terça-feira, 10 de agosto de 2021

Câmara derrota Bolsonaro e rejeita PEC do voto impresso

Yahoo, Redação Notícias

ter., 10 de agosto de 2021

Grande bandeira bolsonarista e pauta pessoal do presidente, a PEC previa a adoção do voto impresso no Brasil e era usada para acusar e contestar, se provas, a validade e sigilo das urnas eletrônicas. (Foto: Agência Câmara)

O plenário da Câmara dos Deputados derrubou a PEC do voto impresso, pauta pessoal do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e que previa a adoção do voto impresso no Brasil. 

Grande bandeira bolsonarista, a discussão encampou as acusações sem provas de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas e ameaças à realização das eleições de 2022. O texto rejeitado na noite desta terça-feira (10) já havia sido derrubado na Comissão Especial que tratou do assunto na última semana, mas ganhou sobrevida após o presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL).

No placar eletrônico da Câmara, totalizaram 229 votos "sim" a 218 "não". Eram necessários, no mínimo, 308 votos para aprovar a matéria. Nas últimas semanas, Bolsonaro intensificou os ataques ao processo eleitoral e ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso. Em live, o presidente prometeu apresentar provas para sustentar as acusações de que teriam ocorrido fraude nas eleições de 2014 e 2018. Mas ele mesmo admitiu não tê-las, e utilizou vídeos de internet já desmentidos pelo TSE para alimentar as discussões.

Imprensa internacional ridiculariza desfile de tanques de Bolsonaro: “República de Banana”

 

Yahoo - Redação Notícias

ter., 10 de agosto de 2021

Tanques da Marinha em desfile em frente ao Palácio do Planalto nesta terça em Brasília (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

 

A imprensa internacional ridicularizou o desfile de tanques organizado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira (10) em Brasília.

O jornal britânico The Guardian chamou o ato de “desfile de República de Bananas” e ainda comentou que aliados do presidente usaram imagens de desfiles na China em postagens sobre o evento. O jornal também destacou que o ato durou “apenas dez minutos” e que os tanques soltavam fumaça. Ainda cita a baixa presença de apoiadores e que críticos classificaram o desfile de “fiasco”.

O jornal francês Le Monde destacou que o desfile era “inédito” nos 30 anos da democracia, em um momento de queda de popularidade de Bolsonaro diante da morte de 564 mil pessoas no Brasil devido à pandemia da covid-19. Aspas

A publicação afirma que há no Brasil um temor de um “cenário a la Trump”, numa situação de um presidente que se recusa a deixar o poder. "Bolsonaro, que sabe que as instituições de Brasília são mais frágeis que as de Washington, não faz nada para dar garantias”. E lembraram declaração do presidente, em janeiro: “Se não tivermos voto impresso em 2022, teremos um problema pior que nos EUA”.

Em Portugal, Bélgica, Canadá ou Estados Unidos, a imprensa também fez uma relação entre o desfile e a situação pouco confortável de Bolsonaro nas eleições de 2022.

O comboio da Marinha atravessou, nesta terça-feira, a Esplanada dos Ministérios e desembarcou em frente ao Palácio do Planalto para entregar ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, o convite do maior exercício militar da Marinha, a Operação Formosa, no dia 16.

desfile dos tanques das Forças Armadas aconteceu no dia em que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), marcou a votação, em plenário, da PEC do voto impresso, defendida por Bolsonaro.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Desfile de blindados é sinal de fraqueza e efeito internacional será desastroso, diz Jungmann

Folhapress - CAMILA MATTOSO

seg., 9 de agosto de 2021

 

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 02.01.2019: Ex-ministro da Justiça Raul Jungmann. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Na avaliação do ex-ministro da Defesa e da Segurança Raul Jungmann, a realização nesta terça-feira (10) de um desfile de blindados em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, é um teatro promovido por Jair Bolsonaro na tentativa de demonstrar força, revelando na verdade a sua fraqueza.

