quinta-feira, 11 de abril de 2019

Eleições em Israel: “não à paz e sim à ocupação”


Partido Comunista de Israel

O presidente palestino, Mahmoud Abbas (Abu Mazen) disse, nesta quarta-feira, 10 de abril, que ele está acompanhando os resultados das eleições parlamentares de Israel, que ocorreram na terça-feira. Abbas falou na inauguração de um novo departamento de oncologia do Hospital Istishari, perto da cidade de Ramallah, na Cisjordânia.
Abbas enfatizou: “Eles (Israel) devem entender que a paz é do nosso interesse tanto quanto deles e de todo o mundo. Por essa razão, eles precisam ir à mesa de negociações. Nossa mão é sempre estendida para negociações, mas não vamos abandonar nossos direitos. Abbas reiterou que não aceitará o chamado para o “Deal of the Century” (Acordo do Século) dos Estados Unidos, dizendo: “Seja o que for, nós o rejeitamos porque ele ignora nossos direitos legitimados pela comunidade internacional”.
O líder palestino acrescentou: “se eles concordarem em seguir a legitimidade internacional, então nossas mãos serão estendidas para alcançar a paz. Se não o fizerem, então permaneceremos firmes aqui”. Em referência à inauguração do novo departamento hospitalar, Abbas disse que “o que vimos aqui hoje neste grande hospital nos deixa muito orgulhosos e promete um futuro melhor”. Concluiu: “Se tivermos a oportunidade, estaremos em pé de igualdade com o restante dos povos do mundo, se não melhores, porque temos o potencial e as capacidades que oferecemos para o nosso grande povo”.
Saeb Erekat, secretário geral do Comitê Executivo da OLP, disse em um tweet na noite de terça-feira que os israelenses votaram não à paz. “O que os resultados sugerem é que os israelenses votaram para preservar o status quo. Eles disseram não à paz e sim à ocupação. ”Ele acrescentou:“ Apenas 14 dos 120 membros eleitos do parlamento israelense apóiam a solução de dois estados nas fronteiras de 1967. ”
Uma declaração do membro do Comitê Executivo da OLP (Organização para Libertação da Palestina), Hanan Ashrawi, apontou: “Lamentavelmente, os israelenses votaram esmagadoramente em candidatos que estão inequivocamente comprometidos em consolidar o status quo da opressão, ocupação, anexação e espoliação da Palestina e da escalada de ataques aos direitos humanos e nacionais dos palestinos. Eles escolheram um parlamento predominantemente de direita, xenófobo e antipalestino para representá-los. Os israelenses decidiram consolidar e expandir o apartheid”.
A declaração de Ashrawi acrescentou: “A agenda extremista e militarista, liderada por Benjamin Netanyahu, foi encorajada pelas políticas imprudentes e apoio cego do governo Trump … O povo palestino vai superar este capítulo obscuro e altamente perigoso e permanecer profundamente enraizado em nossa terra natal”.
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)


quarta-feira, 10 de abril de 2019

Em marcha o desmonte “eficiente” da educação pública




Gabriel Colombo

A segunda baixa na equipe ministerial de Bolsonaro nos cem primeiros dias de governo ocorreu sem implicar em uma guinada nos rumos da política bolsonarista para a educação.
Abraham Weintraub foi empossado como Ministro da Educação neste dia 9 de abril, em Brasília. O currículo de Abraham explicita os motivos que o levaram ao ministério. Trabalhou dezoito anos no Banco Votorantim, onde foi economista-chefe e diretor, isto é, esteve à frente dos negócios de uma das famílias mais poderosas da burguesia brasileira, os Ermírio de Moraes. 
No governo Bolsonaro, era o secretário-executivo da Casa Civil, ou seja, o “número 2” da articulação política do Planalto. Ao mesmo tempo, não representa uma ruptura com a ala ideológica do governo, pois tem filiação declarada a Olavo de Carvalho.
A tarefa de Weintraub é a mesma de Vélez: efetivar o projeto privatizante, precarizante e antidemocrático de Bolsonaro na educação, mas com táticas e recursos diferentes. Assim como é típico da ala ideológica do governo, Vélez fez declarações que nada contribuíram para aprovar as pautas que interessam às classes dominantes, pelo contrário, criaram escândalos e resistências ao ministro e sua política.
Como resultado, Vélez, já acuado pelos movimentos sociais, estudantes e professores que lutam em defesa da educação pública, passou a ser fortemente questionado pelos representantes políticos da burguesia e pelos militares, mais conscientes dos interesses que devem atender no governo.
É necessário lembrar que a Educação é uma área de grande importância para os capitalistas. Nas duas últimas décadas as classes dominantes organizaram importantes aparelhos para disputar a política de educação. É o caso, por exemplo, da “Todos Pela Educação” e da “Fundação Lemann”. Um dos objetivos dessas organizações é criar um consenso em torno da debilidade da educação pública e a necessidade de melhorar sua qualidade a partir da mercantilização, destinando maiores fatias do fundo público para a iniciativa privada, por diversos meios, desde a compra de vagas em escolas particulares com recursos públicos à terceirização da gestão escolar.

