quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Deixem os venezuelanos viver em paz!


 

Madalena Santos

Jornal AVANTE! – Partido Comunista Português

Ju­ristas de 35 países reu­niram-se em Ca­racas, nos dias 13 e 14 de no­vembro, em de­fesa da so­be­rania e do Di­reito In­ter­na­ci­onal, num En­contro or­ga­ni­zado sob a chan­cela do Con­selho Na­ci­onal para a So­be­rania e a Paz da Ve­ne­zuela, que re­agiu à es­ca­lada de agressão mi­litar dos Es­tados Unidos da Amé­rica contra o país.

Os ve­ne­zu­e­lanos são um povo pa­cí­fico e an­seiam viver no seu país livre e so­be­rano

A ex­pe­ri­ência am­pla­mente po­si­tiva, para além do con­vívio, troca de im­pres­sões e con­tatos com mais de 100 co­legas ju­ristas pre­sentes, grande parte deles com uma ampla re­pre­sen­tação de cargos ins­ti­tu­ci­o­nais nos países de origem (ad­vo­gados, juízes, ma­gis­trados, de­pu­tados, pro­fes­sores uni­ver­si­tá­rios, ju­ristas na ad­mi­nis­tração cen­tral, local e par­la­mentar) per­mitiu, so­bre­tudo, co­nhecer de forma di­reta os graves pro­blemas com que o povo ve­ne­zu­e­lano se con­fronta atu­al­mente.

Jus­tiça e so­be­rania no centro dos de­bates

Du­rante os dois dias de intensos tra­ba­lhos foi pos­sível abordar os vá­rios as­pectos de âm­bito ju­rí­dico e, so­bre­tudo, res­ponder ao repto com que quo­ti­di­a­na­mente os ju­ristas se con­frontam: a cons­tante luta pela apli­cação da Jus­tiça!

As in­ter­ven­ções dos ora­dores foram de­ter­mi­nantes para cum­prir o ob­jetivo es­sen­cial no sen­tido de es­tudar, pensar e re­fletir sobre o es­tado a­tual da apli­cação efetiva das normas de Di­reito In­ter­na­ci­onal e de­nun­ciar o que se clas­si­ficou como aten­tados e graves crimes contra a so­be­rania na­ci­onal, a au­to­de­ter­mi­nação dos povos e a paz, en­quanto con­ceito abran­gente que im­plica e en­globa o di­reito a viver, o di­reito a ha­bitar, cons­ti­tuir fa­mília, o di­reito ao tra­balho, à saúde, à edu­cação, à plena fruição dos bens eco­nômicos e re­cursos co­letivos do seu ter­ri­tório, ao gozo e de­leite dos bens cul­tu­rais, entre ou­tros.

So­li­da­ri­e­dade in­ter­na­ci­onal e de­núncia da chamada “guerra às drogas”

A feroz e in­qua­li­fi­cável agressão por parte dos EUA, para além dos as­sas­si­natos de pes­soas com ata­ques per­pe­trados contra em­bar­ca­ções que dizem trans­portar droga (mas de que até ao pre­sente não apre­sen­taram qual­quer tipo de prova), con­cre­tiza-se também nos dias que correm com san­ções eco­nômicas im­postas uni­la­te­ral­mente, à re­velia de toda e qual­quer norma de di­reito in­ter­na­ci­onal pú­blico, tra­tados in­ter­na­ci­o­nais ou­tor­gados, e em total des­res­peito à Carta das Na­ções Unidas e sub­se­quentes re­so­lu­ções da As­sem­bleia Geral.

Os ata­ques dos EUA a em­bar­ca­ções que cruzam a Zona Eco­nômica Ex­clu­siva (ZEE) da Ve­ne­zuela, à re­velia da Con­venção das Na­ções Unidas sobre o Di­reito do Mar (1998), foram qua­li­fi­cados por muitos co­legas ju­ristas como exe­cu­ções ex­tra­ju­di­ciais e em di­versas in­ter­ven­ções clas­si­fi­cados como as­sas­si­natos de civis à margem de qual­quer lei.

A pre­sença de mais de uma cen­tena de ju­ristas de di­versos con­ti­nentes per­mitiu ainda ex­pressar de forma muito con­sis­tente a ampla so­li­da­ri­e­dade com o povo ve­ne­zu­e­lano, ba­seada em prin­cí­pios de jus­tiça pro­pug­nados na Carta das Na­ções Unidas e re­lem­brar ou­tros mo­mentos do pas­sado e do pre­sente em que tal afir­mação de so­li­da­ri­e­dade, quantas vezes si­len­ci­adas por al­guns meios de comunicação, cons­titui uma con­signa de luta eficaz em de­fesa do Di­reito In­ter­na­ci­onal Hu­ma­ni­tário, o Di­reito à Paz, contra qual­quer tipo de agressão, como o caso do Vi­et­nã, de Cuba, da Pa­les­tina e do Saara Oci­dental.

O Di­reito In­ter­na­ci­onal em de­fesa da Ve­ne­zuela

Do con­teúdo das di­versas in­ter­ven­ções por parte dos co­legas, quer ve­ne­zu­e­lanos, quer es­tran­geiros, in­te­ressa re­levar não uni­ca­mente o di­ag­nós­tico da brutal agressão, mas so­bre­tudo as formas através das quais no plano ju­rí­dico, no plano do di­reito in­ter­na­ci­onal pú­blico, im­porta en­con­trar as res­postas e as so­lu­ções para parar essa agressão, e afirmar o prin­cípio da so­be­rania e do di­reito à paz por parte do povo ve­ne­zu­e­lano.

