quinta-feira, 22 de abril de 2021

Cúpula do Clima começa com Brasil no banco dos réus

 

DW - Thomas Milz

 

Brasil poderá passar por uma situação constrangedora na Cúpula do Clima de Biden: um retrocesso para um país que já foi líder internacional em negociações ambientais.

© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil Declarações de que tudo está maravilhoso não vão livrar a cara de Bolsonaro e Salles na cúpula

Houve um tempo em que os demais países se voltavam para o governo brasileiro para quebrar um impasse e conseguir alcançar um resultado numa conferência do clima. Foi assim em 2009 em Copenhague, onde o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do francês Nicolas Sarkozy, salvou o encontro do fracasso.

soft power brasileiro, tradicionalmente baseado em futebol, samba e carnaval, havia então sido ampliado em uma competência nova e orientadora: liderança em política climática. Hoje, à véspera da cúpula virtual do clima convocada pelo presidente dos EUA, Joe Biden, acumulam-se as manchetes negativas sobre os problemas ambientais do Brasil.

No início da semana, 400 funcionários do Ibama declararam, em carta aberta, que as atividades de fiscalização estão paralisadas por causa de uma instrução normativa do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A chefia do Ibama, afirmam, não tem interesse em proteger o meio ambiente. Poucos dias antes a troca na Polícia Federal do Amazonas havia gerado manchetes. Lá, o superintendente Alexandre Saraiva havia enviado uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal, na qual denunciava Salles por sabotagem da fiscalização ambiental.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Ofício sobre uso de cloroquina pode ser prova contra governo em CPI

 


JULIA CHAIB e RENATO MACHADO

qua., 21 de abril de 2021,  Folhapress

 

*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 09-10-2019 - O senador Renan Calheiros (MDB-AL). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O senador Renan Calheiros (MDB-AL), futuro relator da CPI da Covid, já tem em mãos um ofício no qual o governo federal orienta a Fiocruz a divulgar e indicar a prescrição de cloroquina ou hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19.

Para membros da comissão, o documento poderá ser usado eventualmente como prova para imputar crimes a integrantes do governo Jair Bolsonaro na gestão da pandemia. Os senadores do grupo independente e de oposição que compõem a CPI definiram que uma das frentes de investigação deve ser a recomendação do uso de remédios sem eficácia comprovada contra a Covid, mais notoriamente da hidroxicloroquina.

Além da retórica do presidente da República, os parlamentares do colegiado querem apurar a atuação do Ministério da Saúde para incentivar o uso dos medicamentos por estados e municípios. O governo recentemente passou a adotar a narrativa de que apenas disponibilizou os medicamentos para os entes federados que solicitaram a hidroxicloroquina, por exemplo, e que a decisão final cabe aos médicos.

Na véspera de encontro ambiental, clima para o país nunca foi tão ruim

Yahoo Notícias - Matheus Pichonelli

qua., 21 de abril de 2021

Registro de queimadas no Amapá feito em outubro de 2020. Foto: Nelson Almeida / AFP) (via Getty Images)

Alexandre Saraiva, então chefe da Polícia Federal do Amazonas, era “o alvo a ser abatido” em uma troca de mensagens entre madeireiros interceptada em setembro de 2019.

No dia 14 de abril, o delegado foi enfim alvejado, como queriam os investigados. A decisão coube ao novo diretor-geral da PF, Paulo Maiurno.

No mesmo dia, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, mudou as regras para aplicação de multas ambientais e determinou que eventuais sanções só sejam autorizadas após análise de um supervisor. Para os fiscais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), isso equivale a instituir a figura de um censor nas ações de combate ao desmatamento. As mudanças em um posto-chave na Amazônia e das regras do combate ao desmatamento acontecem quase um ano após a famigerada reunião de 22 de abril entre Jair Bolsonaro e seus ministros, quando o presidente declarou que ia interferir na PF e ponto final. Foi o estopim para a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça. O resto é história.