Rio de Janeiro sob terror de estado!


Nota da Comissão Política Regional do PCB-RJ

Uma família que ia fazer uma visita num hospital em Guadalupe, na Zona Oeste do Rio de Janeiro teve seu carro metralhado por mais 80 tiros por parte de uma patrulha do Exército. 
O pai, músico, morreu no local. Mãe e filho de 7 anos conseguiram escapar. Um idoso foi baleado. Tudo isso porque os soldados acharam o carro “parecido” com o de bandidos que passariam pelo ponto em que estavam.
Dentre os questionamentos cabíveis a esta ação desastrosa seria o por quê de tamanha violência contra um carro tido por eles, os militares, como suspeito? E mesmo que fosse um carro ocupado por criminosos, esta jamais deveria ser a abordagem. Não existe, pelo menos não formalmente, a pena de morte no país, e mesmo se existisse, não são as forças de segurança, militares ou civis, que efetuam o julgamento. Foi uma execução sumária, um crime bárbaro, injustificável por todos os aspectos.
Este não é um fato isolado. Na última semana um jovem de 19 anos foi morto numa blitz também do Exército no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, região metropolitana do Estado do Rio. Ele estava na garupa de uma moto quando foi baleado pelas costas por um soldado.
O Exército não tem treinamento para patrulha, nem deveria cumprir esse tipo de missão. Mas os problemas vão além. É preciso buscar as múltiplas motivações responsáveis por esse tipo de ação. Cabe lembrar que ações de militares e órgãos de segurança que terminaram em mortes receberam, nas últimas semanas, congratulações e foram celebradas por Bolsonaro, o presidente e Doria, governador de São Paulo. Além disso, ações como execuções e abates são incentivadas por Witzel, governador do Rio e praticamente estimuladas pelo pacote de “segurança” do ministro Moro, que inclusive, em recente entrevista, declarou que a polícia não precisa agir em legítima defesa para poder efetuar disparos.
Será que essa “tragédia” com mais de 80 tiros contra um carro foi ocasionada por surpresa ou violenta emoção? São justificativas cabíveis segundo o pacote “anticrimes” de Sérgio Moro.
Os comunistas denunciam tais ações que fazem parte de uma política de extermínio da população negra, levada a cabo pelos atuais detentores do poder nas comunidades populares. Visam a intimidar trabalhadores pobres, moradores de favelas e bairros populares e os movimentos sociais e populares que continuam na luta contra o estado de ódio e intolerância, institucionalizado, a partir de 1º de janeiro de 2019, no Brasil e, em particular, no Estado do Rio de Janeiro. Pela desmilitarização da segurança pública! Contra a criminalização dos trabalhadores pobres e moradores de favelas e bairros populares!
ABAIXO A VIOLÊNCIA DO ESTADO BRASILEIRO!


