quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Sintape denuncia precariedade no IPA

 

Postado por Magno Martins em 22.09.2021

Com edição de Ítala Alves

O Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Agricultura do Meio Ambiente do Estado de Pernambuco (Sintape) lançou uma campanha nas redes sociais com denúncias sobre o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). De acordo com a instituição sindical, os profissionais do órgão vinculado a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário estão enfrentando problemas.

"Nos 86 anos do IPA, estamos impulsionando nas nossas redes sociais três hashtags, que informam o que os trabalhadores do IPA enfrentam para garantir um serviço de qualidade à população pernambucana", diz a nota.

Entre as hashtags, estão #SucateamanetodoIPA, #DesvalorizaçãodostrabalhadoresdoIPA e #IPAcomRestriçãonoCAUC.

O Sintape fez uma lista que traz pontos considerados problemáticos:

  • Falta de investimento nas Unidades de Pesquisa do Instituto;
  • Mais de 35 escritórios municipais foram fechados no interior do Estado, deixando de atender mais de 50 mil famílias de agricultores;
  • Mais de 70% da frota de veículos sem manutenção;
  • Maquinários do setor de Recursos Hídricos nas “mãos dos municípios”;
  • Cota insuficiente de combustível para os trabalhadores realizarem as atividades de campo;
  • 07 anos sem reposição salarial;
  • Falta da implantação do PCCS;
  • Impedimento do IPA na captação de recurso no CAUC.

Segundo o Sintape, a situação poderá repercutir no atendimento dos agricultores de base familiar. "É a agricultura familiar responsável por quase 70% da produção do alimento que vai para a mesa do povo pernambucano", afirma.

Sobre o CAUC

O CAUC é um serviço que disponibiliza informações sobre a situação de cumprimento de requisitos fiscais necessários à celebração de instrumentos para transferência de recursos do governo federal, pelos entes federativos, seus órgãos e entidades, e pelas Organizações da Sociedade Civil (OSC). O objetivo é facilitar a verificação do cumprimento dos requisitos fiscais para fins de recebimento de transferência voluntária pelos gestores de entes políticos e de OSC, como também pelos gestores federais.

Todos/as às ruas no dia 2 de outubro!

Foto: camarada Ana Vieira


Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

A crise econômica, social e política ganhou novos contornos no Brasil com as manifestações de 7 de setembro convocadas por Bolsonaro, o aparente recuo posterior do presidente para ganhar tempo em sua declaração à nação, a resistência das forças classistas nas ruas, além do ato esvaziado do MBL em 12 de setembro. 

Esses acontecimentos demonstram o acirramento da luta de classes em nosso país, com o reposicionamento de frações das classes dominantes, o aumento do isolamento de Bolsonaro, bem como a disputa política e ideológica entre as forças de esquerda. Demonstrou também que as classes dominantes não querem tirar Bolsonaro do governo. Preferem desgastá-lo, visando buscar uma terceira via e ganhar certa estabilidade para que possam intensificar a agenda neoliberal no Congresso Nacional, pauta com a qual todos estão de acordo.

As manifestações de 7 de setembro demonstram que Bolsonaro realizou um ensaio geral visando uma ruptura institucional, mas ainda não conseguiu reunir forças suficientes para atingir seus objetivos. Podemos dizer que o 7 de setembro convocado pelos grupos reacionários e por fascistas tinha como objetivo testar as forças que apoiam o presidente e “tirar uma foto” para pressionar o Supremo Tribunal Federal a recuar nas investigações contra Bolsonaro e sua família, emparedar o Congresso para impor medidas restritivas às liberdades democráticas e amedrontar vários setores da sociedade, especialmente as forças de esquerda, com as ameaças de golpe. 