O evento, organizado pelo Ministério da Defesa, acontece na mesma semana da votação da PEC do voto impresso na Câmara. Jungmann diz que já participou da chamada Operação Formosa, mas enquanto cerimônia fechada ao público.

"O presidente tenta com esse teatro criar a ilusão de que as Forças Armadas apoiam o seu constrangimento dos demais Poderes e ameaças. Não existe nada disso. As Forças Armadas estão de fato com a Constituição e não vão se afastar disso. E o presidente visa passar a impressão contrária", afirma Jungmann à reportagem.

Ainda assim, diz o ex-ministro, a medida terá efeito "triplamente desastroso".

"Primeiro, porque vai ampliar a derrota do voto impresso na Câmara, que de forma alguma vai aceitar esse tipo de pressão. Segundo, o efeito desses fatos internacionalmente será desastroso, não tenho a menor sombra de dúvida. Terceiro, é uma manifestação não de força, mas de fraqueza, de 'jus sperniandi', de perdedor, que quer criar uma falsa impressão de que tem força para que não tem, que é tirar o Brasil dos trilhos democráticos", afirma Jungmann.

De acordo com um comunicado da Marinha, o desfile marcará a entrega a Bolsonaro e ao ministro Walter Braga Netto (Defesa) de um convite para que as autoridades acompanhem, na próxima segunda-feira (16), um tradicional exercício da Marinha que ocorre desde 1988.

De acordo com a assessoria de comunicação da Defesa, trata-se de uma ação de divulgação do exercício. Segundo a Marinha, a Operação Formosa envolverá neste ano mais de 2.500 militares das três Forças —é a primeira edição que Exército e Aeronáutica participam.

EM TEMPO: Bozo é um tipo de político amostrado, de má índole e preguiçoso. Observem que o Bozo só quer bagunçar com a política e a democracia e  nada de trabalhar. O que ele quer mesmo é manter animado seus seguidores fanáticos com suas motociatas fascistas. Agora durmam com esse pesadelo. 


domingo, 8 de agosto de 2021

Assessor de Biden disse a Bolsonaro que EUA acreditam em eleições justas no Brasil com sistema atual

 

Folhapress - PATRÍCIA CAMPOS MELLO


*ARQUIVO*BRASILIA, DF, 09-11-2020: O presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, afirmou, em conversa com o presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira (5), que o governo americano acredita que as instituições brasileiras são fortes e podem conduzir eleições livres e justas com o sistema eleitoral atual.

Os principais objetivos da viagem do assessor, acompanhado de vários altos funcionários do governo americano, eram reiterar a oposição dos Estados Unidos à participação de fornecedores chineses, como a Huawei, na infraestrutura do 5G brasileiro, além de discutir a política ambiental do governo Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta o assessor de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, em Brasília - Reprodução Embaixada dos EUA no Twitter. No entanto, as autoridades americanas quiseram também dar o recado de que estão preocupadas com as ameaças de Bolsonaro ao sistema eleitoral. O tema ocupou boa parte da conversa na quinta.

Sullivan e os outros altos funcionários do governo americano que vieram ao Brasil se reuniram com Bolsonaro, o secretário Especial para Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil, Almirante Flávio Rocha, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e o chanceler Carlos Alberto França. 

Os americanos disseram estar preocupados com as alegações falsas de que teria havido fraude eleitoral. Segundo um alto funcionário americano disse à reportagem, “os Estados Unidos foram muito diretos ao expressar a grande confiança que depositam na habilidade atual das instituições brasileiras de realizarem eleições livres e justas, com salvaguardas adequadas para evitar fraudes”.

Enviado de Biden diz a Bolsonaro que é importante não minar as eleições, segundo fonte

 

REUTERS, Por Anthony Boadle

 

dom., 8 de agosto de 2021

Quando o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, visitou o presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira, ele trouxe uma mensagem do governo norte-americano: não tumultue as eleições. 

