sábado, 15 de fevereiro de 2025

Zelensky alerta que 'apoio garantido dos EUA à Europa acabou' e pede exército europeu unificado

Declarações do presidente ucraniano foram feitas um dia após o vice-presidente dos EUA, JD Vance, minimizar a importância dos aliados europeus

15 de fevereiro de 2025

 

Volodymyr Zelensky (Foto: Telegram/V_Zelenskiy_official)








Por  Paulo Emilio

247 - O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou que os dias de apoio garantido dos Estados Unidos à Europa chegaram ao fim e pediu que o continente se una na criação de um exército e de uma política externa comuns. Em discurso durante a Conferência de Segurança de Munique, neste sábado (15), Zelensky expressou preocupação com um telefonema recente entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o ex-presidente americano Donald Trump. Segundo ele, o diálogo levantou temores em Kiev de que a Ucrânia esteja sendo excluída das negociações, enquanto a Casa Branca minimiza as perspectivas de adesão do país à Otan.

“Alguns dias atrás, o presidente Trump me contou sobre sua conversa com Putin. Ele não mencionou nenhuma vez que a América precisa da Europa naquela mesa. Isso diz muito”, afirmou Zelensky, de acordo com a CNN. O ucraniano acrescentou que "os velhos tempos acabaram — quando a América apoiava a Europa apenas porque sempre apoiou”. Ele ainda admitiu que “não estava feliz” com o fato de a primeira ligação de Trump ter sido com Putin.

O presidente da Ucrânia alertou que seria ainda “mais perigoso” se Trump se reunisse com Putin antes de encontrá-lo. O ex-presidente dos EUA não se comprometeu a se encontrar com Zelensky primeiro, segundo afirmou o líder ucraniano à CNN. No entanto, destacou que Trump entende a necessidade de “se reunir urgentemente” para discutir “planos concretos” para encerrar a guerra. Zelensky fez suas declarações um dia depois de o vice-presidente dos EUA, JD Vance, minimizar a importância dos aliados europeus em um discurso na conferência, praticamente ignorando a questão ucraniana e um possível acordo com a Rússia. 

Diante do cenário incerto, Zelensky reforçou a necessidade de a Europa se tornar militarmente independente. “Vamos ser honestos — agora não podemos descartar a possibilidade de que os EUA digam ‘não’ à Europa em questões que os ameaçam. Muitos líderes falaram sobre a Europa precisar de seu próprio exército — um Exército da Europa”, afirmou. Ele também citou a participação de JD Vance na conferência, destacando que a declaração do vice-presidente americano deixou claro que "as décadas do antigo relacionamento entre Europa e EUA estão terminando" e que "a Europa precisa se ajustar a isso".

Mais adiante em seu discurso, o presidente ucraniano acusou Putin de tentar “dividir o mundo” por meio de conversas individuais com Trump. “Putin tentará fazer com que o presidente dos EUA esteja na Praça Vermelha em 9 de maio deste ano, não como um líder respeitado, mas como um suporte em sua própria performance. Não precisamos disso”, alertou. Em um momento descontraído que provocou risos na plateia, Zelensky admitiu ter dito a Trump que Putin o teme. “Eu disse a Trump que Putin tem medo dele, e ele me ouviu. E agora Putin sabe”, ironizou.

Ele também afirmou que o presidente russo parece ser a maior influência na Otan, ao impedir avanços na aliança. “Neste momento, o membro mais influente da Otan parece ser Putin — porque seus caprichos têm o poder de bloquear as decisões da aliança.” Zelensky enfatizou que a Ucrânia nunca aceitará acordos firmados sem sua participação e defendeu que o mesmo se aplique a toda a Europa. “Nenhuma decisão sobre a Ucrânia deve ser tomada sem a Ucrânia. Nenhuma decisão sobre a Europa deve ser tomada sem a Europa. A Europa deve ter um assento à mesa quando decisões sobre o continente estão sendo tomadas”, reforçou.

Após o discurso de Zelensky, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, alertou que a Europa "precisa urgentemente de um plano de ação" sobre a Ucrânia, sob risco de outros atores globais decidirem o futuro do continente. “Este plano deve ser preparado agora. Não há tempo a perder”, escreveu Tusk em um post na rede social X.

