terça-feira, 6 de abril de 2021

Aos 23 anos, jovem é vacinada nos EUA antes do pai que tem 62 anos e mora no Brasil

 

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Rede TV!

 

Ariela Prado foi vacinada em Springville, Estados Unidos e seu pai que é do grupo de risco, morador de Sorocaba (SP) ainda não recebeu a primeira dose.


Uma jovem brasileira foi vacinada em Springville, nos Estados Unidos e, seu pai, que é do grupo de risco e morador de Sorocaba, em São Paulo, ainda não recebeu a primeira dose. A informação foi apurada pelo Portal G1 e confirmada pela Redação RedeTV.

Ariela Momesso Espelho Prado tem 23 anos, mora no país norte-americano desde 2017 com seu marido e duas filhas. Ela recebeu a primeira dose da Pfizer em 28 de março, seu marido, também de 23 anos, foi vacinado no dia seguinte.

De acordo com o G1, Ariela expressa felicidade ao ser vacinada, porém a preocupação continua, já que seus pais ainda não foram vacinados no Brasil. Antônio Carlos Mayoral Momesso, de 62 anos, é o pai da jovem e morador de Sorocaba. Ele faz parte do grupo de risco, já que tem hipertensão e já sofreu dois AVCs, entretanto, a cidade ainda não não tem previsão para iniciar a vacinação contra o Coronavírus para pessoas com 62 anos de idade.

Ainda segundo o portal de notícias, Ariela pretendia retornar ao Brasil para visitar a sua família e mostrar a sua filha que nasceu recentemente, mas com a situação da pandemia, está adiando cada vez mais a viagem. Agora vacinada, a jovem tem mais esperanças de ver a família.

EM TEMPO: Enquanto isso no Brasil .............

Fome explode no Brasil: Pela 1ª vez em 17 anos, mais da metade da população não tem garantia de comida na mesa

 

Foto: Buda Mendes/Getty Images

EXTRA - Cássia Almeida

ter., 6 de abril de 2021



A pandemia deixou 19 milhões com fome em 2020, atingindo 9% da população brasileira, a maior taxa desde 2004, há 17 anos, quando essa parcela tinha alcançado 9,5% 



 Mais de 116 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar no Brasil

Crise social agravada pela pandemia deixou 19 milhões com fome durante o ano de 2020

A incidência da fome é maior nas casas chefiadas por mulheres e por negros

Pela primeira vez em 17 anos, mais da metade da população não teve certeza se haveria comida suficiente em casa no dia seguinte, teve que diminuir a qualidade e a quantidade do consumo de alimentos e até passou fomeSão 116,8 milhões de pessoas nessa situação de insegurança alimentar no Brasil, de acordo com pesquisa divulgada na segunda-feira pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), que reúne pesquisadores e professores ligados à segurança alimentar.

A pandemia deixou 19 milhões com fome em 2020, atingindo 9% da população brasileira, a maior taxa desde 2004, há 17 anos, quando essa parcela tinha alcançado 9,5%. E quase o dobro do que havia em 2018, quando o IBGE identificou 10,3 milhões de brasileiros nessa situação.

“A pesquisa revela um processo de intensa aceleração da fome, com um crescimento que passa a ser de 27,6% ao ano entre 2018 e 2020. Entre 2013 e 2018, o aumento era de 8% ao ano. Chegamos ao final de 2020 com 19 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, mas podemos supor que agora no primeiro trimestre deste ano a situação já piorou ainda mais. É urgente conter essa escalada. Não se pode naturalizar essa questão como uma fatalidade sobre a qual não se pode intervir”, destaca Francisco Menezes, analista de Políticas e Programas da ActionAid.  

Quem é mais afetado pela alta da fome?

Vacinados podem adoecer de Covid-19? Saiba o porquê

 

EXTRA - Raphaela Ramos

Pessoas vacinadas podem adoecer de Covid-19? A dúvida ressurgiu após morte de Agnaldo Timóteo, no sábado (2): já vacinado, o cantor foi vítima de complicações da doença. Especialistas afirmam que o risco existe e pode ser explicado por diferentes fatores.

