domingo, 10 de janeiro de 2021

Bolsonaro engole a língua e bebe o próprio veneno

 

ISTO É


O Instituto Butantan confirmou que o Ministério da Saúde, leia-se governo federal, irá comprar toda a produção da CoronaVac, a “vacina chinesa do Doria, que causa morte, anomalia e invalidez”, segundo declarou publicamente o presidente Jair Bolsonaro.

O mesmo foi categórico, em mais de uma oportunidade, em afirmar que não compraria a “vachina’, e que o “calça apertadinha” deveria procurar outro freguês, pois “jamais veria a cor do dinheiro do povo brasileiro”. Facebook e Twitter não me deixam mentir.

Bolsonaro, além de psicopata, mentiroso e negacionista convicto, é um néscio pra lá de incapaz e incompetente. Não à toa não termos quaisquer outras alternativas de vacinas, nem sequer seringas e agulhas. Aliás, nem ministro da Saúde nós temos. Nossa pequena sorte – e alguma esperança – reside na competência de alguns governadores, como o próprio Doria, que abasteceram seus estados com insumos (como Minas Gerais e Paraná) e correram atrás de imunizantes antecipadamente.

Inclusive, de forma autoritária – e aí sim, tipicamente chinesa -, o governo tentou confiscar vacinas, seringas e agulhas dos estados, mas quebrou a cara! O STF, com um humilhante e sonoro NÃO, impediu o roubo bolsonarista da competência alheia. Dias atrás, o ignorante declarou que “os laboratórios devem correr atrás do Brasil para vender suas vacinas”. Além de estar enganado, como sempre, mentiu mais uma vez: a Pfizer provou que fez uma oferta de 70 milhões de doses, ainda em meados de 2020.

Eis aí! O motivo para que mais de 50 países mundo afora estejam imunizando seus cidadãos – já são mais de 18 milhões de pessoas vacinadas – e o Brasil não é um só: não temos presidente, não temos governo, não temos absolutamente nada. Agora, desesperado pela queda drástica da popularidade comprada em três parcelas de 600 dinheiros e a crescente possibilidade de impeachment, o devoto da cloroquina se rendeu ao “globalismo comunista chinês” e correu para o colo de João Doria.

Novamente, Bolsonaro engole as próprias mentiras e ofensas que tanto agradam à turba de limitados e recalcados que lhe puxa o saco – presencial e virtualmente – todos os dias. E ainda que engane sua própria seita, seguirá com a razão. Resta saber qual.

EM TEMPO: Que tal,  alguém levar Bolsonaro para casa para concluir sua criação (rsrsrs).

sábado, 9 de janeiro de 2021

Trump e o ataque fascista nos EUA

Foto: Trump se dirigindo ao comício de 6 de janeiro fora da Casa Branca antes da tomada do Capitólio pela multidão fascista.

Declaração do PSL (Partido pelo Socialismo e a Libertação): Trump incita uma insurreição fascista contra o Congresso – O que vem a seguir?

No dia 06 de janeiro, uma multidão fascista – chamada à ação por Donald Trump e agindo em óbvio conluio com elementos da Polícia do Capitólio, do Departamento de Defesa e possivelmente de outras forças armadas – invadiu o edifício do Capitólio dos EUA e dispersou o Congresso. O próprio Trump emitiu declarações na principal manifestação realizada do lado de fora da Casa Branca como parte de sua campanha para se agarrar desesperadamente ao poder. 

A extrema direita que assaltou o Capitólio hoje está unida acima de tudo pela figura de Trump. Pouco antes de a multidão marchar sobre o Capitólio, Trump declarou: “Você nunca vai retomar o país com fraqueza. Você tem que mostrar força”. Trump, mais do que qualquer outra coisa, deseja evitar processos criminais quando ele deixar o cargo e manter seu controle político sobre o Partido Republicano.

A Polícia do Capitólio, fortemente armada, quase não ofereceu resistência quando os fascistas empurraram barreiras, quebraram janelas e invadiram a câmara do Senado. Uma mulher foi baleada e morta dentro do edifício do Capitólio. Mas, no final do caos, depois de cumprir seu objetivo, a multidão foi calmamente escoltada para fora do prédio em vez de ser presa. Se uma ação como a dispersão do Congresso pela multidão pró-Trump tivesse sido tentada por manifestantes antirracistas neste verão, por exemplo, eles teriam, sem dúvida, sido recebidos com uma avassaladora e mortal força.

Os eventos de 06/01 não poderiam ter acontecido sem algum nível de cooperação entre os fascistas e a polícia. É inconcebível que a polícia não estivesse monitorando as comunicações dos manifestantes pró-Trump que viajavam para D.C. e que eles simplesmente não sabiam que havia qualquer possibilidade de que um ataque ao edifício do Capitólio estivesse sendo discutido.

O papel do Pentágono nesta crise é outra questão central. A Guarda Nacional em Washington D.C. está sob o controle do Secretário de Defesa e do Secretário do Exército, não do Prefeito de D.C. Muriel Bowser solicitou ontem que o Departamento de Defesa chamasse a Guarda Nacional de D.C., mas seu pedido foi ignorado. Agora a Guarda está supostamente sendo enviada às ruas, mas somente depois que os fascistas tiveram sucesso em invadir o Capitólio.

