sábado, 11 de novembro de 2023

Multidões gritam 'Palestina livre' e pedem o fim do holocausto provocado pelo governo de Israel

 

Manifestação pró-Palestina em Londres (Foto: Reuters/Hannah McKay)

11 de novembro de 2023





Segundo organizadores, mais de 800 mil manifestantes saíram às ruas de Londres neste sábado para protestar contra o genocídio promovido por Israel na Faixa de Gaza

Reuters - Mais de 300 mil manifestantes pró-Palestina marcharam pelo centro de Londres neste sábado (11), com a polícia prendendo quase 100 contra-protestantes de extrema direita para impedi-los de emboscar a principal manifestação. Confrontos eclodiram entre a polícia e os grupos de extrema direita que também se dirigiram à capital, já que a manifestação palestina coincidiu com o Dia do Armistício, o aniversário do fim da Primeira Guerra Mundial, quando o Reino Unido presta homenagem aos seus mortos na guerra.

O primeiro-ministro Rishi Sunak disse que era desrespeitoso realizar a manifestação no mesmo dia das comemorações, e ministros pediram o cancelamento da marcha - a maior até agora em uma série de manifestações em apoio aos palestinos e pedindo um cessar-fogo na Faixa de Gaza. A polícia disse que havia várias centenas de contra-protestantes nas ruas do centro de Londres, e confrontos ocorreram perto do memorial de guerra do Cenotáfio no início do dia.

Os incidentes continuaram ao longo do dia, com a polícia em trajes de choque tentando conter os manifestantes perto da Casa dos Comuns, em estações de trem e em ruas laterais, com imagens mostrando policiais com cassetetes trabalhando para controlar as multidões. Alguns manifestantes atiraram garrafas e barricadas de metal nos policiais em o que a força descreveu como "violência inaceitável".

A polícia Metropolitana de Londres disse posteriormente que havia prendido 82 contra-protestantes em uma ação projetada para manter a paz. Outras 10 prisões foram feitas por outras infrações. O comissário assistente Matt Twist disse em uma atualização postada nas redes sociais que os contra-protestantes pareciam "decididos a confronto e decididos à violência".

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, e o primeiro-ministro da Escócia, Humza Yousaf, culparam a ministra do Interior, Suella Braverman, por inflamar as tensões e fortalecer a extrema direita depois que ela acusou a polícia de favorecer "multidões pró-Palestina".

Grande participação - A polícia disse que mais de 300 mil pessoas participaram da manifestação pró-Palestina, enquanto os organizadores estimaram o número em 800 mil. Os manifestantes pró-Palestina podiam ser ouvidos gritando "Do rio ao mar, a Palestina será livre", um grito de guerra visto por muitos judeus como antissemita e um apelo para a erradicação de Israel.

Outros carregavam faixas com os dizeres "Palestina Livre", "Parem o Massacre" e "Parem de Bombardear Gaza".

Desde o ataque do Hamas no sul de Israel em 7 de outubro, houve forte apoio e simpatia por Israel de governos ocidentais, incluindo o do Reino Unido, e de muitos cidadãos. Mas a resposta militar de Israel também provocou raiva, com protestos semanais em Londres exigindo um cessar-fogo. 

Aproximadamente 21 mil pessoas participaram de uma manifestação pró-Palestina em Bruxelas no sábado, e em Paris, parlamentares de esquerda estavam entre os cerca de 16 mil manifestantes que marcharam com bandeiras e faixas pró-Palestina para pedir um cessar-fogo em Gaza. Alguns políticos de esquerda franceses receberam bem o apelo do presidente Emmanuel Macron nesta semana por um cessar-fogo, incluindo em uma entrevista à BBC divulgada na sexta-feira, na qual ele se opôs aos bombardeios de Israel em Gaza.

Assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=yZfnnFr3LK8&list=UU_M1ek8fhnDkz5C2zfkTxpg&t=2s

"O Brasil corre risco de golpe novamente", alerta Pepe Escobar



Correspondente internacional também defendeu uma reação prudente diante das provocações israelenses e disse que os EUA não querem um Brasil forte e soberano



Pepe Escobar, Lula e Biden (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | REUTERS/Ueslei Marcelino | REUTERS/Julia Nikhinson)

247 – Em uma entrevista concedida ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, o renomado correspondente internacional Pepe Escobar levantou sérias preocupações sobre a atual situação geopolítica do Brasil, afirmando que o país corre o risco de enfrentar um golpe semelhante ao que ocorreu contra a ex-presidente Dilma Rousseff.