No caso de Timóteo, os médicos acreditam que ele tenha sido infectado pelo coronavírus durante o intervalo entre a primeira e a segunda dose do imunizante. Segundo a família afirmou à GloboNews, ele foi internado três dias depois de receber a segunda injeção.

A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, explica que antes de receber a segunda dose do imunizante o cantor estava, em teoria, parcialmente ou muito pouco protegido.

Richtmann afirma que uma pessoa é considerada protegida apenas duas ou três semanas após receber o número de doses recomendadas (duas, no caso da CoronaVac e da vacina de Oxford/AstraZeneca, atualmente utilizadas no Brasil). Esse período é necessário para que a resposta imune seja gerada.

— A vacina aplica um antígeno que vai induzir o sistema imune à produção de anticorpos, que podem ser aleatórios ou que vão neutralizar o vírus em questão. Para ter produção de anticorpos neutralizantes em quantidade suficiente para se proteger demora um tempo. A segunda dose estimula de novo o sistema imune, de forma até mais eficaz, e duas semanas é o tempo médio para que possa atingir uma quantidade melhor de proteção — explica a infectologista, membro do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Mas mesmo aqueles que já estão adequadamente vacinados ainda podem ser infectados. Isso acontece pois nenhuma vacina é 100% eficaz, seja na prevenção de doença ou de formas graves, explica Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações.

— Vamos ver com muito mais frequência indivíduos que tiveram Covid após tomar só a primeira dose, ou antes de completar duas semanas após a segunda. Mas mesmo entre os que receberam duas doses e passou esse tempo, ainda é possível adoecer. O que se espera é que a grande maioria dos casos sejam leves, mas vão ter indivíduos que não vão responder à vacina e podem desenvolver uma doença tão grave quanto se não tivessem sido vacinados. É uma minoria — afirma Kfouri.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

MP entra com representação no TCU contra férias de R$ 2,4 milhões de Bolsonaro


PODER 360º - Guilherme Waltenberg

 

O subprocurador-geral da República junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), Lucas Furtado, entrou com representação na Corte na qual pede apuração dos gastos de R$ 2.452.586,11 do presidente Jair Bolsonaro ao longo de suas férias, de 18 de dezembro a 5 de janeiro.

Furtado descreve a quantia como “assombrosa” e pede que as despesas sejam detalhadas. O Poder360 mostrou que foram gastos R$ 1.053.889,50 com deslocamento, R$ 202.538,21 com seguranças e outros R$ 1.196.158,40 no cartão corporativo, cujo extrato é sigiloso. “O tribunal, no cumprimento de suas competências constitucionais de controle externo de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da Administração Pública federal, decida pela adoção das medidas necessárias  a conhecer e avaliar a natureza e a composição das despesas”, escreveu o subprocurador-geral no documento.

“Em pleno auge da pandemia, onde o número de casos de doentes e de mortes sobressaltam a população diariamente, e, ao mesmo tempo, o número de famílias desassistidas cresce de forma assustadora […], causou-me indignação a notícia de que o Presidente Jair Bolsonaro, em férias ocorridas entre 18/12/2020 e 5/1/2020, tenha gasto o exorbitante montante de R$ 2.452.586,11 em menos de 20 dias”, prosseguiu.

Férias

As férias do presidente Jair Bolsonaro em Santa Catarina e Guarujá, de 18 de dezembro de 2020 a 5 de janeiro deste ano, custaram aos cofres públicos R$2.452.586,11. Os dados foram levantados pelo deputado federal Elias Vaz (PSB), que divulgou os números na 5ª feira (1º.abr.2021). Os valores foram obtidos após o congressista enviar à Secretaria Geral da Presidência da República e ao Gabinete de Segurança Institucional requerimentos de informação. 

