terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Depois de pressionar Padilha, Arthur Lira resolve mirar em Nísia Trindade

Nísia Trindade, Lula e Arthur Lira (Foto: ABR)

O parlamentar apresentou requerimento para a titular da Saúde explicar a execução orçamentária da pasta. O deputado já havia pressionado por demissão no primeiro escalão do governo

6 de fevereiro de 2024



247 - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), decidiu agir contra a ministra da Saúde, Nísia Trindade. O parlamentar apresentou requerimento para a titular da pasta explicar como foram aplicadas as emendas parlamentares na Atenção Primária (PAP) e na Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar (MAC) em 2023. A informação foi publicada nesta terça-feira (6) pela coluna de Guilherme Amado.

O deputado apresentou sete questionamentos sobre a execução orçamentária do Ministério da Saúde. Ele declarou que trata como “urgente” a apresentação de informações sobre a distribuição do dinheiro e a relação de beneficiários e valores.

O presidente da Câmara também teria pressionado o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a demitir o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. O petista teria decidido manter o titular da pasta.

EM TEMPO: A população precisa urgentemente melhorar a qualidade do voto, escolhendo candidatos que sejam democráticos, progressistas e de esquerda.

Ministério da Fazenda suspeita de lavagem de dinheiro em programa apoiado por Arthur Lira

Deputado Arthur Lira (Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara )

Fiscais da Receita investigam supostas fraudes no Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, apoiado pelo presidente da Câmara, que tem feito pressão contra o governo

6 de fevereiro de 2024



247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou a lideranças do Congresso Nacional que o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos) teria lavagem de dinheiro de atividades ilícitas no país. A informação foi publicada nesta terça-feira (6) pelo jornal Folha de S.Paulo

Fiscais da Receita Federal investigam o projeto após o custo do programa aumentar no ano passado. O valor declarado pelas empresas chegou a R$ 17 bilhões. A estimativa era de um gasto anual de R$ 4,4 bilhões. Números preliminares repassados pela área técnica ao Palácio do Planalto apontaram que o custo do programa pode ter chegado até R$ 30 bilhões com as possíveis fraudes. 

O programa é apoiado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), com quem o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta manter um nível de articulação que não coloque em risco a aprovação de pautas defendidas pela gestão petista. 

O deputado do PP teria pressionado o governo Lula a demitir o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. O petista teria decidido manter o titular da pasta. O presidente da Câmara também mira Nísia Trindade, responsável pelo Ministério da Saúde. >>> Após ameaças de Arthur Lira, Haddad afirma que "vai dar tudo certo"

EM TEMPO: O PSB saiu do grupo chamado de "Blocão" ora comandado por Arthur Lira, mas não se sabe se o dep. fed, Felipe Carreras, aliado do prefeito Sivaldo Albino, também se afastou. Será? 

sábado, 3 de fevereiro de 2024

Manifestantes voltam a pedir a deposição de Netanyahu em Israel

Protesto contra Netanyahu (Foto: Sputnik)








População israelense protesta contra a situação dos reféns e também contra o genocídio; governo Netanyahu já assassinou mais de 27 mil palestinos

3 de fevereiro de 2024

Sputnik – Manifestações em várias cidades israelenses marcam o 120º dia da ofensiva no enclave. Em Tel Aviv, ato reuniu manifestantes em frente à casa do primeiro-ministro israelense.

Uma série de marchas tomaram Israel neste sábado (3), data em que a ofensiva israelense na Faixa de Gaza completa 120 dias. Os manifestantes pedem a libertação dos reféns israelenses levados pelo grupo palestino Hamas para o enclave, a destituição do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e a convocação de eleições antecipadas.

Em Tel Aviv, os manifestantes se reuniram na praça localizada em frente ao Museu de Arte, que ficou conhecida como Praça dos Reféns, por conta das manifestações realizadas no local. Os manifestantes também se reuniram em frente à casa do presidente israelense, Isaac Herzog, e em frente à casa de Netanyahu. Também houve manifestações nas cidades de Haifa, Berseba, Karkur, Kfar Saba, Modi'in, Éilat e Rehovot.

Fora de Israel, uma marcha em solidariedade ao povo palestino reuniu milhares de pessoas em Londres, pedindo o cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza.

