quinta-feira, 13 de março de 2025

Putin, novo líder mundial

Como anteviu o historiador Moniz Bandeira, Putin é o novo Senhor Europa, em aliança com a China

13 de março de 2025

 Por César Fonseca (Repórter de política e economia)

Vladimir Putin (Foto: Reuters)



 

 


 



O presidente da Rússia, Vladimir Putin, é o novo senhor da guerra.

Ganhou a batalha na Ucrânia, derrotando a Europa e os Estados Unidos, representados na OTAN. Tentaram montar a Ucrânia como cabeça de ponte para invadir a Rússia num assalto geopolítico espetacular e instalar em Moscou um governo pro-ocidente subserviente.

Deu ruim.

A Europa perdeu feio e não quer dar o braço a torcer, enquanto os Estados Unidos negociam uma nova Pax internacional com o vencedor, Vladimir Putin. Trump, pragmático, joga a Europa aos leões e negocia diretamente com quem é mais forte: Trump. O presidente americano concluiu o óbvio: Putin é o novo poder, pelos seus feitos. Não se sucumbiu ao cerco econômico ocidental e deu conta de derrotar a Otan dentro da Ucrânia.

É amplamente vitoriosa a bandeira de Putin: não permitir perder a Ucrânia para a União Europeia e,  consequentemente, para os Estados, e ainda assegurar para a Rússia províncias ucranianas de maioria russa. Nessa batalha, Putin está em aliança com a China, que, por enquanto, não está inserida no conflito mundial na Ucrânia entre as duas potências, mas, tacitamente, apoia os russos. Putin somente pôde aguentar o cerco dos Estados Unidos e Europa para impor sanções à Rússia porque pode contar com o apoio estratégico dos chineses.

PUTIN FORTALECE ROTA DA SEDA

A economia russa se voltou no período de guerra para a Rota da Seda comandada por Xi Jinping em comércio bilateral cada vez mais intenso, enquanto a Europa perde poder no cenário global. Moscou se livrou da Europa e se ligou à China, para dinamizar o capitalismo russo na Ásia seguindo o programa chinês da Rota da Seda. Essa é a estratégia que Putin e Xi Jinping articulam para colocar em prática no BRICS, como a nova plataforma global competitiva com os Estados Unidos.

Trump entendeu o novo jogo das superpotências e se aproximou da Rússia na vã esperança de ver separadas Rússia e China, na geopolítica global. O pragmatismo trumpista busca acomodação, porque as mudanças trumpistas no capitalismo estatal americano, a fim de transformá-lo em domínio privado das bigs techs, são nitroglicerina pura. O protecionismo trumpista desata forças que o próprio Trump não tem condições de coordenar. Enquanto reina a incerteza no mundo trumpista, segue firme a união econômica e armamentista China-Rússia. Virou novo polo dinâmico do capitalismo mundial conduzido majoritariamente pelo capital chinês.

NOVO PODER GLOBAL

China e Rússia, na era pós-guerra da Ucrânia, estão no centro da divisão do poder econômico internacional para competir em igualdade de condições ou mesmo em superioridade com os Estados Unidos. A Rússia, sob o comando nacionalista de Putin em aliança com o capitalismo socialista chinês, eis os novos poderes no cenário global dominado pela polarização desatada pela guerra na Ucrânia. 

Donald Trump já escolheu o lado dele: negociar Nova Pax com Putin. Jogou a Europa no mar. A Europa deixa de ter interesse para Trump. O presidente americano alia-se ao vencedor da guerra: Putin. Realpolitik na veia. Trump renunciou à obrigação imperialista de carregar a Europa nas costas, como pesado cabide de empregos. Trump não quer financiar os derrotados na guerra. Trump quer jogar com quem tem cartas na mesa. Os europeus, como Zelenski que eles apoiaram, também, estão sem cartas. Tende a ser sonho numa noite de verão o programa de rearmamento militar europeu orçado em 800 bilhões de euros para substituir a Otan, que perdeu importância sem o capital americano. Quem vai financiar o perdedor?

