segunda-feira, 6 de abril de 2020

Coronavírus no Brasil: “Bolsonaro se acha capaz de esconder os corpos”


Por Marina Amaral, da AGÊNCIA PÚBLICA
Vladimir Safatle é filósofo e professor livre-docente da Universidade de São Paulo (Caio Castor/Agência Pública)
O Estado brasileiro tem todas as condições para lidar com a crise do coronavírus, protegendo a população. Mas o Brasil não tem como enfrentar a pandemia com Jair Bolsonaro na presidência do país.
Para o filósofo Vladimir Safatle, professor livre-docente da Universidade de São Paulo, o presidente “potencializa a crise” ao travar e desarticular as medidas de combate à epidemia e proteção às pessoas, o que deve motivar a maioria da população a se mobilizar “de forma horizontal” pelo impeachment do presidente.
 “Uma coisa que poderia nascer dessa experiência de uma luta coletiva contra a pandemia é um afeto político fundamental, de solidariedade genérica: ‘minha vida depende de pessoas que eu nem sei quem são’. Elas não parecem comigo, não fazem parte do meu grupo, e essas pessoas são fundamentais; o que demonstra que nós temos um destino coletivo. Só que a esquerda, de tão presa que ela está em outro tipo de pauta, não consegue vocalizar uma pauta de solidariedade genérica universal”, diz o filósofo que assinou uma proposição de três deputados do PSOL que obteve mais de 1 milhão de assinaturas pelo impeachment do presidente. A direção do partido criticou publicamente a iniciativa.
Confira a entrevista de Safatle, que também falou sobre o trauma da sociedade diante da impossibilidade de enterrar seus mortos e dos cenários que imagina no Brasil e no mundo depois da pandemia.

No caos em que estamos com a pandemia do coronavírus se acelerando, o senhor tem defendido o impeachment do presidente Bolsonaro. O senhor acha que temos condição de viver um processo como esse em um momento em que estamos fechados em casa e o Congresso trabalha a distância, ocupado com as medidas de combate à pandemia?
Acho que a única coisa sensata a fazer nessa condição exatamente de pandemia é lutar pelo impeachment porque ficou claro que o Brasil não tem condições de gerir duas crises ao mesmo tempo – e o Bolsonaro é uma crise ambulante. Ele trava todas as medidas, desarticula todas as medidas, mobiliza setores da população para que burlem as medidas que são necessárias para contenções mínimas e ele aproveita essa situação para criar um sistema de destruição de qualquer possibilidade de garantias da classe trabalhadora, da classe mais desfavorecida. 

Essa MP, a flexibilização de demissões em uma situação como essa, os trabalhadores terem até 70% do seu salário reduzido, isso mostra como ele potencializa a crise, ele multiplica a crise. O Brasil não tem a menor condição de suportar isso por mais tempo.
Sobre mobilização: só uma ação feita por três deputados do PSOL, completamente minoritários, foi capaz de levantar 1 milhão de assinaturas que foram entregues pela deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia. As últimas pesquisas que temos, do Atlas Político, dá que 47% são a favor do impeachment e isso sem nenhuma mobilização. Você pode imaginar o que aconteceria se todos os setores oposicionistas, ou pelo menos todos os setores de esquerda, tivessem uma mobilização contínua? Esse grupo [a favor do impeachment] aumentaria substancialmente, fazendo com que você tivesse uma força muito clara, por um lado. 

E por outro, você pode não conseguir botar gente na rua mas há vários outros dispositivos pra pressionar o governo, pra mostrar pra um governo que ele não tem mais nenhuma legitimidade de cobrança. Greve geral, recusas em colaborar em diversos níveis, desobediência civil. O problema é que a esquerda não tem mais nenhuma gramática de combate.