Na mesma reunião, Salles defendeu que era preciso aproveitar as atenções da imprensa nas questões relacionadas à pandemia do coronavírus para passar a boiada nos marcos regulatórios fundamentais para a preservação do meio ambiente. Onze meses depois, tanto descaso fez com que os alertas de desmatamento na Amazônia em março de 2021 fossem os maiores já registrados desde o começo da série histórica, de acordo com dados do Inpe, o Instituto de Pesquisas Espaciais. Foram 367 km² de mata devastada, contra 327 km² do ano passado.

Entenda como funcionam e quem pode tomar os dois remédios para tratar a Covid-19 aprovados no Brasil

Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann

O Globo

qua., 21 de abril de 2021

·         Anvisa autorizou uso emergencial de dois remédios desenvolvidos a partir de anticorpos usados contra Covid-19

·                     Fármacos não serão vendidos em farmácias e só poderão ser aplicados em hospital

·         Esse é o segundo medicamento do tipo autorizado pela Anvisa; Primeiro foi remdesivir

No momento, há dois remédios aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratamento da Covid-19 no Brasil: o rendesivir e o coquetel casirivimabe + imdevimabe (Regn-CoV2). Este último foi autorizada nesta terça-feira, de forma unanime, pelo órgão regulador. Já o rendesivir foi aprovado em 12 de março.

Tanto o rendesivir quanto o coquetel Regn-CoV2 ficaram conhecidos por terem sido usados no tratamento do ex-presidente americano Donald Trump quando ele se infectou com o novo coronavírus. 

Abaixo estão perguntas e respostas sobre estes dois medicamentos:

·       Para que servem?

Rendesivir: O remédio é um antiviral e serve para impedir a replicação do vírus dentro do organismo infectado em estágios mais avançados da doença.

Regn-CoV2: O remédio também serve para impedir a replicação viral. Ele é feito a partir de anticorpos monoclonais, proteínas criadas em laboratório a partir de um único anticorpo natural e que imitam a maneira como nossos sistema imunológico combate o vírus.

·       Para quem é indicado?

Rendesivir: É indicado para pacientes com mais de 12 anos e mais de 40 quilos que estão com pneumonia e necessitam de suplemento de oxigênio, mas que ainda não estejam em ventilação mecânica.

Regn-CoV2: A indicação para a utilização dos chamados anticorpos monoclonais é para quadros leves e moderados da doença, em pessoas com comorbidades acima de 12 anos que possuem alto risco de progredir para formas graves de Covid-19.

São considerados fatores de risco para formas graves de Covid-19, pela Anvisa: idade avançada, obesidade, doença cardiovascular, incluindo hipertensão; doença pulmonar crônica, incluindo asma; diabetes mellitus tipo 1 ou tipo 2, doença renal crônica, incluindo aqueles em diálise; doença hepática crônica; e pessoas imunossuprimidas.

domingo, 18 de abril de 2021

Derrotar Bolsonaro e construir um novo rumo para o país

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

A crise brasileira se agrava de forma dramática. Chegamos ao final do primeiro trimestre de 2021 com o aumento da crise sanitária, econômica e social, cujos desdobramentos recaem diretamente sobre a classe trabalhadora. Vivemos uma tragédia social marcada pela estagnação econômica, com crescimento do desemprego, da miséria e da fome, além da precariedade dos serviços públicos.

O Brasil já ultrapassou a marca dos 360 mil mortos, com o colapso da rede hospitalar na maioria das cidades e o comprometimento do sistema de saúde pública em diversos Estados da Federação, o que aumenta, por sua vez, ainda mais, os impactos da miséria social sobre as famílias mais pobres em todo o país.

A taxa de desempregados e desalentados já atinge 21 milhões de trabalhadores/as, se somarmos os dados oficiais com os desalentados, além da alta nos preços dos alimentos da cesta básica, que já compromete cerca de 50% do salário mínimo. Esse impacto na vida da população, associado à diminuição do auxílio emergencial para patamares médios de R$ 250,00 por família, tem comprometido as condições de vida de milhões de brasileiros/as, o que já se pode ver pelas filas da fome, da desnutrição e miséria em diversas regiões do país.

