sábado, 15 de abril de 2023

Lula é recebido com esquadrilha da fumaça em Abu Dhabi e fala em parceria em inteligência artificial

 



ESTADÃO - História por Redação 

Lula chega ao Qasr Al Watan, o palácio presidencial de Abu Dhabi, acompanhado do emir Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Foto: Ricardo Stuckert/PR Foto: Ricardo Stuckert© Fornecido por Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Abu Dhabi na manhã deste sábado, 15 (horário de Brasília), para os compromissos do último dia de sua viagem oficial à Ásia. O petista se reuniu com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, no Palácio Presidencial, e membros da comitiva brasileira assinaram memorandos de entendimento (um documento que formaliza convergência e alinhamento de expectativas em acordos) com autoridades do país.

Na reunião com Al Nahyan, Lula lembrou que esta é a sua segunda visita ao país e agradeceu a recepção. O presidente destacou a “rica” parceria entre os países e falou em cooperação no comércio, esportes e inteligência artificial. “A parceria entre nossos países está amparada em ricas conexões nas mais diversas áreas, traduzida nos números expressivos do nosso comércio, na cooperação em esportes e em inteligência artificial”, disse.

A primeira visita do petista aos Emirados Árabes ocorreu em 2003. A segunda viagem oficial de autoridade brasileira ao país foi em 2021, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), assinou memorando de entendimento entre o Estado e a Refinaria de Mataripe, cujos ativos foram vendidos em 2021 para o Mubadala Capital, fundo financeiro de Abu Dhabi. A venda ocorreu durante a visita do ex-presidente Jair Bolsonaro aos Emirados Árabes naquele ano. Também foram assinados documentos de acordo sobre ação climática e para cooperação entre o Instituto Rio Branco, escola diplomática do Brasil, e a Academia Diplomática Dr. Anwar Gargash.

Lula foi recebido com uma apresentação da Al Fursan, a esquadrilha da fumaça da Força Aérea dos Emirados Árabes, que deixou rastro das cores verde, amarelo e azul sobre o Palácio Presidencial durante a chegada do petista. Em seguida, após a reunião com Al Nahyan, o presidente foi participou de um Iftar, refeição islâmica celebrada no pôr do sol. Um convite para esta ceia é sinal de prestígio na cultura islâmica, uma vez que ela encerra o jejum diário durante o mês do Ramadã.

 

Show de fumaça com as cores do Brasil nos arredores do palácio presidencial de Abu Dhabi para receber Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR Foto: Ricardo Stuckert/PR© Fornecido por Estadão.

China

Nesta sexta-feira, 14, o petista se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, para a assinatura de acordos bilaterais, no compromisso mais importante da viagem. Ao falar com jornalistas na saída, Lula disse ter conversado com Xi Jinping sobre a guerra na Ucrânia e defendeu a criação de um grupo de países dispostos a buscar a paz na região. Ele argumentou que os Estados Unidos e a Europeia também busquem a paz e parem de “incentivar” o conflito, por meio do fornecimento de armas.

Antes da assinatura de acordos na capital chinesa, Lula teve encontros com empresários dos setores de tecnologia, energia e infraestrutura. Uma das expectativas dessas conversas é atrair investimentos de empresas chinesas para o Brasil. O presidente também discursou na posse de Dilma Rousseff no Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco dos Brics, onde questionou o uso do dólar como moeda para a realização de negócios internacionais.

EM TEMPO: Esquadrilha da Fumaça sim, joias não. Ok, Moçada!

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Lula e Xi Jinping assinam 15 acordos bilaterais

 

Recepção ao presidente Lula no Palácio do Povo, em Pequim. Foto: Ricardo Stuckert/PR© Fornecido por Estadão











ESTADÃO - História por Altamiro Silva Junior 

ENVIADO ESPECIAL A PEQUIM - Lula e o presidente da China, Xi Jinping, assinaram 15 acordos bilaterais, nesta sexta-feira, 14. Entre os acordos está a criação de mecanismos para a facilitação do comércio entre os dois países, assim como para o desenvolvimento da pesquisa e da inovação. Há acordos envolvendo coprodução para televisão e cooperação entre agências de notícias públicas dos dois países. Há ainda acordos para certificações sanitárias e para a entrada de produtos animais. Os detalhes dos acordos serão divulgados posteriormente.

