quinta-feira, 6 de julho de 2023

Professores rejeitam proposta de 0% de reajuste oferecida pela Prefeitura de Garanhuns, ironiza sindicato



 Texto extraído do Blog V&C em 06.07.23

 

A governadora Raquel Lyra e o prefeito Sivaldo Albino estão em palanques opostos e a relação entre os dois não é das melhores, embora Sivaldo tente manter um grau mínimo de civilidade institucional com o Governo do Estado. Mas Lyra e Albino têm algo em comum nas suas gestões. Ambos enfrentam o descontentamento dos professores por conta de problemas no pagamento do piso nacional da educação.

A nível estadual, uma greve geral da Rede de Educação foi marcada para iniciar dia 25 de julho, data do retorno dos alunos das férias do meio do ano. Aqui no município a situação não é muito diferente. Os educadores reclamam da falta de reajuste como cumprimento do piso. 

Em assembleia realizada no final de junho, professores se reuniram e resolveram manter o estado de greve, um alerta ao Governo Municipal de que, se não houver um avanço nas negociações em torno do pagamento do reajuste, a categoria partir para uma greve geral, tal como farão seus colegas, os professores estaduais. 

Em nota, o Sinpro ironizou o atual momento vivido pelos professores do município: "Na última assembleia, ocorrida no dia 29 de junho, a categoria rejeitou a proposta ofertada pela prefeitura, na ordem de 0% de reajuste. PAGUE MEU DINHEIRO, NÃO A ZERO DE REAJUSTE. ZERO É A NOTA DA Secretaria de Educação", alfinetou o Sinpro

Ainda o sindicato, o Governo Municipal estaria esperando uma possível resposta do FNDE sobre a ampliação de recursos voltados a Garanhuns para poder decidir sobre o reajuste dos educadores

 "Frente a essa infeliz realidade e descaso com a educação no município, a categoria segue em Estado de Greve, utilizando assim, dos expedientes necessários, democráticos e legais, para que a prefeitura de Garanhuns pague o que é de direito, o reajuste de 14,95%," completou o Sinpro

 

Professores da rede estadual decretam Greve em protesto contra Piso apresentado por Raquel Lyra

 

Texto extraído do Blog V&C em 06.07.23

 

Decretada Greve na Rede Estadual para deflagração em 25 de julho

 

O Sintepe (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco) realizou uma assembleia geral da categoria nesta quarta-feira (5) que decretou Greve na Rede Estadual de Ensino de Pernambuco, com deflagração para o dia 25 de julho, o primeiro dia do retorno dos trabalhadores em educação (professores e demais servidores) às aulas, após o recesso de julho. A greve foi decretada por unanimidade dos cerca de 1,2 mil trabalhadores em educação presentes na assembleia e recebeu forte apoio dos mais de 1 mil trabalhadores que estavam acompanhando a assembleia no Youtube e Instagram.  

“A Rede Estadual de Ensino de Pernambuco decretou greve. Essa greve foi decretada em defesa do nosso plano de cargos e carreira, em defesa do piso salarial do magistério, da valorização e da escola pública”, disse Ivete Caetano, presidenta do Sintepe. 

A decretação da greve, realizada hoje (5), é o início da greve que será oficializada ao Governo do Estado por meio de ofício. A deflagração (início efetivo da greve) será no dia 25 de julho, porque a rede estadual de ensino encontra-se em sua grande maioria em recesso escolar.  

O Sindicato reivindica reajuste de 14,95% para todos os servidores da Secretaria de Educação de Pernambuco: professores, analistas educacionais e assistentes administrativos, com repercussão em toda carreira da educação. O índice de 14,95% é referenciado na atualização do Piso Salarial Nacional do Magistério, corrigido todo ano por lei federal.

EM TEMPO: Raquel Lyra, Priscila Krause, Sivaldo Albino e Izaías Régis, são semelhantes e representantes dos interesses da burguesia. Ok, Moçada!

quarta-feira, 5 de julho de 2023

NÃO ao “Marco Temporal”!


  

Em defesa dos direitos dos povos originários!

Fração Nacional Indígena do PCB

A história dos povos indígenas não começou em 1988, ano da promulgação da Constituição da República, e a história dos povos indígenas muito menos começou em 1500. O direito originário sobre a terra (Artigo 231 da Constituição Federal brasileira) dialoga com a inalterável declaração do revolucionário peruano José Carlos Mariátegui lançada há quase cem anos: “la vida viene de la tierra” (“a vida vem da terra”, em Sete Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana – mas que poderia ser a brasileira -, Biblioteca Amauta, pg. 54).

O que está posto na mesa no processo com repercussão geral na Suprema Corte – a mal cunhada tese do ‘marco temporal’, cujo objetivo central é restringir a proteção constitucional dos povos indígenas – não é simples interpretação de um direito à terra ou ao território, é o próprio direito de existir ou não de acordo com um modo de ser que se contrapõe ideologicamente ao ideário eurocêntrico, desde a ocupação de Pindorama, e que a burguesia brasileira, associada internacionalmente aos interesses do capital, mantém dominante até os dias de hoje.