O conflito dentro da classe dominante

O Secretário de Defesa Christopher Miller não é uma figura independente. Ele era um oficial das Forças Especiais de patente relativamente baixa antes de ser elevado a um lugar de importância central por Donald Trump, a quem ele deve totalmente por sua atual posição de autoridade. No domingo passado, todos os 10 ex-secretários de Defesa vivos emitiram um artigo no Washington Post exigindo que os militares não interviessem na transição do poder para Joe Biden. Eles escreveram que “o secretário de Defesa em exercício, Christopher C. Miller e seus subordinados” devem “abster-se de quaisquer ações políticas que prejudiquem os resultados da eleição ou atrapalhem o sucesso da nova equipe”. 

O grupo de coautores inclui figuras como Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Mark Esper – que serviu como secretário de Defesa até menos de dois meses atrás. Deve haver uma razão profunda pela qual um grupo de figuras altamente influentes de diferentes facções da classe dominante se uniram para divulgar essa declaração notável. Isso sugere que eles já estavam cientes de discussões em setores do Estado sobre exatamente esse tipo de trama ou ação.

Os eventos que ocorreram hoje são um sério embaraço para a classe dominante dos EUA no cenário mundial e enfraquecem a posição global do imperialismo dos EUA. Os governos que tradicionalmente desempenharam o papel de parceiros menores dos Estados Unidos, incluindo Alemanha, Reino Unido e Canadá, emitiram declarações condenando a multidão que invadiu o edifício do Capitólio. Jen Stoltenberg, chefe da OTAN, disse: “Cenas chocantes em Washington, D.C. O resultado desta eleição democrática deve ser respeitado”. 

Uma ampla coalizão da classe dominante pode se unir para derrubar Trump, que pisoteia um pilar fundamental da estabilidade do governo da classe capitalista nos Estados Unidos: a “transferência pacífica de poder”. CEOs importantes, a Associação Nacional de Manufaturas, a Mesa Redonda de Negócios (Business Roundtable) e outros pilares da América corporativa se manifestaram condenando Trump. O Congresso se reuniu várias horas depois de ter sido dispersado pelos fascistas, e a multidão pró-Trump foi condenada por Mike Pence e Mitch McConnell na reabertura da sessão.

Em uma breve e fraca declaração, Joe Biden fez um apelo à multidão fascista para se retirar e ofereceu chavões vazios sobre o patriotismo. O que realmente deve acontecer é que todos os responsáveis pelo ato histórico de agressão fascista que ocorreu no dia 06 sejam levados à justiça. Isso inclui especialmente Donald Trump e aqueles na hierarquia militar e policial que usaram suas posições para facilitar os eventos. Uma coalizão construída em conluio entre a polícia, elementos do Departamento de Defesa e uma multidão fascista lançou um ataque sem precedentes. A ameaça da extrema direita só pode ser derrotada de forma decisiva por uma frente única e militante da classe trabalhadora plurinacional.

Tradução por Andrey Santiago, militante da UJC de Santa Catarina

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

CoronaVac: eficácia da vacina não é 'salvo-conduto para achar que problema está resolvido', alerta médico

 

© Getty Images

BBC NEWS

 

O infectologista Esper Kallas fez um alerta durante a divulgação dos resultados dos testes de eficácia da CoronaVac, nesta quinta-feira (07/01). "O fato de a gente trazer uma notícia tão boa como essa não dá salvo-conduto para a população achar que o problema está resolvido, porque não está", disse.

 

Os resultados dos testes feitos no país apontaram que a vacina da farmacêutica chinesa Sinovac, que está sendo desenvolvida no Brasil em parceria com o Instituto Butantan, protege 78% das pessoas contra a covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Já em relação àqueles que desenvolverem a doença, o governo de São Paulo divulgou que os testes nos voluntários imunizados e que ainda assim foram infectados pelo coronavírus apontaram que a vacina garantiu a proteção total (100%) contra mortes, casos graves e internações.

O resultado dos testes foi comemorado pelo governador de São Paulo, João Doria, que considerou que os números são extremamente positivos. Ele planeja que a vacinação no Estado comece em 25 de janeiro. Durante a coletiva de imprensa convocada pelo governo de São Paulo, o infectologista Esper Kallas afirmou que a CoronaVac é uma vacina extremamente segura. No entanto, destacou o caminho que existe até que a imunização tenha efeito na redução de casos de covid-19 no Estado e no país — nos últimos meses, todas as regiões brasileiras enfrentaram aumento de infecções e mortes causadas pelo vírus.

"Não queria ser um estraga-prazer, mas queria deixar uma mensagem de que a gente tem sempre que levar em consideração que a implementação de um programa de vacina leva tempo. O estabelecimento de uma resposta imune e protetora leva tempo. Infelizmente, a gente ainda tem um tempo pela frente… até tudo isso acontecer, vamos ter dois meses duros pela frente", declarou o médico, que integra o Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo.