EM TEMPO: Trump não tem interesse na guerra da Ucrânia contra a Rússia, porque ele mudou a estratégia para recuperar o Império, ou seja, tratar as guerras como um negócio capitalista que lhe dê garantia de retorno e, portanto, lucro. Até agora a Ucrânia, isto é, o governo Zelensky,  só deu prejuízo aos EUA e nenhuma garantia que vai pagar os armamentos e empréstimos recebidos. Por isso Trump quer que a Ucrânia ceda sua riqueza mineral, brevemente, antes que a Rússia ocupe. a qual já conquistou vários  territórios. Antes das eleições presidenciais de 2024 nos EUA, Trump já tinha dito que o governo do ex-presidente Joe Biden, tinha sido muito generoso com o governo de Zelensky. Só que ele não disse, mas sabe,  que o filho de Biden tem negócios na Ucrânia. Observe que Trump está fazendo coisa semelhante com Israel. Ou seja, Trump quer que Israel ceda o território de Gaza. É mais uma prova que a política externa de Trump está mudando. Em outras palavras quer dizer: nós, os EUA,  financiamos as guerras com  armas e dólar, mas vocês pagam o que receberam e ainda cedem o que ocuparam com as guerras. Essa é a regra atual do imperialismo norte-americano. Fazer as pazes com a Rússia é imprescindível. Único proveito dessa aproximação de Trump com Putin, consiste em evitar a terceira guerra mundial, a qual está se esvaziando. O que é um ponto positivo para todos nós. Em resumo: Trump vai agir militarmente a onde o imperialismo norte-americano obter lucro. Ou seja, a guerra é uma mercadoria. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

"Falas de Múcio são estarrecedoras", diz coordenador do Prerrogativas sobre anistia a golpistas

 

Marco Aurélio de Carvalho (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Ministro da Defesa defendeu que o Congresso Nacional tome uma decisão sobre o tema

11 de fevereiro de 2025

 

 

Por  Leonardo Sobreira

247 - O coordenador do grupo de advogados Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, classificou como "estarrecedoras" e "gravíssimas" as declarações do ministro José Múcio (Defesa) sobre a possibilidade de anistia para presos bolsonaristas do 8 de janeiro. As declarações foram concedidas à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo

Em entrevista ao programa Roda Viva, Múcio defendeu diferenciar as penas dos envolvidos nos ataques e que o Congresso Nacional tome uma decisão sobre o tema, e não o Supremo Tribunal Federal (STF). Na entrevista, Múcio também disse que parentes seus acamparam em frente aos quartéis. 

Marco Aurélio criticou a fala, afirmando que "a anistia não é e jamais será o melhor caminho para reconciliar um país ainda tão dividido pelo ódio e pela intolerância", e destacou que Mucio "insultou milhares de famílias que ainda choram os seus mortos", em alusão à ditadura militar.

"Múcio deveria, antes de se pronunciar, ler os autos e os processos. Deveria procurar um advogado. Múcio insultou os que seguem defendendo a nossa democracia e as nossas instituições. Insultou o Supremo Tribunal Federal e o bom senso", disse.

Apesar das críticas, o advogado reconheceu a "lealdade do ministro Mucio ao presidente Lula" e sua importância na estabilização das relações do governo com as Forças Armadas.

EM TEMPO: O clima de animosidade que existe no país teve início na Eleição Presidencial de 2018, seguido no governo Bozo, se alastrou pelos acampamentos instalados na frente dos quartéis, culminando com a depredação física das sedes dos três poderes em Brasília no dia  08.01.2023. Deixar de punir os golpistas significa que os mesmos voltarão com toda força e mais ousados e perigosos. Portanto, SEM ANISTIA. Ok, Moçada!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

"Tudo bem aceitarem jabá de regime que matou 205 colegas?", diz Altman a jornalistas brasileiros em Israel

Breno Altman (Foto: Brasil247)

 







Jornalista questionou participação de colegas em viagem bancada pelo IBI e citou elevado número de jornalistas mortos durante o massacre israelense em Gaza

Por  Guilherme Paladino

247 - O jornalista Breno Altman criticou nesta sexta-feira (7) um grupo de seis jornalistas e acadêmicos brasileiros que estão visitando Israel com patrocínio do Instituto Brasil Israel (IBI). Em publicação no X (antigo Twitter), Altman questionou a participação dos profissionais na viagem, mencionando o elevado número de jornalistas mortos durante o massacre israelense em Gaza.