Caso a Corte opte pela tese anti-indígena, ratificará o esbulho violador e violento ocorrido contra os povos originários, danos incomensuráveis se anteveem, dentre os quais a possível anulação de inúmeras demarcações havidas no passado recente. Essa é uma tese considerada perversa, porque legaliza e legitima as violências a que os povos indígenas foram submetidos até a promulgação da Constituição Federal de 1988, especialmente durante o período da ditadura empresarial-militar, período em que ocorreram massacres contra os indígenas e a pilhagem de seus territórios.

Além disso, é muito possível que ocorra o desaparecimento de povos em isolamento voluntário, que são cerca de 89 ainda fora do alcance de qualquer proteção estatal, é algo que também se põe em linha com essa esdrúxula tese, dada sua invisibilidade factual e jurídica que obviamente contrasta com a possibilidade de comprovação física em tal ou qual território. Não há dúvidas ainda de que os conflitos se acirrarão, haverá óbvia sinalização para novas invasões em territórios indígenas e terras por demarcar, assim como haverá a consolidação dos ataques, roubos e pilhagens praticados em face dessas terras.

Mobilização popular para barrar o Marco Temporal

Para piorar a situação dos povos originários, o presidente da Câmara, Artur Lira, pôs em votação na noite do dia 24/05, regime de urgência para a aprovação do PL 490, tentando transformar em lei a tese do marco temporal. Visa retirar direitos aos territórios, acabar com a consulta prévia, livre e informada e flexibilizar o garimpo em terras indígenas, abrindo brecha também para a invasão nos territórios dos povos isolados. É o genocídio legislado!

O Partido Comunista Brasileiro vem a público para defender de modo enfático e intransigente o direito inaliável dos povos originários aos seus territórios, rechaçando de forma taxativa qualquer tese ou posicionamento que signifique tolher ou restringir os direitos constitucionais e convencionais dos povos indígenas.

É preciso que as organizações democráticas e os movimentos populares se mobilizem para pressionar em favor de uma decisão de rechaço a essa tese pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento que será retomado no dia 7 de junho. E para que o PL 490 seja barrado! Que isto seja também um exemplo internacional a ser seguido por outros países em compasso com as lutas dos povos originários que se dão mundo afora.

BASTA DE GENOCÍDIO!
PELA DEMARCAÇÃO DAS TERRAS INDÍGENAS!

terça-feira, 4 de julho de 2023

PCV denuncia sequestro de dirigentes sindicais


 





Tribuna Popular – Partido Comunista da Venezuela

O Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da Venezuela (PCV) denunciou, na última segunda-feira, dia 19 de junho, o desaparecimento de dois dirigentes sindicais da Siderúrgica del Orinoco (Sidor), detidos arbitrariamente há mais de uma semana após os protestos massivos frente à estatal.

No dia 06 de junho, os trabalhadores da Usina Pellas de Sidor empreenderam novas ações para enfrentar as violações dos compromissos adquiridos pelo empregador e os ataques sistemáticos aos seus direitos salariais e trabalhistas. No quarto dia de protesto, o governo militarizou a área e lançou uma ofensiva policial e judicial para neutralizar os trabalhadores em luta.

“Ratificamos a nossa condenação às práticas de criminalização das lutas operárias que o Governo Maduro está promovendo. Está se configurando uma situação em que se suspende o exercício dos direitos democráticos do povo venezuelano, o direito de se defender das investidas dos patrões e do próprio governo com políticas anti trabalhadoras e antipopulares”, declarou Pedro Eusse, Secretário do Movimento Operário e Sindical do PCV.

Eusse denunciou que “neste momento há dois dirigentes sindicais presos e desaparecidos”. São os casos de Leonardo Azócar, secretário de Trabalho e Denúncias do Sindicato Único dos Trabalhadores da Siderurgia e Similares (Sutiss) e do delegado sindical departamental Daniel Romero. “Foram sequestrados pelo Estado venezuelano. É um fato gravíssimo que nos lembra os momentos mais terríveis da repressão dos anos 1960 e as práticas de violência e criminalização indevidas aplicadas pelas ditaduras na América do Sul com presos e desaparecidos”, acrescentou.

Azócar e Romero “foram detidos sem respeito ao devido processo e até agora nem seus familiares, nem seus colegas sindicais, nem seus colegas de trabalho sabem onde estão”, explicou. Além dessas detenções, foi imposta uma medida judicial emitida por um tribunal a pedido do empregador, que “estabelece um precedente extremamente perigoso contra o exercício das lutas dos trabalhadores em Guayana e em toda a Venezuela”, informou Eusse.

Na mencionada sentença proferida por um Tribunal de Puerto Ordaz, “os trabalhadores estão proibidos de exercer o direito de protestar e denunciar publicamente as violações cometidas pelos empregadores contra seus direitos”. “Estes fatos devem ser repudiados, condenados e enfrentados por todos os trabalhadores e trabalhadoras da Venezuela, por todo o movimento sindical venezuelano e pelo sindicalismo classista internacional, que necessariamente tem que se pronunciar diante desses gravíssimos acontecimentos que estão ocorrendo na Venezuela”, disse Eusse.

