segunda-feira, 16 de junho de 2025

Ex-embaixador britânico alerta: Israel pode forjar "incidente de falsa bandeira" para arrastar EUA a conflito com Irã

O ex-diplomata Peter Ford defendeu uma "ação sensata" da comunidade internacional

16 de junho de 2025



Benjamin Netanyahu e Donald Trump na Casa Branca (Foto: REUTERS/Kevin Mohatt)

Por Leonardo Lucena

247 - O ex-embaixador do Reino Unido na Síria, Peter Ford, expressou preocupação de que Israel possa encenar um "incidente de falsa bandeira" para forçar os Estados Unidos a entrarem diretamente no conflito com o Irã.

Dois oficiais israelenses disseram ao portal Axios nesse domingo (14) que Israel passou dois dias pressionando os EUA a se juntarem ao confronto. Um deles afirmou que Washington "pode intervir se necessário", e que Trump teria dito isso diretamente ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em conversa recente.

"Temo que em breve vejamos um incidente forjado por Israel para obrigar a intervenção americana", declarou Ford.

Críticas à política internacional

O ex-diplomata defendeu que a "ação sensata" da comunidade internacional seria:

·         Evitar interferência direta

·         Permitir que Israel "sofra as consequências" pelo erro de atacar o Irã

"Essa talvez seja a inclinação de Trump. Seu histórico, porém, não nos faz crer que ele resistirá por muito tempo ao lobby israelense nos EUA", acrescentou.

Sobre o impacto do conflito no Oriente Médio, Ford foi categórico:"Não há um processo de paz significativo na região há vinte anos. O melhor desfecho seria a humilhação de Netanyahu – sua queda poderia abrir novas perspectivas de paz."

Ataques e retaliações

Na madrugada de sexta-feira (13), as Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram a Operação Leão Alçando Voo, atacando:

·         Alvos militares iranianos

·         Instalações nucleares (incluindo Natanz e Fordow)

·         Comandantes do IRGC e cientistas nucleares

O aiatolá Ali Khamenei classificou os ataques como "crime" e prometeu a Israel um "destino amargo e terrível". O Irã retaliou com a Operação Promessa Verdadeira 3, atingindo bases militares israelenses (com Sputnik).

domingo, 15 de junho de 2025

Analista geopolítico explica por que Israel atacou o Irã – e isso não tem nada a ver com ameaça nuclear

 



História de Redação Brasil 247

247 – O analista independente Ori Goldberg, doutor em Estudos do Oriente Médio com especialização em assuntos iranianos, afirma que o recente ataque de Israel ao Irã não teve nenhuma relação real com uma ameaça nuclear. Em artigo publicado na Al Jazeera, Goldberg sustenta que a ofensiva foi motivada por razões políticas e estratégicas do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que tenta se proteger do crescente isolamento internacional e de ações iminentes da Justiça internacional.

Alvos civis, militares e políticos

A ofensiva israelense atingiu diversos alvos militares e governamentais iranianos, como campos de mísseis, depósitos de petróleo, instalações de gás e figuras de alto escalão. Entre os assassinados estaria Ali Shamkhani, ex-ministro da Defesa e assessor direto do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Embora sua morte ainda não tenha sido oficialmente confirmada por Teerã, fontes relatam que ele foi eliminado na operação. Shamkhani era peça central nas negociações diplomáticas com os Estados Unidos.

“Israel recorre frequentemente à tática de assassinatos seletivos na tentativa de desestruturar sistemas por meio da eliminação de seus líderes”, analisa Goldberg. Ele vê nesse padrão uma estratégia para sabotar as instituições iranianas e, possivelmente, interromper qualquer canal de negociação entre Irã e potências ocidentais.

A cortina de fumaça da guerra

Para o analista, o ataque não teve o objetivo real de destruir o programa nuclear iraniano, até porque isso exigiria capacidades militares que Israel não possui isoladamente. A verdadeira motivação, afirma Goldberg, está no desgaste internacional enfrentado por Netanyahu diante das denúncias de genocídio contra o povo palestino em Gaza, da ameaça de mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) e do movimento global em favor do reconhecimento do Estado palestino.