"Seis jornalistas brasileiros estão visitando Israel com o patrocínio do Instituto Brasil Israel (IBI): Pedro Doria, Tatiana Vasconcellos, Filipe Figueiredo, Leila Sterenberg, Janaina Figueiredo e Marcos Guterman. Tudo bem aceitarem o jabá de um regime que matou 205 colegas na carnificina contra Gaza?", escreveu Altman.  

A menção aos "205 colegas" faz referência ao balanço atualizado de jornalistas palestinos mortos desde o início do mais recente capítulo do genocídio israelense na Faixa de Gaza, que teve início em 7 de outubro de 2024. Segundo o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), este é o conflito mais letal para profissionais da imprensa já registrado pela entidade.

EM TEMPO: Lembrando que Breno Altman é judeu, mas combate os demandos do governo Netanyahu. 

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Hugo Motta mostra as garras

O próximo presidente da Câmara pode sempre ser pior...

Por Tereza Cruvinel

09 de fevereiro de 2025

Hugo Motta (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

 


 





Hugo Mota é um estelionatário. Mal tomou posse na presidência da Câmara ele tirou a máscara com que concorreu ao cargo e está mostrando a verdadeira cara.  Como candidato, ele fugiu de compromissos programáticos e temas polêmicos, conquistando o apoio de quase todos os partidos, inclusive o do PT. Empossado, passou a ter opinião sobre tudo, a defender projetos favoráveis aos bolsonaristas e a criticar o governo Lula. Mostrando as garras, ele agora ofende o STF dizendo que não houve tentativa de golpe em 8 de janeiro e ousa questionar as penas impostas aos golpistas que já foram julgados.

Enquanto era candidato, ele se fingiu de morto ou de sonso, evitando emitir opinião sobre temas mais polêmicos. Jurou não ter prometido ao PL colocar em tramitação o projeto que anistia os golpistas e nem ter prometido ao PT que congelaria o projeto, deixando de instalar a comissão especial prevista pelo antecessor Lira para examiná-lo. Ele continua tergiversando sobre o que fará, dizendo que ouvirá a Casa e os líderes antes de decidir, mas na sexta-feira rasgou a fantasia ao dizer que não houve tentativa de golpe em 8 de janeiro. Para ele, houve ataque às instituições, mas não tentativa de golpe, o que exigiria a ação de líderes e o envolvimento de instituições.

A dedução é óbvia. Se não houve tentativa de golpe, os participantes não podem ser condenados por isso. Logo, merecem anistia.

Hugo Motta tenta engambelar o país jogando palavras ao vento. A Polícia Federal já demonstrou, com fartura de provas, que a tentativa de golpe teve líderes. Apontou, entre eles, o ex-presidente Bolsonaro, seu companheiro de chapa, general Braga Neto, seu ex-ministro da justiça, Anderson Torres, e outros mais.  E embora as Forças Armadas não tenham embarcado no golpe enquanto instituições, a PF já demonstrou o envolvimento de militares graduados, como o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier. Os comandantes das outras duas forças foram pressionados, inclusive por Bolsonaro, a participarem do golpe, oficiais da ativa cobraram o engajamento do Alto Comando do Exército e um general da ativa, Mario Fernandes, do alto escalão palaciano, planejou o assassinato de Lula, de seu vice Alckmin e do ministro do STF Alexandre de Moras.

Quando era candidato, Hugo Motta não deu um pio contra o STF. Agora ele se permite dizer que algumas penas impostas a golpistas pelo tribunal são “desproporcionais”.  Uma mulher que apenas passava pela Esplanada não pode ser condenada a 17 anos de prisão, disse ele distorcendo os fatos. O Supremo absolveu dois moradores de rua que acabaram arrolados no processo, mas contra os outros que já foram condenados, sobram provas. Sobram vídeos nítidos e em cores. Alguns estão foragidos e tiveram até a oportunidade de firmar acordos que reduziriam as penas.