Chilenos exigem fim do sistema de capitalização


Milhares de manifestantes disseram um sonoro não à reforma que o presidente Sebastián Piñera quer implementar 

Diálogos do Sul

Leonardo Wexell Severo – Santiago (Chile) 
Com faixas, cartazes e camisetas condenando o sistema de capitalização implantado pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), e identificando as Administradoras de Fundos de Pensão (AFPs) com “Abuso, Fraude e Pobreza”, uma multidão tomou as ruas de Santiago e das principais cidades do Chile neste domingo para exigir o aumento imediato de 20% nas aposentadorias e um “novo modelo previdenciário digno, com redistribuição solidária”.
“Não quero que o meu futuro seja igual ao presente da minha avó”, denunciou uma jovem, erguendo bem alto sua cartolina. “Parem de nos roubar, acabem com as AFP”, reforçou uma outra. Como elas, milhares de manifestantes disseram um sonoro não à reforma que o presidente Sebastián Piñera quer implementar, mantendo o figurino neoliberal ditado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial.

terça-feira, 9 de abril de 2019

MEC: um segundo ‘olavete’ para gerir a “terra arrasada”


IHU UNISINOS

Um professor universitário contra o “marxismo cultural”, que trata seus opositores como inimigos, especialista em Previdência social, que passou pelo mercado financeiro, mas nunca gerenciou nada na área educacional. 
Foi aluno de Olavo de Carvalho – o ideólogo do bolsonarismo. Esse é o novo ministro da Educação, o economista Abraham Weintraub. Ao lado de seu irmão, o advogado e professor Arthur Weintraub, administrou o Centro de Estudos em Seguridade e prega a bandeira ideológica e conservadora do Governo Jair Bolsonaro (PSL). Chega ao cargo com o desafio de administrar uma “terra arrasada” deixada por seu antecessor Ricardo Vélez. Entre idas e vindas, Vélez demitiu mais de dez assessores e quatro secretários-executivos, além de não conseguir dar andamento a quase nenhum projeto em pouco mais de três meses de gestão.
A reportagem é de Afonso Benites, publicada por El País, 08-04-2019.
Aos 47 anos de idade, Abraham Weintraub é professor universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desde 2014. Dois de seus colegas consultados pela reportagem disseram que ele teve uma passagem discreta pela universidade porque parecia se dedicar mais aos seus projetos pessoais do que à academia. Em 2014, apoiou a campanha presidencial de Marina Silva (REDE). Antes de abraçar a carreira acadêmica, Abraham atuou no Banco Votorantim e na Quest Corretora.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Além de músico morto após 80 disparos, Exército atirou em jovem pelas costas no Rio


ESTADÃO - Roberta Jansen

Dia 08.04.2019

RIO – O músico Evaldo Rosa dos Santos, de 46 anos, não foi a única vítima fatal da ação de militares neste fim de semana. Na madrugada de sexta-feira, Christian Felipe Santana de Almeida Alves, de 19 anos, foi morto pelas costas, durante uma blitz do Exército na Estrada Pedro de Alcântara, em Realengo, na zona oeste. Especialistas em segurança pública e direitos humanos questionam a atuação dos militares. 

“Não foi o primeiro incidente”, disse a deputada estadual Renata Souza (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. “Na semana passada, um jovem foi assassinado pelas costas. Precisamos saber se já estamos vivendo a política do abate.”
A deputada está entrando com uma representação junto ao Ministério Público Federal, pedindo a investigação dos dois casos. 

Santana estava na garupa da moto de um amigo de 17 anos. Segundo o Comando Militar do Leste (CML), os jovens não obedeceram à ordem de parada na blitz que teria sido dada pelos militares e furaram o bloqueio, sendo alvejados. A família do jovem contestou a versão.

Na tarde de domingo, o carro dirigido por Evaldo Rosa dos Santos foi atingido por mais de 80 disparos, em uma ação de militares que supostamente teriam confundido o carro dele com o de criminosos que agiam na região. O sogro de Evaldo, que estava no banco do carona, ficou ferido.

Para defender e reerguer a UNE: unidade para resistir, ousadia para avançar!


Manifesto do Movimento por uma Universidade Popular rumo ao 57º Congresso da União Nacional dos Estudantes. 

Mais uma vez na história do Brasil, tempos sombrios e desafiadores flertam com um passado recorrente de violência, repressão e perseguições políticas. 

O governo Bolsonaro inspira-se nos métodos repressivos dos tempos de ditadura, promove a intolerância às diferenças, gera factoides na mídia e redes sociais, em parte para desviar o foco da opinião pública das medidas que o novo governo pretende adotar no Brasil, em parte expressando o nível de reacionarismo das forças com que compõe. Seu objetivo principal é saquear as riquezas nacionais, realizar privatizações e retirar os direitos da juventude trabalhadora, servindo aos interesses das elites e de grandes potências estrangeiras imperialistas, ameaçando as liberdades democráticas e as condições de vida do povo trabalhador.