Durante o encontro é possível que ambos os presidentes tenham discutido a situação da guerra da Ucrânia - o Brasil tenta despontar, no cenário internacional, como uma nação que poderia ajudar a mediar uma solução entre Ucrânia e China.

Chegada ao Palácio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja Lula da Silva chegaram ao Grande Palácio do Povo em Pequim e receberam as boas-vindas do presidente chinês Xi Jinping. A recepção, a primeira parte do encontro entre os presidentes, aconteceu a céu aberto, na praça em frente ao palácio, ao lado da Praça da Paz Celestial na tarde desta sexta-feira, 14, na China.

Mais cedo

Mais cedo, o presidente se encontrou com o presidente da Assembleia Popular Nacional da China, o legislativo do país asiático, Zhao Leji, e defendeu a ampliação do fluxo de comércio entre os países, um maior equilíbrio da geopolítica mundial e a elevação do patamar da parceria entre Brasil e China. “Queremos elevar o patamar da parceria estratégica entre nossos países, ampliar fluxos de comércio e, junto com a China, equilibrar a geopolítica mundial”, afirmou. A reunião aconteceu no Grande Palácio do Povo, a sede do governo chinês, em Pequim.

A delegação brasileira, que chegou em Xangai na noite da quarta-feira, 12, é a primeira a visitar a China após a escolha da nova composição dos principais cargos do governo chinês, ocorrida nas sessões gêmeas da Assembleia Nacional Popular e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, no começo de março.

Dólar

A reunião com Xi Jinping ocorre no segundo dia da visita oficial de Lula à China. Na quinta-feira, 13, o presidente participou da cerimônia de posse de Dilma Rousseff no Novo Banco de Desenvolvimento. Na ocasião, ele criticou o uso exclusivo do dólar como moeda para lastrear negócios internacionais. “Por que não podemos fazer nosso comércio lastreado na nossa moeda? Por que não temos o compromisso de inovar? Quem é que decidiu que era o dólar a moeda?”, o petista questionou. 

A declaração repercutiu e especialistas ouvidos pelo Estadão disseram que há obstáculos para superar o monopólio americano. Tanto a moeda brasileira quanto a chinesa estão longe de conquistarem sustentação internacional, como defendeu o presidente. “Fica complicado para parceiros aceitarem a moeda da China. Não é um candidato efetivo para ocupar o lugar do dólar”, disse José Júlio Senna, chefe do centro de estudos monetários do FGV Ibre e ex-diretor do Banco Central.Ivan Lins

A recepção de Lula pelo presidente da China teve a banda do exército chinês tocando o Hino Nacional do Brasil e até a música “Novo Tempo”, famosa na voz do cantor Ivan Lins nos anos 1980. Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva foram recebidos por Xi Jinping e sua esposa Peng Lyuan e passaram em revista às tropas. A cerimônia durou cerca de 15 minutos.

Assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=r3v6d0YI6t8&t=950s

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Lula questiona dólar como moeda para negócios entre países e diz que banco dos Brics ‘liberta’


 


ESTADÃO - História por Altamiro Silva Junior 

Lula e Dilma durante posse da ex-presidente no banco dos Brics. Foto: Ricardo Stuckert© Fornecido por Estadão

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em seu primeiro discurso na China, o combate à pobreza e as reformas de organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional e afirmou que o Brasil “está de volta” ao cenário internacional após uma “inexplicável” ausência. Mas o presidente foi além, questionando o motivo pelo qual os países precisam do dólar para lastrear seus negócios. 