Solidariedade com os petroleiros

O PCV também se solidarizou com as lutas dos petroleiros da Refinaria Puerto La Cruz e também de várias áreas da PDVSA em Zulia. Os petroleiros exigem o cumprimento do acordo coletivo de trabalho, nomeadamente no que diz respeito ao seguro de saúde. “Isso põe em risco a vida dos próprios trabalhadores e de suas famílias pela falta de atendimento médico”, disse Eusse ao relembrar as péssimas condições de trabalho e que quase 90% da renda são bônus e não salários.

Além disso, a convenção coletiva do setor está vencida há 19 meses. Na época, o PCV denunciou a assinatura deste contrato como irregular, “porque não foi objeto de debate por parte dos trabalhadores”. “A propósito, o governo tem atuado para que os trabalhadores não possam assumir o controle de suas organizações sindicais. Eles não podem renovar suas direções sindicais, especialmente naqueles setores estratégicos. O movimento sindical foi decapitado ou impedido de exercer seu legítimo direito à atividade sindical”, disse.

PCV também denunciou brutal repressão contra o povo Yukpa

O Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da Venezuela (PCV) denunciou também a brutal repressão que está sendo cometida contra o povo Yukpa no estado Zulia. “Já foi divulgado como a força policial tem sido usada para impedir que os irmãos Yukpa façam uso de seu direito de livre circulação. Ou seja, os Yukpa estão sendo proibidos de transitar pelo território nacional, sair de Zulia para comercializar o seu artesanato e até informar o país sobre a realidade em que vivem”, declarou Pedro Eusse, membro da direcção do PCV.

O dirigente acusou o governo nacional de ter imposto o critério que considera os Yukpa como cidadãos de segunda classe ou terceira categoria, sem os mesmos direitos que o resto dos venezuelanos e venezuelanas. “Não só está se desenvolvendo a repressão policial, mas também está sendo promovida uma campanha de estigmatização e de ódio étnico na Venezuela contra o povo Yukpa”, acrescentou Eusse.

Durante o habitual comunicado à imprensa, o PCV também alertou para as tentativas de criminalizar aqueles que assumem a defesa do povo Yukpa, como está acontecendo com o professor Luis Portillo, que é um reconhecido defensor dos direitos dos povos indígenas no estado de Zulia e na Venezuela. “Denunciamos o que está sendo feito contra o professor Lusbi Portillo. Expressamos nossa solidariedade e acreditamos que todas as forças democráticas, populares, revolucionárias e socialmente sensíveis devem condenar toda essa onda de repressão contra o povo Yukpa e contra o professor Lusbi Portillo”, concluiu Eusse.

Tradução: Partido Comunista Brasileiro – PCB

Fonte: https://prensapcv.wordpress.com/2023/06/20/pcv-denuncia-desaparicion-de-dirigentes-sindicales-detenidos-tras-protestas-en-sidor/

EM TEMPO: O presidente Lula precisa ser mais crítico com relação a Maduro e Daniel Órtega, presidentes da Venezuela e Nicarágua, respectivamente. 

sábado, 1 de julho de 2023

Inelegibilidade de Bolsonaro foi esplendor democrático, diz Celso de Mello

(Foto: STF e Reuters)


Jurista elogiou a decisão do TSE que tornou inelegível o líder populista de extrema direita

1 de julho de 2023


247 – O jurista Celso de Mello, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), publicou um artigo no jornal Estado de S. Paulo, no qual comentou sobre a recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível até 2030. Celso de Mello elogiou a medida do TSE, descrevendo-a como uma resposta legítima do Estado àqueles que desrespeitam a ética do Direito e do poder.

Na análise do jurista, o julgamento do TSE foi uma advertência severa àqueles que comprometem a sacralidade da Constituição, representando um veto contundente e uma repulsa enérgica da ordem democrática à disseminação de mentiras, manipulação fraudulenta e distorção perversa da verdade, popularmente conhecidas como "fake news". Ele destacou que o uso abusivo do poder político como meio ilícito para conquistar ou preservar mandatos eletivos não pode ser tolerado.

Celso de Mello ressaltou a importância da regularidade do processo eleitoral, a segurança do sistema de votação e a legitimidade dos resultados eleitorais como valores fundamentais do regime democrático. Para ele, tais valores não podem conviver com práticas que demonstrem abuso de poder político ou utilização ilegal dos meios de comunicação.

O ex-ministro elogiou a atuação firme e imparcial da Justiça Eleitoral, cujas decisões sempre refletem fidelidade absoluta à autoridade da Constituição e às leis da República. Ele destacou que foi essa atuação que garantiu, mais uma vez, o esplendor do regime democrático no caso específico de Jair Bolsonaro, assegurando a soberania da vontade popular e a legitimidade dos resultados eleitorais que foram validamente revelados pelas urnas eletrônicas, consideradas seguras, transparentes e auditáveis.

