado o financiamento de agências importantes, continuado a enfraquecer a legislação ambiental e tenha atacado verbalmente várias lideranças indígenas e ativistas ambientais”, conclui. Na resolução adotada nesta quinta-feira, o executivo europeu ainda pede que o Brasil se comprometa com acordos climáticos e de direitos humanos, antes de qualquer reaproximação entre os dois lados: o bloco e o Brasil. A falta de avanço nestas duas questões pode levar os europeus a vetarem a adesão do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Lula tem 45% das intenções de voto e Bolsonaro soma 31%, diz pesquisa Genial/Quaest

 

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista à Reuters em São Paulo

qua., 6 de julho de 2022

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve a liderança da corrida ao Palácio do Planalto na eleição de outubro, com 45% da preferência do eleitorado em simulação de primeiro turno, contra 31% do presidente Jair Bolsonaro (PL), mostrou pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira.

Esse resultado daria ao petista a vitória já no primeiro turno em 2 de outubro, de acordo com o levantamento, uma vez que Lula tem percentual superior ao da soma de seus adversários.

Lula oscilou 1 ponto para baixo em relação ao mês passado, enquanto Bolsonaro oscilou 1 ponto para cima, o que fez a diferença entre os dois candidatos recuar de 16 para 14 pontos neste mês. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais.

De acordo com o levantamento, Ciro Gomes (PDT) aparece em terceiro, com 6%. A seguir vêm o deputado federal André Janones (Avante-MG) e a senadora Simone Tebet (MDB-MS), com 2% cada, e o palestrante Pablo Marçal (Pros), que ficou com 1%.

Caso seja necessária uma segunda rodada de votação, que ocorreria em 30 de outubro, Lula venceria Bolsonaro por 53% a 34%, apontou o levantamento do instituto Quaest encomendado pela Genial Investimentos. No mês passado, a vantagem de Lula era maior, com 54% a 32%.

O petista também venceria um eventual segundo turno contra Ciro --52% a 25%-- e um duelo com Tebet --55% a 20%--, apontou a pesquisa.

O levantamento também apontou que a avaliação negativa do governo de Bolsonaro está em 47%, no mesmo patamar do mês passado, ao passo que o percentual dos que avaliam o governo de forma positiva oscilou de 25% para 26% e aqueles que veem o governo como regular somam 25%, contra 26% na sondagem anterior.

O instituto Quaest ouviu 2.000 pessoas de forma presencial entre os dias 29 de junho e 2 de julho.

TCU abre apuração sobre PEC que cria benefícios sociais a poucos meses das eleições


 







Proposta defendida pelo governo determina um estado de emergência no país, o que permitiria o aumento de gastos. Ministério Público de Contas vê nisso um 'subterfúgio' para driblar a lei eleitoral.

Por Camila Bomfim, GloboNews — Brasília. Data: 06/07/2022

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu apuração sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria benefícios sociais às vésperas das eleições. O pedido investigação foi feito pelo Ministério Público junto ao TCU. Para o procurador Lucas Furtado, a criação de um estado de emergência, previsto na PEC, é um "subterfúgio" para o governo turbinar programas sociais e se "esquivar das amarras da lei eleitoral".

PEC da Eleição é aposta do planalto para ganhar votos em outubro

Pela legislação, não pode haver criação nem aumento de programas sociais em ano eleitoral. A não ser em casos excepcionais, como estado de emergência. O texto da PEC diz que a disparada do preço dos combustíveis justifica o estado de emergência. “A decretação do 'estado de emergência' não seria apenas um subterfúgio para se esquivar das amarras da lei eleitoral? A meu ver, sim”, disse Furtado, autor da representação.

Ao abrir a apuração, o TCU diz que vai analisar o pedido do MP com o objetivo de verificar se a PEC compromete o equilíbrio das contas públicas. O TCU afirmou que pode haver na medida "retrocesso para o país". "Avaliar e impedir o governo federal, no que diz respeito a recentes medidas destinadas a flexibilizar o teto de gastos, de comprometer o equilíbrio fiscal das contas públicas e de desrespeitar princípios elementares do Direito Financeiro e da Lei de Responsabilidade Fiscal ( LRF) em possível retrocesso para o país", afirmou o TCU. O TCU faz o controle externo contábil, financeiro e orçamentário Administração Pública Federal e atua como órgão auxiliar do Congresso Nacional.

Eventual abuso de poder econômico

O tribunal também vai pedir para o governo estudos sobre o impacto da PEC, também conhecida como PEC Kamikaze, em razão do alto volume de gastos que impõe aos cofres públicos. O TCU quer dados para saber se há abuso de pode econômico na medida. "Determinar que, dada a iminência de aprovação da PEC Kamikaze, o governo realize estudos e divulgue quantas pessoas/famílias receberão os benefícios criados/ampliados com categorização por município, gênero, faixa de idade e grau de escolaridade, de modo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possa examinar com precisão se houve abuso do poder político/econômico nas eleições de outubro que se aproximam", escreveu o TCU.