Enquanto isso, o Governo Federal segue zombando do genocídio em curso, sabotando de forma consciente o combate à pandemia. Estimula, através de suas redes de apoiadores, o discurso negacionista, a recusa ao isolamento social e ao uso de máscaras, além de incentivar as manifestações reacionárias contra as medidas de segurança sanitária promovidas por Estados e Municípios. Promove ainda fake news sobre tratamentos ineficazes contra a Covid-19, ataca a imprensa e continua atiçando provocações golpistas, com ameaças de intervenções autoritárias a pretexto do combate à pandemia.

sábado, 17 de abril de 2021

PCdoB e PSOL entram com ação no STF para exigir lockdown

 

Veja.com - Ricardo Ferraz


© Fellipe Sampaio/SCO/STF  bancoImagemFotoAudiencia_  AP_169018 


 

O PCdoB e o PSOL protocolaram, na sexta-feira, 16, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), no Supremo Tribunal Federal. Na peça, os partidos solicitam que os ministros determinem uma ação cautelar para implantar em nível federal, em coordenação com estados e municípios, "providências urgentes e inadiáveis necessárias ao combate à pandemia de Covid-19". Entre as medidas propostas, está o lockdown, ou seja, restrição total de circulação da população.

lockdown é descrito como uma medida extrema que seria determinada por meio de uma comissão, composta por integrantes da União, estados e municípios, além de representantes da comunidade científica. A ADI solicita que o órgão de coordenação seja instalado em caráter de urgência, no menor prazo possível.

Os advogados que assinam a ação alegam que o presidente mantém uma "conduta omissiva" para garantir o exercício dos direitos fundamentais à vida e à saúde de milhões de brasileiras e brasileiros. "A condução do governo federal, ao longo da ocupação do território nacional pelo vírus, é análoga à do governo colaboracionista do general Pétain na ocupação da França pelos nazistas, no curso da Segunda Guerra Mundial. 

A diferença é que o governo brasileiro tem, ainda hoje, o apoio de uma fração expressiva da população, que aceita as fantasmáticas alegações que o confronto com os vírus será vencido pela fé e pela coragem", sustentam no texto. Os partidos pedem também que os negócios afetados por medidas restritivas recebam "uma compensação razoável"pela suspensão das atividades, para manter os empregos de seus funcionários. Entre os advogados que assinam a ADI, está o ex-ministro da Justiça no governo Lula, Tarso Genro.

 

Presidenciáveis de Centro e PT se unem em críticas a Bolsonaro em evento virtual

O GLOBO - Guilherme Caetano

sáb., 17 de abril de 2021

SÃO PAULO — Representando o PT, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad fez coro a lideranças do chamado Centro em críticas a Jair Bolsonaro na noite deste sábado, em evento realizado virtualmente. João Doria e Eduardo Leite, do PSDB, Ciro Gomes (PDT) e o apresentador Luciano Huck compuseram um painel do Brazil Conference at Harvard & MIT para debater os rumos do país.

Considerados potenciais candidatos à presidência da República em 2022, Doria, Ciro, Huck e Leite já haviam se unido em um manifesto em defesa da democracia, divulgado em 31 de março. O documento, no entanto, não incluiu o ex-presidente Lula, considerado o mais provável concorrente ao Planalto. Ainda assim, um acordo para uma candidatura única no ano que vem é considerado difícil.

Os participantes do evento fizeram declarações duras contra o presidente Bolsonaro sobre diversas questões, como as áreas educacional e ambiental do governo, mas principalmente em relação à condução federal da pandemia. Apesar de provocações pontuais e divergências no que consideraram as prioridades para a economia brasileira, o ambiente foi de enaltecimento mútuo.

