quinta-feira, 22 de maio de 2025

Depoimento do ex-comandante da FAB foi "esclarecedor", "firme" e "preciso", dizem ministros do STF

Depoimento de Carlos Baptista Junior ao STF confirmou as intenções golpistas de Bolsonaro, a oposição do Exército e da Aeronáutica e o apoio da Marinha

22 de maio de 2025


 

Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto, Jair Bolsonaro, Almir Garnier Santos e Carlos de Almeida Baptista Junior (Foto: Reprodução/Twitter)




Por Guilherme Levorato

247 - O depoimento prestado pelo ex-comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (21), foi classificado por ministros da Corte como "esclarecedor", "firme" e "preciso", segundo informações do jornal O Globo. O militar confirmou pontos centrais da investigação conduzida pela Polícia Federal sobre a tentativa de golpe de Estado articulada após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022.

O testemunho do brigadeiro ganhou ainda mais relevância após o mal-estar provocado pela oitiva do ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, dois dias antes. Ao depor na segunda-feira (19), Freire minimizou as discussões golpistas e tentou enquadrá-las como "estudos" de mecanismos previstos na Constituição, como Estado de Defesa, Estado de Sítio e Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A relativização foi prontamente confrontada pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que relembrou os termos do depoimento anterior do general à PF. H

Confirmação da ameaça de prisão - Entre os principais pontos do depoimento de Baptista Junior está a confirmação de que o general Freire Gomes ameaçou prender Jair Bolsonaro caso ele decidisse levar adiante a proposta golpista. O brigadeiro relatou aos ministros: “o general Freire Gomes é uma pessoa polida, educada. Logicamente ele não falou essa parte com agressividade com o presidente da República, ele não faria isso. Mas é isso que ele falou. Com muita tranquilidade, com muita calma, mas colocou exatamente isso: ‘se o senhor tiver que fazer isso, vou acabar lhe prendendo’".

A fala contradiz a versão suavizada apresentada por Freire Gomes em sua oitiva e reforça a seriedade das tratativas registradas pela Polícia Federal sobre a conspiração.

Apoio explícito da Marinha a Bolsonaro - Outro ponto destacado por Baptista Junior foi o apoio direto da Marinha à intenção golpista de Bolsonaro. Segundo ele, o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, chegou a colocar as tropas à disposição: “em uma dessas reuniões, chegou o ponto em que ele [Garnier] falou que as tropas da Marinha estariam à disposição do presidente Bolsonaro".

Questionado durante a audiência, Baptista Junior reforçou a gravidade da postura do almirante: “eu não fiquei sabendo à toa que a Marinha tem 14 mil fuzileiros".

Segundo o brigadeiro, enquanto ele e Freire Gomes mantinham uma posição alinhada e institucional, Garnier se mostrava isolado: "infelizmente, uma vez falei a ele que nada pode ser tão pior para as Forças Armadas que não ter uma postura de consenso, e, talvez isso tenha sido o mais difícil, o almirante Garnier não estava na mesma postura que Freire Gomes e eu".

Depoimento visto como marco no processo - A fala de Baptista Junior foi prestada como testemunha da acusação, representada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e é considerada um dos depoimentos mais contundentes até o momento no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado.

Com a confirmação de detalhes-chave, como a ameaça de prisão feita por Freire Gomes a Bolsonaro e o posicionamento da Marinha, o depoimento fortalece a tese de que havia uma divisão interna nas Forças Armadas e que o núcleo civil do governo Bolsonaro buscava apoio militar para subverter o resultado das eleições de 2022. 

terça-feira, 20 de maio de 2025

General Freire Gomes perde a capa e a espada em depoimento no STF

'O depoimento de Freire Gomes deixou ver que joio e trigo estavam no mesmo saco', escreve a colunista Denise Assis (Jornalista)

20 de maio de 2025

General Marcos Freire Gomes (Foto: Divulgação)


 






Foi dada a largada para o desfile de cerca de 81 testemunhas dos acusados (cálculo feito por alguns juristas), de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado de direito – os mais graves -, e mais dois crimes relativos à depredação dos prédios públicos. A estreia ficou a cargo do general Marco Antônio Freire Gomes, à época o comandante do Exército (2022), que tentou apelar para o “espírito de corpo”, a fim de salvar a pele do também comandante, o da Marinha, Almir Garnier.

Não fica bem para um militar, principalmente em posição de comando, expor colegas de fardas, ou “entregar” os seus malfeitos. Assim, no depoimento que deu primeiramente na Polícia Federal - que a princípio ficaria sob sigilo -, falou à vontade, posou de herói e até mencionou uma frase de efeito, que, afinal, não disse: “presidente, se o senhor continuar eu serei obrigado a prendê-lo”.