O título provocativo, "O Brasil corre risco de golpe novamente", reflete a gravidade das observações feitas por Escobar durante a entrevista. Ele expressou desconfiança em relação às histórias que estão sendo inventadas contra o Brasil, ao comentar a ação do Mossad e da Polícia Federal sobre um plano de supostos terroristas do Hezbollah no País. Segundo ele, a entrada do Irã no BRICS-11 pode ser um possível catalisador para a instabilidade, uma vez que o Irã é um dos alvos principais do Império.

Uma das principais preocupações apontadas por Escobar é o papel desestabilizador do Ocidente em diversas regiões do mundo. Ele mencionou a exclusão da Palestina do mapa, simbolizando as pressões exercidas por potências ocidentais. Além disso, o correspondente ressaltou que o capital político dos Estados Unidos parece estar em declínio, enquanto as mentes alertas no Sul Global e em algumas regiões do Norte Global já percebem as situações na Ucrânia e na Palestina como duas guerras do Ocidente contra o mundo multipolar.

Escobar chamou a atenção para a necessidade de o Brasil adotar uma reação prudente em relação a Israel, a despeito das provocações recentes do embaixador israelense no Brasil, uma vez que o Brasil seria um alvo constante do Império. Ele enfatizou que o Brasil, ao contrário de Rússia e China, não possui a mesma amplitude geopolítica, e encontra-se atualmente sitiado.

O alerta de Pepe Escobar ganha relevância no contexto das recentes declarações dos Estados Unidos sobre desinformação russa na América Latina. Para o correspondente, essas declarações servem como um recado, indicando uma possível intervenção nos assuntos internos do Brasil.

Ao abordar diretamente o risco de golpe, Escobar ressaltou que o Brasil pode estar caminhando para uma reprise do golpe que resultou no impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016. "O Brasil corre risco de golpe. Podemos ter uma reprise do golpe que aconteceu contra a presidente Dilma. Não querem um Brasil soberano e independente", disse ele. 


sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Enel só trouxe prejuízos para o Brasil, diz Wadih Damous

 

Wadih Damous e Enel (Foto: ABR | Reuters)


A Enel só anunciou a restauração completa do serviço em São Paulo uma semana após o incidente. Assista na TV 247


247 - O secretário nacional do Consumidor, Wadih Damous, destacou em entrevista à TV 247 sua posição, de caráter pessoal, contrária à privatização de setores estratégicos ao tratar do caso Enel, a concessionária italiana em São Paulo que deixou milhões sem luz. 

Damous expressou ceticismo sobre os benefícios da privatização, citando exemplos de desastres e ineficiências associados a empresas privatizadas: "Há até quem defenda a criação de uma nova estatal", afirmou. Ele se referiu especificamente aos trágicos incidentes em Brumadinho e Mariana, além de mencionar a Enel. "Isso não trouxe qualquer benefício para o país, veja Brumadinho, Mariana e a Enel. Estou aberto a ser convencido de que foi bom", declarou Damous.

A Enel enfrentou críticas intensas pela demora no restabelecimento da energia após fortes chuvas em São Paulo. Milhões de pessoas ficaram sem luz, e a Enel só anunciou a restauração completa do serviço uma semana após o incidente. A empresa pediu desculpas pela demora, mas isso não diminuiu as críticas sobre sua eficiência e responsabilidade.

A situação levou o jurista Pedro Serrano a defender a cassação da concessão da Enel, sem direito a indenização.

Assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=9MrDHi717lI&t=11881s

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Sem capacidade de Defesa, Brasil não será decisivo no jogo de poder mundial


 





Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da 78ª Assembleia Geral da ONU - 19.09.2 (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

'A proposta citada não significa fazer guerra, mas ter ações confiáveis em defesa da soberania', afirma o colunista Jeferson Miola. 'O País está vulnerável'

9 de novembro de 2023

O Brasil persegue há décadas o objetivo de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, condição exclusiva de cinco potências nucleares – China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Para integrar este seleto clube de poder do sistema mundial que tem o poder de iniciar e terminar guerras e conflitos, o Brasil precisa, porém, mais do que uma política externa ativa e altiva e de pragmatismo diplomático.

