sábado, 24 de agosto de 2019

Urgente: Defender a Amazônia contra Bolsonaro

Incêndio em Rondônia CBM/RO
No dia 19 de agosto, a    popula-ção da cidade de São Paulo, região mais populosa do país e de  todo o con-tinente, viu a tarde se transformar em noite num estranho fenômeno que causou susto e apreensão. 

Uma espessa nuvem negra se abateu sobre a região e, em algumas localidades, uma chuva escura chegou a cair.

Pouco depois, institutos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmavam que a fumaça tinha origem nas queimadas em diversos pontos da América do Sul, como na tríplice fronteira entre Bolívia, Paraguai e Brasil, pegando parte do Pantanal, além da Amazônia. As queimadas, junto a uma frente de ar fria, teriam causado a repentina escuridão. Em outras cidades do interior do estado, o céu ficou laranja.
O caso chamou a atenção para o cenário infernal que ocorre na região amazônica, em que as florestas localizadas no Amazonas, no Acre e em Rondônia ardem há meses. Se é verdade que esse período é tradicionalmente uma época de queimadas, é fato que os focos de incêndio são os maiores desde 2013 e que, numa época em que já deveriam estar terminando, multiplicam-se. A verdade é que estamos vivendo uma verdadeira hecatombe ambiental. Ruralistas e madeireiros desmatam e queimam florestas para fazer pastos; garimpeiros e mineradoras invadem reservas indígenas.
O governo Bolsonaro não só fecha os olhos para essa tragédia. É antes uma política do governo de promover, literalmente, terra arrasada no meio ambiente para favorecer ruralistas, mineradoras e garimpo. Desde as eleições, Bolsonaro promete acabar com qualquer tipo de proteção ao meio ambiente, acabar com reservas indígenas e quilombolas. Uma vez no governo, implementa esse projeto sem meios termos.

Protesto em SP decreta: “Bolsonaro cai. Amazônia fica”

Protesto reuniu milhares de pessoas em São Paulo. Foto: Giorgia Cavicchioli/Yahoo

Por volta das 18h desta sexta-feira (23) já era possível ouvir vozes de milhares de pessoas ecoando gritos a favor da Amazônia no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista. “Fora Bolsonaro, fora Salles”, “Queima o Bolsonaro” e alguns xingamentos voltados ao presidente eram ouvidos o tempo todo. Porém, um grito unia todos os presentes: “Bolsonaro cai. Amazônia fica”.
Era possível ver uma São Paulo que antes era polarizada entre esquerda e direita, mas que agora parecia se unir em prol de algo muito maior do que ideologias políticas. Há tempos não víamos tantas pessoas diferentes em um mesmo protesto. Idosos, crianças, famílias com bebês, cachorros, jovens, ativistas… para onde se olhava, era possível ver que o grupo era totalmente heterogêneo.


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Crianças com bichinhos de pelúcia e cartazes pediam pela preservação da Amazônia. Foto: Giorgia Cavicchioli/Yahoo

Esse foi um dos fatores que saltou aos olhos do ativista vegano Yoichi Takase, 44 anos. De acordo com o manifestante, as queimadas que estão acontecendo na Amazônia durante essa semana vão prejudicar todos os brasileiros. “As pessoas têm que acordar e isso independe de direita e esquerda. Não tem mais essa polarização. Existiu, ainda existe. Mas essa é uma necessidade. O bicho vai pegar pra todo mundo”, afirmou à reportagem.
As amigas Julia Cintra e Carolina Gomes, ambas de 17 anos e estudantes, pensam que não dá mais para esperar para começar a agir. “A Amazônia é um patrimônio do mundo. Sobrou muito pouca coisa por conta do desmatamento e da agropecuária”, afirmou Julia. “É importante preservar o que sobrou. Nunca vamos conseguir recuperar o que foi. Mas dá pra tentar acabar com isso o mais rápido possível”, continuou Carolina.
Essa angústia por rápidos resultados era visível até para a saída do ato do vão livre do MASP para a via da Avenida Paulista. Por volta das 18h30 já era possível ouvir pessoas pedindo para que a manifestação saísse em passeata. Alguns decidiram sair antes por conta própria e caminharam em pequenos grupos em direção à rua da Consolação. Os menos ansiosos continuaram a esperar e a gritar.
Bolsonaro foi alvo de protesto. Foto: Giorgia Cavicchioli/Yahoo