Embaixada da China repudia tuíte irônico de Abraham Weintraub: ‘cunho fortemente racista’



                                                                           ESTADÃO - Marina Aragão

© Dida Sampaio/Estadão (19/11/2019) O ministro da Educação, Abraham Weintraub 

Embaixada da China no Brasil se manifestou, na madrugada desta segunda-feira, 6, contra uma publicação do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Em sua conta oficial no Twitter, o ministro insinuou que a China vai sair "fortalecida" da crise atual causada pelo novo coronavírus, apoiado por seus "aliados no Brasil", associando a origem da covid-19 ao país asiático.

“Deliberadamente elaboradas, tais declarações são completamentes absurdas e desprezíveis, que têm cunho fortemente racista e objetivos indizíveis, tendo causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China-Brasil”, diz a nota divulgada no Twitter da Embaixada. O comunicado afirma ainda que “o lado chinês manifesta forte indignação e repúdio a esse tipo de atitude”.


No sábado, Weintraub usou uma imagem de Cebolinha da Turma da Mônica, criado por Maurício de Sousa, na Muralha da China. Substituindo o “r” pelo “l”, ele fez referência ao modo de falar do personagem, para insinuar que se tratava dos chineses.

“Geopoliticamente, quem podelá sail  foltalecido, em telmos lelativos, dessa clise mundial?  Podelia ser o Cebolinha? Quem são os aliados no Blasil do plano infalível do Cebolinha para dominal o mundo? Selia o Cascão ou há mais amiguinhos?”, escreveu o ministro.

A nota da Embaixada reforçou que a pandemia do novo coronavírus trouxe um desafio que nenhum país consegue enfrentar sozinho. “A maior urgência neste momento é unir todos os países numa proativa cooperação para acabar com a pandemia com a maior brevidade possível.”

domingo, 5 de abril de 2020

Governo controlará população por meio de dados de celulares durante crise do coronavírus


Getty Images
As operadoras de telecomunicação repassarão informações sobre a circulação de pessoas para que o governo faça avaliações e desenvolva estratégias de prevenção e combate à epidemia do novo coronavírus. A parceria vai durar o período da calamidade pública da covid-19 e envolve as empresas Vivo, Claro, Oi, Tim e Algar.



De acordo com o sindicato das empresas do setor (Sinditelebrasil), serão repassados dados agregados e anonimizados da circulação dos seus clientes. Os dados permitirão visualizar “manchas de calor” da concentração de pessoas em localidades de todo o país, auxiliando o governo a localizar onde estão ocorrendo aglomerações.
Quando uma pessoa liga um celular, o aparelho se conecta a uma antena, chamada no linguajar técnico de Estação Rádio-Base (ERB). Segundo o presidente executivo do Sinditelebrasil, Marcos Ferrari, a informação repassada ao governo será de quando e onde ocorreram essas conexões entre usuário e redes das operadoras.
“O que nós estamos disponibilizando para o governo é este dado estatístico agregado. Não vamos falar em número de linha nem em nome da pessoa. Em tal dia estavam conectadas tantas linhas em tal antena. Isso é um mapa. Olha por cima do país e enxerga como se dá a concentração de pessoas, deslocamento delas por meio deste mecanismo estatístico”, disse Ferrari.
Os dados serão consolidados no fim do dia e repassados a um servidor da empresa estadunidense Microsoft, de onde poderão ser acessados pelo governo. Assim, o “mapa” mostrará a situação sempre do dia anterior. As cinco operadoras possuem uma grande base de dados, somando 214 milhões de chips (embora vários clientes tenham mais de um chip).
“A forma como o governo vai usar esse dado pode ser de diversas maneiras. A gente não vai interferir nisso, pois é uma decisão do governo. Pode ser uma universidade que pode fazer esse uso dos dados, ou empresa terceirizada que lide com inteligência artificial. Para isso governo está botando a governança dele para aplicar de maneira eficiente estes dados”, comenta o executivo do Sinditelebrasil. Ele acrescenta que os princípios de proteção previstos na Lei Geral de Proteção de Dados e do Marco Civil da Internet serão respeitados.