Tampouco é suficiente a empatia angariada mundo afora por meio do imenso talento político-diplomático do presidente Lula e da defesa das bandeiras generosas de um mundo com justiça, paz, igualdade e sem fome. Sem uma capacidade avançada em termos de Defesa Nacional, o que significa a conformação de um poder dissuasivo convincente ante potenciais agressores externos, o Brasil não conseguirá exercer uma influência decisiva no sistema de nações. Menos ainda em circunstâncias de conflitos bélicos e guerras.

Manda no mundo quem tem poder. E tem poder o país quem tem dinheiro, força corporativa e capacidade bélico-militar para impor sua hegemonia e domínio e, também, para desencorajar intentos de ataques de estrangeiros. Robustecer o poder dissuasório não significa a opção de guerrear e de agredir outros países, mas o esforço de constituir mecanismos confiáveis de defesa da soberania nacional.  Desse ponto de vista, no entanto, o Brasil está indefeso, despreparado e totalmente vulnerável à mínima investida de algum país estrangeiro.

No livro O que fazer com o militar, anotações para uma nova defesa nacional, o historiador Manuel Domingos Neto diagnostica que “as Forças Armadas brasileiras são organizações despreparadas para negar os espaços terrestre, marítimo, aéreo, cibernético e espacial à potência estrangeira medianamente habilitada. São grandes aparatos dispersos, dispendiosos, multifuncionais e ineficientes para o combate da atualidade”.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

"Israel vai tentar derrubar o governo Lula", diz Leonardo Stoppa

 

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Reprodução )







Jornalista avalia que o evento desta quarta-feira com o embaixador israelense Daniel Zonshine e Jair Bolsonaro é uma prova concreta

8 de novembro de 2023

247 – O jornalista Leonardo Stoppa afirmou, no programa Leo ao Quadrado desta quarta-feira, que o governo israelense de Benjamin Netanyahu já está em ação para derrubar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As evidências, segundo ele, seriam o evento na Câmara dos Deputados, que reuniu o ex-presidente Jair Bolsonaro e o embaixador Daniel Zonshine, numa clara afronta ao governo Lula, e ação da Polícia Federal, em parceria com o serviço secreto israelense Mossad contra supostos terroristas. O próximo evento, segundo Stoppa, será a libertação dos brasileiros em Gaza a pedido de Bolsonaro. "Israel já está jogando pesado para derrubar Lula", diz ele. Assista:

https://www.youtube.com/watch?v=QMPgvYbyrxk&t=32s  TV 247. Programa  Leo ao Quadrado.

EM TEMPO: A extrema-direita é muito forte em todo mundo e responsável por envolver seus países em algumas guerras, a exemplo da Ucrânia e  de Israel.  Considerando um ditado popular que diz que "Deus é Brasileiro",  escapamos de estarmos envolvido numa guerra graças a vitória do presidente Lula. Agora, todo cuidado é pouco com o Millei na eleição presidencial da Argentina. Convém lembrar que neste dia, Bozo foi ao Congresso para estimular o voto contrário a Reforma Tributária. 

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=iCx5rqlZcGo&list=UU_M1ek8fhnDkz5C2zfkTxpg TV 247 em 09.11.23. Os jornalistas  Florestan Fernandes Jr, Luís Costa Pinto  e Sara Goes, entrevistam o professor Reginaldo Nasser. Tema: Reunião do embaixador de Israel com Bozo e parlamentares de extrema-direita.


terça-feira, 7 de novembro de 2023

A Europa agoniza em Gaza

"O Sionismo tornou-se uma conveniência do império britânico para impedir a emergência de um Estado árabe forte no Oriente Médio", diz Boaventura de Sousa Santos (Sociólogo português)

7 de novembro de 2023

Benjamin Netanyahu e ataque israelense no enclave palestino de Gaza (Foto: REUTERS)


A Europa é um pequeno canto de um vastíssimo continente chamado Eurásia que vai do Cabo da Roca até ao Cabo Dezhnyov – um continente vastíssimo com uma história riquíssima. E nesse pequeno canto, é ainda mais pequeno isto a que chamamos a Península Ibérica. Durante milênios, este foi um espaço menor a que nenhum possível conquistador deu grande importância. Era o fim do mundo ptolomaico, um beco sem saída. 

Os Romanos usaram este canto do mundo para enfraquecer os cartagineses e afastá-los da península itálica. Muitos séculos mais tarde, quando os visigodos dominavam por aqui, foram os muçulmanos vindos do Norte de Africa que vieram enriquecer culturalmente esta região marginal da Europa. Sem a riqueza multicultural do Al-Andaluz não existiria a cultural ocidental tal como a conhecemos.  

