sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

África do Sul, membro do BRICS, leva sionismo a tribunal

 

Corte Internacional de Justiça da ONU em Haia, na Holanda (Foto: Eva Plevier/Reuters)



 



'Este é o primeiro caso de muitos que procurarão pôr fim à impunidade ocidental e restaurar o direito internacional', escreve Pepe Escobar

11 de janeiro de 2024

Republicado de The Cradle

Nada menos do que o conceito completo de direito internacional será julgado esta semana em Haia. O mundo inteiro está assistindo.

Foi necessária uma nação africana, não uma nação árabe ou muçulmana, mas significativamente um membro do BRICS, para tentar quebrar as correntes de ferro implantadas pelo sionismo através do medo, do poder financeiro e de ameaças contínuas, escravizando não só a Palestina, mas também áreas substanciais da população. planeta.

Por uma reviravolta da justiça poética histórica, a África do Sul, uma nação que sabe uma ou duas coisas sobre o apartheid, teve de assumir uma posição moral elevada e ser a primeira a apresentar uma ação contra Israel do apartheid no Tribunal Internacional de Justiça (CIJ).

processo de 84 páginas, exaustivamente argumentado, totalmente documentado e apresentado em 29 de dezembro de 2023, detalha todos os horrores em curso perpetrados na Faixa de Gaza ocupada e seguidos por todos com um smartphone em todo o planeta.

A África do Sul pede ao TIJ – um mecanismo da ONU – algo bastante simples: declarar que o Estado de Israel violou todas as suas responsabilidades ao abrigo do direito internacional desde 7 de Outubro.

E isso, crucialmente, inclui uma violação da Convenção sobre Genocídio de 1948, segundo a qual o genocídio consiste em “atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.

A África do Sul é apoiada pela Jordânia, Bolívia, Turquia, Malásia e, significativamente, pela Organização de Cooperação Islâmica (OIC), que reúne as terras do Islão e constitui 57 Estados-membros, 48 dos quais abrigam uma maioria muçulmana. É como se estas nações representassem a esmagadora maioria do Sul Global.

O que quer que aconteça em Haia poderá ir muito além de uma possível condenação de Israel por genocídio. Tanto Pretória como Tel Aviv são membros do TIJ – portanto as decisões são vinculativas. A CIJ, em teoria, tem mais peso do que o Conselho de Segurança da ONU, onde os EUA vetam quaisquer factos concretos que manchem a auto-imagem cuidadosamente construída de Israel.

O único problema é que a CIJ não tem poder de execução.

O que a África do Sul, em termos práticos, pretende alcançar é que o TIJ imponha a Israel uma ordem para parar a invasão – e o genocídio – imediatamente. Essa deveria ser a primeira prioridade.

Uma intenção específica de destruir - Ler o requerimento completo da África do Sul é um exercício horrível. Isto é literalmente uma história em construção, bem diante de nós, vivendo no século 21, jovem e viciado em tecnologia, e não um relato de ficção científica de um genocídio ocorrendo em algum universo distante.

A candidatura de Pretória tem o mérito de traçar o Grande Quadro, “no contexto mais amplo da conduta de Israel em relação aos palestinianos durante os seus 75 anos de apartheid, a sua ocupação beligerante do território palestiniano, que durou 56 anos, e o seu bloqueio de 16 anos. de Gaza.”

Causa, efeito e intenção estão claramente delineados, transcendendo os horrores que foram perpetrados desde a Operação Inundação de Al-Aqsa da resistência palestiniana, em 7 de Outubro de 2023.

Depois, há “atos e omissões de Israel que são capazes de constituir outras violações do direito internacional”. A África do Sul lista-os como “de carácter genocida, uma vez que estão empenhados com a intenção específica necessária ( dolus specialis ) de destruir os palestinianos em Gaza como parte do grupo nacional, racial e étnico palestiniano mais amplo”.

'Os Fatos', introduzidos na página 9 do requerimento, são brutais – variando desde o massacre indiscriminado de civis até a expulsão em massa: “Estima-se que mais de 1,9 milhão de palestinos, dentre a população de Gaza de 2,3 milhões de pessoas – aproximadamente 85 por cento da população população – foram forçados a abandonar as suas casas. Não há lugar seguro para onde fugir, aqueles que não podem sair ou se recusam a ser deslocados foram mortos ou correm risco extremo de serem mortos nas suas casas.”

E não haverá como voltar atrás: “Como observou o Relator Especial sobre os direitos humanos das pessoas deslocadas internamente, as habitações e as infra-estruturas civis de Gaza foram arrasadas, frustrando quaisquer perspectivas realistas de os deslocados de Gaza regressarem a casa, repetindo um longo história de deslocamento forçado em massa de palestinos por Israel.”