EM TEMPO: Convém lembrar que Netanyahu tem vários processos contra ele na justiça de Israel e está perdendo apoio no governo de coalizão. 

 

sábado, 14 de junho de 2025

“Ataque de Israel ao Irã é parte da guerra do Império ao BRICS", diz Pepe Escobar

Analista geopolítico diz que a guerra do Império contra o Irã deverá ser um tema central da cúpula do BRICS, no Rio de Janeiro, em julho

(Foto: REUTERS | Brasil247)


 


:


Redação Brasil 247

247 – O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou, em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, nesta sexta-feira 13, que o ataque de Israel ao Irã representa um capítulo decisivo da guerra global conduzida pelos Estados Unidos — por meio de Israel — contra o BRICS. A entrevista foi realizada poucas horas após o bombardeio israelense que atingiu cientistas, militares e instalações nucleares iranianas, incluindo a central de Natanz.

Segundo Escobar, o ataque ocorreu na véspera de uma nova rodada de negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã, prevista para domingo em Omã. Para ele, trata-se de uma estratégia deliberada para inviabilizar qualquer avanço diplomático. “A guerra do Império contra o Irã agora entra de vez na mesa dos BRICS”, afirmou. “Israel está provocando deliberadamente uma escalada, empurrando o governo Trump a se envolver diretamente.”

Uma declaração de guerra ao Irã e ao BRICS

Pepe Escobar classificou o bombardeio como uma “declaração de guerra” e afirmou que a resposta iraniana, já anunciada como a “Promessa Verdadeira 3”, será inevitável. “A primeira onda, com mais de 100 drones, foi só o começo. O Irã vai responder com mísseis balísticos e hipersônicos, em camadas, visando desmontar a capacidade de defesa aérea israelense.”

O analista denunciou que Israel está promovendo uma guerra de extermínio contra todos os que se opõem ao seu projeto colonialista no Oeste da Ásia. “Israel é uma máquina de matar, não é um Estado-nação. É um tumor geopolítico. Ataca Gaza, o Líbano, o Iêmen e agora o Irã. Não há como negociar com uma entidade assim”, disse.

BRICS como alvo geopolítico

Escobar argumentou que o ataque não tem apenas uma dimensão regional, mas global, atingindo diretamente a espinha dorsal energética do BRICS. “O Irã é parte estratégica do BRICS. O país tem tratados de cooperação com China e Rússia. Esse ataque é uma agressão direta ao BRICS como estrutura geoeconômica multipolar”, explicou.

Segundo ele, o ataque deverá ter profundas repercussões na cúpula do grupo, que será realizada no Rio de Janeiro em julho, sob a presidência do Brasil. “Vai ser inevitável. O BRICS terá que discutir essa guerra. A presidência brasileira tem agora a responsabilidade de colocar essa questão sobre a mesa.”

A lógica do caos: de Soleimani a Natanz

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Oposição frontal ao governo Lula é ultra-esquerdismo

Enquanto o PSol oscila abaixo dos 5% e o bolsonarismo mantém 30% do país, a esquerda anticapitalista não pode se dar ao luxo de ser ‘a mais radical da sala’

Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)


 




“Quem corre atrás de duas lebres, uma e outra perderá”
(Provérbio popular português).

Por Valério Arcary (Historiador e Membro do PSOL)

ANÁLISE 1.H

A esquerda está dividida diante do governo Lula. Um campo minoritário radical e muito fragmentado, mas combativo de militância abnegada e despojada, defende que, apesar de tudo o que aconteceu nos últimos dez anos, é necessário ser oposição de esquerda ao governo Lula.

Mesmo considerando a estreita vitória eleitoral de Lula em 2022, a vitória da extrema direita nas eleições municipais de 2024, a eleição de Javier Milei e Donald Trump, e a permanência de um apoio de massas ao bolsonarismo. Nessa chave “super-bolchevique” polemiza ferozmente contra as correntes revolucionárias que insistem que a melhor tática deve ser a independência, apoiando as medidas progressivas e justas, e criticando as medidas reacionárias e impopulares.