Foi nesse sentido que o presidente genocida fez declarações de que não mais acataria as decisões do Supremo Tribunal Federal. Como houve uma grande reação de vários segmentos sociais e suas manifestações não alcançaram a magnitude que imaginava, ele sentiu o isolamento e a possibilidade de impeachment e por isso resolveu recuar.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Deputado acusa Bolsonaro de mentir na ONU e aciona PGR


FOLHA - MÔNICA BERGAMO

 

© Fornecido por Folha de S.Paulo ***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 25.01.2019 - vereador carioca David Miranda (PSOL-RJ) (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

 

 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por causa de discurso feito pelo mandatário durante a Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (21). O parlamentar afirma que Bolsonaro proferiu falas "revestidas de falsidades e ilegalidades" ao abordar temas como corrupção, meio ambiente, o chamado "tratamento precoce" e as manifestações bolsonaristas no 7 de Setembro.

"A fala do senhor presidente, quando diz que 'estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção', não se coaduna com a verdade dos fatos", diz o deputado, que cita as suspeitas de corrupção envolvendo a vacina Covaxin e nomes do entorno de Bolsonaro que são investigados em outros casos. "O desmatamento descontrolado nos biomas brasileiros, em especial na Amazônia, gera queimadas. E, sobre estas, os dados são alarmantes e desencontrados do discurso falacioso do ora representado [Bolsonaro]", diz ainda na representação.

Miranda afirma que houve ofensa a princípios constitucionais e pede que sejam tomadas providências administrativas, civis e penais cabíveis contra o presidente. O presidente Jair Bolsonaro usou o discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU para fazer um relato distorcido da situação do Brasil, em um aceno a sua base radical. Havia a expectativa de que o líder brasileiro atendesse aos apelos da ala moderada do governo e fizesse um discurso de caráter mais diplomático e conciliador, o que não ocorreu. O tom de campanha prevaleceu, pontuado por dados falsos ou distorcidos —e por ataques à imprensa.

domingo, 19 de setembro de 2021

Paulo Freire, 100 anos: como o legado do educador brasileiro é visto no exterior

Edson Veiga - De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil

dom., 19 de setembro de 2021

 

 

Paulo Freire está entre os pensadores mais citados do mundo

Esta reportagem foi publicada originalmente no dia 12 de janeiro de 2019 e republicada em 19 de setembro de 2021, data do aniversário de cem anos do nascimento de Paulo Freire.

Tratada pelo governo Bolsonaro como bode expiatório da má qualidade do ensino público brasileiro, a obra do educador Paulo Freire (1921-1997) pode ser controversa. Mas o trabalho do pedagogo e filósofo, nomeado em 2012 patrono da educação brasileira e autor de um método de alfabetização que completou 50 anos em 2013, não deixa de ser bastante relevante nas discussões mundiais sobre pedagogia.

Freire é estudado em universidades americanas, homenageado com escultura na Suécia, nome de centro de estudos na Finlândia e inspiração para cientistas em Kosovo. De acordo com levantamento do pesquisador Elliott Green, professor da Escola de Economia e Ciência Política de Londres, na Inglaterra, o livro fundamental da obra do educador, 'Pedagogia do Oprimido', escrito em 1968, é o terceiro mais citado em trabalhos acadêmicos na área de humanidades em todo o mundo.

Para especialistas em educação ouvidos pela BBC News Brasil, entretanto, a raiz da controvérsia em torno da pedagogia de Paulo Freire não é sua aplicação em si - mas o uso político-partidário que foi feito dela, historicamente e, mais do que nunca, nos dias atuais. "Li a maior parte dos livros dele. Minha tese de doutorado foi amplamente baseada em seus ensinamentos. Tenho aplicado seu método de várias maneiras em minha carreira profissional, na prática e na pesquisa", afirmou a pedagoga Eeva Anttila, professora da Universidade de Artes de Helsinque, na Finlândia.

"A maior vantagem de sua metodologia é a abordagem anti-opressiva e não autoritária, a pedagogia dialógica e respeitosa que ele promoveu. O problema é que suas ideias têm sido usadas para fins políticos - o que, em meu entendimento, nunca foi seu propósito inicial", disse a finlandesa.

