quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Nazismo: o culto ao mal absoluto e o erro nas comparações fáceis

 

Adolph Hitler 

(*)Tânia Maria de Oliveira

 

17 de fevereiro de 20221


A filósofa alemã Hannah Arendt, em suas reflexões sobre as origens do totalitarismo, jogou luz sobre as possibilidades de compreendermos formas de governo em nosso mundo que exigem de nós um imenso esforço reflexivo já que, em princípio, devemos levar em conta que toda forma de regime político encontra dentro de si uma complexidade de mecanismos característicos que tornam possível sua existência. 

A História da humanidade que mostrava o jogo de interesses e a tomada de poder como objetivos dos líderes dos tipos de governos existentes sofreu na primeira metade do Século passado um movimento que se desenvolveu para além do interesse político e econômico. Ao  nos introduzir na observação sobre um movimento cujo objetivo principal era a dominação mundial, Arendt apontou fatos históricos que fugiam a uma análise puramente acadêmica, com causas não identificáveis para sua presença em um mundo civilizado.

A monstruosidade dos campos de concentração, de trabalhos forçados e de extermínio, câmaras de gás e as diversas formas de eliminação de seres humanos, incluindo experiências “médicas” infames e repugnantes com objetivos racistas feitos com pessoas consideradas geneticamente indesejáveis, fizeram com que o nazismo se diferenciasse de qualquer tirania, governo despótico ou qualquer outra espécie de ditadura até então conhecida.Descrição: .

Com o fim da Segunda Guerra  o nazismo tornou-se crime na Alemanha e em diversos países, incluindo o Brasil. Não apenas sua prática, mas a propagação de ideias em quaisquer de suas formas. A apologia do nazismo se enquadra na Lei 7.716/1989 segundo a qual é crime “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” e ainda “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”.

Essa lei é respaldada pela Constituição de 1988, que classifica o racismo como crime inafiançável e imprescritível.

Na outra ponta, no Brasil do Século XXI a liberdade de expressão, princípio fundamental em todas as democracias contemporâneas, virou joguete de retórica na voz da direita militante, sejam autoridades ou formadores de opinião em geral. E encontra ressonância, também, em fundamentos trazidos por alguns militantes, juristas e comunicadores de esquerda.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Lula se posiciona contra venda da Eletrobrás e pede que empresários sérios não embarquem no esquema

 

Ex-presidente também criticou os "vendilhões da pátria" e destacou que a Eletrobrás é uma "empresa estratégica para o Brasil"

16 de fevereiro de 202227

Eletrobras, ato contra a privatização da estatal e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: ABr | Stuckert)

 

247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou, nesta quarta-feira (16), os empresários brasileiros para não apoiarem a privatização da Eletrobrás, após o Tribunal de Contas da União (TCU) dar o primeiro aval, nessa terça-feira (15), para a entrega da empresa à iniciativa privada. 

"Eu espero que os empresários sérios que querem investir no setor elétrico brasileiro não embarquem nesse arranjo esquisito que os vendilhões da pátria do governo atual estão preparando para a Eletrobrás, uma empresa estratégica para o Brasil, meses antes da eleição", escreveu o petista no Twitter. 

O TCU aprovou a proposta por 6 votos a 1. O ministro do TCU Vital do Rêgo e afirmou que "nenhum país cuja matriz elétrica possua hidroeletricidade como parte significativa [caso do Brasil] privatizou seu setor elétrico"

A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), também criticou, nessa terça, a privatização da Eletrobrás e destacou que recorrerá ao Judiciário para impedir a iniciativa do governo Jair Bolsonaro. 

EM TEMPO: O que a sociedade brasileira deve fazer é apresentar as devidas reivindicações ao pré-candidato a presidência Lula. Aqui em Garanhuns, temos a apresentar a proposta da CODEVAM, a qual já foi aprovada CLP.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Biden defende para Ucrânia os mesmos princípios que os EUA negam a Cuba há 61 anos

Joe Biden (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

15 de fevereiro de 2022

EUA defende apenas retoricamente e cinicamente os direitos à autodeterminação dos povos, soberania, independência e autonomia imanente a toda nação soberana


   


(*) Jeferson Miola                                                     

Em pronunciamento nesta 3ª feira [15/2], o presidente dos EUA Joe Biden disse que “não vamos sacrificar os princípios básicos de que as nações têm direito à soberania e à integridade territorial. Os países têm a liberdade de estabelecer seu próprio caminho e é correto que saibam com quem se associar”. Assino embaixo. Biden se referia à Ucrânia. E por isso ele defendia, no entanto, apenas retoricamente e cinicamente, os princípios do direito internacional que os EUA negam a Cuba há 61 anos – os direitos à autodeterminação dos povos, à soberania, à independência e à autonomia imanente a toda nação soberana.