Mas não é verdade que há somente dois caminhos: apoio incondicional ou oposição irredutível ao governo Lula. No repertório da esquerda marxista existem outras táticas. Entre o recuo constante e a ofensiva permanente existem outros movimentos para ganhar tempo sem ceder posições. Quando não estamos em uma situação revolucionária nunca é “tudo ou nada”. Há a necessidade de táticas que fazem mediações.

Existe o espaço e o tempo para manobras que permitam acumular forças. Infelizmente, o governo abraçou a estratégia de buscar a governabilidade “a frio”, custe o que custar, “risco zero”. O que pode ser fatal no que está por vir. O enfraquecimento do governo Lula nos deixa diante do perigo do abismo de uma derrota avassaladora em 2026, pior até que em 2018.

Mas ainda há tempo, se o governo fizer um giro à esquerda. Não depende da esquerda combativa que este giro venha a ser feito, porque não temos força bastante. Mas pressionar por um giro à esquerda não é o mesmo que exigir de Lula que “faça a revolução”. Isso seria ultimatismo. Um giro à esquerda é o caminho apontado pelo plebiscito popular. Essa é a tática pela qual vale a pena a lutar. Não é uma tática original, sequer inusitada. Não é uma “invenção” brasileira.

Respeitadas as enormes diferenças da analogia, trata-se de fazer exigências ao governo Lula como Vladímir Lênin defendeu que o bolchevismo fizesse ao governo provisória liderado pelos esseristas e mencheviques em abril de 1917, para ganhar tempo. A diferença é que tudo na conjuntura brasileira é mais difícil e, sobretudo, muito mais lento. Não há a pressão da guerra, os nossos Kornilov’s já tentaram o golpe, e o desfecho da medição de forças será no terreno eleitoral. Mas o principal é que não estamos em uma situação revolucionária.

ANÁLISE 2.

Mais difícil e lento porque ainda não foi revertida a situação reacionária aberta, por variados fatores. Evidentemente o governo Lula não é inocente neste processo, tem muitas responsabilidades. A relação de forças poderia ter evoluído mais favoravelmente, se Lula e a maioria da direção do PT tivessem disposição de correr mais riscos.

Existiram oportunidades perdidas: depois da derrota da semi-insurreição golpista de 8 de janeiro em 2023, por exemplo. Temos exemplos recentes na Colômbia pela iniciativa de Gustavo Petro, que apoiou até um chamado à greve geral. Mas as vacilações e capitulações do governo Lula, por mais graves que sejam, não são o bastante para legitimar uma estratégia voluntarista.

Uma tática política não pode ser expressão de desejo. Não estamos às vésperas de um novo junho de 2013. Não haverá explosão social pela esquerda contra o governo Lula. Não há no horizonte senão a possibilidade de reeleição de Lula ou de retorno da extrema direita ao poder. A aposta na ocupação de um espaço de crítica revolucionária aos limites do lulismo é um projeto irrealista que despreza a bússola de classe. Uma tática aventureira não é responsável.

Princípios não são o mesmo que um programa. Os princípios foram estabelecidos pelas lições graníticas da história da luta socialista através de gerações. O programa não é igual a uma estratégia. O programa responde a uma avaliação das tarefas necessárias em função de uma análise da situação do país. A estratégia se formula em função de uma perspectiva de luta pelo poder. A estratégia não se resume a uma tática.

As táticas mudam em função das conjunturas. A política não é indiferente ao relógio da luta de classes. Nem tudo é possível. Sem um cálculo do que é possível tudo é somente vontade. Sem vontade revolucionária não há paixão política. Mas sem avaliação lúcida todo voluntarismo é estéril.

Os que defendem a necessidade de construir uma oposição frontal esgrimem três argumentos centrais: (a) o governo Lula é um governo burguês e, se abraçamos uma estratégia revolucionária, a única tática consequente é a crítica implacável  de suas capitulações às pressões da classe dominante, como o recente contingenciamento de mais de R$30 bilhões do orçamento para atingir a meta déficit zero do arcabouço fiscal, e a denúncia impiedosa de suas rendições, como o próximo leilão que a Petrobrás prepara, inclusive para a prospecção de petróleo na margem equatorial às vésperas da COP-30;

(b) A única forma de conter o apoio à oposição de extrema direita, que ocupa o espaço de oposição com um discurso radical contra o governo é uma agitação radical antissistema; (c) o papel da esquerda anticapitalista é construir mobilizações de massas contra o governo, e não devemos nos apoiar nas medidas progressivas para ir mais além.