A partir do século XV, a Europa começa a perder a prioridade dada aos seus laços multiseculares com a Eurásia e a invadir outras regiões do mundo, separadas por oceanos, e a expandir-se em novas direções, por via marítima, para Oeste e para Sul, e para o longínquo Oriente. A história dos vencedores desta história é uma imensa sala de troféus. A história dos vencidos levou muito tempo a ser conhecida, e ainda hoje só muito parcialmente o é. 

É que o “modo de convivência” da Europa com esses novos mundos foi quase sempre caracterizado pela apropriação, a pilhagem e a violência, sempre em nome de ideologias nobres (cristianismo, civilização, progresso, desenvolvimento, direitos humanos, democracia). Sem serem pouco importantes, tais ideologias nunca tiveram força para contrariar a essência da convivência, a qual exigia a guerra permanente.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Zelensky pede unidade e adiamento das eleições

 

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (Foto: REUTERS)


   6 de novembro de 2023




Lei marcial na Ucrânia complica panorama eleitoral

247 - Em meio a uma lei marcial vigente, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta segunda-feira (6) que "não é o momento certo para eleições", referindo-se ao final iminente de seu mandato de cinco anos, de acordo com informações do site The Hill

Durante seu comunicado em vídeo, o presidente expressou sua preocupação em relação ao momento político e social pelo qual a Ucrânia passa. Segundo ele, o país não deveria estar se preocupando com processos eleitorais enquanto tenta se defender de uma operação militar russa que começou em fevereiro de 2022. "E finalmente, as ondas de qualquer coisa politicamente divisiva devem parar", enfatizou. E acrescentou: "Devemos perceber que agora é o momento de defesa, o momento da batalha que determina o destino do estado e do povo, não o momento de manipulações, que é exatamente o que a Rússia espera da Ucrânia."

O líder ucraniano reconhece a necessidade de coesão política em tempos de crise. "E se precisamos encerrar uma disputa política e continuar trabalhando em unidade, existem estruturas no Estado que são capazes de pôr fim a isso e fornecer à sociedade todas as respostas necessárias", afirmou Zelensky, reforçando a necessidade de evitar conflitos internos e manipulações externas.

As eleições presidenciais ucranianas acontecem tradicionalmente a cada cinco anos. Com a próxima prevista para março de 2024 e considerando que Zelensky assumiu o cargo em maio de 2019, o término de seu mandato está próximo. No entanto, complicando o panorama eleitoral, as eleições parlamentares, originalmente marcadas para outubro, foram adiadas devido à lei marcial imposta em resposta à invasão russa.

Em uma tentativa de resposta ao impasse eleitoral, Zelensky, em agosto, sugeriu possíveis eleições em 2024, condicionando a realização do pleito a mudanças legislativas e apoio externo. Contudo, dias depois, o assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak expressou ceticismo, afirmando que o país não estava preparado para eleições naquele ano.

Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS) revelou que 81% dos ucranianos são contrários a eleições sob lei marcial. A mesma pesquisa apontou que 65% estão céticos quanto ao voto remoto por medo de fraudes, enquanto 29% apoiam esse formato.

A pesquisa, que ouviu 1.010 pessoas por telefone entre 30 de setembro e 13 de outubro, possui uma margem de erro de 2,4%.

EM TEMPO: O governo do nazifascista Zelensky reprime e  prende os militantes de esquerda, os quais se opõem as  ordens  dos  EUA e da OTAN  que  provocam uma guerra  suicida  contra a Rússia  e consequentemente  a deteriorização  das condições de sobrevivência da população ucraniana, além das mortes e destruição do patrimônio físico.  Daí a importância da população derrotar eleitoralmente a extrema-direita na Ucrânia, em Israel, na Argentina, dentre outros lugares. No Brasil fizemos essa tarefa nas Eleições de 2022. 

domingo, 5 de novembro de 2023

PEC propõe 1.256 novas polícias municipais no Brasil

(Foto: Reprodução)


"Projeto atende aos interesses da indústria armamentista e amplia no horizonte o risco ao estado democrático de direito", diz Florestan Fernandes Jr.



