segunda-feira, 10 de maio de 2021

Como 'tratoraço' joga terra no discurso anticorrupção do governo

 

Foto: Getty Images

Yahoo Notícias, Matheus Pichonelli

seg., 10 de maio de 2021

“É um mensalão disfarçado de emendas parlamentares”.

A declaração foi dada pelo economista Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas, ao repercutir a notícia, publicada no domingo em O Estado de S.Paulo, segundo a qual o governo Bolsonaro criou uma espécie de orçamento paralelo de R$ 3 bilhões para ampliar sua base de apoio no Congresso.

Documentos obtidos pelo repórter Breno Pires mostra que, desde o ano passado, deputados e senadores governistas atropelaram as leis orçamentárias para obter os recursos direto da fonte e direcioná-los aos seus redutos. No drible, não é o titular do ministério, o detentor do orçamento, que aponta para onde vai o dinheiro, o que facilitaria o acompanhamento dos órgãos de controla. São os próprios parlamentares que definem o destino —em valores acima das emendas obrigatórias. O drible na transparência, claro, não chega a quem não defende o governo.

Nas contas do Estadão, um dos beneficiados, o ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP), manejou R$ 277 milhões só no Ministério do Desenvolvimento Regional. Ele levaria 34 anos para ver tanto dinheiro se estivesse na fila dos parlamentares comuns, que por ano só podem direcionar R$ 8 milhões. Parte dos recursos foi usada para comprar equipamentos agrícolas. Há suspeita de sobrepreço. Em um dos casos, foram direcionados recursos para a aquisição de tratores por R$ 4 milhões. O preço de “tabela” do governo para esses equipamentos era de R$ 2,8 milhões.

Desde a publicação, a expressão “tratoraço” virou um dos assuntos mais comentados no Twitter —onde, até o fechamento deste post, governistas e seus robôs ainda não haviam emplacado a sua versão dos fatos para justificar o abocanhamento patriótico do dinheiro público. Jair Bolsonaro assumiu a Presidência, em janeiro de 2019, sob a sombra do escândalo das rachadinhas, suspeita de que parte dos salários de funcionários dos gabinetes parlamentares da família era retida com a ajuda de Fabrício Queiroz. Aquele que foi encontrado na casa de campo do advogado da família em Atibaia e agora, solto, engrossa os protestos do tipo “eu autorizo, presidente”.

Recentemente, a Controladoria Geral da República matou no ninho uma história estranhíssima a respeito de aquisição de laptops pelo Ministério da Educação. Uma das escolas beneficiadas, no interior de Minas, receberia mais de 115 equipamentos por aluno. Nunca ninguém veio a público explicar como isso foi acontecer. O novo foco de incêndio dá uma trilha para entender a conversão e a defesa apaixonada, aparentemente gratuita e desinteressada, dos integrantes do centrão ao governo na CPI da Pandemia.

Se abrir outras trilhas, os senadores poderão entender também de onde vem e quem ganhou com a paixão militante de governistas por um medicamento sem eficácia que contou até com a estrutura do Itamaraty para inundar, com dinheiro público, hospitais e postos de saúde. O tratoraço tem tudo para jogar areia na fantasia dos gladiadores anticorrupção, a última miragem que os convertidos ao bolsonarismo, já desiludidos com a competência técnica da equipe, o ideal liberal, a aliança com a Lava Jato e a independência dos órgãos de investigação, ainda se apegavam antes de abandonar o barco de vez.

Quando gritavam “eu autorizo, presidente”, não imaginavam que estavam dando carta branca para manejos heterodoxos do orçamento. Haja pano para esconder o que, em outros tempos, era chamado de toma-lá-dá-cá.

EM TEMPO: Não há saída para a humanidade nos limites do capitalismo. Onde  há dinheiro e poder, há marmelada. Agora durmam com essa "autorização para comprar trator e cloroquina".

domingo, 9 de maio de 2021

Chacina no Jacarezinho: fora bolsonaristas!

Polícia de Cláudio Castro promove a maior chacina da história do Rio!

