quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Captura de carbono na Amazônia está em risco, diz estudo

Para pesquisadores, preservação é vital para conter aquecimento global

23 de outubro de 2025


 

Captura de carbono na Amazônia está em risco, diz estudo (Foto: Divulgação/Polícia Federal )

 




Por Paulo Emilio

Camila Boehm, repórter da Agência Brasil - A Amazônia deixará de capturar 2,94 bilhões de toneladas de carbono até 2030 se os governos de países amazônicos aplicarem pouco ou nenhum controle sobre o desmatamento no bioma.

Caso persistam a manutenção das atuais políticas ambientais e as recentes taxas de desmatamento na região, ainda haveria perda na captura de carbono da ordem de 1,113 bilhão de tonelada nos próximos cinco anos.

A conclusão é de levantamento da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), divulgado nesta quinta-feira (23), formada por oito organizações da sociedade civil. A rede engloba todos os países amazônicos, no entanto, para essa análise, foram considerados Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

Para os pesquisadores, a proteção das florestas mais preservadas da região, principalmente em terras indígenas e Áreas Naturais Protegidas é decisiva para conter o aquecimento global. Na Amazônia, os territórios protegidos abrigam as florestas mais conservadas e com menores taxas de desmatamento. Além disso, segundo a RAISG, tais áreas concentraram 61% do carbono florestal capturado em 2023 em toda a região amazônica.

“Estamos diante de uma contagem regressiva ambiental: se não forem fortalecidas as políticas de proteção e se não for reconhecido o papel central dos povos indígenas e das comunidades locais, a Amazônia deixará de ser um aliado climático e se tornará uma fonte de crise”, alertou Renzo Piana, diretor executivo do Instituto do Bem Comum, membro da RAISG, em nota.

Entre as recomendações da rede figuram priorizar políticas que articulem ciência e saberes dos povos amazônicos e desenvolver modelos econômicos e tecnologias baseadas em baixas emissões de gases de efeito estufa, além de promover o uso sustentável de florestas e sistemas hídricos. É necessário, ainda, implementar estratégias que eliminem o desmatamento, incêndios florestais e o avanço de atividades ilegais e crimes ambientais no bioma. 

Devastação histórica

Nas últimas décadas, segundo a RAISG, a Amazônia já teve suas funções de combate às mudanças climáticas enfraquecidas. Em 2023, suas florestas deixaram de capturar 5,7 bilhões de toneladas de carbono em comparação com o ano 2000 - uma redução de 6,3%. “Entre 1985 e 2023, mais de 88 milhões de hectares de florestas que regulavam o clima global foram transformadas em terras agropecuárias, urbanas e mineradoras”, divulgou a RAISG.

Além disso, a organização aponta que tais atividades não apenas fragmentaram as florestas, mas causaram um dano silencioso às árvores remanescentes, afetando sua mortalidade, capacidade de regeneração e processos de fotossíntese, que são fundamentais para a captura de carbono.

O estudo divulgado hoje foi feito dentro do projeto Ciência e Saber Indígena pela Amazônia, da RAISG e do Woodwell Climate Research Center. Ele projetou três cenários futuros para as reservas de carbono.

Para isso, os pesquisadores utilizaram a ferramenta de simulação Dinâmica Ego - plataforma de modelagem ambiental gratuita - e dados atuais de monitoramento por satélite, com o objetivo de orientar melhores políticas públicas. 

Pior cenário

No primeiro cenário, a Amazônia passaria a capturar 82,257 bilhões em 2030, em vez das mais de 85 bilhões de toneladas de carbono capturadas em 2023, representando uma redução de 3,5%. “Isso ocorreria caso os governos aplicassem pouco ou nenhum controle sobre o desmatamento, permitindo o avanço descontrolado de atividades como agricultura, pecuária, infraestrutura e mineração”, informou a entidade.

Para Mireya Bravo Frey, coordenadora regional do Projeto Ciência e Saber Indígena pela Amazônia, cada tonelada de carbono que se consegue manter nas florestas amazônicas é um investimento no futuro do planeta.

“Fortalecer a proteção das Terras Indígenas e das Áreas Protegidas significa conservar as maiores reservas de carbono florestal do mundo”, ressaltou. No Brasil, os territórios protegidos correspondem a 44% de toda a floresta bioma.

No melhor cenário analisado, em que os governos não promoveriam mudanças significativas nas políticas ambientais e as atuais taxas de desmatamento se manteriam constantes, as áreas florestais deixariam de capturar 1,113 bilhão de toneladas de carbono até 2030, em relação a 2023, ou seja, 2% a menos. Assim, mesmo que as políticas e condutas atuais dos governos fossem mantidas, haveria piora nos resultados de captura de carbono da região. 