Está em discussão na Câmara dos Deputados uma Proposta de Emenda Constitucional para criação da Polícia Municipal, em substituição às Guardas Civis municipais. Até a última terça-feira, a PEC já contava com 172 assinaturas de parlamentares ali incluídas, desde integrantes da “bancada da bala” – comumente associada ao bolsonarismo, até mesmo alguns parlamentares da base do atual governo.

A ideia do autor da PEC, deputado federal Sargento Portugal (PP-RJ), é enquadrar as guardas municipais no artigo 144 da Constituição Federal, que dispõe sobre as categorias do serviço público responsáveis pela área da Segurança Pública.

Se a PEC for aprovada, 1256 municípios no país passariam a ter suas próprias “Polícias Municipais”, com autonomia e poder de policiamento armado. Uma espécie de “descentralização” da segurança pública que, no discurso dos autores da PEC, visa “desafogar” o sistema de segurança.

Em uma contabilidade simples, teríamos uma força policial estimada em 130 mil homens, que somados aos 498.310 policiais militares da ativa[1], resultaria em um efetivo policial de 628.310 policiais armados. Um policial para cada 426 brasileiros, perfazendo um contingente bem maior que o das forças armadas, com seus 360 mil militares na ativa.

Um projeto que claramente atende aos interesses da indústria armamentista e que amplia no horizonte o risco ao estado democrático de direito. Neste ponto, a história recente nos dá provas de que as polícias têm se tornado um ambiente quase hegemônico de politização e, insufladas e arregimentadas por políticos da extrema direita, deram demonstrações claras de apoio ao projeto golpista de Bolsonaro.

Foram recorrentes os casos de manifestações políticas de policiais militares da ativa, embora o regulamento da corporação proíba expressamente esse ativismo. Toda essa “partidarização” bolsonarista ficou muito clara na falta de ação da PM do Distrito Federal durante os atos terroristas do 8 de janeiro. Naquele dia, em meio à destruição das sedes dos três poderes, muitos PM foram flagrados fazendo selfies com os golpistas. Lembro ainda do motim da PM do Ceará, em 2019, durante a gestão do governador Camilo Santana (PT). Um movimento de paralisação ilegal que só se encerrou após ter culminado com um tiro no peito do senador Cid Gomes.

Esses eventos que citei exemplificativamente, induz a uma pergunta: Com mais de meio milhão de policiais armados e com a mente permeável a discursos golpistas, quem precisaria do apoio das forças armadas para dar um golpe de estado?

Seria esse o melhor caminho para combater a expansão da criminalidade?

A questão é muito complexa e não comporta soluções simplistas. Penso que, mais do que expandir o efetivo e, como pretende a PEC, tornar o controle das polícias difuso (ou seria descontrole?), o combate ao crime organizado passa necessariamente pela qualificação dos agentes de segurança, pela sofisticação das inteligências, da integração da rede de comunicação entre as várias polícias do país.

 [1] Fonte: anuário do Fórum Brasileiro da Segurança Pública (2022)

EM TEMPO: Guarda Municipal armada vai reprimir bastante o movimento político dos servidores municipais  e do movimento popular de um modo geral. Já pensou um Prefeito repressor com uma Guarda Armada? 

"Os sionistas estão surpresos. Eles imaginavam que poderiam calar a boca de todos", diz Hildegard Angel

Hildegard Angel e Benjamin Netanyahu (Foto: ABR | Reuters)








"O estrago que este episódio de Gaza está causando aos sionistas é incomensurável", avaliou a jornalista

5 de novembro de 2023

247 - A jornalista Hildegard Angel afirmou que o governo israelense e os "judeus de extrema direita" e "sionistas radicais" estão surpresos com a resistência palestina e com o apoio manifestado àquele povo pelas mais diferentes partes do mundo. Ela destacou que nem mesmo a sociedade judaica, felizmente, está unida em torno do massacre promovido por Israel na Faixa de Gaza. “Os judeus estão surpresos. Eles imaginavam, esses judeus de extrema direita, sionistas radicais, imaginavam que poderiam calar a boca de todos com seu poder. 

E o poder não é só do dinheiro, é o poder do certo corporativismo judaico. Digamos, professores judeus; eles são orientados pelas associações judaicas, seguem aquela orientação. Mas há professores que não seguem. Os dentistas, os médicos, nem todos seguem. Então essa dissonância é a dissonância democrática que a gente tem que prestigiar”.