 “Toda noite me pergunto por que todos os países estão obrigados a fazer o seu comércio lastreado no dólar. Por que não podemos fazer nosso comércio lastreado na nossa moeda? Por que não temos o compromisso de inovar? Quem é que decidiu que era o dólar a moeda, depois que desapareceu o ouro como paridade”, questionou o presidente na cerimônia de posse de Dilma Rousseff para comandar o Novo Banco de Desenvolvimento, também chamado de Banco dos Brics – sigla formada por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Mais tarde, Lula ouviu que o presidente da China Communications Construction Company (CCCC), Wang Tog, estaria disposto a criar mecanismos de troca direta entre o yuan, a moeda chinesa, e o real. O acordo seria uma forma de facilitar transações financeiras entre os dois países. No Brasil, a CCCC investe em obras de infraestrutura, como a construção da ponte Salvador-Itaparica. Lula foi acompanhado na reunião por ministros, incluindo o da Fazenda, Fernando Haddad, e cinco governadores, entre eles o da Bahia, Jerônimo Rodrigues.

Banco transformador

Lula disse, ainda, que o Banco dos Brics “tem um grande potencial transformador”, pois “liberta os países emergentes da submissão às instituições financeiras tradicionais”.

Além dos quatro novos membros que ganhou no passado recente – Bangladesh, Egito, Emirados Árabes Unidos e Uruguai –, Lula disse que “vários outros” estão em vias de adesão. “E estou certo de que a chegada da presidenta Dilma contribuirá para esse processo”, afirmou.

O fato de uma mulher comandar “um banco global de tamanha envergadura” já é por si só “um fato extraordinário”, disse Lula. “Mas a importância histórica deste momento vai mais além”, emendou, falando que a ex-presidente do Brasil, que assume seu primeiro cargo público desde que sofreu um impeachment em 2016, pertence a uma geração que nos anos 70 lutou para “colocar em prática o sonho de um mundo melhor – e pagaram caro, muitos deles com a própria vida”.

“As necessidades de financiamento não atendidas dos países em desenvolvimento eram e continuam enormes”, disse Lula, defendendo “reformas efetivas” das instituições financeiras tradicionais, como uma forma de aumentar os volumes e as modalidades de empréstimos.

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Ao falar das reformas nos organismos multilaterais, Lula citou a Organização das Nações Unidas (ONU), além do FMI, Banco Mundial e cobrou que os países emergentes utilizem “de maneira criativa” o G-20, o grupo dos países mais ricos do mundo, com “o objetivo de reforçar os temas prioritários para o mundo em desenvolvimento na agenda internacional”. Em 2024, o Brasil será o presidente do G20.

Ainda sobre o Novo Banco de Desenvolvimento, Lula disse que a instituição tem “um grande potencial transformador” pois liberta os países emergentes “da submissão às instituições financeiras tradicionais, que pretendem nos governar, sem que tenham mandato para isso.”

No Brasil, os recursos do Banco dos Brics financiam projetos de infraestrutura, programas de apoio à renda, mobilidade sustentável, adaptação à mudança climática, saneamento básico e energias renováveis, mencionou Lula em seu discurso.

Sete anos depois

Dilma voltou a ocupar um cargo público sete anos depois de ter sido afastada da Presidência em contexto político de perda de governabilidade do Executivo. A ex-presidente teve o impeachment aprovado pela Câmara e pelo Senado em um processo legal tendo como justificativa crime de responsabilidade pela prática das chamadas “pedaladas fiscais” (atrasos de pagamentos a bancos públicos) e pela edição de decretos de abertura de crédito sem a autorização do Congresso. Na esteira da turbulência política, a gestão Dilma no Planalto resultou numa grave crise econômica, com queda no PIB e desemprego em alta.

Sabatinada pelas autoridades estrangeiras e eleita mês passado para comandar a instituição, Dilma foi candidata única, escolhida por Lula. O mandato dela vai até julho de 2025. Ela substituiu o diplomata e economista Marcos Troyjo, que era da equipe de Paulo Guedes. A ex-presidente deve ganhar cerca de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) por ano à frente da instituição, equivalente ao valor pago pelo Banco Mundial.