Estes três argumentos são errados porque ignoram as condições objetivas, ou seja, a força de uma realidade condicionada por fatores que independem da nossa vontade.

ANÁLISE 3.

É verdade que o governo está à deriva, cedendo às pressões da classe dominante: (i) Gabriel Galípolo elevou a taxa de juros para diminuir a demanda, reduzir os custos produtivos pressionados por uma situação de “pleno emprego” técnico, e recuou da elevação do IOF em poucas horas; (ii) o governo não assume a luta política pelo fim da escala 6×1, a agitação da defesa de imposto sobre os super-ricos com renda superior a R$50.000,00 por mês, silenciou diante da campanha contra a Anistia dos golpistas. Mas a realidade é cruel. Apesar da provável condenação de Jair Bolsonaro e seus cúmplices, a oposição neofascista dirige um núcleo duro de algo próximo a 15% e influencia, pelo menos, 30% do país.

Não precisa de mais para arrastar uma maioria nas eleições de 2026, dependendo do que vai acontece em um ano e meio. O principal partido à esquerda do PT e do lulismo é o PSol e influencia menos de 5%. Além disso, o nível de confiança e disposição de luta, até mesmo entre os setores mais avançados dos trabalhadores e da juventude é baixo.

A tática de independência diante do governo Lula é um cálculo que obedece a uma avaliação dos perigos que nos cercam. Independência não deve ser uma máscara seja para apoio envergonhado, ou para oposição dissimulada. A definição da tática deve responder a um juízo sobre o que está em jogo, uma avaliação da conjuntura e das relações sociais e políticas de força.

O mais importante entre todas as variáveis é que a classe trabalhadora e a juventude ainda não entraram em movimento. Infelizmente, até agora, dois anos e meio depois da vitória eleitoral de 2022 não se reverteu a situação defensiva de refluxo. Não há ascenso. Tudo o que há de mais grave ainda está em disputa, e é incerto.

Assim como há variados tipos de regimes políticos compatíveis com a preservação do capitalismo- desde ditaduras, passando por diferentes formas de democracias eleitorais, mais autoritárias ou menos, há, também, muitos tipos diferentes de governos burgueses. A tática política não pode ser sempre a mesma. O governo Lula é um governo burguês, porém, “anormal”.

Estamos diante de um governo burguês porque: (a) o seu programa respeita os limites institucionais do regime que sustenta o capitalismo periférico brasileiro; (b) a classe dominante está representada dentro do governo, através de Geraldo Alckmin, Simone Tebet, e o partido de Gilberto Kassab; (c) o governo aceita as condições impostas pelo bloco do centrão; (d) a aprovação do arcabouço fiscal garantiu uma relativa estabilidade na relação com a classe dominante, inclusive o agronegócio.

ANÁLISE 4.

Mas é um governo especialmente “anormal”, não só porque é liderado pelo PT, o maior partido de esquerda do país, e tem à sua frente Lula, a maior liderança popular da história. É uma anomalia porque os capitalistas, embora divididos entre os reacionários que querem disputar os rumos do governo, e os extremistas de direita que querem deslocá-lo, não podem reconhecer o governo como seu.

Ao mesmo tempo, a maioria dos trabalhadores e do povo de esquerda se identificam com a liderança de Lula. A classe dominante brasileira é a mais poderosa do mundo no hemisfério sul. Em 2016, não hesitou em apoiar um golpe institucional para derrubar o governo Dilma Rousseff, mesmo depois treze anos de ininterrupta concertação. Ficou claro no “laboratório da história” que não tem compromisso inquebrantável com a democracia liberal.

O apoio de uma fração burguesa a Lula no segundo turno de 2022 foi circunstancial, efêmero, condicional, um “acidente”. A oposição de extrema-direita liderada pela corrente neofascista, embora na defensiva, está viva. A condenação de Jair Bolsonaro não deixará o bolsonarismo “acéfalo”: têm Tarcísio de Freitas e os familiares do clã. Ele pode ser substituído, porque, além do messianismo milenarista, há no país apoio político e ideológico ao programa da extrema direita.

