segunda-feira, 17 de junho de 2019

O Lava Jatismo se resume a Sérgio Moro?




Por Luís Fernandes

Os recentes vazamentos de diálogos e áudios entre o ex-juiz Sérgio Moro e membros da Operação Lava Jato desnudam, cada vez mais, a seletividade e orientação política dessa operação e o seu conluio com diversos setores da grande mídia, em especial a Rede Globo e, até mesmo, com membros do STF. A imagem de Sérgio Moro passou a ser amplamente questionada para além do limitado espectro da esquerda política, mas até mesmo, por políticos de direita, oligopólios midiáticos (antes apoiadores) e empresários. Tal fato deve ser comemorado, afinal tais documentos comprovam amplamente as denúncias que grande parte dos movimentos populares e partidos de esquerda faziam sobre a operação. Além disso, Moro, como nas palavras do procurador da república e seu seguidor político Deltan Dallagnol, é o grande líder que despontou a partir dessa operação.
No entanto, ainda predomina a crítica, à direita e à esquerda, de que o grande problema da ação de Sérgio Moro seria o seu desvio institucional, sua imparcialidade como juiz e sua promíscua relação com a operação que, sem dúvida, mais parece a ação de conspiradores. Esses elementos são importantes para a crítica, mas se apenas se resumirem a isso não iremos desnudar e compreender a raiz social, econômica, política e jurídica do dito combate à corrupção no país.
Para início de conversa, ao estudarmos os depoimentos, vazamentos, documentos e informações divulgadas pela Lava Jato, constatamos um complexo e longínquo sistema de corrupção nas entranhas do capitalismo brasileiro. Segundo o historiador Pedro Henrique Campos[1], a associação promíscua entre as empreiteiras nacionais e o Estado brasileiro tem suas origens na acumulação desenvolvimentista do capitalismo nacional, passando por JK e se ampliando sob a ditadura empresarial militar. Não obstante, a maioria das grandes empreiteiras brasileiras foram fundadas e se transnacionalizaram nesse período.
É notório que o surgimento de movimentos ou a simples instrumentalização política da corrupção não é algo novo na história brasileira. Movimentos históricos como o tenentismo, a oposição ao getulismo, a eleição de Jânio Quadros, o golpe de 1964 e o impeachment de Fernando Collor de Mello tiveram a crítica à corrupção como uma de suas pautas, se não a principal. Além disso, ao contrário do que se propaga por alguns aparelhos privados de extrema direita, a relação promíscua entre monopólios privados e governos não começou durante os governos do PT[2].

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Decisão de Bolsonaro de acabar com grupo antitortura vira queixa na ONU

O presidente Jair Bolsonaro

Veja.com - Denise Chrispim Marin

© Adriano Machado/Reuters 

   






  A entidade de direitos humanos Justiça Global apresentou nesta terça-feira,  11.06.2019, queixa à Organização das Nações Unidas contra a decisão do residente Jair Bolsonaro de extinguir os 11 cargos do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) e pediu a investigação dessa atitude. A exoneração dos integrantes do MNPCT, que está subordinado ao Ministério da Mulher Família e Direitos Humanos, constou do decreto 9.831.

  O governo não justificou a medida. Mas indicou que as posições eliminadas poderi-am vir a ser ocupadas por voluntários. Segundo a Justiça Global, a continuidade do trabalho do MNPCT de prevenir e combater a tortura no Brasil se tornará impossível com membros voluntários e não remunerados.

  “Este é um aspecto-chave para garantir a autonomia e a independência (do grupo) para receber e investigar queixas de violações de direitos humanos”, informou a organização não-governamental em carta endereçada a Nils Melzer, relator especial da ONU sobre tortura e outros tratamentos ou punições cruéis, desumanas ou degradantes.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Dia 14/06/2019: vamos parar o Brasil!


CONTRA O DESMONTE DA PREVIDÊNCIA, PELOS DIREITOS SOCIAIS E PELAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS!

Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Nas grandes manifestações de 15 e 30 de maio, estudantes e trabalhadores da educação, juntamente com vários outros segmentos populares, foram às ruas contra os cortes na educação e a radicalização da aplicação das políticas neoliberais pelo governo Bolsonaro. As mobilizações, que incluíram paralisações, passeatas e expressivos atos públicos em mais de duzentas cidades em todo o Brasil, focaram as reivindicações na defesa da Educação e da Ciência, na melhoria de condições de funcionamento das Universidades e dos Institutos Federais, na liberdade de cátedra e na valorização dos profissionais do ensino.
Mas havia muito mais coisa em jogo, afinal o caráter antipopular do atual governo é de tal monta que é difícil listar todos os seus descalabros. Em menos de seis meses, além de aplicar as medidas que visam destruir a educação pública, Bolsonaro e seus asseclas detonaram a política de valorização do salário mínimo, liberaram o uso de agrotóxicos, fizeram regredir a fiscalização contra os agressores do meio ambiente, ampliaram as perseguições e ataques a sindicalistas, ativistas, professoras e professores e estimularam a invasão de territórios indígenas e quilombolas por fazendeiros, tudo isso para favorecer os patrões, banqueiros, latifundiários e monopólios capitalistas. Como se não bastassem tantos ataques, a iniciativa de liberação do porte de armas evidencia a intenção de facilitar a ação criminosa das milícias nas cidades e dos grandes proprietários no campo.
Sob o comando do núcleo ultraliberal dirigido por Paulo Guedes, o governo avança com a agenda de privatizações, alienação do patrimônio público brasileiro, entrega das nossas riquezas naturais, enquanto cresce de forma vertiginosa o desemprego e pioram ainda mais as condições de vida e trabalho da imensa maioria da população. Junto a esses ataques aos direitos da classe trabalhadora e de todo o povo, que foram duramente conquistados com muita luta na história desse país, vem o projeto de desmonte da previdência pública, com o propósito de proporcionar mais lucros ao grande empresariado e ao sistema financeiro.
Uma das justificativas para aprovar a dita Reforma é o suposto rombo da Previdência Social, divulgado como algo que vai desajustar a economia e colocar em risco a manutenção do sistema. Porém, os cálculos apresentados não são baseados na realidade e buscam esconder que o real motivo do projeto é a criação de um mercado para atuação das empresas privadas que desejam abocanhar os volumosos recursos do dinheiro público. E nada se fala sobre a dívida das 50 maiores empresas sonegadoras da previdência, que chega a 450 bilhões de reais!
Mesmo sendo insuficiente para atender as reais necessidades da população brasileira, o atual modelo de previdência tem como princípio fundamental a solidariedade social, caracterizada pela cotização coletiva em prol daqueles que, num futuro incerto, ou mesmo no presente, necessitem de prestações retiradas desse fundo comum. Na lógica atual de repartição, o trabalhador tem parte do seu benefício descontado em folha, e o dinheiro é depositado em um fundo único para manutenção das aposentadorias. Os trabalhadores que estão na ativa, a cada geração, contribuem, juntamente com as empresas e o Estado para assegurar o pagamento de benefícios dos aposentados e outros trabalhadores, que adoecem ou se acidentam.
Trabalhar até morrer ou morrer trabalhando
Apontando como justificativa o aumento da expectativa de sobrevida da população para 76 anos, o governo quer obrigar que trabalhemos mais tempo para conseguir a aposentadoria (homens aos 65 anos e mulheres aos 62). Para receber 100% da aposentadoria será preciso contribuir durante 40 anos! Com 20 anos de contribuição, somente será concedido 60% do valor correspondente à aposentadoria por idade.