O que é a captura de carbono?

A Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG) explica o que é a captura de carbono florestal e qual sua importância no contexto atual. “Durante a fotossíntese, árvores e vegetação capturam carbono, um elemento do dióxido de carbono (CO) presente na atmosfera, e o retêm em raízes, troncos e folhas. Dessa forma, ajudam a controlar esse gás de efeito estufa, produzido em excesso principalmente pelo uso de combustíveis fósseis e pelo desmatamento causado por atividades econômicas, como a pecuária.”

A captura de carbono ganha maior destaque no contexto de agravamento da emergência climática. Especialista em Sistemas de Informação Geográfica e Sensoriamento Remoto da RAISG, Jose Victorio alerta que ter menos florestas equivale a ter menos reservas de carbono na Amazônia, o que significa mais emissões poluentes para o mundo.

“Isso gera temperaturas mais altas no planeta e eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, como secas, inundações, florestas mais suscetíveis a incêndios e chuvas mais imprevisíveis. Um cenário que compromete não apenas a biodiversidade e a cultura amazônica, mas também a segurança hídrica e alimentar do planeta”, explicou.

No cenário intermediário, que considerou uma regulação mais permissiva e que ocorreria se os países amazônicos aplicassem políticas ambientais e marcos legais mais fracos do que os atuais nos próximos cinco anos, o resultado foi também uma queda na captura de carbono florestal.

Considerando esse contexto, haveria uma mudança radical na função do solo, transformando grandes áreas de florestas amazônicas e agroflorestas em terras agropecuárias, urbanas e mineradoras.

A Amazônia deixaria de capturar 2,294 bilhões de toneladas de carbono em 2030 em relação a 2023, devido ao avanço do desmatamento e da degradação florestal, uma redução de 2,7% nas reservas de carbono.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Boulos desconversa sobre sucessão, foca na reeleição de Lula e prevê disputa acirrada em 2026

Segundo o novo ministro, "cada dia tem a sua agonia" e o foco agora é "ajudar o governo e contribuir para a reeleição do presidente Lula em 2026"

22 de outubro de 2025

Guilherme Boulos (Foto: Raffa Neddermeyer/ABr)



 


 



Por Paulo Emilio

247 - A nomeação do deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) para o comando da Secretaria-Geral da Presidência, anunciada nesta segunda-feira (20), reacendeu o debate sobre quem poderá suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no futuro político do país. Aos 85 anos no fim de um eventual segundo mandato, Lula ainda não apontou um nome para herdar seu legado, mas reforça aliados de peso no governo.

Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Boulos desconversou sobre qualquer intenção de se colocar como herdeiro político do presidente e afirmou que aprendeu com a avó “que cada dia tem a sua agonia”. Segundo o novo ministro, o foco agora é “ajudar o governo e contribuir para a reeleição do presidente Lula em 2026”.

“O jogo político é sempre acirrado”

Questionado sobre as chances de reeleição do petista, Boulos manteve cautela. “No cenário polarizado em que a gente vive, o jogo político eleitoral é sempre muito acirrado. E jogo não se ganha de véspera”, afirmou. Apesar disso, mostrou otimismo: “Lula lidera em todas as pesquisas, o governo cresce em aprovação e reforça sua conexão popular”.

O ministro destacou ainda que sua principal missão será fortalecer o diálogo com os movimentos sociais. “O presidente Lula me chamou para dialogar com o povo, e não com a Faria Lima, definitivamente”, disse, em referência ao centro financeiro de São Paulo. 

Defesa do governo e críticas à extrema-direita

Boulos elogiou o desempenho do governo e a política econômica conduzida por Fernando Haddad, ressaltando os indicadores positivos. “Temos a menor taxa de inflação acumulada da série histórica e o menor desemprego. O Brasil voltou a crescer acima de 3%”, destacou. Ele também citou o aumento real do salário mínimo e o retorno de programas sociais como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida.

Na entrevista, o novo ministro também prometeu combater o que chamou de “política rasteira da extrema-direita” e defender “as agendas fortíssimas do governo Lula, que se colocou firmemente na defesa do povo contra os bilionários e na defesa do Brasil contra o ataque estrangeiro [dos EUA]”. 

Relação do governo com Trump e soberania nacional

Ao comentar a postura do governo brasileiro frente às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Boulos afirmou que Lula foi “firme” e “pragmático, sem ceder um milímetro na defesa da soberania nacional”. Segundo ele, “Lula virou capa do New York Times como o único presidente que enfrentou Trump”.