Descrição: .

Não deixa de ser irônico e, também, cínico, Biden evocar o princípio do direito “à integridade territorial” ao mesmo tempo que seu país mantém, desde o ano de 1903 do século passado, um enclave dentro do território de Cuba, que é a base de GuantánamoGuantánamo é uma área de 116 Km2 ocupada e sob jurisdição completa dos EUA há 119 anos por imposição do império estadunidense como contrapartida à intervenção depois da guerra de independência de Cuba contra a Espanha [1898].

Depois da conquista da independência, Cuba foi pressionada pelo governo do presidente Theodore Roosevelt a incluir a chamada Emenda Platt na primeira Constituição do país. Esta Emenda obrigava a ilha caribenha a ceder aos EUA, “pelo tempo necessário”, ou seja, perpetuamente, partes do seu próprio território. Sem dúvida, uma modalidade de obsceno e perpétuo colonialismo e de grotesca pirataria.

Em 2002, durante o governo Bush, os EUA construíram em Guantánamo um centro ilegal de detenção, de tortura e de assassinatos de supostos inimigos do país no contexto da “guerra preventiva contra o terror”. Tudo feito à margem do direito internacional, do devido processo legal, dos valores civilizatórios e das resoluções da ONU.

Na tensão presente da aliança EUA-OTAN contra a Rússia, o governo Biden vem amargando sucessivas derrotas e se expondo ao ridículo. Mais além disso, porém, no contexto da mudança qualitativa do jogo geopolítico mundial ditada pela iniciativa coordenada entre China e Rússia, os EUA passaram a atuar como aqueles jogadores em posição de desvantagem que cometem erros elementares e acentuam contradições fundamentais.

Para ser minimamente sério e confiável, Biden deveria [i] iniciar entendimentos para devolver a Cuba a soberania do território que usurpa há 119 anos, e [ii] levantar imediatamente o bloqueio ilegal e as sanções ilegais e criminosas impostas a Cuba e ao seu povo.

Joe Biden, o presidente de turno do poder imperial, faz uma ode ao cinismo e a hipocrisia. Na guerra que sonha desatar contra a Rússia, ele defende para a Ucrânia os mesmos princípios do direito internacional que os EUA negam a Cuba há 61 anos.

(*) Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

PCB lança Sofia Manzano pré-candidata à presidência da República

 

O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), reunido neste final de semana, decidiu lançar a professora Sofia Manzano pré-candidata a presidência da República. 

Economista, doutora em História Econômica pela USP e militante do PCB desde os 17 anos, Sofia Manzano é professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e tem longa trajetória nas lutas da juventude e do movimento sindical. Membro do Comitê Central do PCB, foi presidenta da União da Juventude Comunista (UJC), participou ativamente na reconstrução revolucionária do PCB e, no movimento sindical, foi vice-presidente da ADUSB- seção sindical do ANDES.

A pré-candidatura da professora Sofia representa uma alternativa de esquerda para a crise brasileira e se propõe a qualificar o debate sobre uma saída popular para os graves problemas que afligem os (as) trabalhadores (as), a juventude e a população em geral. 

Num momento em que a maioria das forças políticas está propondo alianças com setores que não só apoiaram o golpe de 2016, mas que também são responsáveis pela tragédia que estamos vivendo, a pré-candidatura de Sofia Manzano significa um contraponto que aponta para a reconstrução do Brasil na perspectiva do poder popular, mediante um programa que busca uma transformação radical da sociedade brasileira.

Para a economista, o Brasil vive atualmente uma dramática crise econômica, social e politica, com a perspectiva de um PIB negativo este ano, com cerca de 20 milhões de desempregados, se somarmos o desemprego oficial ao desemprego oculto, 20 milhões de pessoas nas filas da fome e disputando ossos e pelancas de carne nos caminhões de lixo. Alia-se a isso, a maior queda no poder aquisitivo dos trabalhadores nos últimos 20 anos e o aumento da inflação que vem corroendo o poder de compra da população e aumentando ainda mais a fome e a miséria da população.