Os dados foram encaminhados ao congressista quase 3 meses depois. O ofício n° 57/2021/SE/GSI/GSI/PR, do Gabinete de Segurança Institucional, estima o custo R$ 1.053.889,50 com manutenção e combustível dos aviões. Esse tipo de gasto é computado em dólares, que somaram U$ 185 mil. A conversão foi feita pela equipe do deputado. Estão inclusos nessa rubrica a locomoção terrestre, aquática e aérea do presidente, da sua família, de convidados e da equipe de profissionais que os acompanhou. Já o gasto com diárias da equipe de segurança ficou em R$202.538,21.

EM TEMPO: 

1Quem se habilita a levar Bozo para passar as próximas férias na sua casa, especialmente se for de campo?;    

2 - A questão é que  o Presidente provocou aglomeração social, podendo espalhar o vírus COVID 19


domingo, 4 de abril de 2021

'Contagem regressiva para catástrofe da covid': a repercussão da crise política e de saúde do Brasil na imprensa internacional

BBC NEWS

© BBC Jornais de todo o mundo chamaram atenção para troca de comando nas Forças Armadas, além de noticiar descontrole da pandemia de covid

Na semana em que atingiu mais um recorde de mortes por covid-19 e enfrentou uma crise política sem precedentes, o Brasil ganhou destaque em publicações estrangeiras.

Dessa vez, além de voltar a noticiar o descontrole da pandemia do novo coronavírus, jornais de todo o mundo chamaram atenção para a troca de comando nas Forças Armadas. "Bolsonaro não conseguiu impedir a covid-19. Agora, pode estar mirando a democracia" foi o título do artigo de opinião publicado pelo jornal americano Washington Post.

Em meio a "um dos piores picos de infecções por covid-19 que o mundo já viu", disse o diário, "não há fim para a onda à vista: graças à impressionante incompetência do presidente Jair Bolsonaro e seu governo, apenas 2% dos brasileiros foram totalmente vacinados e as medidas de lockdown necessárias para frear novas infecções, incluindo de uma variante virulenta que surgiu no país, são praticamente inexistentes".

"Em vez de lutar contra o coronavírus, Bolsonaro parece estar preparando as bases para outro desastre: um golpe político contra os legisladores e eleitores que poderiam removê-lo do cargo", afirmou o Washington PostSegundo o jornal, há "motivos para preocupação", "embora as instituições democráticas do Brasil sejam relativamente fortes após mais de três décadas de consolidação".

Editorial do Washington Post detona Bolsonaro

 

Texto extraído do Blog do  Magno Martins

Com edição de Ítala Alves

O jornal norte-americano The Washington Post publicou um editorial, ontem, afirmando que o presidente Jair Bolsonaro pode estar “mirando a democracia” e preparando um golpe político contra “os legisladores e eleitores que poderiam removê-lo do cargo”. As informações são do Poder 360.

O periódico afirmou que as democracias dos Estados Unidos e da América Latina devem “deixar claro” que uma interrupção da democracia seria intolerável. O texto fala que o Congresso pode propor o impeachment de Bolsonaro “por sua péssima gestão da pandemia, incluindo minimizar sua gravidade, resistir às medidas de saúde pública e promover curas charlatanescas”.

"O presidente brasileiro já contribuiu muito para o agravamento da pandemia covid-19 em seu próprio país e, por meio da disseminação da variante brasileira, pelo mundo. Ele não deve ter permissão para destruir uma das maiores democracias do mundo também.” O jornal disse que “não há fim à vista” para a onda de mortes e infecções pela covid no Brasil, graças à “impressionante incompetência do presidente Jair Bolsonaro e seu governo”.

A publicação comentou a saída do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e a renúncia dos comandantes militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Citou também a mudança do general Braga Netto do comando da Casa Civil para a Defesa, e a escolha do secretário de segurança pública do Distrito Federal, Anderson Torres, para o Ministério da Justiça. O editorial afirma que as medidas fizeram com que seis “prováveis candidatos presidenciais emitissem uma declaração conjunta alertando que ‘a democracia do Brasil está ameaçada'”.