A aposentadoria será desvinculada do reajuste do salário mínimo, prevendo-se apenas um aumento de 10% por dependente no caso de falecimento. Os trabalhadores que continuarem em atividade após a aposentadoria não vão mais acessar o FGTS, além de não terem mais direito ao pagamento da multa rescisória de 40% do Fundo de Garantia. Os trabalhadores que sofrerem algum acidente de trabalho e se tornarem incapacitados para o exercício profissional, não vão mais receber o salário integral, apenas uma parcela relativa à média do tempo e dos salários de contribuição. As pessoas em situação de risco ou de extrema pobreza receberão miseráveis R$ 400 reais a partir dos 65 anos e 1 salário mínimo a partir dos 70 anos.
Capitalização: miséria do aposentado e mais lucros para os bancos
Na proposta do governo, somente o trabalhador passará a contribuir, como se estivesse fazendo uma poupança individual, guardando dinheiro para a sua própria aposentadoria. O trabalhador recolherá mensalmente um valor junto à instituição financeira responsável pela operação do seu plano de aposentadoria. Só que uma parte dessa contribuição é o lucro da empresa. No final das contas, vai faltar dinheiro para pagar as futuras aposentadorias.
Este modelo foi copiado do Chile da época do sanguinário ditador Augusto Pinochet, que governou aquele país entre 1973 e 1990. Trinta anos após o fim da ditadura chilena, os trabalhadores de lá que agora estão aposentados não conseguem sobreviver com a aposentadoria que, em muitos casos, é a metade do valor do salário mínimo do país. Por causa dessa terrível situação o índice de suicídios aumentou muito entre os aposentados no Chile.
Fica claro que somente os trabalhadores e as trabalhadoras vão pagar a conta por uma crise que foi fabricada por governos e capitalistas. O projeto governista não vai mexer nos privilégios existentes dos juízes, deputados e militares. As aposentadorias destes últimos custam 17 vezes mais ao Estado do que os benefícios e aposentadorias dos trabalhadores das empresas privadas.
A reforma proposta trará imensos prejuízos à classe trabalhadora e não vai melhorar a economia, pois o que gera receita para a previdência são pessoas empregadas. A aposentadoria deixará de ser um direito social para se tornar mais uma mercadoria a ser oferecida nas prateleiras do sistema financeiro, entregando de mão beijada para os bancos e financeiras a contribuição individual do trabalhador.
Basta de retrocessos! É hora de parar o Brasil!
É possível derrotar a Reforma da Previdência e barrar a política de terra arrasada do Governo Bolsonaro! As manifestações de 15 e 30 de maio mostraram que o caminho sempre está na construção da mais ampla unidade na luta, com mobilização nos locais de trabalho, estudo e moradia, para culminar com massivos atos públicos nas ruas. A hora é de organizar e realizar a Greve Geral de 14 de junho, convocada pelas centrais sindicais e pelo movimento popular. Vamos paralisar os transportes, as escolas, universidades e a produção onde for possível, único meio de fazer ver a patrões e ao governo a indignação contra a retirada de direitos, a tentativa de destruição da soberania nacional, de ampliação das privatizações e de entrega das nossas riquezas em favor dos lucros dos monopólios nacionais e internacionais.
O Partido Comunista Brasileiro conclama o conjunto da sua militância e de seus coletivos a uma vez mais cerrar fileiras com a juventude e a classe trabalhadora na organização desta jornada. Juntamente com o Fórum Sindical, Popular e de Juventude por direitos e pelas liberdades democráticas e com o mais amplo espectro de entidades, movimentos e organizações políticas da cidade e do campo, é preciso avançar, de forma unitária e organizada, a luta contra as ações reacionárias em curso e em favor dos direitos da classe trabalhadora.
CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA!
EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA!
PELOS DIREITOS POLÍTICOS, SOCIAIS E PELAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS!
PELO PODER POPULAR NO RUMO DO SOCIALISMO!