“O estrago que este episódio de Gaza está causando aos judeus é incomensurável", apontou Hildegard durante participação na TV 247 neste domingo (5). Ela pontuou que os crimes cometidos pelo governo israelense neste momento recairão sobre toda a comunidade judaica. "Toda a compaixão que durante décadas se expandiu, dada a revelação dos horrores pelos quais passou o povo judeu durante o genocídio, durante o Holocausto, tudo isso agora se evapora, dá lugar a esta monstruosidade. O sofrimento daqueles 6,5 milhões vai ser apagado pela monstruosidade do Netanyahu e de um grupo de sionistas radicais?”.

Já prevendo as acusações de antissemitismo que serão feitas, a jornalista tratou de rechaçá-las antecipadamente: “eu sou uma grande entusiasta da religião judaica, apesar de eles não reconhecerem Jesus Cristo. É uma religião bondosa, solidária. Eu, nos momentos mais aflitivos da minha vida, tive conforto também, e até sobretudo, na religião judaica. Minha vida sempre foi muito transparente, as pessoas sabem como eu sou. Podem dizer que eu sou antissemita, porque isso não me incomoda, eu sei que eu não sou. 

Pelo contrário, eu tenho uma admiração pelos judeus. Mas eu sei quais são os mecanismos que as organizações judaicas sionistas usam para prevalecer. Tanto que quando a sociedade hebraica se abriu para receber o Bolsonaro, o preconceituoso de marca maior, do lado de fora havia uma manifestação de judeus que são contra isso. Não é um povo que está todo unido em torno deste radicalismo. Há judeus que se posicionam contra, como é o Breno Altman, que cresceu ainda mais no meu conceito”.

sábado, 4 de novembro de 2023

Brasileiros vão às ruas contra o genocídio do povo palestino

Atos semelhantes aos que reuniram milhares de pessoas em capitais como Washington, Londres, Berlim, Paris e Buenos Aires também ocorreram em diversas cidades no Brasil

4 de novembro de 2023



Ato em favor da causa palestina (Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil)

Por Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil* - Brasília

Manifestantes pró-Palestina espalhados por diversas cidades do mundo se reuniram, neste sábado (4), para protestar contra a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza – estreito pedaço de terra de cerca de 41 quilômetros de comprimento por 10 quilômetros de largura, às margens do Mar Mediterrâneo, no Oriente Médio, onde cerca de 2,2 milhões de palestinos vivem.

Atos semelhantes aos que reuniram milhares de pessoas em capitais como Washington (EUA), Londres (Reino Unido), Berlim (Alemanha), Paris (França), Ancara (Turquia), Buenos Aires (Argentina) e Taipei (Taiwan) também ocorreram em diversas cidades no Brasil. Em Brasília, os manifestantes se reuniram na Asa Norte, junto aos frequentadores de uma feira agroecológica criada em 2019 por assentados ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Feira da Ponta Norte.

Empunhando bandeiras da Palestina, faixas e cartazes, o grupo que se reuniu na capital federal cobrou medidas mais enérgicas do governo brasileiro contra a escalada da guerra, que classificam como um “genocídio” do povo palestino, como suspensão da relação comercial com Israel.

Faixa de Gaza. Foto: Mohammed Al-Masri / Reuters

Presente ao ato da capital federal, o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, disse à Agência Brasil que as recorrentes manifestações brasileiras de solidariedade têm sido muito importantes. “Estamos muito satisfeitos por esta expressão solidária do povo brasileiro, que sempre demonstrou estar e atuar à altura [dos desafios] quando se trata da [manutenção de uma] paz justa. 

Nós, palestinos, estamos precisando destas manifestações, de uma palavra, de um ato de solidariedade, para aliviar um pouco de nossa dor”, comentou o embaixador, acrescentando que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tem expressado o mesmo tipo de solidariedade ao povo palestino. 