Durante essa espera para a saída da passeata, um jovem que passava de bicicleta pela região foi detido pela GCM (Guarda Civil Metropolitana). De acordo com testemunhas, ele passou pelo local onde as viaturas estavam paradas e criticou o governo em voz alta. Em seguida, um dos guardas teria puxado ele pelo casaco e dito que ele estava detido.

Outras pessoas afirmaram que o cabelo rastafari do jovem teria esbarrado no rosto de um dos guardas enquanto ele passava pelo local, o que o agente teria interpretado como uma provocação. Quando o jovem já estava algemado e dentro da viatura, a reportagem perguntou aos guardas qual era a acusação. Nenhum deles soube responder.
O jovem, no entanto, fez questão de responder dizendo que ele não tinha feito nada. Chorando, ele foi levado para o 78 DP (Distrito Policial) e liberado por volta das 21h30. Ele irá responder por desacato.
Pouco tempo depois da detenção do jovem, a manifestação saiu em caminhada sentido Consolação. Por volta das 19h30, os manifestantes seguiram pela rua Augusta. Com seus cartazes, faixas e bandeiras, o pedido era um só: para que nossos recursos naturais fossem preservados e que o presidente e o ministro do Meio Ambiente deixassem seus cargos.
Durante o percurso, o ato pegou alguns motoristas de surpresa, o que gerou a indignação de alguns deles. Um deles chegou a mostrar um envelope de exames para um dos manifestantes, dizendo que precisava passar. Sem sucesso. Precisou esperar que o ato passasse. Outros motoristas buzinaram em sinal de revolta e pressa. Porém, foi preciso que eles investissem na paciência.
Então, a chuva chegou. Fina e delicada, quase como lágrimas caídas do céu, ela molhou a todos. Os motoristas, que estavam protegidos em seus carros, não sentiram, mas ela era gelada e chegou a incomodar alguns manifestantes, que se protegeram com cachecóis e casacos. Mesmo assim, ninguém saiu das ruas.
O ato seguiu até a alameda Tietê e acabou por volta das 21h em frente ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Por meio de um jogral, os manifestantes alertaram para os problemas ambientais causados pelas queimadas e afirmaram que outro protesto irá acontecer no dia 5 de setembro.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Macron acusa Bolsonaro de 'mentir' e França se opõe a acordo UE-Mercosul



(Arquivo) O presidente da França, Emmanuel Macron (e), e o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro,    em reunião do G20, em Osaka

AFP, 23 de agosto de 2019
O presidente francês, Emmanuel Macron, estima que seu colega brasileiro, Jair Bolsonaro, "mentiu" sobre seus compromissos com o meio ambiente e anunciou que, sob essas condições, a França se opõe ao controverso tratado de livre-comércio UE-Mercosul.
"Dada a atitude do Brasil nas últimas semanas, o presidente da República só pode constatar que o presidente Bolsonaro mentiu para ele na cúpula (do G20) de Osaka", declarou o palácio do Eliseu, estimando que "o presidente Bolsonaro decidiu não respeitar seus compromissos climáticos nem se comprometer com a biodiversidade".
"Nestas circunstâncias, a França se opõe ao acordo do Mercosul", acrescentou a presidência francesa.
A rápida proliferação de incêndios florestais na Amazônia está se tornando um grande problema diplomático com múltiplas repercussões internacionais.
Macron se alarmou na quinta-feira no Twitter com os incêndios que devastam a maior floresta tropical do planeta, falando de "crise internacional" e convocando os países industrializados do G7, que se reúnem a partir de sábado em Biarritz (sul da França), "a falar sobre essa urgência".
A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, dois dos membros do G7, também consideraram importante falar sobre os grandes incêndios durante a reunião de Biarritz.
O presidente brasileiro acusou seu colega francês de querer "instrumentalizar" o assunto "para ganhos políticos pessoais".
"A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI", escreveu Bolsonaro no Twitter.
O acordo de livre-comércio entre a UE e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), assinado no final de junho após 20 anos de negociações, tem sido amplamente criticado, particularmente pelo setor agrícola e por ambientalistas.
A França condicionou sua validação do acordo ao respeito do Brasil a certos compromissos ambientais que haviam sido discutidos durante a cúpula em Osaka (Japão), do G20, grupo do qual o Brasil é membro.




