O Hegemon cúmplice - O item 142 do requerimento pode resumir todo o drama: “Toda a população enfrenta a fome: 93 por cento da população de Gaza enfrenta níveis críticos de fome, com mais de um em cada quatro enfrentando condições catastróficas” – com morte iminente.

Neste contexto, em 25 de Dezembro – dia de Natal – o Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, redobrou a sua retórica genocida, prometendo: “Não vamos parar, continuamos a lutar e estamos a aprofundar os combates nos próximos dias, e isso irá será uma longa batalha e não está perto de terminar.”

Assim, “com extrema urgência” e “enquanto se aguarda a decisão do Tribunal sobre o mérito deste caso”, a África do Sul pede medidas provisórias, a primeira das quais será que “o Estado de Israel suspenda imediatamente a sua acção militar”. operações dentro e contra Gaza.”

Isto equivale a um cessar-fogo permanente. Cada grão de areia, do Neguev à Arábia, sabe que os psicopatas neoconservadores encarregados da política externa dos EUA, incluindo o seu ocupante senil e de estimação da Casa Branca, controlado remotamente, não são apenas cúmplices do genocídio israelita, mas também se opõem a qualquer possibilidade de cessar-fogo. .

Aliás, tal cumplicidade também é punível por lei, de acordo com a Convenção do Genocídio.

Portanto, é um dado adquirido que Washington e Tel Aviv agirão sem restrições para bloquear um julgamento justo pelo TIJ, utilizando todos os meios de pressão e ameaças disponíveis. Isto enquadra-se no poder extremamente limitado exercido por qualquer tribunal internacional para impor o Estado de direito internacional à combinação excepcionalista Washington-Tel Aviv.

Enquanto um Sul Global alarmado é levado a agir contra o ataque militar sem precedentes de Israel a Gaza, onde mais de 1% da população foi assassinada em menos de três meses, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita arregimentou as suas embaixadas para pressionar diplomatas e políticos do país anfitrião. emitir rapidamente uma “declaração imediata e inequívoca nos seguintes termos: Declarar pública e claramente que o seu país rejeita as alegações ultrajantes, absurdas e infundadas feitas contra Israel”.

Será bastante esclarecedor ver quais nações cumprirão a ordem.

Quer os atuais esforços de Pretória tenham sucesso ou não, este caso será provavelmente apenas o primeiro do género apresentado em tribunais de todo o mundo nos próximos meses e até anos. Os BRICS – dos quais a África do Sul é um Estado membro crucial – fazem parte da nova onda de organizações internacionais que desafiam a hegemonia ocidental e a sua “ordem baseada em regras”. Estas regras não significam nada; ninguém os viu.

Em parte, o multipolarismo surgiu para corrigir o afastamento de décadas da Carta das Nações Unidas e avançar para a ilegalidade incorporada nestas “regras” ilusórias. O sistema de Estado-nação que sustenta a ordem global não pode funcionar sem o direito internacional que o assegura. Sem a lei, enfrentamos guerra, guerra e mais guerra; o universo ideal de guerra sem fim do Hegemon, na verdade.

O caso de genocídio da África do Sul contra Israel é flagrantemente necessário para reverter estas violações flagrantes do sistema internacional, e será quase certamente o primeiro de muitos desses litígios contra Israel e os seus aliados para devolver o mundo à estabilidade, à segurança e ao bom senso.

EM TEMPO: O Tribunal Internacional foi rápido em punir o Putin, mas será que vai ser rápido para punir o Netanyahu? 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Ataque ao sionismo e à fome em Gaza já como ação geopolítica internacional dos Brics

Benjamin Netanyahu (Foto: Reuters/Ronen Zvulun)

O criminoso Benjamin Netanyahu deve ser enfrentado pelo governo brasileiro de peito aberto

Por César Fonseca

 11 de janeiro de 2024

 

A angustiante informação de que a fome ameaça milhares de crianças em Gaza por conta do genocídio sionista sistemático imposto por Israel com apoio dos Estados Unidos é a ignomínia bárbara que o governo Lula precisa enfrentar e vencer nesse momento, na sua ação diplomática e geopolítica internacional.

Israel está completamente desmoralizado e seu primeiro-ministro, o criminoso Benjamin Netanyahu, deve ser enfrentado pelo governo brasileiro de peito aberto e com coragem para demonstrar a inconformidade nacional contra crimes contra a humanidade que está praticando.

O exemplo corajoso e destemido da África do Sul é uma lição clara que deve ser proclamada pelo Brasil e por toda a América Latina, como gesto de repúdio radical capaz de ocupar as manchetes do mundo, puxado pelo governo sul-africano.

O país que sofreu os horrores do apartheid, que teve como herói nacional Nelson Madela, que, por sua vez, contou com a solidariedade irrestrita de Cuba, na tarefa de enviar para a África do Sul seus soldados, enfrentando e assombrando os Estados Unidos, ergue-se, nesse momento, como a voz da consciência mundial.