No pedido do MP junto o TCU, o subprocurador Lucas Furtado diz que a utilização de recursos públicos para autopromoção de agente público não só atenta contra os princípios da moralidade e da impessoalidade como também é expressamente proibida pela Constituição Federal, segundo a qual “a publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”.

Segundo ele, é “é flagrantemente inconstitucional, e o TCU deve examinar desde já a compatibilidade dos atos de gestão que vierem a ser praticados para a realização das despesas previstas na PEC Kamikaze com o teto de gastos e a Lei de Reponsabilidade Fiscal (LRF). Tal medida se mostra importante vislumbrando que o STF possa no futuro declarar a inconstitucionalidade.


terça-feira, 5 de julho de 2022

A cúpula do desespero e do terror

 

5 de julho de 2022

 

Por José Goulão, via ABRIL ABRIL

Foi um desfile de arrogância, ameaças, irresponsabilidade, insensibilidade para com as pessoas, alto risco para o planeta – de terror. A Cúpula da OTAN em Madri teve tudo o que é de esperar dos donos do mundo (ou que pelo menos ainda se julgam como tal) para ditarem aos súditos na Terra como vai funcionar a partir de agora, mas sempre sob chuvas de balas e de mísseis, a «ordem internacional baseada em regras». A peça e a encenação, com fausto aristocrático – e repercussões mentais a condizer – servidas por uma oligarquia globalista recolhida numa bolha virtual mais e mais instável, não disfarçaram, porém, um alarmado desespero, febre que afeta seriamente a organização expansionista pela primeira vez na sua história.

Além desse desespero, e apesar da parafernália de estruturas e meios exibidos para dar ao evento as tonalidades dramáticas de tropas em campanha, a Cúpula da OTAN padeceu também de um comprometedor anacronismo, afinal mais uma expressão da teimosia negacionista com que encara as transformações em curso num mundo onde são cada vez mais frequentes (e eficazes) os sinais de irreverência, distanciamento e afirmação soberana. Estas tendências manifestam-se principalmente no interior da esmagadora fração de mais de 85% do planeta, que tem estado submetida, em maior ou menor grau, à arbitrariedade colonial e imperial – a tal «ordem baseada em regras» usada para subverter o direito internacional e o conceito básico e elementar de igualdade entre países e povos.

domingo, 3 de julho de 2022

Ex-secretário de Estado dos EUA aborda três maneiras de terminar o conflito na Ucrânia

Henry Kissinger


A crise ucraniana pode terminar de três maneiras diferentes, disse o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger em entrevista ao jornal Spectator



Sputnik - Para o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger, há três maneiras de acabar com o conflito na Ucrânia. O primeiro cenário implica o controle da Rússia sobre a maior parte de Donbass, que inclui "grandes áreas industriais e agrícolas", bem como sobre a "faixa de terra ao longo do mar Negro", o que será uma "vitória para Moscou".

"Neste caso, o papel da Otan não será tão decisivo quanto se pensava anteriormente", sugeriu Kissinger.

A segunda opção, segundo observa o veterano político estadunidense, envolve uma tentativa de "expulsar a Rússia" da Crimeia, península que foi reintegrada muito antes da operação especial.

O ex-secretário de Estado dos EUA acredita que esse cenário pode fazer escalar o conflito. Kissinger sugeriu que o terceiro cenário seria um retorno à situação antes do início da operação especial militar.

"Questões não resolvidas podem ser negociadas. É provável que a situação seja congelada por um tempo", disse ele.

No final de maio, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Kissinger disse em uma discussão virtual que a crise ucraniana resultaria idealmente na transformação da Ucrânia em um Estado neutro entre a Rússia e a Europa.

O status neutro, não nuclear e não alinhado da Ucrânia está entre as principais exigências do lado russo. Em março, Kiev expressou sua disposição de concordar com essas condições durante as negociações em Istambul, mas depois mudou de posição.

EM TEMPO: O Kissinger não disse que a paz duradoura só e somente será concretizada com o fim da OTAN. Aliás, não tem sentido a existência da OTAN com o fim da União Soviética, e consequentemente com a extinção do Pacto de Varsóvia. A Europa precisa deixar de ser submissa ao Império dos EUA. Já há manifestações de rua na Europa, isto é, em Bruxelas e Madri, contra a OTAN.

sábado, 2 de julho de 2022

Lula desafia Bolsonaro e os militares: quem tem coragem de aplicar o golpe?