AS CARTAS DE PUTIN

Putin dá as cartas: só assina a paz se a Ucrânia não for parte da União Europeia e se garantir para a Rússia as províncias ucranianas ocupadas por maioria russa. A delimitação desses dois pontos por Putin representa a derrota da União Europeia, mas para Donald Trump vira oportunidade para aliar-se a Putin, abandonando os antigos aliados europeus.

Aos perdedores, as batatas!

A Europa, derrotada, está sem cartas para participar da nova divisão internacional do trabalho que está sendo desenhada para vigorar na fase pós-guerra na Ucrânia. Os ucranianos ganham ou perdem com a nova Pax Rússia-Estados Unidos? Será assunto para os ucranianos resolverem, democraticamente ou não.

O fato é que o comandante europeu predominante na fase pós-guerra ucraniana é Putin, o novo líder, unha e carne com Xi Jinping. A Europa não aceita, por enquanto, a nova realidade, o concreto e o objetivo, sua incapacidade de sobreviver puxando os próprios cabelos. É com Putin que Trump quer acertar como que os Estados Unidos participarão vantajosamente do butim.

O acesso às riquezas minerais ucranianas é o objetivo prático de Trump. Ele não quer dividir esse butin com os europeus. Ao contrário, ele joga ao mar a Europa, para estar ao lado do novo poder europeu, representado por Putin.

Pilatos Putin, diante de uma Europa derrotada, lava as mãos. Como anteviu o historiador Moniz Bandeira, Putin é o novo Senhor Europa, em aliança com a China.

EM TEMPO: Convém lembrar que as conversações entre Trump e Putin podem trazer um alívio, evitando a Terceira Guerra Mundial. Além do mais é preciso entender que nos EUA quando os Democratas inventam uma guerra os Republicanos acabam e vice-versa. O curioso é que o filho do ex-presidente Biden, mantém negócios milionários na Ucrânia.

quarta-feira, 12 de março de 2025

Nova presidente do STM prevê julgamento de crimes militares na trama golpista

Rocha ressaltou o papel do STM como um "tribunal de honra" e destacou que as decisões serão tomadas após o julgamento das ações pelo STF

12 de março de 2025

 

 

A ministra Maria Elizabeth Rocha assumiu a presidência da corte e terá o ministro Francisco Joseli Parente Camelo como vice (Foto: STM)

Por Leonardo Sobreira



247 - A nova presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, afirmou nesta quarta-feira (12) que eventuais crimes cometidos por militares no inquérito que investiga a trama golpista serão julgados pelo STM. 

Rocha ressaltou o papel do STM como um "tribunal de honra" e destacou que as decisões serão tomadas após o julgamento das ações pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração reforça a atuação do STM como instância competente para julgar militares, em conformidade com a legislação brasileira. Ela respondeu a um questionamento da jornalista Denise Assis, do 247, após tomar posse no cargo. 

"Se o Supremo receber a denúncia e durante a persecução penal, novos crimes militares provavelmente aparecerão, e serão julgados em paralelo na Justiça Militar Federal. De toda maneira, depois de julgados e condenados com trânsito em julgado no STF, caberá ao conselho de justificação para penas inferiores a dois anos ou as representações para penas superiores a dois anos. São tribunais de honra. São tribunais que podem decidir se aquele militar condenado tem condições de preservar seu posto e patente", disse Rocha. 

Rocha tomou posse nesta quarta-feira no cargo de presidente do STM, órgão máximo da Justiça Militar da União. Primeira mulher a ocupar o cargo em 217 anos de história do tribunal, a ministra terá mandato de dois anos.

A cerimônia de posse foi no Teatro Nacional de Brasília e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama, Janja da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckimin, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, além de diversas autoridades dos Três Poderes.