O tribunal da ONU que aprecia o pedido sul-africano chama a atenção dos povos e se transforma em ponto de convergência da luta internacional contra o assassinato em massa patrocinado pelas tropas israelenses amplamente apoiadas pelo imperialismo americano, evidenciando que o capitalismo financeirizado não tem utilidade real para a humanidade, salvo na sua propensão de exterminá-la como seu objetivo final explícito, destrutivo.

CONVOCAÇÃO LATINO-AMERICANA

Lula, aliás, pode e deve realizar chamamento latino-americano para essa tarefa humanitária cujas consequências seriam promover a união do continente que, nesse instante, encontra-se ameaçado pela divisão decorrente do avanço da violência do narcotráfico assustador e desestabilizador da democracia continental.

A luta contra a fome, programada como cálculo realizado pelo imperialismo sionista, que junta, como irmãos na barbárie, Israel e Estados Unidos, incapazes de adoção de geopolítica pela paz, porque sua opção consciente é pela guerra, tem o poder de promover, não, apenas, a união política continental, mas global.

Seu potencial aglutinador se alinha em grandes traços com a política externa que o presidente Lula empreendeu ao longo de 2024, de modo a tirar o Brasil da marginalidade internacional a que foi jogada pelo bolsonarismo fascista, em sua escalada direitista, obediente às correntes políticas mais odiosas que ameaçam a democracia e a paz mundial.

Foi o ano de conquistas relevantes, pois com a cruzada antifascista lulista, pode o Brasil usufruir de retomada econômica consistente, especialmente, nas trocas internacionais, responsáveis por registrar superavit de mais de 100 bilhões de dólares na balança comercial, fortalecendo as contas correntes do balanço de pagamento nacional etc.

PROTAGONISMO CONTRA A FOME E A BARBÁRIE 

A união de propósitos políticos pela paz, à qual se lançou Lula, fortalecendo, principalmente, a política de direitos humanos por meio de discurso alinhado aos compromissos pelo fortalecimento e recuperação do meio ambiente, vertente econômica moderna, colocou o Brasil na vanguarda internacional que o credencia, agora, a uma política mais afirmativa e propositiva contra a barbárie sionista, que mata palestinos de forme de forma fria e calculada.

A fome palestina apela aos democratas por política externa solidária, sintonizada, aliás, com a proposição dos BRICS, na construção de nova geopolítica política econômica, pautada  pela cooperação internacional.

A aliança política lulista, que se encontra sob ataque do neoliberalismo, vestido, agora, de parlamentarismo neoliberal, conduzido pela direita e ultra-direita fascista majoritária no Congresso, como maldita herança bolsonarista, organizada por forças obscurantistas que levaram ao golpe de 8 de janeiro de 2023 contra a democracia, precisa, já, abrir espaço internacional à geopolítica de paz.

Certamente, proatividade lulista, nesse sentido, reverterá em bônus para a economia brasileira por produzir resultados embalados pela atratividade a ser exercida pelo poder democrático que venceu o golpe fascista.

Sobretudo, colocará o Brasil, como destacado integrante dos BRICs, na vanguarda da luta internacional pelo desenvolvimento social contra o neoliberalismo, face cruel por trás da qual estão as forças imperialista, massacrando os mais pobres como os palestinos, numa luta desigual diante do avanço da financeirização, embalada pelo sionismo.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Brasil condena genocídio perpetrado por Israel em Gaza

Mauro Vieira, Lula e Gaza ao fundo (Foto: ABr | Ricardo Stuckert/PR | REUTERS/Mohammed Salem)








"Parabéns aos brasileiros que optaram pela Humanidade, pela vida, pelo amor ao próximo", escreve Hildegard Angel

10 de janeiro de 2024

"À luz das flagrantes violações ao direito internacional humanitário, o presidente manifestou seu apoio à iniciativa da África do Sul de acionar a Corte Internacional de Justiça para que determine que Israel cesse imediatamente todos os atos e medidas que possam constituir genocídio ou crimes relacionados nos termos da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio", diz a nota divulgada há pouco pelo Itamaraty. A pressão das redes sociais, da mídia progressista e dos movimentos de resistência ao massacre perpetrado há 96 dias pelo Estado sionista de Israel contra Gaza, apesar da cobertura vergonhosa e mentirosa da mídia corporativa brasileira. 

Parabéns, presidente @lulaoficial ! Parabéns @fepal_brasil ! Parabéns a todos - os poucos - nas redes sociais, no Instagram, no Facebook, no X, no YouTube, que deram sua cara a tapa, ignoraram ataques, ofensas, desconfianças, ameaças; parabéns aos que mesmo recebendo retaliações não se dobraram. 