Segundo dados do Ministério da Saúde palestino, a ofensiva israelense na Faixa de Gaza já deixou pelo menos 27 mil mortos e 66 mil feridos. Do lado israelense, o número de feridos é de 10 mil e o de mortos é de 1,4 mil, sendo a maioria (1,1 mil) no ataque do Hamas ao território israelense em 7 de outubro.

Por que procuradores, outros agentes públicos e jornalistas viúvos da Lava Jato tremem ante decisões de Toffoli

O ministro do STF Dias Toffoli (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)

É mentira que a suspensão do acordo da J&F “não tem nada a ver” com a mesma decisão concedida à Odebrecht. Tudo saiu da usina de factóides vazados da PGR

Por Luís Costa Pinto (Jornalista)

 


Sob o número 1.00.002.00050/2020-73, um inquérito administrativo disciplinar instaurado pela ex-procuradora-geral interina Elizeta Maria de Paiva Ramos, em 21 de julho de 2020, quando era corregedora-geral do Ministério Público Federal, é o motor de tantos comentários derrogatórios, eivados de aleivosias, e dos inúmeros textos verborragicamente ensandecidos e factualmente desprovidos de provas ou nexos que têm tido por alvo e vítima central o ministro do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, desde que ele proferiu as decisões de suspender os acordos de leniência com a J&F (holding da JBS) e a Odebrecht (hoje, Novonor).

Qual senha numérica capaz de abrir um portal que dá acesso ao outrora mundo encantado da “Fantástica Fábrica de Delações Premiadas e Vazamentos Coreografados e Dirigidos” aos que cruzam seu umbral, o código 1.00.002.00050/2020-73 permite a quem lê o papelório produzido pelas investigações daquele inquérito administrativo vislumbrar no esplendor de seu funcionamento o açougue onde foram assassinadas inúmeras reputações de pessoas físicas e jurídicas e esquartejadas corporações privadas. 

Lançando mão do mesmo modus operandi, procuradores que deviam ser “da República”, lotados em Curitiba, ou no Distrito Federal, ou em São Paulo, ou no Rio de Janeiro, pinçavam trechos de investigações apartados das devidas e necessárias explicações dos advogados de defesa (ou antes que as defesas judiciais dos acusados se manifestassem) e vazavam para um seleto grupo de jornalistas dos mais variados veículos - O Globo, TV Globo, CNN, Folha de S Paulo, uol, O Estado de S Paulo, revista Piauí, revista digital Crusoé, site Vortex.com - explicitando sempre onde se queria chegar na detração dos personagens.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Queda do desemprego no Brasil está diretamente ligada à queda de Sergio Moro

Sergio Moro  (Foto: Lula Marques - Agência Brasil)







Há uma correlação direta entre a melhora do mercado de trabalho no Brasil e o ocaso do ex-juiz suspeito Sergio Moro.

Por Leonardo Attuch (Jornalista)

1 de fevereiro de 2024

Nenhum cidadão, em nenhum país do mundo, em qualquer período histórico, foi responsável pelo desemprego de tantos de seus compatriotas quanto o ex-juiz suspeito Sergio Moro, que deverá ser cassado na próxima quinta-feira, por abuso de poder econômico e caixa dois em sua campanha para o Senado. À medida que se aproxima a guilhotina do chamado "marreco de Maringá", não por acaso, as empresas brasileiras voltam a contratar. 

O desemprego no primeiro ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu ao menor nível desde 2014, mesmo ano em que nasceu a Lava Jato, porque o dinamismo do mercado de trabalho no Brasil é inversamente proporcional ao lavajatismo. Quanto mais forte Moro estava, mais fraco era o mercado de trabalho no Brasil. Quanto mais fraco Moro está, mais forte o mercado de trabalho.