Evitando opinar sobre temas polêmicos, na campanha Motta recusou-se a comentar o projeto que altera a lei da ficha limpa, reduzindo de 8 para 2 anos o prazo de inelegibilidade para quem cometeu crimes de abuso do poder político ou econômico em eleições. É o caso de Bolsonaro. Se o projeto for aprovado, poderá permitir que ele dispute a Presidência em 2026. Poderá, porque não é certo que a lei poderá retroagir para premiar Bolsonaro. A decisão seria do STF.

Na sexta-feira passada, 7, Hugo Mota declarou uma rádio na Paraíba, seu estado, que oito anos “são uma eternidade”, castigo duro demais. Novamente, não prometeu pautar o projeto, que está na CCJ. Vai ouvir o colégio de líderes. Todos nós sabemos que este colegiado é dominado pelos partidos do Centrão, que incluem o Republicanos de Motta. Se ele quiser, fará a matéria avançar.

Da mesma forma, ele nunca deu um pio sobre as propostas de mudança do sistema de governo. O assunto, que vai e volta, agora ressurgiu em uma PEC que acabou de ser apresentada com mais de 190 assinaturas. São necessárias 171. Sem se comprometer, ele disse que o Brasil precisa mesmo discutir este tema, porque o povo merece melhores governos.

Neste caso, acho que Motta devia mesmo pensar antes de se comprometer. Muitos juristas acham que o sistema de governo não pode ser alterado por emenda, pelo Congresso. A Constituinte de 1987/88 literalmente rachou em relação ao tema. Os presidencialistas ganharam por pouco mas aceitaram a realização de um plebiscito cinco anos depois, em 1993, para confirmar a opção presidencialista. O povo a confirmou. Para muitos juristas, e para alguns ministros do STF (pois não se conhece o pensamento de todos a respeito), só outro plebiscito pode alterar a decisão popular de 1993.

Hugo Motta comete estelionatos eleitorais em série.  Candidato, fugiu de temas econômicos e fez elogios ao ministro Fernando Haddad. Agora está fazendo críticas à política econômica e posando de fiscalista. Chegou a dizer que a Câmara não aprovará mais nenhum projeto destinado a aumentar a arrecadação. O governo que trate de gastar menos, disse ele. Isso já sugere que o governo terás problemas para aprovar, por exemplo, o projeto que isenta de imposto de renda os trabalhadores que ganham até cinco mil reais, promessa de campanha que Lula quer pagar.  Para compensar a perda de receita, o governo proporá que os mais ricos paguem mais. Entre eles os que ganham supersalários e também os que nadam de braçada com ganhos em dividendos, aluguel, aplicações financeiras e outras mamatas.

Hugo Motta, ao tomar posse, tentou elevar a própria estatura evocando Ulysses Guimarães, com citações e a imitação do gesto mais famoso, o de erguer a Constituição ao proclamá-la esconjurando a ditadura. Um dos ditos mais famosos de Ulysses é este, sempre citado: “Você diz que esse Congresso é ruim porque ainda não viu o próximo”.

Em uma semana no cargo, Motta já nos tenta a fazer uma adaptação generosa para com Arthur Lira: o próximo presidente da Câmara pode sempre ser pior.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=L-jSGu8tLyc&list=UU_M1ek8fhnDkz5C2zfkTxpg&t=5s


sábado, 8 de fevereiro de 2025

Guerra de Trump contra o mundo é um terremoto geopolítico, diz Pepe Escobar

"Trump quer transformar o mundo em uma pista de dança sob o ritmo do império americano", resume

Pepe Escobar e Donald Trump (Foto: Brasil247 | Reuters)

Redação Brasil 247





247 – Em análise publicada no YouTube, o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar traça um panorama dos primeiros meses do ano, marcado por uma sucessão de eventos que redesenham o tabuleiro internacional. O vídeo, gravado em Moscou, destaca a influência das decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a dinâmica global, comparando seu impacto a um "terremoto" geopolítico.

Escobar inicia sua reflexão relatando suas recentes viagens pela França, Itália e Turquia, que lhe proporcionaram uma visão detalhada do "marasmo e desespero" da União Europeia, resultado, segundo ele, de escolhas equivocadas das elites do continente. Em Istambul, destaca um jantar com integrantes da inteligência turca, onde discutiu-se o papel da Turquia na crise síria e a sua complexa relação com o BRICS. "Erdogan e a inteligência turca estão navegando de um dia para o outro, sem um plano de longo prazo para a Síria", afirmou Escobar.

