sábado, 25 de abril de 2020

Clima no Ministério Público é de preocupação; procuradores defendem apuração de acusações contra Bolsonaro



BBC NEWS


© MPF - A sede da PGR, em Brasília; após interferência de Bolsonaro na PF denunciada por Moro, integrantes do MPF temem riscos para outros órgãos de controle

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro indicou o cometimento de crimes por parte do presidente Jair Bolsonaro, e é preciso que as acusações feitas por ele sejam alvo de apuração rigorosa — inclusive para que a Polícia Federal e outras instituições de controle possam trabalhar livremente. Esta é a opinião da maioria dos integrantes do Ministério Público Federal (MPF) ouvidos pela BBC News Brasil.
O clima na corporação é de preocupação diante das informações trazidas pelo agora ex-ministro — a avaliação é de que outras instituições de controle também podem estar em perigo, caso a Polícia Federal deixe de ter as condições para trabalhar.

Na tarde desta sexta, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de um inquérito para investigar as acusações feitas por Moro contra Bolsonaro. Na peça, Aras aponta a "eventual ocorrência, em tese", dos crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação e vários outros.

Sergio Moro apresentou seu pedido de demissão em um pronunciamento à imprensa na manhã desta sexta-feira. Em seu discurso de despedida, o agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública acusou o presidente da República de querer trocar o comando da Polícia Federal para ter acesso a dados sigilosos de investigações. Ele deixou o cargo depois que o Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira trouxe a exoneração do então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo — o policial foi indicado por Moro para o cargo e era considerado seu braço direito na pasta. A demissão ocorreu contra a vontade de Moro.

No pronunciamento à imprensa, Moro também acusou o Palácio do Planalto de ter usado sua assinatura eletrônica de forma indevida. Moro disse que nunca assinou a exoneração de Valeixo, o contrário do que foi publicado no Diário Oficial na manhã de sexta-feira.

No “limite da barbárie”, diz Le Monde sobre situação da pandemia no Brasil

© REUTERS/Bruno Kelly



RFI

O jornal francês Le Monde destaca em sua edição de sábado (25) que a pandemia se agrava no Brasil, onde o número de mortes atribuídas à Covid-19 aumenta, enquanto o presidente Jair Bolsonaro continua negando sua gravidade.

“Nós estamos no limite da barbárie”, diz o título do jornal, citando as palavras do prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto, em entrevista à imprensa após reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão, na segunda-feira (20). Na capital do Amazonas, o número de enterros triplicou e valas são cavadas com escavadeiras. “Nos hospitais sobrecarregados, os cadáveres são colocados em filas nos corredores, e os pacientes idosos são mandados para morrer em casa”, afirma o texto. 

O Ministério da Saúde do Brasil divulgou nesta sexta-feira (24) o mais recente balanço de casos de coronavírus no país. Até o momento, foram ao menos 3.670 mortes e mais de 52 mil casos confirmados. Mas como lembra o correspondente em São Paulo, Bruno Meyerfeld, os números oficiais não são confiáveis, porque as autoridades não conseguem mais testar nem os vivos nem os mortos, e certos números da Covid-19 são informados com até 20 dias de atraso.

Segundo estimativas da imprensa brasileira, citadas no artigo, os casos de pessoas contaminadas seriam 12 a 15 vezes superiores ao número anunciado pelas autoridades. Já as vítimas mortais poderiam ter ultrapassado 15 mil, nos piores cenários. Um cirurgião de um hospital Geral de Fortaleza, que preferiu permanecer anônimo, diz que está em “uma guerra cotidiana”, por leitos e respiradores. Segundo o médico, 100% das vagas em terapia intensiva estão ocupados no centro de saúde.

O artigo também comenta a falta de luvas e máscaras para profissionais da saúde nos hospitais de São Paulo, que tiveram que usar capas de chuva e sacos de lixo para se proteger, diz Sérgio Antiqueira, presidente do sindicato de empregados do setor, ao Le Monde. Alguns médicos e enfermeiros receberam apenas uma máscara descartável durante um mês.

Saída de Moro deteriora discurso anticorrupção do bolsonarismo e afasta presidente da classe média


Camilla Veras Mota - @cavmota - 
Da BBC News Brasil em São Paulo
Onde foi parar o discurso do combate à corrupção?