Queimada na Amazônia amplia pressão mundial; Bolsonaro mantém confronto



ESTADÃO - Edison Veiga* e Mateus Vargas

As queimadas recordes na região amazôni-ca vêm despertando forte preocupação dos governos europeus e da comunidade cien-tífica, com ampla divulgação negativa so-bre o governo Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira, 22, o presidente francês, Emmanuel Macron, falou em “crise internacional” a ser discutida pelo G-7, o grupo das nações mais ricas. Bolsonaro rebateu, dizendo que a sugestão “evoca mentalidade descabida no século 21” e ressaltou que o governo já está tratando do “crime” que ocorre na área.

O encontro da cúpula do G7 começa amanhã em Biarritz, sudoeste da França. Macron cobrou a pauta ecológica publicamente. “Nossa casa está queimando. Literalmente. A Amazônia - os pulmões que produzem 20% do oxigênio do planeta - está em chamas. Membros da cúpula do G7, vamos discutir esta questão de primeira ordem!”, escreveu no Twitter.

Integrante do parlamento europeu, o político belga Guy Verhofstadt também se mani-festou sobre a necessidade de levar o assunto à mesa. “Os incêndios na Floresta Amazô-nica são nossa preocupação. Esta questão deve ser discutida pelos líderes do G-7 neste fim de semana e uma ação internacional precisa ser tomada”, afirmou.

Em julho, foi assinado um acordo histórico entre Mercosul e a União Europeia. Para ser implementado, contudo, os termos ainda precisam ser regulamentados pelos Parlamen-tos. Agora organizações não governamentais como o Greenpeace estão se mobilizando no continente europeu para pressionar seus parlamentares a não aprovarem os termos - já foram enviadas cartas a parlamentares da Áustria e da Alemanha.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Presidente francês, Emmanuel Macron, diz que incêndios na Amazônia são 'crise internacional'


O presidente francês, Emmanuel Macron, em entrevista coletiva no dia 22 de agosto de 2019.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse nesta quinta-feira que os incêndios que atingem a Amazônia são uma "crise internacional" e convocou os membros do G7 a discutir "esta emergência" na cúpula de Biarritz, no sudoeste da França, prevista para este final de semana. Os participantes do encontro serão: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.
"Nossa casa está em chamas. Literalmente. A Amazônia, pulmão de nosso planeta, que produz 20% do nosso oxigênio, está pegando fogo. Essa é uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir esta emergência nos dois primeiros dias" da cúpula, tuitou o presidente.
A sugestão do francês não agradou em nada Bolsonaro. "O Governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI”, disparou o mandatário brasileiro.
Críticas da ONU
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou nesta quinta-feira estar profundamente preocupado com os incêndios florestais na floresta amazônica. Ele reforçou que não podemos mais arcar com os danos para uma das maiores fontes de oxigênio e biodiversidade.
EM TEMPO: Diante dessa gravidade ambiental é muito estranho a omissão das Forças Armadas
Fonte: AFP e Yahoo Notícias

‘Recorde de queimadas reflete irresponsabilidade de Bolsonaro’, rebatem ONGs

© ANTONIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL - 28/11/2013

Giovana Girardi


Queimadas na Amazônia, 60% acima da média dos últimos 3 anos, estão ligadas a desmatamento.