Parabéns aos brasileiros que optaram pela Humanidade, pela vida, pelo amor ao próximo. Parabéns aos que priorizaram a compaixão e os valores humanos às conveniências, às amizades que logo se revelaram "de araque". Aos que ignoraram os narizes torcidos.  

Parabéns aos jornalistas que não se dobraram ao lobby dos poderosos, e se mantiveram firmes na arena em defesa dos inocentes palestinos assassinados, os mártires dessa "guerra" unilateral. Ao lado dos bebês bombardeados, das crianças desmembradas, das mães e avós assassinadas. Os vilões do massacre em Gaza, dos ataques na Cisjordânia, das bombas jogadas contra o Líbano estão sendo desmascarados e abandonados. África do Sul, Holanda, a Liga Árabe e agora o nosso Brasil se posicionaram contra Israel pelo crime de genocídio na Corte Internacional de Justiça!

Os Estados Unidos, mesmo ainda timidamente, já externam oposição ao massacre operado contra os palestinos. O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, pede a Israel que freie os ataques contra civis em Gaza e pare de "minar" as possibilidades dos palestinos de se reerguerem como povo, nação, de terem seu país, e também do básico: de beberem água, de se alimentarem, de receberem assistência médica. 

 Este foi apenas um passo. E a resistência continua, até a extinção completa desse estado de horror, desse morticínio, desse holocausto, que manchou para sempre a história do povo judeu tão oprimido, agora desempenhando o abjeto papel de opressor. 

Até agora o saldo dessa devastação sombria é de 23 mil mortos, 58 mil feridos e quase 10 mil desaparecidos. Quanto martírio, quanta dor.

E que o judaísmo não seja confundido com o implacável e desumano sionismo.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

08/01/2024: Imprensa internacional repercute discurso de Lula em defesa da democracia

Presidente Lula discursa no ato Democracia Inabalada (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

 






Abordagem na imprensa na Argentina, no Uruguai, no Chile...na Espanha, na França, na Inglaterra...é clara: “a democracia venceu”, mas requer atenção permanente.

Por Márcia Carmo

8 de janeiro de 2024

A imprensa internacional repercutiu, nesta segunda-feira (8), o discurso do presidente Lula em defesa da democracia, no ato para relembrar os ataques contra os Três Poderes da República, há um ano.

“Lula pediu que não esqueçam a tentativa de golpe de Estado no dia oito de janeiro”, publicou o portal de notícias do jornal El Observador, de Montevidéu. O jornal Página 12, de Buenos Aires, enfatizou que Lula “pediu castigo exemplar para os executores do golpe”. O espanhol El País, de Madri, informou que “o Brasil de Lula comemorou a vitória da democracia contra o autoritarismo”. E ressaltou que os governadores, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, estiveram ausentes do ato ‘Democracia Inabalada’, realizado em Brasília. O portal do grupo estatal francês de notícias France 24 enfatizou que para o presidente “não há perdão” para os autores do “atentado bolsonarista” de 2023.  "Não há perdão para quem atenta contra a democracia", diz Lula

Aquelas imagens violentas das turbas invadindo e depredando as sedes dos Três Poderes, destruindo vidraças, gabinetes, documentos, obras de arte históricas, bens públicos, ainda estão também na memória dos habitantes de outros países e continentes. Naquele oito de janeiro de 2003, apenas sete dias após a posse do presidente, as emissoras de televisão e de rádio de vários países interromperam a programação para mostrar e informar sobre aquele terremoto de bolsonaristas radicais que não aceitaram a vitória de Lula nas urnas, pediram intervenção militar e ameaçaram a democracia brasileira.

Um ano depois, a notícia do encontro institucional em Brasília, com a presença do presidente, parlamentares, chefes das Forças Armadas, do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Roberto Barroso, e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, tem forte repercussão na mídia internacional. A abordagem na imprensa na Argentina, no Uruguai, no Chile...na Espanha, na França, na Inglaterra...é clara: “a democracia venceu”, mas requer atenção permanente.

Assista ao vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=4NYXN4TZgKU&t=8s

domingo, 7 de janeiro de 2024

Especialistas apontam intenções por trás da tentativa de golpe em 8/1/2023

Atos Golpistas de 8 de janeiro de 2023 (Foto: Joedson Alves/Agência Brasil)

 



 


De intervenção à jogo de força, passando por interesses econômicos

7 de janeiro de 2024

Agência Brasil - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro aprovou em outubro de 2023 o relatório final da senadora Eliziane Gama (PSD-MA). O documento pediu o indiciamento de 61 pessoas por crimes como associação criminosa, violência política, abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Entre elas, o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-ministros como Walter Braga Neto, da Defesa, Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Anderson Torres, da Justiça.