"Ainda temos que nos cuidar. Temos que usar as medidas não farmacológicas de redução da transmissão da covid", acrescentou o médico, referindo-se a ações como o uso de máscara, distanciamento social e a higienização das mãos. O alerta do médico ilustra que o início da vacinação representa um passo fundamental, mas ainda há um percurso a ser seguido para que a situação sanitária melhore.

Como funciona a CoronaVac

Para entender o caminho após o início da vacinação, é fundamental compreender o funcionamento do imunizante. No caso da CoronaVac, são aplicadas duas doses, com uma diferença de 21 dias entre elas. A previsão é de que a resposta imune seja atingida 15 dias após a vacinação. A vacina da Sinovac usa uma tecnologia bastante tradicional de imunização, desenvolvida há cerca de 70 anos, diz o imunologista Aguinaldo Pinto, professor da Universidade Federal de Santa Catarina.

"Não há nada de novo na tecnologia por trás dessa vacina. Temos muitas vacinas de vírus inativados sendo comercializadas hoje", afirma Pinto, em reportagem publicada pela BBC News Brasil nesta quinta-feira. Entre as que tomamos de rotina que utilizam essa tecnologia, estão as de gripe, hepatite A e poliomielite (na versão injetável).

A seu favor, conta a experiência de décadas no seu uso em saúde pública. E também sua segurança, porque é um imunizante baseado em vírus inativados, ou seja, que não são capazes de se reproduzir. Por isso, eles não conseguem deixar uma pessoa doente. Mesmo assim, a vacina consegue gerar a reação imunológica desejada e criar no nosso organismo uma memória de como nos defender contra essa ameaça.

Depois da vacinação

Em recente entrevista à BBC News Brasil, a bióloga Natália Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência relatou como as pessoas devem agir após tomar uma vacina contra a covid-19. "Depois de tomar a vacina, é preciso voltar para casa, manter o isolamento social, aguardar a segunda dose e depois esperar pelo menos 15 dias para que a vacina atinja o nível de eficácia esperado", explicou.

A primeira dose, explica Pasternak, é o que os cientistas chamam de prime boost ("impulso principal"). "É como se ela acordasse o corpo para o vírus, dá um 'empurrão inicial' no sistema imunológico. A segunda dose gera uma resposta imunológica melhor", explicou Pasternak.

Após uma vacina, a pessoa só é considerada realmente protegida após algumas semanas porque o corpo precisa de um tempo para "processar" aquelas informações e agir de forma adequada. "E mesmo depois, é preciso esperar que boa parte da população já tenha sido imunizada para a vida voltar ao normal", disse Pasternak. Desta forma, as pessoas deverão continuar usando máscaras e evitar aglomerações após tomar as vacinas.

A imunização em SP

O governo de São Paulo anunciou em 7 de dezembro que a vacinação com a CoronaVac terá início em 25 de janeiro. Porém, ainda é fundamental que:

-  Com base na série de resultados, o governo paulista e o Butantan devem enviar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ainda nesta quinta, o pedido de autorização para o uso emergencial e o registro definitivo da vacina no país. A previsão é de que os dados sejam analisados em dez dias.

Por enquanto, foram anunciados os detalhes apenas da primeira fase do plano de imunização, que tem como público-alvo profissionais de saúde, pessoas com mais de 60 anos, indígenas e quilombolas. De acordo com o governo paulista, estes grupos respondem por 77% das mortes causadas pelo novo coronavírus no Estado. Isso implicará na vacinação de 9 milhões de pessoas e no uso de 18 milhões de doses.

A vacinação será gratuita e realizada por meio de 10 mil postos de vacinação, dos quais 4,8 mil serão novos locais, criados especialmente para a campanha, com o uso provisório de escolas, quartéis e farmácias, por exemplo. Na quarta-feira (06/01), o governo de São Paulo divulgou que a vacinação ocorrerá de segunda a sexta, das 7h às 22h, e de 7h às 17h aos sábados, domingos e feriados.

A previsão é que a primeira fase do plano esteja concluída até 28 de março, quando o governo paulista estima que 20% dos 46 milhões de habitantes do Estado estarão imunizados.

A primeira fase do plano seguirá o seguinte calendário, para evitar aglomerações nos postos de saúde:

* profissionais da Saúde, indígenas e quilombolas: 25/01 (1ª dose) e 15/02 (2ª dose);

pessoas com 75 anos ou mais: 08/02 (1ª dose) e 01/03 (2ª dose);

pessoas com 70 a 74 anos: 15/02 (1ª dose) e 03/03 (2ª dose);

* pessoas com 65 a 69 anos: 22/02 (1ª dose) e 15/03 (2ª dose)

pessoas com 60 a 64 anos: 01/03 (1ª dose) e 22/03 (2ª dose)

Cada grupo deverá procurar os postos de vacinação ao longo da semana seguinte após a data de início. O atendimento será das 7h às 22h de segunda a sexta e das 7h às 17h aos sábados, domingos e feriados. Tudo será feito apenas pelo sistema público de saúde, e não há previsão por enquanto de aplicação na rede privada.