Doria chamou Bolsonaro de "fascínora genocida". Huck criticou a gestão do governo na área da educação e o que considerou irrelevância do ministro Milton Ribeiro. Leite disse que o presidente não tem uma agenda clara para a economia. Haddad se recusou a elencar qualquer ponto positivo do governo federal. E Ciro afirmou que "2022 impõe aos brasileiros a tarefa de banir o bolsonarismo" da política e que Bolsonaro começa a se preparar para resistir a uma eventual derrota em 2022.

— O delírio de Bolsonaro é formar uma milícia para resistir de forma armada à derrota eleitoral que se aproxima — disse Ciro.

Em determinado momento, Fernando Haddad prestou solidariedade aos governadores paulista, João Doria, e gaúcho, Eduardo Leite, pelo ataques sofridos de Jair Bolsonaro. O petista afirmou ser preciso um "pacto" em favor da democracia e chamou de "retrocesso civilizatório".

— Eu queria terminar me solidarizando com os dois governadores aqui, que são do PSDB e que têm sofrido ataques indignos, intoleráveis. Um presidente que se porta da maneira como Bolsonaro frente a dois governadores de oposição porque (eles) querem para o país algo diferente do que o presidente está oferecendo não podem sofrer o tipo de ataque que estão sofrendo. Isso é indigno da nossa democracia. Não pode ser tolerado por nenhuma força política. Passou de todos os limites. Todo aqui merece ser respeitado — afirmou Haddad, sendo aplaudido por João Doria.

O governador paulista agradeceu às palavras de Haddad, que administrou a prefeitura de São Paulo entre 2013 e 2016, e fez elogios ao petista.

— Eu sou testemunha da dignidade, da postura que foi a transição da prefeitura de São Paulo com Fernando Haddad. Apesar de nossas diferenças, em nenhum momento fomos ofensivos, agressivos e nos maltratamos. Fizemos uma transição civilizada, democrática e construtiva. Isso é parte de sua boa biografia e eu testemunhei isso — declarou Doria.

‘Pressão da UTI tem feito meus médicos e enfermeiros pedirem demissão’

BBC NEWS

© BBC Médico intensivista trabalha há 8 anos em hospital na zona leste de São Paulo: 'Nunca antes vimos tantos burnouts e afastamentos laborais' 

Quando o médico intensivista Bruno Nunes fala que tem trabalhado "sem descanso" há pelo menos um ano, não é força de expressão.


Ele coordena a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Santa Marcelina, hospital de referência no extremo leste da cidade de São Paulo, que atende a uma população de cerca de 5 milhões de pessoas, tanto pelo SUS quanto por meio de convênios e particulares. Desde que a pandemia começou, não tirou um dia de folga.

O colapso do sistema de saúde no Brasil criou mórbidas filas de doentes que precisam de leitos nos hospitais. Do outro lado dessa equação estão médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem pressionados, exaustos. "Nunca vimos antes tanto burnout, tanta síndrome do pânico, tantos afastamentos laborais, tantas férias como agora nesse último ano. Os profissionais estão desgastados, não se sentem valorizados pela política de saúde", diz ele.

A média de plantões por mês entre os médicos da UTI subiu de 4,6 para 7,9 e o absenteísmo médico (percentual dos plantões feitos por coberturas, e não pelo profissional oficialmente na escala) saltou de 2,5% para 16%. 

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Celso Amorim: “A percepção que se forma sobre o governo é negativa e, inevitavelmente, vai se estender aos militares”

Foto: Antônio Araújo / Câ­mara dos De­pu­tados

Gabriel Brito, da Redação - 16/04/2021


Talvez o mais bem su­ce­dido chan­celer da his­tória do Brasil, Celso Amorim ocupou o Mi­nis­tério das Re­la­ções Ex­te­ri­ores por 10 anos (1993-1995 e 2003-2010), além de ter sido mi­nistro da De­fesa em ou­tros quatro. Mesmo assim, passa ao largo da mídia de massa, cujo “com­pro­misso com a plu­ra­li­dade” não en­contra es­paço em sua vasta grade de de­bates ao vivo para o ex-mi­nistro de um Brasil visto pelo mundo de forma di­a­me­tral­mente oposta à atu­a­li­dade. É nesta longa en­tre­vista ao Cor­reio que o leitor po­derá saber o que Celso Amorim pensa da saída de Araújo e da “la­men­tável”, em suas pa­la­vras, in­serção em massa de mi­li­tares no go­verno Bol­so­naro.