“Bolsonaro expressou abertamente sua admiração pela ditadura militar que governou o país nas décadas de 1960 e 1970. Admirador de Donald Trump, ele adotou a tática do ex-presidente dos EUA de alertar sobre fraude nas próximas eleições e exigir que os sistemas de votação eletrônica sejam substituídos por cédulas de papel. Ele apoiou as alegações de Trump sobre fraude eleitoral, e seu filho, um legislador que visitou Washington, D.C., na véspera de 6 de janeiro, expressou consternação com o ataque ao Capitólio que não teve sucesso”.

“Bolsonaro está mais isolado que nunca”, afirma Financial Times em editorial

 

© Sérgio Lima/Poder360

Poder360

 

Em editorial (para assinantes) publicado no sábado (3.abr.2021), o jornal britânico Financial Times afirma que o presidente Jair Bolsonaro “está mais isolado do que nunca”, citando a pandemia e a crise entre o mandatário e os chefes das Forças Armadas, que pediram demissão nesta semana.

 

 

O título do texto é “O pesadelo de coronavírus do Brasil: ‘Bolsonaro está mais isolado do que nunca’“. O jornal escreve que “a mudança aprofundou a crise política sobre a oposição teimosa de Bolsonaro aos bloqueios e as ameaças do ex-capitão do Exército de usar os militares contra as autoridades locais que tentaram impô-lo”, Além da questão com os militares, a publicação também diz que “as Forças Armadas não são a única instituição que perde a paciência com o Bolsonaro”.

Cita então a carta aberta assinada por mais de 500 empresários, banqueiros, economistas e ex-ministros exigindo coordenação nacional das medidas contra a pandemia no Brasil. “Centenas de líderes empresariais proeminentes”, classifica o jornal. O texto critica a conduta do mandatário na pandemia. “Um dos maiores céticos do coronavírus do mundo, Bolsonaro recusou-se a usar máscara durante a maior parte do ano passado, criticou as vacinações e classificou a pandemia como ‘uma gripezinha’. Ele agora está lutando para manter seu governo unido e suas esperanças de reeleição vivas em meio a alguns dos piores números da covid-19 do mundo”.

Sobre as eleições de 2022, o jornal cita um Bolsonaro enfraquecido e a volta da elegibilidade do ex-presidente Lula: “Com o retorno do ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva à política depois que sua condenação por corrupção foi anulada, Bolsonaro não é mais o favorito nas eleições do próximo ano”. Quem afirma que “Bolsonaro está mais isolado do que nunca”,  frase usada no título do editorial, é o diretor-gerente da consultoria Teneo, Mario Marconini. Ele fala sobre a relação do mandatário com o Legislativo em meio ao agravamento da pandemia no país.

“À medida que a pandemia inevitavelmente piora, haverá outro acerto de contas pelo Congresso em um futuro não muito distante para ver se ele se tornou mais descartável do que é agora”, diz o consultor.

sábado, 3 de abril de 2021

Últimos presidentes que entraram em conflito com as Forças Armadas foram depostos, diz historiadora

 

BBC NEWS

© Reuters Bolsonaro enfrenta uma crise militar e política em seu governo 

Os últimos presidentes civis brasileiros que entraram em conflito com as Forças Armadas acabaram depostos.

A historiadora e cientista política Heloísa Starling recorda destes episódios ao comentar à BBC News Brasil sobre as demissões do agora ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva e dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Para dois de seus antecessores — Getúlio Vargas e João Goulart —, o embate com os militares acabou mal.

Mas existe uma diferença importante. "Em 64, não tinha o silêncio que vemos hoje na sociedade e nos quartéis", diz a pesquisadora.

"Não tem hoje um general da ativa falando que precisa de uma intervenção. Não existe uma mobilização social a favor disso. Tem apoio de uma fatia da sociedade, mas ela não é expressiva o suficiente para criar um ambiente favorável para um golpe."