Numa conjuntura dessa ordem –diz a dirigente do PCB – os setores dominantes se aproveitam do caos para avançar sobre as condições de existência da classe trabalhadora, precarizar as condições de vida, avançar sobre o fundo público e saquear o Estado mediante as privatizações e contrarreformas. “Se não bastassem a miséria e a fome que se espalham pelo país, a violência e a degradação ambiental compõem o quadro de barbárie em que estamos vivendo. 

É ainda resultado dessa política criminosa do governo Bolsonaro a violência contra as mulheres, indígena e quilombola, LGBTs, a espoliação dos recursos naturais pela grilagem de terra e destruição ambiental, bem como o assassinato diário de crianças e jovens negros e pobres por uma política de segurança criminosa desse governo”.

Para Sofia, o governo Bolsonaro é o operador político da tragédia que o Brasil está vivendo, mas a burguesia brasileira é a principal responsável por essa crise, porque foi articuladora do golpe de 2016, apoiou a eleição de Bolsonaro e está unida na destruição dos marcos civilizatórios do país. Portanto, a população brasileira precisa, nesta eleição, de uma candidatura que apresente um programa que enfrente estruturalmente os problemas que afligem o país. 

A começar pela revogação das contrarreformas, do teto de gastos, da lei de responsabilidade fiscal e medidas emergenciais para resolver o problema do desemprego, da fome, da moradia, da miséria e da recuperação dos salários, mas indo além, no sentido de construir um processo de desenvolvimento em que o operador político seja o poder popular.

Para a economista, esses problemas só poderão ser resolvidos com a pressão das massas nas ruas, condição indispensável para qualquer processo de mudanças em nosso País. Sofia afirma ainda que não haverá nenhuma mudança substancial da vida dos trabalhadores, enquanto não se conseguir a difícil tarefa de reorganizar o movimento sindical e popular. 

A candidatura do PCB servirá também para isso: aglutinar os lutadores e lutadoras que já se cansaram dessa conjuntura dramática e organizar nosso povo para as transformações sociais. Por isso, Sofia Manzano ressalta que é fundamental o chamado às manifestações e avanço das lutas sindicais e populares para derrotar esse governo.

Sofia Manzano é formada em Ciências Econômicas pela PUC – SP, tem mestrado em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp e doutorado em História Econômica pela USP. Paulistana de 50 anos, vive na Bahia há 9, é casada e mãe. Além de sua atuação política na reconstrução revolucionária do PCB, teve importante atuação, pela UJC, na reconstrução do movimento comunista internacional após o fim da URSS. Foi candidata à vice-presidente da república, em 2014, na chapa com Mauro Iasi.

Assessoria de Comunicação do PCB

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Menino de 9 anos, filho de líder rural, é assassinado a tiros em PE

 

Yahoo, Redação Notícias

dom., 13 de fevereiro de 2022

 

Filho do líder rural Geovane da Silva Santos foi assassinado a tiros em Barreiros (PE) - Foto: Reprodução/Twitter



·         Uma menino de 9 anos, filho de um líder rural, foi assassinada a tiros dentro de casa por encapuzados

·         Pai é presidente da associação de moradores de engenho; local é considerado área de litígio agrário

·         Advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) afirmou que o alvo da quadrilha era o pai da criança

Um menino de 9 anos, filho de um líder rural, foi assassinada a tiros dentro de casa, em Barreiros (PE), por um grupo encapuzado. "Disseram que era a polícia", afirmou ao portal G1 Geovane da Silva Santos, pai da vítima e presidente da associação de moradores de engenho, que levou um tiro no ombro. O local é considerado uma área de litígio agrário, de acordo com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape). A execução aconteceu quando o garoto tentava se esconder com a mãe embaixo da cama. Ela e mais três crianças estavam no local, mas não sofreram ferimentos.

Por meio de nota, a Polícia Civil informou que pai e filho foram levados para Hospital de Barreiros, mas a criança "não resistiu". O crime aconteceu às 21h40 de quinta (10). "Ouvi o barulho na parte de trás e fui ver o que era. Eles entraram, passaram por mim e foram para o quarto. Pegaram o menino, que estava embaixo da cama com a mãe, e atiraram", declarou ao G1 Geovane da Silva Santos.

O advogado Plácido Júnior, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), afirmou que o alvo da quadrilha era Geovane. "Chegaram ao local gritando por Jeová, um nome bem parecido", afirmou ao G1. Ele também disse que foi encontrada uma área em que possivelmente os assassinos montaram uma campana para acompanhar os movimentos da residência do líder rural.

