A resposta está muito além das fake news. A articulação da Abin com estruturas europeias expõe uma disputa por soberania que já atravessa as eleições de 2026
Por Reynaldo José Aragon Gonçalves (Jornalista)
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| Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil |
A quatro dias do primeiro turno, a denúncia de interferência estrangeira mostra que a eleição brasileira já é observada como questão de inteligência, poder tecnológico e soberania nacional.
Quatro dias antes do voto
Em 30 de setembro
de 2026, uma informação mudou o enquadramento da eleição brasileira. A Reuters
revelou que representantes da inteligência do país receberam, entre 9 e 11 de
setembro, uma delegação francesa e alemã em Brasília. Na mesa estavam interferência
estrangeira, plataformas digitais e formas de resposta antes da votação. Pela
França vieram integrantes da Viginum, especializada em interferência digital
estrangeira, e da Arcom, reguladora de mídia e comunicação. A Alemanha enviou
representantes de sua Agência Federal de Redes. Os documentos examinados pela
Reuters registram entre os objetivos da missão a preparação de respostas
coordenadas para o processo eleitoral de 2026.
Foi nesse encontro
que representantes brasileiros falaram em interferência proveniente dos Estados
Unidos e da Rússia. As duas atribuições, porém, não aparecem sustentadas da
mesma forma. Segundo o relato conhecido, a atuação norte-americana teria ido do
lawfare a formas de interferência reconhecidas publicamente. Sobre a Rússia, o documento
acessado pela reportagem não apresenta evidência específica. Colocar as duas
acusações no mesmo plano apagaria justamente o que a informação disponível
permite distinguir.
A composição da
reunião ajuda a entender por que ela importa. Viginum, Arcom e a agência alemã
não foram a Brasília para discutir apenas uma postagem falsa ou um vídeo
adulterado. São estruturas que lidam com regulação, redes, segurança e
interferência. A presença delas indica que o problema eleitoral brasileiro já
está sendo observado como algo que combina tecnologia, poder estatal e
capacidade de influência transnacional.
A Abin vinha
preparando esse terreno conceitual. Em seu documento de desafios para 2026,
descreveu o domínio digital como arena de competição geopolítica, apontou a
dependência brasileira de infraestrutura tecnológica estrangeira como
vulnerabilidade e admitiu que grandes plataformas podem funcionar como vetores
de influência dos Estados onde estão sediadas. O mesmo documento reúne guerra
cognitiva, espionagem, coerção e infraestrutura crítica dentro de um espectro
híbrido. A Política Nacional de Inteligência, por sua vez, trata interferência
externa como atuação deliberada voltada a influenciar os rumos políticos do
país em benefício de interesses estrangeiros.
O risco, portanto,
não começa apenas quando alguém tenta tocar na urna. Pode aparecer muito antes,
na capacidade de uma potência, empresa ou rede política alterar o ambiente em
que o país decide. Às vésperas da votação, a questão é simples e incômoda. Quem
possui meios para condicionar a decisão brasileira, por quais caminhos e a
serviço de quais interesses?
A guerra está atrás da notícia
Durante muito
tempo, o debate público sobre guerra informacional ficou preso à mentira
visível. Procurava-se a postagem falsa, a fotografia adulterada, o vídeo
manipulado, a frase inventada. Era necessário fazer isso, mas nunca bastou. Uma
operação pode usar conteúdo verdadeiro, falso ou apenas deslocado de contexto.
O que lhe dá força está na organização, no financiamento, na infraestrutura, na
escolha do alvo e na capacidade de repetir um estímulo até transformá-lo em
ambiente.
Minha pesquisa foi
caminhando nessa direção ao longo dos últimos anos. Não por antecipação
profética, muito menos por desejo de reivindicar primazia. Os próprios objetos
impunham a mudança. Ao estudar metaintermediação algorítmica, autonomia
cognitiva, gerrymandering digital e operações psicológicas, o problema
reaparecia sob formas diferentes. Plataformas não transportam apenas
informação. Classificam públicos, distribuem visibilidade, antecipam
preferências e alteram o campo em que decisões são tomadas.
Em julho de 2025,
eu já discutia o risco de uma infraestrutura capaz de antecipar escolhas
interferir na própria formação da autonomia. Meses depois, ao tratar da guerra
informacional em direção a 2026, a questão aparecia em termos de detecção,
antecipação e capacidade estatal de resposta. A unidade de análise deixava de
ser a peça isolada. O que precisava ser seguido era a operação.
A Viginum chegou
institucionalmente a uma formulação muito próxima. O órgão francês deixa claro
que não é uma agência de checagem de fatos. Seu objeto é o modo operatório
informacional, observado por indicadores técnicos, comportamento dos
operadores, coordenação, ferramentas, procedimentos e infraestrutura. Em junho
de 2026, esse conceito foi incorporado a um marco comum do mecanismo de
resposta rápida do G7, numa tentativa de deslocar a atenção das narrativas para
os meios que tornam uma campanha possível.