Sobre o BRICS, ele aponta que a Turquia dificilmente será aceita como membro pleno, devido aos fortes laços com o Ocidente, especialmente com a União Europeia, destino de 40% das exportações turcas.

Já em Moscou, Escobar destaca a expectativa em torno da presidência brasileira do BRICS, que deve ganhar ritmo a partir de fevereiro. Ele também analisa a relação entre Rússia e China, mencionando o encontro virtual de 95 minutos entre Vladimir Putin e Xi Jinping, ocorrido logo após a posse de Trump, que ele considera um evento simbólico da nova ordem global em formação.

O analista critica o que chama de "tsunami de ordens executivas" da nova administração Trump, que, em sua visão, visa consolidar um "hipercapitalismo brutal" e aprofundar o controle dos Estados Unidos sobre a economia global. "Trump quer transformar o mundo em uma pista de dança sob o ritmo do império americano", resume.

Por fim, Escobar aborda a guerra na Ucrânia, classificando-a como uma "guerra por procuração" dos EUA contra a Rússia. Ele avalia que Trump pretende usar o conflito para reforçar sua narrativa interna, culpando Moscou por qualquer fracasso em negociações de paz. "Trump é um mestre da narrativa, e sabe como manipular a opinião pública global", conclui. Confira:

https://www.youtube.com/watch?v=tWXxjkGNT4k&t=1s

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Zelensky diz “façamos um acordo” e oferece a Trump parceria mineral em troca de segurança

O governo estadunidense pressiona para um fim rápido da guerra da Ucrânia com a Rússia

07 de fevereiro de 2025

Volodymyr Zelensky (Foto: Reuters/Kacper Pempel)


Por Bianca Penteado




KIEV (Reuters) - Durante uma entrevista para a Reuters nesta sexta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, examinou um mapa que já foi secreto contendo grandes depósitos de terras raras e outros minerais críticos, para tentar convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a fazer um acordo. O republicano, cujo governo pressiona para um fim rápido da guerra da Ucrânia com a Rússia, afirmou na segunda-feira que os ucranianos deveriam fornecer terras raras e outros minerais aos EUA em troca do apoio financeiro para a guerra.

"Se estamos falando de um acordo, façamos um acordo, somos a favor dele", afirmou Zelensky, enfatizando a necessidade de a Ucrânia ter garantias de segurança de seus aliados como parte de qualquer trato. No ano passado, a Ucrânia ventilou a ideia de abrir seus minerais críticos ao investimento de aliados, ao apresentar o "plano da vitória" que busca situar o país em posição mais forte nas negociações e forçaria a Rússia a sentar-se à mesa. 

Zelensky afirmou que menos de 20% dos recursos minerais da Ucrânia -- e metade de seus depósitos de terras raras -- estão em terras ocupadas pela Rússia. Terras raras são importantes para a manufatura de ímãs de alta performance, motores elétricos e eletrônicos de consumo. Zelensky alertou que Moscou pode liberar tais recursos para a Coreia do Norte e o Irã, inimigos declarados dos EUA.

“Precisamos parar Putin e proteger o que temos: uma região do Dnipro muito rica, no centro da Ucrânia”, afirmou.

As tropas russas vêm ganhando terreno no leste do país há meses, investindo enormes recursos em uma ofensiva implacável. Enquanto isso, o Exército muito menor de Kiev luta contra a escassez de soldados e se preocupa com futuros suprimentos de armas vindos do exterior. Zelensky desenrolou sobre uma mesa um mapa no gabinete presidencial, em Kiev, mostrando vários depósitos minerais, incluindo uma ampla faixa de terra no leste marcada como contendo terras raras. Cerca de metade parecia estar do lado da Rússia nas atuais linhas de frente.

Ele afirmou que a Ucrânia detém as maiores reservas de titânio da Europa, componente essencial para a indústria da aviação e espacial, e em urânio, utilizado para energia e armas nucleares. Muitos dos depósitos de titânio estavam marcados como presentes no noroeste da Ucrânia, região distante dos conflitos. A Ucrânia rapidamente reajustou sua abordagem de política externa para se alinhar à visão transacional de mundo de Trump, sendo os EUA os aliados mais importantes dos ucranianos.