O Observatório do Clima, grupo que reúne cerca de 50 organizações não governamentais do País, reagiu às insinuações feitas hoje pelo presidente Jair  Bolsonaro – de que ONGs estariam envolvidas em relação às queimadas da Amazônia – e afirmou que o recorde de focos de incêndio observados neste ano é apenas “o sintoma mais visível da antipolítica ambiental do governo de Jair Bolsonaro”.

Em nota divulgada à imprensa, a coordenação do OC pontuou que as ações do governo federal contribuíram para o aumento do desmatamento na região e que “o fogo reflete a irresponsabilidade do presidente com o bioma que é patrimônio de todos os brasileiros, com a saúde da população amazônida e com o clima do planeta, cujas alterações alimentam a destruição da floresta e são por ela alimentadas, num círculo vicioso”.

O número de queimadas em todo o Brasil neste ano já é o mais alto dos últimos sete anos, conforme mostrou o Estado na segunda-feira. Desde 1.º de janeiro até esta terça-feira, 20, foram contabilizados 74.155 focos, alta de 84% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que contabiliza esses dados desde 2013.

Os impressionantes registros da NASA sobre a Amazônia em chamas

Foto 1: NASA     © Kauê Vieira

Redação Hypeness, 21.08.2019

Descontrole e crimes ambientais não são novi-dade na região amazônica. 

No entanto, queimadas recordes e seus efeitos acionaram o botão vermelho, não só entre ambientalistas, mas em todos os que lutam pela preservação da natureza.

Há dias ardendo em chamas, a floresta amazô-nica registrou o maior número de queimadas em sete anos. Apenas entre janeiro e agosto são 72.843 pontos mapeados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Número 83% maior do que no mesmo período de 2018. 


Imagens de satélite da NASA dão a dimensão da magnitude do problema. Parte do mapa brasileiro está coberto por uma densa névoa acinzentada. Fumaça que vem de Rondônia, do Acre, que declarou estado de alerta ambiental e de Amazonas, que decretou situação de emergência na região sul e na zona metropolitana de Manaus por causa do fogo. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Venezuela: uma nova fase do ataque imperialista


Secretaria de Relações Internacionais do PCB

“O aprofundamento do bloqueio: uma nova fase do ataque imperialista”. Este é o título do texto sobre a situação venezuelana que segue abaixo, escrito por Carlos Casanueva, professor de história e militante do Parido Comunista do Chile, publicado em 14/08/2019, no site El Siglo.
Devemos nos preparar para lutar nos cenários que surgem: é hora dos patriotas. Há, sem dúvida, a necessidade de levar-se em conta a situação eleitoral interna dos Estados Unidos ao analisarmos a atual situação venezuelana, já que a decisão de Trump de se reeleger em novembro de 2020 poderia estar influenciando perigosamente a estabilidade da Venezuela, provocando um aumento na pressão da ultradireita de Miami contra Cuba e Venezuela, peça-chave nas aspirações de Trump para sua reeleição.
O desespero de Trump em agradar aos setores mais recalcitrantes da direita é tão evidente, que ele não apenas não condenou o caráter eminentemente racista do massacre em El Paso, Texas, por um supremacista branco, mas também ordenou ataques em massa para a deportação de imigrantes, alguns dias após o assassinato.
Tudo isso mantendo a guerra comercial com a China, numa angustiante tentativa de cumprir suas promessas eleitorais, endossando a responsabilidade de seu fracasso para com o gigante asiático: “Presidente Xi, que é alguém de quem gosto muito, acho que ele quer fazer um acordo, mas francamente, não é rápido o suficiente. Ele disse que ia comprar dos nossos agricultores, ele não fez isso”, disse Trump há alguns dias, em uma tentativa absurda de se aproximar do setor produtivo agrícola, sob a premissa segundo a qual o setor agrícola dos EUA não conseguiu a recuperação prometida por Trump em sua campanha porque a China não cumpriu (a promessa).

"Queimadas são resultado de má fé, preguiça e ignorância”



dw.com



Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que as queimadas no Brasil aumentaram 83% quando comparadas as ocorrências registradas entre janeiro e 18 de agosto de 2019 às do mesmo período no ano passado.