Se as correntes revolucionárias tiverem como foco prioritário a denúncia do governo, a clássica tática do desgaste, colaboram com o seu enfraquecimento em uma conjuntura em que a única alternativa real na luta pelo poder é a extrema direita. Jair Bolsonaro e seus monstros não perdem a oportunidade de reproduzir publicações contra o governo Lula vindas do nosso campo: “até na esquerda tem gente que diz o mesmo que nós”.

A esquerda radical não pode ser “inocente útil” do retorno ao poder do bolsonarismo. Quem não viu, no passado recente, o perigo do “inverno siberiano”, a derrota histórica, errou. Não há, por enquanto, uma situação revolucionária no horizonte. É justa a luta pelas reivindicações dos trabalhadores e da juventude, e toda a esquerda deve impulsioná-las, mas sem perder a bússola de classe.

Não se pode lutar contra duas forças político-sociais muito maiores do que a esquerda radical, ao mesmo tempo, na mesma intensidade. O inimigo central é o neofascismo, e só pode ser derrotado com a Frente Única de Esquerda, inclusive com a esquerda moderada que lidera o governo Lula.

EM TEMPO: A maioria da população brasileira, bem como do mundo inteiro, oscila entre à Direita e a Centro Direita. Afinal, a população é influenciada e bombardeada diariamente pela ideologia das Classes Dominantes do país. A população eleitoral que concede a vitória a Lula é formada pela Esquerda, Centro-esquerda e em sua maioria pela Direita mais flexível, digamos não rancorosa.  Basta analisar a constituição ideológica do Parlamento e do Executivo. Minimamente, o que o governo Lula deveria fazer é implantar uma política permanente de educação política das massas populares. Observe que o governo Bozo implantou algumas escolas cívico militares para doutrinar a juventude. E, para guerrear com a Esquerda, implantou os CAC's.  Apesar das dificuldades, cabe aos parlamentares de Esquerda, isto é, no Congresso Nacional, propor algumas medidas que preservem o interesse público, a saber: a) Diminuir a ingerência do "semi-parlamentarismo", ora caracterizado pelas emendas parlamentares, as quais visam alimentar suas bases eleitorais; b) Que os Tribunais de Conta sejam os fiéis da balança e analisem as solicitações de empréstimos a cargo de municípios, estados e união; c) Que sejam adotados critérios para a realização de festas pelos governantes; d) Incentivar que municípios e estados sejam rentáveis. Afinal é muito cômodo para  o Prefeito administrar um município  com pouca renda própria e ir para Brasília, na Marcha dos Prefeitos, para fazer zoada e  reclamar do poder central. 

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Amorim confirma: governo analisa rompimento de relações comerciais militares com Israel

"A adoção da medida, que teria um forte efeito simbólico, é examinada pelo presidente, pelo chanceler Mauro Vieira e por mim", disse o assessor especial.

Por Tereza Cruvinel (Jornalista)

12 de junho de 2025


 

Assessor especial da Presidência, Celso Amorim - 15/08/2024 (Foto: REUTERS/Andressa Anholete)

O embaixador Celso Amorim, assessor internacional do presidente Lula, confirmou ao Brasil247 que o Brasil está considerando a possibilidade de romper acordos militares com Israel, em sinal de da forte reprovação do governo brasileiro ao genocídio na Faixa de Gaza e a todas as práticas do governo israelense contra a população palestina, incluindo o impedimento da chegada de ajuda humanitária, como ocorreu esta semana com o aprisionamento da chamada "Flotilha da Liberdade".

A tensão no relacionamento bilateral escalou esta semana com o arresto dos ativistas que conduziam o navio da Flotilha, o Madleen, entre os quais o brasileiro Thiago Ávila. Preso e colocado em solitária, ele está em greve de fome desde ontem e pode ser deportado a qualquer hora. O Itamaraty condenou a interceptação ilegal do barco e o sequestro dos tripulantes e trabalha pela libertação de Thiago.

