quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

‘Maior esquema de corrupção do planeta’; veja tudo que já foi dito sobre o orçamento secreto

 



ESTADÃO - História por André Shalders 

A ONG Rio de Paz realizou um ato na manhã da terça-feira, 6, em frente ao Congresso Nacional em Brasilia, pedindo o fim do orçamento secreto. Foto: Wilton Junior / Estadão© Fornecido por Estadão

 

BRASÍLIA. Revelado por uma série de reportagens do Estadão, o orçamento secreto colocou a relação entre o governo do presidente Jair Bolsonaro e o Congresso na berlinda. Desde que o caso veio a público, autoridades dos três Poderes se manifestaram, ora para condenar a prática que permite o direcionamento de recursos públicos da União sem transparência, ora para se justificar o esquema que deu superpoderes a lideranças do Congresso. Nos últimos três anos, o orçamento secreto movimentou mais de R$ 50 bilhões. Veja o que já foi dito sobre o esquema: 

Ciro Nogueira em entrevista à TV Record em 31 de janeiro de 2022:

“Como construir uma estrada, uma escola ou um hospital pode ser secreto? A população que recebe esse benefício, em cada cidade, sabe que aquilo não tem nada de secreto. É uma narrativa para tentar confundir a população”.

Jair Bolsonaro no debate presidencial transmitido pela TV Band em 16 de outubro de 2022:

“Eu não tenho nada a ver com esse orçamento secreto. Posso até entender que o parlamento trabalha melhor na distribuição de renda do que nós do lado de cá”.

Jair Bolsonaro em live no Facebook em 14 de outubro de 2022:

“Eu não queria esse orçamento dito secreto. Não é secreto porque é publicado no Diário Oficial da União. O que é secreto é o relator que manda o recurso para lá. Eu preferia R$ 19 bilhões comigo, eu não ia abrir mão de poder”.

Cardeais do Centrão direcionaram até R$ 400 milhões do orçamento secreto

Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista coletiva em Brasília, no dia 02 de dezembro de 2022:

“Eu sempre fui favorável que o deputado tenha emenda, mas é importante que ela não seja secreta. E é importante que a emenda seja dentro, sabe, da programação de necessidades do governo. E que essa emenda seja liberada de acordo com os interesses do governo. Não pode continuar da forma que está. Acho que todo mundo compreende isso” 

Luiz Inácio Lula da Silva, em evento em Diadema (SP), no dia 11 de julho de 2022:

“O orçamento secreto é a maior bandidagem já feita em 200 anos de república. Vamos ter que discutir (isso) com o Congresso. Quem administra o orçamento é o governo. O congresso legisla e o judiciário julga. Uma das nossas tarefas, minha e do Alckmin, é colocar ordem na casa”

Simone Tebet, em entrevista ao podcast Flow, em 19 de agosto de 2022:

“O relator vai sozinho comandar R$ 19 bilhões (em 2023). (O pedido de liberação do dinheiro) vai sem rubrica, sem autoria (do parlamentar que destinou a verba). Ele é secreto porque eu não sei (quem decidiu gastar com o quê). Podemos estar diante do maior esquema de corrupção do planeta Terra”, diz

Ciro Gomes, no debate presidencial transmitido pela TV Globo em 30 de setembro de 2022:

“A mais grave institucionalização que eu já vi na história da humanidade da corrupção como elemento central do modelo de poder é o orçamento secreto”.

Gilmar Mendes, em voto no Supremo Tribunal Federal no dia 23 de setembro de 2022:

“(A alocação de dinheiro pelo Congresso) importa em deferir espaço de conformação para a escolha de prioridades do Estado (...), mas nunca um cheque em branco para inviabilizar direitos fundamentais constitucionalmente assegurados”.

Rodrigo Pacheco em entrevista ao Roda Viva, no dia 16 de maio de 2022:

“Não há orçamento secreto e não houve descumprimento do Congresso das regras impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O que houve foi uma discussão sobre dinheiro público”.

Artur Lira em entrevista à Globo News no dia 03 de outubro de 2022:

“É orçamento feito pelos parlamentares ou voltar para a época do mensalão. São as duas maneiras de se cooptar apoio no Congresso Nacional. Eu prefiro o orçamento municipalista (...). Emendas de relator são lícitas, constitucionais e democráticas. São, além de tudo, uma posição do Parlamento contra as práticas que levaram a crimes do mensalão, captação de apoio político por compra de votos no Congresso. Isso que não pode voltar”.

