domingo, 6 de outubro de 2024

Segundo turno em São Paulo será entre Ricardo Nunes e Guilherme Boulos

Guilherme Boulos e Ricardo Nunes (Foto: Brasil 247/Wikimedia)



Atual prefeito chega em primeiro, seguido de perto pelo candidato do PSOL

06 de outubro de 2024.  Atualizado às s.

 


Agência Brasil - Os candidatos Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL) vão disputar o segundo turno das eleições em São Paulo. Nunes teve 29,49% dos votos válidos e Boulos, teve 29,06%. O terceiro colocado, Pablo Marçal (PRTB), alcançou 28,14% dos votos. Até agora, foram apurados 99,52% das urnas.

Ricardo Nunes

Assumiu o protagonismo político na cidade de São Paulo ao assumir a cadeira de prefeito após a morte de Bruno Covas (PSDB), que faleceu em 2021, vítima de câncer. O candidato do MDB, antes de ser prefeito, foi vereador entre 2013 e 2020, tendo sido apadrinhado nesta campanha pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e, de modo mais discreto, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Empresário, tornou-se bem sucedido no ramo de controle de pragas, com uma empresa especializada no ramo da desinfecção de navios nos portos do país. Foi fundador da Associação Brasileira das Empresas de Tratamento Fitossanitário (Abrafit) e diretor da Associação Empresarial da Região Sul de São Paulo (AESUL). Também foi presidente do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de São Paulo.

Como político na Câmara Municipal, se notabilizou ao presidir a comissão parlamentar de inquérito sobre sonegação de impostos, a CPI da Sonegação Tributária. Também ficou conhecido por defender a anistia a templos religiosos e defender pautas conservadoras. É filiado ao MDB desde os 18 anos. Foi alçado a vice de Bruno de Covas quando o adversário, e derrotado, destas eleições José Luiz Datena desistiu do pleito.

Nunes tem sua base eleitoral na zona sul, na região do Grajaú. Seu vice é o ex-coronel da reserva da polícia militar e ex-presidente da Ceagesp, Ricardo de Mello Araújo, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com 56 anos, é casado e tem três filhos. Na campanha de 2020 e nesta também teve que defender-se das acusações de ter violência doméstica contra a companheira Regina Carnovale, em 2011. A esposa teria feito um boletim de ocorrência sobre ameaças e injúria. Nunes chegou a alegar que o documento era falso, mas a Secretaria de Segurança Pública confirmou a veracidade do documento.

Também esteve envolvido em acusações de favorecimento em contratos da prefeitura a amigos, teve que lidar com denúncias de participação do PCC em contratos de transporte público e de superfaturamento em licitações.

Guilherme Boulos

Pela segunda vez, Guilherme Boulos, do PSOL, participa de um segundo turno na disputa pela cadeira de prefeito de São Paulo. O atual deputado federal liderou a maioria das pesquisas de sondagem de voto durante toda a campanha, mas sempre com margens apertadas para os demais candidatos, principalmente Ricardo Nunes (MDB) e Pablo Marçal (PRTB).

Professor, psicanalista, escritor e ativista dos direitos à moradia, Boulos é a esperança da esquerda retomar o comando da principal cidade do país, considerada estratégica para as próximas eleições presidenciais em 2026. Tem a ex-prefeita de São Paulo, ex-deputada e ex-ministra Marta Suplicy como vice e o apoio do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Com 42 anos, o candidato socialista iniciou sua trajetória política como militante do movimento por moradia, sendo um dos principais dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Foi preso em função de seu ativismo, processado várias vezes, mas nunca chegou a ser condenado.

Chegou a candidatar-se a presidente do país em 2018 pelo PSOL, numa coligação com o PCB e o movimento indígena. Na época, sua vice foi a atual ministra Sonia Guajajara, atual ministra dos Povos Indígenas. A chapa teve 617.122 votos, ficando em no modesto décimo lugar no primeiro turno. Em 2020 chegou a disputar o segundo turno das eleições, mas foi derrotado pelo então prefeito Bruno Covas, que faleceu em 2021. À época, o vice Ricardo Nunes assumiu o comando da prefeitura da capital.