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Conversas vazadas mostram que Moro orientou investigações da Lava Jato; Ministério confirma hack


Redação - Yahoo Notícias   
Celular de Sergio Moro é hackeado e revela que ministro orientou investigações da Lava Jato enquanto era juiz (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)





A força-tarefa da Lava Jato divulgou uma nota onde confirma ter sido hackeada. O comunicado, publicado na noite deste domingo (9), explica que as mensagens trocadas por Sergio Moro e Deltan Dallagnol, atual coordenador da força-tarefa, publicadas pelo site Intercept, são frutos de uma atividade criminosa.
Segundo o Ministério Público Federal, não se sabe o tamanho do vazamento por meio dos hackers, mas os procuradores confirmaram que as conversas publicas são autênticos.
O teor das conversas mostra que Sergio Moro, na época juiz federal, conduziu as investigações, sugeriu trocas de fases da Lava Jato e deu dicas informais a Deltan por mensagens do aplicativo Telegram. Os arquivos trazem históricos entre 2015 e 2017.
Acontece que a Constituição de 1988 estipula que o juiz não pode ter vínculos com as partes do processo judicial. Com a parte acusadora, neste caso o MP, não deve haver troca de informações ou atuação fora das audiências.
Segundo o The Intercept Brasil, eles receberam as conversas de uma fonte anônima e possuem cerca de 1700 arquivos. O conteúdo teria chegado semanas antes da notícia sobre o hack no celular do Ministro da Justiça.
“Há a tranquilidade de que os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial, em mais de cinco anos de Operação", afirma a Lava Jato em nota.
As mensagens de Moro
Em uma das mensagens, em 21 de fevereiro de 2016, Moro sugeriu a Dallagnol que fosse invertida a ordem de duas operações da Lava Jato. O procurador afirmou que haveria problemas logísticos para que isso acontecesse. No dia seguinte, ocorreu a 23ª fase da Lava Jato, a Operação Acarajé.
Em uma conversa de 27 de fevereiro, Moro teria perguntado a Dallagnol: "O que acha dessas notas malucas do diretório nacional do PT? Deveríamos rebater oficialmente? Ou pela Ajufe [Associação dos Juízes Federais do Brasil]?".
Em meio a manifestações de rua contra o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, o então juiz declarou o desejo de "limpar o Congresso", depois de ser parabenizado pelo procurador devido "ao imenso apoio público".
Também em comunicado, Sérgio Moro criticou o Intercept por não ter entrado em contato com ele antes da publicação da matéria. A publicação afirmou que não o fez por receio de receber bloqueios judiciais. em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo.
“Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato”, escreveu.
A relação com Lula
Quando Dilma tentou nomear o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva para a Casa Civil, em março de 2016, Moro divulgou uma conversa gravada entre os petistas. A estratégia de divulgação dos áudios foi discutida entre procurador e juiz.
"A decisão de abrir está mantida mesmo com a nomeação, confirma?", questionou Dallagnol. Moro rebateu, perguntando qual era a posição do Ministério Público Federal, ao que o coordenador da Lava Jato em Curitiba respondeu que era "abrir" e levar a público.
A defesa de Lula emitiu uma nota de repúdia ao ministro. “Ninguém pode ter dúvida de que os processos contra o ex-Presidente Lula estão corrompidos pelo que há de mais grave em termos de violações a garantias fundamentais e à negativa de direitos.”
Segundo os advogados, o ex-presidente foi vítima de "lawfare", a manipulação de leia e procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.


Suspeitas envolvendo Bivar mobilizam Bolsonaro



© Diego Nigro/JC Imagem/Folhapress O presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar













Veja.com  -  Da redação

As novas denúncias envolvendo o presidente do PSL, o deputadoLuciano Bivar (PE), mobilizaram neste sábado o presidente Jair Bolsonaro e dirigentes do partido. O presidente tem demonstrado preocupação com o impacto em sua imagem dos casos relacionados à legenda (alvo de investigações envolvendo suspeitas de candidaturas laranjas em Minas e em Pernambuco, Estado de Bivar). Aliados de Bolsonaro cogitam a possibilidade de agir para forçar a saída de Bivar do comando da sigla, mas parte da bancada do PSL no Congresso articula para barrar o movimento. 

Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, Bivar apresentou à Câmara e ao Tribunal Superior Eleitoral notas fiscais de duas empresas que vendem esse tipo de documento. As notas frias teriam sido usadas pelo parlamentar para justificar gastos com a atividade parlamentar. Na manhã de ontem, Bolsonaro discutiu o assunto com o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e os advogados Karina Kufa e Antônio de Rueda. Kufa atuou na defesa do presidente nas eleições e advoga para o PSL nacional; já Flávio e Rueda presidem o diretório do PSL do Rio e de Pernambuco, respectivamente. O encontro foi no Palácio do Alvorada e durou duas horas.