Luís Roberto Barroso, no dia 10 de dezembro de 2021 em debate promovido pela CNI e pela Febraban:

“Houve uma certa captura excessiva do orçamento público pelo Congresso e acho que isso impede que haja políticas públicas nacionais e globais (...). Você tem que atender, supondo que tudo esteja sendo feito honestamente, ainda assim você tem prioridades paroquiais e não tem políticas públicas nacionais”.

EM TEMPO: O STF julgará nesta quarta-feira 07.12.2022  o formato do "Orçamento Secreto" e suas implicações na preservação do mandato de Bozo  com dinheiro público. O "OS", é  chamado, oficialmente,  de "Emendas do Relator"

domingo, 4 de dezembro de 2022

Conflito na Ucrânia faz União Europeia agonizar enquanto EUA lucram, diz presidente de Conselho Europeu


Declaração deixa à mostra contradição entre os interesses estadunidenses e os europeus, apesar da aliança

4 de dezembro de 2022

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu (Foto: Julien Warnand/Pool via REUTERS)

Sputnik - Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, afirmou que a União Europeia está sofrendo mais que os EUA com o conflito na Ucrânia.

De acordo com Michel, a operação russa "fortaleceu os vínculos entre a UE e os EUA", contudo, o "impacto do conflito nos EUA não é o mesmo que na UE", principalmente no setor energético. Isso porque Washington é exportador de energia, enquanto a UE, sendo dependente das importações, está correndo sério risco de entrar em recessão.

Michel afirmou que as indústrias europeias "pagam mais pela energia e enfrentam a concorrência das norte-americanas". "Países como os EUA e a Noruega estão tirando proveito dos altos preços energéticos", explicou.

Sobre a Lei de Redução da Inflação adotada por Washington, Michel afirmou que a medida não passa de mais uma ação visando seus próprios interesses econômicos.

Por fim, ele destacou que a UE não deve se tornar uma "vítima colateral" do confronto entre Pequim e Washington, ressaltando que a UE e os EUA têm "pontos de convergência" em relação à política chinesa, e que nas relações com o país asiático, a "UE tem interesses para afirmar". 

EM TEMPO:  Apesar de tardia, eis que surge um líder europeu com uma declaração óbvia que somente os "cegos" não vêem. Guerra desnecessária, a qual foi estimulada pelos EUA e a OTAN. 


sábado, 3 de dezembro de 2022

Ministra Rosa Weber a um passo de fazer história e libertar o país

Luiz Inácio Lula da Silva e Rosa Weber (Foto: Divulgação)

3 de dezembro de 2022

"Livrar o país desse monstro orçamentário será permitir a Lula subir a rampa com independência e leveza", escreve Denise Assis



Por Denise Assis (*), para o 247

“Rosa Maria Weber (Porto Alegre, 2 de outubro de 1948) é uma magistrada brasileira, atual ministra e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ex-ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST)”. É dessa forma que é apresentada na Web a ministra que a partir do dia 7 de dezembro – com prazo exíguo, e na undécima hora -, terá por missão, opção ou compromisso (o último item deveria vir seguido de reticências) colocar em votação o famigerado “orçamento secreto”.  

Sempre que escrevo a expressão, um arrepio percorre o meu corpo. Penso na invenção/jabuticaba feita pelo “engenheiro” de obras tortas, o general Luiz Eduardo Ramos (com a conivência e o jamegão de Jair Bolsonaro). Penso, também, na investigação interrompida pelos colegas - que recuaram, ao se verem na soleira da porta do gabinete do poderoso militar -, e da naturalização que se fez da falcatrua que mereceu da candidata Simone Tebet a classificação de “maior esquema de corrupção do planeta Terra”, e tremo de indignação.

As ações sobre a constitucionalidade do pagamento das emendas de relator (RP-9) - um eufemismo atenuante para a vergonha orçamentária -, que se tornaram conhecidas como “orçamento secreto”. As emendas parlamentares ganharam este nome pela falta de detalhamento e transparência. A opacidade permitiu o uso abusivo e corrupto do expediente.