Esse governo tem como carro-chefe a Reforma da Previdência. Se aprovada, a reforma afetará os mais pobres e pessoas que dependem integralmente desse benefício para sobreviver. Para nós, jovens, essa reforma impõe danos terríveis: o tempo que precisaremos ter dentro mercado de trabalho, para conseguir o benefício integral da aposentadoria, será superior a 40 anos, tempo mínimo para o acesso integral ao benefício. Na prática, mesmo quem começou a trabalhar com 16 anos só poderá se aposentar após os 65, levando em conta o desemprego!
O impacto dessas mudanças na vida dos brasileiros contribuirá diretamente para o aumento da já tão drástica desigualdade social em nosso país. Isso, sem contar os cortes e congelamento de investimento nas áreas essenciais à vida, como saúde e educação.

Liberdade para Lula. Unidade para barrar os retrocessos!



Comissão Política Nacional do PCB

A prisão de Lula, há um ano, está intimamente ligada ao processo político que se desenvolveu no país nos últimos meses, de ampliação dos retrocessos políticos e sociais, dos quais fazem parte a própria eleição de Bolsonaro e o conjunto de ações que apontam para a radicalização na retirada de direitos e históricas conquistas da classe trabalhadora. Negar essa relação de fatores é negar a realidade.
Quando preso Lula liderava as intenções de voto, inclusive sendo o único a figurar na frente de Bolsonaro nos inúmeros cenários trabalhados para as eleições de 2018. Mesmo com a prisão em 7 de abril, Lula continuou como nome do PT para concorrer às eleições presidenciais numa contestada e polêmica estratégia eleitoral. Mesmo preso, Lula continuou liderando as pesquisas de intenções de voto, demonstrando muito mais a força do seu nome do que da estratégia do PT. 
A medida serviu efetivamente para retirar da disputa eleitoral um dos mais fortes concorrentes à cadeira presidencial, apesar do grande desgaste do petismo entre as massas, causado pelo envolvimento em denúncias de corrupção e pelo não enfrentamento aos interesses do grande empresariado e do imperialismo no país, permitindo que as políticas compensatórias adotadas principalmente nos mandatos de Lula fossem suplantadas pelo aumento do desemprego, da violência e da pobreza, efeitos diretos da crise estrutural do capitalismo.
Trata-se de uma prisão cuja motivação central foi política, não tendo sido apresentadas provas contundentes para a sua consumação, além de ter sido desrespeitada a própria legislação burguesa, que não prevê a prisão em segunda instância. Mesmo que a prisão de Lula tenha sido repudiada por diversos setores democráticos e de esquerda e questionada inclusive internacionalmente, não houve nenhum tipo de relaxamento em relação à medida, ignoradas as discussões acadêmicas, políticas e jurídicas públicas, inclusive com um emblemático julgamento no STF acerca da condenação em segunda instância e a posição covarde de Dias Toffoli, que adiou, indefinidamente, a data do julgamento da questão. 
O fato do juiz que o condenou, o superstar Sergio Moro, ter sido nomeado membro da equipe de transição do candidato eleito e posteriormente se tornar ministro do governo só jogaram mais lenha na fogueira da ação arbitrária, deixando cada vez mais evidente tratar-se de uma prisão política.
O governo Bolsonaro aplica uma agenda política contra a classe trabalhadora e os setores populares em todas suas dimensões, desde os ataques brutais aos direitos trabalhistas, econômicos, sociais e políticos, como também buscando destruir a memória coletiva e a identidade do povo brasileiro, ao tentar reabilitar uma ditadura assassina, criminosa e corrupta e mudar a versão da história. Dentre as ações desse governo de extrema direita, que celebra uma aliança do que há de mais conservador e reacionário do país com elementos fascistizantes, está a manutenção da prisão de Lula, uma espécie de troféu dos grupos retrógrados e desse governo.
Nesse sentido a luta pela libertação de Lula faz parte das lutas gerais em defesa das liberdades democráticas e contra os ataques do capital e do governo Bolsonaro às conquistas sociais. Somente através de grandes mobilizações populares e da ação organizada do movimento sindical, popular e de juventude será possível derrotar a agenda de retrocessos políticos e de ataques sistemáticos da burguesia à classe trabalhadora e à população em geral.
Liberdade para Lula. Em defesa das liberdades democráticas! Unidade para barrar os retrocessos, a contrarreforma da previdência e os ataques aos direitos da classe trabalhadora!
Pelo Poder Popular e pelo Socialismo!