Só isso já seria o bastante para banir o ex-juiz suspeito da vida pública para sempre. Se não por seus crimes de campanha, pelos danos econômicos causados ao Brasil e aos brasileiros. Confira, abaixo, a representação gráfica do que Moro representou para o Brasil com a evolução do desemprego nos últimos dez anos e saiba mais sobre os dados anunciados pelo IBGE:

Evolução da taxa de desemprego no Brasil (Photo: IBGE)










A taxa anual de desocupação foi de 7,8%, recuando 1,8 ponto percentual (p.p.) frente à média de 2022 (9,6%). No confronto contra 2019 (11,8%), o recuo é de 4 p.p. Frente a 2012, quando a taxa média foi de 7,4%, o aumento foi de 0,4 p.p. A população desocupada no ano totalizou 8,5 milhões de pessoas em 2023, com queda de 1,8 milhões (-17,6%) frente a 2022. 

população ocupada chegou a 100,7 milhões de pessoas em 2023, batendo o recorde da série histórica, iniciada em 2012, ficando 3,8% acima de 2022. Frente à média de 2012 (89,7 milhões de pessoas), houve aumento de 12,3%. O nível da ocupação (percentual ocupados na população em idade de trabalhar) foi estimado em 57,6% em 2023, 1,6 p.p. a mais que em 2022 (56,0%). O maior nível da ocupação ocorreu em 2013 (58,3%). A estimativa anual da taxa composta de subutilização foi estimada em 18,0%, redução de 2,9 p.p. em relação a 2022, quando a taxa era estimada em 20,9%. Esse indicador foi de 24,4% em 2019, 15,9% em 2014 e 18,7% em 2012.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Transparência Internacional e o lavajatismo: aliança que arruinou o Brasil sobrevive e tem juiz em posto-chave

Os homens da Transparência e da Lava Jato: Bruno, Ugaz, Moro e Danilo (Foto: Justiça Federal)









O magistrado que assumiu o lugar de Appio é aliado de Moro, e ambos se reuniram com a ONG estrangeira em 2016, ano em que Dilma foi derrubada.

Por Joaquim de Carvalho (Jornalista do Portal 247)

31 de janeiro de 2024

A foto que ilustra este artigo é uma prova de que o lavajatismo sobrevive no Judiciário e na imprensa corporativa, que podemos chamar de velha imprensa ou imprensa entreguista. É uma aliança entre jornalistas e agentes públicos que sabotam todo projeto de soberania nacional. Mas vamos à foto, tirada em 2016, ano do golpe contra a presidente Dilma Rousseff. O homem de barba à esquerda é Bruno Brandão, executivo da Transparência Internacional que ajudou Deltan Dallagnol a formatar seus negócios com dinheiro da Petrobras e da Odebrecht.

Também orientou procuradores no acordo de colaboração da JBS. Seria uma espécie de sócio de Dallagnol em projetos bilionários. Ao lado dele, está José Carlos Ugaz, que foi juiz no Peru e presidia a Transparência Internacional. Na época, a ONG com sede em Berlim se consolidava no Brasil graças à articulação de Josmar Verillo, que representava os interesses de uma multinacional que se aproveitou do cerco à JBS para tentar comprar a fábrica de celulose Eldorado, um negócio que é contestado hoje na Justiça.

Ao centro, está o notório Sergio Moro, e ao lado dele, Danilo Pereira Júnior, também juiz federal. É sobre Danilo que se pretende jogar o foco neste artigo. O homem da ponta é um servidor administrativo da Justiça Federal em Curitiba. Danilo era colega de Moro e foi denunciado por Tony Garcia, na série de entrevistas que deu à TV 247 e também nos depoimentos que prestou na investigação determinada pelo ministro Dias Toffoli, do STF.

Danilo era advogado do consórcio Garibaldi, em 1994, quando houve a intervenção do Banco Central por irregularidades graves. Uma delas era o sorteio fraudulento de carros, e uma das beneficiadas foi a esposa de Danilo. Mais tarde, Danilo fez concurso e entrou na Justiça Federal, quando o processo criminal estava adormecido. Em 2003, depois que assumiu a Vara de Crimes Financeiros de Curitiba, Sergio Moro resgatou o processo e foi atrás de Tony Garcia.

Para isso, o papel de Danilo foi decisivo. Ele procurou seu antigo chefe no consórcio, Agostinho Souza, e o orientou a prestar depoimento de colaboração a Moro, Danilo já era juiz. O depoimento contém uma declaração que mais tarde o próprio Agostinho desmentiu, quando foi processado por Tony Garcia. Agostinho disse a Moro que tinha sido ameaçado de morte por Tony, mas na Justiça Estadual do Paraná, onde corria o processo por crime contra a honra, chorou e admitiu que não era verdade. Mas, para Tony, já era tarde. 