Na ação de descumprimento de preceito fundamental, a ADPF 854, a continuidade da execução de despesas orçamentárias decorrentes das emendas foi autorizada pelo STF, quando o Plenário referendou a liminar concedida pela Ministra Rosa Weber que, então, reforçou ser necessária a adoção de todas as providências atinentes à ampla publicização dos documentos, estipulando o prazo de 90 dias corridos para a conclusão dos trabalhos. A meia trava que se seguiu foi consequência de pressões de todo o tipo sofridas por Weber. Chegaram a acusá-la de ser responsável pela não construção de hospitais, caso suspendesse os pagamentos. 

A omissão da sociedade – que não cobrou um desfecho do processo 854 no Supremo – e da mídia de modo geral, que não prosseguiu com o desmascaramento do artifício usado por Jair para comprar a bancada do Centrão, permitiu a gastança na quase eleição do “Messias” e fez com que o orçamento ilegal (é assim que o chamo) viesse cair no colo do novo governo.

Como continuou a vigorar, sem que fosse considerado o que de fato é: inconstitucional, já serviu de garrote no início das negociações pela PEC, destinada a tirar 33 milhões de pessoas da fome, e não como escrevem alguns colegas maldosamente, para “cumprir promessas de campanha”. Ao se referirem assim à PEC, dão a ela um cunho eleitoreiro que só a falta de solidariedade e de consciência social podem justificar.

Em 131 anos de história, a ministra Rosa Weber é a terceira mulher a presidir a casa, o que concede à sua passagem pelo Supremo Tribunal Federal (STF), embora curta, ainda mais peso. Os 75 anos que a jogam na aposentadoria compulsória em outubro, já a colocam em ritmo de despedida e, como é do seu feitio, também de cautela. Quando assumiu o cargo, decidiu que não poria em pauta temas polêmicos, antes do segundo turno. Ao driblá-los e segurar a votação do tal orçamento, estava permitindo que ele contaminasse a gestão do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. 

O anúncio de que, finalmente, Weber agendou sua votação antes do recesso do Judiciário traz à cena, de volta, a moça de classe média, esforçada a ponto de ter alto desempenho nos dois concursos a que se submeteu. Um para fiscal do trabalho (hoje auditora) e o que fez para ingressar na carreira de juíza do trabalho.

Uma testemunha desses tempos recorda que Rosa nunca se desviou dos seus objetivos. Recusou a vida acadêmica – enquanto sua amiga se embrenhou pela atividade -, porque seu foco era a defesa dos direitos sociais do trabalho. Estudou o tema profundamente, diz a amiga, que define Weber como “uma iluminista, totalmente voltada para a causa que abraçou”. E tanto é assim, que os sindicalistas da região se engajaram todos na campanha pela sua indicação ao STF. Citam de cabeça os seus votos, sendo o mais lembrado a Lei 13.429/2017, cujas alterações permitiram a terceirização das atividades-fim.

“Pontuo aqui que a Súmula 331 do TST não nasceu de geração espontânea. É o resultado de longo processo de consolidação da jurisprudência trabalhista – mais de 30 anos de jurisprudência trabalhista - na adequação entre as normas de proteção ao trabalho e a realidade cotidiana da intermediação de mão de obra por meio de pessoa interposta”, escreveu a ministra, ao dar seu voto. “Uma defensora clássica dos direitos sociais”, acrescenta a amiga, sem esconder a admiração na voz.

Confiantes nos princípios de Rosa Weber, em sua firmeza em defender aquilo em que acredita, os conterrâneos afirmam agora que ela não introduziu na pauta o orçamento ilegal por acaso. Na opinião deles, Weber tem consciência de que não pode transferir para um governo eleito democraticamente uma ferramenta que abre as portas do submundo das manobras escusas, onde podem cair os que estão chegando. Esta, sim, uma herança maldita.

E tão nefasta, que já na campanha Lula já alertava para a necessidade de remover da vida política o entulho autoritário: no dia 25 de setembro deste ano, com a campanha na reta final, o perfil no Twitter do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu votos a parlamentares aliados para combater um inimigo comum. "É preciso votar nos deputados e deputadas do time do Lula. Porque vamos ter que acabar com o orçamento secreto", apelava num trecho da mensagem.