Esquema de vendas de emendas no PL tem ameaça de morte e medo de desvio de propina

Plenário da Câmara dos Deputados (Foto: REUTERS/Mateus Bonomi)

 



 







STF aceita denúncia contra três parlamentares do PL; áudios mostram cobrança de propina e ameaças de morte

12 de março de 2025

Por Camila França

247 - O Supremo Tribunal Federal (STF) denunciou três deputados do Partido Liberal (PL) — Josimar Maranhãozinho (MA), Pastor Gil (MA) e Bosco Costa (SE) — por envolvimento em um esquema de desvio de emendas parlamentares, revela o G1. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou provas contundentes, como diálogos gravados, planilhas de pagamento e extratos bancários, que mostram a exigência de R$ 1,6 milhão em propina em troca da destinação de R$ 6,6 milhões em recursos públicos ao município de São José de Ribamar (MA). O ministro Cristiano Zanin, relator do caso, destacou que as evidências incluem "depósitos e transferências bancárias documentalmente comprovados".

A investigação revelou um cenário de extrema desconfiança entre os envolvidos, com destaque para o papel de um "cobrador de propina" conhecido como Pacovan, assassinado a tiros em junho de 2024. Em áudios obtidos pela PGR, Pacovan expressa medo de que o dinheiro fosse desviado por outros intermediários e chega a fazer ameaças de morte: "Esse vagabundo vai pegar uma bala na cara". Ele também reclama da demora em obter comprovantes das emendas, dizendo: "Rapaz, só raposas. Na hora que cai na conta, já cai outras pessoas dizendo que é deles".

Os diálogos também mostram que o deputado Josimar Maranhãozinho evitava receber a propina pessoalmente, alegando risco de ser filmado: "Não posso ir na casa dele. É perigoso, pois pode ter câmeras para nos filmar". Em outra conversa, Pacovan relata que o pagador só aceitaria negociar diretamente com o parlamentar: "Ele só paga se for pra você. Ele só resolve as coisas com você". O caso expõe como as emendas parlamentares se tornaram um negócio lucrativo para lobistas e intermediários, em detrimento do interesse público.

O processo, julgado pela Primeira Turma do STF, foi acompanhado por unanimidade pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux. A investigação segue em andamento, com novos desdobramentos esperados, enquanto o caso escancara a vulnerabilidade do sistema de emendas parlamentares a práticas ilícitas e à atuação de redes de corrupção.

terça-feira, 11 de março de 2025

Ucrânia está pronta para cessar-fogo, que agora depende da Rússia, afirma Marco Rubio

Negociações na Arábia Saudita levam EUA a retomar apoio militar e de inteligência à Ucrânia, enquanto Moscou avalia proposta

11 de março de 2025

 

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio - 20/03/2025 (Foto: SAUL LOEB/Pool via REUTERS)

Por Luis Mauro Filho

247 - Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (10) a retomada imediata do auxílio militar e do compartilhamento de inteligência com a Ucrânia, após conversações realizadas na Arábia Saudita. As informações são da Agência Reuters. 

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que levará a proposta ao governo russo e que o avanço das negociações agora depende de Moscou. "O presidente queria que essa guerra terminasse ontem... Portanto, nossa esperança é que os russos respondam 'sim' o mais rápido possível, para que possamos passar para a segunda fase disso, que são as negociações reais", declarou Rubio a jornalistas, referindo-se ao presidente dos EUA, Donald Trump, após mais de oito horas de conversações em Jeddah.

Durante o encontro, o governo ucraniano expressou disposição para aceitar uma proposta norte-americana de cessar-fogo de 30 dias no conflito contra a Rússia. A decisão foi formalizada em uma declaração conjunta divulgada pelos dois países.

O presidente russo, Vladimir Putin, já declarou estar aberto a discutir um acordo de paz, mas a posição do Kremlin em relação ao cessar-fogo continua incerta. Autoridades russas têm reiterado que qualquer solução para o conflito deve garantir a "segurança de longo prazo" da Rússia. Além disso, Putin já descartou concessões territoriais e exige que a Ucrânia se retire completamente de quatro regiões ucranianas reivindicadas e parcialmente controladas por Moscou.