Segundo deputados e interlocutores do presidente, Bolsonaro tem afirmado não compactuar com as denúncias que envolvem o PSL. O presidente chegou a dizer  ser insuportável pertencer a um partido com escândalos. Aliados de Bolsonaro defendem que Bivar deixe o comando da sigla. Se isso não acontecer, uma das saídas passaria por uma iniciativa dos parlamentares que poderiam protocolar uma representação contra Bivar para convocar uma convenção partidária e fazer nova eleição interna. 

Questionado sobre uma possível saída de Bivar do PSL, o presidente desconversou. “Não sei de nada, não”, falou a jornalistas no início da noite de sábado ao deixar o Palácio do Alvorada em direção à Granja do Torto. Apesar do desconforto causado pelas suspeitas de irregularidades, a bancada do PSL no Congresso não indica que apoiaria um movimento para afastar Bivar. A reportagem apurou que, no grupo de WhatsApp que reúne a bancada, cerca de dez deputados apoiaram Bivar e o restante não emitiu opiniões. 

Defesa –O deputado Alexandre Frota (PSL-SP) saiu em defesa de Bivar. “Nunca vou trabalhar para afastar o Bivar. Ele tem todo o meu apoio, até que me provem o contrário. Ele é o meu presidente. Estamos sob ataque nesse momento e precisamos aguentar. A guerra é para os fortes. Querem tomar o PSL na marra, agora também a (direção) Nacional. Já estão tomando a Estadual. O PSL é um barril de pólvora que vai explodir.”

O líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (PSL-GO), esteve com Bolsonaro no Alvorada após o encontro do presidente com os advogados e seu filho. Na saída, afirmou que o partido ainda não se reuniu para discutir os impactos das denúncias. “Ainda não houve reunião do partido após essas novas denúncias ou suspeitas mas isso vai ser tratado. A gente não tem uma posição neste momento”, disse. “Ele (Bivar) vai ter possibilidade de defesa e provar aí sua inocência.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
(Com Estadão Conteúdo) 

COMENTÁRIOS:  
1 - Interessante é que o "ilustre e honesto" deputado federal Luciano Bivar obteve mais de 3.000 votos em Garanhuns/PE, superando a soma da votação de Paulo Camelo e Fernando Ferro, isto é, nas eleições de 2018;
2 - A população precisa aprender a votar e sempre escolher  os melhores e que apresentem algumas propostas;
3 - Quando você vai num Supermercado não compra alimento vencido, o mesmo deve ser feito na escolha dos candidatos. Portanto, escolha sempre o melhor, seja de Direita, de Centro ou de Esquerda. Com certeza o presidente Bolsonaro era um dos piores. 


sábado, 8 de junho de 2019

De Glória Pires a Taís Araújo: artistas assinam carta contra medidas ambientais de Bolsonaro


 Redação Vida e Estilo,Yahoo Vida e Estilo 
Foto: Reprodução/Instagram

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os atores Mateus Solano, Jacqueline Sato, Thaila Ayala e Sérgio Marone se encontraram nesta semana com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para entregar uma carta aberta contra o que chamam de "medidas que colocam em risco nossa biodiversidade, nossa cultura, a saúde e o bem-estar das pessoas" por parte da gestão Jair Bolsonaro.


O grupo conversou por duas horas e meia com Dogde, que ressaltou a necessidade da aproximação da sociedade civil com o Ministério Público. Além dos famosos, a empresária e ativista Fernanda Cortez, o Vice Procurador Geral da União, Luciano Maia, a presidente da ABRAMPA, Cristina Graça, e assessores também estiveram no local.
O documento também é assinado por nomes como Glória Pires, Taís Araújo, Lázaro Ramos, Alinne Moraes, Dira Paes, Marcelo Serrado e Malu Mader.
Dentre os pontos questionados pelos artistas está "a flexibilização do licenciamento ambiental sem discussão adequada com a sociedade civil, liberando atividades com alto potencial poluidor de maneira irresponsável e sem controle, pode ter como consequência um aumento no número de tragédias como as que aconteceram em Mariana e Brumadinho."
O ritmo de liberação de agrotóxicos também foi alvo da carta: "2019 não tem precedentes na história: foram 169 produtos liberados até maio sendo 48% deles classificados como alta ou extremamente tóxico e 25% não permitidos na União Europeia."
A carta foi protocolada na PGR para apuração dos fatos denunciados no texto. A Procuradora Geral da República se comprometeu em firmar uma parceria com os presentes para impedir o enfraquecimento da proteção ambiental.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Putin pergunta se quem apoia Guaidó está louco