 “O presidente Lula não perde oportunidade de expressar seu apoio à paz, à justiça e [à necessidade de] uma solução pacífica”.Nos últimos 31 dias, Brasil presidiu o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). Na tentativa de mediar o conflito no Oriente Médio, o país apresentou quatro propostas de acordo entre os países-membros do conselho para um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Porém, as propostas de resolução sobre o conflito foram rejeitadas.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

"Vergonha", diz Altman, sobre o silêncio da esquerda brasileira diante do massacre na Palestina


3 de novembro de 2023

Jornalista critica a não convocação ao ato de solidariedade à Palestina marcado para este sábado



Breno Altman | Palestinos realizam trabalho de resgate em meio a escombros após ataque israelense em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza 13/10/2023 (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa)

247 – O jornalista Breno Altman, editor do Opera Mundi, criticou duramente, na noite de ontem, os principais partidos da esquerda brasileira por não convocarem seus militantes ao ato de solidariedade ao povo palestino marcado para este sábabo. Tal silêncio, na sua visão, é vergonhoso. Confira:

Reuters – Forças de Israel avançaram na Cidade de Gaza - a principal cidade da Faixa de Gaza - em sua ofensiva contra o Hamas, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nesta quinta-feira (2), mas o grupo militante resistiu com ataques relâmpagos a partir de túneis subterrâneos. A cidade no norte da Faixa de Gaza tornou-se foco do ataque de Israel, que prometeu aniquilar a estrutura de comando do grupo islâmico palestino e ordenou que civis fugissem para o sul.

“Estamos no auge da batalha. Tivemos sucessos impressionantes e passamos da periferia da Cidade de Gaza. Estamos avançando”, afirmou Netanyahu sem dar mais detalhes. O brigadeiro-general Iddo Mizrahi, chefe dos engenheiros militares de Israel, afirmou que as tropas estavam em um primeiro estágio de abertura de rotas de acesso em Gaza, mas estavam encontrando minas e armadilhas. “O Hamas aprendeu e se preparou bem”, disse.

Soldados do Hamas e da aliada Jihad Islâmica emergiram de túneis para atirar contra tanques e depois desapareceram novamente, segundo moradores e vídeos dos dois grupos. Com pedidos internacionais para uma pausa humanitária às hostilidades sendo ignorados, não houve trégua para o sofrimento dos civis palestinos, com especialistas da ONU dizendo que eles estão sob “grave risco de genocídio”.

Civis palestinos sofrem com escassez de alimentos, combustível, água potável e remédios.

 “Água está sendo usada como uma arma de guerra”, disse Juliette Touma, porta-voz da agência da ONU para refugiados palestinos, a UNRWA.

"Estamos ficando doentes"

Raquel Lyra se aproxima de Lula e pode deixar o PSDB

 

3 de novembro de 2023


Destino mais provável para a governadora de Pernambuco é o PSD, de Gilberto Kassab


Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Raquel Lyra (PSDB) (Foto: Ricardo Stuckert)

247 – Nos últimos tempos, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, do PSDB, tem surpreendido ao manifestar publicamente seu apoio e estima pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Essa mudança de postura política tem atraído a atenção tanto do PT quanto de aliados da própria governadora, segundo aponta reportagem da Folha de S. Paulo.

Raquel Lyra foi eleita em 2022, no segundo turno das eleições, mantendo sigilo sobre seu voto na disputa presidencial. Contudo, aproximadamente um ano após a eleição, a governadora passou a adotar uma abordagem mais favorável ao presidente Lula, expressando sua gratidão pelo governo federal em eventos no interior de Pernambuco.

Nas redes sociais, Raquel passou a mencionar o presidente Lula em diversas ocasiões, publicando fotos ao lado dele e até parabenizando-o por seu aniversário. O senador Humberto Costa (PT-PE) observa essa mudança de comportamento como um sinal de aproximação política entre Raquel e o governo Lula, embora não antecipe uma aliança imediata.

A possível aliança entre Raquel Lyra e o presidente Lula tem gerado especulações sobre uma futura mudança de partido por parte da governadora, uma vez que o PSDB enfrenta desafios políticos e devido ao desejo de se aproximar de Lula. O PSD é considerado o partido mais provável para essa mudança, embora outras legendas de centro também estejam sendo cogitadas. 

EM TEMPO: Não é à toa que o deputado estadual João Paulo (PT) acena para a governadora Raquel Lyra, a qual com sua discrição e educação está conquistando os integrantes do governo Lula. Convém lembrar que os deputados estaduais  não a dominam e por isso estão  estranhando esse tipo de administrar/governar  o Estado de PE. 

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Aviso aos navegantes: Lula enfrenta uma ditadura parlamentar


Alçapão antidemocrático do Congresso torna indispensável o recurso ao mais tradicional instrumento da luta política: a mobilização popular.