Ali, diante do ministro relator, Alexandre de Moraes, tentou desanuviar sua fala, ajeitando a figura de Garnier, que até mesmo em um levantamento feito sob encomenda das Forças Armadas pela FGV, na semana de 7 de setembro de 2022, aparecia com a graduação máxima para o quesito em que apontava os adesistas ao golpe. Com o brigadeiro Carlos Almeida Batista Júnior, da Aeronáutica, não se preocupou. Já na PF ele havia se saído bem da fita. O estudo foi um termômetro para os comandos saberem a quantas andava o engajamento em um possível golpe no país, publicado com exclusividade pelo 247 em 6 de setembro daquele ano. https://www.brasil247.com/blog/exclusivo-forcas-armadas-fazem-levantamento-sobre-oficiais-dispostos-a-aderir-ao-golpe-prometido-por-bolsonaro

Em seu primeiro depoimento, houve quem enxergasse em Freire Gomes, enfim, o herói que o Exército tanto gosta e procura. Principalmente nesse episódio, que já entrou para a história e deixou mal a instituição, por mais que os comandos falem em “punir” para “separar o joio do trigo”.

O que o depoimento de Freire Gomes deixou ver é que joio e trigo estavam no mesmo saco, até que alguém pesou e mediu e constatou que o “day after” desta vez seria ainda mais danoso do que os últimos 21 anos de ditadura, para o Exército. Já começou com o sarrafo lá em cima, falando em “matar todo mundo”, projetando campo de concentração e exibindo plano de assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (O Jeca) envenenado; o seu vice, Geraldo Alckmin (o Joca, sem definição de método), e o ministro Alexandre de Moraes, degolado.

A contradição entre um tom e outro do seu depoimento não passou despercebido ao ministro relator, que observou: ou ele mentiu na PF ou estava mentindo sob juramento, o que lhe daria cana por crime de perjúrio. Indignado, Freire Gomes tentou dar uma carteirada com o seu tempo de serviço e suas dragonas, para afirmar que não mentiria. Perdeu. Teve de rever posição e, mesmo amenizando o que havia dito sobre Garnier, manteve. O marinheiro, de fato, aderiu ao golpe. Disse isso tentando dar à fala o colorido de um saco de balas jujubas, com um sorriso amarelo e a “coragem” de um general...

Mas o que ele não consegue explicar, nem para Moraes, nem para mim ou alhures é: por que o cântaro foi tantas vezes à bica? Na primeira reunião, foi-lhe apresentada uma minuta de golpe. Na segunda reunião, em que pese o país ter passado recentemente por uma eleição, dando vitória ao candidato do campo oposto, não estranhou que o derrotado, na solidão do palácio que não mais lhe pertenceria, punha diante dele um “estudo” sobre Estado de sítio, o remédio mais amargo do cardápio em tempos de guerra.

Sem mencionar a manutenção dos acampamentos país afora, a carta em defesa dos acampados à frente do QG e o silêncio sobre uma carta/pressão, com assinaturas de militares da ativa.

Não quis saber em que contexto o tal instrumento seria usado, e tampouco porque o tema estava na pauta do ex-presidente postado à sua frente. Sim, porque passada a eleição, era esta a condição de Jair Bolsonaro: ex-presidente.

Numa tentativa desesperada de disfarçar o que ficou evidente – Gomes caminhou com o golpe até onde deu, mas depois medrou -, o general argumentou que “os instrumentos listados no documento estão previstos na Constituição”. Bidu!!!! Claro que estão. O que importa aqui, é como e com que destinação seriam usados. O general foi incapaz de questionar Bolsonaro sobre o que pretendia? O país não vivia um confronto armado, pelo contrário. Havia se libertado do jugo de um desvairado, imprevisível, negacionista. A vitória de Lula era uma realidade. Era hora de arrumar as gavetas. E Freire Gomes não estranhar isso é sintomático. Ou, puro disfarce.

E tanto é assim que ao ser relembrado de sua declaração à PF, de que sempre deixou claro ao ex-presidente que o Exército não participaria “na implementação desses institutos jurídicos visando reverter o processo eleitoral”, demonstrou a sua total compreensão das intenções do homem que lhe estendia uma proposta de golpe. Portanto, sabia muito bem o que estava por vir. E voltou lá três vezes. Não se deu conta de que alguém já com as malas prontas, não teria motivos para fazer estudo sobre Estado de Sítio?