Fora bolsonaristas do poder!

PCB-RJ

Em meio à pandemia, com seus recordes de óbitos e contágio, a polícia do Rio de Janeiro efetuou, na manhã desta quinta-feira, dia 06 de maio, uma operação de guerra na região do Jacarezinho, na Cidade do Rio.

Mais uma vez a política de segurança pública, com sua lógica do confronto e do abate, levou pânico e medo à população. O resultado dessa criminosa ação foi a maior chacina (que se tem conhecimento) da história do Rio de Janeiro. Rajadas de tiros, helicópteros com atiradores, blindados e granadas teceram o cenário da manhã no Jacarezinho, somado a denúncias de invasões de casas, agressões e apreensões ilegais de celulares.

Infelizmente, esse episódio mostra mais um capítulo de violações dos direitos humanos da classe trabalhadora, de moradores de favelas, periferias e bairros populares, que convivem com a brutalidade da política de segurança pública e suas criminosas incursões sob o pretexto de combater o crime organizado.

A violenta ação policial que matou 25 pessoas (até onde se tem notícia) e feriu dezenas de trabalhadores ocorreu em horário de grande circulação de moradores, que, mesmo em meio à pandemia, são obrigados a ir trabalhar, para garantir sua sobrevivência, sob o medo da demissão e da pressão dos patrões e governos. A ação policial ainda impactou no transporte, parando composições do metrô, inclusive ferindo passageiros com estilhaços e interrompendo o trabalho de imunização contra a Covid 19 em diversos postos de vacinação.

O PCB se soma ao conjunto de organizações da sociedade civil, movimentos sociais e populares que denunciam tanto a operação policial no Jacarezinho como as políticas de segurança pública baseadas no confronto, no massacre e na criminalização da população pobre, moradora de favelas, periferias e bairros populares.

Denunciamos que o que está em curso é uma política de extermínio, racista e elitista conduzida pelo governo da extrema direita de Cláudio Castro no Estado do Rio de Janeiro, em alinhamento com o governo genocida de Bolsonaro e Mourão.

Chega de mortes nas favelas, periferias e bairros populares!
Pela suspensão imediata de qualquer operação policial durante a pandemia!
Pela desmilitarização da política de segurança pública!
Nem vírus, nem balas, nem medo!
Fora Cláudio Castro e seu governo alinhado a Bolsonaro e Mourão!

Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Regional/RJ

Bolsonaro superfatura compra de tratores em troca de apoio do Congresso

 

Yahoo, Redação Notícias

dom., 9 de maio de 2021

 

Brazil's President Jair Bolsonaro speaks to journalists without a protective face mask during a press conference amidst the Coronavirus (COVID-19) pandemic at Galeao Airport in Rio de Janeiro, Brasil, on May 5, 2021. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criou um esquema bilionário para obter apoio do Congresso. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o chefe do Executivo reservou um orçamento secreto de R$ 3 bi em emendas, boa parte delas destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo.

O orçamento paralelo aparece em um conjunto de 101 ofícios enviados por deputados e senadores ao Ministério do Desenvolvimento Regional e órgãos vinculados para indicar como eles preferiam usar os recursos. Os documentos mostram que o esquema atropela leis orçamentárias, pois são os ministros que deveriam definir onde aplicar os recursos, e dificulta o controle do Tribunal de Contas da União (TCU) e da sociedade. Os acordos para direcionar o dinheiro não são públicos, e a distribuição dos valores não é equânime entre os congressistas, atendendo a critérios eleitorais. Só ganha quem apoia o governo.