O governador João Doria disse que não será preciso comprovar a residência no Estado para ser vacinado. "Todo e qualquer brasileiro que estiver em solo do Estado e pedir a vacina será vacinado", afirmou. Ainda não foram divulgados detalhes sobre as próximas etapas do plano de imunização de São Paulo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Vacinas Soberanas avançam em Cuba

 

Photo: Estudio Revolución

Durante a visita do presidente Díaz-Canel ao Instituto Finlay de Vacinas foi ratificada a capacidade do país de imunizar a população cubana contra o vírus Sars-cov-2 no primeiro semestre de 2021.

O presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, elogiou o trabalho dos cientistas do Instituto Finlay de Vacinas (IFV), em sua maioria mulheres, durante a sua terceira visita à instituição, onde foi informado sobre o andamento da vacina Soberana, em suas variantes 01 e 02

Autor: René Tamayo León | internet@granma.cu

“Nos cientistas do Instituto Finlay de Vacinas (IFV) está a expressão do país. Vocês funcionaram como uma família, unida, lutaram, resistiram em meio à adversidade do ano que está terminando, e vocês triunfaram». Dessa maneira, o presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, elogiou o trabalho do grupo de pesquisadores, em sua maioria mulheres, durante a sua terceira visita à instituição, onde foi informado sobre o avanço da vacina Soberana, em suas variantes 01 e 02.

«Tenho pensado muito nestes dias no ano que está terminando, o ano mais difícil em várias décadas para Cuba e o mundo», refletiu o presidente, «e vocês fazem parte da grande família cubana, que resistiu criativamente apesar das restrições», acrescentou. «Vocês» – disse-lhes– «viveram momentos de aprendizagem, superaram etapas e desafios difíceis e chegaram até aqui. Nenhum país do Terceiro Mundo dispõe de vacina em fase de teste clínico contra a Covid-19, exceto Cuba, que, por sua vez, não fica atrás do mundo nessas pesquisas».

«Isso mostra as capacidades que o país criou», destacou, «mas pode haver capacidades em outros lugares, mas aqui tem outras coisas que são diferentes, que contribuem mais, que são o sentimento, o compromisso com o que se faz». «À família do Instituto Finlay, juntamente com os outros centros que trabalharam no desenvolvimento da Soberana, expressamos nossa gratidão pelo que fizeram, respeito e confiança no que vamos continuar fazendo», enfatizou Díaz-Canel.

O dr. Vicente Vérez Bencomo, diretor geral do IFV e líder do projeto, relatou que as Soberanas avançaram no teste clínico de forma importante, a 01 está encerrando a Fase 1 e a 02 entra na Fase 2. Ambas mostraram confiança quanto a segurança e na resposta imunológica. Soberana 02, especificamente, devido às suas características, tem apresentado uma resposta imunitária precoce (aos 14 dias), o que lhe permite passar para a Fase 2 do teste clínico mais rapidamente.

A Soberana 01 também mostrou segurança e uma resposta imune muito boa, mas é mais lenta, devido ao tempo necessário entre uma dose e outra, por isso está previsto entrar na Fase 2 do teste clínico em fevereiro. Ao dar mais detalhes acerca do desenvolvimento da Soberana 02, Vérez Bencomo explicou que, em janeiro, cerca de mil voluntários serão vacinados em suas diferentes formulações e, posteriormente, após as devidas avaliações e autorizações, entrarão na Fase 3, da qual participarão cerca de 150 mil pessoas em Havana.

Também estão avançando as negociações para o desenvolvimento da Fase 3 do teste clínico da Soberana 02 em outros países, devido à baixa prevalência da Covid-19 na população cubana. O diretor-geral do Instituto Finlay ratificou a capacidade do país de imunizar a população cubana contra o vírus SARS-COV-2 no primeiro semestre de 2021. Revendo a história do IFV e de outras instituições científicas com a vacina Soberana, que começou a ser desenvolvida em maio passado, o cientista disse: «É incrível o que conquistamos em sete meses».

Combater o racismo e o machismo!

 

Coordenação Nacional da Unidade Classista

A CLASSE TRABALHADORA E O ENFRENTAMENTO AO FEMINICÍDIO E AO RACISMO NA PANDEMIA

O ano de 2020 reafirmou de maneira dramática como a burguesia brasileira é liberal, conservadora e naturaliza a morte das pessoas em nome da manutenção dos lucros e dos seus privilégios de classe. Diante do avanço da pandemia do Novo Coronavírus, pudemos acompanhar o impacto social provocado pela COVID-19. O padrão de contaminação do vírus seguiu uma escalada social no Brasil que atingiu primeiro a burguesia e foi descendo os estamentos sociais até alcançar as periferias e comunidades mais carentes.

Embora a pandemia tenha se iniciado na burguesia, ao considerarmos o retorno de muitos de seus integrantes das suas viagens internacionais, os que foram mais impactados com a crise sanitária foram a população negra e pobre que vive nas periferias, devido à precariedade que sofrem por conta do racismo estrutural e pelas desigualdades escancaradas pelo sistema capitalista. Importante lembrarmos que a primeira morte de Covid no Brasil foi justamente de uma mulher negra trabalhadora doméstica em São Paulo que contraiu a Covid após retorno de sua patroa de uma viagem internacional.

