Jornalista afirma que governador paulista e candidato do PL contribuíram para a quebra do protocolo diplomático e para a escalada da crise entre Brasil e Argentina
Conteúdo postado por: Redação Brasil 247
Publicado em 27 de julho de 2026
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| Milei e Tarcísio Crédito: GPT- montagem |
247 – A jornalista Miriam
Leitão afirma, em coluna publicada no
jornal O Globo, que a visita do
presidente argentino Javier Milei ao Brasil representou uma grave ruptura dos
protocolos diplomáticos e contou com o respaldo político do governador de São
Paulo, Tarcísio de Freitas, e do candidato do PL à Presidência, Flávio
Bolsonaro.
Segundo a
colunista, Milei desembarcou no Brasil sem comunicar previamente o governo
federal, procedimento considerado básico em viagens internacionais de chefes de
Estado, mesmo quando classificadas como privadas. Em vez de manter uma agenda institucional,
o presidente argentino seguiu diretamente para São Paulo, onde foi recebido por
Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes.
Para Miriam Leitão,
o governador paulista concedeu a Milei tratamento de chefe de Estado ao
recebê-lo com honras oficiais e entregar-lhe a Medalha da Ordem do Ipiranga, a
mais alta condecoração do Estado de São Paulo.
Discurso contra Lula e Alexandre de
Moraes
Após o encontro com
Tarcísio, Milei participou da convenção do PL que oficializou a candidatura
presidencial de Flávio Bolsonaro. Durante o evento, fez ataques ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, criticou políticas do governo brasileiro e dirigiu
ofensas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Na avaliação de
Miriam Leitão, o episódio representou uma interferência inédita e desrespeitosa
na política interna brasileira, agravando uma das mais sérias crises
diplomáticas entre Brasil e Argentina das últimas décadas.
A reação do governo
brasileiro ocorreu por meio dos canais diplomáticos. O Itamaraty chamou de
volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas e convocou o
embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos sobre a conduta
do presidente de seu país.
Acusações sem provas ampliaram o
conflito
A colunista destaca
que, ao retornar à Argentina, Milei elevou ainda mais o tom ao conceder
entrevista ao jornal Clarín,
na qual afirmou, sem apresentar provas, que o governo brasileiro teria
financiado uma campanha midiática contra a Argentina após a conquista da Copa do
Mundo.
Segundo o
presidente argentino, 25% dos recursos dessa suposta campanha teriam origem no
Brasil. Miriam Leitão ressalta que a acusação não foi acompanhada de qualquer
evidência e carece de fundamento conhecido.
Crise atende interesses políticos de
Milei
Na análise da
jornalista, mais do que apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei
procurou utilizar sua passagem pelo Brasil para fortalecer sua imagem política
em meio às dificuldades enfrentadas por seu governo, que registra elevados
índices de desaprovação segundo pesquisas de opinião.
Miriam Leitão observa ainda que a estratégia pode
trazer custos para a própria Argentina, uma vez que o Brasil é o principal
parceiro comercial do país e o principal destino das exportações industriais
argentinas. Para a colunista, caberá agora à diplomacia dos dois países
trabalhar para reconstruir uma relação que sofreu forte desgaste após os
episódios protagonizados por Milei durante sua visita ao Brasil.

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