Com base no depoimento de Agostinho, Moro enviou ofício ao Superior Tribunal de Justiça, e pressionou para que o habeas corpus que trancava a ação contra Tony Garcia fosse cassado, e ele pudesse retomar o processo. Cassado o habeas corpus, Tony foi preso e fez um acordo que o tornou agente infiltrado de Moro, cometendo crimes em série para satisfazer o magistrado, segundo contou. Moro usou Tony não no processo do Garibaldi, mas para atingir outros alvos. Danilo foi poupado na ação, e a esposa dele nem sequer foi intimada a depor.

Procurei Danilo para que ele se manifestasse sobre essas questões, mas ele optou pelo silêncio. Algumas semanas depois, Danilo pediu para assumir como titular a vara que foi de Moro e concentra os processos e arquivos da Lava Jato. Danilo só assumiu o cargo depois que Eduardo Appio foi, na prática, obrigado a se transferir para outra vaga. Juiz é inamovível, mas a alternativa de Appio seria enfrentar um processo administrativo que poderia provocar sua aposentadoria compulsória.

A presença de Danilo na 13a. Vara pode se tornar um problema para o Judiciário, não só porque foi um longa manus de Moro, mas porque, antes de se candidatar à vaga, ele votou pela suspeição de Appio quando substituiu um desembargador na 8a. Vara do Tribunal Regional Federal da 4a. Região. Esse voto dele pode gerar pedidos de suspeição em série nos casos da Lava Jato, já que contribuiu para inviabilizar a permanência de Appio na 13a. Vara. Que interesse ele tem? Preservar os arquivos que podem comprometer Moro e Gabriela Hardt? 

É sabido que a correição que sacudiu a Justiça Federal no sul só foi aberta no Conselho Nacional de Justiça depois que Appio comunicou a suspeita de desvio bilionário. Algumas semanas depois, caiu. São fatos graves que a velha imprensa, aliada do lavajatismo, omite ou não procura saber. É por isso que, sim, o lavajatismo sobrevive, e é inimigo dos interesses nacionais.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

"O Império ficará mais perigoso depois de perder as guerras na Ucrânia e em Gaza", diz Pepe Escobar

(Foto: Brasil247 | Reuters )



"Há uma solidão ideológica do Império, que fica evidente na Palestina", disse ainda o analista geopolítico




247 – Em uma entrevista à TV 247, o analista geopolítico Pepe Escobar lançou luz sobre as complexidades das guerras na Ucrânia e em Gaza, destacando não apenas as perdas territoriais e políticas, mas também as ramificações ideológicas que reverberarão pelo cenário global. Em suas declarações, Escobar alertou para um futuro mais perigoso após as derrotas do Império, ressaltando a solidão ideológica que se torna evidente na Palestina.

O ano de 2024 marca um ponto crítico na geopolítica mundial, onde as batalhas na Ucrânia e em Gaza têm consequências profundas. A recente decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre a denúncia da África do Sul contra Israel intensificou as discussões sobre os direitos humanos e as ações de guerra na região. Em uma decisão sem precedentes, a CIJ exigiu que Israel tomasse medidas imediatas para prevenir o genocídio palestino, além de garantir assistência humanitária urgente na Faixa de Gaza. Contudo, a ausência de um cessar-fogo ressalta a complexidade do conflito e a persistência das hostilidades.

Durante sua entrevista à TV 247, Pepe Escobar emitiu uma série de declarações incisivas, destacando os desafios iminentes que o Império enfrenta:

  1. O Império vai se tornar ainda mais perigoso, ao perder as guerras em Gaza e na Ucrânia: Escobar adverte que as derrotas militares não enfraquecerão necessariamente o Império, mas sim o tornarão mais agressivo em suas abordagens futuras.
  2. 2024 é o ano da Grande Decisão. Pode ser o ano da derrocada final do Império: As batalhas em andamento representam uma encruzilhada histórica, onde o destino do Império pode ser selado.
  3. Há uma solidão ideológica do Império, que fica evidente na Palestina: Escobar aponta para a desconexão entre os valores proclamados pelo Império e suas ações reais, particularmente visíveis no conflito palestino.
  4. Sionistas expressam hoje uma psicopatia bíblica: Essa afirmação aponta para as complexidades ideológicas e religiosas que permeiam o conflito em Gaza, onde narrativas históricas se misturam com interesses contemporâneos.
  5. Porta-vozes do imperialismo apontam Trump como o colapso da civilização ocidental. A razão de existir do imperialismo são as guerras eternas: Uma crítica contundente à instrumentalização das guerras como uma estratégia de poder global.