O presidente russo, Vladimir Putin, em uma reunião com investidores estrangeiros no Palácio Konstantin, nos arredores de São Petersburgo, em 6 de junho de 2019







O presidente russo, Vladimir Putin, perguntou nesta quinta-feira (6) se quem apoia o líder de oposição venezuelana Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente e é reconhecido por cerca 50 países, está louco.
"Tenho vontade de dizer àqueles que o apoiam: 'vocês estão loucos ou o quê? Vocês entendem aonde isso os levará?'", declarou à margem do Fórum Econômico em São Petersburgo, citado por agências russas.
Putin, apoiador incondicional do presidente Nicolás Maduro, acusou o opositor venezuelano de ser ilegítimo: "Um homem sai em uma praça, olha para o céu e diante de Deus, se declara chefe de governo. É normal ou não? Depois, será um caos em todo o planeta", disse.
"Vamos eleger o presidente dos Estados Unidos dessa maneira, em qualquer lugar. Na Grã Bretanha escolhemos o primeiro-ministro, na França, se escolherá o presidente assim. O que aconteceria?", acrescentou o mandatário russo.
Putin afirmou ainda que Juan Guaidó é um "homem simpático", e que é "neutro" em relação ao opositor.


quinta-feira, 6 de junho de 2019

Um novo pacto empresarial militar?


Por Daniel Fabre
LAVRA PALAVRA
Vivemos um rearranjo da luta de classes no país e uma tentativa de alinhamento do Brasil em um ciclo de acumulação capitalista mundial. 
O período que se iniciou com o governo Bolsonaro é o fim do interlúdio histórico que foram os anos 2016-2018, na sequência do golpe judicial-parlamentar contra a Presidência de Dilma Rousseff. Primeiro com a farsa do impeachment, segundo com a tragédia econômica e eleitoral. 
Um novo pacto entre o empresariado e os militares se desenha. No Brasil, o século XX está, enfim, morto.
Os jornais noticiam que no atual governo cerca de cem militares compõem a alta cúpula do executivo em Brasília, sem contar os demais espalhados em cargos estaduais e municipais. No primeiro escalão do governo federal são cerca de um terço. Uma inteira geração do oficialato que nunca teve experiência na administração pública agora ocupa cargos decisivos na operação da institucionalidade e de seu jogo com a economia. Pesquisas de 2014-2015 já anunciavam que o exército era a segunda instituição que os brasileiros depositam mais confiança, seguindo a Igreja em primeiro lugar. No entanto, desde o primeiro governo civil de José Sarney, não havia militares no núcleo duro do governo central. Seriam estes trinta anos apenas um entreatos histórico?
O Regime de 1964
O fim do regime militar coincidiu sem coincidência alguma com o fim de um grande ciclo econômico mundial, aquele gerado no pós-guerra do ocidente sob o imperialismo estadunidense. Um cenário marcado pela luta de manutenção do desenvolvimentismo e da industrialização dos países periféricos do capitalismo global, que herdavam do entre guerras a oportunidade, que nos parece cada vez mais assombrosa, de inverter o papel subalterno da economia periférica por meio da substituição de importações.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Educação, ciência e tecnologia para que projeto de nação?