Ver as imagens
O pedido de demissão do ministro Sergio Moro enfraquece a retórica de combate à corrupção que ajudou a eleger Jair Bolsonaro e pode corroer uma base de apoio importante do presidente, a dos chamados "lava-jatistas".
Esse grupo, conforme o cientista político Adriano Codato, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e o filósofo Pablo Ortellado, da Universidade de São Paulo (USP), tem como "valor fundamental" a anticorrupção e é formado principalmente pelas camadas médias tradicionais, ligadas às profissões liberais.
Assim, uma das principais consequências da saída do ex-juiz do cargo, especialmente após um pronunciamento duro em que acusou o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, pode ser a perda de apoio de Bolsonaro entre a classe média. Diante de uma eventual deterioração desse pilar de sustentação, acrescenta Ortellado, restaria ao presidente apoiar-se na retórica do conservadorismo moral, outra plataforma que contribuiu para levá-lo ao Planalto, e acenar aos eleitores aos quais esses temas - o antifeminismo e o discurso anti-LGBT, por exemplo - são caros.
"Pode ser uma oportunidade para sabermos qual é de fato o tamanho da extrema-direita radical no Brasil", acrescenta Codato, referindo-se ao eleitorado que forma o núcleo duro do bolsonarismo. "É o pessoal que vai tentar subir a hashtag 'Moro comunista'", brinca.
O pedido de demissão e o 'contra-ataque' de Bolsonaros imagens
Moro pediu demissão após a exoneração do diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, que havia sido indicado por ele. Ao comunicar sua decisão, nesta sexta-feira, o ex-juiz disse que o presidente não havia apresentado razão técnica para a saída do diretor. Afirmou que a atitude de Bolsonaro, apesar de ter a prerrogativa de apontar quadros na instituição, violava a promessa feita a Moro quando este assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública, de que teria carta branca para fazer indicações-chave.
Moro acusou o presidente de tentar interferir politicamente na PF, insistindo desde o segundo semestre do ano passado para que houvesse uma troca no comando da instituição - sem que houvesse motivo técnico para isso. "O presidente disse mais de uma vez que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele (na PF), para quem pudesse ligar, colher informações, relatórios de inteligência, seja diretor, superintendente", afirmou.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

O que a PGR quer investigar sobre supostos crimes de Bolsonaro




BBC NEWS

© AFP Moro pediu demissão após diretor-geral da PF ser exonerado por Bolsonaro


O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu nesta sexta-feira (24/04) autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar as denúncias feitas pelo agora ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, contra o presidente Jair Bolsonaro. Ele quer aval da Corte para ouvir o ex-ministro e colher possíveis provas. Nesta manhã, Moro pediu demissão do cargo depois que Bolsonaro decidiu trocar o comando da Polícia Federal. Ele justificou a saída do governo acusando o presidente de estar intervindo politicamente no órgão. Segundo Moro, Bolsonaro quer um diretor-geral na PF que lhe passe informações sobre investigações.

Ele disse ainda que o presidente manifestou preocupação com a tramitação de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Há duas investigações já em curso no STF com potencial de atingir a família presidencial: uma investiga grupos que espalham notícias falsas nas redes socias e outra apura a convocação dos atos antidemocráticos realizados no domingo (19/04) pelo país.

Aras aponta na nova solicitação ao STF a necessidade de investigar os possíveis crimes de "falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra", que podem ter sido cometidos por Bolsonaro ou por Moro, caso a denúncia não se mostre verdadeira. "A dimensão dos episódios narrados revela a declaração de Ministro de Estado de atos que revelariam a prática de ilícitos, imputando a sua prática ao Presidente da República, o que, de outra sorte, poderia caracterizar igualmente o crime de denunciação caluniosa", aponta o procurador-geral no pedido.

"Indica-se, como diligência inicial, a oitiva de Sergio Fernando Moro, a fim de que apresente manifestação detalhada sobre os termos do pronunciamento, com a exibição de documentação idônea que eventualmente possua acerca dos eventos em questão. Uma vez instaurado o inquérito, e na certeza da diligência policial para o não perecimento de elementos probatórios, o procurador-geral da República reserva-se para acompanhar o apuratório e, se for o caso, oferecer denúncia", diz ainda Augusto Aras no documento.

