quinta-feira, 11 de julho de 2024

Falta uma prisão na operação de hoje da PF: a de Carlos Bolsonaro

O fundamento da prisão de cinco pessoas, expresso no despacho de Alexandre de Moraes, do STF, vale também para o cabeça do esquema de espionagem ilegal

11 de julho de 2024

Reportagem do jornalista Joaquim Carvalho do Brasil247


 

Vereador Carlos Bolsonaro (Foto: Renan Olaz/CMRJ | Reprodução)

 



A fase da Operação Última Milha deflagrada nesta quinta-feira pegou um personagem-chave no esquema de espionagem ilegal que existiu na Abin durante o governo Bolsonaro. É o agente da Polícia Federal Marcelo Bormevet, mas faltou pedir a prisão do cabeça do esquema: Carlos Bolsonaro.

A semente da chamada Abin Paralela foi plantada em 6 de setembro de 2018, quando Adélio Bispo de Oliveira encontrou Jair Bolsonaro no calçadão da Halfeld, em Juiz de Fora. O que se viu a partir dali definiu a eleição presidencial daquele ano. Estava também em Juiz de Fora Carlos Bolsonaro, de quem Adélio se aproximou cerca de uma hora antes, no Parque Halfeld, onde a caminhada teve início. 

Carlos Bolsonaro, que participava pela primeira vez dos atos públicos da campanha do pai, se escondeu de Adélio, ao entrar no carro rapidamente. Estranho, porque, se não se conheciam, como diria Carlos, por que evitou o encontro? 

Gustavo Bebianno, que também estava naquele ato de campanha, revelaria, dois anos depois, em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, que Carlos ficou o tempo todo dentro do carro, controlando um drone. Bebianno disse que a presença de Carlos Bolsonaro na cidade mineira surpreendeu, já que o filho de Jair não costumava participar desse tipo de agenda de campanha. 

Bebianno também contou que teve surpresa maior quando, quatro meses depois do evento de Juiz de Fora, Carlos Bolsonaro o procurou no Palácio do Planalto, e pediu para ele, na época responsável pela Secretaria-Geral da Presidência, que nomeasse quatro pessoas para a Abin. “Não confio na Abin. Quero nomear esses quatro nomes para termos uma Abin Paralela”, disse Carlos Bolsonaro, conforme recordou Bebianno, na mesma entrevista, realizada no início de 2020. Três meses depois, Bebianno teve um ataque cardíaco e morreu, aos 56 anos de idade.

“Se nomearmos estas pessoas, seu pai sofre impeachment”, teria respondido Bebianno, segundo seu relato. Bebianno não deu o nome dos quatro indicados de Carlos Bolsonaro nem o motivo pelo qual a simples nomeação seria capaz de gerar a cassação, por crime de responsabilidade. No documentário “Bolsonaro e Adélio - Uma fakeada no coração do Brasil”, que sofreu censura do YouTube, revelei o nome de um desses quatro, Marcelo Bormevet. Conforme apurei, foi esse agente quem articulou a nomeação do delegado da Polícia Federal Alexandre Ramagem para a direção-geral da Abin. Bebianno caiu pouco depois de se recusar a fazer a indicação de Ramagem, Bormevet e de outros dois indicados por Carlos Bolsonaro. 

O general Santos Cruz, que esteve discretamente com Jair Bolsonaro em Juiz de Fora naquele 6 de setembro, também perdeu o cargo de ministro. Só depois que os dois deixaram o governo é que o Planalto apresentou ao Senado o nome de Ramagem para a Abin. Aprovado pelos senadores, Ramagem assinou como um de seus primeiros atos a nomeação de Marcelo Bormevet para a chefia do departamento de inteligência da Abin e também a de outro agente da PF, Luís Felipe Félix, para trabalhar no Palácio do Planalto. 