Nesta terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou apenas que "não descarta contatos" com representantes dos Estados Unidos.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que estava na Arábia Saudita mas não participou diretamente das conversas, classificou a proposta de cessar-fogo como um avanço positivo, destacando que ela abrangeria toda a linha de frente do conflito, e não apenas as operações aéreas e marítimas.

"Quando os acordos entrarem em vigor, durante esses 30 dias de 'silêncio', teremos tempo para preparar com nossos parceiros, em nível de documentos de trabalho, todos os aspectos para uma paz confiável e segurança de longo prazo", afirmou Zelensky.

EUA buscam envolvimento da Rússia

Segundo Rubio, o plano será entregue aos russos por diversos canais diplomáticos. O assessor de segurança nacional de Trump, Mike Waltz, deverá se encontrar com seu homólogo russo nos próximos dias, enquanto o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, viajará a Moscou para se reunir pessoalmente com Putin ainda nesta semana.

Trump também se manifestou sobre as negociações, afirmando que espera um cessar-fogo rápido e que planeja conversar diretamente com Putin. "Espero que seja nos próximos dias", declarou o presidente dos EUA durante um evento na Casa Branca.

O acordo entre Washington e Kiev representa uma mudança significativa em relação ao impasse ocorrido na reunião de 28 de fevereiro, quando Trump, conhecido por seu ceticismo em relação à assistência militar à Ucrânia, sinalizou resistência ao fornecimento de novos recursos ao país. Após aquele encontro, os EUA chegaram a suspender o compartilhamento de inteligência e o envio de armamentos para a Ucrânia.

Nesta terça-feira, porém, autoridades ucranianas confirmaram que o apoio militar dos EUA foi retomado. Trump também anunciou que pretende convidar Zelensky para uma nova visita à Casa Branca.

segunda-feira, 10 de março de 2025

Decisão de Alexandre de Moraes pode mudar rumo do processo sobre assassinato de Marielle Franco

MInistro do STF aceitou pedido da defesa do delegado Rivaldo Barbosa para juntar novas provas, inclusive cópia de conversa deste com a então vereadora

10 de março de 2025

Chiquinho e Domingos Brazão e Marielle Franco (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados | Reprodução/Marielle, o documentário | Mídia NINJA)

 

Por Joaquim Carvalho (Colunista do Portal 247)



Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, tomada nesta segunda-feira, pode mudar o rumo do processo em que os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão são acusados da morte de Marielle Franco. O ministro atendeu a um pedido da defesa do delegado Rivaldo Barbosa, que se encontra preso, e mandou juntar aos autos as conversas dele com Marielle Franco, arquivadas no celular do policial. 

As conversas mostram que o delegado tinha uma boa relação com a então vereadora, que inclusive atendia a seus pedidos para entrar com segurança na favela da Maré, em investigações sobre homicídios. A defesa quer demonstrar que Rivaldo não teria nenhum interesse em participar de uma trama para matar Marielle. 

Outras conversas mantidas com os delegados Giniton Lages e Daniel Rosa, que investigaram o caso, mostrariam que ele cobrava empenho dos dois para a elucidação da morte de Marielle. A transcrição dessas conversas não aparece no inquérito conduzido pela Polícia Federal, daí a razão do advogado pedir a Alexandre de Moraes a juntada dessas provas. 

O ministro também deferiu outra solicitação importante. Será juntada aos autos cópia do processo sigiloso em que o delator Ronnie Lessa, assassino confesso Marielle, foi pronunciado pelo assassinado de André Henrique da Silva Souza, o André Zóio, em 2014.

Também é réu no mesmo processo o ex-vereador Cristiano Girão, líder de milícias no Rio de Janeiro. Segundo o processo, Girão contratou Lessa para matar André, depois que soube que o este havia tomado territórios que estavam sob seu controle quando foi preso, em 2010.

A prisão de Girão seria, aliás, motivo para que o ex-vereador quisesse matar Marielle, já que perdeu a liberdade em razão das apurações da CPI das Milícias, da qual o então deputado Marcelo Freixo era relator. Marielle era sua principal assessora.