E, pior: havia no tal “estudo” uma descrição da necessidade de prender Moraes. Alô, general!!! Você viu um elefante voando e não considerou, no mínimo estranho? Francamente... É comum, não é mesmo, prender ministro do Supremo? Fala sério... E ainda minimizou a postura de Garnier com a seguinte pérola: “o almirante se colocou à disposição do presidente”, quanto aos planos golpistas. E então estávamos falando do quê? De que cor era o cavalo branco do Napoleão?

E ainda reforçou: “o almirante Garnier tomou essa postura de ficar com o presidente”, mas não gostaria de “aferir” as reais intenções de Garnier. Beirou o ridículo, o esforço do general Freire Gomes para saltitar entre uma desculpa e outra. É possível que não tenha reduzido em nada o dano para Garnier, e ainda tenha exposto ao sol a própria pele para torrar. Tudo nos leva a crer que o herói perdeu a capa e a espada...

EM TEMPO: O ex-presidente dos EUA, Joe Biden, e a CIA, enviaram uma Generala do Cone Sul, da elite da esquadra militar dos EUA, a qual se reuniu, em meados do primeiro semestre de 2022, com o Alto Comando das Forças Armadas do Brasil, afirmando categoricamente que o governo dos EUA não apoiava Golpe Militar no Brasil. O que nos chama atenção é que alguns militares de alta patente foram na conversa fiada de Bozo, um ex-militar indisciplinado, conforme foi dito pelo General e Ex-Presidente, Ernesto Geisel.  Convém lembrar  que no governo Geisel o general Leônidas Pires, membro do Alto Comando das Forças Armadas proibiu Bozo de visitar as dependências do Exército Brasileiro, isto é, em todo o Brasil. Além do mais o Bozo foi expulso do Exército e queria explodir a Adutora do Guandú no RJ. "Acordar pra Jesus, é preciso!"  No é Braga Neto, Pazuello, Paulo Nogueira, Augusto Heleno, Lorena Cid, Mauro Cid e tantos outros militares que foram na onda de Bozo.  

domingo, 18 de maio de 2025

O sucesso da viagem de Lula e a desmoralização da imprensa brasileira

 










Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de boas-vindas, no Grande Palácio do Povo. Pequim - China. Foto: Ricardo Stuckert / PR  Foto do dia 13.05.2025

Reportagem em 18 de maio de 2025

Jornalistas escolhem versões dos fatos que parecem mais adequadas ao país, a si ou a grupos, versões estas que às vezes se transformam em pontos de partida não por estarem mais próximas da realidade dos fatos, mas por atenderem a interesses dos seus controladores.

A visita de Estado do presidente Lula, à frente de grande comitiva ministerial e empresarial à China, consagrou uma estrondosa associação estratégica entre as economias de dois gigantes: o Brasil e seu imponente parceiro asiático.

Como resultado direto da visita, foram abertos na China cinco mercados para produtos brasileiros, com potencial total de agregar, apenas nestes setores, 20 bilhões de dólares às exportações brasileiras. 

Mais além, foram celebrados 20 acordos para a participação chinesa nos grandes projetos estruturantes deste terceiro mandato do presidente Lula: Nova Indústria Brasil, Novo Programa de Aceleração do Crescimento, Plano de Transformação Ecológica e o Programa Rotas da Integração Sul-Americana. Neste último, sinergias com a China ajudarão a viabilizar a integração das malhas de transporte do Brasil com outros países do hemisfério, facilitando rotas de comércio transcontinental, reduzindo distâncias, tempos e custos de exportação.

Sempre com transferência de tecnologia como ponto de partida, Brasil e China formaram parcerias duradouras em campos tão diversos como inteligência artificial, economia digital, transição energética, energia atômica, segurança de alimentos, "swap" de moedas locais ou agricultura familiar moderna.

Lula foi recebido em palácio por Xi Jinping e em jantar na própria residência do presidente chinês,  cimentando uma aproximação que vem de longe, mas que jamais antes chegara à materialidade e amplitude de agora. Uma viagem muito proveitosa pela associação a uma economia que vem obtendo sucesso na missão de crescer, retirar populações da pobreza e   sofisticar-se industrialmente com base na liderança da criação de tecnologias cada vez mais sofisticadas.

O sucesso da viagem, a desenvoltura com que Lula evolui na captação pragmática de mercados e celebração de acordos entre os dois gigantes continentais fez soar alarmes desesperados na parcela mais degenerada dos adversários do presidente Lula.

À falta do que glosar no périplo de Lula, que incluiu a suprema afronta da participação do presidente nas celebrações em Moscou dos 80 anos da vitória do Exército Vermelho contra o nazismo, a oficina venenosa da mídia agarrou-se a tentar ocultar a qualquer custo os sucessos de Lula.