Bormevet tinha coordenado um esquema paralelo de segurança em Juiz de Fora, embora esta não fosse sua atribuição. Felipe Félix era da equipe fixa de segurança de Bolsonaro, que a Polícia Federal colocou à disposição do candidato, como faz com todos os que disputam a Presidência da República. Na condição de operador do esquema ilegal de espionagem, principalmente com o software First Mile, de fabricação israelense, Bormevet cometeu crimes em série. Mas o fazia espontaneamente? Quem mandava?

A chamada Abin Paralela se conectava ao gabinete do ódio, também instalado no Palácio do Planalto, com indicações de Carlos Bolsonaro. O fundamento da prisão preventiva de cinco pessoas, expresso no despacho de Alexandre de Moraes, do STF, vale também para o filho de Jair Bolsonaro.

Escreveu o ministro do STF:

“O contexto delineado, portanto, revela a imprescindibilidade das prisões, haja vista que, se os investigados permanecerem em liberdade, podem dar continuidade às suas atividades criminosas, pois, como dito, os investigados possuem dados e contatos que podem ser utilizados para obstruir as investigações policiais, sem se perder de vista que os ataques às instituições ainda perduram de modo similar ao narrado na representação da PF, inclusive no que diz respeito à veiculação e respectiva difusão”.

Ora, se o risco de continuidade das atividades criminosas existe, por que poupar o cabeça? Se a lei é igual para todos, Carlos Bolsonaro precisa ir para o mesmo local que Bormevet. E a investigação não pode parar. Os frutos daquela semente plantada em Juiz de Fora estão sendo vistos. Mas é preciso descobrir também como e por que ela foi plantada. Terá tudo sido coincidência?

Assista a entrevista do senador Randolphe Rodrigues, alvo da espionagem:

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Com indiciamento de Bolsonaro no caso das joias, FUP defende o cancelamento da venda da RLAM

A Federação dos Petroleiros recordou que o governo bolsonarista vendeu a Refinaria Landulpho Alves a estrangeiros por um preço abaixo do valor registrado em estimativas oficiais

10 de julho de 2024

 

Refinaria Landulpho Alves (Foto: Petrobras)







247 - A Federação Única dos Petroleiros, que tem Deyvid Bacelar como coordenador-geral, emitiu um comunicado pedindo o cancelamento da venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia. A FUP alegou ser necessária a reestatização do empreendimento após o indiciamento de Jair Bolsonaro (PL) no inquérito das joias. A instituição lembrou que a refinaria foi vendida por apenas US$1,65 bilhão, para o Fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Estudos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) apontaram que o preço da refinaria ultrapassava os US$ 3 bilhões.

A FUP disse que pretende cobrar do Judiciário mais investigação para saber se existe relação entre as joias recebidas por Bolsonaro e a venda da refinaria. "Outras 11 pessoas ligadas diretamente a ele durante o seu governo foram indiciadas pela PF por participação no esquema de desvios das joias. É o caso do ex-ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, que recebeu de autoridades árabes um conjunto de abotoaduras, terço, anel e relógio confeccionados em ouro rosé, durante viagem da comitiva presidencial ao Oriente Médio, em outubro de 2021, um mês antes da conclusão da venda da Rlam", disse a federação.

"No dia 30 de novembro de 2021, a Petrobrás anunciou a venda da refinaria para o fundo dos Emirados Árabes por US$ 1,65 bilhão, menos da metade do seu valor de mercado", acrescentou a FUP no comunicado.

Deyvid Bacelar. Foto: Câmara dos Deputados


Segundo Bacelar, "tudo leva a crer que essa quadrilha pode ter roubado muito mais do que joias". "Os milhões envolvidos nesse crime vergonhoso nem chegam perto do prejuízo de bilhões de dólares que a Petrobrás e o povo brasileiro amargaram com a privatização da Rlam", continuou.



"Será coincidência a nossa refinaria ter sido vendida por menos da metade do valor de mercado para o Mubadala, meses após Bolsonaro e seus comparsas, incluindo o ex-ministro das Minas e Energia, terem recebido indevidamente joias milionárias de autoridades do Oriente Médio? Estamos diante de um crime de lesa-pátria que precisa ser investigado, como nós petroleiros e petroleiras cobramos há anos".