Celso de Mello encerrou seu artigo exaltando a importância da democracia e da preservação dos princípios fundamentais que a sustentam. Sua análise reforça a relevância da decisão do TSE e destaca a necessidade de combater práticas que comprometem a integridade do processo democrático no Brasil.

Cantor pernambucano Alceu Valença completa 77 anos e ganha biografia

Foto: Leo Aversa/Divulgação


"Pelas Ruas que Andei", escrito por Julio Moura, deverá ser lançado em Belo Horizonte em agosto

Por Paulo Henrique Silva Publicado em 1 de julho de 2023

Cantor não fez concessões ao mercado fonográfico, de acordo com biografia 



Em 1979, Alceu Valença saiu do Brasil pela porta dos fundos do mercado fonográfico. “Ninguém queria contratá-lo na época. Teve até um diretor de gravadora que disse que, ‘em termos de maluco, já tinham Raul Seixas’”, recorda Julio Moura, autor do livro “Pelas Ruas que Andei: Uma Biografia de Alceu Valença”, lançado na última terça-feira, em Recife, na semana em que o cantor pernambucano faz aniversário – 77 anos neste sábado. 

Há pouco mais de quatro décadas, quando ainda era um nome ligado à cena underground, compositor de canções metafóricas e sem gravadora após deixar a Som Livre de maneira atribulada, Valença pegou as malas e passou seis meses numa espécie de autoexílio em Paris, na França, ladeado pelo guitarrista Paulo Rafael e pela empresária Ana Elisa Cesário Alvim. Foi nesse intervalo que um “clique” aconteceu na vida do artista. 

“Ele ficou hospedado na casa de um sociólogo, tendo à disposição uma biblioteca inteira com as obras completas de Gilberto Freyre, além de discos de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Foi um mergulho na própria raiz nordestina”, assinala Moura. Em pouco tempo, Valença compõe “Coração Bobo”, que viria a ser o seu primeiro grande sucesso comercial, título também do álbum lançado em 1980 pela Ariola. 

Para o biógrafo, esse momento de descida ao fundo do poço e subida meteórica é a síntese da carreira do filho ilustre de São Bento do Una, localizada no Planalto de Borborema, de onde saiu para virar advogado e jornalista na capital pernambucana. “Um traço muito forte dele é que jamais fez concessões ao mercado. Isso só reafirmou a identidade dele, mas também trouxe muita controvérsia”. 

A relação de Alceu Valença com o mercado fonográfico foi vitoriosa, mas sempre atribulada, analisa Moura. Tanto é assim que seus primeiros discos não foram sucessos de vendas. A primeira década de sua trajetória musical foi marcada pelo fato de nunca ter vencido um festival da canção sequer, embora tenha participado de vários durante toda a década de 70. 

No Festival Internacional da Canção de 1969, no Maracanãzinho, ele defendeu a música “Acalanto para Isabela” e sofreu a primeira derrota. Depois veio a edição de 1972, em que marcou presença no palco com Jackson do Pandeiro e Geraldo Azevedo. Com problemas de som durante a apresentação de “Papagaio do Futuro”, foram desclassificados. 

Nova tentativa no Festival Abertura, em 1975, desta vez acompanhado de um grupo que tinha, entre outros, Zé Ramalho e Lula Cortês. “Aqueles cabeludos incríveis, cangaceiros elétricos, provocaram impacto com a apresentação de ‘Vou Danado pra Catende’. Não ganharam, mas deram para eles uma espécie de prêmio de consolação”, recorda o biógrafo. 

“Alceu lida muito com esses reveses. Foram dez anos até chegar a um patamar de artista de sucesso. Fonograficamente, viveu o seu apogeu na primeira metade da década de 80, com quatro discos lançados pela Ariola – ‘Coração Bobo’, ‘Cinco Sentidos’, ‘Cavalo de Pau’ e ‘Anjo do Avesso’. Mas, depois, mudou de gravadora e passou a lidar com questões mercadológicas, sendo escanteando”, registra. 

Entre altos e baixos, ele pôs no mercado “7 Desejos” (1991), também um dos pilares de sua trajetória. Concebido de forma mais artesanal, na gravadora Odeon, o disco não foi um sucesso instantâneo, “ganhando fôlego com o tempo”. Canções hoje indissociáveis ao repertório de Valença, como “La Belle de Jour”, estavam entre as suas faixas. 

A música, que é mais um fruto da rápida passagem do cantor pela França, virou sinônimo de Carnaval e da energia valenciana. Uma versão tocada juntamente com Paulo Rafael, disponível na plataforma YouTube, já conta com 250 milhões de visualizações. “É um número impressionante, do tamanho da população brasileira”, destaca Moura. 

Assessor de imprensa de Valença desde 2009, após ter trabalhado em gravadoras e selos musicais, Moura afirma que “Pelas Ruas que Andei” está longe de ser um livro de memórias. “Não descarto um dia relatar essa experiência pessoal com Alceu, mas a intenção dessa publicação é outra, buscando traçar um panorama autobiográfico da carreira”, explica. 