Uma fonte familiarizada com o assunto confirmou à Reuters que o governo Biden levantou preocupações com as afirmações infundadas de Bolsonaro de fraude no sistema de votação eletrônico brasileiro, e com sua ameaça de não aceitar os resultados da eleição do próximo ano se o sistema não for alterado. A natureza da mensagem dada por Sullivan foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo no sábado. O jornal citou uma autoridade dos EUA segundo a qual Sullivan destacou a importância de não minar a confiança no processo eleitoral brasileiro, especialmente sem a apresentação de nenhuma evidência de fraude em eleições passadas. 

Bolsonaro vem há tempos criticando as urnas eletrônicas usadas no Brasil e pedindo a adoção de voto impresso que possa ser auditado no caso de contestação do resultado. Ao mesmo tempo, tem atacado continuamente o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, que também é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora tenha prometido fazê-lo, Bolsonaro não forneceu provas de fraude ou vulnerabilidade. E ao contrário do que diz o presidente, o sistema eletrônico de votação é auditável. 

 Críticos temem que Bolsonaro, como seu ex-aliado Donald Trump quando estava na Presidência dos EUA, esteja plantando dúvidas no caso de derrota na eleição de 2022. Com a popularidade abalada, Bolsonaro vê o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderar neste momento as pesquisas sobre a disputa do próximo ano. A delegação de Sullivan transmitiu a confiança dos EUA na capacidade das instituições brasileiras de realizar eleições livres e justas em 2022, disse a embaixada norte-americana em comunicado, sem dar detalhes. Sullivan também se encontrou com o ministro da Defesa, Walter Braga Netto e com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. 

EM TEMPO: E agora Bozo, vai apresentar "arminha" para Biden? É muito difícil que haja auto-golpe sem apoio de Biden, Macron e a comunidade internacional como um todo. Evidentemente, que o ex-presidente Lula é o preferido da comunidade internacional. Alguém tem dúvida? Lembrando que Bozo recebeu o conselheiro Sullivan, sem usar máscara. Bonito isso. No é Bozo?

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

CORREIOS: NÃO À PRIVATIZAÇÃO!

Unidade Classista – Trabalhadores dos Correios

O ministro das telecomunicações, Fabio Faria, realizou um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão para mentir abertamente sobre o processo de privatização dos Correios, falando da importância da ECT para o país, mas apontando que deve ser vendida e que, apesar do lucro de 1,5 milhão, a empresa é deficitária.

Os trabalhadores dos Correios, assim como o povo brasileiro, sabem que a privatização tem como objetivo entregar o patrimônio do povo para as mãos da iniciativa privada que não consegue concorrer com a maior empresa pública de logística da América Latina. A classe trabalhadora sabe que a experiência de privatização só trouxe prejuízos, com o encarecimento das tarifas e a má qualidade na execução dos serviços. Basta lembrar o apagão do Amapá no começo de 2021.

Outro detalhe importante sobre esse ataque é que os ecetistas estão em plena Campanha Salarial, sendo que, desde o início da gestão Bolsonaro, não existe diálogo com os representantes dos trabalhadores. Na prática não existe mesa de negociação!

No ano passado os trabalhadores perderam 50 das 79 cláusulas em seu Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), um ataque brutal que significou uma derrota para uma das categorias mais combativas dos trabalhadores, amargurando uma perda econômica que reduziu o poder financeiro da categoria em 35%.

Não podemos deixar de falar que, com a perda dessas 50 cláusulas, também surgiu uma ferramenta política de luta antissindical por parte do governo, o qual aplica a ferro e fogo medidas que impedem o trabalho dos representantes dos trabalhadores. Foi proibida a entrada dos diretores sindicais nos locais de trabalho, impedindo a realização de reuniões setoriais e retirando a liberação dos dirigentes sindicais (que estava sustentada por uma liminar que caiu agora, dia 01 de agosto).

Neste ano, mesmo com o anúncio da margem de lucro de mais de 1,5 milhão de reais, com os constantes recordes operacionais e expansão da ECT no mercado nacional e internacional, o recado enviado pela direção da Empresa é que a proposta de reajuste é ZERO! Além da proposta da criação de um Banco de Horas e o anúncio da implantação do ponto eletrônico nos locais de trabalho.