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), por exemplo, determinou a aplicação de R$ 277 milhões de verbas públicas só do Ministério do Desenvolvimento Regional, assumindo a função do ministro Rogério Marinho. Ele precisaria de 34 anos no Senado para conseguir indicar esse montante por meio da tradicional emenda parlamentar individual, que garante a cada congressista direcionar livremente R$ 8 milhões ao ano.

sábado, 8 de maio de 2021

Renan diz que Bolsonaro será responsabilizado se CPI provar contribuição para agravar pandemia

ESTADÃO - Amanda Pupo

© Dida Sampaio / Estadão Senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid  

 

BRASÍLIA - Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou, neste sábado, 8, que a CPI precisa levar em conta como o governo de Jair Bolsonaro minimizou a pandemia e o papel da vacina para combater a doença, e como a postura do presidente "fechou as portas" do Brasil para os produtores de imunizantes. "Isso precisa ser investigado", disse Renan, em entrevista concedida ao programa Prerrogativas, transmitido pela Rede TVT. O senador destacou ainda que, se a CPI concluir que Bolsonaro contribuiu para o agravamento do "morticínio" no País, ele "será responsabilizado, sim".

Renan ressaltou que "seja lá quem" transformou o chamado tratamento precoce contra a covid-19 em política pública deverá ser responsabilizado. Para ele, muito do que a CPI pretende apurar "investigado já está" em campanhas nas redes sociais, discursos e atos oficiais. "Por isso torço que o presidente da República explique o que aconteceu, a bola está com ele. Tem que explicar se houve imunidade de rebanho, imunização natural, por que é que ele defendeu isso, defendeu aquilo. Porque ele agride a China?", questionou Calheiros.

"Espero que o presidente da República não tenha responsabilidade no agravamento do morticínio no Brasil, espero que a CPI não chegue a tanto, mas, se chegar, não tenho nenhuma dúvida que ele será responsabilizado, sim", disse o relator. "Entendo que ao responsabilizar alguém, responsabilize exatamente aqueles que, por negligência, omissão, cometeram erros que poderiam ser evitados e possibilitado diminuição do número de mortes do Brasil na pandemia. Tenho muita convicção, apesar dos pesares, ameaças, arreganhos, tentativas de intimidação, que a CPI fará sua parte, cumprirá seu papel", disse.

Na entrevista, o senador classificou como uma "irresponsabilidade absoluta, total" a postura de Bolsonaro diante das vacinas para a covid-19. "Isso precisa ser investigado", afirmou. "Como o governo fechou as portas para produtores de vacinas. Não foi só com a Pfizer, fechou as portas para todos. Porque o presidente disse várias vezes que não acreditava na vacina, muito menos na chinesa. Ele que diz que vacina que serve, a que não serve".

Operação no Jacarezinho: Defensora relata 'cenas de crime desfeitas' e 'provável execução' em quarto de criança

 

Luiza Franco - Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil

Cena da morte de um dos alvos da operação policial. Ele teria tentado escapar pelo quarto de uma criança.




·          Polícia do RJ é criticada por operação que deixou 25 mortos na comunidade do Jacarezinho

·         Defensora denuncia prováveis execuções e "desfazimento de cena de crime"

·         Há relatos de cômodos de casas cobertos de sangue, inclusive o quarto de uma criança, e mães procurando seus filhos pelas ruas.

Membros de organizações que estiveram na favela do Jacarezinho depois da operação policial que deixou 25 pessoas mortas na quinta-feira descrevem cenários de devastação e dizem que cenas de crimes foram desfeitas antes que perícias pudessem ser feitas nesses locais.

A Defensoria Pública, a Comissão de Direitos Humanos da OAB e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio foram à favela e ouviram moradores.

"O primeiro choque inicial (ao chegar ao Jacarezinho) foi a quantidade de sangue nas ruas", disse a defensora pública Maria Júlia Miranda depois da visita. "Eram muitas poças. Relatos de violação de domicílio e de mortes neles. Muitos muros cravejados de bala, muitas portas cravejadas de bala". 

Ela também descreveu cômodos de casas cobertos de sangue, inclusive o quarto de uma criança, e mães procurando seus filhos pelas ruas.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Sobe para 28 número de mortos em operação policial no Jacarezinho

Yahoo, Redação Notícias

sex., 7 de maio de 2021

Familiares de vítimas seguram velas em protesto contra violência policial no Jacarezinho

A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou nesta sexta-feira mais três mortes em decorrência da operação deflagrada na favela do Jacarezinho, na zona norte da capital fluminense, na véspera, elevando para 28 o total de óbitos na ação mais letal já deflagrada pelas forças de segurança na cidade

Os corpos das três vítimas foram retirados da comunidade nesta sexta e, segundo a polícia, também seriam de homens com ligação com o crime organizado na favela, assim como outras 24 vítimas fatais da operação. Um policial também morreu durante a operação. 