General Heleno ataca Flávio Dino por crítica a Bolsonaro sobre coronavírus e governador rebate: "Tente ajudar"




General Heleno ataca Flávio Dino por crítica a Bolsonaro sobre coronavírus e governador rebate: "Tente ajudar"

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, atacou na manhã deste domingo (5) o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), por uma crítica à postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) frente à pandemia do novo coronavírus.
"Bolsonaro tem hoje mais de TREZENTOS brasileiros mortos por coronavírus na sua porta. E nem isso é capaz de fazê-lo refletir. É como se dois aviões caíssem no Brasil, matando todos os passageiros, e ele seguisse indiferente. Além de incompetente, Bolsonaro é desumano" publicou Dino em seu Twitter, na última sexta-feira (3).
Na mesma rede social, Heleno questionou o cargo de Flávio Dino e o chamou de "comunista alienado, sonso, insensível e insensato. O ministro ainda cometeu um ato falho e errou o nome da Covid-19.
"Sexta-feira, 03 Abr, Flávio Dino, Gov(?) do Maranhão, creditou ao Pres Bolsonaro os 300 óbitos do Covid 21. Sempre acreditei, pelo passado histórico, que comunistas são seres alienados, sonsos, insensíveis e insensatos. Atitudes como essa confirmam esse perfil", escreveu Heleno.
Dino devolveu os ataques do ministro, atualizou o número de vítimas pela Covid-19 divulgado pelo Ministério da Saúde e convidou Heleno para uma conversa presencial no Maranhão.
"General, já são 432 mortos na porta do seu capitão. Tente ajudar. O Brasil está precisando. Não quero crer que o senhor seja alienado, sonso, insensível e insensato. Depois venha ao Maranhão e aí terei prazer de recebê-lo como Governador e conversaremos sobre 'passado histórico'", retrucou o governador nordestino.
EM TEMPO: O general Heleno deveria se movimentar para que seja liberado produtos hospitalares, oriundos da China, para o Brasil. Mas, o general não deve ter ficado feliz com os elogios feitos pelo Governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), ao vice-presidente Hamilton Mourão, sugerindo que Bolsonaro deveria renunciar em favor do Mourão. Lembrando que o Mourão não é “ouro 18” (quando quer tem mais juízo) e que Flávio Dino e o seu PCdoB, defendem a entrega da Base Militar de Alcântara no Maranhão, para os Estados Unidos. 

Enquanto isso, a população brasileira segue numa situação bastante difícil, uma vez que há escassez de leitos nos hospitais e de materiais hospitalares e de teste rápido, especialmente respiradores e o presidente Bolsonaro está criando atrito com o Ministro da Saúde e os Governadores. Além do mais o seu filho Eduardo Bolsonaro e o Chanceler Ernesto Araújo, estimulam desavenças com a China e o governo Bolsonaro a cada dia aumenta sua animosidade com  a Venezuela. Bolsonaro, é uma "bomba chiando" tanto para a nossa estabilidade interna, incluindo a saúde, o emprego e a democracia, como também para a estabilidade na América Latina. Agora durmam com essa bronca, mas fiquem em casa.

sábado, 4 de abril de 2020

PT e PSDB se unem para tirar Carlos Bolsonaro de gabinete no Planalto

(EVARISTO SA/AFP via Getty Images)


