sexta-feira, 18 de abril de 2025

Fim da greve de fome de Glauber deve ser o início da moralidade no parlamento

'Glauber Braga sai maior dessa luta travada em um parlamento que não vale um dos quilos perdidos pelo deputado', escreve a jornalista Denise Assis



 

Glauber Braga (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)




Um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta, selou o fim da greve de fome do deputado Glauber Braga, que ficou sem se alimentar durante 180 horas. Nesse período, o deputado ingeriu apenas água e bebidas isotônicas O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) completou oito dias em greve de fome, que o levou a perder perto de cinco quilos.

Sua greve de fome foi encerrada na véspera da Sexta-Feira Santa. Para os católicos, o dia que antecedeu a crucificação de Cristo, que também jejuou por 40 dias, no deserto.

Não, os dias que Glauber Braga passou em jejum nada tiveram de cunho religioso, mas sim, de uma atitude política extrema, para ser ouvido, evitar a perda de seu mandato e que se abrisse no parlamento uma avenida de possibilidades para novas cassações, abusos e arbítrios.

A princípio, sua atitude foi ignorada pela mídia, que ao falar da sua decisão, teria, obviamente que tocar no tema que motivou tudo isso: o orçamento secreto. A bem da verdade, “ilegal”, como foi considerado pela ministra do STF, Rosa Weber.

Um garrote imposto ao executivo, nascido da inapetência do antecessor que não quis – ou não sabia – governar. Terceirizou a atividade e entregou o poder que lhe foi delegado pelo povo, a um grupo de deputados fisiológicos. Enquanto durou o governo do seu Jair, eles usaram e se lambuzaram do dinheiro público. Terminado o período de farra do boi, tentaram colocar de joelhos o novo governo.

O monstro, criado na pipeta do general Ramos, um dos muitos militares que cercaram seu Jair, no palácio, foi carinhosamente apelidado de “orçamento secreto”, pela mídia, que em vez de investigar de onde havia saído aquela aberração, o naturalizava chamando-o desse modo.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou os dois primeiros anos de poder, se esgueirando entre um orçamento anêmico, desidratado pelas tais “emendas impositivas”, e a pressão do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Com bons modos, mas de fala dura, impunha as regras do jogo, que Glauber esquadrinhou, denunciou, expôs em praça pública. Ao fazê-lo, atraiu para si a fúria dos titãs do parlamento, que toleram tudo, menos que se desafine o coro dos contentes, dos abonados.

Quis o MBL que um impertinente influenciador, Gabriel Costenaro cruzasse o caminho, do deputado Glauber, com provocações as mais insistentes e absurdas, até o limite de xingar a mãe, Saudade Braga, ex-prefeita de Nova Friburgo (RJ). Sim, a mãe agonizante, amada e, no fim, desrespeitada. Foi muito para Glauber, que já vinha da perda trágica de um cunhado, das ameaças dele - Arthur Lira -, de cassar a sua mulher, a deputada Sâmia Bomfim (Psol), juntamente com outras quatro deputadas, que Lira considerou terem se comportado mal no plenário.

O processo contra Glauber Braga foi aberto em 2024 depois que Glauber expulsou da Câmara o influenciador Costenaro, integrante do MBL (Movimento Brasil Livre), aos chutes. Saudade Braga faleceu 22 dias após o ocorrido.

Glauber disse em diferentes sessões do Conselho de Ética que o relatório do caso foi “comprado” pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que exercia o cargo no ano passado. Glauber ainda chamou Lira em diferentes oportunidades de “bandido”.

Porém, nada disso justificava o processo tramitar com a rapidez que não se costuma ver naquele Conselho. Havia muito mais em jogo do que um traseiro magoado. Ademais, não se pensou em medidas intermediárias. Partiu-se logo para os finalmentes. Seria hoje para o Glauber, amanhã para qualquer outro deputado que contrariasse interesses.

Há muito não se via um ato político de tamanha coragem e destemor. A maior greve de fome de que se tem notícia foi em 1972, feita por 51 detentos, para reivindicar que os presos políticos ficassem todos no mesmo presídio e lhes fosse concedida a anistia ampla geral e irrestrita. Os presos e presas ficaram 38 dias sem tomar nem água. (Médicos afirmam que o corpo humano só suporta 40 dias sem sucumbir). Sobreviveram porque eram amarrados para receberem soro.