Ditadura e golpismo nunca mais!

 

Diante de uma descomunal crise sanitária que já ceifou mais de 300 mil vidas no Brasil, que colocou em colapso o sistema de Saúde, agravando para a classe trabalhadora os efeitos perversos da profunda crise econômica que, além das altas taxas de desemprego, trouxe à tona o flagelo da carestia, da miséria e da fome, o governo genocida de Jair Bolsonaro, mais uma vez, alardeia sua intenção golpista com a comemoração do aniversário do golpe empresarial-militar de 1964, que impôs uma ditadura sangrenta de 21 anos no país.

Em clara queda nos índices de aprovação, perdendo apoio de diversos setores da sociedade, Bolsonaro mantém a mesma postura arrivista em relação às conquistas democráticas e ao flerte com o golpismo, visando manter sua base ideológica reacionária. Ao mesmo tempo, busca desviar a atenção da população para a gravidade das consequências de uma gestão deliberadamente irresponsável e assassina, que fez do negacionismo, das fake news e de ameaças golpistas a única estratégia de governo para lidar com o agravamento da crise.

A recente autorização do Tribunal Regional Federal da 5º Região para que o Governo Federal possa “comemorar” o Golpe de 1964 é não só um acinte à luta histórica de todos aqueles e aquelas que combateram a ditadura, mas um desrespeito às vítimas e familiares atingidos pelas barbaridades promovidas pelos agentes policiais. Além disso, trata-se de uma evidente provocação e estímulo a manifestações golpistas e protofascistas, no contexto atual de instabilidade política vivida pelo governo.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

David Miranda pede que PGR e TCU investiguem gastos de Bolsonaro durante suas férias

MÔNICA BERGAMO

sex., 2 de abril de 2021

 

*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, 25.01.2019 - Entrevista com o vereador carioca David Miranda (PSOL-RJ). (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) ofícios solicitando investigação e auditoria, respectivamente, dos gastos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante suas férias.

Nesta semana, o governo federal informou que foram gastos R$ 2,3 milhões de recursos públicos nas viagens de férias de Bolsonaro às praias de São Francisco do Sul (SC) e Guarujá (SP) entre os dias 18 de dezembro de 2020 e 5 de janeiro deste ano, em meio ao agravamento da pandemia. Os valores foram enviados pelo general Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência), e pelo ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria Geral da Presidência, em resposta ao pedido de informação formulado pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO).

"Os gastos de recursos públicos acima, num olhar rápido, são meros exemplos da violação de diversos princípios constitucionais, tais como o princípio da economicidade e o da moralidade administrativa", afirma o parlamentar do PSOL. Miranda, que qualifica as férias do presidente como "extravagantes", ainda cita o descompasso entre os gastos do governo federal em relação às desigualdades sociais acentuadas com a crise da Covid-19 e o aumento do desemprego no país.

Lula diz que poderá ser candidato a presidente, em TV portuguesa

Poder360

© Reprodução O ex-presidente Lula deu uma entrevista ao canal português RTP e disse que poderá ser candidato em 2022

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que pode ser candidato a presidente em 2022. A declaração foi feita nesta 6ª feira (2.abr.2021), em entrevista ao canal de TV português RTP.

Lula comparou a situação com a do presidente norte-americano Joe Biden. “O Biden é mais velho do que eu, ou seja, quando eu for candidato vou ter um ano a menos do que ele. Portanto, se eu estiver com saúde e for necessário cumprir mais uma tarefa, pode ficar certo que eu estarei na briga”. Biden tem 78 anos de idade, e Lula, 75.

Antes da fala, Lula havia dito na entrevista que a candidatura não é sua prioridade pessoal, e que iria esperar 2022 para decidir. Afirmou que é preciso focar atenção em vacinar as pessoas e viabilizar um auxílio emergencial de R$ 600, além de uma ajuda a micro e pequenos empresários e de uma política de geração de empregos.