O banco dos Brics foi criado após reunião de cúpula dos chefes de Estado, realizada em Fortaleza, em 2014, durante o mandato de Dilma como presidente. Uma das intenções era ampliar fontes de empréstimos e fazer um contraponto ao sistema financeiro e instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Atualmente, a carteira de investimentos é da ordem de US$ 33 bilhões

terça-feira, 11 de abril de 2023

O encontro histórico de Lula e Xi é crucial para o desenvolvimento e a paz mundial, aponta Global Times, em editorial

Xi Jinping e Lula (Foto: REUTERS/Tingshu Wang | Ricardo Stuckert)

12 de abril de 2023





"As relações China-Brasil ultrapassaram o âmbito bilateral e têm importante influência global", aponta o jornal chinês

Editorial do Global Times – O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, "um velho amigo do povo chinês", inicia sua visita de Estado à China na quarta-feira. Esta é a quinta visita de Lula à China, sua primeira visita a um país fora das Américas desde que assumiu o cargo de presidente em janeiro e sua viagem mais rápida à China como presidente brasileiro. A parte brasileira tem grandes expectativas para a visita de Lula, afirmando que será uma visita de Estado de "importância econômica, comercial e política". 

Também há expectativas generalizadas de que as relações China-Brasil entrarão em uma nova fase de "estreitas relações políticas e econômicas". Sob a liderança estratégica dos dois chefes de estado, China e Brasil, lado a lado, mostrarão ao mundo um modelo de cooperação Sul-Sul em profundidade.

A opinião pública em geral aponta duas características marcantes da viagem de Lula à China desta vez. A primeira característica é que a equipe que acompanha Lula é impressionante. A nível oficial, esta visita inclui altos funcionários de vários departamentos importantes. O número de congressistas brasileiros visitantes aumentou de, inicialmente, 27 para 39, e o presidente do Senado brasileiro também virá à China. Na ecologia política da América Latina, essa "unanimidade política" é rara. No plano empresarial, apesar de uma megadelegação formada por mais de 200 empresários, mais empresas ainda esperam ingressar no grupo e centenas de representantes empresariais já "afluíram à China" antes da visita de Lula. 

Tudo isso mostra que o Brasil, da arena política à sociedade, tem uma expectativa ardente para o desenvolvimento das relações China-Brasil. Em segundo lugar, a visita de Lula à China foi adiada anteriormente devido ao estado de saúde do presidente. Logo após a recuperação, Lula viaja para a China com a agenda lotada. Pode-se dizer que ele vem à China com total sinceridade, o que também prenuncia que os resultados da cooperação entre os dois países serão abrangentes em múltiplas áreas.

Como os dois maiores países em desenvolvimento nos hemisférios oriental e ocidental, China e Brasil claramente compartilham interesses comuns além do alto grau de complementaridade nos campos econômico e comercial. Ambos os países enfrentam a pesada responsabilidade do desenvolvimento econômico e social, e o Brasil, em diversas ocasiões, expressou seu desejo de aprender com a China em áreas como a redução da pobreza. Ao fortalecer o alinhamento e a coordenação estratégica, China e Brasil promoverão conjuntamente o processo histórico de modernização dos países em desenvolvimento em suas respectivas trajetórias.

Ao mesmo tempo, ambos os países são membros importantes de organizações e mecanismos como as Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio e os BRICS. A estreita comunicação e coordenação entre os dois países ajudará a salvaguardar os interesses gerais dos países em desenvolvimento e a promover o desenvolvimento da ordem internacional em direção a maior equidade, justiça e racionalidade. Nesse sentido, as relações China-Brasil ultrapassaram o âmbito bilateral e têm importante influência global.Descrição: .

O Brasil tem uma população de mais de 200 milhões e é um "grande player" entre os países latino-americanos, além de uma importante potência econômica emergente. Após sua terceira posse como presidente do Brasil, Lula prometeu "tornar o Brasil um jogador global" e mostrou grande ambição como uma grande potência. A China apoia fortemente isso e esperamos sinceramente que o Brasil, como líder entre os países em desenvolvimento, desempenhe um papel mais construtivo na comunidade internacional.