Neste quadro de des­mis­ti­fi­cação da pro­pa­ganda em torno da cha­mada “guerra às drogas e ao nar­co­trá­fico”, que mais não passa de um fútil pre­texto, sem qual­quer fun­da­mento quer fático, quer legal – como vá­rias das in­ter­ven­ções dos ju­ristas pre­sentes no En­contro res­sal­taram, com dados e fun­da­mentos his­tó­rico/ju­rí­dicos – o povo ve­ne­zu­e­lano, por via dos seus re­pre­sen­tantes e or­ga­nismos le­gi­ti­mados pelo voto, tem feito um ca­minho no sen­tido do diá­logo, da di­plo­macia e da afir­mação ex­pressa de que as Ca­raíbas são uma zona de paz (De­cla­ração da Co­mu­ni­dade de Es­tados La­tino-Ame­ri­canos e Ca­ri­be­nhos CELAC – 29 de Ja­neiro de 2014). O do­cu­mento pro­clama a re­gião da Amé­rica La­tina e das Ca­raíbas como uma zona de paz, re­for­çando o com­pro­misso com a co­e­xis­tência pa­cí­fica, o res­peito pela so­be­rania e a não in­ter­fe­rência nos as­suntos in­ternos dos Es­tados.

Nicolás Ma­duro en­cerra en­contro com apelo à Paz

O En­contro ter­minou com a par­ti­ci­pação do Pre­si­dente Ni­colás Ma­duro, que en­cerrou o mesmo com uma in­ter­venção na qual agra­deceu a par­ti­ci­pação e de­mons­tração de so­li­da­ri­e­dade dos ju­ristas par­ti­ci­pantes e apelou de forma ve­e­mente à ma­nu­tenção da Paz e res­peito pela so­be­rania dos povos das Ca­raíbas, em par­ti­cular na Ve­ne­zuela.

Neste sen­tido do diá­logo, da di­plo­macia, en­quanto ins­tru­mentos de re­po­sição da ver­dade e no en­con­trar de ca­mi­nhos de com­bate ao im­pe­ri­a­lismo estadunidense, foi re­cen­te­mente criado o Con­selho Na­ci­onal para a So­be­rania e a Paz. Trata-se de um novo or­ga­nismo criado em se­tembro deste ano (2025) que reúne al­gumas cen­tenas de re­pre­sen­tantes de setores di­ver­si­fi­cados, tais como so­ciais, po­lí­ticos, re­li­gi­osos e econômicos, con­si­de­rados es­tra­té­gicos para de­fender a so­be­rania e a paz na Ve­ne­zuela.

Uma ci­dade agi­tada e de­sen­vol­vida

Do con­tato com a po­pu­lação, em diá­logo aberto e li­vre, cir­cu­lando no Metrô, pela mag­ní­fica ci­dade de Ca­racas, com todo o seu pa­tri­mônio his­tó­rico, no qual se res­salta sempre a evo­cação do seu li­ber­tador Simón Bo­lívar (muitos – ho­mens, ho­mens e mu­lheres, jo­vens e idosos – nos si­na­li­zaram com emoção as suas ori­gens por­tu­guesas, pro­ve­ni­entes dos quatro cantos de Por­tugal con­ti­nental e ilhas), res­sal­tamos a afir­mação cons­tante de de­sejo de paz, de de­sen­vol­vi­mento e bem-estar, sempre com a so­li­ci­tação de que trans­mi­tamos que os ve­ne­zu­e­lanos são um povo pa­cí­fico e an­seiam viver no seu país livre e so­be­rano, es­co­lhendo o seu pró­prio des­tino.

Res­pira-se por toda a ci­dade um bu­lício de tra­balho e de­sen­vol­vi­mento, com muitas obras e cons­tru­ções, um in­tenso co­mércio de todo o tipo (em par­ti­cular, o que nos es­pantou, no sector da tec­no­logia e in­for­má­tica), o es­pí­rito na­ta­lício com todas as de­co­ra­ções ati­nentes à época en­con­tram-se por todo o lado (a época na­ta­lícia é pro­mul­gada por de­creto pre­si­den­cial com fun­da­mentos que se re­con­duzem à ale­gria e paz ca­ra­te­rís­ticas da época e ao in­tenso de­sen­vol­vi­mento eco­nó­mico que a mesma acar­reta).

De­cla­ração final

Das con­clu­sões e de­cla­ração final, iden­ti­fi­camos com par­ti­cular im­por­tância a se­guinte: «Afirmar ao mundo que a paz du­ra­doura só pode ser cons­truída sobre os ali­cerces da jus­tiça so­cial, da equi­dade e do pleno res­peito pelos di­reitos hu­manos e pelo di­reito in­ter­na­ci­onal!»

De­cla­ração de Ca­racas

Nós, os mais de cem es­pe­ci­a­listas ju­rí­dicos reu­nidos em Ca­racas nos dias 13 e 14 de no­vembro de 2025, oriundos de 35 países, após um de­bate e in­ter­câm­bios fru­tí­feros, ex­pres­samos as se­guintes con­clu­sões e pro­postas:

1. Con­de­namos ca­te­go­ri­ca­mente todas as formas de in­ge­rência, co­erção, me­didas co­er­ci­tivas uni­la­te­rais ou agressão que vi­olem a so­be­rania e a au­to­de­ter­mi­nação dos povos.

2. Exi­gimos o res­peito ir­res­trito ao Di­reito In­ter­na­ci­onal, aos tra­tados bi­la­te­rais e mul­ti­la­te­rais e à Carta das Na­ções Unidas como o único ca­minho para a re­so­lução pa­cí­fica de con­flitos.