Em 2022, o candidato do PSOL foi o primeiro mais votado em São Paulo e segundo mais votado do país na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, com cerca de 1.001.453 votos. Na véspera da eleição denunciou a publicação de um falso laudo médico por parte da campanha de Pablo Marçal, acusando-o de depressão pelo uso de drogas. Por causa disso, Marçal teve suas redes sociais suspensas pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Casado com Natalia Szermeta, tem duas filhas. É filho de um casal de médicos e neto de libaneses.

EM TEMPO: Força camarada Boulos. Rumo a vitória. 

sábado, 5 de outubro de 2024

Mundo multipolar pode frustrar a guerra total de Israel e dos neocons, diz Pepe Escobar

 

Pepe Escobar | Joe Biden com Benjamin Netanyahu | Vladimir Putin com Xi Jinping (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Reuters)



 

Analista destaca o papel crescente de Rússia, China e BRICS no Oriente Médio em entrevista a Danny Haiphong

247 – Em entrevista recente ao canal de YouTube de Danny Haiphong, o analista geopolítico Pepe Escobar abordou as mudanças significativas nas posições de Rússia e China em relação ao Oriente Médio, em meio à escalada de tensões entre Israel e Líbano. Escobar, conhecido por suas análises detalhadas sobre a dinâmica multipolar global, afirmou que o posicionamento dessas potências pode frustrar os planos de guerra total promovidos por Israel e seus aliados neoconservadores.

"Pouco a pouco, os chineses estão se tornando mais assertivos... algo que nunca vimos antes", afirmou Escobar, destacando a declaração inédita de apoio da China a "nossos irmãos árabes, especialmente a Palestina". Segundo o analista, essa posição marcaria um divisor de águas na tradicional postura reservada da diplomacia chinesa, refletindo uma mudança profunda na política internacional.

Escobar também chamou a atenção para a situação crítica no Líbano, onde Israel tem bombardeado intensamente, causando a morte de centenas de civis. "Estamos vendo conversas sobre uma guerra total", disse ele, mencionando os ataques do Hezbollah contra a sede da inteligência israelense, o Mossad, como um indicador de que o conflito pode se expandir ainda mais.

O papel dos BRICS e o desafio da cúpula em Kazan

A expectativa em torno da próxima cúpula dos BRICS, agendada para o final de outubro em Kazan, Rússia, foi outro ponto central da entrevista. Escobar destacou que as negociações entre os membros da coalizão – que agora inclui o Irã – estão em andamento e são cruciais para definir uma posição conjunta em relação à crise no Oriente Médio.

"As negociações estão frenéticas", afirmou Escobar, acrescentando que os BRICS terão de propor um plano geopolítico e econômico para o "Sul Global" que vá além da mera retórica. Um dos temas mais delicados será a resposta à crise humanitária em Gaza, que ele descreve como genocídio, e à possibilidade de uma nova onda de violência no Líbano, onde a maioria das vítimas até agora são civis.

Crítica à ONU e o papel dos EUA

Escobar não poupou críticas à ONU, descrevendo-a como "um monólito de incompetência e irrelevância". Ele observou que, na recente "Cúpula do Futuro", a organização falhou em formular uma resposta adequada à crise em Gaza. "O que vimos em Nova York foi um roteiro surrealista", afirmou, destacando que Rússia, China e Irã rejeitaram o pacto proposto, alegando que era contrário aos interesses dos BRICS.

Segundo Escobar, a inação da ONU diante da crise no Oriente Médio está diretamente ligada ao poder de veto de países como Estados Unidos, Reino Unido e França, que bloqueiam qualquer resolução que possa beneficiar a Palestina ou conter Israel. "Não podemos mais contar com a ONU", concluiu, ressaltando a urgência de uma nova liderança global.

