Ministro impõe restrições a dados do celular de Daniel Vorcaro e levanta suspeitas de blindagem no Supremo
Por Florestan
Fernandes Jr (Jornalista)
Publicado em 14 de setembro de 2026.
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| André Mendonça. Crédito: Sophia Santos/STF |
Mais do que isso: por que André Mendonça, autor do pedido de abertura de investigação contra Moraes, se manifestou contra o compartilhamento integral dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sob a alegação de que a abertura total das mídias poderia “tumultuar o julgamento”?
O que precisa ficar
claro ao ministro André Mendonça é que ele apenas pediu a abertura de uma
investigação. A partir daí, não cabe a ele controlar o processo, decidir o que
os demais ministros podem ou não conhecer, nem determinar os termos em que o
pedido será julgado. Essa é uma atribuição do presidente da Corte, a quem
compete conduzir o andamento do julgamento.
Cristiano Zanin e
Gilmar Mendes já demonstraram contrariedade à limitação imposta por Mendonça e
devem questionar a falta de informações cruciais para o julgamento do pedido de
investigação contra um colega de Corte.
As informações
passadas já na semana passada para mim por fontes do STF dão conta de que há
fortes suspeitas de que Mendonça poderia estar tentando se blindar. Ministros
do STF trabalham com a possibilidade de que André Mendonça dificulta a abertura
dos dados para evitar o vazamento de informações da relação dele próprio com
Daniel Vorcaro.
Uma de minhas
fontes diz que ministros próximos a Moraes estão preparados para chutar o balde
e apresentar dentro da Corte informações que poderiam comprometer mais de uma
dezena de ministros do STJ e do STF. Nesse sentido, vale lembrar das
informações que já são públicas envolvendo parentes de ministros do STF com
Daniel Vorcaro, como: Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli e Alexandre
de Moraes. O próprio André Mendonça tem uma história mal contada com Daniel
Vorcaro.
Todos se lembram
que, no início de setembro, o jornalista Paulo Motoryn revelou que, em 14 de
março de 2025, André Mendonça teve uma conversa de cerca de duas horas com
Daniel Vorcaro, na sede do Instituto Iter, que na época pertencia ao ministro.
A justificativa apresentada por Mendonça foi a de que o encontro se destinara
exclusivamente a tratar de uma questão relacionada a precatórios de interesse
do Banco Master.
Convenhamos: essa
justificativa é extremamente frágil. Um ministro do Supremo tem a obrigação
ética de tratar assuntos relacionados ao seu cargo em seu gabinete no STF, com
registro oficial e total transparência. Não se trata apenas de uma questão de
formalidade, mas de preservar a necessária distância entre um ministro da Corte
e os interesses privados de um banqueiro.
Mais ainda: o
encontro a portas fechadas entre Mendonça e Vorcaro, no instituto privado do
ministro, poderia configurar impedimento para a relatoria do caso Banco Master.
Essa informação deveria ter sido comunicada ao presidente Edson Fachin antes do
sorteio que atribuiu a Mendonça a relatoria, retirada de Dias Toffoli.
Ao dificultar o
acesso integral aos dados extraídos dos celulares de Daniel Vorcaro, André
Mendonça abre espaço para especulações sobre sua própria relação com o
ex-banqueiro. Se tomarmos como régua o que ocorreu com Flávio Bolsonaro, filho
de Jair Bolsonaro, que foi desmentido em diferentes versões sobre sua relação
com Vorcaro, as perguntas são inevitáveis: Mendonça teve mais de uma reunião
com o banqueiro? Existem mensagens entre os dois que ainda não vieram a
público? Ele ou sua família receberam algum tipo de benefício financeiro de
Vorcaro, como ocorreu com outros integrantes da Corte?
E, finalmente, por
que André Mendonça afastou os agentes da Polícia Federal que investigavam o
caso para colocar em seu lugar policiais de confiança ligados ao bolsonarismo?
O que havia nas investigações que justificaria uma mudança dessa natureza
justamente naquele momento?
Assim que terminei este texto, veio a informação de
que a Polícia Federal finalmente liberou o acesso, aos gabinetes de Alexandre
de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, à cópia dos dados extraídos do
celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, resta esperar que o conteúdo
disponibilizado seja realmente integral e que nada tenha ficado de fora.
Assista o vídeo:

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