Veja as acusações de Moro contra Bolsonaro durante pedido de demissão




CORREIO BRAZILIENSE - Sarah Teófilo

© Ed Alves/CB/D.A Press. Ao pedir demissão do cargo de ministro da Jusitça, nesta sexta-feira (24/4), Sergio Moro acusou o presidente Jair Bolsonaro de pretender uma "interferência política" na Polícia Federal e disse que esse seria o motivo da exoneração de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da corporação.

"Ontem conversei com o presidente e houve essa insistência (de mudança do comando da PF). Eu disse que seria uma interferência política e ele disse que seria mesmo", afirmou Moro.

O ex-juiz federal da Operação Lava-Jato contou ainda que o presidente manifestou o desejo de ter um diretor-geral com quem pudesse ter contato pessoal e manifestou o desejo de acessar relatórios. Moro, então, afirmou que não poderia concordar com tal medida, pois "não é o papel da Polícia Federal" prestar esse tipo de informação ao presidente.

Disse Moro: "O presidente me disse mais de uma vez que ele queria ter uma pessoa de contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, colher informações, relatórios de inteligência, seja o diretor, seja o superintendente, e realmente não é o papel da Polícia Federal".  

"As investigações precisam ser preservadas", defendeu o ministro, resaltando que nem durante a Operação Lava-Jato houve interferências desse tipo. "Imaginem se, durante a Lava-Jato, ministros, ou a então presidente Dilma (Rousseff), o presidente Luiz (Inácio Lula da Silva) ficassem ligando na superintendência de Curitiba para colher informações sobre investigações em andamento", frisou.

STF

Moro também contou que Bolsonaro manifestou preocupação com investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). "O presidente também me informou que tinha preocupação com inquéritos em curso no STF e que a troca seria oportuna na Polícia Federal por esse motivo", disse. Um dos inquéritos em andamento no STF é sobre as manifestações que pediam um novo AI-5 e contaram com a participação do próprio Bolsonaro.

Por isso, disse o ministro, a questão não seria ele ter a chance de indicar um novo nome ou não. O problema, afirmou Moro, é não haver "motivos consistentes" para realizar a troca neste momento. Moro disse não poder permitir "que seja feita a inteferência". 

Por fim, Moro disse que o governo não foi honesto quando publicou a exoneração de Valeixo como sendo a pedido. De acordo com o ministro, o ex-diretor da PF lhe contou que foi pressionado a aceitar que a exoneração ocorresse dessa forma, mas não tinha o desejo de deixar o cargo, "ápice da carreira de um policial federal".

Moro diz que Bolsonaro queria contato pessoal na PF para colher informações




PODER 360 - Maurício Ferro


© Sérgio Lima/Poder360 Sergio Moro acusou o presidente Jair Bolsonaro de interferência em pronunciamento no Ministério da Justiça e Segurança Pública

O ministro demitido Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) disse na manhã desta 6ª feira (24.abr.2020) que o presidente Jair Bolsonaro afirmou “mais de uma vez” que queria uma pessoa de seu “contato pessoal” em cargos de comando na PF (Polícia Federal) para poder “ligar” e “colher informações“.

“O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja o diretor, seja superintendente… E, realmente, não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”, disse no Palácio da Justiça, em pronunciamento a respeito de sua demissão.

Moro prosseguiu:
“As investigações têm que ser preservadas. Imaginem se durante a própria Lava-Jato o ministro, o diretor-geral, o presidente, a então presidente Dilma, ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher investigações sobre as operações em andamento?”

O ministro demitido afirmou que o presidente da República “pode confirmar ou não essas questões”. Disse ainda que “o grande problema” não ´quem entrará no lugar do diretor-geral (também demitido) Mauricio Valeixo, seu braço direito, mas sim por que essa pessoa vai entrar no cargo. “Se esse alguém, sendo da corporação, aceitando substituição do atual diretor-geral, com o impacto que isso terá na corporação, não conseguiu dizer não para o presidente a uma proposta dessa espécie, eu fico na dúvida se conseguirá dizer não em relação a outros temas”, disse.