O caminho para um mundo multipolar

Para Escobar, o futuro das relações internacionais passa pela capacidade dos BRICS de superar suas diferenças internas e criar uma alternativa viável à atual ordem mundial dominada pelo Ocidente. A cúpula de Kazan, segundo ele, será um passo importante nesse processo, mas ainda há muito a ser feito. "Eles precisam de um mapa de ações concreto", enfatizou, apontando que as potências emergentes não podem se limitar a discursos.

Com suas declarações contundentes, Pepe Escobar delineia um cenário em que o mundo multipolar, liderado por Rússia, China e outros membros dos BRICS, pode desempenhar um papel decisivo na prevenção de conflitos mais amplos no Oriente Médio e na construção de uma nova ordem internacional mais equilibrada. Assista:

https://www.youtube.com/watch?v=PU_8nm7uYvM

EM TEMPO: Hoje se trata do BRICS + (Brasil, Rússia, Índia,China e África do Sul + Irã + Arábia Saudita + Egito + .... Quanto a abreviatura "neocons" significa: neo conservadores dos EUA. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

PREFEITO NÃO. ESPERO ACONTECER!

 

Palácio Celso Galvão. Crédito: John Wesley

Por Paulo Camelo 

Engenheiro Civil e Militante Político

Em 03.10.2024








O cantor e compositor Geraldo Vandré dizia em uma das suas composições famosas a expressão: “.............quem sabe faz a hora não espera acontecer.............”

Evidentemente, que a composição musical foi composta numa outra época e a música intitulada “PRA  NÃO DIZER QUE FALEI DAS FLORES”, tinha outro significado. Porém, trocando em miúdos não podemos esperar que a falta de criatividade, a negação da condição de Prefeito, aconteça. Como se nós  Garanhuenses  fossemos  todos órfãos e precisamos de um “Papai”  e não de um Prefeito.

Precisamos sim, de um Prefeito que saiba administrar a cidade e tratar os munícipes como pessoas simples, porém sem relação de superioridade do gestor com os nossos conterrâneos. No dia  06 de outubro não podemos alimentar o  domínio  “papal”, pois nem o Papa Francisco quer ser “papai” de alguém. Ok, Moçada! Acorda pra Jesus!

domingo, 29 de setembro de 2024

Nathalia Urban estará presente para sempre como exemplo do melhor jornalismo

Nathalia Urban (1987-2024)
Jornalista exibia uma qualidade essencial, cada vez mais rara: a virtude clássica da coragem
 

 


Jornalista exibia uma qualidade essencial, cada vez mais rara: a virtude clássica da coragem

29 de setembro de 2024

As circunstâncias da morte prematura, aos 36 anos, da jornalista Nathalia Urban, correspondente deste Brasil 247 na Escócia, ainda estão para ser inteiramente esclarecidas.

É necessário aguardar que os responsáveis pela devida investigação policial realizem seu trabalho e apresentem conclusões.

Este 247 defende que tudo seja feito sem atropelos, com zelo, ética e respeito à memória de Nathalia, evitando pré-julgamentos e especulações de toda ordem. 

A comoção criada em torno de sua morte, para além da perplexidade, advém da enorme tristeza da perda, o que tem a ver também com as características de Nathalia como mulher e profissional. Impressionava a todos seu ponto de vista singular, seu antiimperialismo sem peias, a sua maneira destemida de expor as iniquidades do capitalismo e de seus personagens. De tudo isso, sobressaía um autêntico carisma, um magnetismo que a todos cativava e motivou a solidariedade até mesmo do presidente Lula e da primeira-dama Janja.

Eram raros o empenho e a energia que Nathalia imprimia ao trabalho, a precisão e completude das informações que detinha, a qualidade das análises que oferecia ao público numa ampla gama de temas internacionais. Era notável na apuração de informações que ela expunha com explicitude incomum.

O choque por sua morte inesperada tornou evidente a imensidão da perda. Nathalia era um tipo raro de profissional íntegra, fiel à verdade, comprometida em desnudar até o fim os meandros e artimanhas dos operadores de uma ordem internacional injusta e opressiva. Na busca incessante da informação, Nathalia exibia uma qualidade essencial, cada vez mais rara, inerente ao verdadeiro jornalismo: a virtude clássica da coragem.