PT e PSDB entraram na Justiça para afastar o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) do gabinete que ganhou no Palácio do Planalto, no mesmo andar onde despacha seu pai, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, os tucanos pedem na ação civil pública que a União o presidente desocupem imediatamente qualquer sala utilizada por Carlos, que deve ser proibido de usar bens e serviços, sob pena de multa, e dar ordens a outros agentes, em referência indireta ao "Gabinete do Ódio", como é conhecido o núcleo ideológico do governo.
O gabinete, liderado por Carlos e tendo Olavo de Carvalho como guru, redigiu o pronunciamento de Jair Bolsonaro há três semanas, em que o presidente pediu o fim do "confinamento em massa" em meio à pandemia do novo coronavírus.
A ação civil pública também pede que a Câmara Municipal do Rio instaure procedimento de perda de mandato de Carlos Bolsonaro.
O deputado federal e ex-presidente do PT, Rui Falcão, também acionou a Justiça pedindo o afastamento de Carlos Bolsonaro de suas atividades em Brasília. "A presença dele no Planalto, além de todo o mal que causa dentro e fora do governo, constitui usurpação de função pública e desvio de finalidade", justificou o parlamentar.

Nota dos partidos de oposição



EM DEFESA DA SAÚDE, DOS EMPREGOS E DOS SALÁRIOS

COBRAR DOS BANQUEIROS SUA COTA NESTA CRISE
Reunidos para analisar a conjuntura nacional e os impactos da crise do coronavírus sobre a saúde pública, a economia e a vida da população, os partidos políticos de oposição declaram:
1) É urgente mobilizar todos os recursos financeiros e logísticos para adquirir, dentro e fora do país, equipamentos hospitalares e de proteção ao público e aos profissionais de saúde; oferecer leitos de UTIs e aplicar testes à população nos parâmetros médico-científicos. Para dar uma amostra do atraso e insuficiência das ações no Brasil: apesar do remanejamento de R$ 5 bilhões nas emendas orçamentárias, apenas R$ 424 milhões foram transferidos aos estados e somente esta semana chegaram ao país os 500 mil testes adquiridos na China, igual ao volume que a Alemanha aplica em apenas uma semana. É preciso recuperar o precioso tempo perdido com os erros e a imprevidência do governo federal nesta crise;
2) Total apoio à posição manifestada em nota das Centrais Sindicais nacionais sobre a Medida Provisória 936, por desrespeitar as garantias constitucionais dos acordos coletivos e da atuação sindical em defesa do trabalhador, e por não garantir o emprego e os salários;
3) A oposição vai atuar no Congresso Nacional para rejeitar a MP 936 e construir em conjunto uma proposta legislativa que garanta realmente a estabilidade no emprego e o pagamento dos salários, nas empresas economicamente afetadas pela crise, especialmente as pequenas e médias que mais empregam;
4) Já passou da hora do sistema financeiro contribuir com parcela de seus bilionários e indecentes lucros para o esforço nacional contra o coronavírus e seus impactos; é moralmente inaceitável que os banqueiros permaneçam alheios a essa crise humanitária e que o governo continue cumulando o sistema de benefícios, sem exigir contrapartidas e sequer uma justa taxação de seus lucros, no momento em que o país mais precisa.
Brasília, 2 de abril de 2020
Pedro Ivo Batista, Rede
José Luiz Penna, PV
Juliano Medeiros, PSOL
Carlos Siqueira, PSB
Carlos Lupi, PDT
Gleisi Hoffmann, PT
Luciana Santos, PCdoB
Edmilson Costa, PCB


sexta-feira, 3 de abril de 2020

Coronavírus: Bolsonaro é denunciado no TPI por “crime contra a humanidade”


Rfi - Adriana Brandão


© REUTERS - UESLEI MARCELINO

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) denunciou o presidente Jair Bolsonaro por crime contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional. A denúncia foi protocolada nesta quinta-feira (2) na corte de Haia. Segundo o documento, atitude de Bolsonaro nessa crise do coronavírus expõe “a vida de cidadãos brasileiros, com ações concretas que estimulam o contágio e a proliferação do vírus”.

De acordo com o documento divulgado pela entidade, “o Brasil possui, no atual momento, um chefe de governo e de Estado cujas atitudes são total e absolutamente irresponsáveis.” A ABDJ faz referência a atuação de Jair Bolsonaro que contrariando as normas internacionais sanitárias de combate à pandemia de coronavírus e as decisões de vários governadores, pede à população brasileira que acabe com o confinamento e volte ao trabalho.

