Entidade europeia conta com apoio de confederações da Ásia e das Américas contra proposta da gestão Infantino considerada irresponsável
Conteúdo postado por: Redação Brasil 247
Publicado em 30 de julho de 2026
![]() |
| Gianni Infantino Crédito: Reuters |
247 – A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) endureceu sua posição e anunciou um boicote irrestrito aos torneios organizados pela Fifa caso a entidade máxima do esporte prossiga com o plano de criar uma empresa privada para gerir suas competições e comercializar participações a investidores internacionais. A decisão, tomada após uma reunião de emergência convocada pela confederação europeia, conta com o apoio unânime de suas 55 associações-membro.
De acordo com a
Reuters, a Thrive Eternal, uma nova estratégia de investimento lançada pela
empresa de capital de risco Thrive Capital, deve ser a principal investidora na
subsidiária. A estratégia é um veículo de capital permanente focado em realizar
um pequeno número de investimentos de longo prazo em franquias e instituições
culturais. O veículo foi fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner,
genro do presidente dos EUA, Donald Trump. O ex-presidente-executivo da
Walt Disney, Bob Iger, atua como consultor.
Segundo o New York
Post, Trump quer que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, se torne o próximo
secretário-geral das Nações Unidas após a Copa do Mundo de 2026.
O posicionamento
europeu estabelece que nenhuma seleção nacional filiada à Uefa participará de
qualquer competição sob o guarda-chuva da Fifa enquanto o projeto de
privatização estiver em pauta. A exigência para o retorno às disputas é o
cancelamento definitivo da proposta e a apresentação de garantias vinculativas
de que as competições não serão fatiadas com o setor privado.
A reação da Uefa
não é isolada. O movimento ganhou a adesão da Confederação de Futebol da
América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Confederação Asiática de
Futebol (AFC). Juntas, as três entidades somam 143 dos 211 membros filiados à
Fifa, constituindo uma ampla maioria capaz de inviabilizar os planos da
diretoria executiva da instituição.
Em meio ao impasse,
o presidente da Fifa, Gianni Infantino, divulgou um pronunciamento em vídeo na
tentativa de defender a iniciativa. Segundo o dirigente, a ideia é submeter o
projeto a uma votação formal com todas as federações filiadas e com o conselho
da entidade. A proposta prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE),
uma nova subsidiária na qual a Fifa manteria o controle majoritário.
A Fifa avalia o valor
total da FFE em 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 102,3 bilhões). A
intenção da entidade é arrecadar 4,2 bilhões de dólares (cerca de R$ 21,5
bilhões) com a comercialização de ações para investidores privados, que
passariam a deter uma participação minoritária na empresa. Na justificativa
oficial publicada em seu site, a entidade sustenta que o aporte financeiro
externo seria decisivo para “alcançar todo o potencial dos direitos de
transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de
futebol masculino, feminino e de base”.
Para seduzir as
federações nacionais, a gestão da Fifa acenou com um aumento expressivo no
repasse financeiro direto a cada país. Os repasses atuais, fixados em 8 milhões
de dólares (R$ 41 milhões), passariam para 20 milhões de dólares (R$ 102
milhões) no ciclo até a Copa do Mundo de 2030. Os valores subiriam para R$
112,5 milhões no ciclo até 2034 e chegariam a R$ 123 milhões até o ciclo de
2038.
A Uefa, no entanto,
publicou um manifesto contundente rebatendo a lógica financeira e criticando a
conduta política de Infantino. No pronunciamento, a entidade acusa a Fifa de
agir com falta de transparência e tentar impor as mudanças de forma coercitiva.
“A UEFA e suas 55
associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a
proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e
de outras competições da FIFA para investidores privados. A Copa do Mundo não
pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados
esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores,
seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela
deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à
venda”, destaca a entidade em trecho do manifesto.
A confederação
europeia classificou a articulação de bastidores da Fifa como “uma falha
profunda de liderança” e um desrespeito à governança do esporte global.
“É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Associações
nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a
apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as
consequências. Isso não é uma ‘decisão democrática’, mas uma governança baseada
na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de
zelar pelo esporte global”, complementou a Uefa, frisando que sua oposição vai
muito além de meras divergências processuais e atinge a essência da preservação
do futebol como bem público global.
EM TEMPO: Sendo assim, torna-se imperioso que tanto a CBF, como também as Federações, sejam transformadas em entidades do Estado Brasileiro, ao invés de empresas privadas como atualmente. Só assim, a influência dos patrocinadores, incluindo as BET's, serão reduzidas a zero.

Nenhum comentário:
Postar um comentário