Em jornadas de entrega intensa, requisitada no Brasil e no exterior, Nathalia não apenas comunicava. Ela o fazia com a energia dos profissionais que chamam a atenção pelo dom de encarnar e convencer pela reflexão informada, à qual ela sempre agregava detalhes subestimados, ângulos inéditos ou perspectivas ocultadas pelo jornalismo submetido a Washington.

Fez do seu trabalho uma trincheira na defesa dos temas do Sul Global, das lutas da América Latina contra o imperialismo, dos direitos das profissionais do sexo, na denúncia do preconceito contra os imigrantes, de que ela mesmo foi vítima.

Por essas virtudes, Nathalia constitui um exemplo não apenas para profissionais tão jovens como ela, mas para os de todas as gerações. Sua trajetória vive como possibilidade de um jornalismo comprometido com a verdade antes de tudo e com a criação intimorata de um mundo melhor. Obrigado, Nathalia.

 

domingo, 22 de setembro de 2024

Garanhuns perde o Poeta e Escritor, João Marques dos Santos, aos 84 Anos

 

Texto extraído do BLOG DO CARLOS EUGÊNIO | domingo, 22 de setembro de 2024

 (@blogcarloseugenio)


Garanhuns amanheceu com uma triste notícia. Faleceu aos 84 anos, o poeta, escritor e autor do Hino de Garanhuns, João Marques dos Santos. A informação foi repassada ao Blog do Carlos Eugênio pelo professor, escritor e membro da Academia de Letras de Garanhuns, Adelmo Camilo.

 


Ele teve uma parada cardiovascular por volta das 23h50min de ontem, dia 21. O SAMU foi acionado e o socorreu, mas João Marques já chegou ao Hospital sem vida.  Ele enfrentava problemas cardíacos e após uma queda no início deste mês, esteve hospitalizado. O Poeta vinha passando por observações e avaliações médicas.  

João Marques criou a letra e música do Hino de Garanhuns, além de possuir diversas obras literárias e ser um dos fundadores da Academia de Letras do Município. Dentre suas principais obras estão os livros de poesia: Temas de Garanhuns; Partições do Silêncio e Messes do Azul. Ele também criou o Jornal O Século, que completou 30 anos no último mês de agosto. 

Recentemente, em julho passado, a Prefeitura de Garanhuns o homenageou durante o Festival de Inverno, dentro do polo de Literatura. A Homenagem a João Marques contou com depoimentos de alguns escritores que integram a Academia de Letras de Garanhuns e da União Brasileira de Escritores (UBE), que ressaltam o legado do Escritor para a cultura e a história de Garanhuns. 

O Corpo de João Marques dos Santos está sendo velado na Câmara de Vereadores de Garanhuns. 

Clique no link abaixo e confira o Hino de Garanhuns, cuja letra é de João Marques dos Santos:

 https://www.youtube.com/watch?v=755JZb9ej5w&t=1s

EM TEMPO: O conterrâneo João Marques é ex-aluno do Colégio Diocesano do Garanhuns e meu ex-colega do Banco do Brasil. Meus sentimentos para os seus familiares e amigos(as)

sábado, 21 de setembro de 2024

Rússia diz que terrorismo israelense é "um ato de guerra híbrida" contra o Líbano

Maria Zakharova, porta-voz da chancelaria russa (Foto: TASS)

 


Rússia se manifestou por meio da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova


 


Reuters - O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que o ataque ao Hezbollah e outros usando pagers explosivos foi um ato de guerra híbrida contra o Líbano, no qual milhares de pessoas inocentes foram feridas.

Uma importante fonte de segurança libanesa e outra fonte disseram à Reuters que a agência de espionagem israelense Mossad plantou explosivos dentro de 5.000 pagers importados pelo grupo libanês Hezbollah meses antes das detonações de terça-feira.

Os militares israelenses se recusaram a comentar a explosão.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, disse em um comunicado: "consideramos o que aconteceu como mais um ato de guerra híbrida contra o Líbano, que prejudicou milhares de pessoas inocentes".