Segundo ele, um dos encapuzados ainda teria tentado impedir a morte da criança. "As testemunhas apontaram que um dos homens teriam dito que não deveriam fazer aquilo com o menino", observou o defensor. A polícia abriu um inquérito para apurar o homicídio e a tentativa de assassinato. O delegado titular de homicídios de Palmares, Marcelo Queiroz, foi designado para apurar o fato. A Delegacia Seccional de Palmares e a Delegacia de Barreiros estão dando apoio nas investigações. A Polícia Militar também foi acionada.

Nesta sexta, o velório e o enterro do menino assassinado reuniu parentes e vizinhos. Moradores da cidade realizaram um protesto até o início da cerimônia de despedida. Segundo informações de agricultores do Engenho Roncadorzinho, a casa de Geovane da Silva Santos já tinha sido alvo de outros atentados. A Fetape e a CPT informaram que fizeram denúncias sobre os problemas envolvendo a comunidade.

Representante da Fetape, Bruno Ribeiro disse que vivem no engenho cerca de 60 famílias de trabalhadores rurais. Todas atuam em lavouras de subsistência. Muitas dessas famílias, afirmou, são compostas por ex-trabalhadores da Usina Santo André, que, há 20 anos, entrou em processo de falência.

Há 15 anos, acrescentou Ribeiro, uma empresa agropecuária, a Javari, arrendou a área judicialmente. Nos últimos anos, a federação passou a atuar para evitar o despejo dessas famílias. "Atuamos para fazer a conciliação e evitar que essas pessoas fossem prejudicadas. Isso ocorreu em dezembro de 2021, mas depois veio o recesso do Judiciário. As coisas estavam calmas lá", declarou ao G1.

Por meio de nota, o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara Federal, deputado Carlos Veras (PT), cobrou a apuração rigorosa da morte do menino. Segundo o parlamentar, "é estarrecedor saber que uma criança tenha sido assassinada dessa forma".

Ainda de acordo com a nota, foram enviados ofícios para o governador do estado, para o procurador-geral de Justiça e para o secretário de Defesa Social de Pernambuco. A Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife encaminhou uma carta ao governo do estado, em que cobra rigor nas investigações do assassinato da criança. A carta também fala de uma possível ligação do crime com o conflito agrário e faz um apelo para que o governador disponibilize todos os meios para solução e punição dos responsáveis pelo crime.

EM TEMPO: Curioso é que alguns setores da mídia pernambucana ficam em silêncio diante de um crime bárbaro dessa natureza. 

Delegada da PF mandou recado à família Bolsonaro e seus amigos


Ao enviar relatório a Moraes sobre gabinete do ódio, delegada alerta que PF sabe que a fábrica está dentro do poder e certamente com o conhecimento de Bolsonaro

 

 

Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes (Foto: Adriano Machado/Reuters | Rosinei Coutinho/SCO/STF)

(*) Por Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia

O relatório da delegada Denisse Ribeiro, da Polícia Federal, encaminhado a Alexandre de Moraes com informações sobre as fake news tem duas novidades a partir de uma informação antiga. A informação velha é esta: a fábrica de notícias falsas, ataques, dossiês e difamações funciona, com todas as engrenagens, dentro do Palácio do Planalto. Nada de novo.

A partir dessa informação emergem as duas principais notícias. A primeira salta de dentro do relatório: atitudes suspeitas ou criminosas de Bolsonaro têm conexão “e semelhança no modo de agir” com o núcleo das fake news e possivelmente por este são abastecidas. Bolsonaro está no esquema. A segunda informação não faz parte do conteúdo do despacho. É o alerta produzido pela própria atitude da delegada ao alcançar o documento a Moraes. A investigadora está dizendo oficialmente pela primeira vez, em comunicado ao relator do inquérito, com base no que apurou até agora, que a PF sabe que a fábrica está dentro do poder e certamente com o conhecimento de Bolsonaro.

A delegada diz para que todos saibam: a PF avisa ao Supremo e a quem interessar que a produção, o financiamento e a disseminação de fake news são parte da estrutura de poder. Não se trata de uma engrenagem paralela, como muitas que se formam em escaninhos de governos. É uma estrutura orgânica, da lógica do bolsonarismo, no ventre do Planalto. Não é a imprensa que diz, é a polícia. A partir daí, podemos concluir, mesmo que muito mais não se saiba ainda, que a PF já tem elementos para apontar Bolsonaro, os filhos e o entorno como mantenedores de um esquema que ocupa salas, com equipamentos e gente do governo.