Boulos avaliou que há uma “reconfiguração geopolítica” com a disputa entre Estados Unidos e China pela liderança global, o que exige do Brasil uma posição soberana. “O governo do Lula tem travado a luta das ideias e a luta política como nenhum outro governo progressista da nossa história”, declarou.

Críticas ao Congresso e ao bolsonarismo

O ministro também criticou a atuação de parte do Congresso, que, segundo ele, tem barrado medidas de interesse popular, e voltou a apontar o bolsonarismo como o principal polo da direita. “Todas as tentativas de criar um bolsonarismo light fracassaram. Quando a coisa esquentou, tiveram que tirar a fantasia para manter a base social”, afirmou.

Sobre a relação com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, Boulos foi contundente: “É uma vergonha que Eduardo Bolsonaro ainda não tenha sido cassado e siga atuando como traidor da pátria em Miami. É inaceitável”. 

“Cada dia com a sua agonia”

Ao ser questionado sobre uma possível candidatura em 2026, o novo ministro negou qualquer plano eleitoral. “Lula me convocou para uma missão. Entrar agora e sair em abril não permitiria que o trabalho tivesse começo, meio e fim”, explicou.

Para ele, discutir o “pós-Lula” seria precipitado. “A minha preocupação agora é ajudar a reforçar o governo do presidente Lula e contribuir para a sua reeleição. Pós se discute depois”, concluiu.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Um agente laranja ronda a América Latina

 



 

Leonardo Silva Andrada – militante do PCB de Juiz de Fora (MG)




“[O imperialismo] Na aparência é muito poderoso, mas, na verdade, não é nada a temer;
é um tigre de papel. De fora um tigre, dentro é feito de papel, incapaz de resistir ao vento e à chuva.”
Mao Zedong

Um fantasma ronda a América Latina: o fantasma da intervenção imperialista. Aumento de tarifas, deslocamento da marinha de guerra e declarações ameaçadoras foram algumas das expressões recentes, na busca por encurtar a rédea que controla a região. Nas últimas eleições presidenciais, o centro do império escolheu um CEO com postura comercial agressiva, como opção tática no enfrentamento aos efeitos mais sensíveis de sua debacle. Donald Trump executa a plataforma anunciada como marca de seu governo, para tentar reverter os índices negativos que traduzem a derrocada.

Circulam opiniões garantindo que testemunhamos o colapso do domínio estadunidense, mas a história do capitalismo – sua vertente yankee incluída – recomenda cautela, em face da comprovada capacidade para contornar crises com paliativos mais ou menos eficientes. Em qualquer caso, ainda que ajustes de grande impacto consigam postergar o colapso final, são inegáveis os sintomas de um período historicamente denso, que demanda operações de grande alcance para adequar-se às condições presentes. 

Do tipo, pelo menos, que vimos em 1973, quando o esgotamento do modelo gestado em Bretton Woods reclamou transformações profundas na engenharia institucional que estruturou o capitalismo pós guerra, visando se conformar às necessidades da fração financeira – modelo que pautou um novo ciclo, em seguida chamado de neoliberalismo. Ou talvez o rearranjo de menor escopo operado em 2001, ano que marca historicamente o início da hegemonia estadunidense isolada que ora dá sinais de fadiga.

A guerra ao terror de Bush Junior foi a síntese propagandística de uma gama de movimentos táticos necessários à estruturação do poder imperialista no período de fim da história, como peremptoriamente alardeavam seus ideólogos. Ao longo da década transcorrida em seguida ao fim da União Soviética, os organismos multilaterais a serviço da dominação financeira espraiaram o projeto neoliberal gestado em 73 por uma ampla parcela do planeta; a tarefa para a administração imperial, nesse momento, foi reorganizar a política global de forma a garantir que o excedente produzido em economias desregulamentadas continuasse fluindo em direção a Wall Street, para seguir financiando os déficits fiscal e comercial que sustentam o militarismo e o consumismo destrutivo do american way of life, além de atualizar a secular prática colonialista de garantir o acesso a recursos e mercados.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Efeito Kirk: como um assassinato desencadeou a virada de Trump sobre Israel

 

Um tiro que atravessou fronteiras: o assassinato de Kirk transformou o epicentro do trumpismo e expôs a ruptura entre o sionismo político e ala “America First”

Por Reynaldo José Aragon Gonçalves (Jornalista Geopolítico)



Ativista e influenciador de extrema direita estadunidense, Charlie Kirk fala antes de ser alvo de um atentado a tiros, em evento na Utah Valley University, em Orem, Utah, EUA - 10/09/2025 (Foto: Trent Nelson/The Salt Lake Tribune via REUTERS)




A morte de Charlie Kirk, fundador do Turning Point USA e ícone da nova direita americana, detonou uma crise interna que já vinha latente: parte do movimento MAGA quer cortar o cordão financeiro e simbólico que une os EUA a Israel. Em meio ao colapso moral do genocídio em Gaza e à pressão internacional, Trump cedeu — e empurrou Netanyahu ao cessar-fogo. O caso Kirk é o gatilho que revelou a guerra civil dentro da própria direita global. 