O que os amigos de priscas eras esperam e torcem é que prevaleça no ímpeto de pautar a inconstitucionalidade ou não das medidas do relator a mesma convicção pelo Direito que moveu a jovem Rosa Weber, com uma filha no colo, a varar madrugadas, a devorar livros e tratados a fim de galgar o sonho de ser magistrada trabalhista. Valeu o esforço. Rosa optou por chegar ao Supremo a bordo de toda uma bagagem e a torcida dos gaúchos, que a queriam lá, decidindo questões de interesse geral. E, nesse momento, nada de maior interesse da sociedade, do que ver ao mar o pacote de maldades e corrupção gestado no gabinete do ódio de Jair Bolsonaro. 

Livrar o país desse monstro orçamentário será permitir a Lula subir a rampa com independência e leveza, sem trazer nos ombros as “encomendas” de deputados e senadores sorrateiros, a ponto de não colocar para fora as suas caras e carreiras. Os que se esgueiram por trás de um monstrengo ilegal como esse mereceriam, tal como suas emendas, serem varridos como “inconstitucionais”. E, Rosa Weber, ao permitir que o país se liberte dele, sairá do Supremo de cabeça erguida, fazendo jus ao título que lhe atribuem os conterrâneos: “Rosa, a Iluminista”.

(*) Jornalista e mestra em Comunicação. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Veja, Isto É e O Dia. É autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964"; "Imaculada" e “Claudio Guerra: Matar e Queimar”. Integrante do Jornalistas pela Democracia. 

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quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Bolsonaro 'raspa' verba para universidades em dia de jogo. Tem como ser mais cruel?



Yahoo Notícias - Matheus Pichonelli


Menos livros, mais armas: o lema extraoficial do governo Bolsonaro.Foto: Adriano Machado/Reuters

Na tarde da última segunda-feira (28/11), enquanto um país inteiro parava para assistir ao segundo jogo da seleção brasileira na Copa do Qatar, contra a Suíça, o governo Bolsonaro botou a tesoura para trabalhar e cortou R$ 344 milhões do orçamento destinado às universidades federais.

A medida, tomada no apagar das luzes da atual gestão, foi alardeada no mesmo dia pela Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior). A entidade disse ter recebido a notícia com “surpresa e consternação”. Os recursos seriam destinados a pagamento de luz, serviços de terceirizados, contratos, serviços e bolsas.

“Após o bloqueio orçamentário de R$ 438 milhões ocorrido na metade do ano, essa nova retirada de recursos, no valor de R$ 344 milhões, praticamente inviabiliza as finanças de todas as instituições”, comunicou a entidade. Segundo a Andifes, “em vista dos sucessivos cortes ocorridos nos últimos tempos, todo o sistema de universidades federais já vinha passando por imensas dificuldades para honrar os compromissos com as suas despesas mais básicas”.

A entidade disse esperar que a retirada dos recursos seja revista o mais breve possível.

O corte abrupto, feito durante a partida, mostra que até o fim do ano muito estrago ainda pode acontecer no apagar das luzes da gestão. Os (ir)responsáveis pela (anti)política educacional do atual governo parecem seguir à risca a cartilha de Ricardo Salles, que queria aproveitar as atenções da imprensa na cobertura da pandemia da Covid-19, em 2020, para “passar a boiada” da desregulamentação das normais ambientais.

Até 31 de dezembro, a boiada está liberada para pisotear o que resta do sistema educacional brasileiro.

Isso em um momento em que o futuro governo negocia com o Congresso uma saída para manter os benefícios do Auxílio Brasil, inflados por Bolsonaro na tentativa de ganhar as eleições, a partir do ano que vem. Uma saída é tirar os recursos para o programa social do teto de gastos. O orçamento “raspado” dos institutos federais, como classificou a Andifes, mostra que a conta do Auxílio Brasil não é o único buraco orçamentário a ser fechado na transição.

Ao assumir a Presidência, Jair Bolsonaro (PL) prometeu a apoiadores que seu objetivo não era construir nada, e sim desconstruir muita coisa. Ninguém pode dizer que ele não conseguiu.