As análises de Escobar ecoam em um momento crucial, onde as potências globais se confrontam não apenas em termos militares, mas também ideológicos e humanitários. Enquanto o mundo observa atentamente os desdobramentos na Ucrânia e em Gaza, as palavras do analista geopolítico ressoam como um lembrete das apostas extraordinárias que estão em jogo. Assista:

https://www.youtube.com/watch?v=pGfi1AlzhFY&t=9s 

domingo, 28 de janeiro de 2024

A polícia brasileira está cada vez mais evangélica, autoritária e violenta

 

Policiais prendem manifestantes na capital paulista (Foto: Lucas Martins, no Brasil de Fato)






28 de janeiro de 2024

Consequência de um cristianismo que nasceu como sistema político e não como religião.

Escreve: Ricardo Nêggo Tom (Cantor, compositor, produtor e apresentador do programa Um Tom de resistência na TV 247

Você já se perguntou o porquê de só três séculos após a sua morte Jesus Cristo ter sido entronizado oficialmente como o salvador da humanidade? O Concílio de Nicéia pode nos ajudar a entender tal questionamento quando, a partir da romanização de um culto que, até então, era primitivo, foi estabelecido que um só Deus ao mesmo tempo seria três pessoas. Pai, filho e espírito santo. Algo que foi duramente contestado pelas igrejas reformadas e por outras religiões monoteístas, como o Judaísmo e o Islamismo, que não creem no caráter divino de Jesus Cristo como segunda pessoa da Santíssima Trindade. 

A questão é que tal conceito de Trindade divina já existia na religiosidade de outras civilizações, como, por exemplo, o Egito, cuja tríade era formada por Hórus, Ísis e Osíris, e na Índia por Brahma, Vishnu e Shiva. O que nos leva, na melhor das hipóteses, a deduzir que a doutrina da Igreja Católica Romana instituída após o referido concílio eclesiástico, 325 anos depois de Cristo, é uma apropriação cultural.

Convocado pelo Imperador romano Constantino I, o Concílio de Nicéia foi o divisor de águas da fé cristã. Diria até que a fé das pessoas foi lançada por água abaixo após a politização da espiritualidade dos fiéis em benefício do Estado. Com o objetivo de obter um consenso na Igreja com relação à natureza divina de Jesus e organizado aos moldes do senado romano, o Concílio determinou a construção da primeira parte do chamado Credo Niceno, uma profissão de fé dos 318 bispos que participaram da reunião. Uma simbologia imitada nos dias de hoje pela Igreja Universal de Edir Macedo e a sua “reunião dos 318 pastores". 

Igreja como negócio e igreja como extorsão: o que fazer diante do mercado da fé?

(Foto: Reprodução)

"Não há argumento racional, político ou ético que se possa alegar contra o pagamento de impostos por parte de líderes religiosos", diz Marcia Tiburi (Filósofa, Escritora e Professora)


 

A norma que dava isenção fiscal a líderes religiosos foi derrubada pela Receita Federal há alguns dias. A isenção, concedida por Bolsonaro, colocou pastores em guerra contra o governo que, na verdade, não pode fazer nada diferente se quiser colocar a democracia em prática. 

Todo cidadão paga impostos, ou seja, também os fiéis das igrejas pagam impostos e os pastores e padres não são diferentes até porque vivem do dinheiro dos fiéis. Não há argumento racional, político ou ético que se possa alegar contra o pagamento de impostos por parte de líderes religiosos que não possa ser usado por qualquer outro cidadão para deixar de pagar os seus próprios impostos. 