O Disparo que Ecoou no Oriente Médio

O assassinato de Charlie Kirk, ocorrido em 10 de setembro durante um evento na Utah Valley University, ultrapassou rapidamente o território do crime político para se tornar um terremoto simbólico dentro do movimento MAGA. O episódio mobilizou a base trumpista, reacendeu disputas internas e forneceu ao governo dos Estados Unidos uma oportunidade de reconfigurar sua narrativa no exato momento em que a guerra de Gaza já se tornava um fardo moral e diplomático. A sequência foi meticulosamente administrada: a prisão imediata do suspeito, a comoção nas redes, e o gesto calculado de Donald Trump ao conceder postumamente a Kirk a Medalha Presidencial da Liberdade. O mártir estava criado, e com ele um novo enquadramento simbólico para o poder — o da pacificação performativa.

A mesma semana marcou a consolidação do cessar-fogo em Gaza, com Trump assumindo o papel de fiador do acordo e exercendo pressão direta sobre Benjamin Netanyahu. O premiê israelense resistiu, ausentando-se da cúpula realizada no Egito, mas o movimento já era irreversível: a pressão doméstica, a fadiga de guerra e a erosão internacional da imagem dos Estados Unidos exigiam uma virada de curso. A Casa Branca percebeu a janela e aproveitou o luto como instrumento político. A figura do presidente-estadista emergiu das cinzas da comoção, transformando um trauma interno em legitimidade externa.

Não se trata de afirmar que um assassinato em Utah causou, sozinho, a suspensão dos bombardeios em Gaza. O que ocorreu foi um acoplamento estratégico de causalidades: a tragédia de Kirk funcionou como acelerador simbólico dentro de um processo já em marcha. A fadiga social com a guerra, as fissuras no MAGA entre doadores pró-Israel e isolacionistas, e o colapso moral do Ocidente diante das imagens de Gaza criaram o cenário ideal para que Trump reinterpretasse o próprio papel. O disparo que silenciou um ícone da direita americana reverberou como uma licença política — o som que permitiu ao presidente mover-se da retórica de confronto para a coreografia da paz, não por convicção humanitária, mas por puro instinto de sobrevivência. 

A Guerra que Sairia do Controle

A guerra em Gaza, iniciada com a promessa de “erradicar o Hamas”, tornou-se rapidamente o espelho de um colapso moral global. O que o establishment político israelense e seus aliados no Ocidente acreditavam ser uma operação de “legítima defesa” transformou-se, aos olhos do mundo, em um genocídio transmitido em tempo real — uma sequência interminável de corpos, ruínas e crianças soterradas sob a justificativa da segurança nacional. A narrativa de “combate ao terror” perdeu tração. O prolongamento da ofensiva não apenas multiplicava as vítimas, mas corroía a imagem de Israel e dos Estados Unidos, que insistiam em respaldar o massacre com ajuda militar e veto diplomático no Conselho de Segurança da ONU.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

'Sionismo e fascismo querem calar críticos do genocídio palestino', diz Altman

Jornalista afirma que denúncia do MPF busca silenciar vozes críticas a Israel


'Sionismo e fascismo querem calar críticos do genocídio palestino', diz Altman (Foto: Brasil247)

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Redação Brasil 247

247 - O jornalista Breno Altman se manifestou neste domingo (12) após ser denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por suposto crime de racismo contra judeus. Em publicação nas redes sociais, Altman relacionou a acusação a uma tentativa de silenciamento de críticos do genocídio do povo palestino cometido por Israel na Faixa de Gaza. A denúncia, formalizada no último dia 7 de outubro, foi motivada por uma notícia-crime apresentada pela Conib (Confederação Israelita do Brasil). 

Declaração de Breno Altman

Na postagem, Altman afirmou: “O Ministério Público Federal me denunciou, em 7 de outubro, por crime de antissemitismo e outros delitos, a partir de notícia-crime emitida pela Conib. Mais uma prova dos vínculos entre sionismo e fascismo, para calar vozes que se levantam contra o genocídio palestino".

O jornalista, que é judeu e crítico contundente do sionismo, sustenta que a denúncia não se trata de um debate jurídico, mas de uma tentativa de criminalizar posições políticas em defesa do povo palestino.