“Necessariamente eu não preciso ser candidato a presidente da República. Obviamente que não vou dizer que não sou, nem vou dizer que sou. Nós vamos esperar chegar 2022, vamos precisar saber como estará o quadro politico. A única verdade que sei é que Bolsonaro não pode continuar governando o Brasil”, declarou.

Sobre o presidente Jair Bolsonaro, Lula minimizou a crise que começou com a saída do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e que envolveu a renúncia dos comandantes militares do Exército, Marinha e Aeronáutica.

“As mudanças que Bolsonaro fez são normais. O presidente teve um desentendimento com o ministro da Defesa, e resolveu trocar o ministro. Eu não vejo isso como sinal de crise”.

Lula criticou a escolha do diplomata Carlos Alberto Franco França para o ministério das Relações Exteriores. Entende que o nomeado não tem experiência para o cargo. “Isso é muito ruim para as relações exteriores, porque o Brasil chegou a ser quase um protagonista internacional, e hoje é tratado como um país insignificante”.

O ex-presidente também falou sobre Sergio Moro. Disse que o ex-juiz e ex-ministro foi “uma caricatura inventada pela imprensa brasileira, que foi transformado quase num semi-deus”. Disse que partes da operação Lava Jato e do MPF (Ministério Público Federal) estavam a serviço dos interesses de empresas norte-americanas, “para tentar quebrar a Petrobras”. 

Na visão de Lula, deveria ter sido criada uma governança mundial para combater a pandemia. “O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, já poderia ter convocado uma reunião especial da ONU para discutir a covid-19, discutir quem vai financiar a vacina. Não é possível que o mundo não esteja reunido para discutir como enfrentar a covid-19”.

Questionado sobre a situação da Venezuela, Lula disse que o problema do país é dos venezuelanos. “Eu fiquei envergonhado quando vi líderes europeus acompanhar o Trump e tentar eleger um embuste para ser o presidente, que era aquele Guaidó. Com todos os defeitos, teve uma eleição na Venezuela que foi acompanhada por muita gente no mundo, e ninguém disse que foi roubada”. 

Assista a entrevista: https://www.pscp.tv/w/1DXxyRYgQdVKM

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Lula diz que PT tentará aliança com centro 'se for preciso' contra Bolsonaro

qui., 1 de abril de 2021

Lula durante seu primeiro discurso após a anulação da condenação (Alexandre Schneider/Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em entrevista na noite desta quinta-feira (1º/4), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou aberta a possibilidade de o PT buscar alianças com setores de centro para a eleição de 2022 e criticou outros presidenciáveis que publicaram na quarta (31) um manifesto em defesa da democracia.

"O PT é um partido grande. Vamos construir alianças com setores de esquerda. Se for preciso alianças com o centro, vamos tentar", afirmou, em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo.

O manifesto criticado pelo ex-presidente foi assinado por Ciro Gomes (PDT), Eduardo Leite (PSDB), João Amoêdo (Novo), João Doria (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Luciano Huck (sem partido). “Aprovo qualquer manifesto que defenda a democracia. Mas todos eles tiveram a chance de deixar a democracia garantida e votar no Haddad [na eleição de 2018]. Mas preferiram votar em Bolsonaro”, disse o ex-presidente. “O Ciro foi pra Paris”, afirmou Lula.

O petista conversou por uma hora e 20 minutos Azevedo no programa de rádio É da Coisa, da BandNews. Ainda sobre o “Manifesto pela Consciência Democrática”, Lula lançou outra provocação que levou Azevedo aos risos. “Tome muito cuidado com isso, quando tenta pescar em terra seca, não tem peixe. Num país deste tamanho, você não inventa candidato. Quando inventa, o resultado é nefasto.”

O documento gerou críticas em setores de esquerda pela oposição que representa à candidatura de Lula em 2022. Para os presidenciáveis, a participação do petista representaria uma repetição da polarização do pleito anterior, com a disputa de dois políticos tidos por eles como populistas e extremistas. Sobre a eleição presidencial do próximo ano, Lula disse que não necessariamente precisa ser candidato, embora esta hipótese não seja considerada nem no PT nem no meio político em geral.