“Por ação ou omissão, Bolsonaro coloca a vida da população em risco, cometendo crimes e merecendo a atuação do Tribunal Penal Internacional para a proteção da vida de milhares de pessoas”, reforça a denúcia assinada pelos advogados Ricardo Franco Pinto (Espanha) e Charles Kurmay (EUA) e encaminhada à procuradora Fatou Bensouda do TPI.

A ABDJ recorreu à instância internacional por considerar que o procurador-geral da República, Augusto Aras, não atendeu pedido de recomendação feito por vários procuradores sobre a conduta atual do presidente brasileiro diante da pandemia de coronavírus. A entidade avalia que outras ações judiciais não seriam possíveis no Brasil, explicou Nuredin Ahmad Allan, da executiva nacional da entidade, em entrevista à RFI.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

PCB em defesa do povo trabalhador



Comissão Política Nacional do PCB

A crise do capital, manifestada há tempos pela desaceleração da economia mundial, foi agravada com a pandemia global do coronavírus e tende a gerar um caos social com consequências imprevisíveis e o acirramento da luta de classes no Brasil e no mundo. A classe trabalhadora e as camadas populares não podem pagar a conta da crise novamente!
Os governos burgueses, atendendo aos interesses do capital, concentram as medidas econômicas em apoio aos bancos e grandes empresários, sob o pretexto do combate ao novo coronavírus. Vão continuar sacrificando a saúde dos povos em prol dos seus lucros, comprovando o caráter cruel, desumano e nefasto do capitalismo. A história da humanidade demonstrou que ou enfrentamos e derrotamos o capitalismo, ou estamos condenados à barbárie, que já se manifesta no cotidiano da vida das pessoas.
O governo dos Estados Unidos, seus aliados da OTAN e os governos pró-imperialistas da América Latina acenam com a possibilidade de novas agressões militares na região. Intensificam os desumanos bloqueios a Cuba Socialista e à Venezuela Bolivariana. A grave provocação do Departamento de Estado dos EUA contra as principais lideranças e autoridades venezuelanas, sob falsa acusação de apoio ao narcoterrorismo, revela claramente a tentativa de forjar um pretexto para uma intervenção armada na Venezuela. O narcogoverno colombiano de Ivan Duque e o governo brasileiro, sob a liderança do presidente miliciano Jair Bolsonaro, são os principais aliados dos Estados Unidos nesta ação imperialista que ameaça a paz e a vida dos povos de nossa América.
No Brasil, mesmo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), dos especialistas e cientistas, Bolsonaro e seus aliados promoveram aglomerações de pessoas em suas débeis manifestações protofascistas no dia 15 de março, e o presidente, de forma autoritária e criminosa, além de realizar passeios pelo comércio de Brasília, incentiva seus aliados a ignorarem a pandemia do coronavírus e a saírem de casa. Enquanto isso, verifica-se o crescimento do número de desempregados, o caos nos serviços públicos de saúde, o aumento da carestia, da violência contra a população e do número de pessoas que vivem em situação de rua.
Mesmo no contexto da grave crise sanitária, o Governo segue atacando os direitos da classe trabalhadora, ameaçando com redução de salários dos trabalhadores formais e outras medidas draconianas. O Congresso brasileiro, em funcionamento por meios digitais, avança com mais um duro golpe sobre os(as) trabalhadores(as), fazendo tramitar a Medida Provisória nº 905, batizada como nova “Carteira Verde Amarela”, que na prática significa o aprofundamento da Reforma Trabalhista. Cabe destacar que esta medida sofreu forte rejeição manifestada pelos partidos de oposição, pelas centrais sindicais e pelos movimentos populares.
O Governo Bolsonaro ataca também os servidores públicos propondo a redução de direitos e salários. E, na contramão da história, reduz o número de bolsas de pós-graduação, enfraquecendo a pesquisa e a produção de ciência e tecnologia. Não é para menos que Bolsonaro perde apoio de importantes setores de sua base governista e vê crescer o descontentamento popular com o seu governo.