As investigações da Polícia Federal apontaram que Bolsonaro e seus aliados desviaram pelo menos R$ 6,8 milhões em joias. Por lei, esss bens materiais dados por governos de outros países devem pertencer ao Estado brasileiro, e não podem ser incorporados a patrimônio pessoal.

terça-feira, 9 de julho de 2024

Lula desembarca na Bolívia e diz que tentativa de golpe é “imperdoável”

(Foto: Ricardo Stuckert)

"Graças a Deus o povo boliviano garantiu a democracia e acho que a solidariedade internacional foi muito importante”, afirmou Lula

09 de julho de 2024




247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta segunda-feira (8) que a tentativa de golpe na Bolívia é “imperdoável”. “É imperdoável a tentativa de golpe [na Bolívia]. Graças a Deus o povo boliviano garantiu a democracia e acho que a solidariedade internacional foi muito importante”, afirmou.

 O presidente desembarcou na Bolívia na noite de segunda-feira (8) e cumprirá agendas oficiais na terça-feira (9). Lula falou a jornalistas ao pousar no local. Disse ser “inimaginável” alguém acreditar que o golpe militar seja uma solução para problemas do país.

Ele disse ainda que imaginou que a situação da Bolívia estivesse melhor. “Às vezes eu fico triste porque faz 15 anos que eu não venho aqui e imaginei que as coisas tivessem evoluído, que o Brasil tivesse cuidado melhor de seus parceiros. Acho que a Bolívia de hoje está em uma situação mais difícil do que 10 anos atrás”, disse.

De acordo com a CNN Brasil, nesta terça-feira (9), Lula terá duas reuniões com o presidente boliviano Luis Arce, uma bilateral e outra ampliada. Assinará atos de cooperação com o país, terá encontro com movimentos sociais e participará do encerramento do Foro Empresarial Bolívia-Brasil”.

Lula também ressaltou nas redes a importância comercial do encontro. "Queremos fortalecer as relações entre nossos países e também a integração regional. Boa noite e até amanhã": 

Saiba  mais -  O governo do presidente Lula (PT) emitiu um comunicado nesta segunda-feira (8) em que  "celebra" a "ratificação do Protocolo de Adesão" da Bolívia ao Mercosul. "Assinado em Brasília, em julho de 2015, o Protocolo de Adesão da Bolívia entrará em vigor dentro de 30 dias", afirmou o Itamaraty, que fica em Brasília (DF). O chefe de Estado brasileiro e o chanceler Mauro Vieira estão no Paraguai, onde ocorre a cúpula do bloco, formado por mais dois países - Argentina e Uruguai.

"Esse marco reafirma o compromisso do MERCOSUL com a ampliação de seu espaço de cooperação e desenvolvimento econômico, social e político, o que se traduzirá em benefícios concretos para as populações de todos os integrantes do bloco", publicou o Itamaraty. "A adesão da Bolívia ao MERCOSUL demonstra o vigor e a relevância contínua do bloco na promoção da integração regional e no fortalecimento das relações entre os países sul-americanos". 

sábado, 6 de julho de 2024

"A questão das joias é a ponta do iceberg. Não há dúvida da participação de Bolsonaro na tentativa de golpe", diz Lenio Streck

 

Lenio Streck (Foto: Reprodução)


Jurista comenta em entrevista as investigações e acusações contra Jair Bolsonaro. Assista na TV 247


 


247 - O jurista Lenio Streck afirmou em entrevista à TV 247 que não há mais dúvidas sobre a participação de Jair Bolsonaro na tentativa de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro de 2023. "Ninguém mais duvida da participação do Jair Bolsonaro na tentativa de golpe. Primeiro, ninguém mais duvida que houve tentativa de golpe, afinal de contas tem 1.250 réus, 300 condenados a penas altíssimas. O STF disse que houve golpe de estado, o que nós queremos saber agora é quem incentivou, quem mandou e quem financiou - isso, tecnicamente, nós chamamos de crimes de participação. Há os autores imediatos e mediatos. Os mediatos são divididos em três: os financiadores, incentivadores e mandantes. Então vamos aguardar", disse. 