"Chegamos muito perto da Terceira Guerra Mundial na semana passada", diz Pepe Escobar

 

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Reuters)


Analista geopolítico afirma que a resposta russa ao uso de armas de longo alcance pela Ucrânia seria devastadora


 

247 – O analista geopolítico Pepe Escobar, em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, alertou sobre o grave risco que o mundo correu na última semana, quando os Estados Unidos e o Reino Unido consideraram permitir que a Ucrânia utilizasse armas de longo alcance, como os sistemas de mísseis ATACMS e Storm Shadow, contra a Rússia. Segundo Escobar, "se tivessem liberado essas armas para a Ucrânia e os operativos ucranianos tivessem disparado, a gente não estaria aqui conversando". O analista deixou claro que a resposta russa a tal provocação seria devastadora, com Vladimir Putin afirmando que qualquer ataque desse tipo seria considerado uma guerra direta da Rússia contra os EUA e os ingleses.x

Escobar ainda comentou que, embora o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tenha pressionado por mais apoio militar do Ocidente, até o momento, os EUA e o Reino Unido não autorizaram o uso desses sistemas de mísseis por temer as consequências catastróficas. "Putin deu uma resposta primorosa sobre o possível uso de armas de longo alcance contra a Rússia", reiterou Escobar, destacando que Moscou considera essa ação uma mudança drástica no conflito.

Além disso, o analista criticou a postura dos países ocidentais em relação ao ataque de Israel ao Hezbollah no Líbano, que, segundo ele, está sendo comemorado pelos EUA e pela OTAN. Ele destacou que vivemos "sob um império sionista – e não propriamente sob um império americano", e que o ataque em massa ocorrido no Líbano foi um "divisor de águas" no cenário geopolítico global. As declarações de Escobar refletem a crescente tensão entre a Rússia e o Ocidente, que continua a aumentar enquanto a guerra na Ucrânia se prolonga, com intervenções indiretas e riscos de escalada a qualquer momento. Assista:

https://www.youtube.com/watch?v=q6ACNlHa9o4&t=1s 

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Brasil é um dos países interessados em pôr um fim ao conflito na Ucrânia, diz Putin


Segundo o presidente russo, além do Brasil, Índia e China podem intermediar o fim da guerra na Ucrânia

Presidente Lula e Vladimir Putin (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Sputnik/Alexander Kazakov/Pool via REUTERS)



Sputnik - Nesta quinta-feira (5), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, discursou no Fórum Econômico do Oriente, na cidade russa de Vladivostok.

Putin disse que o Fórum Econômico do Oriente se tornou uma plataforma para discutir estratégias de desenvolvimento da Rússia e de toda a Ásia-Pacífico.

"O Fórum Econômico do Oriente se tornou, por direito, uma plataforma reconhecida para o estabelecimento de contatos comerciais sólidos e discussão de questões estratégicas de desenvolvimento do Extremo Oriente russo e de toda a região da Ásia-Pacífico", disse Putin em uma sessão plenária do Fórum Econômico do Oriente.

Segundo ele, os principais laços comerciais e rotas de comércio estão cada vez mais reorientados para o Oriente e o Sul Global.

"Os desafios que enfrentamos recentemente e as tendências objetivas, [...] que estão ganhando força na economia global, em que os principais laços comerciais, rotas de comércio e, em geral, todo o vetor de desenvolvimento estão cada vez mais reorientados para o Oriente e o Sul Global. Nossas regiões do Extremo Oriente fornecem acesso direto a esses mercados promissores em crescimento e nos permitem superar as barreiras que algumas elites ocidentais estão tentando impor ao mundo", disse o líder russo.

O presidente russo assegurou que a Rússia vai melhorar o clima de negócios em geral na Rússia e na região do Extremo Oriente especificamente para investidores estrangeiros.

Vladimir Putin anunciou a criação de um Território de Desenvolvimento Avançado na região de Primorie, cuja capital é Vladivostok.