Na quarta-feira (11) Amorim recebeu um grupo de parlamentares e da Fepal (Federação Árabe-Palestina), aos quais admitiu que o assunto estava em análise, como forma mais concreta de resposta à conduta de Israel, que qualificou de “desumana e totalmente contrária à moral e à ética”. A informação acabou sendo divulgada por alguns dos participantes e foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo como se fosse uma decisão já tomada, o que foi corrigido pelo embaixador em nota oficial.

Na manhã desta quinta-feira procurei o embaixador para saber se haveria alguma decisão nas próximas horas sobre a hipótese de rompimento dos acordos militares e ele me respondeu:

--Repito o que eu disse a eles. A adoção desta medida, que teria um forte efeito simbólico, expressando nosso absoluto rechaço ao que Israel vem fazendo, é uma hipótese que está sendo examinada pelo presidente, pelo chanceler Mauro Vieira e por mim, naturalmente. Muitos aspectos precisam ser considerados e isso é que está sendo feito.

Um dos aspectos, certamente, envolve a reação dos militares brasileiros, que prezam muito a cooperação com Israel e reagiram fortemente, há poucos meses, quando houve a decisão de suspender as negociações de um acordo de fornecimento de alto valor.

Rompimento de relações é decisão complexa

No encontro de quarta-feira, Amorim foi questionado sobre a razão pela qual o Brasil, apesar da reiterada condenação do genocídio, ainda não rompeu relações diplomáticas com Israel. Fiz a mesma pergunta, que sempre nos chega pelos internautas da Comunidade 247.

O rompimento, disse-me o embaixador, é algo mais complexo do que se pensa no senso comum. O Brasil mantém sua embaixada em Tel Aviv, embora sem um embaixador desde a crise diplomática ocorrida quando o presidente Lula associou as ações israelenses ao Holocausto. Fechá-la, segundo Amorim, prejudicaria muito o atendimento aos brasileiros que vivem em Israel e na Jordânia, e mesmo em Gaza. A embaixada em Tel Aviv, muitas vezes, possui melhores condições para ajudar estas pessoas, como se viveu naquela remoção dos brasileiros no início da guerra.

Assim, o rompimento de relações diplomáticas não parece estar no horizonte do governo.

Relações pragmáticas

As relações militares entre Brasil e Israel sempre tiveram foco na cooperação técnica, com momentos de aproximação e distanciamento, dependendo dos governos e contextos internacionais.

Israel é um dos principais fornecedores de tecnologia militar ao Brasil, especialmente em áreas como Sistemas de vigilância e drones, equipamentos de comunicação militar, modernização de veículos blindados e aviões. Empresas israelenses como a Elbit Systems têm forte presença no Brasil, incluindo fábricas e joint ventures, como a AEL Sistemas em Porto Alegre, que fornece peças para caças da Força Aérea Brasileira.

Durante os governos Lula e Dilma a relação militar se manteve técnica, mas havia um certo distanciamento político em razão da posição crítica do Brasil à ocupação israelense na Palestina.  Já no governo Bolsonaro houve um estreitamento ideológico e militar com Israel, que Bolsonaro visitou em 2019.

A Elbit e a Ares Aeroespacial (outra subsidiária israelense) participaram de projetos de modernização dos blindados EE-9 Cascavel do Exército Brasileiro. A Ares fornece ao Exército e à Marinha as torres Remax, de armas remotamente controlada, sistemas de armas para navios-patrulha, com o sistema Typhoon, também de uso remoto. Estes e outros equipamentos são produzidos no Brasil, com transferência de tecnologia prevista em contratos.

Por tudo isso, o rompimento militar não é simples e enfrentaria resistências militares. Por outro lado, as compras brasileiras, pelo volume, contribuem para a sustentação econômica do governo de Netanyahu. As Estimativas de especialistas indicam que os contratos militares entre Brasil e Israel, incluindo parcerias industriais, superam US$ 1 bilhão desde o início dos anos 2000. O Brasil é, em alguns anos, um dos cinco principais destinos de exportação de armamentos israelenses.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

“Por que um deputado faz uma emenda para uma região e não quer ser identificado?”, questiona Glauber Braga

 ·         04/06/2025

  • Texto extraído do Blog do Magno Martins
  • - Edição de Camila Emerenciano

 

 

Por Inácio França
Da Marco Zero Conteúdo






Ameaçado de cassação por ter reagido com um chute a uma série de provocações de um militante de extrema-direita nos corredores do Congresso, Glauber Braga (PSOL-RJ) está percorrendo o Brasil com o duplo objetivo de defender seu mandato e mobilizar a sociedade contra o orçamento secreto do Congresso Nacional. Na segunda-feira, 2 de junho, ele veio ao Recife participar de um ato organizado pelo seu partido e do protesto que lembrou os cinco anos de impunidade da morte do menino Miguel, que caiu de uma das “torres gêmeas” do Cais de Santa Rita.