A operação teve origem em um diálogo entre Lula, a primeira-dama Janja e o líder chinês Xi Jinping. 

De forma pertinente, a partir de uma pergunta de Lula a Xi sobre a plataforma digital chinesa Tik-tok, Janja interveio para dizer ao líder chinês de crimes contra crianças e misoginia praticadas no Brasil por meio da plataforma.

Foi o bastante para que a partir de versão não confirmada, a mídia comercial antilulista entrasse em campo.  Da maneira habitual, na continuidade dos aquários, a imprensa agiu unida e armada para atingir Janja e por meio dela tentar afetar a imagem do presidente, candidato à reeleição que, para aflição da direita, lidera as pesquisas. 

O consórcio midiático agarrou-se ao episódio, distorcendo-o para destilar preconceito, machismo e fingido vexame.

Páginas de jornais, horas programas de tv e rádio, perguntas preciosas em entrevistas com o presidente foram desperdiçadas com o factoide provinciano: "A primeira-dama não poderia ter usado da palavra na ocasião formal, não poderia ter chamado a atenção de um líder estrangeiro para um tema polêmico, a China é uma ditadura". Valia qualquer argumento no cardápio da santa família dos meios de comunicação antilulistas. Até Bolsonaro foi convidado, em aliança, para integrar coro das reclamações. 

Como todo escândalo baseado em informação forjada por frustração e inveja, bastou um desmentido do presidente para o caso desaparecer. O assunto deixar  de ter a polêmica que se tentou imprimir e agora desaparece. 

Xi deu razão a Lula e a Janja e vai enviar alguém para examinar em conjunto o tema do Tik-tok, o que tambem preocupa os próprios chineses.

Seria de se esperar que, num mundo ideal, veículos de comunicação competissem entre si pela informação mais relevante e que essa competição servisse para depurasse o que de fato vale a pena e o que não passa de lixo informativo. 

No mundo real da mídia corporativa nacional, porém, a diversidade de abordagens, corolário da competição, não existe, especialmente na cobertura relativa ao governo do presidente Lula. Ali os fatos dão lugar ao lobismo, a disputa de enfoques e versões entre os veículos vira ordem de rebanho e o jornalismo entra em falência para se transmutar em campanha de divisão e destruição. Saem do foco os grandes interesses nacionais para dar lugar à mera planejada maledicência de pura e covarde índole sexista.

sábado, 17 de maio de 2025

“A guerra não pode continuar”: Arbex vê colapso europeu e derrota da OTAN na Ucrânia

Analista diz que eventual encontro Putin-Zelensky “cobrirá mais do que revelará”

(Foto: Reuters | Brasil247 )


 

 



Por  Dafne Ashton (Jornalista)

247 - A entrevista concedida pelo jornalista e professor José Arbex Júnior ao programa Mário Vitor e Regina Zappa, da TV 247,lançou luz sobre o esgotamento geopolítico e econômico da Europa diante da guerra na Ucrânia. Segundo ele, o conflito atingiu um ponto-limite. “A guerra não pode continuar. A Europa está no bagaço. A Alemanha entra no segundo ano de recessão, a Inglaterra está de joelhos”, afirmou.

Com o rumor de uma reunião presencial entre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, possivelmente em Istambul, Arbex relativizou o significado do gesto. “Mesmo que essa reunião ocorra, ela cobrirá muito mais coisa do que revelará. Vai ser uma encenação para alarmar ou acalmar, mas sem nada de espontâneo. Até a cor da cueca dos caras é decidida antes”, ironizou.

OTAN sem rumo e economia europeia em colapso

Para Arbex, a continuidade da guerra representa a falência da lógica de defesa da Europa ocidental. “Por mínimas que sejam as concessões do Zelensky, será a derrota da OTAN. Para que serve a OTAN depois da guerra da Ucrânia?”, indagou. Ele destacou que a própria existência da aliança militar estaria sendo questionada pelos próprios países membros: “Os governos europeus falam em rearmar sozinhos a OTAN, mas de onde vai sair o dinheiro? De cortes na saúde, na educação, na previdência?”, alertou.

“Zelensky é um boneco de ventríloquo”

A crítica à autonomia política do presidente ucraniano foi contundente. “O Zelensky não tem vontade própria. Vai a essa reunião, se acontecer, como porta-voz do que a Europa tem a dizer”, disse Arbex. Ele lembrou que o comediante eleito presidente iniciou seu governo prometendo respeitar os acordos de Minsk, mas mudou de posição após visita do então premiê britânico Boris Johnson: “Levou uma ‘xuxada’ do Boris e passou a defender a guerra.”