Zelensky ressaltou, contudo, que não estava propondo "doar" os recursos, mas oferecê-los em uma parceria mutuamente benéfica para desenvolvê-los em conjunto: "Os americanos ajudaram mais e, portanto, devem ganhar mais. E eles devem ter essa prioridade, e eles terão. Eu também gostaria de falar sobre isso com o presidente Trump”, disse.

Ele afirmou que a Rússia sabe onde estão os recursos minerais da Ucrânia, por causa das pesquisas geológicas da era soviética, que foram levadas de volta a Moscou quando Kiev conquistou a independência, em 1991. Zelensky também disse que Kiev e a Casa Branca estão discutindo a ideia de usar a vasta capacidade de armazenamento subterrâneo de gás da Ucrânia para armazenar gás natural liquefeito dos EUA.

"Eu sei que o governo Trump está muito interessado nisso. Estamos prontos e dispostos a ter contratos para fornecimento de GNL para a Ucrânia. E, claro, seremos um hub para toda a Europa", disse. Zelensky afirmou que pretende comparecer à Conferência de Segurança de Munique, entre 14 e 16 de fevereiro, quando autoridades de dezenas de países ocidentais se reunirão durante um momento imprevisível do conflito, que já dura três anos. Keith Kellogg, enviado especial de Trump para a Rússia e Ucrânia, também deve comparecer.

O líder ucraniano disse ser crucial um encontro com Trump antes que o presidente dos EUA se reúna com o seu colega russo, Vladimir Putin, “caso contrário, vai parecer uma conversa sobre a Ucrânia sem a Ucrânia fazer parte dela”.

EM TEMPO: A humanidade está realmente desprotegida quando a mesma se depara com  governantes irresponsáveis, de extrema-direita, neonazis e ditadores, os quais põem em risco a vida de milhões de pessoas, as quais estão completamente indefesas, como é o caso dos(as) ucranianos(as) e dos(as) palestinos(as), estes últimos massacrados pelo governo de Israel. Agora Trump trata a questão das guerras como um negócio, devido ao fornecimento de armas, porém vendidas, para os seus aliados atacarem os inimigos criados por eles mesmos. Afinal os EUA e a OTAN derrubaram em meados de 2014 o Presidente da Ucrânia, pró-Moscou, além de pleitearem à adesão da Ucrânia a OTAN com o objetivo de instalarem suas bases militares na fronteira com à Rússia. Estamos à beira de uma Terceira Guerra Mundial, a qual é freada por Putin com o seu poderio bélico. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Palestinos libertos denunciam tortura em prisões israelenses


 

 

Prisioneiros palestinos libertados relatam experiências angustiantes dentro das prisões israelenses (Foto: via QNN)




FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil

6 de fevereiro de 2025

Prisioneiras palestinas libertadas compartilharam relatos angustiantes de suas experiências em prisões israelenses, detalhando tortura e repressão que suportaram até os momentos finais antes de sua libertação.

As mulheres relataram a profundidade de sua dor, não apenas devido à prisão, mas também por causa da situação geral na Palestina e em Gaza.

“Eles nos arrastaram pelas cabeças”

Rasha Hijjawi, de Tulkarem, descreveu à Russian Today os ataques das forças israelenses aos prisioneiros antes de sua libertação, dizendo:

“A tristeza em nossos corações é imensa pelos mártires e pela situação na Palestina e em Gaza. É um sentimento muito misto.”

“As condições nas prisões são terríveis. Fomos reprimidos antes da libertação, o que foi extremamente difícil”, disse ela.

“Eles nos algemaram, nos arrastaram e vendaram nossas cabeças. Eles nos jogaram no chão e nos arrastaram pelas cabeças quando descemos do ônibus”, ela acrescentou.

Hijjawi disse à RT que “as condições e o tratamento eram terríveis. Pouco antes de chegarmos à Cruz Vermelha, as algemas foram removidas de nossas mãos”.

‘Nossa gratidão vai para Gaza’

Baraa Foqaha, também de Tulkarem, expressou sua solidariedade com Gaza, dizendo:

“Nossos sentimentos estão com nossas famílias em Gaza. Apesar da tortura e do abuso, nossa preocupação na prisão era que a guerra em Gaza parasse.”