Em entrevista exclusiva para a Marco Zero, ainda no aeroporto dos Guararapes, Braga explicou como e porque a estratégia de viajar pelo país é a mais adequada para enfrentar as pressões e a “perseguição do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL)”. Para o deputado carioca, Lira passou a persegui-lo para se vingar de suas críticas e iniciativas para por fim ao segredo que envolve a liberação de recursos bilionários a partir das emendas de relator.

O processo de cassação foi interrompido temporariamente em meados de abril por decisão do atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB) depois que Glauber entrou em greve de fome.

Marco Zero Por que a escolha da estratégia de sair em caravana pelo país, apostando mais na mobilização do que em fazer corpo a corpo com os demais deputados na Câmara Federal?

Glauber Braga – O inimigo é muito forte, tem muito poder, tem muito dinheiro. Nunca se teve uma quantidade tão grande de recursos capturados a partir do tal orçamento secreto. E eu sou exatamente a pessoa que está sofrendo perseguição por denunciar esse esquema.

Avaliei que ficar exclusivamente num diálogo institucionalizado, sem mobilizar de fora para dentro, para além de ser a certeza da derrota, não aproveitaria essa oportunidade para mostrar que existem outras saídas, outras alternativas, outras táticas, para além da articulação institucional da maioria de ocasiões.

Então, é uma tentativa de casar as duas coisas. Isso quer dizer que eu não vou falar com o deputado? Evidentemente que eu vou fazer isso. O deputado que quiser conversar, se quiser que eu apresente os argumentos, estarei à disposição para fazê-lo, como estamos buscando apresentar esse argumento aos parlamentares.

Mas a gente considerou que essa mobilização tinha que se dar à quente, com envolvimento social, mostrando para as pessoas o que está acontecendo, demonstrando de uma forma bastante contundente que eu não ficaria refém da maioria de plantão que, inicialmente, já tinha tomado a decisão por uma cassação sumária. Mas, acredito que, inclusive, muito por conta dessa mobilização que nós estamos tocando, o cenário já é outro.

E qual é o cenário hoje?

terça-feira, 3 de junho de 2025

Com juros que já consomem quase R$ 1 trilhão/ano, qualquer ajuste fiscal equivale a enxugar gelo

O problema central a ser enfrentado pelo governo Lula, neste ou no próximo mandato, é a armadilha dos juros altos

03 de junho de 2025

Gabriel Galípolo (à esq.) e Lula (Foto: Reprodução (YT))


 





 

Por Leonardo Attuch (Jornalista)

Nesta segunda-feira, o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, apresentou ao presidente Lula um plano engenhoso para superar o impasse do aumento do IOF no Congresso e criar uma receita extraordinária a partir da exploração de petróleo. Com a proposta, estima-se arrecadar R$ 35 bilhões até 2026. Uma vitória tática, que revela a capacidade do governo de encontrar soluções criativas para resistências políticas imediatas. Mas também escancara um limite estratégico: não há ajuste fiscal sustentável enquanto o Brasil carregar a âncora de uma política monetária suicida, que drena quase R$ 1 trilhão por ano dos cofres públicos em pagamento de juros da dívida.

A tentativa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de construir um pacto de responsabilidade fiscal é louvável, mas sua agenda esbarra num muro de concreto: a resistência do Congresso Nacional a novos impostos, como se viu no caso da IOF, e a Selic em 14,75% ao ano, que sozinha explica quase todo o déficit nominal do setor público. Em 12 meses, até fevereiro de 2025, o Brasil gastou R$ 923,9 bilhões com juros — 7,78% do PIB — contra um déficit primário de apenas R$ 15,9 bilhões. Ou seja: o Brasil não gasta demais com saúde, educação ou previdência. O Brasil paga demais aos rentistas.

