Chanceler cobra explicações formais sobre ofensas do presidente argentino a Lula, Moraes e instituições brasileiras durante convenção do PL
Conteúdo postado por: Luis Mauro Filho
Publicado em 26 de julho de 2026
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| Mauro Vieira. Crédito: Carlos Cruz/MRE |
247 – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou neste domingo (26) o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para cobrar explicações formais sobre as ofensas do presidente Javier Milei a Lula, ao ministro Alexandre de Moraes e às instituições brasileiras durante a convenção nacional do PL.
No encontro, Vieira
comunicou a repulsa do governo brasileiro às declarações feitas no sábado (25),
em São Paulo. Milei participou do evento partidário que oficializou a
candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O Itamaraty
considerou especialmente grave o fato de um chefe de Estado estrangeiro ter
usado uma agenda política em território brasileiro para atacar autoridades
nacionais e o Poder Judiciário.
“Não há precedentes
de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e
ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder
Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio
infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de
amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”,
afirmou o ministério.
A convocação de
Raimondi representa um protesto oficial e permite ao governo brasileiro exigir
uma manifestação de Buenos Aires sobre a conduta de Milei. O diplomata
argentino foi chamado diretamente ao Itamaraty para receber a posição de
Brasília.
Mauro Vieira também
determinou o retorno imediato do embaixador do Brasil na Argentina, Julio
Bitelli, para consultas. A medida é considerada um sinal diplomático duro,
adotado quando um país pretende demonstrar insatisfação diante de uma ação
entendida como hostil, mas não implica rompimento das relações.
Milei ataca Lula e Moraes em São
Paulo
Durante o discurso
na convenção do PL, Milei chamou Lula de “presidiário” e defendeu uma mudança
de governo nas eleições brasileiras. O presidente argentino também criticou
Alexandre de Moraes por ter negado autorização para que ele visitasse Jair
Bolsonaro.
A defesa do
ex-presidente havia solicitado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF),
relator do caso, a realização do encontro. Milei contestou a decisão e comparou
a situação às visitas recebidas por Lula durante o período em que esteve preso
em Curitiba.
“A Justiça
brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando
Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre
eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández”, declarou.
“Isso não é nada
além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter
vingativo de seus responsáveis”, acrescentou Milei.
Ao falar sobre o
magistrado, o argentino usou a expressão “lixo careca”, sem citar diretamente o
nome de Moraes. As declarações foram interpretadas pelo governo brasileiro como
uma afronta ao Judiciário e às instituições democráticas.
Apoio a Flávio Bolsonaro
Milei declarou apoio à candidatura de Flávio
Bolsonaro e relacionou o projeto eleitoral do senador a uma transformação
política na América Latina. Em sua avaliação, países da região estariam
substituindo governos de esquerda por administrações orientadas por políticas
econômicas liberais.

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