domingo, 7 de abril de 2019

Bolsonaro e o Nazismo: mais uma cortina de fumaça


OLHAR COMUNISTA

A declaração de Bolsonaro, que reafirma a colocação do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de que o Nazismo, na Alemanha de Hitler, foi um movimento de esquerda é prova de profunda ignorância, hipocrisia e má-fé.
A ignorância é clara. Não há nenhuma dúvida quanto ao caráter de direita do Nazismo e do Fascismo. O Museu do Holocausto, em Jerusalém, define o Nazismo, claramente, como um movimento de extrema direita, citando, além do elemento racista – a alegada superioridade da raça ariana que “justificava” a perseguição a minorias como os ciganos e os homossexuais – e o extermínio, em escala industrial, de seis milhões de judeus, o fato de que foram também perseguidos e mortos milhares de militantes socialistas e comunistas.
A expansão militar da Alemanha, antes e durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, foi organizada para subjugar, escravizar e exterminar outros povos, fazendo parte da estratégia de conquista do chamado “espaço vital” alemão, forma encontrada pelos nazistas para tirar, por meio da guerra imperialista e anexação de territórios, a Alemanha da grande crise em que vivia, como consequência da crise geral do sistema capitalista que explodiu em 1929. Naquele período foram abolidas todas as liberdades democráticas naquele país, dando início a um regime ditatorial e sanguinário.
Todas as universidades importantes do mundo e todo o sistema científico definem o Nazismo como de extrema direita. O Nazismo que vigorou na Alemanha nos anos 1930 e levou à guerra, de 1939 a 1945, teve claro apoio das grandes empresas alemães, com destaque para o grupo Krupp. O Nazismo era apoiado por e se voltava para a atender os interesses da grande burguesia, que usufruiu das benesses e riquezas geradas pelo esforço de guerra, o qual incluía jornadas estendidas dos operários e trabalho escravo dos prisioneiros judeus. Todo o esforço de guerra foi contratado junto às empresas capitalistas, que, ao final do conflito, tinham fortunas depositadas em bancos suíços, muitas das quais se mantêm até hoje. Seus donos mantiveram-se milionários.
A hipocrisia é o desconhecimento ou a não alusão intencional aos movimentos de hoje que se reivindicam nazistas. Os supremacistas brancos dos Estados Unidos, os neonazistas europeus e grupos assemelhados que atuam em diversos países, como o Brasil, também têm, como seus alvos preferenciais, as minorias éticas, os negros, os homossexuais, as mulheres, os pobres em geral, assim como os comunistas e socialistas. No caso europeu e nos EUA, os alvos principais são os imigrantes. São movimentos que hoje se identificam com o ultraliberalismo – que favorece a classe dominante, os grandes empresários – e se utilizam de métodos violentos de ação. Muitos grupos com essa caracterização apoiam o atual governo brasileiro e se comportam dessa forma.
A má-fé é a intenção de tentar livrar do governo e de movimentos e grupos que o apoiam a caracterização de nazistas, mesmo com todos os elementos comuns que apresentam, em seus pronunciamentos e ações, com essa ideologia. A defesa da ditadura empresarial militar no Brasil, da prática da tortura, do extermínio de índios e quilombolas, da homofobia e os ataques às liberdades democráticas são alguns desse elementos. E é clara a intenção de gerar confusão, descaracterizar e atacar as esquerdas em geral e, em particular, os socialistas e comunistas, os ideais de fraternidade, justiça social e igualdade, o que de melhor a humanidade já produziu como proposta para o seu porvir.


Datafolha: Bolsonaro tem pior avaliação em início de mandato


O presidente Jair Bolsonaro (PSL)
Da Redação - Veja
© Adriano Machado 

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem a pior avaliação de um presidente eleito após os três primeiros meses de mandato desde 1990, quando o país voltou a ter um presidente eleito pelo povo, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, publicada neste domingo, 7. 
De acordo com o levantamento, 30% dos brasileiros consideram seu governo ruim ou péssimo, porcentagem próxima aos 32% dos entrevistados que o consideram ótimo ou bom e 33%, regular — 4% não soube opinar.