Para além disso, as igrejas tem assumido sua vocação empresarial, há muito tempo se fala em igrejas de mercado que tem escondido o que de fato fazem que é comercializar a fé, transformando Deus e Jesus em uma mercadoria barata. O que Jesus Cristo chamou de “vendilhões do templo” nunca deixaram de existir, aliás eles se especializaram. Vemos pastores usando caríssimas roupas de marca, comprando carros luxuosos, casas luxuosas, tudo com o dinheiro dos fiéis que, na maioria das vezes, são coagidos ou chantageados a pagar o dízimo e o fazem com muito sacrifício. 

Há poucos dias uma pastora, cujo investimento em estética corporal e facial deve ter custado muito dinheiro dos fiéis que pagam atualmente as igrejas com pix, pedia valores relacionados à idade das pessoas, quem tem 18 anos paga 18, quem tem 40 paga 40, e assim por diante. Ela criou o milagre da idade, um golpe de marketing em que a fé é manipulada  teopsiquicamente sem vergonha nenhuma. Um pastor, igualmente tatuado e sarado, vendendo-se como “macho”, criou justamente uma igreja para “machos” em que pretende restaurar o que seria o “macho bíblico”. 

O pastor inaugura o pós-fundamentalismo estético, pois até onde se pode ler na Bíblia, as indumentárias eram bem diferentes. Com sua “machonaria” ele passa a fazer parte de um nível avançado da performance do ridículo político, tendência maior da política rebaixada à publicidade e, também ela, a mercado. Ou o Brasil assume o Estado Laico, ou não haverá país nenhum.

EM TEMPO:  Considere ainda  o envolvimento político partidário em nome de Deus. 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Monitoramento de promotora do caso Marielle tem forte indício de obstrução à investigação, diz Pedro Serrano

(Foto: Divulgação)

Investigação da Polícia Federal revelou que mais de 30 mil pessoas, incluindo a promotora do caso Marielle, foram espionadas ilegalmente pela Abin paralela de Bolsonaro

26 de janeiro de 2024


247 - O jurista Pedro Serrano usou a sua conta no X (antigo Twitter) nesta sexta-feira (26) para levantar um questionamento sobre o monitoramento da promotora responsável pela investigação do assassinato da vereado Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.

Segundo Serrano, a espionagem ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sob o comando de Alexandre Ramagem (PL-RJ), revelada em operação da Polícia Federal (PF), mostra “forte indício de obstrução à investigação do assassinato”. Serrano sugere que PF rigor na investigação.

 “O monitoramento ilícito da Promotora do caso Marielle oferece forte indício de obstrução à investigação por autoridades federais da época . A PF deve investigar de imediato e com rigor”, escreveu

"Água mole em pedra dura tanto bate até que fura", diz Joaquim de Carvalho, após Globo conectar o escândalo da Abin à "facada"

Bolsonaro levando facada e Joaquim de Carvalho (Foto: Reprodução)






Globo repercutiu denúncia feita pelo jornalista do 247: a de que os integrantes da Abin paralela eram também ligados ao evento ocorrido em Juiz de Fora com Jair Bolsonaro

26 de janeiro de 2024

247 – O jornalista Joaquim de Carvalho, autor do documentário "Bolsonaro e Adélio, uma fakeada no coração do Brasil", celebrou o fato de o jornal O Globo conectar o escândalo da Abin à "facada" de Juiz de Fora, na campanha presidencial de 2018. "Jornalistas não podem ignorar que a Abin paralela nasceu no evento de Juiz de Fora. Meus cumprimentos ao Lauro Jardim", postou Joaquim de Carvalho.

Uma coluna do jornalista Lauro Jardim no jornal O Globo nesta sexta-feira (26) repercutiu as revelações que o jornalista Joaquim de Carvalho tem feito no Brasil 247 e na TV 247 acerca do evento de Juiz de Fora (MG) durante a campanha presidencial de 2018.

A reportagem confirma o que já havia sido noticiado por Joaquim de Carvalho: integrantes da equipe de segurança que atuou em Juiz de Fora – e que em tese teriam falhado se a narrativa oficial for verdadeira – foram promovidos e colocados na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Isso seria o equivalente a marcar um gol contra num jogo de futebol e receber um prêmio pago pela diretoria do time.