A gestão da educação nos últimos quatro anos é emblemática. Nada menos do que quatro ministros (e meio) passaram por aquele que deveria ser um dos ministérios mais importantes da Esplanada. Três saíram pela porta dos fundos. Um, por incompetência; outro, por manifestar em voz alta o desejo de prender ministros do Supremo Tribunal Federal; outro, por suspeita de ter transformado o ministério em um balcão de negócios administrado em parceria com dois pastores igualmente suspeitos. Um ex-futuro ministro fraudou o próprio currículo e sequer chegou a assumir.

Em quatro anos, Bolsonaro jamais mostrou qualquer apreço por universidades e instituições de ensino. O desprezo por consensos científicos durante a pandemia rendeu a ele uma acusação formal de charlatanismo. Na campanha, ele chegou a “acusar” o adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de querer substituir clubes de tiro por bibliotecas, como se alguém fosse prejudicado por isso.

A herança maldita deixada por Bolsonaro no campo da educação ainda está para ser dimensionada. Uma delas certamente é a apatia de estudantes que desistiram do Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio, e nem tentaram uma vaga para as universidades nos últimos anos.

Isso tudo não é descaso. É projeto e tem método.

Exemplo dessa situação é o processo movido pelo Ministério Público Federal contra o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub. Ele é acusado de atentar contra princípios da administração pública ao dizer que universidades eram locais de “balbúrdia, arruaça”, plantação e fabricação de drogas – uma grande fake news para deslegitimar as instituições públicas de ensino. Para quê? Talvez para rebaixar o prestígio das universidades junto à opinião pública e vendê-las sem resistência para a iniciativa privada em uma grande liquidação.

Com ministros do tipo, o governo Bolsonaro mostrou ser inimigo da educação brasileira desde o primeiro dia da gestão. Mas nem na mais pessimista projeção era possível imaginar que ele mandaria cortar a verba que ainda mantém as universidades de pé em dia de jogo do Brasil. Tem como ser mais cruel?

Saberemos até 31 de dezembro.

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Governo Bolsonaro bloqueia mais R$ 1,6 bilhão do orçamento da área de Saúde

(Foto: Carolina Lima/MST)







A administração de Jair Bolsonaro havia bloqueado R$ 2,23 bilhões da Saúde. O corte total desse tipo de verba vai a cerca de R$ 3,8 bilhões

29 de novembro de 2022

247 - O governo Jair Bolsonaro (PL) bloqueou mais R$ 1,65 bilhão do orçamento do Ministério da Saúde. A equipe econômica do governo Jair Bolsonaro (PL) mandou na última sexta-feira (25) a pasta comandada por Marcelo Queiroga escolher quais áreas serão atingidas. O governo havia bloqueado R$ 2,23 bilhões da Saúde. O corte total desse tipo de verba vai a cerca de R$ 3,8 bilhões. Nesta semana, o governo havia feito um bloqueio que pode chegar a R$ 1,68 bilhão no Ministério da Educação (MEC) e foi criticado por membros de instituições da área educacional. 

De acordo com informações publicadas nesta terça-feira (29) pelo jornal Folha de S.Paulo, a ordem é diminuir os gastos discricionários, usados em programas como o Farmácia Popular, para a habilitação de leitos e na compra de medicamentos e insumos.

Em ofício enviado à Saúde, o secretário de Orçamento Federal, Ariosto Culau, afirmou que os valores bloqueados podem ser direcionados para despesas obrigatórias, como gastos com pessoal, ou "despesas primárias discricionárias consideradas inadiáveis".

 A Saúde não disse quais ações serão cortadas. 

Na última quinta-feira (24), a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou a fila de espera para atendimento especializado como um problema a ser resolvido emergencialmente.

Os ministérios da Economia e da Saúde não se manifestaram sobre o bloqueio.

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Guerra Elétrica

(Foto: © Baz Ratner / Reuters)


"As táticas russas atuais são o exato oposto da teoria militar da força concentrada desenvolvida por Napoleão", escreve Pepe Escobar (*)

28 de novembro de 2022

 

 


Passos ecoam na memória
Por caminhos que nunca tomamos
Rumo à porta que jamais abrimos
Dando para o roseiral. Ecoam assim minhas palavras
Na tua mente.
Mas para quê
Perturbando a poeira sobre um vaso de folhas de rosa.
Não sei.
T.S. Elliot, Burnt Norton

Pensem no fazendeiro polonês tirando fotos dos destroços de um míssil – mais tarde identificado como pertencente a um S-300 ucraniano. Então, um fazendeiro polonês, seus passos ecoando em nossa memória coletiva, talvez tenha salvo o mundo da Terceira Guerra Mundial  – desencadeada por um complô calhorda urdido pela "inteligência" anglo-saxã.