Lula já fez greve de fome juntamente com outros seis companheiros, quando foram detidos numa das greves do ABC. É atitude extrema, política, e de muita coragem. Resta aguardar os desdobramentos da atitude, e do acordo selado com Hugo Motta. “A suspensão da greve de fome vem a partir de uma mensagem que demonstrou, através de toda essa solidariedade, um recuo, uma sinalização importante contra a perseguição que aqui se estava operando”, declarou o deputado. 

Glauber sai maior dessa luta travada na solidão das sete noites no parlamento. Um parlamento que não vale um dos quilos perdidos pelo deputado, mas é o que temos para hoje. Que ele vá para casa e possa degustar a sua bacalhoada em paz.

Assista o vídeo: 

https://www.youtube.com/watch?v=b-FOZP8yXyU

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Glauber Braga anuncia o fim de sua greve de fome

"No décimo dia não estarei em greve de fome, mas vamos continuar tocando tudo aquilo que levou à tentativa de justiça", disse o deputado do Psol

17 de abril de 2025

Glauber Braga (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)


 






 




Por Leonardo Sobreira

247 - O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) decidiu nesta quinta-feira (17) encerrar sua greve de fome em protesto contra a possível cassação de seu mandato, informou o próprio parlamentar em coletiva na Câmara dos Deputados.

A decisão foi aplaudida pelos apoiadores. "Meu muitíssimo obrigado a todo mundo que fez com que esse momento fosse possível. A luta contra a injustiça não vai parar", disse o parlamentar na transmissão da TV 247

"Não temos como agradecer a isso a não ser continuando a luta durante esses 9 dias. No décimo dia não estarei em greve de fome, mas vamos continuar tocando tudo aquilo que levou à tentativa de injustiça, mas que não se operou por conta da mobilização de vocês", disse. 

Mais cedo, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), fez um aceno ao deputado em greve de fome, afirmando que não irá pautar o caso em plenário até que ele possa concluir sua defesa. 

Braga responde por quebra de decoro por agredir um militante de extrema-direita que ofendeu a mãe dele nos corredores do parlamento. Doente, a mãe do parlamentar faleceu menos de um mês após o incidente. O Psol tem até a próxima terça-feira (22) para recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

Motta afirmou em postagem nas redes sociais que, após a deliberação da CCJ, não irá pautar o caso no plenário "antes de 60 dias para que ele possa exercer a defesa do seu mandato parlamentar".

domingo, 13 de abril de 2025

FSM: SOLIDARIEDADE A GLAUBER BRAGA!



13 de abril de 2025

 

Foi aprovado no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados o pedido de cassação do mandato do Deputado Federal Glauber Braga (PSOL-RJ).

O Deputado Federal Paulo Magalhães (PSD-BA), relator do espúrio processo contra Glauber havia pedido a cassação no dia 02/04, por quebra de decoro.

A acusação foi montada e manipulada pelo Partido Novo, após reação de Glauber contra provocações de um integrante do grupo Movimento Brasil Livre – MBL, que inclusive insultou a honra de sua mãe.

Em protesto contra essa decisão, o parlamentar socialista deu início a uma greve de fome no interior do Congresso.

Glauber Braga é um dos principais aliados da classe trabalhadora no parlamento e na luta contra a destruição dos serviços públicos e dos direitos dos trabalhadores. Ele tem enfrentado a extrema-direita e o centrão em diversas frentes.

A Federação Sindical Mundial – FSM, se solidariza com o Deputado Glauber Braga e se soma às diversas entidades, parlamentares e organizações da sociedade civil na luta contra a cassação de seu mandato.

Em defesa dos direitos da classe trabalhadora!

Glauber fica!

COORDENAÇÃO DA FEDERAÇÃO SINDICAL MUNDIAL – BRASIL

(CTB – INTERSINDICAL CENTRAL – UNIDADE CLASSISTA – UST)

sábado, 12 de abril de 2025

Por que Glauber Braga tem que ficar

 

"É uma agressão à soberania popular, ao voto de 78 mil eleitores cuja vontade está ameaçada de cassação", diz Reimont Otoni

12 de abril de 2025

Glauber Braga (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)








O processo espúrio e manipulado contra o deputado federal Glauber Braga não pode prosperar. É uma grave ameaça à Democracia e ao Estado Democrático de Direito, com viés de lawfare – supostamente, usam a regra, mas para montar uma farsa de caráter político-ideológico, pela qual a extrema direita tenta se vingar do bravo parlamentar e de toda a bancada de esquerda e progressista.