Muitos meios de comunicação ocidentais e a opinião pública, ao discutir a grande estratégia do Brasil, sempre se concentram em se deve "inclinar para" os EUA ou a China. Essa discussão em si é extremamente desrespeitosa com o Brasil e está cheia de atitudes hegemônicas míopes e tacanhas. A China também é vítima do hegemonismo e nunca aponta o dedo para os assuntos internos e externos do Brasil. Além disso, acreditamos que os próprios brasileiros são os que melhor sabem onde estão seus interesses.

Clube da Paz

Vale notar que o mundo exterior tem prestado muita atenção se Lula vai discutir a crise na Ucrânia com a China durante sua visita. Antes de se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, Lula propôs um plano de paz chamado "Clube da Paz", que sugeria a formação de uma organização multilateral incluindo países como China e Índia para mediar conflitos e pedia respeito ao papel de destaque da China na salvaguarda da segurança mundial paz e mediação de conflitos internacionais. Embora os EUA tenham reagido com frieza, a comunidade internacional tem grandes expectativas de que China e Brasil trabalhem juntos para promover negociações de paz. Antes de sua visita, Lula reiterou que discutiria a possibilidade de encerrar a crise na Ucrânia por meio do diálogo com a China.

De fato, nem a China nem o Brasil fazem parte do conflito Rússia-Ucrânia. No entanto, ambos os países têm opiniões semelhantes sobre a necessidade de negociações de paz, o que mostra que, embora o Ocidente ainda esteja atiçando as chamas, a voz das forças de paz da comunidade internacional está crescendo.

O povo chinês gosta do Brasil, um país apaixonante e animado, e recebe bem a visita do presidente Lula. Anteriormente, a China havia expressado sua expectativa para a visita de Lula com algumas "novidades": abrir novas perspectivas nas relações China-Brasil na nova era no nível de chefes de estado, levar a parceria estratégica abrangente a um novo patamar e fazer novas contribuições para a estabilidade e prosperidade regional e global. Esperamos que, com base no comércio bilateral tradicional e na cooperação multilateral, a amizade entre a China e o Brasil possa florescer ainda mais em um novo estágio histórico, brilhando à luz do aprendizado mútuo entre as civilizações e trazendo novas inspirações para o desenvolvimento da sociedade humana.

domingo, 9 de abril de 2023

Com salário mínimo, políticas públicas e cultura, governo Lula avançou na reconstrução social

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)


Juros, reforma tributária e “arcabouço fiscal” são pedras no caminho do crescimento

9 de abril de 2023


RBA - “A cultura toma posse” era o tema quando a cantora Margareth Menezes assumiu o Ministério da Cultura, no segundo dia de janeiro. A cerimônia marcava a volta do Minc, reduzido a secretaria no governo anterior, marcado mais por arroubos conservadores do que por políticas efetivas. 

“O desmonte não trouxe só consequências econômicas, mas também muita dor”, disse Margareth. A questão cultural, que busca descentralizar o acesso, soma-se a iniciativas ligadas à área social, na saúde e nos direitos humanos, que tiveram protagonismo nos 100 primeiros dias de governo. Já a área fiscal segue como desafio a atravessar, até para garantir sequência nas ações.

 Também nos primeiros 100 dias de governo Lula, um assunto se impunha: a política de valorização do salário mínimo, efetivada justamente em seu primeiro mandato, a partir de uma demanda das centrais sindicais. Virou lei, foi interrompida nas gestão anterior e agora está sendo reimplementada. Na última terça-feira (4), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, recebeu – novamente das centrais – documento com elaboração do Dieese propondo reajustes contínuos do piso nacional, acima da inflação, pelas próximas décadas.

 “É um dia muito especial, que marca a retomada do que nunca deveria ter sido interrompido, o diálogo com a classe trabalhadora de uma pauta tão crucial como o reajuste do salário mínimo”, destacou o presidente da CUT, Sérgio Nobre. O diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Jr., observa que a proposta prevê meta de crescimento do salário mínimo a longo prazo, “que pode e deve ser revista a cada 10 anos”. Em torno de 60 milhões de pessoas têm o salário mínimo como referência. Assim, trata-se principalmente de uma política de redistribuição de renda. 