A UNIDADE CLASSISTA e sua Fração de Trabalhadores dos Correios orienta que neste momento crítico é mais que necessário organizar as bases, articular ações de denúncia e conscientizar os trabalhadores sobre a necessidade da construção de uma GREVE, além de se somar aos esforços de construção de uma GREVE GERAL para derrotar Bolsonaro, Mourão e todos os seus aliados, que querem sangrar a classe trabalhadora.

A hora é essa! Chegou o momento de ousar lutar! Chegou o momento de ousar vencer!

UNIDADE CLASSISTA!
FUTURO SOCIALISTA!

EM TEMPO: Enquanto Bozo fica defendendo o voto impresso, esculhambando com a democracia e ameaçando  todos nós com o auto-golpe, com isso fica desviando a atenção da população seja para a CPI da COVID, seja para as privatizações e consequentemente os remédios amargos estão sendo implantados gradativamente. Veja a Reforma Eleitoral em discussão no Congresso e agora a Privatização dos Correios.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Após ataques de Bolsonaro, empresários e intelectuais lançam manifesto de apoio ao processo eleitoral

O Globo - Sérgio Roxo

qua., 4 de agosto de 2021

SÃO PAULO. Um grupo de mais de 200 empresários, economistas e intelectuais divulgará nesta quarta-feira uma manifesto de apoio ao processo eleitoral brasileiro em resposta aos ataques do presidente Jair Bolsonaro à urna eletrônica e ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso.

O texto diz que o "Brasil terá eleições e os seus resultados serão respeitados". Afirma também que a "sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias". Assinam o documento, entre outros, os empresários Luiza Trajano (Magazine Luiza), Guilherme Leal (Natura) e Roberto Setúbal (Itaú); os economistas Armínio Fraga, Pérsio Arida e André Lara Resende; os líderes religiosos Dom Odilo Sherer (cardeal arcebispo de São Paulo) e Monja Coen; os médicos Raul Cutait, Drauzio Varella e Margareth Dalcomo; os ex-ministros José Carlos Dias, Pedro Malan, Paulo Vanuchi e Nelson Jobim; e os professores universitários Luiz Felipe de Alencastro e Candidato Mendes de Almeida.

"Apesar do momento difícil, acreditamos no Brasil. Nossos mais de 200 milhões de habitantes têm sonhos, aspirações e capacidades para transformar nossa sociedade e construir um futuro mais próspero e justo. Esse futuro só será possível com base na estabilidade democrática", afirma o manifesto. O texto ainda ressalta que "o princípio chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos". "A Justiça Eleitoral brasileira é uma das mais modernas e respeitadas do mundo. Confiamos nela e no atual sistema de votação eletrônico", afirma.

Carlos Ari Sundfeld, professor da FGV-Direito São Paulo e um dos idealizadores do manifesto, diz que o documento é uma resposta após a fala de Bolsonaro na segunda-feira em que o presidente atacou o presidente do TSE e o acusou de prestar um desserviço ao país. Por meio de grupos de diálogo já existentes, os signatários decidiram pela elaboração do manifesto.

— Queremos mostrar que a sociedade não considera normal o presidente atacar instituições que estão exercendo a sua função. É importante que os mais diferente setores estejam unidos na confiança na Justiça e no processo eleitoral.

Sundfeld destaca que os signatários possuem diferentes visões políticas e são oriundos das mais diversas atividades profissionais. O grupo, segundo ele, reconhece um risco para a democracia e estão dispostos a defendê-la. Ainda de acordo com o professor, o manifesto é apenas o primeiro passo. A expectativa é que a Congresso enterre o projeto que institui o voto impresso, mas, se isso não ocorrer, uma das possibilidades debatidas é questionar a constitucionalidade do texto.

