Diplomata chama declaração do mandatário dos EUA de contraditória e afirma que plataformas restringiram conteúdos da campanha do presidente Lula
Conteúdo postado por: Paulo
Emílio.
Publicado em 26 de outubro de 2026.
Celso Amorim. Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil
247 – O assessor
especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso
Amorim, rebateu nesta segunda-feira (26) as declarações do presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, sobre a eleição presidencial brasileira. Ao
comentar as suspeitas levantadas pelo norte-americano, Amorim afirmou que a
tentativa de interferência no processo eleitoral partiu da Meta, empresa
responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, e não do sistema de votação.
Em entrevista ao G1, Amorim
classificou como contraditória a manifestação de Trump, que insinuou a
existência de fraude na eleição vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), mas, na sequência, declarou manter uma boa relação com o
brasileiro.
“Ele [Trump] está
mal informado. Declaração contraditória, depois diz que gosta do Lula. Quem
tentou fraudar a eleição foi a Meta, obstruindo e restringindo as nossas
colocações. Só se ele está se referindo à Meta”, afirmou Amorim ao g1.
A declaração ocorre
em meio à disputa judicial envolvendo a campanha de Lula e a gigante
estadunidense de tecnologia. A equipe do presidente acionou a Justiça Eleitoral
sob a acusação de que a Meta teria imposto obstáculos à circulação de conteúdos
favoráveis ao petista, beneficiando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
A empresa nega ter
interferido no processo eleitoral.
Trump questiona resultado sem
apresentar provas
As declarações de
Amorim foram uma resposta direta ao presidente estadunidense, que, mais cedo,
havia sido questionado por jornalistas sobre a derrota de Flávio Bolsonaro no
segundo turno da eleição brasileira, realizado no domingo (25).
Trump colocou em
dúvida a legitimidade da votação, embora não tenha apresentado evidências de
irregularidades que comprometessem o resultado.
Segundo o
presidente dos Estados Unidos, o pleito brasileiro “pareceu mais uma eleição
fraudada”.
Questionado sobre a
possibilidade de adotar alguma medida diante do resultado, Trump afirmou que
não governa o Brasil e destacou sua relação com Lula. Ao mesmo tempo, criticou
a decisão judicial que permitiu a ampliação do horário de votação em
determinadas seções eleitorais.
“Eu não governo o
Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele,
mas a prorrogação concedida foi muito estranha.”
A manifestação
ocorreu um dia depois da confirmação da vitória de Lula e em meio à tentativa
de Flávio Bolsonaro de contestar judicialmente o resultado.
Lula venceu por mais de 4 milhões de
votos
O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos,
contra 48,21% obtidos por Flávio Bolsonaro.
A diferença entre
os dois candidatos chegou a aproximadamente 4,4 milhões de votos, consolidando
uma virada inédita na história das eleições presidenciais brasileiras: pela
primeira vez, um candidato venceu o segundo turno depois de terminar a primeira
etapa da disputa na segunda colocação.
Apesar da vantagem
registrada nas urnas, Flávio Bolsonaro anunciou que não reconhece o resultado e
pretende recorrer à Justiça Eleitoral para solicitar a anulação da votação.
O principal
argumento apresentado pelo candidato derrotado envolve a decisão do ministro
Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a extensão do
horário de votação até as 19h em seções eleitorais que permaneciam abertas.
Flávio Bolsonaro
sustenta que a medida teria comprometido a igualdade entre os eleitores e
alterado as condições da disputa durante o próprio processo eleitoral.
Prorrogação foi solicitada pelas duas
campanhas
A ampliação do
horário de votação ocorreu após representantes das campanhas de Lula e Flávio
Bolsonaro relatarem dificuldades enfrentadas por eleitores em diferentes
regiões do país.
A equipe do
presidente apontou problemas no transporte público que teriam prejudicado o
deslocamento até os locais de votação. O pedido apresentado à Justiça
mencionava ocorrências em pelo menos nove unidades da Federação, incluindo São
Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco.
Já a campanha de
Flávio Bolsonaro solicitou a extensão do horário em municípios atingidos por
chuvas intensas. Seus advogados relataram alagamentos, alterações nos locais de
votação e obstáculos ao acesso dos eleitores às seções.
Ao analisar os
pedidos, Zanin considerou a gravidade das situações apresentadas e a
necessidade de uma resposta urgente para assegurar o exercício do direito ao
voto.
Posteriormente, o
ministro esclareceu que a autorização se aplicava exclusivamente às seções que
ainda estavam abertas no momento da decisão, sem permitir a reabertura de
locais onde a votação já havia sido encerrada.
TSE aponta número reduzido de votos
após as 17h
Os dados divulgados
pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que aproximadamente 35 mil
pessoas votaram depois das 17h, apesar da autorização para o funcionamento
excepcional de determinadas seções até as 19h.
O contingente
corresponde a uma parcela pequena diante da diferença de aproximadamente 4,4
milhões de votos registrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Mesmo na hipótese de todos os 35 mil votos terem
sido destinados a um único candidato, o volume seria insuficiente para
modificar o resultado da eleição presidencial.

Nenhum comentário:
Postar um comentário