Allefy Matheus, militante da UJC-PI

Anteriormente, discutimos os cortes na educação e outros ataques no contexto da austeridade fiscal imposta pelas classes proprietárias (leia-se, parasitárias) no Brasil [1]. Pretendemos, aqui, levar o debate um pouco adiante: trata-se de discutir não apenas a situação conjuntural da educação, da ciência e da tecnologia, mas sim sua tendência ao longo do padrão de acumulação capitalista que se reproduz em nosso país desde os anos 90.
Primeiramente, adiantamos que o leitor ou leitora pode achar materiais com problematizações similares já publicados; veja-se, por exemplo, o artigo disponível em: http://ujc.org.br/a-destruicao-da-ciencia-e-tecnologia-no-brasil-e-a-necessidade-de-um-projeto-de-educacao-popular-e-socialista/.
Cabe-nos, então, prosseguir com a discussão.
O que significa discutir a questão da educação, da ciência e da tecnologia em termos de um ‘’projeto de nação’’? Trata-se de debatê-las como elementos de um projeto amplo de relações e instituições sociais no país, e pondo à mesa questões fundamentais como que educação, ciência e tecnologia são essas, como são elas? Que finalidade têm elas? A quem, consequentemente, elas beneficiam? Etc.
Desde já, portanto, é preciso afirmar que a produção nacional de educação, ciência e tecnologia se dá sob profunda hegemonia burguesa, inclusive naqueles centros universitários aclamados como estando ‘’os melhores entre os de toda a América Latina’’ [2]. É produção de conhecimento a serviço do capital, dedicando-se à geração de mão de obra e entregando para a ‘’iniciativa privada’’ os frutos de pesquisas científicas que poderiam ser de extremo benefício social, mas se convertem em fonte de lucros de monopólio.

Venezuela: por dentro da tentativa do golpe fracassado


O Brasil de Fato falou com especialistas militares, analistas políticos e jornalistas que cobriram o ataque de Guaidó

Por Fania Rodrigues
No último dia 30 de abril de 2019, a oposição venezuelana, liderada pelo deputado Juan Guaidó, e o dirigente opositor Leopoldo López, líder do partido Voluntad Popular (Vontade Popular), colocou em prática o que eles chamaram de “Operação Liberdade”. Tratava-se de um golpe de Estado que visava a derrubada do presidente Nicolás Maduro pela via militar. O cenário do conflito foi o anel viário Distribuidor Altamira, importante artéria da capital, próximo à base aérea militar La Carlota, na zona leste de Caracas.
O dia não havia amanhecido completamente quando Guaidó transmitiu uma mensagem em vídeo pelas redes sociais, fazendo um chamado aos militares venezuelanos, para que se levantassem contra o governo. O elemento surpresa era Leopoldo López, segundo a jornalista espanhola, Esther Yáñez, correspondente internacional há mais de dois anos na Venezuela. O político foi condenado por delitos cometidos nos protestos violentos de 2014 e estava em prisão domiciliar. “A grande surpresa foi ver Leopoldo López. Foi isso que me fez pensar que algo grande iria acontecer. Já aí meu coração começou a palpitar”, relembra a correspondente dos canais Tele 5 e Tele 4, da Espanha.
A informação, segundo Yañez, chegava a conta-gotas aos jornalistas, subindo a tensão aos poucos. O primeiro alerta veio cedo. “Despertei com uma mensagem enviada às 4h30 da manhã, a um grupo de Whatsapp de jornalista nacionais e internacionais, criado pelo assessor de comunicação de Juan Guaidó. A mensagem dizia: “Atenção, informação em pleno acontecimento”.
A partir desse momento as versões contadas variam de acordo com a ideologia de cada meio de comunicação e de sua linha editorial. Foram muitos aqueles que omitiram informações, tantos outros que manipularam e alguns tantos que mentiram. Esther ficou famosa nas redes sociais, com vídeos que viralizaram, justamente por dizer a verdade e mostrar o que outros meios estrangeiros não estavam contando, inclusive colocando sua vida em risco.

terça-feira, 4 de junho de 2019

CAPES bloqueia mais 2,7 mil bolsas de pesquisa

© WILTON JUNIOR / ESTADÃO Manifestantes protestam contra cortes na Educação no centro do Rio


ESTADÃO - Isabela Palhares

 SÃO PAULO - A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) anunciou nesta terça-feira, 4, o bloqueio de mais 2.724 bolsas de mestrado e doutorado no País. O órgão, ligado ao Ministério da Educação (MEC), diz que o congelamento é necessário em função do contingenciamento de R$ 7,4 bilhões do orçamento da pasta.