Para a senadora Eliziane Gama, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, “foi autor intelectual e moral” dos ataques perpetrados contra as instituições que culminaram no dia da intentona da extrema direita. Conforme a parlamentar apresenta nas conclusões do relatório da CPMI, o ex-mandatário “usou seus seguidores” para tentar “escapar aos próprios crimes”.

A intenção de Bolsonaro seria estimular “uma insurreição que deixasse os poderes constituídos de joelhos; uma rebelião que enfraquecesse o governo que apenas começava e que espalhasse o caos; um processo anárquico que disseminasse o medo e que inspirasse, aos setores mais moderados da sociedade, o desejo de contemporização. Seria este o caminho da anistia e da reabilitação popular: produzir a desordem, para vender a conciliação, ao preço dos indultos e das graças constitucionais.”

Gama avalia, no texto aprovado pela comissão, que do ponto de vista dos terroristas “a invasão e a depredação dos prédios públicos seriam apenas o estopim. A anarquia se espalharia. O Brasil se contagiaria. A República cairia”.

Avaliações de acadêmicos e pesquisadores de diferentes formações ouvidos pela Agência Brasil apontam nuances às razões descritas pela CPMI para o conluio e o ataque contra a democracia.

Para Tales Ab´Sáber, psicólogo, escritor, cineasta e professor de filosofia da psicanálise no curso de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o 8 de janeiro “foi uma insurgência de extrema direita que contava com conexão mágica e imaginária com as Forças Armadas, que viriam salvar o Brasil".

Segundo ele, o Exército mantém um “comportamento ambíguo” em relação aos apelos antidemocráticos e é visto por parte da sociedade como “uma força que pode intervir no caos brasileiro.”

sábado, 6 de janeiro de 2024

"O capitalismo sempre resolve as suas contradições por meio da guerra", diz Alysson Mascaro

 







Alysson Mascaro | Palestinos carregam vítima de ataque israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza 22/12/2023 (Foto: Reprodução/Facebook | REUTERS/Mohammed Salem)

Professor afirma que a destruição de Gaza está conectada à crise profunda do sistema capitalista

247 – Em entrevista concedida à TV 247, o professor, jurista e filósofo Alysson Mascaro, da Universidade de São Paulo, proporcionou uma análise marxista do panorama geopolítico contemporâneo, destacando os conflitos em andamento na Palestina e na Ucrânia. Mascaro contextualizou os recentes ataques de Israel ao Líbano e o atentado terrorista no Irã, ressaltando a complexidade dessas situações no contexto global. Ele situou esses eventos no âmbito do modelo neoliberal, caracterizando-o como um pós-fordismo que intensificou a especulação financeira e desestruturou as bases tradicionais do capitalismo.

O professor argumentou de forma contundente que o capitalismo contemporâneo, diante de crises de acumulação, recorre consistentemente à estratégia de guerra e espoliação. Ele apontou exemplos recentes no Oriente Médio, salientando a falta de inovação estratégica por parte das potências capitalistas. "Com a acumulação acelerada, explodem as contradições do sistema. O capitalismo tenta resolver suas contradições com uma estratégia de acumulação ainda mais atroz", diz ele. "Quando não é a guerra, é a espoliação, como ocorreu no Brasil, depois do golpe de 2016", acrescenta.

Ao abordar a questão Israel-Palestina, Mascaro enfatizou o papel de Israel como peça-chave no sistema imperialista. Ele destacou as dinâmicas geopolíticas complexas, observando a influência significativa dos Estados Unidos sobre os países árabes, o que complica os potenciais levantes populares. "A guerra na Palestina não acaba porque não há um ator que confronte de fato Israel", afirma.

A entrevista também abordou a China, com o professor criticando a falta de uma postura ideológica firme por parte da esquerda brasileira. "A estratégia de inserção da China na nova ordem é mercantil e capitalista", disse ele. 

EM TEMPO: Donde se conclui que não há superação das nossas dificuldades nos limites do capitalismo (destaque do Blog). 

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=sfUB04jd5GM&t=2s  TV 247.     Leonardo Attuch  entrevista o professor  Alysson Mascaro: "O capitalismo resolve suas contradições por meio da guerra"


Segundo Jamil Chade, plano de golpista de 8 de janeiro de 2023 foi barrado pelos Estados Unidos

Jornalista Jamil Chade (Foto: UN Photo/Jean Marc Ferré)


Correspondente relata encontro em que generais estadunidenses teriam deixado claro que um golpe no Brasil não teria respaldo

6 de janeiro de 2024



247 – Uma reportagem do correspondente Jamil Chade revela a atuação internacional que contribuiu para sufocar as tentativas golpistas de 8 de janeiro. Chade relata detalhes do encontro em que generais estadunidenses teriam comunicado de forma inequívoca que um golpe no Brasil não receberia apoio internacional. Durante esse encontro, representantes do governo dos Estados Unidos, incluindo a cúpula da CIA e a Segurança Nacional, enviaram uma mensagem clara de repúdio ao golpe.