"A inteligência confirmou todos os mortos como traficantes. Eles atiravam para guardar posição, para matar. Tinham ordem para confrontar", afirmou o chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, a jornalistas. 


Moradores protestaram na comunidade nesta sexta-feira e rejeitaram a versão da polícia de que todos os mortos eram envolvidos com o crime. 

 "Houve gente que já estava rendida, pediu para se entregar e foi morta... teve policial que matou na rua, na frente de crianças e idosos", disse uma moradora, que não quis se identificar. 

 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Bolsonaro, os militares e a política

6 de maio de 2021

Por Milton Pinheiro – membro do Comitê Central do PCB

Jornal O Momento – PCB da Bahia

Bolsonaro, os Militares e a Política – O cenário político brasileiro, para além da dramática situação da Covid 19, está impactado pela constante ameaça ou blefe do agitador fascista, Jair Bolsonaro, do uso das forças armadas para realizar operações ao estilo de estado de sítio ou estado de emergência.

O Brasil encontra-se afetado pela intensa e persistente crise econômica; o quadro da vida social nos permite informar que o conjunto da população se encontra em profundo esgarçamento do tecido social diante do gigante e perverso desemprego, com uma crescente carestia que ataca os mais pobres, com a difusão da fome e miséria que pode levar o país a um quadro de profundo caos social.

Essa condensação das mazelas brasileiras, resultado do projeto elaborado pelo governo federal em aliança com o consórcio burguês, estacionado no bloco do poder, pode tornar imprevisível o sentido da política e da vida social. Tudo isto numa relação de força que evidencia o protagonismo de frações da burguesia interna, que buscam melhor posição na ordem do Estado brasileiro e numa situação que não tem permitido que os trabalhadores e as organizações proletárias e populares vão para as ruas e praças.

O presidente de extrema-direita tem procurado estabelecer-se numa posição muito dúbia, que por hora o coloca em consonância com as hordas neofascistas (a Covid 19 não tem importância, o isolamento social é um crime, simpatia por desfechos autoritários e golpistas, completo desrespeito ao mínimo da ordem constitucional, armar o indivíduo para agir como se estivéssemos no estado de natureza, etc.) e em outros momentos, opera tímidas sinalizações para com os estratos conservadores da ordem estatal como forma de se garantir um mínimo de governabilidade, ou, até mesmo, incentivar a ilusão dessa existência.

Butantan diz que declarações de Bolsonaro sobre China podem afetar entrega de vacinas

ESTADÃO - Reuters

© Divulgação/Governo do Estado de SP Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes

 

SÃO PAULO - O Instituto Butantan pode atrasar entregas da CoronaVacvacina contra a covid-19 feita em parceria com o laboratório chinês Sinovac, ao Ministério da Saúde por falta de insumo farmacêutico ativo (IFA) importado da China. O presidente da instituição, Dimas Covas, atribuiu o possível atraso à a postura do governo Jair Bolsonaro em relação ao país asiático.

Bolsonaro insinuou em discurso, na quarta-feira, 5, que o novo coronavírus, causador da covid-19, pode ter sido criado pela China como parte de uma "guerra bacteriológica", nas palavras do presidente. Recentemente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em uma reunião, que ele não sabia que estava sendo gravada, que o coronavírus teria sido criado por chineses.

Em entrevista coletiva para marcar a entrega de uma remessa de 1 milhão de doses da vacina ao Programa Nacional de Imunização (PNI) do ministério, Covas afirmou que o atraso na chegada do IFA não se deve a problemas na produção da Sinovac, que envia a matéria-prima ao Brasil para o Butantan envasar doses da vacina, mas à demora na autorização de envio pelo governo chinês.