Streck destacou a importância da continuidade das investigações e da rapidez nas ações judiciais tomadas recentemente, como os indiciamentos de Bolsonaro: "Antes tarde do que nunca. Demorou muito o indiciamento. Eu espero que a denúncia (pela PGR) seja mais rápida. Demoraram 1 ano e meio para fazer o indiciamento, que é o primeiro passo. Agora vem a denúncia... eu espero que o MP faça a denúncia e não peça novas diligências, porque aí mesmo vai para as calendas". 

Ele também ressaltou que o caso das joias sauditas, pelo qual Bolsonaro foi recentemente indiciado, é apenas parte de um quadro maior. "Agora, não vamos pensar que o mundo se resume ao caso das joias. Tem o golpe do 8 de janeiro, que é mais grave do que isso. Não devemos nos contentar com restos e migalhas. A questão das joias é a ponta do iceberg, tem muita coisa", disse. Assista na TV 247: 

https://www.youtube.com/watch?v=wvI94OjYwis&t=361s 

quinta-feira, 4 de julho de 2024

 

Um dos pais do Real expõe a farsa da tática para sabotar Lula

“Winston Fritsch repete várias vezes que o discurso da questão fiscal é uma tapeação a serviço do mercado”, escreve o colunista Moisés Mendes

Winston Fritsch (Foto: Reprodução/YouTube)


 





É mais do que esclarecedora, é demolidora a entrevista que o economista Winston Fritsch concedeu à Folha essa semana. Um dos pais do Plano Real esclarece pelo que diz e pelo que não precisa ser dito. Isso é o que ele diz: 

“Não se pode dizer que os juros estão onde estão por causa do fiscal. É por causa do choque da inflação pós-Covid. A resposta do Banco Central, independente, foi dada um ano antes dos Estados Unidos, e foi muito violenta. Mas funcionou. Só que, agora, para baixar, começa o lero-lero de ‘pô, olha o fiscal’. Mas não foi o fiscal que fez a taxa subir. Foi o choque exógeno da inflação. E com os juros americanos de curto prazo a 5,5%, não dá para baixar muito por aqui. Se baixa muito no Brasil, tem êxodo de capital, o dólar vai para o espaço. É o que está acontecendo”.

O resto é complemento do seu argumento e nem precisaria estar aqui, para que se saiba o que ele não disse. O que Fritsch deixou subentendido é que toda a conversa sobre a questão fiscal, que sustenta a argumentação do mercado, do Banco Central e da grande mídia, é uma farsa. A ladainha fiscal não deveria ser usada para explicar a atual calibragem do juro. Mas é usada (e isso Fritsch não precisa dizer) para acossar e imobilizar o governo, jogá-lo às hienas da Faria Lima e criar manchetes com a sabotagem de Folha, Globo e Estadão. O que fica claro na entrevista é que o argumento da direita é usado para inviabilizar o governo e culpá-lo publicamente pelo juro alto. Quem diz não é um economista de esquerda.

Vamos seguir em frente com a explicação de Fritsch, que leva a um desfecho arrasador:

“Toda vez que aparece a ideia de que o juro vai cair, o dólar sobe. Virou uma espécie de armadilha. Porque veio a crise, o juro subiu. Os americanos subiram, e temos agora um patamar que é dado pela conta de capital, não mais pela economia interna. Então, tem que ficar esperando o Fed (o BC americano) baixar o juro para a gente ir atrás”.

E chegamos então ao gran finale da entrevista, quando o entrevistador Fernando Canzian insiste em dizer que “o calcanhar de Aquiles continua sendo o fiscal”. Eis o trecho com a resposta:

“Agora, o juro está alto por causa do fiscal? Bullshit (bobagem). Está alto pela taxa do Fed a 5,5% ao ano. Mas aparece todo o discurso conservador da Faria Lima”. 