 © Getty Images/AFP/R. Alves Provided by Deutsche Welle




Segundo o Programa Queimadas do Inpe, nos primeiros oito meses deste ano foram registrados 72.843 focos de queimadas contra 39.194 no ano anterior.

Apenas na região Amazônica, foram detectados 22 mil focos incêndios florestais entre 1° de 19 de agosto, superando marcas dos últimos nove anos, que ainda consideravam o total de dias do mês. Nos primeiros 20 dias de agosto, o Pará registrou 7.130 focos de incêndio e o Amazonas conta até agora com 5.305 focos – taxa mais alta verificada no Estado desde 2005. Mato Grosso e Rondônia são os próximos no ranking, com 4.905 e 4.424 focos de queimadas respectivamente.

Sete vezes ao dia, imagens de pelo menos oito satélites são atualizadas no sistema para indicar os focos detectados. As informações são públicas e podem ser consultadas livremente.

Em áreas de monitoramento especial, como unidades de conservação, e-mails de alerta são enviados aos órgãos responsáveis seis vezes ao dia - ou em forma de resumo diário às 23h20 (horário de Brasília).
Os satélites usados no programa têm capacidade de detectar frentes de fogo a partir de 30 metros de extensão por 1 metro de largura. É na temporada de seca na Amazônia que os números disparam, entre junho e outubro.

Proibidas pela legislação de uma forma geral, as queimadas provocam morte de animais e devastação da vegetação, deixam o solo mais pobre e reduzem a absorção de água pelo solo.

Em entrevista à DW Brasil, Alberto Setzer, pesquisador do Inpe e coordenador do Programa Queimadas, alerta para novos recordes no número de focos de incêndio em 2019.

DW Brasil: Como vocês têm percebido pelo monitoramento o comportamento do fogo na Amazônia nesta temporada de seca?

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Favoritos em eleição presidencial argentina assinam manifesto pró-Lula

Alberto Fernandez e Cristina Kirchner

AFP, 20 de agosto de 2019

O candidato Alberto Fernández e sua companheira de chapa, Cristina Kirchner, favoritos para a disputa em outubro na Argentina, pediram nesta terça-feira (20) a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assinando uma petição com centenas de personalidades.

Dezenas de dirigentes de direitos humanos, governadores, legisladores, dirigentes sociais, sindicalistas, artistas e cientistas argentinos assinaram o pedido de liberdade intitulado "500 dias de injustiça" e com a hashtag #LULALIVREJÁ, publicado no jornal Página/12.
Entre os signatários estão o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel; a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela Carlotto; a Mãe da Praça de Maio Taty Almeida e a dirigente de Familiares de Desaparecidos (na ditadura 1976-1983) Lita Boitano.
"É um clamor muito importante pela liberdade frente a uma injustiça, como é a detenção e a condenação de Lula da Silva, que implica o fato de o Brasil continuar em um estado de exceção", afirmou Nicolás Trotta, reitor da Universidade Metropolitana do Trabalho e promotor da iniciativa.
No mês passado, Fernández visitou Lula (2003-2010), que está preso em Curitiba.
Nas primárias de 11 de agosto, Fernández surgiu como favorito para a eleição presidencial de outubro, com 47% dos votos, à frente do presidente liberal Mauricio Macri (32%).
Depois da derrota de seu aliado Macri, o presidente Jair Bolsonaro disse que o eventual retorno do kirchnerismo ao poder na Argentina pode levar a uma onda de refugiados no Brasil, similar à que enfrenta na fronteira com a Venezuela.
Pouco depois, Fernández chamou Bolsonaro de "misógino, racista e violento" e exigiu que "liberte" Lula, que manteve uma relação muito boa com os ex-presidentes argentinos, Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015).
EM TEMPO: Enquanto o presidente Bolsonaro atrai rejeição externa o ex-presidente Lula atrai simpatia e solidariedade no mundo inteiro.