Dimas Covas disse que as declarações recentes contrárias à China vindas de autoridades do governo federal têm dificultado a liberação das remessas de IFA pelo governo chinês.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Carta de Mandetta aponta que atropelo da covid não foi acidente

Yahoo Notícias - Matheus Pichonelli

qua., 5 de maio de 2021

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Foto: Adriano Machado/Reuters

Com cerca de 20 minutos, a cobertura do primeiro dia de depoimento da CPI da Pandemia tomou quase metade da edição de terça-feira 4 do Jornal Nacional —um dia em que o país superou a marca dos 412 mil mortes pela covid-19. Entre as vítimas do dia estava a do ator e cineasta Paulo Gustavo, um talento e fenômeno de bilheteria de quem uma multidão acompanhava desde o dia 13 de março as notícias sobre sua internação. Ele tinha 42 anos.

Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, falou à comissão por cerca de sete horas. No resumo de 20 minutos do principal noticiário brasileiro, ganhou destaque praticamente tudo o que ele já havia dito a respeito de sua passagem pelo governo de Jair Bolsonaro, inclusive em um livro de memórias. Ele guardou para o momento, porém, uma carta endereçada ao presidente que previa em março de 2020 exatamente o que aconteceria ao fim daquele ano. A missiva serve como prova de que o atropelo da pandemia não foi causada por acidente, mas pela irresponsabilidade de quem saiu às ruas ciente da imprudência.

Durante a sessão, passou quase desapercebida a tentativa do líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), de eximir o presidente de dolo ou má fé na condução da pandemia. As falhas, porém, eram admitidas pelo próprio parlamentar. Bezerra Coelho disse a certa altura que o Brasil está perto de testemunhar que as ações do governo eram as corretas. Parecia falar em maio de 2020, quando supor que o coronavírus mataria mais do que 100 mil brasileiros era apontado como catastrofismo e rendia demissão.

Mandetta teve tempo de explicar como chegamos até onde chegamos.

Ele lamentou que um projeto de testagem em massa no país chegou a ser articulado e nunca saiu do papel. E compartilhou a carta enviada ao presidente alertando para o agravamento da situação, com risco de colapso do sistema de atendimento e consequências sérias para a saúde da população, caso algumas recomendações, como o reconhecimento da transmissão comunitária do vírus e a urgência do isolamento social, não fossem adotadas. Não foram.

A previsão era que, se nada fosse feito, o país chegaria ao fim do ano com 180 mil mortos. Projeção equivocada: em 31 de dezembro o número de vítimas chegou a 191 mil. Bolsonaro preferiu apostar na cloroquina, medicamento sem eficácia comprovada e que, segundo o ex-ministro da Saúde, foi tema de um lobby escancarado de fabricantes que chegaram a sugerir mudanças na bula do emplastro para incluir a sua indicação para tratamento da covid-19. A iniciativa foi barrada pela Anvisa.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Senador diz que justificativa de Pazuello para faltar à CPI não convenceu


PODER 360° - Murilo Fagundes

 

© Murilo Fagundes/Poder360 O senador Wellington Dias (PL-MT) se reuniu com a ministra Flávia Arruda no Palácio do Planalto

O senador Wellington Fagundes (PL-MT) disse nesta 3ª feira (4.mai.2021) que a justificativa do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para adiar sua participação na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) nesta 4ª não convenceu.

A mim não [convenceu]. Acho que ele deverá no momento certo comparecer. Não acredito que esse seja o argumento mais convincente. O que eu analiso é que ele está exatamente aguardando o viés que a CPI tomará”, declarou a jornalistas no Palácio do Planalto. De acordo com a assessoria do ex-ministro, ele teve contato com pessoas contaminadas pelo coronavírus e, por isso, pediu para não comparecer. O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), informou na sessão que Pazuello não prestará depoimento na data anteriormente combinada.