Na teoria, Glauber está sob ameaça de cassação por ter reagido a seguidas ofensas e provocações dirigidas não só a ele, mas também a sua mãe, a ativista e ex-prefeita de Nova Friburgo Saudade Braga, já enferma e que faleceu poucas semanas depois do episódio.

Sabemos que o motivo não é esse.

É uma nuvem de fumaça para contrapor às investigações contra os golpistas que tentaram derrubar e atentar contra a vida do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

É uma agressão à soberania popular, ao voto de 78 mil eleitores cuja vontade está ameaçada de cassação. 

É injusta e absurdamente desproporcional, considerando todos os processos não avaliados ou pendentes na mesma Comissão de Ética da Câmara, como o que deveria analisar as agressões físicas sofridas pelo companheiro deputado Rogério Correia (PT-MG), chutado pelo também deputado Éder Mauro (PL-PA) durante uma sessão do próprio Conselho de Ética, em junho de 2024. Rogério apresentou farta documentação probatória, incluindo exame de corpo de delito, fotos dos hematomas, laudo médico e vídeos, mas o processo segue parado. 

Glauber e eu não somos do mesmo partido, mas sempre estivemos lado a lado em episódios cruciais da nossa República, como na luta pela aprovação Política Municipal para a População em Situação de Rua, de minha autoria. Jamais esquecerei o discurso firme e histórico de Glauber ao votar contra o vergonhoso impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

O Congresso Nacional não pode prescindir da imensa contribuição desse parlamentar ético, valoroso, combativo e dedicado, com paixão, às lutas do povo brasileiro.

Cassar Glauber Braga é um golpe na Democracia, comparável às tentativas, tratativas e atos realizados pela extrema direita desde que percebeu que perderia as eleições de 2022.

Glauber Braga tem que ficar.

Assista ao vídeo com José Genoino:

https://www.youtube.com/watch?v=lTnQ6m6x19E&list=UU_M1ek8fhnDkz5C2zfkTxpg

 

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Reagir a provocador fascista não é quebra de decoro; Glauber fica!

Tudo leva a crer que a cassação do deputado seja algo já tramado e decidido por forças poderosas da Câmara.

Por Bepe Damasco (Jornalista)

11 de abril de 2025



Glauber Braga (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)



Um provocador típico da organização neofascista chamada MBL proferiu uma série de agressões verbais contra o deputado Glauber Braga (Psol-RJ), no interior da Câmara dos Deputados, culminado com ofensas à mãe do parlamentar, que se encontrava no leito de morte e veio a falecer dez dias depois.

Como não se trata fascista com flores, Glauber reagiu com um bem dado pé na bunda do sujeito. Onde está a quebra de decoro nesta justa indignação?

Como um Conselho de Ética que ainda mantém o mandato de uma parlamentar, como Carla Zambelli, que perseguiu um cidadão na rua de arma em punho; ou do deputado Gustavo Gayer, que dirigindo bêbado provocou a morte de três pessoas; ou ainda de Chiquinho Brazão, acusado de mandar matar Marielle Franco, pode cassar Glauber Braga, um deputado combativo, que pauta seu mandato pela defesa de seus ideais e por compromissos populares.

Crítico contundente do orçamento secreto e da falta de transparência na destinação de emendas, objeto inclusive de decisões moralizadoras por parte do ministro Flávio Dino, do STF, e de processos criminais que tramitam na Corte, Glauber despertou a ira de boa parte das bancadas conservadoras do Centrão, além, é claro, da extrema direita, a quem enfrenta corajosamente na Câmara.

Tudo leva a crer que a cassação do deputado fluminense seja algo já tramado e decidido por forças poderosas da Casa, conforme revela a pressa com que o Conselho de Ética deliberou pela cassação, por 13 votos a 5.

Contudo, o estilo aguerrido do deputado segue como um obstáculo para os que pretendem calar sua voz. Levando a resistência às últimas consequências, ele passou as duas últimas noites dentro da Câmara dos Deputados, de onde só pretende sair ao fim do processo, e está em greve de fome.

Além da votação em plenário, ainda cabe recurso da decisão do Conselho de Ética à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Depois, resta o caminho do Supremo.