“Araújo pra­ticou uma po­lí­tica to­tal­mente des­co­lada da re­a­li­dade bra­si­leira, des­co­lada dos nossos vi­zi­nhos, brigou com todos os nossos par­ceiros co­mer­ciais, usou lin­guagem ina­pro­priada para a di­plo­macia... Sob qual­quer as­pecto, um de­sastre. Os di­plo­matas bra­si­leiros se en­ver­go­nhavam muito de re­pre­sentar isso”, re­sumiu, in­cluindo a re­lação com os Es­tados Unidos na lista do pre­juízo que con­si­dera ir­re­ver­sível.

Sobre a iné­dita crise com o alto co­mando das Forças Ar­madas, mar­cada pela de­missão de Fer­nando de Aze­vedo e Silva da De­fesa e a saída dos chefes de Exér­cito, Ma­rinha e Ae­ro­náu­tica horas de­pois, afirma que re­pre­senta in­su­cesso de Bol­so­naro em usar os mi­li­tares para seu pro­jeto po­lí­tico. No en­tanto, é exa­ta­mente este fator que o fez de­mitir Aze­vedo e Silva, a fim de mos­trar que ainda detém a ini­ci­a­tiva po­lí­tica e não se en­contra atado pelo Con­gresso.

“É tudo muito la­men­tável, in­clu­sive para as Forças Ar­madas. A per­cepção que se forma sobre o go­verno é ne­ga­tiva e tal per­cepção vai se es­tender, ine­vi­ta­vel­mente, às Forças Ar­madas e aos mi­li­tares. Havia um incô­modo em re­lação a Pa­zu­ello, e isso deve se es­tender a ou­tras áreas menos ób­vias das FA. É muito ruim e vai ser muito di­fícil evitar essa per­cepção de que eles também são res­pon­sá­veis pelo de­sastre”, afirmou.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Plenário do STF anula condenações de Lula na Lava-Jato e o mantém elegível para 2022

 

Yahoo, Redação Notícias

qui., 15 de abril de 2021

Decisão do STF deixa Lula elegível e apto para disputar eleição de 2022. (Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)

STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta quinta-feira (15), manteve a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e devolver os direitos políticos do petista. 

O placar ficou em 8x3.

Como votaram os ministros do STF na anulação das condenações de Lula:

Favorável

·         Edson Fachin, relator; 

·         Ricardo Lewandowski; 

·         Gilmar Mendes; 

·         Rosa Weber;

·         Alexandre de Moraes;

·         Dias Toffoli; e 

·         Luís Roberto Barroso;

Contrário

·         Kassio Nunes Marques; 

·         Marco Aurélio Mello; e 

·         Luiz Fux, presidente do Supremo e último a votar

Por ora, entretanto, ainda não há maioria formada a respeito de para onde vão os processos da Vara Federal de Curitiba referente a Lula — tríplex do Guarujá, sítio de Atibaia, terreno do Instituto Lula e doações da Odebrecht ao mesmo instituto.

O julgamento teve início nesta quarta (14), quando, primeiramente, os ministros decidiram, por 9 votos a 2, que o plenário pode decidir sobre o caso — e não somente a Segunda Turma, formada por cinco ministros, que já deliberou a favor da anulação das condenações e da declaração da parcialidade de Moro. 

Os ministros ainda devem decidir se os processos devem ser remetidos à Justiça Federal do Distrito Federal ou de São Paulo. 