Saber que uma mensagem
é falsa ajuda a conter sua circulação. Descobrir quem a produziu, como foi
distribuída, quais contas atuaram em conjunto, de onde vieram os recursos e que
sistemas ampliaram seu alcance aproxima a investigação da estrutura responsável
pelo efeito político. É nesse terreno que inteligência e jornalismo
investigativo começam a se encontrar.
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Não há razão para
transformar essa convergência em vaidade. A Viginum trabalha com essa abordagem
desde o início de 2025, e comunidades de inteligência e pesquisa em diferentes
países chegaram por caminhos próprios a problemas semelhantes. O que importa é
que a discussão brasileira permaneceu por tempo demais concentrada na oposição
entre verdade e mentira enquanto a disputa já avançava sobre dados,
recomendação, publicidade e distribuição.
A notícia falsa,
quando existe, é o vestígio mais fácil de enxergar. A investigação estratégica
começa depois dela, quando se segue a infraestrutura e se pergunta quem ganhou
capacidade de produzir o efeito.
A interferência deixou de ser uma
hipótese abstrata
No caso dos Estados
Unidos, já existe uma sequência concreta de atos de poder. Em junho de 2026, o
Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos concluiu uma
investigação aberta por determinação do presidente Donald Trump e classificou
como passíveis de resposta medidas brasileiras que, segundo Washington,
prejudicavam interesses comerciais norte-americanos. Entre os fundamentos
estavam decisões de tribunais brasileiros contra plataformas digitais dos
Estados Unidos, com ordens de remoção de conteúdo, suspensão de perfis e
sanções por descumprimento. Em 15 de julho, a administração Trump impôs tarifa
adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.
Não é necessário
atribuir a cada medida uma intenção eleitoral secreta para reconhecer o
problema. Decisões tomadas dentro do sistema jurídico brasileiro passaram a
produzir resposta econômica de uma potência estrangeira justamente quando o
país entrava na reta decisiva da eleição. Quando o custo de uma escolha soberana
começa a ser imposto de fora, a política comercial deixa de poder ser examinada
separadamente do ambiente político em que atua.
A revelação da
Reuters acrescentou outro elemento. No encontro com franceses e alemães,
representantes brasileiros teriam descrito a atuação norte-americana como algo
que ia do lawfare a formas abertas de interferência. É uma avaliação atribuída
à inteligência brasileira e deve ser tratada com esse peso, nem mais nem menos.
Sua gravidade está no fato de que não surgiu isolada, mas dentro de um contexto
já marcado por pressão econômica, conflito com decisões judiciais brasileiras e
articulação política transnacional.
A campanha de
Flávio Bolsonaro expôs essa internacionalização de forma pública. No lançamento
da candidatura, em julho, foram apresentados apoios de Javier Milei e Benjamin
Netanyahu. Netanyahu apareceu por vídeo. Milei atacou Lula e exaltou Bolsonaro.
Chefes de governos estrangeiros tomaram posição diante de uma candidatura à
Presidência do Brasil, e a própria campanha incorporou esse apoio à sua cena
política. Não é preciso imaginar clandestinidade onde a influência já se
apresenta à luz do dia.
Ainda assim, as
categorias precisam permanecer separadas. Apoio político, coerção econômica,
influência informacional e operação clandestina produzem efeitos diferentes e
exigem provas diferentes. Misturá-las pode render uma frase mais explosiva, mas
destrói a análise. Guerra híbrida não é um rótulo para qualquer conflito. É uma
forma de observar a combinação de instrumentos quando eles passam a convergir
sobre a autonomia decisória de outro Estado.
Essa diferença de
prova é especialmente importante no caso da Rússia. A Abin a mencionou, e há
operações russas de influência documentadas em outros países, assim como
presença informacional russa na América Latina. O material público conhecido
sobre a eleição brasileira, contudo, não oferece o mesmo nível de detalhamento
apresentado no caso norte-americano. Capacidade não equivale a autoria, e
presença internacional não basta para demonstrar interferência eleitoral. Fazer
essa distinção não suaviza a análise. Evita que ela seja contaminada por uma
simetria que os fatos disponíveis não sustentam.
Israel exige
cuidado semelhante. O apoio de Netanyahu a Flávio Bolsonaro é público. Também é
documentada a existência de empresas israelenses que atuam nos mercados de
inteligência, vigilância e operações de influência, e o Brasil conhece os
riscos políticos de tecnologias estrangeiras de monitoramento quando elas
entram em estruturas estatais sem controle adequado. Isso não prova que o
governo israelense comande uma operação clandestina contra Lula. Mostra, porém,
que interesses, redes políticas e capacidades tecnológicas de origem
estrangeira já fazem parte do ambiente que cerca a eleição.