Glauber fica!

terça-feira, 8 de abril de 2025

Herbicida 2,4-D: o veneno utilizado na Guerra do Vietnã que ainda reina na agricultura brasileira

O que está em jogo é a saúde dos agricultores, das comunidades que vivem perto de áreas de plantio e todos os consumidores

08 de abril de 2025

 


Por Adão Pretto Filho (Dep. Estadual pelo PT/RS)

 

Produtos com agrotóxicos (Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)




Nos últimos anos, o Brasil se consolidou como o maior consumidor mundial de agrotóxicos, um título que nos envergonha e que não podemos mais ignorar. Entre os produtos químicos utilizados de forma intensiva, destaco o herbicida 2,4-D, cujos riscos para a saúde humana e para o meio ambiente são amplamente reconhecidos e comprovados. Esse composto, que já foi parte do famigerado “Agente Laranja” durante a Guerra do Vietnã, tem causado sérios impactos em nosso país, afetando não apenas trabalhadores rurais, mas também a biodiversidade e os ecossistemas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica o 2,4-D como um produto altamente tóxico. Não é difícil entender por que essa substância recebe tal classificação. Dados da própria Anvisa revelam que, entre 2007 e 2015, foram registrados 619 casos de intoxicação pelo herbicida no Brasil. A grande maioria desses casos – cerca de 71% – envolveu homens que trabalham nas zonas rurais, expostos ao 2,4-D durante suas atividades diárias, especialmente nas pulverizações das lavouras.

No entanto, os perigos do 2,4-D não se limitam à intoxicação imediata. Estudos científicos mostram uma ligação clara entre o uso desse herbicida e o aumento de casos de doenças graves e crônicas, como câncer, doença de Parkinson e até distúrbios psicológicos, como a depressão. O impacto desse produto na saúde humana não deve ser subestimado, já que as consequências a longo prazo podem ser devastadoras.

Outro aspecto crucial que não podemos ignorar é o impacto ambiental causado pela deriva do 2,4-D. Quando esse herbicida é pulverizado nas lavouras, ele não permanece limitado à área onde ocorre a aplicação do veneno. A ação do vento pode levá-lo para regiões adjacentes, afetando ecossistemas inteiros e, muitas vezes, chegando até áreas urbanas. O resultado é a contaminação do ar, solo e águas de rios e lagos. Fauna e flora locais são severamente impactadas, com destaque para a morte de animais como frangos e peixes, que são extremamente sensíveis a essas substâncias químicas.

Até mesmo a viticultura, uma atividade agrícola tradicional, que faz com que o sul do Brasil seja reconhecido pela qualidade dos vinhos e espumantes, também sofre com os efeitos devastadores do 2,4-D. O mesmo efeito ocorre em pomares de laranjas e nas plantações de hortifruti. Esse herbicida prejudica a saúde das plantações de uva, comprometendo diretamente a qualidade da produção e, consequentemente, afetando a economia de diversas regiões que dependem dessa atividade. A utilização desenfreada desse produto coloca em risco a sustentabilidade de setores chave da nossa agricultura.

O uso do 2,4-D é autorizado no Brasil, mas é fundamental questionarmos: até quando vamos permitir que produtos tão tóxicos sigam sendo amplamente utilizados? Mais de oitenta agrotóxicos levam o 2,4-D em sua composição. Um absurdo!

O que está em jogo com a utilização deliberada do herbicida 2,4-D é a saúde dos agricultores, das comunidades que vivem perto de áreas de plantio e todos os consumidores que levam à mesa diariamente toneladas de alimentos contaminados por agrotóxicos. As evidências sobre os danos causados pelo uso excessivo de agrotóxicos são claras, e nossa dependência desses produtos coloca em risco tanto a saúde pública quanto o meio ambiente.

Em resposta a essa ameaça crescente, propus, no Rio Grande do Sul, a proibição do uso do 2,4-D, com o objetivo de proteger a saúde pública e o meio ambiente. A medida visa reduzir os riscos associados ao uso desse herbicida e promover alternativas agrícolas mais sustentáveis no estado.

É urgente que o debate sobre a liberação e o uso de agrotóxicos seja levado a sério. O Rio Grande do Sul foi devastado em 2024 devido às enchentes. O impacto ambiental de práticas como o abuso de agrotóxicos é gigantesco. Por isso, devemos priorizar políticas públicas que incentivem práticas de agroecologia, a produção sustentável e o uso de alternativas menos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. O Brasil não pode continuar sendo um líder mundial no consumo de agrotóxicos. Para revertermos esse cenário assustador, temos que ser radicais no combate ao uso de veneno em nossas plantações. Não temos mais tempo a perder

segunda-feira, 7 de abril de 2025

GLAUBER FICA! VAI TER LUTA!