Em duas das quatro ações, casos conhecidos como tríplex de Guarujá (SP) e do sítio de Atibaia (SP), Lula foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, sentenças já confirmadas em instâncias superiores. Com isso, o ex-presidente foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa. 

decisão de Fachin que determinou a transferência dos processos para a capital do país havia sido tomada no dia 8 de março

Diretor da PF quer trocar chefe do Amazonas que pediu investigação contra Salles ao STF

Yahoo Notícias, qui., 15 de abril de 2021

Polícia Federal pediu investigação de Ricardo Salles ao STF (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)


·         Diretor da PF, Paulo Maiurino, decidiu trocar chefe da superintendência do Amazonas, Alexandre Saraiva

·         Saraiva foi o responsável por enviar documento ao STF pedindo investigação de Ricardo Salles

·         Substituto deve ser o delegado Leandro Almada

O novo diretor-geral da Polícia Federal, recém nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Paulo Maiurino, decidiu trocar o chefe da superintendência do Amazonas, Alexandre Saraiva. A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo.

Responsável pela Polícia Federal no Amazonas, Saraiva fez críticas ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e assinou o pedido de investigação encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. O principal motivo é a apreensão de madeira no Brasil, que registrou o maior nível da história.

Saraiva afirmou recentemente que era a primeira vez em que via um ministro da pasta se posicionar contra a preservação do Meio Ambiente. À Folha, Saraiva disse que na Polícia Federal, Salles não “vai passar a boiada”. A frase foi usada pelo ministro na reunião ministerial de 22 de abril de 2021.

O Brasil e o caos, para além da Lava Jato

 

Já há alguns meses, talvez mais de um ano, tenho observado em redes sociais, grupos de WhatsApp e em alguns perfis identificados com as forças de oposição ao governo de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, com certa insistência e de forma repetitiva, a publicação de argumentos que reduzem nossos graves problemas nas contas públicas e da economia do país hoje aos estragos praticados pela Operação Lava Jato.

De forma dirigida, a pergunta que tem sido colocada se resume a: se o Brasil está em crise a culpa é do PT ou da Lava Jato?

Vamos aos fatos. A Operação Lava Jato deixou de ser uma ação de combate à corrupção, da forma como foi iniciada, passando a ser um instrumento político, assim que se percebeu a disputa em que poderia incidir e o lado que poderia favorecer. A operação então passou a ser cuidadosamente conduzida para gerar fatos políticos e de grande alcance midiático e lá se cometeram diversos crimes, pelo juiz Sérgio Moro e sua tropa de procuradores.

Toda a sua “obra” está desabando agora. De uma coisa, porém, não há como fugirmos: que havia corrupção na Petrobras, havia, antiga, e que não havia sido denunciada até o início da Lava Jato, pois não se barraram os vícios herdados dos anos de FHC e até antes dele. Por quê?

Óbvio, também nesse aspecto interesses outros pegaram carona na Operação Lava Jato, puseram o pé no acelerador, não só contra a Petrobras, mas, sobretudo, contra grandes empresas de construção civil no país. Interesses nacionais e internacionais, diga-se de passagem. Assim, é evidente que o caos que tomou conta das atividades econômicas pertinentes ao setor de petróleo e à construção civil trouxe graves problemas à economia do país.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

OAB conclui que Bolsonaro fundou 'República da Morte' durante pandemia


 Estadão Conteúdo

 

© Getty Images A comissão foi presidida pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto

Comissão criada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para avaliar as ações do governo federal à frente da pandemia de covid concluiu que o presidente Jair Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade e contra a humanidade ao fundar uma 'República da Morte' no País. Segundo o colegiado, Bolsonaro agiu deliberadamente contra medidas de proteção ao coronavírus e se omitiu em diversas situações que poderiam reduzir o número de óbitos causados pela doença.

A comissão foi presidida pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto e contou com a participação dos juristas Miguel Reale Jr., Carlos Roberto Siqueira Castro, Cléa Carpi, Nabor Bulhões, Antonio Carlos de Almeida Castro, Geraldo Prado, Marta Saad, José Carlos Porciúncula e Alexandre Freire. O relatório de 24 páginas é dividido em análises sobre possíveis sanções a Bolsonaro no plano nacional (processo de impeachment e denúncias criminais) e internacional (denúncia ao Tribunal Penal Internacional).