Contexto da denúncia

O Ministério Público Federal (MPF) acusa Altman de fazer publicações antissemitas em suas redes sociais. No entanto, tanto o jornalista quanto sua defesa afirmam que as críticas sempre foram direcionadas ao sionismo e aos dirigentes do Estado de Israel, não ao povo judeu.

A Polícia Federal já havia concluído anteriormente que as manifestações de Altman não configuraram crime, mas sim o exercício da liberdade de expressão. Mesmo assim, o procurador Maurício Fabretti decidiu prosseguir com a denúncia. 

"Vergonha institucional"

O advogado Pedro Serrano, que representa o jornalista, classificou a denúncia como um ataque à democracia e um grave precedente institucional. Segundo o jurista, a denúncia do MPF é uma "vergonha institucional" e um "ato de racismo travestido de persecução penal".

Para Serrano, a acusação tenta criminalizar opiniões políticas e transformar a Justiça em instrumento de censura: “Ao pretender criminalizar as críticas ao governo de Israel e a solidariedade de Breno Altman ao povo palestino, o procurador transforma o direito penal em instrumento de censura política e de repressão ideológica, em afronta direta à Constituição e ao Estado Democrático de Direito".

EM TEMPO: Convém lembrar que Altman é judeu. 

domingo, 12 de outubro de 2025

Jeferson Miola: Lula retoma ofensiva política e governo inicia novo ciclo virtuoso

Projeto de isenção do IR fortalece o governo e abre fase positiva para Lula


Jeferson Miola: Lula retoma ofensiva política e governo inicia novo ciclo virtuoso (Foto: Divulgação)

Por Dafne Ashton

247 - Em participação no programa Giro das Onze, da TV 247, o jornalista Jeferson Miola traça um panorama da atuação política recente do governo Lula, apontando para uma virada estratégica no cenário nacional. 

Miola destaca que o governo “teve que bater muito tambor, divulgar e proclamar essa enorme vitória para mais de 16 milhões de contribuintes” com a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil e a redução parcial para salários até R$7.350. Ele considera a aprovação por unanimidade — 493 votos favoráveis — um “algo inédito” na Câmara, atribuindo o êxito tanto à engenharia tributária concebida pelo ministro Fernando Haddad quanto à condução política de Artur Lira.

“Era um projeto com neutralidade fiscal, que não criava tributos novos, que autocompensava a renúncia com novas receitas sem alterar o sistema tributário nacional”, afirma Miola. Ele ressalta que Haddad conduziu a proposta de “maneira serena, didática e professoral”, o que tornou sua aprovação viável. Sobre a votação, acrescenta:

“Aliás, o grande beneficiário político dessa decisão de ontem é o governo, indubitavelmente”

Miola reconhece também o papel central do relator, deputado Arthur Lira, no processo. Apesar de criticar sua postura como “gangster” e suas negociações obscuras no Congresso, ele admite que o presidente da Câmara teve importância decisiva para viabilizar o projeto: “ele mostrou sua autoridade, sua força e seu poder dentro da Câmara dos Deputados”.

Uma mudança de postura como ponto de virada

Para o jornalista, o que mudou não foi tanto a correlação de forças numéricas — ele afirma que “numericamente nós temos a mesma realidade” —, mas a postura do governo e sua capacidade de iniciativa política. Em sua avaliação, entre os últimos dois meses e meio se consolidou “uma situação virtuosa” no plano político, impulsionada pela atuação comunicacional articulada pelo ministro Sidônio Palmeira e pela mobilização nas redes sociais.

Ele não é ingênuo com relação às dificuldades: o cenário eleitoral de 2026, segundo ele, se fecha com o governo em menor desvantagem numérica no Congresso, mas com uma narrativa pública reforçada pelo ganho de popularidade junto à base. Miola argumenta que a comunicação direta de Lula, sua presença midiática e o engajamento digital foram decisivos para reverter o quadro.

Ele sustenta que, em grande parte da estratégia oposicionista, “o lado de lá errou muito”, e que o governo reagiu estrategicamente a esses erros, lançando ofensivas políticas com pautas de consenso como a reforma do IR.

Perigos, limites e desafios para seguir em frente

Mesmo no momento de euforia, Miola faz ressalvas: o novo ciclo exige “responsabilidade” do campo democrático e recalibragem dos êxitos com projetos sustentáveis e qualificados para o Parlamento. Ele alerta que o governo hesitou em encaminhar o projeto de regulação das big techs ao Congresso — uma pauta estratégica para as eleições — e especula que a espera seria motivada pela necessidade de definir primeiro os desdobramentos do diálogo com os Estados Unidos.