Comandante diz que Exército segue a Constituição e pede cautela da tropa com redes sociais

 

Folhapress, RICARDO DELLA COLETTA

 

***ARQUIVO***BRASILIA, DF, 31.03.2021 - Da esquerda para direita o almirante Almir Garnier, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira e o brigadeiro Almeida Baptista Jr. durante apresentação os novos comandantes das Forças Armadas, no Ministério da Defesa, em Brasília (DF). Os três chefes das Forças Armadas decidiram pedir demissão em conjunto, algo inédito no país. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress) ORG XMIT: AGEN2103311904827306

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, afirmou, em pronunciamento divulgado nesta sexta-feira (17), que a Força "continua firme no cumprimento de suas missões constitucionais" e fez um apelo para que soldados tenham cautela com informações recebidas nas redes sociais. Foi a primeira manifestação de Nogueira desde o feriado de 7 de Setembro. Apesar de destacar a data da Independência, o general não fez qualquer referência às manifestações de raiz golpista com a presença do presidente Jair Bolsonaro naquele dia em Brasília e em São Paulo.

"O Exército não para, e continua firme no cumprimento de suas missões constitucionais. É um trabalho diário e silencioso de cerca de 220 mil militares, homens e mulheres, que honram suas fardas e produzem os resultados percebidos por toda a sociedade", afirmou Paulo Sérgio em pronunciamento veiculado nas redes sociais da instituição. Em outro trecho do discurso, o comandante destacou que existe atualmente um "volume avassalador de informações" e afirmou que, diante disso, é preciso um esforço para buscar "a verdade dos fatos".

sábado, 18 de setembro de 2021

Polícia Federal monitora ataques de estrategista de Trump à democracia brasileira

 


Yahoo, Redação Notícias

Steve Bannon vem ajudando a propagar informações falsas sobre a democracia brasileira - Foto: Reuters/Kevin Lamarque



·         Estrategista de Trump, Steve Bannon tem se aproximado cada vez mais da família Bolsonaro

·         Ele vem ajudando a propagar informações falsas sobre a democracia brasileira

·         Em evento nos Estados Unidos, acompanhou Eduardo Bolsonaro e atacou Lula e a imprensa

A Polícia Federal está monitorando os constantes ataques de Steve Bannon, estrategista do ex-presidente norte-americano Donald Trump, à urna eletrônica e à democracia brasileira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Após a saída de Trump da presidência dos Estados Unidos, Bannon aproximou-se da família Bolsonaro e tem entoado as fake news do chefe do Executivo brasileiro sobre o sistema eleitoral do país.

A PF já alertou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a rede bolsonarista vem utilizando-se dos mesmos métodos de desinformação aplicados por Trump ao longo de sua campanha nos EUA. Bannon estaria por trás desta estratégia. O ideólogo de Trump tem se mostrado especialmente interessado na eleição presidencial do Brasil em 2022. No último dia 12, ele inclusive acompanhou o filho de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo, em um evento conservador no estado de Dakota do Sul.

Na ocasião, Bannon afirmou que a disputa do ano que vem será “a segunda mais importante do mundo e a mais importante eleição da história da América do Sul” e entoou as acusações sem provas de Bolsonaro sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas. “Bolsonaro vai vencer, a não ser que seja roubado, adivinhem pelo que? Pelas máquinas”, declarou. “E eles vão tentar roubar todas as eleições possíveis. Porque eles não têm o apoio do povo, eles não conseguem vencer eleições livres e limpas. Eles não conseguem ganhar eleições com voto em cédulas de papel.”

Ataques a Lula

O estrategista também fez ataques à imprensa e ao provável maior rival de Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece como líder das intenções de voto nas pesquisas nas pesquisas eleitorais. “Em outubro de 2022, uns 30 dias antes desta monumental eleição para o Congresso dos EUA, ele [Eduardo] e seu pai, Jair Bolsonaro, vão encarar o esquerdista mais perigoso do mundo, Lula. Um criminoso, comunista e apoiado por toda a mídia aqui nos EUA, toda a mídia esquerdista.”