Bolsonaro é incluído em inquérito das fake news do STF por atacar urnas eletrônicas

Yahoo Notícias, João de Mari

qua., 4 de agosto de 2021

O pedido de apuração foi baseado nos ataques, sem provas, feitos pelo presidente às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral do país (Foto: REUTERS/Adriano Machado )





·         Bolsonaro é incluído em inquérito das fake news do STF por atacar urnas eletrônicas

·         Segundo juristas, a investigação têm a possibilidade de, no caso de uma condenação, deixar Bolsonaro inelegível

·         TSE também aprovou por unanimidade a abertura de um inquérito administrativo no âmbito do tribunal para apurar ataques à legitimidade das eleições

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu, nesta quarta-feira (4), que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) será incluído como investigado no inquérito da fake news por atacar as urnas eletrônicas. Segundo juristas, a investigação têm a possibilidade de, no caso de uma condenação, deixar Bolsonaro inelegível, o que tiraria o atual presidente de uma possível disputa de reeleição em 2022.

Na segunda-feira (2), por unanimidade em plenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu ao STF para que o presidente fosse investigado no inquérito que apura a disseminação de fake news. O pedido de apuração foi baseado nos ataques, sem provas, feitos pelo presidente às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral do país. Bolsonaro e apoiadores vem defendendo fortemente uma suposta fragilidade no sistema de segurança das urnas eletrônicas. Por este motivo, mesmo sem apresentar provas, ele argumenta que as eleições sejam realizadas com o voto impresso — o que ele chama de "auditável".

Na semana passada, porém, em uma live na qual disse que apresentaria provas sobre uma suposta fraude da urna eletrônica nas eleições de 2014 e 2018, Bolsonaro admitiu não conseguir atestar suas declaraçõesO presidente da República se contentou em mostrar vídeos antigos divulgados na internet com eleitores reclamando de problemas na hora de votar e um vídeo de um youtuber sobre suposta manipulação da urna eletrônica, que já foi negado pelo TSE.

Eleições: Bolsonaro flerta com golpe e Câmara com retrocesso

Arte: Getty Creative

Yahoo Notícias - Matheus Pichonelli

qua., 4 de agosto de 2021

Pouco antes de ser eleito presidente, Jair Bolsonaro afirmou, em uma entrevista à Rádio Jornal de Barretos, durante a campanha de 2018, que o objetivo de seu futuro governo era fazer “o Brasil semelhante àquele que tínhamos há 40, 50 anos”.

Com uma pequena ajuda dos amigos, está quase conseguindo.

Eleição indireta, senador biônico, bipartidarismo, cassação de opositores, Lei Falcão. Não teve norma que não foi instituída pelo regime militar, há 40 ou 50 anos, que não confirmasse a máxima de Lampedusa: é preciso mudar tudo para que tudo permaneça como está.

Viúvo do regime, Bolsonaro flerta com o voto impresso como condição para haver disputa em 2022. Mais um pouco e passará a defender a volta do voto aberto, em que o eleitor proclamava ao mesário seu candidato favorito —geralmente com o ouvido à espreita do outro lado da porta, como acontecia nos tempos da república com café com leite.

Bons tempos.

Enquanto Bolsonaro faz ameaças e atiça os seguidores a irem às ruas em defesa de sua nova obsessão, a Câmara dos Deputados, liderada por Arthur Lira (PP-AL), um preposto do bolsonarismo no Congresso, anuncia em voz baixa a intenção de comer a atual legislação eleitoral pelas beiradas. Com mais de 370 páginas, um projeto de lei complementar relatado pela deputada Margarete Coelho (PP-PI), aliada de primeira hora de Lira, prevê a criação de um novo código eleitoral em que velhas estratégias eleitoreiras do passado voltariam a pautar as disputas do futuro.

Se for aprovada, a Lei do Liberou Geral, como está sendo chamada, consagrará a volta triunfal dos comícios, do transporte de eleitores (pago por candidatos sinceros e desinteressados) até a cabine e o retorno da boca-de-urna, como é conhecida a prática de assediar os sufragistas já na fila de votação.