Nas investigações sobre a Abin, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, afastou nesta quinta-feira (25) dois policiais federais que atuaram no evento de Juiz de Fora: Marcelo Bormevet e Luiz Felipe Barros Felix. Os dois trabalhavam diretamente com Alexandre Ramagem no órgão de inteligência, o que deixa a pergunta no ar: por que seguranças que "falharam" em Juiz de Fora passaram a ocupar uma posição tão estratégica no núcleo bolsonarista. Abaixo, o tweet de Joaquim de Carvalho. 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Abin paralela: general fantoche?

 

Jair Bolsonaro (à esq.) e Alexandre Ramagem. Foto: Divulgação

25 de janeiro de 2024

"É necessário aprofundar as investigações e dar uma satisfação à sociedade que acaba de resistir a uma tentativa de golpe de estado", escreve Kakay (Antônio Carlos de Almeida Castro – Advogado Criminalista)  

Em um voo de Sevilha para Paris leio, estarrecido, o despacho do Ministro Alexandre de Moraes sobre a “Abin paralela.” A investigação trata de uma rede de proteção aos filhos do presidente Bolsonaro, da tentativa de fazer ligações falsas e criminosas de Ministros do Supremo com o PCC, de monitoramento ilegal de Ministros e Parlamentares e cidadãos, enfim, de uma organização criminosa que se apoderou do Estado. Boa parte do  que ouvíamos sobre a bandidagem estruturada no governo Bolsonaro está exposto na manifestação do Ministério Público e na decisão de Sua Excia o Ministro do Supremo.

É um momento grave da consolidação da democracia. As medidas, ainda que vigorosas, tomadas pelo Ministro do Supremo, não parecem suficientes para conter o verdadeiro ânimo golpista que ainda parece coordenar este grupo terrorista. 

É necessário aprofundar as investigações- não estou afirmando que isto não está sendo feito- sobre o general que coordenava a Abin. É possível imaginar uma teia tão grave de insurreição sem o conhecimento do general Augusto Heleno? Afinal ele se dizia tão atento e pressuroso do seu poder. Era um general de fachada? Um fantoche? Tudo de tão grave passava sob suas barbas e ele desconhecia? Que general é este que desonra assim o exército brasileiro com uma incompetência brutal? Desconhecia tudo? Ou ele se apresenta como assistente de acusação ou vai deixar muito mal o exército.

É necessário aprofundar as investigações e dar uma satisfação à sociedade que acaba de resistir a uma tentativa de golpe de estado. Mais uma vez o Poder Judiciário, em regra patrimonialista e reacionário, assume a responsabilidade pela estabilidade democrática. Urge que o Congresso se manifeste pois , ao que consta, parlamentares foram criminosamente investigados. E todos nós, cidadãos que nos aliamos pela consolidação da democracia, temos que acompanhar e cobrar uma investigação deste escândalo. A democracia continua em risco. Até porque há uma sombra a ser desvendada de certo grupo do atual governo ter trabalhado para o não esclarecimento dos crimes. Grave!

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Irã desmascara Israel na ONU e explica por que o estado sionista não cessa o genocídio em Gaza

Hosein Amir Abdolahian (Foto: FIRAS MAKDESI/Reuters)
24 de janeiro de 2024

O Irã responsabiliza os Estados Unidos por bloquear a paz em Gaza e afirma que Washington, em vez de pedir moderação, deve obrigar Israel a interromper a guerra



247 - "Os Estados Unidos, como apoiador prático e cúmplice principal do regime israelense em seus crimes, impediram que este organismo [o Conselho de Segurança da ONU] cumprisse efetivamente seus deveres inerentes de deter o genocídio de uma nação e estabelecer um cessar-fogo na Faixa de Gaza", denunciou na terça-feira o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Hosein Amir Abdolahian, em sua intervenção em uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). informa o canal HispanTV.

Ele considerou "inaceitável" a incapacidade do Conselho de Segurança em abordar os crimes de Israel e responsabilizá-lo pela morte de mais de 25.490 palestinos durante mais de três meses de bombardeios implacáveis contra Gaza.

Ele alertou que os Estados Unidos devem assumir a responsabilidade por suas ações desestabilizadoras na região, incluindo o apoio inabalável à "máquina de guerra do regime israelense" e "violação da soberania do Iêmen" com ataques às infraestruturas do país árabe.