É uma estrutura física, com servidores pagos pelo setor público, fincada no palácio. A facção das fake news é um apêndice grudado à administração. E aí alguém pode perguntar: mas qual é a novidade disso, se a imprensa já lidou muito com essas evidências? A novidade é que os indícios aparecem em investigações e agora num documento da Polícia Federal, levado ao conhecimento do ministro Alexandre de Moraes, quase que como um recado, mesmo que involuntário.

A PF está advertindo que as investigações chegaram a Bolsonaro, aos amigos e a outros que são próximos deles. E quem são e quantos são, além dos já conhecidos? É o que saberemos mais adiante, quando for desvendando o esquema de operação e de financiamento do gabinete de gestão e das suas milícias digitais. A perda a lamentar é que a delegada se retira do inquérito para desfrutar de licença maternidade. Claro que vamos desejar um bom período de licença à servidora, a mesma que já havia apontado o crime de Bolsonaro no vazamento de inquérito da PF sobre o ataque hacker ao TSE.

Fica a apreensão em relação ao andamento das sindicâncias, mesmo que Alexandre de Moraes já tenha dado sinais de que não irá afrouxar na condução dos inquéritos que têm a família no centro das investigações. Desejamos saúde à delegada e ao seu bebê. E que o seu substituto continue o que vem sendo feito. Os Bolsonaros não podem se sentir confortáveis com o afastamento da delegada.

(*) Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

EM TEMPO: É isso aí Bozo.  Seu dia de ir para os tribunais,  está próximo

sábado, 12 de fevereiro de 2022

PSOL aprova pontos programáticos para construção da unidade das esquerdas nas eleições de 2022

Em reunião da sua Executiva Nacional nesta sexta-feira (11), o PSOL decidiu pela abertura de negociações com o PT e demais partidos de esquerda para firmar uma aliança eleitoral nas eleições de 2022 em torno da candidatura do ex-presidente Lula. Para isso, aprovou os pontos programáticos que nortearão as conversas. A abertura oficial das discussões ocorrerá em um ato dia 16, em Brasília, e contará com coletiva de imprensa e presença dos presidentes de partidos.

Os três principais itens programáticos aprovados para basear as negociações com o PT e apoio à candidatura de Lula foram o apoio à revogação das medidas implementadas após o golpe de 2016 (reforma trabalhista, reforma da previdência e Teto de Gastos); o enfrentamento à crise climática com medidas para financiar a transição energética, defesa de um novo modelo de desenvolvimento da Amazônia, desmatamento zero, garantia de direitos aos povos indígenas, tradicionais e quilombolas; e a proposição de uma reforma tributária que diminua a taxação no consumo de bens essenciais e populares e foque na taxação de renda e propriedade, incluindo a criação de impostos dos super-ricos/bilionários.

De acordo com as resoluções, o PSOL tem como principal tarefa a derrota de Bolsonaro. Para isso, reconhece como necessária a unidade dos partidos de esquerda e a criação de um programa capaz de enfrentar a crise que o Brasil vive.

“Vencer as eleições é só o primeiro passo. Além disso, precisaremos de um programa que derrote, ao mesmo tempo, o neoliberalismo e a extrema-direita. Para ser implementado, esse programa enfrentará a resistência de setores poderosos, o que vai exigir disposição para o conflito e a mobilização popular”, afirma Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL, que comporá a comissão de negociação junto com a deputada federal Talíria Petrone e Guilherme Boulos.

No dia 16 de fevereiro, às 10h, será feito, em Brasília, o ato “Direito ao futuro: diálogos do PSOL para reconstruir o Brasil”, com coletiva de imprensa. Durante o evento serão lançados oficialmente os eixos programáticos e abertos os debates com a militância, o conjunto das esquerdas, representada pelos presidentes de partidos, e movimentos sociais sobre as medidas necessárias para a superação da crise no país.

Federações

Durante a reunião da Executiva Nacional também foi aprovada uma resolução sobre federações, prorrogando em 15 dias as atividades do grupo de trabalho formado para debater a questão. “Já estamos bem avançados nas conversas com a Rede, mas ainda há um importante caminho a ser percorrido, especialmente no que diz respeito à tática eleitoral nacional e nos estados”, afirma Medeiros.