“Nossa mensagem e gratidão vão para eles. Nunca esqueceremos o que eles fizeram por nós até o fim dos tempos”, ela acrescentou.

‘Rezamos pelas almas dos mártires’

Hanan Maalwani destacou a incerteza que eles enfrentaram mesmo no momento de sua libertação:

“Um advogado falou conosco, mas não tínhamos certeza se realmente seríamos libertados. Eles dificultaram para nós até os últimos momentos. Eles distribuíram comida, dizendo que não seríamos soltos. Eles tiraram algumas meninas e deixaram outras em seus quartos. Das buscas à repressão, eles nos incomodaram até o fim.”

Ela acrescentou: “Rezamos pelas almas dos mártires e desejamos a recuperação dos feridos. Nossa alegria é incompleta, seja pelo povo de Gaza, pelos mártires ou pelas prisioneiras que permanecem detidas.”

‘Armas e cães’

Roz Khuwais, uma detida de Jerusalém, disse à RT, falando sobre sua experiência inicial na detenção:

“Quando entrei na prisão, não sabia o que era, o que eram interrogatórios ou como era uma cela. Não esperava que fosse tão ruim.”

Ela relatou ter passado por várias crises de saúde, comida insuficiente e falta de tratamento médico, descrevendo a prisão como um “túmulo iluminado”.

Roz também revelou a extensão do abuso enfrentado pelos prisioneiros, incluindo repressão com “armas e cães, revistas íntimas e assédio”.

‘Extremamente severo’

Adam Hadra, um dos prisioneiros libertados, falou com a Al-Jazeera e relatou ter sido detido em sua casa pelas forças de ocupação israelenses.

Hadra, 18, descreveu a experiência na prisão como extremamente dura, destacando maus-tratos sistêmicos, incluindo negligência médica e negação de medicamentos essenciais.

Ele enfatizou que até mesmo prisioneiros idosos foram submetidos a tal negligência.

‘Tortura e perseguição’

Samah Hijawi, outra prisioneira libertada, compartilhou sua história de ter sido detida pela segunda vez.

Ela disse à Al-Jazeera que suportou várias formas de tortura e perseguição, falando sobre os severos desafios que as prisioneiras enfrentam, particularmente devido a doenças e cuidados médicos inadequados.

Negligência médica

Da mesma forma, Shaima Omar Ramadan, que passou seis meses detida, explicou que sua sentença não havia sido finalizada durante seu tempo na prisão.

Ela revelou que a confirmação de sua inclusão no primeiro grupo de prisioneiros libertados veio poucas horas antes de sua libertação.

Somando-se a esses relatos, a irmã da jornalista e prisioneira libertada Rula Hassanein disse à Al-Jazeera que Rula está sofrendo de exaustão severa.

Sua condição requer tratamento médico imediato, pois a negligência médica prolongada na prisão afetou gravemente sua saúde.

* Publicado em 20/01/2025 por The Palestine Chronicle

https://fepal.com.br/presos-palestinos-libertos-falam-sobre-tortura-em-prisoes-israelenses/

EM TEMPO: Sugiro que os(as) leitores(as) busquem informações a respeito do tratamento que o HAMAS dedicou aos reféns, especialmente as mulheres, e façam a devida comparação. . 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Gaza e Auschwitz, 80 anos depois


Famílias palestinas regressam às suas casas destruídas na Faixa de Gaza, após o cessar-fogo – Créditos / Unrwa

Manuel Loff

ODIARIO.INFO

O atual cessar-fogo não fez cessar o genocídio em Gaza. Nem é garantido que exista da parte da entidade sionista qualquer genuína intenção de não o retomar. Com um intervalo de 80 anos quase exatos, a declaração deste precário cessar-fogo coincide com a data da libertação de Auschwitz pelo Exército Vermelho. O paralelo é dramaticamente elucidativo. Que os responsáveis atuais pelo genocídio do povo palestino invoquem a memória do Holocausto evidencia quão sinistras podem ser as curvas da história

Ironia da história, o cessar-fogo foi declarado em Gaza quase 80 anos depois da libertação de Auschwitz (27 de janeiro de 1945) pelos soldados soviéticos. Confirmadas pelo Tribunal Penal Internacional as acusações de crimes de guerra e contra a humanidade praticados por Israel, emitidos mandados de captura de Netanyahu e do seu ex-ministro Yoav Gallant, aberta a investigação pelo Tribunal Internacional de Justiça sobre o crime de genocídio, é hora de fazer o balanço dos 471 dias de massacre, limpeza étnica e execução de um projeto genocida para Gaza e o conjunto da Palestina.