EM TEMPO: Esses "fascistas" são uma fuleragem, uma vez que o que eles sabem é espalhar mentiras, pois nem Lula é criminoso e nem tão pouco comunista. A rigor eles apostam na baixa politização da população brasileira ao espalharem o medo e o ódio. Mas, perguntar não incomoda: Bozo é criminoso  ao incentivar o descumprimento das normas sanitárias e não agir rapidamente para a compra das vacinas? Estimular a aquisição de armas, pela população civil, visa a autodefesa ou a guerra civil? 

'Gabinete paralelo' da Saúde era ponte entre Prevent Senior e governo, mostra vídeo

 

A imunologista Nise Yamaguchi

O GLOBO

sáb., 18 de setembro de 2021

Após um dossiê em posse da CPI da Covid apontar que o “gabinete paralelo” do Palácio do Planalto atuaram em parceria com a operadora de saúde Prevent Senior, um vídeo reforça que o estudo da empresa com o kit Covid, com medicamentos ineficazes contra o coronavírus, era compartilhado com conselheiros informais do presidente Jair Bolsonaro. A gravação foi publicada neste sábado (18) pelo portal “Metrópoles.” 

A pesquisa experimental da Prevent Senior foi amplamente criticada por não ter aval de comitê de ética e por esconder dados sobre mortes de participantes após o uso das drogas. A ocultação levou a empresa à mira da CPI da Covid. O estudo foi divulgado pelo presidente Bolsonaro, que, mesmo sem comprovação científica, fez amplamente a defesa da hidroxicloroquina, usada contra malária, lúpus e artrite reumatoide, no combate ao novo coronavírus. 

O vídeo mostra conversa entre o virologista Paolo Zanotto, da Universidade de São Paulo (USP), e o diretor-executivo da operadora de planos de saúde, Pedro Batista Jr, em maio de 2020. Na conversa, Zanotto fala da imunologista Nise Yamaguchi e do anestesista Luciano Azevedo, aos quais o ex-assessor especial da Presidência da República Arthur Weintraub elogiava como referências do mandatário em relação ao tratamento. 

"Eles estão em Brasília neste momento e estão conversando com o alto escalão do governo brasileiro. Eles estão acompanhando isso, o Pedro sabe, muito mais perto do que vocês imaginam", afirmou o virologista.  Os três estão no rol de investigados pela CPI. O “gabinete paralelo” foi responsável por aconselhar informalmente o presidente na gestão da pandemia, indo na contramão orientações científicas. Documento assinado por 15 médicos que afirmam ter trabalhado na Prevent Senior sustenta que o grupo não só conhecia, mas também acompanhava de perto das práticas ilegais da empresa. 

"A gente fez um arrazoado de dados do Pedro, Luciano visitou o Pedro, olhou tudo aquilo, trouxe para esse grupo informações impressionantes. Existe um entendimento muito interessante entre a Prevent Senior e o governo federal brasileiro", continuou. Pedro Batista Jr confirmou o compartilhamento de informações. Depois, Zanotto ri da administração de superdosagem de zinco no estudo, com 220mg, quando o recomendado é de 20mg. Esse protocolo segue a linha do realizado pelo cientista ucraniano Vladimir Zelenko, defensor da cloroquina. 

Segundo o dossiê, obtido pelo GLOBO e em posse da CPI, a diretoria da empresa “fez um pacto com o gabinete paralelo” para livrar a Prevent de ataques. A operadora foi criticada publicamente pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em março do ano passado, após registrar grande número de mortes num hospital administrado pelo grupo em São Paulo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Lula segue à frente de Bolsonaro e, no 2º turno, tem 56% contra 31%, diz Datafolha

Folhapress, IGOR GIELOW

sex., 17 de setembro de 2021

 

*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 17.01.2020 - O ex-presidente Lula durante reunião do diretório nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A corrida eleitoral para a Presidência em 2022 está estagnada, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantendo larga vantagem sobre Jair Bolsonaro (sem partido) na dianteira da disputa.