Para Miola, 2026 trará um TSE menos garantista em relação à democracia, uma vez que Kassio Nunes Marques deve presidir o tribunal, com André Mendonça na vice-presidência. Ele afirma:

“Eles não têm absolutamente nenhum compromisso com a democracia. Eles relativizam tudo e defendem intransigentemente o direito da extrema direita de delinquir e falsificar a realidade nas redes sociais.”

No debate eleitoral, o jornalista considera que o governador Tarcísio de Freitas atua menos por escolha própria do que por imposição do bolsonarismo. Ele sugere que a candidatura de Tarcísio é parte de uma estratégia do bloco ultra-conservador para confrontar Lula em 2026, mesmo sabendo que qualquer opção competitiva terá de estar alinhada ao bolsonarismo — o que pode lhe retirar credibilidade eleitoral.

Por fim, Miola reafirma que o cenário democrático não está pacificado: segundo ele, “o jogo não acabou, está longe de acabar”. O ciclo virtuoso do governo exige constante ativismo político, mobilização social e decisões estruturantes para consolidar o campo democrático. Assista: 

https://www.youtube.com/watch?v=LPvfiMJm0Qg&t=12s

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Direita veta a taxação das Bets, dos Bancos e dos Bilionários

Deputados votaram para manter privilégios de uma casta a qual pertencem ou bajulam.

Por Reimont Otoni (Deputado Federal – PT/RJ)

10 de outubro de 2025

Discussão e votação de propostas legislativas - 08/10/2025 - Plenário da Câmara dos Deputados - Sessão deliberativa (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

 

É como diz a Lei de Murphy, “de onde menos se espera, daí é que nada sai”. O artigo da lei do humor cai como luvas nas mãos dos extremistas instalados no Congresso Nacional, uma bancada que vai desde os fascistas descarados aos mais escorregadios representantes do Centrão.

Após uma vitória antológica da isenção total do Imposto de Renda para os que ganham até 5 mil reais e isenção parcial para quem recebe de 5 mil a 7.300, a direita furiosa se vinga da pressão popular que a fez recuar e retira a contra-partida essencial para o equilíbrio das contas públicas – os extremistas votaram contra a taxação das Bets, dos Bancos e dos Bilionários.

Votaram contra o povo, contra o Brasil e comemoraram com gargalhadas e dancinhas, aos gritos de “chega de impostos”. Mentem descaradamente, ainda uma vez, debocham da verdade. A chamada Taxação BBB só atinge aqueles que faturam muito e não pagam impostos, ao contrário dos milhões de trabalhadores e trabalhadoras brasileiros. Além de ser indispensável para manter o equilíbrio da economia, a medida representa um passo histórico no caminho da justiça tributária, reduzindo a desigualdade que é a base da nossa sociedade. Eles sabem muito bem disso, votaram na intenção consciente de manter os privilégios de uma casta a qual muitos pertencem e outros bajulam em troca de favores.

A extrema-direita e seus cúmplices parecem ter perdido qualquer resquício de escrúpulo, qualquer pudor, qualquer vergonha. Querem obrigar o presidente Lula a recuar e forçar o governo a compensar a isenção aos mais necessitados com a retirada de verbas dos programas sociais, da Educação, da Saúde e da Previdência. Querem, indiretamente, sobretaxar o povo. Querem jogar Lula nas cordas. Não conseguirão.

Cada vez mais isolados e mais rejeitados pela sociedade, eles respondem com crescentes atos e manifestações de repúdio aos interesses da população, como se encarnassem o personagem Justo Veríssimo, do grande Chico Anysio, cujo bordão era “eu tenho horror a pobre”. 

Estão social e politicamente isolados, mas garantem a maioria no Congresso. Foram 251 os deputados e deputadas que escolheram manter os privilégios de elites que sempre defenderam e apoiados por uma articulação envolvendo Tarcísio de Freitas. A lista com os nomes e partidos desses contumazes traidores circula nas redes sociais, nos sites de notícias, em todas as plataformas. Vamos ajudar a divulgar, vamos abrir campanhas para que esses parlamentares não sejam reeleitos. 

Que eles sejam cassados pelo voto.  

O Congresso não pode ser e não é inimigo do povo. Mas alguns parlamentares (nesta legislatura, infelizmente, a maioria) são. Não dê o seu voto a quem conspira contra você.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Lula oferece a Trump a chance de fugir da mediocridade mundial

“O brasileiro é o novo rolo do fascista cansado da interlocução com as mesmas figuras de sempre”, escreve Moisés Mendes (Jornalista)


Donald Trump e Lula (Foto: REUTERS)


 






Trump nunca disse a Putin e Zelensky o que agora diz a Lula, apesar de ter sentimentos semelhantes em relação aos dois. Lula entra em outro departamento dos afetos do americano, porque lhe oferece novas pautas, novas brigas e a possibilidade dos desenlaces latinos imprevisíveis.