3. Con­cla­mamos a co­mu­ni­dade ju­rí­dica dos nossos países e de todos os que com­põem as Na­ções Unidas a mo­ni­torar e de­nun­ciar pe­rante os ór­gãos com­pe­tentes quais­quer vi­o­la­ções do Di­reito In­ter­na­ci­onal que co­lo­quem em risco a es­ta­bi­li­dade das Ca­raíbas e do mundo.

4. Ex­pressar pro­funda pre­o­cu­pação e con­de­nação pe­rante as re­centes exe­cu­ções ex­tra­ju­di­ciais, to­tal­mente fora dos li­mites dos di­reitos hu­manos, ocor­ridas no Mar das Ca­raíbas por ação uni­la­teral das Forças Ar­madas dos Es­tados Unidos da Amé­rica, as quais cons­ti­tuem, em todos os as­pectos, vi­o­la­ções dos di­reitos hu­manos e do di­reito in­ter­na­ci­onal.

5. Exortar o Go­verno dos Es­tados Unidos da Amé­rica a cessar as suas ope­ra­ções mi­li­tares no Mar das Ca­raíbas e as suas ame­aças contra a re­gião da Amé­rica La­tina.

6. Formar uma ampla ali­ança de ju­ristas em de­fesa do Di­reito In­ter­na­ci­onal, com o ob­jetivo de ava­liar os meios ne­ces­sá­rios para apre­sentar for­mal­mente uma queixa aos ór­gãos in­ter­na­ci­o­nais com­pe­tentes a res­peito da ameaça re­pre­sen­tada pelos Es­tados Unidos da Amé­rica nas Ca­raíbas.

7. Re­vi­ta­lizar for­te­mente o mul­ti­la­te­ra­lismo re­gi­onal em res­posta às graves ame­aças re­pre­sen­tadas pelos Es­tados Unidos da Amé­rica nas Ca­raíbas e exortar a Co­mu­ni­dade de Es­tados La­tino-Ame­ri­canos e Ca­ri­be­nhos (CELAC) a cum­prir a pro­cla­mação de ja­neiro de 2014, que de­clarou a re­gião como zona de paz.

8. Exigir que os go­vernos do mundo as­sumam uma po­sição clara e con­de­na­tória contra a vi­o­lação do di­reito in­ter­na­ci­onal e a es­ca­lada da vi­o­lência im­pe­ri­a­lista contra a Re­pú­blica Bo­li­va­riana da Ve­ne­zuela e a re­gião.

9. Or­ga­nizar ati­vi­dades de cons­ci­en­ti­zação e de­bates pú­blicos sobre as graves ame­aças que se avi­zi­nham nas Ca­raíbas.

10. Afirmar pe­rante o mundo que a paz du­ra­doura só pode ser cons­truída sobre os ali­cerces da jus­tiça so­cial, da equi­dade e do pleno res­peito pelos di­reitos hu­manos e pelo di­reito in­ter­na­ci­onal.

14 de No­vembro de 2025, Ca­racas, Re­pú­blica Bo­li­va­riana da Ve­ne­zuela

EM TEMPO: A luta pela soberania e o bem estar da população venezuelana é correta, mas convém lembrar que o governo Maduro não é "ouro 18" e reprime o Partido Comunista da Venezuela. OK, Moçada!

 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Rússia alerta que pressão dos EUA contra a Venezuela ameaça equilíbrio do Ocidente

 

Moscou afirma que escalada política e militar pode gerar crise imprevisível e reafirma apoio ao governo de Nicolás Maduro

17 de dezembro de 2025

O navio de guerra USS Jason Dunham interceptou o navio "Carmen Rosa" na zona econômica exclusiva da Venezuela (Foto: Telesur)


 

Por Otávio Rosso

247- A Rússia alertou que o aumento da pressão política e militar dos Estados Unidos contra a Venezuela representa um risco grave para a estabilidade de todo o hemisfério ocidental. Segundo autoridades russas, o atual cenário pode evoluir para uma crise de consequências imprevisíveis, diante do que Moscou classifica como um cerco crescente ao país sul-americano.

As informações foram divulgadas pela teleSUR, com base em declarações feitas em Moscou durante uma cerimônia oficial em homenagem a Simón Bolívar, realizada por ocasião dos 195 anos da morte do libertador venezuelano. No evento, representantes do governo russo reiteraram solidariedade ao povo venezuelano e apoio ao governo do presidente Nicolás Maduro, destacando a defesa da soberania nacional e dos interesses estratégicos do país. 

Alerta russo sobre a escalada de tensões

Durante a solenidade, Alexander Shchetinin, diretor do Departamento para a América Latina do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, manifestou preocupação com a evolução da situação no Caribe e fez um apelo direto para que não haja novas ações que ampliem o conflito. Em sua intervenção, o diplomata afirmou: “Esperamos que aqueles que estão por trás da atual escalada de tensões na Venezuela possam evitar um maior deslizamento para uma situação que ameaça ter consequências imprevisíveis para todo o hemisfério ocidental e que possam evitar cometer erros”.

Shchetinin também ressaltou a importância histórica de Simón Bolívar e destacou os laços de amizade entre Rússia e Venezuela, reafirmando o respaldo político de Moscou ao governo venezuelano diante do cenário internacional adverso. 

Denúncias de Caracas e rejeição a acusações dos EUA

Do lado venezuelano, o presidente Nicolás Maduro tem denunciado que o país enfrenta a maior ameaça de invasão estrangeira do último século, associada, segundo o governo, aos interesses dos Estados Unidos sobre as maiores reservas de petróleo do planeta. Caracas rejeita as acusações feitas por Washington de suposta falta de compromisso no combate ao narcotráfico.