O senador Wellington Fagundes teve reunião com a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda. Segundo ele, ficou acertado que o ministro da Secretaria Geral, Onyx Lorenzoni, coordenará a estratégia política do governo Bolsonaro na CPI. A própria ministra Flávia Arruda entendeu que a CPI será tocada pelo ministro Onyx Lorenzoni, que vai estar ocupando mais esse assunto. Ela ficará mais na relações de governo com os partidos e com os parlamentares”, disse.

Além de Wellington Fagundes, outros senadores questionaram a justificativa de Pazuello. A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse na comissão: “Ele [Pazuello] anda sem máscara e não pode vir na CPI?”

O ex-ministrro foi visto andando sem máscara no shopping Manauara em Manaus (AM), e 25 de abril. As imagens foram feitas pela fotógrafa Jaqueline Bastos, moradora da capital amazonense, e compartilhada nas redes sociais. Ela disse ao Poder360 que viu o ex-ministro passando pela checagem de temperatura já sem a máscara, mas conta que ele não foi impedido pelos seguranças do estabelecimento.

EM TEMPO: Destacamos que o ofício que foi endereçado a Comissão da CPI, continha o timbre do Exército Brasileiro. Lembrando que o Exército Brasileiro não tem nada a ver  com isso, uma vez que quem foi convocado para depor foi o ex-ministro Eduardo Pazuello e, não o General Pazuello. Agora durmam com essa bronca 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

A Petrobras desfigurada e o Brasil desguarnecido

Unidade Classista dos Petroleiros

Um breve balanço do estrago causado pelas gestões privatistas na Petrobrás

A Petrobras tem sido vítima, ao longo de sua história, dos mais sórdidos ataques, por dentro e por fora, buscando inviabilizá-la como principal estatal brasileira. Desde a luta pela sua fundação, os agentes monopolistas internacionais se colocaram de corpo e alma como inimigos da campanha “o Petróleo é Nosso” e do projeto de criação de uma estatal de Petróleo (que viria a ser a Petrobras). Em seguida, fizeram lobby para desencorajar a continuidade do projeto, quando quiseram convencer a dita opinião pública de que no Brasil não havia petróleo.

Mais recentemente, os comunicadores a serviço das petrolíferas e demais corporações estrangeiras papagaiavam que o Pré-sal seria uma farsa. E quando ele se provou altamente viável comercialmente, mudaram o discurso para uma suposta incapacidade da Petrobras de produzir sozinha a partir daquelas reservas. Em suma, estes agentes no Brasil a serviço de interesses antinacionais e antipopulares sempre foram simples sabotadores da nossa soberania.

Pois bem, o golpeachment de 2016 veio para buscar fazer o projeto privatista assumir sua velocidade de cruzeiro, e o desmonte da Petrobras ganhar contornos altamente alarmistas. Mas atenção: não é correto apontar essa data como ponto de inflexão entre uma política de alguma preservação do caráter estatal da Petrobras para uma política pró mercado, privatista. Cabe registro que, no afã de fazer concessões políticas ante uma extrema pressão oposicionista desde as manifestações de 2013, passando pelas polarizadas eleições presidenciais de 2014, o lava-jatismo e a chantagem golpista daí por diante, o governo Dilma e as gestões petistas da Petrobras já tomavam medidas de preparação de terreno e davam até mesmo os primeiros passos da jornada recente de privatização.

“Bolsonaro insultou grande parte do mundo”, diz matéria do Washington Post

 

Poder360

 

O jornal norte-americano The Washington Post publicou uma matéria, na 6ª feira (30.abr.2021), afirmando que o presidente Jair Bolsonaro “insultou grande parte do mundo” e que “agora o Brasil precisa da ajuda internacional”.

© Marcos Corrêa/PR Bolsonaro é alvo de críticas em matéria do Washington Post

 

A publicação comparou a Índia com o Brasil: “Dois países em desenvolvimento, enormes em população e geografia, dominados por surtos devastadores de coronavírus”.

Segundo o jornal, “para a Índia, que tem com taxas recordes de infecção, o mundo respondeu. Mas para o Brasil, que enterrou cerca de 140 mil vítimas pelo coronavírus nos últimos dois meses, a resposta internacional foi mais silenciosa”.