Coronavírus é expressão da mundialização do capital!


DIEGO DE OLIVEIRA SOUZA*

Não foi a pandemia da Covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus) que determinou o caos social, mas foi o caos social (inerente ao capitalismo) que criou as bases para o estabelecimento da pandemia! 
Mais especificamente, devemos reconhecer que foi a mundialização do capital – ora manifesta no que se convencionou chamar de globalização – a responsável pelas bases sociais da pandemia do coronavírus, sobretudo pela velocidade com a qual se desenvolveu.
Para François Chesnais, a mundialização do capital marca a fase contemporânea do capitalismo, porquanto ocorra a centralização de capitais gigantescos ante um “novo” conjunto de relações internacionais, que (re)modela a esfera econômica e que elimina qualquer fronteira que se interponha à expansão geopolítica do capital. Tal processo se reflete em determinada conformação da vida social, em um novo arranjo espaço temporal, com aceleração da rotação do capital nas suas variadas formas (sobremaneira na especulação financeira), trânsito rápido de pessoas e objetos por grandes distâncias e com repercussão global de fatos nacionais.
Essa dinâmica se reproduz até mesmo nas microinstâncias, determinando padrões fugazes de educação, cultura e consumo em geral. Mesmo entre os segmentos mais pauperizados da classe trabalhadora, introjeta-se um estilo de vida determinado por esse formato internacional, ainda que lhes seja prometido e, logo depois, negado o acesso à maior parte das supostas “benesses” da globalização (1). Pensando com Mészáros, a dinâmica contemporânea do capitalismo nada mais é do que a resposta do capital à sua crise estrutural (2).
Ao chegar aos seus limites e evidenciar a sua insustentabilidade, o capital tenta remediar o irremediável. Tanto é que a superficial sensação de administração da crise cai por terra quando se percebe que a partir das respostas dadas surgem novas ameaças e, assim, descobre-se que o “remédio” é, na verdade, “veneno”. Essa dinâmica anárquica e catastrófica está no “genótipo” (essência) capitalista e o atual momento da saúde global é o seu “fenótipo” (aparência). Fica clarividente o caráter contraditório desse modo de organizar a vida, inclusive porque o corolário de medidas neoliberais em resposta do capital à crise estrutural foi responsável por fragilizar as estruturas sociais capazes de mitigar a pandemia.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Liderança indígena Guajajara é assassinada a tiros no Maranhão, a segunda em cinco meses




EL PAÍS - Felipe Betim



© Fornecido por EL PAÍS Zezico Rodrigues Guajajara, liderança da TI Arariboia e diretor do Centro de Educação Escolar Azuru.

Uma liderança indígena da etnia Guajajara foi assassinada a tiros nesta terça-feira no Maranhão, segundo confirmou o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Zezico Rodrigues Guajajara era um dos líderes da Terra Indígena Araribóia, diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuru e professor há 23 anos. Seu corpo foi encontrado na estrada da Matinha, próximo à sua aldeia, Zutiwa, no município de Arame. 


Em nota publicada no Twitter, o governador Flávio Dino (PCdoB) lamentou a morte e garantiu que a Secretária de Segurança já entrou em contato com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF). “Reiteramos que Governo do Estado está à disposição para auxiliar governo federal na segurança a indígenas em suas terras”, afirmou. Um equipe da Polícia Civil foi enviada à região.
O assassinato de Zezico ocorre em meio à escalada de violência contra os indígena no Maranhão nos últimos meses. 