A soberania ganha
aqui um sentido material. Não é uma palavra para cerimônias nem um argumento
reservado às Forças Armadas. É a capacidade de uma sociedade absorver pressões
sem entregar a decisão. Quando uma eleição passa a conviver com tarifas,
disputas sobre plataformas, apoios presidenciais estrangeiros e redes
transnacionais de influência, olhar apenas para a campanha doméstica é enxergar
metade do tabuleiro.
O campo de batalha está dentro da
infraestrutura
Grande parte da
guerra informacional contemporânea acontece sobre infraestrutura privada.
Publicidade eleitoral, segmentação de públicos, recomendação algorítmica,
inteligência artificial e disputa pela atenção dependem de sistemas que não
estão sob controle direto do Estado brasileiro. São plataformas que organizam
visibilidade por regras próprias e modelos opacos, capazes de decidir em
segundos o que alcança milhões de pessoas e o que desaparece. Por isso
soberania digital deixou de ser assunto técnico.
O documento da Abin
já citado reconhece essa vulnerabilidade ao tratar fluxos de dados, plataformas
sociais e infraestrutura informacional como territórios de competição
geopolítica. A dependência brasileira de tecnologias controladas no exterior
cria uma assimetria difícil de ignorar. Não significa que cada decisão
empresarial seja uma ordem de governo estrangeiro. Significa que parte
crescente da esfera pública brasileira funciona em ambientes cuja governança,
arquitetura e interesses econômicos são definidos fora do país.
Em agosto, a
Anistia Internacional testou essa fragilidade. Pesquisadores submeteram ao
sistema de anúncios do Facebook peças experimentais com desinformação eleitoral
em português. Oito das quatorze peças com conteúdo falso foram aceitas. O teste
saiu de Londres, sem VPN que simulasse localização brasileira, e a conta não
havia concluído a verificação de identidade exigida para publicidade política.
Os anúncios foram cancelados antes de ir ao ar, mas o sistema de revisão
permitiu que chegassem até ali.
No dia 30 de
setembro, outro levantamento apontou pelo menos R$ 1,1 milhão em anúncios
eleitorais considerados irregulares na Meta. Algumas páginas operavam do
exterior, havia pagamentos em moedas estrangeiras e determinados conteúdos
acumularam milhões de impressões antes da remoção. A empresa informou ter
retirado anúncios ilegais e reiterou seu compromisso com a integridade
eleitoral. O episódio, somado ao teste da Anistia, mostra quanto tempo pode
existir entre a circulação de uma peça e a reconstrução de sua cadeia de
responsabilidade.
A própria campanha
eleitoral passou a depender financeiramente desse mercado de visibilidade. Até
20 de setembro, candidatos brasileiros haviam destinado mais de R$ 167 milhões
à Meta para impulsionar conteúdo político, superando o gasto de toda a eleição
de 2022. Uma parcela relevante da comunicação eleitoral circula, portanto,
dentro de uma infraestrutura pertencente a uma corporação estrangeira e
organizada por sistemas que o eleitor não audita e o Estado brasileiro conhece
apenas parcialmente.
Esse desenho produz
uma vulnerabilidade que independe de conspiração. Quem compra alcance entra
numa disputa regida por critérios de distribuição privados. Quem opera redes
coordenadas tenta explorar os mesmos mecanismos. Quem fiscaliza chega depois,
muitas vezes obrigado a reconstruir trajetórias que a plataforma já percorreu
em escala industrial. O poder está menos na mensagem isolada do que na
capacidade de fazê-la aparecer para a pessoa certa, no momento certo e com
frequência suficiente para parecer parte natural do ambiente.
Em 23 de setembro,
essa dependência apareceu por outra via. A conta de anúncios da campanha de
Lula no Facebook foi suspensa temporariamente e restabelecida no mesmo dia. A
campanha considerou a medida prejudicial e pediu explicações. A Meta confirmou
o restabelecimento, mas não informou publicamente a razão da suspensão. O
episódio não demonstra interferência deliberada. Revela algo mais elementar.
Uma decisão técnica ou empresarial tomada dentro de uma plataforma pode alterar
de imediato a capacidade de comunicação de uma candidatura presidencial.
Não é preciso
controlar todos os cidadãos para produzir efeito político. Basta controlar ou
explorar pontos de passagem importantes. Publicidade, recomendação, busca,
nuvem, inteligência artificial e distribuição funcionam como gargalos de uma
esfera pública cada vez mais digital. Quem detém poder sobre esses gargalos não
determina automaticamente o voto, mas interfere no campo de visibilidade em que
milhões de pessoas definem o que parece urgente, confiável ou irrelevante.