O objetivo da defesa de Rivaldo é mostrar que Lessa tinha relação com o ex-vereador e não com os irmãos Brazão, que, segundo o inquérito da Polícia Federal, teriam corrompido o delegado para desviar o foco da investigação. A defesa dos irmãos Brazão também fez levantamento sobre a evolução patrimonial de Ronnie Lessa, vizinho de Jair Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro. 

Segundo relatório que será juntado aos autos, Lessa enriqueceu ainda mais no ano de 2018, quando Marielle foi assassinada. O processo contra Brazão e o delegado Rivaldo está em fase final, mas muitas perguntas permanecem sem resposta. E o que os advogados querem agora é mostrar que Lessa está mentindo e que sua delegação é inconsistente.

De fato, é muito estranho que a delação dele seja usada para colocar na cadeia justamente o delegado que trabalhou para que fosse preso. 

A questão da evolução patrimonial também é importante, já que não é plausível a versão de que Lessa matou Marielle acreditando que, no futuro, teria vantagens com a criação de milícias em territórios onde os irmãos Brazão teriam ganhos imobiliários. No negócio do homicídio sob encomenda, a lógica determina que se pague adiantado (pelo menos uma parte), já que o pistoleiro não sabe se continuará vivo depois de executar o serviço. Inadmissível é que, se os mandantes forem outros que não os irmãos Brazão, aqueles permaneçam impunes.

domingo, 9 de março de 2025

Genocídio: mais de dois milhões de pessoas em Gaza podem morrer de fome por ações de Israel

Crise humanitária se agrava com bloqueio total imposto por Israel, impedindo a entrada de alimentos, remédios e combustível

09 de março de 2025

Crianças palestinas aguardam para receber comida de uma cozinha de caridade em meio à escassez de suprimentos, em Rafah, sul da Faixa de Gaza 05/03/2024 REUTERS/Mohammed Salem (Foto: Mohammed Salem)

 


Redação Brasil 247

247 – A crise humanitária na Faixa de Gaza atinge níveis alarmantes, com mais de dois milhões de palestinos em necessidade extrema de alimentos e produtos essenciais. A denúncia foi feita pela emissora Al Jazeera neste sábado (9), destacando que 2,3 milhões de pessoas enfrentam uma escassez crítica de comida, medicamentos e suprimentos básicos devido ao bloqueio total imposto por Israel às entregas humanitárias na região.

De acordo com a emissora, além da falta de mantimentos, a situação se agrava pela interrupção no fornecimento de combustível, essencial para a geração de energia e o aquecimento das residências. Nos últimos sete dias, não houve qualquer entrega de combustível a Gaza, aprofundando ainda mais as dificuldades enfrentadas pela população.

Sem recursos para reconstrução e sem meios de subsistência, moradores da Faixa de Gaza recorrem a materiais encontrados entre os escombros para tentar erguer abrigos improvisados. "Eles buscam qualquer material disponível nos destroços", reportou a Al Jazeera, evidenciando a precariedade extrema vivida pelos palestinos sob o cerco israelense.

A crise em Gaza se intensificou nos últimos meses com os ataques israelenses e a total obstrução das rotas humanitárias. Organizações internacionais alertam para o risco iminente de fome em larga escala e para o colapso dos serviços médicos, diante da escassez de insumos básicos e da destruição de hospitais e infraestruturas essenciais.

 

sábado, 8 de março de 2025

8 de março: Dia Internacional de Luta das Mulheres

8 de março de 2025



 

Coordenação Nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro

Neste dia Internacional de luta da classe trabalhadora, seguimos enfrentando uma conjuntura em que as trabalhadoras e toda nossa classe estão sendo massacradas pela lógica capitalista e patriarcal. Nós, mulheres trabalhadoras de todo o mundo, das florestas, das águas, das cidades, temos sofrido e morrido sob as bombas das guerras imperialistas, em abortos clandestinos, em razão da fome, da sede, nas filas em busca por cuidados com a saúde, no genocídio do povo negro e no extermínio dos povos originários. Sofremos todos os dias: enfrentamos as consequências da divisão sexual do trabalho, a imposição de um trabalho doméstico desgastante e a violência sob suas diferentes formas, em casa e na rua.