As autoridades venezuelanas lembram que organismos internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas, já certificaram que a Venezuela não é um país produtor de drogas nem apresenta altos índices de consumo, além de reconhecerem os esforços do Estado no enfrentamento ao tráfico ilícito. 

Presença militar e impacto humanitário

Paralelamente às tensões diplomáticas, os Estados Unidos intensificaram sua presença militar no Caribe com o envio de um grupo de ataque liderado pelo porta-aviões USS Gerald R. Ford, acompanhado por um submarino nuclear e mais de 16 mil militares. Segundo dados citados na reportagem, desde setembro operações classificadas como ilegais na região resultaram no afundamento de mais de vinte embarcações rápidas e na morte de mais de 80 civis em alto-mar.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Augusto Heleno descuidou da própria biografia. Restou o passivo para Tomás Paiva

 

Comandante do Exército, Tomás Paiva, tem feito um esforço para livrá-lo da condição de preso em regime fechado

Por Denise Assis (Jornalista)

15 de dezembro de 2025

 
Augusto Heleno (Foto: Ton Molina/STF)


O general Augusto Heleno não parecia se preocupar com a sua biografia. Talvez, confiando na trajetória de ter sido sempre o primeiro aluno, por onde quer que tenha passado na carreira militar. No Exército dá-se a isso o nome tríplice coroa, por ter recebido medalha de primeiro aluno nas três escolas de formação por onde passou. Ao longo da carreira, era do tipo que costumava atravessar a rua para se abraçar com uma polêmica. Foi assim, quando serviu no gabinete do general Sylvio Frota, e o apoiou quando esteve pronto para dar um golpe no general Geisel, quando este iniciou o processo de abertura (lentíssima e gradual), no final da ditadura. 

Também a sua saída do Haiti, onde coordenou os brasileiros nas Forças de Paz, da ONU, (MINUSTAH) não foi o que poderíamos chamar de “tranquila”. Deixou atrás de si um processo que corre sob sigilo, e diz respeito ao episódio conhecido como “o massacre de Cité Soleil (fala-se em dezenas de civis mortos em operação em uma comunidade). 

Foi o general Heleno quem comandou a “Operação Punho de Ferro” (do inglês: Operation Iron Fist). A ação dos capacetes azuis da MINUSTAH liderada pelo general brasileiro, ocorreu em 6 de julho de 2005 em Bois Neuf, partição da Cité Soleil, a maior favela do Haiti. Pelo desastre, ele foi chamado de volta pelo governo brasileiro. Seu substituto, o também general Urano Teixeira da Matta Bacellar chegou animado, falando em satisfação pela honra do novo cargo, e uma semana depois apareceu morto, no hotel onde estava hospedado. Suicídio. 

No governo anterior, desempenhou o cargo do chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, pelo qual ficava sob sua responsabilidade supervisionar os aviões que serviam à presidência. Em uma das viagens, o piloto de um deles acabou preso e condenado por tráfico de drogas. Uma inspeção no aeroporto da Espanha encontrou 39 quilos de cocaína no avião de apoio ao que servia o presidente. Heleno nunca explicou o “incidente”. 

Por fim, acabou condenado a uma pena de 21 anos por conspirar e tentar impedir a posse do governo vitorioso nas urnas na eleição de 2022, ou seja: golpe de estado. 

Fica claro, diante desse “currículo”, o seu total desapreço pela própria biografia. Agiu como se não houvesse amanhã, ou como se a farda fosse uma armadura inquebrantável que o protegesse contra tudo e contra todos. Até mesmo das sanções previstas na Constituição que como oficial do Exército Brasileiro, jurou servir.

Toda essa reconstituição da longa jornada de Augusto Heleno, hoje com 78 anos, é por conta do esforço que o comandante do Exército, Tomás Paiva, tem feito, para livrá-lo da condição de preso em regime fechado, no Comando Militar do Planalto. 

Além de visitá-lo na prisão, para verificar as condições em que ele e o general e ex-comandante, Paulo Sérgio Oliveira estão apenados, Paiva reuniu-se com o ministro Alexandre de Moraes dias antes da efetivação da prisão dos generais, a fim de pedir a não espetacularização da prisão. Solicitou também que não fossem algemados e que a condução fosse feita como manda os preceitos militares – por um oficial de igual patente ou acima, o que no caso deles foi feita por dois generais – e sem acompanhamento da mídia. Na semana passada, voltou a se avistar com o ministro, dessa vez para solicitar um novo exame de saúde em Heleno, a fim de se avaliar a transferência para uma prisão domiciliar.

Toda a recente valentia do general, que deu soco na mesa e esbravejou que precisavam agir logo, antes que Lula fosse eleito e aí não haveria “VAR” que desse jeito, desapareceu. Aquele general que, perguntado se Lula subiria a rampa disse um NÃO em bold corpo 38, desmoronou e agora pede proteção e clemência. Esqueceu-se de que o tempo passa para todos, que o corpo cobra o preço do avançar dos anos e que o poder é efêmero. Principalmente para os que dele abusam. 

Resta-nos agora ler manchetes como a publicada pela CNN: “Comandante do Exército entra em cena, conversa com Moraes e prisão domiciliar de Augusto Heleno se aproxima”. Desnecessário repetir aqui a frase de para-choque de caminhão: “eles também envelhecem”. 

Na matéria abaixo da manchete lê-se: “O Comandante do Exército, General Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, se reuniu pessoalmente com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e mostrou preocupação com as condições de saúde do general da reserva Augusto Heleno, condenado a 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado”. Gesto nobre o do comandante, que antes mesmo da condenação, pelo que se sabe, tentou livrar o “três coroas” da prisão. Debalde. O general Augusto Heleno não cuidou da própria biografia, como disse acima. Restou o passivo para Tomás Paiva, hoje às voltas com a tentativa de uma domiciliar. O tempo é mesmo o senhor da razão.