Por Paulo Moreira Leite

 


Presidente Lula fala durante café da manhã com setoristas do Palácio do Planalto 27/10/2023 (Foto: Ricardo Stuckert)

Sob comando de Artur Lira, entre 2020 e 2022 o Congresso instituiu uma camisa-de-força institucional, capaz de estrangular a luta parlamentar do terceiro governo Lula. Invisível para o cidadão comum, um pacote de mudanças antidemocráticas foi deixado como herança institucional na Câmara de Deputados pela ação conjunta de Arthur Lira e Jair Bolsonaro entre ao longo de dois anos – 2021 e 2023 – configurando um muro de concreto destinado neutralizar a soberania popular e instituir uma ditadura parlamentar na qual o poder Executivo seja esterilizado e desfigurado.

Esta situação foi denunciada na reportagem "Cúpula do Congresso concentra força inédita e cria desafio para governo Lula", de André Shalders e Daniel Weterman, que contém as principais informações reunidas neste texto. (Estado de S. Paulo, 24/10/2023).

Para entender melhor a mudança, convém fazer uma comparação.

Em 2003, início de seu primeiro mandato presidencial no Planalto, Lula contava com uma bancada de 376 deputados – ou 73% do plenário, proporção espetacular – e não sofreu uma única derrota. Já em 2023, a soma nominal de parlamentares aliados chega a 389 deputados federais. Só parece muita coisa. Numa estimativa que dispensa os casos notórios de falsidade, a contabilidade fica em 283. Para aprovar uma emenda à constituição, indispensável para realizar mudanças essenciais ao desmonte da herança nefasta, um de seus principais compromissos de campanha, Lula necessitará de pelo menos 308 votos.

Num balanço das relações de Lula com o congresso, é possível enxergar duas situações. No primeiro mandato, em 2003, Lula conseguiu aprovar 54 medidas provisórias e não perdeu nenhuma. Em 2023, apenas 17 já perderam a validade e apenas sete foram aprovadas. Outra comparação: em 2003, 28% dos projetos que se tornaram lei no período nasceram de iniciativa da Presidência da República. Nos primeiros dez meses de 2023, essa presença foi reduzida a 18%.

Vidas palestinas importam


2 de novembro de 2023






Mural na Argentina de apoio à Palestina (Foto: Reprodução/PalestinaLibre.org)

“Autodefesa” é a aplicação da lei de Talião por uma superpotência militar contra um povo devastado. Por Luis Felipe Miguel  (Professor de  Ciência Política da UnB).

Originalmente publicado no site A Terra é redonda

Na CPI do 8 de janeiro, a oposição quis emplacar a história de que o governo Lula tentou dar um golpe contra si mesmo. A imprensa, com razão, ridicularizou o estratagema.

Mas quando Estados Unidos e Israel dizem que o hospital palestino foi bombardeado pelos próprios palestinos, essa narrativa logo é aceita como digna de atenção.

Embora o governo de Israel já tenha deixado claro, em numerosas declarações, que considera os palestinos como “animais” e que deseja exterminar a população de Gaza – “a única coisa que precisa entrar em Gaza são centenas de toneladas de explosivos da Força Aérea, nem um grama de ajuda humanitária”, disse o ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir.

Embora Israel tenha o hábito de negar ações de suas forças armadas, até a hora em que não consegue mais desmentir.

Embora Israel tenha atacado o hospital antes, com menor poder de fogo, como “advertência”, para exigir sua evacuação.

Embora Israel tenha sustentado as acusações com base na análise de imagens da Al Jazeera, mas tenha sido levado a apagar das redes sociais sua “análise” quando percebeu que o vídeo era de uma hora antes do bombardeio do hospital.

Embora Israel tenha divulgado um áudio pretensamente interceptado de integrantes do Hamas atribuindo a ataque à Jihad Islâmica – e especialistas (ocidentais!) já tenham constatado que o áudio certamente é falso, devido ao sotaque e péssima pronúncia dos homens que conversam.

Embora um porta-voz do governo israelense tenha admitido a autoria do ataque – e depois apagou o tuíte.

Enquanto a “polêmica” sobre a autoria do ataque monopoliza o noticiário, suas vítimas – 471 civis palestinos, incluídas muitas crianças – passam para um distante segundo plano.

Essa é a tônica da cobertura da imprensa.

Na imprensa, as vítimas israelenses da guerra são pessoas de carne e osso. Aparecem em fotos sorrindo, dançando, os amigos e parentes contam de seus sonhos brutalmente interrompidos. Sentimos empatia, nos entristecemos por elas.