Áreas de pobreza

 A retomada, com incrementos, do Mais Médicos, dá um passo também na direção da população mais pobre. O governo espera ter até o final do ano 28 mil profissionais pelo país, em especial nas áreas de pobreza extrema. “Com isso, mais de 96 milhões de brasileiros terão a garantia de atendimento médico na atenção primária, porta de entrada do SUS”, afirma o Ministério da Saúde. Para a ministra Nísia Trindade, o programa “voltou para responder ao desafio da presença de médicos nos municípios mais distantes dos grandes centros e nas periferias das cidades”.

 Depois de um governo que deixou como marcas declarações contrárias à ciência e até de desprezo às vítimas, a atual gestão reforçou a campanha de vacinação contra a covid. Apesar de menos intensa e letal, a pandemia continua fazendo vítimas. Com isso, em 28 de março o país atingiu o triste número de 700 mil mortes desde seu início, em 2020. Segundo a pasta da Saúde, em torno de 7 milhões de doses bivalentes já foram aplicadas.

 Na linha do fortalecimento do SUS, o governo estuda medidas para estimular a produção industrial interna e, assim, reduzir a dependência do Brasil. “A expectativa é que, em até dez anos, 70% das necessidades do SUS em medicamentos, equipamentos, vacinas e outros materiais médicos passem a ser produzidos no país”, informa o Ministério da Saúde. “A maior autonomia do Brasil é fundamental para reduzir a vulnerabilidade do SUS e assegurar o acesso universal à saúde.”

Memória e violações

 No campo dos direitos humanos, talvez a mais esvaziada na gestão anterior, o ministro Silvio Almeida tomou posse com discurso de impacto, a respeito das históricas violações cometidas no Brasil. Esse tom se manteve no último dia 2, quando o recriado Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) encerrou a chamada Semana do Nunca Mais, com atividades relacionadas à memória do golpe de 1964, como a terceira edição da Caminhada do Silêncio, no parque do Ibirapuera, em São Paulo.

 Para ele, essas violações, comuns em 1964, estão ligadas a outros eventos históricos mundiais – fascismo e nazismo, por exemplo –, além das ditaduras na América Latina. “São resultado de um processo histórico que faz parte da mesma linha de continuidade. As técnicas de tortura e violência têm relação direta que faz com que a escravidão, o nazifascismo e as ditaduras estejam interligadas”, afirmou o ministro. “Quando falamos dos jovens que morrem nas periferias do Brasil inteiro pela violência policial, estamos no presente. Estamos falando, portanto, de um passado que não passou”, acrescentou.

 Entre outras ações pró-memória, o MDHC recuperou a Comissão de Anistia, desfigurada pelo governo anterior, defensor da ditadura. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos também deverá retornar. No primeiro trimestre, o Disque 100 recebeu 121 mil denúncias de violações de direitos humanos. Crianças e adolescentes, mulheres, pessoas idosas e com deficiência, população LGBTQIA+, pessoas em restrição de liberdade e em situação de rua estão entre as vítimas. Uma novidade é a participação de caminhoneiros em parceria no combate à violência sexual sofrida por crianças e adolescentes.

Políticas para mulheres

 Já o Ministério das Mulheres anunciou, no 8 de março, uma série de medidas – enfrentamento à violência, equiparação econômica e saúde, entre outras. Posteriormente, o governo sancionou três leis para ampliar a proteção e o combate a violência. A Lei 14.541, por exemplo, trata de criação e funcionamento ininterrupto de delegacias especializadas.

 Outras ações ainda a caminho, como a correção da tabela do Imposto de Renda. A meta anunciada em campanha é garantir isenção para aqueles que ganham até R$ 5 mil, mas esse valor deverá ser atingido gradualmente. De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), quase 29 milhões de pessoas ficariam isentas com a correção integral pela inflação. A tabela não é corrigida desde 2015.

Prata e bronze

 Por ora, os entraves se concentram nas áreas tributária e fiscal. Em audiência recente na Câmara, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, declarou que a reforma tributária é a verdadeira “bala de prata” do governo na área econômica.