EM TEMPO: O general Augusto Heleno pode até ter sido um dos melhores alunos na AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras), mas pode não ter cursado uma disciplina denominada de Geopolítica. Pois, convém lembrar que o ex-presidente dos EUA, Joe Biden, enviou uma Generala Comandante do Cone Sul, a qual se reuniu com o Alto Comando das Forças Armadas onde o recado claro e direto dizia: "não apoiamos golpe  de qualquer natureza no Brasil". A CIA fez algo semelhante. O general Heleno deve saber que o ex-presidente Ernesto Geisel dizia que o Capitão Bozo era um mal militar. O Comandante do Exército, na época, general Leônidas Pires, proibiu o Bozo de visitar as dependências do Exército em todo o país. Porquê Bozo estava querendo fazer um levante para aumentar o soldo, além de ameaçar jogar uma bomba explosiva na Adutora do Guandú no RJ. Apesar de não ser "ouro 18", o general Mourão, vice-presidente  de Bozo, escapou de todo esse processo doentio e de ataque a democracia, por ter um melhor conhecimento sobre Geopolítica.  Fato curioso, ou de Pop Star (rsrsrs) é que o presidente Lula é muito amigo e camarada de  caéba  do ex-presidente George Bush (o filho). Também amigo de Obama, o qual dizia esse é o "Cara". Além de amigo de Biden (ex-vice de Obama e ex-presidente dos EUA). Atualmente simpático dos Democratas, os quais aprovaram no Senado, com apoio dos Republicanos, o fim do Tarifaço.   Por fim  ganhou a simpatia de Trump, apesar dos pesares, O choro é livre e faz bem a saúde.  Donde se conclui que o general Heleno não aprendeu direito a lição da caserna, a qual consiste em seguir os exemplos dos bons militares. Golpista, jamais. Ok, Moçada!

GLAUBER FICA! FORA, GOLPISTAS!


 

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) manifesta sua mais irrestrita solidariedade ao deputado Glauber Braga, cujo mandato foi suspenso por seis meses no dia 10 de dezembro pela Câmara dos Deputados, após a direita não ter conseguido emplacar os 257 votos necessários à aprovação da sua cassação.

A indignação popular e a mobilização dos movimentos sociais contra os setores mais reacionários do Congresso conseguiu atenuar a proposta original de cassar o mandato e impor a inelegibilidade por 8 anos, substituindo por uma suspensão durante 6 meses. A punição não encerra o mandato do deputado socialista, mas ainda assim significa uma medida que busca silenciar a voz de um dos parlamentares mais combativos do Brasil.

Na véspera, todo o autoritarismo do presidente da Casa, Hugo Motta, se manifestou por meio da retirada à força do deputado Glauber da mesa diretora, violência que atingiu também deputadas do PSOL e jornalistas, que foram impedidos de entrar no plenário e filmar o brutal episódio. Além disso, o sinal da TV Câmara foi desligado, em atitude que remete aos tempos de ditadura. A ação truculenta de Hugo Motta contra Glauber, parlamentares de esquerda e a imprensa foi muito diferente da que ele adotou quando, meses atrás, deputados bolsonaristas sequestraram a cadeira da presidência da Câmara por 48 horas para pressionar em favor da anistia aos golpistas. Na época, os parlamentares da extrema-direita não foram incomodados.

Como se não bastasse, na madrugada desta quarta-feira, a Câmara aprovou a redução das penas dos golpistas de 08/01/23 e do presidiário fascista Jair Bolsonaro. A ofensiva da direita contra as liberdades democráticas se deu também por meio da intervenção da Meta nos perfis de Lula, de organizações, deputados/as e personalidades da esquerda brasileira no Instagram e Facebook, os quais ficaram por várias horas invisibilizados na ferramenta de busca, a exemplo da nossa camarada Sofia Manzano.

Toda esta situação representa o avanço do projeto de silenciamento das vozes que ousam enfrentar os interesses dos poderosos. Neste 10 de dezembro, paradoxalmente o Dia Internacional dos Direitos Humanos, o Sr. Hugo Motta novamente tentou proibir a entrada de cidadãos e cidadãs nas dependências da Câmara, e jornalistas foram mais uma vez censurados e impedidos de registrar a sessão legislativa. São ataques gravíssimos às liberdades democráticas, provenientes de um Congresso cuja maioria de parlamentares age mais uma vez como verdadeiros inimigos do povo.

É evidente que a tentativa de cassação de Glauber não se relaciona ao episódio isolado de um provocador que tentou constranger o deputado. O verdadeiro motivo é político: Glauber tem sido uma das poucas vozes na denúncia das falcatruas, dos acordos espúrios e dos mecanismos de corrupção institucionalizada. Sua postura coerente e revolucionária desagrada profundamente os caciques do Centrão (a velha direita tradicional) e os golpistas de ontem e de hoje.

Enquanto Glauber se destaca por enfrentar abertamente os fascistas e combater duramente a bandidagem defensora do orçamento secreto, sempre apoiando as lutas em prol dos direitos da classe trabalhadora, a Câmara Federal alivia a situação dos golpistas e traidores da pátria, a serviço dos interesses do imperialismo dos Estados Unidos e daqueles que só fazem explorar o povo trabalhador brasileiro.

A tentativa de cassar o mandato de Glauber foi mais um ataque a toda a classe trabalhadora, à esquerda e às forças democráticas do país. Um Congresso que aprova a “PEC da bandidagem”, que produz blindagem institucional de Bolsonaro e se favorece com o orçamento secreto não tem qualquer legitimidade moral para punir um parlamentar digno, coerente e comprometido com os interesses do povo brasileiro.