"Em julho de 2022, uma reunião entre os chefes da pasta de Defesa do Brasil e dos EUA sinalizou aos militares em Brasília que eles não teriam o respaldo de Washington, caso optassem por uma aventura golpista. De um lado da mesa estavam Laura Jane Richardson, general quatro estrelas do Exército dos EUA e comandante do Comando Sul, e Lloyd Austin, secretário de Defesa norte-americano. De outro, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ministro da Defesa do Brasil e ex-comandante do Exército brasileiro", escreve o jornalista.

Segundo o correspondente, a pressão discreta dos EUA foi fundamental para enviar uma mensagem aos militares brasileiros, alertando sobre os custos elevados de um golpe sem respaldo internacional.

EM TEMPO: O Bozo é tão ruim que nem a CIA quis apoiá-lo. Na realidade  uma considerável parcela dos brasileiros sabia disso só não dos detalhes. Mas, ainda tem mais informações a serem divulgadas. Por exemplo: falta informar quem eram os outros militares brasileiros que participaram dessa reunião.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Além do Agro, empresas e empresários do garimpo ilegal apoiaram o 8 de janeiro








Jair Bolsonaro e operação do Ibama contra garimpeiros (Foto: Reuters | Ibama/Divulgação)

Atitude de tolerância para com o desmatamento, danos ambientais e contrabando de ouro rendeu frutos a Bolsonaro, que teve apoio incondicional de garimpeiros. Por Denise Assis

No dia 24 de novembro de 2021, o país assistiu estarrecido a um desfile de mais de uma centena de balsas do garimpo ilegal, deslizando afrontosamente pelo Rio Madeira. Todas juntas, como num comboio rio acima, desafiavam os órgãos de fiscalização. Na época, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), era o presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal. A PF e o Ibama mapearam 350 balsas usadas na extração ilegal de ouro, mas muitos conseguiram fugir antes da ação policial. O Ministério Público Federal (MPF) expediu uma recomendação, pedindo a adoção emergencial de ações para retirada de garimpeiros ilegais que se instalaram no rio Madeira, no Amazonas. A força-tarefa que atua na região destruiu mais de 100 balsas usadas na extração ilegal de ouro.

No dia 29 de novembro, uma segunda-feira, em Brasília, o vice-presidente Hamilton Mourão, na condição de também presidente do Conselho da Amazônia, disse que a operação não eliminou o problema: “O garimpo já foi devidamente dispersado, vamos dizer assim, mas tem que manter uma vigilância constante porque tem ouro lá. Se não houver a vigilância, o pessoal volta”. A declaração, nesse tom evasivo, dava a entender que tal vigilância não era uma atividade afeita ao seu trabalho.

Em três dias de operação, a Polícia Federal apreendeu e destruiu 131 balsas. A maior parte foi incendiada. A operação se concentrou em Nova Olinda do Norte e Autazes, município onde os paredões de balsas se aglomeraram, distantes 113 quilômetros de Manaus, para exploração ilegal de ouro.  

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Abin monitorou ilegalmente 30 mil pessoas contrárias a Bolsonaro, diz diretor-geral da PF

 

4 de janeiro de 2024

Andrei Rodrigues ainda revelou que dados de brasileiros espionados pela Abin estavam armazenados em Israel



Andrei Passos Rodrigues (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASÍLIA (Reuters) - A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorou ilegalmente 30 mil pessoas que seriam contrárias ao governo durante a gestão do então presidente Jair Bolsonaro, disse o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em entrevista à GloboNews nesta quinta-feira.

Segundo Rodrigues, as investigações realizadas pela PF sobre o caso descobriram que dados monitorados estavam armazenados em Israel em uma nuvem -- forma remota de armazenamento de dados. "A investigação tem apurado que de fato houve o monitoramento de muitas pessoas -- estima-se em 30 mil pessoas -- clandestinamente, ou seja, de maneira ilegal", afirmou.

"Fizemos já prisões, buscas e apreensões e há análise de todo esse material sendo feito, inclusive, recuperamos dados de nuvem, e aqui veja a gravidade, esses dados de monitoramento dos cidadãos brasileiros estavam sendo armazenados em nuvens em Israel, porque a empresa responsável por essa ferramenta ela é israelense", reforçou.

O diretor-geral disse que a situação é inaceitável e que se espera, com a investigação, apontar os responsáveis pelos monitoramentos para responderem perante a Justiça.

Rodrigues se refere à operação deflagrada em outubro passado pela PF que apura um suposto uso ilegal de um software de geolocalização pela Abin durante o governo Bolsonaro, em que culminou com a prisão preventiva de dois servidores e 25 ações de busca e apreensão. Na ocasião, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, foram afastados dos seus cargos cinco servidores da agência.