Um mundo em transição: “o improvável se tornou frequente”

Segundo Arbex, o mundo vive uma era de transição geopolítica em que as estruturas tradicionais estão ruindo. “A ONU está derretendo, o Banco Mundial está derretendo, a OTAN está derretendo. Todas as instituições que regulavam a ordem pós-Segunda Guerra já não valem mais”, disse. “Estamos vivendo uma excepcionalidade: o improvável se tornou frequente.”

Juventude europeia e o perigo da guerra cognitiva

Questionado se os jovens europeus estariam dispostos a se engajar num novo conflito armado, Arbex foi direto: “Hoje não. Mas com um, dois, três anos de propaganda dizendo que ‘os russos vêm aí’, a coisa muda. A OTAN já tem estudos sobre guerra cognitiva para disputar o cérebro das pessoas.”

Ele criticou duramente a militarização das sociedades europeias. “Essa fabricação do terror russo é fundamental para justificar cortes sociais e sustentar uma economia de guerra. Mas esse pânico alimenta a extrema direita.” Assista: 

https://www.youtube.com/watch?v=Oig5zKKI8GQ

“Lula fez o que é correto: negociar com os russos e ampliar laços com a China”, diz Valter Pomar

Para Valter Pomar, presidente reafirma soberania brasileira ao recusar tutela ocidental e investir na paz e na integração com o Sul Global

(Foto: Ricardo Stuckert / PR | Brasil247)


 

 



Por  Dafne Ashton (Jornalista)

247 – Durante participação no programa Contramola, da TV 247, o historiador e dirigente petista Valter Pomar fez uma ampla análise da viagem internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Rússia e à China. Para ele, a presença do presidente brasileiro em Moscou foi estratégica e acertada em todos os sentidos: diplomático, histórico e geopolítico. “Lula fez o que é correto: negociar com os russos e ampliar laços com a China”, afirmou.

Ao participar da parada que marcou os 80 anos da vitória sobre o nazifascismo, Lula prestou homenagem a um dos capítulos mais trágicos e heroicos da história moderna. “Alguns imbecis chegaram a criticar o presidente por assistir a uma parada militar. Mas como se comemora a vitória sobre o nazismo senão com uma solenidade à altura do que foi a guerra?”, questionou Pomar, lembrando que a União Soviética perdeu mais de 27 milhões de pessoas no conflito. Ele destacou a importância simbólica do evento e sua repercussão na reafirmação do papel histórico da Rússia na derrota do nazismo.

A visita também incluiu uma reunião bilateral com o presidente Vladimir Putin, na qual Lula reiterou sua posição crítica à invasão da Ucrânia, mas defendeu uma saída negociada para o conflito. Para Valter Pomar, o Brasil adota uma postura coerente ao recusar tanto o alinhamento automático com a OTAN quanto o envio de armas para o front. “Desde o início da guerra, Lula diz que não é possível haver paz sem conversar com os russos. Ele nunca atribuiu a culpa exclusivamente à Rússia. Isso é importante”, afirmou. Ele destacou ainda que as promessas ocidentais de não expandir a OTAN até as fronteiras russas foram rompidas, o que contribuiu para o agravamento da crise.

No mesmo programa, o dirigente petista classificou como fantasiosa e ultrapassada a narrativa promovida por setores da imprensa ocidental, que dividem o mundo entre democracias e autocracias. “Essa ideia foi montada no governo Biden, mas agora eles não conseguem mais sustentar, especialmente com o Trump de volta. A extrema-direita avança na Europa e nos Estados Unidos. Quem é democrata e quem é autoritário nesse cenário?”, ironizou. Para ele, a política externa brasileira deve se orientar pelos interesses nacionais e pela construção da multipolaridade, não pela submissão ao discurso hegemônico de Washington e Bruxelas.

A ida de Lula à China, segundo Pomar, é parte do mesmo esforço de reposicionamento do Brasil no cenário global. Além da assinatura de novos acordos, incluindo um investimento de 1 bilhão de dólares para a produção de combustíveis sustentáveis no Brasil, a viagem consolidou a aliança econômica entre os dois países. Lula resumiu o espírito da parceria ao afirmar que “Brasil e China são parceiros incontornáveis” e que a potência do relacionamento bilateral é “inesgotável”.

Para Valter Pomar, o principal desafio do Brasil neste contexto é aproveitar a janela de oportunidade para fortalecer sua soberania produtiva, energética, tecnológica e alimentar. “Ou o país amplia sua soberania, ou será esmagado na disputa entre potências. E os Estados Unidos já estão pressionando. Eles interferem onde podem, inclusive nas eleições de 2026”, alertou. Ele também criticou a dependência brasileira da exportação de commodities e defendeu uma política industrial robusta, com estímulo à ciência e à tecnologia no território nacional.