Vamos repetir: a questão fiscal é uma asneira, uma conversa fiada, uma farsa. Mas mesmo assim o que prevalece, com a insistência em torno do corte de gastos, é “o discurso conservador da Faria Lima”.

Fritsch define a defesa do arrocho fiscal, com cortes na educação e na saúde, como propõem os jornalões, como discurso conservador do mercado financeiro, porque é uma pessoa educada. 

É mais do que isso, é a pregação rentista, que concilia interesses imediatos dos donos do dinheiro com os interesses políticos do bolsonarismo articulado com Roberto Campos Neto.

O que Fritsch reafirma várias vezes é que o principal argumento para que os juros sejam altos é falso. O que ele não precisa dizer é que nunca antes um argumento pretensamente econômico do mercado financeiro e do BC se prestou tanto ao ativismo político de direita e extrema direita como agora. 

Só o que faltou na fala de Fritsch foi uma referência direta a Campos Neto, que é apenas o capataz do mercado e está a caminho de colocação num emprego do bolsonarismo, como fez Sergio Moro.

A Folha deu à entrevista esse título: “Há tarefas inacabadas, mas juro alto não é problema só do fiscal, diz um dos pais do Real”.

Essa relativização, essa história de “não é problema só do fiscal”, não aparece em nenhuma frase e nem poderia ser usada como resumo do que disse o economista. Fritsch não diz nada disso. Não tem nada de não é ‘só’ do fiscal. O que tem é: o juro alto hoje não é culpa da questão fiscal.  

O que ele repete está nessa sequência de frases. Vamos ler de novo. Primeira frase: “E não se pode dizer que os juros estão onde estão por causa do fiscal”. Segunda frase: “Mas não foi o fiscal que fez a taxa subir”. E a terceira e definitiva frase: “Agora, o juro está alto por causa do fiscal? Bullshit”. Ou dito sem volteios: é uma conversa de merda mesmo.

O resumo da entrevista, para rimar com tapeação e bobagem, é esse: a tática do mercado, do BC e das corporações de mídia é parte da sabotagem.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Europa: o Partido da Guerra perdeu


Fracassaram os governos que mergulharam na política bélica de Washington e voltaram as costas à crise social


 


O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, apertam as mãos durante uma declaração conjunta com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris, França, em 8 de fevereiro de 2023. (Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier/Pool)

 (Publicado originalmente no Outras Palavras)

Ao dissolver a Assembleia Nacional e convocar eleições antecipadas no domingo (9/6), logo depois de sofrer derrota política avassaladora, o presidente da França, Emmanuel Macron, deu o tom das manchetes e análises sobre o resultado da disputa pelo Parlamento Europeu. A extrema direita teria obtido, em todo o velho continente, uma grande vitória. O resultado estaria fazendo tremer as instituições. Somado à alta probabilidade de triunfo de Donald Trump nos EUA, em novembro, ele pressagiaria o pior.

Esta análise oculta mais do que revela. O avanço da ultradireita é real. Mas sua causa maior não é uma onda súbita e incompreensível de conservadorismo do eleitorado. Como nos anos 1920 e 30, o avanço do “neo”fascismo deve-se ao fiasco desastroso dos governos que adotaram, nos últimos anos políticas ultraliberais. Destacam-se os da França e Alemanha, eixo permanente da União Europeia. 

Ao embarcarem de armas e bagagens na guerra dos EUA contra a Rússia, eles debilitaram suas economias, agravaram a crise social e ampliaram o descrédito na democracia. O retrocesso, portanto, não é um destino, mas o resultado de políticas reversíveis. Os fatos podem dizer muito também ao Brasil. Porém, a mídia conservadora calará a respeito e apenas parte da esquerda parece atentar para o problema real.