 


 

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Nesta quarta-feira, 02/04, o deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), relator do processo que tramita contra o deputado Glauber Braga dentro do Conselho de Ética da Câmara Federal, recomendou a cassação do seu mandato socialista.

Num relatório esdrúxulo e distorcido, desconsiderando toda a argumentação objetiva da defesa e das testemunhas arroladas no processo e atendendo aos objetivos da direita golpista, Paulo Magalhães cumpre o papel de testa-de-ferro de Arthur Lira , atentando contra os mais de 79 mil eleitores de Glauber.

O processo de cassação, todo viciado e já pré-montado, vem num momento em que o bolsonarismo está na defensiva, com o genocida prestes a ser preso e ao mesmo tempo uma insatisfação pública cada vez mais crescente com o orçamento secreto. Glauber tem o mandato mais firme e contundente contra os golpistas do 8 de janeiro e contra os roubos do orçamento secreto. Não por acaso o pedido de cassação por parte do relator vem exatamente neste momento.

Diante desse enorme ataque à classe trabalhadora do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil de maneira geral, o Partido Comunista Brasileiro vem somar forças e mobilizar o conjunto de nossa militância e dos nossos coletivos partidários na batalha pela manutenção do mandato do deputado Glauber Braga, um parlamentar que coloca toda a sua energia, política e recursos a serviço das lutas dos trabalhadores e da construção do poder popular, desde as emendas participativas até às audiências públicas, projetos apresentados e discursos, dentro do Congresso e principalmente nas ruas. Glauber tem seu mandato em sintonia com os melhores interesses da classe trabalhadora, por isso é tão odiado e atacado pelos representantes dos patrões e capitalistas brasileiros.

Os mesmos que defendem a manutenção dos roubos de dinheiro público com o orçamento secreto, que são contra o fim da escala 6×1, que defenderam a PL do estupro, que defendem o ladrão de jóias, que lutam pela anistia aos golpistas e bandidos agora tentam cassar um mandato popular, combativo e socialista.

Não passarão!

Estaremos firmes, presentes em todas as mobilizações e, junto com a força das organizações populares e de luta, não permitiremos a cassação de Glauber!

Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

 

 

sábado, 5 de abril de 2025

Vôos interrompidos: o que restou do projeto de soberania nacional da Pan Air ao Gripen

O Gripen não caiu por obsolescência. Foi abatido em pleno voo por interesses geopolíticos que encontraram, na Lava Jato, seu míssil mais eficaz

Caça Gripen (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)


 

Por Reynaldo Aragon e Sara Goes –






Houve um momento, não muito distante, em que o Brasil ousou sonhar com soberania. Não apenas no discurso — mas nos sistemas, nos cabos, nos chips. Um projeto de país em que a defesa nacional não dependesse do humor de potências estrangeiras nem da assinatura de CEOs de multinacionais. Um projeto em que a Força Aérea voasse com aviões modernos construídos não só com metal e combustível, mas com ciência, pesquisa e soberania.

Esse projeto tomou forma no início da década de 2010, quando o Brasil optou por adquirir o caça sueco Gripen NG da Saab, dentro do programa FX-2. A decisão ia além da compra de aeronaves: previa a incorporação de tecnologia nacional, integração de armamentos desenvolvidos localmente, e fortalecimento da indústria de defesa brasileira — especialmente em sinergia com os países do sul global. O Brasil, como membro dos BRICS, apostava em um modelo de cooperação tecnológica entre nações não alinhadas à lógica militar da OTAN

O coração desse projeto era a Mectron Engenharia, empresa brasileira que desenvolvia sistemas de mísseis, radares e comunicação. Sob controle da Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), a Mectron participava do desenvolvimento do míssil A-Darter em parceria com a África do Sul, com o objetivo de armá-lo no Gripen nacional. Também era responsável por integrar datalinks brasileiros à aeronave. Era, enfim, uma tentativa real e concreta de criar um Gripen — com autonomia de decisão, operação e dissuasão.

Mas o ataque à soberania nacional não começou nos anos 2010.