O biógrafo assinala que, nesses 14 anos, teve acesso a “todos os Valença”, viajando com ele de Norte a Sul do país, nunca deixando de visitar o Brasil profundo – mas o Alceu Paiva Valença que buscou enaltecer é o “pensador da coisa brasileira, do Nordeste, mais do que o showman que ele evidentemente é, o ‘bicho maluco beleza’ do Carnaval”.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Entenda o voto que pode cassar Jair Bolsonaro

(Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE)

Benedito Gonçalves destacou que Bolsonaro propagou "mentiras atrozes" sobre o TSE, fez ameaças veladas e utilizou as Forças Armadas como instrumento para atacar o tribunal

29 de junho de 2023



247 – O corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Benedito Gonçalves, emitiu seu voto nesta terça-feira, dia 27, no processo que pode resultar na cassação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ministro acusou Bolsonaro de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, solicitando sua inelegibilidade por oito anos. O julgamento será retomado na quinta-feira. Gonçalves destacou que Bolsonaro propagou "mentiras atrozes" sobre o TSE, fez ameaças veladas e utilizou as Forças Armadas como instrumento para atacar o tribunal, caracterizando um comportamento que ele classificou como um "flerte perigoso com o golpismo", segundo relata a jornalista Rayssa Motta, do Estado de S. Paulo.

A base do julgamento é a reunião convocada por Bolsonaro, enquanto presidente, com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, em julho de 2022, na qual foram disseminadas informações falsas sobre o sistema de votação brasileiro e as urnas eletrônicas. As declarações do ex-presidente foram transmitidas pela TV Brasil.

O relator apresentou uma versão resumida de seu voto, que contém 382 páginas, e ressaltou a gravidade das acusações contra Bolsonaro. Segundo Gonçalves, o ex-presidente se valeu de seu cargo e da estrutura da Presidência para disseminar notícias falsas, atacar o TSE, mobilizar seus apoiadores e promover sua candidatura à reeleição. O ministro afirmou que as agressões à Justiça Eleitoral evidenciam a importância dessa instituição para a preservação da democracia.

Gonçalves argumentou que as provas apresentadas deixaram clara e convincente a culpa de Bolsonaro, considerando os fatos incontestáveis e amplamente comprovados. O relator isentou o vice-presidente da chapa, general Walter Braga Netto, de qualquer responsabilidade, atribuindo a Bolsonaro a total responsabilidade pelo evento com os diplomatas.

Outro aspecto abordado pelo ministro foi a inclusão no processo de uma minuta golpista apreendida na residência do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres. Essa minuta previa a criação de uma comissão para fiscalizar o TSE e anular o resultado das eleições. A defesa de Bolsonaro tentou excluir esse documento do processo, fazendo referência a um julgamento anterior da chapa Dilma-Temer. No entanto, Gonçalves destacou a diferença entre os casos e ressaltou a gravidade das ações de Bolsonaro. 

Além disso, o voto do relator abordou a relação de Bolsonaro com as Forças Armadas e seu convite para que os militares acompanhassem os testes das urnas eletrônicas. Segundo o ministro, Bolsonaro instrumentalizou as Forças Armadas e flertou perigosamente com o golpismo.

O julgamento terá continuidade com a manifestação dos demais ministros do TSE. Caso Bolsonaro seja condenado, poderá ficar inelegível até 2030, abrindo caminho para rearranjos políticos na direita.

EM TEMPO: É isso aí Bozo. No passado, falaste em demasia, hoje és réu. 

segunda-feira, 26 de junho de 2023

O FIG E A "BRIGA" DOS REPRESENTANTES DA BURGUESIA.

 


Os representantes da Burguesia "brigam"  em demasia  pelo poder. Quase todos os anos têm esse tipo de desavença no período que antecede a realização do FIG. Antes era Zazá "brigando" com os ex-governadores Eduardo Campos e Paulo Câmara. Agora   é o prefeito Sivaldo Albino,   "arengando" com a governadora Raquel Lira.

Lembrando ser  impróprio  o Prefeito do Garanhuns dizer  para o Blog do Magno que:  “Garanhuns não é casa de Mãe Joana, aqui tem Prefeito”. Tudo isso porque não gostou da alteração do período do FIG, ou seja, anteriormente marcado para o período de 14 a 23.07.23 e, agora para o intervalo de 21 até  30.07.23 sem o seu “conhecimento prévio”.

Convém lembrar que o FIG é uma atribuição, por Lei, de realização do Governo do Estado de PE, cabendo ao município, apenas,  dar apoio logístico e se entrosar, em harmonia,  com os diversos departamentos do governo estadual sem pensar em tirar proveito político.

Aqui  segue uma sugestão: Sr. prefeito Sivaldo Albino - pare de "brigar" e consiga a devida autorização do governo do Estado para que os participantes do FIG doem alimentos não perecíveis, roupas, cobertores e agasalhos para a população carente. Sugiro ainda que deem essa atribuição ao grupo Ferreira Costa (o qual  já faz essa tarefa), ao Bispo Diocesano, aos Pastores das Igrejas Evangélicas, aos Clubes de Serviço, ao 71º BI e ao 9º Batalhão da PM.