Lava-Jato ignorou envolvimento de Paulo Guedes com empresa de fachada

Foto: REUTERS/Adriano Machado

Redação:  Yahoo Finanças, 20 de agosto de 2019
A força-tarefa da Operação Lava-Jato aparentemente ignorou o envolvimento do ministro da Economia, Paulo Guedes, com uma empresa de fachada investigada por lavagem de dinheiro, revelou nesta terça-feira (20) o jornal Folha de S.Paulo.

Guedes era sócio-administrador de uma empresa chamada GPG Consultoria que, em 2007, repassou R$ 560,8 mil a uma empresa operada por um secretário do ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).
A empresa em questão, chamada Power Marketing Assessoria e Planejamento, foi acusada pelos procuradores da Lava-Jato de emitir notas fiscais frias para justificar a lavagem de dinheiro que seria usado no pagamento de propina a políticos.
A Power Marketing era operada por Carlos Felisberto Nasser, falecido em 2018, e que na época trabalhava na Casa Civil do governo paranaense. A empresa de fachada teria sido criada para lavar o dinheiro que o Grupo Triunfo usava para pagar propinas de políticos, em troca das quais era beneficiado na concessão de rodovias do Paraná.
Segundo uma denúncia apresentada pela Lava-Jato à Justiça em abril de 2018, a Power Marketing não tinha funcionários, não contratava serviços nem tinha qualquer indício de operar como uma empresa normal. Mesmo assim, ela emitia notas fiscais como maneira de justificar os pagamentos que recebia de empresas do Grupo Triunfo.

Desfecho do sequestro no Rio vai legitimar “necropolítica” de Witzel?

Reprodução

Yahoo Notícias, 20 de agosto de 2019
O ex-juiz Wilson Witzel foi eleito governador do Rio pelo PSC com um discurso linha-dura sobre segurança pública. Na transição, ele resumiu uma entrevista como seria a orientação para a polícia fluminense no combate à criminalidade: “mirar na cabecinha e… fogo!”


Uma vez empossado, declarações como essa serviram como carta-branca para inúmeras ações nas comunidades do Rio de Janeiro, algumas com uso de helicóptero. Uma delas vitimou um jogador não federado das categorias de base do América, que “portava” uma chuteira na mochila quando foi baleado em Niterói. Em 80 horas, outros cinco jovens como ele foram assassinados na localidade.
Na semana passada, cerca de 1.500 cartas feitas por crianças e moradores do Complexo da Maré foram entregues ao Tribunal de Justiça do estado pedindo menos violência nas comunidades.
Pressionado, o governador questionou a autenticidade das missivas e atribuiu a morte de inocentes aos “pseudo defensores dos direitos humanos”.
“Nunca vi um defensor de direitos humanos entrar em favela dando tiro”, respondeu o presidente da OAB do Rio, Luciano Bandeira.
Foi neste contexto que o Rio de Janeiro amanheceu, nesta terça-feira, 20/08, com a notícia do sequestro de um ônibus na Ponte Rio-Niterói. O cerco ao veículo, que levava dois passageiros, remetia a dois episódios traumáticos do passado recente, o caso Eloá Cristina, em Santo André (SP), e o do ônibus 174, também no Rio. Ambos resultaram na morte de sequestrados.

Receita de igrejas quase dobra em oito anos e vai a R$ 24,2 bi

**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 07.06.2018: Moedas brasileiras nos valores de 10, 20, 50 e 100 reais. (Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Folhapress)

THIAGO RESENDE
Folhapress, 20 de agosto de 2019

Em oito anos, a arrecadação de igrejas no Brasil praticamente dobrou. A alta é resultado do aumento de entidades religiosas no país e de mais doações, dízimos e ofertas aos templos. A renda das igrejas subiu de R$ 13,3 bilhões, em 2006, para R$ 24,2 bilhões, em 2013, segundo dados da Receita Federal, obtidos pela Lei de Acesso à Informação.