Essa calhordice foi agravada pela tentativa ridícula de esconder o malfeito: os ucranianos estavam atirando em mísseis russos em uma direção de onde eles não poderiam estar vindo. Ou seja: a Polônia. E então o Secretário da Defesa dos Estados Unidos, o mascate de armas Lloyd “Raytheon” Austin, decretou que a Rússia, mesmo assim, era culpada porque seus vassalos de Kiev estavam atirando contra mísseis russos que não deveriam estar no ar (e não estavam). 

Podemos ver isso como o Pentágono elevando a mentira deslavada à condição de uma arte bem vagabunda.

O propósito anglo-americano, tramar essa fraude, era gerar uma "crise mundial" contra a Rússia. O plano foi desmascarado – desta vez. O que não quer dizer que os suspeitos de sempre não venham a tentar de novo. Em breve.  

A principal razão é o pânico. Os serviços de inteligência do coletivo ocidental veem que Moscou, finalmente, está mobilizando seu exército – pronto para entrar em ação no próximo mês – ao mesmo tempo em que destrói a infraestrutura elétrica ucraniana como uma forma de tortura chinesa.

Aqueles dias de fevereiro em que foram enviados apenas 100.000 homens  - tendo as milicias das Repúblicas Populares Donetsk e Lugansk, mais os comandos Wagner e os chechenos de  Kadyrov, fazendo boa parte do serviço pesado – há muito terminaram. De modo geral, os russos e os russófonos vinham enfrentando hordas de militares ucranianos – chegando talvez a um milhão.  O "milagre", em tudo isso, foi que os russos se saíram muito bem. 

Todos os analistas militares conhecem a regra básica: uma força invasora deve ser três vezes mais numerosa que a força defensiva. O exército russo, ao início da Operação Militar Especial correspondia a uma fração dessa regra. O efetivo das Forças Armadas russas talvez chegue a 1,3 milhões de homens. Obviamente eles poderiam ter utilizado algumas dezenas de milhares a mais que os 100.000 iniciais. Mas não usaram. Tratava-se de uma decisão política.  

Mas a Operação Militar Especial chegou ao fim: agora estamos em território da Operação Contraterrorista. Uma sequência de ataques terroristas – tendo como alvo os  Nord Streams, a Ponte da Crimeia e a Frota do Mar Negro – finalmente demonstrou a inevitabilidade de ir além de uma simples "operação militar". 

O que nos traz à Guerra Elétrica. 

"São Paulo não merece o que vai acontecer nos próximos quatro anos", diz Fernando Horta

 

(Foto: Divulgação | Marcelo Camargo/Agência Brasil)

25 de novembro de 2022

Historiador prevê que governo de Tarcísio de Freitas será uma catástrofe

247 – O historiador Fernando Horta afirmou, em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, que o resgate da cultura será central para desintoxicar o Brasil. "Desbolsonarização passa por aí. Os fascistas têm medo de cultura e educação. O professor e o artista fazem pensar", disse ele. "Foi a nova geração formada por Lula e Dilma que salvou o Brasil de Bolsonaro", acrescentou.

Na entrevista, Horta lamentou que o governador eleito de São Paulo, Tarcisio de Freitas, esteja aceitando indicações de bolsonaristas para a cultura e outras áreas. " São Paulo não merece o que vai acontecer nos próximos quatro anos", afirmou. "Vem aí uma catástrofe". 

Horta disse ainda que não gostaria que o ministro da Fazenda fosse Fernando Haddad, porque a Educação será o ministério mais importante do governo Lula. Ele também pontuou que a movimentação militar e terrorista no Brasil é muito preocupante. "O que está sendo organizado é um golpe para ser dado antes da posse de Lula", afirmou, mesmo reconhecendo que as chances de sucesso são pequenas. "O governo Lula enfrentará forte oposição não parlamentar desde o primeiro dia", destacou.

https://www.youtube.com/watch?v=z6ec7M9UVc4&t=1s  TV 247 em 25.11.22. Leonardo Attuch  entrevista  Fernando Horta.  São Paulo  não merece o que vai acontecer nos próximos quatro anos.