“O contraste entre a forma como a comunidade internacional abordou as crises na Índia e no Brasil mostra como as crescentes lutas diplomáticas de Brasília complicaram a resposta do país ao coronavírus. A imagem internacional que passou décadas cultivando foi minada por um presidente cujo governo insultou grande parte do mundo no momento em que o Brasil mais precisava de sua ajuda”.

A matéria do The Washington Post entrevistou o cientista político Mauricio Santoro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que disse: “O mundo inteiro está tentando ajudar a Índia, mas o Bolsonaro se tornou um problema tão internacional que ninguém o ajudará […] ninguém está falando em ajudar muito o Brasil”.

EM TEMPO: Esse Bozo veio sob encomenda para liquidar com todos nós e o Brasil

domingo, 2 de maio de 2021

POR EMPREGO, COMIDA E VACINA!

FORA BOLSONARO-MOURÃO!

Fórum Sindical, Popular e de Juventudes por Direitos e Liberdades Democráticas

– O 1º de Maio pertence à classe trabalhadora! –

Há 135 anos essa data foi cunhada na luta por melhores condições de trabalho contra a fúria e a ganância do Capital. Foi assim que em 1886 trabalhadores e trabalhadoras de Chicago (EUA) realizaram protestos e foram duramente reprimidos. No Brasil, em 1894 na cidade de Porto Alegre, foi registrada a primeira manifestação pública em alusão à luta da classe trabalhadora.

No processo de organização da classe, o 1º de Maio foi se consolidando como uma data para marcar a luta, para marcar que há resistência contra a exploração e opressão, para marcar sua autonomia e independência e para marcar o caráter solidário e internacionalista da classe. É com esses princípios que trabalhadoras e trabalhadores organizam atividades para firmar essa posição e indicar as pautas necessárias para garantir e ampliar direitos e, ainda, fortalecer a luta coletiva.

O 1º de Maio de 2021 mundialmente será registrado pela tragédia humanitária: crise sanitária de proporções mundiais e sem precedentes na história, além da crise econômica, social e política. A pandemia pela COVID-19 escancara a barbaridade do capitalismo e a destruição do planeta em nome da ganância do capital.

No Brasil esses interesses estão ancorados pelo avanço do autoritarismo promovido pelo governo Bolsonaro-Mourão e sua política genocida. Esse governo gerencia uma agenda de ajuste fiscal acelerada, combinada com o negacionismo frente à COVID-19, além do brutal ataque aos trabalhadores.

Bolsonaro e seus lacaios são responsáveis pela morte de cerca de 400 mil pessoas e, em função dessa política criminosa, o Brasil se transformou no epicentro mundial da pandemia. Sabotam o distanciamento social, a vacinação, promovem aglomerações e atacam as recomendações da ciência.

Essa política é responsável pelo desemprego de milhões de trabalhadores, pelas filas da fome e pela miséria que atinge várias parcelas da população. Trata-se de um governo racista, patriarcal, heteronormativo nas políticas sociais, que promove a repressão contra a juventude preta e pobre das periferias e as populações indígenas. Um governo que promove o desmonte das políticas públicas, realiza as privatizações, ataca a educação e a ciência. O desmonte é deliberado. O ataque aos direitos é parte desse projeto genocida!

sábado, 1 de maio de 2021

Dia do Trabalhador tem protesto contra Bolsonaro e live com Lula, Boulos e Ciro por vacina e auxílio

Folhapress - FERNANDA BRIGATTI

sáb., 1 de maio de 2021

 

SÃO PAULO, SP, 01.05.2021: ATO-BOLSONARO - Ato Fora Bolsonaro e em defesa dos empregos, no Dia do Trabalho, na Praça da Sé, centro de SP. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pelo segundo ano seguido, a multidão de pessoas, bandeiras e balões deu lugar a transmissões via internet no 1º de maio das centrais sindicais. Devido à pandemia de Covid-19, também em 2021 o Dia do Trabalhador foi à distância.