O TPI acusou a cúpula do Estado sionista de crimes de guerra (provocar a “fome como método de guerra” e “intencionalmente dirigir um ataque contra a população civil”) e dos crimes contra a humanidade de “assassinato, perseguição e outros atos desumanos”. Pelos registros das autoridades sanitárias de Gaza, julgava-se que teriam chegado aos 50 mil palestinos mortos desde outubro de 2023, 40% deles crianças e adolescentes. “É como se uma sala de aulas cheia de crianças fosse bombardeada todos os dias, (…) e todas essas crianças são mortas”, dizia há meses Marta Lorenzo, da UNRWA, ao PÚBLICO.

Ora os dados estão subestimados. Um estudo publicado na The Lancet estima em 64 mil os mortos só até 30 junho de 2024, isto é, 41% mais do que o registrado (“Traumatic injury mortality in the Gaza Strip from Oct 7, 2023, to June 30, 2024: a capture–recapture analysis”, 9/1/2025). Se compararmos apenas os números oficiais (isto é, dos corpos encontrados e registrados, excluindo, portanto, todos aqueles desaparecidos que possam estar sob as ruínas) com os dos períodos mais mortíferos de outras guerras, os palestinos mortos pelos israelenses em Gaza no 1.º ano da invasão são o triplo dos ucranianos mortos em 2022 (cálculos do Uppsala Con ict Data Program, El País, 19/1/2025).

A intenção genocida amplamente documentada nos relatórios do Conselho de Direitos Humanos da ONU foi passada na prática “numa das campanhas de bombardeamentos mais devastadoras da história” (Robert Pape, Foreign Affairs, 6/12/2023). Limpeza étnica: 90% da população foi deslocada à força, “várias vezes, para territórios cada vez mais reduzidos, sem infraestruturas básicas, obrigando as pessoas a viver em condições que as expunham a uma morte lenta e calculada. [Israel] obstruiu ou negou deliberadamente a importação e a entrega de ajuda humanitária para salvar vidas. Restringiu o fornecimento de eletricidade (…), levando ao colapso dos sistemas de água, saneamento e cuidados de saúde. Submeteu centenas, senão milhares, de palestinos de Gaza a detenção em regime de incomunicabilidade e a atos de tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes que”, só esses, “terão causado pelo menos 53 mortes até agosto de 2024.” (Amnistia Internacional, ‘You Feel Like You Are Subhuman’. Israel’s Genocide Against Palestinians in Gaza, 2024)

Que os responsáveis por tudo isto invoquem a memória do Holocausto, isto é, do genocídio dos judeus (e cigano, e de populações eslavas) perpetrado pelos nazistas até 1945, está impedindo, como diz Marianne Hirsch, que o “Holocausto possa voltar a servir como ‘referência moral universal’, se é que alguma vez o foi” (Rethinking Holocaust Memory After October 7, Public Books, 15/7/2024).

Um dos sobreviventes de Auschwitz, Primo Levi, recordava-se de como os SS, cientes da derrota próxima, diziam aos prisioneiros: “Seja qual for o fim desta guerra, nós ganhamos; (…) mesmo que algum de vocês escape, o mundo não acreditará em vocês. Talvez haja suspeitas, discussões, investigação de historiadores, mas não haverá certezas (…). [A]s pessoas dirão que os fatos que vocês contam são demasiado monstruosos para serem acreditados: dirão que são exageros da propaganda (…), e acreditarão em nós, que negaremos tudo. Nós é que vamos ditar a história dos campos [de extermínio]” (Os que sucumbem e os que se salvam, 1986).

O que nos arriscamos hoje, depois de ano e meio de cumplicidade e/ou silêncio dos EUA e da UE face ao genocídio, é que sejam os israelenses a contar a história do que aconteceu em Gaza.

Fonte: “Público”, 22.01.2025