O líder local Paulino Guajajara, membro grupo “Guardiões da Floresta”, formado para proteger o território contra madeireiros ilegais, também foi assassinado a tiros em primeiro de novembro de 2019. Ele voltava de um dia de caça acompanhado de outra liderança, Laércio Guajajara, que tomou tiros nos braços e nas costas e conseguiu fugir do ataque. Após novas ameaças, Laércio teve de deixar a aldeia e ir morar em um local não divulgado sob orientação do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Governo Federal. Com isso, Zezico se tornou a principal voz de denúncia sobre os ataques de madeireiros ilegais na região —sua aldeia era um dos principais alvos de queimadas criminosas.

"Obrigado China!!!" México agradece suprimentos médicos para tratar coronavírus




REUTERS
(Reportagem de Anthony Esposito e Ana Isabel Martinez)


© Reuters/MEXICO'S PRESIDENCY Ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O principal diplomata do México agradeceu, em uma mensagem online, que viralizou, a duas instituições de caridade chinesas por doar suprimentos médicos para ajudar a conter a epidemia de coronavírus.

"Obrigado China!!!", escreveu o ministro das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard, em um post no Twitter na noite de terça-feira, junto a uma reportagem da imprensa local sobre os suprimentos doados.

A Fundação Jack Ma e a Fundação Alibaba doaram 100 mil máscaras, 50 mil kits de teste e cinco respiradores, que chegaram ao México por volta da meia-noite de terça-feira, segundo o Centro Cultural Chinês no país da América do Norte.

A China, onde o coronavírus teve origem no ano passado, vem atraindo países latino-americanos com diplomacia médica, num momento em que a potência do continente, os Estados Unidos, luta para conter a disseminação do vírus altamente contagioso dentro de suas próprias fronteiras.

No mês passado, Ebrard disse que o governo da China estava ajudando o México a obter 300 respiradores.

"Eles tiveram uma atitude louvável com o México. Eles compartilharam conosco todas as informações e descobertas", afirmou.

Até o momento, o México registrou 1.215 casos de coronavírus e 29 mortes. Autoridades têm alertado que hospitais e clínicas podem ficar sobrecarregados se o número de infecções subir para os níveis observados na Europa.

EM TEMPO: Enquanto isso o Chanceler Brasileiro, Ernesto Araújo, outro maluco e direitista juramentado, não consegue fazer a diplomacia internacional que o Brasil tanto precisa. Agora durma com essa bronca. 

Coronavírus: Brasil fica sem equipamentos após compra em massa dos EUA



Veja.com  - Da Redação


© Yana Paskova/Reuters Idosos usam máscara para se proteger de pandemia de coronavírus em The Villages, Flórida, Estados Unidos - 17/03/2020



O Ministro Luiz Henrique Mandetta informou nesta quarta-feira, 1º, que iversas compras de equipamentos de proteção individual para profissionais da saúde a exemplo de máscaras e luvas não foram concluídas após os Estados Unidos adquirirem da China grandes quantidades de produtos transportados em 23 aviões cargueiros.

Ele informou que a China é a principal produtora do material e que o mundo acostumou-se a buscar abastecimento no país pelos preços baixos. “As nossas compras, que nós tínhamos expectativa de concretizar, para poder fazer o abastecimento, muitas caíram”.
O ministro disse que “essa é uma das nossas fragilidades”. 

Mandetta afirmou que situação parecida ocorreu com a compra de respiradores. “Entregaram a primeira parte. Na segunda parte, mesmo com eles contratados, assinados, com o dinheiro para pagar, quem ganhou falou: não tenho mais os respiradores, não consigo te entregar. Então, nós voltamos de algo que a gente achava que a gente já tinha, demos um passo para trás”, lamentou.

Ele disse que espera que a China tenha uma “produção mais organizada” e que os países que “exercem o seu poder muito forte de compra já tenham se saciado” para que o Brasil possa reabastecer de itens essenciais. Enquanto isso não ocorre, Mandetta disse que pode ser preciso normatizar o uso de máscaras do tipo N95 por mais tempo em centros de saúde. Seria necessário escrever o nome dos profissionais no item e ela passaria por esterilização para ser reutilizada.