Além disso, as mulheres da classe trabalhadora foram principalmente impactadas pela pandemia. Dados da pesquisa Violência Doméstica durante a Pandemia de Covid-19, solicitada pelo Banco Mundial ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), registraram que no primeiro semestre em 12 estados do Brasil houve um aumento de 22% dos crimes de feminicídio.

Importante interpretar esses números a partir da compreensão de que a formação da nossa classe perpassa pelo reconhecimento de nossa história e formação social brasileira, ou seja, um país que tem um passado colonial, que teve um regime escravocrata por cerca de 300 anos. O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão e teve a entrada no mundo capitalista forjada pela coerção do trabalho, que nos assegurou um modelo de economia extremamente desigual. Um país onde as mulheres vivem ainda oprimidas por uma concepção de sociedade patriarcal e só conquistaram o direito ao voto no ano de 1927. Tudo isso diz muito sobre o nível de opressão contra a classe trabalhadora nesse país, que em sua maioria é formada por esses sujeitos históricos.

O MACHISMO E O FEMINICÍDIO DURANTE A PANDEMIA

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Laura Gomes toma posse como deputada estadual

 

Postado por Magno Martins, em 05.01.2021

Com edição de Ítala Alves

A deputada estadual Laura Gomes (PSB) tomou posse, hoje, na sala da presidência da Assembleia Legislativa, em cerimônia restrita por causa da pandemia da COVID-19. Acompanhada do marido Jorge Gomes, ex-deputado estadual e federal, e dos filhos, Laura Gomes falou da alegria de voltar à Alepe.

“O mandato institucionaliza as nossas ações. Nunca deixei a militância, a luta, mas agora tenho o instrumento para concretizar os projetos. Estou me sentindo num dia de noiva renovando minha aliança com todos os pernambucanos e pernambucanas”, disse. Laura Gomes estava na suplência e com a eleição de Silvano Albino à Prefeitura de Garanhuns, ela assumiu uma cadeira na Alepe e vai reforçar a bancada feminina. 

Este é o terceiro mandato de Laura  como deputada estadual. Ela foi eleita pela primeira vez em 2010, ficou na suplência em 2014, mas assumiu o mandato em 2017. Agora, retorna à Alepe para defender especialmente a pauta da inclusão, dos diretos humanos, da pessoa idosa e da mulher, áreas em que ela tem vasta experiência e atuação por ter sido secretária de desenvolvimento social e direitos humanos, na gestão de Eduardo Campos, e duas vezes secretária executiva na mesma pasta.

EM TEMPO: Agora Caruaru tem quatro deputados estaduais: Tony Gel + Zé Queiroz + Delegado Lessa + Laura Gomes. Se não me falha a memória quando Izaías Régis ganhou a primeira eleição, em 2012, para Prefeito do Garanhuns, também ficamos sem representação na ALEPE.  Isto é, na Eleição 2020, houve uma repetição. Afinal a nossa memória é imediatista e sempre esquecemos o que fizemos no passado. Mas, a vontade do povo é soberana. No é isso mesmo? Afinal, até parece que Garanhuns não tinha, isto é,  na Eleição de 2020,  outra pessoa que pudesse administrar o município, senão o direitista Sivaldo. Afora o "terrorismo eleitoral" que fizeram na Eleição 2020: não votem em Paulo Camelo, porque Sivaldo pode perder e Silvino ganhar. Estória para o "boi dormir", como se Paulo Camelo fosse da base aliada do governador, repressivo, Paulo Câmara Lenta". É uma resenha. Não acha? Agora durmam com essa bronca (rsrsrs)

Áureo Cisneiros sobre demissão: "Paulo Câmara é o primeiro governador desde a redemocratização que demite um servidor por atividade sindical"

 

Fonte: Blog da Noélia Brito. 

 

Leiam a nota de Áureo Cisneiros sobre sua demissão pelo Governo Paulo Câmara:

A luta por direitos trabalhistas nunca foi fácil. Mas nunca imaginei ser demitido por exercer atividade sindical. Hoje o Diário Oficial publica minha demissão por denunciar, enquanto presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, o descaso do Governo de Pernambuco com a Polícia Civil e segurança pública de uma forma geral. 

Em pleno século XXI, o Governador Paulo Câmara me demite arbitrariamente por exercer atividade sindical. É o primeiro governador de Pernambuco, desde a redemocratização, que demite servidor pelo exercício da atividade sindical. Em 2016 (?), ao lado da nossa categoria, liderei uma das maiores greves da história da Polícia Civil de Pernambuco, diante de um quadro caótico na segurança pública com delegacias improvisadas, viaturas sem gasolina, IMLs sucateados, coletes vencidos e salários extremamente defasados. Fomos às ruas e conseguimos o maior aumento salarial da história e a organização de um concurso público para diminuir o déficit de policiais. 

Além de minha luta ter repercutido em todos os trabalhadores da segurança pública, como policiais militares, policiais penais, bombeiros e também guardas municipais. Irei recorrer. Tomarei todas as providências jurídicas . O que está em jogo não é apenas a minha volta aos quadros da Polícia Civil ou desfazer uma arbitrariedade, um abuso de poder, de um governador covarde. O que está em jogo é a garantia da cidadania dos professores, enfermeiros, policiais e demais servidores. 