Pomar reforçou que o Brasil deve rejeitar a condição de “quintal” de qualquer potência. “Eles não venceram a disputa contra a China, então vão mirar nos países da periferia que exploram. E o mais rico desses países é o Brasil. Por isso, qualquer concessão é inútil. Com ou sem acordo com os chineses, os EUA vão pressionar”, afirmou.

Na conclusão de sua análise, o dirigente do PT lembrou que a posição internacional do Brasil deve ser guiada pela defesa da paz, pela integração regional e por uma atuação soberana e altiva no cenário global. “O correto é termos uma política 100% comprometida com os interesses nacionais. E Lula está fazendo isso ao negociar com os russos, ao se aproximar da China e ao reforçar os laços com o Sul Global.” Assista: 

https://www.youtube.com/watch?v=7DC_y4lMNZ4

terça-feira, 13 de maio de 2025

“Carta de Pequim é um alento para a América Latina”, diz Lula

“Não queremos chefes, não queremos xerifes, queremos parceiros”, disse ainda o presidente

13 de maio de 2025



Lula e Xi Jinping - 13/05/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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Redação Brasil 247

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou, nesta quarta-feira (14, horário local), a adoção da Carta de Pequim, classificando a iniciativa da cúpula China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) como um "alento" para os países em desenvolvimento diante da falta de investimentos por parte dos Estados Unidos e da Europa. 

Em conferência de imprensa na capital chinesa, Lula respondeu a uma pergunta do jornalista Leonardo Attuch, editor do Brasil 247 e da TV 247.

"A Carta de Pequim é um alento muito grande de que você tem um país com a potência econômica da China pensando em contribuir para o desenvolvimento dos países mais pobres", destacou o presidente, que emendou em tom crítico: "Há quanto tempo não há investimento americano na América Central e América Latina? E da UE? Os países ricos deveriam pensar em seguir a decisão da China". 

"A Carta de Pequim é um alento para os nossos países da América Latina e Caribe, principalmente os mais pobres", frisou Lula. 

Ao mesmo tempo, o presidente teceu elogios às iniciativas de paz lideradas pelos Estados Unidos. Segundo Lula, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem tomado atitudes importantes para acabar com o que qualificou como um genocídio cometido por Israel na Faixa de Gaza. 

"Acho que a decisão do [Donald Trump] sobre a guerra de Gaza foi importante. Porque tinha o [ex-presidente dos EUA Joe] Biden falando em guerra todo dia, e o Trump veio e disse que precisamos parar essa guerra. Precisamos terminar o genocídio na Faixa de Gaza. Aquilo não é uma guerra, é um genocídio", afirmou. 

Na conferência, o presidente destacou que, ao se aproximar da China e outros parceiros comerciais, o Brasil mantém uma posição soberana: "Não queremos chefes, não queremos xerifes, queremos parceiros". 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Quando Lula fala, o mundo escuta: o Brasil no centro da nova geopolítica da paz

Enquanto a extrema-direita global aposta no caos, Lula responde com diplomacia e estratégia

Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)


 





Por Reynaldo José Aragon Gonçalves (Jornalista)

A cena em Moscou e a virada do jogo diplomático

No dia 9 de maio de 2025, enquanto a maioria dos líderes ocidentais mantinha distância, Lula subiu ao palanque vermelho da Praça Vermelha, ao lado de Vladimir Putin, para o desfile do Dia da Vitória. Mais do que uma presença simbólica, sua participação foi estratégica. Poucos dias depois, Putin anunciou publicamente a disposição de negociar a paz com a Ucrânia — sem pré-condições, sugerindo Istambul como sede. O gesto, inesperado e rapidamente capitalizado por Lula em conversas diplomáticas, recolocou o Brasil no radar como ator internacional com voz própria. A coincidência temporal entre a visita e a abertura russa ao diálogo expôs que a diplomacia brasileira, com sua tradição de diálogo e neutralidade ativa, pode ter influenciado diretamente um dos maiores impasses geopolíticos do século XXI.

Enquanto isso, a reação da mídia ocidental e de setores da política ucraniana foi de cautela, quando não de hostilidade. Lula foi acusado de “passar pano” para Putin, apesar de reiterar publicamente — e diante do próprio presidente russo — que o Brasil condena a invasão da Ucrânia e não aceita ocupações territoriais. Essa é a costura complexa da diplomacia brasileira: manter pontes abertas mesmo onde o cinismo diplomático de outros preferiu muros. A virada, no entanto, parece ter surtido efeito. Putin está isolado no ocidente, mas escuta Lula. E essa escuta, neste momento, pode ser mais poderosa do que as sanções de Washington.