Estes territórios na Rússia são zonas econômicas com condições fiscais favoráveis, procedimentos administrativos simplificados e outros privilégios criados para atrair investimentos, acelerar o desenvolvimento econômico e melhorar a vida da população.

"Mais de mil acordos, totalizando mais de 10,5 trilhões de rublos [R$ 663,8 bilhões], foram assinados somente nos últimos três fóruns", disse Putin.

Putin afirmou que a Rússia vai expandir a parceria com parceiros estrangeiros, continuando a fortalecer a posição da Rússia no mundo.

Situação na zona da operação militar especial

Quando perguntado sobre a situação na região de Kursk, Putin respondeu que o Exército da Rússia deve remover o inimigo do território russo. Ele também afirmou que os moradores das regiões fronteiriças russas sofrem com os ataques terroristas por parte da Ucrânia.

Kiev queria obrigar a Rússia a ficar agitada e nervosa, para interromper a ofensiva russa em Donbass, mas nada deu certo, afirmou o mandatário.

Segundo ele, não há ações por parte dos ucranianos para conter a ofensiva russa na zona da operação especial. As perdas das Forças Armadas ucranianas podem levar à destruição da linha de frente e à perda da capacidade de combate do Exército ucraniano, que é o que a Rússia deseja.

O presidente russo confirmou que as Forças Armadas russas estabilizaram a situação e começaram a expulsar o inimigo das áreas fronteiriças do território russo.

Os líderes do Brasil, China e Índia pretendem sinceramente ajudar no processo de solução do conflito ucraniano, sublinhou o presidente russo Vladimir Putin.

"Respeitamos os nossos amigos e parceiros que, acredito, estão genuinamente interessados em resolver todas as questões relacionadas a esse conflito. Trata-se principalmente da República Popular da China, do Brasil e da Índia", disse Putin.

Segundo Putin, foi possível chegar a um acordo com Kiev em Istambul em 2022, o lado ucraniano ficou satisfeito com os acordos alcançados, mas eles receberam uma ordem para não fazer isso.

"Conseguimos chegar a um acordo, essa é a grande questão. A assinatura do chefe da delegação ucraniana, que rubricou esse documento, atesta isso, o que significa que o lado ucraniano ficou, de modo geral, satisfeito com os acordos firmados. Ele não entrou em vigor apenas porque eles receberam uma ordem para não fazer isso, porque as elites dos EUA, da Europa, de alguns países europeus, queriam alcançar uma derrota estratégica da Rússia", revelou Putin.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que se a Ucrânia desejar realizar conversações, a Rússia não vai se recusar, mas elas serão realizadas com base nos acordos estabelecidos em Istambul em 2022.

domingo, 15 de setembro de 2024

"Agenda neocon impulsiona todas as guerras no mundo", diz Jeffrey Sachs

 

(Foto: .REUTERS/Max Rossi)


"A Guerra Fria nunca acabou para os neoconservadores (neocons) e para a CIA", afirmou ele


 



247 – Em entrevista ao canal Judging Freedom no YouTube, o renomado economista e professor Jeffrey Sachs criticou duramente a agenda neoconservadora dos Estados Unidos, afirmando que ela está por trás de todos os principais conflitos armados da atualidade, incluindo as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia. Segundo Sachs, desde o fim da Guerra Fria, a política externa dos EUA, sob a influência dos neoconservadores, tem buscado a dominação global a qualquer custo, ignorando as consequências desastrosas dessas ações para a paz mundial.

Sachs argumenta que essa postura hegemônica começou a ser consolidada nos anos 1990, após a dissolução da União Soviética. "A Guerra Fria nunca acabou para os neoconservadores e para a CIA", afirmou ele. "Nos anos 1990, tivemos a chance de construir um sistema de cooperação global, mas optamos por uma política de vitória e dominação. Queríamos expandir a OTAN para as fronteiras da Rússia, e isso provocou a escalada que vemos hoje."