Corrigindo o montante de 2013 pela inflação, seriam quase R$ 32 bilhões em valores atuais. Quase metade do que o governo espera gastar em 2019 com o BPC, benefício assistencial pago a idosos carentes e pessoas com deficiência.
Isso significa uma receita de quase R$ 88 milhões por dia para entidades religiosas, em valores atualizados.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em abril, o secretário da Receita, Marcos Cintra, disse que até fieis pagariam impostos sobre o dízimo com a proposta de reforma tributária que discute um tributo sobre movimentações financeiras - nos moldes da extinta CPMF.
Base eleitoral do presidente Jair Bolsonaro, as entidades religiosas reagiram e o governo montou uma operação para negar a possibilidade.
A Receita Federal não calcula o quanto deixa de arrecadar por causa da imunidade tributária a igrejas.
“Elas são imunes. Então, o tributo nem alcança. Se não sei nem como se tributaria essa receita, não tem como saber o que deixou de ser arrecadado”, disse o coordenador de previsão e análise do Fisco, Marcelo Gomide.
Mas ele informou que a desoneração foi de, pelo menos, R$ 674 milhões no ano passado na parte previdenciária.

Número de mortos pela polícia do RJ chega a 881 nos últimos 6 meses

(Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)


 Redação – Notícias Yahoo  

  
RESUMO DA NOTÍCIA
·         Governador Wilson Witzel panfleta a política de “abate” ao defender o uso de snipers
·        Nenhuma das mortes em operações policiais aconteceu em áreas dominadas pela milícia

Entre janeiro e junho deste ano, o Rio de Janeiro teve o maior número de mortos em operações policiais dos últimos 17 anos. De acordo com levantamento feito pelo UOL, foram 881 vítimas – nenhuma delas em região dominada pelas milícias.
A informação vem do cruzamento de dados do Instituto de Segurança Pública, que analisa os indicadores de violência do Rio de Janeiro, com pesquisas do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, do Observatório de Segurança RJ.
Dados também foram coletados a partir de relatos de moradores e entrevistas com especialistas em Segurança Pública. Foram consideradas áreas de milícia os territórios apontados como domínio de paramilitares pelo Disque-Denúncia e pelas polícias militar e civil.
Os estudos mostram que todos os homicídios aconteceram em áreas sob domínio de facções ligadas ao tráfico de drogas – em especial, o Comando Vermelho. A assessoria do governo diz "não fazer distinção entre criminosos, sejam eles integrantes de facções do narcotráfico ou de quadrilhas de milicianos. A determinação é combater as organizações criminosas com igual rigor. As mortes em intervenções de agentes do estado ocorreram nos locais onde houve resistência armada às ações policiais".
"O crescimento das milícias é o principal problema de criminalidade organizada que o estado enfrenta hoje. O Rio exporta o fenômeno das milícias para outros estados e só a cúpula de segurança fluminense não percebeu ainda que este é o nosso maior desafio de violência e criminalidade", explica Sílvia Ramos, cientista social e coordenadora do Observatório de Segurança.
O Ministério Público do Rio de Janeiro não informou quantas investigações de supostos excessos nas ações policiais estão em andamento. Nem a Polícia Militar e nem o governo do estado responderam à pergunta sobre quantos armamentos e munições foram encontrados com as vítimas.
“POLÍTICA DO ABATE”
O governador Wilson Witzel (PSC) é conhecido por defender uma política de “abate”. Em junho passado, ao se referir à Cidade de Deus, onde foram registradas 16 mortes, disse que "se estivesse em outros lugares do mundo, nós tínhamos autorização para mandar um míssil naquele local e explodir aquelas pessoas".
A pesquisadora Sílvia Ramos questiona a eficiência dessa abordagem: "As operações cresceram 42%, e a letalidade dessas ações aumentou 46%. O Rio está repetindo o pior de suas políticas de segurança dos últimos 20 anos, com predominância dos tiroteios e confrontos.
Governadores de triste memória para o Rio, Moreira Franco (MDB) e Marcello Alencar (PSDB, morto em 2014), também disseram, no início de suas gestões, que com eles os criminosos não teriam vez. Adotaram as políticas do confronto e o Rio entrou na escalada da expansão das armas que conhecemos", afirma.