É aí que a
integridade eleitoral encontra seu limite mais difícil. A urna pode permanecer
tecnicamente intacta enquanto o ambiente anterior ao voto sofre pressão
econômica, tecnológica e informacional. Proteger a máquina e ignorar o espaço
em que a vontade é formada seria cuidar apenas da última etapa de um processo
que começou muito antes.
Um país que não
conhece suficientemente a infraestrutura pela qual sua população recebe
informação, não domina seus dados estratégicos e não consegue auditar os
sistemas que organizam a esfera pública transfere parte da própria autonomia
para estruturas que não controla. A ameaça mais sofisticada não precisa
derrubar a democracia por fora. Pode aprender a operar dentro das dependências que
a democracia passou a considerar normais.
Soberania não termina na urna
Diante desse
quadro, a resposta brasileira não pode se limitar à proteção da votação ou à
remoção de conteúdo. O país precisa tratar a esfera informacional como parte de
sua infraestrutura estratégica. Isso envolve Justiça Eleitoral, inteligência,
ciberdefesa, investigação financeira, universidades, imprensa, empresas e
sociedade civil. Nenhuma dessas áreas, sozinha, enxerga o quadro inteiro.
O TSE ampliou em
2026 sua cooperação com Meta, Google, X, Telegram, TikTok, Kwai, LinkedIn e
outras plataformas, exigindo planos de mitigação de riscos à integridade
eleitoral. É um passo necessário. Mas a defesa de uma eleição também depende de
saber de onde vem o dinheiro, como redes se coordenam, quais infraestruturas
estão sendo usadas e quando uma campanha de influência deixa de ser ruído para
adquirir valor estratégico.
A aproximação com
França e Alemanha pode ajudar nessa construção, desde que cooperação não se
transforme em dependência. O Brasil tem interesse em aprender com estruturas
que já desenvolveram métodos de detecção e atribuição. Também tem obrigação de
construir capacidade própria. Uma democracia soberana não pode depender
permanentemente de Washington, Paris, Berlim, Bruxelas, Moscou, Pequim ou Tel
Aviv para compreender o que acontece dentro de sua esfera pública.
Essa capacidade
precisa sobreviver a governos. Operações informacionais amadurecem ao longo do
tempo, atravessam calendários eleitorais e se adaptam às mudanças de plataforma.
O Estado brasileiro necessita de memória técnica, equipes estáveis, capacidade
de atribuição e mecanismos de cooperação que não desapareçam depois da apuração
dos votos. Sem isso, cada eleição começa como se o país estivesse aprendendo
novamente a reconhecer o problema.
Crítica estrangeira
não é automaticamente interferência, relação diplomática não é conspiração,
jornalismo internacional não é operação psicológica e apoio político público
não equivale, por definição, a ação clandestina. Banalizar esses conceitos
seria oferecer aos próprios operadores de influência a confusão de que
precisam. Atribuição séria exige prova, contexto e capacidade de distinguir
interesses que se cruzam sem presumir comando único onde ele não foi
demonstrado.
O jornalismo e a
pesquisa têm responsabilidade particular nesse terreno. Reproduzir narrativas
em circulação é apenas o começo. Investigar significa seguir vínculos,
infraestrutura, dinheiro, cronologia e efeitos até onde a evidência permitir.
Foi essa exigência que, ao longo dos últimos anos, me levou a olhar menos para
a mentira como objeto isolado e mais para as condições que lhe dão potência. A
revelação da reunião entre Abin, franceses e alemães torna essa pergunta ainda
mais urgente.
Empresas,
universidades e organizações da sociedade civil também fazem parte dessa
defesa. Grande parte da capacidade técnica necessária está fora do governo.
Pesquisadores acompanham redes, jornalistas reconstroem interesses, empresas
controlam infraestrutura e organizações civis detectam abusos que o Estado
muitas vezes só percebe depois. Transformar esse conhecimento disperso em
capacidade democrática é uma tarefa de soberania.
Soberania não
pertence a um governo, partido ou candidatura. Pertence ao país. Alianças
externas, dependências tecnológicas e pressões econômicas precisam ser julgadas
pelo efeito que produzem sobre a autonomia nacional, não pela conveniência que
oferecem a um campo político numa eleição. O Brasil precisa conservar para si a
decisão sobre o próprio futuro.
A reunião revelada
pela Reuters vale menos como episódio diplomático do que como aviso.
Instituições brasileiras e europeias já discutem interferência estrangeira em
termos de inteligência, infraestrutura e resposta coordenada. Enquanto isso, o
debate público ainda corre o risco de se prender à próxima fake news quando a
disputa decisiva acontece numa camada mais profunda.
A urna é o último
território da eleição. Quando o eleitor chega a ela, boa parte da disputa pela
soberania já aconteceu.
Artigo publicado originalmente
em <código aberto>

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