Continuaremos na luta pelo reconhecimento do policial enquanto trabalhador. Continuaremos na luta por uma segurança pública cidadã. Policial não é capataz ou capitão do mato de governo algum. Policial é um servidor, um trabalhador com direitos e obrigações. A luta antifascista não se dá apenas contra o óbvio governo Bolsonaro. 

Ela acontece contra todos que não respeitam trabalhadores; Contra quem manipula eleições com fakes news; Contra quem persegue jornalistas; Contra quem instrumentaliza eleitoralmente a religião para manipular o povo; Contra quem desvia recursos para combater a COVID e contra quem tenta esconder a desastrosa política de segurança pública de Pernambuco. A falta de uma política de segurança pública eficaz no governo Paulo Câmara matou quase 4 vezes mais do que a COVID em Pernambuco. Já são mais de 25 mil homicídios. Lutei, enquanto sindicalista, pelos direitos dos policiais e por uma segurança pública cidadã. Não sou, não fui e não serei capacho desse necrogoverno. 

Áureo Cisneiros 

Ex-presidente e Atual Diretor de Comunicação e Imprensa do SINPOL e membro do movimento nacional Políciais Antifascismo

EM TEMPO: Pior é saber que esse governo reacionário e repressivo, Paulo Câmara (PSB), tenha o apoio do PT. Como é aconselhável melhorar a qualidade do voto. Agora durmam com essa bronca. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Com o SUS, para além do SUS, superar a mercantilização!

Coletivo LGBT Comunista de São Paulo

Em uma suposta reação à vigência de um sistema público de saúde no Brasil, cujo acesso foi inegavelmente ampliado e melhorado desde a criação do SUS, presenciamos cotidianamente o seu desmonte nos últimos anos. 

Na maior ou menor esfera do Poder Executivo e no Legislativo, sempre sob o mantra da responsabilidade fiscal e de outras falácias da política de austeridade (como aquela de que “o dinheiro acabou”), são aplicadas medidas que fortalecem o negócio privado da saúde, estabelecidas portarias que encerram contratos e serviços fundamentais para a população, decretadas privatizações na atenção primária e, ainda, promulgadas Emendas Constitucionais (EC) que impedem o investimento público nas próximas décadas, como a EC 95 do Teto de Gastos (ou PEC da Morte). 

No entanto, o que apresentam como argumentos não chega no cerne da questão, encobrindo o verdadeiro motivo: a necessidade de aumentar as taxas de lucro da burguesia, em queda há cerca de uma década, e de ampliar o Capital, sendo “imperativo transformar cada vez mais setores em áreas capazes de gerar lucro”. (UJC, 2013, p. 20) E ainda que seja concreto o crescente avanço do setor privado sobre a saúde, este não se contrapõe em essência ao sistema público de saúde.

Para verificar esta afirmação, vale traçarmos um histórico recente da saúde no país – além de já partirmos da compreensão do Brasil como um país caracterizado por relações capitalistas hegemônicas de produção e do papel do Estado como representante do poder da classe dominante, legitimando e defendendo seus interesses.

Ainda no período da ditadura empresarial-militar, as universidades brasileiras começaram a elaborar uma nova política sanitária que se contrapunha às péssimas condições de vida e de saúde às quais grandes parcelas da população estavam submetidas por conta da política econômica imposta pelo regime. Devido à repressão sofrida pela classe trabalhadora e às lutas mais imediatas que enfrentava, relacionadas ao emprego, salário e moradia, este projeto foi desenvolvido pelos intelectuais de maneira apartada das massas. E somente com a eclosão dos movimentos sociais em prol da democracia, no início dos anos 1980, é que ele começa a ser pautado como possibilidade para uma nova fase da República brasileira, mas ainda sem a necessária participação popular direta.

domingo, 3 de janeiro de 2021

MULHER, MERCADO DE TRABALHO E ASSÉDIO

 

Por Márcia Lemos

O Momento – PCB da Bahia

Reprodução da imagem: Justificando

A voz de Conceição Evaristo [Poema: Vozes Mulheres] ecoa dor e humilhação, ecoa resiliência e resistência, ecoa morte e vida, ecoa alto e forte as vozes das mulheres vilipendiadas na senzala e no pelourinho, no eito e no serviço “doméstico”, na fábrica e no “doce lar”, na terceirização e na informalidade. Ontem, exploradas no mercado de escravas; hoje, exploradas no mercado de trabalho, sem proteção ou direitos sociais, reificadas tanto pelo senhor da casa grande, homem branco e colonizador, quanto pelos “donos da República”, os senhores do agronegócio, dos bancos, do grande comércio varejista, da indústria, dos monopólios de importação e exportação e das mineradoras.

Essas mulheres, pobres, negras, indígenas ou imigrantes, há muito conhecem o mercado de pessoas reduzidas a sua força de trabalho, silenciadas pela imposição do chicote e pela premência da necessidade também o são pelo amálgama conjugal. As mulheres negras escravizadas labutavam nos serviços pesados de forma indiscriminada, grávidas ou lactantes realizavam o que havia para ser feito, punidas com brutalidade, constantemente lembradas da sua condição de mulher pela violência sexual e imposição da maternidade para reprodução da força de trabalho.