É aqui que a fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ganha contornos dramáticos. Ao dizer que o país precisa de “estômago de crocodilo e queixo de pedra” para suportar esse ciclo de juros altos, ele propõe resiliência estoica de quem vive da produção e do trabalho — enquanto o Banco Central oferece mel aos rentistas, que seguem se banqueteando com títulos públicos que pagam um dos maiores juros reais do mundo.

Ainda que a chegada de Galípolo represente uma guinada importante no comando do Banco Central, seu discurso revela o quanto a autoridade monetária ainda está capturada por uma ortodoxia paralisante. A justificativa é sempre a mesma: a necessidade de “âncoras fiscais e monetárias” para manter as expectativas de inflação sob controle. Mas o que realmente se ancora com juros de 14,75% ao ano é a inércia de um sistema que transfere renda de forma brutal do Estado — e, portanto, da sociedade — para uma elite rentista.

A manutenção dessa taxa desproporcional cria uma casta parasitária que se acostumou a viver de rendimentos sem risco, sem trabalho e sem produção. Não se trata de meritocracia ou de livre mercado. Trata-se de um dos mais perversos sistemas de extração de riqueza já montados em um país periférico. E o pior: sob o pretexto de “prudência”, essa política limita o potencial de crescimento econômico e restringe o investimento público e privado.

O plano de Silveira, ao explorar as riquezas do petróleo nacional para gerar receita, é válido, mas também insuficiente. Gera alívio momentâneo, mas não resolve o desequilíbrio estrutural. O mesmo vale para o esforço permanente de Haddad em domar o Orçamento. Enquanto o Estado for forçado a sacrificar gastos produtivos para remunerar capital ocioso, qualquer ajuste será equivalente a enxugar gelo.

O que se espera do governo Lula, neste ou no próximo mandato, é coragem política para desmontar a armadilha dos juros abusivos. Mais do que articular mudanças pontuais em tributos ou buscar receitas não recorrentes, é preciso recolocar o debate sobre a política monetária no centro do projeto nacional. Em algum momento, o governo Lula terá que demonstrar disposição política para romper esta armadilha. E, para isso, mais do que “queixo de pedra”, será preciso enfrentar a financeirização da economia brasileira.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Apologia ao crime é ver Collor em casa, Bolsonaro solto e Moro sequer denunciado

Prisão de MC Poze do Rodo é pura lacração que não ataca seriamente o crime organizado.

Por Aquiles Lins (Colunista do Brasil 247)

MC Poze do Rodo (Foto: Reprodução (YT/SBT))


 


 





A apologia ao crime, tipificada no Artigo 287 do Código Penal Brasileiro, significa defender, elogiar ou incentivar um crime ou um criminoso em público, como se a prática fosse justificável ou admirável. A pena pode ser de 3 a 6 meses de prisão, ou multa. 

Com base nesta lei a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu MC Poze do Rodo. Poze é um jovem negro, oriundo de favela, que está sendo acusado de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho. 

Uma operação absolutamente espetacularizada, midiatizada, expuseram o corpo negro de Poze cheio de tatuagens numa medida inócua, que não ataca o cerne do problema. 

O problema do crime organizado não será solucionado prendendo um funkeiro de comunidade que canta sua realidade. Mas sim com uma ação estruturada e coordenada entre os estados e a união, como está propondo o governo federal com a PEC da Segurança Pública. 

Enquanto isso, o estado brasileiro transmite para a população a sensação de que apologia ao crime é acompanhar Fernando Collor de Mello em décadas de delinquências terminar em prisão domiciliar “humanitária”.

Apologia ao crime é ver Sérgio Moro ter conduzido uma perseguição política contra Lula, quebrado a engenharia nacional e nem chegar a ser julgado. 

Apologia ao crime é ver Flávio Bolsonaro livre e solto depois de comandar um esquema de rachadinha. 

Apologia ao crime é Jair Bolsonaro não ter sido preso e cassado por ter exaltado um torturador da Ditadura Militar. 

Para estes e muitíssimos outros casos, a impunidade é a maior apologia ao crime.