Sob a lógica do capitalismo, nós somos cada vez mais exploradas: enfrentamos múltiplas e longas jornadas com baixos salários, no trabalho doméstico e nos cuidados das nossas famílias e comunidades, trabalho não remunerado, invisibilizado, essencial para a reprodução da força de trabalho. A redução da jornada de trabalho permitiria ampliar o acesso à saúde e ao lazer, uma maior organização política e sindical das trabalhadoras, além de possibilitar uma redistribuição mais justa do tempo, reduzindo a sobrecarga e garantindo melhores condições de vida. Para nós, essa medida é fundamental para avançar na luta contra a exploração capitalista e patriarcal, promovendo a autonomia e dignidade das mulheres e de toda classe trabalhadora. Por isso, defendemos a diminuição da jornada de trabalho para 30 horas, sem redução dos salários e pelo fim da escala 6×1.

Diante de um cenário internacional brutal, de ofensiva do neofascismo, reacionário e destrutor da vida, reforçamos a necessidade de fortalecer os laços de solidariedade internacional entre as trabalhadoras de todo o mundo, sempre numa perspectiva revolucionária. Nos últimos anos eleições como a de Miley na Argentina e mais recentemente a de Trump nos EUA, com agendas extremamente reacionárias atacam os direitos das mulheres, da população lgbt, dos imigrantes e de toda a classe trabalhadora. Milhões de nós migram na esperança de uma vida melhor, acabam desamparadas, muitas vezes sem documentos legais e em sub empregos precarizados, mal remunerados e enfrentando uma brutal xenofobia e um racismo sistêmico.

No Brasil, a ofensiva conservadora também segue crescendo e os resultados das ultimas eleições municipais evidenciaram isso, na maioria das cidades brasileiras os candidatos eleitos são em maioria homens de direita e extrema direita. A cada dia que passa, os índices de feminicídios aumentam, todas as formas de violência contra as mulheres também! Nos matam e saem impunes, nossos sonhos são esmagados, nossos desejos negados, nossas subjetividades destruídas.

Para a maioria de nós, os alimentos mais básicos não chegam à mesa, e os que chegam estão cheios de agrotóxicos, enquanto pouco se avança a reforma agrária, se intensificam as repressões que atingem cotidianamente as mulheres do campo e as produtoras de alimentos saudáveis. Estima-se que até 2050, a mudança climática devido ao capitalismo empurrará mais 158 milhões de mulheres e meninas para a pobreza e levará mais 236 milhões de mulheres à fome! Apesar de ter ocorrido um aumento nos postos de trabalho para as mulheres no Brasil, ainda somos maioria no mercado informal e nos trabalhos mais desvalorizados e precarizados. A situação se agrava e intensifica para as mulheres negras, indígenas e população LGBT As altas taxas de desemprego são acompanhadas por elevações contínuas nos preços da cesta básica. A situação para as mulheres, principalmente para as negras, indígenas e LGBTs é ainda pior.

Metade dos lares brasileiros é mantida financeiramente pelas mulheres, mas nossos salários ainda são rebaixados em relação aos dos homens nas mesmas funções. A maioria de nós vive endividada, sob ameaça de perder o pouco que conquistamos ou sem nunca conseguir o básico. Essa situação nos deixa ainda mais vulneráveis à exploração e à violência no ambiente de trabalho ou em casa. Somos responsabilizadas pelo cuidado da casa, dos filhos, dos idosos e pessoas doentes da família. Mesmo assim, ainda não temos o direito de decidir sobre nossas vidas, nossos corpos, se queremos ou não interromper uma gravidez, por exemplo. Muitas de nossas jovens não têm a necessária educação sexual para prevenir uma gravidez indesejada, além das dificuldades de acesso a métodos contraceptivos seguros e a serviços médicos de qualidade. A repressão aos direitos reprodutivos das mulheres se torna um instrumento de controle social, mantendo-as em uma condição de subordinação na estrutura social patriarcal.