As mulheres pobres desde o Brasil colonial laboram para sobreviver, desempenham o trabalho reprodutivo e as funções do cuidar, consideradas femininas ou aquelas socialmente desprestigiadas, que exigem baixa instrução formal e pagam exígua remuneração. As mulheres que trabalhavam nas fábricas no inicio do século XX, entre elas muitas imigrantes, estavam submetidas a jornadas de até 16 horas diárias, assim como homens e crianças.

Não bastasse a expropriação da força de trabalho, a elas ainda era reservado o constrangimento moral, abuso sexual e salários inferiores aos dos operários. Mais de cem anos depois, continuamos a reivindicar “salário igual para trabalho igual” e o fim dos abusos praticados pelos chefes imediatos e patrões.

No século XXI, as relações de sexo, raça e classe têm condenado as mulheres a transitar entre a exploração e apropriação de suas vidas. A “feminização” do mercado de trabalho, estimulada pela globalização neoliberal, consolida-se como uma estratégia do capital para ampliar a acumulação privada da burguesia, pois o trabalho de reprodução social e os postos mais precarizados continuam a ser relegados às mulheres empobrecidas e racializadas, que têm acesso desigual aos meios de produção e ao processo de escolarização, conforme indicadores do IBGE.

Pois bem, o mercado de trabalho, sob a ficção jurídico-constitucional do estado burguês, é o “*locus* do livre acordo entre patrão e empregada”; sob a inexorável realidade, é o *locus* de expropriação máxima e de alienação das trabalhadoras, que se exerce de forma sutil e brutal ao mesmo tempo, que subordina o ser mulher ao capital e a reduz a sua condição única de reprodutora e força de trabalho, que a transforma em pura necessidade, subsumida aos valores, ideias e representações daqueles que continuam a segurar o açoite e a assediar na rua, na escola e no trabalho.

É importante observar que, em conjunturas de grave crise econômica, tal qual se vivencia sob a pandemia do Covid-19, crescem os índices de violência contra a mulher. No Brasil, soma-se a essa conjuntura o ascenso da extrema-direita reacionária e das políticas ultraliberais. Essas determinações criam uma situação de extrema vulnerabilidade para as mulheres, especialmente as negras, imigrantes, indígenas e pobres. Patrões e chefes usam o temor da mulher em perder seu meio de subsistência para coagi-la a cumprir jornadas de trabalho extenuantes, a tolerar ofensas, constrangimentos e humilhação, além dos abusos relativos ao corpo.

O assédio no local de trabalho envolve uma relação de poder, na qual a mulher está, conforme padrões socioeconômicos e históricos, em posição hierarquicamente inferior e sente-se vulnerável, humilhada, culpada e com medo de reagir. De modo geral, o assédio sexual caracteriza-se por comentários insistentes e constrangedores sobre o aspecto físico, roupas e comportamento; convites reiterados e coercitivos; contato permanente e indesejado por meio das redes sociais; toque no corpo sem consentimento; proposta ou chantagem de natureza sexual manifestada por palavras, gestos ou outros meios, como o whatsapp; exigência de sexo em troca de benefícios ou para evitar prejuízos. Já o assédio moral implica em humilhações, desqualificação do trabalho e aspecto físico e, em muitas situações, as mulheres são fragilizadas, apontadas como péssimas mães enquanto laboram como únicas provedoras do lar, geralmente abandonado pelo homem.

Contudo, o assédio moral e sexual não pode ser reduzido a uma prática isolada a ser combatida nos homens, mas como um fenômeno social engendrado pelo patriarcado, pelo racismo estrutural e pelas desigualdades inerentes a uma sociedade de classes, como a brasileira. A reestruturação das forças produtivas e a constituição do novo proletariado intensificam a exploração-dominação-opressão das mulheres que, sob a aparência da conquista do mercado de trabalho, as mantém submetidas ao “poder do macho” nas suas diversas expressões.

Em que pese a necessidade imediata de políticas de combate ao assédio, com aparelhos que permitam proteger as mulheres; escolas que discutam o tema; campanhas informativas e espaços de acolhimento, preparados para acompanhar as situações sem julgamento moral ou punitivismo, é preciso reconhecer que o capitalismo não liberta as mulheres, apenas “reorganiza o equilíbrio entre apropriação e exploração”.

Observadas as determinações aqui apresentadas, a transformação dessa realidade não se fará pelo direito burguês ou pelo via do “empoderamento individual”, como o movimento feminista liberal e a mídia hegemônica buscam convencer. A causa histórica da emancipação das mulheres impõe desafiar a sociedade de classes, racista e patriarcal, implica em superar as condições de hierarquia e dominação, tanto da família nuclear quanto das relações de produção, para fazer ecoar as vozes de milhões de trabalhadoras organizadas contra o capital, que reivindicam não só políticas de reconhecimento, mas de redistribuição.