NÃO VOTARAM NO VELHINHO DE IDEIAS  NOVAS (RSRSRS), O PAULO CAMELO, ISTO É, NAS ELEIÇÕES DE 2020, PORQUE NÃO QUISERAM.  AGORA É SÓ CHORORÔ. OK, MOÇADA!

EM TEMPO: O período do FIG deve ser sempre de 10 dias, sem maiores delongas e o apresentador dos eventos  deve  diminuir a dose de repetir em demasia os nomes dos políticos. Porém,  sugiro que a governadora Raquel Lira convide os Garanhuenses, isto é, o  presidente Lula e o senador Randolphe Rodrigues para participarem da abertura do FIG. OK, MOÇADA, MAIS UMA VEZ!


Base de Lula encontra um caminho para demitir Campos Neto do Banco Central

A ideia é usar um processo no Tribunal de Contas da União, que aponta inconsistências contábeis no BC – o que justificaria sua saída

26 de junho de 2023

Lula rebate presidente do BC: "Esse maluco sabe o que está acontecendo com o povo? É tempo de guerra" (Foto: ABr)



247 – Parlamentares aliados do presidente Lula no Congresso estão analisando a possibilidade de utilizar um processo no Tribunal de Contas da União (TCU) contra o Banco Central para pressionar a saída de Roberto Campos Neto, presidente da instituição, caso ele continue se opondo à redução da taxa básica de juros (Selic), segundo informa o jornalista Julio Wiziack, na coluna Painel S.A.. O TCU é o órgão responsável por fiscalizar as atividades do governo federal no âmbito do Congresso. Sua missão é garantir a transparência nas contas, finanças, orçamento e patrimônio dos órgãos e entidades públicas do país.

O processo em questão remonta a 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, e investiga alegadas inconsistências contábeis de R$ 1 trilhão apontadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) no balanço do Banco Central naquele ano. Após realizar diligências, os auditores do TCU concluíram que "os demonstrativos não refletem adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a situação patrimonial, o resultado financeiro e os fluxos de caixa do BC". Essas informações constam em um relatório obtido pela coluna.

O presidente Lula e outros integrantes do governo têm criticado veementemente o presidente do Banco Central por manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, mesmo com a queda da inflação. Campos Neto lidera o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, responsável por definir a taxa básica da economia, e tem resistido a adotar uma postura racional, coerente com os dados da economia.

domingo, 25 de junho de 2023

Cúpulas militares só abortaram plano de golpe por falta de apoio dos EUA

 

Por Jeferson Miola (Jornalista)

A democracia clama por investigação e responsabilização das cúpulas militares e oficiais conspiradores que atentaram contra o Estado de Direito


 

Atos terroristas de bolsonaristas contra as sedes dos Três Poderes, em Brasília - 08.01.2023 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) 

Em que pese o conhecimento detalhado que se tem hoje sobre a atuação partidária organizada pelas cúpulas das Forças Armadas como um partido político com projeto próprio de poder, amplos setores da sociedade brasileira ainda acreditam nas “narrativas” mentirosas dos militares, como a do chefe do Estado-Maior do Exército, general Fernando José Sant’Ana Soares e Silva, que sustenta que “nós, o Exército, nunca quisemos dar nenhum golpe”.

Decerto amparado na crença da eterna impunidade, o general vai longe no seu atrevimento: “Tanto não quisemos, que não demos [o golpe]”, declarou. A mensagem é clara: quando quiserem – ou, quando puderem –, os militares perpetrarão o golpe para tomarem de assalto o poder. As cúpulas militares estão vencendo a batalha comunicacional sobre este período histórico em que tiveram não só primazia absoluta na condução do governo fascista-militar, como centralidade nos trágicos acontecimentos precedentes e posteriores à eleição de 2018, quando elegeram a chapa militar Bolsonaro/Mourão à presidência do Brasil.

Habilmente, descarregam as “culpas” nos bodes expiatórios midiaticamente mais atraentes, como Bolsonaro, Mauro Cid e elementos secundários da súcia. Desse modo, essas cúpulas que implicaram institucionalmente as Forças Armadas nos atentados à democracia vão conseguindo se safar das responsabilidades diretas e centrais na conspiração.

Já em 7 de outubro de 2018, data do primeiro turno da eleição presidencial, reportagem do jornalista argentino Marcelo Falak para o Ámbito Financiero destacava, a partir de relatos de uma fonte do alto oficialato das Forças Armadas brasileiras, que Bolsonaro era, na realidade, um Cavalo de Tróia para viabilizar o projeto secreto da cúpula militar – “o homem que a cúpula das Forças Armadas escolheram, há 4 anos [ainda em 2014, portanto], para que ele se fosse convertido no presidente do Brasil”.  

A evolução dos acontecimentos confirmou o quão certa estava aquela reportagem Agora, quase cinco anos depois, outra matéria jornalística – do jornal inglês Financial Times [FT, de 21/6] – traz claridade a respeito do protagonismo decisivo das cúpulas militares na complexa dinâmica política nacional. O FT relata “uma pressão silenciosa de um ano pelo governo dos EUA para conclamar os líderes políticos e militares do país a respeitarem e protegerem a democracia”.