Em 1990, Fernando Collor (à época no PRN) era reprovado por 19% dos brasileiros (36% achavam seu governo ótimo ou bom; 43% regular; 2% não soube responder). Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que assumiu em 1995, também começou seu mandato com rejeição mais baixa (16% achavam seu governo ruim ou péssimo; 39% ótimo ou bom; 40% regular; 5% não sabia).

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contava com 10% de avaliação ruim ou péssima no início de 2003 (43% achavam seu governo ótimo ou bom; 40% regular; 7% não soube responder). Sua sucessora, Dilma Rousseff também tinha baixo índice de reprovação no começo do mandato: 7% dos entrevistados rejeitavam seu governo enquanto 47% o consideravam ótimo ou bom (outros 34% achavam regular e 12% não soube responder).

O Datafolha entrevistou 2.086 com mais de 16 anos em 130 municípios do país entre os dias 2 e 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

De acordo com o instituto, antes da posse, 65% dos brasileiros esperavam que Bolsonaro fizesse um governo ótimo ou bom (17%, regular; e 12% ruim ou péssimo). Agora, a expectativa positiva caiu para 59%, enquanto a negativa subiu para 23% (a regular oscilou para 16%).


sexta-feira, 5 de abril de 2019

Reforma da Previdência: “lucro acima de todos”

Vilson Romero - Foto: Igor Sperotto

“Um orçamento que movimenta mais de R$ 1 trilhão ao ano, se considerarmos INSS, os Regimes Próprios de União, estados, DF e municípios, mais o sistema dos militares, com certeza, é ambicionado pelas corporações financeiras nacionais e estrangeiras”

Por Gilson Camargo – EXTRA CLASSE 
O projeto de reforma da Previdência – proposta de Emenda Constitucional (PEC) 6/2019 –, que tramita na Câmara dos Deputados desde o início de fevereiro, representa uma implosão do sistema previdenciário público e solidário em vigor no país desde a década de 1920 e consolidada pela Constituição de 1988.
Ao retirar do contexto constitucional as garantias de proteção social, a reforma que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ministro da economia Paulo Guedes tentam aprovar a qualquer custo – com ameaças, chantagens e verbas – coloca os trabalhadores sob uma insegurança jurídica sem precedentes, à mercê da instabilidade política. E ao impor um sistema de capitalização que acaba com o atual sistema tripartite e solidário, a proposta atende aos interesses do sistema financeiro.
“Um orçamento que movimenta mais de R$ 1 trilhão ao ano, se considerarmos INSS, os Regimes Próprios de União, estados, DF e municípios, mais o sistema dos militares, com certeza, é ambicionado pelas corporações financeiras nacionais e estrangeiras”, avalia o jornalista e auditor fiscal aposentado Vilson Romero, da coordenação da Frente Gaúcha em Defesa da Previdência.
Romero, que participou do Sinpro/RS Debate que o Sindicato dos Professores promoveu neste sábado, 30 de março, no Hotel Embaixador (Rua Jerônimo Coelho, 354), em Porto Alegre, foi um dos proponentes do Congresso Nacional da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social quando presidiu a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) de 2015 a 2017, atualmente é um dos coordenadores dos Estudos Socioeconômicos da Anfip e integra o Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa e a direção da Associação Gaúcha dos Auditores Fiscais da Receita Federal. “O governo, ao querer direcionar as alternativas de renda ao fim da vida laborativa para serem geridas por bancos e financeiras, merece um novo lema”, ironiza ele nesta entrevista.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Brasil é líder mundial no consumo de agrotóxicos



Com Temer e Bolsonaro, passam a ser permitidos 3 novos venenos a cada 2 dias, consolidando país como recordista mundial

Bruna Caetano -  Brasil de Fato
O Brasil é o líder mundial no consumo de agrotóxicos, com 7,3 litros por ano para cada um dos habitantes do país. E o número de veneno no prato dos brasileiros têm aumentado consideravelmente nos últimos três anos. 