Neutralidade ativa e alianças estratégicas: a paz como geopolítica

A leitura simplista de que Lula estaria “se alinhando a ditaduras” ignora um movimento diplomático mais profundo e sofisticado: a tentativa de construir um novo eixo de mediação global fora da órbita de Washington e Bruxelas. Ao propor um “clube da paz” envolvendo países como China, Índia, Turquia e Indonésia, Lula não está apenas oferecendo uma saída diplomática para a guerra na Ucrânia. Ele está promovendo uma reconfiguração simbólica do poder internacional, onde os países do Sul Global, historicamente marginalizados das grandes decisões mundiais, assumem protagonismo em temas estruturantes da ordem mundial.

Essa postura — criticada por setores atlantistas — é, na verdade, uma resposta concreta ao vácuo deixado pelas potências ocidentais, que instrumentalizaram o conflito em nome de seus próprios interesses econômicos, militares e eleitorais. Ao se recusar a tomar partido nas lógicas binárias da Guerra Fria reciclada, Lula atua na construção de uma neutralidade ativa, onde o Brasil não se omite, mas tampouco serve de satélite para os desígnios alheios. A política externa brasileira, nesse contexto, recupera seu papel histórico de buscar consenso onde outros fomentam o conflito.

Soft power como escudo contra a extrema-direita global e nacional

A ascensão internacional de Lula como figura de mediação e equilíbrio ocorre em um momento em que a extrema-direita global se reorganiza em torno de projetos autoritários, neocoloniais e tarifários. O gesto de Putin, ao aceitar negociar pouco depois do encontro com Lula, não é um ato isolado — ele também funciona como sinal geopolítico: a Rússia reconhece, diante do mundo, que o presidente brasileiro tem capital diplomático suficiente para ser ouvido. 

Esse reconhecimento público fortalece Lula internacionalmente e o blinda, ao menos parcialmente, contra os ataques internos e externos promovidos por setores da extrema-direita que trabalham para desestabilizar lideranças progressistas por meio de lawfare, campanhas de desinformação e sabotagem institucional.Além disso, o apoio sutil, porém crescente, de outros líderes estratégicos — como Xi Jinping, Recep Tayyip Erdoğan e Narendra Modi — compõe um cenário em que o Brasil volta a ser visto como potência diplomática relevante. Esse soft power se transforma em ativo político real: amplia a margem de manobra de Lula frente à chantagem institucional da extrema-direita no Congresso e na máquina estatal, reposiciona o Brasil no debate global sobre multipolaridade e ajuda a impedir o isolamento narrativo que tantas vezes precedeu os golpes midiático-jurídicos no Sul Global.

O Brasil no centro da disputa pela ordem global

Lula não é hoje o principal líder global devido ao poder bélico ou financeiro do Brasil, mas porque é o único chefe de Estado com capacidade real de dialogar com franqueza tanto com as potências ocidentais quanto com os países do Sul Global. Ao contrário de Xi Jinping e Vladimir Putin — que, apesar da força geopolítica, enfrentam barreiras estruturais no trânsito diplomático com o Ocidente — Lula carrega a legitimidade de quem construiu pontes nos dois mundos. Isso o coloca em posição única para exercer a mediação em um planeta cada vez mais polarizado, onde o conflito de blocos cede espaço à disputa por narrativas e modelos de convivência. Como líder simbólico do Sul Global, ele representa uma alternativa à lógica do confronto, sem se curvar a nenhuma das potências hegemônicas.

A guerra na Ucrânia, que deixou de ser apenas um conflito regional para se tornar símbolo da crise do multilateralismo, oferece a Lula uma plataforma para exercer não apenas influência política, mas também disputar os rumos da governança mundial. E ele faz isso com o corpo político que tem: vindo do sindicalismo, sobrevivente de lawfare, porta-voz de um país periférico que insiste em não aceitar o papel de subalterno.

Enquanto Donald Trump intensifica sua guerra tarifária contra a China e pressiona por um novo nacionalismo econômico autoritário, Lula aparece como o contraponto diplomático: um líder que ainda acredita na mediação, na coexistência, na autonomia dos povos. A disputa não é apenas por território ou acordos — é por narrativas. É nesse terreno simbólico que o Brasil, com Lula à frente, aparece como alternativa à lógica destrutiva da extrema-direita internacional. E, ao contrário de quem acredita que se trata apenas de prestígio pessoal, esse movimento redefine o papel brasileiro nas guerras híbridas do século XXI: não como alvo passivo, mas como articulador ativo de uma paz geopolítica.

sábado, 10 de maio de 2025

Putin propõe negociações diretas com Ucrânia, sem condições prévias, em Istambul em 15 de maio

Putin propõe negociações diretas com a Ucrânia e destaca o papel do Brasil nos esforços internacionais pela paz; proposta repercute na imprensa global

10 de maio de 2025

Vladimir Putin (de frente) e Lula (Foto: Sputnik)



 

 




Sputnik - O presidente russo, Vladimir Putin, propôs iniciar negociações diretas com a Ucrânia no próximo dia 15 de maio, em Istambul, na Turquia.