Na matéria, o ex-embaixador dos EUA no Brasil [2016/2018] Michael McKinsley cita um “empenho muito incomum” que “durou quase um ano” e significou uma “campanha coordenada em várias ramificações do governo dos EUA, como os militares, a CIA, o Departamento de Estado, o Pentágono e a Casa Branca”. De acordo com o também ex-embaixador dos EUA no Brasil [2009/2013] e ex-Sub-secretário do Departamento de Estado Thomas Shannon, “o esforço começou com a visita do assessor de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan” a Bolsonaro e a autoridades do governo, em agosto de 2021.

O assessor de segurança do governo Biden se convenceu que “Bolsonaro seria totalmente capaz de manipular os resultados da eleição ou negá-los, como Donald Trump havia feito”. A partir de tal constatação, o governo estadunidense decidiu aumentar as pressões sobre Bolsonaro e os militares. No dia seguinte ao encontro que Bolsonaro promoveu com representações diplomáticas estrangeiras em Brasília para avacalhar o sistema eleitoral brasileiro, o Departamento de Estado saiu em defesa do sistema eleitoral e das instituições brasileiras, numa sinalização crítica à postura de Bolsonaro.

Segundo uma autoridade do alto escalão do Brasil, aquele “endosso incomum” ao sistema de votação brasileiro “foi muito importante, especialmente para os militares. Eles recebem equipamentos dos EUA e fazem treinamentos lá, de modo que ter boas relações com os EUA é muito importante para os militares brasileiros. [Neste sentido], a declaração foi um antídoto contra a intervenção militar”. Uma semana depois, foi a vez de Lloyd Austin, secretário de Defesa do governo Biden, dar uma reprimenda nas cúpulas fardadas nativas, dizendo que as forças militares precisavam estar “sob forte controle civil” [26/7/2022]. Conforme o FT, Austin alertou os militares brasileiros sobre as consequências negativas caso perpetrassem um golpe.

Além do assessor de segurança nacional e do secretário de Defesa dos EUA, a general Laura Richardson, chefe do Comando Sul dos EUA; e o chefe da CIA, William Burns, também se encontraram com o governo Bolsonaro no ano eleitoral. “Isso [tamanha movimentação] é comum? Não, não é”, disse McKinley, reconhecendo a anormalidade da situação. Está claro, portanto, que as cúpulas militares só não prosseguiram o plano golpista de virada de mesa para impedir a posse do presidente Lula por falta de apoio dos EUA.

Fosse Donald Trump o presidente da potência do Norte, ou se Bolsonaro não fosse um aliado estadunidense tão visceralmente atrelado a Trump e contestador da eleição de Joe Biden, provavelmente o governo Biden não teria agido como agiu, e então os militares teriam avançado na consecução do golpe. A democracia clama por investigação e responsabilização das cúpulas militares e oficiais conspiradores que atentaram contra o Estado de Direito. O Brasil não pode continuar nesse auto-engano eterno em relação às Forças Armadas. A impunidade é um caminho livre para a destruição da democracia.

EM TEMPO: Os militares das Forças Armadas, principalmente, não devem se envolver em política, mas precisam conhecê-la, especialmente de "geopolítica". Sugestões de palestrantes sobre Geopolítica: Celso Amorim, Pepe Escobar, dentre outros. Eles sabem que o ex-capitão Bozo era, e é,  indisciplinado, que o ex-presidente general Ernesto Geisel o considerava um mal militar e que o general  Leônidas Pires, Comandante do Exército no governo Geisel, proibiu que Bozo visitasse as dependências do Exército. Além de tudo isso o Bozo tinha o plano terrorista  de jogar uma bomba na Adutora do Guandu no  RJ. Por outro lado, na Câmara dos Deputados o Bozo fazia parte do "Baixo Clero".  Ok, Moçada!  Acorda pra Jesus!

sábado, 24 de junho de 2023

Urgência militar: descolar de Bolsonaro, sinônimo de ditadura, para alinhar-se à democracia

Joseli Parente Camelo (Foto: Aeronáutica)

Por César Fonseca – Jornalista e Editor do sítio Independência Sul Americana.

A aventura militarista bolsonarista deve, segundo o brigadeiro Joseli Parente Camelo, ser o mais rapidamente possível julgada e os responsáveis, punidos



De repente ficou oneroso demais para as Forças Armadas ter seu nome associado a Bolsonaro, que caiu nas barras dos tribunais, ameaçado de perder mandato por oito anos; os militares caíram na real de que sujaram a si mesmo e à instituição democrática ao garantirem aval ao bolsonarismo fascista. Os generais comandantes das forças, apavorados e inseguros, dão-se conta de que caíram numa cilada ao ingenuamente romperem com a hierarquia para se aproximar de forma orgânica do poder, abrindo-se à traição à democracia, em nome de teses estapafúrdicas.

General subordinado a capitão, onde já se viu isso, onde está a razão?