 Para ela, seria ainda mais importante que o chamado arcabouço fiscal (a “bala de bronze”), que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já apresentou ao Congresso. O que se choca com outra áreas sensível: a política monetária, que já levou a um princípio de “guerra” com o Banco Central. Segundo Haddad, as novas regras fiscais, mais que permitir, vão “exigir” queda dos juros. “Se as contas estão em ordem, não tem por que pagar um juro tão alto”, afirma o ministro. O Senado marcou para o próximo dia 27 um debate entre ele e o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

terça-feira, 4 de abril de 2023

Governo Lula tenta reverter acordo firmado por Bolsonaro que ameaça o SUS e a indústria nacional de medicamentos.

Sistema Único de Saúde, Farmácia Popular e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Divulgação | Ricardo Stuckert)







Acordo celebrado em 2019 abre o mercado de compras governamentais de insumos médicos e remédios a empresas da União Europeia e ameaça as políticas públicas necessárias ao SUS

4 de abril de 2023

247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para reverter um acordo assinado por Jair Bolsonaro que prevê a abertura do mercado de compras governamentais de insumos médicos e remédios a empresas da União Europeia, o que ameaça a indústria nacional e o abastecimento local destes itens junto ao  Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, o novo governo quer rever o texto e garantir que a indústria nacional possa ser fortalecida.

Segundo a coluna do jornalista Jamil Chade, no UOL, “o tratado colocado em questão faz parte do entendimento entre o Mercosul e a União Europeia, assinado entre os dois blocos em 2019. O processo vive um impasse e o acordo jamais entrou em vigor. Mas fontes dentro do governo revelam que, na pressa para fechar o entendimento, Brasília cedeu em pontos considerados estratégicos para a indústria nacional de remédios”. 

Segundo a reportagem, as exceções criadas durante as negociações para proteger setores da indústria nacional foram consideradas insuficientes pelo governo Lula e colocam sob ameaça as políticas públicas necessárias ao SUS. 

Nesta linha, o presidente Lula anunciou a retomada de projetos e programas, criados em 2008 e abandonados pelo governo Bolsonaro, com o objetivo de fazer com que até 70% dos medicamentos, equipamentos e vacinas que abasteçam o SUS sejam produzidos no Brasil em um prazo máximo de dez anos. 

Descrição: .O Brasil importa atualmente cerca de 90% de todos os insumos necessários à produção de vacinas e medicamentos e o déficit comercial do setor de Saúde chega a US$ 20 bilhões, atrás apenas do setor de eletrônicos.

O jogo político do MPF em torno do caso PCC-Moro, por Luis Nassif


De política em política, vai sendo jogado o jogo da Lava Jato, enquanto a mídia repercute desconfianças de Lula sobre a operação PCC

Luis Nassifjornalggn@gmail.com

Publicado em 4 de abril de 2023

Reprodução Redes Sociais

Tem uma investigação sobre o PCC conduzida pelo Ministério Público Estadual de São Paulo. De repente, não mais que de repente, aparece um delator anônimo e diz que o PCC pretende sequestrar o senador Sérgio Moro.

Imediatamente o processo é transferido para a Justiça Federal do Paraná, embora o senador tenha o apoio da polícia do Senado e sua esposa o apoio da polícia da Câmara.

Aí o caso cai com um juiz que, nomeado desembargador, passa o caso para a substituta. Um dia antes da decisão, a substituta tira férias e passa o caso para a juíza Gabriela Hardt, estreitamente ligada a Sérgio Moro. Bota o fogo no parquinho e dias depois tira merecidas férias em um cruzeiro organizador pela própria Hardt, Diretora Social e Cultural do APJUFE.



 

O caso é analisado por um procurador independente que opina pela transferência do caso para São Paulo novamente, já que não tinha havido a consumação do crime. O caso vai para o Conselho Nacional do Ministério Público e cai nas mãos de Luiza Frischeisen, que liderou a última lista tríplice, uma competente procuradora, mas que sempre demonstrou uma aliança indissolúvel com a Lava Jato.

 






E assim, de política em política, vai sendo jogado o jogo do que restou da Lava Jato, enquanto a mídia repercute por dias as desconfianças de Lula sobre a operação PCC – e não tem tempo de investigar coincidências.