Enquanto em 2015 foram aprovados 139 agrotóxicos no país, em 2018, esse número mais que triplicou, saltando para 450. Já em 2019, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sob o comando de Tereza Cristina, aprovou o uso de 121 produtos elaborados com agrotóxicos nos dois primeiros meses de governo.

Dos 2.184 produtos consolidados no país, 715 são classificados como extremamente tóxicos e 309 como altamente tóxicos. São esses os produtos que mais podem causar consequências graves à saúde de trabalhadores rurais e também adoecer a população consumidora de alimentos contaminados. O contato com os agroquímicos – inclusive os de menor nível de toxicidade – pode causar desde intoxicação aguda, com fraqueza, vômitos, tontura e convulsões, até intoxicação crônica: alterações cromossomiais, alergias, doença de Parkinson, má formação fetal e câncer, tudo em curto, médio ou longo prazo.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

97 anos de PCB: resistindo em tempos difíceis


Entrevista com Heitor César, dirigente nacional do PCB, para o Programa Faixa Livre

“Momento difícil para se assumir democrata no Brasil” O avanço dos discursos absolutistas no país provoca o temor não só daqueles que defendem pautas relacionadas ao socialismo, como prejudica até mesmo o debate sobre o real sentido da democracia na sociedade atual.
Exemplo desse recrudescimento é o Partido Comunista Brasileiro. Legenda mais antiga do país ainda em atividade, o PCB completou 97 anos no último dia 25 de março e vive às voltas com a intolerância e a violência retórica e, em alguns casos, física de grupos neofascistas que ganharam voz com a eleição de Jair Bolsonaro.
“Vivemos tempos difíceis para nos assumirmos enquanto comunistas e eu diria, inclusive, como democratas porque este é o pior momento desde a redemocratização, onde o obscurantismo e o medo tentam impor suas pautas novamente tentando pegar carona em uma velha tática das elites brasileiras, que utilizaram o anticomunismo como arma”, avaliou o historiador Heitor Cesar Oliveira, dirigente do partido.
O argumento ganha contornos de realidade em episódios como o vídeo divulgado pelo Palácio do Planalto em grupos de Whatsapp negando que um golpe de estado tenha instaurado no Brasil a ditadura militar, que completou 55 anos. A Secretaria de Imprensa da Presidência confirmou o envio do material a jornalistas, mas não soube dizer quem o produziu e tampouco quem o teria distribuído.
Além do caráter histórico, o PCB foi pioneiro em nacionalizar o debate político no Brasil, antes restrito às fronteiras estaduais, tratando basicamente dos temas relacionados a cada região do país.
“O PCB traz esse elemento novo no quadro político brasileiro que era de ser um partido que buscava pensar sua atuação em âmbito nacional. Na primeira República tínhamos partidos com características regionalizadas, de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais. O Congresso de fundação do partido, que se iniciou no Rio e terminou em Niterói, reuniu trabalhadores de múltiplas funções como barbeiros, vassoureiros, alfaiates, jornalistas”, lembrou Heitor.
“Eles buscavam construir um partido que se espelhasse no sucesso da Revolução Russa, que pela primeira vez colocou um governo a serviço dos trabalhadores, e também refletir um pouco do desenvolvimento da luta de classes no próprio país. No final do século XIX, início do século XX, tivemos uma ebulição de indústrias surgindo, o que mudou o perfil da população urbana introduzindo essa classe operária nascente como uma espécie de novos atores políticos e, através das greves e 1917, 1918, começaram a chegar à maturidade”, continuou.
A decadência da experiência comunista no planeta, processo originado nos países do leste europeu, se deve a transformações ocorridas nas nações que adotaram o socialismo como doutrina, bem como por ameaças externas ao regime.
“O processo de crise e queda, principalmente da União Soviética, se dá muito por um colapso interno gerado por um conjunto de reformas naqueles países. Não que não fosse necessário, mas a maneira como foi desencadeado o processo de reforma diante de alguns problemas estruturais que tinham raízes históricas naqueles países potencializou um conjunto de crises internas, isso sem levar em conta toda a pressão internacional, toda tentativa de sufocar aquelas experiências, havia um cerco mundial às experiências socialistas”, avaliou o historiador.
Ouça a entrevista de Heitor Cesar Oliveira na íntegra: https://soundcloud.com/programafaixalivre/fl-01-04-2019_2-heitor-cesar
http://www.programafaixalivre.com.br/noticias/heitor-cesar-momento-dificil-para-se-assumir-democrata-no-brasil/?fbclid=IwAR1QqA3o8SOSZMcqlnql7hc14OJYIz9yrA3biR_Y6mEEvt0TNL6grZdNEu4

terça-feira, 2 de abril de 2019

Hamas repudia visita de Bolsonaro a Israel e pede 'retratação'