A proposta foi feita em Moscou durante uma coletiva a jornalistas na noite deste sábado (10), na madrugada de domingo (11) na Rússia, na qual detalhou os eventos dos últimos quatro dias de celebrações em homenagem ao 80º aniversário do fim da Grande Guerra pela Pátria, como é chamada na Rússia a Segunda Guerra Mundial.

Putin iniciou a coletiva agradecendo aos parceiros estrangeiros que participaram da celebração do Dia da Vitória. "A Rússia homenageia todos aqueles que contribuíram para a vitória comum sobre o nazismo", disse o presidente russo.

O presidente russo acrescentou ainda que as conversas bilaterais à margem das celebrações foram "significativas".

"A ampla participação de líderes de países e organizações internacionais na celebração comprova a consolidação em torno de uma vitória comum sobre o nazismo", disse Putin.

Putin afirmou que a Rússia tem esperança de que um dia sejam restabelecidas relações construtivas com a Europa e disse que Moscou, reiteradamente, apoiou um cessar-fogo no conflito ucraniano, que sempre foi sabotado por Kiev.

"Kiev violou 130 vezes o cessar-fogo de 30 dias sobre os ataques a instalações de energia. Kiev violou a trégua de Páscoa cinco mil vezes", afirmou Putin.

O líder russo frisou que Kiev também não respondeu à proposta de cessar-fogo para as celebrações do Dia da Vitória. "A Rússia informou seus homólogos ocidentais que Moscou poderá, no futuro, prolongar o cessar-fogo anunciado para o 80º aniversário do Dia da Vitória", declarou o presidente russo, destacando que Kiev lançou ataques em grande escala após a proposta de trégua.

"O inimigo sofreu perdas muito pesadas em três dias de violações do cessar-fogo", pontuou. Em seguida, ele afirmou que "a Rússia está pronta para negociações, sem quaisquer condições prévias", com a Ucrânia.

"A Rússia convida a Ucrânia para retomar as negociações diretas em 15 de maio em Istambul", disse Putin.

Putin acrescentou que "Moscou está determinada a manter negociações sérias com a Ucrânia, com o objetivo de eliminar as causas profundas do conflito".

“Nossa proposta, como dizem, está sobre a mesa. A decisão agora cabe às autoridades ucranianas e a seus patrocinadores, que parecem mais guiados por ambições políticas pessoais do que pelos interesses de seus povos — povos que querem continuar o conflito com a Rússia por meio dos nacionalistas ucranianos”, disse.

"A Rússia busca alcançar uma paz duradoura na Ucrânia durante as negociações", prometeu o presidente russo, que também agradeceu ao Brasil pelos esforços de intermediação e a mediadores "pela ajuda na resolução pacífica do conflito".

"Quem realmente quer a paz não pode deixar de apoiar a proposta de negociações", afirmou.

O líder russo reiterou que Moscou nunca se recusou ao diálogo com Kiev e lembrou que foi a Ucrânia quem interrompeu as conversas em 2022. "Nunca nos negamos a negociar com a parte ucraniana. Lembro que não fomos nós que encerramos as negociações em 2022. Por isso, apesar de tudo, propomos às autoridades de Kiev que retomem o processo que elas mesmas interromperam no fim daquele ano", concluiu.

Ao longo dos quatro dias de celebração na Rússia, Putin realizou 17 bilaterais com líderes estrangeiros. A agenda internacional de Putin para o evento teve início em 7 de maio, com um encontro com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. No mesmo dia, o líder russo também se reuniu com os presidentes de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez; da Mongólia, Ukhnaagiin Khurelsukh; e da República do Congo, Denis Sassou Nguesso.

Em 8 de maio, foi a vez das negociações bilaterais com a China, com a presença do presidente Xi Jinping. Na última sexta (9), após o tradicional Desfile da Vitória na Praça Vermelha, Putin deu sequência a uma série de reuniões internacionais. Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o líder russo se reuniu com o homólogo do Egito, Abdel Fattah al-Sisi.

Assistam o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=Wd0L7ZYTIr0