"Em vez de pedir a outros que ajam com moderação, os Estados Unidos devem obrigar o regime israelense a interromper a guerra e sair da armadilha que o regime israelense armou para arrastar os Estados Unidos para um conflito direto", sublinhou o chefe da diplomacia persa.

O chanceler iraniano exigiu o cessar imediato do massacre de civis no enclave costeiro palestino, enfatizando que "a guerra não é a solução. A segurança não pode ser alcançada recorrendo ao uso da força e cometendo o crime de genocídio em Gaza". Ele considerou o objetivo declarado de Israel na guerra em Gaza - a "destruição total do HAMAS" - como um sonho e uma meta que nunca será alcançada, argumentando que, "nos últimos 80 anos, a vontade de aço desta nação não enfraqueceu".

Amir Abdolahian também aproveitou o púlpito do organismo mundial para advertir que os recentes ataques dos Estados Unidos e do Reino Unido ao Iêmen podem fazer com que o conflito em Gaza reverbere por toda a região do Oriente Médio.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Acampamentos golpistas 'foram tolerados por orientação militar', diz presidente do STM


Francisco Joseli Parente Camelo disse que os acampamentos "foram tolerados" graças a um “entendimento" transmitido pelo governo Jair Bolsonaro

23 de janeiro de 2024


Tenente-Brigadeiro do Ar Francisco Joseli Parente Camelo | Acampamento a favor de Bolsonaro (Foto: FAB | Reuters)

Por Caio de Freitas Paes, Agência Pública - Passado mais de um ano do 8 de janeiro, não há sinal de punições militares a oficiais que permitiram a manutenção de acampamentos golpistas em frente aos quartéis antes do ataque extremista em Brasília (DF). Em entrevista à Agência Pública, o presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Francisco Joseli Parente Camelo, admitiu que os acampamentos “foram tolerados por orientação dos chefes” das Forças Armadas – segundo ele, graças a um “entendimento transmitido pelo próprio governo [Bolsonaro]”.

A nota dos comandantes militares defendendo a “manifestação crítica aos poderes constitucionais” em plena crise golpista reforça tal impressão, mas o presidente do STM não vê chance de desdobramentos ou punições a oficiais envolvidos. “Pode ser que haja um caso ou outro de omissão… mas acredito que dificilmente teremos crimes militares”, afirmou.

A fala do presidente do STM chama atenção porque todo delito cometido em áreas administradas pelas Forças Armadas é considerado crime militar. O Brasil todo viu bolsonaristas pregarem, por mais de dois meses, intervenção e golpe em frente ao Comando Militar do Planalto e ao Quartel-General do Exército. Além disso, o fracassado atentado a bomba na capital segue sob suspeita de ter sido arquitetado no acampamento em frente ao QG.

Golpe de estado e insurreição, conceitos usados por pesquisadores para explicar a crise que culminou no ataque de 8 de janeiro, não são considerados crimes no Código Penal Militar. O texto-base do atual código entrou em vigor em 1969, pouco tempo depois do Ato Institucional nº 5, que marcou a época mais violenta da ditadura.

 “Foi uma lição importante, mas agora vamos olhar para frente e não cometer os erros do passado”, disse à Pública o presidente do STM, Joseli Parente Camelo.

À Pública, Camelo ainda negou que tenha colaborado com a equipe de transição do governo Lula na seara militar – o ministério da Defesa foi o único a não constituir um grupo de trabalho à época. “Talvez pela relação que construí com o presidente, disseram que influenciei, que falei com ele na transição. Mas não, só conversei com o presidente no dia da diplomação [12 de dezembro de 2022], e após eu ter tomado posse na presidência [do STM]”, disse.

O atual presidente da Justiça Militar é tenente-brigadeiro da Aeronáutica, posto mais alto da Força Aérea Brasileira. Responsável pelo comando do avião presidencial por 12 anos, Joseli Camelo pilotou a aeronave nos primeiros mandatos de Lula e Dilma Rousseff (PT), somando mais de 10 mil horas de voo no período. Ele virou ministro do STM logo depois, em 2015, indicado pela então presidenta Dilma Rousseff. O presidente do STM recebeu a equipe da Pública em Brasília em seu gabinete, em 15 de janeiro passado.