"O recado de Lula de que não vai tolerar ameaças está dado. E Lula é o único que pode mandar recados hoje. Eles sabem", escreve Moisés Mendes (*)

2 de julho de 2022

Bolsonaro e Lula (Foto: Isac Nóbrega/PR | REUTERS/Washington Alves)

Por Moisés Mendes, para o 247

O alerta que Lula fez na Bahia, de que as ameaças de golpe não serão mais toleradas, serve também para que se insista com uma pergunta que ninguém do governo, incluindo civis e militares, deve querer ou saber responder. Essa é a dúvida que atormenta os pretensos golpistas: quem entre eles teria coragem de levar adiante um golpe, num momento em que Bolsonaro é um traste em decomposição? Não é uma pergunta retórica. É um questionamento concreto, a partir das ameaças feitas até agora. O general Braga Netto, na condição de vice de Bolsonaro e ex-ministro da Defesa, assumiria o risco de ser o comandante militar do golpe?

O trio de chefes das três armas, que substituiu três colegas legalistas, em março do ano passado, teria como dar suporte militar a um golpe comandado por Bolsonaro, ao lado dos filhos dele e com a assessoria de milicianos ligados à família? É complicada a situação dos líderes militares. Porque a ameaça de golpe feita por Bolsonaro depende da garantia de que os comandantes fardados ou apijamados estarão com ele. E, se estiverem, estarão juntos também com a base operacional golpista que Bolsonaro pretende acionar, com polícias militares, população civil armada e milícias.

No entrevero do que seria o caos provocado por Bolsonaro, antes ou durante ou depois da eleição, que papel seria o das Forças Armadas, na ambição de atuar como moderadora de um conflito grave que está ajudando a fomentar? 
A melhor frase de Lula, no discurso desse sábado em Salvador, depois do alerta aos militares, é a que adverte para que os brasileiros não embarquem na conversa do golpe:

"Não aceitem o terrorismo, não acreditem no terrorismo que é feito na televisão de que vai ter golpe”.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Otan faz a cúpula da guerra contra o mundo multipolar

Sede da Otan (Foto: Reuters)

A Otan busca por meio do militarismo impedir o surgimento do mundo multipolar, chocando-se com uma realidade irreversível, escreve José Reinaldo

 

 


Por José Reinaldo Carvalho (*) - A cúpula da Otan realizada nesta terça (28) e quarta (29) em Madri não deixa dúvidas de que a aliança atlântica é uma organização agressiva, belicista, fomentadora de intervenções e guerras. Os chefes de Estado reunidos na capital espanhola deixaram claro que não têm qualquer compromisso com a paz mundial, o equilíbrio de poder, a democratização das relações internacionais e o empenho na construção de uma ordem internacional sem hegemonias. Nem mesmo quanto à crise ucraniana, que esteve no centro das discussões, os líderes das potências ocidentais revelaram qualquer interesse em oferecer soluções eficazes conducentes à paz ou, no mínimo, a um cessar-fogo.

O sentido principal do convescote belicista de Madri foi uma espécie de refundação da aliança militar que, surgida em 1949 para combater a União Soviética e demais países socialistas do Leste Europeu, já deveria ter sido extinta desde 1991, quando a URSS foi extinta e ocorreu uma contrarrevolução burguesa nos antigos países socialistas da Europa oriental. 

O que os chefes das potências imperialistas fizeram foi reafirmar os princípios agressivos da Aliança Atlântica e acrescentar novas noções ao seu conceito estratégico, além de jogar gasolina na fogueira do conflito ucraniano. O próprio secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, disse que a cúpula de Madri constituía um "ponto de virada". 

Foi implementada na Caixa uma gestão do terror, do medo, diz presidente da Fenae

 



Sergio Takemoto, da Federação dos empregados da Caixa, destaca pesquisas que mostram o adoecimento mental de bancários

1 de julho de 2022

Sergio Takemoto e Pedro Guimarães (Foto: Fenae | Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - Em entrevista à TV 247, o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto, denunciou o que chama de uma “gestão do terror e do medo” promovida por Pedro Guimarães na estatal, que vê um aumento do número de funcionários adoecendo por motivos relacionados ao trabalho nos últimos anos.

Conforme pesquisa da Fenae realizada no final de 2021, 80% dos bancários da Caixa Econômica Federal participantes do questionário relataram possuir alguma doença relacionada ao trabalho. “A gente sabe que só vai acabar esse grau de adoecimento, essa prática que reina hoje na Caixa, com a mudança de sistema de governo. Que essa política de gestão que está implementada hoje, que é uma política de terror, de medo, de ameaças, chegue ao fim. Não dá mais para a gente conviver com esse tipo de gestão e principalmente com o que foi feito: desmantelamento, enfraquecimento, a tentativa de retirada de direitos, a venda de ativos, a cobrança por metas absurdas, tudo isso também leva ao adoecimento”, avaliou Takemoto.

O presidente da Fenae ainda mencionou o recente escândalo envolvendo Pedro Guimarães, agora ex-presidente da Caixa, que foi acusado de assédio sexual por um grupo de funcionárias. Para Takemoto, tal escândalo também pode agravar a situação dos funcionários: “e agora, com essas denúncias, só tende a piorar ainda mais o grau de insatisfação dos empregados da Caixa, apesar de todo o trabalho que eles têm feito”. 

Vide vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=dm4ivnY3K84&t=9892s