EM TEMPO: O Tarcísio é um membro inconteste da Legião Estrangeira, por ser carioca e desconhecer o Estado de São Paulo. Na realidade o futuro governo Tarcísio vai abrigar os fascistas e milicianos bolsonaristas. Além do mais tem o caso Paraisópolis  durante as Eleições 2022  onde houve uma farsa (Tarcísio inventou que foi um "atentado", o qual  foi vítima) seguida de morte de um inocente pobre e negro.

sábado, 26 de novembro de 2022

'Perdi minha filha para o ódio', diz mãe de menina assassinada em ataque contra escolas

 

26 de novembro de 2022


"Já chega de tanto ódio gratuito. Minha filha não fez nada. E quantas outras mães estão na mesma situação que eu?", disse Thais Sagrillo Zucoloto


Selena Zagrillo é uma das vítimas do ataque a escolas no Espírito Santo (Foto: Reprodução)

247 - A mãe de Selena Zagrillo, de 12 anos, assassinado no ataque as escolas em Aracuz, no Espírito Santo, disse que perdeu a filha para o ódio.

"A minha filha sempre foi luz e amor, e eu perdi a minha filha para o ódio", afirmou Thais Sagrillo Zucoloto, que contou que a menina estudava seus últimos dias na unidade, porque iria se mudar para a Bahia com a família. A mãe, não estava no Espírito Santo no dia do crime.

"Já chega de tanto ódio gratuito. Minha filha não fez nada. E quantas outras mães estão na mesma situação que eu? Quantas outras vítimas em escolas a gente vai ter? A gente precisa de amor agora, e de paz", clamou.

EM TEMPO: Convém lembrar que o pai do assassino é militar e orientava o filho a leitura de livros sobre o nazismo. O curioso é que o presidente Bozo fala bastante sobre Deus. Será que ele sabe rezar ou orar? Ou algum bolsominio quer levá-lo para concluir sua formação e quem sabe transformá-lo num estadista. Ok, Moçada!

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Casagrande detona Neymar: nunca foi decisivo e não é herói nem mágico da bola

 


26 de novembro de 2022

Ex-jogador publicou texto arrasador sobre o atleta da seleção


Walter Casagrande, Raphinha e Neymar (Foto: Reprodução | Lucas Figueiredo/CBF)

247 – O ex-jogador Walter Casagrande Júnior publicou um artigo arrasador sobre o atleta Neymar, em sua coluna na Folha de S. Paulo. "Todos sabem que não concordo com nada do que o Neymar fala e faz fora do campo, e também não morro de amores pelo seu futebol, porque não o acho decisivo há anos", escreveu Casagrande. "Como pessoa, nunca se preocupou com o seu país. Quando mais se precisou de vozes importantes, ele e a maioria dos jogadores se calaram. Quando morriam milhares de pessoas no Brasil pela Covid e o desgoverno Bolsonaro ignorava vacina e debochava dos doentes, imitando gente com falta de ar, o 'ídolo' Neymar nada falou", acrescentou.

"Dentro do campo, nunca foi decisivo para a seleção brasileira. Fez o gol da primeira medalha olímpica, mas futebol olímpico é outra modalidade. Jogou quatro edições de Copa América: 2011, 2015, 2016 e 2021, e não ganhou nenhuma. Portanto, não foi decisivo. Em 2019, quando o Brasil foi campeão, não fez parte do grupo. Essa é a sua terceira Copa. Em 2014, no Brasil, estava bem, mas sofreu uma entrada maldosa do colombiano Zúñiga, que o tirou do Mundial. 

Em 2018, foi patético e virou meme com o cai-cai. Mesmo assim, no Brasil fazem o possível e o impossível para transformá-lo em herói ou mágico da bola, quando ele não é uma coisa nem outra", escreveu ainda Casão. "O fato é que a equipe melhorou muito sem ele no jogo. Ficou mais, rápida, dinâmica e objetiva", pontuou o comentarista.