A proposta prevê ainda o afrouxamento de algumas regras para uso de dinheiro público, como o fundo partidário, concentraria poderes nas mãos dos caciques das legendas, tornaria mais difícil a punição de políticos por compra de votos, desobrigaria as legendas de cumprirem as regras raciais e de gênero e ainda limitaria os institutos de pesquisa a restringir a divulgação de levantamentos à antevéspera do pleito, obrigando-os ainda a publicar um certo índice de acerto nas últimas eleições —como se fossem parte de um jogo de apostas, e não um registro das intenções de voto em determinados momentos, sujeitos portanto a mudanças.

Uma coisa é certa: com Lira e Bolsonaro nas chefias da Câmara e do Executivo, os avanços, aos trancos, do sistema eleitoral ainda passará por constantes ameaças até 2022. 

À mesa hoje estão propostas que, em resumo, não passam de atraso, flerte com o golpe ou desmonte.

Quem for às urnas merece mais do que isso.

EM TEMPO: O presidente Bolsonaro quer é bagunçar o processo eleitoral, dar um auto golpe e impedir que haja eleições em 2022. As suas artimanhas pelo voto impresso é apenas um pretexto para bagunçar  as eleições. 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Fux verbalizou a defesa da democracia e, sem dizer, dirigiu-se a Bolsonaro; leia análise


 ESTADÃO - Joaquim Falcão 

 

© Dida Sampaio/ Estadão O presidente do STF, Luiz Fux.

A importante novidade da fala institucional do presidente Luiz Fux não foi apenas o conteúdo. Foi ter falado. O que é incomum. Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) fala institucionalmente apenas em fevereiro. Na abertura do ano judiciário. Não no meio.

No segundo semestre de 2019, o então presidente Toffoli não fez pronunciamento. Disse apenas: “Bom retorno aos trabalhos”. Em 2020, Toffoli também não fez pronunciamento. Disse apenas: “Manifestamos nosso pesar pelo falecimento de já cem mil brasileiros vítimas da pandemia... Iniciaremos os trabalhos com...”.

Agora mudou.

A voz institucional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do ministro Luís Roberto Barroso, levou o presidente Bolsonaro a confessar que não tem provas de fraude nas eleições. Estimula o Supremo a falar. Fux, além do inusitado falar, o fez em duas línguas. Em duas vozes distintas. Uma voz verbalizou uma melodia “dolce”: a defesa da democracia liberal clássica. Cantou a independência dos Poderes, a necessidade de instituições sólidas, do diálogo, da valorização da mídia. Reconheceu também a importância da voz das ruas (lembrando que a voz das ruas ora é golpista, ora é democrática. Faltou o  ministro Fux esclarecer - grifo nosso). Tabu e medo para muitos. Finaliza com a necessidade hoje do Brasil, guia da interpretação constitucional: vacina, emprego, comida na mesa.

A outra voz foi o que se chama na música clássica de “bocca chiusa”. Cantar com boca fechada. Falou sem dizer. A melodia emitida deixa de ser “dolce”. É tempestuosa. Dirigiu-se claramente a Bolsonaro “con fuoco”, com fogo, vivo e agressivo. As palavras ditas revelam. O Supremo não aceita impunidade. Não aceita o sorrateiramente agir. Nem o veladamente. Não aceitará ataques. Não admitirá atos que corroem a democracia. O Supremo será plenamente vigilante. Falar será o começo do agir?

Não é preciso citar Bolsonaro para falar com Bolsonaro.

* PROFESSOR DE DIREITO CONSTITUCIONAL E MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

EM TEMPO: No Brasil atual há uma luta entre as forças democráticas e as que defendem o auto golpe do presidente Bolsonaro. O voto impresso é apenas um pretexto para Bozo manter seus radicais e  fanáticos nas ruas, uma vez que o que o Presidente quer mesmo é impedir que haja as Eleições 2022. Daí a contradição com o Centrão. Vamos ver até onde vai esse apoio do Centrão, grupamento de políticos profissionais. Agora durmam com esse pesadelo. 