Batizado de "1º de Maio Pela Vida", o ato foi promovido por CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, UGT (União Geral dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), NCST (Nova Central), CSB, Pública e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil). Em São Paulo, o PCO (Partido da Causa Operária) convocou uma manifestação presencial na praça da Sé, na região central da capital, em protesto ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido). O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, participou do ato, que saiu em caminhada até o Theatro Municipal.

Na avenida Paulista, apoiadores do presidente protestaram contra medidas de controle da pandemia e criticaram STF (Supremo Tribunal Federal), prefeito e governadores que fazem oposição ao governo. Outras cidades tiveram manifestações similares, com pedidos de intervenção militar e declarações de apoio à Bolsonaro.

A live das centrais teve cerca de três horas de duração. O evento "uniu" no palanque virtual presidenciáveis como Guilherme Boulos (PSOL) e Ciro Gomes (PDT) e os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, ambos do PT, e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), lideranças de movimentos sociais e artistas.

As principais bandeiras do Dia do Trabalhador deste ano foram a defesa da democracia, do emprego, vacina para todo e auxílio emergencial de R$ 600 para todos até o fim da pandemia. Durante a transmissão, foram feitas homenagens aos brasileiros mortos pela Covid-19.

Apresentações de artistas como Chico César, Johnny Hooker e Elza Soares também foram exibidas.

Sentado em um sofá no que parece ser a sala de sua casa, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enviou um vídeo no qual defendeu a reabertura da economia para garantir a geração de empregos e redução do desemprego.

"Desejo a todas as organizações que patrocinam esse 1º de maio que tenhamos um futuro auspicioso, como mais trabalho e mais possibilidades de viver melhor."

A ex-presidente Dilma Rousseff classificou o momento pelo qual o Brasil passa como uma "catástrofe sanitária e social". Ao comparar a situação do país no dia 1º de maio de 2020 com este sábado, disse que as perdas são resultado do "comportamento genocida do governo".

"Há um ano, o Brasil tinha cerca de 6.000 mortes por Covid-19. Neste 1º de maio, são em torno de 400 mil morte. No 1º de maio de 2020, o Brasil batia recorde o desemprego, mas hoje superou e chegamos a 14 milhões de desemprego e a 32 milhões de subempregados."

Após denúncia da Funai, PF intima líder indígena a depor por difamação contra governo federal

FOLHAPRESS - FABIANO MAISONNAVE

 

*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 22.02.2018: A líder indígena Sonia Guajajara. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) - Provocada pela Funai, a Polícia Federal intimou a líder indígena Sônia Guajajara a prestar depoimento sob acusação de difamar o governo federal. A informação é da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

Em nota, a organização, da qual Guajajara é uma das coordenadoras executivas, classificou a acusação de "ato de perseguição política e racista". "O governo busca intimidar os povos indígenas em uma nítida tentativa de cercear nossa liberdade de expressão, a ferramenta mais importante para denunciar as violações de direitos humanos."

A líder foi intimada em 26 de abril, segundo a APIB. O inquérito é sigiloso. Por e-mail, a reportagem solicitou esclarecimentos à Funai e à PF, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. A acusação teria como base a web-série "Maracá", disponível no YouTube, que acusa o governo Jair Bolsonaro (sem partido) de promover uma política de extermínio contra os povos indígenas, por meio do desmatamento e do descontrole da epidemia de Covid-19.

"Recebemos essa intimação como mais uma comprovação de que este governo está atuando para deslegitimar a atuação das lideranças, acabar com a nossa mobilização e assim passar o trator nos nossos territórios", afirmou Guajajara, em uma live na tarde desta sexta-feira (30).

Não é a primeira vez que o governo federal investe contra Guajajara, ex-candidata a vice-presidente pelo PSOL, em 2018, na chapa de Guilherme Boulos. Em setembro, o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general da reserva Augusto Heleno, a acusou de "crime de lesa-pátria" após uma campanha publicitária da APIB veiculada na Europa que pedia o desfinanciamento do governo Bolsonaro por causa de sua política ambiental.