Devemos seguir firmes com as manifestações populares, com organização e muita luta. A derrota do projeto de cassar Glauber é um exemplo de que somente com mobilização popular é possível barrar as ações da extrema-direita, os ataques aos direitos sociais e às liberdades democráticas.

É preciso retomar as lutas e mobilizações pelo fim da escala 6×1 com a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, contra a Reforma Administrativa, pela revogação das contrarreformas, em defesa do meio ambiente e dos povos originários, dos direitos das mulheres, LGBTs e do povo negro.

Neste domingo, dia 14/12, em todo o Brasil estaremos nas ruas para combater as manobras da direita no Congresso, que quer garantir a redução das penas para os golpistas e livrar da cadeia o genocida ladrão de joias.

SEM ANISTIA PARA FASCISTAS E GOLPISTAS!

EM DEFESA DAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS E DOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA!

PELA SOBERANIA NACIONAL E POPULAR!

Toda solidariedade a Glauber Braga!
Não calarão a voz dos que lutam!
Fora Hugo Motta!

Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

domingo, 14 de dezembro de 2025

Multidão protesta em várias regiões do país contra anistia e repúdio ao Congresso; confira imagens e vídeos dos atos

Manifestantes de Norte a Sul do país saem às ruas neste domingo para protestar contra o Congresso Nacional após a aprovação do chamado PL da Dosimetria

14 de dezembro de 2025

Multidão protesta em várias regiões do país contra anistia e repúdio ao Congresso; confira imagens e vídeos dos atos (Foto: Agência Brasil )


 

Por Laís Gouveia

247- Manifestantes de Norte a Sul do Brasil saem neste momento às ruas neste domingo (14) para protestar contra o Congresso Nacional após a aprovação do chamado Projeto de Lei da Dosimetria. As mobilizações ocorrem em diversas capitais e cidades do interior, reunindo grupos contrários ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados na última semana.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

PF deflagra operação contra desvio de emendas parlamentares

 

Ação autorizada por Flávio Dino mira suspeitas de irregularidades na destinação de verbas públicas e cumpre mandados de busca em Brasília

12 de dezembro de 2025



 

Polícia Federal prende acusados de ataques bilionários a bancos e frustra plano contra a Caixa (Foto: Agência Brasil )

 


Por Otávio Rosso

247 - A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (12) a Operação Transparência para apurar suspeitas de irregularidades na destinação de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A ofensiva tem como foco possíveis esquemas de desvio de verbas e ocorre no contexto de ações que discutem a necessidade de maior transparência no uso desses recursos.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de processos que questionam a transparência na execução das emendas parlamentares. Nesta etapa, os agentes cumprem dois mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Brasília.

Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer a ocorrência de crimes como peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção. 

 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Congresso inimigo do povo

Enquanto isso, o país real segue largado à própria sorte

11 de dezembro de 2025

Por Julimar Roberto (Comerciário e Presidente da CONTRACS/CUT


 

 

 




São Paulo (SP) - 21/09/2025 - Manifestantes participam de ato contra a PEC da Anistia e da Blindagem, no MASP (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Mais alguém aí tem a impressão de que o Brasil faz um tremendo esforço para caminhar para frente, enquanto o Congresso insiste em puxá-lo para trás? É esse meu sentimento e sei que muita gente tem essa mesma impressão.

Sei que nunca tivemos um Congresso tão conservador quanto o atual. Também sei que as bancadas BBB — da Bala, da Bíblia e do Boi — jamais ofereceriam trégua à classe trabalhadora. Mas daí a descaracterizar por completo a ideia de que as duas Casas Legislativas existem para servir ao povo brasileiro… aí já é demais. Ou alguém discorda?

Vemos constantemente decisões e projetos discutidos em Brasília que reacendem a incômoda pergunta de “a quem o Congresso Nacional serve?”. Porque, ao que parece, não é à maioria da população. Não quando parlamentares se empenham mais em proteger golpistas e blindar seus próprios privilégios do que em garantir direitos, fortalecer o Estado Democrático de Direito e responder às urgências sociais.

A aprovação em plenário da Câmara, na madrugada do último dia 10, do PL da Dosimetria que reduz drasticamente as penas de condenados pelo ataque golpista de 8 de janeiro — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro — simboliza esse descompasso. O texto permite aplicar apenas a pena mais grave, ignorando o acúmulo de crimes comprovados, além de flexibilizar progressões e facilitar saídas antecipadas. Trata-se de uma “anistia de fato”, ainda que seus defensores jurem que não passa de técnica jurídica. Mas o efeito concreto é que um condenado a mais de 27 anos pode ter sua pena reduzida para 2 ou 3 anos de prisão efetiva. 

E os desatinos não param por aí. A chamada PEC da Blindagem, que exige autorização do próprio Congresso para que o STF processe parlamentares, avança sorrateira. Com votação secreta, claro — porque quem é inimigo do povo raramente trabalha às claras. Esse é mais uma proposta absurda e que abre as portas para a impunidade institucionalizada, criando uma espécie de “capa protetora” para políticos acusados dos mais diversos crimes. Um ataque direto ao equilíbrio entre poderes e ao combate à corrupção.

Enquanto isso, o país real — o das filas no SUS, das trabalhadoras e dos trabalhadores massacrados por baixos salários, das mulheres que lutam para manterem-se vivas, dos jovens ameaçados pelo desemprego — segue largado à própria sorte. Para esses brasileiros e brasileiras, não há tramitação acelerada, não há madrugada de votação, não há blindagem e nem vontade política. 