Trump quer Lula como seu novo rolo. Lula é mais artista do que os outros dois juntos. O brasileiro oferece a chance da novidade, o desafio de uma esperteza não só cerebral, mas intuitiva e poética, e a perspectiva de coisas surpreendentes.

Novos inimigos reanimam os cansados de guerra. Lula revitaliza Trump, que passa a desfrutar da inteligência única de Lula. Trump começou, com a primeira conversa, um duelo que pode até desencurvar seu corpo cansado.

Nenhuma ingenuidade alvissareira, movida pelo entusiasmo do primeiro telefonema, pode nos levar a pensar que Lula vai mudar Trump. Nada disso. Trump poderia ser um Biden se não fosse Trump.

O que Lula disse a Trump e o hipnotizou é que ele tem condições de enfrentá-lo. Tanto quanto Putin o enfrenta, como o mais fantástico estrategista do século 21. 

Mas Lula é o mais sedutor, o mais serelepe, o mais literário, o mais engraçado. Lula tira Trump da mesmice das outras guerras, das conversas medíocres com seus amigos e inimigos europeus e do bafo insuportável de Netanyahu.

Lula diz a Trump que atrações pessoais não vão se sobrepor às macroquestões econômicas, políticas e ideológicas e que ele respeita essa verdade.

Lula sabe que é impossível ver afetos repentinos falsos ou verdadeiros encobrindo gestos maiores que expressam todos os ódios em relação ao Brasil, às esquerdas e aos latinos. Trump sabe que Lula pensa assim e que vai para o jogo no que sobra de espaço de racionalidade. 

Trump poderá descansar um pouco a própria agressividade. Vai tirar dois ou três bodes da varanda. Cederá no detalhe para não perder o essencial, porque ele criou o jogo e as regras e determina quem avança e recua. Lula admite que é assim mesmo e que topa jogar, porque não há o que fazer.

Trump cede porque precisa afrouxar a corda, por pressão econômica interna, por calibragem de retórica e de blefes e porque não pode brigar com todo mundo o tempo todo. 

Trump vai pedir aos Bolsonaro que se acalmem um pouco. Eles terão que buscar forças em Valdemar Costa Neto e Ciro Nogueira. 

Trump precisa reacomodar seu tom de voz e se dedicar a Lula, enquanto enrola russos e ucranianos e finge querer parar a matança em Gaza. E que a família fique à espera de novos sinais mais adiante, se for preciso chamá-la de novo. 

Trump sabe que Lula defende um país e que Bolsonaro defende uma facção criminosa já condenada. Nem seus generais golpistas Bolsonaro defende. 

Trump continuará sendo o mesmo fascista perseguidor dos diferentes. Lula não vai humanizá-lo. Sabe que está num rolo. Que o esquemático Marco Rubio não estrague tudo.

EM TEMPO: Em resumo: Lula é mais habilidoso e "pop star". O presidente francês, Macron, já percebeu isso. Idem para Putin, Xi Jinping e agora Trump e  Zelensky. Quem quiser chorar, pode, faz bem a saúde em todos os aspectos. Convém lembrar que os diplomatas Celso Amorim e Mauro Vieira, são altamente capacitados para bem representarem o Brasil. Ok, Moçada!

domingo, 5 de outubro de 2025

Genocídio em Gaza: Rubio diz que Israel perde apoio global

Chefe do Departamento de Estado aponta a fragilização de Tel Aviv na arena internacional

05 de outubro de 2025

 

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio - 16/07/2025 (Foto: REUTERS/Umit Bektas)

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Redação Brasil 247

247 – O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, admitiu neste domingo (5) que o massacre em curso na Faixa de Gaza abala profundamente o prestígio e o apoio internacional de Israel, em meio a um crescente isolamento diplomático do regime de Tel Aviv. A declaração foi feita ao programa Face the Nation, da CBS News, e publicada pela agência Reuters, que detalhou a atuação norte-americana na ONU durante o conflito.

“Quer você ache que foi justificado ou não, certo ou errado, não se pode ignorar o impacto que isso teve na posição global de Israel”, afirmou Rubio, num raro reconhecimento público do desgaste do país diante da comunidade internacional.

O secretário respondia a uma pergunta sobre declarações do presidente Donald Trump, que criticou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e reconheceu a perda de apoio global de Israel. “Bibi foi longe demais em Gaza e Israel perdeu muito apoio no mundo. Agora eu vou restaurar todo esse apoio”, disse Trump em entrevista ao canal israelense Channel 12.