"A questão que se põe no presente momento é a seguinte: pode-se provar com segurança, e de acordo com as leis da natureza, que centenas de milhares de vidas teriam sido salvas, caso o presidente e outras autoridades tivessem cumprido com o seu dever constitucional de zelar pela saúde pública? A resposta é um retumbante sim", apontou o relatório dos juristas.

O colegiado relembra três ocasiões em que omissões e ações do governo pesaram no combate à pandemia: a falta de interesse de Bolsonaro em negociar vacinas com a Pfizer no ano passado, as ações do presidente ao desautorizar o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello a comprar doses da Coronavac com o Instituto Butantan e a resistência do governo federal em adotar medidas sanitárias que ajudariam a minimizar a transmissão do vírus, como o distanciamento social e o uso de máscaras.

terça-feira, 13 de abril de 2021

Randolfe Rodrigues lista 14 pontos a serem apurados pela CPI da Pandemia: ‘do que Bolsonaro tem medo?’

EXTRA - Filipe Vidon

RIO - O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) divulgou nas redes sociais, na manhã desta segunda-feira, um novo trecho da conversa gravada por telefone com Jair Bolsonaro, em que o presidente afirma que teria que "sair na porrada" com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Poucas horas após os ataques, Randolfe foi ao Twitter se defender, listou pontos a serem apurados na CPI da Pandemia e provocou o presidente: “Do que Bolsonaro tem medo?”.

“A violência costuma ser uma saída para os covardes que têm muito a esconder. Não irão nos intimidar! Especialmente porque sabemos que a fraqueza desse governo está em todos os âmbitos. Nossa única briga será pelo povo! Pela vacina e por comida na mesa!”, afirmou Randolfe.

Líder da oposição, o senador do Amapá é o autor do do requerimento de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar omissões do governo federal na pandemia de Covid-19. As declarações a que respondeu ocorreram em conversa entre Bolsonaro e Kajuru no último sábado. Kajuru já havia publicado no domingo a maior parte do diálogo, que trata da ampliação do escopo da CPI.

Após questionar do que Bolsonaro teria medo, Randolfe listou 14 itens que devem ser apurados na investigação parlamentar:

1. O atraso na compra de vacinas da Pfizer.

2. Falha grosseira na aquisição de seringas, insumos, equipamentos e na estruturação do Sistema de Saúde.

3. Gasto exacerbado com medicamentos sem eficácia comprovada.

4. Aglomerações causadas pelo presidente e sua comitiva em todo o país.

5. Em meio à pandemia, superfatura nas compras do Governo.

6. Omissão diante das mortes por falta de oxigênio em Manaus.

3. Gasto exacerbado com medicamentos sem eficácia comprovada.

4. Aglomerações causadas pelo presidente e sua comitiva em todo o país.

5. Em meio à pandemia, superfatura nas compras do Governo.

6. Omissão diante das mortes por falta de oxigênio em Manaus.

7. Negligência diante da escassez do kit intubação.

8. Incompetência na distribuição de vacinas, especialmente em relação à logística.

9. Negacionismo, discurso de sabotagem às medidas de isolamento.

10. O não uso e o incentivo ao não uso de máscaras.

11. Tentativa de maquiar número de mortes por COVID.

12. Falta de transparência na divulgação de casos.

13. Ataques aos poderes.

14. Desgaste das relações internacionais que nos garantiriam melhor negociação de vacinas.

Ao finalizar a série de questões sobre a condução do governo federal na pandemia da Covid-19, Randolfe questionou mais uma vez se Bolsonaro tem medo da resposta de alguma dessas perguntas. “O povo está morrendo, e não temos tempo pra brincar de poder público” declarou.

Em conversa divulgada neste domingo por Kajuru, o presidente Jair Bolsonaro defende que a CPI da Pandemia no Senado investigue também governadores e prefeitos. Um requerimento que pede a extensão da apuração para gestores estaduais e municipais já foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

EM TEMPO: Bozo está "mordido" com dois Garanhuenses: Lulinha e Randolphe.