Os candidatos dos pelotões inferiores também seguem onde estavam. A introdução de novos nomes candidatos à terceira via contra o atual e o ex-presidente e o agravamento da crise política, que culminou nos atos de cunho golpista de Bolsonaro no 7 de Setembro, também não alteraram o quadro.

É o que aponta pesquisa feita pelo Datafolha nos dia 13 a 15 de setembro, na qual foram ouvidos 3.667 eleitores de forma presencial em 190 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

O cenário geral sugere que o momento de subida de Lula nas pesquisas, registrado ao longo deste ano, pode ter sido estancado -assim como a desidratação de Bolsonaro, seguindo a mesma lógica.

O Datafolha fez quatro simulações de primeiro turno, duas delas comparáveis com levantamentos anteriores, e duas novas.

Nos cenários comparáveis, há estabilidade em relação à rodada anterior feita pelo Datafolha, em julho.

Lula oscila de 46% para 44% e Bolsonaro, de 25% para 26%, numa hipótese em que o candidato tucano é João Doria (SP), que passa de 5% para 4%. Nesse cenário, Ciro Gomes (PDT) segue em terceiro (de 8% para 9%), tudo dentro da margem de erro.

O petista vai de 46% para 42%, e Bolsonaro se mantém em 25%, na simulação em que o nome do PSDB é Eduardo Leite (RS) -que oscila de 3% para 4%. A diferença no cenário com o gaúcho é que Ciro Gomes (PDT) pula de 9% para 12%.

Os novos cenários tampouco alteram a equação. No mais fechado, só com Lula, Bolsonaro, Ciro e Doria, eles mantêm as distâncias registradas em outras simulações.

No mais aberto, as notícias são desalentadoras para os entusiastas de uma terceira via na disputa neste momento, ainda mais após o ato fracassado contra Bolsonaro no domingo (12) em São Paulo ter unido alguns dos postulantes ao Planalto.

Datafolha mostra que Bolsonaro só tem um caminho para 2022

Foto: Evaristo Sá/ AFP (via Getty Images)

Yahoo Notícias, Matheus Pichonelli

sex., 17 de setembro de 2021

 

Se parar cinco minutos de sua esvaziada agenda de trabalho para ler e entender o retrato divulgado pelo último Datafolha, Jair Bolsonaro não vai demorar a perceber que tem apenas uma alternativa até outubro de 2022: governar.



A mensagem da pesquisa é clara. O presidente que nos últimos meses apostou na escalada da retórica golpista não conseguiu expandir sua base de apoio com ameaças. Pelo contrário. A escalada seguida de recuo mostra oscilação para baixo em seu percentual de apoio. Era de 24% em julho e hoje o instituto marca 22%; sua reprovação, seguindo a tendência, também oscilou dois pontos, mas para cima (de 51% para 53%).

Bolsonaro, adepto da doutrina de que a maioria deve se curvar à minoria, até o momento não deu mostras do que pretende fazer para reverter o ranço de um setor majoritário da população. O desenho da pesquisa mostra que o jacaré abriu a boca. A mandíbula foi acionada entre dezembro e janeiro de 2021, quando sua aposta na imunização de rebanho e a hesitação em comprar vacinas se mostrou uma tragédia. Resultado: as linhas de apoio e rejeição se cruzaram hoje seguem distantes.

Bolsonaro mantém percentual relativamente alto entre empresários (54% de aprovação), desiludidos com os partidos tradicionais (38%), evangélicos (29%) e moradores da região Sul (28%). Há, porém, sinais de erosão em alguns desses grupos. Muitos provavelmente afetados pelas suspeitas de corrupção que hoje envolvem o governo, incapaz até aqui de justificar as tenebrosas transações envolvendo estudos com cloroquina e atravessadores da aquisição de vacinas —alvos, aliás, da Polícia Federal.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Datafolha: Bolsonaro bate recorde de reprovação em nova pesquisa