A agenda neoconservadora, segundo Sachs, tem se manifestado em diversas frentes, como no apoio dos EUA à expansão militar e nas ações unilaterais em regiões estratégicas. Ele apontou que o apoio dos EUA a Israel em suas operações militares é mais um exemplo de como essa política busca a supremacia global, muitas vezes em detrimento da paz. Sobre o recente anúncio do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de uma possível invasão ao Líbano, Sachs foi enfático: "Israel está em guerra contra Gaza, e agora enfrenta ataques do Hezbollah no norte. O objetivo de Netanyahu é trazer os Estados Unidos para o conflito, pois Israel não pode vencer essas guerras sozinho."

Dominação em vez de cooperação

A crítica de Sachs também se estendeu à guerra na Ucrânia. Ele afirmou que o conflito é uma provocação liderada pelos EUA, que começou com a expansão da OTAN para o leste, aproximando-se perigosamente das fronteiras russas. “A Ucrânia é a borda da Rússia, e desde 1992 os EUA têm tentado cercar e isolar a Rússia. Esse conflito foi provocado pela decisão de expandir a OTAN, e agora temos uma guerra devastadora que poderia ter sido evitada.”

Sachs criticou o papel de figuras importantes da política externa americana, como Victoria Nuland, que, segundo ele, desempenhou um papel central em diversas administrações, tanto democratas quanto republicanas, na perpetuação dessa política de dominação. "Desde os anos 1990, Nuland está envolvida em todas as decisões que impulsionaram a expansão da OTAN e a intervenção nos assuntos internos da Rússia e da Ucrânia", afirmou Sachs. "Ela representa a continuidade de uma política que busca subjugar a Rússia, em vez de promover a cooperação."

Sachs também alertou para os riscos de uma escalada dos conflitos, especialmente no Oriente Médio. "Netanyahu acredita que, ao envolver os Estados Unidos em uma guerra contra o Irã, ele pode alcançar o objetivo de criar uma 'Grande Israel'. Mas isso é uma ilusão perigosa, que pode levar a uma guerra regional de grandes proporções, envolvendo também aliados como Rússia e China, que fazem parte do BRICS."

Ao comentar sobre o impacto dessas políticas nos EUA, Sachs foi claro: "A agenda neoconservadora não reflete a vontade do povo americano, mas sim de um pequeno grupo de elites que domina a política externa do país. O apoio a Israel, por exemplo, não é algo endossado pela maioria dos americanos, mas sim uma consequência do poder do lobby israelense em Washington."

Sobre a guerra na Ucrânia, Sachs foi ainda mais direto: “A Ucrânia está perdendo a guerra. O número de mortos é imenso, e ainda assim o governo Zelensky, com o apoio dos EUA e do Reino Unido, continua a insistir em uma escalada. Essa guerra só vai piorar se continuarmos nesse caminho.”

"Poderíamos ter paz amanhã"

Em sua visão, a única solução para esses conflitos é uma mudança radical na postura dos EUA e de seus aliados. "Se os EUA quisessem, poderíamos ter paz amanhã, tanto no Oriente Médio quanto na Ucrânia. Mas isso exigiria abandonar a ideia de hegemonia e aceitar um mundo multipolar, onde o diálogo e o respeito à soberania dos outros países sejam a base das relações internacionais."

Jeffrey Sachs concluiu a entrevista pedindo prudência: “Estamos em uma situação extremamente perigosa. Precisamos de líderes que lutem pela paz, e não pela guerra. Continuar nesse caminho de provocações e escaladas só nos levará a uma catástrofe global.” Assista:

https://www.youtube.com/watch?v=8HlZX-yMTz8

EM TEMPO: O lamentável  é que a população ucraniana fica indefesa e a mercê dos caprichos do extremista de direita Zelensky, cujo mandato já findou, mas utiliza a guerra contra a Rússia para se manter no poder. Algo semelhante faz Netanyahu em Israel. Quanto aos EUA fica difícil uma solução de paz mundial, uma vez os principais candidatos a presidência, Kamala e Trump, são dominados pelos "neocons". A política externa dos EUA é de guerra permanente.