BAHIA | Dezembro de 2020

O MOMENTO

Edição nº 005

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

A efeméride dos cem anos do PCB

 

1 de janeiro de 2021

Fundadores do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 25 de março de 1922. De pé, da esquerda para a direita: Manuel Cendon, Joaquim Barbosa, Astrojildo Pereira, João da Costa Pimenta, Luís Peres e José Elias da Silva. Sentados, da esquerda para a direita: Hermogênio Silva, Abílio de Nequete e Cristiano Cordeiro.

Milton Pinheiro – membro do Comitê Central do PCB

O PCB, longevo operador político da classe trabalhadora brasileira, em breve, em 2022, fará 100 anos. O Comitê Central está abrindo o processo de efeméride para que possamos tornar pública uma história de lutas em defesa da nossa classe. Estamos a pouco mais de um ano do evento e pretendemos apresentar a história do nosso Partido nas páginas do Jornal O Poder Popular e em nosso portal, além de cursos e seminários, para que os/as trabalhadores/as e a população pobre e oprimida tenham direito de conhecer essa gigante história brasileira. Com essa finalidade o Comitê Central criou uma “Comissão Nacional dos Cem Anos” composta pelos camaradas Milton Pinheiro (Coordenador), Ricardo Costa, Ivan Pinheiro, Muniz Ferreira, Heitor Ribeiro e Antonio Carlos Mazzeo.

Partimos da nossa fundação, inspirada na Revolução de Outubro e na necessidade de os trabalhadores do campo e da cidade terem um instrumento de ação, bem como um programa para operar a Revolução Brasileira. Era então criado um Partido para agir na luta de classes e que iria marcar indelevelmente a história política de nosso país. Os comunistas lutamos contra as opressões da sociabilidade capitalista, pensamos o Brasil e operamos nas ruas, no campo e nas fábricas na perspectiva da revolução socialista. É uma história que se confunde com a resistência da nossa classe durante todo o século XX e começo do século XXI.

Florescemos nas lutas operárias e populares mais importantes do século XX, lutamos e formulamos a tática e a estratégia da transformação social e humana. Por isso estivemos nos combates da década de 1920, na luta contra o Estado Novo, na redemocratização do Brasil, sempre ao lado dos trabalhadores do campo e da cidade em seus momentos de combate aberto, seja nas revoltas camponesas de Porecatu, Trombas e Formoso, na greve dos 300 mil em São Paulo, em 1953, ou nas campanhas em defesa do Brasil: a campanha O Petróleo é Nosso, a campanha contra a guerra da Coréia e tantas outras.

Quando as trevas cobriram o Brasil, com o golpe de 1964, articulado pela burguesia interna e operado pelos militares entreguistas, nós agimos nas trincheiras da resistência democrática e das ações de massas. Fomos presos, torturados, exilados e assassinados, mas, a nossa jornada foi vitoriosa porque derrotamos e derrubamos a ditadura.

Para além das nossas batalhas na guerra de classes, o que havia de mais importante no mundo intelectual brasileiro passou pelo nosso Partido, seja na literatura, nas artes plásticas, na arquitetura, na física, na medicina, nas artes cênicas, no cinema, na historiografia, no esporte, na interpretação da formação social brasileira e na teledramaturgia. A nossa presença intelectual e política deixou profundas marcas na história do nosso país.

A energia e a perseverança das lutas sociais, bem como a convicção revolucionária foram aspectos norteadores da batalha que enfrentamos contra os liquidacionistas internos que queriam, a serviço da burguesia, acabar com o PCB. Lutamos e vencemos, nosso partido cresce a partir da reconstrução revolucionária e se apresenta com suas frentes de massas (UJC e UC) e Coletivos (CNMO, CFCAM e LGBTComunista) no combate da luta de classes, com força e determinação para enfrentar a barbárie e lutar em defesa de um projeto de emancipação para a humanidade.

Estivemos nas lutas internacionalistas, apoiamos as revoluções socialistas, fizemos a defesa dessas conquistas e continuamos nos batendo pela revolução proletária mundial. Nossa tradição revolucionária não joga na lata de lixo da história as experiências socialistas, todavia, nosso exame crítico desses processos tem como centralidade agir sobre o presente e projetar novas perspectivas para o futuro.

Vivemos numa conjuntura de grave condensação da crise capitalista no Brasil e no mundo. Hoje, mais do que nunca, a luta pela revolução socialista é o tema central na luta de classes. A sobrevivência da classe trabalhadora está ameaçada, o neofascismo avança com suas hordas pelo mundo capitalista, precisamos compreender o processo social em curso, contudo, o que nos guia é a firme convicção de que é possível lutar e que é possível vencer.

Na quadra histórica atual, reafirmamos nosso compromisso de luta pela revolução brasileira. Nos batendo contra a ordem capitalista e a hegemonia burguesa, denunciando o imperialismo e apresentando as saídas que passam pelo Poder Popular. As perspectivas da revolução e o amplo complexo da teoria marxista-leninista estarão sempre presentes para nos direcionar em nossas lutas anticapitalistas e na defesa do socialismo.

Essa história, esses combates, nossos mártires e heróis serão apresentados, mais uma vez, nesse processo de efeméride dos cem anos do PCB.

Vida longa ao Partido Comunista Brasileiro!