“Neste ano de 2021 não quero discutir 2022. Este ano é ano de todos nós que temos responsabilidade fazermos um esforço para que este país tenha vacina para todo mundo, que é a única garantia que vamos ter. Precisamos ter auxílio emergencial pro trabalhador poder ficar em casa e comer. Precisamos de auxílio pro microempreendedor poder continuar existindo.”

Ao longo da conversa, Lula disparou críticas contundentes ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a quem chamou de “genocida” na condução do país na pandemia.“Espero que o Bolsonaro esteja assistindo essa entrevista. Porque queria mandar um recado pra ele: Deixe de ser ignorante, presidente. Quando tiver vacina pra todo mundo, aí todo mundo vai querer voltar a trabalhar. E o país vai crescer.”

Na atual conjuntura, disse, não há solução para o Brasil. “Qual é a confiança que Bolsonaro passa ao povo brasileiro? Que confiança Guedes passa? Essa gente não fala em povo e em política social. o Guedes precisa dizer como o estado vai fazer investimento.” Lula completou que Bolsonaro deveria parar de falar apenas com seus milicianos e passar a se dirigir, com responsabilidade, aos 200 milhões de brasileiros.

Em grande parte da conversa, Lula também criticou as ações da Lava Jato que levaram a sua prisão em 2018. Condenado em segunda instância, foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa e impedido de disputar as últimas eleições presidenciais. Mês passado, contudo, decisões do STF, como a de que o ex-juiz Sergio Moro não foi imparcial na condução do processo do triplex no Guarujá, devolveram ao petista a chance de se candidatar.

Reinaldo Azevedo, um dos principais críticos dos métodos da Lava Jato na imprensa, compartilhou as críticas de Lula. Nos governos Lula e Dilma, contudo, Azevedo foi um opositor contumaz. ​Em 2011, por exemplo, escreveu que “Este Brasil que manda a política para a página de polícia é uma criação genuína de Luiz Inácio Lula da Silva.”​​

Assista a entrevista:  https://www.youtube.com/watch?v=vlvjciPQrq4

Cisão com militares abala discurso populista de Bolsonaro, diz pesquisador

Paula Adamo Idoeta - Da BBC News Brasil em São Paulo

qui., 1 de abril de 2021

 

Em foto de 2018, Bolsonaro em cerimônia de graduação das Agulhas Negras; episódio da última terça indicou cisão do presidente com a cúpula militar.

 

A tensão do governo de Jair Bolsonaro com a cúpula das Forças Armadas, que pediu demissão na terça-feira (30/3) e foi substituída no dia seguinte, pode forçar uma recalibragem no discurso da máquina de propaganda bolsonarista.

Essa é uma das avaliações do pesquisador Pablo Ortellado, professor do curso de gestão de políticas públicas da USP e pesquisador do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da mesma universidade, que analisa como os temas da política nacional são difundidos e comentados na internet.

Essa máquina de propaganda nas redes sociais é um importante pilar de sustentação da popularidade do governo - e frequentemente se apoia na exaltação aos militares para instigar os simpatizantes do presidente.

"Os militares são essa força que vem de fora do jogo político e que (no imaginário bolsonarista) poderia resolver as coisas, mas agora (no episódio de terça-feira) a liderança militar marcou uma separação" com o governo ao entregar seus cargos, analisa Ortellado.

O poder militar sempre fez parte do imaginário coletivo dos apoiadores do presidente, que não raro defenderam golpes militares no país em contraposição ao Congresso e ao Judiciário. Como então conciliar, dentro do discurso bolsonarista, as rusgas com esse grupo?

"Isso é curioso. Dentro da ideia de 'somos o povo e temos de derrotar a elite', a esperança da retórica bolsonarista dependia muito dos militares", explica Pablo Ortellado à BBC News Brasil.