FALSIDADE IDEOLÓGICA

Moro também acusou Bolsonaro, indiretamente, do crime de falsidade ideológica. Isso porque afirmou não ter assinado o decreto de exoneração –a pedido– de Valeixo, publicado a madrugada desta 6ª feira no DOU (Diário Oficial da União).

“A exoneração que foi publicada, eu fiquei sabendo pelo Diário Oficial pela madrugada. Eu não assinei esse decreto. Em nenhum momento isso foi trazido. Em nenhum momento o diretor-geral da PF apresentou pedido formal de exoneração. Depois ele me comunicou que ontem à noite recebeu uma ligação dizendo que ia sair a exoneração a pedido e se ele concordava. (…) Mas o fato é que não existe nenhum pedido que foi feito de maneira formal. Eu sinceramente fui surpreendido. Achei que isso foi ofensivo. Vi que depois a Secom [Secretaria especial de Comunicação Social] confirmou que houve essa exoneração a pedido, mas isso de fato não é verdadeiro. Para mim esse último ato também é uma sinalização de que o presidente me quer fora do cargo”, afirmou.

De acordo com Sergio Moro, Bolsonaro também informou a ele “que tinha preocupação com inquéritos em curso no STF [Supremo Tribunal Federal] e que a troca também seria oportuna na PF por esse motivo”.

“Também não é uma razão que justifique uma substituição. Até é algo que gera uma grande preocupação. Enfim, eu sinto que tenho o dever de tentar proteger a instituição, a PF. Por todos esses motivos, até busquei uma solução alternativa para evitar uma crise política durante a pandemia”, disse.
Moro acrescentou que teve outras divergências com Bolsonaro, mas que deixaria para falar sobre elas em outra ocasião. Ele encerrou o pronunciamento aplaudido pelos funcionários do Ministério.

EM TEMPO; Governo Bolsonaro agora acabou. O próximo é o Ministro Paulo Guedes. Agora durmam com essa bronca


quinta-feira, 23 de abril de 2020

Toda a cúpula da PF de São Paulo se contaminou com Covid19 e superintendente diz que quase morreu



Extraído do Blog da Noélia  Brito em 23.04.2020.

Em entrevista à Coluna Painel da Folha de São Paulo, o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Lindinalvo Alexandrino de Almeida Filho, de 60 anos, contou que passou 16 dias internado com coronavírus e que chegou a perder 6 kg. 

"É uma doença pavorosa, que te suga. Quase fui parar do outro lado", afirma o policial, que também revelou que "Todos os integrantes da cúpula da superintendência também foram contaminados, na mesma época. É bobagem querer tentar adivinhar como foi, com quem foi, não dá para saber”, disse. Dias antes de ficar doente, houve um encontro com os médicos Roberto Kalil Filho e David Uip. Todos pegaram coronavírus.

Os cinco integrantes da cúpula da PF em São Paulo testaram positivo para coronavírus.

"Comecei um resfriado, depois no terceiro dia, perdi paladar e olfato, iniciou uma tosse pavorosa, não conseguia falar. Era tosse profunda. Perdi o apetite e aí veio uma febre. Persistiu por dois dias e calafrios. Fiquei dois dias em casa, sem comer, a respiração ficou curta e ofegante. Depois de dois dias, tentei comer uma sopa, para o organismo resistir. Na primeira colherada, eu vomitei a uma colher e vomitei o que não tinha no estômago", disse o superintendente ao Painel, hoje, 23, dia em que retornou ao trabalho.

Ministro do STF pede explicação de Maia sobre pedidos de impeachment e inclui Bolsonaro no processo



MATHEUS TEIXEIRA

No despacho, Celso de Mello incluiu Bolsonaro formalmente como parte no processo (Foto: Getty Images)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), solicitou que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), explique a situação dos pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que estão parados na sua mesa.
A decisão foi tomada no mandado de segurança em que os advogados Thiago Santos e José Rossini pedem para o STF obrigar Maia a analisar os pedidos de impedimento. Ambos também requerem que o chefe do Executivo seja obrigado a seguir as recomendações de autoridades sanitárias na pandemia do novo coronavírus.
No despacho, o magistrado incluiu Bolsonaro formalmente como parte no processo. Celso de Mello não indicou se acolherá as solicitações, mas explicou que, além da Advocacia-Geral da União, que representa o Executivo perante o Judiciário, o presidente também precisa fazer parte da ação.
"A realização do ato citatório em questão constitui providência essencial ao regular prosseguimento da presente ação mandamental, pois a eventual concessão do mandado de segurança terá o condão de afetar a esfera jurídica de referido sujeito processual", ressalta.