domingo, 1 de agosto de 2021

O aumento do preço do gás e as privatizações

Por Vanessa Freitas

Jornal O MOMENTO – PCB da Bahia

O Aumento do Preço do Gás e a Política de Privatizações

Os custos da atual crise no Brasil continuam a recair sobre os trabalhadores mais empobrecidos. A realidade é cada vez mais alarmante: grande parte da população atua na informalidade, sem nenhuma garantia de renda mensal, ao passo que a taxa de desocupação em Salvador já atinge 21,3%, segundo dados do IBGE. As famílias brasileiras, dantes enfrentando o desemprego e a insegurança alimentar – considerando o aumento do preço da cesta básica desde o último trimestre de 2020 -, seguem enfrentando o crescente preço do gás de cozinha, que incide diretamente nas condições de acesso e consumo da classe trabalhadora.

No início de junho deste ano, a Petrobrás anunciou um reajuste de 5,9% no preço do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), e estima-se que o preço de um único botijão pode ultrapassar a faixa dos R$100,00 em Salvador. Os preços do GLP variam de acordo com as distribuidoras dos bairros da capital baiana, com uma variação de R$80,00 a R$95,00. O aumento do preço do gás de cozinha dificulta ainda mais as condições de vida da maioria da população, afetando também os pequenos comerciantes que trabalham no setor de serviços de alimentação, além dos trabalhadores informais, que, sem garantias, não conseguem arcar com o aumento excessivo dos custos.

O reajuste do preço do gás de cozinha, o GLP, é um reflexo da política ultraliberal que vem sendo orquestrada pelo Governo Federal, com sua agenda de privatizações que entrega setores estratégicos nacionais ao mercado acionista. Tal aumento no montante do gás se dá pela atual Política de Preços da Petrobrás, que corresponde à cotação do petróleo no mercado internacional e não atende à demanda do mercado interno, influenciando, portanto, no preço final do produto, que é derivado do petróleo. Dessa forma, esse processo impacta na comercialização do gás de cozinha, que é um insumo de consumo popular.

A defesa das estatais brasileiras contra a política de privatizações é uma necessidade histórica, que atua na perspectiva de garantir autonomia e soberania do país frente ao capital privado, promovendo a capacidade de produção e correspondência da demanda nacional interna e superando as relações de dependência no comércio internacional, bem como o PPI (Preço de Paridade Internacional) que está em curso.

Assegurar as condições de acesso a produtos essenciais e o bem-estar da população, especialmente num cenário de pandemia, deveria ser questão prioritária; mas o governo Bolsonaro-Mourão não opera com vistas a isso, pois seu projeto liberal é antagônico aos interesses da população pobre e periférica. Mais do que nunca, é preciso defender as condições de vida do povo brasileiro. Contra a precarização, a fome e a contínua retirada de direitos.

STF decide sobre Bolsonaro e atuação de Braga Netto

 

FOLHApress - MATHEUS TEIXEIRA E MARCELO ROCHA

 

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em meio à tensão institucional causada pelos recentes ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal), a corte volta do recesso nesta semana com julgamentos importantes e que podem gerar novas brigas entre os Poderes.

No segundo semestre, o tribunal definirá o formato do depoimento do chefe do Executivo no inquérito que apura a suposta interferência dele no comando da Polícia Federal e também deverá tomar uma decisão sobre o pedido de congressistas para que o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, seja investigado por ameaça às eleições de 2022. Já na sessão de abertura dos trabalhos do Judiciário na próxima segunda-feira (2), o presidente do STF, Luiz Fux, dará um discurso com respostas aos ataques de Bolsonaro à corte e ao sistema eleitoral.

Os próximos meses também devem ser marcados pela posse do ministro que entrará no lugar de Marco Aurélio, que se aposentou em julho. Bolsonaro indicou o advogado-geral da União, André Mendonça, mas o nome ainda precisa ser aprovado pelo Senado. A investigação por suposta prevaricação de Bolsonaro por ter ignorado denúncias relativas às negociações para compra da vacina indiana Covaxin é outro tema que terá desdobramentos no segundo semestre e que tem potencial para elevar a tensão entre o Supremo e o Palácio do Planalto.