segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O alerta da pesquisa BTG/Nexus: é preciso ampliar para o centro

Resiliência do bolsonarismo acirra projeção de empate técnico entre a reeleição e o adversário de extrema-direita; motes de esquerda não empolgam o voto independente; realizações do governo Lula-Alckmin, sim

Por Marco Damiani

Marco Damiani é editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro

Publicado em 10 de agosto de 2026



Lula e Geraldo Alckmin  Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Se eu fosse da campanha do Lula, diria lá dentro que é preciso ampliar. Antes que seja tarde. A notícia desta segunda-feira (10) é que o terceiro marqueteiro de Flávio Bolsonaro vai cortar o sobrenome dele, ampliar o ‘v’ e vender o slogan ‘O Brasil vai vencer’. A tática vai na direção certa. O povo é suscetível. Sabe-se desde o início da campanha que a vitória está no chamado eleitor independente. É o tesouro. O pirata Bolsonaro se disfarça, arreia a bandeira preta com caveira branca e passa a navegar como se não fosse de extrema-direita, não carregasse um vice investigado por estupro de vulnerável nem estivesse imbricado no escândalo financeiro do Banco Master.

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O comando do bolsonarismo se reunificou. Michelle Bolsonaro anunciou hoje que está na barca, entra com vídeos teleguiados ao voto feminino, religioso e familiar. Passa tudo a ser o Brasil que vai vencer. Muito perigoso.

A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta manhã mostra que o presidente Lula ampliou para cinco pontos a vantagem sobre o principal adversário, com 40% contra 35% no primeiro turno. O resultado pode ser visto como enganoso. No segundo turno, o mesmo levantamento aponta uma situação acirrada de empate técnico em 47% para a reeleição e 44% para o corsário. Numa projeção de oscilação máxima, Flávio supera Lula por um ponto. Também há empate técnico no cenário do presidente contra Ronaldo Caiado, com 46% contra 42%.

A resiliência do campo bolsonarista impressiona, mas isso não deveria surpreender. O adversário é do mesmo tamanho, com pequenas variações nas pesquisas, da base de Lula e do PT. Dois terços do eleitorado estão fixados ali. A importância de ganhar os independentes, que representam o outro terço, é óbvia. O presidente tem mostrado cidadelas fortificadas entre jovens e 60+, mas a maioria dos votantes está no meio desses polos, ainda a ser ganha. Flávio está iniciando um movimento, que parece bem traçado, para essas águas. E nós?

A empresários, o CEO do Instituto Quaest, Felipe Nunes, apontou existir uma correlação muito favorável entre avaliação de governo e intenção de voto. Um ponto percentual de percepções positivas de uma administração tem peso maior que um nas intenções de voto ao candidato que a representa. Quanto mais as realizações do governo Lula forem apresentadas à população, melhor.

Como estratégia eleitoral, a busca pelo convencimento do voto de centro é fundamental. Exibir cada vez mais trunfos como o vice-presidente Geraldo Alckmin, de perfil centrista, e abrir grandes espaços de participação para os candidatos e apoiadores dos partidos da coligação e também de fora nunca fez tanto sentido. Um discurso focado em motes de esquerda parece ser tudo o que o adversário bolsonarista quer que as forças lideradas por Lula venham a adotar.

EM TEMPO: A maioria da população do mundo inteiro é de Direita, oscilando entre a Extrema-Direita e a Centro Direita. A Esquerda é bem pequena e a Centro Esquerda é maior um pouco. Setores consideráveis da Esquerda, dos Intelectuais Progressistas  e da Social Democracia, resistem em aceitarem essa dura realidade. Mas, é simples entender, uma vez que somos influenciados diariamente pela ideologia das Classes Dominantes do país e nascemos num berço capitalista. Para ser de Esquerda, a pessoa tem que estudar, ler e ser militante político nos movimentos sociais. Para ser de Direita, não precisa de se capacitar, a não ser os expoentes da Direita. A nossa salvação, se é que essa verdade possa ser dita, é que o presidente Lula entende dessa realidade como ninguém, o qual sabe muito bem que as suas vitórias eleitorais foram fruto da sua compreensão que a Centro Direita é a fiel da balança para o seu sucesso. No texto acima a Centro Direita é chamada de "independentes". Ok, Moçada!

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