Articulista aponta atuação político-eleitoral de André Mendonça no caso Master e defende pedido de suspeição do ministro no TSE
autor: Ricardo Amaral
Ricardo Amaral é editor especial do
Brasil 247 em Brasília
Publicado em 16 de setembro de 2026
André Mendonça. Crédito: Gustavo Moreno/STF
A sessão de
terça-feira no STF serviu para expor a parcialidade político-eleitoral do
ministro André Mendonça na condução do inquérito do caso Master, o que deve ser
motivo para arguir sua suspeição como integrante e vice-presidente do Tribunal
Superior Eleitoral. Os fundamentos técnico-jurídicos da parcialidade foram
colocados claramente na defesa do ministro Alexandre de Moraes e na questão de
ordem do ministro Gilmar Mendes, mas a Federação PT-PCdoB-PV, do presidente
Lula, ainda não tomou a decisão política de pedir a suspeição de Mendonça no
TSE.
Gilmar Mendes apontou a “evidente condução político-eleitoral” de Mendonça, ao lembrar que o ministro bolsonarista conhecia desde maio, pelo menos, o conteúdo do arquivo que usou para acusar Moraes, mas deixou para fazê-lo às vésperas do 7 de setembro. Produziu assim, “um Pixuleco eleitoral” para os atos de Flávio Bolsonaro. A defesa de Moraes traz um encadeamento de fatos e manipulações ilegais para concluir que Mendonça vem atuando “a serviço de um grupo político que quer dar um golpe neste país”, ou seja: Bolsonaro pai e filhos.
Nestas semanas de
crise no STF ficou evidente também o tratamento diferenciado nas decisões de
Mendonça envolvendo políticos, tanto no inquérito Master quanto no do INSS.
Enquanto os sigilos de Fábio Luiz Lula da Silva foram expostos por Mendonça ou
via CPI do INSS, o inquérito sobre a corrupção de Flávio Bolsonaro por Daniel
Vorcaro no caso Dark Horse só veio à tona na marra, assim como as mensagens no
celular de Vorcaro para políticos e ministros bolsonaristas só apareceram por
requisição do ministro Cristiano Zanin à Polícia Federal.
Mendonça ainda não examinou nenhuma questão
relevante afetando a coligação do presidente Lula na corte eleitoral, mas é
questão de tempo e de oportunidade que isso venha a acontecer. Como
vice-presidente do TSE, ele é também um dos juízes da propaganda eleitoral. A desfaçatez
(na expressão de Gilmar Mendes) com que vem atuando no STF para favorecer a
família Bolsonaro (a mesma que usou quando foi ministro do ex-presidente
golpista), recomenda fortemente o pedido de suspeição. Antes que seja tarde.

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