De acordo com o documento, o PSOL não abdica de ter, no âmbito da federação, uma definição comum sobre a eleição presidencial, preservando a soberana prerrogativa de cada partido para tomar definições complementares na orientação a seus filiados.

EM TEMPO: É uma importante iniciativa do PSOL. Temos que agir no terreno das reivindicações. Muitas delas são tão lógicas  que sequer  têm questionamentos. Acrescentaria a anulação das vendas das Refinarias da Petrobrás, o impedimento de privatizar a Eletrobrás, Correios, BB, CEF, dentre outros. Também incluiria o fortalecimento do SUS, do combate a COVID,  da Educação, etc. Quer dizer temos muitas reivindicações para fazer ao próximo governo Lula, uma vez que o governo Bozo vai deixar o país em terra arrasada. Para  Garanhuns, incluindo as cidades   que se localizam à margem do Rio Mundaú, vamos lutar pela implantação da CODEVAM (Companhia de Desenvolvimento do Vale do Mundaú), cuja proposta já foi aprovada na CLP (Comissão de Legislação Participativa) da Câmara dos Deputados. Outra coisa a considerar é que o próximo governo Lula não deve cair na armadilha de nomear pessoas para cargos de confiança que não rezem na cartilha do governo. Outro assunto é a questão dos agrotóxicos e lutarmos contra a "Lei do Veneno". É isso aí moçada!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Gabinete do Ódio apoia organização criminosa que espalha fake news, diz PF

 


Segundo reportagem do jornal O Globo, relatório preliminar da Polícia Federal aponta que milícia digital bolsonarista usa estrutura do gabinete que funciona dentro do Palácio do Planalto

Sítio do PT em  11/02/2022

PF enxerga elo direto entre Planalto e ataque à democracia

Investigação da Polícia Federal aponta que os ataques à democracia feitos pela milícia digital bolsonarista utiliza a estrutura do Gabinete do Ódio, grupo formado por assessores de Jair Bolsonaro que trabalham dentro do Palácio do Planalto e é fortemente ligado ao vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro. As informações são do jornal O Globo.

Segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (11) pelo jornal, a constatação dessa relação direta entre o Gabinete do Ódio e a milícia digital está em um relatório parcial enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela delegada Denisse Ribeiro. A investigação faz parte do inquérito sobre as fake news, aberto no ano passado por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes e no qual Bolsonaro foi incluído.

“Identifica-se a atuação de uma estrutura que opera especialmente por meio de um autodenominado ‘gabinete do ódio’: um grupo que produz conteúdos e/ou promove postagens em redes sociais atacando pessoas (alvos) – os ‘espantalhos’ escolhidos – previamente eleitas pelos integrantes da organização, difundindo-as por múltiplos canais de comunicação, em atuação similar à já descrita outrora pela Polícia Federal, consistente no amplo emprego de vários canais da rede mundial de computadores, especialmente as redes sociais”, afirma um trecho do relatório, segundo o jornal.

Tratamento precoce

Ainda de acordo com O Globo, no relatório, produzido para apresentar um panorama das investigações das milícias digitais até o momento, a PF também sustenta que a organização criminosa digital foi usada  para disseminar notícias falsas sobre medicamentos ineficazes contra a Covid-19, o chamado “tratamento precoce”.

“A análise em curso aponta também para existência de eventos que, embora não caracterizem por si tipos penais específicos, demonstram a preparação e a articulação que antecedem a criação e a repercussão de notícias não lastreadas ou conhecidamente falsas a respeito de pessoas ou temas de interesse. Como exemplo, entre outros, pode-se citar a questão do tratamento precoce contra a COVID-19 com emprego de hidroxicloroquina/cloroquina e azitromicina, bem como a menção à elaboração de dossiês contra antagonistas e dissidentes, inclusive com insinuação de utilização da estrutura de Estado para atuar ‘investigando todos’”, diz outro trecho do documento reproduzido pela reportagem.

Da Redação

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Câmara aprova projeto de lei que flexibiliza entrada de mais agrotóxicos no Brasil

 

ESTADÃO - André Borges

© Dida Sampaio/Estadão O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, no plenário durante votação do Projeto de Lei que flexibiliza o uso de agrotóxicos no Brasil 

 

BRASÍLIA – O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 9, o projeto de lei que flexibiliza a entrada de novos agrotóxicos no País. Após forte resistência da oposição, o texto base foi submetido à votação pelo plenário da Casa e acabou aprovado por 301 votos a favor e 150 votos contrários à proposta. Agora, o texto de relatoria do deputado federal Luiz Nishimori (PL-PR) segue para discussão e votação no Senado.