O diretor-geral da PF considerou que o uso indevido dessa ferramenta de monitoramento de pessoas é de "extrema gravidade". "Estamos aqui falando de fragilidade do sistema de comunicação do país a partir do uso ilegal de uma ferramenta que, em nenhuma hipótese, poderia estar sendo usado por uma agência que não tem atribuição legal", afirmou.

"Monitoramento de comunicações ou de telefone só pode ser feito em investigação criminal e autorizada pela autoridade judiciária, o que não foi o caso", acrescentou.

Procurada pela Reuters, a Abin não respondeu de imediato a pedido de comentário.

Ônibus rumaram para Brasília visando a “Tomada pelo Povo” em 8 de janeiro de 2023

 





 



Atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

"Eles não só embarcaram naqueles ônibus para uma viagem rumo a Brasília para a “Tomada pelo Povo”, mas também rumo ao submundo do golpe", escreve Denise Assis

3 de janeiro de 2024

Tendo como objetivo a “tomada” do poder, lideranças do Movimento Brasileiro Verde e Amarelo (MBVA), ruma para Brasília, após o resultado da eleição de 2022.  Inconformados com a derrota para o candidato progressista, Luiz Inácio Lula da Silva, se articularam por redes sociais. São pessoas que detêm capital econômico e influência política em seus locais de atuação. Como ferramenta de mobilização, além das redes, contaram com o programa “Sucesso no Campo”, transmitido em TV aberta e em mídia social. O programa divulga líderes, pautas e convocações do grupo para manifestações.

Formado sobretudo por sojicultores do Centro-Oeste, naturais do Rio Grande do Sul, contam com as principais lideranças e fundadores do MBVA: Antônio Galvan (sojicultor em Sinop/MT, presidente da Aprosoja Brasil); Jeferson da Rocha (advogado em Florianópolis e porta-voz do grupo); Vitor Geraldo Gaiardo (sojicultor e presidente do Sindicato Rural de Jataí/GO); Humberto Falcão (sojicultor em Primavera do Leste/MT e proprietário de empresa de sementes); Luciano Jayme Guimarães (sojicultor em Rio Verde/GO e presidente do Sindicato Rural de Rio Verde) e José Alípio Fernandes da Silveira (sojicultor em Barreiras/BA e presidente da Andaterra). Todos os empresários bem-sucedidos e de muitos recursos, ligados ao agronegócio, embora ocupem, ainda assim, posições secundárias num setor decisivo para a balança comercial do Brasil. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Comboios de caminhões com destino a Brasília para a preparação do golpe de 8 de janeiro de 2023 eram do Agro

Atos golpistas em 8/1/23 (Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF)


"O que impacta é que tamanho aumento do volume de deslocamento não causou estranheza à direção da PRF", escreve Denise Assis


 

O processo de deslegitimação das eleições ocorridas em outubro de 2022 foi meticulosamente preparado e teve respaldo substancial de grupos e empresas do setor do Agronegócio, conforme as investigações oficiais promovidas logo após os atos de terror do 8 de janeiro elucidaram. E como a sociedade brasileira sempre suspeitou.

O trabalho, de extrema competência e feito nos dias imediatamente após o ocorrido – possibilitando verificar os fatos ainda a quente – reuniu elementos minuciosos, trazendo à luz, para que fossem investigados, os personagens de destaque comprometidos com a ação golpista.

Todo o material reunido foi entregue à CPMI, no mês de julho de 2022. A três meses, portanto, da conclusão e entrega do relatório final (17 de outubro de 2022). Os subsídios ali esquadrinhados estão nas mãos das autoridades competentes para que deem continuidade às apurações e eventuais punições. São análises e documentos produzidos dentro da oficialidade.

“Após o término da eleição, iniciou-se o movimento de tentativa de deslegitimação do processo eleitoral. Sua vertente ostensiva consistiu na concertação de quatro tipos de ações: bloqueios rodoviários, acampamentos em frente a organizações militares, comboios de caminhões com destino a Brasília e atentados contra infraestruturas”, esclarece o relatório dos investigadores.

O movimento, que se estendeu ao longo de novembro e dezembro de 2022 e culminou com a invasão das sedes dos Três Poderes em 8 janeiro de 2023, guarda semelhança com a mobilização realizada entre 6 e 10 de setembro de 2021, que reivindicava intervenção militar e concessão de maiores poderes ao então Presidente da República. Uma dessas semelhanças foi o deslocamento de comboios de caminhões para capital federal. Foram identificados 272 caminhões que seguiram para Brasília a partir de 4 de novembro de 2022. Quase todos eram oriundos de quatro estados: Mato Grosso, Goiás, Bahia e Paraná.