Em 1965, a ditadura militar brasileira cassou arbitrariamente as operações da Panair do Brasil, companhia aérea fundada em 1929 e nacionalizada nos anos 1940, que até então era a maior da América Latina. A Panair foi muito mais que uma empresa de aviação: foi instrumento de integração nacional, com uma malha que conectava o Brasil profundo — inclusive o até então isolado Nordeste — às principais capitais do país e ao mundo. Suas aeronaves levavam engenheiros, projetos, equipamentos e autoridades para regiões que o Estado mal alcançava por terra. Ao cortar os voos da Panair, o regime militar não apenas entregou o setor aéreo a aliados econômicos: interrompeu um processo de costura territorial que dava ao Brasil a chance de se pensar inteiro, conectado e soberano.

A cassação da Panair foi o aviso: todo projeto de soberania que não se submeta será abatido em pleno voo.

Décadas depois, esse padrão se repetiria com novos nomes e métodos. A partir de 2014, a Operação Lava Jato passou a atuar como instrumento central da guerra híbrida contra o Brasil. O discurso anticorrupção serviu de cortina de fumaça para o desmonte das principais empresas de engenharia, petróleo e defesa do país. A ODT foi implodida. A Mectron, desintegrada. O projeto do míssil nacional, paralisado. A cadeia produtiva da soberania — rompida. 

Com a destruição desses pilares, abriu-se espaço para a entrada de atores estrangeiros em áreas estratégicas. E foi nesse vazio que Israel avançou.
A Elbit Systems, gigante bélica israelense, assumiu o controle de sistemas fundamentais da defesa brasileira através de sua subsidiária AEL Sistemas, com sede em Porto Alegre. Entre seus encargos, está o fornecimento do capacete com visor integrado, dos sistemas eletrônicos embarcados e da guerra eletrônica do Gripen. Ou seja: a aeronave que deveria representar a autonomia dos BRICS agora depende de uma potência estrangeira acusada de crimes de guerra, com alianças militares profundas com os EUA e a OTAN.


Essa dependência é mais que tecnológica. Ela é estratégica e diplomática. Porque o Brasil, mesmo sob forte pressão da sociedade civil, não pode romper relações com o Estado de Israel. Não pode, ainda que o mundo inteiro tenha visto — e denunciado — o massacre sistemático do povo palestino na Faixa de Gaza, onde mais de 30 mil civis foram assassinados em menos de seis meses. Mesmo diante do apartheid escancarado, das imagens de crianças carbonizadas, de hospitais destruídos, de jornalistas e funcionários da ONU executados — o governo brasileiro responde com recuos diplomáticos, silenciado pela dependência cibernética, tecnológica e militar. 

Romper relações com Israel hoje, ainda que justa e necessária do ponto de vista moral e humanitário, significaria enfrentar uma vulnerabilidade inaceitável no atual sistema de defesa nacional. Sistemas travariam. Dados seriam inacessíveis. Missões poderiam ser abortadas. É como se estivéssemos de mãos atadas, em nome de uma segurança que, no fundo, não nos pertence.

Essa condição colonial da era digital — em que a soberania se mede por controle de código-fonte e firmware — é o legado mais profundo da Lava Jato. Desmontou-se um projeto nacional em nome de uma falsa moralidade. Entregou-se a soberania a um Estado estrangeiro em nome de uma “blindagem” que cobra, em troca, silêncio diante do genocídio.

Agora, em 2025, há sinais tímidos de que o país tenta retomar as rédeas. O governo anunciou a estatização da Avibras, empresa de defesa com projetos de mísseis táticos e sistemas estratégicos de lançamento, ameaçada de falência após anos de abandono. Também foi anunciada a meta de elevar os gastos com defesa para 2,5% do PIB até 2030, com foco na reestruturação da indústria nacional e recuperação da capacidade de projetar poder com autonomia. Mas esses passos são ainda hesitantes diante do estrago feito. Não há reconstrução soberana possível sem revisão profunda da cadeia de dependências tecnológicas que hoje impedem o Brasil de tomar decisões plenamente livres — inclusive no campo da política externa.

O Gripen não caiu por obsolescência. Foi abatido em pleno voo por interesses geopolíticos que encontraram, na Lava Jato, seu míssil mais eficaz. No lugar dele, voa hoje um caça moderno, ágil — e submisso.