Desde o ano passado, a oposição tentou impedir o avanço do PL 6299/02, cunhado pelos ambientalistas como o “PL do Veneno”. A forma de definir os agrotóxicos, inclusive, foi uma das preocupações da bancada ruralista, que determina que, oficialmente, esses produtos químicos não sejam mais chamados de agrotóxicos, mas sim de “pesticidas”.

Durante as discussões que antecederam a votação, o próprio relator Nishimori chegou a afirmar que ele mesmo gostaria que o País só consumisse alimentos orgânicos, mas que o mercado para isso ainda era muito pequeno. “Se fosse só alimento orgânico, seria melhor, mas ele é só 1% do mercado”, disse, durante a sua exposição e defesa de sua proposta.

Ambientalistas são taxativos em demonstrar, tecnicamente, que as novas regras enfraquecem a atuação do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama no controle e autorização dessas substâncias. Pelo texto, essa missão passa a ficar concentrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

“É gravíssimo que a Câmara tenha aprovado um projeto de lei que permitirá que se coloque mais veneno no prato dos brasileiros. Se virar lei, iremos à Justiça para proteger a vida dos brasileiros e evitar que milhares e milhares de brasileiros venham a morrer de câncer”, disse ao Estadão o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ).

Em 2018, o Ibama e a Anvisa apontaram que a proposta aprovada é inconstitucional e possui falhas que prejudicariam a fiscalização dos produtos, colocando em risco a saúde da população. O Ministério da Agricultura e a Frente Parlamentar da Agricultura, no entanto, afirmam que o tema é tratado com "preconceito e ideologia" e que precisa ser modernizado. O mesmo argumento foi sustentado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que defendeu a legalidade do projeto de lei.

A Frente Parlamentar Agropecuária comemorou a votação e declarou que o projeto traz “o aperfeiçoamento e a modernização do que se tem hoje, além de igualar o Brasil às maiores potências agropecuárias do mundo, com mais rigor científico e desburocratização dos trâmites”.

Numa comparação do veneno com as vacinas contra a covid-19, a FPA declarou que “vacinas salvam vidas, pesticidas salvam as lavouras”. Segundo a frente da bancada ruralista, “os pesticidas são vacinas para as plantas e a salvaguarda nos plantios”, além de “garantia de remédios de qualidade e eficiência para as produções e a certeza de alimentos ainda mais seguros”.

Kenzo Jucá, assessor legislativo do Instituto Socioambiental (ISA), classifica a aprovação como “uma catástrofe” à sociedade e ao meio ambiente. "As consequências negativas são diversas, desde as mais visíveis, como aquelas relacionadas ao aumento do número de pacientes com câncer, consequência direta do consumo de substâncias tóxicas que seriam comercializadas sem a devida regulação sanitária e ambiental”, afirmou.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Lula atinge 45% contra 23% de Bolsonaro em nova pesquisa

Yahoo, Redação Notícias

qua., 9 de fevereiro de 2022

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com folga o pleito. Foto: REUTERS/Carla Carniel.





·         Levantamento foi realizado pela Quaest/Genial

·       Nenhum outro candidato pontuou dois dígitos

·         Lula ganha em todos os cenários de segundo turno

Com 45% das intenções de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com possibilidade de vitória em primeiro turno na corrida eleitoral de 2022, conforme demonstrou a pesquisa Quaest/Genial, divulgada nesta quarta-feira (9). A pesquisa levantou também que mais da metade dos entrevistados considera sua decisão de voto definitiva, o que explica a pouca diferença entre as pesquisas eleitorais nos últimos meses.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) fica em segundo lugar, com 23% das intenções de voto. Nenhum outro nome incluído na pesquisa pontuou mais de dois dígitos. Em todos os cenários de segundo turno simulados, o ex-presidente Lula segue levando a vitória. Contra Bolsonaro, ganharia com 54% dos votos, contra 30% do atual mandatário. Contra o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), seria 52% a 28%. Ciro Gomes (PDT), 51% a 24%. Contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), 55% a 16%. E André Janones (Avante) 56% a 14%.