O que impacta ao ler o relatório é que tamanho aumento do volume de deslocamento não tenha causado estranheza à direção da Polícia Rodoviária Federal. Não por acaso, o diretor da PRF, Silvinei Vasques, à época à frente da instituição, encontra-se preso e acusado de usar o cargo para interferir na campanha eleitoral.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Uma eleição na mira de um golpe. Como se deu a organização para o 8 de janeiro de 2023

Jair Bolsonaro e atos golpistas de 8 de Janeiro (Foto: REUTERS)








Jornalista Denise Assis alerta para as articulações do Movimento Brasil Verde e Amarelo, 'grupo informal apoiador de Bolsonaro e com integrantes do agronegócio'

1 de janeiro de 2024

Um relatório produzido por órgãos de investigação oficiais sob o título: “Movimento Brasil Verde e Amarelo: participação, lideranças do agronegócio em atos antidemocráticos e em ações de contestação do resultado eleitoral – aspectos essenciais”, datado de 10 de janeiro de 2023, conta em detalhes como nasceu o movimento de adesão ao golpe de 8 de janeiro, do ponto de vista prático, ou seja: o momento em que os golpistas convencionaram que era hora de botar o bloco na rua. A documentação foi entregue aos integrantes da CPMI, em julho de 2023.

• O Movimento Brasil Verde e Amarelo (MBVA), grupo informal que congrega lideranças do agronegócio, foi um dos principais articuladores dos atos intervencionistas e em apoio ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro nos últimos anos.

• Desde o término da última eleição presidencial, membros do MBVA foram identificados como lideranças de bloqueios rodoviários. Um membro foi preso durante um desses bloqueios em novembro de 2022. Muitos dos caminhões que partiram em comboio para Brasília após a eleição para apoiar o acampamento em frente ao Quartel-General do Exército partiram de regiões de influência do MBVA.

• O MBVA possui recursos econômicos e disposição para financiar transporte de manifestantes e ações extremistas, como as ocorridas em Brasília em 8 de janeiro de 2023.

É o que revela o relatório, que acrescenta como surgiu o movimento fruto, segundo o documento, da “insatisfação de lideranças do Agronegócio com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 30 de março de 2017, sobre a cobrança do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

O sionismo não suporta a crítica vinda de dentro do próprio judaísmo, diz Breno Altman

1 de janeiro de 2024

A crítica vinda de um judeu desmascara a “natureza racista e colonial do sionismo”, afirma o jornalista, alvo de uma campanha de perseguição dos sionistas



Breno Altman e logotipo da Confederação Israelita do Brasil (Foto: Opera Mundi | Reprodução)

247 - O jornalista Breno Altman, editor do Opera Mundi e alvo de uma campanha de perseguição dos sionistas, da Confederação Israelita do Brasil (Conib), do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), explicou à TV 247 nesta segunda-feira (1) a razão de suas críticas provocarem tanto incômodo entre os defensores do sionismo.

Altman, que é judeu, é no Brasil um dos principais críticos do sionismo e dos crimes cometidos pelo governo de Benjamin Netanyahu, de Israel, contra os palestinos na Faixa de Gaza. Segundo o jornalista, as críticias, quando partem de um judeu, como ele, desmascaram o sionismo, já que a estratégia de reação imediata - que é classificar o opositor como antissemita - perde efeito. “A manobra ideológica fundamental do sionismo é se apresentar como a identidade universal dos judeus, de tal maneira de que quando você critica o sionismo você estaria cometendo antissemitismo. Esse é o grande truque que o sionismo construiu ao longo de décadas. O sionismo é somente uma corrente político-ideológica, como outra qualquer. 

Mas o sionismo, especialmente depois da sua encarnação no Estado de Israel em 1948, quando é fundado o Estado, tenta se apresentar como a identidade nacional judaica ou, como eles gostam de dizer, ‘a identidade ou o movimento da autodeterminação judaica’. E quando você tem especialmente judeus contestando o sionismo, denunciando os crimes do sionismo, revelando a natureza racista e colonial do sionismo, isso para eles é inaceitável, porque rompe a carapuça ideológica, a carapuça de marketing com a qual foi construída o sionismo”. >>> Breno Altman e sua luta contra os crimes do sionismo

 “Eles estão em um momento muito difícil, porque as entranhas dessa doutrina racista e colonial estão muito expostas. O mundo hoje vê o que é o sionismo. No massacre contra a população em Gaza fica nítido o caráter racista, colonial, violento do sionismo. O mundo, a opinião pública mundial - ainda não os governos - se volta contra o Estado de Israel. Mesmo no judaísmo vários setores vão se descolando do sionismo e criticando o Estado de Israel. E isso deixa, especialmente as agências sionistas, em estado de polvorosa, desesperador, o que os torna cada vez mais agressivos. Então esse é o elemento central: quando a crítica veio de dentro do judaísmo, é inaceitável para eles”.

Assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=0xCFywkdw8A&t=3786s