© Mohammed Salem 

Hamas: movimento islamita divulgou uma nota crítica à visita do presidente Jair Bolsonaro a Israel

São Paulo — O movimento islamita Hamas divulgou nesta segunda-feira (01) uma nota crítica à visita do presidente Jair Bolsonaro a Israel, em um gesto que foi considerado uma “violação às leis e normas internacionais”.

Publicado no site do grupo, que é considerado a maior organização islâmica nos territórios palestinos, o texto repudia a visita de Bolsonaro ao Muro das Lamentações, além da decisão de criar um escritório comercial do Brasil em Jerusalém.

“O movimento Hamas condena veementemente a visita do presidente brasileiro Jair Bolsonaro à ocupação israelense como um movimento que não apenas contradiz a atitude histórica do povo brasileiro, que apoia a luta pela liberdade do povo palestino contra a ocupação, mas também viola as leis e normas internacionais”, diz trecho da nota.

Para eles, Bolsonaro e o Brasil precisam se retratar pela visita. “O Hamas conclama o Brasil a reverter imediatamente essa política que é contra o direito internacional e as posições de apoio do povo brasileiro e dos povos da América Latina”.

O grupo pede, ainda, que outras organizações pressionem o governo do Brasil para reverter a sinalização de que o país está ao lado de Israel na disputa pelo território da região.

“O Hamas chama a Liga Árabe, a Organização da Cooperação Islâmica e todas as organizações internacionais para pressionar o governo brasileiro a derrubar esses movimentos que apoiam a ocupação israelense e fornecem cobertura para seus abomináveis ​​crimes e violações contra o povo palestino”, conclui.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

1964: a infâmia, a cicatriz e o bufão


BLOG DA BOITEMPO

Por Mauro Luis Iasi
Cicatrizes são como folhas secas: já foram verdes já foram vivas já foram corte já foram dor Cicatrizes são coisas passadas Que não se foram
O Golpe de 1964 é uma cicatriz histórica marcada na carne de nosso país e na alma de nosso povo. Uma marca histórica que nos mantém viva a memória necessária para que jamais se esqueça e jamais se repita a infâmia cometida.
A tentativa de ressignificação em curso é mais do que uma desinformação e uma manipulação grosseira de um fato histórico, é a tentativa de cobrir a infâmia com uma grossa camada ideológica que tenta acobertar crimes apresentando-os como atos redentores e encobrindo seu verdadeiro significado, os interesses de classe envolvidos e os sujeitos que perpetraram a infâmia.
Mas, afinal, por que seria necessário tal encobrimento? No final da Ditadura implantada em 1964, o General Golbery operou uma ação que apontava em um sentido diverso do encobrimento. Dizia à época que era necessário colocar os cadáveres da Ditadura para fora do armário e operar a chamada transição lenta, gradual e segura que colocasse um ponto final no evento – daí a concepção da anistia ampla e irrestrita para quem lutou contra a ditadura, mas também para os carrascos e torturadores. Tratava-se de colocar à luz do dia para ser vivida e superada a dor do ato brutal contra um país, para então esquecê-lo.
A catarse do espetáculo acabou por favorecer os interesses das classes dominantes, uma vez que o horror dos porões revelados escondia os reais sujeitos do terror. Os militares foram fiéis executores, mas não passaram de serviçais dedicados de seus mestres. Os mandantes da infâmia não estavam nos quartéis, nem mesmo no alto comando das Forças Armadas, estavam em luxuosos escritórios das grandes empresas monopolistas, no Brasil e nos EUA. O Golpe de 1964 foi um golpe das classes dominantes, do grande capital monopolista e seus aliados latifundiários e do imperialismo norte-americano. Tratou-se de um ato terrorista tramado com auxílio direto da Embaixada estadunidense, do Departamento de Estado dos EUA e da CIA, executado pelos títeres militares brasileiros.