Em relação à atual situação do aborto no Brasil, revela a junção entre as questões de classe social, direitos reprodutivos e o controle social de nós mulheres. A criminalização do aborto reflete a forma como o capitalismo e o patriarcado se entrelaçam para controlar os corpos das mulheres, principalmente as que pertencem às camadas populares.

As mulheres da classe trabalhadora são as mais afetadas pela criminalização, principalmente as mulheres negras e pobres, pois são as que menos têm acesso a métodos contraceptivos seguros e a serviços médicos de qualidade, o que as coloca em risco de vida pela clandestinidade. Ao mesmo tempo, a restrição de acesso aos direitos reprodutivos dessas mulheres se torna um instrumento de controle social, mantendo-as em uma condição de subordinação e impossibilitando seu pleno exercício da autonomia e da liberdade.

Nos últimos anos, tem-se observado no Brasil uma serie de ataques aos direitos sexuais e reprodutivos, com propostas de lei relacionadas ao aborto sendo a´resentadas de forma articulada municipal, estadual e nacionalmente. Projetos como o Projeto de Lei 1904/2024 conhecido como “ PL Gravidez Infantil”, proibindo e equiparando aborto a homicídio quando realizado após 22 semanas de gestão, mesmo nas situações já asseguradas em lei, como nos casos de estupros. Também PL 478/2021, que visa tornar ainda mais restritivas as condições para o aborto legal no país, e o PL 3.569/2015, que pretende criminalizar a realização do aborto em qualquer circunstância, mesmo nos casos previstos em lei, são exemplos claros de tentativas de cercear direitos conquistados ao longo de décadas.

Essas propostas refletem a ideologia dominante do sistema capitalista, que, aliado ao patriarcado, busca manter a mulher em um lugar de subordinação e exploração, negando-lhe o controle sobre seu próprio corpo e sua vida. A aprovação dessas leis significaria um retrocesso histórico nas conquistas feministas e um fortalecimento das opressões estruturais que atravessam a sociedade brasileira.

O Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro defende que a autonomia reprodutiva das mulheres não pode ser vista apenas como uma questão moral ou individual, mas como uma questão política que envolve a luta por um projeto de sociedade mais justa, que coloque a emancipação das mulheres e a transformação das condições materiais de vida como prioridade. Essa luta, portanto, precisa ser travada no campo da política e da organização popular, desafiando as estruturas de poder que tentam impor uma moral conservadora e controladora sobre nossos corpos.

Somos diversas, diferentes, somos múltiplas, desiguais, mas precisamos estar juntas, enquanto classe, contra a barbárie do capitalismo. Lembramos Clara e Alexandra e as mulheres trabalhadoras socialistas que há mais de um século inspiraram o 8 de Março.

Com elas, reafirmamos que o feminismo não pode se limitar ao horizonte do estado burguês, seguimos apontando a necessidade da superação revolucionária da lógica capitalista que explora, oprime e violenta toda nossa classe. Apontar para o socialismo não é uma mera bandeira de agitação, mas, sim a única possibilidade de superação dessa barbárie capitalista!

As lutadoras que inspiraram o 8 de Março não queriam flores, mas justiça, dignidade e emancipação! Nós não queremos rosas, queremos queremos outra realidade, e por isso seguimos lutando e resistindo !

– Redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução de salário! Pelo fim da escala 6×1!

– Pelo arquivamento definitivo do PL 1904/2024 e da PEC 164/2012!

– Basta de feminicídios! Pelo fim de todas as formas de violência contra as mulheres!

– Abaixo a fome, a pobreza e a carestia!

– Em defesa do SUS 100% público e estatal!

– Aborto legal, seguro e garantido pelo SUS para não morrer!

– Em defesa dos povos originários, pela demarcação das terras indígenas!

– Em defesa da diversidade e contra a LGBTfobia!

– Pelo fim do genocídio da população negra!

– Toda Solidariedade ao povo Palestino! Contra o sionismo de Israel!

– Pelo Poder Popular! Rumo ao socialismo!