É por isso que a reação foi imediata. “Congresso inimigo do povo!” Não é exagero; é constatação! É a percepção de que parte significativa dos parlamentares age em defesa de si mesma, de minorias privilegiadas e, sobretudo, de grupos que tentaram destruir as instituições republicanas.

O fato é que o Brasil não pode permitir que o Parlamento se transforme num escudo para golpistas e num bunker de privilégios. Democracia exige coragem. E coragem se expressa na defesa firme da justiça, da transparência e do compromisso com o interesse público.

O povo brasileiro já pagou caro demais por escolhas equivocadas, por omissões e por alianças feitas nas sombras. E pagará de novo se não agir.

O ano que vem é a nossa oportunidade de arrumar a casa. Em 2026, além do presidente da República, escolheremos os deputados e senadores que poderão – ou não – fazer a diferença. Se votarmos errado, como da última vez, continuaremos à mercê, entregues a um Congresso que escolhe proteger poucos e abandonar todo o resto. Mas, se votarmos com consciência, com memória e com coragem, poderemos recolocar o Parlamento no lado certo da história, do nosso lado, do lado do povo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Movimentos sociais organizam ato contra "Congresso inimigo do povo" neste domingo

 

Manifestações estão previstas para domingo após aprovação de projeto que beneficia condenados por tentativa de golpe

10 de dezembro de 2025



 

Rio de Janeiro (RJ), 21/09/25 - Manifestantes protestam contra a PEC da Blindagem e PL da Anistia na orla de Copacabana (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)



247 - Movimentos sociais e entidades civis estão organizando um ato nacional para este domingo com críticas ao que chamam de “Congresso inimigo do povo” e palavras de ordem como “Fora Hugo Motta” e “Fora Davi Alcolumbre”, em referência aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, respectivamente. A mobilização ocorre em meio à reação popular à aprovação de um projeto de lei que reduz penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Na madrugada desta quarta-feira (10), a Câmara dos Deputados aprovou, por 291 votos a 148, o texto-base do projeto que altera a forma de cálculo das penas para crimes ligados à tentativa de golpe de Estado e à abolição do Estado Democrático de Direito. O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP) ao PL 2162/23, originalmente proposto pelo deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) e outros parlamentares.

Ainda estão em análise destaques apresentados pelo PSB e pelas federações Psol-Rede e PT-PCdoB-PV, que tentam modificar trechos considerados mais sensíveis da proposta. 

Mudança na soma de penas

Um dos pontos mais controversos do projeto é a alteração na forma de aplicação das penas. Pelo novo texto, quando os crimes de tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito e golpe de Estado ocorrerem no mesmo contexto, será aplicada apenas a pena mais grave, e não a soma das penas, como acontece atualmente.

Na prática, a mudança reduz o tempo total de prisão e pode beneficiar diretamente os condenados pelos atos golpistas, inclusive nomes ligados à cúpula do governo anterior. Segundo dados da Agência Câmara Notícias, a nova regra pode alcançar condenados pela 1ª Turma do STF, entre eles:

·          Jair Bolsonaro, ex-presidente da República

·          Almir Garnier, ex-comandante da Marinha

·          Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa

·          Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil

·          Augusto Heleno, ex-chefe do GSI

·          Anderson Torres, ex-ministro da Justiça

·          Alexandre Ramagem, deputado federal

As penas aplicadas a esse grupo variam entre 16 e 24 anos de reclusão em regime fechado, além de outras punições de detenção que devem ser cumpridas posteriormente.

Regra mais dura para líderes de organização criminosa

Outro ponto do texto aprovado estabelece uma regra mais rígida para condenados que tenham sido considerados líderes de organizações criminosas. Nesses casos, o projeto determina que a pessoa deverá cumprir ao menos 50% da pena antes de ter direito à progressão de regime.

Essa regra pode impactar diretamente o caso de Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão, já que a Corte considerou o agravante de liderança de organização criminosa na dosimetria da pena.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Glauber Braga anuncia que vai registrar boletim de ocorrência contra Hugo Motta

Deputado afirma que presidente da Câmara ordenou sua retirada à força da Mesa Diretora

09 de dezembro de 2025



Glauber Braga (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

 



Por Paulo Emilio

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) afirmou que pretende registrar um boletim de ocorrência contra o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A afirmação foi feita após o episódio ocorrido nesta terça-feira (9), quando o parlamentar foi retirado à força da Mesa Diretora por ordem da Polícia Legislativa.

Segundo a CNN Brasil, Glauber contestou a determinação e responsabilizou diretamente o comando da Casa. O deputado declarou que a medida foi tomada de forma explícita e que a corporação apenas cumpriu ordens superiores.

: “[O boletim] é contra a instituição, contra quem ordenou a ação da polícia legislativa, mais especificamente, melhor dizendo, contra o presidente da Câmara dos Deputados pela ordem que deu à Polícia Legislativa. A ordem partiu dele, a polícia quando chega lá, ela é evidente em dizer: a ordem é essa”, disse Glauber. 