Investir em defesa é urgente. Retomar empresas estratégicas como a Avibras, antecipar a entrega de submarinos nucleares e ampliar o orçamento militar são movimentos fundamentais para um país que deseja afirmar sua soberania diante de um cenário internacional cada vez mais conflagrado. No entanto, há uma lição amarga que a história recente nos ensina: não há soberania militar possível sem soberania informacional. Os milhões investidos em mísseis, sistemas navais e aviões de combate podem ser revertidos contra o próprio país caso a infraestrutura institucional, científica e tecnológica nacional não esteja protegida de golpes, sabotagens e retomadas autoritárias.

 Uma extrema-direita no poder, alinhada a interesses estrangeiros, pode colocar em risco todo o conhecimento acumulado, transferindo tecnologias críticas para empresas externas ou desmontando novamente nossas capacidades estratégicas — como já ocorreu após a destruição da Odebrecht Defesa e da Mectron. Por isso, a reconstrução da soberania nacional exige, antes de tudo, um pacto político e civilizacional pela soberania informacional: investimento em ciência, em redes seguras, em autonomia digital e, sobretudo, na estabilidade das instituições democráticas. A soberania se constrói com aço, mas se mantém com código-fonte, com democracia, com infraestrutura cognitiva e com povo mobilizado. Sem isso, toda tecnologia é apenas um vetor de colonização potencial.

domingo, 30 de março de 2025

Atos pelo país contra anistia e pela prisão de Bolsonaro

Às vésperas dos 61 anos do golpe militar, movimentos sociais ocupam as ruas contra a proposta de anistia a golpistas do 8 de janeiro

30 de março de 2025

(Foto: Assessria do senador Humberto Costa)


 

 





247 - Neste sábado (29) e domingo (30), as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo realizaram manifestações pelo país contra a anistia aos presos pelo 8 de janeiro e pedindo a prisão de Jair Bolsonaro (PL).

“Com o desenvolvimento do julgamento desta semana, do núcleo articulador da tentativa de golpe de 8 de janeiro e Bolsonaro no banco do réu, esperamos que essa pauta tome ainda mais fôlego e que a gente consiga avançar tanto na disputa ideológica na sociedade quanto na pressão do judiciário para que Justiça seja feita”, afirma Daiane Araújo, a vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), que integra as frentes.

Na tarde deste domingo, os manifestantes se concentraram na praça Oswaldo Cruz e seguiranm em caminhada até o antigo Doi–Codi (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), principal centro de tortura da ditadura militar na cidade.

Lideranpças políticas como os deputados federais Guilherme Boulos, Ivan Valente, Lindbergh Farias e o parlamentar Antônio Donato, da Assembleia Legislativa de São Paulo, estiveram presentes no ato.

Boulos reforçou a importância do ato para a luta democrática e reafirmou a articulação para assegurar que o texto de anistia para golpistas não seja aprovado. 

"Essa semana a gente ficou ouvindo provocação da imprensa, da direita, dizendo que nosso ato ia ser esvaziado", afirmou Boulos. "Eu digo a vocês sem medo de errar, aqui hoje na avenida Paulista tem mais gente do que o ato golpista em Copacabana".

Os manifestantes também pediam a retirada do governo de Israel da Faixa de Gaza, e o fim da escala 6 X 1.

No Rio de Janeiro, entidades realizaram panfletagem e ações com cartazes pela cidade. Uma grande faixa foi estendida sob os Arcos da Lapa com a frase "sem anistia para quem ataca a democracia".

A bandeira foi retirada dez minutos por policiais militares poucos minutos depois de ser estendida. Em nota, a PM afirmou que a remoção foi feita por se tratar de um monumento histórico e cultural.

No Rio o ato está agendado para a próxima terça (1º de abril), em frente a sede do antigo Dops (Departamento de Ordem Política e Social), no centro, com caminhada em direção ao Clube Militar, na Cinelândia.

No Recife, os manifestantes ocuparam o Parque Treze de Maio empunhando bandeiras e faixas com a anistia a golpistas. 

Em Belém do Pará, o ato aconteceu em frente ao Theatro da Paz. 

Em Belo Horizonte, Minas Gerais, o ato se concentrou na praça da Independência, na avenida Afonso Pena. Cartazes com fotografias de desaparecidos e mortos pela ditadura militar foram levados pelos manifestantes.

Em Brasília, o ato no Eixão do Lazer teve cartazes contra a anistia e pela memória dos mortos na ditadura, com referências ao filme "Ainda Estou Aqui". Também houve bandeiras e cartazes a favor da Palestina e de um cessar-fogo na região.