Simulações de primeiro turno

Na pesquisa espontânea - aquela que os entrevistados dizem o nome de seu candidato, sem escolhê-lo de uma lista -, Lula fica com 28% dos votos, seguido de Bolsonaro com 16%, enquanto todos os outros candidatos teriam 4%. Nesse caso, quase metade (48%) diz estar indeciso, enquanto 4% afirma que anularia ou votaria em branco. Com os nomes apresentados, o petista lidera com 45%, enquanto Bolsonaro tem 23% das intenções de voto. Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (Podemos) empatam na terceira posição, com 7% cada.

João Doria (PSDB) e André Janones (Avante) tiveram 2% cada, e Simone Tebet (MDB) marcou 1%. Rodrigo Pacheco (PSD) e Felipe D’Ávila (Novo) não pontuaram. Já nulos e brancos somam 8%, e os indecisos são 5%. Com isso, o petista marca 3 pontos percentuais a mais que a soma dos votos de seus adversários.

Voto decidido

A Quaest também indagou sobre as decisões definitivas de voto. Dos entrevistados, 58% afirmam que não irão mudar de candidato, contra 40% que dizem que podem trocar, caso algo aconteça. Bolsonaro e Lula têm os eleitores mais fiéis. Dos que votarão no atual presidente, 65% afirma que a escolha é definitiva. Já entre o petista a certeza é ainda maior: 74% diz que não mudará seu voto.

Ciro vem em seguida, com 38% de seus eleitores decididos. Moro conta com 30% de seus eleitores totalmente decididos. Doria, com 27%. Foram entrevistados presencialmente 2 mil eleitores, de 16 anos ou mais, nas 27 unidades da Federação, entre os dias 3 e 6 de fevereiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95% (se 100 pesquisas fossem realizadas, 95 apresentariam os mesmos resultados dentro da margem de erro). A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral com o número BR-08857/2022.

EM TEMPO: Pelo andar da carruagem Lula está melhor posicionado, nas pesquisas, do que nas Eleições de 2002 e 2006. Há um ditado popular que diz: "um dia é do caçador, outro dia é da caça". 

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Vacine seus filhos, derrube o presidente e lute pelo SUS

 

Por Ana Karen Oliveira

Nos últimos dias, o novo embate entre o campo científico e político com os setores negacionistas e genocidas do governo de Bolsonaro está relacionado à vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a COVID – 19. As afirmações do presidente de que a mortalidade de crianças é quase zero não é real. 

O Brasil já tem 311 crianças de 5 a 11 anos mortas por Covid-19 desde o início da pandemia, número elevado em comparação a parâmetros internacionais, uma carga de doenças relevante entre essa população e milhares de internações. Além disso, as crianças muitas vezes são assintomáticas e estão transmitindo para adultos e idosos; podem ter sequelas neurológicas, renais e cardíacas da doença e estão sujeitas a quadros de potencial gravidade, como a COVID-19 longa e a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P).

O aumento da transmissibilidade da doença gerado pela variante Ômicron está diretamente relacionado com as novas ondas nos EUA e na Europa. Mesmo países com uma alta vacinação, como a Inglaterra, com 70% de sua população vacinada, estão com um número alarmante de novos casos. A vacinação auxilia a diminuir a transmissão e os casos graves e provavelmente estaríamos em um estado muito pior se alguns países não tivessem vacinado amplamente suas populações. 

Essas novas ondas nos mostram a necessidade de vacinarmos nossas crianças, bem como lutarmos para que a vacinação seja um direito de toda a população mundial e não um produto para conferir lucros bilionários para as grandes indústrias farmacêuticas. Por outro lado, é necessário ressaltar que a vacinação não é uma atividade individual, mas sim uma ação pela coletividade. Quando nos vacinamos estamos realizando uma medida de proteção populacional.

A obrigatoriedade da vacinação para crianças no Brasil e a aprovação da Anvisa das vacinas contra a Covid – 19 nessa faixa etária reforçam os apontamentos anteriores. Vários estudos internacionais demonstraram a eficácia e efetividade da vacinação neste grupo. Mais de cinco milhões de doses da Comirnaty foram aplicadas em crianças de 5-11 anos nos Estados Unidos da América (EUA) e em outros países, com dados de farmacovigilância não revelando eventos adversos de preocupação. No Brasil, as sociedades brasileiras de Pediatria, Imunologia, Infectologia e Medicina de Família e Comunidade emitiram notas se posicionando favoráveis à vacinação.