EM TEMPO: As hostilidades de setores de Direita, a exemplo do dep. fed. Eduardo Bolsonaro,  ao governo Chinês só fazem  atrapalhar a tempestiva aquisição de materiais hospitalares. Meu povo: "arrependei-vos" de terem votado em Bolsonaro. A Venezuela também recebeu gratuitamente, ou não, materiais hospitalares. Mas, o governo brasileiro está desprestigiado internacionalmente. Agora durma com essa bronca. 

Coronavírus: Lula diz que Bolsonaro falha ao não orientar população sobre o que fazer diante da pandemia


CAROLINA LINHARES

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 17.01.2020 - O ex-presidente Lula durante reunião do diretório nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress).



O ex-presidente Lula (PT) criticou, nesta quarta-feira (1º), o presidente Jair Bolsonaro por, segundo o petista, não ter dado orientações à população sobre como agir na pandemia do novo coronavírus em seu pronunciamento na noite de terça (31).
"O presidente utiliza não sei quanto tempo na TV e não tem uma orientação para as pessoas", disse Lula em entrevista a veículos e blogs de esquerda. Para o petista, falta "voz de comando" da Presidência nesta crise.
O ex-presidente disse ainda que a preocupação que Bolsonaro demonstrou com os pobres é da boca para fora e cobrou que o presidente faça a verba da União chegar até os trabalhadores para que eles possam cumprir o isolamento social.
"Tentar defender os mais pobres, o camelô, o cara do Uber, do pequeno comércio... Além de estar defendendo esses caras da língua pra fora. As medidas concretas beneficiaram os banqueiros, porque ele liberou R$ 200 bilhões para os banqueiros", disse Lula.
"E para as pessoas pobres que estão precisando dos R$ 600, a gente ouviu o Guedes [ministro da Economia] dizer que só vai ser dia 16 de abril", completou.
O petista também exaltou iniciativas dos parlamentares e da sociedade civil para tecer medidas contra a pandemia. "Há uma preocupação da sociedade em dar resposta àquilo que o governo não consegue fazer. Estamos percebendo que governo não se preparou para uma crise dessa magnitude", afirmou.
Lula cobrou que Bolsonaro coordene uma saída à crise com os entes federados e afirmou que "quem está fazendo o trabalho mais sério são os governadores e prefeitos".

General passa 'cola' a ministros durante entrevista




ESTADÃO - Julia Lindner, André Borges, Idiana Tomazelli e Dida Sampaio

© Dida Sampaio / Estadão.  Ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes

No novo formato de entrevistas coletivas do Palácio do Planalto, o ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, controla as perguntas que serão respondidas e até passa "cola" para os colegas. Foi o que ocorreu nesta terça-feira, 31, quando Braga Netto voltou a intervir para que os ministros Sérgio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia) não dessem suas opiniões sobre o que acham da manutenção do isolamento social.

"Os ministros concordam plenamente com a posição do ministro Mandetta", interviu Braga Netto, em referência ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, quando jornalistas cobraram uma resposta.

Mandetta afirmou que o governo fará "o máximo de distanciamento social" possível como medida de prevenção à Covid-19, mas que o modelo não é estanque. O ministro citou Paulinho da Viola ao dizer que é preciso fazer como um velho marinheiro que, durante o nevoeiro, leva o barco devagar. "Vamos passar na marcha certa, nem tão parado que a gente possa ser arrastado, nem tão acelerado que a gente possa cair em uma cachoeira. Vamos todo mundo junto (...) que vamos chegar a um porto seguro." 

Discreto, Braga Netto usa pedaços de papel durante as entrevistas para passar mensagens aos outros ministros.. Nesta terça-feira, 31, ele enviou informações para Guedes e para o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Cuidadoso, ele toma o cuidado de dobrar o papel algumas vezes para evitar que o teor seja flagrado por câmeras.