A base da loucura tem origem no apoio da classe média aos militares na busca do poder pelo poder, à custa do rompimento com instituições democráticas. Loucamente, alienada, conservadora, desesperada, socialmente, incapaz de construir seu sonho ambicionado de chegar a ser, também, elite, a classe média sonhou alto sem ter os pés na realidade. 

Porém, mais doida que ela, foram os militares que acreditaram na solidez desse apoio irresponsável.

CLASSE MÉDIA ENSANDECIDA

Inconformada com sua queda de status no contexto histórico nacional marcado pela sobre acumulação de renda que a exclui, paulatinamente, dos benefícios do progresso, sem predisposição para se reconhecer incapaz de fazer história, ao lado dos trabalhadores, a classe média, indo para as ruas, apelou, sofregamente, aos quarteis, para fugir do destino dos assalariados massacrados pelo capital financeiro especulativo.

Caiu do cavalo na garupa dos generais reacionários.

A quem recorrer se sua especialidade histórica é fugir da realidade?

Os militares agora caem em si ao constatar que se tratou de sonho de noite de verão a pretensão de serem salvadores da pátria, dessa classe média despossuída pelo modelo econômico concentrador de renda. Na verdade, ela caiu na armadilha do populismo fascista bolsonarista bonapartista, maior inimigo dos trabalhadores e, consequentemente, da democracia, sem a qual não há chance do trabalho frente ao capital.

INFLEXÃO HISTÓRICA

A entrevista, hoje, do Tenente- Brigadeiro do Ar, Francisco Joseli Parente Camelo, presidente do Superior Tribunal Militar (STM), à Globonews, na qual reconhece o equívoco do engajamento das forças armadas ao canto de sereia da ditadura ultra neoliberal do mercado financeiro especulativo que bancou Bolsonaro e jogou o país no colapso econômico, porta de entrada para guerra civil, é fator de inflexão histórica.

Quase que pedindo perdão à sociedade brasileira, tal sua angústia em ter que admitir a insensatez e irresponsabilidade das forças armadas nessa aventura histórica, incompatível com a tendência democrática nacionalista, o brigadeiro se abriu à reflexão reparadora dos seus pares e pediu justiça contra os golpistas, conferindo-lhes direito ao devido processo legal com o qual romperam para apoiar um irresponsável capitão fascista na presidência da República.

A aventura militarista bolsonarista, apoiada pelas forças armadas, em sua grande parte, deve, segundo o brigadeiro, ser, o mais rapidamente possível, julgada e os responsáveis, devidamente, punidos, sejam integrantes dos escalões superiores e intermediários ou inferiores.

Joseli fez balanço histórico da participação dos militares em diferentes momentos da vida nacional, desde o Império à República, no afã de considerar de direito a violação da ordem legal segundo os critérios dos próprios militares, como força em si, diante dos demais estratos sociais.

Lembrou, entre outros episódios, o comportamento militar de julgar excepcionalmente participantes da Intentona Comunista, em 1935, arrolando-os sem provas etc, o que não deveria acontecer e que não deve se repetir jamais.

O mesmo aconteceu nas revoltas contra centralização política ditatorial monárquica nas províncias do império, no século 19, e, na República, na perseguição, em 1922, às passeatas dos trabalhadores, na Revolução de 1930, na contrarrevolução de 1932, em 1964, em 1967/8, quando a ditadura baixou o AI-5, gerador de guerrilhas cruelmente massacradas.

Essa escalada anticomunista, diz o brigadeiro, teve um termo a partir da Constituição de 1988 quando foi regulamentado o art. 142 que os militares consideraram autorreconhecimento constitucional como poder moderador.

FARSA DO PODER MODERADOR

Com tal poder os militares, viciados em autoritarismo histórico, lançaram mão da arrogância, violência e pretensão para tentar dar o golpe em Lula, agora, em 8 de janeiro de 2023, inconformados que ficaram com derrota eleitoral de Bolsonaro ao qual ideoligicamente se filiaram, avalizando o fascista.

O colapso do bolsonarismo militarista neoliberal, portanto, é o momento necessário para revisão do equívoco histórico das forças armadas que precisa ser removido, sem revanchismo, ressalva o Brigadeiro, como única alternativa capaz de manter o país unido em torno da democracia, para não cair no suicídio ditatorial que levaria à guerra civil.

A entrevista do Brigadeiro Joceli ocorreu no momento em que a cúpula das Forças Armadas se reúne para tratar da tentativa golpista de impedir posse de Lula, articulada por militares arregimentados por Bolsonaro para militarizar o poder, desmilitarizado, enfim, pelo processo democrático, nas eleições de 2022.

Qual a garantia de que esse retrocesso estará banido para sempre, quando Bolsonaro está prestes a ter suspendido por oito anos direito de disputar eleição?

EM TEMPO: Olha aí os "Camelos" fortalecendo à Democracia. Convém lembrar que não houve o golpe militar porque o governo Joe Biden, dos EUA,  não apoiou, assim como a comunidade europeia. Ok, Moçada!