Yahoo Notícias, Ana Paula Ramos

qui., 16 de setembro de 2021


Presidente Jair Bolsonaro (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)




·         Segundo pesquisa Datafolha, presidente Jair Bolsonaro bate recorde de reprovação em nova pesquisa

·         Reprovação a Bolsonaro chegou a 53%, pior índice do seu mandato

·         Em julho, ele foi considerado ruim ou péssimo por 51% dos entrevistados

presidente Jair Bolsonaro segue com sua reprovação em tendência de alta, chegando a 53%, pior índice de seu mandato, segundo Datafolha desta semana. Levantamento realizado nos dias 13 a 15 de setembro ouviu presencialmente 3.667 pessoas com mais de 16 anos, em 190 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

Bolsonaro foi considerado ruim ou péssimo por 51% dos entrevistados no último levantamento, em julho, o que já era um recorde de reprovação. A avaliação positiva do presidente diminuiu para 22%. Na pesquisa anterior, em julho, esse índice era de 24% - o pior de seu mandato. Já os que avaliam Bolsonaro como regular se manteve em 24%.

A queda na avaliação ao presidente acontece após semana tensa do governo. Após discursos golpistas no 7 de Setembro, Bolsonaro teve que recuar e divulgou uma nota pregando harmonia entre os PoderesEmbora as falas antidemocráticas possam ter contribuído para a queda, especialistas avaliam que o recuo do chefe do Executivo teve impacto junto a seus apoiadores fiéis - como mostrou análise nas redes sociais.

No ano passado, com a pandemia causada pelo coronavírus, os índices de reprovação começaram a aumentar. A partir do pagamento do auxílio-emergencial, houve uma melhora. Em dezembro, com o fim do pagamento do benefício, a rejeição voltou a subir e vem batendo recordes. O Datafolha identificou um aumento mais expressivo de rejeição ao presidente entre quem ganha de 5 a 10 salários mínimos (41% para 50%, de julho para agora) e entre as pessoas com mais de 60 anos (de 45% para 51%).

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde costuma ter mais apoio e de onde saíram muitos dos caminhoneiros que ameaçaram invadir o Supremo às vésperas do 7 de Setembro, a rejeição subiu de 41% para 48%. Aqueles que ganham até 2 salários mínimos são os que mais rejeitam Jair Bolsonaro: 56% o acham ruim ou péssimo. Na última pesquisa, eram 54%. Entre os que têm curso superior, a avaliação negativa chega a 61%. Na camada daqueles que recebem de 2 a 5 mínimos, a rejeição foi de 47% para 51%.

  

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

TSE vai investigar se houve propaganda antecipada e abuso de poder em ato do 7 de Setembro

 

Folha - MARCELO ROCHA

 

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luis Felipe Salomão, vai apurar se houve propaganda antecipada e abuso de poder em manifestações bolsonaristas de raiz golpista no 7 de Setembro.

Decidida nesta quarta-feira (15), a investigação é decorrente de indícios de que a mobilização em apoio ao presidente Jair Bolsonaro pode ter sido financiada por empresários ou políticos. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) reuniu informações que incluem um vídeo e notícias veiculadas pela imprensa.

Será apurado também se houve pagamento de transporte e diárias a quem participou dos atos e se houve conteúdo de campanha eleitoral antecipada, informou a corte eleitoral. No STF (Supremo Tribunal Federal) corre um inquérito, instaurado antes do feriado da Independência e sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, com a finalidade de apurar a mobilização, a organização e o financiamento das manifestações do início do mês.

São alvos da investigação, entre outros, o presidente nacional do PTB e ex-deputado Roberto Jefferson, o cantor Sérgio Reis e o caminhoneiro Marco Antonio Pereira Gomes, Zé Trovão, este foragido do país e contra quem há uma ordem de prisão a ser cumprida. Nos atos do dia 7, Bolsonaro escalou mais uma vez a crise institucional no país, ameaçou o Supremo e disse que não cumpriria mais ordens judiciais do ministro Alexandre de Moraes.