Os autores do mandado de segurança também pedem que o STF determine que Bolsonaro apresente o resultado dos testes que realizou para o novo coronavírus e que esclareça a confecção de um suposto dossiê contra Maia.

A ação solicita, ainda, que a corte dê um prazo de 15 dias para o presidente da Câmara analisar os pedidos de abertura de processo de impeachment contra Bolsonaro.

Além disso, requerem a transferência de atribuições, que incluem a indicação de ministros do Executivo e de tribunais superiores, de Bolsonaro para o seu vice, Hamilton Mourão.

Para os advogados, o chefe do Executivo cometeu crime de responsabilidade ao estimular as pessoas a furarem o isolamento social e a se aglomerarem em meio ao avanço do novo coronavírus.

Em outras ações, a AGU tem reiterado ao STF que o chefe do Executivo respeita todas as recomendações das autoridades sanitárias. Como prova disso, cita medidas que visam dar condições para as pessoas continuarem em casa, como a concessão de auxílio emergencial de R$ 600 reais para trabalhadores informais.

Nesta quarta-feira (22), o ex-candidato presidencial Ciro Gomes e o presidente do PDT, Carlos Lupi, protocolaram um pedido de impeachment contra o presidente por sua participação no ato de domingo (19) em que apoiadores pediam uma intervenção militar no país.

Com isso, os casos sob análise do presidente da Câmara chegam a 24, incluindo pedidos de parlamentares do PSOL e um do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), ex-aliado de Bolsonaro.

EM TEMPO: A onde nós vamos parar com tanto espetáculo desse Presidente? Até os militares, integrantes do governo,  são convocados para funcionarem como "bombeiros". Agora durmam com essa bronca

PF está próxima de pegar Carlos Bolsonaro por Fake News




Publicado em 23/04/2020 .



Não é à toa que o presidente Jair Bolsonaro está tão irritado com o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. A equipe que investiga as Fake News contra o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou ao Gabinete do Ódio, comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro, o 02.

Policiais que trabalham na operação garantem que o filho do presidente é o mentor de todos os ataques que foram disparados contra o Supremo e contra o Congresso. Há um processo aberto pelo STF para investigar esse movimento de notícias falsas.
Bolsonaro sabe que não tem controle sobre a Polícia Federal. Portanto, teme que, quando todas as provas contra Carlos forem reunidas, muita coisa vazará para a imprensa, abrindo uma crise monumental que ficará difícil de ser administrada.
Por coincidência, a equipe que trabalha na investigação aberta pelo Supremo para apurar Fake News é a mesma que deverá tocar o inquérito que apurará os responsáveis pelas manifestações pró-ditadura, nas quais Bolsonaro foi a grande estrela.
Saída de Moro
Suspeita-se que Carlos Bolsonaro também esteja por trás do movimento que defende o fechamento do STF e do Congresso e a volta do AI-5. Os policiais federais dizem que não vão economizar nas investigações.
Se conseguir demitir Valeixo, Bolsonaro terá que aceitar a demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça. Entre escolher ficar com um ministro pelo qual já não tem tanto apreço e proteger o filho, o presidente optará pela segunda opção.
De qualquer forma, com ou sem Valeixo no comando da Polícia Federal, os agentes estão amontoados de provas contra os ataques ao Supremo e à democracia. E isso poderá se tornar público rapidamente, sobretudo dependendo do nome que o presidente da República escolher para o comando da corporação.
EM TEMPO: Alguém quer levar, para casa, o Carlos Bolsonaro, para concluir sua criação? Agora durmam com essa bronca

Bolsonaro recorre a condenados no mensalão e réus na Lava Jato para romper isolamento político e pressionar Maia




EL PAÍS - Afonso Benites

© SERGIO LIMA (AFP) Bolsonaro durante protesto que pedia o fechamento de poderes no domingo.