No mês passado, a Capes já havia anunciado o corte de 3.500 bolsas - depois da repercussão negativa com a comunidade acadêmica e científica, 1,2 mil foram reabertas em cursos com conceitos 6 e 7. Já na ocasião, Anderson Ribeiro Correa, presidente da Capes, anunciou que um segundo corte poderia ser feito.

O corte nas bolsas de pesquisa foi o estopim para os protestos de estudantes, educadores e cientistas em todo o País. O bloqueio dos auxílios foi comunicado no dia 8 de maio e a primeira manifestação ocorreu no dia 15 de maio de 2019.

O órgão diz que, nessa segunda etapa, serão bloqueadas as bolsas de cursos que foram avaliados consecutivamente com nota 3 ou que tiveram redução de nota 4 para 3. "O critério foi estabelecido com o propósito de alinhar a concessão de bolsas no País à avaliação periódica da CAPES, preservando os cursos mais bem avaliados nos últimos 10 anos", diz em nota.

Foram congeladas 2.331 bolsas de mestrado, 335 de doutorado e 58 de pós-doutorado, totalizando 2.724 bolsas. O congelamento não afetará nenhum bolsista que atualmente recebe o benefício da Capes. 




segunda-feira, 3 de junho de 2019

Chile: 97% condenados a aposentadorias miseráveis


Luis Mesina, do movimento popular chileno NO+AFP
DIÁRIO LIBERDADE
Fonte: Barão do Itararé
[Felipe Bianchi e Leonardo Severo]
Nesta entrevista realizada na sede do movimento No+AFP (Não mais Administradoras de Fundos de Pensão), em Santiago, o porta-voz da organização, Luis Mesina, denuncia como o sistema de capitalização da Seguridade Social implantado “em meados dos anos 1980, sob a tirania de Augusto Pinochet”, “condena 97% dos chilenos a aposentadorias miseráveis”, “sendo a expressão trágica de um sistema que nega direitos fundamentais, lançando idosos a cenários desesperadores”.
Desmontando a propaganda neoliberal, o dirigente das massivas manifestações populares em defesa da Previdência pública alertou os brasileiros dos impactos negativos da privatização e defendeu que “é preciso desmontar o argumento de Paulo Guedes de que a reforma enxugará os gastos públicos”. “É mentira, pois é o governo chileno quem paga pelo menos sete entre dez aposentadorias. A capitalização, portanto, aumenta o gasto público, enquanto reduz consideravelmente os benefícios, com o cidadão recebendo menos de 30% do seu último salário”.
Considerando o informe da Organização Internacional do Trabalho (OIT), “um elemento imprescindível para a batalha de ideias contra a reforma da Previdência no Brasil”, Mesina lembrou que, “categórico e contundente”, “o estudo compila ideias que não convêm e nem interessam ao governo de Bolsonaro”, fazendo com que seja praticamente invisibilizado pela grande mídia. O fato, assinala, é que até mesmo “países com governos de direita, como Romênia, Polônia e Hungria, desprivatizaram o sistema de capitalização da Previdência e voltaram ao sistema público”.
 “A capitalização leva a uma desigualdade brutal e a uma alta concentração da riqueza, pois os grandes grupos econômicos – fundamentalmente estrangeiros – usam nossa poupança, nossa humanidade e nossas vidas para financiarem seus projetos espúrios”. “E deixo uma pergunta para reflexão: se o grosso do dinheiro está nas mãos de AFP estrangeiras e de companhias de seguros que são donas das AFP, o que acontece se essas empresas estadunidenses quebram? A Lehman Brothers não quebrou? A Enron não quebrou?”. “É preciso desprivatizar”, sublinhou.
No Brasil, estamos vivendo uma batalha campal neste momento contra o projeto do governo de reforma da Previdência, em que o ministro Paulo Guedes, um dos fundadores do banco BTG Pactual, coloca o modelo chileno como uma maravilha. O que dizer desta declaração?