Entretanto, a despeito das críticas, Casagrande disse esperar que ele consiga se recuperar a tempo de participar da Copa, por não desejar para nenhum jogador uma contusão, principalmente numa Copa do Mundo.

EM TEMPO: Muito bem companheiro Corintiano. Madeira no Ney. Bozo dispensou, de araque, a dívida com o "leão", mas a Receita  Federal quer cerca de 88 milhões de reais. do Ney,   por sonegação de imposto. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Moraes diz que argumentos da ação do PL sobre urnas são 'falsos', aplica multa de R$ 22,9 milhões e determina investigação de presidente do partido

Alexandre de Moraes

  

EXTRA - Mariana Muniz



O ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou nesta quarta-feira 23.11.2022 o pedido do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, para invalidar parte dos votos do segundo turno das eleições e aplicou uma multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé -- quando a Justiça é acionada de forma irresponsável. Na decisão, o ministro rebate os argumentos apresentados pela coligação de Bolsonaro e diz que "são absolutamente falsos, pois é totalmente possível a rastreabilidade das urnas eletrônicas de modelos antigos".

Além de negar o pedido do PL, Moraes ainda determinou que a Corregedoria-Geral Eleitoral seja acionada para apurar a responsabilidade, em eventual desvio de finalidade na utilização da estrutura partidária, do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e de Carlos Costa, do Instituto Voto Legal, responsável pelo relatório que embasou a ação. Os dois ainda serão investigados no inquérito das milícias digitais, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro considerou o "possível cometimento de crimes comuns e eleitorais com a finalidade de tumultuar o próprio regime democrático brasileiro"

"A total má-fé da requerente em seu esdrúxulo e ilícito pedido, ostensivamente atentatório ao Estado Democrático de Direito e realizado de maneira inconsequente com a finalidade de incentivar movimentos criminosos e anti-democráticos que, inclusive, com graves ameaças e violência vem obstruindo diversas rodovias e vias públicas em todo o Brasil, ficou comprovada, tanto pela negativa em aditar-se a petição inicial, quanto pela total ausência de quaisquer indícios de irregularidades e a existência de uma narrativa totalmente fraudulenta dos fatos", afirmou o presidente do TSE.

A decisão de Moraes foi dada após o partido do presidente Jair Bolsonaro enviar nesta quarta-feira um novo documento à Corte em que não apresenta a análise dos equipamentos usados na primeira etapa da votação. No dia anterior, após o partido entrar com a ação, Moraes havia dado 24 horas para que a legenda apresentasse uma auditoria que englobasse os dois turnos da disputa eleitoral, "sob pena de indeferimento da inicial".

Na prática, ao limitar o pedido ao segundo turno, o PL evitou colocar dúvidas sobre a votação na qual elegeu as maiores bancadas do Congresso, com 99 deputados e 8 senadores, além de dois governadores. As mesmas urnas usadas na votação presidencial, porém, também foram usadas na primeira etapa das eleições.

Na representação apresentada ao TSE, a coligação de Bolsonaro aponta um suposto problema em parte dos modelos de urnas eletrônicas utilizadas nas eleições, o que, segundo o documento, impediria a auditoria dos votos depositados nelas. Entretanto, especialistas afirmam que o problema apontado não impossibilita a conferência dos votos.

"Igualmente, fraudulento é o argumento de que ocorreu violação do sigilo do voto a partir do registo de nomes de eleitores nos logs, como bem demonstrado no parecer técnico da STI-TSE, ao afirmar que 'O Software de Votação (Vota) não registra no log qualquer tipo de identificação do eleitor, tampouco o voto que foi depositado na urna. Nenhum tipo de digitação ou mensagem no LCD quando da habilitação do eleitor é registrado de modo a permitir a identificação do eleitor ou do voto dado", afirma Moraes em seu despacho.

Ao negar o pedido, o presidente do TSE afirmou que não estão presentes, no documento do PL, os requisitos essenciais para a para a realização de "verificação extraordinária após o pleito", uma vez que estão ausentes "quaisquer indícios e circunstâncias que justifiquem sua instauração".

EM TEMPO: É isso aí Moçada! A turma gosta mesmo é de "madeira" para diminuir o ímpeto golpista.