Os gráficos a seguir – do The Guardian e Le Monde – são um primeiro elemento para compreender o resultado além dos mitos. Eles mostram que as duas principais correntes da ultradireita europeia cresceram de fato – porém, moderadamente. O grupo parlamentar ECR (Conservadores e Reformistas da Europa) que é pró-OTAN e cuja referência principal é a primeira ministra italiana, Giorgia Meloni, conquistou quatro novas cadeiras (+5,8%). Agora tem 73 dos 720 assentos do parlamento, ou 10,1%. 

A facção Identidade e Democracia (ID), liderada pela francesa Marine Le Pen e contrária à guerra na Ucrânia, cresceu 18,3% e formou uma bancada de 58 parlamentares. A estes somam-se ultradireitistas rejeitados no momento pelos dois blocos (por sua proximidade com o nazismo), em especial a Alternativa para a Alemanha (AfD), que elegeu 15 eurodeputados (tinha 11).

domingo, 30 de junho de 2024

Marcha na Paulista reúne milhares de pessoas em defesa da causa palestina

 

Ato pró-Palestina em São Paulo (Foto: DCO)










Ato Nacional em Defesa da Palestina, convocado pelo PCO e por diversas organizações sociais, contou com a presença de Rui Costa Pimenta e José Genoíno, entre outras figuras

30 de junho de 2024

OperaMundi A Avenida Paulista foi palco, neste domingo (30/06), de uma marcha que mobilizou milhares de pessoas em solidariedade ao povo palestino, vítima da operação militar promovido pelo exército de Israel na Faixa de Gaza, que já dura mais de oito meses (desde outubro de 2023) e que já matou mais de 37 mil civis.O Ato Nacional em Defesa da Palestina foi convocado pelo Partido da Causa Operária (PCO), em ação conjunta com várias organizações sociais, como a Coordenação Nacional dos Comitês de Luta, a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), o Instituto Brasil Palestina (Ibraspal), o Coletivo Indígena Terra Vermelha, entre outros.Segundo o Diário da Causa Operária, delegações de diversas regiões do Brasil viajaram a São Paulo para participar do evento.

Os manifestantes se concentraram na praça Oswaldo Cruz, por volta das 10h, e iniciaram a marcha pela Avenida Paulista por volta das 11h30, após a direção do evento superar uma divergência com a Polícia Militar de São Paulo, que impediu a movimentação de um carro de som – ainda assim, outro carro de som já estava preparado nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (MASP) onde foi concluída a passeata.

Não foi o único protesto registrado em São Paulo em favor do povo palestino neste domingo. Perto dali, na praça Charles Miller, um grupo se manifestou na Feira do Livro contra ausência de debates sobre o genocídio palestino.

Presenças ilustres

O ato na Avenida Paulista contou com a presença de personalidades destacadas da política, como o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, e o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta.

Outras figuras destacadas presentes na Paulista foram o jornalista Breno Altman, fundador de Opera Mundi e autor do livro Contra o Sionismo – Retrato de uma Doutrina Colonial e Racista (Editora Alameda), e Ibrahim Sayid Tenório, vice-presidente do Ibraspal.

Em entrevista ao Diário da Causa Operária, Altman afirmou que é preciso “fazer crescer a solidariedade internacional, para que medidas práticas dos governos ocidentais sejam tomadas, de estrangulamento financeiro e diplomático de Israel. A solidariedade internacional é importante para ajudar a resistência palestina a ampliar sua capacidade de combate e reduzir, ainda mais o alcance militar de Israel”.

Por sua vez, Tenório afirmou que “a causa palestina deve servir como um catalisador da luta contra o imperialismo”.

 “A causa da libertação da Palestina é o que mais unifica a luta anti-imperialista e anticolonial. Tem países ainda vivendo sob ocupação colonial, como o Saara Ocidental, e outros países na África e na Ásia. Então, é preciso que a causa palestina seja o catalisador destas lutas anticoloniais. A vitória da Palestina é um símbolo da libertação dos povos livres contra o imperialismo, contra o colonialismo. A causa palestina unifica e reforça a luta”, explicou.