Ao jornal O Globo, ele disse que iria “na 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal para fazer o registro e esperar que a autoridade policial solicite o exame de corpo de delito". As correligionárias Sâmia Bomfim - esposa de Glauber - e Célia Xakriabá também disseram que pretendem registrar boletim de ocorrência.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Em memória da Coluna Prestes



 

Membros da Coluna Prestes – Acervo de Luiz Carlos Prestes Filho

Edmilson Costa*

A Coluna Prestes completou, neste ano de 2025, 100 anos. Trata-se de um evento dos mais emblemáticos da história brasileira e uma epopeia militar extraordinária, maior que a de Alexandre da Macedônia ou a Grande Marcha de Mao Tse Tung, uma vez que as tropas comandadas pelo capitão Luís Carlos Prestes e composta por tenentes insurgentes e rebeldes populares que se incorporaram à luta, enfrentaram as tropas melhor armadas e muito mais numerosas do então presidente Artur Bernardes, ao longo de 25 mil quilômetros, do Sul ao Norte, do Nordeste ao Centro-Oeste do país, numa guerra de guerrilhas invicta, entre os anos de 1925 e 1927. A coluna insurgente saiu do interior do Rio Grande do Sul, incorporou os tenentes sublevados de São Paulo, percorreu o país inteiro desafiando as forças oligárquicas da República Velha e, nessa trajetória pelo Brasil profundo, escreveu na memória nacional um dos mais belos capítulos da luta popular por justiça social e liberdade.

Portanto, celebrar o centenário da Coluna Prestes deve ser entendido não apenas como um evento militar, mas especialmente como um episódio importante para compreender o Brasil daquela época (e ainda hoje), marcado pelo coronelismo, pelos latifundiários, pelas desigualdades e miséria da imensa maioria da população. Seu legado continua muito atual porque encarnou valores que ainda são muito atuais, tais como a luta pelas transformações sociais, o combate à oligarquia, ao latifúndio, à corrupção e ao autoritarismo dos grupos conservadores, bem como a defesa da soberania nacional e popular. Celebrar este centenário da Coluna é também recordar que o povo brasileiro, em condições muito mais difíceis que atualmente, se levantou contra a opressão e, portanto, pode novamente contestar a ordem estabelecida. É também lembrar que a população pobre da caatinga, dos sertões, do planalto foi capaz de apoiar a coragem e a dignidade daqueles revolucionários que, através da luta popular armada, decidiram enfrentar os poderosos e buscar uma pátria livre e democrática.

Um século depois, a Coluna Prestes permanece como um desses raros acontecimentos que não envelhecem porque foi capaz de revelar o nervo exposto da sociedade brasileira da época, não só em relação à miséria das grandes massas, mas também sobre o poder dos grandes proprietários, a manipulação política das elites regionais, a violência contra os pobres e a ausência histórica de direitos para a maioria da população. A marcha da Coluna também obteve a simpatia da imensa maioria do povo sertanejo, que proporcionou comida, água e informações sobre o inimigo, uma vez que a Coluna se transformou, aos olhos da população rural, num exemplo de ousadia e retidão nas relações entre os insurgentes e a população. Como relata o próprio comandante da Coluna, Luís Carlos Prestes, em entrevista ao Estado de São Paulo: “Encontrávamos um ambiente de muita simpatia. As populações que não fugiam e que mantinham contato conosco compreendiam que lutávamos contra seus inimigos. O povo do interior via no governo federal, nos governos estaduais e municipais e nos grandes fazendeiros os seus inimigos e percebia que todos lutavam contra nós. Não tinham consciência suficiente para aderir à luta e dar suas vidas a uma causa que ainda não compreendiam”[1].

Além disso, a Coluna se converteu em matéria prima para uma grande radiografia do Brasil profundo ao revelar a estrutura das desigualdades brasileiras, que só muito depois a historiografia viria a reconhecer. Ou seja, o Brasil urbano que contrastava com o país interiorano, majoritariamente rural, analfabeto e miserável. Expôs ainda o poder dos donos das terras e das fraudes nas eleições, escancarando o domínio de uma oligarquia reacionária e violenta. Como ressalta Prestes na mesma entrevista: “Não podíamos imaginar que a situação dos homens do campo fosse tão miserável, apesar de conhecermos as favelas das grandes cidades. O quadro era realmente de horrorizar. O que vimos no interior do Mato Grosso, Goiás, Nordeste foi miséria e exploração. Além disso, as condições sanitárias terríveis … Houve o caso de encontrarmos em algumas choças uma família com três mocinhas. Duas ficaram dentro de casa porque só havia um vestido. As outras estavam nuas e não podiam aparecer. Não era por medo da Coluna, porque o respeito era absoluto, mas sim porque não tinham roupa para vestir”[2].

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Deputada Ana Júlia denuncia ao MP escola que obrigou alunos a cantar música de apologia ao extermínio

Colégio cívico-militar em Curitiba obrigou estudantes a entoar canto que faz apologia ao ódio e à violência


Ana Júlia Ribeiro (Foto: Orlando Kisner (Divulgação)


 


 




Por Leonardo Sobreira

247 - A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT-PR) informou nesta segunda-feira (1) que acionou imediatamente o Ministério Público, enviou uma representação à Defensoria Pública e cobrou esclarecimentos da Secretaria de Educação do Paraná, após o APP Sindicato (Sindicato dos(as) Professores(as) e Funcionários(as) de Escola do Paraná) revelar que estudantes de um colégio estadual cívico-militar de Curitiba foram obrigados a cantar uma música que faz apologia ao ódio, à violência e ao extermínio de comunidades periféricas.

No vídeo citado pela parlamentar, adolescentes aparecem entoando trechos como “Entrar na favela e deixar todos no chão” enquanto marcham sob comando militar. 

"A cena é chocante e, infelizmente, não é um caso isolado dentro do programa de escolas cívico-militares implementado no Paraná", diz a deputada. "Desde sua criação, esse modelo tem acumulado denúncias de práticas de doutrinação extremista, desrespeito a direitos fundamentais e naturalização da violência, ferindo de forma direta o caráter democrático, plural e formativo que deve orientar a escola pública", denuncia. 

Ainda segundo Ana Júlia, o modelo de escolas cívico-militares é ilegal, inconstitucional e socialmente destrutivo.