No discurso aos seus apoiadores, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diz que não faz acordos, que representa a nova política e que não loteia o seu Governo para legendas. Na prática, isolado politicamente desde o início da pandemia de coronavírus, agiu de maneira distinta e se aproximou de figuras que foram condenadas ou são rés em dois dos maiores escândalos de corrupção do país: o mensalão e a Lava Jato. Tudo contou com apoio da ala militar de sua gestão. Desde a semana passada, Bolsonaro e seus ministros participaram de reuniões com interlocutores da “velha política” que dizem combater.

Estiveram à mesa presidencial representantes de Valdemar Costa Neto (PL) e Roberto Jefferson (PTB), ambos condenados no mensalão, além de Gilberto Kasab (PSD) e Ciro Nogueira (Progressistas), investigados pela Operação Lava Jato (na noite de quinta-feira a CNN e a revista Época publicaram um vídeo de Jair Bolsonaro ao lado Arthur Lira (PP) onde o presidente cumprimenta a família do deputado, réu em uma ação ligada à Lava Jato). Na movimentação. ainda foram ouvidos representantes do Republicanos. Juntos, esses cinco partidos têm 159 dos 513 deputados federais. É o núcleo duro do bloco conhecido como Centrão. Atualmente, quase nada no Legislativo é aprovado sem os votos desse grupo, que está sob a influência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM).

Oficialmente, Bolsonaro pediu integração dos partidos para superar as crises sanitária e econômica da covid-19. Nos bastidores, contudo, ele ofereceu dezenas de cargos de segundo e terceiro escalão. Vai desde a presidência do Banco do Nordeste até o comando dos Fundos Nacionais da Saúde (FNS) e da Educação (FNDE). No curto prazo seus objetivos são frear o que considera “pautas bombas” que o Congresso queira votar nesse período e evitar qualquer discussão sobre um eventual processo de impeachment. No médio prazo, pretende influenciar na sucessão da Câmara em janeiro de 2021, tendo um candidato governista para se opor ao próprio Maia – que articula uma mudança constitucional para concorrer a um quarto mandato consecutivo – ou a quem for indicado por ele.

Moro pede demissão depois de Bolsonaro anunciar troca na direção da PF

© Foto: Adriano Machado/Reuters



CORREIO BRAZILIENSE - Renato Souza



O ministro Sérgio Moro, da Justiça, chegou ao seu limite e pediu demissão ao presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (23/4). O motivo foi o anúncio feito pelo presidente de que deve trocar o comando da Polícia Federal. Bolsonaro tenta, agora, reverter o pedido de Moro.

O atual diretor-geral, Maurício Valeixo, que tem o apoio do ministro, deve ser demitido para dar lugar a um nome que tenha maior proximidade com Bolsonaro. Moro, porém, vê na troca um ato extremo de desautorização, que ocorreria para proteger aliados atualmente na mira da corporação.

A intenção de fazer a troca ocorre em meio ao andamento de um inquérito, aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do Procurador-geral da República, Augusto Aras, que mira deputados bolsonaristas. Eles são suspeitos de atuar para financiar e incentivar manifestações contra o Supremo e o Congresso

As manifestações foram convocadas em várias cidades para pedir um "novo AI-5". O próprio presidente participou de um ato em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília

Resistência da corporação

As tentativas de trocar o diretor-geral da PF encontram resistência não só de Moro, mas também de delegados e agentes. É consenso que, se concretizadas, enfraquecerão o ministro da Justiça. Dentro da corporação, a notícia da troca foi recebida como uma bomba por agentes e delegados. Nem a Presidência nem o Ministério da Justiça se manifestaram oficialmente sobre o caso, até o momento.

EM TEMPO: A cada dia que se passa o presidente Bolsonaro está ficando mais isolado, tendo que recorrer aos militares para suprirem sua deficiência. Afinal, o Bolsonaro quer aparelhar a PF para proteger os seus filhos e os seus aliados e amigos. Agora é a vez de Bolsonaro renunciar. Será? Agora durmam com essa bronca.