As falas refletem o colapso moral e político de um governo acusado por líderes e organizações internacionais de praticar genocídio contra o povo palestino. O conflito, que já dura quase dois anos, deixou mais de 67 mil palestinos mortos, em sua esmagadora maioria civis, segundo autoridades de saúde locais.

O isolamento dos Estados Unidos e a cumplicidade no genocídio

A Reuters lembra que, mesmo diante das atrocidades cometidas por Israel, os Estados Unidos têm usado seu poder de veto na ONU para impedir ações de cessar-fogo e proteção humanitária. Foram seis vetos em dois anos, todos com o objetivo de blindar o governo de Netanyahu de sanções ou condenações internacionais.

Na mais recente votação, em setembro, os EUA bloquearam uma resolução que exigia um cessar-fogo imediato, incondicional e permanente, além do fim das restrições à entrada de ajuda humanitária em Gaza. Os outros 14 membros do Conselho de Segurança votaram a favor, isolando completamente Washington.

A posição norte-americana expôs a contradição entre o discurso de “direitos humanos” e a prática de conivência com o massacre. Até mesmo uma declaração condenando ataques em Doha, capital do Catar, só foi aprovada após os EUA insistirem em retirar o nome de Israel do texto.

A ONU denuncia, mas o genocídio continua

Com o Conselho de Segurança paralisado pelos vetos dos Estados Unidos, a Assembleia Geral da ONU passou a refletir o clamor global pelo fim do genocídio. As resoluções, embora não vinculantes, têm mostrado o isolamento crescente de Israel e de seu protetor norte-americano.

A mais recente, aprovada com 149 votos favoráveis e apenas 12 contrários, exigiu um cessar-fogo permanente e acesso irrestrito à ajuda humanitária. Em votações anteriores, os números foram igualmente expressivos: 120 países em outubro de 2023, 153 em dezembro de 2023 e 158 em dezembro de 2024 — um movimento cada vez mais contundente contra a guerra.

A realidade das ruas de Gaza, marcada por cidades arrasadas, hospitais destruídos e milhares de crianças mortas, contrasta com o silêncio cúmplice das potências ocidentais que continuam a fornecer armas e apoio político a Israel. 

Cresce o reconhecimento do Estado palestino

Em meio à devastação, cresce o número de países que reconhecem a Palestina como Estado soberano. Rubio reconheceu que, “devido à duração e à condução desta guerra”, potências como França, Reino Unido, Austrália e Canadá romperam o alinhamento automático com Washington e passaram a apoiar formalmente o reconhecimento do Estado palestino.

Em julho, França e Arábia Saudita lideraram uma conferência na ONU para estabelecer um roteiro de dois Estados, retomada em setembro com uma nova cúpula. No mês passado, a Assembleia Geral aprovou por ampla maioria uma resolução que respalda “passos tangíveis, com prazos definidos e irreversíveis” rumo à criação de um Estado palestino.

Apesar disso, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste que “nunca permitirá um Estado palestino”, demonstrando total desprezo pela comunidade internacional. Seu governo, apoiado militar e politicamente por Washington, segue ampliando a ofensiva em Gaza e consolidando a ocupação de territórios palestinos.

A origem do conflito e a tragédia humanitária

O genocídio em Gaza começou em 7 de outubro de 2023, após um ataque do Hamas em território israelense que matou 1.200 pessoas, segundo dados de Israel. Desde então, a resposta israelense ultrapassou qualquer limite moral ou jurídico, com bombardeios indiscriminados e punição coletiva contra a população civil palestina.

Logo no início da guerra, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já alertava para a desproporção das ações israelenses. “O número de civis mortos mostra que há algo claramente errado nas operações militares de Israel”, afirmou. E acrescentou: “Não é do interesse de Israel ver todos os dias as imagens terríveis do sofrimento do povo palestino. Isso destrói o país diante da opinião pública global.”

Com dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e uma infraestrutura em ruínas, Gaza tornou-se o símbolo contemporâneo da barbárie e da impunidade internacional. Enquanto isso, Washington e Tel Aviv seguem isolados, enfrentando o julgamento da história.

EM TEMPO: Convém lembrar que o governo de Israel manda agredir militarmente um povo desarmado com a anuência do governo dos EUA. Mas, contra o Irã a guerra no instante acabou porquê Israel começou a "levar madeira". É assim que a música toca em qualquer lugar do mundo. Por isso as manifestações de rua são bastante importantes quando se quer pressionar o Congresso Brasileiro.